Fora da Igreja não há Salvação: Padre Michael Müller separa a verdade do erro em sua Explicação Familiar da Doutrina Cristã

Este excerto retirado do último capítulo do livro Familiar Explanation of Christian Doctrine do Reverendo Michael Müller C.Ss.R. (Nova York, 1876), refuta duas heresias sobre a salvação. A primeira e mais comum reza que não importa a Igreja a qual a pessoa pertença, o que importa é que ela seja uma pessoa de respeito; esta posição é unânime entre protestantes e entre os aderentes do Novus Ordo. A segunda opinião, restrita ao círculo de influência dos irmãos Dimond (já falamos sobre eles neste artigo sobre o batismo de desejo), reza que não há salvação para os não batizados que, por uma graça extraordinária, receberam a luz da fé na hora da morte. Ambas são posições estranhas a nossa fé, ambas negam de modos diferentes a verdadeira doutrina sobre a salvação que a Igreja recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Extra Ecclesiam Nulla Salus

Q. Mas não é uma falta de caridade professar a doutrina de que ninguém pode ser salvo fora da Igreja?
R. Pelo contrário, é grande ato de caridade afirmá-lo enfaticamente.

Q. Por quê?
R. Porqe o próprio Jesus Cristo e seus Apóstolos o ensinaram em linguagem bastante clara.

Q. Não é grande prova de amor alertar o próximo quando ele está em perigo de cair no fundo de um abismo?
R. Certamente.

Q. Não estão todos aqueles que se encontram fora da Igreja em grande perigo de cair no abismo do inferno?
R. Sim.

Q. Não é, pois, grande caridade alertá-los sobre este perigo?
R. Seria uma crueldade não o fazer.

Q. São todos aqueles que estão fora da Igreja igualmente passíveis de culpa e danação perante Deus?
R. Não, alguns são mais do que outros.

Q. Quem são os menos passíveis de culpa e danação?
R. Aqueles que sem culpa de sua parte não sabem nada sobre Jesus e sua doutrina.

Q. Quem são os mais passíveis de culpa e danação?
R. Aqueles que reconhecem a Igreja Católica como a verdadeira e única Igreja, mas não abraçam sua fé, assim como aqueles que poderiam reconhecê-la como tal, caso procurassem com diligência, mas negligenciam em fazê-lo por indiferença ou outros motivos culpáveis.

Q. O que devemos pensar da salvação daqueles que, sem culpa de sua parte, encontram-se fora do redil da Igreja e que nunca tiveram a oportunidade de conhecê-la melhor?
R. Devemos pensar que sua ignorância invencível não os salvará; mas, se tiverem sido tementes a Deus e vivido de acordo com sua consciência, Deus, em sua misericórdia infinita, provê-los-á com os meios necessários à salvação; mesmo ao ponto, se preciso for, de enviar um anjo para instruí-los na doutrina católica, em vez de deixá-los perecer por ignorância invencível.

Q. É correto dizer que quem não tenha sido recebido no seio da Igreja antes de sua morte está condenado?
R. Não.

Q. Por que não?
R. Porque ninguém pode saber o que se passa entre Deus e a alma no momento terrível da morte.

Q. O que isso significa?
R. Significa que Deus, em sua miserciórdia infinita, pode iluminar na hora da morte alguém que ainda não é católico de modo que este alguém possa reconhecer a verdade da fé católica, arrepender-se verdadeiramente de seus pecados e sinceramente desejar morrer como um bom católico.

Q. O que dizer daueles que recebem tal graça extraordinária e morrem desta maneira?
R. Dizemos que eles morreram unidos, pelo menos, à alma da Igreja Católica e que, por causa disso, foram salvos.

Q. O que sucede com aqueles que, estando fora da Igreja Católica, morrem sem receber esta graça extraordinária na hora da morte?
R. A danação eterna.

Q. Mas não haveriam muitos que perderiam a afeição de seus amigos, o conforto de seus lares, seus bens temporais e prospectos de negócio caso se tornassem católicos? Jesus Cristo não os dispensaria em tais circunstâncias de se tornarem católicos?
R. Quanto à afeição dos amigos, Jesus Cristo solenemente declarou: “O que ama o pai, ou a mãe, mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho, ou a filha, mais do que a mim, não é digno de mim” Mat. x. 37; e sobre a perda dos ganhos temporais, Ele respondeu: “De que aproveitará ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?” Marc viii. 36.

Q. Mas não bastaria a uma pessoa ser católica somente no coração, sem professar sua religião publicamente?
R. Não, pois Jesus solenemente declarou que: “Se alguém se envergonhar de mim, e de minhas palavras, também o Filho do homem e envergonhará dele, quando vier na sua majestade, e na de seu Pai e santos anjos.” Luc ix. 26.

Q. Mas uma pessoa não poderia esperar para ser recebida na Igreja Católica até a hora de sua morte?
R. Isto seria abusar da misericórdia de Deus.

Q. Qual poderia ser o catigo deste pecado?
R. Perder a luz e a graça da fé, e morrer como réprobo.

Q. Há mais alguma coisa que impeça as pessoas de se tornarem católicas?
R. Seria isto: elas sabem muito bem que, cso se tornem católicas, terão de levar uma vida honesta e sóbria, ser puras e frear suas paixões pecaminosas, e isso elas não estão dispostas a fazer. “Os homens amaram mais as trevas do que a luz”” disse Jesus Cristo, “pois eram más as suas obras” Jo iii. 19. Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir.

Q. O que se conclui a partir do que foi dito sobre só haver salvação dentro da Igreja Católica?
R. Que é muito ímpio pensar e dizer que pouco importa o que um homem creia desde que ele seja uma pessoa honesta.

Q. Qual resposta podemos dar a quem pensa de tal modo?
R. Podemos dizer: acaso você crê que sua honestidade e justiça é maior do que a dos escribas e fariseus no Evangelho?

Q. No que consistia a justiça dos escribas e fariseus?
R. Eles viviam em constante oração, pagavam seus dízimos conforme a lei, davam grandes esmolas, jejuavam duas vezes por semana e atravessavam céus e terra para fazer um converso e trazê-lo ao conhecimento de Deus.

Q. O que Jesus Cristo disse sobre esta justiça dos fariseus?
R. Ele disse: “Se a vossa justiça não for maior e mais perfeita do que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos céus.” Mat. v. 20.

Q. Então, a justiça dos fariseus foi insuficiente aos olhos de Deus?
R. Sem a menor dúvida. Sua justiça era apenas exibição de si mesmos e ostentação. Eles faziam o bem somente para serem louvados e admirados pelos homens; mas no interior, suas almas estavam cheias de impureza e malícia. Eles eram hipócritas, que ocultavam grandes vícios sob as aparências de amor a Deus, caridade aos pobres e severidade consigo mesmos. Sua devoção consistia em atos exteriores, e eles desprezavam aqueles que não viviam como eles viviam; eles eram estritos na observância de tradições humanas, mas não tiveram o escrúpulo de não violar os mandamentos de Deus.

Q. O que, pois, pensar dos homens que dizem: “pouco importa o que um homem creia desde que ele seja uma pessoa honesta”?
R. Que a sua honestidade exterior, assim como a dos fariseus, pode ser o bastante para mantê-los fora da prisão, mas não o suficiente para livrá-los do inferno.

Q. Se um não católico disser: “Eu bem que gostaria de crer na doutrina da Igreja Católica, mas eu não posso”, como se deveria responder?
R. Responder-se-ia que, sem dúvida, é vontade de Deus que “todos os homens se salvem, e que cheguem a ter conhecimento da verdade.” 1 Tim. ii. 4; mas que também é, ao mesmo tempo, vontade de Deus que você empregue com dedicação todos os meios próprios para adquirir este conhecimento necessário; de outro modo, você revela claramente que não deseja crer.

Q. Quais são estes meios próprios?
R. A sonceridade de coração que deve provar a si própria,
1. Pelo ardente desejo de conhecer a verdadeira religião,
2. Pela busca dela com diligência e perseverança,
3. Pela oração frequente e fervorosa diante de Deus, pedindo o dom da fé,
4. E finalmente, pela firme resolução de tirar do caminho qualquer obstáculo que possa impedí-lo ou retrdá-lo de abraçar a verdade conhecida.

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