A Igreja de Cristo segundo São Roberto Belarmino

Nesta aula apresento a definição de Igreja segundo São Roberto Belarmino, a qual salienta mais do que qualquer outra o caráter visível da Igreja de Cristo. Será visto que ao cristão não basta possuir virtudes internas ou ter simplesmente o caráter batismal para ser tido como um membro da Igreja; a profissão pública da fé, a comunhão dos mesmos sacramentos e a obediência ao Papa são fatores essenciais.

ESQUEMA DA AULA
  • O que é a Igreja Católica?
    • É necessário compreender o que a Igreja realmente é, para saber o que é a não-Igreja ou o mundo.
    • Fonte da definição. A melhor definição de Igreja é aquela de São Roberto Belarmino por uma série de razões:
      • Doutor das Controvérsias. São Roberto apresenta uma definição de Igreja completamente à prova de protestantismo. A noção de que a Igreja pode ser identificada pelos homens como uma sociedade visível foi negada pelos hereges, São Roberto reafirma esta verdade católica vigorosamente. Ele é reconhecido como porta-voz da eclesiologia católica e ardoroso defensor das prerrogativas do Papado.
      • Providentissimus Deus. Pio XI declarou-o santo e doutor da Igreja, “em nosso tempo, por um conselho da divina providência, o homem mesmo foi elevado à honra dos altares”.
      • Fátima. Sua festa coincide com o dia da primeira aparição da Nossa Senhora em Fátima, onde a Virgem dirigiu graves avisos sobre os castigos que viriam caso o mundo não se convertesse.
      • Mystici Corporis Christi. A definição de Igreja de São Roberto Belarmino é adotada na encíclica de Pio XII sobre o Corpo Místico de Cristo.
    • Conclusão. É nobre e pio voltar-se para São Roberto Belarmino e procurar saber o que ele tem para nos dizer sobre a natureza da Igreja e dos nossos tempos.
    • Definição de Igreja segundo Belarmino. O conjunto de homens unidos pela profissão da mesma fé e pela comunhão dos mesmos sacramentos, sob o governo dos legítimos pastores, principalmente do único vigário de Cristo na Terra, o Romano Pontífice. – Coetus hominum ejusdem christianæ fidei professione, et eorumdem sacramentorum communione colligatus, sub regimine legitimorum pastorum et præcipue unius Christi in Terris vicarii Romani Pontificis. (São Roberto Belarmino, De Eccl., III, II, 9).
    • Pio XII explica a definição na Mystici Corporis, n. 69. “E porque este corpo social de Cristo, como acima dissemos, por vontade do seu Fundador deve ser visível, é força que aquela conspiração de todos os membros se manifeste também externamente, pela profissão da mesma fé, pela recepção dos mesmos sacramentos, pela participação no mesmo sacrifício, pela observância prática das mesmas leis. E ainda absolutamente necessário que haja um chefe supremo visível a todos, que coordene e dirija eficazmente para a consecução do fim proposto a atividade comum; e este é o vigário de Cristo na terra.”
    • I. Comentário. Esta definição se divide em três partes:
      • A profissão da mesma fé (doutrina – fundamento)
      • A comunhão dos mesmos sacramentos (culto – pilar)
      • A submissão ao Romano Pontífice (constituição hierárquica – teto)
    • II. Comentário. Pela primeira, infiéis e judeus estão fora da Igreja, assim como aqueles que fizeram parte dela, mas já não professam a mesma fé. Pela segunda, catecúmenos e cismáticos estão excluídos dela, pois os primeiros ainda não chegaram a receber os sacramentos, enquanto os últimos se apartaram deles. Pela terceira, hereges e cismáticos, que não reconhecem o pastor legítimo, são excluídos da Igreja. Todos os demais, sejam eles réprobos, grandes pecadores e ímpios permanecem unidos a Igreja, salvo em caso de excomunhão por parte da autoridade legítima.
    • III. Comentário. Este ensinamento se opõe ao protestantismo, segundo o qual a pertença à Igreja de Cristo se deve à virtudes internas e, portanto, invisíveis. Nós, por outro lado, cremos que, embora todas as virtudes – fé, esperança e caridade etc. – sejam encontradas na Igreja, não cremos que o sejam só internamente, pois assim seria impossível aos homens reconhecerem a verdadeira religião. De fato, pela sua estrutura jurídica (doutrina, culto e leis em comum), a Igreja é uma assembleia tão visível quanto a assembleia do povo romano ou do reino da França ou da república de Veneza.
    • Corolário. Por conseguinte os que estão entre si divididos por motivos de fé ou pelo governo, não podem viver neste corpo único nem do seu único Espírito divino. – Mystici Corporis. A profissão da mesma fé no foro externo é o requerimento mínimo para o fiel pertencer e manter-se como membro da Igreja Católica.
    • Comparação. Por outro lado, na eclesiologia do Vaticano II a única coisa que você precisa para ser considerado de algum modo um cristão é o batismo.
  • Conclusão. A Igreja Católica é uma sociedade divina, única e una pela mesma fé, esperança e caridade. O fundamento do edifício é a fé. Quem não possui a fé católica não pode ser seu membro.
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