Os erros dos irmãos Dimond

INTRODUÇÃO

Os irmãos Dimond são dois monges beneditinos de Nova Iorque que, apesar de seguirem o ensinamento católico no que toca à questão do Papa, não fazem o mesmo quando se trata de (1) identificar o Anticristo, (2) interpretar certos textos de João Paulo II e (3) expor a doutrina católica sobre o batismo de desejo e de sangue.

Os textos e referências citados abaixo ajudarão o leitor a compreender melhor a natureza desses três erros mencionados no vídeo acima.

1. ANTICRISTO

Proposição Dimondiana: João Paulo II é o Anticristo.

Como sempre, as explicações católicas e confiáveis sobre esta matéria, encontram-se nas obras os Santos Padres e Doutores da Igreja, onde eles tecem comentários sobre a Segunda Carta aos Tessalonicenses, o Apocalipse e certas passagens dos Evangelhos e dos profetas sobre o fim dos tempos. Os três volumes indicados a seguir nada mais são do que compêndios bem-feitos destes ensinamentos.

BELLARMINE S.J., St. Robert. Antichrist (De Controversiis).Mediatrix Press: Edição Kindle, passim.

Contém muitas informações utilíssimas sobre o Anticristo, dentre as quais:

“Além dessas duas opiniões prováveis, existem duas certas: (1) O Anticristo virá particularmente em conta dos judeus e será recebido por eles como se fosse o Messias; (2) será nascido da nação e raça dos judeus, será circuncidado e observará o sábado, ao menos por um tempo.”

CULLETON, Rev. Fr. R. Gerald. The Reign Of Antichrist. TAN Books: Edição Kindle, passim.

Outra compilação da doutrina eclesiástica acerca do Anticristo, com muitas referências à revelações privadas a esse respeito. Dentre outras coisas, lemos que segundo São Cirilo de Jerusalém, n. 273:

“O Anticristo excederá em malícia, perversidade, cupidez, maldade, impiedade e desumana crueldade e barbaridade, todos os homens que já tenham desonrado à natureza humana… Ele, mediante seu grande poder, astúcia e malícia, sucederá em iludir e forçar dois terços da humanidade ao seu culto; a terça parte restante continuará sendo firmemente fiel à fé e ao culto de Jesus Cristo. Mas em sua ira satânica, o Anticristo perseguirá esses cristãos devotos e valentes durante três anos e meio e torturá-los-á COM tais extremos de barbarismo, com todos os seus velhos e novos instrumentos de dor, de modo a exceder todas as perseguições padecidas pela Igreja tomadas em conjunto. Ele obrigará todos os seus seguidores a gravarem sobre suas testas ou mãos direitas a marca da besta, matará de fome aqueles que se recusarem a recebê-la.”

MANNING, Card. Henry. The Present Crisis of the Holy See tested by Prophecy. London: Burns & Lambert, 1861, passim. Disponível em: <https://archive.org/details/ThePresentCrisisOfTheHolySee>. Acesso em: 12 mar. 2018.

Sobre a minha alegação de que os Dimond tomaram sua doutrina sobre o Anticristo das seitas protestantes, sei bem que parece inacreditável, mas é a mais pura verdade. Pelo menos, ante a similaridade que há entre elas, somos obrigados a constatar que, se não tomaram de propósito, ao menos chegaram essencialmente a mesma conclusão por terem pensado e agido como protestantes, o que dá no mesmo. Se você tiver estômago o bastante, dê uma olhadinha no que os protestantes ensinam sobre João Paulo II e compare-os com os ensinamentos dos Dimond. No mínimo dos mínimos, tais doutrinas são irmãs gêmeas, nascidas na maternidade da burrice humana.

Nota bene: os protestantes mudaram de tom e falam agora muito do retorno do Anticristo a fim de reciclar o velho argumento de que João Paulo II era o Anticristo enquanto estava vivo. Porque, de fato, não basta ser burro uma vez, debochando do testemunho de tantos doutores de inquestionável santidade e sabedoria, não, preciso é ser burro sempre, não aprendendo com os próprios erros, e teimando até o extremo da mais pura idiotice.

Claro que, hoje em dia, “o consenso unânime dos teólogos” de araque, tende a crer que Francisco seja o Anticristo. Longe deles nutrir a leve suspeita de que este dito Anticristo tem mais coisas em comum com eles do que eles poderiam imaginar e que isso mesmo os torna colaboradores do verdadeiro Anticristo.

2. JOÃO PAULO II

Proposição Dimondiana: João Paulo II disse que o homem é Deus.

Qualquer que tenha a menor notícia da vida de João Paulo II, salvo os caluniadores sem cérebro e coração, sabe muito bem que: (1) ele era uma pessoa simpática e generosa, não faria mal a uma mosca, e isso em nada contradiz o fato dele ter sido um herege manifesto pelo seu ecumenismo, mas isso certamente impede que o tenhamos na conta de Anticristo em pessoa; (2) seu personalismo não diz que o homem é Deus, mas que este possui uma dignidade tal que ninguém tem o direito de se meter na vida dele, ele é independente para escolher a religião que quiser, fazer proselitismo como, quando e onde quiser e isso é muito bom para a sociedade dentro de seus limites etc.

Informações importantes para a reta compreensão da pessoa e do pensamento de João Paulo II (Karol Wojtyla) podem ser encontradas em muitos lugares, seguem algumas indicações:

COOMARASWAMY, Dr. Rama P. The Destruction of the Christian Tradition. Updated and revised. Bloomington: World Wisdom, 2006, passim. Disponível em: <https://portalconservador.com/livros/Rama-Coomaraswamy-The-Destruction-of-the-Christian-Tradition.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2019.

Na segunda parte sobre os Papas Conciliares, o autor apresenta dados relevantes sobre o curriculum vitae de Karol Wojtyla.

KONINCK, Charles de. De la Primauté du Bien Commun contre les Personalistes. Laval: Editions Fides, 1943. Disponível em: <http://salve-regina.com/images/a/a5/De_la_primaut%C3%A9_du_bien_commun_contre_les_personnalistes.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2018.

Livro escrito bem antes de João Paulo II dar início a sua empreitada personalista, publicado justamente para evitar que os católicos caíssem na armadilha do personalismo pseudo-tomista de Jacques Maritain. Infelizmente a maioria se fez de surdo e caiu de cabeça na arapuca do humanismo integral.

WOJTYLA, Karol. Estou nas Mãos de Deus: Anotações Pessoais 1962-2003. Tradução de Sandra Martha Dolinsky e Magda Lopes. São Paulo: Planeta, 2014.

Escritos espirituais de João Paulo II, dão mostras de sincera devoção deste homem a Cristo, mas também revelam o quanto ela estava tristemente infectada com as filosofias do século e o “espírito do Vaticano II’.

____. Max Scheler e a Ética Cristã. Tradução de Dalva Toledo Pisa. Curitiba: Editora Universitária Campagnat, 1993.

Diga com quem andas, e eu te direi quem tu és. Testemunhos dos flirts de Wojtyla com as vãs filosofias de seus dias. Sempre aquele foco torto e desmesurado na “pessoa humana”, sempre tentando dar muita autoridade ao homem mundano e pouca a Deus e seus profetas.

3. BATISMO DE DESEJO

Proposição Dimondiana: O batismo de desejo e de sangue é uma heresia que contradiz o dogma de que fora da Igreja não há salvação, extra ecclesiam nulla salus.

Este é o ponto principal e grande pedra de tropeço para os Dimond. Não importa o quanto as pessoas caridosamente expliquem para eles a doutrina católica, que mostrem os documentos e a solidez da doutrina, eles teimam em dizer que o que é um dogma é uma heresia. Neste ponto, não há muito recurso senão referir ao ensinamento constante da Igreja Católica, o qual, afinal de contas, goza da infalibilidade do Magistério do Papa e dos Bispos.

PAPA PAULO III, Concílio de Trento, VI Sessão (sobre a justificação) in: DENZINGER-HÜNERMANN. Compêndio dos Símbolos, Definições e Declarações de Fé e Moral. São Paulo: Paulus-Loyola, 2010, p. 401-2 (n. 1524).

“Com estas palavras se esboça uma descrição da justificação do ímpio: é a passagem do estado no qual o homem nasce filho do primeiro Adão, ao estado de graça e ‘de adoção dos filhos de Deus’ [Rm 8,15], por meio do segundo Adão, Jesus Cristo nosso Salvador; esta passagem, depois do anúncio Evangelho, não pode acontecer sem o banho da regeneração [cân 5 sobre o batismo] ou sem o desejo dele [aut eius voto], como está escrito ‘Se alguém não renascer da água e do Espírito Santo, não poderá entrar no reino de Deus.’ [Jo 3,5].”

(Papa Paulo III, Concílio de Trento, VI Sessão)

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PAPA SÃO PIO V. Catecismo Romano. Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, O.F.M. Petrópolis: Vozes, 1950, p. 229 (Do Batismo, § 35).

“Tratando-se de pessoas já em uso da razão, a firme vontade de receber o Batismo, unida ao arrependimento das faltas da vida anterior, é quanto basta para conseguirem a graça da justificação, se sobrevier algum acidente repentino, que as impeça de receber a ablução sacramental.”

(Catecismo Romano, Do Batismo, § 35)

PAPA SÃO PIO X. Catecismo maior de São Pio X. Niterói: Permanência, 2009, p. 99 (n. 565).

“Pode suprir-se de algum modo a falta do Baatismo?

A falta do Batismo pode supri-la o martírio, que se chama Batismo de sangue, ou um ato de amor perfeito a Deus, ou de contrição, junto com o desejo, ao menos implícito do Batismo, e este ato chama-se Batismo de desejo.”

(Catecismo Maior de São Pio X, 565)

Para mais informações, leia o artigo Batismo de Desejo e Princípios Teológicos de Padre Anthony Cekada, disponível em português no site do Coetus Fidelium. Ou então, leia este compêndio em inglês com inúmeras fontes comprovando o que já sabemos pelo que se viu acima: o batismo de desejo e de sangue é doutrina catolicíssima, a nós anunciada pelo Magistério da Igreja e ponto final.

CONCLUSÃO

As proposições dimondianas discutidas acima são patentemente falsas e devem ser rejeitadas pelos católicos. Como eles aderem pertinazmente à última delas, acerca do batismo de desejo e de sangue, não se pode concluir senão que são hereges manifestos e que a doutrina deles a esse respeito é tão humana e fraudulenta quanto às toscas maquinações dos protestantes em geral. Queira Deus que eles se convertam e parem de disseminar essas bobagens pelo mundo.

Leia também: O Catecismo Romano versus os Irmãos Dimond.

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9 comentários em “Os erros dos irmãos Dimond

  1. Artigo muito bem pontuado e distinguidor! É um absurdo um pretenso católico dizer que a Santa Igreja Católica é a prostituta do Apocalipse, quando na verdade é inequìvocamente a cidade de Jerusalém. Esse é um delírio dos hereges protestantes, que no anseio diabólico de caluniar a Igreja, deram para se aproveitar dum artigo dos irmãos Dimond que chama a Igreja de Babilônia. O Cris Macabeus, apesar de ser crítico dos sedevacantistas, observou muito bem esse oportunismo e embuste protestante, fazendo um vídeo sobre isso:

    Paz e Bem!

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  2. Uma questão para os sedevacantistas: Se não há hierarquia papal válida e os bispos em sua quase integralidade apóstatas e fora da Igreja como poderá ocorrer a consagração a Russia feita por Papa e bispos do mundo inteiro legítimos ?

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    1. Primeiro ponto muitíssimo importante: nenhum católico é obrigado a crer em revelações privadas (como as de Fátima) e, neste caso em particular, muito menos, porque se trata de uma interpretação (a meu ver errônea) sobre a tal da consagração da Rússia (criada pelo “Padre” Gruner).

      Segundo ponto, enquanto a questão de Fátima é muito controversa e não obriga a consciência católica, o dogma de que a Igreja não pode dar más doutrinas, leis e culto aos fiéis é um dogma de fé que todo católico está obrigado a manter. Se o senhor diz que Francisco e os bispos conciliares são a hierarquia católica, então o senhor é forçado a negar este dogma – além de ser forçado a crer que pessoas que negam a fé que conhecem perfeitamente bem continuam sendo membros da Igreja.

      Por fim, afirmo que mesmo que a interpretação do Padre Gruner seja correta – o que não me parece nenhum pouco, penso que esta foi feita por Pio XII, mas “já era tarde” como diz Nossa Senhora no segredo, o que resultou na apostasia geral do Vaticano II -, ainda assim é óbvio que a Providência pode encontrar meios de resolver o problema sem contradizer-se a si mesma (ou seja, falhando em proteger a Igreja contra defeitos em seus ensinamentos, leis e culto), seja se servindo dos bispos tradicionais que ainda restam, seja fazendo descer os Apóstolos Pedro e Paulo para apontar o Papa, como dizem algumas profecias.

      Em todo caso, o fato do sedevacantismo permanece inegável e, se o senhor quiser negá-lo mesmo assim, na prática o senhor é tão sedevacantista quanto eu, porque o senhor não é louco de se submeter a um herege como Francisco – a sua obediência é somente dá boca para fora, você jamais vai pensar em conformar os seus pensamentos, ações e desejos ao desse terrorista da fé católica. Mas, claro, se o senhor quiser coerência entre o que o senhor diz e faz, é muito necessário assumir que Francisco não é papa, pois caso contrário nada absolutamente justificaria a sua recusa em aceitar os ensinamentos, as leis e a Missa do Papa. Em realidade, o senhor jamais poderia dizer que a Missa Nova é má – como ela realmente é – e tampouco poderia dizer que o catecismo e código oficial da Igreja Católica contém espantosas heresias – como realmente contém. Em suma, o senhor seria obrigado a negar o óbvio para manter uma fidelidade que não existe, uma fidelidade que exige que o senhor creia e faça coisas não católicas.

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      1. Vejamos até onde o senhor crê que a sede esteja vacante, já que Nosso Senhor diz que quem quiser salvar sua vida vai perdê-la e quem quiser perdê-la por Ele, irá salvá-la . Ofereceria sua vida neste instante por essa verdade que diz crer? ( que todos os papas pós conciliares – CVII são impostores) Uma outra pergunta : O senhor diz que Fátima é uma uma revelação privada e que ninguém é obrigado a crer . Se assim o é por que os sedevacantistas quase na totalidade a utilizam como cavalo de batalha quando lhes convém?

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      2. Saudações caríssimo, obrigado pelo comentário. Quanto ao primeiro, o senhor sabe muito bem que o sedevacantismo é uma verdade de fato e não um dogma, ele obriga você da mesma forma que 2 + 2 = 4 ou que a verdade que um quadrado redondo não existe. Como ser um católico coerente hoje em dia demanda o reconhecimento desse fato, caso contrário você precisaria crer que o vigário de Cristo é também o vigário do demônio, então é claro que eu morreria por ela. Com efeito, lembre-se que estar em comunhão com hereges é pecado mortal. Entre “estar em comunhão” com um herege da espécie de Francisco e a morte, eu prefiro a morte.

        Quanto ao segundo, argumento de números nem sempre é bom. A maioria dos ditos católicos hoje em dia possuem péssimas ideias sobre tudo e são plenamente ignorantes da doutrina cristã. Se queremos argumento direito nessa matéria, temos que julgar as coisas pelas cabeças. No nosso caso dos sedevacantistas, a questão seria o que os bispos e padres sedevacantistas ensinam sobre Fátima? A resposta é que eles ensinam o que disse acima: Fátima é uma revelação privada e a Igreja ensina que revelações privadas não exigem o assentimento dos fiéis. Entretanto, desde que não se compre a lenga-lenga da “indústria de Fátima” (do padre Gruner & Cia.), pode-se enxergar nela o presságio da apostasia conciliar.

        Se eu fosse o senhor pensaria duas vezes antes de ir em uma missa em comunhão (una cum) com Francisco. Não é nada bom estar em comunhão com um herege, é um contra-testemunho

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    1. Saudações caríssimo, obrigado pelo comentário. O sacramento da Eucaristia e de ordenação presbiteral são de validade duvidosa; o sacramento de ordenação episcopal é inválido e, por conseguinte, ordenações e crismas conferidas por bispos Novus Ordo são inválidas; o saramento da penitência é inválido se for ministrado por um sacerdote ordenado por um bispo consagrado no rito de Paulo VI; o sacramento do matrimônio e do batismo são válidos; ignoro a validade do rito de extrema unção, mas é certamente ilícito que um leigo o ministre e este é o estado da maior parte dos sacerdotes Novus Ordo.

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      1. Obrigado pelas respostas irmão.Mas e em relação aos católicos de rito oriental,seus sacramentos não foram afetados pelo CVII?(Segundo sua perspectiva sedevacantista).

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  3. “Quanto ao primeiro, o senhor sabe muito bem que o sedevacantismo é uma verdade de fato e não um dogma, ele obriga você da mesma forma que 2 + 2 = 4” Desculpe mas o senhor deduz , aliás sem me conhecer e somente por minha pergunta já quer afirmar o que eu sou obrigado a acreditar. Fala sobre a possibilidade , ou preferência . Não perguntei sobre opção ou preferência. Por isso reformulo novamente a pergunta: Deus pode lhe tirar a vida hoje se o sedevacantismo não for verdadeiro ? Ou então se quiser quando se crê em algo, a verdade cabe na proposição: Deus pode lhe tirar a vida hoje como prova de que o sedevacantismo é verdadeiro? Agora você pode escolher uma das duas para dar o seu testemunho, pois da Verdade não se escapa.

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