As Duas Espadas e a Exegese Bíblica

DOUTRINA DAS DUAS ESPADAS

“Por que tentas tomar a espada que tu fostes mandado deixar embainhada? Pois se alguém negar que ela é tua, este não parece prestar suficiente atenção às palavras do Senhor quando ele diz: “Mete a tua espada na bainha” [João 18,11]. Ela é, portanto, realmente tua, sujeita ao teu assentimento, mas se for necessário desembainhá-la pela tua mão, deve sê-lo de outro modo. Ademais, se ela não te pertencesse de nenhum modo, o Senhor não teria dito “basta”, mas “demasiado” quando os Apóstolos disseram “Aqui estão duas espadas” [Lc 22,38]. Portanto, a Igreja possui ambas espadas, a espiritual e a temporal. Mas enquanto a última deve ser tirada em favor da Igreja, a primeira deve ser tirada pela Igreja; enquanto a primeira está na mão do sacerdote, a última está na mão do soldado, mas claramente sujeita ao assentimento do sacerdote e mandato do imperador.” (SÃO BERNARDO DE CLARAVAL op. cit. BELLARMINE, St Robert.. On Temporal and Spiritual Authority. Indianapolis: Liberty Fund, 2012, p. 131)

“Deus dividiu, pois, o governo do gênero humano entre dois poderes: o poder eclesiástico e o poder civil; àquele preposto às coisas divinas, este às coisas humanas. Cada uma delas no seu gênero é soberana; cada uma está encerrada em limites perfeitamente determinados, e traçados em conformidade com a sua natureza e com o seu fim especial. Há, pois, como que uma esfera circunscrita em que cada uma exerce a sua ação “iure próprio”. Todavia, exercendo-se a autoridade delas sobre os mesmos súditos, pode suceder que uma só e mesma coisa, posto que a título diferente, mas no entanto uma só e mesma coisa, incida na jurisdição e no juízo de um e de outro poder. Era, pois, digno da Sábia Providência de Deus, que as estabeleceu ambas, traçar-lhes a sua trilha e a sua relação entre si. “OS poderes que existem foram dispostos por Deus” (Rom 13, 1). Se assim não fora, muitas vezes nasceriam causas de funestas contenções e conflitos e muitas vezes o homem deveria hesitar, perplexo, como em face de um duplo caminho, sem saber o que fazer, em conseqüência das ordens contrárias de dois poderes cujo jugo em consciência ele não pode sacudir. Sumamente repugnaria responsabilizar por essa desordem a sabedoria e a bondade de Deus, que, no governo do mundo físico, todavia de ordem bem inferior, temperou tão bem umas pelas outras as forças e as causas naturais, e as fez harmonizar-se de maneira tão admirável, que nenhuma delas molesta as outras, e todas, num conjunto perfeito, conspiram para a finalidade a que tende o universo. Necessário é, pois, que haja entre os dois poderes um sistema de relações bem ordenado, não sem analogia com aquele que, no homem, constitui a união da alma com o corpo. Não se pode fazer uma justa ideia da natureza e da força dessas relações senão considerando, como dissemos, a natureza de cada um dos dois poderes, e levando em conta a excelência e a nobreza dos seus fins, visto que um tem por fim próximo e especial ocupar-se dos interesses terrenos, e o outro proporcionar os bens celestes e eternos.

Assim, tudo o que, nas coisas humanas, é sagrado por uma razão qualquer, tudo o que é pertinente à salvação das alas e ao culto de Deus, seja por sua natureza, seja em relação ao seu fim, tudo isso é da alçada da autoridade da Igreja. Quanto às outras coisas que a ordem civil e política abrange, é justo que sejam submetidas à autoridade civil, já que Jesus Cristo mandou dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Tempos ocorrem às vezes, em que prevalece outros modo de assegurar a concórdia e de garantir a paz e a liberdade; é quando os chefes de Estado e os Sumos Pontífices se põem de acordo por um tratado sobre algum ponto particular. Em tais circunstâncias, dá a Igreja provas evidentes da sua caridade materna, levando tão longe quanto possível a indulgência e a condescendência.” (Leão XIII, Immortale Dei, nn. 19-20)

A EXEGESE BÍBLICA

Existem dois modos legítimos de compreender o texto bíblico: o literal e o tipológico. Este último se divide em três: alegórico, moral e anagógico. Este motto medieval consigna os quatro sentidos e dá a finalidade de cada um:

Littera gesta docet; quid credas, allegoria;
Moralis quid agas; quo tendas, anagogia.

Em tradução adaptada temos:

O literal ensina os feitos grandiosos;
A alegoria tudo o que tu deves crer;
A moral te inspira atos generosos;
A anagogia mostra o que iremos ser.

MAAS, A. Biblical Exegesis. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1909.

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