Sobre os “milagres” da seita modernista

Moisés Arraão e o rio de sangue

“As profecias do Apocalipse mostram que Satanás imitará a Igreja de Cristo para enganar a humanidade; ele estabelecerá uma igreja de Satanás em oposição à Igreja de Cristo. O Anticristo assumirá o papel de Messias; seu profeta fará as vezes do Papa, e haverá imitação dos Sacramentos da Igreja. Também haverão falsos prodígios em imitação dos milagres operados na Igreja.” (Pe. Sylvester Berry, The Church of Christ, p. 119)

“Não parece existir razão por que uma falsa Igreja não puderia se tornar universal, até mais universal do que a verdadeira, ao menos por um tempo” (ibid. 155)

Com respeito aos “milagres eucarísticos” e outros prodígios que se passam na seita conciliar e a aparente necessidade de estar em comunhão com os hereges do Vaticano II, eu gostaria de fazer três observações.

Primeiro, como uma matéria de fato, o demônio pode operar prodígios que se parecem com milagres a fim de endurecer o coração daqueles que não amam a verdade (tocarei neste assunto alhures ao tratar do Anticristo). Com esta opinião concorda o testemunho do Apóstolo que diz que o diabo por vezes se reveste de anjo da luz, como também o exemplo dos mágicos do Faraó, que ilustra bem como isto se opera:

“Fizeram pois Moisés, e Arão, conforme o Senhor lhes mandara: e Arão levantando a vara, tocou a água do rio à vista do Faraó, e dos seus servos; a qual se converteu em sangue. Os peixes que havia no rio morreram; e o rio se corrompeu: e os egípcios não podiam beber a água do rio: e houve sangue em toda a terra do Egito. Outro tanto fizeram os mágicos do Egito com os seus encantamentos: e o coração do Faraó se empederniu, nem os ouviu como o Senhor tinha mandado; Mas voltando-lhes as costas, se retirou a sua casa; e não se dobrou o seu coração ainda desta vez.” (Ex 7,20-23).

E assim vemos coisa semelhante entre os protestantes e espíritas, bem como entre os antigos pagãos que tinham os oráculos dos deuses: todos eles obrando prodígios de mentira com o auxílio do demônio. Nós sabemos que elas não vêm de Deus, porque Deus não mente, nem engana; ao passo que as obras de espíritos maus servem unicamente para manter os homens atados à mentira e ao pecado. Portanto, nessas matérias de revelações privadas e prodígios feitos por particulares, devemos ter o máximo cuidado: sempre examinando a sua conformidade ou não com o dogma. Este é o parâmetro máximo, pois há espíritos bons e maus.

No caso mencionado (os “milagres eucarísticos” na igreja conciliar), claro está que ele é altamente suspeito por seu endosso a um rito explicitamente sacrílego. Note bem que o fato do milagre, se é que houve realmente um milagre, não desmente o fato certíssimo de que a Missa Nova é um grande sacrilégio. Então, considerando que a malícia do demônio está sobremaneira aumentada nestes tempos de apostasia, não deveríamos crer que este prodígio seria o rio de sangue conciliar? Não seria ele uma imitação burlesca dos verdadeiros milagres eucarísticos do passado? Um meio de manter o seu coração duro perante a maldade intrínseca da heresia e do pecado disseminado por esta anti-Igreja? Eis uma coisa a ser ponderada seriamente.

Segundo, digo que manter-se em comunhão com eles seria pusilânime de sua parte, já que o senhor sabe dos problemas da Missa Nova. Ainda mais sabendo que a Igreja nos propõe o exemplo de inúmeros homens e mulheres, de todas as condições e raças, que preferiram antes morrer que juntar-se aos negadores da verdadeira fé. Assim temos o luminoso exemplo de São Josafá perante os cismáticos e de São João Fisher perante os anglicanos. Eles poderiam ter cedido e abandonado sua fidelidade, porque a maioria havia optado pela comunhão com os hereges. Se eles, que tinham muito mais a perder do que nós, recusaram-se, por que deveríamos proceder de forma diferente? Deles foi pedido o próprio sangue, de nós não é pedido mais do que abster-se de uma comunhão pecaminosa.

Terceiro, quase todo o mundo testemunhou indiferente e a parte mais interessada – o povo judeu – contribuiu unânime e ativamente para a crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, somente São João e as três Marias permaneceram aos pés da Cruz, unindo-se ao Senhor traído e esmagado pelo ódio de seus adversários. Eles eram a minoria por certo e estavam em uma situação miserável; assim também está a Igreja de nosso tempo e é precisamente nesta Igreja abatida e humilhada pelo mundo, nesta Igreja pobre e despojada, que se encontra a nossa salvação. Ali está a fé sem defeito. Não é com a Igreja Conciliar, que tem as catedrais e os dízimos, mas carece de todo da fé, ou seja, a virtude sobrenatural que torna boas as catedrais e os dízimos. Unir-se a perfídia conciliar, em vez de lutar e sofrer com a Igreja, é pôr-se do lado daqueles que crucificaram Nosso Senhor.

É isso o que francamente penso sobre o assunto e, como o senhor vê, eu não só digo, mas milito neste sentido. Eu perdi muitas coisas graças a isso, seria bem mais fácil simplesmente fingir que as coisas não são como são e continuar agindo como se estivéssemos nos tempos de Pio XII; porém penso que, se assim procedesse, eu ficaria sem ter o que dizer ao Senhor coroado de espinhos. Ele fez tanto por mim, o que me resta é ser desprezado por amor dele para que no fim o nome dele seja exaltado sobre todo nome.

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