A perseguição final

Continuação de Nosso tempo testado pela profecia.

E quais serão as notas da perseguição empreendida por esse homem iníquo? As notas da perseguição do Anticristo foram descritas por Cornelius a Lapide e Suarez de acordo com as Escrituras e os Santos Padres.

Primeiro, o que é certo e quase de fé é que a perseguição do Anticristo será a mais terrível e violenta da história. Em primeiro lugar, porque ela será universal, conforme Ap 20,8: “E subiram sobre o âmbito da terra, e cercaram os arraias dos santos e a cidade querida.” Na Cidade de Deus, livro 20, Santo Agostinho entende essa passagem como significando que todos os infiéis, hereges, sectários e depravados que estão espalhados pelo mundo se juntarão com o Anticristo para mover guerra contra os santos.

Segundo, porque ele não será movida por causa de superstição ou fanatismo, ou pelo culto aos ídolos, como aquela dos imperadores pagãos; nem será para saciar o orgulho ou satisfazer a sede de poder, como foi a de Maomé; nem pela avareza e incontrolável ambição pelos bens alhios que moveu os príncipes alemães do tempo de Lutero. Essa perseguição será inspirada unicamente pelo ódio a Deus, nela Deus e sua Igreja serão diretamente desafiados e seu único objetivo será o extermínio da realeza divina, a completa destruição do cristianismo e toda religião positiva. Nesses tempos, ao contrário daqueles de Tibério, Nero e outros temíveis tiranos, nem mesmo uma adoração modificada e corrompida de qualquer divindade será permitida. Todo o homem será obrigado a render um culto de latria ao próprio Satanás, na pessoa do Anticristo que é o homem mais malvado e abominável que a humanidade já produziu.

Terceiro, ela será marcada por uma sedução quase irresistível. Aos judeus, o Anticristo dará Jerusalém, o templo, a circuncisão e os sacrifícios. Aos não judeus, por sua vez, ele conquistará mediante sua persuasão e eloquência, sendo ele exímio conhecedor das ciências naturais e sabendo os textos sagrados de cor (Santo Anselmo); também os subornará com ouro e riquezas, ele mesmo terá acesso às riquezas contidas no fundo do mar e nas profundezas da terra (Cornelius a Lapide).

Quarto, o seu poder causará grande admiração dada a rapidez com que este homem chegou ao topo da fortuna e da onipotência; e ainda mais admiração pelos milagres que obrará pelo poder do demônio, serão prodígios da mentira, pois não serão verdadeiros milagres, mas ilusões e obras de fantasia: o ressuscitado ou não estará realmente morto ou não terá realmente voltado à vida, os prodígios sobre a matéria serão operados por meios naturais (São Tomás de Aquino). Ele também será estimado pelos maus por liberar todos os tipos de libertinagem: “se mostrará apaixonado por mulheres” (Dn 11,37).

Quinto, será a mais sangrenta e bárbara perseguição: “Porque será então a aflição tão grande, que, desde que há mundo até agora, não houve, nem haverá outra semelhante” (Mt 24,21). Primeiro, devido ao poder das armas e maldade dos executores de suas ordens; segundo, por causa da malícia do demônio que então manifestará todo seu ódio pela natureza humana. Por conseguinte, haverão muitos mártires, os maiores da história da Igreja, mais gloriosos e admiráveis do que aqueles que lutaram com leões nos anfiteatros de Roma e da Gália. Esses confessores dos últimos tempos lutarão contra o próprio demônio, que usará requintes de malícia que a mente humana jamais poderia ter concebido por conta própria.

Sexto, ela será tão violenta que quase a totalidade dos cristãos apostatarão da fé (cf. Ap 13, Dn 7). Santo Agostinha comenta que esta é a apostasia propriamente dita, pois ela excederá todas as outras em número e extensão. Não é correto, porém, pensar que não haverão eleitos naquele tempo, pois essa perseguição será abreviada em atenção deles. Santo Agostinho conta que nos tempos da perseguição haverão mártires heroicos e confessores capazes de escapar da perseguição, vivendo em cavernas e no alto das montanhas, onde Deus não permitirá que sejam encontrados pelos seus perseguidores e não deixará que o demônio os denuncie.

A partir do momento que estourar a perseguição e o Anticristo ter envolvido os homens em suas mentiras e vilezas, ele tornará o seu culto obrigatório e se declarará senhor do céu e da terra, de modo que não se poderá invocar o nome de nenhuma divindade salvo a deste que “elevou-se contra tudo o que se chama Deus”. “Ele não tolerará nem a religião mosaica, nem a própria religião natural. Ele perseguirá com igual intensidade judeus, cismáticos, hereges, deístas e toda seita que reconheça a existência de um ser supremo e a imortalidade da vida do porvir. Ainda assim Deus, em sua sabedoria, tirará o bem do mal. A horrível tempestade que a sua justiça permitiu que se soltasse sobre a terra resultará no desaparecimento das falsas religiões. Juntamente com o judaísmo, isso abolirá os remanescentes do maometismo, superstições idolátricas e toda religião hostil à Igreja.” (p. 48)

“Será desferido o golpe final contra as seitas das trevas. Maçonaria, carbonarismo, iluminismo e todas as sociedades subversivas desaparecerão em um turbilhão de perversidade, uma obra que elas mesmas tinham preparado por séculos na crença de que isso levaria ao seu triunfo supremo e definitivo. Elas terão contribuído a contra-gosto ao estabelecimento da unidade predita por Nosso Senhor: erit unum ovile et unus Pastor. (Jo 10,16)” (p. 48)

“O triunfo do iníquo será de curta duração, mas a consolação que seguirá será universal, abundante, proporcional à medida de tribulações que a Igreja terá sofrido.” (p. 49)

Citando Abbé Lehman, um judeu convertido ao catolicismo (autor de Les Nations Fremissantes), Padre Arminjon encerra a conferência aludindo a glória da unidade final que enfim unirá a Igreja com Israel. Ele primeiro remete a duas imagens bíblicas, a Epifania e o Domingo de Ramos. No primeiro, diz o autor, os pagãos prestaram sua homenagem a Cristo na pessoa dos magos; no outro, os judeus reconheceram o seu Messias. Na ordem da história que se seguiu a crucifixão de Jesus e a fundação da Santa Igreja, os pagãos de toda terra vieram adorar a Cristo, mas até o momento não houve ainda o Domingo de Ramos da parte de Israel. Mas quando chegar esse dia, todo o mundo adorará o mesmo Deus e se cumprirá o que está dito em Apocalipse 11,15: “E o sétimo anjo tocou a trombeta, e ouviram-se no céu grandes vozes que diziam: O reino deste mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará por séculos de séculos. Amém.”

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