Qual é a doutrina católica sobre as outras religiões?

Qual é a doutrina católica sobre as outras religiões? [PDF]

1. Papa Pio XI
Na primeira Encíclica… indagamos a causa íntima das calamidades que, ante os nossos olhos, avassalam o gênero humano. Ora, lembra-nos haver abertamente declarado duas coisas: uma — que este aluvião de males sobre o universo provém de terem a maior parte dos homens removido, assim da vida particular como da vida pública, Jesus Cristo e sua lei sacrossanta; a outra — que baldado era esperar paz duradoura entre os povos, enquanto os indivíduos e as nações recusassem reconhecer e proclamar a Soberania de Nosso Salvador. E por isso, depois de afirmarmos que se deve procurar “a paz de Cristo no reino de Cristo”, manifestamos que era intenção nossa trabalhar para este fim, na medida de nossas forças. “No reino de Cristo”, — dizíamos; porque, para restabelecer e confirmar a paz, outro meio mais eficiente não deparávamos, do que reconhecer a Soberania de Nosso Senhor. (Papa Pio XI, Quas Primas, n. 1, 11 dez. 1925)

1. João Paulo II
A reunião de tantos líderes religiosos para oração é por si um convite para que hoje o mundo se torne consciente de que há uma outra dimensão da paz e uma outra forma de promovê-la que não resulta de negociações, acordos políticos ou barganhas econômicas. Ela é o resultado da oração que, na diversidade das religiões, exprime um relacionamento com o poder supremo… Nossa reunião atesta somente — e este é o verdadeiro significado para as pessoas do nosso tempo — que no grande empenho pela paz, a humanidade, em sua própria diversidade, deve atingi-la a partir de seus recursos mais profundos e vivificantes, nos quais se forma sua própria consciência e sobre a qual se baseia a ação de cada povo… O fato de que professamos diferentes credos não diminui o significado deste dia. Pelo contrário, as igrejas, comunidades eclesiais e religiões do mundo estão se mostrando preocupadas com o bem da humanidade. (João Paulo II, Discurso pelo Dia Mundial de Oração pela Paz, 27 out. 1986)

2. Catecismo de São Pio X
Tudo isto pode ser demonstrado pela história da Religião, a qual, podemos dizer, se confunde com a história da humanidade. Donde é coisa manifesta que todas as que se proclamam religiões, fora da única verdadeira revelada por Deus, de que falamos, são invenções dos homens e desvios da Verdade, da qual algumas conservam uma parte, misturada porém com muitas mentiras e absurdos. (Catecismo Maior de São Pio X, p. 199)

2. Novo Catecismo
A Igreja reconhece nas outras religiões a busca, “ainda nas sombras e sob imagens, do Deus desconhecido, mas próximo, pois é Ele quem dá a todos vida, respiração e tudo mais, e porque quer que todos os homens sejam salvos. Assim, a Igreja considera tudo o que pode haver de bom e de verdadeiro nas religiões “como uma preparação evangélica dada por Aquele que ilumina todo o homem para que, finalmente, tenha vida.” (João Paulo II, Novo Catecismo da Igreja Católica, n. 843)

3. Leão XIII
Penetrada a fundo dos seus princípios e cuidadosa do seu dever, nada tem tido a Igreja tanto a peito, nada tem demandado com maior esforço do que conservar de maneira a mais perfeita a integridade da fé. Foi por isso que ela considerou como rebeldes declarados, e tem expulso para longe de si todos aqueles que não pensavam como ela, fosse sobre que ponto fosse da sua doutrina… Tal foi sempre o costume da Igreja, apoiada pelo juízo unânime dos santos Padres, os quais sempre consideraram como excluído da comunhão católica e fora da Igreja quem quer que se separe o menos possível da doutrina ensinada pelo magistério autêntico. (Leão XIII, Satis Cognitum, n. 19, 29 jun. 1896)

3. Paulo VI
A Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo… Exorta, por isso, os seus filhos a que, com prudência e caridade, pelo diálogo e colaboração com os sequazes doutras religiões, dando testemunho da vida e fé cristãs, reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores sócio culturais que entre eles se encontram. (Paulo VI, Vaticano II, Nostra Aetate, n. 2)

4. Papa São Celestino I
E, gemendo com eles toda a Igreja, pedem e suplicam que aos não crentes seja dada a fé, que os idólatras se livrem do erro de sua impiedade, que aos judeus, tirado a véu do coração, apareça a luz da verdade, que aos hereges, mediante o entendimento da fé católica, voltem à razão, que os cismáticos acolham o espírito da renovada caridade. (Papa São Celestino I, Indiculus, c. 8; Denzinger-Hünermann, n. 246)

4. João Paulo II
Honra a vós, homens do Islã… honra a vós, judeus… Honra particularmente a ti, Igreja ortodoxa… Deus seja louvado por este testemunho de amor, que foi prestado pelas três grandes religiões! Possa ele crescer e ser confirmado, eliminando com o orvalho do afeto e da amizade qualquer resíduo dos focos de oposição! (João Paulo II, Alocução, 22 mai. 2002; L’Osservatore Romano, 29 mai. 2002, p. 4)

5. Sagrada Escritura
Não vos prendais ao jugo com os infiéis. Porque que união pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comércio entre a luz e as trevas? E que concórdia entre Cristo e Belial? Ou que sociedade entre o fiel e o infiel? E que consenso entre o templo de Deus e os ídolos? Porque vós sois o templo de Deus vivo, como Deus diz: Eu pois habitarei neles, e andarei entre eles, e serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Portanto, sai do meio deles, e separai-vos dos tais, diz o Senhor, e não toqueis no que é imundo; Eu vos receberei, e ser-vos-ei Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso. (2 Coríntios 6, 14-18)

5. Paulo VI
Vós sois, no seio de vosso povo, o depositário do patrimônio religioso e civil do budismo. Vós rendeis um vivo testemunho de seu espírito dentro de vossa nação. Ora, a Igreja Católica considera com estima e respeito suas riquezas espirituais; ela se reconhece solidária sob muitos aspectos e deseja colaborar convosco, como homens religiosos, pela realização da verdadeira paz e salvação do homem. (Paulo VI, Alocução ao Patriarca Budista de Laos, 8 jun 1973; L’Osservatore Romano, 21 jun 1973, p. 5)

6. Sagrada Escritura
Todos os deuses das gentes são demônios. (Salmo 95, 5)

Antes digo, que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. E não quero que vós tenhais sociedade com os demônios; não podeis beber o cálix do Senhor e o cálix dos demônios. (1 Coríntios 10, 20)

6. Paulo VI
Um tal anúncio destina-se também a porções imensas da humanidade que praticam religiões não cristãs que a Igreja respeita e estima, porque elas são a expressão viva da alma de vastos grupos humanos. (Paulo VI Evangelii Nuntiandi, n. 53, 8 dez. 1975; L’Osservatore Romano, 25 dez 1975, p. 5)

7. Sagrada Escritura
O que não é comigo, é contra mim; o que não ajunta comigo desperdiça. Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens: porém a blasfêmia contra o Espírito Santo não lhes será perdoada. (Mateus 12, 30)
Ide a todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. O que crer, e for batizado, será salvo; o que, porém, não crer, será condenado. (Marcos 16, 15-16)

7. João Paulo II
O Espírito Santo não está presente nas outras religiões somente através de expressões autênticas de oração. “A presença e ação do Espírito”, como escrevi na carta encíclica Redemptoris Missio, “não atingem apenas os indivíduos, mas também a sociedade e a história, os povos, as culturas e as religiões.” (n. 28). Normalmente, é na prática sincera daquilo que é bom em suas próprias tradições religiosas e seguindo os ditames de sua própria consciência que os membros de outras religiões respondem positivamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo enquanto eles não o reconhecem ou aceitam como seu Salvador. (João Paulo II, As sementes da Palavra nas religiões do mundo, 9 set 1998)

8. Papa Leão XII
Evidentemente é impossível que Deus, sumamente verdadeiro, ele mesmo verdade suprema, providência ótima e sapientíssima, remunerador das boas obras, possa aprovar todas as seitas que professam falsas doutrinas, muitas vezes contraditórias entre si, e possa conferir os prêmios eternos aos que as professam… Nós dispomos, de fato, de uma profecia bem mais segura… não da sabedoria deste século, mas da sabedoria do mistério divino, na qual fomos instruídos. Por fé divina cremos que há um só Senhor, uma só fé e um só batismo e que nenhum outro nome tem sido dado sobre a terra para obrar a salvação senão aqule de Jesus de Nazaré. Por isso dizemos que fora da Igreja não há salvação. (Papa Leão XII, Ubi Primum, n. 14, 5 mai 1824)

8. Bento XVI
Além disso, desejo aqui manifestar o respeito da Igreja pelas antigas religiões e tradições espirituais dos vários Continentes; contêm valores que podem favorecer imensamente a compreensão entre as pessoas e os povos. Muitas vezes constatamos sintonias com valores expressos também nos seus livros religiosos, como, por exemplo, o respeito pela vida, a contemplação, o silêncio e a simplicidade, no Budismo; o sentido da sacralidade, do sacrifício e do jejum, no Hinduísmo; e ainda os valores familiares e sociais no Confucionismo. Vemos, ainda noutras experiências religiosas, uma sincera atenção à transcendência de Deus, reconhecido como Criador, e também ao respeito da vida, do matrimônio e da família e ainda um forte sentido da solidariedade. (Bento XVI, Verbum Domini, n. 119, 30 set. 2010)

9. Papa Pio XII
Confiando em Deus e em seu auxílio certo e oportuno, [São Bento] encaminhou-se, pois, para as bandas do sul e chegou ao local “que se chama Cassino, nas abas dum monte do mesmo nome, onde outrora se erguera um templo consagrado, pelos costumes e ignorância dos gentios, ao oráculo de Apolo. Tinha esse, em roda, um bosque dedicado ao demônio, onde, ainda ao tempo do Santo, acorria a dementada multidão dos infiéis com sacrílegos sacrifícios. Chegando aí o homem de Deus, derribou o ídolo, demoliu o altar, pôs fogo ao bosque, e consagrou o templo à honra de S. Martinho e o altar do deus a S. João Batista. Depois, voltou-se à pregação e levava à verdadeira fé as populações que viviam em roda”. (Papa Pio XII, Fulgens Radiatur, n. 10; 21 mar. 1947)

9. João Paulo II
O encontro de oração no santuário do Lago Togo foi particularmente marcante. Lá rezei pela primeira vez com animistas [adoradores da serpente sagrada]. (João Paulo II, Alocução, 8 ago. 1985; L’Osservatore Romano, 26 ago. 1985, p. 9)

10. São Cipriano de Cartago
Esses [rebeldes], sem dúvida, eles imitam e seguem, os quais, desprezando a tradição divina, buscam por doutrinas estranhas e propõem ensinamentos inventados pelos homens; isso o Senhor condena no seu Evangelho, dizendo “Vós bem fazeis por invalidar o mandamento de Deus, para guardardes a vossa tradição.” [Mc 7, 9]. (São Cipriano de Cartago, Tratados, tr. I, n. 19)

10. Paulo VI
O Segundo Concílio do Vaticano exprimiu sincera admiração pelo budismo em suas várias formas… Desejamos a Vossa Santidade e a todos os vossos fiéis abundância de prosperidade e paz. (Paulo VI, Discurso ao Líder Espiritual Budista Tibetano, 17 jan 1975; L’Osservatore Romano, 30 jan 1975, p. 5)

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