Qual é a doutrina católica sobre o ecumenismo?

Qual é a doutrina católica sobre o ecumenismo? [PDF]

1. Papa Bento XV
É ilícito aos católicos, de quaquer maneira, assistir ativamente ou tomar parte no culto de não católicos. (Papa Bento XV, Código de Direito Canônico, cân. 1258 §1, 1917)

1. Paulo VI
Em reuniões ecumênicas, é lícito e até desejável que os católicos se associem aos irmãos separados na oração. (Paulo VI, Vaticano II, Unitatis Redintegratio, n. 8, 21 nov. 1964)

2. Papa Pio XI
Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela. (Papa Pio XI, Mortalium Animos, n. 16, 6 jan. 1928)

2. João Paulo II
É motivo de alegria constatar como os vários encontros ecuménicos incluem, quase sempre, a oração, antes, culminam nela… Estas minhas visitas comportaram, quase sempre, um encontro ecumênico e a oração comum de irmãos que procuram a unidade em Cristo e na sua Igreja. Recordo, com particular emoção, a oração em comum com o Primaz da Comunhão Anglicana na Catedral de Cantuária… nem posso esquecer os encontros ecumênicos nos Países Escandinavos e Nórdicos (1-10 de Junho de 1989), nas Américas e na África, ou aqueloutro na sede do Conselho Ecumênico das Igrejas (12 de Junho de 1984)… (João Paulo II, Ut unum sint, n. 24, 25 mai. 1995)

3. Papa Pio XI
Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé não pode, de modo algum, participar de suas assembleias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo. (Papa Pio XI, Mortalium Animos, n. 10, 6 jan. 1928)

3. Paulo VI
Em união com o Secretariado para a união dos cristãos, procure os meios de realizar e ordenar a colaboração fraterna e a convivência com as iniciativas missionárias doutras comunidades cristãs, a fim de se evitar, quanto possível, o escândalo da divisão. (Paulo VI, Vaticano II, Ad Gentes, n. 29, 7 dez. 1965)

4. Papa Pio XI
Ninguém ignora por certo que o próprio João, o Apóstolo da Caridade, que em seu Evangelho parece ter manifestado os segredos do Coração Sacratíssimo de Jesus e que permanentemente costumava inculcar à memória dos seus o mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros”, vetou inteiramente até mesmo manter relações com os que professavam de forma não íntegra e incorrupta a doutrina de Cristo: “Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem digais a ele uma saudação” (2 Jo 10). Pelo que, como a caridade se apoia na fé íntegra e sincera como que em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal. (Papa Pio XI, Mortalium Animos, n. 13; 6 jan. 1928)

4. Francisco
O que devo eu fazer com um amigo, um vizinho ortodoxo? Ser aberto, ser um amigo. Devo esforçar-me para convertê-lo? Há um grave pecado contra o ecumenismo: o proselitismo. Jamais se deve fazer proselitismo contra os ortodoxos. Eles são nossos irmãos e irmãs, discípulos de Jesus Cristo! Mas por situações históricas tão complexas terminamos assim. Tanto eles quanto nós cremos no Pai, no Filho e no Espírito Santo, cremos na Mãe de Deus. O que devo fazer? Não condenar. Não posso. Amizade, caminhar juntos, orar uns pelos outros, e fazer obras de caridade juntos quando se pode. Isso é o ecumenismo. Mas jamais condenar um irmão ou uma irmã, jamais deixar de saudá-lo porque é ortodoxo. (Francisco, Aloucução a seminaristas, religiosos e fiéis da Georgia, 1 out. 2016)

5. Papa Leão XIII
Portanto, desesperados de estar em conformidade em suas doutrinas, eles agora exaltam e recomendam a união no amor fraterno. E isso é muito justo, porque todos nós devemos estar unidos pelo amor mútuo. Esse foi sobretudo o ensinamento de Jesus Cristo, que queria precisamente o amor mútuo como distintivo de seus seguidores. Mas que amor perfeito pode reunir os ânimos, se as mentes não concordam na fé? (Papa Leão XIII, Praeclara Gratulationis Publicae, 20 jun. 1894)

5. João Paulo II
O ecumenismo não é apenas uma questão interna das Comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade; e obstaculizar este amor é uma ofensa a Ele e ao seu desígnio de reunir todos em Cristo. (João Paulo II, Ut unum sint, n. 99, 25 mai. 1995

6. Papa Pio XI
Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembleias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão. Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império. Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada. (Papa Pio IX, Mortalium Animos, nn. 2-3, 6 jan. 1928)

6. João Paulo II
No mundo de hoje, existe a necessidade de que todas as religiões colaborem pela causa da humanidade, e façam-no a partir da visão da natureza espiritual do homem. Hoje, como hindus, muçulmanos, sijis, budistas, jainistas, persas e cristãos, nós nos reunimos em amor fraterno para asseverá-lo com nossa presença. Como proclamamos a verdade sobre o homem, inisistimos que a busca do homem pelo bem-estar social e temporal e plena dignidade humana correspondem às íntimas aspirações de sua natureza espiritual. (João Paulo II, Alocução aos representantes de diferentes religiões e tradições culturais no estádio Indira Gandhi em Nova Deli, n. 7, 2 fev. 1986)

7. Papa Alexandre III
A amaldioçoada perversidade dos hereges… cresceu sobremaneira que agora eles não exercem sua iniquidade em segredo, mas manifestam seus erros publicamente, conquistando para suas opiniões o simples e o débil, resolvemos lançar o anátema sobre eles, seus defensores e seus colaboradores e ameaçamos com o anátema quem quer que pretenda mantê-los ou ajudá-los em suas casas e sua terra ou negocie com eles. (Papa Alexandre III, Concílio de Latrão III, 1179; Denzinger n. 401, p. 156, 30ª edição)

7. João Paulo II
Quero expressar a minha gratidão pelo progresso ecumênico alcançado entre os católicos e os luteranos, nos cinco anos desde a assinatura da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação… Formulo votos a fim de que os luteranos e os católicos pratiquem cada vez mais uma espiritualidade de comunhão, que se inspire naqueles elementos de vida eclesial que eles já estão a compartilhar e que hão-de fortalecer a sua fraternidade na oração e no testemunho do Evangelho de Jesus Cristo. (João Paulo II, Saudação aos membros de uma delegação ecumênica da Finlândia, 19 jan. 2004)

8. Papa Leão X
Ademais, porque os erros precedentes e muitos outros são achados nos livros e escritos de Martinho Lutero, do mesmo modo condenamos, reprovamos e rejeitamos completamente os livros e todos os escritos e sermões do dito Martinho, tanto em latim como em qualquer outra língua, contendo os ditos erros ou qualquer um deles; e desejamos que sejam considerados totalmente condenados, reprovados e rejeitados. (Papa Leão X, Exsurge Domine, 15 jun. 1520)

8. Comissão Católico-Luterana
Juntos, começa-se a reconhecê-lo como uma testemunha do Evangelho, como um mestre na Fé, como um paladino da renovação espiritual… A tomada em consideração do condicionamento histórico de nossos modos de expressão e pensamento contribuiu, igualmente, para fazer reconhecer grandemente nos meios católicos o pensamento de Lutero como uma forma legítima de Teologia Cristã. (Comissão Mista Católico-Luterana em Wurtemberg, 6 mai. 1983)

9. Papa Pio XII
Portanto, a doutrina católica deve ser proposta e explicada em sua totalidade e integridade; de nenhum modo é permitido passar em silêncio ou velar com termos ambíguos a verdade católica sobre a natureza e o modo da justificação, a constituição da Igreja, o primado de jurisdição do Romano Pontífice e a única verdadeira união pelo retorno dos dissidentes à única Igreja de Cristo. (Papa Pio XII, De Motione Oecumenica, Instrução do Santo Ofício aos Bispos, 20 dez. 1949)

9. Bento XVI
E agora perguntemo-nos: que significa restabelecer a unidade de todos os cristãos? Todos sabemos que existem numerosos modelos de unidade e vós sabeis também que a Igreja católica tem por objetivo a consecução da plena unidade visível dos discípulos de Jesus Cristo segundo a definição que dela fez o Concílio Ecumênico Vaticano II em vários dos seus documentos… esta unidade não significa aquilo a que se poderia chamar ecumenismo de retorno: isto é, renegar e recusar a própria história da fé. Absolutamente não! (Bento XVI, Discurso por ocasião de encontro ecumênico no Palácio Episcopal de Colônia, 19 ago. 2005)

10. Papa Pio IX
Que aqueles que desejam salvar-se venham a esta coluna, a este fundamento da verdade que é a Igreja, venham a verdadeira Igreja de Cristo que em seus bispos e no Romano Pontífice, a suprema cabeça de todos, possui a ininterrupta sucessão da autoridade apostólica… Nunca medimos esforços ou trabalhos para trazer de volta, pela graça do mesmo Jesus Cristo, a este único caminho de verdade e salvação, aqueles que estão no erro e na ignorância. (Papa Pio IX, Ubi Primum, 17 dez. 1847; Papa Teachings: The Church, p. 196)

10. Cardeal Kasper
Hoje já não entendemos o ecumenismo no sentido de um ecumenismo de retorno, pelo qual os outros devem “ser convertidos” e voltar a serem “católicos”. Isso foi expressamente abandonado pelo Vaticano II. (Cardeal Walter Kasper, Presidente do Pontifício Conselho pela Promoção da Unidade dos Cristãos, Entrevista com Adista, Roma, 26 fev. 2001, p. 9)

11. Papa Leão X
E uma vez que o verdadeiro de modo algum pode contradizer o verdadeiro, definimos como absolutamente falsa toda afirmação contrária à verdade da fé iluminada; e proibimos rigorosamente ensinar uma doutrina diferente: e decretamos que todos os que aderem aos assertos de tal erro, como semeadores de heresias sumamente condenáveis, devem ser evitados e punidos como odiosos e abomináveis hereges e infiéis, que tentam solapar a fé católica. (Papa Leão X, Concílio de Latrão IV, 8ª Sessão, Apostolici regiminis, 19 dez. 1513; Denzinger-Hünermann n. 1441)

11. Bento XVI
Mas podemos definir a ação requerida ainda mais claramente nos termos do diagnóstico acima. Isso significa que o católico não insiste na dissolução das confissões protestantes e na demolição de suas igrejas, mas em vez disso espera que eles sejam fortalecidos em suas confissões e realidades eclesiais. (Bento XVI, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Principles of Catholic Theology, 1982, p. 202)

12. João Paulo II
A “fraternidade universal” dos cristãos tornou-se uma firme convicção ecumênica. Deixando para trás as excomunhões do passado, as Comunidades antes rivais hoje, em muitos casos, ajudam-se mutuamente; às vezes os edifícios para o culto são emprestados… (João Paulo II, Ut unum sint, n. 44, 25 mai. 1995)

13. Leão XIII
Ao contrário, aquele que, mesmo num só ponto, recusa o seu assentimento às verdades divinamente reveladas, realissimamente abdica por completo a fé, visto recusar-se submeter-se a Deus enquanto suma verdade e motivo próprio da fé. “Em muitos pontos eles estão comigo, em alguns apenas não estão comigo; mas, por causa desses alguns pontos em que eles se separam de mim, de nada lhes serve estar comigo em tudo o mais” (S. Augustinus, in Psalm. LIV, n. 19). Nada mais justo: porque aqueles que só tomam da doutrina cristã o que querem, apoiam-se no seu próprio juízo e não na fé; e, recusando “reduzir à servidão toda inteligência sob a obediência de Cristo” (2 Cor 10, 5), na realidade obedecem a si mesmos antes que a Deus. “Vós que no Evangelho credes o que vos apraz e recusais crer o que vos desagrada, vós credes em vós mesmos muito mais do que no Evangelho” (S. Augustinus, lib. XVII, Contra Faustum Manichaeum, cap. 3). (Papa Leão XIII, Satis Cognitum, n. 20, 29 jun. 1896)

13. Francisco
Se nos concentrarmos nas convicções que nos unem e recordarmos o princípio da hierarquia das verdades, poderemos caminhar decididamente para formas comuns de anúncio, de serviço e de testemunho… São tantas e tão valiosas as coisas que nos unem! E, se realmente acreditamos na ação livre e generosa do Espírito, quantas coisas podemos aprender uns dos outros! (Francisco, Evangelii Gaudium, n. 246, 24 nov. 2013)

14. Papa Pio IX
Proposição Condenada: 18. O protestantismo não é outra coisa que uma forma diferente da própria verdadeira religião cristã, na qual, como na Igreja Católica, é possível agradar a Deus. (Papa Pio IX, Sílabo, 8 dez. 1864; Denzinger-Hünermann n. 2918)

14. Bento XVI
Ambas, a interpretação católica e protestante do cristianismo, tem significado, cada qual a sua maneira; elas são verdadeiras em seu momento histórico… (Bento XVI, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Principles of Catholic Theology, 1982, p. 16)

15. Papa Pio IX
Os primeiros elementos da doutrina católica afirmam que ninguém pode ser considerado um bispo legítimo, se este não estiver unido em comunhão de fé e caridade com a Rocha sobre a qual a Igreja de Cristo está edificada; se ele não aderir ao Pastor Supremo, ao qual foram confiadas todas as ovelhas para nutri-las, e se ele não estiver vinculado àquele que possui o ofício de confirmar os irmãos que estão neste mundo. (Papa Pio IX, Etsi Multa, n. 24, 21 nov. 1873)

15. Paulo VI
Em 1966, o Papa Paulo VI deu ao Arcebispo Michael Ramsey seu próprio anel espicopal, que foi guardado pelos seus sucessores e que eu estou usando hoje. Alegra-me agradecer-vos pelo presente pessoal da cruz peitoral, a mim enviada na ocasião de minha entronização no começo deste ano. Quando assumia o meu novo ministério, agradou-me profundamente esse sinal de trabalho compartilhado… (Rowan Williams, “Arcebispo” Anglicano de Cantuária, a João Paulo II, 4 out. 2003; L’Osservatore Romano, 8 out. 2003, p. 9)

16. Papa Pio IV
[Este Sínodo] decreta que todos os que, chamados e constituídos só pelo povo ou pelo poder e magistratura secular, escalam ao exercício desses ministérios ou os arrogam por veleidade própria, não sejam considerados ministros da Igreja, mas, ao contrário, ladrões e salteadores, já que não entraram pela porta [cf. Jo 10,1].” (Papa Pio IV, Concílio de Trento, 23ª Sessão, cân. 7, 15 jul. 1563; Denzinger-Hünermann n. 1769)

Se alguém disser que… os que nem são devidamente ordenados pelo poder eclesiástico e canônico nem mandados, mas vêm de outra parte, são legítimos ministros da Palavra e dos sacramentos: seja anátema. (Papa Pio IV, Concílio de Trento, 23ª Sessão, cân. 7, 15 jul. 1563; Denzinger-Hünermann n. 1777)

16. João Paulo II
Acontece, por exemplo, que — segundo o espírito mesmo do Sermão da Montanha — os cristãos pertencentes a uma confissão já não consideram os outros cristãos como inimigos ou estranhos, mas vêem neles irmãos e irmãs. Por outro lado, mesmo a expressão irmãos separados, o uso tende hoje a substituí-la por vocábulos mais orientados a ressaltar a profundidade da comunhão — ligada ao carácter batismal — que o Espírito alimenta, não obstante as rupturas históricas e canônicas… Tal ampliação do léxico traduz uma notável evolução das mentalidades. (João Paulo II, Ut unum sint, n. 42, 25 mai. 1995)

17. Papa Pio XI
Pretendemos falar de São Francisco de Sales, bispo de Genebra e doutor da Igreja; que, como aqueles luminares de perfeição e sabedoria cristã que acabamos de lembrar, parecia enviado por Deus para se opor à heresia da Reforma, origem dessa apostasia da sociedade da Igreja, cujos efeitos dolorosos e funestos toda alma honesta hoje deplora. (Papa Pio XI, Rerum Omnium Perturbationem, n. 4, 26 jan. 1923)

17. Francisco
Dou graças a Deus por esta comemoração conjunta dos quinhentos anos da Reforma, que estamos a viver com espírito renovado e conscientes de que a unidade entre os cristãos é uma prioridade, porque reconhecemos que, entre nós, é muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa. (Francisco, Discurso no Encontro Ecumênico em Malmö, 31 out. 2016)

18. Papa São Pio X
Em meio a esses flagelos, elevavam-se homens orgulhosos e rebeldes, inimigos da Cruz de Cristo, homens de sentimentos terrestres que não tinham por Deus senão o próprio ventre. Esses homens, em lugar de se aplicarem à reforma dos costumes, negavam os dogmas, multiplicavam as desordens, relaxavam, para si e para os outros, o freio da licença; ou pelo menos, desprezando a direção autorizada da Igreja, para lisonjear as paixões dos príncipes e dos povos mais corrompidos, chegavam por uma espécie de servidão a derrubar a doutrina, a constituição e a disciplina da Igreja. E depois, imitando os ímpios a quem se dirige a ameaça: “Ai de vós que chamais mal ao bem e bem ao mal”, chamavam reforma a essas rebeliões sediciosas e essa perversão da fé e dos costumes, e se intitulavam a si mesmos reformadores. Porém, na realidade eles eram corruptores pois, atrofiando, à força de dissenções e de guerras, as energias da Europa, preparavam as revoltas e a apostasia dos tempos modernos. (São Pio X, Editae Saepe, n. 9, 26 mai. 1910)

18. João Paulo II
O meu pensamento dirige-se hoje a uma data memorável na história da cristandade ocidental. Há 450 anos, os predecessores dos nossos irmãos e das nossas irmãs de confissão evangélica-luterana submeteram ao imperador e à Dieta imperial em Ausburgo, um escrito, com o intento de testemunhar o seu credo em “uma Igreja santa, católica e apostólica”. Este escrito entrou na história do cristianismo com o nome de “Confessio Augustana”. Como “texto confessional”, representa ainda hoje documento fundamental para o credo e a vida de igreja dos cristãos luteranos e ainda para outros… A nossa gratidão é tanto maior quanto vemos hoje sempre com mais clareza do que então — mesmo que a construção da ponte não tenha tido êxito —, que a tempestade dos tempos poupou importantes pilares desta ponte. O diálogo intenso e desde há muito tempo iniciado com os Luteranos, que o Concílio Vaticano II solicitou e ao qual abriu o caminho, fez-nos descobrir como são grandes e sólidos os fundamentos comuns da nossa fé cristã. (João Paulo II, Discurso por ocasião do 450º Anivrsário da “Confessio Augustana”, 25 jun. 1980)

19. Papa Pio XII
E mais: que nem sob pretexto de alimentar a concórdia é lícito dissimular um dogma sequer; com efeito, como adverte o patriarca de Alexandria, “desejar a paz é o maior e principal bem… mas por este motivo não se pode desprezar a virtude de piedade para com Cristo”. Pelo que, não conduz à suspirada volta dos filhos errantes à fé legítima e reta em Cristo, aquele caminho e método que propõe apenas os pontos de doutrina em que combinam todas ou pelo menos a maior parte das comunidades que ostentam o nome cristão; mas antes aquele que põe como fundamento da concórdia e consenso dos fiéis cristãos, todas e íntegras, as verdades divinamente reveladas. (Papa Pio XII, Orientalis Ecclesiae, n. 8, 9 abr. 1944)

19. Comissão Católico-Luterana
O movimento ecumênico alterou a orientação das percepções das igrejas da Reforma: teólogos ecumênicos decidiram não continuar suas autoafirmações confessionais em prejuízo dos seus parceiros de diálogo, mas em vez disso, pesquisar sobre aquilo que é comum nas diferenças, até nas oposições, e, portanto, superando diferenças que dividem as igrejas. (Comissão Católico-Luterana para a Unidade, Do Conflito à Comunhão, Comemoração Conjunta Católico-Luterana da Reforma em 2017, c. II, n. 17)

20. Papa Pio IX
Que os filhos da Igreja Católica nunca sejam inimigos daqueles que não estão unidos a nós pelos mesmos laços de fé e caridade; pelo contrário, devem esforçar-se ao máximo para prestar-lhes todos os serviços da caridade cristã, na sua pobreza, nas suas doenças, em todos os outros infortúnios de que são afligidos; devem ajudá-los, sempre e sobretudo, a tirar-lhes das trevas dos erros em que miseravelmente se encontram, a trazê-los de volta à verdade católica e à Igreja, Madre amantíssima, que nunca cessa de estender-lhes suas mãos maternais, de abrir-lhes os braços, para fortalecê-los na fé, esperança e caridade, para fazê-los frutificar em todo tipo de boas obras e permitir que obtenham a salvação eterna. (Papa Pio IX, Quanto Conficiamur Moerore, n. 9, 10 ago. 1863)

20. Bento XVI
Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo. Segue-se daqui, como consequência lógica, que devemos ter a peito a unidade dos crentes. De fato, a sua desunião, a sua contraposição interna põe em dúvida a credibilidade do seu falar de Deus. Por isso, o esforço em prol do testemunho comum de fé dos cristãos – em prol do ecumenismo – está incluído na prioridade suprema. A isto vem juntar-se a necessidade de que todos aqueles que crêem em Deus procurem juntos a paz, tentem aproximar-se uns dos outros a fim de caminharem juntos – embora na diversidade das suas imagens de Deus – para a fonte da Luz: é isto o diálogo inter-religioso. (Bento XVI, Carta aos bispos a respeito da remissão da excomunhão aos quatro bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, 10 mar. 2009)

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