Carlos Nougué e a Paixão da Igreja

CARLOS NOUGUÉ E A PAIXÃO DA IGREJA

Quarto Erro Central do sr. Carlos Nougué sobre o sedevacantismo.

QUARTO ERRO CENTRAL
1) Os sedevacantistas afirmam que a Igreja está sem papa desde há cerca de 50 anos.
2) Mas Deus se encarnou justamente porque era conveniente ao gênero humano ter um chefe visível que o conduzisse à salvação; e Cristo foi a luz do mundo e o chefe visível da Igreja enquanto esteve entre nós.
3) Mas Cristo teve de ir-se para que o Espírito Paráclito viesse sobre seus apóstolos e discípulos, e por isso fez de Pedro o chefe visível da Igreja que ficaria em seu lugar, que seria seu vigário.
4) Não o teria feito, porém, se um dia pudesse interromper-se a sucessão de Pedro e, portanto, a própria missão salvífica de Cristo. Por isso disse que “as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja”.
5) Vê-se assim a que ponto o sedevacantismo despreza não só o sentido da mesma Igreja, mas os mesmos princípios elementares da Teologia Sagrada.

DO DIAGNÓSTICO MAU AO ERRO FATAL

Associando a linhagem de Judas com a linhagem de São Pedro, Nougué termina seu último e quarto argumento concedendo a perfídia conciliar o generoso papel de perpetuadora da missão salvífica de Cristo. As consequências desse mau diagnóstico são incalculáveis: o Vigário de Cristo sobre a Terra se torna diretamente responsável pela apostasia em massa do catolicismo iniciada a partir do Vaticano II, a Igreja mesma passa de vítima a autora de sua própria desgraça. É assim que o anti-sedevacantismo termina: a Igreja se torna uma instituição meramente humana e seus supostos representantes são aqueles mesmos que destroem o seu caráter divino. Eis a blasfema autodemolição da Igreja apregoada pelo apóstata Paulo VI e vergonhosamente defendida pelos supostos tradicionalistas de nosso tempo.

É evidente que este cenário canibal representaria o fim da infalibilidade e indefectibilidade da Igreja e o descumprimento cabal das promessas de Cristo.

Melhor resposta possuem os sedevacantistas que afirmam categoricamente que esta é uma obra do inimigo e não de Cristo, que Cristo a permite, mas não a causa, que o problema é a falta do Papa, seu representante sobre a terra, e não o próprio Papa. Temos falsos profetas e falsos Cristos, somos ovelhas sem Pastor, isso explica tudo e não contradiz o dogma. Porém, se verdadeiros profetas e e verdadeiros Cristos promovem ativamente a agenda do Anticristo, então temos certamente uma contradição, misturamos a luz com as trevas e Cristo com Belial. Portanto, longe de nós fazer essa associação impiedosa, longe de nós dar o nosso endosso ao modernismo apóstata que hoje rege a seita conciliar.

As seguintes proposições são falsas e devem ser rejeitadas:

1) Cristo foi a cabeça da Igreja enquanto esteve entre nós, a qual foi fundada em Pentecostes;
2) A vacância da Sé Apostólica não estava nos planos de Cristo;
3) A Igreja Conciliar perpetua a missão salvífica de Cristo;
4) A paixão da Igreja se dá com o Papa e não sem o Papa.

1) DO PENTECOSTES AO CALVÁRIO

Não é exato dizer que Cristo foi o chefe visível da Igreja enquanto esteve entre nós, pois, em boa parte de sua vida terrena, a Igreja ainda não existia. Seguindo a doutrina exposta pelo Papa Pio XII na Mystici Corporis Christi, aprendemos que Cristo preparou a Igreja durante sua vida pública pela pregação do Evangelho, instituição dos sacramentos e eleição dos Apóstolos, mas a obra da Igreja só viria a ser consumada no Calvário, somente ali Cristo se tornaria propriamente cabeça da Igreja, seu Corpo Místico (cf. Mystici Corporis nn. 25-30).

Esta sutileza não é fora de propósito, pois ela atinge em cheio o conceito inflamado e rigorista de visibilidade adotado pelo sr. Nougué. Uma vez que compreendemos que a fundação da Igreja se deu no Calvário, descobrimos que o primordial não seria a estrutura (a visibilidade material da Igreja), mas aquilo que a faz propriamente o Corpo Místico de Cristo (ou seja, seu caráter sobrenatural, sua visibilidade formal). É exatamente para este ponto que nos chama a atenção o Pe. Penido em seu comentário a esta encíclica de Pio XII:

“Muitos teólogos modernos relutam em aceitar a doutrina patrística, representada por Pio XII, e retardam o Natal da Igreja até o dia de Pentecostes. A razão de tal preferência em um e outro autor origina-se em certa tendência a fazer da Igreja, o Corpo místico do Senhor da glória, o que é confundi-la com a Igreja triunfante. A quase totalidade desses teólogos, porém, parece deixar-se impressionar demasiado pela estrutura visível e jurídica da sociedade cristã.”

“No Calvário tudo era invisível, ou se algo visível havia, era a morte do Fundador, a dispersão dos discípulos, o malogro aparente da obra. Enquanto, no dia de Pentecostes, sai a nova religião à luz do sol, apresenta-se ao mundo numa atmosfera de triunfo, como um corpo social governado por chefes que pregam, convertem, batizam, legislam.”

“De pouco proveito seria, para dirimir a controvérsia, cavilar sobre os termos ‘nascer, edificar’; são metáforas que não podem ser tomadas ao pé da letra. Na pena dos Santos Padres e de Pio XII, querem significar que, se a fundação da Igreja deve ser concebida qual gradativo evolver; o ponto culminante de tal processo foi o Calvário.”

“Todavia, um ponto culminante não suprime, antes supõe um ponto inicial, pontos intermédios e um ponto final. Este será o dia de Pentecostes, que marcará a exteriorização do Corpo místico.”

“Em compensação, ‘ponto culminante’ indica que a tarefa essencial da Igreja será continuar o mistério de morte e vida que se realizou no Calvário.”

“Os teólogos modernos, vivendo ainda dos conceitos da teologia da contra-reforma, acentuam na Igreja a instituição jurídico-social (donde alguns contrapõem Igreja e Corpo místico); é portanto normal que coloquem a fundação da Igreja depois da Ressurreição, ou em dia de Pentecostes. Pio XII, ao contrário, retomando a concepção patrística de Corpo místico, ressalta a feição invisível e sobrenatural da Igreja; é também normal que lhe coloque a fundação sobre a Cruz, porquanto só por ‘sua morte ‘nosso Salvador foi feito Cabeça da Igreja no pleno sentido da palavra’…”

“Eis porque Pio XII reserva os termos de ‘fundação’ ou ‘nascimento’ para o dia da Paixão; e fala apenas em ‘manifestar’, ‘promulgar’, ‘robustecer’ em dia de Pentecostes. Deseja o Pontífice chamar a atenção sobre o ‘mistério’ da Igreja e sobre a função primordial que reveste a Cruz nesse mistério. O resto são nugas verbais.”

(PENIDO, Pe. M. Teixeira Leite. Iniciação Teológica I: O Mistério da Igreja. 11 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1956, pp. 128-130)

Em suma, na Igreja o invisível é o fundamento do visível e não vice-versa. A estrutura da Igreja ou seu caráter social é a consequente manifestação da Igreja, mas não é a fonte de onde emana a Igreja de Cristo. A estrutura somente salva, se as autoridades e os sacramentos comunicam a fé, a lei e a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se a estrutura é linda e maravilhosa, mas falta o fundamento invisível e sobrenatural, então todo este aparato é inútil e sem valor para a salvação das almas.

Porém, no curso desses quatro argumentos, todo o esforço do sr. Nougué tem consistido em subverter a ordem das coisas: o consequente toma o lugar do antecedente, o efeito toma o lugar da causa, o Pentecostes da estrutura conciliar (que em realidade é uma Babel) toma o lugar da fé viva e da graça santificante infalivelemnte comunicada até mesmo no Calvário da Igreja Católica de nosso tempo.

Todos podem testemunhar o espetáculo de blasfêmia, sacrilégio e imoralidade dado pela seita do Vaticano II e, por outro lado, todos podem testemunhar a pureza da fé e firmeza disciplinar dos católicos tradicionais, não obstante a humildade de suas estruturas. Entre o Pentecostes mundano, esta Babel de apostasia sem limites, e o Calvário da Igreja Católica, o sr. Nougué tem optado pelo primeiro.

É de espantar que seja o mesmo Nougué que nos acuse de não querer viver a Paixão da Igreja, quando a verdade é que não se poderia achar uma melhor descrição para a sua lamentável posição atual, onde um homem bem-informado volta às costas para a Igreja e, pouco a pouco, volta a nutri-se do vômito ecumênico do Vaticano II.

2) A VACÂNCIA DA SÉ APOSTÓLICA NOS PLANOS DE CRISTO

Além desta deletéria ênfase na estrutura, o sr. Nougué enfatiza a vontade de Cristo de ter sucessores em seu lugar. É claro que isso é verdade e não creio que haja um sedevacantista sério que o negue. Por outro lado, quem dirá que não estava nos planos de Cristo a existência de interregna papais sem um prazo previamente determinado?

Com efeito, confiando aos homens a eleição do sucessor de Pedro no Primado, abriu-se terreno para todas as peripécias peculiares à fraqueza humana. A traição e a fraude são possíveis e em nenhum lugar se indica que a assistência de Cristo impediria que ambas as coisas viessem tomar lugar durante um conclave ou um suposto concílio do futuro. Aliás, é tão provável que elas poderiam tomar lugar que Cristo e os Apóstolos alertaram tanto para a existência de falsos profetas em nosso meio quanto para a necessidade de cautela e discernimento dos espíritos, de modo que não fossemos enganados pelas aparências de bem. Se as promessas de Cristo prevenissem a Igreja de tais calamidades, por que Nosso Senhor e os Apóstolos teriam dito essas coisas abertamente?

Portanto, não são os sedevacantistas que pecam por imprudência ou ignorância, mas os seus adversários. Reduzir o testemunho das Escrituras e do simples bom senso ao irrelevante, ignorar o fato evidente da apostasia por meio de um apriorismo estéril, equivale ao desprezo dos “princípios elementares da Teologia Sagrada”.

3) A MISSÃO SALVÍFICA DE CRISTO

A missão salvífica de Cristo perpetua-se entre os católicos tradicionais pelo anúncio da fé verdadeira, o ministério dos sacramentos e a submissão Cátedra de São Pedro e aos bispos tradicionais. Ali o catolicismo é conservado íntegro e sem mancha. Por outro lado, a missão salvífica não se perpetua por meio de Francisco e dos demais chefes da seita modernista. A fé conciliar é corrompida, desafiando as Escrituras, os Padres, o Magistério Eclesiástico e o simples bom senso. Os sacramentos conciliares são em grande parte inválidos senão duvidosos e, portanto, não são de modo algum meios seguros de comunicação da graça santificante. Os chefes conciliares, se obedecidos, levam os fiéis à adesão da agenda ecumênica (noaquida) que certamente pavimentará o caminho para o Anticristo; e, se não obedecidos, levam os católicos a assumir uma “postura crítica” perante o Magistério que não condiz nenhum pouco com a constituição monárquica da Igreja e os direitos de hierarquia eclesiástica sobre os fiéis.

Ante esses fatos que certamente não escapam ao conhecimento do sr. Nougué, penso que fica difícil de entender como ele pode realmente crer que Francisco perpetua a missão salvífica de Cristo sobre a terra. Se dependesse de Francisco e do herege diocesano, é muito provável que Nougué dificilmente teria conhecimento da fé católica. Por outro lado, tudo o que em Nougué há de católico e aproveitável pode ser traçado aos sacerdotes tradicionais, como o Padre Calderón, que o instruíram na verdade revelada e nas contingências da vida da Igreja do tempo presente.

Essa é a história de todo o verdadeiro católico que graças ao bom Deus descobriu a verdadeira Igreja Católica apesar de todos os esforços de Francisco e seus sequazes em sentido contrário. É irônico e igualmente suspeito que Nougué atribua aos demolidores do dogma e da moral católica o papel de perpetuadores de missão salvífica de Cristo. É, por fim, uma grande blasfêmia, pois sendo as autoridades legítimas um instrumento nas mãos de Cristo, ele assume que Cristo seja a causa eficiente da doutrina herética e disciplina imoral que animam a seita modernista do Vaticano II.

4) A PAIXÃO DA IGREJA

Em seu opúsculo Do Papa Herético, Carlos Nougé cita em nota-de-rodapé a seguinte passagem do Comentário de São Tomás à Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:
 
“Deve dize-se que [o Império Romano] não cessou, senão que se mudou de temporal em espiritual, como diz o Papa Leão no sermão sobre os Apóstolos. E por isso se deve dizer que a apostasia do Império Romano se entende não só do temporal, mas do espiritual, ou seja, da fé católica da Igreja Romana. Mas este sinal é conveniente, porque, assim como Cristo veio quando o Império Romano dominava sobre todos, assim também, inversamente, um sinal do Anticristo é a apostasia daquele.” (São Tomás de Aquino, Comentário aos Tessalonicenses, cap. 2, lect. 1 op. cit. NOUGUÉ, Carlos. Do Papa Herético: e outros opúsculos. Formosa: Edições São Tomás, 2017, p. 241.)
 
Desconsiderando a interpretação peculiar do sr. Nougué, a citação atesta que ele tem plena consciência do caráter escatológico da apostasia conciliar. Esta seria uma boa oportunidade para o sr. Nogué expor aos seus leitores o quanto tal apostasia é inconciliável com a existência de um papa reinante e como, em realidade, somente uma longa vacância da Santa Sé poderia permitir a apostasia do Vaticano II.
 
Embora esta clareza escape ao sr. Nogué, ela não escapou da visão de alguém que não só conhecia muito bem a doutrina católica sobre o Papado, mas que esteve presente no próprio Concílio que esplendidamente a definiu, refiro-me ao Cardeal Manning. Este Príncipe da Igreja, contemplando a apostasia temporal de que fala São Tomás de Aquino em seu Comentário, adianta-se para descrever, segundo os Santos Padres e teólogos autorizados, a apostasia espiritual. Todo o livro de Cardeal Manning é sumamente importante, porém a seguinte passagem é de particular importância, pois revela que a Paixão da Igreja tem a ver justamente com a vacância da Sé Apostólica:

“Assim como há um perpétuo operar do mistério da iniquidade, também há um perpétuo obstáculo ou barreira a sua manifestação, que permanecerá até ser removido; e há um tempo determinado em que ele deve ser tirado do caminho… Ora, enquanto este homem iníquo deve ser uma pessoa sem lei, que introduzirá desordem, sedição, tumulto e revolução, tanto na ordem espiritual quanto na temporal, do mesmo modo aquele que impede o seu desenvolvimento será seu direto antagonista depois de sua manifestação e deve necessariamente ser um príncipe de ordem, de leis, de submissão, a autoridade da verdade e do direito…”

“Devemos agora nos aproximar de uma conclusão afirmada no começo a respeito do Anticristo que também vale para o seu oponente, nomeadamente, que o poder que impede a revelação do homem sem lei não é somente uma pessoa, mas também um sistema e não somente um sistema, mas também uma pessoa. Numa palavra, o obstáculo é a Cristandade e sua Cabeça; portanto, é na pessoa do Vigário de Jesus Cristo, em posse da dupla autoridade de que ele foi providencialmente investido, que encontramos o direto antagonista ao princípio da desordem…”

“Desde a fundação da Europa Cristã, a ordem política do mundo tinha se orientado sobre o mistério da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo; por essa razão, todos os atos públicos de autoridade, e mesmo o calendário pelo qual datamos nossos dias, são contados a partir dos anos de salvação ou a partir do “ano de Nosso Senhor”… [N]o dia em que se admite igualdade de privilégios aos que negam a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, dissolve-se a vida e a ordem social orientada pelo mistério da Encarnação e se põe em seu lugar os alicerces do naturalismo: isso é precisamente o que foi predito acerca do período anticristão…”

“Se a barreira que impedia o desenvolvimento do princípio da desordem anticristã tinha sido o poder de Jesus Cristo, Nosso Senhor, incorporado pela Igreja conduzida pelo seu Vigário, então nenhuma mão é poderosa o bastante e ninguém será capaz de tirá-lo do caminho, exceto a mão e a vontade do Filho encarnado de Deus mesmo…”

“A história da Igreja e a história de Nosso Senhor sobre a terra, correm como que em paralelo. Por trinta e três anos o Filho de Deus esteve no mundo e nenhum homem poderia lançar sua mão contra ele. Nenhum homem poderia apanhá-Lo, porque a sua “hora ainda não chegou.” Havia uma hora pré-determinada em que o Filho de Deus deveria ser entregue nas mãos dos pecadores. Ele sabia disso; Ele predisse isso. Ele manteve seu destino em suas própria mãos, pois ele estava protegido pelo círculo de seu próprio poder divino. Nenhum homem poderia atravessar aquele círculo de onipotência até que chegasse a sua hora, quando por sua própria vontade ele abrisse caminho para o poder das trevas…”

“O mesmo vale para Sua Igreja. Até chegar o tempo em que a barreira deverá, pela Vontade Divina, ser tirada do caminho, ninguém poderá lançar sua mão contra ela. As portas do Inferno podiam mover guerra contra ela; elas podem lutar e lutar como lutam agora contra o Vigário de Nosso Senhor, mas não têm o poder de mover um passo a mais, até que chegue a hora em que o Filho de Deus permitirá, por um tempo, que os poderes das trevas prevaleçam. Que Ele permitirá que prevaleçam por um tempo, isso se apoia no livro da profecia…”

“Precisamos, pois, ficar bem atentos. Deve acontecer mais uma vez com alguns aquilo que ocorreu como se fez quando o Filho de Deus estava em sua Paixão – eles o viram traído, preso, amarrado, abatido, golpeado, de olhos vendados e açoitado; eles o viram carregar Sua Cruz para o Calvário e lá o pregarem e elevaram para o desprezo do mundo; e eles disseram, “se ele for o Rei de Israel, desça agora da cruz, e nós creremos nele” (Mt 27,42). Então, da mesma maneira dizem agora, “vejam a Igreja Católica, esta Igreja de Deus, débil e frágil, rejeitada até mesmo pelas nações ditas católicas. Vede a França católica, a Alemanha católica, a Sicília católica e a Itália católica abrindo mão da falácia do poder temporal do Vigário de Jesus Cristo.” E assim, porque a Igreja parece fraca e o Vigário do Filho de Deus está renovando em si a Paixão de seu Mestre sobre a terra, ficamos nós escandalizados, dele afastamos a nossa face. Então, onde é que está a nossa fé? Entretanto, o filho de Deus predisse essas coisas quando falou: “E eu vo-lo disse agora, antes que suceda, para que, quando suceder, o creiais” (Jo 14,29).”

“Ora, é contra a pessoa [do Papa] eminentemente e enfaticamente, como se disse antes, que o espírito das trevas e da mentira deve dirigir o seu assalto; pois se a cabeça for separada do corpo, o corpo mesmo deve morrer. “Matem o pastor, e as ovelhas serão dispersadas” é a antiga artimanha do malvado, que feriu o Filho de Deus para que pudesse dispersar o rebanho. Mas essa artimanha sempre falhou; pois na morte que abateu o Pastor, o rebanho foi redimido: e embora o pastor que foi constituído no lugar do Filho esteja abatido, o rebanho não pode mais se dispersar. Há trezentos anos o mundo se esforça para arruinar a linha dos Soberanos Pontífices, mas o rebanho nunca se dispersou: e assim deve ser até o fim. É, no entanto, é contra a Igreja de Deus e, principalmente, contra sua Cabeça, que todos os espíritos das trevas em todos os tempos, sobretudo no presente, dirigem as flechas de sua inimizade…”

“Assim como os perversos não prevaleceram contra Ele [Nosso Senhor Jesus Cristo] mesmo quando o amarraram com cordas, arrastaram para o julgamento, vendaram seus olhos, zombaram dele como se fosse um falso rei, bateram em sua cabeça como se fosse um falso profeta, ainda quando o conduziram para fora, crucificaram e, no auge de seu poder, pareciam ter completo domínio sobre Ele, de modo que Ele foi derrubado e quase se prostrou diante de sus pés; e como, precisamente no momento em que esteve morto e enterrado a vista deles, foi o tempo em que Ele foi elevado sobre todos, ressurgiu no terceiro dia, subiu aos Céus, foi coroado e glorificado, tomando posse de sua realeza e supremo reinado, sendo constituído Rei dos Reis e Senhor dos Senhores; do mesmo modo deve suceder com a sua Igreja: embora por um tempo perseguida, e aos olhos dos homens derrotada e pisoteada, destronada, despojada, escarnecida e esmagada, mesmo nesse tempo de triunfo, as portas do Inferno não prevalecerão. Existe na história uma ressurreição e uma ascensão para a Igreja, uma realeza e dominação, uma gloriosa recompensa para todos os que tenham perseverado. Como aconteceu com Jesus, é preciso sofrer para receber essa coroa de glória. Ninguém se deixe, então, escandalizar se a profecia fala de sofrimentos vindouros.”

(Cardeal Manning, The Present Crisis of the Holy See Tested by Prophecy. O Papa e o Anticristo: A Grande Apostasia Predita, https://controversiacatolica.com/2017/05/07/o-papa-e-o-anticristo-a-grande-apostasia-predita/)

Entre a Paixão da Igreja descrita pelo Cardeal Manning, fruto da falta do Pastor Universal, e a Paixão da Igreja de Carlos Nougué, fruto da presença do Pastor Herético Universal, qual das duas parece a interpretação católica? A mim não resta dúvida que a única interpretação católica é esta de Cardeal Manning, pois ela poupa-nos da blasfêmia da autodemolição da Igreja e do vínculo criminoso com os hereges do tempo presente.

 

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