João Batista Montini não é um verdadeiro e legítimo papa

JOÃO B. MONTINI NÃO É UM VERDADEIRO E LEGÍTIMO PAPA

Pelo Rev. Padre JOAQUÍN SÁENZ Y ARRIAGA, S. I.

Paulo VI

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Temos que chegar a tirar as conclusões de tudo o que até aqui temos escrito, ainda que levantem os braços ao céu, em protesto e ameaça, os múltiplos “papólatras”, como existem, em toda parte, e que, para salvar a Paulo VI, e seu espúrio reinado, estão dispostos a sacrificar a Igreja e a sua salvação eterna. Em vista da atual “autodemolição” da Igreja, que estamos testemunhando, devemos alcançar, com imensa amargura, essa conclusão tangível; João B. Montini não é um papa legítimo.

Para início de conversa, comecemos por distinguir bem o sentido das palavras, estabelecendo um status quaestionis, para evitar equívocos ou más interpretações. Eu sou um “papista”, profundamente, filialmente e entusiasticamente “papista”, mas eu não sou, nem nunca fui, de modo algum “papólatra.” Ser um “papista” é ser católico; ser “papólatra” é ser um fanático ou um sectário. Nos tempos da Reforma protestante, os inovadores chamavam de “papistas” aos que seguiam fiéis à Catedra e ao Primado de Pedro, ao Papado; isto é, aos que se permaneciam na unidade católica. Ser “papista” significava muitas vezes a prisão, os suplícios, até mesmo a morte. Espero que, com a graça de Deus, eu estaria disposto, se essa hora chegasse, a sofrer e morrer pela fé de meus pais. Em nossos tempos, a “papolatria”, adoração supersticiosa do Papa, com a qual os calvinistas e luteranos tentavam difamar os católicos, não tem esse significado: não é o repúdio da instituição de Cristo, do legítimo sucessor de Pedro, mas a falsa presunção de que, ao tornar o homem que ocupa o trono de São Pedro pessoalmente infalível e impecável, em tudo o que faz e em tudo o que diz, parece dar ao Papa, em vida, um culto que não lhe corresponde, sobretudo quando há sérios motivos para duvidar da legitimidade do atual pontífice, de sua própria ortodoxia.

Eu posso imaginar o grito, que a simples definição de “papólatra”, que nós demos, levantará entre os “miniteólogos” e minipontífices, os Genaritos, os Abascal, Salmerón, Brambila… dos quais a Igreja está infestada no México. Eles vão me lembrar das “condenações galicanas”, sem sequer entender o que condenam essas condenações. Eu não estou falando desses que legitimammente ocupam a Sé de Pedro, mas desses que ilegitimamente estão lá sentados, seja porque sua eleição foi nula, seja porque, legitimamente eleitos, perderam por causa de sua heresia, cisma ou apostasia, a legitimidade de suas prerrogativas e poderes. Diga-me, Abascal, diga-me seu coroinha Salmerón, rechaçariam vocês o epíteto de “papólatras” aos que, por engano, teimosia ou malícia, empenham-se em defender e render culto a um antipapa ou um Papa surpreendido em heresia? Não se adiantem; não gritem. Já sei que vocês negam e renegam que o Papa Montini seja um antipapa ou seja um papa herege. Mas, independentemente do presente caso, o que você responde a minha pergunta? Obviamente, aqueles que aderem a um antipapa ou a um papa herege são – é o mínimo que se lhes pode dizer – uns “papólatras”.

Ora bem, se um papa fosse canonicamente eleito, sem ser “subjectum capax ad electionem”, um sujeito que poderia legitimamente ser eleito, por nunca ter sido batizado, por ser um herege, por ter sido educado em outra religião, distinta da católica, embora preservando as aparências externas de ser verdadeiro católico, ou, se por sua culpa, por suas leituras, por seus compromissos, por sua falta de doutrina sólida ou por suas fraquezas humanas, perdeu a fé, sem perder por isso suas prebendas, seu episcopado, seu cardinalato – pelo menos aos olhos dos homens; se, nestas circunstâncias, ele fosse eleito canonicamente papa – o caso não é impossível – não seriam “papólatras” aqueles que, provanda a fraude, permanecem firmemente ligados ao falso papa, ao “papa de jure, mas não de fato”? Aqueles que fecham os olhos para não ver a verdade?

Segundo as citações feitas antes dos grandes teólogos, dos Santos Padres e do Corpus luris Canonici e dos legítimos papas, todas essas hipóteses não são impossíveis, nem contradizem em nada a doutrina católica. Caso contrário, teríamos que admitir, como um dogma de fé, que qualquer um que se diz um verdadeiro Papa, o é em realidade, embora a evidência esteja nos mostrando o contrário. Sim senhores, pode ser eleito como papa um sujeito incapaz de ser papa, assim como o pode deixar de ser papa um pontífice que, por sua culpa, perdeu a fé católica, mesmo que seja consagrado, mesmo que tenha sido coroado, ainda que, com obstinação, por culpa ou covardia dos outros hierarcas, siga obstinado em seu posto, no qual não crê e do qual se está valendo para destruir a Igreja, com a única autodemolição que é possível a partir da obra de Cristo, a que faz um falso papa. Estes são os “papólatras”, que antepõem à fé, à mesma Igreja e ao próprio Cristo, o seu falso pontífice, que, com o aplauso dos mesmos católicos – católicos maus, ignorantes, covardes ou de conveniência – está autodemolindo a obra de Cristo, para poder implantar uma nova religião. “Só nos faltava – diremos outra vez com Belarmino – que a Igreja não tenha poder para lançar fora o lobo feroz e o açougueiro, que está devorando o rebanho”!

Estas palavras energéticas de São Roberto Belarmino não foram escritas como um arroubo poético, como uma possibilidade impossível, senão como algo que, dada a fragilidade humana, pode, infelizmente, acontecer. Assim como as palavras de Cristo “Cuidai com os falsos profetas, que virão até vós vestidos em pele de ovelha, mas por dentro são lobos vorazes. Por seus frutos os conhecereis” tampouco são palavras vazias, que nunca teriam cumprimento na Igreja.

A atual situação da Igreja, em pontos vitais e intocáveis, que, com a ciência e a paciência do Papa Montini, apesar de seus discursos semanais e suas sombrias encíclicas, que evidentemente hão desconsertado aqueles que não se deram ao trabalho de estudá-las, nem investigar nelas as brechas, que estão sempre abertas, com habilidade, à heresia, demoliu não apenas uma verdade de nossa fé, senão a fé total, estabelecendo o “relativismo” teológico e filosófico, que faz que a verdade seja instável, esteja em constante evolução, de acordo com as circunstâncias dos tempos, lugares e pessoas. Isso é modernismo, essa é a nova religião montiniana, a nova economia de Paulo VI. Bastariam tão só alguns fatos para demonstrar o que foi dito a todos aqueles que, tendo olhos, querem ver e, tendo ouvidos, querem ouvir. Mas, antes me permitirei copiar aqui algumas passagens de uma recente conferência dada na Mutualité de Paris, perante uma audiência de cerca de 4.000 pessoas, pelo extraordinário Abbé Georges de Nantes. Existem entre nós não pequenas discrepâncias em alguns pontos importantes de nossa resistência; mas isso não nos impede de admirá-lo, apreciá-lo e reconhecer sua extraordinária luta.

O ABBÉ DE NANTES DENUNCIA A JOÃO B. MONTINI

Meus queridos amigos, acabais de ouvir toda a nossa doutrina, todo o programa da nossa Contra-Reforma Católica, com atenção, com paixão. Eu vos pergunto agora: O que há nele de anárquico, de insensato ou de blasfemo? O que há nele que mereça uma sanção? Nada; nada, senão o fato de dizer a verdade capital, de que ninguém pode sustentar atualmente tais convicções, eminentemente católicas e colocá-las em prática, sem passar por cima do padre, bispo e do próprio Papa, em questões relativas ao dogma, ao culto e à moral.

A primeira reação a essa atitude hostil é levantar os ombros e dizer: o que faremos? De quem é a culpa? – E esta é uma boa reação. Nossa religião não depende das opiniões e do humor de nossos pastores. Depende de Jesus Cristo, de quem eles são meramente ministros. A resistência a sua opressão, a oposição aberta à nova religião, é um direito e um dever sagrado. Que cada um faça um esforço para cumpri-lo. A princípio, seremos apenas um pequeno número, mas o mérito será maior. Tudo o que vós deveis fazer já vos foi recomendado: manter o verdadeiro catecismo, participar corajosamente na verdadeira liturgia, receber os sacramentos em suas formas tradicionais, manter em vossas casas a religião tradicional…

“Todos aceitam o programa que mostramos esta noite, e há também uma multidão de outros padres e fiéis, que estão em silêncio, por um sentimento de obediência, que respeitamos, embora não participemos dele, os quais, no entanto, estão de pleno acordo conosco. Por exemplo, aqueles 2.000 sacerdotes reunidos em Zaragoza, no mês de setembro, entre os quais havia cerca de 200 franceses, liderados pelo Cônego Catta e pelo Padre Balastrier… Eles criam com boa fé tornar público o seu amor e veneração ao Papa Paulo VI e toda a sua submissão ao Concílio Vaticano II; Eles pensaram que obteriam a liberdade de manter seu ministério totalmente tradicional e católico. Em resposta, o papa se recusou a enviar-lhes a menor bênção e proibiu os cardeais já registrados de comparecerem à reunião e pronunciar as conferências anunciadas e prometidas por eles. Deste modo, esta elite de sacerdotes edificicantes, respeitáveis, totalmente consagrados ao serviço da Santa Igreja, apareceram diante do mundo como castigados, desautorizados, excomungados, por aquele mesmo cujos pés estavam beijando. Contra esse ostracismo nós os incitamos a uma revolta santa…

“Que o Papa e os nossos bispos estejam descontentes não será motivo para que retrocedamos. Porque é bom que se constitua de facto, senão de ure, uma “comunidade de base”, inaudita, do rito latino, no seio mesmo da Igreja “reformada”. A tradição católica não pode sobreviver, diluída em toda parte, como se ela se conserva pura, em certos lugares. E, como a hierarquia não a tolera, é necessário fazê-lo, apesar dela.

“É bom manter o que temos agora, mas é necessário recuperar o que perdemos. E, para reconquistar, é necessário começar, desde logo, – desculpai minha brutalidade -, derrubando o Poder revolucionário ou reformador… Posto que todas as desordens e crimes são cometidos hoje, sob o véu da autoridade e quase universalmente aceitos pela obediência, é a autoridade que deve ser reconquistada, sem a autoridade do Papa, a “reforma” não teria força. Com o Papa seguirá vencendo e esmagará toda a resistência.

“Se se tratasse de opiniões livres, o Papa poderia dominar, do alto, a disputa, sem participar dela, como fez Paulo V, no debate sobre a graça entre jesuítas e dominicanos.

“Se se tratasse de “pastoral”, de meios apostólicos, pedagógicos e científicos postos em prática para a conversão dos nossos contemporâneos, como os nossos bispos repetem incessantemente, seria normal que o Poder usasse aqui da aceleração e ali do freio. Teríamos então bispos reacionários e bispos progressistas. O velho e o novo coexistiriam, com mais ou menos sucesso, de acordo com a demanda (com mais ou menos partidários, eles trabalhariam, segundo a necessidade).

“Mas, não, a seleção é excluída. A autoridade tomou parte, até o ponto de ser partidária, monolítica, absolutista. O Pacto funciona; tem tudo sempre. É o programa imposto de uma “nova religião”, cuja coerência e novidade haveis ouvido esta noite. É o culto do homem, proclamado por Paulo VI, após o encerramento do Vaticano II, em vez do culto de Deus, da Virgem, dos santos. Não nos tolera a Hierarquia, não nos tolera, porque tem o propósito preciso de substituir a antiga religião pela nova, e assim o fará, não nos tolerará, porque, em sua intolerância, tornou o exercício de sua autoridade intolerável.

“Eis aqui porque a nossa Contra-Reforma Católica está desempenhando seu papel próprio e, creio eu, também singular. Não nos podemos enganar: o Poder reformado, tal como agora existe, não nos reconhecerá jamais o direito de subsistir, ainda segregados, no seio da Igreja. Se nós não o derrotamos, esse Poder acabará por destruir-nos. Esta é – desculpe-me – uma luta para a morte entre o Poder e nós… E me atrevo a dizê-lo, é uma luta entre o Poder e a Igreja.

“Durante o Concílio se afirmou repetidas vezes que não havia Colégio, senão com o Papa. “Repetiram-no até dar náuseas”, disse Congar. Desaventurado! Sem o Papa, toda sua reforma teria sucumbido ao vento. Contra o Papa nada teria subsistido. Os antipapas, com efeito, se aproveitaram da entrada em questão das forças do Papado. O Concílio é Paulo. A Colegialidade é Paulo. A “REFORMA” atual é sempre, em tudo, sobretudo e em primeiro lugar PAULO VI. Se o Papa franzir a testa, tudo para e cai por terra. Tudo se acelera, porque ele o quer.

“O processo de “REFORMA CONCILIAR” – não o disfarcemos mais – é o processo de Paulo VI. Por isto, logicamente, desde o princípio, nossa Contra-Reforma interpelou o Soberano, não para constatar sua legitimidade, nem para recusar sua autoridade, senão para apelar a ele contra ele mesmo. Queremos conduzir Paulo VI aonde ele não quer ir, pois neste conflito gravíssimo se fez ao mesmo tempo “parte” e “partidário”. Nós exigimos que seja ele, de uma vez por todas, solene e infalivelmente, como Vigário de Cristo, sucessor de Pedro e Chefe Supremo da Igreja, o Juiz entre ele e nós; o Juiz de sua própria causa. Nós apelamos para Paulo VI contra João B. Montini. Hoje voltamos a repetir o mesmo.

“Eu apelei à Santa Sé, em minha “Carta ao Cardeal Ottaviani”, em julho de 1966. (cf. “Carta a meus amigos” 231”). Eu apelei ao Papa contra a Reforma Conciliar, em minha “Carta ao Soberano Pontífice” de 11 de outubro de 1967. Eu acusei ao Papa e ao Concílio de heresia e de cisma, em meu Processo no Santo Ofício, na mesma Roma, em maio e julho de 1968. (Dossiê CRC, Nº 23-25). O Poder contentou-se em “desqualificar-me”, pelo simples fato de que eu havia sustentado acusações, que como ele declarou, não podiam sustentar-se. Se conduziu, pois, não como juiz, que examina uma causa, senão como um tirano que não aceita a suspeita, que considera um crime toda apelação a sua justiça.

“A Contra-Reforma Católica revê sua postura anterior. Depois de um ano, apela do Papa e dos Bispos do Vaticano II, reunidos em Concílio Pastoral, ao mesmo Papa e aos mesmo Bispos reunidos, desta vez, em Concílio Dogmático, o Vaticano III. É a soução adequada para a crise deste decênio. Tudo o que dissemos esta tarde seria, em um Concílio dogmático e infalível, o triunfo da Tradição, o anátema contra a REFORMA atual e a liberação do povo cristão. Seria, será, melhor dizendo, uma festa semelhante à famosa FESTA DA ORTODOXIA que, em Constantinopla, no ano de 849, terminou a luta iconoclasta, depois de cento e vinte anos.

“O meio para recobrar a saúde está bem definido: É necessário remover o obstáculo. E o obstáculo é o Papa Paulo VI, que ligou seu nome, seu reinado, seu coração, a terrível pujança de sua autoridade e de sua fascinante personalidade ao “partido da REFORMA”. À instauração do culto do Homem no Santuário de Deus. Vivo ele fortalece a REFORMA. Morto, se converterá em uma garantia intangível e sagrada.

“Todas as provas que, em contrário, apresentam seus cortesões, que crêem as pessoas boas, que fazem destacar certos publicistas, não podem nada contra a terrível realidade: Paulo VI é o Papa do Concílio, o Soberano Contratista da “autodemolição” da Igreja, o introdutor de Satanás entre nós. O CULTO DO HOMEM é ele. O ECUMENISMO é ele. A LIBERDADE RELIGIOSA é ele. O INDIFERENTISMO é ele. O NOVO CATECISMO é ele. A NOVA MISSA é ele. A SUPRESSÃO DOS EXORCISMOS NO BATISMO é ele e a SUPRESSÃO DA FUNÇÃO DO EXORCISTA é ele, no momento que ele mesmo declara que Satanás está entre nós.

“Certas manobras decisivas nos descobrem sua vontade precisa e sua responsabilidade pessoal e decisiva, tais como a redução ao estado laico de tantos milhares de sacerdotes, como a supressão do juramento antimodernista e a imunidade garantida por ele a Hans Küng, Schillebeecks, Cardonnel… como a intervenção determinante em favor dos progressistas espanhóis, encabeçados pelo Cardeal Taracón, contra seus próprios auxiliares da Congregação do Clero e do Santo Ofício, os Cardeais Wright e Soper.

“Enfim, certos passos seus ultrapassam a linha vermelha, que separa o lícito do proibido. Havendo violações à lei divina, insuportáveis a Deus, à Igreja e aos verdadeiros católicos, atos que deveriam ser anatematizados, durante a vida do próprio prevaricador ou após a morte, mas que não podem de maneira alguma tolerar-se na Igreja. Digo-o chorando: o Papa aceita que hereges e cismáticos recebam a comunhão. O Papa jamais sancionou às “eucaristias” sacrílegas, inválidas ou blasfemas, como as patrocinadas pelo Monsenhor Riobé de Orleans. O Papa permite que se difundam falsos murmúrios sobre pretendidos acordos, entre católcios e protestantes, acerca da Eucaristia. O Papa prepara lenta e silenciosamente a afiliação da Igreja Católica ao Conselho Mundial das Igrejas, organismo do movimento ecumênico protestante.

“É necessário depor o Papa, porque Paulo VI é à encarnação da violação da lei de Deus pelos reformistas, antes que ele deixe em desordem no modo da eleição de seu sucessor, preparando o caos.

“Em consequência defini, de acordo com os chefes do Círculo, reunidos em Congresso, a 1 de outubro, de acordo também com meus Irmãos em religião, ir depositar aos pés de Sua Santidade o Papa Paulo VI um libellum accusationis, um libelo de acusação, contra sua própria pessoa, por heresia, cisma e escândalo, exigindo-lhe uma sentença solene, um juízo infalível sobre seus próprios atos. De qualquer outra autoridade seria ridículo pretender obter um juízo justo sobre essa mesma autoridade. Mas, se o Papa é um homem, pecador e falível, é impecável e infalível na sua função suprema de Juiz em matéria de doutrina da fé e da moral.

“Se ele se nega a julgar a si mesmo e se comporta como um déspota, isento da lei divina, ou se por sua inércia se reconhece culpável, apelaremos a sua Igreja diocesana, a Igreja de Roma, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, a única habilitada para fazer um processo formal e pronunciar a sentença de deposição, que resultaria desta morte espiritual do Papa, canonicamente reconhecida.

“A Igreja não pode suportar, assimilar, conservar o erro em seu seio. Seu patrimônio necessariamente o exclui. Um Papa que prega a J. J. Rousseau e não a Santo Agostinho, a Lamennais contra São Pio X, a Blondel em vez de São Tomás deve ser obrigado a cumprir seu dever de retratar-se, senão a Igreja morre. Os tomos das Atas Conciliares e Pontificais destes dez últimos anos alimentarão no próximo dia, eu tenho a firme esperança, as chamas de um gigantesco auto da fé, único na história.

“Porque a plenitude do Espírito Santo visivelmente conduz sempre a Igreja. Quando se encerrará o parêntesis deste negro decênio, os faróis do Vaticano [II] se extinguirão, as quimeras de Paulo VI serão condenadas. Talvez as dificuldades da Igreja sejam as mesmas; mas então a luta estará entre a verdade e o erro, entre a virtude e o vício, entre a beleza e a feiura, entre a ordem e a desordem, não de pestilenciais dialéticas de jovem e de velho, de novo e de antigo, de dinâmico ou estático. Então a Igreja exorcizada destes demônios modernos, poderá servir a Deus, somente a Deus.

“Não passará o ano, sem que nós tenhamos levado nossa acusação a Roma, exigindo ao Papa que se retrate ou demita. Eu não quero ser o único neste trabalho e nesta honra. Se quereis, se o julgais santo e saudável, podereis compatilhar comigo o trabalho e a honra.”

Quis reproduzir aqui estas enérgicas palavras do Abbé Georges de Nantes, em sua famosa conferência, pronunciada na Mutualité de Paris e na qual, com valentia cristã, faz recair toda a responsabilidade da presente situação caótica da Igreja, sobre a atuação e o governo do Papa Montini. Podemos dissentir em alguns pontos com o Abbé de Nantes, mas, no fundo, sem dúvida, estamos de acordo: João B. Montini é perante Deus, perante a Igreja e perante a história o verdadeiro responsável da dessacralização, da protestantização e da judaização que estamos vivendo. Porque:

a) Que explicação podemos dar a essa incrível afirmação que fez o pontífice, diante dos membros da ONU, de que esta organização judeo-maçônica é a única esperança da humanidade? Que sentido católico pode ter sua própria viagem a Nova York, em momentos tão delicados, quando se celebrava em Roma o Concílio Ecumênico, de projeção e trascendência tão perigosa para o porvir da Igreja? Abandonou o aprisco para parlamentar com os lobos.

b) Que explicação católica podemos dar a viagem do Papa a Genebra, sua visita ao Conselho Mundial das Igrejas, seu discurso diante desses falsos cristãos, quase todos maçons, que se fazem chamar bispos das seitas protestantes?

c) Podemos chamar “Encíclica” este documento subversivo, a “POPULORUM PROGRESSIO”, que, com a viagem eucarística de Paulo VI a Bogotá, ocasionou a inconformidade, as guerrilhas, os sequestros, os atos terroristas, a revolução intestina, os golpes de Estado e toda essa incrível falta de segurança em que vivemos? Paulo VI, com seu enxame de agentes confidenciais, com esse exército ou milícia “subversiva”, a que, com toda razão, poderíamos chamar a anti-Companhia de Jesus, por meio de suas ordens confidenciais, por meio da política episcopal dos Hélderes Câmara e Sérgios Mendez Arceo, secundados pelos bispos de Hermosillo, Ciudad Juárez, Chihuahua, San Cristóbal de las Casas e o ex-bispo de Zacatecas, que em um ano e meio, devido a sua inexperiência e fogosidade, teve que se demitir, para entregar-se com mais liberdade a essa missão redentora e revolucionária; Paulo VI, digo, é, sem dúvida alguma, o principal responsável do colapso aparatoso de nossas estruturas, senão da perda da fé que estamos lamentando em nossos povos latino-americanos. Porque, a sólida fé de nossos povos, provada nas perseguições mais sangrentas, não estava acostumada a escutar esse novo evangelho, que hoje pregam os curas subversivos, os terceiro-mundistas, os pseudo-redentores, que encobrem suas traições a Deus com a máscara, intolerável por sua insinceridade, da “Igreja dos pobres” e da “justiça social”.

d) Os “papólatras” não advertem que estamos sem o Santo Sacrifício; que o menos que podemos dizer da “nova missa” é que é equívoca, injuriosa a Deus e pecaminosa? O que resta da vida eucarística, o que de nossos sagrados dogmas eucarísticos, o que rresta da majestade sublime de nossa liturgia, ecumenizada, judaizada por J. B. Montini? Ele é, ante Deus, responsável por este supremo atentado ao mais sagrado que temos, que é a Divina Eucaristia, o centro da nossa religião, o compêndio de todas as maravilhas que Deus fez aos homens. Embora se obstinem os “papólatras”, a “nova missa”, que a eles mesmos não agrada, é um sacrilégio, um grande sacrilégio, que diariamente perpetua, em nossos templos, a ofensa, o ultraje a Jesus Cristo, Sacerdote e Vítima. Parece que, nestes dias amargos, se estão cumprindo as palavras proféticas de Daniel (VIII, 11 ss): “E se engrandeceu até contra o Príncipe da fortaleza (celestial); e tirou dele o Sacrifício perpétuo e desonrou o Santuário. Um exército lhe foi dado para destruir o Sacrifício perpétuo, por causa dos pecados; e a verdade será prostrada na terra, e ele empreenderá tudo, e tudo lhe sucederá conforme o seu desejo”. O Exmo. Cardeal Ludovico Billot, S.J., em sua obra sobre a “parusia”, atribui o cumprimento desta dramática profecia aos últimos tempos e e ao Sacrifício Eucarístico.

Sim; graças a Paulo VI, que se engrandeceu contra o Príncipe da fortaleza (celestial), Cristo, desapareceu o “Sacrifício perpétuo”, ficando unicamente reduzido à Igreja das catacumbas. Um exército, um verdadeiro exército lhe foi dado para levar a cabo esta espantosa profanação, para destruir o “Sacrifício perpétuo”, para prostrar por terra a verdade. E tudo, até agora, lhe sucede conforme o seu desejo!

Nosso teólogo, o que puxa lapela, Dom Antônio Brambila, em um recente artigo à esquerda, para onde frequentemente flutua seu discurso dialético, intitulado: QUEM DECIDE?, nos lembra que há na Igreja “uma tradição apostólica intocável” que constitui o depósito e é o objeto da fidelidade e que há nela também tradições menores que nos vem ou dos apóstolos como coisa secundária e mutável, ou de gerações posteriores cristãs. E por continuação se faz esta pergunta inocente: E quem decide, quem discerne entre o essencial e o secundário? Entre o que é de origem apostólica e o que nos vem de gerações posteriores?

A tendência do artigo do Pe. Brambila é clara: o rito tridentino não é essencial; é secundário, e, portanto, pode ser mudado, de acordo com os gostos pessoais e opções dos pontífices que sucessivamente governam a Igreja. De acordo com Antônio, com o mesmo direito com que Pio V “codificou” a tradição apostólica, o Ordo Missae, Paulo VI pôde fazer sua reforma radical, com o auxílio dos “irmãos separados”, para “ecumenizar” a “ceia” eucarística. E, com esse mesmo título e direito, acrescentaremos nós, cada Papa novo que venha, poderá introduzir novas reformas de acordo com as conveniências ou demandas dos tempos, lugares e pessoas. “Foi o Pontífice São Pio V, disse o Dr. Michoacano, autorizou e promulgou no século XVI o Missal Romano. Pronunciamento humano, eu digo, que tem por causa da autoridade do homem concreto que foi São Pio V; porque há pronunciamentos humanos como aquele que: “dois e dois são quatro”, isso é humano no sentido que os pronuncia o homem, mas não no sentido que tenha ao homem como autor. As verdades inalteráveis têm por autor a Deus e o homem simplesmente reconhece que são assim e as pronuncia deste modo. Mas quando algo é humano, no sentido de que tem ao homem não somente como pronunciante, mas também como autor propriamente dito, esse humano é alterável sim. O efeito não pode ser superior a sua causa, por isso as obras de um homem, pronunciadas por ele como definitivas, estão à mercê de outro homem que tenha a mesma autoridade de quem as promulgou. São Pio V, usando de sua autoridade apostólica promulgou como definitivo o Missal Romano que leva seu nome; e agora Paulo VI, com a mesma autoridade papal de São Pio V, apresentou um ‘Novus Ordo Missae’ que lhe pareceu mais apropriado aos novos tempos, seguindo a vontade do Concílio Vaticano II, mandou-o verter a todos os idiomas do mundo.”
Aqui temos a Antônio, definindo vários pontos muito importantes, que aplicados, logicamente estabelecem o “relativismo” filosófico e teológico em toda a doutrina de nossa fé católica. São Pio V nos conta que o Missal Romano, promulgado por ele, havia sido elaborado “por varões versados que tiveram em conta os códices mais antigos e autorizados nesta matéria, que se encontravam na biblioteca e arquivos da Europa.” Por outro lado, a missa de Paulo VI foi confeccionada pelos protestantes e católico, com manifesta tendência para “ecumenizar”, “protestantizar” e “judaizar” a “assembleia.” Vêm aqui muito bem as palavras de Pio XII, em “Mediador Dei”: Há alguns muito ávidos de novidades que se distanciam do caminho da sã doutrina e da prudência, pois com a intenção e o desejo de uma renovação litúrgica eles misturam frequentemente princípios que, na teoria ou na prática, comprometem esta causa santíssima, e também a contaminam muitas vezes com erros que afetam à fé católica e a doutrina ascética.”

Prezzolini, escreve em NAZIONE: “Uma grande parte do clero, e certamente a mais ativa, já está disposta a reconhecer que a Igreja, ainda que instituição divina, vive em um mundo que não é divino e com o qual deve estabilizar-se. Os teólogos do passado ensinaram aos teólogos modernos que, distinguindo, se pode mudar o sentido das leis e a direção dos acontecimentos. Estou certo de que a maior parte do clero progressivo está convencida de que se prepara para a Igreja uma nova juventude. Eu temo, por outro lado, que estes concilios de bispos, estas manifestações de curas, essas petições de matrimônio, estas modificações do traje das freiras e dos frades, estas novas liturgias, são somente o prelúdio do que eu definiria precisamente como a liquidação da Igreja.”

Em seu artigo Pe. Brambila justifica com a autoridade de Paulo VI a reforma da missa, feita por ele ou ordenada por ele. Contra isto o Osservatore Romano escreveu: O Vigário de Cristo ser aquele que ordene a implantação da nova missa não é o suficiente para garantir, na opinião de muitos, sua bondade doutrinal e sua utilidade pastoral”. Não é suficiente para o Pe. Brambila o “Breve Exame Crítico”, apresentado a Paulo VI e a inusitada e enérgica Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci, na qual se adverte ao Papa que o “Novus Ordo Missae” se aparta de um modo impressionante da doutrina tradicional do Concílio de Trento?

“A norma antiga e o rito dos Santos Padres” chama São Pio V ao Missal por ele
promulgado a perpetuidade. O Espírito Santo inspirou ao Papa estas palavras ou não inspirou? Se o inspirou, então nós temos que concluir que o Espírito Santo mudou de opinião, ao inspirar agora sua missa ecumênica a Paulo VI; se não o inspirou, então agora tão pouco inspirou ao Papa Montini sua reforma litúrgica, senão que foram os pactos secretos, os compromissos adquiridos com os inimigos de nossa fé católica, os que fizeram que João B. Montini, contra o sentimento dos fiéis, contra a visão dos grandes teólogos, mesmo contra o bem da Igreja, nos impusesse sua reforma litúrgica.

O que significa para o Pe. Brambila a “perpetuidade” que São Pio V deu à Missa Tridentina, à Missa ajustada “à norma antiga e ao rito dos Santos Padres”? Não tem valor para o nosso teólogo “especialista”, as seguintes palavras de São Pio V: “Estabelecemos e ordenamos, por esta nossa Constituição, que tem valor perpetuamente, sob pena de nossa indignação, que a este Missal nada, jamais se introduzirá, removerá ou mudarará… Em virtude da santa obediência mandamos… que, pondo de lado todas as razões e os ritos de outros Missais, por muito antigos que sejam e que até agora se tem acostumado observar, de agora em diante… (padres e bispos) leiam ou cantem a Missa, de acordo com o rito, modo e normas prescritas por Nós neste Missal, e nós proibimos que na celebração da Missa presumam introduzir ou recitar outras cerimônias ou preces diferentes dessas que estão contidas neste Missal… E concedemos e outorgamos que este Missal seja usado em todas as Missas, cantadas ou rezadas, sem nenhum escrúpulo de consciência, sem incorrer nenhuma pena, em nenhuma sentença ou censura, de agora em diante, com toda a liberdade e licitude, com Nossa autoridade apostólica, por temor deste presente documento, etiam perpétuo, a perpetuidade”?

Nunca dissemos que a autoridade apostólica terminou com São Pio V, nem que os sucessores deste Papa não pudessem fazer alguma mudança no Missal Romano. O que nós dissemos é que estas modificações não podiam mudar o substancial das antigas rubricas, já que essas rubricas, como nos disse São Pio V, haviam codificado a perpetuidade da tradição apostólica, a tradição dos Santos Padres e eram, então, a expressão da fé da Igreja. “As obras de um homem qualquer, pronunciadas por ele como definitivas, estão á mercê de outro homem que tenha a mesma autoridade do que as promulgou”, diz Pe. Brambila, mas omite que o que promulgou não é um homem qualquer, mas um Papa e um Santo, e que o que ele promulgou está intimamente ligado com a fé imutável da Igreja; e ele esquece de mencionar também que no governo do pontífice reformador, há muitas coisas que grandiosamente se apartam da doutrina definida pelos Papas e Concílios anteriores.

Papa Montini, em seu afã ecumênico, fez aliança com os filhos da iniquidade, para destruir sigilosamente a unidade dogmática, moral, litúrgica e disciplinar da Igreja. Também é verdade que a maioria dos bispos e cardeais o secundam, é verdade que os dois mil padres da Jornada de Zaragoza o aclamaram, apesar do menosprezo com que ele lhes negou a bênção apostólica. Podemos, todavia, acreditar no Papa Montini quando todos os seus atos o denunciam, quando, para realizar o seu labor comprometido, ele se rodeia de cardeais e bispos, de cuja probiedade e ortodoxia podemos com justiça duvidar? Eliminou ou marginalizou os prelados ortodoxos, se valendo do artifício da idade, para encher seus postos de colaboradores incondicionais, que docilmente secundam suas instruções. A renúncia é pedida e aceita pelos prelados ortodoxos ou inconformados com a subversão, enquanto o reinado desses incondicionais se prolonga, ainda que tivessem ultrapassado a idade dos 75 anos, como acontece no caso de nosso cardeal primaz.

e) Quem senão João B. Montini firmou e autorizou, não obstante o véu de democracia parlamentar, com o qual escondeu suas manobras, todos os documentos conciliares, cujo equívoco permanente e cujos erros manifestos são um motivo de constantes incertezas e duvidas nos mesmos princípios básicos da fé? Mau foi – já o dissemos – o Concilio, mas imensamente pior foi o pós-concilio, no qual os Motus Proprios, as Encíclicas e as Constituições Apostólicas de Paulo VI demoliram todas as estruturas da Igreja.

f) Como podemos defender a participação oficial do cardeal Willebrands nas festas luteranas da Alemanha, como representante oficial do Vaticano, quer dizer, de Paulo VI, em cuja ocasião o purpurado defendeu e enalteceu a personalidade de Lutero, sem notar que essa defesa significava uma formal condenação do Concilio de Trento, um dos Concilios mais importantes da Igreja?

g) Com sua astúcia habitual, não somente tolerou a recepção da Sagrada Comunhão a hereges comprovados e confessos, como também autorizou, em circunstâncias particulares, as quais são deixadas para o julgamento de outras pessoas, a intercomunhão in sacris com os anglicanos e outros hereges. E aceitou, contra a doutrina de Trento, que, em alguns casos, como quando há falta de confessores, se pode admitir aos fiéis comungarem, com uma absolvição coletiva.

h) Mas, há um ponto delicadíssimo, do qual pouco se tem falado, e que, para mim, é uma prova clara da incompetência de João B. Montini. Terminava-se o “ANO DA FÉ” para celebrar o décimo nono centenário do martírio dos Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo. O Papa Montini, para testemunhar “sua vontade inquebrantável de fidelidade ao Depósito da Fé” e “para confirmar na fé os seus irmãos” quis fazer uma profissão de fé, pronunciar UM CREDO, SEU CREDO, O CREDO DA IGREJA, um CREDO que não é uma definição dogmática, um CREDO adaptado, aggiornado, UM CREDO ECUMÊNICO. Eu penso, em perfeita harmonia com a doutrina da fé católica, que UM CREDO, TODO CREDO, QUALQUER CREDO ORTODOXO, especialmente pronunciado por um Papa, em ocasião tão solene, em circunstancias tão aflitivas para a Igreja, deve ser garantido pelo carisma da “Infalibilidade do Magistério” e é, portanto, uma DEFINIÇÃO estritamente dogmática. Paulo VI, para introduzir fraudulentamente “suas opiniões pessoais ecumênicas”, descarta a “definição dogmática” e remove assim de seu CREDO todo o valor, fazendo um novo CREDO, no qual não está pura, incontaminada, inalterada a fé tradicional da Igreja Católica. Um Credo, segundo nos deixa entender dogmaticamente o Vaticano I, não pode adaptar-se à “condição espiritual de nossos tempos”; eis o Credo Montiniano, dialético, evolutivo, inconstante, mutável.

i) Vou transcrever aqui alguns excertos de uma carta que me escreveu um grande amigo, protestante por religião e americano por nascimento, que, antes do Vaticano II, estava a ponto de converter-se ao catolicismo; mas, ante o colapso do Concílio Pastoral, desistiu de sua intenção:

“Poderia esperar-se que nós, os protestantes, que cremos implicitamente em Cristo e na grande mensagem fundamental de seu Evangelho, estaríamos contentes pelo compromisso dos católicos romanos com o protestantismo, simbolizado pela Conferencia Ecumênica. Tal não é o caso. Pelo contrário, estamos angustiados. Nos últimos anos o protestantismo tornou-se tão corrompido que parecia que havia se desenvolvido no mundo uma tendência por parte dos protestantes desiludidos para ceder à mensagem conservadora dos evangelistas paulinos. Até mesmo os protestantes dogmáticos não podiam acreditar que a Igreja Romana permitiria infiltrar-se no modernismo, no ceticismo, na subversão, na perversão e na distração.

“Sob o reinado do Papa João XXIII, os protestantes conservadores detectaram uma dissipação da doutrina cristã tradicional dentro da Igreja Romana. Eles testemunharam o convite do Papa João aos líderes comunistas da Rússia, incluindo a filha e o genro de Kruschev. Eles testemunharam os incentivos assombrosos e os estímulos repulsivos oferecidos aos inimigos de Cristo, os judeus. Eles viram líderes protestantes serem recebidos no Vaticano, os mesmos que estiveram encorajando e preparando a apostasia, a perda da fé e o comunismo.

“Estas e outras circunstâncias fizeram com que os protestantes com potencial para conversão à fé católica voltassem atrás ou se arrependessem, porque perceberam que as mesmas forças diluidoras e adulteradoras que haviam corrompido o protestantismo estavam em ação dentro da Igreja Católica. Em anos passados, os dogmas descompromissados da Igreja Católica sugeriam até mesmo às mentes subconscientes dos protestantes que havia neste mundo uma santa preservação da perene fé, que nenhuma força estranha poderia diluir ou adulterar. Essa atitude foi prejudicada por eventos recentes relacionados ao que parece ser o comprometido progressismo dentro da Igreja.

“Quando eu vi que a Conferencia Ecumênica organizada pelo Papa abrira as suas portas aos líderes protestantes, eu sofri – não por causa dos protestantes, mas por causa dos católicos, porque o protestantismo oficial nas Américas e no mundo é agora controlado pelos judeus, infiltrado pelo comunismo e influenciado pelo materialismo.

“O protestantismo é controlado em grande parte por episcopalianos, presbiterianos e metodistas. Essas burocracias religiosas e oficiais são pró-Moscou, socialistas e, na prática, renunciaram à doutrina da salvação pelo Sangue de Cristo e substituíram o Evangelho de Cristo pelo evangelho social; e quando vi essa apostasia materialista, controlada por judeus, sendo colocada sobre os altares do catolicismo, eu disse dentro da minha alma: “A Igreja Católica está sendo envenenada com a cicuta da heresia, criada pelos judeus”.

Este é, em verdade, um dos lamentáveis e funestos resultados que a reforma montiniana trouxe para a Igreja: as conversões pararam e a apostasia aumentou de forma alarmante entre leigos, clérigos, bispos e cardeiais.

j) João B. Montini, aparentando defender o Papado, fez tudo o que estava ao seu alcance para destruir o Papado. Já vimos como antes do Concílio e ainda durante o Concílio, ele foi um dos promotores mais decididos da “colegialidade” herética, que quer dividir com bispos e até mesmo com leigos o governo universal da Igreja e o Magistério Supremo do Sumo Pontífice. A famosa “nota explicativa”, que, devido às circunstancias, o Papa Montini teve que antepor ao capítulo 3º da Constituição Hierárquica da Igreja parece seguir a doutrina infalível, definida no Vaticano I, sobre o Primado de Jurisdição e o Magistério Infalível do Sumo Pontífice, segundo a instituição mesma de Jesus Cristo, mas, apesar desta nota explicativa, que, obrigado, como dito, teve que pôr neste capítulo, buscou na prática a maneira mais viável de colocar o Papa no nível episcopal, rebaixando assim a dignidade e as funções pontificais. Por isso tirou a tiara e a colocou em leilão na feira de Nova Iorque, por isso eliminou a Sede Gestatória, a guarda nobre e a guarda suíça; por isso entregou aos bispos faculdades que a assistência do Espírito Santo e a experiência haviam reservado à Sé de Roma; por isso modificou de tal modo a Curia Romana, que praticamente a reduziu a uma mera burocracia, sem faculdade alguma para executar as ordens supremas do sucessor de Pedro, da cabeça visível da Igreja; por isso estabeleceu essas Conferencias Episcopais, que, além de fomentar a estabilização das igrejas locais, contra a “unidade” prescrita por Cristo, estabelecem um poder anônimo entre o Papa e os bispos, que diminuem os poderes do Papa, executando, aparentemente, sob sua própria responsabilidade independente, as ordens que vem de cima, e destruindo o livre e responsável governo dos bispos em suas prórpias dioceses; por isso estabeleceu esses sínodos periódicos, que tem feito uma igreja parlamentar, democrática; por isso despojou aos legítimos Cardeais do direito que tinham de assistir ao conclave e nomear um sucessor; por isso busca a maneira de mudar, por quantos modos possíveis tenha ao seu alcance, a própria eleição pontifícia. Paulo VI, sob este ponto de vista, é um verdadeiro antipapa, já que vai contra a instiuição mesma do Papado.

j) Como confirmação recente, vou transcrever o que o jornal “EXCELSIOR” de hoje, domingo, 3 de dezembro, nos conta na página 1 de sua edição dominical. O que conhece o problema da Espanha, aquele que conhece a história das relações montinianas com o governo espanhol, o clero e as pessoas, dará a perfeita conta dos gravíssimos problemas que as secretas instruções vaticanas provocaram na Espanha, comprometendo a férrea e multi-secular construção de sua unidade católica. Cópia de “EXCELSIOR”, domingo, 3 de dezembro de 1972. (AFP, EFE e AP).

“A minoria tradicionalista prevaleceu sobre a maioria renovadora, e a diretoria de 80 membros Cardeais espanhóis, bispos e arcebispos fecharam hoje sem ter logrado uma resolução sobre as relações entre a Igreja e o Estado, e sob abertas acusações de “apostasia”, disseram hoje altos prelados que participaram da Conferência.

“Ao término da reunião, Dom José M. Cirarda, Bispo de Córdoba e delegado de imprensa da assembleia plenária do Episcopado Espanhol, distribuiu aos repórteres uma declaração em que o governo é convidado a “aceitar o pluralismo político” e diz que “a diversidade de opiniões” “deve ser expressa em público e pode ser útil”.

“A assembleia foi inaugurada há uma semana e sabe-se que, pelo menos, dois terços da parte dos prelados presentes apoiaram uma revisão completa da Concordata que regula as relações entre a Igreja e o Estado. O setor progressivo do episcopado espanhol queria ao mesmo tempo, renunciar aos seus privilégios e recuperar autoridade. Atualmente, e de acordo com os termos da Concordata, o Estado Espanhol tem que aprovar a nomeação de todos os bispos, arcebispos e cardeais. No entanto, a minoria tradicionalista bloqueou todas as tentativas da maioria renovadora, e fracassaram os esforços para lograr uma resolução que fosse assinada por todos”.

“Muitos debates duraram até o amanhecer, e alguns bispos disseram, em particular, que se sentiram “amargos e frustrados” pela resistência dos tradicionalistas. Ontem à noite uma transação estava prestes a se materializar, quando as duas alas concordaram em que um grupo de sete prelados redigiria um rascunho de resolução, sobre as conclusões de um documento intitulado “Relações entre a Igreja e a comunidade política”, aprovado no ano passado em uma reunião sacerdotal. Mas essa tentativa falhou: Nesta ocasião, ambos os renovadores e tradicionalistas concordaram que o texto estava mal formulado e que muitos dos pontos eram ambíguos.

“Desta forma, uma comissão de redação foi nomeada, formada pelo presidente da Conferência Episcopal, Dom Vicente Enrique e Tarancón, arcebispo de Madri; o Capelão Geral dos Exércitos, Dom López Ortiz e Secretário da Conferência, Mons. Yáñez. Os três prelados reescreveram o projeto de resolução; o que eles enviaram pelo correio para os cardeais, bispos e arcebispos, e aguardaram que estes, também pelos correios, manifestassem sua conformidade ou oposição.

“Por outro lado, a ultra-conservadora Fraternidade Sacerdotal Espanhola, ao conhecer hoje a conclusão da Conferência, divulgou uma declaração em que afirma o seguinte:

“No que se refere à nova “Igreja contestadora”, dessacralizada, puramente humanista, que admite as maiores aberrações litúrgicas, morais e até dogmáticas, a Irmandade Sacerdotal Espanhola não dará um único passo atrás, nem ante a lisonja, nem ante a violência, simplesmente porque ela não pode fazer isto sem apostasia “.

Valente profissão de fé católica, que nos lembra dos tempos heróicos da Espanha imortal! Não; não podem dar um passo atrás, porque já se chega à apostasia, para onde, talvez já tenham chegado os pastores comprometidos e traidores. Saúdo, com efusão, desde estas páginas aos dignos prelados e à Irmandade Sacerdotal, com a esperança de que, no final, eles resolvam assumir a batalha da fé, ao grito dos cruzados: “DEUS O QUER”.

É incrível a tenacidade com que João B. Montini continua seu projeto de render pela violência ou pela lisonja a resistência de um povo heróico, que escreveu páginas imortais da verdadeira e única Igreja de Cristo.

k) Mas, vamos voltar ao processo, que nossa fé católica estabeleceu contra esse papa, que, para cumprir seu programa e preencher seus compromissos com os inimigos, não hesita sacrificar as pessoas mais fiéis à Igreja Católica, Apostólica e Romana. Ao suprimir na prática as censuras canônicas contra as heresias que se espalham na Igreja; ao contradizer, com suas ações, aquilo que ele mesmo afirmou com suas palavras; permitindo que fosse colocado de volta à discussão o que ele antes, na qualidade de pontífice, já havia ensinado, como aconteceu com a “Humanae Vitae” com a “Sacerdotalis Coelibatus” e no próprio problema da “colegialidade “, Juão B. Montini deu todas as facilidades à heresia, enquanto negando todas as possibilidades de legítima defesa. Dá a impressão de que “sua REFORMA” tem que continuar até o fim, até a destruição da Igreja, para preparar a igreja universal, sob o governo mundial, segundo o programa do judaísmo internacional.

Depois destas amargas, embora muito duras reflexões, que a nossa fé católica nos impõe, é imprudente pensar que João B. Montini, se a sua eleição foi válida, se ele no conclave foi subjetum capax ad electionem, era sujeito capaz de ser eleito, deixou de ser papa por ter incorrido em heresia? O dilema posto ante nossa consciência é inescapável: Ou Cristo não teve a ciência, o poder, a bondade infinita necessária para estabelecer uma Igreja que, em seu desenvolvimento sobrenatural e divino, havia de permanecer idêntica até a consumação dos séculos, ou o Papa Montini, João XXIII e o Vaticano II, querendo “aggiornar” a Igreja para o mundo moderno, incrédulo, corrompido, materialista, ousando efetuar mudanças tão contínuas, tão profundas, tão espetaculares, tão extensas na moral, na liturgia, na disciplina e até nos mesmos dogmas da Igreja, nos estão demonstrando que não são legítimos pastores, que são lobos cobertos com peles de ovelha, que é necessário pôr um ponto final nessa “autodemolição” da Igreja.

Ante o dilema, minha resposta é inevitável: JOÃO BATISTA MONTINI JÁ NÃO É, SE É QUE ANTES FOI, UM LEGÍTIMO PAPA.

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