Carta do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston sobre o Batismo de Desejo

CARTA DO SANTO OFÍCIO AO ARCEBISPO DE BOSTON

SOBRE O BATISMO DE DESEJO

Em Denzinger-Hünermann nm. 3866-3873.

… Entre as coisas que a Igreja sempre pregou e nunca deixará de pregar está também a afirmação infalível que nos ensina que “fora da Igreja não há salvação”.

Este dogma, porém, deve ser entendido no sentido em que a própria Igreja o entende. Com efeito, não é ao juízo privado que nosso Salvador confiou a explicação do que está contido no depósito da fé, mas ao magistério eclesiástico.

Primeiro, a Igreja ensina que nesta matéria se trata de um preceito muito severo de Jesus Cristo. Com efeito, ele impôs aos seus Apóstolos que ensinassem todas as nações a observarem tudo quando ele havia mandado. Entre os mandamentos de Cristo não ocupa o último lugar aquele que ordena sermos pelo batismo incorporados ao corpo de Cristo, que é a Igreja, e permanecermos unidos a Cristo e a seu vigário, pelo qual ele mesmo governa de modo visível a Igreja na terra. Por isso, ninguém será salvo se, sabendo que a Igreja foi divinamente instituída por Cristo, todavia não aceita submeter-se à Igreja ou recusa obediência ao Romano Pontífice, vigário de Cristo na terra.

Ora, o Salvador não apenas ordenou que todas as nações entrassem na Igreja, mas ainda decidiu que a Igreja seria o meio de salvação sem o qual ninguém pode entrar no reino celeste.

Na sua infinita misericórdia, Deus quis que os efeitos necessários para a salvação provenientes destes meios de salvação – que somente por instituição divina, mas não por necessidade intrínseca, são ordenados para o fim último do ser humano – possam também ser obtidos, em certas circunstâncias, quando estes meios são acionados só pelo voto ou desejo. É o que vemos claramente expresso no sacrossanto Concílio de Trento tanto a respeito do sacramento da regeneração como a respeito do sacramento da penitência.

Ora, deve-se dizer o mesmo, em seu próprio nível, a respeito da Igreja enquanto meio geral de salvação. Pois para que alguém obtenha a salvação eterna não é sempre necessário que seja efetivamente incorporado à Igreja como membro, mas requerido é que lhe esteja unido por voto ou desejo.

Todavia, não é sempre necessário que este voto seja explicito como é aquele dos catecúmenos, mas, quando o homem é vítima da ignorância invencível, Deus aceita também o voto implícito, chamado assim porque incluído na boa disposição de alma pela qual essa pessoa quer conformar sua vontade à vontade de Deus.

É esse o ensino claro [da encíclica de Pio XII]… a respeito do corpo místico de Jesus Cristo. O Sumo Pontífice distingue claramente os que são realmente incorporados à Igreja como os seus membros e os que à Igreja são unidos somente pelo voto… “Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que receberam o batismo e professam a verdadeira fé, nem se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas”.

Pelo fim desta mesma encíclica, todavia, convidando afetuosamente à unidade aos que não pertencem ao conjunto da Igreja católica, ele menciona “os que por certo desejo ou voto inconsciente estão ordenados ao Corpo místico do Redentor”, sem os excluir de modo algum da salvação, embora de outra parte diga, a seu respeito, que se encontram num estado “em que não podem estar seguros de sua eterna salvação… por carecerem de tantas e tão grandes graças e auxílios celestes dos quais só na Igreja Católica podem fruir.”

Por estas providentes palavras, ele condena tanto aqueles que excluem a salvação eterna quantos estão unidos à Igreja só por um voto implícito, como também aqueles que, erroneamente, afirmam que os homens podem ser salvos de modo igual em qualquer religião.

Nem se deve pensar que para ser salvo baste qualquer tipo de desejo de entrar na Igreja. Pois é necessário que o voto que destina alguém para a Igreja seja animado pela caridade perfeita. O voto implícito só pode ter efeito quando o homem tem a fé sobrenatural.

Do acima dito, aparece claramente que o que, no comentário “From the Housetops”, fasc. III, é proposto como doutrina autêntica da Igreja católica fica muito longe desta e causa grande dano tanto aos que estão dentro quanto aos de fora…

Por isso não se pode entender como o Instituto “St Benedict’s Center” seja coerente consigo mesmo, quando, embora se chame escola católica e queira ser considerado como tal, na realidade não se conforma ao que prescrevem os cânones 1381 e 1382 do Codex Iuris Canonici, sendo uma fonte de discórdia e de rebelião contra a autoridade eclesiástica e de perturbação de muitas consciências. Do mesmo modo, não se compreende como um religioso, a saber, o Pe. Feeney, se pode apresentar como “defensor da fé”, se ao mesmo tempo não hesita em combater a instrução catequética proposta pelas autoridades legítimas…

 

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