A Nova Eclesiologia do Vaticano II

A NOVA ECLESIOLOGIA DO VATICANO II

A doutrina do Vaticano II sobre a Igreja é nova e herética,
contradiz a doutrina católica ensinada por
todos os verdadeiros e legítimos papas.

Organizado por Stephen Heiner (2016)
Traduzido e adaptado por Diogo Rafael Moreira (2018)

PDF: A nova eclesiologia do Vaticano II

A Igreja de Cristo é a Igreja Católica: não se pode encontrá-la senão na Igreja Católica, ninguém fora desta Igreja pode estar seguro de sua salvação, nem podem as seitas heréticas e cismáticas fazer parte da Igreja de Cristo (Pio XII, Mystici Corporis; Leão XIII, Satis Cognitum etc.).

O Vaticano II, porém, afirma que a Igreja de Cristo apenas subsiste na Igreja Católica, existindo também, embora de outro modo, nas seitas heréticas e cismáticas.

“Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele, embora fora de sua visível estrutura se encontrem vários elementos de santificação e verdade.” (Lumen Gentium, n. 8, 21 nov. 1964)

Essa nova definição – A Igrja de Cristo subsiste na Igreja Católica – constitui uma mudança substancial na doutrina sobre a Igreja, pode com toda certeza chamar-se de uma inovação doutrinal, isto é, heresia. Historicamente, ela é o ápice de uma revolta contra o conceito tradicional, reiterado por Sua Santidade o Papa Pio XII na Mystici Corporis (1943). O próprio Pio XII dá conta dos começos desse desvio na encíclica Humani Generis:

“Alguns não se consideram obrigados a abraçar a doutrina que há poucos anos expusemos numa encíclica e que está fundamentada nas fontes da revelação, segundo a qual o corpo místico de Cristo e a Igreja católica romana são uma e a mesma coisa. Outros reduzem a uma fórmula vã a necessidade de pertencer à Igreja verdadeira para conseguir a salvação eterna.” (Humani Generis, n. 27, 12 ago. 1950)

A diferença entre a doutrina de Pio XII e a do Vaticano II fica mais evidente quando se compreende suas implicações. A doutrina tradicional exclui as seitas heréticas e cismáticas de terem qualquer parte na Igreja de Cristo:

“Quem, pois, fixa sua atenção e reflete sobre a situação das diversas sociedades religiosas, em discórdia entre si e separadas da Igreja Católica – a qual sem interrupção, desde a época do Cristo Senhor e dos seus Apóstolos, através dos legítimos Pastores sempre exerceu, e ainda exerce, o poder divino conferido a ela pelo próprio Senhor -, deve facilmente convencer-se de que em nenhuma dessas sociedades, ou mesmo nelas em conjunto, pode ser reconhecido de qualquer maneira aquela única Igreja Católica que o Cristo Senhor edificou, estabeleceu e quis que existisse. Nem pode ser dito que elas são membros e partes dessa Igreja enquanto permanecem visivelmente separadas da unidade católica.” (Papa Pio IX, Iam Vos Omnes, 13 set. 1868)

A mesma doutrina é ensinada em catecismos e manuais de instrução religiosa anteriores ao Vaticano II, essa também é a doutrina de todos os Santos Padres e Doutores da Igreja Católica, tamanha ubiquidade a faz um dogma do Magistério Ordinário Universal da Igreja Católica. Eis dois exemplares da exposição dessa doutrina:

“Esta Igreja de Cristo é um corpo, tendo uma e a mesma fé e governada por uma e a mesma autoridade eclesiástica suprema, de modo que qualquer seita separada deste corpo, pela profissão de uma fé diferente da dela, não faz parte da Igreja de Cristo, mas é, no máximo, uma invenção humana; e a fé que eles professam é falsidade e erro, que procedem do pai das mentiras.” (Bispo George Hay, The Sincere Christian, vol. 1, c. XII, q. 32, p. 195.)

“Como num exército, para não ser surpreendido durante a noite, usam os chefes dar às sentinelas a senha e aqueles que não a pronunciam exatamente, são considerados inimigos, assim fizeram os Apóstolos, chefes da Igreja militante; deram uma senha [o Credo Apostólico], com ordem de que os que não se conformassem com ela não seriam reputados amigos, nem filhos da Igreja de Jesus Cristo, mas, sim como gentios e publicanos, como o são com efeitos todos os hereges.” (Santo Antonio Maria Claret, Catecismo da Doutrina Cristã explicado e adaptado à capacidade dos meninos, I Parte, Lição Primeira, p. 35.)

Apesar de ser bem conhecida de todos, ela foi abandonada pelo mais ecumênico “subsiste em”, como explica o Cardeal Novus Ordo Joseph Ratzinger:

“Nesse ponto se torna necessário investigar a palavra subsistit in um pouco mais detidamente. Com essa expressão, o Concílio difere da fórmula de Pio XII. Que disse em sua Encíclica Mystici Corporis Christi: “A Igreja Católica é (est) o único corpo místico de Cristo”. A palavra subsiste e é escondem dentro de si todo o problema ecumênico… A diferença entre subsistit e est contém a tragédia da divisão eclesial. Embora a Igreja seja uma só e “subsista” em um único sujeito, existem também realidades eclesiais além deste sujeito – verdadeiras Igrejas locais e diferentes comunidades eclesiais.” (Joseph Ratzinger, A Eclesiologia da Constituição sobre a Igreja. In: L’Osservatore Romano (edição semanal inglesa), 19 set 2001, p. 5)

Sim, agora as seitas são parte da Igreja de Cristo. Confirma-o o mesmo Ratzinger em documento aprovado por ele mesmo e João Pailo II:

“As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares. Por isso, também nestas Igrejas está presente e atua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica.” (Dominus Iesus, n. 17, 6 ago. 2000)
Explicando esse documento, assim escreve Francis A. Sullivan, importante teólogo jesuíta Novus Ordo:

“À luz dessa afirmação, dificilmente se pode negar que a Igreja de Cristo continua existindo, embora não plenamente, nas Igrejas ortodoxas. Entendendo o ‘subsiste em’ no sentido de ‘continuar existindo em’ também se pode dizer que a Igreja de Cristo subsiste, embora não plenamente, nas Igrejas ortodoxas…

“Quando o Concílio discutiu o texto emendado, alguns bispos pediram pelo retorno do texto original, que dizia: ‘A Igreja de Cristo é a Igreja Católica’. Uma razão que a Comissão Doutrina deu para rejeitar essa emenda foi que o retorno do est (é) daria ao texto um sentido restritivo. A recusa de retornar ao est sob a base de que este daria ao texto um sentido restritivo mostra que a intenção da Comissão Doutrinal ao usar o subsistit in em vez do est foi de dar ao texto um sentido menos restritivo do que ele tinha quando dizia ‘A Igreja Católica é a Igreja de Cristo.’ Em outras palavras, as discussões conciliares fornecem clara prova de que, indo de ‘é’ para ‘subsiste em’, a Comissão Doutrinal realmente pretendeu introduzir uma mudança de significado no texto…

“Esta afirmação de ser ‘a única verdadeira Igreja’ de nenhum modo exclui o reconhecimento de que a Igreja de Cristo esteja presente e operante nas igrejas separadas e comunidades eclesiais, e que o Espírito Santo faça uso delas como meios de graça e salvação para aqueles que lhes pertencem. Procurar-se-ia em vão por tais afirmações positivas sobre igrejas e comunidades não católicas em qualquer documento papal anterior ao Vaticano II. Esta é apenas uma das razões para questionar a afirmação de que o Vaticano II não mudou o que tinha sido a doutrina católica sobre a Igreja.” (Francis A. Sullivan, Questio Disputata: The meaning of subsistit in as explained by the Congregation for the Doctrine of the Faith. In: Theological Studies, n. 69 (2008), p. 120, 122 e 124.)

O Cardeal Novus Ordo Walter Kasper confirma esse conceito de ruptura doutrinal em suas considerações sobre as relações ecumênicas depois da Dominus Jesus:

“O elemento decisivo da abordagem ecumênica do Segundo Concílio do Vaticano é o fato de que o Concílio já não identifica a Igreja de Jesus Cristo simplesmente com a Igreja Católica Romana, como tinha ensinado o Papa Pio XII tão recentemente quanto na encíclica Mystici Corporis.” (Walter Kasper, Reflections by Card. Walter Kasper, Current Problems in Ecumenicaal Theology, II. The formulations, 27 fev. 2003)

Por fim, a conclusão é inevitável: houve uma deliberada mudança na doutrina sobre a Igreja por parte dos conciliares ou modernistas. Ela não toca um aspecto acidental da doutrina, mas modifica o próprio conceito de Igreja. É, portanto, uma heresia e como tal deve ser rejeitada por todos quantos desejem professar a fé católica.

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