Imaculada Conceição e sedevacantismo

A Santíssima Virgem Maria é a Imaculada Conceição. É desta árvore sem mancha original (sine macula originalis) que procede o bendito fruto, Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos resgatou mediante seu sacrifício cruento na árvore da Cruz. A árvore Imaculada não dá maus frutos, mas dá frutos conforme a sua natureza santa, miraculosamente preservada de toda mancha. Deus preparou para si uma digna morada, a Virgem Imaculada é o Paraíso terrestre onde quis habitar o novo Adão. Quão grandiosos são os desígnios de Deus! 

Por um privilégio igualmente grandioso, a Igreja Católica goza de prerrogativa semelhante. Embora seus membros não sejam pessoalmente imaculados, a Igreja em si é propriamente chamada de Esposa Imaculada de Cristo. Ela é imaculada, porque ela não pode ensinar erros em matéria de fé e moral, ela não pode estabelecer uma disciplina que desencaminhe os fiéis. Este privilégio se depreende sobretudo da promessa que Nosso Salvador fez ao chefe da Igreja, o Romano Pontífice, na pessoa de São Pedro Apóstolo: 

E esta doutrina dos Apóstolos […] de que esta cátedra de S. Pedro sempre permaneceu imune de todo o erro, segundo a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo feita ao príncipe dos Apóstolos: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” [Lc 22, 32].

Pastor Aeternus, Concílio Vaticano I

Uma consequência necessária desta prerrogativa é que a Igreja unida à Cátedra de Pedro é indefectível no seu ser, infalível no seu ensino e plena de autoridade no governo das almas. A verdade dessa proposição foi muito bem explicada pelo Cardeal Billot em seu artigo sobre a infalibilidade da Igreja em matérias disciplinares:

Nós afirmamos com todas as fibras do coração essa verdade. Diferentemente das posições rivais, dizemos que a Igreja não pode nos dar uma Missa defeituosa, irreverente e protestantizante, nem pode tolerar e até institucionalizar “abusos” desastrosos. Nossos rivais, porém, defendem que essa religião da Missa Nova e da indisciplina geral é de fato a Igreja Católica. Que pensamento infeliz! Pouco a pouco vão se distanciando da sã doutrina, daquela doutrina segura que não admite que brotem maus frutos da Árvore Imaculada da Igreja.

Os aderente da posição Reconhecer e Resistir (R&R) blasfemam contra esta prerrogativa quando, resistindo ao que consideram disciplina oficial, afirmam que esta é defeituosa e mesmo nociva. Se é assim, então onde é que está a Igreja Imaculada em suas doutrinas, culto e leis?

Os aderentes da  “hermenêutica da continuidade” blasfemam contra ela quando desejam impor a sua interpretação pessoal sobre a posição oficialmente herética da seita modernista. Em outras palavras, eles reconhecem um defeito generalizado de interpretação, uma “desorientação diabólica”, uma “autodemolição da Igreja”, que nada condiz com a natureza da Esposa Imaculada de Cristo.

O que lhes resta é dar um “significado positivo” ao Vaticano II… Mas acontece que este “dar um significado positivo” é precisamente a raiz de todo o nosso problema com o Vaticano II. Afinal, a chamada evolução dos dogmas – interpretar o antigo de um jeito diferente – é a causa do Vaticano II e todas as suas reformas. O melhor que a posição da “hermenêutica da continuidade” tem a nos oferecer é o seguinte: combater o modernismo com mais modernismo. O raciocínio é mais ou menos assim: “o remédio que os modernistas propuseram no Vaticano II não deu muito certo, hoje temos uma crise de fé generalizada. Logo, a solução é tomar uma dose concentrada do mesmo remédio!” É óbvio que a posição da “hermenêutica de continuidade” não deve ser levada a sério. 

Já a posição de Mons. Lefebvre, no que ela teve de melhor, foi de dúvida entre o que é uma blasfêmia explícita hoje (modernismo, R&R e hermenêutica da continuidade) e o sedevacantismo. É urgente, porém, sair desse dilema lefebvriano, que outrora pode ter sido prudente e bom, mas que hoje, na era de Ratzinger e Bergoglio, clama por uma decidida afirmação das prerrogativas da única verdadeira Igreja de Cristo contra as pretensões da infame e deplorável seita modernista.

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