Os coroinhas de Bernardo Küster e Padre Paulo Ricardo: Resposta à Teologia da Deslibertação

OS COROINHAS DE BERNARDO KÜSTER E PADRE PAULO RICARDO

Notas ao vídeo:
1 – “Pacto de Moscou”, leia-se Pacto com Moscou ou Pacto Vaticano-Moscou. Denunciado primeiramente por Jean Madiran em O Acordo Vaticano-Moscou, Itinieres, No. 84, junho de 1964 e disponível em inglês no Fatima Crusader, n. 16, set-out 1984 (Constable, N.Y.). Ato de alta traição somente superado pela ida de Paulo VI à Sede da ONU e pelo próprio Concílio Vaticano II.

2 – O mencionado livro do Dr. Pe. Joaquín Sáenz y Arriaga S.J. Ph.D  chama-se La Nueva Iglesia Montiniana, publicado no México em 1971. A obra foi traduzida para o inglês e encontra-se disponível no Internet Archive sob o título “The New Montinian Church” etc.  É de conhecimento geral que Pe. Sáenz também foi o co-autor da importante obra Complotto contro la Chiesa, publicada exatamente em Roma durante a abertura do Vaticano II. Ela foi traduzida para vários idiomas. A obra denunciava de antemão aquilo que eventualmente seria executado nas sessões do Concílio Vaticano II.

3 – O Seminário São José realizará o Retiro Vocacional em Atibaia-SP entre os dias 6 e 11 de janeiro de 2019. Eis o banner do evento: https://www.facebook.com/2017118301688457/photos/a.2017611154972505/2174528915947394/?type=3&theater 

4 – Papa doa 100 mil euros para a construção do primeiro mosteiro ortodoxo na Áustria, publicado a 7 mar. 2018 no The Tablet, disponível em: https://www.thetablet.co.uk/news/8686/pope-donates-100-000-euros-90-000-towards-first-orthodox-monastery-in-austria

5 – Demais explicações podem ser encontradas no artigo abaixo.

 RESPOSTA À TEOLOGIA DA DESLIBERTAÇÃO

Os argumentos da Teologia da Deslibertação são três. O primeiro afirma que os sedevacantistas merecem o título de hereges; o segundo diz que os sedevacantistas nada fazem de concreto para ajudar o próximo; o terceiro alega que o sedevacantismo é coisa de criança. Os três argumentos são fáceis de refutar e revelam o escasso conhecimento que nossos oponentes possuem dos temas em questão.

1. SEDEVACANTISTAS MERECEM O TÍTULO DE HEREGES

O primeiro raciocínio se diz assim:

Batizados que não professam a fé católica são chamados de hereges. 
Os sedevacantistas não professam a fé católica.
Logo, os sedevacantistas devem ser chamados, sem eufemismo, de hereges.

Este raciocínio é falso de acordo com (a) a doutrina do Vaticano II e (b) a fé católica.

a) Falso conforme a doutrina do Vaticano II

Primeiramente, digo que o raciocínio inteiro não condiz com a doutrina ecumênica do Vaticano II, a qual os “teólogos da deslibertação” se dizem fiéis.

Na ótica do Vaticano II, a premissa maior e a menor são falsas, pois os supostos bispos e papas pós-conciliares propõem uma “evolução de mentalidade” nas relações com os hereges, segundo a qual eles ora devem ser ouvidos e tratados como nossos irmãos, deixando-se de lado as excomunhões do passado e empregando “vocábulos mais orientados a ressaltar a profundidade da comunhão”. Este é o fim da apologética e o princípio do “diálogo”, este é o fim da pregação apostólica e a retomada das conversações do Éden, na qual a seita modernista, tal qual Eva no Velho Testamento, dialoga com a astuta serpente. A “caridade sem fé” dos modernistas é tamanha que lhes parece boa coisa até ir além: eles chegam ao ponto excessivamente escandaloso de emprestar suas igrejas aos hereges e contribuir com grandes somas de dinheiro para o progresso de suas seitas.

Se os teólogos da deslibertação fossem fiéis aos seus princípios, eles deveriam ou romper com essa mentalidade herética, ou abraçá-la de uma vez. De um ponto de vista bastante concreto, deveriam ou tornar-se sedevacantistas como eu ou modernistas como os teólogos da libertação.

Provas.
I. “Acontece, por exemplo, que — segundo o espírito mesmo do Sermão da Montanha — os cristãos pertencentes a uma confissão já não consideram os outros cristãos como inimigos ou estranhos, mas vêem neles irmãos e irmãs. Por outro lado, mesmo a expressão irmãos separados, o uso tende hoje a substituí-la por vocábulos mais orientados a ressaltar a profundidade da comunhão — ligada ao carácter batismal — que o Espírito alimenta, não obstante as rupturas históricas e canônicas… Tal ampliação do léxico traduz uma notável evolução das mentalidades.” (João Paulo II, Ut unum sint, n. 42, 25 mai. 1995)

II. “A ‘fraternidade universal’ dos cristãos tornou-se uma firme convicção ecumênica. Deixando para trás as excomunhões do passado, as Comunidades antes rivais hoje, em muitos casos, ajudam-se mutuamente; às vezes os edifícios para o culto são emprestados…” (João Paulo II, Ut unum sint, n. 44, 25 mai. 1995)

III. “Mas podemos definir a ação requerida ainda mais claramente nos termos do diagnóstico acima. Isso significa que o católico não insiste na dissolução das confissões protestantes e na demolição de suas igrejas, mas em vez disso espera que eles sejam fortalecidos em suas confissões e realidades eclesiais.” (Joseph Ratzinger, Principles of Catholic Theology, 1982, p. 202)
Ratzinger se refere ao modelo da “unidade na diversidade”, que ele empresta do teólogo luterano Oscar Cullmann. (cf. RICOSSA, Don Francesco. Ratzinger protestante? Al 99%. Sodalitium Pianum, nº 33, abr. 1993, pp. 3-10).
IV. Segundo Ratzinger, é necessário que todas as Igrejas sejam purificadas e reduzam sua fé ao essencial. Isso soa protestante, mas não admira nada, vindo da boca de Ratzinger, um luterano disfarçado. É preciso perseverar “no caminhando juntos (…), na humildade que respeita o outro, mesmo quando a compatibilidade na doutrina ou na prática da Igreja ainda não foi alcançada; consiste na disposição de aprender do outro [= herege] e de ser corrigido pelo outro [= herege], com alegria e gratidão pelas riquezas espirituais do outro [= herege], numa permanente “essencialização” da nossa fé [conceito herético de Feuerbach], da doutrina e da prática que devem ser sempre purificadas e alimentados pela Escritura, com os olhos fixos no Senhor…” (30 Giorni, nº 2, pp. 67-68 apud RICOSSA, 1993, p. 8)

V. “Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo. Segue-se daqui, como consequência lógica, que devemos ter a peito a unidade dos crentes. De fato, a sua desunião, a sua contraposição interna põe em dúvida a credibilidade do seu falar de Deus [supondo que os hereges são cristãos e que a Igreja não é una]. Por isso, o esforço em prol do testemunho comum de fé dos cristãos [inclusive dos hereges] – em prol do ecumenismo – está incluído na prioridade suprema.” (Bento XVI, Carta aos bispos a respeito da remissão da excomunhão aos quatro bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, 10 mar. 2009)

b) Falso segundo a doutrina católica

Do ponto de vista da fé católica, o sedevacantismo não é herético, nem cismático. O suposto “anátema ao sedevacantismo” dos teólogos da deslibertação é má interpretação e falta de critério teológico.

Este erro já foi refutado por mim em diversas ocasiões, eis as três mais memoráveis:

Carlos Nougué: Paranoia ou Mistificação? https://controversiacatolica.com/2018/08/11/carlos-nogue-paranoia-ou-mistificacao/

Resposta à Ordem da Vera Cruz: https://controversiacatolica.com/2018/07/16/resposta-a-ordem-da-vera-cruz/

Os perpétuos sucessores e a visibilidade da Igreja: https://controversiacatolica.com/2018/05/07/os-perpetuos-sucessores-e-a-visibilidade-da-igreja/

2. OS SEDEVACANTISTAS NADA FAZEM DE CONCRETO PARA AJUDAR O PRÓXIMO

O segundo raciocínio se diz assim:

Os verdadeiros católicos ajudam o próximo concretamente.
Os sedevacantistas nada fazem de concreto para ajudar o próximo.
Logo, os sedevacantistas não são verdadeiramente católicos ou, pelo menos, não são bons católicos.

Este raciocínio é falso, porque (a) supõe uma caridade sem fé (à imagem e semelhança da Teologia da Libertação) e (b) ignora de todo nossas concretíssimas atividades.
 
a) Supõe uma caridade sem fé

Eis aqui um tropeço tipicamente modernista. Conforme a perspectiva “pastoral” dos “agentes de pastoral” da Teologia da Deslibertação, instruir os ignorantes e repreender os pecadores não são mais obras de misericórdia, frutos da mais genuína caridade cristã, não! É preciso daquele ativismo que põe a fé em segundo plano, que ajuda o próximo com pão ou discursos demagógicos. Essa perspectiva “pastoral” certamente os aproxima muito da Teologia da Libertação. O princípio é essencialmente o mesmo: ajudar o próximo concreta e pastoralmente é algo que ultrapassa os limites da fé (esse falso e absurdo conceito da “pastoral” foi disseminado sobretudo por João XXIII e Paulo VI). Contra eles disse São Pio X: “rebeldes são aqueles que professam e difundem sob formas sutis os erros monstruosos… sobre adaptação aos tempos em tudo, no falar, no escrever e no pregar uma caridade sem fé, muito terna aos incrédulos, que abre a todos infelizmente o caminho da eterna ruína.” (Discurso aos novos cardeais, 17 abr. 1907)

Nós, porém, dizemos que “Sine fide impossibile sit placere Deo: Sem a fé é impossível agradar a Deus.” (Heb. XI, 6) Sem a fé verdadeira não há verdadeira caridade. É inútil, portanto, toda essa pastoral que despreza o fundamento da fé. Se o nosso trabalho de divulgação da doutrina católica não lhes parece algo concreto para ajudar o próximo, então eles não reconhecem a necessidade da fé para as obras de caridade e a comunicação da fé como uma grandiosa obra de caridade. Nesse raciocínio, supõem aquele filantropismo que anima tanto os teólogos da libertação, quanto os teólogos do ecumenismo, dentre os quais ocupa um lugar de destaque o alemão e neoteólogo Josef Ratzinger.

b) Ignora nossas atividades

Além da Teologia da Deslibertação possuir um viés muito semelhante ao da Teologia da Libertação, ela possui outra qualidade própria de comunistas: ela se fez perita em desinformação, de modo que poderíamos chamá-la de Teologia da Desinformação. Mente sobre nosso apostolado, cria uma “versão da história” que não corresponde aos fatos.

Eis algumas coisas concretas que o nosso apostolado realizou neste semestre:

I. Retiro inaciano na Argentina com sacerdotes tradicionais;
II. Reunião com Sua Excia. Rev. Mons. Daniel Dolan, especialmente sobre o apostolado sedevacantista no Brasil;
III. Reunião com o Padre Rodrigo da Silva sobre o Seminário São José, primeiro seminário sedevacantista do Brasil.

Essas são algumas atividades bem concretas de nosso modesto apostolado. Atividades que nos exigem um sacrifício adicional, porque nossa saúde não é das melhores..

3. SEDEVACANTISMO É COISA DE CRIANÇA

Este não é bem um raciocínio, trata-se de um juízo preconceituoso, um juízo bastante burro por sinal. Com efeito, quem já ouviu falar nos nomes do Dr. Pe. Joaquín Sáenz y Arriaga S.J. Ph.D. e do Dr. Dom Michel-Louis Guérard des Lauriers, O.P., os dois grandes proponentes do sedevacantismo na década de 1970, sabe que o sedevacantismo é coisa de gente culta, valente e fiel.

É ainda ignorância da própria história da Teologia da Libertação, uma vez que o sedevacantismo aqui na América Latina surge sobretudo como reação à Teologia da Libertação, instalada neste continente sob os auspícios do apóstata público e notório Paulo VI.

CONCLUSÃO

A Teologia da Deslibertação seria realmente contrária à Teologia da Libertação se assumisse a postura de Padre Joaquín Sáenz y Arriaga, o primeiro homem a bater de frente com os semeadores da Teologia da Libertação na América Latina! Eles deveriam ler, de capa a capa, seu livro chamado A Nova Igreja Montiniana a fim de aprender, a partir de fontes primárias, quando, onde e como nasceu a Teologia da Libertação. Somente assim o anticomunismo deles será verdadeiramente católico, porque por ora o seu anticomunismo se fundamenta em um conceito partidário de Igreja, importado do protestantismo, como se a convivência com o “outro partido”, o partido dos “bispos comunistas” e outros tipos heréticos, fosse inevitável e digna de um católico.
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