Os Sete Sacramentos

7.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. Os Sete Sacramentos.

Revisão geral sobre a primeira parte da doutrina cristã, isto é, as verdades de fé contidas no Credo. Diga o Credo. Lembre-se das lições sobre o Sinal da Santa Cruz, a Unidade e Trindade de Deus, a Encarnação do Filho de Deus, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Juízo Particular e Universal e a Santa Igreja Católica.

I. Em uma vasta planície haviam duas fontes e de cada fonte brotavam sete canais que levavam as águas para todas as partes da planície. As águas da primeira fonte, embora um pouco amargas, tinham um poder maravilhoso; ao beber dessas águas o velho se tornava jovem, o feio se embelezava, o doente se curava e até mesmo o morto, quando tocado por elas, voltava a vida. As águas da outra fonte, embora mais doces, logo tornavam-se amargas e causavam vômitos, convulsões e até a morte. A primeira fonte é Jesus Cristo e os sete canais são os sete Sacramentos. A outra fonte é o demônio e dele procedem os sete pecados capitais. O triste disso tudo é que apesar da grande diferença nos efeitos, muitos recusam beber da primeira fonte e alegremente buscam as águas da outra.

II. Um bom sacerdote clamava: “Quantos enfermos há que no tempo de verão vão às águas de Luso e de Vizela? Quantos fizeram grandes despesas para se livrar das doenças corporais, e não se curam todos? Nós temos fontes admiráveis para todas as enfermidades da alma, que são os Sacramentos; e estas fontes de graça curam infalivelmente todos os que vão a elas bem dispostos. Como sucede, pois, que vemos tantos pecadores negligentes e descuidados em ir a essas fontes e beber nelas uma água que lhes é tão salutar? Como é que a maior parte dos que vão a elas, não se apresentam com as devidas disposições?”

III. Sacramento é um sinal sensível e eficaz da graça, instituído por Nosso Senhor, para santificar as nossas almas. Os Sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, pois eles apresentam certa semelhança com a graça espiritual que realmente comunicam. Por exemplo, a água natural que é usada para lavar o corpo é a matéria do batismo, que lava a nossa alma e tira dela a mancha do pecado. Os Sacramentos santificam nossas almas, porque eles nos dão ou aumentam a graça que nos torna santos e gratos a Deus, que nos faz seus filhos adotivos e herdeiros do Céu. Esse poder de nos santificar tem como fonte os infinitos méritos da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

IV. Para fazer um sacramento é necessário matéria, forma e o ministro que tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja. A matéria é a coisa sensível que se utiliza (por exemplo, a água natural no Sacramento do Batismo); a forma são as palavras que se dizem ao fazê-lo; o ministro é a pessoa que faz ou confere o sacramento.

V. Os Sacramentos são sete: 1.º Batismo; 2.º Confirmação (ou Crisma); 3.º Eucaristia; 4.º Penitência; 5.º Extrema Unção; 6.º Ordem; 7.º Matrimônio. Os Sacramentos são sete, porque os bens sobrenaturais da vida da alma possuem certa semelhança com os bens naturais da vida do corpo. Na vida do corpo é preciso nascer; crescer; nutrir-se; tomar remédio, se alguma vez se cai doente; armar-se, se alguma vez se vai ao combate; é necessário que alguns governem para a preservação da ordem e da paz; e é preciso que alguns se multipliquem para a propagação da vida humana. Assim também é com os bens da alma dispensados pelos Sacramentos: o Batismo é o nosso nascimento para a graça de Deus; a Confirmação ou Crisma faz com que essa graça cresça e se fortaleça; a Eucaristia permite que essa graça seja nutrida e sustentada; quando quer que se perca esta graça, a Penitência a fará recuperar; na derradeira batalha da morte, a Extrema Unção é arma poderosa; a graça de poder dirigir e governar as coisas espirituais se adquire pela Ordem; a graça de poder propagar a raça humana para que assim os fiéis cresçam em número se obtém pelo Matrimônio.

VI. Os Sacramentos podem ser distinguidos entre si de muitos modos.

a) Pelo fim. Alguns dão a graça, outros a aumentam. Os Sacramentos que nos levam da inimizade para a amizade de Deus são o Batismo e a Penitência e chamam-se Sacramentos dos mortos, porque destroem o pecado, que é a morte da alma. Esses Sacramentos são os mais necessários à nossa salvação, o Batismo é necessário a todos, a Penitência é necessária a todos os que pecaram depois do Batismo. Os Sacramentos que nos santificam aumentando-nos a graça são a Confirmação, a Eucaristia, a Extrema Unção, a Ordem e o Matrimônio; chamam-se Sacramentos dos vivos, porque quem os recebe já deve estar vivo para a graça de Deus, isto é, sem pecado mortal. Quem recebe esses Sacramentos, sabendo que não está na graça de Deus, comete um grave sacrilégio.

b) Pela excelência. Cada Sacramento possui sua excelência própria sob certo ponto de vista, mas o Sacramento mais excelente de todos é o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pois ele contém o próprio autor da graça e de todo o bem, Cristo Nosso Senhor. Do ponto de vista da necessidade, como se viu, os mais excelentes são o Batismo e a Penitência; do ponto de vista da dignidade, são a Confirmação e a Ordem, já que somente um bispo pode as conferir; do ponto de vista da facilidade, é a Extrema Unção, que perdoa os pecados sem necessidade da exaustão mental exigida na Penitência; do ponto de vista do significado é o Matrimônio, pois este significa a união de Cristo com a Igreja.

c) Pela impressão de caráter. Os Sacramentos que se podem receber só uma vez são o Batismo, a Confirmação e a Ordem, pois esses três Sacramentos imprimem caráter na alma daquele que os recebe, isto é, imprimem um sinal espiritual que é indelével e distintivo: indelével, porque nunca mais se apaga; distintivo, porque o Batismo nos distingue como membros de Jesus Cristo; a Confirmação como seus soldados e a Ordem como seus ministros.

VII. No Antigo Testamento haviam muitos Sacramentos, mas eles diferem dos Sacramentos da Nova Aliança de quatro modos. Eles eram mais numerosos do que os nossos; a sua observância era mais difícil, diferente dos nossos; seu sentido era mais obscuro e poucos entendiam o que eles significavam, já os nossos são claros e facilmente entendidos por todos; eles não conferiam a graça como os nossos, mas somente a prefiguravam e prometiam. É por isso que os Sacramentos da Nova Lei são de longe mais excelentes: eles são menos, mais fáceis, mais claros e mais eficazes do que os Sacramentos da Antiga Lei.

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