Notas da Semana: Modernos milagres e prodígios, opção pelos pobres, conexão Ratzinger-Lutero, a heresia e o cisma à luz do Vaticano II

I. OS MODERNOS MILAGRES E PRODÍGIOS

Foto de um típico encontro da Renovação Carismática Católica

Os milagres modernos não são comprovados – ao menos jamais encontrei provas cabais de sua veracidade – e em nenhum lugar se vê produzirem frutos de santidade. Essas coisas me levaram a concluir, no tempo em que investiguei alguns casos, sobretudo o de Buenos Aires, que são simples fraudes para a captação de dinheiro e poder. Eu duvido que existam verdadeiros milagres na Igreja pós-conciliar, contudo tenho absoluta certeza de que ali se verificam o tempo todo prodígios diabólicos que atestam sua falsidade: a confusão das linguas dos carismáticos, prática autorizada e espalhada em todo lugar, é, como em Babel, um castigo pela busca de dons e poderes que não convém ao homem buscar, castigo que entrega as pobres almas de seus adeptos à maléfica influência dos demônios. Essas coisas acontecem para que os bons percebam que as mudanças radicais produzidas depois dos anos sessenta na Igreja e no mundo não são obra de Deus, mas do diabo, que é o pai da mentira e o inimigo de Deus e dos homens.

II. A OPÇÃO PELOS POBRES

São Camilo

Os bispos e padres modernos falam muito dos pobres, mas fazem pouco por eles. A Igreja Católica antes do Vaticano II abundava em orfanatos, asilos, colégios para a educação católica de meninos e meninas, as revistas e livros defendiam a doutrina e a moral de Nosso Senhor a fim de proteger a juventude dos erros do mundo, tudo isso era fruto da fé e da caridade cristã. Quando eles começaram a colocar a religião de seus pais em dúvida e quiseram construir uma nova religião de sua própria cabeça, perderam até o genuíno amor dos pobres que tinham antes, ao mesmo tempo que, com hipocrisia, diziam defendê-los mais na medida que questionavam os antigos ideais de santidade e abandonavam os conventos. Resultado? As ordens de caridade da Igreja nova estão se extinguindo e parece que a única coisa que interessa nas paróquias é a arrecadação dos dízimos.

III. CONEXÃO RATZINGER-LUTERO

“Desde Martinho Lutero não houve nenhum alemão que tenha influenciado tanto a Igreja Católica como Joseph Ratzinger.” (H.J. Fishcer)
biografia de Bento XVI
“(…) Enfim, tenho aprendido muito com a biografia do Pablo Blanco Sarto, publicada pela Molokai. Pablo Blanco é professor na Universidade de Navarra, grande especialista em Lutero e Ratzinger. Tive a alegria de escutar o professor Pablo Blanco em sala de aula. A biografia do Papa Emérito, agora publicada em português, consta de 2 tomos e são aproximadamente 1.400 páginas, a encadernação é belíssima. Sem dúvida está um pouco caro, como costumam ser os livros da Molokai, mas vale a pena!

É interessante que o biógrafo de Ratzinger seja também especialista em Lutero.

Padre Catão, que também é ratzingeriano, explica bem o porquê: https://youtu.be/SZBg-I6UOzc. Vale a pena assistir. A ideia de experiência religiosa, incipiente em Lutero e sempre condenada pela teologia católica, foi reintroduzida na Igreja às vésperas do Vaticano II. Ela já aparece na Dei Verbum, mas é Ratzinger quem a fez entrar de uma vez no Catecismo de 92 e que, já como Bento XVI, incorporou-a em seu conceito revolucionário de nova evangelização (as palavras são do próprio Padre Catão).

Recordo que esta ideia de nova evangelização como experiência religiosa é própria do modernismo. Ao descrever o modernista filósofo, crente, apologista, historiador e teólogo, parece que São Pio X estava falando do próprio Ratzinger. Neste caso específico, o modernista apologista condenado é exatamente a mesma coisa que o ratzingeriano evangelizador apresentado pelo Padre Catão. Eis a admirável virtude da Pascendi: desmascarar os modernistas da velha e da nova guarda, revelando a surpreendente ligação entre Lutero e Ratzinger.

IV. A HERESIA E O CISMA À LUZ DO VATICANO II

padres católicos sedevacantista tradicionais

Toda vez que um modernista te chamar de herege ou cismático, recorde por caridade que, na religião dele, estes nomes já foram esvaziados do seu sentido tradicional, tendo sido elevados ao grau de elogio.

Sedevacantistas em particular e tradicionalistas em geral, se o Vaticano II for verdade conforme a interpretação oficial dada pelos papas e bispos modernos, são: membros de Igrejas particulares, com verdadeiros meios de santificação, muito amados de Nosso Senhor, testemunhas do Evangelho, com pleno direito de anunciar por palavra e por escrito a sua doutrina. Os fiéis não devem tentar convertê-los, mas dialogar com eles e olhar o que há de bom em sua religião! Em suma, todo mundo que segue o Vaticano II deve abandonar o jargão tradicional – hereges! cismáticos! – para tratar sedes e trads daquele jeitinho cor de rosa característico do modernismo apóstata – somos todos irmãos, quem sou eu para julgar.