O Terceiro Mandamento da Lei de Deus: Guardar Domingos e Festas

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18ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Terceiro Mandamento da Lei de Deus: Guardar domingos e festas.

I. O Terceiro Mandamento da Lei de Deus é guardar domingos e festas. O Primeiro Mandamento ordena que adoremos a Deus de todo coração e proíbe qualquer ofensa à majestade divina; o Segundo Mandamento ordena que seu Santíssimo Nome seja louvado e que assim evitemos usar as nossas palavras contra Ele; por fim, o Terceiro Mandamento, que completa os mandamentos referentes aos nossos deveres para com Deus (primeira tábua da Lei), exige que reservemos os domingos e festas para fazer boas obras, especialmente dedicando-nos ao culto divino pela assistência da Santa Missa e pela oração, e evitemos todo trabalho que impeça a realização desse fim.

II. Pode-se dizer seguramente deste Terceiro Mandamento que ele é em parte lei natural, porque é evidente e razoável que devemos reservar um tempo para o culto divino; em parte lei divina, porque Deus promulgou-o solenemente no monte Sinai, especificando quais seriam os dias de festa observados pelo povo hebreu; em parte lei eclesiástica, porque a Igreja determinou quais dias o cristão deve consagrar ao Senhor e que obras ele deve fazer para os santificar.

III. O dia da semana reservado ao culto divino é o domingo. No Antigo Testamento, o dia fixado por Deus era o sábado em memória do descanso de Deus no sétimo dia da criação do mundo, assim como em lembrança do dia em que o Senhor livrou os hebreus da escravidão no Egito. Mas esse dia de sábado era apenas uma figura do que estava por vir. A libertação definitiva, isto é, a libertação do jugo da morte, do demônio e do pecado, somente viria no domingo da Ressurreição do Senhor, quando Cristo ressurge dentre os mortos para nos comunicar a vida em abundância, a graça que nos torna amigos de Deus e herdeiros do Paraíso. Ademais, observando o domingo em vez do sábado, nós cristãos honramos todas as pessoas da Santíssima Trindade: honramos a Deus Pai, Criador do Céu e da Terra, que no domingo começou sua obra grandiosa; honramos a Deus Filho, Nosso Santíssimo Redentor, que no domingo abriu para os homens as portas do céu; honramos a Deus Espírito Santo, que no domingo de Pentecostes desceu sobre os Apóstolos. Honramos também a nossa santa religião católica, que começou a chamar a si todos os homens no mesmo domingo de Pentecostes. Além do domingo, a Igreja também estabeleceu outros dias de festa, como o Natal e o Corpus Christi. Por isso, é bom que os fiéis tenham consigo um Missal Cotidiano ou pelo menos um Calendário para que possam inteirar-se melhor a respeito das festas litúrgicas do ano.

IV. O ato essencial de culto divino consiste no Santo Sacrifício da Missa. Somente cumpre o preceito dominical quem assiste o Santo Sacrifício da Missa com intenção, atenção e integridade. Exige-se intenção, isto é, vontade de assistir a Missa; não satisfaz o preceito dominical quem vai a Igreja por curiosidade, para ser visto, para assistir uma cerimônia, para ver um amigo. Exige-se também a atenção, pelo menos virtual. E para determiná-la é preciso distinguir esta atenção em distrações voluntárias e involuntárias. É distração voluntária ocupar o pensamento durante a Missa em coisas estranhas ao culto de Deus, como conversar, olhar para o lado, ver quem entra e sai da Igreja, sem dar conta do que se faz no Altar. Fazer isto cientemente, sem o esforço de reconduzir a mente a Deus, à oração, ao santo sacrifício, é culpa. E se isto se faz numa parte grande da Missa não se satisfaz o preceito dominical. As atenções involuntárias, por outro lado, são contra a nossa vontade e tentamos expulsá-las logo que delas nos damos conta. Estas não destroem a atenção virtual, nem impedem de ouvir a Missa. Ótimo meio de evitar as distrações voluntárias é escolher um lugar próprio para o recolhimento, acompanhar o celebrante nas sagradas cerimônias, unir-se a ele mediante sentimentos de fé e veneração profunda, rezar o Santo Rosário, quando não se saiba ler ou não se tenha um livro devoto. Exige-se, por fim, a integridade, isto é, devemos nos esforçar para assistir a Missa inteira e no mínimo devemos estar presentes nas suas três partes essenciais: o ofertório, a consagração e a comunhão.

V. Convém ocupar-se nos dias de festa com o bem de nossa alma, escutando o sermão com atenção, frequentando o catecismo e dedicando-se a prática de boas obras; também deve procurar-se o bem do corpo, descansando bem longe dos vícios e dissipações. Infelizmente, em muitos lugares, as pessoas cometem os pecados mais graves e numerosos precisamente nesses dias de festa, eles ofendem a Deus e põem a perder as suas almas justamente nos dias reservados ao culto de Deus e ao bem da alma.

VI. Padre Chiolino relata no periódico “As missões católicas” que os paroquianos de sua missão percorriam a pé vinte e cinco quilômetros de caminhada e outros tantos de volta para assistir a Missa dominical e santificar o dia do Senhor. Ao meio-dia de sábado partiam de suas habitações e pelo fim da tarde chegavam na missão. Comiam um pouco de pão molhado em água, que traziam consigo, diziam suas orações e então deitavam para dormir em uma esteira com a cabeça apoiada sobre uma pedra. No dia seguinte estavam prontos para assistir a Santa Missa, receber a instrução do Padre e ter um pouco de conversa com o missionário para então retornar. E quando o missionário indagava se não se sentiam cansados, eles respondiam invariavelmente: Acaso o domingo não foi feito para honrar-se a Deus? Nós não temos nem sacerdote, nem catequista e nem capela, e se para cá não viéssemos, como cumpriríamos o nosso dever? Mas acredite, padre, fazemos isso de muita boa vontade. O pensamento de honrar a Deus torna esse fardo leve.

VII. Não é possível santificar os dias de festa com o culto divino e a oração, se estamos ocupados e absorvidos em trabalhos que, pela sua própria natureza, são incompatíveis com o recolhimento e a devoção requeridos pelo culto divino. Por isso, nos dias de festa são proibidos todos os trabalhos servis, isto é, trabalhos manuais como dos artesãos e operários. Os trabalhos servis requerem fadiga física, têm em vista um ganho e são feitos para suprir as necessidades materiais da vida.

VIII. Os trabalhos servis se distinguem claramente dos trabalhos liberais, que são feitos para a instrução ou recreação do homem, tais são o estudo, a música, as atividades desportivas etc. Quem em dias de festa passa mais de duas horas em trabalhos servis sem necessidade não está desculpado de pecado grave. Por outra parte, também não está isento de culpa quem deixa de cumprir os seus deveres religiosos para dedicar-se exclusivamente ao lazer.

IX. São Gregório de Tours conta que um ardor semelhante ao fogo consumiu a mão de uma senhora de sua diocese que tinha profanado o dia festivo com trabalhos manuais. Também narra o Padre Krugdolf, missionário nas ilhas filipinas, que em dia de festa alguns cristãos de sua missão queriam ir pescar. Ele então benevolamente os exortou a que não fizessem trabalhos desnecessários em dia de festa, mas não o escutaram. Duas horas depois passou novamente à praia e constatou com horror que um furioso incêndio tinha devorado as cabanas, barcos e pesca dos profanadores dos dias santos. Na Sagrada Escritura também, para que não se passasse por alto a gravidade da profanação do dia festivo, aprouve ao Senhor castigar o profanador do dia festivo com a mesma pena de morte com que puniu o blasfemador do nome de Deus.

X. Nos dias de festa são proibidos os trabalhos servis não necessários à vida ou ao serviço de Deus, e não justificados pela piedade ou outro grave motivo. Dentre os trabalhos que são necessários à vida da alma ou do corpo, encontram-se: (1) pequenos afazeres domésticos de todos os dias como cozinhar, lavar a louça, arrumar a casa; (2) trabalhos exigidos pela necessidade pública como pode ser o de padeiro ou bombeiro; (3) trabalhos que não podem ser interrompidos sem grave dano, como alimentar um forno industrial que não pode ser desligado; (4) fazer as malas para uma viagem no dia seguinte; (5) reparar estradas, pontes e outras coisas necessárias ao tráfego etc. Dentre os trabalhos necessários ao serviço de Deus estão: soar o sino, carregar estátuas em procissões, arrumar a Igreja e adornar os altares. São justificados pela piedade, servir aos enfermos e pobres, sepultar os mortos, trabalhar pelos pobres em verdadeira necessidade. Por algum outro motivo grave, entende-se todo aquele que a autoridade eclesiástica considera digno de dispensa em consideração das circunstâncias. Na hora de discernir se um trabalho é ou não é lícito em dia festivo, sempre é importante consultar a autoridade eclesiástica.


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