Necessidade e natureza da educação domiciliar católica

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Muitas pessoas nos perguntam sobre como educar os filhos no mundo de hoje. O nosso parecer sobre a questão repousa nestes dois pontos: (1) o que a Igreja manda e (2) o que a experiência mostra.

Em geral, um ou outro desses pontos inclina os pais católicos a considerarem seriamente a educação domiciliar ou homeschooling como uma boa alternativa à escola moderna. Tomados em conjunto, eles são as premissas que vão nos levar com segurança a uma conclusão incontornável: os pais, se querem dar aos filhos uma educação genuinamente católica, devem educá-los em casa, com espírito de oração e sacrifício bem alheio às máximas do mundo.

Examinemos brevemente cada um desses pontos e tiremos a devida conclusão.

1. O que a Igreja manda. Todos sabem que a Santa Madre Igreja têm parâmetros muito claros sobre a educação dos filhos, expostos em documentos como a Divini Illius Magistri de Sua Santidade o Papa Pio XI, e que ela constantemente lembra os pais do seu grave dever de instruir, corrigir e vigiar os filhos, proporcionando-lhes uma educação religiosa e civil conforme os ditames da fé e da moral cristã.

2. O que a experiência mostra. Do mesmo modo, qualquer observador imparcial sabe que não há atualmente escolas isentas dos erros condenados pela Igreja, antes o que temos são escolas que aplicam de forma explicita ou mitigada o naturalismo pedagógico (escola sem Deus), a mistura de meninos e meninas (escola mista), a coeducação (a mesma educação para ambos os sexos), um currículo enciclopédico-humanista de inspiração pagã e uma atmosfera de permissividade moral assustadora, muitas vezes justificada por princípios patentemente contrários à lei natural. Ressaltamos que dentro dessa categoria de escolas inviáveis encontram-se as escolas ditas católicas, inclusive as de feitio tradicional.

Conclusão. Esses dois elementos, os ensinamentos da Igreja de um lado e os desvios da escola moderna de outro, apontam para a educação domiciliar ou homeschooling como o único meio seguro de educar os filhos como a Igreja manda, longe do espírito mundano e das más companhias.

Os pais que não podem fazer outra coisa senão mandar os filhos para a melhor escola disponível expõem a si e aos filhos ao risco de se perderem. Já vimos muitos casos assim. O que os filhos aprendem em casa, desaprendem na escola. Cedo ou tarde aparece o resultado: escândalos morais e perda da fé. Exceções à regra são possíveis, claro, mas não esperem os pais colherem o que não plantaram. De ordinário, a árvore má, enraizada em princípios contrários aos da Igreja, produz frutos maus.

Portanto, se a ideia é promover uma educação católica em um mundo nitidamente não católico, sem ilusões e falsas promessas, o que temos de melhor é a educação domiciliar ou homeschooling. Repetimos: cremos que nas circunstâncias atuais a educação domiciliar é necessária para educar os filhos segundo os ditames da fé e da moral cristã, porque somente ela impede a interferência insidiosa dos agentes do anticristianismo.

Muitos católicos tradicionais certamente concordam com esse nosso parecer, menos porém são aqueles que resolvem fazer as mudanças estruturais requeridas por essa decisão.

A educação domiciliar católica não é trazer a escola para dentro de casa, não é a imposição de um currículo clássico de viés enciclopédico-humanista, não é formar sábios segundo os olhos do mundo. Não, mil vezes não. A educação domiciliar católica é o cultivo das virtudes cristãs no lar, por parte de todos os membros da família, para que todos cumpram fielmente os seus deveres religiosos e civis nesta vida e possuam a Deus eternamente na outra.

Os meios (apostilas, oração em comum, atividades domésticas, brincadeiras) devem estar sempre subordinados a esse ideal. As meninas devem seguir o exemplo da mãe, os meninos devem trilhar os caminhos do pai. A mãe deve ser uma dona de casa, a educadora por excelência nas coisas da religião, aquela que ensina as primeiras orações e lições da fé. O pai deve ser o chefe de família, que a sustenta e governa no pleno sentido da palavra; ele ensina ao filho a sua própria profissão ou encaminha-o para a vocação a que Deus o chamou. As crianças devem aprender o que for necessário para serem bons cristãos, honrando os seus pais com amor, respeito e obediência. É desse modo que a família católica se faz espelho da Sagrada Família, conforme o sublime exemplo de Jesus, Maria e José.

Obviamente esse caminho não é fácil, por isso adiantamos na introdução deste artigo que a educação domiciliar católica exige um espírito de oração e sacrifício bem alheio às máximas do mundo. É preciso renunciar às vaidades do século e estar pronto para muitos desprezos, especialmente da parte de parentes e vizinhos. Mais: muitos caprichos e maus hábitos adquiridos devem ser deixados para trás.

Essa é uma jornada difícil. Mas, se nós realmente entendemos que a nós cabe seguir os passos de Cristo na estrada real da Santa Cruz, toda essa dificuldade se converte em bênçãos e méritos celestiais.

Estendemos as mãos em solidariedade aos casais que tomam ou desejam tomar essa iniciativa. Temos os nossos contatos e faremos o que estiver ao nosso alcance para promover a educação domiciliar católica, único meio seguro de formar, nos tempos de hoje, cristãos excelentes e cidadãos exemplares.


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