A Nova Evangelização de Bento XVI

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A NOVA EVANGELIZAÇÃO DE BENTO XVI

Por Irmão Diogo Rafael Moreira

ÍNDICE

INTRODUÇÃO
I. TESE FUNDAMENTAL: A VERDADEIRA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE
II. SOFISMA FUNDAMENTAL: O PSEUDO-TOMISMO MODERNISTA
III. MODERNISMO: A FONTE DO VATICANO II E DA NOVA EVANGELIZAÇÃO RATZINGERIANA
IV. DE LUTERO A RATZINGER
V. MODERNISMO NO NOVO CATECISMO E ALÉM
VI. NOVA EVANGELIZAÇÃO: MODERNISMO EM DOSE DUPLA
CONCLUSÃO

INTRODUÇÃO

A nova evangelização de Bento XVI é o velho modernismo condenado por São Pio X na Pascendi. A nova evangelização de Bento XVI é anatematizada pelo Concílio Vaticano I. A nova evangelização de Bento XVI é mais propriamente uma antiga, sorrateira e venenosa desevangelização, sempre presente nas seitas heréticas e esotéricas, mas que nos últimos tempos foi sendo introduzida nos meios católicos mediante o conceito modernista de fé como experiência de Deus.

Essas e outras coisas serão demonstradas neste artigo, onde partiremos de uma conferência (https://www.youtube.com/watch?v=SZBg-I6UOzc) dada pelo teólogo ratzingeriano Francisco Catão, doutor em teologia pela Universidade de Estrasburgo, professor do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, conselheiro do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e – o que mais nos interessa aqui – um entusiasta do Vaticano II, disposto a nos contar com detalhes bastante inusitados a gênese e o desenrolar do câncer modernista, mostrando a verdadeiro continuidade que há entre o modernismo, o Vaticano II e o pensamento de Bento XVI.

I. TESE FUNDAMENTAL: A VERDADEIRA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE

Um resumo da tese de Catão sobre a nova evangelização, que é também a tese de Bento XVI, aparece no seguinte momento da conferência:

“Daí é que vem a ideia de nova evangelização, porque nova evangelização? A nossa tese, eu já digo nossa porque é também de Cardeal Piacenza e é sobretudo de Bento XVI, a nossa tese e de alguns teólogos, não muito numerosos aqui no Brasil, pelo contrário, a nossa tese é de que nova significa uma evangelização baseada no ato de crer.”

“Uma evangelização que não é um ensino sobre as verdades da fé, uma evangelização baseada no anuncio, no querigma, que desperta para a fé. Independentemente do conteúdo, a fé nasce da nossa adesão à Palavra, da nossa adesão à Jesus e é a partir dessa experiência, a partir dessa adesão a Jesus que nós construímos a visão cristã que temos. Visão cristã que vai variar nas suas expressões de acordo com a cultura, de acordo com o tempo, mas que tem como unidade a certeza de que Deus nos ama, de que Jesus veio comunicar a vida de Deus no Espírito e de que nós somos conduzidos pelo Espírito de Deus. Essa é que é a certeza fundamental. Nós somos conduzidos pelo Espírito de Deus. Não somos nós que evangelizamos, é o Espírito que anuncia Jesus, não somos nós que fazemos a Igreja, é o Espírito que faz a Igreja, a Igreja é sustentada pelo Espírito, não pela nossa ciência, pela nossa indústria, pela nossa habilidade, pela nossa política, pelos meios de comunicação, isso tudo é instrumento do Espírito, é o Espírito que age santificando os homens. Os homens e as mulheres naturalmente. Essa tese é uma tese bastante revolucionária. Mas quem a defendeu? Bento XVI na Exortação Apostólica A Igreja no Oriente, que foi publicada no dia 14 de setembro, no dia da Exaltação de Santa Cruz, Bento XVI assinou essa exortação no Líbano…”

“Ora, eu fiquei estarrecido ouvindo Bento XVI. Depois fui ler para conferir. O primeiro capítulo dessa Exortação precisa ser lido, sobretudo nos primeiros números, do número de 3 ao 7, porque ele defende a tese de que tudo vem do Espírito e que a grande dificuldade que nós temos de compreender a Igreja é que nós não consideramos que o Espírito está na raiz da Igreja; que a comunhão eclesial é dom do Espírito. Nós temos uma magnífica ocasião de considerar isso no Oriente Médio, porque há muitas igrejas cristãs, umas unidas, outras não a Roma, mas o Espírito está em todas elas! A gente pergunta: e a orientação da Dominus Jesus? Ele passou por cima. Bento XVI fez uma nova eclesiologia, uma eclesiologia do Espírito na Exortação Ecclesiam in Oriente. Isso a gente precisa levar em consideração. É um dado importante para nós. Isso valoriza a questão do querigma, isso valoriza toda a posição carismática, a visão carismática da Igreja etc. etc. etc., então tudo isso é muito importante para as novas comunidades.”

“Veja que o Papa – eu acho que ele está percebendo que ele não vai durar muito -, que ele vai se encontrar brevemente com o Senhor, e ele está resolvendo dizer as últimas coisas. E ele diz com uma coragem e com uma clareza impressionante.” (16:59-19:50 e 20:08-22:10)

Como se vê, o teólogo Francisco Catão fala sobre a evangelização segundo a perspectiva de Bento XVI. Aquilo que ela tem de “nova” nos permite conhecer melhor o lado vanguardista deste homem que a mídia e os neoconservadores erroneamente consideram como o guardião da fé católica.

A tese de Bento XVI é realmente revolucionária e o Padre Catão está aqui não somente para revelá-lo, mas também para enquadrá-la no contexto da revolução doutrinal operada pelo Concílio Vaticano II. Antes de prosseguir, gostaria de sublinhar que o conferencista em questão esteve presente nas sessões do Concílio Vaticano II e é um dos poucos teólogos brasileiros que segue a linha de pensamento do neoteólogo Joseph Ratznger, também conhecido como Bento XVI.

Esta conferência de Francisco Catão insiste sobretudo na continuidade entre o Vaticano II, o Catecismo de 1992 e a Nova Evangelização de Bento XVI. De fato, esta é a verdadeira “hermenêutica da continuidade”: Bento XVI continua e desenvolve a revolução doutrinal iniciada no Concílio Vaticano II. Ouçamos as palavras do próprio conferencista:

“Há uma continuidade importante entre o concílio, o catecismo e a nova evangelização.” (3:18-3:35)

“Essa continuidade está clara no pensamento de Bento XVI na carta apostólica Porta Fidei. (4:03-4:23)

II. SOFISMA FUNDAMENTAL: O PSEUDO-TOMISMO MODERNISTA

Mais adiante, o autor propõe defender essa tese da continuidade, a única continuidade real, valendo-se supostamente da doutrina de São Tomás de Aquino sobre a fé. Ele explica o conceito tomista de fé da seguinte maneira:

“Para Tomás de Aquino [nunca São Tomás], a teologia tem como fonte a fé, não porém os conteúdos da fé, os conteúdos da fé são elaborados pela teologia, a teologia tem como fonte o ato de crer. O fato de que na nossa vida humana, na nossa vida intelectual, na nossa vida de conhecimento, nós buscamos iluminar aquilo que Deus nos fala no íntimo do coração. A fonte da teologia é a experiência interior, a experiência de Deus, a experiência religiosa. A fonte da teologia é a experiência.” (4:56-5:57)

Bem, se São Tomás tivesse realmente dito isso, a saber, que a fonte da teologia é a experiência interior, nós já saberíamos que o Santo Doutor teria sido fulminado por um anátema do Concílio Vaticano I, onde se diz:

“Se alguém disser que a divina revelação não pode tornar-se crível por manifestações externas, e que por isto os homens não devem ser movidos à fé senão exclusivamente pela interna experiência ou inspiração privada, seja anátema.” (De Fide, cân. 3).

Mas deixemos o Padre Catão continuar com a sua exposição de sua suposta doutrina tomista sobre a fé:

“Tudo começa no nosso coração. Nós somos chamados a pureza de coração, que é o caminho para nós vermos a Deus. E a nossa vida vai terminar quando interiormente nós entrarmos na intimidade de Deus. Então a fé é espiritual, a fé é radical, a fé é fundamental, tudo depende da fé. A fé não está naquilo que eu creio, está no fato de eu crer. Aquilo que eu creio é expressão da fé. E nós sabemos que essa expressão muda com a cultura, muda com a história, mas o importante, o fundamental não é a maneira como eu expresso a minha vida profunda com Deus, o fundamental é ter essa vida profunda, é participar da vida de Deus. E nós participamos de vida de Deus no íntimo do nosso coração.” (7:47-8:54)

Por atraente que possa parecer essa doutrina de floreados corações, força é dizer que tal definição de fé não coincide de modo algum com a doutrina de São Tomás de Aquino sobre a fé e o ato de crer. Nos bons tempos, esse homem teria que responder por heresia em um tribunal eclesiástico e estelionato em um tribunal civil.

Muito, mas muito pelo contrário, sua teoria está mais de acordo com a filosofia moderna e o seu conceito de imanência vital. Na verdade, enquanto a experiência religiosa assim entendida está bem afinada com a filosofia moderna e sua vertente teológica, o modernismo, ela se encontra em patente contradição com a filosofia tomista e a fé católica.

Comecemos pela filosofia tomista. São Tomás de Aquino entende o ato de fé como o assentimento da inteligência a tudo o que Deus revelou para a nossa salvação, trata-se portanto de crer nas verdades que Deus revela ao homem (cf. II-II q. 1, a. 1; II-II q. 2, a. 5); em casos extraordinários, como no caso dos apóstolos e profetas, ele admite sim que a fé é comunicada imediatamente, sem o intermédio da pregadores da fé, mas ainda assim explica claramente que em tal caso a fé não é comunicada de uma forma interior, no íntimo do coração, mas de uma forma exterior, mediante palavras e sinais, tal como fez Nosso Senhor Jesus Cristo quando ensinou sua doutrina aos discípulos e a confirmou com muitos milagres (cf. II-II q. 6, a. 1). Entretanto, que pessoa razoável negará que, de ordinário, Cristo se serviu e se serve da Igreja para comunicar as verdades da fé? Quem negará que Cristo estabeleceu o apostolado justamente para que a sua doutrina alcance os confins da terra? Se tudo se resumisse à experiência interior de cada um, o apostolado perderia sua razão de ser e todo homem, sem o expresso apontamento divino, poderia se arrogar o título de profeta e apóstolo.

É um ultraje chamar essa imbecilidade de tomismo. Não há outro nome para essa pretensão senão o de protestantismo liberal e pseudo-misticismo. É evidente que essa doutrina da experiência religiosa não passa de uma aplicação do conceito protestante de justificação e sacerdócio dos crentes (entendida do modo mais liberal possível), que aqui aparece muito mal-disfarçadamente sob a máscara de tomismo. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Ademais, São Tomás de Aquino também explica que as verdades de fé consistem em artigos bem definidos e imutáveis (cf. II-II q. 1, aa. 6-9), diz que o Romano Pontífice, cabeça da Igreja, é o intérprete infalível em matérias de fé e o único capaz de propor à Igreja um novo símbolo de fé (cf. II-II, q. 1, a. 9) e ainda declara que aquele que nega um só artigo de fé perde totalmente a virtude da fé, sendo este o caso do herege (cf. II-II, q. 5, a. 3). Tudo isso demonstra o quanto o conceito tomista de fé difere dessa fé não dogmática, dessa fé entendida como uma experiência interior de Deus que fala no íntimo do coração de cada um.

III. MODERNISMO: A FONTE DO VATICANO II E DA NOVA EVANGELIZAÇÃO RATZINGERIANA

A doutrina venenosa da experiência religiosa, vendida aqui na forma de nova evangelização, faz parte de um sistema chamado modernismo. O sistema modernista foi exposto e denunciado em detalhe pelo Papa São Pio X na carta encíclica Pascendi Dominici Gregis. Observe como a doutrina do “modernista crente”, tão bem descrita por São Pio X, se identifica perfeitamente com aquela doutrina de Francisco Catão e de seu mestre, Joseph Ratzinger:

“Agora, passando a considerá-lo como crente, se quisermos conhecer de que modo, no modernismo, o crente difere do filósofo, convém observar que, embora o filósofo reconheça por objeto da fé a realidade divina, contudo esta realidade não se acha noutra parte senão na alma do crente, como objeto de sentimento e afirmação; porém, se ela em si mesma existe ou não fora daquele sentimento e daquela afirmação, isto não importa ao filósofo. Se, porém, procurarmos saber que fundamento tem esta asserção do crente, respondem os modernistas: é a experiência individual. Com esta afirmação, enquanto na verdade discordam dos racionalistas, caem na opinião dos protestantes e dos pseudo-místicos.”

“Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir. Quanto estamos longe dos ensinamentos católicos! Já vimos essas idéias condenadas pelo Concílio Vaticano I. Veremos ainda como, com semelhantes teorias, unidos a outros erros já mencionados, se abre caminho para o ateísmo. Cumpre, entretanto, desde já, notar que, posta esta doutrina da experiência unida à outra do simbolismo, toda religião, não executada sequer a dos idólatras, deve ser tida por verdadeira. E na verdade, porque não fora possível o se acharem tais experiências em qualquer religião? E não poucos presumem que de fato já se as tenha encontrado. Com que direito, pois, os modernistas negarão a verdade a uma experiência afirmada, por exemplo, por um maometano? Com que direito reivindicarão experiências verdadeiras só para os católicos? E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras. É claro, porém, que eles não poderiam pensar de outro modo.” (Pascendi Dominici Gregis, nn. 36-37)

“O viver para os modernistas é prova de verdade; e a razão disto é que verdade e vida para eles são uma e a mesma coisa. E daqui, mais uma vez, se infere que todas as religiões existentes são verdadeiras, do contrário já não existiriam.” (Id., n. 40)

Aí está em um compêndio todo o conceito proposto pelo Vaticano II, inclusive a base de seu ecumenismo. Se alguém com estômago forte se aventurar a assistir de início ao fim a palestra de Padre Catão, saiba que achará uma longa e fiel paráfrase de tudo o que foi condenado por São Pio X.

De fato, essa doutrina não coincide com o tomismo e se alguém duvidar do que digo basta assistir a palestra até o final, onde Francisco Catão afirmará justamente que o Vaticano II descobriu um novo conceito de fé. Ora, se o tal conceito fosse o mesmo conceito de São Tomás, qual seria a novidade?

Eis então como o autor trai a si mesmo quando confessa abertamente que o conceito de fé do Vaticano II propôs algo bem diferente do que aquilo que se ensinava antes. Eis o que ele afirma categoricamente contra si mesmo:

“Essa verdade, essa descoberta constitui a grande novidade do Vaticano [II], o Vaticano [II] nasceu da percepção de que a palavra de Deus não é uma palavra que transmita verdades, é uma palavra que nos transmite a vida. A Revelação não é uma transmissão de verdades, como se pensava antes [nos tempos de |São Tomás?], e isso historicamente tem as suas razões, a Revelação é a comunicação na vida de Deus. É aquilo que está no primeiro capítulo da Constituição Dei Verbum do número 2 ao número 11.” (8:58-9:48)

“Em 1966 eu fiz uma palestra sobre o Concílio. Eu estava voltando de Roma, no início de 1966, em março de 1966, o Concílio havia terminado em dezembro de 1965, então o Paulo pediu que eu fosse fazer uma palestra no Seminário do Ipiranga sobre o Concílio. Eu fiz uma palestra, “Concílio, um Concílio de mudança” E fiz seis proposições mostrando em que que o Concílio mudou. A primeira proposição: passamos da revelação das verdades para a comunicação da vida. É a primeira das seis proposições que eu fiz em 1966.” (12:42-13:33)

Esta é a primeira mudança de fato, mas não a única proposta por ele, porque o Concílio Vaticano II não se contentou em mudar o conceito tradicional de fé, mas também modificou o conceito de Igreja e de sua relação com as seitas e o mundo, os quais derivam desse mesmo conceito modernista de fé. Por isso, o conferencista continua:

“Eu divido o Concílio em quatro pontos, quatro temas: a Palavra de Deus, a Igreja, o Ecumenismo e a Relação com o mundo. E as seis proposições de mudança nesses quatro pontos. É um pouco inspirado na Ecclesiam Suam de Paulo VI, uma encíclica que nem sempre se conhece. Aqui no Brasil se fez muita resistência a ela no dia 6 de agosto de 1964.” (14:17-14:50)

Na verdade, essa mudança geral operada no Vaticano II é bastante lógica se nós entendemos bem a mentalidade do modernista crente. Como tudo depende de Deus que fala no íntimo do coração (imanentismo), porque nós limitaríamos as propriedades de verdade e santidade a nossa religião, negando a veracidade da experiência dos adeptos de outras religiões (nova eclesiologia)? É por isso que agora se pode e mesmo deve dialogar e aprender com todas as religiões (ecumenismo), todas elas manifestam uma certa experiência de Deus e daí deriva o direito que todas têm de dar testemunho de suas experiências de Deus na sociedade civil (liberdade religiosa).

É o Espírito Santo, dizem os modernistas, que age por meio delas. Em suma, essa nova noção de fé como experiência religiosa os força a aplicar à humanidade como um todo, desde os idólatras aos hereges de toda sorte, aquilo que antes os católicos aplicavam unicamente à Igreja Católica. Daí se vê muito claramente que os modernistas abandonaram de vez a noção tomista, reafirmada por Leão XIII na Satis Cognitum, segundo a qual basta a negação de um só artigo da fé para que se perca a fé inteira.

IV. DE LUTERO A RATZINGER

Em outro momento da palestra, Padre Catão explica como esse conceito de experiência é de origem protestante, confirmando aquilo que já tinha indicado o Papa São Pio X. Ele também destaca que tal ideia só começou a ganhar espaço na teologia católica às vésperas do Vaticano II. Eis o seu depoimento:

“A experiência era suspeita na Igreja Católica desde o século XVI, quando Lutero insistiu na experiência contra o Magistério de Roma, contra as práticas de Roma. Então a Igreja de Roma resolveu não falar da experiência, condenou durante séculos todos os teólogos que deram importância à experiência. A experiência não é fonte de conhecimento, a fonte de conhecimento da verdade é a autoridade da Igreja. A experiência não é uma fonte de conhecimento. Você não pode fazer uma teologia a partir da experiência, você tem que fazer uma teologia a partir do dogma. Essa era a posição da Igreja Católica até 1954, quando um teólogo, reitor do seminário de Dijon, na Borgonha, Jean Mouroux, escreveu um livro sobre a experiência cristã, “L’Experience Chretienne”, uma nova forma de fazer teologia, tratando da experiência como fonte da teologia. O livro de Mouroux é muito bem escrito, ele era um grande teólogo, da geração Congar, mais ou menos contemporâneo ao Congar, muito ligado à Maritain, Jacques Maritian. O Mouroux fez um livro muito inteligente. Você não podia criticar. Desde o Mouroux a experiência entrou como um elemento importante para fazer teologia.” (29:38-31:30)

Nós já ouvimos falar de indivíduos inteligentes que gostavam muito desse tema da experiência. Quem são eles? Os mesmos modernistas condenados por São Pio X. Na introdução de sua famosa carta encíclica, o Papa descreve a astúcia dos modernistas do seguinte modo:

“Não há quem os vença em manhas e astúcias: porquanto, fazem promiscuamente o papel ora de racionalistas, ora de católicos, e isto com tal dissimulação que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto; e sendo ousados como os que mais o são, não há consequências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos. Acrescente-se-lhes ainda, coisa aptíssima para enganar o ânimo alheio, uma operosidade incansável, uma assídua e vigorosa aplicação a todo o ramo de estudos e, o mais das vezes, a fama de uma vida austera. Finalmente, e é isto o que faz desvanecer toda esperança de cura, pelas suas mesmas doutrinas são formados numa escola de desprezo a toda autoridade e a todo freio; e, confiados em uma consciência falsa, persuadem-se de que é amor de verdade o que não passa de soberba e obstinação.” (Pascendi Dominici Gregis, n. 4)

Não poderia haver melhor descrição do caráter e do modo de agir dos peritos do Concílio Vaticano II do que essa. Infelizmente, eles foram ao Concílio, enganaram os incautos e ao fim fizeram da heresia modernista a base daquilo que viria a ser conhecido como a Igreja pós-conciliar. Esses mesmos peritos depois se tornaram os lumiares do modernismo institucionalizado, os cardeais e papas da seita modernista. Dentre eles podemos mencionar, por exemplo, os neoteólogos e futuros cardeais Henri de Lubac, Yves Congar, Hans Urs von Balthasar, Jean Daniélou, Joseph Ratzinger e Karol Wojtyla.

Hoje eles e seus discípulos guiam a multidão para o abismo do protestantismo e do ateísmo, que são o destino final do modernismo, conforme tinha observado São Pio X já na primeira década do século XX.

“Eu defendi essa tese da prioridade do ato de crer. Isso é a luz que guia Bento XVI na sua interpretação do Concílio. O primeiro sínodo que ele convocou foi “A Palavra de Deus, na vida e na missão da Igreja”, foi o sínodo de 2008, tem a exortação apostólica Verbum Domini. Agora ele convocou o sínodo sobre a nova evangelização para a transmissão da fé cristã. E você tem a convocação do Ano da Fé, da Porta Fidei. Se nós procurarmos qual é o fio que une todos esses documentos, nós diremos evidentemente que é a prioridade no ato de crer.” (15:05-16:13)

“Ele insiste muito no ato de crer, não emprega esse termo, emprega um outro termo: a experiência, a experiência de Deus, a experiência do Espírito, a percepção interior, a vivência do dom da graça nos seus reflexos no interior de cada um de nós. Ele desenvolve um conceito de experiência muito interessante e me chocou o número de vezes que fala da experiência. 70 vezes fala sobre a experiência! Não é uma vez ou duas, são setenta vezes! Quem conhece a história da teologia sabe o que que isso significa.” (28:48-29:37)

Certamente nós sabemos o que isso significa. Isso significa que estamos diante de um protestante e de um psudo-místico. Isso significa que nós temos um herege modernista em Roma, ou melhor, nós temos uma Igreja inteira ocupada por modernistas que se promovem a si mesmos e boicotam qualquer um que tente insistir no conceito verdadeiramente tomista e tradicional de fé.

A continuidade entre o Vaticano II e o pensamento de Bento XVI já está mais do que provada. O conceito modernista de experiência religiosa é o fio condutor de ambos. Do mesmo modo, penso estar bem clara a única diferença entre eles: aquilo que era timidamente ensinado por Mouroux e pela Dei Verbum, hoje é ensinado abertamente e repetido ad nauseam por Ratzinger.

V. MODERNISMO NO NOVO CATECISMO E ALÉM

Agora examinemos como o teólogo Francisco Catão mostra a ligação entre eles e o Novo Catecismo, promulgado por João Paulo II em 1992.

Depois de reclamar da ausência de um tratado específico sobre fé nos cursos de teologia, ele lembra que o Catecismo começa falando justamente sobre a fé nesse sentido de experiência religiosa. Na seção “Creio – Cremos”, o Catecismo utiliza uma perspectiva antropocêntrica, falando de Deus que se manifesta no íntimo do coração de todos os homens. Ele distingue então o conteúdo da fé do ato de crer (n. 26), insiste sobre o desejo de Deus (n. 27), diz no segundo capítulo que Deus se revela mediante uma relação pessoal, reforçando o caráter da fé como um ato humano livre. Por fim, chegamos ao terceiro capítulo do Novo Catecismo, o momento certo de passar a palavra para o teólogo Francisco Catão:

“Aí vem o terceiro capítulo: o que é a fé? Nós não podemos definir a fé, a fé ultrapassa toda a definição. É uma realidade de relação pessoal. Que nós não podemos definir estritamente com um gênero e uma diferença específica. É algo existencial. Como é que nós vamos abordar a fé? Através dos parâmetros da fé. Quais são os parâmetros da fé? Abraão e Maria. Se nós quisermos saber o que é ter fé, [devemos] olhar para Abraão e olhar para Maria: ‘Bem aventurada és tu, porque acreditaste’. Esse é o segredo do catecismo. Ele vai dizer o que é a fé a partir da experiência pessoal de Abraão e de Maria. É por aí, nós não temos outro caminho para saber qual é a fé. Não é uma ideia, a fé é uma realidade, é uma experiência, é uma relação pessoal, então nós temos que partir dos parâmetros Abraão e Maria.” (49:07-50:40)

Muito interessante esse ponto, parece que eu estou ouvindo a voz de um modernista teólogo. E não é que eu estou mesmo? Vejamos o que a Pascendi fala sobre o modernista teólogo:

“O filósofo tem por certo de que as representações da fé são puramente simbólicas; o crente afirma que o objeto da fé é Deus em si mesmo; conclui pois o teólogo: logo as representações da realidade divina são simbólicas. Segue-se daqui o simbolismo teológico. São erros enormes deveras; e quanto sejam perniciosos vamos ver de um modo luminoso, observando-lhes as conseqüências. E para falarmos desde já do simbolismo, como os símbolos são: símbolos com relação ao objeto, e instrumentos com relação ao crente, dizem os modernistas que o crente, antes de tudo, não deve apegar-se demais à fórmula, que deve servir-lhe só no intuito de unir-se com a verdade absoluta, que a fórmula ao mesmo tempo revela e esconde; isto é, esforça-se por exprimi-la, sem jamais o conseguir. Querem, em segundo lugar, que o crente use de tais fórmulas tanto quanto lhe forem úteis, porquanto elas são dadas para auxílio e não para embaraço; salvo porém o respeito que, por motivos sociais, se deve às fórmulas pelo público magistério julgadas aptas para exprimir a consciência comum, e enquanto o mesmo magistério não julgar de outro modo.” (Pascendi, n. 44)

“Já alguma coisa ficou dito sobre a natureza e origem dos livros sagrados. Segundo a mente dos modernistas, bem se pode defini-los uma coleção de experiências [como as de Abraão e Marias, por exemplo], não por certo das que de ordinário qualquer pessoa adquire, mas das extraordinárias e das mais elevadas que se têm dado em uma qualquer religião. É precisamente isto que os modernistas ensinam dos nossos livros do Antigo e Novo Testamento.” (Pascendi, n. 49)

Além da audácia de introduzir o conceito de experiência modernista no Novo Catecismo (para que se tenha esta heresia como “doutrina segura”), Ratzinger vai além: juntamente com os modernistas do passado, despreza a eficácia das provas externas da Revelação (profecias, milagres etc.) e estabelece em seu lugar a experiência interna e pessoal. É evidente que isso implica que ele não considera mais os preâmbulos tradicionais como o bastante, sendo necessária a tal da experiência… o nome disso é modernismo.

“O conteúdo vem depois, o que vem antes é o ato de crer. É o que lembra a Porta Fidei. A Porta Fidei vai tão longe teologicamente que ela diz que o desejo de Deus é um preambulo da fé. Essa expressão preâmbulo da fé é uma expressão técnica em teologia, queria dizer as verdades que preparam a fé, a existência de Deus, a santidade da Igreja, isso aí é um preâmbulo da fé. O Porta Fidei diz não, mas espera aí não é tudo: antes disso o preâmbulo da fé é o desejo de Deus. Bento XVI diz pode ser considerado um preâmbulo da fé. Esse texto tecnicamente é muito importante, porque justamente ele transfere para o ato de crer as consequências teológicas que a teologia dogmática tirava do conteúdo da fé. Para um raciocínio teológico isso é um doce de coco.” (51:40-53:02)

É precisamente assim que o modernista crente entende a experiência religiosa. Recordemos o que disse São Pio X na Pascendi:

“Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir. Quanto estamos longe dos ensinamentos católicos! Já vimos essas idéias condenadas pelo Concílio Vaticano I.” (Pascendi, n. 36)

De fato, segundo a lógica de Ratzinger e dos modernistas em geral, todos são crentes, inclusive aqueles que não seguem a Jesus Crisito:

“Depois no número 151 [do Catecismo], que eu sintetizo, cito apenas uma frase: Para o cristão, então vejam bem: primeiro define a fé sem especificar que é do cristão, todo o homem de boa vontade que adere a Deus no íntimo do seu coração, adere ao sentido da vida no íntimo do seu coração, tem fé, é uma coisa extraordinária, não é o cristão que tem fé, todos os homens salvos por Jesus Cristo são chamados a acolher Deus no íntimo do seu coração, e esse acolhimento é a fé, a fé que justifica, a fé que santifica, então eu não sou um cristão anônimo, eu sou um homem não cristão, é por lá que eu me santifico.

“Então isso é muito importante. Esse número 150 aí é fundamental. No caso do cristão, o que é que especifica o cristão? Não é a fé. Para o cristão crer em Deus é crer inseparavelmente naquele que Deus enviou, no seu Filho muito amado, em quem ele pôs todas as suas complacências. A minha fé é cristã porque eu não só creio em Deus, mas eu creio em Jesus. Não é possível acreditar em Jesus sem ter parte no seu Espírito, é o Espírito Santo quem revela aos homens quem é Jesus, Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus. Só Deus conhece inteiramente Deus.” (53:03-55:06)

Em suma, todos têm a sua experiência religiosa, o cristão tem a sua experiência a partir de Cristo, o maometano a partir de Maomé, o budista a partir de Buda e assim sucessivamente. Essa experiência religiosa nasce do contato da consciência com a realidade divina, ela não é a mera aceitação de dogmas, mas sim a utilização, confirmação e construção de dogmas a partir dessa experiência. A Bíblia mesma pode ser entendida como uma coleção de experiências vividas por pessoas muito especiais, pessoas que nós mesmos utilizamos como um parâmetro para as nossas experiências pessoais com Deus.

VI. NOVA EVANGELIZAÇÃO: MODERNISMO EM DOSE DUPLA

É esse pensamento modernista, muito caro ao protestantismo e seu parente próximo o carismatismo, que a nova evangelização veio consolidar nos ambientes à sombra do Vaticano II:

“O que é a experiência? É o ato de crer. Eu experimento a realidade de Deus na minha vida e por isso eu creio. A fé é resposta ao dom de Deus experimentado no íntimo do coração. Basta cada um de vocês olhar para a sua própria experiência. E a Renovação, por exemplo, que dá bastante importância a experiência, tem uma força que você não pode negar, são homens e mulheres que passam a viver a partir da experiência. A nossa vida é construída a partir da nossa experiência, também a nossa teologia e a teologia é a vida da fé. Então se a vida é construída a partir da experiencia, também o conhecimento de Deus é feito a partir da experiência. Isso que é o ponto fundamental. A nova evangelização é a valorização da experiência na construção da vida de fé.” (36:28-37:36)

“Esse acreditar é um ato da inteligência, mas não é um ato de pensamento só. É um ato da inteligência que comanda a vida e a fé só se consolida na medida em que nós vivemos de fé. A Igreja não é uma academia, o cristianismo não é uma filosofia, o cristianismo é uma opção de vida de relação pessoal com Deus.” (56:58-57:24)

Nós que ouvimos São Pio X sabemos aonde esta experiência religiosa vai dar, ela vai terminar no ateísmo. No curto prazo, ela vai gerar uma crise de fé sem precedentes que, aliás, já temos diante dos olhos por causa do Vaticano II. Mas os modernistas não têm e jamais terão a humildade de reconhecê-lo, no seu ódio ao dogma, eles continuarão pensando que o melhor remédio é justamente ser cada vez mais protestante, imitar cada vez mais as seitas heréticas:

“Se você analisa esses quatro parágrafos do cenário religioso, você percebe o seguinte: é um cenário de inércia. A Igreja está inerte no dogma e na maneira de dizer a fé. Se você acentua a importância do ato de crer, você tem que sacudir essa inércia. A nossa catequese, as nossas homilias não funcionam mais, porque elas são inertes, elas são vinculadas a uma expressão do passado, a uma expressão atrasada, você precisa tirar a poeira, revivificar. Como é que você vai revivificar a pregação, a catequese? Você vai revivificar acentuando a base que é o ato de fé. Visando diretamente o que é o ato de fé, valorizando o anúncio do Evangelho, você vai mudar profundamente a maneira de pensar dos próprios cristãos.” (43:49-45:03 )

Ninguém dúvida que se vai mudar profundamente a maneira de pensar dos cristãos. Eles já não vão pensar como São Tomás Aquino e São Pio X, mas vão pensar como Martinho Lutero e Bento XVI.

“Hoje o mundo está a busca de espiritualidade, a busca de sentido, a busca do sagrado, as seitas crescem porque oferecem um sagrado acessível, ao passo que a Igreja Católica fica marcada por ritos que não tem mais significação. O aspecto positivo e o aspecto negativo do cenário religioso.” (45:08-45:37)

Na verdade, essa afirmação é bastante cínica.

As seitas crescem porque, por um lado, o Concílio Vaticano II aboliu sistematicamente todos os obstáculos ao proselitismo protestante, todos sabem que a liberdade religiosa colocou todas as seitas em pé da igualdade no âmbito civil, inclusive em países como Espanha e Colômbia, onde a religião católica era oficialmente protegida pelo Estado e as seitas eram – Deo gratias! – impedidas de espalhar suas falsas doutrinas; no âmbito religioso, foram postas em pé de igualdade mediante o ecumenismo que levanta as excomunhões do passado para tratar todas essas seitas como irmãs e dignas do nome cristão. Por outro lado, elas crescem pela sistemática destruição da catequese tradicional, o Catecismo Holandês que o diga, onde o que erroneamente recebe esse nome não passa de um discurso antropocêntrico que tudo permite e nada obriga. Já fazem mais de cinquenta anos que os católicos não recebem a fé dogmática, a fé divina e católica que antes recebiam nas aulas de catecismo.

Essa é uma verdade tão certa que o próprio Cardeal Piacenza, no sermão referido antes pelo Padre Catão, vê-se obrigado a admiti-la:

“A quase cinquenta anos depois do Concílio Ecumênico Vaticano II, devemos reconhecer como a própria vida moral, tanto dentro como fora da Igreja, tem sido terrivelmente enfraquecida pela insuficiente catequese, por uma educação incapaz, talvez, de dar as razões das demandas do Evangelho e mostrar, na experiência existencial concreta, como elas são extraordinariamente humanizadoras. Tudo isso certamente não por causa do ConCÍLIO!” (Cardeal Piacenza, Convegno internazionale sulla catechesi promosso dalla CCEE, Iniziazione cristiana e nuova Evangelizzazione (http://www.cism.milano.it/wp-content/uploads/2012/05/120508-CardPiacenza-Catechesi.pdf), 8 mai. 2012, p. 2)

Como bem se vê, os modernistas estão até dispostos a reconhecer aqui e ali o seu fracasso, mas unicamente para ter mais um motivo para repeti-lo em dose aumentada. É assim que o fracasso de uma catequese centrada na experiência, existencialista e antropocêntrica, deve ser remediado com uma catequese ainda mais centrada na experiência, mais existencialista e mais antropocêntrica. É assim que o fracasso da experiência religiosa deve ser remediado com mais experiência religiosa. É ou não é verdade que essa estratégia modernista desafia as regras da lógica e já há muito ultrapassou os limites do bom senso?

CONCLUSÃO

Enquanto os modernistas permanecem assassinando almas nos seus templos, enquanto eles continuam levando o povo ao protestantismo e ao ateísmo, nós seguimos o conselho de Sua Santidade o Papa São Pio X, evitando e repudiando o veneno modernista.

Se você tem a intenção de preservar a fé católica, de mantê-la naquele sentido dogmático e imutável conforme o Concílio de Trento, o Concílio Vaticano I e o Papa São Pio X, então você já sabe que deve por necessidade repudiar o Vaticano II, o Novo Catecismo e a Nova Evangelização de Bento XVI. Tratam-se de dois conceitos de fé diametralmente opostos, diversos em sua origem e também diversos nas suas consequências.

Afaste-se, portanto, da armadilha modernista, que anualmente arrasta milhares de pessoas para as seitas e que aconselha milhares de pessoas a viverem uma experiência religiosa a la Martinho Lutero; junte-se aos católicos fiéis à doutrina de sempre, aos católicos que repudiam as heresias do Vaticano II e se opõem firmemente àqueles que as promovem contra as Escrituras, a Tradição e o Magistério da Igreja Católica Apostólica Romana.

Lembre-se ainda que o dizemos para o seu próprio bem. Como dizia São Pio X, os modernistas são uma companhia muito perigosa “e tanto o método como as doutrinas [dos modernistas] estão cheios de erros, capazes só de destruir e não de edificar, não de formar católicos, mas de arrastar os católicos à heresia, mais ainda, à completa destruição de toda religião!” (Pascendi, n. 78)

“Se, pois, de uma só vista de olhos atentarmos para todo o sistema, a ninguém causará pasmo ouvir-Nos defini-lo, afirmando ser ele a síntese de todas as heresias. Certo é que se alguém se propusesse juntar, por assim dizer, o destilado de todos os erros, que a respeito da fé têm sido até hoje levantados, nunca poderia chegar a resultado mais completo do que alcançaram os modernistas. Tão longe se adiantaram eles, como já o notamos, que destruíram não só o catolicismo, mas qualquer outra religião. Com isto se explicam os aplausos do racionalistas; por isto aqueles dentre os racionalistas que falam mais clara e abertamente, se vangloriam de não ter aliados mais efetivos que os modernistas.” (Pascendi, n. 80)


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