Três meios para guardar a castidade com Maria e vencer o vício da impureza

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É rara a vitória sobre esse vício, como dissemos com Santo Agostinho no começo; mas por que rara? Porque não se aplicam os meios para vencê-lo. Três são os meios, como dizem os mestres espirituais com Belarmino: “Jejum, fuga dos perigos e oração”.

Por jejum se entende a mortificação, especialmente dos olhos e da gula. Maria Santíssima, embora fosse cheia da divina graça, ainda assim mortificou-se tanto com os olhos que os mantinha sempre abaixados e jamais os fixava em alguém, como dizem Santo Epifânio e São João Damasceno; e dizem que desde criança era ela tão modesta que causava pasmo a todos. E por isso nota São Lucas que ela, ao ir visitar Santa Isabel “foi-se com pressa”, para não ser vista em público. Quanto, ademais, à comida, conta Filiberto ter sido revelado a um eremita de nome Félix que Maria, quando bebê, tomava leite uma vez ao dia. E por toda a sua vida declara São Gregório de Tours que sempre jejuou; assevera São Boaventura: “Maria nunca haveria de encontrar tamanha graça se não fosse maximamente temperante quanto à comida, pois a graça e a gula não são compatíveis”. Em suma, em todas as coisas Maria mortificou-se, de modo que dela foi dito: As minhas mãos gotejaram mirra (Ct 5, 5).

O segundo meio é a fuga das ocasiões: Quem, portanto, evitar as redes estará seguro (Pr 11, 15). Donde dizia São Felipe Neri: “Na guerra contra os sentidos, vencem os medrosos, isto é, os que fogem à ocasião”. Maria evitava o quanto podia a vista dos homens, e por isso notou São Lucas que ela, na visita a Santa Isabel, “foi-se para as montanhas com pressa”. E repara um autor que a Virgem partiu da casa de Isabel antes que esta parisse, como se deduz do próprio Evangelho, onde se diz: Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa. Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho (Lc 1, 56-57). E por que não aguardou o parto? Para fugir das conversações e das visitas que ao parto deviam suceder naquela casa.

O terceiro meio é a oração. E como eu soube, diz o sábio, não podia ser continente sem que Deus o conceda… fui até o Senhor e lhe roguei (Sb 8, 21). E a Santíssima Virgem revelou a Santa Isabel, beneditina, que ela não possuiu nenhuma virtude senão pela fadiga e pela oração constante. Diz o Damasceno que Maria “é pura e da pureza amante”. Por isso não suporta impuros. Mas quem a ela recorre certamente será libertado desse vício apenas pronunciando com confiança seu nome. E dizia o Venerável João d’Ávila que muitos, tentados na castidade, pela mera afeição à Maria Imaculada venceram.

Ó Maria, ó puríssima pomba, quantos estão no inferno por esse vício! Senhora, livrai-nos dele; fazei com que nas tentações sempre recorramos a vós e vos invoquemos, dizendo: Maria, Maria, ajudai-nos.

LIGÓRIO, Santo Afonso Maria de. Glórias de Maria. Dois Irmão-RS: Minha Biblioteca Católica, 2018, pp. 378-379.


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