Conselhos de Santo Agostinho aos Leitores da Sagrada Escritura

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Em todos esses livros da Sagrada Escritura, os homens tementes a Deus, e apaziguados pela piedade, buscam a vontade de Deus.

A primeira observação a ser feita quanto a essa busca e empresa é, como já dissemos, tomar conhecimento dos Livros Santos. Se, a princípio, não se conseguir apreender o sentido todo, pelo menos se deve fazer a leitura e confiar à memória as santas palavras. De toda forma, nunca se deve ignorar por completo os Livros sagrados.

Em seguida, se há de verificar com grande cuidado e diligência os preceitos morais e as regras de fé que a Escritura propõe com clareza. Encontram-se tão mais abundantemente, quanto maior for a abertura do entendimento de quem busca, visto que nas passagens que a Escritura oferece com clareza encontram-se todos os preceitos referentes à fé e aos costumes, à esperança e à caridade, sobre os quais tratamos no primeiro livro.

Tendo então adquirido certa familiaridade com a linguagem das divinas Escrituras, devemos prosseguir examinando as passagens obscuras em vista de as esclarecer e explicar. Chega-se lá tomando exemplos de textos mais claros. Assim, o testemunho das sentenças de sentido certo fará desaparecer a dúvida das sentenças de sentido incerto. Em todo esse trabalho, a memória é de grande valor, pois, se ela faltar, não serão os preceitos [aqui mencionados] que a poderão despertar.

SANTO AGOSTINHO. A Doutrina Cristã. Livro Segundo, Capítulo 9.


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