Defesa dos tradicionalistas contra o Conde Loppeux

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Sumário. Resposta às acusações do Conde Loppeux: A Legítima Defesa dos Tradicionalistas. 1.ª Os tradicionalistas não contribuem para o crescimento da Igreja. Refutação: O ecumenismo modernista é que não só não contribui, antes o impossibilita de fato. 2.ª Os tradicionalistas são fariseus. Refutação. Os verdadeiros fariseus são os modernistas com suas tradições humanistas que falsificam o Evangelho de Cristo e a disciplina eclesiástica. 3.ª Os tradicionalistas fazem da Missa Tridentina uma refém de sua seita. Refutação: Ignorância histórica e cinismo neoconservador: sua seita é que baniu e desfigurou a Missa Tridentina. 4.ª Os tradicionalistas não sabem lidar com os problemas de nossa realidade concreta. Refutação: o senhor é que não sabe nem de doutrina, nem da realidade concreta de suas heresias.

O sr. Leonardo Oliveira, mais conhecido como Conde Loppeux, publicou um vídeo intitulado “Resposta a um fariseu e alguns problemas da Igreja” (https://www.youtube.com/watch?v=laWLu0Rizko), no qual ataca não somente a mim, Irmão Diogo Rafael Moreira (o “fariseu” em questão), mas também os tradicionalistas em geral. Pelo fato do ataque aos tradicionalistas ser a maior injustiça cometida por ele, injustiça da qual ele mesmo parece ter se dado conta mais tarde (https://www.youtube.com/watch?v=ao_poERTBAE – não, porém, sem acrescentar mais calúnias contra os tradicionalistas), convém proceder com a legítima defesa do tradicionalismo, palavra aqui usada unicamente por conveniência, para designar os católicos que seguem a fé, culto e disciplina pré-apostasia do Vaticano II.

1.ª Acusação: Os tradicionalistas não contribuem para o crescimento da Igreja.

Segundo o Conde, o tradicionalismo é um gueto que leva a refletir sobre o fato de perdermos fiéis, porque no tocante ao crescimento da Igreja, eles são piores que os carismáticos e às vezes piores que os adeptos da Teologia da Libertação. Ele observa que os tradicionalistas dificilmente crescem: eles são “uma patota”. Uma “patota” que afasta qualquer pessoa da Igreja.

Essa, portanto, é a primeira acusação. Os tradicionalistas não convertem as pessoas, não levam ao crescimento da Igreja.

Contudo, na verdade, a realidade concreta diz o contrário. A Renovação Carismática e a Teologia da Libertação (para se limitar aos grupos mencionados por ele), na melhor das hipóteses, “administram” os fiéis que ficam na Igreja pós-conciliar. E isso não poderia ser diferente, porque o ecumenismo modernista que a move, não serve para converter nada, nem ninguém. O crescimento da Igreja mediante conversões seria certamente um “pecado contra o ecumenismo” – isto é, um pecado contra a ordem naturalista judeo-maçônica preparada da parte dos modernistas pela disseminação de um culto ao homem (Paulo VI-Bento XVI) e à natureza (Francisco). Esse pensamento anti-proselitismo, fundado no falso misticismo modernista condenado na Pascendi, que já aparece bem-definido em documentos como a Unitatis Redintegratio, a Ut Unum Sint e o Diretório Ecumênico, foi exposto claramente por Francisco em alocução aos seminaristas, religiosos e fiéis da Georgia, ao 1.º de outubro de 2016:

“O que devo eu fazer com um amigo, um vizinho ortodoxo? Ser aberto, ser um amigo. Devo esforçar-me para convertê-lo? Há um grave pecado contra o ecumenismo: o proselitismo. Jamais se deve fazer proselitismo contra os ortodoxos. Eles são nossos irmãos e irmãs, discípulos de Jesus Cristo!”

Uma Igreja que não faz proselitismo, isto é, que não convence os outros da verdade de sua fé, não pode crescer, nem frear a onda de naturalismo que permeia hoje a vida individual, familiar e social. E esse é precisamente o problema da seita modernista pós-conciliar.

Recentemente, um rapaz, ex-protestante, disse-me que o que o manteve por 10 anos no protestantismo foram os falsos ensinamentos modernistas. Uma vez que entrou em contato com o trabalho do Controvérsia Católica, que não é senão o trabalho dos tradicionalistas em defesa da fé, ele se converteu à religião verdadeira.

“Boa tarde, irmão Diogo. Admirável o trabalho de vocês. Fui evangélico por 10 anos e é por culpa das mentiras no seio da Igreja que pessoas sinceras aos ensinamentos de Cristo tenham um conhecimento deturpado sobre a fé católica. Se eu tivesse as informações de hoje, jamais seria protestante.”

Esse testemunho simplesmente revela que, se as pessoas hoje não se convertem ao catolicismo como deveriam, isso não ocorre por deficiência dos tradicionalistas, que de fato convertem as pessoas à religião de Jesus Cristo, mas sim por culpa do ecumenismo modernista.

Se procuramos saber quem começou com esse projeto de sabotagem da religião católica mediante o ecumenismo de raiz modernista e naturalista, facilmente chegaremos ao nome de João XXIII. No início dos anos setenta em sua obra Sede Vacante, o Padre Sáenz y Arriaga, com grande pesar, cita uma carta de um protestante que tinha desistido de sua conversão por conta do ecumenismo de João XXIII. Ouçamos o que ele tem a dizer:

“Poderia esperar-se que nós, os protestantes, que cremos implicitamente em Cristo e na grande mensagem fundamental de seu Evangelho, estaríamos contentes pelo compromisso dos católicos romanos com o protestantismo, simbolizado pela Conferencia Ecumênica. Tal não é o caso. Pelo contrário, estamos angustiados. Nos últimos anos o protestantismo tornou-se tão corrompido que parecia que havia se desenvolvido no mundo uma tendência por parte dos protestantes desiludidos para ceder à mensagem conservadora dos evangelistas paulinos. Até mesmo os protestantes dogmáticos não podiam acreditar que a Igreja Romana permitiria infiltrar-se no modernismo, no ceticismo, na subversão, na perversão e na distração.

“Sob o reinado do Papa João XXIII, os protestantes conservadores detectaram uma dissipação da doutrina cristã tradicional dentro da Igreja Romana. Eles testemunharam o convite do Papa João aos líderes comunistas da Rússia, incluindo a filha e o genro de Kruschev. Eles testemunharam os incentivos assombrosos e os estímulos repulsivos oferecidos aos inimigos de Cristo, os judeus. Eles viram líderes protestantes serem recebidos no Vaticano, os mesmos que estiveram encorajando e preparando a apostasia, a perda da fé e o comunismo.

“Estas e outras circunstâncias fizeram com que os protestantes com potencial para conversão à fé católica voltassem atrás ou se arrependessem, porque perceberam que as mesmas forças diluidoras e adulteradoras que haviam corrompido o protestantismo estavam em ação dentro da Igreja Católica. Em anos passados, os dogmas descompromissados da Igreja Católica sugeriam até mesmo às mentes subconscientes dos protestantes que havia neste mundo uma santa preservação da perene fé, que nenhuma força estranha poderia diluir ou adulterar. Essa atitude foi prejudicada por eventos recentes relacionados ao que parece ser o comprometido progressismo dentro da Igreja.

“Quando eu vi que a Conferencia Ecumênica organizada pelo Papa abrira as suas portas aos líderes protestantes, eu sofri – não por causa dos protestantes, mas por causa dos católicos, porque o protestantismo oficial nas Américas e no mundo é agora controlado pelos judeus, infiltrado pelo comunismo e influenciado pelo materialismo.

“O protestantismo é controlado em grande parte por episcopalianos, presbiterianos e metodistas. Essas burocracias religiosas e oficiais são pró-Moscou, socialistas e, na prática, renunciaram à doutrina da salvação pelo Sangue de Cristo e substituíram o Evangelho de Cristo pelo evangelho social; e quando vi essa apostasia materialista, controlada por judeus, sendo colocada sobre os altares do catolicismo, eu disse dentro da minha alma: ‘A Igreja Católica está sendo envenenada com a cicuta da heresia, criada pelos judeus’.”

(https://controversiacatolica.com/2018/08/27/joao-batista-montini-nao-e-um-verdadeiro-e-legitimo-papa/)

A primeira acusação, portanto, é falsa e bem revela a natureza neoconservadora do sr. Conde. Em vez de combater o jacobinismo modernista e tornar ao Antigo Regime, a Aliança de Cristo com os homens em sua Igreja, o infeliz Leonardo Oliveira joga a culpa naqueles que realmente fazem algo pela Igreja, ao passo que escusa e até lisonjeia os verdadeiros culpados pelo desastre pós-conciliar.

2.ª Acusação: Os tradicionalistas são fariseus.

Não menos falsa é a segunda, que tenta ser a justificação da primeira. Segundo o Conde, a Igreja cresce mais com os carismáticos, porque eles são pessoas mais acessíveis e produtivas, com todos os defeitos que o carismatismo tem. Já os tradicionalistas se acham os bons e os salvos, ao passo que os demais são os “sujinhos” – ainda que mais tarde vá dizer que eles tentam converter os pobres etc. (vê-se aqui e no curso de todo o vídeo que ele não é amigo da lógica). Os tradicionalistas são, diz ele, os fariseus condenados no Evangelho segundo São Lucas na parábola do fariseu e do publicano. Gabam-se de sua superioridade moral, mas nada fazem de concreto. Ele chega ao ponto de dizer que raramente encontrou por metro quadrado um maior número de gente ruim do que essas pessoas que vão à Missa Tridentina: gente hipócrita, falsa, canalha, fofoqueira etc.

Ataques pessoais, simplesmente ataques pessoais. Não espere o leitor que o sr. Leonardo Oliveira desça à realidade concreta desses grupos: como bom neoconservador, ele está disposto a tratar os modernistas à pão de ló, mas será duro com aqueles que esforçam-se por observar os ensinamentos e práticas da Santa Igreja Católica, tal como ela ensina em seus catecismos, sermões e documentos pontifícios.

Tudo isso é qualificado como farisaísmo. E, no entanto, eu posso atestar que somente comecei a progredir de verdade na vida espiritual no momento em que comecei a me imbuir dos ensinamentos e práticas espalhados pelos tradicionalistas. Fariseu eu era antes, que adorava o Senhor com os lábios, mas que, instruído pelo verdadeiro farisaísmo modernista, não submetia minha inteligência e vontade a Deus, já que as tradições humanistas destes fariseus modernistas vinham em tempo para atrapalhar e desaconselhar a observância fiel e feliz dos ensinamentos de Cristo.

Aqui a minha palavra tem pelo menos o mesmo peso da do Conde, senão superior. Sei bem do que estou falando. Fui seminarista diocesano por quatro anos, estive envolvido nas pastorais, conheço bem a Renovação Carismática e o Movimento dos Focolares, estudei filosofia em Seminário Inter-Diocesano, tendo conhecimento também do que se passava em outras dioceses, esforcei-me para ser “ministro da palavra”, “ministro da eucaristia”, “catequista da comunidade” e já fui também um “leigo normal”, como o sr. Leonardo Oliveira parece tentar ser. Sei que todas essas coisas, em face da vida que levo hoje (sei que os que me conhecem hão de convir comigo), são perda de tempo e ilusão.

Quando mais para frente no vídeo, ele vai dizer que os tradicionalistas são ricos, usando perfumes de quinhentos reais, e não tem contato com os pobres, não posso deixar de olhar para a realidade concreta de que essa afirmação emana de uma pessoa sentada em uma cadeira, que nada sabe sobre mim, o Seminário São José e as atividades de nossos religiosos e sacerdotes. Não se deve um cristão gloriar senão de suas fraquezas e aqui glorio-me com meus irmãos de nossa condição humilde, de nossa vida entregue nas mãos da Providência Divina, e de nossas fadigas em benefício de todos os cristãos, inclusive dos pobres, ainda que no meio de doença e falta de recursos. Não somos patrocinados pela sinagoga modernista, pela loja maçônica pós-conciliar; e ainda assim muito podemos nos gloriar em nossas fraquezas. Graças a Deus, saímos da cadeira e pusemo-nos a trabalhar. Os frutos estão aí para quem quiser ver, infelizmente o sr. Leonardo Oliveira não parece ser um dos interessados. Em geral, os que vieram e viram, não só se admiraram, mas puseram-se a trabalhar conosco para a maior glória de Deus e salvação das almas.

3.ª Acusação: Os tradicionalistas estão tornando a Missa Tridentina refém de sua seita.

Ele ainda diz que o pior é que Missa Tridentina acabou “se tornando refém desses grupelhos que se acham mais ortodoxos que o Papa”. Pois bem. Aqui não se sabe o que mas lamentar, se é a ignorância do historiador, ou o cinismo do neoconservador. Se o negócio fosse mesmo seguir a ortodoxia de Paulo VI e dos heresiarcas do modernismo, então é evidente que não haveria senão a “Missa” protestantizada do maçom Bugnini, pois Paulo VI deliberou suprimir o rito tridentino (cf. A Armadilha do Motu Proprio, https://controversiacatolica.com/2019/07/13/a-armadilha-da-missa-do-motu-proprio/). Sei da história de muitos padres que foram expulsos de suas paróquias por simplesmente terem o desejo de continuar celebrando o rito tridentino.

Por cerca de quinze anos, foram esses padres desprezados que mantiveram a celebração da Missa de sempre. Eles simplesmente mantiveram o que os modernistas tinham jogado fora com base em ideias heréticas sobre a Missa, a Presença Real, o Sacerdócio, a Participação dos Fiéis, a “Liturgia Primitiva” etc. A intenção não era o monopólio sectário, mas a preservação da liturgia católica contra o monstrengo recém-fabricado do ecumenismo modernista.

Depois os modernistas gradualmente permitiram de novo a Missa Tridentina, mas sob condições tais que legitimassem os seus erros contra a fé e a moral católica. O Conde, porém, parece ter esquecido dessa história, o que é indício de uma mente leviana e superficial. Quem realmente sabe o que aconteceu, entende que a Missa Tridentina sempre foi um patrimônio comum dos católicos, testemunho público de nossa fé, desprezado no princípio e enfim desfigurado pelos modernistas (mudança da oração pelos judeus, padres inválidos, incentivo ao bi-ritualismo etc.) para mais facilmente conduzir os neoconservadores para longe de uma profissão íntegra e sem compromissos da fé católica.

4.ª Acusação: Os tradicionalistas em particular e a Igreja em geral não está sabendo lidar com os problemas de nossa realidade concreta.

Aqui, por fim, chegamos no xis da questão, isto é, aos problemas da Igreja. Essa acusação engloba todos os “grupos” e “movimentos” em uma concepção ecumênica de Igreja, própria de um neoconservador. Contudo, aplica-se sobretudo aos vilões da história, os tradicionalistas.

Com efeito, na cabeça do sr. Leonardo Oliveira, os tradicionalistas são românticos, que tentam fazer uma reprodução mitificada do passado, vivem numa espécie de bolha que, quem sabe, só vai estourar no dia em que visitarem uma favela. Eles não se deixam guiar pela sabedoria das Encíclicas, eles querem que pessoas pobres tenham muitos filhos e que todos assistam à Missa Tridentina, quando hoje as pessoas mal sabem o português.

É inevitável observar que o homem que no final vai completar o aseu discurso dizendo que não se deve sacrificar os princípios da doutrina em nossa adaptação à realidade concreta e que acaba de dizer que cumpre guiar-se pela sabedoria das Encíclicas, não perde tempo em passar por cima de tudo isso no tocante aos fins primários do matrimônio (geração e criação da prole) e da Missa como sacrifício propiciatório e satisfativo, ignorando os sábios ensinamentos da Casti Connubii e do Concílio de Trento. A verdade é que ele sacrificou-as porque aceita as inovações da Gaudium et Spes e da Instrução Geral da Missa Nova, que rechaçam ou diminuem a perder de vista cada uma delas respectivamente. Eis aqui mais uma evidência de que o sr. Leonardo Oliveira é simplesmente um modernista neoconservador da seita Novus Ordo.

Os tradicionalistas não seguem o caminho largo e compromissado do Conde Loppeux. Não por nada pessoal, mas é que a caridade que se deve a Deus nos obriga todos a seguir a porta estreita e é comprovado pela vida dos Santos que essa estrada real da Santa Cruz – essa que é loucura para o mundo, mas sabedoria para Deus – é a única que leva para o Céu e que traz a felicidade certa e verdadeira aos indivíduos e à sociedade inteira. Essa resignação aos ensinamentos tradicionais da Igreja, longe de nos diminuir ou tornar irrelevantes, coopera para o crescimento da Igreja e santifica o mundo ao nosso redor. É por isso que os católicos tradicionais e somente eles são o sal e a luz do mundo. O que nos fortalece é o que nos distingue, e o que nos distingue é o que nos une a Deus em caridade: caridade atestada por nossa fidelidade aos ensinamentos transmitidos por Cristo a seus Santos Apóstolos.


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