Protestantismo Desmascarado: Tirando dos “crentes” a máscara da fidelidade à Bíblia e a Jesus Cristo

Compartilhar controvérsia

PROTESTANTISMO DESMASCARADO

TIRANDO DOS “CRENTES” A MÁSCARA DE FIDELIDADE À BÍBLIA E A JESUS CRISTO

Por protestantismo se entende o conjunto de grupos sectários que agem em oposição e protesto à Igreja Católica, em virtude de sua adesão aos princípios da Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solo Christo e Soli Deo Gloria.

Fala-se no conjunto de grupos sectários que agem em oposição e protesto à Igreja Católica, porque os protestantes são dissidentes da Igreja Católica: sua origem remonta à Europa do século XVI. Seus fundadores, Lutero, Melanchton, Calvino, Zurgílio entre outros, eram católicos até o momento que resolveram protestar, isto é, deixar de ensinar o catecismo que aprenderam e rezar a Missa que até ontem diziam.

Fala-se que assim agem em virtude de sua adesão aos princípios…, primeiro porque os protestantes não possuem em comum algum credo definido, mas apenas certos princípios que, por sua própria natureza, em vez de produzir a unidade entre eles, constitui a causa mesma de sua divisão em milhares e milhares de denominações; segundo, porque, por mais vago e indefinido que possa ser o credo do protestante individual, ele sempre se baseia em alguns princípios fundamentais, todos possuindo uma opinião essencialmente comum sobre as fontes da fé (Sola Scriptura), o meio de justificação (Sola Fide e Sola Gratia) e a constituição da Igreja de Cristo (Solo Christo e, analogamente, Soli Deo gloria).

Philip Schaff, uma reconhecida autoridade protestante (em “The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge”, v. Reformation), resume os princípios do protestantismo da seguinte maneira:

“O protestante busca instrução diretamente na Palavra de Deus, e procura o trono da graça em suas devoções; ao passo que o católico romano consulta o ensinamento de sua igreja, e prefere oferecer suas orações através da Virgem Maria e dos Santos.”

“Desse princípio geral da liberdade evangélica, e da relação direta do crente com Cristo, procedem as três doutrinas fundamentais do protestantismo – a supremacia absoluta (1) da Palavra [Sola Scriptura], (2) da graça de Cristo [Sola fide, Sola gratia] e (3) do sacerdócio geral dos crentes [Solo Christo, Soli Deo gloria].”

SOLA SCRIPTURA

Os protestantes procuram provar as duas últimas por meio da Sagrada Escritura e somente por meio da Sagrada Escritura é que aceitam ou rejeitam uma doutrina, prática ritual ou disciplina historicamente aceita ou rejeitada pela Igreja Católica.

É por esse motivo que se pode chamar sua adesão à Escritura somente (Sola Scriptura) como o princípio objetivo do protestantismo, já que ele é utilizado como princípio de todas as doutrinas e observâncias de ordem litúrgica ou disciplinar que surgem em seu seio: é por meio dela que o batista somente batiza os crentes adultos, que o adventista diz que se deve observar o sábado em vez do domingo e que o neopentecostal fala da experiência direta com o Espírito Santo quase como se fosse algum tipo de sacramento.

Em geral, porém, todos os protestantes estão unidos na rejeição das seguintes doutrinas católicas: a autoridade do Papa, o mérito das boas obras, as indulgências, o culto da Santíssima Virgem, dos Santos e de suas relíquias, os Sacramentos (exceto o Batismo e a Eucaristia), o dogma da transubstanciação e o sacrifício da Missa, as orações pelos mortos, a confissão auricular, o celibato sacerdotal, o sistema monástico e o uso da língua latina no culto público, que foi substituído pelas línguas vernáculas.

SOLA FIDE E SOLA GRATIA

O princípio subjetivo do protestantismo é sua teoria da justificação, a qual diz que nos justificamos pela graça e somos justificados pela fé: sola gratia justificamus et sola fide justificamur (Melanchthon). Segundo ela, o pecador se apropria da sua salvação aceitando a Jesus Cristo como seu único Salvador (um ato de fé fiducial da parte do homem – Sola Fide), essa fé em Cristo é mera apropriação, pois o que lhe concede o perdão dos pecados é a declaração do Pai que o julga inocente em consideração dos méritos de Cristo (graça da parte de Deus – Sola Gratia). Por conseguinte, tanto o assentimento meritório a um conjunto de verdades reveladas quanto a prática meritória de boas obras estão fora do processo da justificação.

Aliás, por esse abismo entre o ato de fé e qualquer mérito do homem, a justificação protestante foi chamada por vezes de justificação forense, pois Deus declara-nos justos, como um juiz em um tribunal, não por uma razão intrínseca (por dentro ainda somos pecadores), mas simplesmente nos declara tais pela mediação de Cristo. Justificado por Cristo, repito, o pecador não se torna justo em si mesmo; não, ele continua pecador e somente se pode salvar por causa de sua fé em Cristo. Donde a máxima de Lutero: simul justus et pecator, ao mesmo tempo justo e pecador, justo porque Deus não vê mais nossas faltas por causa dos méritos do Salvador; pecador, porque nossas faltas ainda existem. É muito importante compreender bem esse ponto, Lutero elucidava-o com o exemplo de que, depois da justificação, somos como esterco cobertos de neve: nós somos o esterco, a graça de Cristo é a neve. Fica assim evidente que no protestantismo a justificação e a santificação são coisas bem distintas e, em um certo sentido, incompatíveis entre si.

SOLO CHRISTO E SOLI DEO GLORIA

Estes dois últimos princípios do protestantismo são uma consequência dos anteriores e, de algum modo, podem ser reduzidos a eles. Eles implicam na afirmação de Cristo como o único Mediador entre o fiel e Deus e, portanto, rejeitam tanto o sacerdócio hierárquico existente na Igreja Católica (Solo Christo) quanto o culto público à Santíssima Virgem, aos Santos e suas relíquias (Soli Deo gloria).

Com efeito, se por um simples ato de fé se obtém a graça e com ela a salvação, não há razão para ter quaisquer intermediários neste e no outro mundo. Ademais, considerando que na visão protestante todo o ser humano está irremediavelmente corrompido depois do pecado original, não existe verdadeira santidade entre os homens, logo não há motivo para buscá-la junto dos sacerdotes e dos santos.

De um ângulo mais positivo, não tanto olhando para a mediação absoluta de Cristo e para a corrupção absoluta do homem, mas enfatizando o papel direto e imediato que cada crente possui no processo de sua justificação, tem-se aí o sacerdócio dos crentes. É, no entanto, outra maneira de dizer a mesma coisa: se todos somos sacerdotes, então ninguém realmente o é, logo nem há sacerdócio hierárquico, nem há motivo algum para procurar quem, afinal, não é muito melhor do que nós mesmos.

Em suma, esses são os princípios do protestantismo. Convém agora proceder com uma breve refutação de cada um deles.

REFUTAÇÃO DA SOLA SCRIPTURA

A crença na Bíblia como única fonte de fé carece de fundamento histórico e lógico, assim como é fatal para a virtude da fé e destrói a unidade.

Carece de fundamento histórico, pois é um fato que Deus se serviu de homens não só para escrever as Sagradas Escrituras, mas também e sobretudo para transmitir as verdades da fé pela pregação, falando aos homens com a autoridade daqueles que fazem às vezes de Deus.

Os primeiros cristãos acreditavam nas palavras dos Apóstolos, porque estes eram enviados de Cristo, não porque tinham escrito alguma coisa. O que valeu para aqueles tempos, também vale para os nossos. Não é lendo a Bíblia por nossa conta, mas é pela autoridade do pregador que acreditamos. A Sagrada Escritura é bastante clara quanto a isso: “Por isso é que nós também damos sem cessar graças a Deus: Porque quando ouvindo-nos recebestes de nós outros a palavra de Deus, vós a recebestes não como palavra de homens, mas (segundo é verdade) como palavra de Deus, o qual obra em vós, os que crestes.” (1Ts 2, 13). “E assim, irmãos, estai firmes: e conservai as tradições que aprendestes, ou de palavra ou por carta nossa.” (2Ts 2, 14). “E guardando o que ouviste de minha boca diante de muitas testemunhas, entrega-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir também a outros.” (1 Tm 2, 2)

Comentando esta última passagem, “entrega-o a homens fiéis”, comenta-se o seguinte na nota-de-rodapé da Bíblia do Padre Figueiredo, edição do Ano Santo de 1950:

“Deste verso se colhe com toda a evidência, que afora as coisas que os Apóstolos deixaram por escrito e que hoje lemos nas suas epístolas, ensinavam eles outras muitas pertencentes à fé e aos costumes, instruindo nelas de viva voz aos primeiros bispos, e mandando que estes as comunicassem a outros de igual fidelidade, para deste modo ir passando de mão em mão o sagrado depósito da doutrina evangélica, e conservando-se sucessivamente no corpo dos pastores eclesiásticos até ao fim do mundo, sem interrupção nem alteração no que toca à substância dos dogmas e da moral cristã. Nesta classe de doutrinas, comunicadas de palavra pelos Apóstolos aos primeiros sucessores, devemos ter por certo que entravam muitos pertencentes à genuína inteligência das Escrituras, às matérias e formas dos sacramentos, e ao uso de certos ritos na administração dos mesmos sacramentos. E como se não pode também duvidar que o que os Apóstolos, como primeiros mestres da igreja, depois de Cristo, ensinavam aos bispos que lhes haviam de suceder, era por revelação e inspiração divina, que para isso tinham, segue-se daqui que as tradições que eles nos deixaram sobre o dogma ou sobre a moral, devem ter tanta força para obrigarem a nossa fé, como a têm os seus escritos. E isto é o que justamente definiu o sagrado concilio de Trento, na sessão 4, contra os modernos hereges, que só admitiam por regra da fé as Escrituras, com exclusão de tudo o que não constasse delas expressamente. Neste ponto da autoridade das tradições, é especialmente digno de sé ler o que escreve Mr. d’Argentré nos seus Elementos Teológicos.” (volume 12, p. 180).

Segundo, carece de toda lógica basear a fé na interpretação pessoal da Sagrada Escritura, pois enquanto a fé é um ato de submissão ou assentimento ao juízo ou testemunho alheio, a interpretação da Bíblia é um ato de juízo da pessoa que lê. No caso da fé pelo ouvido, a última palavra é a do mestre que ensina; no caso da fé pelo juízo privado, a última palavra fica com o leitor, que submete o texto da Escritura a como que um exame póstumo e dá a sentença final sem nenhum apelo: ele crê em si, em vez de crer em uma autoridade superior.

Terceiro, como um primeiro corolário do sobredito, a interpretação privada da Sagrada Escritura é fatal para a virtude sobrenatural da fé, pois quem não ouve a Igreja, mas somente ao seu próprio juízo, não deve ser tido senão como um pagão e publicano (Mt 18, 15-17) e, segundo o Apóstolo, quem não se submete às tradições apostólicas ensinadas por aqueles que são enviados por Deus já está condenado pelo seu próprio juízo: “Foge do homem herege… sabendo que o que é tal está pervertido e peca, sendo condenado pelo seu próprio juízo.” (Tt 3, 10) “E assim repreendei aos que estão já julgados.” (Jd 23). Sobre essa passagem da Epístola de São Judas, eis o comentário da Bíblia do Ano Santo de 1950:

“A Vulgata distingue três gêneros de pessoas: os primeiros são os que pela obstinação em seus erros e desordens levam sobre a fronte o decreto da sua condenação, e estão já condenados pelo seu próprio juízo. Ad Tit 3, 2. A estes repreendei-os com fôrça e sem rebuço, com o fim de descobrir os seus erros, para que os outros se guardem. Os segundos são os que miseravelmente se têm deixado enganar pelos hereges, a estes deveis trabalhar para tirar quanto antes do seu estado funesto, como se estivessem no meio das chamas. Os terceiros são os que mostram dor da sua queda, a estes tirai-os com toda a suavidade e ternura, fazendo a reflexão de que o que lhes sucedeu vos pode também acontecer a vós…” (volume 12, p. 365).

Quarto, como um segundo corolário do que se disse sobre o juízo privado, a fé protestante, fundada em especulações do indivíduo sobre a Bíblia, não é capaz de produzir a unidade de pensamento e ação próprias da religião de Jesus Cristo. Como não há uma autoridade estabelecida, entregues ao juízo privado de cada um, não só as denominações protestantes não concordam entre si, mas dentro das próprias denominações há divergências teológicas graves. Essas divisões se devem ao orgulho do intelecto privado e elas não podem ser vencidas senão pela humilde submissão à autoridade divina.

REFUTAÇÃO DA SOLA FIDE E SOLA GRATIA

O problema da Sola Fide e Sola Gratia protestante é duplo: primeiro reside no próprio conceito de fé, que não é mais o conceito da Bíblia e da Tradição Apostólica, ainda conservado na igreja Católica, mas uma noção peculiar ao século XVI que reduz o ato de fé à fidúcia, isto é, confiança na justificação de si mesmo; segundo, no conceito mesmo de justificação sem obras, uma noção, de uma só vez contrária à doutrina de São Paulo, São Tiago, São João e certamente do mesmo nosso Senhor Jesus Cristo.

A. A FÉ COMO ASSENTIMENTO DA INTELIGÊNCIA À REVELAÇÃO DIVINA

Do ponto de vista meramente conceitual, o primeiro problema, o conceito de fé fiducial, já é uma bagunça: pela sua natureza de confiança, pouco se distingue do virtude da esperança, transferindo então para um ato da vontade, o que deveria ser um ato do intelecto. Ademais, por ter como objeto unicamente o fato de Cristo nos ter redimido na Cruz, ele se afasta do conceito de fé como firme adesão a um complexo de verdades reveladas necessárias à salvação.

Que essa posição de fé como fé em sua própria salvação carece de respaldo bíblico, fica evidente pelo seguinte:

Primeiro, a passagem geralmente utilizada como prova da justificação somente pela fé, “concluímos pois que o homem é justificado somente pela fé, sem as obras de lei” (Rm 3, 28), refere-se à fé como crença em tudo o que Deus disse, seja o que for, deixa-o para além de toda dúvida o exemplo dado por São Paulo: o patriarca Abraão. Queria assim indicar o Apóstolo que antes do estabelecimento da lei da circuncisão, pela crença de Abraão no que Deus lhe revelou – a saber, que ele “seria o pai de muitas nações” – este tinha sido justificado (Rm 4, 13ss). Não se tratava, então, de uma confiança na própria salvação, mas de uma crença em tudo o que Deus revelou, uma adesão intelectual às verdades de fé reveladas pelo próprio Deus.

Segundo, quando São Paulo associa a fé como o dogma da Ressurreição, igualmente se entende fé não como fidúcia ou confiança na salvação pessoal, mas um assentimento da inteligência ao que Deus revelou: “Porque se confessares com a tua boca ao Senhor Jesus, e creres no teu coração que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para alcançar a justiça: Mas com a boca se faz a confissão para conseguir a salvação. Porque, diz a Escritura: Todo o que crê nele, não será confundido.” (Rm 10, 9-11). “E se Cristo não ressuscitou, é logo vã a nossa pregação, é também vã à vossa fé. E somos assim mesmo convencidos por falsas testemunhas de Deus: Porque damos testemunho contra Deus, dizendo que ressuscitou a Cristo, ao qual não ressuscitou, se os mortos não ressuscitam.” (1Cor 15, 14-15).

Terceiro, o mesmo se depreende da afirmação de São Paulo de que o mínimo necessário para salvar-se é crer em dois dogmas: “Assim que sem fé é impossível agradar a Deus. Porquanto é necessário que o que chega a Deus creia que há Deus, e que é remunerador dos que o buscam.” (Hb 11, 6).

Quarto, o próprio Redentor fez a crença no ensinamento do Evangelho necessária à salvação: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo. pregai o Evangelho a toda a criatura. O que crer e for batizado, será salvo: o que porém não crer, será condenado.” (Mc 16, 15-16).

Quinto, em conformidade com a vontade do Divino Redentor, São João diz que compôs o seu Evangelho para levar a crença em Jesus como o filho de Deus e liga a essa fé a posse da vida eterna: “Outros muitos prodígios ainda fez também Jesus em presença de seus discípulos, que não foram escritos neste livro. Mas foram escritos estes, a fim de que vós creiais que Jesus é o Cristo, filho de Deus: E de que crendo-o assim, tenhais a vida em seu nome.” (Jo 20, 30-31).

B. A NECESSIDADE DAS BOAS OBRAS

Outro aspecto sem base bíblica do Sola Fide e Sola Gratia protestante é a noção de que a fé fiducial exclui a necessidade de boas obras como meio de salvação. Historicamente, como se provou em diversos lugares, essa noção é uma invenção de Lutero, o qual foi movido a tanto por uma perturbação existencial – a necessidade de livrar-se do pensamento desesperador de que já estava condenado -, que, por sua vez, moveu-o a excluir da Bíblia a Epístola de São Tiago (hoje unanimemente aceita pelos protestantes), rotulando-a de epístola de palha, e a acrescentar o “somente” em Romanos 3, 28.

Essa falsificação trai o espírito de São Paulo que não só jamais ensinou que somos justificados somente pela fé, mas que no dito versículo trata da fé sobrenatural não como oposta ao cumprimento dos mandamentos de Cristo, mas sim como superior aos preceitos da lei mosaica, tais como a circuncisão e observância do sábado: todas superadas pela promulgação da Nova Aliança. Descontextualizar a passagem é inaceitável e de nenhum modo concorda com a doutrina bíblica, pois:

Primeiro, a fé somente não é suficiente para a salvação. Nenhum protestante negará que São Paulo possuía a fé fiducial de Lutero e, no entanto, o mesmo escreveu: “Isto finalmente vos digo, irmãos: O tempo é breve; o que resta é que, não só os que têm mulheres, sejam como se a não tivessem; mas também os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não usassem; porque a figura deste mundo passa… Não sabeis que os que correm no estádio, correm, sim, todos, mas um só é que leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele, que tem de contender, de tudo se abstém, e aquele certamente para alcançar uma coroa incorruptível; nós porém uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como à coisa incerta; assim pelejo, não como quem açoita o ar; mas castigo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que não suceda que, havendo pregado aos outros, venha eu mesmo a ser reprovado.” (1Cor 8, 29-31; 9, 24-27). “Porque se vós viverdes segundo a carne, morrereis, mas se vós, pelo espírito, fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.” (Rom. 8, 13). Portanto, a fé sem obras de mortificação e penitência não salva ninguém.

Segundo, São Paulo exalta a caridade e deixa claro que fé sem a esperança e a caridade é coisa vã: “Agora pois permanecem a fé, a esperança e a caridade; porém a maior delas é a caridade.” (1 Cor 13, 13). “Ora o fim do preceito é a caridade nascida de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.” (1Tm 1,5). “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão vale alguma coisa, nem o prepúcio, mas sim a fé que obra por caridade.” (Gal 5, 6).

Terceiro, evidentemente, para o desgosto de Lutero, quem ensinou a doutrina das boas obras mais aberta e enfaticamente foi São Tiago, que escreveu: “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Poderá logo algum dizer: tu tens a fé e eu tenho as obras; mostra-me tu a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um só Deus. Fizeste bem, mas também os demônio o creem, e estremecem. Queres, pois, tu saber, ó homem vão, que a fé sem obras é morta? Não é assim que nosso pai Abraão foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? Não vês como a fé acompanhava as suas obras, e que a fé foi consumada pelas obras? E se cumpriu a Escritura, que diz: Abraão creu a Deus, e lhe foi imputado a justiça, e foi chamado amigo de Deus. Não vedes como pelas obras é justificado o homem, e não pela fé somente?” (Tg 2, 17-24).

Quarto, concorda com ele o Apóstolo São João: “Aquele que não ama permanece na morte.” (1Jo 3, 14).

Quinto, por último e para naturalmente encerrar qualquer discussão que teime em sustentar o insustentável, eis que Nosso Senhor responde ao jovem que desejava se salvar: “Se tu queres entrar na vida, guarda os mandamentos.” (Mt 19, 17). E, de fato, no dia do Juízo não pedirá o Senhor conta de nossa fé, pois o que não crê já está condenado (Mc 16, 16; Tt 3, 10), mas pedirá sim conta de nossas obras (Mt 25, 31-46). Por isso é que o que crê nas palavras de Cristo, mas não as põe em prática, é semelhante ao homem que edifica sua casa sobre a areia e assim procedendo, na verdade, prepara sua própria ruína (Mt 7, 26-27).

REFUTAÇÃO DO SOLO CHRISTO E SOLI DEO GLORIA

Além de derivar das duas premissas falsas enunciadas acima, o sacerdócio universal dos crentes é contrário à Sagrada Escritura. A doutrina protestante é que os clérigos tenham sido originalmente representantes do povo, derivando todo o seu poder dele e somente fazendo, por motivos de ordem ou conveniência, o que qualquer leigo poderia fazer também. É uma noção democrática da religião, muito próxima ao republicanismo dos tempos modernos.

Em última análise, se verdadeira, essa teoria significa que houve uma usurpação por parte dos clérigos tanto dos poderes do povo, quanto dos poderes divinos: assim o ensino infalível das verdades reveladas, o sacrifício do Calvário que se dá no Santo Sacrifício da Missa, o perdão dos pecados e a jurisdição autoritativa sobre os fiéis, com o poder de aplicar penas e anatematizar, seriam os principais exemplos de como os sacerdotes assumiram para si o que convém unicamente a Deus. Analogamente, o culto à Santíssima Virgem, aos Santos e às relíquias teriam feito o mesmo e seriam um motivo a mais para desprezar de uma vez por todas o sacerdócio católico.

Entretanto, essa teoria é contrária à doutrina da Sagrada Escritura:

Primeiro, já na profecia de Isaías sobre o reino messiânico, fala-se claramente da eleição de sacerdotes tomados de entre os gentios como uma característica da Igreja: “E eu escolherei dentre eles para sacerdotes, e levitas, diz o Senhor.” (Isaías 66, 21). Assim se lê na nota-de-rodapé da Bíblia do Ano Santo de 1950:

“O Senhor escolherá os seus sacerdotes e os seus levitas dentre os mesmos estrangeiros, que ele tiver convertido à fé, e trazido à sua Igreja. Em vão trabalha o judeu incrédulo, por iludir uma profecia tão clara, pela ab-rogação do sacerdócio da lei mosaica, e sucessão do sacerdócio da lei Cristã, verificada efetivamente há quase dezoito séculos a esta parte. Esta profecia refere-se claramente ao sacerdócio católico.” (volume 7, p. 196).

Segundo, a Escritura acrescenta que esse sacerdócio dos gentios convertidos à fé oferecerá a Deus, do nascer ao pôr do sol, um sacrifício puro (Mal. 1, 11), que era figurado na Antiga Lei pelo sacerdócio de Aarão e especialmente pelo sacrifício de Melquisedeque (Gn 14, 18ss), figura do sacrifício de Cristo (Sl 109, 4; Hb 5, 5ss; 7, 1 ss), referindo-se profeticamente não só à Última Ceia, mas também à sua contínua repetição em comemoração do Sacrifício da Cruz, isto é, à Santa Missa.

Terceiro, do mesmo modo que foi estabelecido um sacerdócio intimamente ligado ao sacrifício da Nova Lei, assim também Cristo solenemente conferiu aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, outro poder sacerdotal (Jo 20, 21), de modo que a quem perdoassem os pecados, estes lhes fossem perdoados. É simplesmente óbvio e necessário que um tal poder seja exercido por um número limitado de pessoas escolhidas por Deus e não por todos os crentes.

Quarto, a noção de um sacerdócio democrático, eleito pelo povo, cai por terra, ademais, porque Cristo solenemente investiu certos homens com o poder de fazer ingressar ou excomungar da Igreja, de aplicar penas oportunas e tomar outras medidas de governo necessárias para que os cristãos sejam um rebanho unido não só no pensamento, mas também na ação (Mt 16, 19; 18, 19).

Quinto, por fim, no que respeita ao ensino, aqueles que Cristo enviou não falam com a própria autoridade, mas com a autoridade de Cristo e, por conseguinte, aqueles que os rejeitam não desprezam a eles só, como quem despreza a usurpadores, mas desprezam sim ao próprio Cristo, como se desprezassem seus embaixadores: “O que a vós ouve, a mim ouve: E o que a vós despreza, a mim despreza. E quem a mim despreza, despreza aquele que me enviou.” (Lc 10, 16).

Logo, tudo o que os protestantes consideram uma usurpação, na verdade, trata-se de poderes que os sacerdotes da Nova Lei efetivamente receberam em cumprimento de profecias e da vontade do próprio Cristo. Disso se conclui que os verdadeiros usurpadores, que fazem-se passar por sacerdotes ao mesmo tempo que menosprezam os enviados de Deus, são os próprios protestantes.

Quanto ao Soli Deo glroia, entendido aqui não simplesmente como o dar glória a Deus, mas com o supostamente fazê-lo à exclusão do culto à Santíssima Virgem e aos Santos, pode-se refutá-lo mediante duas considerações:

Primeiro, Abraão (Gn 18, 2), Ló (Gn 19, 1) e Josué (Js 5, 14-15) prostram-se diante dos anjos enviados pelo Senhor; Abdias, homem temente a Deus, também se curva por terra na presença do profeta Elias (3Rs 18, 7), os filhos dos profetas fazem o mesmo diante de Eliseu (4Rs 2, 15). Toda Escritura nos ensina a louvar e tratar com toda reverência os homens de virtude. “Demos louvores aos homens gloriosos como Moisés, Josué e Davi. A sua sabedoria é celebrada pelos povos e os seus louvores são repetidos nas sagradas assembleias.” (Eclo 44, 1-15) Não somente a pessoa dos santos, mas também aquilo que os representa, pois assim como a imagem de César gravada em uma moeda lembra do tributo que se deve pagar a César (Mt 22, 19-21), a imagem de um santo posta no altar nos lembra de render-lhe a devida homenagem; além disso, quem faz reverência a um símbolo relacionado com alguém deseja indicar sua reverência por este mesmo alguém, tal como fez Jacó inclinando-se diante da vara de José (Hb 11, 21).

Segundo, há uma profecia no Novo Testamento que assim diz: beatam me dicent omnes generationes (Lc 1, 48). Ora, os únicos que cumprem esta profecia são os católicos que continuamente proclamam Nossa Senhora como bem-aventurada na Ave-Maria: Benedicta tu in mulieribus. Sem dúvida, Jesus Cristo fica muito feliz quando os seus servos e amigos são exaltados, pois de fato todo aquele que faz a sua vontade é feliz e como que um parente seu (Mc 3, 32-35). Por isso, o que se aplica em particular à Virgem Maria, também se aplica aos Santos em geral, porque também eles são, em um certo sentido, como mães e irmãos de Jesus.

O famigerado ataque à intercessão dos Santos, não merece então mais do que um breve cometário, novamente retirado da Bíblia do Ano Santo de 1950. Comentando a passagem, “Porque só há um Deus e só há um Mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem” (1Tm 2, 5), lê-se: “Não se pode duvidar; que assim como o Apóstolo dizendo que só há um Deus, exclui todos. os mais, assim quando diz que só há um Mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem, quer que reconheçamos ser este ofício tão próprio de Jesus Cristo, que ele se não atribua a outro, nem homem, nem Anjo. Daqui argumentam os adversários da intercessão dos Santos: Se só Cristo é o Mediador, segundo o Apóstolo, logo fazem injúria a Cristo os que transferem aquele seu ofício para outros tantos Mediadores quantos são os Santos do Céu, cuja intercessão invocam. Deve-se responder, que o ser Cristo o Mediador próprio, primeiro e principal entre Deus e os homens, não tira que os Santos se possam e devam invocar, como uns Mediadores secundários e imperfeitos. Porque. neste mesmo capitulo manda o Apóstolo que oremos uns pelos outros. E na 1 Epístola aos Tessalonicenses, 5, 25, diz o Apóstolo: “Orai por nós”. Porque esta mesma intercessão dos Santos tem por base os merecimentos de Cristo, e por isso todas as orações em que a Igreja invoca a intercessão dos Santos acabam por estas palavras: Per Christum Dominum nostrum, por Cristo nosso Senhor.” (volume 12, p. 159).

CONCLUSÃO

Não há por que protestar: os cinco princípios protestantes examinados neste pequeno trabalho revelam-se invenções humanas que, por mais engenhosas que possam parecer, não procedem da palavra de Deus e infelizmente não podem salvar aqueles que os seguem, em vez disso, as cinco solae produzem entre eles mesmos a perda da fé e a divisão tão característica das seitas protestantes. Parem de protestar, aceitem em submissão à religião revelada de Nosso Senhor e entrem para a unidade católica.


Compartilhar controvérsia

Um comentário em “Protestantismo Desmascarado: Tirando dos “crentes” a máscara da fidelidade à Bíblia e a Jesus Cristo

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.