Entre a justiça divina e a igreja da vacina: a verdadeira causa do coronavírus e o único remédio eficaz

Secas, terremotos e pestes de toda sorte não se devem única e primariamente a causas naturais. Muito embora causas naturais possam concorrer no cumprimento dos decretos divinos, como um instrumento do qual a sua onipotência pode ou não se servir, elas sempre são causas segundas e como que sintomas de um mal maior, pois se deve inferir pelos fatos históricos e pela Revelação Divina que a causa primeira das calamidades públicas são os pecados dos homens, contra os quais se levanta a justiça divina.

Exemplos de como os pecados são a verdadeira causa das calamidades não faltam tanto na História Sagrada quanto na História Profana. Nas páginas sagradas, o dilúvio que fez submergir um mundo de pecado, a confusão de línguas que abateu o orgulho dos construtores da Torre de Babel, o fogo que desfez em cinza a ousada impureza dos sodomitas, as dez pragas que prostrou por terra o arrogante poder do Faraó com todo o Egito, a seca que castigou a infidelidade dos israelitas no tempo do profeta Elias, a destruição de Jerusalém e o exílio que os deportou para a Babilônia no tempo de Jeremias e muitos outros eventos atestam que essas mazelas não são mais que o salário do pecado. Da mesma maneira, nos anais da história secular, a ruína do Império Romano na Antiguidade, a peste negra na Idade Média, o terremoto em Portugal na Modernidade e as duas guerras mundiais na Contemporaneidade não foram senão outros terríveis açoites que nosso Soberano Senhor desferiu, não sem razão e aviso, contra a imoralidade dos homens.

De fato, toda a Sagrada Escritura, omnium prophetarum, literis atque linguis, e o sentir de toda Igreja, que noscit sensum Sponsi, pacífica e infalivelmente ensinam que as calamidades que assolam cidades e nações inteiras são a triste consequência dos pecados dos homens. Para tomar um entre mil testemunhos, ouçamos com atenção a confissão humilde e sincera de São Tobias, o qual governado pelo Espírito Santo (que não pode errar) assim ensinava aos seus irmãos e patrícios oprimidos com tão duro cativeiro em Babilônia, a reconhecer a única origem de tão funestos desastres: “Se fomos entregues à pilhagem, ao cativeiro e à morte, e se nos temos tornado objeto de mofa e de riso para os pagãos entre os quais nos dispersastes, é porque não obedecemos às vossas leis.” (Tob 3,4).

Portanto, diante do atual cenário de deriva sanitária e econômica, independentemente de quais causas naturais tenham sido usadas pela divina majestade, seja o vírus em si, seja a ambição dos homens, seja o mais provável, uma mistura das duas coisas, o seguro e bem-fundado é que as nossas iniquidades se elevaram sobre as nossas cabeças e como um pesado fardo elas nos oprimiram (cf. Sl 37,5).

Era de se esperar então que os pretensos homens da Igreja fizessem qual fizeram os São Vicente Ferrer e os Gabriel Malagrida em face de semelhantes desastres, a saber, chamassem todo o povo à penitência. Isso o fariam para aplicar-lhe o melhor e mais eficaz remédio, pois Deus está disposto a perdoar aqueles que praticam obras de penitência, como se viu no caso de Jonas e dos Ninivitas e dos hebreus exilados em Babilônia. Pois, neste conflito entre Deus e o pecador, Deus vencerá ou acabando o pecado no pecador, que abalado e atemorizado com tão horrendo flagelo, há de buscar com uma sólida penitencia o asilo da misericórdia; ou vencerá acabando o pecador no pecado: largando os obstinados ao furor executivo da sua justiça. Neste último caso, da obstinação do pecador no pecado, somar-se-á ao presente castigo um outro sete vezes pior (cf. Lv 26, 18) e essa habitual impenitência do pecador só servirá de atalho à sua fatal ruína, como nos adverte o sábio: “Se não te aferrares firmemente no temor do Senhor, tua casa em breve será destruída.” (Eclo 27,4).

Logo, o remédio excelente e definitivo não é a vacina x ou y, mas é a penitência humilde e sincera. Se os homens tomam a vacina, mas não se convertem a Deus, se não cessam as blasfêmias nos vídeos, as desonestidades nas músicas, as heresias no ensino, as injustiças nos tribunais, os roubos nos parlamentos e gabinetes e, sobretudo, se não se dá fim a culpável ignorância e negligência religiosa nas famílias e toda sociedade, o povo continuará sendo vítima de seus pecados e a ira de Deus permanecerá sobre o mundo, pois Deus é Deus de todos e reinará sobre todos ou pelos seus mandamentos, ou pelos seus reiterados castigos.

Isso, pois, era o que deveria estar no discurso de pessoas que se dizem católicas. Pois acaso não sabem elas que este mundo não é uma casa sem dono? Não sabem que há providência em Deus? Que há Deus no céu, que está vigiando continuamente sobre as nossas operações, e que nos há de punir se não procedermos bem?

Se sabem, na prática, demonstram não crer no que sabem. O assim-chamado Papa Francisco, dando mostras de seu pestilencial naturalismo, afirmou em 27 de março de 2020 que o coronavírus não é o juízo de Deus, mas o juízo do homem (https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-03/papa-francisco-coronavirus-homilia-integral.html) e, quando foi buscar alguma causa mais transcendental para a calamidade moderna, não foi além da fúria da deusa Terra ou Gaia contra os nossos pecados ecológicos (https://rr.sapo.pt/2020/04/22/papa/papa-francisco-por-causa-do-egoismo-falhamos-o-compromisso-de-cuidar-da-terra/video/237717/). E o mesmo que outrora atribuiu o coronavírus a uma causa natural, também agora põe em um remédio natural a esperança de cura: não é pela penitência, mas pela vacina que iremos nos livrar dos males presentes. Elas são as “luzes de esperança”, a “escolha ética” que devemos fazer (https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2021-01/papa-francisco-pandemia-vacina-esperanca.html).

Ora, com as lágrimas, com o abatimento da nossa soberba, com uma verdadeira penitência, se pode aplacar a ira de Deus; e a espada destinada ao extermínio dos pecadores pode, com o benefício da penitência, trocar-se em chave para abrir, aos humilhados, os tesouros da misericórdia; porém como há de entrar nestes cuidados e empenho, o povo mais duro, e rude nos seus vícios, se ouvirem os que dizem, asseguram, que estas calamidades são puros efeitos das causas naturais, e não vinganças de um Deus indignado, e ferido no mais vivo da sua honra, pela obstinada perfídia dos pecadores?

Parece-me que o mesmo demônio não podia excogitar doutrina mais conducente à nossa irreparável ruína, do que ensinar esta naturalidade tão inatural, afirmando serem pelos sintomas das causas segundas e naturais, estes flagelos que experimentamos, ficando nós com estes sistemas mais empedernidos nas injúrias e desprezos da causa primeira; perseverando nós como antes no nosso pratico ateísmo.

É nesta heresia naturalista e em seu lisonjeiro corolário de habitual impenitência em que os modernistas e outros pretensos cristãos de nossa época querem meter o povo inteiro e é por essa razão que eles são os maiores inimigos, não só dos católicos, mas de toda humanidade. Foi ouvindo a tais conselheiros que as civilizações mais poderosas e opulentas foram riscadas do mapa e certamente não é seguindo as suas doutrinas e preceitos que haveremos de salvar as nossas vidas, pois eles só sabem ecoar, como a antiga serpente, que não morreremos se ousarmos transgredir os mandamentos divinos (cf. Gn 3,4).

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