A Oração em Espírito e Verdade e suas Divisões: 1.ª Parte da lição sobre A Maneira de Bem Rezar

28.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã: A Maneira de Bem Rezar.

1.ª PARTE
A ORAÇÃO EM ESPÍRITO E VERDADE E SUAS DIVISÕES

A. ORAÇÃO CRISTÃ E ORAÇÃO PAGÃ.

I. Rezar é bom e salutar, sem dúvida alguma; mas não traz proveito, se não rezarmos nas devidas condições. Muitas vezes não alcançamos o que pedimos, como diz São Tiago, unicamente porque fazemos mal a nossa prece (cf. Tg 4,3). Antes de tudo, devemos orar “em espírito e verdade”, pois são esses os adoradores que procura o nosso Pai do Céu (cf. Jo 4,23), isto é, Deus busca e ouve aqueles que, cheios de fervor, rezam do íntimo do coração.

II. O rezar “em espírito e verdade” é um apanágio do cristianismo. Os infiéis não o cultivam de maneira alguma. Acerca deles ouvimos o conceito de Cristo: “Quando orardes, não useis de muitas palavras, como os pagãos, que cuidam ser atendidos mediante sua loquacidade. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe de que haveis mister, antes de Lhe fazerdes os pedidos.” (Mt 6,7-8). Entretanto, ao reprovar a demasia nas palavras, Nosso Senhor não condena as longas preces, que nascem de uma devoção ardente e duradoura, mas até nos induz a tal oração pelo seu exemplo, pois não só rezou noites inteiras (cf. Lc 6.12), mas também repetiu três vezes a mesma oração (cf. Mt 26,41-44). Uma única coisa então deve ficar bem clara: é que Deus, para nos atender, não se deixa levar por vãos palavrórios.

III. Portanto, para rezar bem, como um verdadeiro cristão, não basta dizer as orações com a boca. Isso até um papagaio pode aprender. Mas um papagaio não reza, mesmo que ele aprenda um Padre Nosso inteiro, pois um papagaio não pensa no que diz. Assim há pessoas que dizem as orações só com os lábios, sem pensar em Deus, na Santíssima Virgem ou nos Santos. Isso não é rezar. A oração feita com o pensamento em outras coisas, não é aceita por Deus. Até é pecado orar sem pensar em coisas da religião, se o fizermos de propósito ou por negligência. Do mesmo modo, cantar hinos religiosos é uma oração muito boa, porém de nada vale cantar só com a boca; durante o canto, também devemos pensar nas palavras que cantamos. De fato, custa muito rezar sem ter distrações. Devemos exercitar-nos como São Luís, que gastava horas inteiras para rezar um Padre Nosso sem ficar distraído, e assim aprendeu a rezar tão perfeitamente, que podia orar por horas inteiras pensando só em Deus e em coisas santas.

B. ESPÉCIES DE ORAÇÃO. ORAÇÃO MENTAL E VOCAL. ORAÇÃO PARTICULAR E PÚBLICA.

IV. A oração mental é a que se faz só com a alma e geralmente se divide em meditação e contemplação. Na meditação, a alma une-se a Deus por via do raciocínio, enquanto, considerando as verdades eternas, a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo etc., se esforça por estudar as normas de uma vida cristã; com ela, se elevam a Deus fervorosas súplicas, afetos e resoluções, que quando bem feitas nos proporcionam um aumento de todas as virtudes cristãs. Na contemplação, por sua vez, a alma une-se a Deus por meio especial de Deus, a que, ordinariamente, se chega numa espécie de visão interna e quase sem esforço, sendo dom que nos vem por meio de assídua meditação; com ela se obtém paz e santa alegria. Por ser oração que brota de um peito abrasado de caridade, a oração mental tem a primazia sobre a vocal. Deus, que conhece os pensamentos mais secretos dos homens, ouve essa oração. Assim atendeu as silenciosas preces de Ana, mãe de Samuel, da qual ouvimos na Sagrada Escritura que orava entre lágrimas, e só movia os lábios (1Rs 1,13). Davi também rezava dessa maneira: “Falou-Vos o meu coração, e meus olhos vos procuraram.” (Sl 26,8).

V. Já a oração vocal é aquela que se faz com as palavras acompanhadas da atenção do espírito e da devoção do coração. Ela possui sua própria vantagem e utilidade, pois excita o fervor da alma e abrasa o coração de quem reza, como ensina Santo Agostinho em sua célebre Carta a Proba: “Muitas vezes, as palavras e outros sinais, levam-nos, com maior insistência, a aumentar o desejo das coisas santas.” Ou então a oração vocal vem como um transbordamento da própria alma, pois é natural que quando exulta o coração, também exulte a língua. Convém advertir que as orações vocais, que dizemos, devem ser conformes à doutrina e sentimentos da Escritura e da Igreja, e bom seria que fossem as mesmas de que a Igreja se serve.

Convém praticar ambas espécies de oração, oferecendo a Deus o duplo sacrifício da alma e do corpo com a oração mental e a vocal, assim mesmo costumavam fazer os Apóstolos, como se vê nos Atos dos Apóstolos e nas Epístolas de São Paulo (At 11,5; 16,25; 1Cor 14,15; Ef 5,19; Cl 3,16).

VI. A oração também pode dividir-se em particular e pública. Particular é a oração que cada um faz privadamente, por si ou pelos outros. Essa é a oração que se faz em casa, ou que os fiéis oferecem a Deus quando praticam alguma devoção, tais como o Santo Terço, novenas etc. A oração pública é a que fazem os ministros sagrados, em nome da Igreja, e pela salvação do povo fiel, tais como as orações litúrgicas do Santo Sacrifício da Missa e do Ofício Divino, quando este é dito pelo clero. Ainda pode-se chamar pública, em certo sentido, toda oração feita em comum e publicamente pelos fiéis, como as realizadas nas procissões, nas peregrinações e na igreja.

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