Modernistas & Sodomitas: Bênção ou Maldição?

O Arcebispo modernista de Viena, Áustria, criticou o documento recém-publicado pelo Vaticano, em que se rejeitam as bênçãos dadas a casais sodomitas. Estamos falando aqui de ninguém menos que “Cardeal” Christoph Schönborn, O.P. , de 76 anos, um dos autores do Catecismo de João Paulo II (1992) e velho amigo de Bento XVI.

Sua reação se insere em um contexto de resistência à decisão do Vaticano, algo que se tornou habitual nos maios modernistas. O que hoje acontece com a questão sodomita, ontem aconteceu com a questão das pílulas contraceptivas e da comunhão na mão. Os bispos e teólogos modernistas resistem, e os papas, também modernistas, na medida do possível, cedem; e, quando não cedem, ao menos fazem vistas grossas à indisciplina, na esperança de que a desordem um dia se torne lei.

Mas, voltando à questão da bênção aos sodomitas, parece que só nos últimos dias, mais de 230 bispos e teólogos Novus Ordo da Alemanha, Áustria, Suíça e Holanda têm condenado a decisão da chamada Congregação para a Doutrina da Fé. Além disso, na Áustria, cerca de 350 padres e diáconos modernistas desafiam abertamente a proibição do Vaticano sobre a bênção àqueles cujos pecados clamam ao Céu por vingança, declarando com orgulho que eles “continuarão a abençoar os casais homossexuais”.

O bispo modernista Franz-Josef Overbeck, de Essen, chegou ao ponto de dizer que “Deus está presente” nas relações homossexuais que são “respeitosas e amorosas”. Suspeita-se que, ao recordar a doutrina de Francisco, segundo a qual “não importa quem você seja ou como você viva, você não perde sua dignidade”, ele resolveu estender essa “presença divina” às uniões que não respeitam, nem amam aos mandamentos divinos.

E agora é a vez do Cardeal modernista Schönborn. Com certeza ele tem muito a contribuir neste respeito, dado o seu longo histórico de apoio à causa sodomita. Seu próprio cônego, o padre modernista Anton Faber, há anos abençoa casais homossexuais no Dia dos Namorados. O próprio Schönborn, aliás, permitiu continuamente que sua catedral fosse profanada, convertendo-se em palco para shows de rock, nos quais se promovia o estilo de vida sodomita; e sabe-se ainda que ele mesmo abençoou um casal sodomita há uns três anos atrás. Mais: quando um pároco de sua arquidiocese, que prudentemente excluiu um conhecido sodomita praticante do conselho paroquial, foi ele que, depois de chamar o casal gay para um almoço, fez com que o pároco voltasse atrás de sua decisão. Para completar, existem muitas outras maneiras pelas quais o vil Schönborn provocou a ira de Deus.

E agora ele se superou: em 24 de março de 2021, o portal de notícias arquidiocesano de Viena, Der Sonntag (“O Domingo”), divulgou uma entrevista com seu arcebispo modernista, onde este desabafa: “Não fiquei contente com essa declaração da Congregação para a Doutrina da Fé”.

Depois de louvar com os lábios o grande sacramento que é o santo matrimônio, com sua capacidade intrínseca de gerar e educar a prole, ele acrescentou:

Mas dizer “sim” à família [natural] não tem que ser expresso com um “não” a todas as outras formas [de união sexual]….

A questão de saber se alguém pode abençoar casais do mesmo sexo pertence à mesma categoria que a questão de se é ou não possível abençoar divorciados recasados ​​ou casais amasiados. E aqui minha resposta é relativamente simples:… se o pedido de uma bênção for sincero, se for realmente um apelo à bênção de Deus, para o caminho da vida em que, duas pessoas, não importa a situação, estão tentando trilhar, então essa bênção não lhes será negada.

Mesmo que, como padre ou bispo, eu tenha que dizer: “Vocês não realizaram plenamente o ideal. Mas é importante que vocês vivam à sua maneira com base nas virtudes humanas, sem as quais não pode haver um relacionamento bem-sucedido.” E isso merece uma bênção. Se a forma certa de expressá-lo é uma cerimônia de bênção da igreja, é preciso pensar sobre isso com cuidado.

(Christoph Schönborn, em Eine Mutter wird den Segen nicht verweigern, Der Sonntag , 24 de março de 2021; tradução nossa).

Isso quase dispensa comentários, já que o que temos aqui é um sofisma com um tênue verniz teológico, de baixíssima qualidade inclusive.

A observação do “Cardeal” Schönborn de que os sodomitas “não realizaram plenamente o ideal” para o qual a sexualidade humana foi criada é, simplesmente, a torpe teologia da Amoris Laetitia em ação, especificamente o parágrafo 307 da exortação. É a abordagem bergogliana de redefinir o conceito de pecado, fazendo com que uma patente transgressão à Lei de Deus se torne uma realização imperfeita ou parcial do “ideal” de obedecer à Sua Lei. E assim a sodomia deixa de ser uma violação e perversão da natureza para se converter numa prática decente que fica aquém do ideal do matrimônio, mas que, assim mesmo, imita-o em muitos aspectos importantes e, portanto, constitui uma tentativa honrosa, embora imperfeita, de alcançar a meta do casamento.

Dizer que dois sodomitas “não realizaram plenamente o ideal” do santo matrimônio é como dizer que um bombeiro que utiliza seu conhecimento profissional para queimar prédios não “realiza plenamente” suas obrigações de trabalho. É como dizer que um pediatra que se torna um aborteiro não cumpre “plenamente” seu juramento de Hipócrates, no qual promete salvar vidas ou, pelo menos, não causar-lhes nenhum dano. É como dizer que um cozinheiro que habitualmente envenena os pratos que seve atingiu o objetivo de alimentar e nutrir os seus clientes “de um modo imperfeito”. Isso é, sem dúvidas, muito perverso. É jogar com as palavras de um modo a chamar de bom o que é mal, de dar a entender que é um tanto honesto aquilo que é de todo ilícito.

Não são estes modernistas uns infelizes, não são pessoas que, conferindo esta bênção ilícita, lançam sobre si mesmos uma eterna maldição? Podemos ouvir sobre eles aquele ai dos Profetas do Antigo Testamento, que em nome do Senhor se elevam contra os profetas da mentira (cf. Ez 13):

Ai de vós, os que ao mau chamais bom, e ao bom mau: Pondo trevas por luz, e luz por trevas: Pondo o amargo pelo doce, e o doce pelo amargo! Ai de vós, os que sois sábios a vossos olhos, e diante de vós mesmos prudentes! Ai de vós… os que justificais ao ímpio pelas dádivas, e ao justo lhe tirais o seu direito! Por esta causa, assim como a língua do fogo devora a palha, e a abrasa o calor da chama: Assim a raiz deles será como a faísca e o seu renovo subirá como o pó. Porquanto eles arrojaram de si a lei do Senhor dos exércitos e blasfemaram da palavra do Santo de Israel. (Isaías 5, 20-24).

Pois Jerusalém se vai arruinando, e Judá caindo: Porquanto a língua deles, e as invenções da sua fantasia são contra o Senhor, para provocarem os olhos de sua majestade. A mesma vista do seu semblante dá testemunho contra eles: E os tais fizeram como os de Sodoma, pública ostentação do seu pecado, e não o encobriram: Ai da alma deles, porque se lhes têm dado males em recompensa. (Isaías 3, 8-9).

E aqui a antiga profecia nos esclarece do parentesco e sociedade que há entre os sodomitas e aqueles que agora querem abençoá-los: ambos vem à lume, pública e descaradamente, os primeiros com heresias e vãs novidades de palavras, os segundos com uma vida reprovável aos olhos de Deus e da própria natureza humana, não com um espírito de penitência, para assim se ajustarem aos planos de Deus, mas antes, com a arrogante presunção de inocência, querem ajustar Deus aos seus planos. É aí que vemos se unirem a bandeira do Concílio Vaticano II (1962-65) com aquela do arco-íris invertido: querem pôr-se no Santuário de Deus e subir ao monte do Senhor, sem se purificarem de seus pecados, e buscam receber aquela reverência que só cabe aos que confessam e andam na Lei do Senhor (Sl 14; Sl 1).

O que torna, porém, muito pior a situação do modernista Christoph Schönborn é que, à diferença de muitos que erram em ignorância, ele é um homem que sabe até demais. Ele recebeu a formação de um dominicano. Ele foi co-editor do Catecismo de 1992. Ele age com plena consciência do que faz. Sabe, sem dúvida, que a sodomia é um dos quatro pecados que clamam ao Céu por vingança (juntamente com o homicídio, a opressão dos pobres e a negação de salário aos operários). Também está a par de como manda o Apóstolo São Paulo que “a luxúria, e toda a impureza ou avareza, nem sequer se nomeie entre vós outros, como convém a santos” (Efésios 5:, 3). E sabe ainda que foi o mesmo São Paulo que censurou aqueles que “mudaram a verdade de Deus em mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém. Por isso os entregou Deus a paixões de ignomínia. Porque as suas mulheres mudaram o natural uso em outro uso, que é contra a natureza. E assim mesmo também os homens, deixado o natural uso das mulheres, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu pecado. (Romanos 1:, 25-27; cf. Levítico 18, 22).

Schönborn não é apenas alguém que está enganado; ele erra de caso pensado. Ele envenena as almas com uma voz suave, com fala mansa e um sorriso. Ele é tão audacioso que pode até falar de dois sodomitas vivendo uma vida baseada em “virtudes humanas” e que isso “merece uma bênção”.

Quanto ao próprio Francisco, que agora nega uma bênção que condiz tão bem com a sua doutrina, parece que ele está tentando jogar dos dois lados, como é costume dos modernistas desde os tempos de João XXIII. Essa técnica vem sendo aperfeiçoada desde então, cada sucessor alavancando o liberalismo na prática, mas sempre sob as aparências, ora de um vacilante indeciso, vítima de perseguição (Paulo VI); ora de um conservador que não é ouvido (João Paulo II); ora de um teólogo isolado e prisioneiro (Bento XVI); os quais sempre, porém, traem a si mesmos por meio de reveladoras contradições e omissões. Esse jogo de cena parece que é feito para garantir que reine a máxima confusão possível, de modo que tanto a esquerda quanto a direita possa reivindicar para si a sua própria versão do Papa, sem que, para melhores resultados, o próprio se comprometa totalmente com algum partido. Então não há nada de novo sob o sol, Francisco repete aqui o que vem se fazendo desde João XXIII, o pai do Concílio Vaticano II: a cada dez heresias, diz uma ou duas verdades, para manter aquela ambiguidade que lhe permita negar, com uma certa plausibilidade, que ele está do lado da revolução.

Mas enquanto no Vaticano e em Viena se cogitam coisas vãs para, se fosse possível, enganar até mesmo aos eleitos, nós outros ficamos aqui com São Pedro Damião em seu Livro de Gomorra, no qual este santo nos ensina o que de fato se deve pensar daqueles que querem abençoar os pecadores públicos: “Certamente, assim como aqueles que punem os crimes são dignos de bênção, assim também aqueles que afagam os pecadores estão sujeitos à maldição… ” (op. cit. in: The Book of Gomorrah and St. Peter Damian’s Struggle Against Ecclesiastical Corruption, p. 24).

Cristo veio ao mundo para redimir o homem do pecado e mostrar-lhe o caminho que este deve seguir para alcançar a Vida Eterna. O perdão se encontra ao alcance de todos, até dos maiores pecadores; porém, o Cristo que perdoa é o mesmo Cristo que exorta: “Vá, e não pequeis mais.” (João 8, 11).


Este artigo se baseia em grande parte na reportagem Vienna’s “Cardinal” Schönborn: Sincere Sodomite Couples deserve a Blessing do site Novus Ordo Watch.

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