Uma heresia de Francisco apontada ao sr. Italo Marsili

Chegou ao meu conhecimento uma live do sr. Italo Marsili na qual este se apresenta como um entusiasmado defensor do Concílio Vaticano II e do Papa Francisco. No ápice de sua apologia, chega ao ponto de dizer que Francisco jamais proferiu uma heresia sequer: são uns desinformados, são uns desinformantes, uns ignorantes e desocupados, esses blogueiros rad-trad que dizem o contrário. “Aponte”, diz o nosso apologista, “uma única heresia do Papa Francisco. Não há, não há.”

Eu diria, para usar uma frase do próprio Francisco, que este dizer do Sr. Italo Marsili é um negacionismo suicida. Mas o remédio contra esse mal já está pronta há dois mil anos e não é outro senão a simples, eficaz e bela doutrina católica pré-Vaticano II, que nos faz ver de sobejo o quanto realmente há, e novamente há, heresia para se apontar em Francisco e no seu pai no erro, o bastardo Concílio Vaticano II. É isso que demonstrarei neste vídeo.

Acima menciono alguns textos que estão esparsos em diferentes artigos do nosso site. Abaixo acham-se todos eles reunidos com as respectivas referências.

DECLARAÇÕES MODERNISTAS SOBRE OS JUDEUS

“Um olhar muito especial é dirigido ao povo judeu, cuja Aliança com Deus nunca foi revogada, porque “os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis” (Rm 11, 29). A Igreja, que partilha com o Judaísmo uma parte importante das Escrituras Sagradas, considera o povo da Aliança e a sua fé como uma raiz sagrada da própria identidade cristã (cf. Rm 11, 16-18). Como cristãos, não podemos considerar o Judaísmo como uma religião alheia, nem incluímos os judeus entre quantos são chamados a deixar os ídolos para se converter ao verdadeiro Deus (cf. 1 Ts 1, 9). Juntamente com eles, acreditamos no único Deus que atua na história, e acolhemos, com eles, a Palavra revelada comum.”

(Francisco, Evangelii Gaudium n. 247, 24 nov. 2013)

“Sinto-me feliz por estar aqui, entre vós, nesta Sinagoga… As nossas relações me interessam muito. Em Buenos Aires, costumava ir às sinagogas e me encontrar com as comunidades lá reunidas; seguia de perto as festividades e comemorações judaicas.”

(Francisco, Alocução durante visita a Sinagoga de Roma, 18 jan. 2016)

“Quando meu Venerável Predecessor, João Paulo II, veio até vós pela primeira vez… ele quis fazer uma contribuição decisiva visando o fortalecimento das boas relações entre as nossas comunidades, a fim de superar todo preconceito e incompreensão. Minha visita faz parte de uma jornada já começada, venho confirmá-la e aprofundá-la…”

“O ensinamento do Concílio Vaticano II representou para os católicos uma clara divisa para a qual fazemos constante referência na nossa atitude e nas nossas relações com o povo judeu, marcando um estágio novo e significativo. O Concílio deu um novo ímpeto ao nosso irrevogável compromisso de buscar o caminho do diálogo, fraternidade e amizade, uma jornada que tem sido aprofundada e desenvolvida nos últimos quarenta anos por meio de passos importantes e gestos significativos… Também eu, no curso de meu Pontificado, quis demonstrar minha proximidade e meu afeto para com o povo da Aliança.”

(Bento XVI, Alocução durante visita a Sinagoga de Roma, 17 jan. 2010)

“Este povo foi reunido e conduzido por Deus, o Criador do Céu e da Terra. Logo, sua existência não é um mero fato de natureza ou de cultura, no sentido de que pela cultura o homem manifesta as virtudes de sua própria natureza. Ele é um fato sobrenatural. Este povo persevera apesar de tudo, porque ele é o povo da Aliança, e apesar das infidelidades humanas, o Senhor é fiel a sua Aliança. Ignorar esse fato primário é tomar o caminho do marcionismo contra o qual a Igreja reagiu imediatamente e vigorosamente, consciente de sua ligação vital com o Velho Testamento, sem o qual o Novo Testamento seria desprovido de seu significado.”

(João Paulo II, Alocução ao Simpósio sobre as Raízes do Antijudaísmo, 31 out 1997)

“Em outubro de 1960”, relata Padre Porto, “o Papa João XXIII entregou ao Cardeal Bea, seu principal auxiliar na gigantesca tarefa de renovação da Igreja, o dossiê do Professor Jules Isaac. As 18 famosas sugestões para eliminar do ensino cristão as fórmulas suscetíveis de favorecer o anti-semitismo tornavam-se a base dos estudos preparatórios para a elaboração do documento conciliar que, por vontade expressa de João XXIII, devia realicerçar no amor e na paz o relacionamento da Igreja com o Judaísmo.” (PORTO, Humberto. Os Protocolos do Concílio Vaticano II. São Paulo: Edições Diálogo, 1984, p. 15) “Tratava-se”, na mente de João XXIII, “de um vasto e profundo programa de refontalização que devia levar a uma reafirmação dos princípios da justiça, da paz e do amor… Para que se chegasse deveras a essa ‘ardente e sentida renovação das almas’, era mister que se triunfasse ‘sobre os erros de dois mil anos’, como a anti-semitismo e tantos outros.” (Ibidem, pp. 16-17).

“Em novembro de 1960, o Papa João XXIII manifestou ao Cardeal Bea o desejo de que o Secretariado para a União dos Cristãos se incumbisse da tarefa de elaborar um documento conciliar sobre os judeus… O texto deveria ser vazado em termos que não se prestassem a especulações e a interpretações tendenciosas. Velhas acusações anti-semitas necessitavam de ser, por cautela, rechaçadas apenas no terreno religioso, em seus fundamentos doutrinários tradicionais… o Cardeal Bea estava com o projeto revisto e pronto em junho de 1962. O texto não continha mais que 800 palavras, mas parecia fadado a pulverizar toda a literatura de hebreufobia religiosa e patrística.” (Ibidem, pp. 19, 20, 23.)

Em suma, para os modernistas, o cristianismo pré-Vaticano II, sua tradição religiosa e patrística, é anti-semitismo, marcionismo, uma falta de caridade, justiça e amor. O que é impressionante é que eles ainda tenham a audácia de se dizer católicos, uma vez que tenham um tal conceito de nossa religião. Esse é um claro sinal da falta de caráter dessa gente. Quem reputa a verdade por falta de caridade, ainda que dita pelos santos mais eminentes e pelo próprio Nosso Senhor, a caridade mesma, pode ser um humanista, um deísta, um maçom, mas não um cristão.

DECLARAÇÕES CATÓLICAS SOBRE OS JUDEUS

“E primeiramente com a morte do Redentor, foi ab-rogada a antiga Lei e sucedeu-lhe o Novo Testamento; então com o sangue de Cristo foi sancionada para todo o mundo a Lei de Cristo com seus mistérios, leis, instituições e ritos sagrados. Enquanto o divino Salvador pregava num pequeno território – pois que não fora enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (cf. Mt 15, 24) – corriam juntos a Lei e o Evangelho, mas no patíbulo, onde morreu, anulou a Lei com as suas prescrições (cf. Ef 2, 15), afixou a cruz o quirógrafo do Antigo Testamento (cf. Cl 2, 14), estabelecendo, com o sangue, derramado por todo o gênero humano, a Nova Aliança (cf. Mt 26, 28; 1 Cor 11, 25). “Então, diz S. Leão Magno falando da cruz do Senhor, fez-se a transferência da Lei para o Evangelho, da Sinagoga para a Igreja, de muitos sacrifícios para uma única hóstia, tão evidentemente, que ao exalar o Senhor o último suspiro, o místico véu, que fechava os penetrais do templo e o misterioso santuário, se rasgou improvisamente de alto a baixo.”

“Portanto na cruz morreu a Lei antiga; dentro em pouco será sepultada e se tornará mortífera, para ceder o lugar ao Novo Testamento, para o qual tinha Cristo escolhido ministros idôneos na pessoa dos apóstolos (cf. 2 Cor 3,6): e é pela virtude da cruz que o Salvador, constituído cabeça de toda a família humana já desde o seio da Virgem, exerce plenamente o seu múnus de cabeça da Igreja.”

(Papa Pio XII, Mystici Corporis, n. 28s, 29 jun. 1943)

“A Igreja crê firmemente, professa e ensina que as prescrições legais do Antigo Testamento, isto é, a Lei mosaica, que se dividem em cerimônias, sacrifícios sagrados e sacramentos, mesmo porque instituídos para significar algo futuro, ainda que adequadas ao culto divino daquela época, com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, por elas significado, cessaram, e que tomaram início os sacramentos do Novo Testamento. Ela ensina que peca mortalmente todo aquele que voltar a pôr, depois da paixão de Cristo, sua esperança naquelas prescrições legais e as observa como se fossem necessárias à salvação e a fé no Cristo não pudesse salvar sem elas. A Igreja não nega, todavia que, no tempo entre a paixão de Cristo e a promulgação do Evangelho, elas pudessem ser observadas, mesmo que não fossem julgadas necessárias à salvação; depois do anúncio do Evangelho, porém, não podem mais ser observadas sem a perda da salvação eterna. Todos, portanto, que depois disso observam os tempos de circuncisão, do sábado e de outras disposições da lei, ela os denuncia como estranhos à fé em Cristo, não podendo de todo participar da salvação eterna.”

(Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, 4 fev. 1442; Denz 712)

“Contudo, eles não estão tentando observar os preceitos da antiga lei que, como todos sabem, foi revogada pela vinda de Cristo… A primeira consideração a ser feita é que as cerimônias da Lei Mosaica foram revogadas com a vinda de Cristo e que elas já não podem ser observadas sem pecado depois da promulgação do Evangelho.”

(Papa Bento XIV, Ex Quo Primum, nn. 59 e 61, 1 mar. 1756)

“Seja notório a todos vós, e a todo o povo de Israel: Que em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo Nazareno, a quem Deus ressuscitou cios mortos, no tal nome, digo, é que este se acha em pé diante de vós já são. Esta é a pedra, que foi reprovada por vós que a edificastes, e que se tornou como o vértice do ângulo. E não há salvação em nenhum outro: Porque do Céu abaixo nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual nós devamos Ser salvos.”

(São Pedro Apóstolo e Primeiro Papa, Atos 4, 10-12)

“Examinai as Escrituras, pois julgais ter nelas a vida eterna, e elas mesmas são as que dão testemunho de mim; mas vós não quereis vir a mim para terdes a vida. Eu não recebo dos homens a minha glória. Mas bem vos conheço, que não tendes em vós a dileção de Deus. Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis; se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebê-lo.* Como podeis crer vós outros, que recebeis a glória uns dos outros, e que não buscais a glória que vem só de Deus? Não julgueis que eu vos hei-de acusar diante de meu Pai, o mesmo Moisés, em quem vós tendes as esperanças, é o que vos acusa; porque se vós crêsseis a Moisés, certamente me creríeis também a mim; porque ele escreveu de mim. Porém se vós não dais crédito aos seus escritos, como dareis crédito às minhas palavras?… Vós não conheceis a mim, nem ao meu Pai; se me conhecêsseis a mim, certamente conheceríeis também a meu Pai… Vós sois cá de baixo, e eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, e eu não sou deste mundo. Por isso eu vos disse, que morrereis nos vossos pecados; porque se não crerdes quem eu sou, morrereis no vosso pecado… Eu falo o que vi em meu Pai, e vós fazeis o que vistes em vosso pai… Vós sois filhos do diabo, e quereis cumprir os desejos de vosso pai… Mas ainda que eu vos digo a verdade, vós não me credes… O que é de Deus, ouve as palavras de Deus. Por isso vós não as ouvis, porque vós não sois de Deus.”

(Nosso Senhor Jesus Cristo, Evangelho segundo São João 5, 39-47; 8, 19, 23-24, 38, 44, 45, 47)

– * Os judeus hão de receber este homem, vindo em seu próprio nome, como se fosse o Cristo, trata-se aqui do falso messias esperado pelos judeus, o anticristo; este será “o tal iníquo” de que fala São Paulo no segundo capítulo da Segunda Epístola aos Tessalonicenses.

“Por isso eu vos declaro que tirado vos será o reino de Deus, e será dado a um povo que faça os frutos dele.”

(Nosso Senhor Jesus Cristo, o Messias, Mat. 21,43)

“Quem a mim despreza, despreza Àquele que me enviou… Todas as coisas me tem sido entregues por meu Pai. E ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai, e nem quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quer revelar.”

(Nosso Senhor Jesus Cristo, o Messias, Lc 10,16.22)

“Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus seja o Cristo? Este tal é um anticristo, que nega o Pai e o Filho.”

(São João Evangelista e Apóstolo, 1Jo. 2,22)

“Porque vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus, que há pela Judeia em Jesus Cristo; porquanto as mesmas coisas sofrestes também vós da parte dos da vossa nação, que eles igualmente da parte dos judeus; os quais também mataram o Senhor Jesus, e os profetas, e nos têm perseguido a nós, e não são do agrado de Deus, e são inimigos de todos os homens. Proibindo-nos de falar aos gentios, para que sejam salvos, a fim de encherem sempre a medida dos seus pecados; porque a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim.” (São Paulo Apóstolo, Epístola aos Tessalonicenses 2, 14-16)
E se vós sois de Cristo, logo vós sois a semente de Abraão, os herdeiros da promessa.”

(São Paulo Apóstolo, Gal. 2,29)

“Muitos, eu sei, respeitam os judeus e julgam que seus ritos hodiernos são honestos; por isso me apresso em cortar pela raiz esta opinião perniciosa. Digo que a sinagoga não é melhor do que um teatro e valho-me do testemunho de um profeta. Não há judeus mais dignos de fé do que os profetas. O que, pois, ele nos diz? ‘O descaramento de uma meretriz se apoderou de ti, não quiseste ter vergonha.’ (Jr 3, 3) O lugar onde uma meretriz se prostitui, eis aí um prostíbulo. Mas a sinagoga não é somente um prostíbulo e um teatro, ela também é um antro de ladrões e um covil de bestas. Pois ‘está feita um covil de hienas’, diz ele, ‘esta minha casa’ (Jr 7, 11); não de bestas simplesmente, mas de bestas impuras. E mais uma vez: ‘Deixei a minha casa, e abandonei a minha herança’ (Jr 12, 7). Mas se Deus a abandonou, que esperança de salvação lhe resta? Quando Deus abandona um lugar, esse lugar se torna uma habitação de demônios.” 

“Mas dizem então que também eles adoram a Deus. Longe de nós dizê-lo: nenhum judeu adora a Deus! Quem diz isso? O Filho de Deus. ‘Se vós conhecêsseis meu Pai, conheceríeis também a mim. Mas vós não conheceis nem a mim, nem ao Pai’ (Jo 8, 19). Pode haver testemunha mais fidedigna do que essa? Se, pois, os judeus não conhecem o Pai, crucificaram o Filho e repeliram o auxílio do Espírito, quem não ousaria afirmar que a sinagoga é uma habitação de demônios? Lá Deus não é adorado, longe disso: antes é desde então um lugar de idolatria. Apesar disso, alguns ainda a tem como um lugar sagrado.”

(São João Crisóstomo, Adversus Judæos Orationes, Oratio Prima)

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