ATUALIZAÇÕES: Francisco e o Futuro da Missa Tridentina

Uma série de notícias mais credíveis e oficiais se seguiram aos rumores de que Francisco teria a intenção de restringir a celebração da Missa Tridentina nos ambientes pós-conciliares, de modo que se faz necessário reportar aqui algumas importantes atualizações e comentários sobre Francisco e o futuro da Missa Tridentina. De uma forma geral, elas confirmam o que todo mundo já sabia: ele realmente quer, na medida do possível, acabar com a Missa Tridentina. À essa altura, o seu time já foi recrutado e o documento restritivo está em vias de preparação.

De fato, os desdobramentos de lá para cá não só confirmaram muito do que eu tinha dito no vídeo anterior sobre a matéria (https://youtu.be/wfdyJTNM6_A), mas ainda nos dão muito a entender sobre a estratégia que Francisco pretende adotar nessa questão e nos fala também dos enganos e ilusões em que se entretém certos partidários da Missa de sempre, que acham mesmo que o futuro desse cadáver modernista pode ser outra coisa além da decomposição doutrinária e disciplinar; eles chegam até a julgar que a Tradição é o futuro da Igreja de Francisco. Será mesmo? Se prestarmos atenção para o curso dos acontecimentos, logo perceberemos que o caminho do pós-Concílio não é para a Tradição, mas para a lacização e secularização.

FONTES:
Dom Arthur Roche novo prefeito do Culto Divino – Vatican News https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2021-05/novo-prefeito-culto-divino-dom-arthur-roche.html

La Fraternité Saint-Pierre expulsée du diocèse de Dijon par Mgr Minnerath – Riposte Catholique https://www.riposte-catholique.fr/archives/159811

Santa Sé prepara restrições à missa tradicional em latim – ACI Digital https://www.acidigital.com/noticias/santa-se-prepara-restricoes-a-missa-tradicional-em-latim-55134

La trepidazione e la speranza dei gruppi (coetus) “Summorum Pontificum” che sono già” il futuro della Chiesa” – Messa in Latino http://blog.messainlatino.it/2021/06/la-trepidazione-e-la-speranza-dei.html

Important Op-Ed by Fr Pio Pace: “Restricting Summorum Pontificum: What the Pope Said, the Credible Information, and the Risk of a War within the Church.” – Rorate Coeli https://rorate-caeli.blogspot.com/

Novidades para o Sínodo: tem início a partir das Igrejas locais – Vatican News https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2021-05/sinodo-bispos-caminho-sinodal-inicio-a-partir-das-igrejas-locais.html

Bispo suíço põe leigos no lugar de vigários episcopais – ACI Digital https://www.acidigital.com/noticias/bispo-suico-poe-leigos-no-lugar-de-vigarios-episcopais-97935

NOTÍCIAS

NOTA IMPORTANTE DO PADRE PIO PACE: “RESTRINGINDO O SUMMORUM PONTIFICUM: O QUE O PAPA DISSE, A INFORMAÇÃO CONFIÁVEL E O RISCO DE UMA GUERRA NA IGREJA”.

Via Rorate Coeli

Nota de Rorate: Já faz algum tempo que aquele grande conhecedor dos segredos mais profundos da vida eclesiástica de Roma, o padre Pio Pace, nos enviou pela última vez um relatório.

Os repetidos relatórios discretos sobre o esboço de um documento papal restringindo a aplicação do motu proprio Summorum Pontificum (o documento de Bento XVI que reconhecia a impossibilidade de revogação da Liturgia Romana Tradicional) o levaram a nos escrever novamente sobre este assunto urgente:

Restringindo o Summorum Pontificum: o que o Papa disse, as informações confiáveis e o risco de uma guerra dentro da Igreja

Pelo Padre Pio Pace
Roma

Um texto enfraquecendo o alcance do motu proprio Summorum Pontificum, de Bento XVI, poderia estar em vias de ser publicado: essa informação, que se seguiu ao anúncio feito “confidencialmente” pelo Papa aos bispos italianos da CEI [Conferência Episcopal Italiana], montado na Via Aurelia, em Roma, no dia 24 de maio, foi amplamente comentada, notadamente pela grande imprensa italiana.

As normas essenciais do texto, como os informou o Papa, são as seguintes: a partir de agora, os sacerdotes das comunidades especializadas na Missa Tridentina (as comunidades “Ecclesia Dei”) podem continuar a celebrar, assim como os sacerdotes diocesanos que já o celebram; pelo contrário, se padres diocesanos adicionais desejam celebrá-lo, eles devem primeiro obter uma permissão do bispo.

Algumas informações complementares foram adicionadas, mas desta vez na forma de comentários extra-oficiais credíveis: a Congregação para o Culto Divino seria agora responsável pela operação da Missa Tridentina e das comunidades Ecclesia Dei. Dentro desta Congregação, que acaba de receber seu novo Prefeito, o Arcebispo Roche e um novo secretário, Arcebispo Viola, e uma nova subsecretária de nível episcopal, Bispo Aurelio García Marcías – ex-reitor do seminário de Valladolid, na Espanha – seria o responsável direto pelo mundo tradicional, como o Arcebispo Pozzo estava no passado. Este conjunto de pessoal curial é, em princípio, hostil à missa antiga.

Nesta fase, e sem ainda sabermos o conteúdo exato do novo texto (se for finalmente publicado), podemos fazer vários comentários:

(1) Esta decisão foi considerada por muito tempo, com um certo número de episcopados nacionais, especialmente o episcopado italiano, pressionando para colocar o Summorum Pontificum em uma espécie de “parênteses” – bispos com ligações importantes com a Cúria, especialmente o Secretário de Estado, Cardeal Parolin. Acrescentemos que o velho cardeal canadense Ouellet se mostrou muito hostil, neste contexto, ao Summorum Pontificum. Os anúncios sobre o assunto foram feitos nesta sucessão:

(a) Várias declarações do papa sobre o caráter “irreversível” da reforma litúrgica e sobre sua “preocupação” com o espírito tradicionalista (“rígido”) que cresce nos jovens clérigos;

(b) O motu proprio de 19 de janeiro de 2019, suprimindo a comissão Ecclesia Dei e transferindo todos os seus poderes para a Congregação para a Doutrina da Fé;

(c) O questionário, datado de 7 de março de 2020, enviado pela CDF aos bispos de todo o mundo com a intenção de chegar a uma avaliação da aplicação do Summorum Pontificum.

(2) O objetivo previsto, como Andrea Grillo (um professor muito influente da Pontifícia Universidade de Santo Anselmo) freqüentemente afirmou, é que a liturgia anterior ao Vaticano II não possa gozar de um direito que só deveria ser reivindicado pelo Liturgia do Vaticano II: a liturgia antiga deve ser considerada dentro de um âmbito muito limitado de mera tolerância, regido essencialmente por cada bispo diocesano.

(3) Apesar de todo o esforço, se o texto sair, o resultado concreto pode não ser tão exagerado quanto seus proponentes desejam: na maior parte do mundo, na prática, as normas de 2007 (segundo as quais cada sacerdote pode decidir aceitar um pedido para celebrar a Missa Tridentina, sem referir-se ao bispo) nunca foram totalmente recebidas e, com algumas exceções, geralmente foi o bispo que tomou a decisão.

(4) No entanto, o importante efeito libertador psicológico do Summorum Pontificum foi bastante considerável: pode-se observar que, nos dez anos entre 2007 e 2017, o número de celebrações litúrgicas tradicionais no mundo mais que dobrou. Pelo contrário, o efeito psicológico de um documento em sentido oposto pode ser muito desfavorável à Tradição.


Se o texto for publicado, será muito interessante analisar as justificativas que serão apresentadas. Pode-se pensar que mencionará que, agora, as pessoas que se apegavam à forma antiga encontraram a paz e que os candidatos às ordens sacerdotais que desejavam celebrá-la encontraram estabilidade nos Institutos especializados. Provavelmente mencionará que as questões doutrinárias consideradas a respeito das relações com a Fraternidade São Pio X (FSSPX), que havia submetido esta celebração à Congregação para a Doutrina da Fé, não são tão relevantes agora, uma vez que chegaram ao termo, de modo que a celebração do Rito Antigo pode agora ser colocada sob a jurisdição ordinária da Congregação para o Culto Divino. Uma reafirmação do caráter “permanente” ou “definitivo” da revolução litúrgica pós-Vaticano II deve ser feita no texto, logicamente seguida por convites diretos ou indiretos a padres tradicionalistas e fiéis leigos para aderirem a uma espécie de “bi-formalismo” (ou bi-ritualismo).

Só que… perante a opinião católica universal, esse ataque à liberdade de um pequeno número de fiéis quando, em outro lugar, tudo parece aceito e permitido, pareceria incompreensível. E, acima de tudo, este acontecimento desencadearia uma severa e considerável guerra litúrgica e causaria as maiores preocupações possíveis tanto aos bispos diocesanos como às autoridades romanas. Uma guerra de consequências imprevistas numa Igreja em avançado estado de decomposição doutrinal e disciplinar. O papa tem hoje interesse em correr esse risco perigoso?

A FRATERNIDADE SÃO PEDRO EXPULSA DA DIOCESE DE DIJON POR MONS. MINNERATH

Via Riposte Catholique

Em setembro próximo, o FSSP, após 23 anos de presença em Dijon e na Côte d´or, é forçada a abandonar 300 fiéis e deixar Dijon. Até o momento, o FSSP ainda não foi recebida pelo Bispo!

Aqui está o boletim enviado aos paroquianos de Dijon para explicar a inexplicável decisão de Monsenhor Roland MINNERATH.

“Caros fiéis,

As palavras que me vêm à mente nestes dias são as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo citando o profeta Zacarias: “Ferirei o pastor, e se dispersará o rebanho.” (Mt 26,31). Eis o que ameaça nossa comunidade após a recente decisão do nosso arcebispo de expulsar a Fraternidade São Pedro da diocese de Dijon, após vinte e três anos de presença a serviço dos fiéis vinculados à missa tradicional. Durante todos esses anos, os padres da Fraternidade São Pedro se revezaram em Dijon para permitir-vos assistir à missa diariamente, receber os sacramentos com facilidade, ter aulas de catecismo, segundo a pedagogia da FSSP e ministradas pelos padres, pudemos desenvolver atividades para todas as idades, a fim de constituir uma comunidade viva e pacífica na Arquidiocese de Dijon. E tudo isso poderia desaparecer com o golpe de uma caneta? Sem qualquer consulta?

Por nossa parte, o superior do distrito da França da FSSP, Pe. Benoît Paul-Joseph, solicitou uma entrevista com Dom Roland Minnerath e explicaremos as razões de nossa incompreensão e de nossa decepção em face de uma decisão que nos parece profundamente injusta. A verdade é que sois, queridos fiéis, os mais magoados neste caso em que sereis as principais vítimas desta mudança de regime: deixareis de ter todos os serviços que o FSSP vos prestou e a solução diocesana sempre permanece precária, pois depende da boa vontade de um ou dois sacerdotes diocesanos que já estão a cargo de outra paróquia, e que ainda não podem fazê-lo. Além disso, o FSSP permite que sua comunidade mantenha a unidade entre seus membros, apesar da diversidade de pastores que trabalharam na cidade natal de São Bernardo. Portanto, a vós cabe tornar conhecida sua angústia pelos meios adequados para encontrar uma solução pacífica para o bem de todos.

Portanto, o que nos ameaça é a divisão – entre nós ou, o que seria pior, com a diocese – já que os pastores estão abalados. Por isso, não nos deixemos perturbar pelo espírito do Maligno que semeia discórdia nos corações. Saibamos, pois, permanecer unidos para apresentar uma frente firme e poder superar esta prova que nos aflige, lembrando a advertência do apóstolo São Paulo: «Não estejais em dívida com ninguém, exceto para amar uns aos outros; pois quem ama o próximo, cumpre toda a lei.” (Rm 13).

Neste mês de junho tradicionalmente consagrado ao Sagrado Coração, convido-vos a rezar todos os dias as Litanias do Sagrado Coração pelas intenções da nossa comunidade.

Abbé Roch Perrel, superior

[…]

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