Os Erros da Montfort em Disciplina, Moral e Doutrina

Em seu vídeo de 12 minutos, intitulado “Resposta ao site Controvérsia Caótica”, o Sr. Alberto Zucchi, aconselhado pela sua esposa, a Sra. Lucia Zucchi, pretendeu refutar minha análise da controvérsia entre a Montfort e o Frei Tiago de São José, “antes” – diz ela, por meio dele – “que o vídeo se espalhe”.

Se este era o objetivo, a esta altura Dona Lúcia terá de reconhecer o fracasso de seu marido. Enquanto o vídeo dele mal alcançou 2 mil visualizações, o nosso já está com bem mais de 6 mil.

Além de ter falhado neste ponto, o Sr. Zucchi também falhou em outros mais sérios.

Primeiramente, ao colocar sua esposa a pontificar sobre religião a um grupo misto, no Congresso da Montfort na Paraíba, o Sr. Alberto Zucchi, como homem e como católico, falhou na aplicação do seguinte preceito natural e divino: mulheres não devem ensinar religião aos homens, mas antes receber deles a doutrina. Esse é o ensinamento tradicional da Igreja, conforme exposto por São Paulo Apóstolo, São João Crisóstomo, São Tomás de Aquino, Cornélio a Lapide e outros graves autores.

Depois, falhou, igualmente como homem e católico, ao tratar o seu próximo como um inferior, quando o preceito natural requer que se o trate como a um igual – ama a teu próximo como a ti mesmo, não faça ao outro o que não queres que te façam – e o divino manda que se o tenha na conta de superior: Nada façais por porfia, nem por vanglória: Mas com humildade, tendo cada um, aos outros, por superiores (Fil. 2, 3). Submetei-vos a toda humana criatura… Porque assim é a vontade de Deus, que obrando bem façais emudecer a ignorância dos homens imprudentes. Como livres, e não tendo a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas como servos de Deus. (I Pedr. 2, 13).

Não obstante sua responsabilidade, como presidente de um apostolado leigo, o Sr. Zucchi passa boa parte de seu vídeo ofendendo a seu próximo.

Eu nem mereço ser chamado pelo nome – trata-me ele como uma pessoa, um garoto, um gerente de banco quando nega um empréstimo, alguém de visão torta – uma alusão provável e indigna ao nistagmo, isto é, ao movimento involuntário de meus olhos, causado por uma atrofia no nervo óptico. Zucchi também chama o Seminário São José de “porcaria” e ao nosso Congresso de “sem-vergonha”. “Esnobe”, talvez, seja a melhor palavra para descrever sua conduta lamentável e escandalosa.

Por fim, fracassou o Sr. Zucchi como homem de letras e como católico em seu exame de minha argumentação, e isto em uma série de pontos, que exporei na ordem em que aparecem no seu vídeo.

1.º) Sobre as fontes, ele afirma que errei em minha avaliação delas, porque ele também teria citado o Concílio Vaticano I sobre a infalibilidade, com a diferença de que Frei Tiago o teria interpretado do seu prórpio jeito, enquanto ele não faz o mesmo.

Sua afirmação é falsa por três razões:

Primeiro, porque Frei Tiago não faz uma interpretação pessoal, mas apenas a legítima aplicação da doutrina da Igreja ao Magistério pós-conciliar. Isso se espera de qualquer católico instruído: quando a Igreja ensina que devemos evitar comunistas, presume que saibamos identificar os comunistas. Do mesmo modo, quando ensina seus dotes e notas, presume que sejamos capazes de reconhecê-la e distingui-la das falsas igrejas, por meio dessas qualidades. Quando Frei Tiago diz o que diz, ele somente está aplicando essa doutrina da Igreja a um caso concreto particular, em que se vê uma pretensa sem tais qualidades. Ora, a consequência que se segue – tomá-la como falsa e evitá-la – é o que se espera de todo católico. Não há absolutamente nada de errado nisso.

Segundo, também é falsa, porque o Frei Tiago cita a Constituição Dei Filius do Vaticano I, a qual diz que a Igreja é infalível também em seu Magistério Ordinário e Universal, algo completamente ignorado pelo Sr. Zucchi. Portanto, Frei Tiago cita o Vaticano I completamente, no que toca à infalibilidade, enquanto Zucchi o faz parcialmente.

Terceiro, na hora de explicar a doutrina do Vaticano I, Frei Tiago se vale de autores pré-conciliares, com os quais todos concordam, enquanto Zucchi cita somente autores de sua escola de pensamento, o que se chama – em Lógica – de uma petição de princípio.

2.º) Quanto à sua posição, Zucchi pensa que pode haver erros graves no Magistério da Igreja. Por exemplo, heresias, como o modernismo e o liberalismo, e práticas prejudiciais, como a Missa Nova.

Contudo, já se provou mil vezes que esse posicionamento se funda na desconversa e ignorância voluntária.

No vídeo que ele pretende responder, citei três professores da Universidade Gregoriana em Roma, mas o Sr. Zucchi “esqueceu-se” e confundiu a coisas. Ele afirma que eu me baseio em um manual de apologética, quando quem o citou, como exemplo da doutrina tradicional, foi Frei Tiago.

Esses autores todos, de comum acordo, dizem duas coisas que destroem completamente com a tese de Zucchi, Padre Daniel Pinheiro e também, de seu pai no erro, o Sr. Xavier da Silveira (R.I.P.):

Primeiro, o Magistério da Igreja também é infalível quando propõe, sem juízo solene, doutrinas como reveladas por Deus, ritos litúrgicos e leis gerais.

Na prática, se os papas pós-conciliares fossem papas de verdade, eles teriam feito tais coisas infalivelmente, e não haveria problemas sérios com a doutrina do Vaticano II e a Missa Nova. Contudo, a Montfort nega ambas as coisas. Logo, implicitamente, os membros da Montfort afirmam que eles não são verdadeiros papas, embora – explicitamente – neguem um dogma: a infalibilidade da Igreja em seu Magistério Ordinário e Universal.

Segundo, as determinações doutrinais dos dicastérios romanos, embora não sejam infalíveis, são seguras. O mesmo valeria para um pronunciamento não infalível do Papa.

Na prática, isso se aplicaria, digamos, à Declaração sobre a Fraternidade Humana de Bergoglio, inclusa recentemente nas Atas da Sé Apostólica, mas a Montfort jamais aceitaria tal documento como seguro. Mais uma vez, implicitamente, admitem que Bergoglio não é Papa, enquanto – explicitamente – ensinam uma heresia: o Magistério da Igreja, em seus órgãos, pode transmitir aos fiéis uma doutrina herética ou uma disciplina geral nociva à fé e aos bons costumes.

Em outras palavras, o Sr. Zucchi comete dois erros graves, unicamente para salvar, sem sucesso, seu falso papa:

1.º Erro. Reduz demasiadamente a infalibilidade da Igreja; e

2.º Erro. Transforma o não infalível em um possível sinônimo de herético ou prejudicial.

Ambas as teses são negadas por uma infinidade de documentos do Magistério da Igreja (Quanta Cura, Sapientiae Christianae, Humani Generis etc.) e por todos os teólogos citados.

3.º) O Sr. Zucchi afirma que eu teria me dispensado de examinar as fontes de Padre Daniel Pinheiro. Na verdade, eu apenas não tinha sido capaz de encontrá-las no artigo.

Logo me mandaram o texto e o resultado de minha análise apareceu horas depois do vídeo do Sr. Zucchi. Ali demonstrei, para além de toda a dúvida, que Padre Daniel Pinheiro contradiz os próprios teólogos citados por ele mesmo e ignora alguns outros – que, de maneira mais explícita, discordam dele tanto quanto os demais.

4.º) O mesmo Zucchi diz que fiz mal ao não falar sobre os supostos erros dos papas pré-conciliares, limitando-me a dizer que ele comparava coisas de diferentes naturezas e proporções.

O dia em que uma imprudência política for Magistério da Igreja e que a citação – fora do contexto – de um telegrama do presidente dos Estados Unidos gozar de infalibilidade pontifícia, eu levarei sua crítica a sério.

5.º) Zucchi não ignora que eu tenha dito que a Divina Providência não pode permitir que um dicastério romano cometa um erro grave em questões de fé e moral, mas insiste que seria contra os desígnios da Divina Providência uma longa vacância da Sé Apostólica.

Aqui não preciso dizer nada em minha defesa. O próprio Zucchi fez questão de citar, em um outro vídeo, Cardeal Billot dizendo que uma longe vacância é possível. Aliás, sobre este outro vídeo, falarei em outra ocasião.

6.º) Afirma ele que eu defendo o eclesiovacantismo, isto é, o desaparecimento da hierarquia da Igreja. Na verdade, eu me limito a dizer que Bergoglio e companhia não representam o Magistério da Igreja.

Além disso, saliento que o problema da visibilidade da Igreja, acarretado por esse fato notório, não desaparece quando a Montfort afirma que esses hereges são a hierarquia da Igreja. Uma hierarquia com um Magistério que erra gravemente em questões de fé, moral e disciplina eclesiástica é tão invisível, em termos teológicos, como a Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová. Ela não pode ser vista como hierarquia da Igreja, pois não possui qualidades inerentes a essa hierarquia. Se isso não existe, não há visibilidade alguma.

Negar o fato da vacância, não exime dos problemas da vacância, da mesma forma que negar a existência do sol não nos permite fugir, em pleno dia, de sua luz e calor.

7.º) Zucchi dirá então que o sedevacantismo termina em uma seita de teólogos, que se colocam acima do Papado. É mais uma erro de lógica, porque não reconhecemos Bergoglio como representante do Papado.

Além disso, tudo o que se disse dos sedevacantistas, aplica-se mais e melhor à Montfort, que ensina a seus membros a filtrarem o Magistério da Igreja, peneirando o que é católico do que não é. Como dizia o Padre Cekada, o Papa fala, mas são os eles que decidem se o que o Papa diz é católico, herético ou algo entre os dois. O que é isso senão uma seita de gurus que se coloca acima do Papado?

8.º) Zucchi cita uma passagem de São Tomás fora do contexto, no outro vídeo ele fará o mesmo, várias vezes, com outros autores, inclusive São Roberto Belarmino. Mas isso tratarei em outro lugar. Basta dizer aqui que o Doutor Angélico não fala de desobediência a um superior reconhecido como infalível e seguro no exercício de seu ofício.

9.º) Ele diz que eu termino o vídeo com um convite ecumênico e ironiza dizendo que eu poderia convidar também o ultra-bergogliano Leonardo Boff, pois ele também se diz católico.

Meu convite não foi ecumênico, porque eu penso que a Montfort deveria abandonar sua falsa doutrina sobre o Magistério da Igreja, antes de tudo, para que então ela possa fazer a coisa certa.

Diante do exposto, creio que ficou bem demonstrado o porquê seria justo fazê-lo. De fato, sob os auspícios da seita pós-conciliar, a Montfort, na pessoa do seu presidente, comporta-se, aos olhos de todos, como um grupo feminista, sem caridade e sem verdade. Estou eu pedindo muito, ao exortá-la a seguir por outro caminho?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s