Coquetel Peruzzo-Jackelén: Heresia Feminista em Curitiba

No dia 25 de maio de 2021, a Arquidiocese modernista de Curitiba, governada por Dom José Antônio Peruzzo, informa que a Arcebispa luterana e Primaz da Suécia, a Doutora Antje Jackelén, proferiu, no dia anterior, uma conferência teológica na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. O tema? “Os cinco tóxicos p’s e seus remédios – considerações teológicas para uma era digital”. Os cinco p’s mencionados no título são polarização, populismo, protecionismo, pós-verdade e, claro, patriarcado, palavras que começam com a letra “p” e formam, na mente dela, um “coquetel perigoso de ingredientes tóxicos”. Não obstante o teor questionável de sua teoria dos p’s, parece-me útil servir-me deste esquema para falar da própria situação, que é infinitamente mais questionável e tóxica: Pastora Protestante Pregando na PUC-Paraná com a Permissão de Peruzzo. Eis os sete tóxicos p’s sobre os quais gostaria de tratar aqui.

Os últimos quatro p’s, na PUC-Paraná com a permissão de Peruzzo, são um tanto reveladores, eles mostram qual é o tipo de cristianismo que ele favorece. Dom Peruzzo, tão tolerante com os seus irmãos hereges, especialmente com a referida pastora protestante, a quem cedeu, por um instante, a cátedra da PUC-Paraná, para o ensino de teologia, não teve a mesma bondade para com os padres do Instituto do Bom Pastor, que foram expulsos de sua Arquidiocese no final do ano passado.

Talvez o que ele tinha em vista era incentivar, por meio deste escândalo, uma participação maior das mulheres na vida da Igreja, algo que já havia sido preconizado por João Paulo II, como veremos depois.

Mas é sobre os primeiros três tóxicos p’s, Pastora Protestante Pregando, que eu gostaria de falar principalmente. Da mesma forma que, no passado, os protestantes negaram a doutrina da Eucaristia, interpretando como simbólico, ou quase isso, o sentido evidente e literal dos termos “Este é o meu Corpo… Este é o meu Sangue”, assim também, hoje em dia, de comum acordo com os modernistas Novus Ordo, eles negam, em grande parte, o ensinamento óbvio da Sagrada Escritura, confirmado mil vezes pela Tradição e pelo Magistério da Igreja, sobre a condição das mulheres, a qual exige que sejam submissas ao homem, não ensinando na Igreja, nem exercendo funções litúrgicas.

Primeiramente, convém expor o harmonioso consenso da doutrina bíblica, patrística e magisterial a esse respeito, porque assim se verá o profundo abismo no qual se acham os proponentes desse feminismo eclesiástico-litúrgico.

Na Sagrada Escritura, além de outros lugares, vemos o ensinamento sobre a condição das mulheres em São Paulo, na 1.ª Epístola a Timóteo, cap. 2, vv. 12-15:

Pois eu não permito a mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o marido: Senão que esteja em silêncio. Porque Adão foi formado primeiro: Depois Eva: E Adão não foi seduzido: Mas a mulher foi enganada em prevaricação. Contudo, ela se salvará pelos filhos que der ao mundo, se permanecer na fé e caridade, em santidade junta com a modéstia.

O célebre exegeta católico, Dom Augustin Calmet, explica essa passagem, citando o testemunho de Tertuliano, Santo Epifânio, São Jerônimo, São João Crisóstomo, Teodoreto e outros antigos autores cristãos:

DOCERE AUTEM MULIERI NON PERMITTO. Não permito a mulher que ensine nas assembleias, ou onde há homens; pois, nas comunidades de mulheres, aquelas que têm capacidade, podem ensinar as outras: as mães de família devem instruir seus filhos e seus servos em particular [Tito II, 2]. Há mesmo os casos em que uma mulher instruída, pode instruir um homem que não o seja, por exemplo, uma mulher fiel a seu esposo pagão [I Coríntios 7, 13-16]. Prisca, ou Priscila, instruiu a Apolon, apesar de ele ser muito mais sábio em tudo o mais, ele não conhecia a JESUS CRISTO. A maior parte dos Apóstolos tiveram com eles mulheres piedosas e instruídas [I Coríntios 9, 5], que iam nas repartições das mulheres, onde os homens não podiam ir, e lhes anunciavam o Evangelho. São Paulo mesmo reconheceu que ele tinha sido muito ajudado em Filipos pelas mulheres de piedade, que tem trabalhado muito na obra de Deus [Filipenses 4, 3]. Então, não é senão da instrução pública e solene que o Apóstolo impede as mulheres, e não da instrução particular.

Na primeira aos Coríntios, ele impede mesmo aquelas que receberam o dom da profecia ou de interpretar as Escrituras de aparecer sem véu e de ensinar na Igreja. É a disciplina inviolável que sempre foi observada nas Igrejas Católicas [De Virginibus velandis cap. 9, vide Contra Marcionem, liv. 5]: Non permittitur mulier in Ecclesia loqui, sed nec docere, nec tinguere, nec offerre, nec illius virilis muneris sortem sibi vindicare. Mas entre os hereges, a coisa não é assim tão rara [idem, De praescript., c. 41]. Vemos quanta deferência tinha Simão e os simonitas por Helena e os montanistas por suas pretensas profetizas; eles lhes admitiram ao sacerdócio e ao episcopado, segundo Santo Epifânio [Heresia 48]. Os marcionitas [Idem, Heres. 42] dificilmente tinham menos consideração por elas; eles permitiam que elas dessem o Batismo. Nós não vimos, no século passado, uma rainha herética à frente da Igreja Anglicana?

ADAM ETIAM PRIMUS FORMATUS EST. Pois Adão foi formado primeiro. Eis as razões que obrigam as mulheres a serem submissas aos maridos, e que lhes deve impedir de exercer autoridade sobre eles, ainda mesmo quando elas tenham adquirido mais conhecimentos, ou que elas tenham recebido um dom particular de interpretar as Escrituras. Esses dons extraordinários não podem derrogar a ordem natural, que pede que a mulher seja submissa ao homem. Ela foi criada depois do homem e para o seu serviço [Gênesis 2, 11-12; I. Cor. 9, 8-9], Deus a sujeitou ao homem [Gênesis 3, 16], sub viri potestate eris. Além disso, Eva foi seduzida pela serpente, e é por ela que o pecado e a morte entraram no mundo. Quando então ela tinha sido criada inteiramente igual ao homem, por isto só de ter sido a primeira a pecar, ela mereceu ser reduzida a obediência e a se submeter. Com efeito, a sentença de sua sujeição não foi pronunciada senão depois do pecado, como nota São João Crisóstomo [ad locum].

ADAM NON EST SEDUCTOS. Adão não foi seduzido. Ele não foi seduzido primeiro, nem pela serpente, mas ele foi o segundo e por Eva, sua esposa [Teodoreto]. Assim a mulher era mais frágil, mais débil, mais fácil de seduzir, menos prudente, é justo que ela fique sujeita àquele que tem mais força, firmeza e juízo. Ela se pôs uma vez a ensinar, e tudo subverteu; que ela fique em silêncio, posto que ela quis falar a Adão, e o seduziu.

SALVABITUR AUTEM PER FILIORUM GENERATIONEM. Ela se salvará pelos filhos que der ao mundo, se elas forem constantes na fé, etc. Elas devem se consolar de não ensinar na Igreja, de não executar as funções e de não cumprir as dignidades que são reservadas aos homens. Isso não as exclui da felicidade e as dispensa de uma infinidade de penas e inquietações; e se elas têm inveja de render serviço a Deus pela instrução dos outros, não têm elas os seus filhos e domésticos, a quem elas podem e mesmo devem instruir e criar no temor do Senhor, na piedade, na fé, na caridade? [vide Crisóstomo, ad locum]. Pois o grego lê no plural: Se eles perseverarem na fé, na caridade etc. E a maioria dos Padres [Jerônimo, Ambrósio, todos os gregos] lhe relacionam aos filhos e não às mães.

Aqueles mesmos que a relacionam às mães, leem no plural, como o grego e o siríaco, e as outras versões. As mães serão salvas se elas perseverarem na fé, e na prática da caridade e da piedade, ou se elas têm cuidado de fazer de tal modo que seus filhos também perseverem. É muito para os pais e mães de bem viver e perseverar na fé e na caridade, mas isso não basta para os salvar, a menos que eles se empenhem de todo o seu poder a instruir e a fazer instruir seus filhos e seus domésticos. É um depósito precioso que vós haveis recebido, diz São João Crisóstomo; cabe a vós lhe conservar preciosamente.

Essa expressão, per filiorum generationem, não significa a geração natural dos filhos, como se fosse uma via própria para levar à salvação, que por ter muitos filhos, ou que as mulheres casadas encontrariam nas dores de parto, uma penitência para a expiação de seus pecados, como alguns disseram. Se assim fosse, as virgens e aqueles que vivem em continência, seriam privadas de uma grande vantagem para a sua salvação. Gerar, neste local, toma-se por criar, do mesmo modo que em algumas outras passagens da Escritura. É dito, por exemplo, que Maquir gera sobre os joelhos de José [Gênesis 50, 22], e que Noemi gera Obed [Rute 4, 17], isto é, que José e Noemi criaram, um os filhos de Maquir, a outra Obed, seu neto. Está dentro do sentido dos Livros Santos dar o nome de pai àquele que criou o menino, que não lhe pertencia.

(Calmet ad locum)

O que a Sagrada Escritura e a Tradição ensina sobre a condição das mulheres é confirmado pelo Magistério tradicional da Igreja.

Sobre a questão de mulheres desempenhando funções litúrgicas, assim responde o Papa Bento XIV em 1755:

O Papa Gelásio em sua nona carta (cap. 26) aos bispos de Lucania condenou a má prática que havia sido introduzida de mulheres servindo ao sacerdote na celebração da Missa. Como esse abuso havia se espalhado para os gregos, Inocêncio IV o proibiu estritamente em sua carta ao bispo de Tusculum: ‘As mulheres não devem ousar servir no altar; a elas deve ser totalmente recusado este ministério’. Nós também proibimos esta prática com as mesmas palavras em Nossa Constituição Etsi Pastoralis, sess. 6, n. 21. (Papa Bento XIV, Allatae Sunt, 26 de julho de 1755)

Sobre a sujeição da mulher ao homem, reitera-o, em 1930, o Papa Pio XI:

Finalmente, robustecida a sociedade doméstica com o vínculo desta caridade, é necessário que nela floresça o que Santo Agostinho chamava a hierarquia do amor, a qual abrange tanto o primado do homem sobre a mulher e os filhos, como a diligente submissão da mulher e sua rendida obediência, mandada pelo Apóstolo com estas palavras: ‘As casadas estejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor; porque o homem é a cabeça da mulher, assim como Cristo é cabeça da Igreja’ [Ef. 5, 22-23] (Papa Pio XI, Casti Connubii, n. 10)

Completamente outra é a posição do Magistério modernista, para quem trabalha Dom Peruzzo, o qual atuando contra a Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério tradicional da Igreja, ensina o exato oposto, a heresia feminista, na pessoa de João Paulo II:

Hoje estou apelando a toda a comunidade da Igreja para que favoreça de todas as maneiras a participação das mulheres em sua vida interna. Em grande parte, essa participação incluiria simplesmente a implementação de funções existentes abertas às mulheres, incluindo o ensino de teologia, formas aprovadas de ministério litúrgico, inclusive serviço no altar, conselhos pastorais e administrativos em várias instituições da Igreja, Cúrias e Tribunais. (João Paulo II, Audiência em Castelgandolfo, 3 de setembro de 1995, citado em The Wanderer, 9 de outubro de 1997).

Mas, enquanto na relação Cristo-Igreja a submissão é só da parte da Igreja, na relação marido-mulher a « submissão » não é unilateral, mas recíproca! (João Paulo II, Mulieris Dignitatem, n. 24).

Somente um insensato para não ver que estes falsos profetas de nosso tempo, pretensos pastores da Igreja Católica, trabalham pela implantação de uma agenda feminista, segundo as pegadas do protestantismo, e na medida que caminham nessa direção, mais e mais se afastam do catolicismo.

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