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NOTAS FILOSÓFICAS I:
  • Publicado em 15/05/2017
  • Por Diogo Rafael Moreira
Alguém poderá dizer que nas minhas aulas faltaram conteúdos reflexivos, mas aos que assim disserem eu já possuo uma resposta pronta: como os alunos podem fazer uma reflexão profunda, se eles não sabem como pensar sobre elas de maneira bem ordenada? A grande questão é que não adianta introduzir questõs para as quais eles não estão sequer preparados. Isso seria mesmo desumano ou, no melhor, uma doce ilusão; eles acham que aprendem filosofia e o professor acha que a ensina. É mais importante e útil ensinar o caminho pelo qual eles podem chegar um dia a refletir seriamente do que iludí-los. Filosofia é para todos, mas nem todos, talvez poucos, desejam pensar claramente sobre as coisas. Reflexão é um método que exige aquelas coisas que mencionei acima: inteligência e memória bem treinadas. Qualquer introdução à filosofia é sem esperança quando o professor avança para temas mais complicados sem tratar do que é mais simples, perdem-se coisas no meio do caminho, confundem-se os conceitos e não se faz verdadeiro progresso. Não há duvida, a realidade precede o pensamento na ordem do ser, mas o estudo do pensamento deve preceder o estudo da realidade na ordem do aprender, pois se não compreendemos as leis da razão, o caminho está aberto para uma multidão de mal-entendidos. Se a filosofia se contantar em ser uma matéria de mero opiniacionismo, ela se torna algo bobo e sem interesse. Filosofia é o maior esforço que a razão pode fazer para compreender o que as coisas são em seus diferentes aspectos. Ela é a mais nobre das ciências e todas as demais ciências lhe devem explicação e dela dependem para validar suas descobertas. A filosofia não é simplesmente mãe ou serva, ela é a rainha das ciências humanas. Ela só deve satisfações à ciência não humana, isto é, a teologia (RABEAU, 1935, p. 1461-1493). Na turma do 8º 03, poucos alunos receberam uma nota superior a 6,0. Infelizmente os alunos estavam muito dispersos e frequentemente era necessário chamar a atenção de um ou outro. Na turma do 8º 04 o resultado foi mais animador, mais da metade recebeu nota superior a 6,0. A impressão que tive ao corrigir as provas foi que os alunos se confundiram mais por falta de interesse e atenção do que por falta de tempo, recursos ou explicação. Estou bastante certo, tendo duas moças pequenas em casa, que este deficit de atenção se deve ao contato com aparelhos eletrônicos, cujo dano cerebral é notório e comparável ao causado pelo consumo de heroína. Esse é um tema que foge muito dos fins desse relatório, mas é digno de mneção, porque é preciso tratar os problemas pedagógicos a partir de suas causas. Afirmar que os alunos são incapazes de se concentrar e reter muitas informações por falta de atenção é um diagnóstico incontornável. O indiscriminado contato com aparelhos eletrônicas, incluindo a televisão, é uma das causas. Eles precisam, portanto, assistir menos televisão, evitar o uso de celulares e voltar a ler histórias e brincar no quintal de casa. Essas atividades favorecem o desenvolvimento da inteligência e da memória, enquanto às mencionadas anteriormente são, no melhor dos casos, comparáveis à drogas anestésicas (KARDARAS, 2016). Antes de começar qualquer investigação filosófica digna do nome é necessário usar bem os recursos disponíveis. A Lógica, mais do que uma arte de pensar, ensina as leis que regem o espírito humano. A título de preâmbulo, proponho expor alguns conceitos clássicos como inteligência e memória, suas faculdades essenciais e como bem empregá-las. A utilidade é dupla: a Lógica é uma disciplina útil para qualquer espécie de investigação científica, não somente filosófica, ou seja, ela será útil para os estudos dos alunos de uma forma geral; além disso, compreendendo bem essas coisas, eles terão condições de desenvolver aquela inclinação à reflexão necessária para o estudo de filosofia. As realidades vistas durante o estágio impeliram a muita reflexão sobre o destino de nossa juventude. Eles gostam de coisas que se movem e fazem barulho, eles gostam de emoções fortes e surpresas. É uma verdade que muito do que alguém gosta deriva da simples repetição – isso que é particularmente verdade sobre música –, mas não se poderá fazer um juízo equilibrado sobre os gostos da juventude se houver, de nossa parte, uma indisposição ou recusa de confrontá-los com outros hábitos a fim de julgar se eles são, de fato, bons ou não. Naturalmente, o mundo está cheio de pessoas que querem negar que exista objetivamente um fim e uma causa – desde Hume a moda é essa. Todavia, Hume não é Deus e, na verdade, ele é a prova de que um filósofo pode dizer coisas que não partem da realidade vivida e, ainda assim, com algum marketing e endosso de seus colegas, pode passar para os anais da história com o epíteto de empirista. Isso é irônico. Não é momento para criticá-lo aqui, se o leitor se interessar, tome o seu Maclntyre e julgue por si mesmo. Entretanto, o ponto é que, não obstante não seja costume proceder com esse tipo de investigação – coisa que alguém prontamente chamaria de autoritária, ntolerante etc. -, convém fazê-la hoje mais do que nunca: o que é o bom ou o bem? Qual é o fim último dos atos humanos? As respostas são diversas, mas eu tenho a impressão que elas poderiam ser uma só. Por que não são uma só? Porque a questão do fim último, assim como a questão da causa primeira e da essência das coisas, estão fora de questão. Por quê? Simplesmente porque as pessoas confundem método com metafísica, ou seja, pensam que método histórico é historicismo, que ciência é cientificismo e que estudo do ser humano é humanismo; em outras palavras, hoje grande parte das pessoas acredita realmente que a loucura é a forma mais perfeita de sanidade. Essas questões não são realmente discutidas hoje por causa dessa confusão, a qual não deriva senão de preconceito e imitação do preconceito. A crítica moderna consiste em tratá-las como uma impossibilidade, mas a justificação não satisfaz; trata-se de uma mania, um costume (um vício?), mas não é de jeito nenhum inerente ao pensamento humano. E, ainda que se eivite confrontar essas questões que envolvem de facto as crenças das pessoas e fazem alguma diferença nas suas vidas, a única forma de resolver o problema, qualquer problema até o fim, consiste em apelar para essas três instâncias: a causa primeira do que existe, a essência ou sentido do que se pensa e o fim de toda ação, o fim último. Responder a essas questões é a tarefa fundamental fa Filosofia, por isso é costume tratar o “De onde eu vim (questão da existência)? Quem eu sou (questão da essência)? Para onde eu vou (questão do fim)?” como questões filosóficas por excelência. Erros que são difíceis de desfazer na teoria, porque é necessário de muitas palavras para corrigir os erros de um Kant ou de um Hume, mas de pouquíssimas para preferí-los, são fáceis de corrigir na prática. Basta assumir uma diferente atitude perante a vida, basta filosofar. O que é filosofar? Simplesmente isto: refletir sobre os problemas até o fim, procurar compreender a realidade até os limites da razão sem delimitá-los de antemão como fez Kant. É algo simples, pois a realidade está a nosso favor, os problemas da vida, se enfrentados como problemas, exigem uma solução.
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