Comunhão Espiritual

Comunhão Espiritual

Meu Senhor e meu Deus! Penetrado do sentimento da Vossa presença real na sagrada Eucaristia, e não podendo receber-Vos agora na Sagrada Comunhão, venho pelo menos solicitar a graça de Vos receber espiritualmente no meu coração, porque minha alma vos deseja como cervo sequioso que anela por uma fonte de água viva.

Para suprir minha insuficiência, eu Vos ofereço a contrição infinitamente perfeita que vosso divino Coração concebeu dos meus pecados no horto da Agonia e da cruz; eu Vos ofereço as disposições do Coração Imaculado da Ss. Virgem Maria no dia da vossa incarnação; ofereço-Vos as suas comunhões e as de todos os Santos.

Vinde, pois, a mim, Senhor! Vinde residir neste pobre coração que quer ser todo vosso, mas que reconhece sua fraqueza se Vós não dirigirdes seus movimentos, se não fortalecerdes sua vontade tão fraca. Vinde, afim de que possa dizer-Vos com Santa Margarida Maria; “Meu Deus, meu único bem e meu tudo! Vós sois tudo para mim, e eu sou todo para Vós”.

(Depois duma breve pausa)

Meu doce Jesus, eu uno minha alma à vossa, meu coração, meu espírito, minha vida, minhas intenções às vossas, e assim unidas, me apresento a vosso Pai.

Recebei-me, ó Eterno Pai, pelos merecimentos de vosso divino Filho, que eu Vos ofereço com toda a Igreja; não me olhes senão como escondido nas suas chagas, coberto com seu sangue e ornado com seus merecimentos.

É assim que me apresento a Vós para que não me afasteis da vossa presença, mas Vos digneis receber-me nos braços da vossa paternal bondade e me concedais a graça da salvação.

COMPANHIA DE JESUS. Manual dos Irs. Coadjuntores. pp. 63-65.

O Quinto Mandamento da Lei de Deus: Não Matar

20ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Quinto Mandamento da Lei de Deus: Não Matar.

A. INTRODUÇÃO. ABORTO. HOMICÍDIO. LEGÍTIMA DEFESA. GUERRA JUSTA. PENA DE MORTE.

I. O Quinto Mandamento da Lei de Deus é Não matar. O amor ao próximo exige não só fazer-lhe o bem, mas também evitar fazer-lhe mal. Ora, o maior mal que se pode fazer ao próximo é levá-lo à morte. Por isso, com a breve e simples expressão “Não matarás”, Deus proíbe-nos que causemos dano tanto à vida natural ou física quanto à vida espiritual do próximo e nossa.

II. A vida natural do homem pode considerar-se antes e depois do nascimento. A criança no ventre da mãe tem direito à existência. E este direito é tanto maior quanto é certo que se encontra na impossibilidade de se defender e pedir socorro. O crime pelo qual se lhe tira a vida chama-se aborto, que nunca é permitido nem mesmo para salvar a honra e evitar o escândalo. São igualmente criminosos os que, por meio de remédios e outros processos, cooperam para eliminar estas vidas inocentes.

III. O assassinato do homem nascido diz-se homicídio, feio crime aos olhos de Deus, dos homens e da sociedade. Crime aos olhos de Deus, porque só Deus é autor e senhor da vida humana e só ele pode dispor dela como lhe aprouver. Isso usurpa os direitos de Deus sobre o homem e e atenta contra sua suprema autoridade. Crime aos olhos dos homens, porque o homicídio arrebata do homem a mais preciosa de suas propriedades, cuja perda é irreparável. Crime aos olhos da sociedade, porque lhe arranca os seus membros de quem pode tirar grandes vantagens. Por isso é que o Senhor com razão fulminou o homicídio com as suas maldições dizendo: “A quem quer que derramar o sangue do homem, ser-lhe-á derramado o sangue.” (Gn 9, 1). Entre todos os homicídios, reveste-se de particular gravidade o parricídio, isto é, o assassinato do pai ou da mãe, a quem se deve a vida; e sobretudo o regicídio ou o assassinato de um soberano. O regicídio é ainda uma impiedade contra a pátria, porque tende a destruir a ordem social.

IV. Só em três casos é legítimo matar o próximo:

1.º Em legítima defesa da própria vida contra um injusto agressor. Deus manda que amemos o próximo como a nós mesmos, e não mais do que a nós mesmos; e quando não há outro meio de pôr a salvo a própria existência, senão matando o injusto agressor, há todo o direito de o matar. O injusto agressor perde todo o direito à sua vida, desde que tenta acabar com a dos outros. E, entre o culpado e o inocente, a escolha não admite dúvidas: morra o culpado e salve-se o inocente.

2.º Em guerra justa. A guerra só é justa quando se torna necessidade imprescindível em defesa dos direitos injustamente violados. Assim como o indivíduo pode defender-se com todas as suas forças contra o injusto agressor, até matá-lo, assim também o indivíduo coletivo, isto é, a sociedade, pode defender-se contra qualquer outra sociedade que injustamente a ataque. A Igreja Católica reconhece na sociedade o direito de uma justa e legítima defesa armada, mas nunca deixou de considerar a guerra como um tremendo castigo de Deus. E na ladainha de Todos os Santos pede a Deus que dele livre os povos cristãos.

3.º Para cumprir a sentença da autoridade suprema que condena um malfeitor à pena de morte. Escreve S. Paulo: “Porque não é debalde que ele traz a espada. Porquanto ele é ministro de Deus, vingado em ira contra aquele que obra mal.” (Romanos 13, 4). Quando, pois, o poder público tira a vida a uma malfeitor, tira-lhe usando do poder que recebeu de Deus. Deve sempre ver-se nisso a defesa necessária da sociedade, a restauração da ordem, uma lição tremenda ao culpado e a todos os cidadãos.

B. ESCÂNDALO OU HOMICÍDIO ESPIRITUAL.

V. O Quinto Mandamento proíbe também o lesar a vida espiritual do próximo com o escândalo. Acima da vida natural, há a vida espiritual que se funda na graça santificante, na amizade com Deus; e o homem pode arrebatar do homem esta graça e esta amizade por meio do escândalo. Por isso pode chamar-se o escândalo de homicídio espiritual. A palavra escândalo significa pedra de tropeço e sua gravidade depende das condições especiais de quem o comete ou recebe, segundo a natureza do pecado e o número dos que com o escândalo são levados ao mal. A vida daquele que negligencia seus deveres religiosos e do próprio estado é um contínuo escândalo.

VI. O escândalo é direto quando o ato escandaloso é feito para induzir o próximo ao mal, indireto quando não há essa intenção. Em ambos os casos, porém, há pecado, porque o simples ato de cometer uma falta em presença do próximo vai fazer com que este se incline a imitá-lo. O escândalo é ativo quando dado, passivo quando recebido. O escândalo passivo chama-se dos simples, quando provém da ingenuidade, fraqueza de espírito ou ignorância do escandalizado; farisaico se provém da malícia, isto é, quando maliciosamente se finge receber o escândalo de uma ação boa ou indiferente. Do escândalo farisaico, não se deve fazer caso algum; ao passo que, não havendo dano ou incômodo, a caridade obriga a abster-se até mesmo de uma ação boa, quando fosse ocasião de pecado para pessoas ingênuas ou ignorantes.

VII. O escândalo é um pecado gravíssimo. Um pecado é tanto mais grave quanto maior for a injúria que se faz a Deus, o dano que causa ao próximo e ao pecador que o comete. Ora, o escândalo faz sobretudo injúria a Deus, porque o fere nas suas mais caras e preciosas criaturas e na sua própria pessoa. Se vós, por exemplo, ofenderdes um criado que porte as insígnias do príncipe, ofendeis o próprio príncipe; se entrardes no seu palácio e insultardes também a sua família, a injúria será ainda maior; e se finalmente atentardes contra a vida do príncipe, a injúria atingirá o cúmulo; e chegaríeis ao último excesso, se, não contente com o estar sós, convidásseis outras pessoas para mais o humilhar e mais facilmente o destruir.

Pois bem, tudo isto se encontra no homem escandaloso. Este fere a Deus nas coisas mais sagradas e preciosas que possui, as almas por Ele criadas e redimidas. É tal o afeto que Deus sente por elas, que tocar-lhes é o mesmo que tocar na pupila de seus olhos. Com efeito, para salvar as almas desceu Ele do Céu, tomou carne humana no seio de uma mulher, nasceu pobre numa choupana, viveu trinta anos numa oficina e morreu crucificado. E o escandaloso arranca-lhe imprudentemente do seio estas amigas, estas irmãs, estas esposas, para nelas fazer horrível carnificina. Mas não é tudo, Deus, mais que às almas ama a sua honra e a sua glória: Gloriam meam alteri non dabo (Isaías 48); mas o escandaloso orgulhosamente também atenta contra esta glória e esta honra, e ainda, não contente com fazê-lo só, procura companheiros que consigo façam a Deus injúria e ultraje.

VIII. O homem escandaloso é perigosíssimo. Imaginai os homens mais perigosos à sociedade, os ladrões por exemplo. Mas os escandalosos são piores, porque os ladrões roubam bens fugazes desta terra e os escandalosos os próprios tesouros do Céu. Para o roubo dos ladrões poderá haver compensação e reparação, para a rapina dos escandalosos não há compensação e reparação alguma, sem auxílio especial de Deus. Mais perigosos que os ladrões são os assassinos. Mas os escandalosos são piores, porque aqueles matam a vida do corpo, estes matam a vida da alma; e entre a vida do corpo e a vida da alma há um abismo. Por isso ensinou Jesus: “Não temais aos que matam o corpo, e não podem matar a alma: Temei antes porém ao que pode lançar no inferno tanto a alma como o corpo.” (Mateus 10, 28).

IX. O prejuízo causado pelo escândalo é incalculável. Se um pequeno bloco de neve se desprende do cimo de uma montanha, forma, rolando e precipitando-se, avalanches imensas que, ameaçadoras e terríveis, caem sobre os vales. É esta uma imagem da espantosa dilatação e multiplicação do pecado escandaloso. Aqueles que receberam os maus exemplos, comumente escandalizam os outros, e estes a outros mais. É assim que em breve tempo milhares e milhares de almas se precipitam na condenação, por conta daquele que deu princípio à catástrofe. Direi mais: desaparecerá do mundo o homem escandaloso, nada mais restará dele que pó e cinza; mas os seus escândalos viverão ainda para desolar a terra, arruinar o mundo. A responsabilidade destes males cairá principalmente sobre aquele de quem proveio o primeiro mau exemplo. Não admira, pois, que os homens escandalosos sejam chamados pelo Espírito Santo de aliados e apóstolos do demônio, que desde o princípio foi sedutor e homicida. E cada vez se apresentará maior a força da tremenda ameaça saída dos lábios de Jesus Cristo: “Vae homini illi per quem scandalum venit; Ai do homem por cuja culpa vem o escândalo… Melhor fora para ele que lhe prendessem ao pescoço uma mó e o precipitassem no fundo do mar.” (Mateus 18, 6 e 7)

X. Quem, pois, deu escândalo por palavras e ações más, deve, primeiro que tudo, sincera e profundamente arrependido, confessar-se dele; e, se conscientemente deu mau exemplo a mais pessoas, deverá declarar ao sacerdote confessor o número das pessoas que escandalizou. Porque, do mesmo modo que aquele que com uma mesma arma mata conscientemente várias pessoas, é réu de tantos homicídios quantas as pessoas que matou; assim também aquele que com atos e más palavras, dá escândalo a várias pessoas, é réu de tantos pecados quantas as pessoas a quem conscientemente deu a morte espiritual. É preciso, além disso, induzir a praticar o bem àqueles que foram escandalizados. De fato, do mesmo modo que o Senhor só perdoa ao ladrão o pecado de furto, com a condição de restituir ao próximo o que lhe roubou; do mesmo modo ele não perdoará ao escandaloso, se este não desviar do caminho da perdição àqueles que arrastou com os seus escândalos. A mais eficaz reparação é mostrar-se sinceramente arrependido do mal feito, e fazer, com uma vida eminentemente cristã, todo o possível para arrancar da alma dos outros as más impressões recebidas pelos escândalos.

XI. São Felipe Neri impõe a uma mulher maledicente a pena de depenar uma galinha e espalhar as suas penas pelas estrada. No dia seguinte a mulher retornou perguntando-lhe o que restava fazer. O Santo mandou que ela voltasse e recolhesse as penas dispersas. Impossível, respondeu ela, a essa hora o vento já as deve ter arrastado por toda parte. Então, disse São Felipe Neri, e acaso seria mais fácil a senhora recolher as maledicências que têm espalhado aos quatro ventos?

XII.Santo Agostinho levou por trinta e três anos uma vida escandalosa e defendeu os erros dos maniqueístas. Depois de sua conversão, escreveu o maravilhoso livro das Confissões, no qual publicamente deplora e chora os seus pecados e erros.

C. SUICÍDIO. DUELO. AMAR O INIMIGO. CUIDAR DOS ANIMAIS.

XIII. No Quinto Mandamento, Deus também proíbe o suicídio, porque o homem não é senhor de sua vida, como não o é da dos outros. A igreja por seu lado pune o suicídio com a privação da sepultura eclesiástica. Tamanha severidade se deve ao fato do suicídio em nada diferir do homicídio senão por sua maior abominação. Com efeito, este crime é maximamente contra a natureza, que sempre busca a conservação da própria vida; bem como contra os deveres que o homem tem para consigo mesmo, os quais são mais numerosos do que aqueles para com o nosso próximo e são como que uma regra pela qual amamos retamente o nosso próximo. Extrema, criminosa vileza é o suicídio, digno de eterna infâmia para os próprios gentios!

XIV. Desejar a morte por ira, por desesperação, é sempre pecado, como é pecado pedir a morte, por uma espécie de suicídio que se consuma no coração. É-nos, porém, lícito desejar a morte quando se faça com fins santos e pleno abandono na vontade do Senhor. Na verdade, o santo velho Tobias, achando-se aflitíssimo, dirigia ao Senhor esta prece: “Senhor, se vos apraz, mandai que neste momento eu expire em paz; porque melhor é para mim morrer que viver.” E Santa Teresa repetia: “Senhor, ou sofrer, ou morrer”, para gozar em breve da visão de Deus.

XV. É, pois, lícito expôr-nos ao perigo de abreviar a existência, mas por um bem mais precioso que a própria vida. Digo mais: se algum grande bem houvera de alcançar-se com o desprezo de um ano de vida, não seria vetado adquiri-lo. Do contrário, seria proibido qualquer sacrifício e seria pecado a generosidade do herói, o estudo do erudito, a indústria do negociante; e o que é que se faz no mundo sem que a vida se prejudique? Pecam todavia os que prejudicam a saúde e gastam a vida na desordem e no vício.

XVI. O Quinto Mandamento também proíbe o duelo, porque ele participa da malícia do homicídio e do suicídio, e fica excomungado todo aquele que nele tem parte, ainda que como simples espectador. Por esta palavra duelo quer-se designar especificamente o combate combinado entre duas pessoas e por autoridade própria, no intuito de causar ferimento ou morte. A combinação o distingue da rixa, o ser feito por autoridade própria o distingue do combate feito em nome da autoridade civil (legítimo como no caso da luta entre Davi e Golias) e o intuito de matar ou ferir um particular o distingue de uma atividade meramente recreativa ou desportiva como uma arte marcial. O duelo jamais é justificável, nem que seja em defesa da honra. Porque não é verdade que no duelo se repare a ofensa e porque não pode reparar-se a honra com uma ação injusta, irracional e bárbara como o duelo.

XVII. Poucos são os que, no ódio profundo de seu coração, desfazem-se do inimigo manchando-se no seu sangue, praticando um homicídio. Muitos são, porém, aqueles que no seu coração detestam o inimigo, gozam com o seu mal, sofrem com o seu bem. Também isto é pecado. E se a parte negativa do Quinto Mandamento condena o homicídio, o suicídio, o duelo, a parte positiva ordena que queiramos o bem a todos, mesmo dos nossos inimigos. Quem dá ouvido à vingança, tem por conselheiro a Satanás. Jesus Cristo, pondo-se entre o ofendido e o ofensor, pede que suportemos as injúrias pessoais em seu Nome e que também por causa dele perdoemos o nosso próximo. Na parábola do Bom Samaritano mostra que amor e dedicação devemos ao nosso inimigo quando está em necessidade; na noite de sua Paixão ensina que devemos servir e amar o nosso próximo como ele fez, e ele nos amou primeiro, quando éramos seus inimigos; por fim, como Legislador Supremo, estabelece a lei do perdão como requisito obrigatório para a salvação. O cristão não deve, pois, hesitar: ou perdão, ou condenação. Ai, portanto, daquele que se entrega às paixões, que facilmente se precipita de abismo em abismo, e que no dia seguinte ao da vingança ficará só com o seu crime e os seus remorsos. Quantas famílias perderam para sempre o sossego, porque repeliram a voz do perdão e ouviram o grito das paixões! Quantos, num momento de delírio, cortaram a própria felicidade e acharam maneira de ser infelizes eternamente!

XVIII. Um jovem herege jurara matar São Gregório, quando este jazia enfermo no leito. Com este terrível intento no coração, penetrou o assassino silenciosamente na habitação do bispo, que estava sempre aberta, levando um punhal escondido sob o manto. À vista do seu quarto tão pobre, dum leito onde sofria um homem que juntava ao olhar dum pai o sorriso dum santo, o assassino, comovido, começou a tremer, largou o ferro e encheu-se da maior turbação. Gregório viu-o, viu também o ferro, e docemente lhe perguntou: Para que é, meu jovem, este punhal? Não vedes, dizem os circunstantes, vem para vos matar, prendamo-lo! Ninguém lhe toque, exclamou o Santo Prelado. Vem cá, meu filho, eu te perdoo; sai daqui livre como entraste. O jovem começou a chorar: Desde este momento, padre, serei um filho fiel da Igreja Católica.

XIX. Ao que causou algum dano à vida do próximo, este Quinto Mandamento ordena a reparação. Por isso, quem ofendeu, deve pedir perdão; quem caluniou, deve retirar a calúnia; quem matou, mutilou ou feriu deve ressarcir dentro do possível o dano causado; quem escandalizou, com uma vida verdadeiramente cristã e buscando todos os meios sugeridos pela prudência e zelo cristão para induzir às boas ações os que foram escandalizados. “Assim luza a vossa luz diante dos homens: que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5, 16)

XX. Embora o preceito Não matarás tenha em vista a vida do homem, contudo, em sentido lato, condena também a crueldade para com os animais. Os animais irracionais foram dados pelo Criador ao homem para o seu serviço, mas não quer isto dizer que o homem possa tratá-los de qualquer maneira. O homem deve proceder segundo a razão, sabendo que tem deveres a cumprir. Em virtude destes deveres, o homem não pode abusar do direito que tem sobre os animais, para os obrigar com maus tratos a um trabalho superior às suas forças, e muito menos para lhes bater com crueldade; porque estes animais, embora não dotados de razão, possuem sensibilidade como nós quando maltratados. Ademais, os maus tratos infligidos aos animais fazem endurecer o coração do homem, tornando-lhe agressivo e insensível ao sofrimento alheio. A crueldade que se julgou lícita aplicar aos animais logo passa aos semelhantes. Por isso, a Escritura provê leis para o cuidado dos animais (Êxodo 23, 19; Deuteronômio 23, 6, 7 e 10; 25, 4). Por fim, se Deus é tão solicito com o bem dos animais (Mateus 6, 26), por que não tentará o homem também nisto se parecer com o seu Criador e Senhor? Por isso, “o justo cuida da vida de seus animais” (Provérbios 12, 10).

Dom Fernando Arêas Rifan Sionista: O Pupilo da Sinagoga

Eis a homenagem que o bispo ecumênico de Campos, Dom Fernando Arêas Rifan (o mesmo que não se entende bem com o Padre Fernando Arêas Rifan: https://www.youtube.com/watch?v=eJXcvicC9jo), rende aos seus mestres da Sinagoga.

Sem “Dom”, sem batina e sem vergonha de escandalizar, Dom Fernando Arêas Rifan recomenda incondicionalmente os cursos de uma instituição judaica, que não crê nas Sagradas Escrituras, porque se nelas cresse reconheceria a Nosso Senhor Jesus Cristo Rei, aquele que o Pai enviou (cf. Evangelho segundo São João, capítulo 5).

Resposta a um seminarista

Resposta a um seminarista modernista, com uma apologia à Missa Tridentina, explicação sobre o que é a religião (seja como complexo de verdades, preceitos e culto, seja como virtude moral), seguida de uma distinção entre a religião divina e a religião do homem, a saber, que uma é revelada por Deus e para a glória de Deus, enquanto a outra vem do homem e é para a glória do homem; uma busca a redenção mediante a humilde submissão do homem à Majestade Divina, a outra nutre a ilusão gnóstica da auto-salvação (humanismo). Conclusão: todo homem que queira ser fiel a Deus e busque o seu próprio bem está obrigado a rechaçar as falsas religiões (inclusive o modernismo pós-conciliar) e deve abraçar a única religião divina e católica.

Apresentação do livro Bem-Vindo à Missa Tridentina de Padre Anthony Cekada

APRESENTAÇÃO DO LIVRO BEM-VINDO À MISSA TRIDENTINA DE PADRE ANTHONY CEKADA


O Controvérsia Católica preparou um presente aos que desejam ser benfeitores do Seminário São José. Aqueles que fizerem uma doação igual ou acima de 50 reais receberão 5 exemplares do livro Bem-Vindo à Missa Tridentina, escrito pelo renomado Padre Anthony Cekada.

Este é uma introdução rápida à Missa Tradicional, explicando com linguagem bastante acessível o porquê o católico deve assistir à Missa Tridentina e quais são as diferenças entre esta e aquela Missa Nova promulgada por Paulo VI em 1969.

O livro conta também com índice, imagens e uma tabela comparativa, sendo excelente guia para aqueles que estão começando a frequentar a Missa Tradicional.

Os benfeitores interessados podem entrar em contato comigo, Irmão Diogo Rafael Moreira, via whatsapp 47 991013580 ou e-mail controversiacatolica@gmail.com a fim de obterem mais informações, sobretudo a respeito do frete para aqueles que não podem retirar suas cópias na sede do Seminário São José.

As contas para doação são as seguintes:

Banco do Brasil
Titular: [Padre] Rodrigo Henrique Ribeiro da Silva
Ag 2350-7
Cc 43020-X

Caixa Econômica Federal
Agência 0046
013
Conta POUPANÇA 00026514-7
Titular: [Padre] Rodrigo Henrique Ribeiro da Silva
CPF: 059.864.014-25

https://www.paypal.com/cgi-bin/webscr?cmd=_s-xclick&hosted_button_id=785MUXDDJ6F9U&source=url

ATUALIZAÇÃO 06/12/2019

Salve Maria!

Trago a todos excelentes notícias sobre o frete do livro Bem-Vindo à Missa Tridentina de Padre Anthony Cekada. Ontem fui ao correio e descobri que o nosso pacote é elegível à modalidade registro módico e que nela há um preço único para todo o Brasil. Então fica assim:

1 UNID. (5 livrinhos) = doação mínima de 50,00 + 7,00 (envelope incluso) = 57,00
2 UNID. (10 livrinhos) = doação mínima de 100,00 + 9,00 (envelope incluso) = 109,00
3 UNID. (15 livrinhos) = doação mínima de 150,00 + 11,00 (envelope incluso) = 161,00

Quem desejar mais de três pacotes, por favor entre em contato.

Então agora basta fazer a doação com o valor do frete para uma das contas indicadas acima e enviar-me o comprovante. Uma vez recebido, tomarei as medidas para despachar o pacote pelos Correios.

Padre Paulo Ricardo Sionista: O Lado Politicamente Correto de um Padre Modernista

O homem que não é bispo porque fala uma coisa ou outra contra o comunismo e as heresias de seus compadres modernistas, sem jamais atacar a raiz do problema, continua, porém, sendo padre modernista, porque ele não diz o que tem que dizer sobre as heresias do Vaticano II e sua falsa hierarquia.

Ele adota, sobretudo, tanto na teoria quanto na prática, o posicionamento dos modernistas no tocante ao judaísmo, os quais começaram a introduzir sua heresia judaizante a partir da promulgação da Nostra Aetate (um dos documentos mais escandalosos do Vaticano II), com o claro fim de alterar o dogma sobre a situação dos judeus depois da morte de Cristo.

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Veja também: A Heresia Hebraica de Francisco, Bento XVI, João Paulo II et al. https://controversiacatolica.com/2017/06/10/roma-judaizada-a-heresia-dos-revolucionarios-de-branco-sobre-os-judeus/

E também: Traindo Cristo Crucificado: A Nova Oração de Sexta-Feira Santa pelos judeus https://controversiacatolica.com/2017/04/13/traindo-cristo-crucificado-a-nova-oracao-de-sexta-feira-santa-pelos-judeus/

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Essa tentativa, longe de ser legítima, equivale a deserção da fé católica, que não nos deixa alternativas nesta matéria senão a de simplesmente repetir o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Apóstolos, dos Santos Padres e Doutores da Igreja. Essa tomada de posição dos modernistas foi uma das formas com que esses apóstatas deram “adeus” ao catolicismo.

Além de porem essa inovação no Catecismo novo de 1992, eles adotaram um novo modus operandi perante o judaísmo. Em vez de denunciarem os erros da sinagoga e chamarem os judeus à conversão, os papas modernistas – e com eles Padre Paulo Ricardo – portaram-se de modo omisso, submisso e cínico, como se os corifeus da sinagoga, que não conhecem a Deus, por rejeitarem a Deus Filho e repelirem o Divino Espírito Santo, não precisassem mais abjurar dos seus erros e converter-se ao cristianismo.

Aqui Padre Paulo Ricardo imita a Ratzinger, que em documento conjunto prefaciado por ele mesmo afirma que a interpretação judaica do Velho Testamento é válida, acrescentando mais tarde no livro herético “Jesus da Nazaré” que se deve adiar a conversão dos judeus para o fim do mundo. Aqui ele também segue as pegadas de João Paulo II, que elevou a sinagoga aos altares por meio de canonizações inválidas (como a de Edite Stein) e ainda por cima assumiu uma postura absolutamente sionista (reconhecendo Israel sem falar dos direitos de Cristo, visitando sinagogas sem jamais pedir que se convertessem).

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Veja também: Qual é a doutrina católica sobre os judeus? https://controversiacatolica.com/2018/06/02/qual-e-a-doutrina-catolica-sobre-os-judeu/

E também: Jesus Cristo era judeu? https://controversiacatolica.com/2018/05/06/jesus-cristo-era-judeu/

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Eis o lado politicamente correto de Padre Paulo Ricardo, por essas e outras ele ainda está no modernismo. Se ele se convertesse, teria que romper com a sinagoga pós-conciliar e a sua postura filo-sionista. Contudo, parece que isso seria demasiado católico para ele.

Teatro na Missa

Tudo o que São João Crisóstomo disse sobre as sinagogas de sua época, hoje nós, que sabemos algo a respeito da revolução litúrgica dos anos sessenta, podemos aplicar às paróquias modernistas que seguem o Novus Ordo Missae.

O modernismo é um teatro, a Missa Nova é um teatro, os padres, bispos e papas modernistas se portam como atores desse teatro macabro que tem servido unicamente para distrair as pessoas dos seus deveres cristãos e anestesiar as suas consciências para que assim “pequem em paz” e se lancem de cabeça nas redes do mundo moderno.

Essas coisas são evidentes em si mesmas, porém custa um pouco para a gente se dar conta disso. Eu mesmo e minha família, mesmo depois de sabermos algumas coisas sobre a Santa Missa (sempre pesquisando por conta própria), continuamos indo por um tempo à Missa modernista da paróquia. Porém, graças a Deus, houve um momento em que dissemos “basta!” e o resultado foi maravilhoso.

Sofremos muito e ainda sofremos, como todo vivente neste vale de lágrimas sofre, mas com a consciência tranquila e sem mais patrocinar a falta de respeito generalizada e sempre reinante nos ambientes pós-conciliares.

Encorajo todos a seguirem o nosso exemplo, ciente de que é o melhor a fazer. Não há teatro sem plateia, meus amigos. Se rejeitamos o modernismo, das duas uma: ou eles fecham a companhia de teatro Vaticano II, ou são obrigados a mudarem drasticamente de conduta para não perderem o emprego.

E notem o seguinte: Se as pessoas deixarem de seguir o péssimo conselho de modernistas como Padre Paulo Ricardo, Padre Leonardo e Dom Fernando Arêas Rifan – isto é, não importa que o padre diga heresias contra a fé e a moral cristã, não importa que tudo seja uma imensa falta de respeito ao Santíssimo Sacramento, apenas cale-se e vá à Missa aos domingos! -, o “grande risco” que elas correm é o de escapar de um sacrilégio, de não ouvir heresias e não ver gente se comportando como se estivesse em um teatro… porque, afinal de contas, as paróquias modernistas, como as sinagogas do tempo de São João Crisóstomo, não passam de teatros, sendo por muitos motivos até piores do que eles.

Três meios para guardar a castidade com Maria e vencer o vício da impureza

É rara a vitória sobre esse vício, como dissemos com Santo Agostinho no começo; mas por que rara? Porque não se aplicam os meios para vencê-lo. Três são os meios, como dizem os mestres espirituais com Belarmino: “Jejum, fuga dos perigos e oração”.

Por jejum se entende a mortificação, especialmente dos olhos e da gula. Maria Santíssima, embora fosse cheia da divina graça, ainda assim mortificou-se tanto com os olhos que os mantinha sempre abaixados e jamais os fixava em alguém, como dizem Santo Epifânio e São João Damasceno; e dizem que desde criança era ela tão modesta que causava pasmo a todos. E por isso nota São Lucas que ela, ao ir visitar Santa Isabel “foi-se com pressa”, para não ser vista em público. Quanto, ademais, à comida, conta Filiberto ter sido revelado a um eremita de nome Félix que Maria, quando bebê, tomava leite uma vez ao dia. E por toda a sua vida declara São Gregório de Tours que sempre jejuou; assevera São Boaventura: “Maria nunca haveria de encontrar tamanha graça se não fosse maximamente temperante quanto à comida, pois a graça e a gula não são compatíveis”. Em suma, em todas as coisas Maria mortificou-se, de modo que dela foi dito: As minhas mãos gotejaram mirra (Ct 5, 5).

O segundo meio é a fuga das ocasiões: Quem, portanto, evitar as redes estará seguro (Pr 11, 15). Donde dizia São Felipe Neri: “Na guerra contra os sentidos, vencem os medrosos, isto é, os que fogem à ocasião”. Maria evitava o quanto podia a vista dos homens, e por isso notou São Lucas que ela, na visita a Santa Isabel, “foi-se para as montanhas com pressa”. E repara um autor que a Virgem partiu da casa de Isabel antes que esta parisse, como se deduz do próprio Evangelho, onde se diz: Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa. Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho (Lc 1, 56-57). E por que não aguardou o parto? Para fugir das conversações e das visitas que ao parto deviam suceder naquela casa.

O terceiro meio é a oração. E como eu soube, diz o sábio, não podia ser continente sem que Deus o conceda… fui até o Senhor e lhe roguei (Sb 8, 21). E a Santíssima Virgem revelou a Santa Isabel, beneditina, que ela não possuiu nenhuma virtude senão pela fadiga e pela oração constante. Diz o Damasceno que Maria “é pura e da pureza amante”. Por isso não suporta impuros. Mas quem a ela recorre certamente será libertado desse vício apenas pronunciando com confiança seu nome. E dizia o Venerável João d’Ávila que muitos, tentados na castidade, pela mera afeição à Maria Imaculada venceram.

Ó Maria, ó puríssima pomba, quantos estão no inferno por esse vício! Senhora, livrai-nos dele; fazei com que nas tentações sempre recorramos a vós e vos invoquemos, dizendo: Maria, Maria, ajudai-nos.

LIGÓRIO, Santo Afonso Maria de. Glórias de Maria. Dois Irmão-RS: Minha Biblioteca Católica, 2018, pp. 378-379.

Sionismo e Devoção Mariana: A serpente sionista debelada pelos escravos de Maria Imaculada

Por uma questão de fé, justiça e caridade, a pregação católica deve condenar abertamente os erros do judaísmo talmúdico, especialmente o seu proverbial messianismo, que no decorrer da história tem sido fermento de desordem social e intelectual em todas as partes, assim como aparece em nossa época como a alma do naturalismo.

De fato, a falsa esperança de felicidade terrena, promessa satânica que vem seduzindo o mundo desde Eva, é o que dá vida ao naturalismo: este é o pão que alimenta o humanista e o maçom, o liberal e o comunista, o libertino e o ateu; esta quimera constitui o principal obstáculo ao reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual veio à terra para estabelecer um império de almas esclarecidas sobre a verdadeira condição do homem depois do pecado, almas que buscam a bem-aventurança em outro mundo por meio da prática de virtudes sobrenaturais, as quais se resumem na submissão da inteligência e da vontade do homem, em seus pensamentos, palavras e obras, aos mandamentos deste Legislador Supremo, cujo poder excede no tempo e no espaço ao do legislador do Antigo Testamento, Moisés, que em tudo dependia de Cristo e cuja grandeza consiste justamente em ter sido por um tempo o representante deste Divino Legislador perante os judeus.

Nenhum povo, porém, levou essa tentação demoníaca do messianismo mais a sério do que os judeus e nenhum povo rejeitou o reino dos céus com maior veemência do que eles, os quais, não entendendo as próprias Escrituras, crucificaram o Rei Eterno e chegaram ao excesso de fazer disso um movimento organizado, uma religião do imanente, um ideal político, que pelos usos do tempo é por todos conhecido como sionismo.

O sionismo é o inimigo número 1 do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo: Cristo não reinará nas nações e corações sem a destruição desta fábula. E por quê? Porque para quem a prosperidade material é sinal de salvação e o reino de gozos aqui na terra é artigo de fé, a doutrina sobrenatural de Nosso Senhor é mais do que inútil, ela é um obstáculo, um permanente obstáculo, que deve ser removido a todo custo. Dessa razão se depreende o ódio que eles têm manifestado ao cristianismo inúmeras vezes, daí igualmente procedem as diferentes maneiras de perseguição à fé por eles adotadas ao longo da história. Tudo vem deste maldito messianismo judaico, eis aí a fonte das bombas dos muçulmanos, das conspirações dos maçons, das revoluções dos comunistas, dos ataques dos incrédulos de todas as seitas contra à nova e eterna aliança dos homens com Cristo Deus, Rei e Senhor nosso.

Cobertos os seus olhos por este véu de incredulidade, eles mataram Cristo, perseguiram os primeiros cristãos, fomentaram dissensões no seio da Cristandade, entusiasticamente abraçaram a revolução, primeiro francesa, depois russa e agora, no que podem, os filhos mais poderosos da sinagoga patrocinam a revolução final, que tem por fim erradicar a fé cristã das mentes das gerações presentes e futuras pelo incentivo à impureza, pelo culto ao dinheiro, pela destruição total das famílias e nações cristãs, pela difusão de uma estranha mescla de superstições bárbaras com uma incredulidade absurda, um pacote que resume bem o seu credo.

O católico que isso não entende, colabora com a obra do anticristo e calca aos pés a doutrina dos Santos Padres, das Sagradas Escrituras e do Magistério da Igreja. Quem não busca ver as coisas de forma sobrenatural, nem cuida da alma que Deus lhe deu, também é, como Pilatos, cúmplice dos judeus, que mataram Cristo; de fato, este dito católico pensa como judeu e contribui para a judaização do cristianismo.

Seguem alguns testemunhos patrísticos, bíblicos e magisteriais que descrevem sem respeito humano o que se tornou a sinagoga depois do assassínio do Messias, o desejado das nações, e que mostram claramente qual deve ser a nossa postura perante a perfídia judaica.

I. PATRÍSTICA

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (344-407 A. D.)
“Muitos, eu sei, respeitam os judeus e julgam que seus ritos hodiernos são honestos; por isso me apresso em cortar pela raiz esta opinião perniciosa. Digo que a sinagoga não é melhor do que um teatro e valho-me do testemunho de um profeta. Não há judeus mais dignos de fé do que os profetas. O que, pois, ele nos diz? ‘O descaramento de uma meretriz se apoderou de ti, não quiseste ter vergonha.’ (Jr 3, 3) O lugar onde uma meretriz se prostitui, eis aí um prostíbulo. Mas a sinagoga não é somente um prostíbulo e um teatro, ela também é um antro de ladrões e um covil de bestas. Pois ‘está feita um covil de hienas’, diz ele, ‘esta minha casa’ (Jr 7, 11); não de bestas simplesmente, mas de bestas impuras. E mais uma vez: ‘Deixei a minha casa, e abandonei a minha herança’ (Jr 12, 7). Mas se Deus a abandonou, que esperança de salvação lhe resta? Quando Deus abandona um lugar, esse lugar se torna uma habitação de demônios.”

“Mas dizem então que também eles adoram a Deus. Longe de nós dizê-lo: nenhum judeu adora a Deus! Quem diz isso? O Filho de Deus. ‘Se vós conhecêsseis meu Pai, conheceríeis também a mim. Mas vós não conheceis nem a mim, nem ao Pai’ (Jo 8, 19). Pode haver testemunha mais fidedigna do que essa? Se, pois, os judeus não conhecem o Pai, crucificaram o Filho e repeliram o auxílio do Espírito, quem não ousaria afirmar que a sinagoga é uma habitação de demônios? Lá Deus não é adorado, longe disso: antes é desde então um lugar de idolatria. Apesar disso, alguns ainda a tem como um lugar sagrado.” (São João Crisóstomo, Adversus Judaeos Orationes, Oratio Prima)

SÃO JUSTINO DE ROMA (ca. 100-163 A. D.)
“O próprio Deus, por meio de Moisés, clama deste modo: ‘Circuncidai a dureza do vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz. Porque o Senhor, nosso Deus e Senhor dos senhores, é Deus forte e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno.’ (Dt 10, 16-17) E o Levítico: ‘Já que transgrediram, desprezaram-me e caminharam tortuosamente diante de mim, eu também caminharei tortuosamente com eles e os aniquilarei na terra de seus inimigos. Então se confundirá seu coração incircunciso.’ (Lv 26, 40-41) Porque a circuncisão, que se iniciou com Abraão, foi dada como sinal, a fim de que sejais distinguidos dos outros homens e também de nós. E, desse modo, sofrais sozinhos o que agora estais sofrendo com justiça, e vossas terras fiquem desertas, vossas cidades sejam abrasadas e os estrangeiros comam vossos frutos diante de vós (cf. Is 1, 7), e ninguém de vós possa entrar em Jerusalém. Porque não há nenhum sinal que vos distinga do resto dos homens, além da circuncisão da vossa carne. E ninguém de vós, penso, ousará dizer que Deus não previu ou não prevê agora o que está para vir e que não dá a cada um o que merece. Essas coisas aconteceram a vós com razão e justiça, porque matastes o Justo (cf. Tg 5, 6; Is 57, 1) e, antes dele, os seus profetas. E agora rejeitais os que esperam nele e em Deus onipotente e criador de todas as coisas, que o enviou e, no que depende de vós, o desonrais, maldizendo em vossas sinagogas aqueles que creem em Cristo. Não tendes poder para pôr vossas mãos sobre nós, porque sois impedidos pelos que agora mandam; mas fizestes isso sempre que vos foi possível. É por isso que Deus clama contra vós por meio de Isaías: ‘Vede como pereceu o justo e ninguém reflete sobre isso. Porque o justo é arrebatado de diante da iniquidade. Ele estará em paz; a sua sepultura foi arrebatada do meio deles. Vós, porém, aproximai-vos daqui, filhos iníquos, descendência de adúlteros, filhos de prostituta. De quem caçoastes e contra quem abristes a boca e soltastes a língua?’ (Is 57, 1-4) As outras nações não têm tanta culpa da iniquidade que se comete contra nós e contra Cristo como vós, que sois a causa do preconceito injusto que elas têm contra ele e contra nós.” (São Justino de Roma, Diálogo com Trifão (155 A. D.), 16, 2-17, 1)

SANTO AGOSTINHO DE HIPONA (354-430 A. D.)
“Sabemos que conselho secreto foi o dos judeus iníquos e que insurreição foi a dos que praticam a iniquidade. De que iniquidade eram os operários? Do assassinato de nosso Senhor Jesus Cristo. Muitas boas obras, diz Ele, eu vos fiz, por quais dessas obras estais prestes a me matar? Ele suportou todas as suas fraquezas: curou todas as suas doenças; pregou-hes o reino dos céus; descobriu as iniquidades deles, para que eles pudessem odiá-las, em vez de odiar ao médico que veio para curá-los. E agora, finalmente, sem gratidão por toda a ternura de Seu amor que cura, como homens enfurecidos em um alto delírio, lançando-se loucamente contra o Médico, que havia vindo para curá-los, eles se reuniram em conselho para ver como poderiam matá-Lo… Eles afiaram a língua como uma espada. Os judeus não podem dizer: Nós não matamos Cristo, embora eles O tenham entregue a Pilatos, seu juiz, para que eles mesmos pudessem parecer livres de Sua morte. Pois quando Pilatos lhes disse: Tomai-o; e matai-o vós mesmos, responderam: Não é lícito matarmos alguém. Eles poderiam jogar a culpa do seu pecado em um juiz humano: mas enganariam eles a Deus, o Juiz Supremo? Naquilo que Pilatos fez, ele foi cúmplice deles, mas em comparação com eles, ele teve um pecado muito menor. (João xix. 11). Pilatos esforçou-se o máximo que pôde para libertá-lo de suas mãos; por essa razão também o açoitou, (João xix. 1), e trouxe-o diante deles; ele não açoitou o Senhor por crueldade, mas na esperança de que ele pudesse, assim, saciar sua sede selvagem de sangue: para que, porventura, até eles pudessem ser tocados de compaixão, e deixassem de desejar Sua morte, quando vissem como ele estava depois da flagelação. Mesmo esse esforço ele fez! Mas quando Pilatos viu que não podia prevalecer, mas que um tumulto se armou, (Matth. xxvii. 24), ele tomou água e lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Eu sou inocente do sangue deste Justo. E, no entanto, ele O entregou para ser crucificado! Mas se ele era culpado do que fazia contra sua vontade, seriam eles inocentes, aqueles que o levaram a isso? Não. Pilatos deu sentença contra ele. e ordenou que Ele fosse crucificado. Mas vós, ó judeus, também sois seus assassinos! Com o que? Com a vossa língua, afiada como uma espada. E quando? Quando clamastes: Crucifica-o! Crucifica-o! (Marcos xv.13-14)” (Santo Agostinho de Hipona, Comentários aos Salmos, Salmo LXIII, 2)

SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA (+107 A. D.)
“Como podemos viver sem aquele que até os profetas, seus discípulos em espírito, esperavam como Mestre?… É absurdo falar de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, judaizar. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo e sim o judaísmo no cristianismo. pois nele se reuniu toda língua que acredita em Deus.” (Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Magnésios (107 A. D.) 9 e 10)

CARTA DE BARNABÉ (ca. 134-135 A. D.)
“Tomai cuidado para não ficardes como certas pessoas, que acumulam pecados, dizendo que a Aliança é tanto deles como nossa. Claro que ela é nossa. Eles (os judeus) a perderam definitivamente, embora Moisés já a tivesse recebido… A Aliança deles foi rompida, para que a de Jesus, o Amado, fosse selada em nossos corações pela esperança da fé que nele temos.” (Carta de Barnabé (ca. 134-135 A. D.) 4, 6-8)

II. SAGRADA ESCRITURA

JESUS CRISTO
“Examinai as Escrituras, pois julgais ter nelas a vida eterna, e elas mesmas são as que dão testemunho de mim; mas vós não quereis vir a mim para terdes a vida. Eu não recebo dos homens a minha glória. Mas bem vos conheço, que não tendes em vós a dileção de Deus. Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis; se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebê-lo.* Como podeis crer vós outros, que recebeis a glória uns dos outros, e que não buscais a glória que vem só de Deus? Não julgueis que eu vos hei-de acusar diante de meu Pai, o mesmo Moisés, em quem vós tendes as esperanças, é o que vos acusa; porque se vós crêsseis a Moisés, certamente me creríeis também a mim; porque ele escreveu de mim. Porém se vós não dais crédito aos seus escritos, como dareis crédito às minhas palavras?… Vós não conheceis a mim, nem ao meu Pai; se me conhecêsseis a mim, certamente conheceríeis também a meu Pai… Vós sois cá de baixo, e eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, e eu não sou deste mundo. Por isso eu vos disse, que morrereis nos vossos pecados; porque se não crerdes quem eu sou, morrereis no vosso pecado… Eu falo o que vi em meu Pai, e vós fazeis o que vistes em vosso pai… Vós sois filhos do diabo, e quereis cumprir os desejos de vosso pai… Mas ainda que eu vos digo a verdade, vós não me credes… O que é de Deus, ouve as palavras de Deus. Por isso vós não as ouvis, porque vós não sois de Deus.” (Nosso Senhor Jesus Cristo, Evangelho segundo São João 5, 39-47; 8, 19, 23-24, 38, 44, 45, 47)

– * Os judeus hão de receber este homem, vindo em seu próprio nome, como se fosse o Cristo, trata-se aqui do falso messias esperado pelos judeus, o anticristo; este será “o tal iníquo” de que fala São Paulo no segundo capítulo da Segunda Epístola aos Tessalonicenses.

SÃO PAULO APÓSTOLO
“Porque vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus, que há pela Judeia em Jesus Cristo; porquanto as mesmas coisas sofrestes também vós da parte dos da vossa nação, que eles igualmente da parte dos judeus; os quais também mataram o Senhor Jesus, e os profetas, e nos têm perseguido a nós, e não são do agrado de Deus, e são inimigos de todos os homens. Proibindo-nos de falar aos gentios, para que sejam salvos, a fim de encherem sempre a medida dos seus pecados; porque a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim.” (São Paulo Apóstolo, Epístola aos Tessalonicenses 2, 14-16)

SÃO JOÃO APÓSTOLO
“Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus seja o Cristo? Este tal é um anticristo, que nega o Pai e o Filho.” (São João Apóstolo, Primeira Epístola de São João 2, 22)

III. MAGISTÉRIO DA IGREJA

PAPA PIO XII
“Portanto na cruz morreu a Lei antiga; dentro em pouco será sepultada e se tornará mortífera, para ceder o lugar ao Novo Testamento.” (Papa Pio XII, Mystici Corporis, n. 29, 29 jun. 1943)

PAPA EUGÊNIO IV
“A Igreja crê firmemente, professa e ensina que as prescrições legais do Antigo Testamento, isto é, a Lei mosaica, que se dividem em cerimônias, sacrifícios sagrados e sacramentos… cessaram, e que tomaram início os sacramentos do Novo Testamento. Ela ensina que peca mortalmente todo aquele que voltar a pôr, depois da paixão de Cristo, sua esperança naquelas prescrições legais e as observa como se fossem necessárias à salvação e a fé no Cristo não pudesse salvar sem elas.” (Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, 4 fev. 1442; Denz 712)

PAPA BENTO XIV
“A primeira consideração a ser feita é que as cerimônias da Lei Mosaica foram revogadas com a vinda de Cristo e que elas já não podem ser observadas sem pecado depois da promulgação do Evangelho.” (Papa Bento XIV, Ex Quo Primum, nn. 59 e 61, 1 mar. 1756)