O Sacramento da Extrema-Unção

12.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. A Extrema-Unção.

Revise a lição sobre o Sacramento da Penitência.

I. A Extrema-Unção é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para o alívio espiritual e também temporal dos enfermos em perigo de vida.

II. Se um sacramento nos foi preparado às portas da vida para nos abrir os caminhos da graça, também é preciso de outro que às portas da morte nos abra os caminhos da glória. Este sacramento é a Extrema-Unção, assim chamada por ser a última unção recebida pelo fiel. De fato, a primeira unção se recebe no Batismo; a segunda no Crisma ou Confirmação; a terceira, caso se faça sacerdote, na Ordem, e a quarta e última se dá neste sacramento que por isso recebe o nome de Extrema-Unção, ou seja, a última unção. Também é chamado de Santos Óleos, Santo Óleo ou Santa Unção por ser administrado com óleo bento pelo bispo na Quinta-Feira Santa.

III. Não sabemos em que tempo Nosso Senhor instituiu este Sacramento. O Evangelho nos diz que os Apóstolos, mandados por Cristo a pregar na Galileia e na Judeia, ungiam os pobres e enfermos  com óleo e assim os curavam (Mc 6, 13). Isso era sem dúvida uma figura deste sacramento, que São Tiago Apóstolo mostra ser plena realidade em sua Epístola: “Se algum dentre vós cai enfermo, chamai para junto de si os presbíteros da Igreja e estes façam oração sobre ele ungindo-o com óleo em nome do Senhor, e a oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o aliviará e, se se encontra em pecado, os seus pecados lhes serão perdoados.” (Tg 5, 14-15)

IV. Encontra-se nesta passagem todos os elementos de um verdadeiro e autêntico sacramento. O sinal sensível é a bênção feita sobre o corpo do enfermo, juntamente como a oração feita pelo sacerdote; a graça invisível é a remissão dos pecados e o alívio espiritual e temporal do enfermo; sua instituição é divina, pois somente Deus pode conferir virtude sobrenatural a um sinal natural. Quanto à matéria, forma e ministro: a matéria remota é o óleo de oliveira benzido pelo bispo; a matéria próxima são as unções feitas com este óleo em forma de cruz sobre o corpo de moribundo; a forma é a oração pronunciada pelo sacerdote enquanto faz as unções; o ministro é o sacerdote católico.

V. As unções fazem-se justamente nas partes do corpo que Deus concedeu aos homens como órgãos dos sentidos: olhos, ouvidos, nariz, boca e mãos. Costuma-se também ungir os pés e os rins, omitindo-se esta última nas mulheres por questão de honestidade e pudor. É necessário, diz São Tomás, aplicar às fontes do pecado o remédio que deve curá-lo. Assim todos os sentidos do homem, contaminados pelo pecado, são purificados e santificados pela graça de Deus.

VI. Os efeitos deste sacramento são principalmente (1) o perdão dos pecados veniais e também dos mortais que o enfermo arrependido já não pudesse confessar; (2) a força para suportar pacientemente os males da enfermidade, para resistir às tentações e morrer santamente; (3) a saúde do corpo, se for útil para a salvação da alma.

VII. O Sacramento da Extrema-Unção só se pode dar aos doentes, sendo necessário que se verifique risco de vida. Não pode ser dado aos sãos, nem aos acometidos de doença leve. Se possível, deve ser recebido somente depois da administração do Sacramento da Penitência e da Eucaristia, pois, cono Sacramento dos vivos, deve ser recebido na graça de Deus. Por fim, é bom recebê-lo quando ainda se está no uso das faculdades e há alguma esperança de vida, para que o enfermo tire dele maior proveito.

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Santíssima Trindade: Dogma fundamental do Cristianismo

Sermão da festa da Santíssima Trindade, proferido pelo Reverendo Padre Rodrigo da Silva.

A Santíssima Trindade é o dogma fundamental do Cristianismo. Por meio da profissão deste mistério da fé, adoramos a Deus na unidade de sua essência e na trindade de suas pessoas. Verdade infalível revelada pelo próprio Deus feito homem, Jesus Cristo Nosso Senhor, manifesta a grandeza de Deus e a pequenez do homem que se deve dobrar diante do mistério da divindade. Este sermão serve de aprofundamento à catequese sobre a Unidade e Trindade de Deus.

O Sacramento da Penitência ou Confissão

11.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento da Penitência ou Confissão.

Revise a lição sobre o Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

I. A Penitência ou Confissão é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.

II. Chama-se penitência, porque se espera da parte do pecador o espírito de penitência, isto é, que esteja arrependido e com o desejo de sair do pecado, disposição de todo oposta ao vício da impenitência, quando o pecador está satisfeito e deseja perseverar no pecado. Também se chama assim porque o sacerdote impõe ao pecador uma penitência, que ele deve cumprir fielmente. Recebe ainda o nome Confissão, porque não basta a dor de coração (dolor cordis), mas também é preciso a confissão de boca (confessio oris), isto é, a acusação distinta dos pecados cometidos.

III. Cristo instituiu este sacramento depois de sua Ressurreição, soprando sobre os Apóstolos, Ele disse “Recebei o Espírito Santo. Aos que perdoardes vós os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e aos que vós o retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” (Jo 20, 22-23). Este poder foi conferido aos Apóstolos não para o benefício pessoal deles, mas para o benefício de toda a Igreja. Assim, continua na Igreja este poder de perdoar os pecados, transmitido aos sucessores dos Apóstolos. O cristão que “se confessa com Deus”, na verdade se confessa com o diabo, pois muito agrada ao diabo o desprezo pela vontade de Deus. Mas a vontade de Deus é esta: quer que as pessoas se confessem com homens aos quais investiu do poder de perdoar os pecados, do mesmo modo que um rei manda libertar um preso por meio de um ministro seu e não diretamente. Por isso e muitas outras vantagens, Cristo conferiu tal poder aos Apóstolos e seus sucessores. Ofende ao rei o preso que não acolhe seu ministro, ofende a Cristo quem rejeita aqueles que ele enviou (Lc 10, 16). E Cristo quer a confissão auricular, pois os seus sacerdotes são juízes de consciências e como tais devem ouvir tudo o que diz respeito aos pecados do penitente para somente então dar a sentença.

São João Maria Vianney, o ilustre Cura d’Ars, foi um grande servo de Deus e um confessor exímio. Quantas pessoas ele converteu nas horas que ficava atendendo confissões! Certa vez, apareceu-lhe um cavalheiro na sacristia querendo fazer-lhe umas perguntas. O santo então disse: “Primeiro confesse-se e depois o senhor faz as perguntas”. O homem então admirou-se dizendo “Como posso eu confessar-me se não creio na confissão?” Sem descompor-se, atalhou o servo de Deus: “Senhor, ajoelhe-se naquele genuflexório ali e verá”. Disse-o com tal autoridade e tanta eficácia na graça de Deus que o cavalheiro ajoelhou-se quase sem o querer. Então, aproximando-se dele, o santo e lhe falava tão bem de Jesus, sua bondade, sua misericórdia, a feiura do pecado, a necessidade da graça, a importância de uma boa confissão para salvar-se, que o homem caiu em si e acabou por fazer, ajudado pelo cura, uma esplêndida confissão. Levantando-se qual novo homem, agradece ao santo que sorrindo lhe diz: “Agora o senhor pode dizer quais são as suas dificuldades, objeções…” Este porém, com lágrimas responde: “Mas, servo de Deus,  não tenho mais nenhuma pergunta, achei as respostas durante a confissão, tudo o que precisava era de uma boa confissão”.

IV. A matéria remota do Sacramento da Penitência são os pecados cometidos, a matéria próxima é a confissão desses pecados acompanhada do devido arrependimento. A forma são as palavras de absolvição ditas pelo sacerdote, que é o ministro deste sacramento.

V. A confissão bem-feita requer cinco coisas: 1.ª Exame de consciência; 2.ª Dor pelos pecados; 3.ª Propósito de Emenda; 4.ª Confissão; 5.ª Satisfação. Todas essas coisas se encontram na parábola do filho pródigo.

Convém fazer algumas observações.

O exame deve ser uma investigação sobre os pecados cometidos contra a lei de Deus, os mandamento da Igreja e os deveres do próprio estado. Deve ser feito com tal diligência que se saiba a espécie, o número e as circunstâncias agravantes de cada pecado.

A dor pelos pecados pode ser perfeita ou imperfeita. É perfeita quando o pecador se dói por amor de Deus, por ter ofendido ao pai bondoso, nosso Criador e Redentor. neste caso chama-se de contrição. É imperfeita quando o pecador se dói por ter perdido o céu e merecido o inferno, neste caso dá-se-lhe o nome de atrição.

O propósito de emenda requer a detestação não só do pecado em si, mas de tudo o que for ocasião próxima de pecado, isto é, verdadeira e firme resolução de não pecar mais, nem de dar ocasião ao pecado.

A confissão tem de ser inteira, sem nada omitir; sincera, sem nada disfarçar; humilde, sem qualquer exaltação ou indiferença perante o pecado. O penitente deve estar como Maria Madalena aos pés de Jesus.

Por fim, a satisfação implica ouvir com atenção as orientações e conselhos dados pelo sacerdote, bem como cumprir com exatidão a penitência imposta por ele.

VI. Os efeitos do Sacramento da Penitência são extraordinários. Primeiro, o pecador como que vai da morte para a vida, como aconteceu com o filho pródigo. Ao voltar para a casa do pai, recebe depois de confissão dorida e humilde, a graça de Deus, simbolizada pela veste que lhe é dada. Mas não só isso: também recebe o anel, figura da caridade e das outras virtudes infusas que agora o unem a Deus; e ainda o calçado, imagem do mérito das boas obras que é restituído ao pecador penitente.

VII. A Confissão muda a pena eterna devida ao pecado (o Inferno) em pena temporal, isto é, uma divida que deve ser paga neste mundo ou no Purgatório. Ordinariamente, a penitência imposta pelo padre paga apenas uma parte desta divida, o que exige que o pecador continue expiando essa divida com as indulgências e exercícios de penitência. As indulgências aplicam os méritos de Cristo, Nossa Senhora e dos Santos àquele que, estando na graça de Deus, cumpre os exercícios de piedade indulgenciados, conforme as condições prescritas pelo Romano Pontífice. Os exercício de penitência são principalmente três: oração, jejum e esmola. Assim é porque o homem deve oferecer-se todo a Deus em reparação: com a oração, oferece a alma; com o jejum, o corpo; com a esmola, os bens exteriores que possui. Por oração se entende também assistir piedosamente ao Santo Sacrifício da Missa, recitar o Rosário, fazer a Via Sacra e coisas semelhantes. O jejum também inclui toda mortificação corporal, como aplicar-se disciplina, dormir no chão, fazer uma peregrinação. A esmola é cumprir o nosso dever de caridade para com o próximo por amor de Deus.

O Santíssimo Sacramento da Eucaristia

10.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã: O Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Lembre-se de revisar a lição sobre os Sacramentos em geral, assim como a lição sobre o Sacramento da Confirmação.

I. Este Sacramento é o próprio Jesus Cristo, presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade sob as espécies ou aparências de pão e vinho, para ser o alimento de nossa alma e o sacrifício da nova lei.

II. É chamado Santíssimo Sacramento, porque é mais digno do que os outros Sacramentos e porque é o bem mais precioso, maravilhoso, eficaz e salutar que a Igreja possui. Chama-se também Eucaristia, que significa boa graça ou ação de graças. Boa graça, porque a graça das graças é a vida eterna significada por este Sacramento e também porque contém o autor e fonte de toda graça, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ação de graças, porque nos traz a doce memória dos maiores benefícios que Deus nos fez, levando-nos a render graças a Deus, como fez o próprio Jesus Cristo. É chamado ainda de Comunhão, porque neste Sacramento, Cristo nos une a si. Viático é outro nome dado a Eucaristia, pois é alimento dos viajantes e peregrinos que caminham para a vida eterna, razão pela qual é dada aos fiéis que estão por morrer. Há ainda muitos outros nomes que procuram dizer algo da inefável excelência deste Sacramento.

III. A matéria deste Sacramento é pão de trigo e vinho de uva, o qual é misturado com uma pequena quantidade de água. A forma são as palavras de consagração ditas pelo sacerdote, que é o ministro da Eucaristia. Quando o  padre diz essas palavras de consagração, toda substância do pão se muda no Corpo de Nosso Senhor e toda substância do vinha se muda no seu preciosíssimo Sangue. Não é mais pão, não é mais vinho, o que temos é Cristo todo inteiro sob as espécies ou aparências de pão e vinho.

IV. Essa admirável mudança de substância se chama transubstanciação. Foi exatamente isso que Nosso Senhor instituiu e realizou quando disse “Isto é o meu Corpo… Isto é o meu Sangue”. A carne de Cristo é verdadeiramente comida, seu sangue é verdadeiramente bebida, Nosso Senhor todo inteiro se encontra em ambas as espécies de pão e do vinho para nos servir de alimento para a vida eterna.

V. O Sacramento da Eucaristia significa três coisas. Uma diz respeito a um evento passado, trata-se da paixão de Cristo que se realiza no Sacrifício incruento da Santa Missa; outra diz respeito ao presente, a Eucaristia significa a graça divina que nutre e sustenta a alma com a graça santificante. Por fim, significa algo do futuro, ela é o penhor da glória, uma prefiguração da vida eterna.

VI. Os principais efeitos que a Eucaristia produz são os seguintes: 1.º conserva e aumenta a vida da alma, que é a graça, do mesmo modo que o alimento corporal sustenta a vida do corpo; 2.º perdoa os pecados veniais e livra dos pecados mortais; 3.º produz a consolação espiritual.

VII. Para comungar dignamente é preciso: 1.º estar em estado de graça; 2.º fazer o jejum eucarístico, isto é, não consumir alimentos sólidos por pelo menos três horas antes da comunhão, nem líquidos uma hora antes, salvo quando for necessário o consumo de água e remédios; 3.º saber o que vai receber, apresentando-se para comungar com devoção e modéstia tanto interior (com recolhimento e humildade de espírito) quanto exterior (vestindo-se com decência e sem ostentação). Quem sabe o que irá receber também deve preparar-se bem para a comunhão e depois fazer a devida ação de graças. É coisa muito boa e útil comungar com frequência, todo o católico deve comungar pelo menos uma vez ao ano pelo tempo da Páscoa. As crianças podem receber esse Santíssimo Sacramento logo que tiverem as disposições devidas.

VIII. A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e Sangue de Cristo em nossos altares, debaixo das espécies do pão e vinho, em memória do sacrifício da cruz. É o mesmo sacrifício do Calvário, com a diferença que este é feito sem o derramamento de Sangue (de forma incruenta) e não merece pelos pecados de todos, mas simplesmente aplica os méritos da paixão de Nosso Senhor.

IX. O Santo Sacrifício da Missa se oferece a Deus por quatro fins: 1.º prestar-lhe a devida honra; 2.º dar-lhe graças pelos seus benefícios; 3.º satisfazer pelos nossos pecados; 4.º obter o favor divino, ou seja, alcançar as graças que necessitamos para alcançar a vida eterna.

X. É coisa muito boa e útil assistir a Santa Missa todos os dias, porém o preceito obriga todo cristão a assisti-la inteira aos domingos e festas de guarda. Para assistir a Santa Missa com fruto o cristão deve pensar em Deus, na Paixão de Nosso Senhor e recitar orações piedosas.

O Sacramento da Confirmação

9.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento da Confirmação.

Revisão da lição sobre o Sacramento do Batismo.

I. A Confirmação ou Crisma é o Sacramento que (a) nos dá o Espírito Santo, (b) imprime em nossa alma o caráter de soldados de Jesus Cristo e (c) nos faz perfeitos cristãos.

II. Os Apóstolos antes da vinda do Espírito Santo, eram homens tímidos, ignorantes e cheios de imperfeições; mas apenas o Espírito Santo desceu sobre eles, ficaram iluminados, instruídos, cheios de fé e de caridade, dispersando-se por todo o universo, confessando a Jesus Cristo perante os tribunais e os tiranos, e por último tiveram a felicidade de derramar o seu sangue em testemunho da verdade que anunciavam. A Confirmação é o Pentecostes de cada cristão, pelo qual o Espírito Santo fará nele coisas prodigiosas, dando a sua alma o complemento e a perfeição.

III. Querendo o imperador Juliano fazer pública e solenemente a sua apostasia, mandou preparar num templo um grande sacrifício aos ídolos; mas no momento de começar a cerimônia o fogo do altar apagou-se de todo; as facas dos sacerdotes dos falsos deuses não puderam cortar a c arne das vítimas, de sorte que o sacrificador que esperava exclamou: “Algum galileu há aqui novamente, lavado com a água ou ungido com o bálsamo?” (Querendo dizer um batizado ou confirmado). Então um jovem pagem, que era cristão, e acabara de receber o Sacramento da Confirmação, levantando a voz, disse: “Sou eu a causa, pois fiz o sinal da cruz e invoquei o santíssimo nome de Jesus para vergonha de vossos ídolos.” Ficou pasmado o imperador, que havia sido cristão, e estava bem instruído do poder de Jesus Cristo. Temeu os efeitos da vingança divina, e sem dizer palavra, saiu do templo, coberto de confusão. O valoroso defensor de Jesus Cristo foi referir aos cristãos o que acabava de suceder, e reconheceram quão temíveis são ao demônio aqueles em quem habita a virtude de Jesus Cristo pelo Sacramento da Confirmação, quando este é recebido com santas disposições.

IV. Todos devem procurar receber o Sacramento da Confirmação e fazer com que os seus subordinados o recebam. A idade em que é conveniente receber o Sacramento da Confirmação é de sete anos, pouco mais ou menos; porque então costumam começar as tentações, e e já se pode conhecer bastante a graça deste Sacramento e conservar-se a lembrança de o ter recebido. Para receber dignamente o Sacramento da Confirmação, é necessário estar em graça de Deus, saber os mistérios principais de nossa santa Fé e aproximar-se deste Sacramento com reverência e devoção.

V. O ministro ordinário do Sacramento da Confirmação é o bispo, (a) porque a administração da Confirmação foi um privilégio exclusivo dos Apóstolos; (b) porque só pertence aos altos oficiais o alistamento dos soldados que devem formar o exército de Cristo Rei; (c) porque assim como nas artes é ofício do mestre aperfeiçoar a obra começada pelos discípulos, assim também na Confirmação cabe aos bispos a obra sobrenatural iniciada no Batismo pelos sacerdotes. O Bispo para administrar a cerimônia da Confirmação ou Crisma, estende primeiro as mãos sobre os que vão crismar-se, invocando sobre eles o Espírito Santo; depois faz uma Cruz na testa de cada um deles com o Santo Crisma, pronunciando as palavras da forma deste Sacramento, isto é, “Eu te assinalo com o sinal da Cruz e te confirmo com o Crisma da salvação em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” Depois dá um leve tapa na face do crismado, dizendo-lhe a paz seja contigo, pax tecum. E no fim abençoa solenemente todos os crismados.

VI. A matéria da Confirmação é azeite misturado com bálsamo, que o Bispo consagra na Quinta-Feira Santa. O azeite, que se derrama e fortalece, significa a abundante graça que se espande na alma do cristão, para o confirmar na Fé; e o bálsamo que é aromático e preserva da corrupção, significa que o cristão, fortificado por esta graça, está apto para exalar bom aroma de virtudes cristãs e para se preservar da corrupção dos vícios. Faz-se a unção na fronte a fim de que o crismado entenda que não deve envergonhar-se do nome e da profissão de cristão, nem ter medo dos inimigos da Fé. Dá-se um leve tapa na face do crismado, para que saiba que deve estar pronto a sofrer todas as afrontas e todas as penas pela Fé, por amor de Jesus Cristo. Para conservar a graça da Confirmação, o cristão deve rezar frequentemente, fazer boas obras e viver segundo a Lei de Jesus Cristo, sem respeito humano.

VII. Os dons do Espírito Santo que se recebem na Confirmação são sete: 1º Sabedoria, 2º Entendimento, 3º Conselho, 4º Fortaleza, 5º Ciência, 6º Piedade, 7º Temor do Senhor. Por meio desses dons podemos alcançar a perfeição da vida cristã, porque eles são como uma escada pela qual subimos por diversos degraus do estado de pecado até a conquista da santidade. É assim uma escada que desce do Céu até nós para que nós possamos chegar até o Céu. O último degrau da escada é o primeiro que devemos pisar, a saber, o dom do Temor do Senhor pelo qual reconhecemos que os nossos pecados nos fazem inimigos de Deus Onipotente. Movidos por esse santo temor, subimos mais um degrau com o dom da Piedade que nos leva a ter gosto pelas coisas de Deus, dá o desejo de fazer a sua vontade em todas as coisas. O terceiro degrau é o dom da Ciência, porque quem realmente deseja fazer a vontade divina pede a Deus instrução sobre suas santas leis e preceitos. Deus então o faz conhecer todas as coisas necessárias, em parte pelos pregadores, em parte pelos livros, em parte por inspiração. O quarto degrau é a Fortaleza, porque sabendo o que Deus quer, o cristão passa a perceber que o mundo, o diabo e a carne impõem-lhe muitos obstáculos a realização da vontade divina, sendo necessário que Deus lhe dê a força para vencer todas essas dificuldades. O quinto degrau é o dom do Conselho, porque o demônio, quando não vence um homem pela força, recorre à fraude, tentando enganá-lo com falsas imagens de bem. Deus não irá abandoná-lo, envia-lhe esse dom pelo qual ele triunfa sobre os diversos embustes do inimigo. O sexto degrau é o Entendimento, porque quando um homem já está bem treinado na vida ativa e obteve muitas vitórias sobre o demônio, Deus o impele para a vida contemplativa e lhe concede ver e penetrar nos mistérios divinos. O sétimo degrau é a Sabedoria, que é a conquista da perfeição, porque aquele que é sábio conhece a causa primeira e ordena as suas ações em conformidade com ela; o que não pode fazer senão aquele que ao dom do Entendimento ajunta a perfeita caridade, pois com o entendimento conhece a causa primeira e com a caridade ordena e dirige a ela todas as coisas como ao fim último; e ainda porque a união do afeto com o entendimento é precisamente o dom da Sabedoria, isto é, o saber saboroso, como ensinava São Bernardo.

O Sacramento do Batismo

8.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento do Batismo.

Revisão da lição sobre os Sete Sacramentos.

I. O Batismo é o Sacramento pelo qual nascemos para a graça de Deus e nos tornamos cristãos. O Sacramento do Batismo (1) apaga o pecado original, e também o pecado atual, se houver; (2) perdoa toda pena por eles devida; (3) imprime o caráter de membros de Jesus Cristo; (4) faz-nos filhos de Deus e da Igreja e herdeiros do Céu; (5) torna-nos capazes de receber os outros Sacramentos.

II. Um nobre de bom coração tomou para si o filho de um homem que morreu lhe devendo uma grande soma de dinheiro e se encarregou de educá-lo. Um dia ele chamou o menino em sua presença e mostrou-lhe dois documentos, que distinguiam-se por um estar em um envelope preto e o outro em um envelope vermelho. O nobre primeiramente pôs o envelope negro na mão do menino. O menino tirou o selo e empalideceu logo que se deparou com o conteúdo da carta. Ali estavam enunciadas todas as dividas de seu pai e além disso todos os gastos que tinham custado ao benfeitor a sua educação. O órfão estava preocupado com o que viria depois, vendo quanto ele e o seu pai lhe deviam. Mas quando o nobre viu o semblante assustado da criança, sorriu e rasgou aquela carta de débito; então ele lhe deu o outro envelope e pediu para que o lesse. Ele continha uma total remissão das dividas de seu pai e, o que era mais impressionante, um ato pelo qual o menino era adotado como seu filho e herdeiro de todos os seus bens. A alegria do menino pode ser imaginada, ele já não era um pobre órfão embaraçado com tantos débitos, mas o filho de um pai nobre e rico. Assim é conosco que pelo Batismo recebemos a remissão do pecado original, o legado de nossos primeiros pais, e assim fomos feitos filhos de Deus e herdeiros do Céu.

III. Os pobres batizados sentam-se à mesa do rei, e os príncipes dela são excluídos. Ingo, duque de Carintia, para tornar sensível esta verdade a seus parentes e barões, que ainda eram pagãos, convidou-os um dia para um grande festim, para o qual convidou também uma multidão de pobres cristãos. À hora marcada os convidados dirigiram-se ao palácio e foram dispostos em duas mesas diferentes. Os senhores foram servidos no pátio, ao ar, muito rusticamente; ao passo que os pobres o foram na mesa do duque, comeram as iguárias mais finas e beberam os vinhos mais preciosos em taças de ouro. Os senhores, chateados com aquele tratamento, entraram na sala onde Ingo comia, e cheios de cólera perguntaram-lhe porque ele se comprazia em insultá-los assim. Mas o príncipe respondeu tranquilamente: “Não vos maravilheis com a minha conduta. Os homens que aqui vedes, embora pobres de bens temporais, são filhos e herdeiros de Deus, e eu reconheço-os por meus irmãos em Jesus Cristo. Vós, ao contrário, ricos segundo o mundo, sois muito pobres aos olhos de Deus, porque sois ainda escravos do demônio, adoradores de estúpidas divindades e inimigos do Deus vivo e verdadeiro.” Esta linguagem serena, mas severa e forte, produziu salutar impressão. Algum tempo depois, a maior parte, dos grandes e nobres de Carintia convertiam-se ao cristianismo e eram batizados por Arno, bispo de Salisburgo.

IV. O Delfim, pai de Luiz XVI, repetia muitas vezes a seus filhos que a Religião não distingue entre ricos e pobres, quando regenerados nas águas sacramentais. Para ela é maior o que melhor cumprir a vontade do Senhor. Quando seus filhos foram batizados, mandou inscrever-lhes os nomes no registro paroquial, ao lado dos mais pobrezinhos. Vede, disse-lhes um dia o Delfim, ao mesmo tempo que os filhos observavam o registro: diante de Deus a condição dos que aqui estão inscritos é perfeitamente igual, e só a virtude e a fé os pode distinguir. Vós, aos olhos do mundo, sereis talvez os maiores dentre os que estão aqui inscritos; mas diante de Deus todos podem ser maiores que Vós, se amarem mais a Jesus Cristo e melhor praticarem os seus ensinamentos.

Um dia uma filha de um rei de França indispôs-se com a sua camareira, e para a incomodar disse-lhe com orgulho: “Não sabes que sou filha do rei?” E a camareira respondeu com dignidade cristã: “E não sabeis vós que eu sou filha de Deus?”

V. O ministro ordinário do Batismo é o sacerdote, principalmente o pároco. Em caso de necessidade, qualquer homem ou mulher, herege ou infiel, pode administrar o Batismo validamente desde que o faça do modo devido. Só o pároco batiza por direito na sua paróquia, mas na sua falta preferir-se-á o sacerdote ao diácono, o diácono ao clérigo de ordens menores, este ao leigo, o católico ao cismático, o cismático ao herege, o herege ao infiel, o homem à mulher, contanto que a decência ou perícia não aconselhem de outra coisa. Dentro das leis da conveniência, são as mulheres, especialmente as parteiras e enfermeiras, que administram o Batismo nesses casos por causa de sua maior presença e maior prática. Como se depreende do testemunho deste missionário: “Nos lugares mais populosos da missão, escolhemos mulheres capazes, as quais, mostrando grande cuidado pelos meninos doentes dos infiéis, quando os veem em agonia, com arte finíssima procuram todos os meios para lhes subministrar o Batismo. E todos os anos – quem o diria – enviam elas para o Paraíso até oito mil crianças. Que obra extraordinária de caridade!”

VI. Administra-se o Batismo derramando água natural sobre a cabeça do batizado, e não podendo ser a cabeça, em qualquer outra parte principal do corpo, dizendo ao mesmo tempo: Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo com a intenção de fazer o que a Igreja sempre faz ao batizar. Deve-se levar as crianças à Igreja para batizar o mais cedo possível.

VII. O Sacramento do Batismo é absolutamente necessário à salvação. De fato, o Batismo é um só, como uma só é a Fé. Porém, o Batismo pode suprir-se com o martírio (batismo de sangue) ou com o desejo de receber o Sacramento (batismo de desejo). Na história eclesiástica encontra-se, dentre outros exemplos, a história de Santa Emerenciana como um caso de batismo suprido pelo martírio e do imperador Valentiniano como um caso de batismo suprido pelo desejo de recebê-lo.

VIII. A Igreja pede que se dê ao batizado o nome de um santo para que ele o tenha como protetor e exemplo de virtude. Os padrinhos e madrinhas contraem parentesco espiritual com o batizado e seus pais (o que constitui um impedimento matrimonial) e também assumem gravíssimas obrigações para com ele: eles devem vigiar, instruir e mandar instruir o batizado nas coisas da alma; procurar de todos os modos que viva como um bom cristão e edificá-lo com o seu exemplo; também devem corrigi-lo e aconselhá-lo, particularmente se faltarem os pais, dos quais devem fazer as vezes. Quem recebe o Batismo fica obrigado a professar a Fé, e a observar a Lei de Jesus Cristo e da sua Igreja. Ao receber o Batismo, renuncia-se para sempre ao demônio com suas obras e pompas. Por obras e pompas do demônio entendem-se os pecados, as máximas corrompidas e a vaidade do mundo. Somos assim obrigados, porque Deus nos recebeu na Igreja mediante estas condições. Portanto, tenhamos muita gratidão a Deus pelo Batismo e ódio eterno ao pecado.

IX, São Luís, rei de França, apreciava tanto a graça do batismo, que se assinava muitas vezes como Luís de Poissy, porque tendo tido ali a a dita de receber este sacramento, estimava mais o título de filho de Deus e da Igreja que de rei da França.

X. Lemos na história da Igreja, que um piedoso diácono, chamado Murita, havendo sido padrinho de batismo de um mancebo por nome Epifidoro, teve a dor de o ver apostatar e converter-se em perseguidor dos cristãos. Um dia, em que ele exercia publicamente a sua perseguição, o diácono apresenta-se diante dele no meio de uma turba imensa, e como conservava a túnica branca, que Epifidoro tinha vestido quando o batizaram, mostrou-lha e disse-lhe estas terríveis palavras: “Eis aqui a testemunha da tua apostasia; esta testemunha te acusará no tribunal do Supremo Juiz. Vê esta túnica branca, que vestiste nas fontes sagradas; ela clamará vingança contra ti, e se transformará em um vestido de fogo e de chamas, que te devorarão durante toda a eternidade.” Ao ouvir estas palavras, todo se romperam em lágrimas e Epifidoro retirou-se coberto de confusão.

Os Sete Sacramentos

7.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. Os Sete Sacramentos.

Revisão geral sobre a primeira parte da doutrina cristã, isto é, as verdades de fé contidas no Credo. Diga o Credo. Lembre-se das lições sobre o Sinal da Santa Cruz, a Unidade e Trindade de Deus, a Encarnação do Filho de Deus, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Juízo Particular e Universal e a Santa Igreja Católica.

I. Em uma vasta planície haviam duas fontes e de cada fonte brotavam sete canais que levavam as águas para todas as partes da planície. As águas da primeira fonte, embora um pouco amargas, tinham um poder maravilhoso; ao beber dessas águas o velho se tornava jovem, o feio se embelezava, o doente se curava e até mesmo o morto, quando tocado por elas, voltava a vida. As águas da outra fonte, embora mais doces, logo tornavam-se amargas e causavam vômitos, convulsões e até a morte. A primeira fonte é Jesus Cristo e os sete canais são os sete Sacramentos. A outra fonte é o demônio e dele procedem os sete pecados capitais. O triste disso tudo é que apesar da grande diferença nos efeitos, muitos recusam beber da primeira fonte e alegremente buscam as águas da outra.

II. Um bom sacerdote clamava: “Quantos enfermos há que no tempo de verão vão às águas de Luso e de Vizela? Quantos fizeram grandes despesas para se livrar das doenças corporais, e não se curam todos? Nós temos fontes admiráveis para todas as enfermidades da alma, que são os Sacramentos; e estas fontes de graça curam infalivelmente todos os que vão a elas bem dispostos. Como sucede, pois, que vemos tantos pecadores negligentes e descuidados em ir a essas fontes e beber nelas uma água que lhes é tão salutar? Como é que a maior parte dos que vão a elas, não se apresentam com as devidas disposições?”

III. Sacramento é um sinal sensível e eficaz da graça, instituído por Nosso Senhor, para santificar as nossas almas. Os Sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, pois eles apresentam certa semelhança com a graça espiritual que realmente comunicam. Por exemplo, a água natural que é usada para lavar o corpo é a matéria do batismo, que lava a nossa alma e tira dela a mancha do pecado. Os Sacramentos santificam nossas almas, porque eles nos dão ou aumentam a graça que nos torna santos e gratos a Deus, que nos faz seus filhos adotivos e herdeiros do Céu. Esse poder de nos santificar tem como fonte os infinitos méritos da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

IV. Para fazer um sacramento é necessário matéria, forma e o ministro que tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja. A matéria é a coisa sensível que se utiliza (por exemplo, a água natural no Sacramento do Batismo); a forma são as palavras que se dizem ao fazê-lo; o ministro é a pessoa que faz ou confere o sacramento.

V. Os Sacramentos são sete: 1.º Batismo; 2.º Confirmação (ou Crisma); 3.º Eucaristia; 4.º Penitência; 5.º Extrema Unção; 6.º Ordem; 7.º Matrimônio. Os Sacramentos são sete, porque os bens sobrenaturais da vida da alma possuem certa semelhança com os bens naturais da vida do corpo. Na vida do corpo é preciso nascer; crescer; nutrir-se; tomar remédio, se alguma vez se cai doente; armar-se, se alguma vez se vai ao combate; é necessário que alguns governem para a preservação da ordem e da paz; e é preciso que alguns se multipliquem para a propagação da vida humana. Assim também é com os bens da alma dispensados pelos Sacramentos: o Batismo é o nosso nascimento para a graça de Deus; a Confirmação ou Crisma faz com que essa graça cresça e se fortaleça; a Eucaristia permite que essa graça seja nutrida e sustentada; quando quer que se perca esta graça, a Penitência a fará recuperar; na derradeira batalha da morte, a Extrema Unção é arma poderosa; a graça de poder dirigir e governar as coisas espirituais se adquire pela Ordem; a graça de poder propagar a raça humana para que assim os fiéis cresçam em número se obtém pelo Matrimônio.

VI. Os Sacramentos podem ser distinguidos entre si de muitos modos.

a) Pelo fim. Alguns dão a graça, outros a aumentam. Os Sacramentos que nos levam da inimizade para a amizade de Deus são o Batismo e a Penitência e chamam-se Sacramentos dos mortos, porque destroem o pecado, que é a morte da alma. Esses Sacramentos são os mais necessários à nossa salvação, o Batismo é necessário a todos, a Penitência é necessária a todos os que pecaram depois do Batismo. Os Sacramentos que nos santificam aumentando-nos a graça são a Confirmação, a Eucaristia, a Extrema Unção, a Ordem e o Matrimônio; chamam-se Sacramentos dos vivos, porque quem os recebe já deve estar vivo para a graça de Deus, isto é, sem pecado mortal. Quem recebe esses Sacramentos, sabendo que não está na graça de Deus, comete um grave sacrilégio.

b) Pela excelência. Cada Sacramento possui sua excelência própria sob certo ponto de vista, mas o Sacramento mais excelente de todos é o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pois ele contém o próprio autor da graça e de todo o bem, Cristo Nosso Senhor. Do ponto de vista da necessidade, como se viu, os mais excelentes são o Batismo e a Penitência; do ponto de vista da dignidade, são a Confirmação e a Ordem, já que somente um bispo pode as conferir; do ponto de vista da facilidade, é a Extrema Unção, que perdoa os pecados sem necessidade da exaustão mental exigida na Penitência; do ponto de vista do significado é o Matrimônio, pois este significa a união de Cristo com a Igreja.

c) Pela impressão de caráter. Os Sacramentos que se podem receber só uma vez são o Batismo, a Confirmação e a Ordem, pois esses três Sacramentos imprimem caráter na alma daquele que os recebe, isto é, imprimem um sinal espiritual que é indelével e distintivo: indelével, porque nunca mais se apaga; distintivo, porque o Batismo nos distingue como membros de Jesus Cristo; a Confirmação como seus soldados e a Ordem como seus ministros.

VII. No Antigo Testamento haviam muitos Sacramentos, mas eles diferem dos Sacramentos da Nova Aliança de quatro modos. Eles eram mais numerosos do que os nossos; a sua observância era mais difícil, diferente dos nossos; seu sentido era mais obscuro e poucos entendiam o que eles significavam, já os nossos são claros e facilmente entendidos por todos; eles não conferiam a graça como os nossos, mas somente a prefiguravam e prometiam. É por isso que os Sacramentos da Nova Lei são de longe mais excelentes: eles são menos, mais fáceis, mais claros e mais eficazes do que os Sacramentos da Antiga Lei.