O Sacramento da Confirmação

9.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento da Confirmação.

Revisão da lição sobre o Sacramento do Batismo.

I. A Confirmação ou Crisma é o Sacramento que (a) nos dá o Espírito Santo, (b) imprime em nossa alma o caráter de soldados de Jesus Cristo e (c) nos faz perfeitos cristãos.

II. Os Apóstolos antes da vinda do Espírito Santo, eram homens tímidos, ignorantes e cheios de imperfeições; mas apenas o Espírito Santo desceu sobre eles, ficaram iluminados, instruídos, cheios de fé e de caridade, dispersando-se por todo o universo, confessando a Jesus Cristo perante os tribunais e os tiranos, e por último tiveram a felicidade de derramar o seu sangue em testemunho da verdade que anunciavam. A Confirmação é o Pentecostes de cada cristão, pelo qual o Espírito Santo fará nele coisas prodigiosas, dando a sua alma o complemento e a perfeição.

III. Querendo o imperador Juliano fazer pública e solenemente a sua apostasia, mandou preparar num templo um grande sacrifício aos ídolos; mas no momento de começar a cerimônia o fogo do altar apagou-se de todo; as facas dos sacerdotes dos falsos deuses não puderam cortar a c arne das vítimas, de sorte que o sacrificador que esperava exclamou: “Algum galileu há aqui novamente, lavado com a água ou ungido com o bálsamo?” (Querendo dizer um batizado ou confirmado). Então um jovem pagem, que era cristão, e acabara de receber o Sacramento da Confirmação, levantando a voz, disse: “Sou eu a causa, pois fiz o sinal da cruz e invoquei o santíssimo nome de Jesus para vergonha de vossos ídolos.” Ficou pasmado o imperador, que havia sido cristão, e estava bem instruído do poder de Jesus Cristo. Temeu os efeitos da vingança divina, e sem dizer palavra, saiu do templo, coberto de confusão. O valoroso defensor de Jesus Cristo foi referir aos cristãos o que acabava de suceder, e reconheceram quão temíveis são ao demônio aqueles em quem habita a virtude de Jesus Cristo pelo Sacramento da Confirmação, quando este é recebido com santas disposições.

IV. Todos devem procurar receber o Sacramento da Confirmação e fazer com que os seus subordinados o recebam. A idade em que é conveniente receber o Sacramento da Confirmação é de sete anos, pouco mais ou menos; porque então costumam começar as tentações, e e já se pode conhecer bastante a graça deste Sacramento e conservar-se a lembrança de o ter recebido. Para receber dignamente o Sacramento da Confirmação, é necessário estar em graça de Deus, saber os mistérios principais de nossa santa Fé e aproximar-se deste Sacramento com reverência e devoção.

V. O ministro ordinário do Sacramento da Confirmação é o bispo, (a) porque a administração da Confirmação foi um privilégio exclusivo dos Apóstolos; (b) porque só pertence aos altos oficiais o alistamento dos soldados que devem formar o exército de Cristo Rei; (c) porque assim como nas artes é ofício do mestre aperfeiçoar a obra começada pelos discípulos, assim também na Confirmação cabe aos bispos a obra sobrenatural iniciada no Batismo pelos sacerdotes. O Bispo para administrar a cerimônia da Confirmação ou Crisma, estende primeiro as mãos sobre os que vão crismar-se, invocando sobre eles o Espírito Santo; depois faz uma Cruz na testa de cada um deles com o Santo Crisma, pronunciando as palavras da forma deste Sacramento, isto é, “Eu te assinalo com o sinal da Cruz e te confirmo com o Crisma da salvação em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” Depois dá um leve tapa na face do crismado, dizendo-lhe a paz seja contigo, pax tecum. E no fim abençoa solenemente todos os crismados.

VI. A matéria da Confirmação é azeite misturado com bálsamo, que o Bispo consagra na Quinta-Feira Santa. O azeite, que se derrama e fortalece, significa a abundante graça que se espande na alma do cristão, para o confirmar na Fé; e o bálsamo que é aromático e preserva da corrupção, significa que o cristão, fortificado por esta graça, está apto para exalar bom aroma de virtudes cristãs e para se preservar da corrupção dos vícios. Faz-se a unção na fronte a fim de que o crismado entenda que não deve envergonhar-se do nome e da profissão de cristão, nem ter medo dos inimigos da Fé. Dá-se um leve tapa na face do crismado, para que saiba que deve estar pronto a sofrer todas as afrontas e todas as penas pela Fé, por amor de Jesus Cristo. Para conservar a graça da Confirmação, o cristão deve rezar frequentemente, fazer boas obras e viver segundo a Lei de Jesus Cristo, sem respeito humano.

VII. Os dons do Espírito Santo que se recebem na Confirmação são sete: 1º Sabedoria, 2º Entendimento, 3º Conselho, 4º Fortaleza, 5º Ciência, 6º Piedade, 7º Temor do Senhor. Por meio desses dons podemos alcançar a perfeição da vida cristã, porque eles são como uma escada pela qual subimos por diversos degraus do estado de pecado até a conquista da santidade. É assim uma escada que desce do Céu até nós para que nós possamos chegar até o Céu. O último degrau da escada é o primeiro que devemos pisar, a saber, o dom do Temor do Senhor pelo qual reconhecemos que os nossos pecados nos fazem inimigos de Deus Onipotente. Movidos por esse santo temor, subimos mais um degrau com o dom da Piedade que nos leva a ter gosto pelas coisas de Deus, dá o desejo de fazer a sua vontade em todas as coisas. O terceiro degrau é o dom da Ciência, porque quem realmente deseja fazer a vontade divina pede a Deus instrução sobre suas santas leis e preceitos. Deus então o faz conhecer todas as coisas necessárias, em parte pelos pregadores, em parte pelos livros, em parte por inspiração. O quarto degrau é a Fortaleza, porque sabendo o que Deus quer, o cristão passa a perceber que o mundo, o diabo e a carne impõem-lhe muitos obstáculos a realização da vontade divina, sendo necessário que Deus lhe dê a força para vencer todas essas dificuldades. O quinto degrau é o dom do Conselho, porque o demônio, quando não vence um homem pela força, recorre à fraude, tentando enganá-lo com falsas imagens de bem. Deus não irá abandoná-lo, envia-lhe esse dom pelo qual ele triunfa sobre os diversos embustes do inimigo. O sexto degrau é o Entendimento, porque quando um homem já está bem treinado na vida ativa e obteve muitas vitórias sobre o demônio, Deus o impele para a vida contemplativa e lhe concede ver e penetrar nos mistérios divinos. O sétimo degrau é a Sabedoria, que é a conquista da perfeição, porque aquele que é sábio conhece a causa primeira e ordena as suas ações em conformidade com ela; o que não pode fazer senão aquele que ao dom do Entendimento ajunta a perfeita caridade, pois com o entendimento conhece a causa primeira e com a caridade ordena e dirige a ela todas as coisas como ao fim último; e ainda porque a união do afeto com o entendimento é precisamente o dom da Sabedoria, isto é, o saber saboroso, como ensinava São Bernardo.

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O Sacramento do Batismo

8.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento do Batismo.

Revisão da lição sobre os Sete Sacramentos.

I. O Batismo é o Sacramento pelo qual nascemos para a graça de Deus e nos tornamos cristãos. O Sacramento do Batismo (1) apaga o pecado original, e também o pecado atual, se houver; (2) perdoa toda pena por eles devida; (3) imprime o caráter de membros de Jesus Cristo; (4) faz-nos filhos de Deus e da Igreja e herdeiros do Céu; (5) torna-nos capazes de receber os outros Sacramentos.

II. Um nobre de bom coração tomou para si o filho de um homem que morreu lhe devendo uma grande soma de dinheiro e se encarregou de educá-lo. Um dia ele chamou o menino em sua presença e mostrou-lhe dois documentos, que distinguiam-se por um estar em um envelope preto e o outro em um envelope vermelho. O nobre primeiramente pôs o envelope negro na mão do menino. O menino tirou o selo e empalideceu logo que se deparou com o conteúdo da carta. Ali estavam enunciadas todas as dividas de seu pai e além disso todos os gastos que tinham custado ao benfeitor a sua educação. O órfão estava preocupado com o que viria depois, vendo quanto ele e o seu pai lhe deviam. Mas quando o nobre viu o semblante assustado da criança, sorriu e rasgou aquela carta de débito; então ele lhe deu o outro envelope e pediu para que o lesse. Ele continha uma total remissão das dividas de seu pai e, o que era mais impressionante, um ato pelo qual o menino era adotado como seu filho e herdeiro de todos os seus bens. A alegria do menino pode ser imaginada, ele já não era um pobre órfão embaraçado com tantos débitos, mas o filho de um pai nobre e rico. Assim é conosco que pelo Batismo recebemos a remissão do pecado original, o legado de nossos primeiros pais, e assim fomos feitos filhos de Deus e herdeiros do Céu.

III. Os pobres batizados sentam-se à mesa do rei, e os príncipes dela são excluídos. Ingo, duque de Carintia, para tornar sensível esta verdade a seus parentes e barões, que ainda eram pagãos, convidou-os um dia para um grande festim, para o qual convidou também uma multidão de pobres cristãos. À hora marcada os convidados dirigiram-se ao palácio e foram dispostos em duas mesas diferentes. Os senhores foram servidos no pátio, ao ar, muito rusticamente; ao passo que os pobres o foram na mesa do duque, comeram as iguárias mais finas e beberam os vinhos mais preciosos em taças de ouro. Os senhores, chateados com aquele tratamento, entraram na sala onde Ingo comia, e cheios de cólera perguntaram-lhe porque ele se comprazia em insultá-los assim. Mas o príncipe respondeu tranquilamente: “Não vos maravilheis com a minha conduta. Os homens que aqui vedes, embora pobres de bens temporais, são filhos e herdeiros de Deus, e eu reconheço-os por meus irmãos em Jesus Cristo. Vós, ao contrário, ricos segundo o mundo, sois muito pobres aos olhos de Deus, porque sois ainda escravos do demônio, adoradores de estúpidas divindades e inimigos do Deus vivo e verdadeiro.” Esta linguagem serena, mas severa e forte, produziu salutar impressão. Algum tempo depois, a maior parte, dos grandes e nobres de Carintia convertiam-se ao cristianismo e eram batizados por Arno, bispo de Salisburgo.

IV. O Delfim, pai de Luiz XVI, repetia muitas vezes a seus filhos que a Religião não distingue entre ricos e pobres, quando regenerados nas águas sacramentais. Para ela é maior o que melhor cumprir a vontade do Senhor. Quando seus filhos foram batizados, mandou inscrever-lhes os nomes no registro paroquial, ao lado dos mais pobrezinhos. Vede, disse-lhes um dia o Delfim, ao mesmo tempo que os filhos observavam o registro: diante de Deus a condição dos que aqui estão inscritos é perfeitamente igual, e só a virtude e a fé os pode distinguir. Vós, aos olhos do mundo, sereis talvez os maiores dentre os que estão aqui inscritos; mas diante de Deus todos podem ser maiores que Vós, se amarem mais a Jesus Cristo e melhor praticarem os seus ensinamentos.

Um dia uma filha de um rei de França indispôs-se com a sua camareira, e para a incomodar disse-lhe com orgulho: “Não sabes que sou filha do rei?” E a camareira respondeu com dignidade cristã: “E não sabeis vós que eu sou filha de Deus?”

V. O ministro ordinário do Batismo é o sacerdote, principalmente o pároco. Em caso de necessidade, qualquer homem ou mulher, herege ou infiel, pode administrar o Batismo validamente desde que o faça do modo devido. Só o pároco batiza por direito na sua paróquia, mas na sua falta preferir-se-á o sacerdote ao diácono, o diácono ao clérigo de ordens menores, este ao leigo, o católico ao cismático, o cismático ao herege, o herege ao infiel, o homem à mulher, contanto que a decência ou perícia não aconselhem de outra coisa. Dentro das leis da conveniência, são as mulheres, especialmente as parteiras e enfermeiras, que administram o Batismo nesses casos por causa de sua maior presença e maior prática. Como se depreende do testemunho deste missionário: “Nos lugares mais populosos da missão, escolhemos mulheres capazes, as quais, mostrando grande cuidado pelos meninos doentes dos infiéis, quando os veem em agonia, com arte finíssima procuram todos os meios para lhes subministrar o Batismo. E todos os anos – quem o diria – enviam elas para o Paraíso até oito mil crianças. Que obra extraordinária de caridade!”

VI. Administra-se o Batismo derramando água natural sobre a cabeça do batizado, e não podendo ser a cabeça, em qualquer outra parte principal do corpo, dizendo ao mesmo tempo: Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo com a intenção de fazer o que a Igreja sempre faz ao batizar. Deve-se levar as crianças à Igreja para batizar o mais cedo possível.

VII. O Sacramento do Batismo é absolutamente necessário à salvação. De fato, o Batismo é um só, como uma só é a Fé. Porém, o Batismo pode suprir-se com o martírio (batismo de sangue) ou com o desejo de receber o Sacramento (batismo de desejo). Na história eclesiástica encontra-se, dentre outros exemplos, a história de Santa Emerenciana como um caso de batismo suprido pelo martírio e do imperador Valentiniano como um caso de batismo suprido pelo desejo de recebê-lo.

VIII. A Igreja pede que se dê ao batizado o nome de um santo para que ele o tenha como protetor e exemplo de virtude. Os padrinhos e madrinhas contraem parentesco espiritual com o batizado e seus pais (o que constitui um impedimento matrimonial) e também assumem gravíssimas obrigações para com ele: eles devem vigiar, instruir e mandar instruir o batizado nas coisas da alma; procurar de todos os modos que viva como um bom cristão e edificá-lo com o seu exemplo; também devem corrigi-lo e aconselhá-lo, particularmente se faltarem os pais, dos quais devem fazer as vezes. Quem recebe o Batismo fica obrigado a professar a Fé, e a observar a Lei de Jesus Cristo e da sua Igreja. Ao receber o Batismo, renuncia-se para sempre ao demônio com suas obras e pompas. Por obras e pompas do demônio entendem-se os pecados, as máximas corrompidas e a vaidade do mundo. Somos assim obrigados, porque Deus nos recebeu na Igreja mediante estas condições. Portanto, tenhamos muita gratidão a Deus pelo Batismo e ódio eterno ao pecado.

IX, São Luís, rei de França, apreciava tanto a graça do batismo, que se assinava muitas vezes como Luís de Poissy, porque tendo tido ali a a dita de receber este sacramento, estimava mais o título de filho de Deus e da Igreja que de rei da França.

X. Lemos na história da Igreja, que um piedoso diácono, chamado Murita, havendo sido padrinho de batismo de um mancebo por nome Epifidoro, teve a dor de o ver apostatar e converter-se em perseguidor dos cristãos. Um dia, em que ele exercia publicamente a sua perseguição, o diácono apresenta-se diante dele no meio de uma turba imensa, e como conservava a túnica branca, que Epifidoro tinha vestido quando o batizaram, mostrou-lha e disse-lhe estas terríveis palavras: “Eis aqui a testemunha da tua apostasia; esta testemunha te acusará no tribunal do Supremo Juiz. Vê esta túnica branca, que vestiste nas fontes sagradas; ela clamará vingança contra ti, e se transformará em um vestido de fogo e de chamas, que te devorarão durante toda a eternidade.” Ao ouvir estas palavras, todo se romperam em lágrimas e Epifidoro retirou-se coberto de confusão.

Os Sete Sacramentos

7.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. Os Sete Sacramentos.

Revisão geral sobre a primeira parte da doutrina cristã, isto é, as verdades de fé contidas no Credo. Diga o Credo. Lembre-se das lições sobre o Sinal da Santa Cruz, a Unidade e Trindade de Deus, a Encarnação do Filho de Deus, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Juízo Particular e Universal e a Santa Igreja Católica.

I. Em uma vasta planície haviam duas fontes e de cada fonte brotavam sete canais que levavam as águas para todas as partes da planície. As águas da primeira fonte, embora um pouco amargas, tinham um poder maravilhoso; ao beber dessas águas o velho se tornava jovem, o feio se embelezava, o doente se curava e até mesmo o morto, quando tocado por elas, voltava a vida. As águas da outra fonte, embora mais doces, logo tornavam-se amargas e causavam vômitos, convulsões e até a morte. A primeira fonte é Jesus Cristo e os sete canais são os sete Sacramentos. A outra fonte é o demônio e dele procedem os sete pecados capitais. O triste disso tudo é que apesar da grande diferença nos efeitos, muitos recusam beber da primeira fonte e alegremente buscam as águas da outra.

II. Um bom sacerdote clamava: “Quantos enfermos há que no tempo de verão vão às águas de Luso e de Vizela? Quantos fizeram grandes despesas para se livrar das doenças corporais, e não se curam todos? Nós temos fontes admiráveis para todas as enfermidades da alma, que são os Sacramentos; e estas fontes de graça curam infalivelmente todos os que vão a elas bem dispostos. Como sucede, pois, que vemos tantos pecadores negligentes e descuidados em ir a essas fontes e beber nelas uma água que lhes é tão salutar? Como é que a maior parte dos que vão a elas, não se apresentam com as devidas disposições?”

III. Sacramento é um sinal sensível e eficaz da graça, instituído por Nosso Senhor, para santificar as nossas almas. Os Sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, pois eles apresentam certa semelhança com a graça espiritual que realmente comunicam. Por exemplo, a água natural que é usada para lavar o corpo é a matéria do batismo, que lava a nossa alma e tira dela a mancha do pecado. Os Sacramentos santificam nossas almas, porque eles nos dão ou aumentam a graça que nos torna santos e gratos a Deus, que nos faz seus filhos adotivos e herdeiros do Céu. Esse poder de nos santificar tem como fonte os infinitos méritos da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

IV. Para fazer um sacramento é necessário matéria, forma e o ministro que tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja. A matéria é a coisa sensível que se utiliza (por exemplo, a água natural no Sacramento do Batismo); a forma são as palavras que se dizem ao fazê-lo; o ministro é a pessoa que faz ou confere o sacramento.

V. Os Sacramentos são sete: 1.º Batismo; 2.º Confirmação (ou Crisma); 3.º Eucaristia; 4.º Penitência; 5.º Extrema Unção; 6.º Ordem; 7.º Matrimônio. Os Sacramentos são sete, porque os bens sobrenaturais da vida da alma possuem certa semelhança com os bens naturais da vida do corpo. Na vida do corpo é preciso nascer; crescer; nutrir-se; tomar remédio, se alguma vez se cai doente; armar-se, se alguma vez se vai ao combate; é necessário que alguns governem para a preservação da ordem e da paz; e é preciso que alguns se multipliquem para a propagação da vida humana. Assim também é com os bens da alma dispensados pelos Sacramentos: o Batismo é o nosso nascimento para a graça de Deus; a Confirmação ou Crisma faz com que essa graça cresça e se fortaleça; a Eucaristia permite que essa graça seja nutrida e sustentada; quando quer que se perca esta graça, a Penitência a fará recuperar; na derradeira batalha da morte, a Extrema Unção é arma poderosa; a graça de poder dirigir e governar as coisas espirituais se adquire pela Ordem; a graça de poder propagar a raça humana para que assim os fiéis cresçam em número se obtém pelo Matrimônio.

VI. Os Sacramentos podem ser distinguidos entre si de muitos modos.

a) Pelo fim. Alguns dão a graça, outros a aumentam. Os Sacramentos que nos levam da inimizade para a amizade de Deus são o Batismo e a Penitência e chamam-se Sacramentos dos mortos, porque destroem o pecado, que é a morte da alma. Esses Sacramentos são os mais necessários à nossa salvação, o Batismo é necessário a todos, a Penitência é necessária a todos os que pecaram depois do Batismo. Os Sacramentos que nos santificam aumentando-nos a graça são a Confirmação, a Eucaristia, a Extrema Unção, a Ordem e o Matrimônio; chamam-se Sacramentos dos vivos, porque quem os recebe já deve estar vivo para a graça de Deus, isto é, sem pecado mortal. Quem recebe esses Sacramentos, sabendo que não está na graça de Deus, comete um grave sacrilégio.

b) Pela excelência. Cada Sacramento possui sua excelência própria sob certo ponto de vista, mas o Sacramento mais excelente de todos é o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pois ele contém o próprio autor da graça e de todo o bem, Cristo Nosso Senhor. Do ponto de vista da necessidade, como se viu, os mais excelentes são o Batismo e a Penitência; do ponto de vista da dignidade, são a Confirmação e a Ordem, já que somente um bispo pode as conferir; do ponto de vista da facilidade, é a Extrema Unção, que perdoa os pecados sem necessidade da exaustão mental exigida na Penitência; do ponto de vista do significado é o Matrimônio, pois este significa a união de Cristo com a Igreja.

c) Pela impressão de caráter. Os Sacramentos que se podem receber só uma vez são o Batismo, a Confirmação e a Ordem, pois esses três Sacramentos imprimem caráter na alma daquele que os recebe, isto é, imprimem um sinal espiritual que é indelével e distintivo: indelével, porque nunca mais se apaga; distintivo, porque o Batismo nos distingue como membros de Jesus Cristo; a Confirmação como seus soldados e a Ordem como seus ministros.

VII. No Antigo Testamento haviam muitos Sacramentos, mas eles diferem dos Sacramentos da Nova Aliança de quatro modos. Eles eram mais numerosos do que os nossos; a sua observância era mais difícil, diferente dos nossos; seu sentido era mais obscuro e poucos entendiam o que eles significavam, já os nossos são claros e facilmente entendidos por todos; eles não conferiam a graça como os nossos, mas somente a prefiguravam e prometiam. É por isso que os Sacramentos da Nova Lei são de longe mais excelentes: eles são menos, mais fáceis, mais claros e mais eficazes do que os Sacramentos da Antiga Lei.

A Santa Igreja Católica, a Remissão dos Pecados e a Comunhão dos Santos

6.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. A Santa Igreja Católica, a Remissão dos Pecados e a Comunhão dos Santos.

Revisão geral, sobretudo da lição sobre o Juízo Particular e Universal.

I. A Santa Igreja Católica é a Igreja de Cristo. Ela foi fundada por Nosso Senhor para continuar a sua missão redentora sobre a terra. Durante sua vida pública, Jesus Cristo pregou, por exemplo, o sermão da montanha e as parábolas a fim de converter os homens para Deus e preservar os seus discípulos no caminho do Céu; ele também conferiu graças aos que o seguiam, por exemplo, perdoando os pecados de Maria Madelena, oferecendo o seu corpo e o seu sangue na Última Ceia, dizendo ali a primeira Santa Missa, abençoando as crianças que vinham ao seu encontro, e assim ele fez porque pouco aproveita o esforço humano sem a graça de Deus. Cristo ainda governou seus discípulos, estabelecendo leis, enviando seus apóstolos, repreendendo e castigando os fariseus etc., pois não basta crer nas palavras do Senhor, mas também é preciso colocá-las em prática, evitando o mal e fazendo o bem. Nosso Salvador então exerceu um tríplice ministério: um ministério doutrinal, sacerdotal e pastoral, ou ainda, Cristo Nosso Senhor foi mestre, sacerdote e rei das almas. Este tríplice ministério comunicou-o aos Apóstolos, colunas e fundamentos da Santa Igreja Católica, a fim de perpetuar a sua missão redentora por meio deles e seus sucessores. Transmitiu-lhes o ministério doutrinal, mandando que ensinassem a todas as nações; o ministério sacerdotal, dando-lhes o poder de perdoar os pecados, de dizer a Santa Missa e de batizar; o ministério pastoral, conferindo-lhes o poder de censurar; de de ligar e desligar, isto é, de fazer leis e de as abolir. Dizendo essas coisas aos Apóstolos, Cristo também se dirigiu aos seus sucessores no apostolado, isto é, ao Papa e aos Bispos, pois disse estar com eles até a consumação dos séculos e, ademais, foi com a autoridade do mesmo Cristo que os Apóstolos escolheram sucessores idôneos dentre os discípulos do Senhor. De fato, Cristo continua presente no meio de nós ensinando, santificando e governando pela Igreja que nos transmite a salutar doutrina de Jesus Cristo, comunica-nos suas graças e nos guia para o Céu.

II. A Santa Igreja Católica é a nossa mãe. Quando o pai parte para uma viagem deixa os filhos com a mãe e transmite-lhe a sua autoridade. Jesus Cristo fez o mesmo ao deixar a terra: deixou-nos aos cuidados de nossa mãe, a Igreja, e deu-lhe plena autoridade sobre nós. É preciso, portanto, honrar a Deus como a nosso pai, e à Igreja como a nossa mãe, uma mãe que nos gera para a vida eterna e nos educa para o Céu. Se nós já amamos a nossa pátria terrestre, porque nela nascemos e dela recebemos educação, se estamos prontos até mesmo para morrer por ela, com mais forte razão somos obrigados a amar a Igreja, a qual devemos a vida eterna; é justo, com efeito, que demos preferência aos bens superiores da alma sobre os bens perecíveis do corpo. Assim, de fato, fizeram os mártires e confessores da fé católica que ilustraram a Igreja com a grandeza de seus exemplos.

III. A Santa Igreja Católica é infalível no desempenho de suas funções. Em sua missão de nos gerar e educar para o Céu, a Santa Igreja Católica é guiada e protegida pelo Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que garante a santidade de sua doutrina, culto e governo das almas. Já que somente ela goza dessa assistência, a Santa Igreja Católica pode ser definida como a sociedade dos fiéis que professam a doutrina de Jesus Cristo, participam dos mesmos Sacramentos instituídos por Ele e obedecem aos legítimos pastores, principalmente ao Romano Pontífice. Daí se depreende que não são membros da Igreja os hereges e os apóstatas, que não têm a fé; nem os judeus e os infiéis, que não tem sequer o sacramento do batismo; e tampouco o são os cismáticos e excomungados, que não têm a obediência aos pastores legítimos.

IV. A Santa Igreja Católica é representada por meio de muitos nomes e imagens que ajudam a compreender a excelência de sua natureza. Ela é chamada de cidade erguida sobre o monte, corpo de Cristo, esposa de Cristo, templo do Espírito Santo, reino de Deus, coluna e fundamento da verdade etc. Nosso Senhor, dentre outras coisas, descreve-a como um rebanho do qual ele é o Bom Pastor. O Bom Pastor alimenta suas ovelhas, dá-lhes a beber de fontes limpas e as conduz por um caminho seguro, protegendo-as dos lobos. E de fato é assim em sua Santa Igreja com o ministério doutrinal, sacerdotal e pastoral: o Bom Pastor alimenta o seu rebanho com a doutrina da salvação, sacia a sede dos fiéis pelos Sacramentos, verdadeiras fontes da graça de Deus, e mantém o rebanho bem unido pela obediência aos legítimos pastores, principalmente ao Papa, a quem, depois de sua Ressurreição, constituiu como chefe visível do seu rebanho.

V. Jesus Cristo instituiu a Igreja para que todos os homens pudessem encontrar nela os maios de conseguir a sua salvação eterna. Os principais meios que se encontram na Igreja para se alcançar a vida eterna são: a verdadeira fé, a graça por meio dos Sacramentos, a remissão dos pecados e a comunhão dos Santos.

VI. A remissão dos pecados quer dizer que Jesus Cristo deu à Igreja o poder de perdoar todos os pecados, por meio dos Sacramentos que ele instituiu para este fim. A comunhão dos Santos é a participação de todos os fiéis cristãos nas orações e nas outras boas obras que se fazem na Igreja.

VII. Todas as verdades de fé que vimos até aqui, a saber, a unidade e a trindade de Deus, a encarnação do Filho de Deus, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Juízo Particular e Universal, a Santa Igreja Católica e todos os bens que dela recebemos, estão reunidas em uma breve fórmula chamada Credo. É necessário saber de cor o Credo e cuidar para entender bem o significado de todas as suas partes. O Credo se diz assim:

Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor; o qual foi concebido do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu aos infernos; ao terceiro dia ressurgiu dos mortos; subiu ao Céu, está assentado à mão direita de Deus Pai, todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos; creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica; na Comunhão dos Santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amém.

APÊNDICE
1. A nova eclesiologia do Vaticano II: https://controversiacatolica.com/2018/11/04/a-nova-eclesiologia-do-vaticano-ii/

2. As heresias do Vaticano II: https://controversiacatolica.com/2018/11/06/as-heresias-do-concilio-vaticano-ii/

3. Tradicionalistas, a Infalibilidade e o Papa: https://catolicoromano.com.br/tradicionalistas-infalibilidade-e-o-papa/

4. A indefectibilidade da Igreja: https://controversiacatolica.com/2018/12/23/a-indefectibilidade-da-igreja/

Juízo Particular e UniversaI

5.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Juízo Particular e Universal.

Revisão da lição sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

I. Os novíssimos ou as últimas coisas que hão de acontecer ao homem são quatro: Morte, Juízo, Inferno ou Paraíso.

II. A morte é certa, mas a hora da morte é incerta. A morte revela quanto os bens do mundo são passageiros e quanto os bens espirituais são necessários. Na hora de morte, sentiremos dor pelo mal que cometemos e pelo bem que não fizemos. É por isso que é uma loucura fazer coisas que depois nos causarão arrependimento.

III. São Bernardo costumava perguntar a si mesmo muitas vezes durante o dia: Farias isto se hoje tivesses que morrer? E quando começava alguma boa ação ou obra de obrigação, perguntava a si mesmo: Se depois desta ação, tivesses que morrer, como a farias? E assim com a memória da morte mantinha-se em continuo fervor.

IV. Um cavalheiro de alta categoria, mas grande pecador, resolveu enfim converter-se. Para isto foi a Roma, querendo ter a consolação de confessar-se com o Papa. Ouviu-o este com efeito, ficando extremamente edificado da exatidão de sua confissão, da veemência de sua dor e da generosidade de suas resoluções. Mas quando se tratou de lhe impor a penitência, não havia nenhuma que fosse do agrado do penitente. “Não tenho forças para jejuar; falta-me tempo para ler; não tenho como usar instrumentos de penitência; não posso fazer peregrinações; minha saúde não permite ajoelhar e dormir com incômodos e isso tampouco convém a uma pessoa de minha categoria…” Que fazer, pois, com um homem desta condição? O Papa deu-lhe um anel de ouro em que estavam inscritas as palavras Memento Mori, lembra-te que hás de morrer. Impôs-lhe por penitência o anel e pediu que sempre o levasse consigo e que lesse as palavras nele inscritas ao menos uma vez por dia. Retirou-se o cavalheiro muito contente, felicitando-se por ter recebido uma penitência tão ligeira; mas esta produziu todas as demais. O pensamento da morte fez tão forte e ditosa impressão no seu espírito, que em breve começou a dizer a si mesmo: “Já que hei de morrer, que devo fazer neste mundo senão preparar-me para morrer bem? De que serve cuidar tanto de uma saúde, que a morte deve destruir? Para que regular um corpo e uma carne, que hão de apodrecer na sepultura?” Feitas estas reflexões, não houve penitência, que não lhe parecesse leve; abraçou-as todas, perseverando nelas até a sua morte, que foi preciosa diante de Deus, muito edificante aos homens e cheia de consolação para ele mesmo.

V. Assim como a morte, também é igualmente certo que logo depois virá o juízo particular, isto é, a nossa alma há de apresentar-se no tribunal de Jesus Cristo, para dar contas de todas as suas obras. Quem estiver sem pecado, nem tiver pena alguma a pagar, vai para o Paraíso; quem estiver em pecado venial ou tiver alguma pena a pagar, vai para o Purgatório até satisfazer à justiça divina; e quem estiver em pecado mortal, ainda que seja um só, vai para o Inferno.

VI. O Inferno e o Paraíso duram eternamente, mas são bem diferentes um do outro. O Inferno é todo o mal sem qualquer mistura de bem, ele é a privação da visão de Deus e sujeição a tormentos atrozes em meio a um fogo que jamais se extingue; já o Paraíso é todo o bem sem qualquer mistura de mal, ele é a visão feliz de Deus e a posse da bem-aventurança eterna. Os sofrimentos do Inferno e as alegrias do Paraíso não tem equivalente neste mundo: a maior das dores deste mundo não se compara aos tormentos dos danados no Inferno; a maior das alegrias deste mundo não se compara à bem-aventurança dos justos no Paraíso.

VII. Tendo São João Clímaco visitado no Egito um mosteiro de trezentos monges, ficou admirado da virtude do cozinheiro. Como o via sempre recolhido e banhado em lágrimas no meio de suas ocupações, perguntou-lhe de que meios se valia para manter a sua alma em tanto recolhimento e compunção. “Quando sirvo os monges”, respondeu o bom religioso, “imagino que sirvo não os homens, mas Deus na pessoa dos seus servos; e a vista do fogo que tenho sem cessar diante de mim, recorda-me as chamas em que arderão eternamente os pecadores.”

VIII. O Purgatório é um lugar temporário de expiação para as almas daqueles que, embora tenham morrido em graça de Deus, não satisfizeram inteiramente à justiça divina. Podemos aliviar as almas do Purgatório com orações, indulgências, esmolas e outras obras boas, sobretudo com a Santa Missa.

IX. Na crônica do patriarca S. Francisco, conta-se que um religioso desta ordem, que se havia descuidado em vida de rogar pelas almas do purgatório, apareceu depois de morto a um companheiro, expondo-lhe a grandeza dos tormentos que sofria naquelas chamas em punição de sua negligência em orar pelos defuntos; que por isso não recebia nenhum alívio das missas e orações que se diziam por ele, porque Deus as aplicava a outros, que em vida haviam sido mais caritativos do que ele para com aquelas almas aflitas, sendo justo que não se tenha compaixão daqueles que a não tiveram dos outros.

X. No fim do mundo, Jesus Cristo voltará à terra em glória e majestade para julgar os vivos e os mortos. Assim será para que todos conheçam melhor a sabedoria e justiça de Deus; para que Jesus seja glorificado em face do mundo inteiro; para que os bons publicamente recebam recompensa e os maus o castigo; finalmente, para que o corpo participe com a alma do prêmio ou da pena eterna.

Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo

4.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. A Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Revisão da lição sobre a Encarnação do Filho de Deus.

I. Durante a sua vida mortal, Jesus Cristo ensinou o caminho do Céu com palavras e obras, confirmando a sua doutrina com muitos milagres.

II. Jesus Cristo padeceu e morreu na cruz a fim de satisfazer a Deus pelos nossos pecados. Assim teve de ser, porque a ofensa se mede pela dignidade do ofendido enquanto a satisfação se mede pela dignidade de quem a paga. Assim se um criado dá uma bofetada em um príncipe, seria julgado um delito gravíssimo conforme a dignidade do príncipe; porém, se o príncipe desse uma bofetada no criado, seria julgado de menos importância conforme a vileza do criado. E pelo contrário se um servo tirasse o chapéu para um príncipe, não seria nada além do seu dever, mas se um príncipe tirasse o chapéu para um criado, então seria este um notável favor. Ora, como o primeiro homem ofendeu a dignidade infinita de Deus, isso exige uma satisfação infinita, proporcional à Majestade Divina. E como não havia nem homem, nem anjo de tamanha dignidade, veio o Filho de Deus que sendo Deus tinha dignidade infinita e sendo homem satisfez inteiramente por nossas culpas e pecados.

III. Cristo também morreu na cruz para nos dar o exemplo da virtude da paciência, humildade, obediência e caridade, que são as virtudes indicadas nos quatro braços da cruz. Não há maior paciência do que padecer injustamente uma morte afrontosa, nem há maior humildade do que sujeitar-se o Senhor dos Senhores a ser crucificado entre dois ladrões; não há maior obediência do que preferir morrer do que transgredir um mandamento divino, nem há maior caridade do que oferecer a vida para salvar os seus próprios inimigos.

IV. Um religioso devoto e grande servo de Deus pedia à Majestade Divina com muita instância que lhe revelasse qual serviço lhe era mais aceito e agradável. No fim de muitas súplicas, apareceu-lhe um dia Cristo Nosso Senhor, vindo para ele com uma grande Cruz ao ombro, e lhe disse: não me podes fazer serviço mais agradável e aceito do que ajudar-me a levar esta pesada Cruz. Perguntando-lhe o religioso como podia levar a Cruz com ele, o Senhor lhe respondeu: Com o coração poderás levar minha Cruz, com a continua memória e meditação dela; na boca ao dar-me graças com muita consideração e devoção, porque nela te redimi; com os ouvidos ouvindo com muito afeto o que foram as minhas penas; nas costas com a mortificação da tua carne. Logo que o religioso ouviu isso, deu graças ao Senhor e procurou dali em diante empregar-se neste santo ofício.

V. Depois de sua morte na Cruz, o santíssimo corpo de Nosso Senhor foi sepultado, enquanto isso a sua alma descia ao Limbo para abrir as portas do Céu aos justos que tinham morrido antes dele.

VI. Passados três dias incompletos, Jesus Cristo ressuscitou, isto é, sua alma se uniu novamente ao seu corpo para nunca mais morrer. Este mistério é o maior de todos os milagres e a partir dele se pode facilmente crer em todos os demais. Um morto nada pode fazer, a morte é a impotência absoluta, e todavia Jesus Cristo morto restituiu a vida a si mesmo. Ele mesmo quis padecer e morrer na Cruz e no tempo em que havia fixado ressuscitou gloriosamente. Este triunfo de Cristo sobre a morte é sinal de sua onipotência divina e, por conseguinte, prova incontestável de que Jesus Cristo realmente é o Filho de Deus.

VII. Depois de ficar quarenta dias com seus discípulos, Jesus Cristo subiu ao Céu, onde está assentado à mão direita de Deus Pai todo-poderoso. Lá do Céu, enviou aos discípulos o Espírito Santo no dia de Pentecostes, dez dias depois de sua Ascensão. De fato, Jesus Cristo enquanto Deus está em toda parte, mas enquanto Homem-Deus está com o Pai no Céu e no Santíssimo Sacramento do Altar.

Encarnação do Filho de Deus

3.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã: Encarnação do Filho de Deus.

Revisão da lição sobre a Unidade e Trindade de Deus.

I. .O Filho de Deus se fez homem, isto é, assumiu nossa natureza humana sem perder a sua natureza divina.

II. O Filho de Deus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ele foi gerado pelo Pai desde toda a eternidade. Assim como um homem de frente a um espelho gera imediatamente uma perfeita imagem de si mesmo, assim também o Pai gera o Filho desde toda a eternidade. Assim como não há fogo sem o esplendor da luz, assim também não há o Pai sem o Filho.

III. Um sacerdote herege da Armênia chamou um missionário para um debate. Embora relutante, o homem de Deus se viu forçado a aceitar a disputa. O assunto era a pessoa do Redentor. “Eu afirmo”, disse o herege, “que Jesus Cristo foi Deus e homem, mas nele estavam tão perfeitamente unidas a humanidade com a divindade que ele tinha apenas uma natureza. Dois pedaços de ferro, um grande e outro pequeno, quando são fundidos, tornam-se tão unidos que perdem a sua individualidade, eles se tornam uma só coisa.” “Verdade,” respondeu o missionário, “mas se uma delas fosse de ouro, então ela não seria parte de ouro e parte de ferro? Assim também é com Cristo; em sua única pessoa há duas naturezas. Em sua natureza humana ele padeceu e morreu na cruz, mas foi a sua natureza divina que deu um valor infinito aos seus sofrimentos e morte.”

IV. O nome do Filho de Deus feito homem é Jesus Cristo, porque ele veio para nos salvar.

V. Um grande monarca tinha um súdito que muito estimava. Embora ele fosse de origem humilde, a bondade do rei o elevou a uma posição muito elevada. Infelizmente, com o passar dos anos, esse nobre homem, movido pelo orgulho e instigado por um mau conselheiro, aborreceu-se de não ocupar o primeiro lugar no reino e então resolveu fazer uma conspiração contra o rei a fim de por-se em seu lugar. O esquema, porém, foi descoberto a tempo e o homem ambicioso foi expulso do reino com toda sua família. Mas o filho único do rei, compadecendo-se do condenado, foi até o seu poderoso pai e obteve dele o perdão por aquele homem e todos os seus familiares. A alegria dos exilados pode ser imaginada e também sua gratidão e devoção ao príncipe generoso que os libertou do exílio. Este príncipe generoso é o Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que fez-se homem e morreu na Cruz para nos salvar; o homem ambicioso é o nosso pai Adão, que pecou contra Deus por soberba e assim foi justamente punido e exilado do Paraíso Terrestre; o mau conselheiro é o demônio, que instigou-o ao pecado seduzindo Eva, sua esposa; a família é toda a humanidade que descende de nossos primeiros pais, Adão e Eva.

VI. O pecado de nosso pai Adão foi um pecado de soberba e grave desobediência. Ele causou-nos a privação da graça de Deus, a ignorância, a inclinação ao mal, a morte e todas as outras misérias. Sem Jesus Cristo, seríamos incapazes de nos salvar, pois estávamos na condição de escravos do demônio e inimigos de Deus.

VII. O Filho de Deus foi concebido do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem. Concebido do Espírito Santo, porque assim como as obras de poder se atribuem especialmente ao Pai e as obras de sabedoria especialmente ao Filho, as obras de bondade se atribuem especialmente ao Espírito Santo. A Encarnação do Filho de Deus foi uma obra do amor de Deus para com os homens.

VIII. A Virgem Maria é a Mãe de Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro. Da mesma forma que no tempo da criação, a terra virgem deu abundante fruto sem a intervenção do homem, da mesma forma no tempo da redenção Deus reservou para si o trabalho de formar Nosso Senhor no seio puríssimo de Maria Virgem. A humanidade santíssima de Nosso Senhor, Deus e homem verdadeiro, formou-se toda no seio imaculado de Nossa Senhora.

IX. São José foi escolhido para ser o protetor de Jesus e Maria e o chefe da Sagrada Família. É muito bom invocar os nomes de Jesus, Maria e José através das seguintes jaculatórias: “Meu Jesus, eu vos adoro e vos amo”, “Jesus e Maria, eu vos amo e salvai almas” e “Amado Jesus, José e Maria, eu vos dou o meu coração e a minha alma.”

X. Jesus Cristo nasceu num estábulo em Belém e foi deitado numa manjedoura. Ele nasce pobre para nos ensinar que a felicidade não está nas riquezas, honras e prazeres deste mundo, mas em servir e amar a Deus neste mundo e louvá-lo eternamente no outro.