Leão não falou pela boca de Pedro Dimond: Ir. Pedro Dimond e a Carta a Flaviano

LEÃO NÃO FALOU PELA BOCA DE PEDRO DIMOND

IR. PEDRO DIMOND E A CARTA A FLAVIANO

Por Diogo Rafael Moreira (2018)

Leão não falou pela boca de Pedro Dimond [PDF]

INTRODUÇÃO

Há algum charme no discurso do Ir. Pedro Dimond, especialmente quando se vive na era do Vaticano II, onde poucas são as vozes que falam sobre a vida sobrenatural e os novíssimos. Contudo, sua pretensão de provar uma tese nova e rigorista fere de morte a credibilidade do seu apostolado.

A tese em questão é aquela que entende o dogma “Fora da Igreja não há salvação” em um sentido tal que exclua o batismo de desejo, uma doutrina ancestral do catolicismo.1 Essa posição peculiar é o principal título de separação entre os católicos e o seu grupo.

Para o bem do Ir. Pedro Dimond e seus seguidores, como também para o esclarecimento de muitos, proponho examinar o argumento que, segundo o autor, “encerra o debate sobre o batismo de desejo”.

I. RESUMO

O autor começa apresentando o que ele chama de “a declaração mais interessante sobre o tema”. Trata-se do seguinte excerto da carta de São Leão Magno a Flaviano:

“Deixai que preste atenção ao que o bem-aventurado apóstolo Pedro prega, que a santificação pelo Espírito se realiza pela aspersão do sangue de Cristo (1 Pedro 1,2), e não deixai passar despercebidas as palavras do mesmo apóstolo, considerando que haveis sido resgatados do vosso vão viver segundo a tradição de vossos pais, não com prata, nem com ouro, corruptíveis, senão com o sangue precioso de Cristo, como cordeiro sem defeito nem mancha (1 Pedro 1, 18). Tampouco há que resistir ao testemunho do bem-aventurado João: e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todos os pecados (1 João 1,7); e outra vez, esta é a vitória que venceu o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo senão o que crê que Jesus é o Filho de Deus? Ele é o que veio pela água e pelo sangue, Jesus Cristo; não só na água, mas na água e no sangue. E é o Espírito o que o certifica, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três se reduzem a um só (1 João 5, 4-8). EM OUTRAS PALAVRAS, O ESPÍRITO DA SANTIFICAÇÃO E O SANGUE DA REDENÇÃO E A ÁGUA DO BATISMO, ESTES TRÊS SÃO UM E PERMANECEM INDIVISÍVEIS, NENHUM DELES É SEPARÁVEL DE SEU VÍNCULO COM OS DEMAIS.”2

Antes de examinar o texto, ele exibe as credenciais da carta: ela foi incluída nas atas do Concílio Ecumênico de Calcedônia e foi considerada maximamente autoritativa pelo Papa São Gelásio. É, pois, um documento infalível ou ex cathedra.

Então, o autor nos assegura que o trecho citado se refere à “santificação pelo Espírito”, termo esse definido como “justificação do estado de pecado”. Logo, o Espírito de santificação mencionado na carta significa a justificação do pecador. Ora, se o texto de São Leão Magno ensina que a dita justificação é impossível sem a água do batismo, então qualquer possibilidade de uma justificação sem o batismo de água tem de ser descartada, inclusive a doutrina sobre o batismo de desejo e de sangue. “Papa São Leão define que na justificação, o Espírito da santificação e o sangue da redenção não podem ser separados da água do batismo! Logo, não há justificação pelo Espírito e pelo sangue sem o Sacramento do Batismo. Isso infalivelmente exclui o próprio conceito de batismo de desejo e batismo de sangue, que é de que a santificação pelo Espírito e pelo sangue é possível sem a água.”

Ele prossegue dizendo que São Tomás de Aquino não segue São Leão Magno nessa matéria, mas diz bem o contrário: o Doutor Angélico ensina que, no caso do batismo de desejo, a santificação se opera sem o sacramento do batismo, “exatamente o oposto do que o Papa São Leão Magno definiu”. Portanto, entre São Leão e São Tomás, “um católico deve aceitar o que o Papa São Leão Magno definiu” e rejeitar a doutrina de São Tomás.

“A significância da declaração do Papa São Leão é extraordinária”, pois ele é mais específico até mesmo que o próprio Concílio de Trento (!). Mas, alguém irá perguntar, por que muitos teólogos e até santos ignoraram essa passagem tão importante dos escritos do Papa São Leão Magno? “A resposta é simples: eles não estavam conscientes da declaração de São Leão Magno neste respeito; eles erraram de boa fé; eles eram homens falíveis; não estavam conscientes de que sua posição era contrária ao ensino infalível da Igreja Católica”. Porém, você não tem essa nobre desculpa, graças a Deus, você conheceu a obra do Ir. Pedro Dimond contra o batismo de desejo e, como uma consequência necessária, tem apenas duas opções: aderir ao ensinamento infalível do Papa São Leão Magno sobre a matéria da justificação ou cair em heresia formal, o que implicaria na sua danação eterna.

II. EXAME CRÍTICO

O texto examinado segue um raciocínio muito simples:

Maior: O batismo de desejo e de sangue ocorrem na falta do batismo de água;
Menor: Mas o Papa São Leão Magno infalivelmente ensinou que a justificação (entendida como espírito de santificação) é inseparável da água do batismo;
Conclusão: Logo, o batismo de desejo e de sangue não salvam ou justificam, o que é o mesmo que dizer que a doutrina sobre eles é falsa.

No entanto, o argumento não se sustenta, pois a premissa menor é falsa. Ela parece verdadeira, porque o Ir. Pedro Dimond não explicou qual era o tema da carta dogmática e meticulosamente omitiu a explicação dada pelo próprio papa. Em outras palavras, em vez de ser um fiel porta-voz da mensagem de São Leão Magno, o autor tapa a boca do Romano Pontífice e põe as suas próprias palavras em seu lugar.

Para que tudo fique bem claro, citarei novamente o texto com o acréscimo das partes que nos permitem compreender tanto o tema da carta quanto a explicação omitida:

“Não desconfies ser homem com um corpo igual ao nosso quem ele sabe ter sido passível, porque a negação da verdadeira carne é igualmente negação da paixão corpórea. Se [Eutiques] adere à fé cristã, e não desvia o ouvido da pregação do Evangelho, contemple qual foi a natureza que pendeu do lenho da cruz, transpassada pelos cravos, e tendo sido aberto o lado crucificado pela lança do soldado, entenda de onde brotou sangue e água, para que a Igreja de Deus fosse refeita pelo lavacro e o cálice. Deixai que [Eutiques] preste atenção ao que o bem-aventurado apóstolo Pedro prega, que a santificação pelo Espírito se realiza pela aspersão do sangue de Cristo (1 Pedro 1,2), e não deixai passar despercebidas as palavras do mesmo apóstolo, considerando que haveis sido resgatados do vosso vão viver segundo a tradição de vossos pais, não com prata, nem com ouro, corruptíveis, senão com o sangue precioso de Cristo, como cordeiro sem defeito nem mancha (1 Pedro 1, 18). Tampouco há que resistir ao testemunho do bem-aventurado João: e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todos os pecados (1 João 1,7); e outra vez, esta é a vitória que venceu o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo senão o que crê que Jesus é o Filho de Deus? Ele é o que veio pela água e pelo sangue, Jesus Cristo; não só na água, mas na água e no sangue. E é o Espírito o que o certifica, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três se reduzem a um só (1 João 5, 4-8). Em outras palavras, o Espírito da santificação e o sangue da redenção e a água do batismo, estes três são um e permanecem indivisíveis, nenhum deles é separável de seu vínculo com os demais; pois a Igreja Católica vive de tal fé e nela progride: Não há em Cristo Jesus humanidade sem verdadeira divindade, nem divindade sem verdadeira humanidade. Eutiques respondeu a vosso interrogatório: “Confesso que nosso Senhor tinha duas naturezas antes da união; depois desta, confesso ter apenas uma natureza”. Admiro-me que tão absurda e perversa profissão não tenha sido repreendida e censurada pelos juízes e tenha passado em silêncio palavra tão insipiente e blasfema, como se nada de escandaloso tivesse sido ouvido. Afirma ele tão impiamente que o Unigênito Filho de Deus, antes da encarnação, tivera duas naturezas, quanto criminosamente assevera haver nele uma só natureza depois que o Verbo se fez carne.”3

O exame desta citação mais longa é revelador. Ele pode ser resumido nos seguintes pontos:

1. O tema da carta: uma heresia contra o dogma da Encarnação

“A negação da verdadeira carne é igualmente a negação da paixão corpórea”. Quem teve de negar a encarnação do Verbo pela confissão de uma só natureza em Cristo? Os monofisistas, nomeadamente Eutiques e seus discípulos. De fato, esta famosa carta de São Leão Magno a Flaviano trata de defender a realidade da Encarnação do Verbo contra a heresia de Eutiques.

Se a heresia refutada é o monofisismo eutiqueano, então é evidente que o Papa São Leão Magno não pode estar falando diretamente sobre a justificação, um tema que só será definido na sexta sessão do Concílio de Trento. Não estamos aqui em uma querela protestante do século XVI sobre a justificação do fiel, mas em uma controvérsia cristológica do século V sobre a natureza do Filho de Deus. Portanto, aqui já cai por terra a afirmação de que a dita carta é mais específica do que a declaração solene do Concílio de Trento.

2. A justificação enquanto testemunha da Encarnação

Fala-se evidentemente da justificação, porém não se fala da doutrina em si, mas da justificação como testemunha ou prova da Encarnação: da mesma forma que a negação da Encarnação (eutiqueanismo) termina na negação da justificação, a afirmação da justificação dá testemunho da Encarnação.

Nesse sentido de prova, as três testemunhas mencionadas (“o espírito da santificação, o sangue da redenção e a água do batismo”) são uma e a mesma confissão de fé, inseparáveis entre si, “pois a Igreja Católica vive de tal fé e nela progride: Não há em Cristo Jesus humanidade sem verdadeira divindade, nem divindade sem verdadeira humanidade; quia catholica ecclesia hac fide vivit, hac proficit, ut nec sine vera divinitate humanitas nec sine vera credatur humanitate divinitas”. Ou seja, as três testemunhas não se separam, pois juntas atestam a fé da Igreja na Encarnação.

Corrobora com esta explicação o maior comentador da Sagrada Escritura dos tempos modernos, Cornelius a Lapide, que tomou essa passagem de São Leão como uma interpretação mística de 1 Jo 5, 8:

“Misticamente, entende-se por espírito, água e sangue as três coisas que concorrem para a nossa justificação e assim dão testemunho de Cristo, por cujos méritos e poder se alcança nossa justificação. Assim o sangue significa o mérito do sangue e morte de Cristo que nos foi aplicado como justificação, a água significa a ablução e purgação dos pecados, o espírito significa a aspiração e infusão do espírito, ou seja, da vida espiritual, da graça, da caridade e das demais virtudes que nos fazem justos. Donde diz S. Ambrósio lib. De spiritu sancto cap. 11: o espírito renova a mente, a água nos lava, o sangue é o preço. Assim também Cirilo de Fide ad Reginas, e S. Leão epist. 10 c. 5. São três, diz, o espírito da santificação, o sangue da redenção e a água do batismo.”4

Essa interpretação, que não é senão uma leitura cuidadosa do excerto referido, destrói outros dois erros do artigo do Ir. Pedro Dimond, a saber:

a) a afirmação de que somente o Espírito de santificação significa a justificação, quando na verdade as três coisas mencionadas são parte constitutiva do processo de justificação;

b) a interpretação literal de água do batismo como o sacramento do batismo, o que é arbitrário e sem fundamento, uma vez que São Leão Magno está falando em sentido místico.

3. Explicação do termo “água do batismo”

A justificação enquanto testemunha de Cristo consiste em três coisas: redenção (sangue), purificação (água) e santificação (espírito). Todas essas coisas são realizadas por Cristo na alma dos fiéis, tudo isso faz parte da justificação. Nesse contexto, a água do batismo não pode significar o sacramento do batismo (a causa instrumental da justificação, que certamente inclui as três coisas juntas), mas unicamente um de seus efeitos, isto é, o perdão dos pecados.

Esse sentido místico está tão arraigado na mentalidade católica que uma das mais famosas orações indulgenciadas pede ardentemente para que o cristão aqui e agora, e especialmente depois de receber a Santíssima Eucaristia, seja lavado (i.e. batizado) de pela água do lado de Cristo.5 É claro que assim o fiel não pede para ser batizado de novo, o que seria absurdo, mas para que Cristo purifique sua alma de todo pecado. De fato, a água entendida nesse sentido correpende ao efeito obtido por um ato de contrição perfeita, o qual, se feito com todo ardor, nos alcança o perdão dos pecados até mesmo antes da recepção do sacramento.6

4. O sacramento do batismo: sentido alegórico

Por outro lado, o sacramento do batismo pode ser entendido como uma testemunha de Cristo em sentido alegórico:

“Alegoricamente, por essas três coisas se entendem os três principais sacramentos que dão testemunho de Cristo, isto é, por ele instituídos e santificadores em virtude de seus méritos. A água significa o batismo, o sangue o cálice da Eucaristia, o espírito a penitência. Donde que soprando o Espírito sobre seus Apóstolos, Cristo deu-lhes o poder de perdoar os pecados em Jo 20, 22. Todas essas coisas provam que Jesus Cristo é Deus, tanto porque a remissão dos pecados é obra de Deus e do poder divino, quanto porque a transubstanciação do pão e vinho em corpo e sangue de Cristo não pode ser feita senão pela virtude e poder divino.” etc.7

O Papa Leão Magno exprime-o também em sua carta quando diz: “e tendo sido aberto o lado crucificado pela lança do soldado, entenda de onde brotou sangue e água, para que a Igreja de Deus fosse refeita pelo lavacro e o cálice”.8 Ora, o lavacro e o cálice são referências inequívocas ao sacramento do Batismo e da Eucaristia.

Assim como no sentido místico, a referida interpretação se funda no sentido literal, isto é, “o Espírito que Cristo morrendo na cruz entregou nas mãos do Pai, como também a água e sangue que manaram do lado de Cristo, atestam que Cristo era não só verdadeiro homem, mas também verdadeiro Deus; Spiritus quem Christus in cruce moriens emisit in manus Patris, item aqua et sanguis quae de latere Christi profluxerunt, testificantur Christum verum fuisse non tantum hominem, sed et Deum.”9

As discussões modernas sobre o sentido literal não serão discutidas aqui, mas o que importa saber é que, no contexto das três testemunhas, em nenhum caso o sacramento do batismo é significado isoladamente dos outros dois (Penitência e Eucaristia). Logo, a interpretação do Ir. Peter Dimond é inaceitável e pode resumir-se como a confusão entre o sentido místico e alegórico da passagem supracitada.

5. Uma prova adicional em favor do batismo de desejo

A interpretação correta da Carta a Flaviano prova o batismo de desejo, pois implica que a fé do catecúmeno na justificação faz dele um com a Igreja de Deus. É precisamente isso o que ensina São João Batista de La Salle em seu catecismo, chamado pelo censor da obra de “exposição completa e luminosa da doutrina católica”:

“A Igreja, no entanto, sempre teve um sentimento bem diferente dos catecúmenos mortos sem o batismo, desde que ela os tem visto como sendo do número dos fiéis e tendo a fé e o amor de Deus no coração. É também isso o que ela sempre acreditou daqueles que, antes de serem batizados, sofreram o martírio professando a fé de Jesus Cristo.”

“É isso o que deu ocasião de distinguir três tipos de batismo: o batismo de água, o batismo de lágrimas e o batismo de sangue. Mas não há senão o batismo de água que seja um verdadeiro sacramento e, se damos o nome de batismo aos dois outros, isso é unicamente porque eles suprem a falta deste sacramento quando ele não pode ser recebido e têm o mesmo efeito.”10

São João Batista de la Salle é apenas uma testemunha em favor dessa doutrina, há muitas mais.11 Como o testemunho da Igreja de Cristo não se divide e nem pode ser mentiroso, como “nenhum deles é separável de seu vínculo com os demais”, é natural que rejeitando essa porção dos fiéis de Cristo se rejeite também todo o Corpo da Igreja e o próprio Cristo. Essa é a gravidade do pecado da heresia que nos aparta da comunhão com a Igreja Católica, a testemunha infalível da Encarnação do Verbo de Deus.

6. Responsabilidade pelo erro

Por que a interpretação do Ir. Pedro Dimond destoa tão grandemente do sentido original do texto? Num primeiro momento eu me sentiria impelido a responder que “a resposta é simples: eles não estavam consciente da declaração de São Leão Magno neste respeito; eles erraram de boa fé; eles eram homens falíveis; não estavam conscientes de que sua posição era contrária ao ensino infalível da Igreja Católica”. No entanto, ao fim desse exame, devo dizer que essa resposta simplista não é o bastante. Os motivos são os seguintes:

a) O Ir. Pedro Dimond teve acesso a toda a carta de São Leão Magno a Flaviano, contida no compêndio de Concílios Ecumênicos editado pela Universidade de Georgetown.

b) O texto foi recortado de tal maneira que dava a entender que São Leão Magno estava definindo algo que não tinha absolutamente nada a ver com o escopo da carta e aquilo mesmo que o Papa dizia naqueles linhas.

c) Ele oferece como “background” as credenciais da carta, o que é surpreendente e revelador, pois as credenciais servem unicamente para tornar o argumento persuasivo e não para oferecer algum esclarecimento sobre sua origem e conteúdo.

d) A afirmação de que tal passagem define uma doutrina sobre a justificação seria imediatamente desacreditada se o leitor fosse informado acerca do verdadeiro “background” da dita passagem.

e) A comparação entre o Concílio de Trento e o Concílio de Calcedônia é a mesma coisa que comparar laranjas com maçãs, porém o autor faz a comparação mesmo assim. Ora, como foi visto, o Concílio de Trento trata expressamente da doutrina da justificação, enquanto tudo o que diz o Concílio de Calcedônia, salvo o que tem de disciplinar, refere-se ao Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Então, chamar a Carta a Flaviano de “mais específica” que o próprio Concílio de Trento no tocante à doutrina da justificação é um erro grave. Novamente, parece que seu único propósito é convencer, não esclarecer.

f) A comparação entre São Tomás e São Leão Magno é igualmente falsa, pois São Tomás está realmente falando sobre o batismo de desejo, enquanto São Leão Magno está falando sobre a encarnação e menciona a água do batismo em sentido místico e na medida em que ela é testemunha da Encarnação do Verbo de Deus.

g) Afirmar que os santos, dentre os quais muitos doutores da Igreja, pecaram por ignorância da declaração do Papa Leão Magno é um ato de presunção enorme. Primeiro, porque “a mais interessante declaração sobre o tema” não existe, pois o tema é bem outro; segundo, porque esta carta de São Leão Magno é provavelmente um de seus escritos mais conhecidos, senão o mais conhecido; terceiro, porque é pelo menos imprudente dizer que membros da Igreja hierárquica, muitos dos quais teólogos eminentes, não entenderam a relativamente simples carta de São Leão Magno a Flaviano, enquanto um monge nascido depois do Concílio Vaticano II, desprovido da graça de estado e do preparo teológico que esses homens certamente tiveram, tenha finalmente entendido o verdadeiro sentido de um trecho solto da carta.

Essa afirmação até parece plausível depois que o texto já foi tirado de seu verdadeiro contexto e enxertado no contexto de uma discussão dos idos do século XVI sobre a justificação; torna-se ainda mais plausível quando ele é confrontado com o Concílio de Trento e São Tomás; porém, já se provou que todo esse percurso é uma ilusão. Como é de costume, os santos estavam certos, os doutores estavam certos, a Igreja hierárquica estava certa. Quem estava errado desde o princípio? O Ir. Pedro Dimond. Por que ele estava errado? Porque deseja colocar a sua tese acima da verdade proposta pela Igreja hierárquica. O espetáculo visto nesse seu último argumento contra o batismo de desejo dá testemunho de sua obstinação, uma obstinação própria de um herege.

CONCLUSÃO

O presente exame evidenciou duas coisas: (1ª) o texto apontado como “a declaração mais interessante sobre esse tema” afirma antes a doutrina católica sobre o batismo de desejo do que sua negação; (2.ª) o exame revela o uso de técnicas de persuasão – exposição de credenciais, repetições constantes, comparações impressionantes – que servem mais como uma distração do que prova substancial de alguma coisa.

Espero que este exame anime todos a terem uma fé mais viva na Encarnação do Verbo de Deus e no testemunho que a Igreja dá, com os seus catecúmenos e mártires não batizados, de seus efeitos maravilhosos.

Rezemos uns pelos outros.

A.M.D.G.,
Diogo Rafael Moreira.

NOTAS:

1 – Cf. Sources of Baptism of Blood and & Baptism of Desire ou o mais breve Evidência da Doutrina Católica sobre o Batismo de Desejo e de Sangue nos Catecismos Aprovados e Outras Obras Católicas de Instrução Popular.

2 – Esta e as demais citações do resumo encontram-se em Ir. Peter Dimond, Outside the Church there is Absolutely No Salvation, 2ª ed. Inglesa, cap. 15, p. 89-94.

3 – Migne, Patristica Latina, tom. 54, cols. 775 e 774.

4 – Cornelius a Lapide, Commentaria in Sacra Scriptura, tom. 10, p. 912.

5 – Refiro-me certamente à célebre Alma de Cristo de Santo Inácio de Loyola.

6 – Concílio de Trento, sessão XIV, cap. IV.

7 – Cornelius a Lapide, op. cit., loc. cit.

8 – Migne, op. cit., col. 775.

9 – Cornelius a Lapide, loc. cit.

10 – St. Jean Baptiste de La Salle, Les devoirs d’un chrétien… Paris: D. Dumoulin et Cie., 1891, p. 167.

11 – Vide nota 1.

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Carta do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston sobre o Batismo de Desejo

CARTA DO SANTO OFÍCIO AO ARCEBISPO DE BOSTON

SOBRE O BATISMO DE DESEJO

Em Denzinger-Hünermann nm. 3866-3873.

… Entre as coisas que a Igreja sempre pregou e nunca deixará de pregar está também a afirmação infalível que nos ensina que “fora da Igreja não há salvação”.

Este dogma, porém, deve ser entendido no sentido em que a própria Igreja o entende. Com efeito, não é ao juízo privado que nosso Salvador confiou a explicação do que está contido no depósito da fé, mas ao magistério eclesiástico.

Primeiro, a Igreja ensina que nesta matéria se trata de um preceito muito severo de Jesus Cristo. Com efeito, ele impôs aos seus Apóstolos que ensinassem todas as nações a observarem tudo quando ele havia mandado. Entre os mandamentos de Cristo não ocupa o último lugar aquele que ordena sermos pelo batismo incorporados ao corpo de Cristo, que é a Igreja, e permanecermos unidos a Cristo e a seu vigário, pelo qual ele mesmo governa de modo visível a Igreja na terra. Por isso, ninguém será salvo se, sabendo que a Igreja foi divinamente instituída por Cristo, todavia não aceita submeter-se à Igreja ou recusa obediência ao Romano Pontífice, vigário de Cristo na terra.

Ora, o Salvador não apenas ordenou que todas as nações entrassem na Igreja, mas ainda decidiu que a Igreja seria o meio de salvação sem o qual ninguém pode entrar no reino celeste.

Na sua infinita misericórdia, Deus quis que os efeitos necessários para a salvação provenientes destes meios de salvação – que somente por instituição divina, mas não por necessidade intrínseca, são ordenados para o fim último do ser humano – possam também ser obtidos, em certas circunstâncias, quando estes meios são acionados só pelo voto ou desejo. É o que vemos claramente expresso no sacrossanto Concílio de Trento tanto a respeito do sacramento da regeneração como a respeito do sacramento da penitência.

Ora, deve-se dizer o mesmo, em seu próprio nível, a respeito da Igreja enquanto meio geral de salvação. Pois para que alguém obtenha a salvação eterna não é sempre necessário que seja efetivamente incorporado à Igreja como membro, mas requerido é que lhe esteja unido por voto ou desejo.

Todavia, não é sempre necessário que este voto seja explicito como é aquele dos catecúmenos, mas, quando o homem é vítima da ignorância invencível, Deus aceita também o voto implícito, chamado assim porque incluído na boa disposição de alma pela qual essa pessoa quer conformar sua vontade à vontade de Deus.

É esse o ensino claro [da encíclica de Pio XII]… a respeito do corpo místico de Jesus Cristo. O Sumo Pontífice distingue claramente os que são realmente incorporados à Igreja como os seus membros e os que à Igreja são unidos somente pelo voto… “Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que receberam o batismo e professam a verdadeira fé, nem se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas”.

Pelo fim desta mesma encíclica, todavia, convidando afetuosamente à unidade aos que não pertencem ao conjunto da Igreja católica, ele menciona “os que por certo desejo ou voto inconsciente estão ordenados ao Corpo místico do Redentor”, sem os excluir de modo algum da salvação, embora de outra parte diga, a seu respeito, que se encontram num estado “em que não podem estar seguros de sua eterna salvação… por carecerem de tantas e tão grandes graças e auxílios celestes dos quais só na Igreja Católica podem fruir.”

Por estas providentes palavras, ele condena tanto aqueles que excluem a salvação eterna quantos estão unidos à Igreja só por um voto implícito, como também aqueles que, erroneamente, afirmam que os homens podem ser salvos de modo igual em qualquer religião.

Nem se deve pensar que para ser salvo baste qualquer tipo de desejo de entrar na Igreja. Pois é necessário que o voto que destina alguém para a Igreja seja animado pela caridade perfeita. O voto implícito só pode ter efeito quando o homem tem a fé sobrenatural.

Do acima dito, aparece claramente que o que, no comentário “From the Housetops”, fasc. III, é proposto como doutrina autêntica da Igreja católica fica muito longe desta e causa grande dano tanto aos que estão dentro quanto aos de fora…

Por isso não se pode entender como o Instituto “St Benedict’s Center” seja coerente consigo mesmo, quando, embora se chame escola católica e queira ser considerado como tal, na realidade não se conforma ao que prescrevem os cânones 1381 e 1382 do Codex Iuris Canonici, sendo uma fonte de discórdia e de rebelião contra a autoridade eclesiástica e de perturbação de muitas consciências. Do mesmo modo, não se compreende como um religioso, a saber, o Pe. Feeney, se pode apresentar como “defensor da fé”, se ao mesmo tempo não hesita em combater a instrução catequética proposta pelas autoridades legítimas…

 

Evidência da Doutrina Católica sobre o Batismo de Desejo e de Sangue nos Catecismos Aprovados e Outras Obras Católicas de Instrução Popular

EVIDÊNCIA DA DOUTRINA CATÓLICA SOBRE O BATISMO DE DESEJO E DE SANGUE NOS CATECISMOS APROVADOS E OUTRAS OBRAS CATÓLICAS DE INSTRUÇÃO POPULAR

Proposição: A doutrina sobre o Batismo de Desejo e de Sangue faz parte do Magistério Ordinário Universal da Igreja Católica e como tal deve ser crida por todo fiel como parte da Revelação Divina. Logo, sustentar proposição contrária, como fazem os irmãos Dimond e os discípulos de Padre Feeney, é heresia.

COntrição perfeita
A contrição perfeita salva (batismo de desejo).
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O martírio pela fé de Cristo salva (batismo de sangue).

Princípio: O Magistério Ordinário Universal é infalível. Catecismos emitidos pela autoridade episcopal são uma fonte segura do Magistério Ordinário Universal da Igreja.

Prova: “Não é de modo algum incomum encontrar a opinião, senão expressa, ao menos cultivada, de que nenhuma doutrina deve ser considerada dogma de fé a não ser que tenha sido definida solenemente por um Concílio Ecumênico ou pelo próprio Soberano Pontífice. Isso não é necessário de maneira alguma. Basta que a Igreja a ensine em seu Magistério Ordinário, exercido através dos Pastores dos fiéis, os Bispos, cujo ensinamento unânime por todo o orbe católico, seja comunicado expressamente através de cartas pastorais, catecismos emitidos pela autoridade episcopal, sínodos provinciais, seja implicitamente através de orações e práticas religiosas permitidas ou encorajadas, ou através do ensinamento de teólogos aprovados, [tudo isso] não é menos infalível do que uma definição solene promulgada por um Papa ou um Concílio Geral” (Cônego Smith, Must I Believe It? Clergy Review, op. cit. por John Daly, A Crise Impossível: http://catolicoromano.com.br/a-crise-impossivel/)

A doutrina sobre o batismo de desejo e de sangue aparece expressamente em centenas de catecismos e outras obras católicas de instrução popular, muitas das delas de alta circulação e prestígio em todo orbe católico. Os seguintes documentos são uma amostra do constante e universal ensino do batismo de desejo e de sangue em tais obras, todas elas publicadas sob os auspícios das legítimas autoridades da Igreja Católica:

1. Explicação Histórica, Dogmática, Moral, Litúrgica e Canônica do Catecismo de Abbé Ambrose Guillois, obra honrada com um breve de S. S. o Papa Pio IX e aprovada por vários cardeais, arcebispos e bispos:

D. Pode-se suprir o batismo? R. O batismo pode-se suprir nos meninos pelo martírio, e nos que tem uso da razão pelo martírio ou por um ato de contrição e caridade feito com desejo de receber o batismo, logo que possam.

Explicação — O batismo pode-se suprir. Se o menino, não batizado, fosse morto por defender a fé de Jesus Cristo, salvar-se-ia; a morte que então sofresse, que se chama martírio, servir-lhe-ia de batismo. É segundo este princípio que a Igreja celebra a festa dos meninos, que Herodes mandou matar em Belém e nas circunvizinhanças, e a que se dá o nome de Santos Inocentes. Eles reinam no céu por ter confessado Jesus Cristo na terra, não com as suas palavras, mas com a sua morte, como o canta a Igreja.

Nos adultos, pode-se suprir o batismo: 1º pelo martírio. O que morre por amor de Jesus Cristo batiza-se em seu próprio sangue, obtém a remissão de todos os seus pecados, e entra logo no céu; 2º pelo desejo eficaz de receber o batismo, logo que possa, junto com um ato de contrição perfeita. O adulto que se acha na impossibilidade de receber o batismo, mas o deseja de todo o coração, e tem caridade e contrição perfeita, consegue salvar-se, se morre nessas disposições.

O jovem imperador Valentiniano faleceu sem batismo, quando se preparava para ir recebê-lo em Milão das mãos de Santo Ambrósio. Fazendo a sua oração fúnebre, este santo reputa-o salvo, e diz que era indubitável, que tinha obtido de Deus o efeito do batismo, que tanto desejara receber.

Há pois três espécies de batismo? Sim, há três espécies de batismo: o batismo de água, o batismo de sangue, e o batismo de desejo; mas não há senão um sacramento do batismo.

Explicação — O batismo de água é aquele, que se administra, lançando a água sobre a cabeça da pessoa, que se batiza. O batismo de desejo é o desejo eficaz do mesmo batismo, junto com um ato de caridade e contrição perfeita. Este desejo ou voto do batismo, que, segundo o o concílio tridentino se exige no adulto, que não tem quem lho administre, pode entender-se do voto implícito, como o que existe naquele que, não tendo conhecimento do batismo, está disposto a fazer tudo o que Deus prescreve como meio de salvação. É a opinião de alguns Doutores, dentre os quais se distinguem São Tomás de Aquino e Santo Afonso de Ligório.

Só o batismo de água é verdadeiro sacramento e imprime caráter; mas os dois outros produzem os mesmos efeitos, quanto à infusão da graça e à remissão dos pecados. A Sagrada Escritura nenhuma dúvida deixa a este respeito: “Todo aquele, diz o Apóstolo, que invocar o nome do Senhor, será salvo”; eis quanto ao batismo de desejo. “O que perder a sua vida por mim, diz Jesus Cristo, acha-la-á”; eis quanto ao batismo de sangue. São Paulo fala também do batismo pelos mortos; segundo alguns intérpretes da Sagrada Escritura, deve-se entender-se por isso um batismo de aflição e lágrimas; segundo outros, o Apóstolo aludia ao erro dos que imaginavam, que depois de se terem batizados por si mesmos, podiam tornar a sê-lo por intenção dos mortos, a fim de lhes procurar alívio.

(EXPLICAÇÃO HISTORICA, DOGMATICA, MORAL, LITURGICA E CANONICA DO CATECISMO COM A RESPOSTA ÀS OBJEÇÕES EXTRAHIDAS DAS SCIENCIAS CONTRA A RELIGIÃO PELO ABBADE GUILLOIS, Obra honrada com UM BREVE DE SUA SANTIDADE PIO IX e aprovada por vários cardeais, arcebispos e bispos. TRADUZIDA DA 12ª EDIÇÃO DE PARIS. TOMO II. Livraria Internacional: Porto-Lisboa, 1875, pp. 39-40.)

Na edição francesa de 1869 dá-se também um exemplo em favor do batismo de sangue:

Assim a Igreja honra com um culto público a São Genésio de Arles, que ainda era um catecúmeno quando foi decapitado às margens do Reno, por recusar-se a subscrever um édito de Maximiliano Hercúleo, que ordenava a perseguição dos cristãos.

(EXPLICATION HISTORIQUE, DOGMATIQUE, MORALE LITURGIQUE ET CANONIQUE DU CATÉCHISME AVEC LA RÉPONSE AUX OBJECTIONS TIRÉES DES SCIENCES CONTRE LA RELIGION PAR L’ABBÉ AMBROISE GUILLOIS, ancien curé au Mans. OUVRAGE OFFERT A S. S. PIE IX, HONORÉ PAR ELLE D’UN BREF DE REMERCIEMENT ET REVETU DE L’APPROBATION DE PLUSIEURS CARDINAUX, ARCHEVEQUES ET ÉVÈQUES., 1869, p 46.)

2. Catecismo Explicado de Mons. Cauly, obra honrada com um breve de S. S. o Papa Leão XIII:

259. – Será necessário para a salvação receber o batismo?

R. – Sim: o batismo é absolutamente necessário para a salvação, segundo a palavra expressa do Senhor: Quem não renascer pela água e pelo Espírito Santo, não poderá entrar no reino dos céus.

Nosso Senhor disse: “Se alguém não for regenerado pela água e o Espírito Santo (isto é, não for batizado), não poderá entrar no reino de Deus” (S. João, III, 5). Dali inferimos:

1.º As crianças que morrem sem batismo, não podem ser salvas. Conforme as palavras acima, não irão para o céu; é permitido pensar, contudo, que também não irão ao inferno. É opinião de Santo Agostinho, geralmente aceita pelos doutores e considerada como provável. Seriam colocadas num lugar intermediário, chamado limbo, onde não viriam a Deus, porém, nada teriam que padecer. Nestas condições, sua sorte seria, no sentir de Santo Agostinho, preferível à não existência.

2.ª A respeito dos adultos, ha vários casos. Ou estes adultos conhecem o cristianismo e a lei do batismo: então o batismo para eles, é imprescindível para a vida eterna. Ou ainda, estes adultos estão nas trevas da infidelidade e do paganismo, sem conhecer a lei evangélica: então, serão julgados segundo as suas obras. Deus não poderia impor-lhes a necessidade do batismo que desconhecem, e se tiverem sido fiéis aos ditames de sua consciência e da sua religião, poderão ser salvos.

Por rigorosa que seja a lei do batismo de água, pode este sacramento ser suprido, para os adultos, de dois modos: pela caridade perfeita, também chamada batismo de fogo ou de desejo; e pelo martírio, que se denomina, às vezes, batismo de sangue.

A caridade perfeita pode suprir o batismo de água quando este é impossível, e se tem desejo ardente de recebê-lo, acompanhado de verdadeiro amor de Deus e do arrependimento das faltas atuais que por ventura se cometam. O martírio, que consiste em dar a vida por Deus, é sinal evidente de caridade perfeita: portanto, supre o sacramento do batismo, caso haja a impossibilidade de o receber e a Igreja inscreveu entre os santos vários mártires cujo único batismo tinha sido o do próprio sangue.

(CURSO DE INSTRUÇÃO RELIGIOSA PARA USO DOS CATECISMOS DE PERSEVERANÇA, DAS CASAS DE EDUCAÇÃO E PESSOAS DO MUNDO POR MONSENHOR CAULY, VIGÁRIO GERAL DE REIMS, honrado com um breve de S. S. o Papa Leão XIII. TOMO I. CATECISMO EXPLICADO: DOGMA – MORAL – SACRAMENTOS – CULTO. Rio de Janeiro-São Paulo-Belo Horizonte: Livraria Francisco Alves, Editora Paulo de Azevedo Ltda., 1951, pp. 324-325.)

3. Catecismo Católico Popular do Rev. Padre Francisco Spirago, traduzido em mais de 30 línguas, obtendo numerosíssimas reedições e recomendações:

4. Aquele que sem ser por sua culpa permanece fora da Igreja, pode salvar-se, contanto que leve uma vida piedosa: é católico de vontade.

Grande número dos que nasceram e foram educados no erro creem pertencer à verdadeira Igreja e imaginam que são verdadeiros cristãos. Enganam-se, não por ódio, mas, por que assim o digamos, por amor de Deus (Salviano). Aquele que leva uma vida piedosa tem em si a caridade; esta lhe serve de batismo de desejo e dele faz um membro da verdadeira Igreja; será salvo, não pelo erro, mas por pertencer à verdadeira Igreja (Belarmino). “De qualquer nação que se seja, diz S. Pedro, é-se agradável a Deus, quando se lhe tem temor e se pratica a sua justiça” (Act. Apost. X, 35). A Igreja abrange todos os justos, desde Abel até ao último eleito antes do fim do mundo (S. Greg. Mag.). Todos aqueles que viveram em conformidade com a razão eram cristãos, apesar das aparências, tais como Sócrates entre os Gregos, Abraão e Elias entre os Judeus (S. Justino). Aqueles de que acabamos de falar não pertencem ao corpo da Igreja, isto é, à sociedade constituída pela profissão exterior da fé, mas à alma da Igreja pelos sentimentos interiores que devem animar seus membros.

(Catecismo Católico Popular por Padre Francisco Spirago, versão feita sobre a tradução francesa do Padre N. Delsor pelo Dr. Artur Bivar. 3.ª ed. I Parte. Lisboa: União Gráfica, 1938, p. 365.)

4. Enciclopédia Católica, trabalho de referência internacional sobre a constituição, doutrina, disciplina e história da Igreja Católica:

Os Padres e teólogos frequentemente dividem o batismo em três tipos: batismo de água (aqua ou fluminis), batismo de desejo (flaminis) e batismo de sangue (sanguinis). No entanto, apenas o primeiro é um verdadeiro sacramento. Os dois últimos são chamados de batismo apenas por analogia, uma vez que complementam o efeito principal do batismo, a graça que redime os pecados. É doutrina da Igreja Católica que quando o batismo de água se torna uma impossibilidade física ou moral, a vida eterna pode ser obtida pelo batismo de desejo ou de sangue.

(1) Batismo de Desejo

O batismo de desejo (baptismus flaminis) é uma perfeita contrição do coração, e todo ato de perfeita caridade ou puro amor a Deus que contém, pelo menos implicitamente, um desejo (votum) do batismo. A palavra latina flamen é usada porque Flamen é um nome para o Espírito Santo, cujo ofício especial é mover o coração na direção do amor de Deus e gerar a penitência pelos pecados. O “batismo do Espírito Santo” é um termo usado no terceiro século pelo autor anônimo do livro “De Rebaptismate”. A eficácia deste batismo de desejo em suprir o batismo de água, quanto ao seu efeito principal, é comprovada pelas palavras de Cristo. Depois que Ele declarou a necessidade do batismo (João, iii), Ele prometeu a graça justificante para os atos de caridade ou contrição perfeita (João xiv): “Aquele que me ama, será amado de meu Pai, e eu o amarei também, e me manifestarei a ele” (v. 21). E novamente: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele morada” (v. 23). Uma vez que estes textos declaram que a graça justificante é concedida por causa dos atos de caridade perfeita ou contrição, é evidente que esses atos suprem a graça do batismo em termos de seu efeito principal, o perdão dos pecados. Essa doutrina está claramente estabelecida no Concílio de Trento. Na sessão quatorze (capítulo iv), o Concílio ensina que a contrição é atingida às vezes pela caridade, e reconcilia o homem com Deus, antes de receber o Sacramento da Penitência. No quarto capítulo da sexta sessão, ao falar da necessidade do batismo, ele diz que os homens não podem obter a justiça original “exceto pelo lavacro da regeneração ou seu desejo” (voto). A mesma doutrina é ensinada por Inocêncio III (cap. Debitum, iv, De Bap.), e as proposições contrárias são condenadas pelos Papas Pio V e Gregório XII, em que proscreve as proposições 31 e 33 de Baio.

Já aludimos à oração fúnebre pronunciada por Santo Ambrósio sobre o imperador Valentiniano II, um catecúmeno. A doutrina do batismo de desejo é aqui declarada claramente. Santo Ambrósio pergunta: “Ele não conseguiu a graça que desejou? Ele não conseguiu o que pediu, ele certamente obteve, porque o pediu.” Santo Agostinho (IV, De Bapt., Xxii) e São Bernardo (Ep. Ixxvii, ad H.S. S. Victore) seguem similarmente na mesma direção em relação ao batismo de desejo. Se é dito que esta doutrina contradiz a lei universal do batismo feita por Cristo (João, iii), a resposta é que o legislador fez uma exceção (João xiv) em favor daqueles que têm o batismo de desejo. Tampouco seria uma consequência dessa doutrina que uma pessoa que fosse justificada pelo batismo de desejo estaria, portanto, dispensada de buscar o batismo de água, quando este fosse possível. Pois, como já foi explicado, o baptismus flaminis contém o votum de receber o baptismus aquæ. É verdade que alguns dos Padres da Igreja acusam severamente aqueles que se contentam com o desejo de receber o sacramento da regeneração, mas eles estão falando de catecúmenos que, voluntariamente, adiam a recepção do batismo por razões de pouco valor. Finalmente, deve-se notar que somente os adultos são capazes de receber o batismo de desejo.

(2) Batismo de Sangue

O batismo de sangue (baptismus sanquinis) é a obtenção da graça da justificação pelo sofrimento do martírio pela fé em Cristo. O termo “lavacro de sangue” (lavacrum sanguinis) é usado por Tertuliano (De Bapt., Xvi) para distinguir esta espécie de regeneração do “lavacro de água” (lavacrum aquæ). “Temos um segundo lavacro”, diz “que é um e o mesmo [que o primeiro], nomeadamente, o lavacro de sangue”. São Cipriano (Ep. Ixxiii) fala do “mais glorioso e grandioso batismo de sangue” (sanguinis baptismus). Santo Agostinho (De Civitate Dei, XIII, vii) diz: “Quando alguém morre pela confissão de Cristo sem ter recebido o lavacro da regeneração, isso serve para o perdão de seus pecados tanto quanto se tivesse sido lavado na fonte sagrada do batismo”. A Igreja fundamenta a sua crença na eficácia do batismo de sangue no fato de que Cristo faz uma declaração geral sobre o poder salvífico do martírio no décimo capítulo de Mateus: “Todo aquele pois, que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus” (v. 32); e: “O que acha a sua alma, pede-la-á; e o que perder a sua alma por mim, acha-la-á” (v. 39). Assinala-se que esses textos são tão amplos que também incluem bebês, especialmente o último texto. Que o texto anterior também se aplique a eles, tem sido constantemente confirmado pelos Padres, que declaram que se as crianças não podem confessar a Cristo com suas bocas, elas podem fazê-lo com suas obras. Tertuliano (Adv. Valent., Ii) fala das crianças assassinadas por Herodes como mártires, e este tem sido o constante ensinamento da Igreja.

Outra evidência do pensamento da Igreja em relação à eficácia do batismo de sangue se encontra no fato de que ela nunca reza pelos mártires. Sua opinião é bem expressa por Santo Agostinho (Tr. Icciv in Joan.): “Ofende um mártir quem reza por ele”. Isso mostra que acredita-se que o martírio perdoa todos os pecados e toda a punição devida ao pecado. Os teólogos posteriores comumente afirmam que o batismo de sangue justifica mártires adultos independentemente de um ato de caridade ou de contrição perfeita, e, por assim dizer, ex opere operato, embora, é claro, deve ter o arrependimento dos pecados passados. A razão é que se a caridade ou contrição perfeitas fossem necessárias no martírio, a distinção entre o batismo de sangue e de desejo seria inútil. Além disso, como se deve admitir que os mártires infantis são justificados sem um ato de caridade, do qual são incapazes, não há razão sólida para negar o mesmo privilégio aos adultos. (Cf. Suárez, De Bapt., Disp. Xxxix.)

(Fanning, W.. Baptism. The Catholic Encyclopedia. Volume II. New York: Robert Appleton Company, 1907, p. 366.)

5. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, aprovado pelos Senhores Arcebispos e Bispos das Províncias Eclesiásticas Meridionais do Brasil, 2.ª Edição Oficial, revista segundo o Novo Código Canônico:

633. Será necessário o batismo para nos salvarmos?

Sim; o batismo é absolutamente necessário para nos salvarmos, segundo a palavra expressa do Senhor: Quem não nascer pela água e pelo Espírito Santo não poderá entrar no reino dos céus.

634. Poder-se-á suprir de algum modo a falta do batismo?

Quando for impossível receber o batismo poderá supri-lo o martírio, que se chama batismo de sangue; ou um ato de perfeito amor de Deus ou de contrição, unido ao desejo, ao menos implícito, de receber o batismo, o que se chama batismo de desejo.

(Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, aprovado pelos Senhores Arcebispos e Bispos das Províncias Eclesiásticas Meridionais do Brasil. 2.ª EDIÇÃO OFICIAL para a Arquidiocese de Porto Alegre, revista segundo o novo Código Canônico. Porto Alegre: Livraria Selbach de J. R. da Fonsseca, 1919, pp. 143-144.)

6. Compêndio da Moral Católica de Pe. Heriberto Jone O. M. Cap., Doutor em Direito Canônico e professor de Teologia, 10ª edição original e adaptado ao Código Civil Brasileiro bem como às prescrições do Concílio Plenário pelo Pe. Roberto Fox, S.J., vastamente conhecido e apreciado:

469. Capítulo II.

Os efeitos e a necessidade do batismo.

I. Os efeitos do batismo são: a extinção do pecado original, a remissão dos pecados pessoais e das penas merecidas, a impressão do caráter batismal (o batizado fica membro da Igreja), a infusão da graça santificante, das virtudes sobrenaturais e dos dons do Espírito Santo e especialmente o direito às graças necessárias para levar vida cristã.

Para a remissão dos pecados pessoais e das penas a eles devidas é necessário, pelo menos, um ato de atrição. Por isso lembre-se aos batizados adultos a obrigação de se arrependerem dos pecados.

470. II. O batismo de água é necessário para a consecução da eterna felicidade como meio para o fim. Em casos excepcionais, porém, pode ser substituído pelo batismo de sangue ou de desejo.

O batismo de sangue consiste na morte padecida por Cristo e produz os seus efeitos quasi ex opere operato, isto é, sem ato subjetivo daquele que o recebe. Portanto também as crianças podem ser justificadas por esta via. O batismo de desejo consiste no ato de amor perfeito de Deus ou no ato de contrição, nos quais está incluído, ao menos vagamente, o desejo do batismo. Estes dois batismos, porém, não imprimem caráter indelével, permanecendo a obrigação de receber o batismo de água. Cf. n. 460.

(Pe. Heriberto Jone O. M. Cap., Doutor em Direito Canônico e professor de Teologia, Compêndio da Moral Católica. Traduzido da 10ª edição original e adaptado ao Código Civil Brasileiro bem como às prescrições do Concílio Plenário pelo Pe. Roberto Fox, S.J. Porto Alegre: Edições A Nação, 1943, pp. 369-370.)

7. Catecismo de Malinas publicado por S. Emcia. o Cardeal Sterckx:

P. Alguém pode se salvar, quando não tem a ocasião de receber o sacramento do batismo?

R. Sim, pelo batismo de desejo ou pelo batismo de sangue.

P. O que é o batismo de desejo?

R. É uma contrição perfeita acompanhada do desejo de receber o sacramento do batismo, que existe na impossibilidade de recebê-lo.

P. O que é o batismo de sangue?

R. É o martírio sofrido pela fé, por aquele que não é ainda batizado.

P. O batismo de desejo e de sangue são sacramentos?

R. Não, só o batismo de água é sacramento.

P. Por que o batismo de desejo e de sangue não possuem o nome de sacramento?

R. Porque ambos se referem ao desejo de receber o sacramento do batismo e lhe suprem quanto à infusão da graça e da remissão de todos os pecados (vide lição 14 e 39.)

P. Ele se torna um filhos da Igreja pelo batismo de desejo e de sangue?

R. Sim, a Igreja considera como seus filhos todos aqueles que obtiveram um desses batismos.

P. O batismo de desejo e o batismo de sangue nos tornam aptos a receber todos os sacramentos?

R. Não, somente o Sacramento do Batismo nos torna aptos para recebê-los.

(LE CATÉCHISME DE MALINES, AVE DE EXPLICATIONS SUR CHAQUE DEMANDE ET COURTES PRATIQUES A LA FIN DE CHAQUE LEÇON. POR SON ÉMINENCE LE CARDINAL STERCKX, ARCHEVÈQUE DE MALINES POUS L’USAGE DE SON DIOCÈSE. Bruxelles: Alex. Jamar, 1845, pp. 240-241.)

8. Explicação Histórica, Dogmática, Moral de toda doutrina cristã e católica contida no Antigo Catecismo de Genebra, obra útil a todos os fiéis, especialmente aos pais de família e outras pessoas encarregadas do dever de instrução:

A Igreja sempre esteve persuadida de que o desejo ardente de receber o batismo, pode suprir o sacramento; ela sempre julgou favoravelmente a salvação dos catecúmenos que, preparando-se com zelo para a recepção do batismo, foram tirados do mundo por uma morte imprevista. Podemos aduzir, dentre outros exemplos, aquele do jovem imperador Valentiniano que morreu sem o batismo, no tempo mesmo em que se dispôs a ir até Milão para se fazer batizar por Santo Ambrósio. Esse Santo Doutor, ao fazer sua oração fúnebre, não hesita em o considerar como salvo e dizer que ninguém poderia duvidar que ele obteve o efeito do batismo que ele tinha ardentemente desejado.

Embora os batismos de sangue e de desejo supram o sacramento, isso não impede que se fale propriamente de um só batismo, segundo a doutrina de São Paulo; esse que se administra com água e as palavras instituídas por Jesus Cristo. Os dois outros não são sacramentos. Assim, embora eles produzam a graça e a remissão de todos os pecados, eles não imprimem caráter e eles estão contidos no batismo de água e do Espírito, fazendo com que haja um só sacramento do batismo.

(EXPLICATION HISTORIQUE, DOGMATIQUE ET MORALE, DE TOUTE LA DOCTRINE CHRÉTIENNE ET CATHOLIQUE CONTENUE DANS L’ANCIEN CATÉCHISME DU DIOCÈSE DE GENÈVE; Ouvrage utile à tous les Fidèles, et spécialement aux pères de famille et autres personnes chargées du devoir de l’instruction; Par M. L’abbé DU CLOT, ANCIEN ARCHIPRÈTRE ET CURE DU DIOCÈSE DE GENÈVE, NOUVELLE ÉDITION CORRIGÉE ET AUGMENTÉE. TOME QUATRIÈME, 1822, p 373)

9. O Catecismo Cristão, ou uma exposição da doutrina de Jesus Cristo, oferecida aos homens do mundo, pelo Bispo de Orleans, da Academia Francesa, 9.ª edição:

O batismo pode ser suprido?

Sim, quando alguém deseja o batismo e está impossibilitado de recebê-lo, essa sacramento pode ser suprido pelo martírio, que é chamado de batismo de sangue; ou por um ato perfeito de amor a Deus, que é chamado de batismo de desejo.

(LE CATÉCHISME CHRÉTIEN, OU UN EXPOSÉ DE LA DOCTRINE DE JÉSUS-CHRIST, OFFERT AUX HOMMES DU MUNDE, PAR Mgr. L’ÉVÊQUE D’ORLÉANS, [Mgr. DUPANLOUP], de l’académie française, neuvième édition, 1869, p.79.)

10. Catecismo de São João Batista de La Salle, exposição completa e luminosa da doutrina católica:

Não se deve crer que as crianças dos cristãos que morrem sem o batismo sejam salvas pela fé de seus pais ou pelo sinal da santa cruz ou por qualquer outra cerimônia: tudo isso lhes é inútil sem o sacramento. É por essa razão, diz Santo Agostinho, que se deve batizá-los o quanto antes quando estão em perigo de morte.

A Igreja, no entanto, sempre teve um sentimento bem diferente dos catecúmenos mortos sem o batismo, desde que ela os tem visto como sendo do número dos fiéis e tendo a fé e o amor de Deus no coração. É também isso o que ela sempre acreditou daqueles que, antes de serem batizados, tenham sofrido o martírio professando fé de Jesus Cristo.

É isso o que deu a ocasião de distinguir três tipos de batismo: o batismo de água, o batismo de lágrimas e o batismo de sangue. Mas não há senão o batismo de água que seja um verdadeiro sacramento e, se damos o nome de batismo aos dois outros, isso é unicamente porque eles suprem a falta deste sacramento, quando ele não pode ser recebido, e eles tem o mesmo efeito.

O sacramento se chama batismo de água, porque ele é dado com água. O segundo se chama batismo de lágrimas, porque ele consiste em um verdadeiro e sincero arrependimento de seus pecados, acompanhado de um grande amor de Deus e de um ardente desejo de servir unicamente a Ele. Ele também se chama batismo do Espírito Santo, porque se recebe imediatamente do Espírito Santo a graça deste sacramento quando, não tendo a possibilidade de ser batizado, morre-se com verdadeiro arrependimento de seus pecados. Pois, se a pessoa, diz Santo Agostinho, carece de fé e de conversão do coração perante Deus ou da vontade de receber o batismo, dentro dessas disposições ela não pode receber de modo algum a graça deste saramento.

O batismo de sangue consiste em sofrer o martírio por amor de Deus e pela fé de Jesus Cristo antes de ter sido batizado. Chama-se assim pois se vê aquele que morre pela defesa da fé como batizado em seu sangue e porque ele obtém pela efusão de seu sangue as mesmas graças que ele receberia pelo batismo de água e uma inteira remissão de seus pecados – e bem mais perfeitamente que pelo batismo de água, pois o martírio representa de uma maneira bem mais natural a morte de Jesus Cristo, da qual o sacramento tira toda sua virtude e eficácia.

(St. Jean Baptiste de La Salle, LES DEVOIRS D’UN CHRÉTIEN ENVERS DIEU ET LES MOYENS DE POUVOIR BIEN S’EN ACQUITTER. NOUVELLE ÉDITION. Paris: D. Dumoulin et Cie., 1891, pp. 167-168.)

11. Explicação do Catecismo Romano de São Pio V do Rev. Plat, Arcipreste e cônego honorário de Blois:

O batismo é necessário com necessidade absoluta e para todo o mundo. Por isso, quis Deus que o batismo de água, quando é impossível recebê-lo, pudesse ser substituído por outros dois que, à exceção do caráter batismal, produzem os mesmos efeitos: o batismo de sangue e o batismo de fogo. Me explicarei.

Suponhamos um homem que não está batizado… de repente, no auge de uma perseguição, movido pelo Espírito Santo, enfrenta os tormentos, professa a fé de Jesus Cristo e dá a sua vida pela santa causa da religião; este homem fica como batizado por seu sangue e entra no céu pela porta grande aberta aos batizados. Mesmo as crianças podem participar das vantagens do batismo de sangue, e a Igreja honra como santos, e chama flores dos mártires às inocentes vítimas que a espada de Herodes cortou, como a tempestade arranca em seu furor as nascentes rosas.

Suponhamos também um homem não batizado, mas inteiramente cheio do amor de Deus, dominado pelo ardente desejo de sua regeneração da água e do Espírito Santo. Citemos um nome próprio, Valentiniano, imperador do Ocidente aos vinte anos, e, o que talvez valia mais do que tantas honras, amigo do grande arcebispo de Milão, Santo Ambrósio; era catecúmeno, e se preparava para receber o batismo com uma alma intacta e como inteiramente nova ainda; dentro de poucos dias o receberia das mãos do santo Pontífice, que já se havia posto a caminho para administrá-lo, quando cai sob o ferro homicida de um súdito rebelde, Arbogasto. Ambrósio chora a morte de seu imperador e amigo, mas certamente não como os pagãos que não têm esperança; pronuncia a oração fúnebre do jovem e desgraçado príncipe, a antiguidade cristã não nos oferece nada tão belo neste gênero de eloquência, para o Santo Doutor, Valentiniano se salvou; faltou o tempo, não a vontade; fazendo o pedido do batismo, recebeu seus efeitos.

(Explicación del Catecismo Romano de San Pio V: III Los Sacramentos por el Rvdo. PLAT, Arcipreste y canónigo honorario de Blois, traducidos de la de la décima tecera edición francesa por el Dr. Modesto H. Villaescusa. Barcelona: Editorial Liturgica Española, 1928, pp. 52-53.)

12. Manual dos Catequistas de Abbé Jules Millot:

– O batismo pode ser suprido?

– Sim, o batismo pode ser suprido pelo martírio ou pelo perfeito amor de Deus com o desejo de ser batizado.

Pela infinita misericórdia de Deus, que quer sobretudo nossa salvação, o desejo do batismo unido ao amor de Deus pode substituir o batismo para aqueles que não podem recebê-lo absolutamente. O batismo ou a morte sofrida por causa de Jesus Cristo e por amor dele, pode substituir para a salvação o sacramento do batismo. O que perder a sua alma por mim, acha-la-á, diz Jesus (Mat. X, 39), e alhures: Aquele que me ama será amado pelo meu Pai e por mim. É evidente que para suprir o sacramento o desejo do batismo e o amor de Deus devem ser bem vivos.

(Abbé J. Millot (Vicaire général de Versaille), Manuel des catéchistes (Explications et histoires à l’usage du clergé, des catéchistes volontaires et des familles chrétiennes), Sixième leçon, Du Baptême (Nihil obstat: 1912, Paulus Hinaux, censor deputatus. Imprimatur: 1912, Vavasseur et Lapalme, Vic. Gen.), Deuxième Ed., Paris Lethielleux Lib. Ed., 1912, p. 34.)

13. Explicação Familiar da Doutrina Cristã do Rev. Padre Michael Müller:

Q. O batismo de água nunca pode ser suprido?

R. Quando é impossível recebê-lo, ele pode ser suprido pelo batismo de desejo ou pelo batismo de sangue.

Q. O que é o batismo de desejo?

R. Um ardente desejo de receber o batismo ou de fazer tudo o que Deus requer para a nossa salvação, junto com uma contrição perfeita ou um amor perfeito de Deus.

Q. O que é o batismo de sangue?

R. O martírio por causa de Cristo.

(Rev. Michael Müller. Familiar Explanation of Christian Doctrine. Adapted for the Family and More Advanced Students in Catholic Schools and Colleges. No. III. Nihil Obstat: Joseph Helmpraecht, C.SS.R. Imprimatur: Abp. J. Roosevelt Bayley. New York: Benzinger Brothers, 1875, p. 295.)

14. Catecismo das Províncias Eclesiásticas do Quebec, Montreal, Ottawa, aprovado e publicado pela ordem dos Arcebispos dessas províncias:

172. Q. Quando o batismo de água não pode ser recebido, ele pode ser substituído pelo batismo de desejo?

R. Sim; quando o batismo de água não pode ser recebido, ele pode ser substituído pelo desejo de recebê-lo quando possível, com sincera dor pelos pecados passados, e a resolução de observar a lei de Deus.

173. Q. O que é o batismo de sangue?

R. O batismo de sangue é o martírio sofrido pela fé de Jesus Cristo ou por alguma virtude cristã, com sincero arrependimento pelos pecados cometidos.

174. Q. O batismo de desejo e o batismo de sangue produzem os mesmos efeitos que o batismo de água?

R. O batismo de desejo ou de sangue nos tornam dignos de entrar no céu, mas não imprimem o caráter em nossa alma.

15. Catecismo Ilustrado:

14. O batismo, quando existe a impossibilidade de recebê-lo, pode ser suprido:

1º pelo martírio, que se chama batismo de sangue;
2º pela contrição perfeita, acompanhada do desejo do batismo; que se chama batismo de desejo

(Catéchisme en images, Les sacraments n général, Le Baptême, art. 14, Nihil obstat: 1912, R. Gosselin; Imprimatur: P. Fages, Vic. gen., Maison de la bonne presse, Paris, 1912.)

Os erros dos irmãos Dimond

INTRODUÇÃO

Os irmãos Dimond são dois monges beneditinos de Nova Iorque que, apesar de seguirem o ensinamento católico no que toca à questão do Papa, não fazem o mesmo quando se trata de (1) identificar o Anticristo, (2) interpretar certos textos de João Paulo II e (3) expor a doutrina católica sobre o batismo de desejo e de sangue.

Os textos e referências citados abaixo ajudarão o leitor a compreender melhor a natureza desses três erros mencionados no vídeo acima.

1. ANTICRISTO

Proposição Dimondiana: João Paulo II é o Anticristo.

Como sempre, as explicações católicas e confiáveis sobre esta matéria, encontram-se nas obras os Santos Padres e Doutores da Igreja, onde eles tecem comentários sobre a Segunda Carta aos Tessalonicenses, o Apocalipse e certas passagens dos Evangelhos e dos profetas sobre o fim dos tempos. Os três volumes indicados a seguir nada mais são do que compêndios bem-feitos destes ensinamentos.

BELLARMINE S.J., St. Robert. Antichrist (De Controversiis).Mediatrix Press: Edição Kindle, passim.

Contém muitas informações utilíssimas sobre o Anticristo, dentre as quais:

“Além dessas duas opiniões prováveis, existem duas certas: (1) O Anticristo virá particularmente em conta dos judeus e será recebido por eles como se fosse o Messias; (2) será nascido da nação e raça dos judeus, será circuncidado e observará o sábado, ao menos por um tempo.”

CULLETON, Rev. Fr. R. Gerald. The Reign Of Antichrist. TAN Books: Edição Kindle, passim.

Outra compilação da doutrina eclesiástica acerca do Anticristo, com muitas referências à revelações privadas a esse respeito. Dentre outras coisas, lemos que segundo São Cirilo de Jerusalém, n. 273:

“O Anticristo excederá em malícia, perversidade, cupidez, maldade, impiedade e desumana crueldade e barbaridade, todos os homens que já tenham desonrado à natureza humana… Ele, mediante seu grande poder, astúcia e malícia, sucederá em iludir e forçar dois terços da humanidade ao seu culto; a terça parte restante continuará sendo firmemente fiel à fé e ao culto de Jesus Cristo. Mas em sua ira satânica, o Anticristo perseguirá esses cristãos devotos e valentes durante três anos e meio e torturá-los-á COM tais extremos de barbarismo, com todos os seus velhos e novos instrumentos de dor, de modo a exceder todas as perseguições padecidas pela Igreja tomadas em conjunto. Ele obrigará todos os seus seguidores a gravarem sobre suas testas ou mãos direitas a marca da besta, matará de fome aqueles que se recusarem a recebê-la.”

MANNING, Card. Henry. The Present Crisis of the Holy See tested by Prophecy. London: Burns & Lambert, 1861, passim. Disponível em: <https://archive.org/details/ThePresentCrisisOfTheHolySee>. Acesso em: 12 mar. 2018.

Sobre a minha alegação de que os Dimond tomaram sua doutrina sobre o Anticristo das seitas protestantes, sei bem que parece inacreditável, mas é a mais pura verdade. Pelo menos, ante a similaridade que há entre elas, somos obrigados a constatar que, se não tomaram de propósito, ao menos chegaram essencialmente a mesma conclusão por terem pensado e agido como protestantes, o que dá no mesmo. Se você tiver estômago o bastante, dê uma olhadinha no que os protestantes ensinam sobre João Paulo II e compare-os com os ensinamentos dos Dimond. No mínimo dos mínimos, tais doutrinas são irmãs gêmeas, nascidas na maternidade da burrice humana.

Nota bene: os protestantes mudaram de tom e falam agora muito do retorno do Anticristo a fim de reciclar o velho argumento de que João Paulo II era o Anticristo enquanto estava vivo. Porque, de fato, não basta ser burro uma vez, debochando do testemunho de tantos doutores de inquestionável santidade e sabedoria, não, preciso é ser burro sempre, não aprendendo com os próprios erros, e teimando até o extremo da mais pura idiotice.

Claro que, hoje em dia, “o consenso unânime dos teólogos” de araque, tende a crer que Francisco seja o Anticristo. Longe deles nutrir a leve suspeita de que este dito Anticristo tem mais coisas em comum com eles do que eles poderiam imaginar e que isso mesmo os torna colaboradores do verdadeiro Anticristo.

2. JOÃO PAULO II

Proposição Dimondiana: João Paulo II disse que o homem é Deus.

Qualquer que tenha a menor notícia da vida de João Paulo II, salvo os caluniadores sem cérebro e coração, sabe muito bem que: (1) ele era uma pessoa simpática e generosa, não faria mal a uma mosca, e isso em nada contradiz o fato dele ter sido um herege manifesto pelo seu ecumenismo, mas isso certamente impede que o tenhamos na conta de Anticristo em pessoa; (2) seu personalismo não diz que o homem é Deus, mas que este possui uma dignidade tal que ninguém tem o direito de se meter na vida dele, ele é independente para escolher a religião que quiser, fazer proselitismo como, quando e onde quiser e isso é muito bom para a sociedade dentro de seus limites etc.

Informações importantes para a reta compreensão da pessoa e do pensamento de João Paulo II (Karol Wojtyla) podem ser encontradas em muitos lugares, seguem algumas indicações:

COOMARASWAMY, Dr. Rama P. The Destruction of the Christian Tradition. Updated and revised. Bloomington: World Wisdom, 2006, passim. Disponível em: <https://portalconservador.com/livros/Rama-Coomaraswamy-The-Destruction-of-the-Christian-Tradition.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2019.

Na segunda parte sobre os Papas Conciliares, o autor apresenta dados relevantes sobre o curriculum vitae de Karol Wojtyla.

KONINCK, Charles de. De la Primauté du Bien Commun contre les Personalistes. Laval: Editions Fides, 1943. Disponível em: <http://salve-regina.com/images/a/a5/De_la_primaut%C3%A9_du_bien_commun_contre_les_personnalistes.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2018.

Livro escrito bem antes de João Paulo II dar início a sua empreitada personalista, publicado justamente para evitar que os católicos caíssem na armadilha do personalismo pseudo-tomista de Jacques Maritain. Infelizmente a maioria se fez de surdo e caiu de cabeça na arapuca do humanismo integral.

WOJTYLA, Karol. Estou nas Mãos de Deus: Anotações Pessoais 1962-2003. Tradução de Sandra Martha Dolinsky e Magda Lopes. São Paulo: Planeta, 2014.

Escritos espirituais de João Paulo II, dão mostras de sincera devoção deste homem a Cristo, mas também revelam o quanto ela estava tristemente infectada com as filosofias do século e o “espírito do Vaticano II’.

____. Max Scheler e a Ética Cristã. Tradução de Dalva Toledo Pisa. Curitiba: Editora Universitária Campagnat, 1993.

Diga com quem andas, e eu te direi quem tu és. Testemunhos dos flirts de Wojtyla com as vãs filosofias de seus dias. Sempre aquele foco torto e desmesurado na “pessoa humana”, sempre tentando dar muita autoridade ao homem mundano e pouca a Deus e seus profetas.

3. BATISMO DE DESEJO

Proposição Dimondiana: O batismo de desejo e de sangue é uma heresia que contradiz o dogma de que fora da Igreja não há salvação, extra ecclesiam nulla salus.

Este é o ponto principal e grande pedra de tropeço para os Dimond. Não importa o quanto as pessoas caridosamente expliquem para eles a doutrina católica, que mostrem os documentos e a solidez da doutrina, eles teimam em dizer que o que é um dogma é uma heresia. Neste ponto, não há muito recurso senão referir ao ensinamento constante da Igreja Católica, o qual, afinal de contas, goza da infalibilidade do Magistério do Papa e dos Bispos.

PAPA PAULO III, Concílio de Trento, VI Sessão (sobre a justificação) in: DENZINGER-HÜNERMANN. Compêndio dos Símbolos, Definições e Declarações de Fé e Moral. São Paulo: Paulus-Loyola, 2010, p. 401-2 (n. 1524).

“Com estas palavras se esboça uma descrição da justificação do ímpio: é a passagem do estado no qual o homem nasce filho do primeiro Adão, ao estado de graça e ‘de adoção dos filhos de Deus’ [Rm 8,15], por meio do segundo Adão, Jesus Cristo nosso Salvador; esta passagem, depois do anúncio Evangelho, não pode acontecer sem o banho da regeneração [cân 5 sobre o batismo] ou sem o desejo dele [aut eius voto], como está escrito ‘Se alguém não renascer da água e do Espírito Santo, não poderá entrar no reino de Deus.’ [Jo 3,5].”

(Papa Paulo III, Concílio de Trento, VI Sessão)

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PAPA SÃO PIO V. Catecismo Romano. Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, O.F.M. Petrópolis: Vozes, 1950, p. 229 (Do Batismo, § 35).

“Tratando-se de pessoas já em uso da razão, a firme vontade de receber o Batismo, unida ao arrependimento das faltas da vida anterior, é quanto basta para conseguirem a graça da justificação, se sobrevier algum acidente repentino, que as impeça de receber a ablução sacramental.”

(Catecismo Romano, Do Batismo, § 35)

PAPA SÃO PIO X. Catecismo maior de São Pio X. Niterói: Permanência, 2009, p. 99 (n. 565).

“Pode suprir-se de algum modo a falta do Baatismo?

A falta do Batismo pode supri-la o martírio, que se chama Batismo de sangue, ou um ato de amor perfeito a Deus, ou de contrição, junto com o desejo, ao menos implícito do Batismo, e este ato chama-se Batismo de desejo.”

(Catecismo Maior de São Pio X, 565)

Para mais informações, leia o artigo Batismo de Desejo e Princípios Teológicos de Padre Anthony Cekada, disponível em português no site do Coetus Fidelium. Ou então, leia este compêndio em inglês com inúmeras fontes comprovando o que já sabemos pelo que se viu acima: o batismo de desejo e de sangue é doutrina catolicíssima, a nós anunciada pelo Magistério da Igreja e ponto final.

CONCLUSÃO

As proposições dimondianas discutidas acima são patentemente falsas e devem ser rejeitadas pelos católicos. Como eles aderem pertinazmente à última delas, acerca do batismo de desejo e de sangue, não se pode concluir senão que são hereges manifestos e que a doutrina deles a esse respeito é tão humana e fraudulenta quanto às toscas maquinações dos protestantes em geral. Queira Deus que eles se convertam e parem de disseminar essas bobagens pelo mundo.

Leia também: O Catecismo Romano versus os Irmãos Dimond.

Fora da Igreja não há Salvação: Padre Michael Müller separa a verdade do erro em sua Explicação Familiar da Doutrina Cristã

Este excerto retirado do último capítulo do livro Familiar Explanation of Christian Doctrine do Reverendo Michael Müller C.Ss.R. (Nova York, 1876), refuta duas heresias sobre a salvação. A primeira e mais comum reza que não importa a Igreja a qual a pessoa pertença, o que importa é que ela seja uma pessoa de respeito; esta posição é unânime entre protestantes e entre os aderentes do Novus Ordo. A segunda opinião, restrita ao círculo de influência dos irmãos Dimond (já falamos sobre eles neste artigo sobre o batismo de desejo), reza que não há salvação para os não batizados que, por uma graça extraordinária, receberam a luz da fé na hora da morte. Ambas são posições estranhas a nossa fé, ambas negam de modos diferentes a verdadeira doutrina sobre a salvação que a Igreja recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Extra Ecclesiam Nulla Salus

Q. Mas não é uma falta de caridade professar a doutrina de que ninguém pode ser salvo fora da Igreja?
R. Pelo contrário, é grande ato de caridade afirmá-lo enfaticamente.

Q. Por quê?
R. Porqe o próprio Jesus Cristo e seus Apóstolos o ensinaram em linguagem bastante clara.

Q. Não é grande prova de amor alertar o próximo quando ele está em perigo de cair no fundo de um abismo?
R. Certamente.

Q. Não estão todos aqueles que se encontram fora da Igreja em grande perigo de cair no abismo do inferno?
R. Sim.

Q. Não é, pois, grande caridade alertá-los sobre este perigo?
R. Seria uma crueldade não o fazer.

Q. São todos aqueles que estão fora da Igreja igualmente passíveis de culpa e danação perante Deus?
R. Não, alguns são mais do que outros.

Q. Quem são os menos passíveis de culpa e danação?
R. Aqueles que sem culpa de sua parte não sabem nada sobre Jesus e sua doutrina.

Q. Quem são os mais passíveis de culpa e danação?
R. Aqueles que reconhecem a Igreja Católica como a verdadeira e única Igreja, mas não abraçam sua fé, assim como aqueles que poderiam reconhecê-la como tal, caso procurassem com diligência, mas negligenciam em fazê-lo por indiferença ou outros motivos culpáveis.

Q. O que devemos pensar da salvação daqueles que, sem culpa de sua parte, encontram-se fora do redil da Igreja e que nunca tiveram a oportunidade de conhecê-la melhor?
R. Devemos pensar que sua ignorância invencível não os salvará; mas, se tiverem sido tementes a Deus e vivido de acordo com sua consciência, Deus, em sua misericórdia infinita, provê-los-á com os meios necessários à salvação; mesmo ao ponto, se preciso for, de enviar um anjo para instruí-los na doutrina católica, em vez de deixá-los perecer por ignorância invencível.

Q. É correto dizer que quem não tenha sido recebido no seio da Igreja antes de sua morte está condenado?
R. Não.

Q. Por que não?
R. Porque ninguém pode saber o que se passa entre Deus e a alma no momento terrível da morte.

Q. O que isso significa?
R. Significa que Deus, em sua miserciórdia infinita, pode iluminar na hora da morte alguém que ainda não é católico de modo que este alguém possa reconhecer a verdade da fé católica, arrepender-se verdadeiramente de seus pecados e sinceramente desejar morrer como um bom católico.

Q. O que dizer daueles que recebem tal graça extraordinária e morrem desta maneira?
R. Dizemos que eles morreram unidos, pelo menos, à alma da Igreja Católica e que, por causa disso, foram salvos.

Q. O que sucede com aqueles que, estando fora da Igreja Católica, morrem sem receber esta graça extraordinária na hora da morte?
R. A danação eterna.

Q. Mas não haveriam muitos que perderiam a afeição de seus amigos, o conforto de seus lares, seus bens temporais e prospectos de negócio caso se tornassem católicos? Jesus Cristo não os dispensaria em tais circunstâncias de se tornarem católicos?
R. Quanto à afeição dos amigos, Jesus Cristo solenemente declarou: “O que ama o pai, ou a mãe, mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho, ou a filha, mais do que a mim, não é digno de mim” Mat. x. 37; e sobre a perda dos ganhos temporais, Ele respondeu: “De que aproveitará ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?” Marc viii. 36.

Q. Mas não bastaria a uma pessoa ser católica somente no coração, sem professar sua religião publicamente?
R. Não, pois Jesus solenemente declarou que: “Se alguém se envergonhar de mim, e de minhas palavras, também o Filho do homem e envergonhará dele, quando vier na sua majestade, e na de seu Pai e santos anjos.” Luc ix. 26.

Q. Mas uma pessoa não poderia esperar para ser recebida na Igreja Católica até a hora de sua morte?
R. Isto seria abusar da misericórdia de Deus.

Q. Qual poderia ser o catigo deste pecado?
R. Perder a luz e a graça da fé, e morrer como réprobo.

Q. Há mais alguma coisa que impeça as pessoas de se tornarem católicas?
R. Seria isto: elas sabem muito bem que, cso se tornem católicas, terão de levar uma vida honesta e sóbria, ser puras e frear suas paixões pecaminosas, e isso elas não estão dispostas a fazer. “Os homens amaram mais as trevas do que a luz”” disse Jesus Cristo, “pois eram más as suas obras” Jo iii. 19. Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir.

Q. O que se conclui a partir do que foi dito sobre só haver salvação dentro da Igreja Católica?
R. Que é muito ímpio pensar e dizer que pouco importa o que um homem creia desde que ele seja uma pessoa honesta.

Q. Qual resposta podemos dar a quem pensa de tal modo?
R. Podemos dizer: acaso você crê que sua honestidade e justiça é maior do que a dos escribas e fariseus no Evangelho?

Q. No que consistia a justiça dos escribas e fariseus?
R. Eles viviam em constante oração, pagavam seus dízimos conforme a lei, davam grandes esmolas, jejuavam duas vezes por semana e atravessavam céus e terra para fazer um converso e trazê-lo ao conhecimento de Deus.

Q. O que Jesus Cristo disse sobre esta justiça dos fariseus?
R. Ele disse: “Se a vossa justiça não for maior e mais perfeita do que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos céus.” Mat. v. 20.

Q. Então, a justiça dos fariseus foi insuficiente aos olhos de Deus?
R. Sem a menor dúvida. Sua justiça era apenas exibição de si mesmos e ostentação. Eles faziam o bem somente para serem louvados e admirados pelos homens; mas no interior, suas almas estavam cheias de impureza e malícia. Eles eram hipócritas, que ocultavam grandes vícios sob as aparências de amor a Deus, caridade aos pobres e severidade consigo mesmos. Sua devoção consistia em atos exteriores, e eles desprezavam aqueles que não viviam como eles viviam; eles eram estritos na observância de tradições humanas, mas não tiveram o escrúpulo de não violar os mandamentos de Deus.

Q. O que, pois, pensar dos homens que dizem: “pouco importa o que um homem creia desde que ele seja uma pessoa honesta”?
R. Que a sua honestidade exterior, assim como a dos fariseus, pode ser o bastante para mantê-los fora da prisão, mas não o suficiente para livrá-los do inferno.

Q. Se um não católico disser: “Eu bem que gostaria de crer na doutrina da Igreja Católica, mas eu não posso”, como se deveria responder?
R. Responder-se-ia que, sem dúvida, é vontade de Deus que “todos os homens se salvem, e que cheguem a ter conhecimento da verdade.” 1 Tim. ii. 4; mas que também é, ao mesmo tempo, vontade de Deus que você empregue com dedicação todos os meios próprios para adquirir este conhecimento necessário; de outro modo, você revela claramente que não deseja crer.

Q. Quais são estes meios próprios?
R. A sonceridade de coração que deve provar a si própria,
1. Pelo ardente desejo de conhecer a verdadeira religião,
2. Pela busca dela com diligência e perseverança,
3. Pela oração frequente e fervorosa diante de Deus, pedindo o dom da fé,
4. E finalmente, pela firme resolução de tirar do caminho qualquer obstáculo que possa impedí-lo ou retrdá-lo de abraçar a verdade conhecida.

A Heresia Hebraica de Francisco, Bento XVI, João Paulo II et al.

Francisco com os judeus
“Sinto-me feliz por estar aqui, entre vós, nesta Sinagoga… As nossas relações me interessam muito. Em Buenos Aires, costumava ir às sinagogas e me encontrar com as comunidades lá reunidas; seguia de perto as festividades e comemorações judaicas.” (Francisco, Alocução durante visita a Sinagoga de Roma, 18 jan. 2016)
Ratzinger na sinagoga de Satanás
“Também eu, no curso de meu Pontificado, quis demonstrar minha proximidade e meu afeto para com o povo da Aliança.” (Bento XVI, Alocução durante visita a Sinagoga de Roma, 17 jan. 2010)
João Paulo II em visita a Sinagoga de Roma
“Este povo persevera apesar de tudo, porque ele é o povo da Aliança, e apesar das infidelidades humanas, o Senhor é fiel a sua Aliança.” (João Paulo II, Alocução ao Simpósio sobre as Raízes do Antijudaísmo, 31 out. 1997)

Francisco, Bento XVI e João Paulo II afirmaram explicitamente que Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – ainda possui uma Aliança com os judeus. Eles se baseiam na doutrina conciliar, segunda a qual os judeus  “continuam ainda, por causa dos patriarcas, a ser muito amados de Deus, cujos dons e vocação não conhecem arrependimento” (Paulo VI, Vaticano II, Nostra Aetate n. 4, 28 out. 1965). Essa afirmação é contrária à doutrina católica de que não é possível agradar a Deus senão pela fé em Jesus Cristo, “não há salvação em nenhum outro, porque do céu abaixo nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual nós deveremos ser salvos.” (At. 4,12).

Os seguintes textos permitem ao leitor confrontar esta doutrina nova ensinada pelo Vaticano II e seus profetas com a doutrina católica de sempre.

Leia também: Kurt Hruby: Exemplo de judeu infiltrado e desprezo pelas Imagens Sagradas

DECLARAÇÕES NOVUS ORDO SOBRE OS JUDEUS

Um olhar muito especial é dirigido ao povo judeu, cuja Aliança com Deus nunca foi revogada, porque “os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis” (Rm 11, 29). A Igreja, que partilha com o Judaísmo uma parte importante das Escrituras Sagradas, considera o povo da Aliança e a sua fé como uma raiz sagrada da própria identidade cristã (cf. Rm 11, 16-18). Como cristãos, não podemos considerar o Judaísmo como uma religião alheia, nem incluímos os judeus entre quantos são chamados a deixar os ídolos para se converter ao verdadeiro Deus (cf. 1 Ts 1, 9). Juntamente com eles, acreditamos no único Deus que atua na história, e acolhemos, com eles, a Palavra revelada comum.

(Francisco, Evangelii Gaudium, n. 247, 24 nov. 2013)

Quando meu Venerável Predecessor, João Paulo II, veio até vós pela primeira vez… ele quis fazer uma contribuição decisiva visando o fortalecimento das boas relações entre as nossas comunidades, a fim de superar todo preconceito e incompreensão. Minha visita faz parte de uma jornada já começada, venho confirmá-la e aprofundá-la…

O ensinamento do Concílio Vaticano II representou para os católicos uma clara divisa para a qual fazemos constante referência na nossa atitude e nas nossas relações com o povo judeu, marcando um estágio novo e significativo. O Concílio deu um novo ímpeto ao nosso irrevogável compromisso de buscar o caminho do diálogo, fraternidade e amizade, uma jornada que tem sido aprofundada e desenvolvida nos últimos quarenta anos por meio de passos importantes e gestos significativos… Também eu, no curso de meu Pontificado, quis demonstrar minha proximidade e meu afeto para com o povo da Aliança.

(Bento XVI, Alocução durante visita a Sinagoga de Roma, 17 jan. 2010)

Este povo foi reunido e conduzido por Deus, o Criador do Céu e da Terra. Logo, sua existência não é um mero fato de natureza ou de cultura, no sentido de que pela cultura o homem manifesta as virtudes de sua própria natureza. Ele é um fato sobrenatural. Este povo persevera apesar de tudo, porque ele é o povo da Aliança, e apesar das infidelidades humanas, o Senhor é fiel a sua Aliança. Ignorar esse fato primário é tomar o caminho do marcionismo contra o qual a Igreja reagiu imediatamente e vigorosamente, consciente de sua ligação vital com o Velho Testamento, sem o qual o Novo Testamento seria desprovido de seu significado.

(João Paulo II, Alocução ao Simpósio sobre as Raízes do Antijudaísmo, 31 out 1997)

DECLARAÇÕES DA IGREJA CATÓLICA SOBRE OS JUDEUS

Por isso eu vos declaro que tirado vos será o reino de Deus, e será dado a um povo que faça os frutos dele.

(Nosso Senhor Jesus Cristo, o Messias, Mat. 21,43)

Quem a mim despreza, despreza Àquele que me enviou… Todas as coisas me tem sido entregues por meu Pai. E ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai, e nem quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quer revelar. (Lc 10,16.22)

Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus seja o Cristo? Este tal é um anticristo, que nega o Pai e o Filho.

(São João Evangelista e Apóstolo, 1Jo. 2,22)

E se vós sois de Cristo, logo vós sois a semente de Abraão, os herdeiros da promessa.

(São Paulo Apóstolo, Gal. 2,29)

E primeiramente com a morte do Redentor, foi abrogada a antiga Lei e sucedeu-lhe o Novo Testamento; então com o sangue de Cristo foi sancionada para todo o mundo a Lei de Cristo com seus mistérios, leis, instituições e ritos sagrados. Enquanto o divino Salvador pregava num pequeno território – pois que não fora enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (cf. Mt 15, 24) – corriam juntos a Lei e o Evangelho, mas no patíbulo, onde morreu, anulou a Lei com as suas prescrições (cf. Ef 2, 15), afixou a cruz o quirógrafo do Antigo Testamento (cf. Cl 2, 14), estabelecendo, com o sangue, derramado por todo o gênero humano, a Nova Aliança (cf. Mt 26, 28; 1 Cor 11, 25). “Então, diz S. Leão Magno falando da cruz do Senhor, fez-se a transferência da Lei para o Evangelho, da Sinagoga para a Igreja, de muitos sacrifícios para uma única hóstia, tão evidentemente, que ao exalar o Senhor o último suspiro, o místico véu, que fechava os penetrais do templo e o misterioso santuário, se rasgou improvisamente de alto a baixo”.

Portanto na cruz morreu a Lei antiga; dentro em pouco será sepultada e se tornará mortífera, para ceder o lugar ao Novo Testamento, para o qual tinha Cristo escolhido ministros idôneos na pessoa dos apóstolos (cf. 2 Cor 3,6): e é pela virtude da cruz que o Salvador, constituído cabeça de toda a família humana já desde o seio da Virgem, exerce plenamente o seu múnus de cabeça da Igreja.

(Papa Pio XII, Mystici Corporis, n. 28s, 29 jun. 1943)

A Igreja crê firmemente, professa e ensina que as prescrições legais do Antigo Testamento, isto é, a Lei mosaica, que se dividem em cerimônias, sacrifícios sagrados e sacramentos, mesmo porque instituídos para significar algo futuro, ainda que adequadas ao culto divino daquela época, com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, por elas significado, cessaram, e que tomaram início os sacramentos do Novo Testamento. Ela ensina que peca mortalmente todo aquele que voltar a pôr, depois da paixão de Cristo, sua esperança naquelas prescrições legais e as observa como se fossem necessárias à salvação e a fé no Cristo não pudesse salvar sem elas. A Igreja não nega, todavia que, no tempo entre a paixão de Cristo e a promulgação do Evangelho, elas pudessem ser observadas, mesmo que não fossem julgadas necessárias à salvação; depois do anúncio do Evangelho, porém, não podem mais ser observadas sem a perda da salvação eterna. Todos, portanto, que depois disso observam os tempos de circuncisão, do sábado e de outras disposições da lei, ela os denuncia como estranhos à fé em Cristo, não podendo de todo participar da salvação eterna.

(Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, 4 fev. 1442; Denz 712)

Contudo, eles não estão tentando observar os preceitos da antiga lei que, como todos sabem, foi revogada pela vinda de Cristo… A primeira consideração a ser feita é que as cerimônias da Lei Mosaica foram revogadas com a vinda de Cristo e que elas já não podem ser observadas sem pecado depois da promulgação do Evangelho.

(Papa Bento XIV, Ex Quo Primum, nn. 59 e 61, 1 mar. 1756)

Leia também: Judaísmo, Racismo e Antissemitismo

O Catecismo Romano versus os Irmãos Dimond sobre o Batismo de Desejo

Da série, Refutando sistematicamente os irmãos Dimond sobre o Batismo de Desejo, 3ª parte, escrito pelo sr. Steven Speray.

Peter and Michael Dimond
Peter & Michael Dimond

O Catecismo Romano vs. os Irmãos Dimond
sobre o Batismo de Desejo

A Igreja Católica tem infalivelmente ensinado que o Catecismo Romano é o padrão pelo qual a Fé deve ser crida e entendida. O sr. Dimond sustenta que a Igreja Católica promulgou um livro extremamente herético e contraditório para a instrução de sacerdotes e fiéis por 500 anos!

O Catecismo Romano afirma que o batismo de crianças não deve esperar mais que o tempo necessário, pois “para as crianças o único meio de salvação é o Batismo.” (Do Batismo § 33)

Na próxima página, o Catecismo afirma que os adultos não são batizados o quanto antes, pois essa demora “não envolve o mesmo perigo que ameaça as crianças pequenas, como dizíamos há pouco. Tratando-se de pessoas já em uso da razão, a firme vontade de receber o Batismo, unida ao arrependimento das faltas da vida anterior, é quanto basta para conseguirem a graça da justificação, se sobrevier algum acidente repentino, que as impeça de receber a ablução sacramental.” (Idem, § 35)

Para que nada disso se perca, esmiuçarei toda a sessão sobre o Catecismo Romano que aparece no livro Fora da Igreja não há absolutamente salvação de Peter Dimond, pp. 135-139.

O sr. Dimond escreve:

O Catecismo do Concílio de Trento não é infalível. Os padres John A. McHugh O.P. e Charles J. Callan O.P. escreveram a introdução à edição inglesa do Catecismo do Concílio de Trento. Nessa introdução há uma importante citação de Dr. John Hagan, Reitor do Colégio Irlandês de Roma, sobre a autoridade do Catecismo.

Catecismo do Concílio de Trento, 15ª impressão, TAN Books, Introdução XXXVI: “Documentos oficiais foram ocasionalmente publicados pelos Papas para explicar certos pontos da doutrina católica a indivíduos ou comunidades locais; ao passo que o Catecismo Romano compreende praticamente todo o corpo da doutrina cristã e se dirige a toda Igreja. A sua doutrina não é infalível; mas ele ocupa um lugar entre os catecismos aprovados e o que é de fide.” (p. 367)

O que o sr. Dimond omite é o fato de que o Dr. Hagan também disse: “No mínimo, ele possui a mesma autoridade que uma encíclica dogmática.

Isso é importante, porque os católicos não estão livres para questionar esse grau de autoridade.

O Papa Pio XII assim ensinou: “Nem se deve crer que os ensinamentos das Encíclicas não exijam de per se o assentimento, sob o pretexto de que os Pontífices não exercem nelas o poder de seu Supremo Magistério. Tais ensinamentos fazem parte do Magistério Ordinário, para o qual também valem as palavras: “Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10,16), além do que, quanto vem proposto e inculcado nas Encíclicas pertence já, o mais das vezes, por outros títulos, ao patrimônio da doutrina católica.”

(Humani Generis, Dz. 2313.)

Contrariamente ao Papa Pio XII, o sr. Dimond já está se preparando para dizer que possui o direito de questionar, rotular como errôneo e não dar assentimento a esse grau de autoridade eclesiástica.

Por duas vezes pedi ao sr. Dimond para pontuar se essas pertinentes frases do Catecismo Romano são heréticas e ele recusou responder à questão.

Nas próximas sessões, o sr. Dimond tentará mostrar onde e por que ele acha que o Catecismo Romano está em conflito com o Concílio de Trento e outros documentos papais. A sua proposta é demonstrar que, se o Catecismo é errôneo em outros pontos da doutrina, ele pode logicamente tratar as pertinentes frases acima como contrárias à absoluta necessidade do batismo em todas as condições. O argumento, então, consiste em demonstrar, por conseguinte, que o Catecismo é totalmente herético. Infelizmente para o sr. Dimond, o Papa Clemente XIII declarou a 14 de junho de 1761 na sua Dominico Argo que o Catecismo Romano “está livre de todo perigo de erro.” Mas o sr. Dimond, como um típico liberal, pega e escolhe o que ele quer acreditar.

O sr. Dimond continua…

O fato de que o Catecismo de Trento não é infalível é provado pelo fato de que pequenos erros podem ser encontrados dentro de seu texto, por exemplo:

Catecismo do Concílio de Trento, TAN Books, p. 243: “Pois a Eucaristia é o fim de todos os Sacramentos, e o símbolo de unidade e fraternidade na Igreja, fora da qual ninguém pode obter a graça.”

Aqui o Catecismo ensina que fora da Igreja ninguém pode obter a graça. Isso não é verdade. Graças prevenientes ou predisponentes são dadas àqueles que estão fora da Igreja de modo que possam se voltar para Deus, mudar suas vidas e entrar na Igreja. Sem essas graças, ninguém sequer se converteria. O Papa Clemente XI em sua constituição dogmática Unigenitus (8 set 1713) condenou a proposição segundo a qual “fora da Igreja nenhuma graça é garantida.” Logo, o que temos aqui é um erro no Catecismo de Trento. O Catecismo provavelmente pretendia ensinar que fora da Igreja nenhum pecador poderia obter graça santificante, o que é verdade, posto que fora da Igreja não há remissão dos pecados (Papa Bonifácio VIII, Unam Sanctam, 1302, ex cathedra). No entanto, Deus permitiu que o Catecismo errasse dessa maneira, porque ele não é infalível em tudo que ensina.

O sr. Dimond omite o contexto do Catecismo que implicava a graça santificante. O sr. Dimond está tentando achar um erro que não está realmente ali. Ele precisa achar esse erro para demonstrar que o Catecismo falha, julgando que isso lhe daria o direito de questionar aqueles parágrafos que claramente ensinam o batismo de desejo.

Repare que o Papa Clemente XI também não especificou a qual graça ele estava se referindo. Ele não disse graça “atual”, graça “preveniente ou predisponente”. O sr. Dimond teria de concluir que o Papa Clemente XI também errou, uma vez que fora da Igreja não se pode obter a graça santificante.

Até aqui o sr. Dimond é o único em erro real, não o Catecismo Romano, nem o Papa Clemente XI.

O sr. Dimond continua…

Além do mais, em todo o Catecismo de Trento não há nenhuma menção aos assim-chamados “três batismos”, nem há qualquer menção ao “batismo de desejo” ou “batismo de sangue”, nem há qualquer afirmação explicita de que alguém pode ser salvo sem o sacramento do batismo. O que encontramos, é um parágrafo ambíguo que parece ensinar que alguém pode obter graça e justificação sem o batismo.

O sr. Dimond soa muito como aquele protestante que diz que a Bíblia não faz menção ao Purgatório. No entanto, a doutrina do batismo de desejo é explicada belamente assim como a Bíblia explica o Purgatória sem fazer menção a palavra.

Chamar as frases do Catecismo de “ambíguas” é genuinamente desonesto. Não existe absolutamente qualquer ambiguidade ali.

O Catecismo diz que o batismo de crianças não deveria ser postergado, pois “para as crianças o único meio de salvação é o Batismo.” (Do Batismo § 33)

Essa afirmação claramente implica que não existe outro meio de salvação além do batismo para crianças abaixo da idade da razão. Então o Catecismo conclui:

“Essa demora, porém, não envolve o mesmo perigo que ameaça as crianças pequenas, como dizíamos há pouco. Tratando-se de pessoas já em uso da razão, a firme vontade de receber o Batismo, unida ao arrependimento das faltas da vida anterior, é quanto basta para conseguirem a graça da justificação, se sobrevier algum acidente repentino, que as impeça de receber a ablução sacramental.” (Idem, § 35)

Voilá, batismo de desejo!

Mesmo o Padre Feeney não rejeitava essa doutrina. Ele erroneamente concluiu que deveria existir um outro lugar permanente para tais pessoas além do céu ou do inferno. A sua doutrina pode ser encontrada em seu livro O Pão da Vida e na sua revista Dos telhados.

O Catecismo Romano emprestou a sua afirmação sobre o batismo de crianças do Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Sessão 11, 4 de fevereiro de 1442:

Sobre as crianças, de fato, em virtude do perigo de morte, que pode ocorrer com frequência, visto que nenhuma outro socorro pode lhes ser dado por outro remédio que não seja o sacramento do batismo, pelo qual elas são libertas do domínio do demônio [pecado original] e adotadas entre os filhos de Deus, aconselha-se que o santo batismo não seja deferido para quarenta ou oitenta dias, ou qualquer tempo segundo o costume de certas pessoas…

O concílio infalível implicou que não há outro remédio senão o batismo para aqueles que não atingiram a idade da razão. Logo, o Catecismo Romano não estava ensinando qualquer novidade. Ainda assim, este é o mesmo Catecismo que cita João 3,5 por quatro vezes. Logo, o sr. Dimond deve necessariamente concluir que o Catecismo Romano contradiz a si mesmo.

Além disso, o sr. Dimond conhece a doutrina do Papa Pio VI sobre doutrinas ambíguas, dito quando o papa condenou o Sínodo de Pistoia em sua bula Auctorem fidei, 28 de agosto de 1794:

Contra tal insídia, que se repete em todas as épocas, não há melhor prática que expor as sentenças que, sob o véu da ambiguidade, escondem uma perigosa discrepância de sentido, assinalando o sentido perverso sobre o qual está camuflado o erro que a doutrina católica condena.

Portanto, o sr. Dimond deve tomar o Catecismo Romano como herético baseado na sua afirmação de que ele é ambíguo, “que parece ensinar que alguém pode obter graça e justificação sem o batismo.”

Seja como for, o sr. Dimond está mentindo porque não é uma mera aparência que o Catecismo esteja ensinando o batismo de desejo. Ele o ensina claramente e sem ambiguidade alguma. De tal modo que, realmente, os cânons 1239.2 e 737 do Código de Direito Canônico de 1917 se baseiam na doutrina encontrada no Catecismo Romano.

Prosseguindo…

Mas mesmo nesse parágrafo encontramos erros. Por exemplo, a passagem diz que “se sobrevier algum acidente repentino, que as impeça de receber a ablução sacramental.”

Não há tal coisa como um “acidente repentino” que poderia tornar “impossível” receber o batismo. Isso é claramente errôneo.

Papa Pio IX, Concílio do Vaticano, Sessão 3, Cap. 1, “Sobre Deus criador de todas as coisas: «MAS TUDO O QUE DEUS CRIOU, ELE GUARDA E GOVERNA PELA SUA PROVIDÊNCIA, que “estende-se poderosa desde uma extremidade à outra, e dispõe todas as coisas com suavidade.” Todas as coisas estão a nu e a descoberto, aos Seus olhos, mesmo aquelas que resultam da livre atividades de suas criaturas.”

Deus mandou todos os homens receberam o batismo, Deus não manda impossibilidades.

Papa Paulo III, Concílio de Trento, Sessão 6, cap. 11, sobre Justificação, ex cathedra: “… Ninguém deve usar daquele dito temerário, e proibido pelos Padres sob pena de excomunhão, de que é impossível ao homem justificado observar os mandamentos de Deus. “POIS DEUS NÃO MANDA O IMPOSSÍVEL; mas quando te manda, admoesta-te a fazer aquilo que podes e a pedir aquilo que não podes”, e te ajuda para que o possas.”

Portanto, a referência a um acidente repentino e impossível de ser evitado no Catecismo demonstra, novamente, que nem tudo que ele diz é infalível. Um documento infalível não poderia afirmar que acidentes são repentinos ou impossíveis de serem evitados.

O sr. Dimond está fazendo um vão esforço nesse ponto.

A declaração de Trento está falando sobre “um homem justificado” observando os mandamentos de Deus. Ela está se dirigindo contra aqueles que aceitariam que “o justo peca ao menos venialmente em cada boa obra [can 25], (o que é mais intolerável) que ele mereça castigo eterno; e também àqueles que declaram que o justo peca em todas as obras, se nessas obras se, superando nelas a sua apatia e exortando a si mesmos a correr no estádio, visam, além da glória de Deus posta em primeiro lugar, também ao prêmio eterno [cân. 26 e 31], pois está escrito: “Inclinei o meu coração para cumprir os teus preceitos, por causa da retribuição.” [Sl 118,112] e sobre Moisés fala o Apóstolo: que “olhava para a recompensa.” [Heb. 11,26]” (Trento, Sessão 6, Cap. 11)

Mas para continuar nesse argumento, presumamos então que a frase se aplicou ao sacramento do batismo. Ora, uma vez que Cristo não pode mandar impossibilidades, se o sacramento do batismo se torna impossível, então o mandamento de Cristo para ser batizado com água não se aplicaria nessa circunstância, logo a fé, o desejo e a contrição seriam o suficiente. A declaração de Trento não contradiria de maneira alguma o batismo de desejo, ela antes o apoiaria.

Conforme o argumento do sr. Dimond, posto que Trento coloca sob pena de excomunhão o que ele pensa que o Catecismo ensina, ele deve necessariamente concluir que o Catecismo Romano é herético e que os autores, editores e promulgadores do mesmo estão excomungados!

O sr. Dimond continua…

Muito embora o Catecismo de Trento não seja infalível em toda sentença, como foi provado, tomado como um todo ele é um excelente catecismo que exprime a doutrina católica exatamente e efetivamente.

Então, deixe-me ver se eu entendi bem. O sr. Dimond crê que o Catecismo é herético. Ele também implicou que livros heréticos que contenham heresia formal, se tomados como um todo, ensinam exatamente e efetivamente a fé católica, ou seja, seriam uma excelente ferramenta para instruir os fiéis. Isso é um ultraje!

O Concílio de Trento alertou contra tal nonsense.

Continuando…

Mas sobretudo, o Catecismo de Trento faz declaração sobre declaração nas quais ensina claramente e sem ambiguidade alguma que o Sacramento do Batismo é absolutamente necessário a todos para a salvação, sem qualquer exceção, por conseguinte, excluindo qualquer ideia de salvação sem a água batismal.

Ora, o sr. Dimond deve concluir que o Catecismo está contradizendo a si mesmo. Então, ele não só é herético, ele também é contraditório, mas está tudo bem para o sr. Dimond, porque visto como um todo, esse livro herético e contraditório é uma excelente ferramenta para a fé.

Catecismo do Concílio de Trento, Comparações entre os Sacramentos, p. ‘154: “Há, porém, um ponto que reclama muita atenção. É que todos os sacramentos em si comportam uma virtude admirável e divina, mas nem todos são igualmente necessários, nem possuem a mesma graduação e finalidade.

Entre eles existem três que são considerados mais necessários que os outros, embora não o sejam por razões idênticas. Do Batismo, por exemplo, declarou Nosso Senhor ser absolutamente necessário para todos os homens. Suas palavras são as seguintes: !Quem não renascer da água e do Espírito [Santo], não pode entrar no reino de Deus (João 3,5).”

Isso significa que o Sacramento do Batismo é absolutamente e universalmente necessário para a salvação sem qualquer exceção! Isso exclui qualquer ideia de salvação sem a ablução batismal.

O sr. Dimond não compreendeu a nuance. Necessidade do meio versus necessidade do preceito. Vá para a parte 1 desse artigo [ainda não traduzida].

Isso também significa que João 3,5 deve ser entendido literalmente.

O batismo de desejo não implica que João 3,5 seja para ser entendido em sentido figurado. Novamente, o Catecismo cita João 3,5 quatro vezes e depois ensina o batismo de desejo.

Catecismo do Concílio de Trento, Sobre o Batismo – Necessidade do Batismo, pp. 176-177: Se o conhecimento que até aqui foi explicado for, como de fato é, da mais alta importância para os fiéis, não é de menor valia aprenderem que A LEI DO BATISMO, COMO ESTABELECIDA POR NOSSO SENHOR, ESTENDE-SE A TODOS, de modo que a menos que eles sejam regenerados pela graça do Batismo, sejam seus pais cristãos ou infiéis, eles nasceram para a miséria eterna e a destruição. Os pastores, portanto, deveriam frequentemente explicar essas palavras do Evangelho: Quem não renascer da água e do Espírito [Santo] não pode entrar no Reino de Deus (Jo 3,5).” p. 374

Isso claramente significa que ninguém pode ser salvo sem o Sacramento do Batismo e que João 3,5 é literal sem exceções!

Qual é a lei do batismo estabelecida por Nosso Senhor que se estende a todos? Quais são as condições? Quais são as nuances? Como a Igreja as ensina e explica? Eis o que o sr. Dimond ignora. Ele rejeita a explicação do Catecismo Romano e por isso deve sustentar que o Catecismo está contradizendo a si mesmo.

Catecismo do Concílio de Trento, Definição do Batismo, p. 163: “Quem não, diz Nosso Senhor, renascer da água e do Espírito [Santo] não pode entrar no reino de Deus (Jo 3,5); e o Apóstolo, falando da Igreja, diz que [Cristo] “a purificou pela ablução da água na palavra (Ef 5,26). Assim, podemos definir com acerto e brevidade, que o batismo é um “Sacramento de regeneração pela palavra na água.”

O Catecismo de Trento também ensina que se existe perigo de morte para um adulto, o Batismo não deve ser postergado.

Catecismo do Concílio de Trento, Da necessidade dos adultos serem batizados imediatamente, p. 180: “Às vezes, contudo, quando existe uma causa justa e necessária, como no caso de iminente perigo de morte, o Batismo não deve ser deferido, particularmente se a pessoa a ser batizada está bem instruída nos mistérios da fé.”

A costumeira demora no batismo de adultos que vemos na história era para a instrução dos catecúmenos. Essa demora não era pela crença de que os adultos poderiam ser salvos sem o batismo, como já provado na sessão sobre o Papa Sirício.”

Abaixo segue a Carta de Papa São Sirício a Himério (385).

Como mantemos que a observância do santo tempo pascal deveria de nenhum modo ser relaxada, assim desejamos que às crianças que, em virtude da idade, não possam ainda falar, ou àqueles que, por qualquer emergência, precisem da água do batismo, seja procedido com toda diligência possível, pois temo que, se aqueles que deixaram esse mundo perderem a vida do reino dos céus por lhes ter sido negada a fonte da salvação que eles desejavam, isso possa levar à ruína de nossas almas. Se aqueles ameaçados em naufrágio, sobre o ataque de inimigos, ou na incerteza de um cerco, ou aqueles que se acham numa condição física sem esperança, pedirem pelo que em sua fé é sua única esperança, deixai-os receber no momento de seu pedido a recompensa da regeneração. Chega dos erros passados! Doravante, todos os sacerdotes observem essa norma, se eles não quiserem se separar da sólida rocha apostólica sobre a qual Cristo edificou a sua Igreja.” (Pe. Jacques Dupuis, S.J. e Pe. Josef Neuner, S.J., The Christian Faith, Sixth Revised and Enlarged Edition, Staten Island, NY: Alba House, 1996, p. 540.)

A citação acima do Papa Sirício não nega a doutrina do batismo de desejo ou refuta por implicação que é impossível se salvar pelo batismo de desejo.

Pessoas que desejam o batismo e morrem sem ele podem muito se perder, porque o Batismo de desejo não é obtido meramente pelo fato de ser querido. Existe sempre o temor de que aqueles que morrem sem o batismo podem se perder porque a contrição perfeita, ou algum outro requerimento que Deus queira na pessoa, pode faltar. O batismo de desejo é algo que Deus faz pela pessoa.

O Papa Sirício diz que negar o batismo a tais crianças ou homens “possa levar à ruína de nossas almas”. Em outras palavras, seria um pecado retardá-lo.

A segunda parte da citação reitera a primeira parte. A perfeita contrição pode não estar presente com a fé, e o Batismo é sua única esperança de salvá-las, pois a contrição perfeita não é requerida na recepção dos Sacramentos.

O sr. Dimond deve assumir que o Catecismo Romano está contradizendo a si mesmo, porque três parágrafos antes do Catecismo afirmar que “no caso de extrema necessidade podem ser batizado imediatamente”, ele apresenta a seguinte frase inicial “a firme vontade de receber o Batismo, unida ao arrependimento das faltas da vida anterior, é quanto basta para conseguirem a graça da justificação, se sobrevier algum acidente repentino, que as impeça de receber a ablução sacramental.” (Idem, § 35)

A doutrina do batismo de desejo requer o arrependimento dos pecados, ou a perfeita contrição, a fé e o desejo. O Sacramento do Batismo não requer contrição perfeita.

Continuando…

Catecismo do Concílio de Trento, Batismo feito obrigatório depois da Ressurreição de Cristo, p. 231-232: “Todos os escritores eclesiásticos concordam em dizer que foi depois da Ressurreição de Nosso Senhor, quando Ele ordenou aos Apóstolos: “Ide, ensinai todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” Desde então, começou a vigorar a lei do Batismo para todos os homens, que queiram alcançar a salvação eterna.’ 377.

O Batismo não pode ser rejeitado. Isso é fato. O batismo de desejo não é uma doutrina que rejeita o fato de que o batismo é obrigatório.

Catecismo do Concílio de Trento, Matéria do Batismo — a sua adequação, p. 227: “Ao desenvolver esta doutrina, ensinem os párocos em primeiro lugar que, tratando-se de um Sacramento necessário a todos, sem nenhuma excepção, para conseguirem salvar-se, a água era a matéria mais apropriada, por se encontrar em toda a parte, e por ficar ao alcance de todos, sem maior dificuldade.” 378

Perceba que o Catecismo ensina que a água está “dentro do alcance de todos” uma frase que exclui a própria noção do batismo de desejo – que a água não está ao alcance de todos.

O sr. Dimond não pode compreender conceitos muito elementares.

A água está ao alcance de todos para beber, limpar, lavar e batizar. Isso não significa que todos possam conseguir beber, limpar ou lavar ou, nesse caso, batizar-se. Toda a questão em torno da frase “se sobrevier algum acidente repentino…” consiste em explicar exatamente o contrário do que é afirmado pelo sr. Dimond.

O fato de que o sr. Dimond use um tal argumento é surpreendente.

Também perceba que o Catecismo declara que o sacramento é necessário para a salvação de todos. Isso exclui qualquer noção de salvação sem o sacramento do batismo.

Logo, o Catecismo de Trento ensina repetidamente e sem ambiguidade que este é o ensinamento de Jesus Cristo e da Igreja Católica: o Sacramento do Batismo é necessário para a salvação de todos. Tudo isso é claramente contrário às teorias do batismo de desejo e batismo de sangue.

Novamente, o sacramento é necessário para a salvação de todos sob condições e circunstâncias. O Catecismo Romano aponta para o caso de uma circunstância extraordinária onde o sacramento não é necessário para a salvação. A única teoria contrária ao ensinamento de Jesus Cristo e da Igreja Católica é a rejeição que o sr. Dimond faz do batismo de desejo, que é ensinada de novo e de novo pela Igreja de Cristo através do Catecismo Romano e do Código de Direito Canônico.

Ademais, o Catecismo também ensina que os cristão se distinguem dos não cristãos pelo batismo.

Catecismo do Concílio de Trento, Do Batismo – Segundo efeito: O caráter sacramental, p. 159: “No caráter impresso pelo batismo, ambos efeitos são recapitulados. Por meio dele somos qualificados para receber os outros sacramentos, e o cristão se distingue do que não professa a fé.” 379

Aqueles que afirmam que o sacramento do batismo não é necessário a todos para salvação (por exemplo, aqueles que acreditam no “batismo de desejo”) contradizem o ensinamento do próprio catecismo de Trento.”

Posto que o Catecismo também ensina que o Sacramento do Batismo não é necessário para a salvação de todos “se sobrevier algum acidente repentino”, que é rubricado como “batismo de desejo”, o sr. Dimond deve concluir que o Catecismo contradiz a si mesmo.

Contudo, distinguimos os cristãos dos não cristãos pelo batismo, mas não só pelo batismo. Os cristãos são também distintos daqueles que não professam a fé. Ambos, os que não são batizados e os que não sustentam a fé são considerados não cristãos enquanto vivem. O batismo de desejo e de sangue traz alguém para dentro do Redil durante a morte. Nesse ponto, eles seriam considerados santos. Temos santos por batismo de desejo.

Catecismo do Concílio de Trento, Matéria do Batismo, a sua adequação, p. 227: “Ao desenvolver esta doutrina, ensinem os párocos em primeiro lugar que, tratando-se de um Sacramento necessário a todos, sem nenhuma exceção, para conseguirem salvar-se, a água era a matéria mais apropriada, por se encontrar em toda a parte, e por ficar ao alcance de todos, sem maior dificuldade.”

O sr. Dimond cita novamente a mesma linha do Catecismo na última parte de seu livro para justificar suas asserções, implicando que, posto que a água está ao alcance de todos, isso “exclui a própria noção de batismo de desejo – segundo a qual a água não está ao alcance de todos”. Já vimos como esse é o mais fraco de todos os argumentos. Francamente, alguém que não se incomode em dar ouvidos ao sr. Dimond depois dele ter usado um argumento tão ridículo como esse é um caso irrecuperável.

O sr. Dimond não teria de passar por esse embaraço se ele não quisesse nos convencer de que o Catecismo é herético sobre essas duas frases pertinentes.

É verdade que o Catecismo Romano não possuiu o carisma de infalibilidade quando ele foi escrito. Contudo, a doutrina ordinária e universal da Igreja, que é infalível, garantiu o Catecismo Romano como padrão e norma da Fé Católica, o que necessariamente significa que ele não contém heresia formal.

John A. McHugh O.P. e Charles J. Callan O.P. assim escreveram (excertos e ênfase minha):

O Catecismo Romano é diferente de qualquer outro resumo da doutrina cristã, não somente porque ele é para o uso dos párocos em sua pregação, mas também porque ele goza de uma autoridade única entre os manuais… ele foi publicado por ordem expressa do Concílio Ecumênico de Trento, que também ordenou que ele fosse traduzido para o vernáculo de diversas nações a fim de ser usado como fonte comum de pregação. Além disso, ele recebeu por repetidas vezes a aprovação geral de muitos Pontífices Romanos. Para não falar de Pio IV que tanto fez para levar a obra a a cabo, e de Pio V sob o qual ela foi terminada, publicada e repetidamente o exigigida. Gregório XIII, que como Possevino testemunha, estimava-o tão grandemente que desejava que mesmo livros de Direito Canônico fossem escritos de acordo com os seus conteúdos. Em sua bula de 14 de junho de 1761, Clemente XIII disse que o Catecismo contém uma explicação clara de tudo o que é necessário para a salvação e utilidade dos fiéis, que ele foi composto com grande zelo e indústria e tem sido altamente louvado por todos… que os Pontífices Romanos ofereceram esta obra aos pastores como norma da doutrina e disciplina católica de modo que existisse uniformidade e harmonia nas instruções de todos… o Papa Leão XIII, em carta encíclica de 8 de setembro de 1899 aos bispos e padres de França, escreveu: “Esta obra é notável pela riqueza e exatidão de sua doutrina, e pela elegância de seu estilo; ela é um resumo precioso de toda teologia, tando dogmática quanto moral. Aquele que o entende bem, sempre terá a sua disposição aqueles auxílios pelos quais o sacerdote é capaz de pregar com fruto, familiariza-se dignamente com o importante ministério da confissão e direção de almas, e estará em posição de refutar as objeções dos incrédulos.

Do mesmo modo o Papa Pio X em sua encíclica Acerbo nimis de 15 de abril de 1905, declarou que os adultos não menos que as crianças necessitam de instrução religiosa, especialmente nesses dias. E assim prescreveu que os pastores e todos os que cuidam das almas deveriam oferecer catequese aos fiéis em linguagem simples, e de um modo adequado a capacidade de seus ouvintes, e que para esse fim eles deveriam usar o Catecismo do Concílio de Trento…

Além dos Sumos Pontífices que exaltaram e recomendaram o Catecismo, também muitos concílios têm proposto seu uso de modo que seria impossível enumerar a todos. Dentro de poucos anos depois de sua primeira aparição, um grande número do sínodos provinciais e diocesanos já tinham feito do seu uso obrigatório. Dos quais o Prefácio a edição parisiense de 1893 fez menção a dezoito que tinham ocorrido antes de 1595. Em cinco diferentes concílios convocados em Milão, São Carlos Borromeu ordenou que o Catecismo fosse estudado nos seminários, discutido nas conferências dos sacerdotes e explicado pelos pastores ao seu povo na ocasião da administração dos Sacramentos. Em suma, sínodos repetidamente prescreveram que o claro deveria fazer uso tão frequente do Catecismo de tal modo que não só estivesse totalmente familiarizados com o seu conteúdo, mas o soubessem de cor.

O Papa São Pio X disse em seu Decreto Quem singulari para a Congregação dos Sacramentos a 8 de agoto de 910:

Para a primeira confissão e comunhão um pleno e perfeito conhecimento da doutrina cristã não é necessário. Mas a criança depois será obrigada a aprender gradualmente todo o catecismo de acordo com a sua inteligência. (D 2138)

Dois parágrafos a frente, o Papa São Pio X nos conta que o catecismo deveria ser aprendido integralmente: o “Catecismo Romano.” (D 140)

Baseado no Catecismo Romano, o Papa São Pio X promulgou seu prórpio catecismo que ensina o batismo de desejo. A carta de promulgação pelo Papa São Pio X pode ser lida aqui:

http://www.vatican.va/holy_father/pius_x/letters/documents/hf_px_let_19121018_catechismo_it.html

O Revmo. Bispo George Hay e o Rev. Michael Müller C.SS.R., dois dos maiores mestres da religião católica dos últimos duzentos anos, ensinaram o batismo de desejo em seus respeitados catecismos, que se basearam no Catecismo Romano.

O fato do Catecismo Romano não ser um documento infalível não significa que ele possa ser formalmente herético. A Igreja Católica tem infalivelmente ensinado que o Catecismo Romano é o padrão pelo qual a Fé deve ser crida e entendida.

O sr. Dimond sustenta que a Igreja Católica promulgou um livro extremamente herético e contraditório para a instrução de sacerdotes e fiéis por 500 anos!

NENHUMA ÚNICA AUTORIDADE ECLESIÁSTICA CONDENOU, CRITICOU OU CORRIGIU O CATECISMO EM TODO ESSE TEMPO até que os dois irmãos nascidos nos 1970s, que fizeram monges por conta própria, resolveram questioná-lo e apontá-lo como herético, em virtude de sua PESSOAL e NOVA INTERPRETAÇÃO dos cânons de Trento e da errônea doutrina de que Deus não pode salvar uma alma à parte do Sacramento do Batismo em circunstâncias extraordinárias.

OS DIMONDS SÃO NADA MAIS QUE O MARTINHO LUTERO DE HOJE.

Eu planejava fazer uma série inteira desses artigos, mas depois de me dar conta da insignificância do livro do sr. Dimond, eu mudei de ideia. Tenho mais o que fazer de minha vida que gastar meu tempo respondendo ponto por ponto do que não passe de pura idiotice.