Como se tornar um santo conciliar (versão Paulo VI)

COMO SE TORNAR UM SANTO CONCILIAR (VERSÃO PAULO VI)

Siga os seguintes passos para se tornar um santo segundo o exemplo de “São” Paulo VI.

1º – Quando estiver em Nova Iorque, não deixe de ir até a Sede da ONU para dizer entre comunistas e maçons que ela com a sua Nova Ordem Mundial, “representa o caminho obrigatório da civilização moderna e da paz mundial” e constitui “a última esperança de concórdia e paz” para o mundo. (1)

2º – Ajoelhe-se e beije os pés do Patriarca da Igreja Cismática Grega, (2) humilhando-se perante o chefe daquela seita que nega os dogmas do Primado do Santo Padre o Papa, da Imaculada Conceição, do Purgatório e do Filioque.

3º – Assine todos os documentos do Concílio Vaticano II, aprovando oficialmente as heresias da nova eclesiologia, do ecumenismo, da liberdade religiosa e da colegialidade. (3) E ao término deste espetáculo de heterodoxia, diga em alta voz que nele a religião do Deus que se fez homem se encontrou com a religião do homem que se fez Deus e que nesta reunião entre cristianismo e ateísmo não houve qualquer luta ou condenação. (4)

4º – Seja o responsável pela abolição do Santo Ofício, do Index Librorum Phohibitorum, do Juramento Antimodernista (5) e tome medidas drásticas para diminuir a influência de bispos e cardeais tradicionais com a criação do bispo emérito e proibindo o voto de cardeais acima de oitenta anos nos conclaves papais. (6)

5º – Crie uma Missa Nova protestantizada, baseada em princípios heréticos como acontece com a “apresentação de dons” panteística de Theilhard de Chardin e remova do seu Missal os conceitos católicos de Inferno, Purgatório, ira de Deus, pecado como o maior de todos males, desapego do mundo, Reinado de Cristo sobre a terra, males da heresia e muitos outros conceitos que agora você já não considera importantes. (7)

6º – Mande o seu cardeal comunista favorito, o Cardeal Giacomo Lercaro, para a Conferência de Medelin a fim de implantar, com a ajuda de seu amigo Dom Helder Câmara, a Teologia da Libertação na América Latina. Não deixe também de realizar na véspera, na pessoa do legado papal, um Congresso Eucarístico em Bogotá confraternizando-se com os líderes protestantes e permitindo que ao fim de um escandaloso culto ecumênico muitos deles recebam a Santa Comunhão. (8)

7º – Suspenda a divinis o arcebispo tradicional Monsenhor Marcel Lefebvre (9), mas deixe mega-hereges como Yves Congar, Karl Rahner, Edward Schillebeeckx, Henri de Lubac, Joseph Ratzinger, Hans Urs von Balthasar livres, leves e soltos para poderem espalhar suas ideias novas e subversivas nos seminários e universidades do mundo inteiro. (10)

Essas são apenas algumas das incontáveis, das inumeráveis heresias e escândalos de Paulo VI, seria impossível reuni-las todas em um só vídeo. Então, você já sabe, se você quiser ser um santo conciliar, basta destruir e condenar tudo o que a Igreja Católica construiu e aprovou no curso dos séculos. Siga os passos de Paulo VI, imite-o e louve todos aqueles que ousaram desprezar os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso fará de você um santo, mas – infelizmente – um santo da Igreja de Satanás.

No entanto, se você leva a salvação de sua alma realmente a sério… Reze o Santo Rosário, vista o Escapulário e evite a imitação e a companhia de hereges como Paulo VI.

NOTAS

1 – Paulo VI, Discurso na Organização das Nações Unidas, 4 out. 1975: https://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651004_united-nations.html; Denzinger-Hünermann 4421. Cf. COOMARASWAMY, Rama P. The Destruction of the Christian Tradition: Updated and Revised. Bloomington: World Wisdom, 2006, p. 221; VILLA, Pe. Luigi. ¿Paulo VI Beato? Brescia: Civiltá, 2011, pp. 84-87; SÁENZ Y ARRIAGA, Pe. Joaquín. João Batista Montini não é um verdadeiro e legítimo papa: https://controversiacatolica.com/2018/08/27/joao-batista-montini-nao-e-um-verdadeiro-e-legitimo-papa/.

2 – COOMARASWAMY, 2006, p. 152; VILLA, 2011, p. 103.

3 – Cf. As heresias do Concílio Vaticano II: https://controversiacatolica.com/2018/11/06/as-heresias-do-concilio-vaticano-ii/; A Nova Eclesiologia: https://controversiacatolica.com/2018/11/04/a-nova-eclesiologia-do-vaticano-ii/; Os Erros Doutrinais do Concílio Vaticano II: https://controversiacatolica.com/2017/04/02/os-erros-doutrinais-do-concilio-vaticano-ii-por-bispo-mark-a-pivarunas-crmi/ e outros artigos em http://controversiacatolica.com.

4 – Ultima Sessione Pubblica del Concilio Ecumenico Vaticano II, Allocuzione de Santo Padre Paolo VI, 7 dez. 1975: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/it/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651207_epilogo-concilio.html.

5 – COOMARASWAMY, 2006, p. 209; VILLA, 2011, pp. 181-183.

6 – COOMARASWAMY, 2006, p. 154; ENGEL, Randy. The Rite of Sodomy: Volume V – The Vatican and Pope Paul VI. Export: NEP, 2006, p. 1150; SAÉNZ Y ARRIAGA, Pe. Joaquín. The New Post-Conciliar or Montinian Church.  La Habra: Lakeside Press, 1985, pp. 344-348.

7 – As 62 razões para não assistir à Missa Nova https://www.fsspx.com.br/as-62-razoes-para-nao-assistir-a-missa-nova/; CEKADA, Pe. Anthony. Work of Human Hands: A Theological Critique of the Mass of Paul VI. West Chester: SGG, 2015, passim.

8 – SÁENZ Y ARRIAGA, 1985, pp. 1-324; Id. 
João Batista Montini não é um verdadeiro e legítimo papa: https://controversiacatolica.com/2018/08/27/joao-batista-montini-nao-e-um-verdadeiro-e-legitimo-papa/.

9 – Notification à Mgr Lefebvre de sa suspens a divinis le 22 juillet 1976: http://laportelatine.org/vatican/sanctions_indults_discussions/suspens_1976_1978/22_07_1976_notification_suspens_a_divinis.php.

10 – GAUDRON, Padre Mathias. Catecismo Católico da Crise na Igreja. Tradução de Leandro Calabrese. Niterói: Permanência, 2011, pp. 56-61; LEFEBVRE, Mons. Marcel. Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar. Tradução de Idelfonso Albano Filho. 2 ed. Niterói: Permanência, 2013, pp. 127-129; VILLA, 2011, pp. 93-107.

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Jacques Maritain, seu discípulo Paulo VI e a Teologia da Libertação

Na foto: Jacques Maritain e Paulo VI.

Outro filósofo, Jacques Maritain (1882-1973), teve, desde os anos 30, grande influência na formação das tendências contemporâneas. Mas em vez de absorver a ordem natural na ordem sobrenatural, ele distinguiu-as de modo a reconhecer na criação e na história humana duas vocações distintas e essencialmente autônomas: de um lado a vocação e a missão terrestre, do outro lado a vocação sobrenatural. Maritain desenvolveu a tese da “sociedade vitalmente cristã”, segundo a qual “a partir de um movimento progressivo e necessário, a Igreja, renuncia à proteção da espada secular, emancipa-se da tutela intransigente das cabeças dos estados católicos e se contenta unicamente com a liberdade, agora reduzida a nada mais do que o fermento evangélico escondido na massa ou o sinal de salvação para a humanidade… À cristandade medieval de tipo ‘sacro’ e ‘teocrático’…  deve ora suceder uma ‘nova cristandade’ caracterizada… pela emancipação recíproca do temporal e do espiritual, e pelo pluralismo religioso e cultural da cidade.” (131)

Essa realmente é a rejeição do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo:

“Que a cristandade possa realizar-se de maneiras diferentes na monarquia de São Luís e na República da Garcia Moreno, isso é evidente; mas que a sociedade maritainiana, a cidade pluralista ‘vitalmente cristã’ ainda seja uma cristandade e realize o reinado social de Jesus Cristo, isso é o que eu nego absolutamente. A Quanta Cura, a Immortale Dei e a Quas Primas me asseguram do contrário, Jesus Cristo não tem trinta e seis maneiras de governar uma sociedade, ele reina ‘informando’, modelando as leis civis de acordo com sua lei divina. Uma coisa é apoiar uma sociedade em que de fato há uma pluralidade de religiões, como por exemplo no Líbano, e fazer o possível para que Jesus Cristo ainda seja o ‘pólo’; outra coisa é defender o pluralismo em uma cidade ainda majoritariamente católica e querer, isso é o cúmulo, batizar esse sistema com o nome de cristandade… Jacques Maritain, na verdade, estava deslumbrado pelo tipo de civilização abertamente pluralista dos Estados Unidos da América.” (132)

Não erramos ao chamar Jacques Maritain de pai da liberdade religiosa do Vaticano II; Paulo VI se nutriu de suas teses políticas e sociais e o reconhecia como seu mestre. Mas essas teses estão na origem da “teologia da libertação”, como escreveu o Padre Gustavo Gutiérrez, nascido em 1928, professor de teologia na Universidade de Lima e ainda mais “avançado” na separação entre natural e sobrenatural:

“As graves questões históricas que a nova situação histórica apresenta à Igreja a partir do século XVII, que se tornaram mais agudas com a Revolução Francesa, dão lentamente lugar a outro enfoque pastoral e a outra mentalidade teológica, que graças a Maritain, receberá o nome de ‘nova cristandade’ (cf. “Humanismo Integral”). Ela tentará aproveitar ao máximo as lições da ruptura entre a fé e a vida social, que estavam intimamente ligadas na época da cristandade… O pensamento de Maritain foi muito influente em certos setores cristãs da América. Latina.” (133)

Quão longe estamos da cristandade onde o sobrenatural iluminava toda a ordem temporal e a transfigurava pela fé. Quão longe estamos do lema de São Pio X: “Restaurar todas as coisas em Cristo”. O lema de Maritain, que se tornará o de Paulo VI, é antes: “Restaurar todas as coisas no homem”. Veremos que este é sobretudo o lema do papa João Paulo II […]

Contra Maritain, os papas responderam de antemão, condenando o pluralismo religioso:

“Devemos nos guardar de um erro: não concluamos a partir disso que a melhor situação para a Igreja é aquela que ela desfruta na América, ou que é sempre permissível e útil separar e dissociar os assuntos civis dos assuntos sagrados, como acontece na América. O fato do catolicismo encontrar-se em boa disposição, ou melhor, estar gozando de um próspero crescimento deve ser sempre atribuído à fecundidade com que Deus dotou sua Igreja, em virtude da qual, salvo quando homens e circunstâncias interferem, espontaneamente se expande e difunde a si mesma; contudo, ela renderia ainda mais frutos se, além da liberdade, desfrutasse também do favor das leis e do patrocínio da autoridade pública.” (135).

“A Igreja não dissimula que considera em princípio esta colaboração como normal (a da Igreja e do Estado), e que ela vê como um ideal a unidade das pessoas na verdadeira religião e a unanimidade de ação entre esta e o Estado.” (136)

Notas:
131. Incamazione di Dio, Queriniana, Brescia 1972, p. 643, citado por Gethsémani, p. 73.
132. Ils l’ont découronné, p. 130-131-132.
133 Teologia della liberazione, Queriniana, Brescia 1972, 2.ª éd. 1973, citado por Gethsémani, p. 98.
135. Leão Xlll, Encíclica Longinqua Oceani, 6 jan. 1895.
136. Pio XII, Discurso de 7 set. 1955.

LE ROUX, Abbé Daniel. Pierre M’aimes-tu? Fideliter, 1988, pp. 36-37.

Imaculada Conceição e sedevacantismo

A Santíssima Virgem Maria é a Imaculada Conceição. É desta árvore sem mancha original (sine macula originalis) que procede o bendito fruto, Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos resgatou mediante seu sacrifício cruento na árvore da Cruz. A árvore Imaculada não dá maus frutos, mas dá frutos conforme a sua natureza santa, miraculosamente preservada de toda mancha. Deus preparou para si uma digna morada, a Virgem Imaculada é o Paraíso terrestre onde quis habitar o novo Adão. Quão grandiosos são os desígnios de Deus! 

Por um privilégio igualmente grandioso, a Igreja Católica goza de prerrogativa semelhante. Embora seus membros não sejam pessoalmente imaculados, a Igreja em si é propriamente chamada de Esposa Imaculada de Cristo. Ela é imaculada, porque ela não pode ensinar erros em matéria de fé e moral, ela não pode estabelecer uma disciplina que desencaminhe os fiéis. Este privilégio se depreende sobretudo da promessa que Nosso Salvador fez ao chefe da Igreja, o Romano Pontífice, na pessoa de São Pedro Apóstolo: 

E esta doutrina dos Apóstolos […] de que esta cátedra de S. Pedro sempre permaneceu imune de todo o erro, segundo a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo feita ao príncipe dos Apóstolos: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” [Lc 22, 32].

Pastor Aeternus, Concílio Vaticano I

Uma consequência necessária desta prerrogativa é que a Igreja unida à Cátedra de Pedro é indefectível no seu ser, infalível no seu ensino e plena de autoridade no governo das almas. A verdade dessa proposição foi muito bem explicada pelo Cardeal Billot em seu artigo sobre a infalibilidade da Igreja em matérias disciplinares:

Nós afirmamos com todas as fibras do coração essa verdade. Diferentemente das posições rivais, dizemos que a Igreja não pode nos dar uma Missa defeituosa, irreverente e protestantizante, nem pode tolerar e até institucionalizar “abusos” desastrosos. Nossos rivais, porém, defendem que essa religião da Missa Nova e da indisciplina geral é de fato a Igreja Católica. Que pensamento infeliz! Pouco a pouco vão se distanciando da sã doutrina, daquela doutrina segura que não admite que brotem maus frutos da Árvore Imaculada da Igreja.

Os aderente da posição Reconhecer e Resistir (R&R) blasfemam contra esta prerrogativa quando, resistindo ao que consideram disciplina oficial, afirmam que esta é defeituosa e mesmo nociva. Se é assim, então onde é que está a Igreja Imaculada em suas doutrinas, culto e leis?

Os aderentes da  “hermenêutica da continuidade” blasfemam contra ela quando desejam impor a sua interpretação pessoal sobre a posição oficialmente herética da seita modernista. Em outras palavras, eles reconhecem um defeito generalizado de interpretação, uma “desorientação diabólica”, uma “autodemolição da Igreja”, que nada condiz com a natureza da Esposa Imaculada de Cristo.

O que lhes resta é dar um “significado positivo” ao Vaticano II… Mas acontece que este “dar um significado positivo” é precisamente a raiz de todo o nosso problema com o Vaticano II. Afinal, a chamada evolução dos dogmas – interpretar o antigo de um jeito diferente – é a causa do Vaticano II e todas as suas reformas. O melhor que a posição da “hermenêutica da continuidade” tem a nos oferecer é o seguinte: combater o modernismo com mais modernismo. O raciocínio é mais ou menos assim: “o remédio que os modernistas propuseram no Vaticano II não deu muito certo, hoje temos uma crise de fé generalizada. Logo, a solução é tomar uma dose concentrada do mesmo remédio!” É óbvio que a posição da “hermenêutica de continuidade” não deve ser levada a sério. 

Já a posição de Mons. Lefebvre, no que ela teve de melhor, foi de dúvida entre o que é uma blasfêmia explícita hoje (modernismo, R&R e hermenêutica da continuidade) e o sedevacantismo. É urgente, porém, sair desse dilema lefebvriano, que outrora pode ter sido prudente e bom, mas que hoje, na era de Ratzinger e Bergoglio, clama por uma decidida afirmação das prerrogativas da única verdadeira Igreja de Cristo contra as pretensões da infame e deplorável seita modernista.

São Roberto Belarmino condena o ecumenismo do Vaticano II

São Roberto Belarmino

O católico, membro da única Igreja de Cristo, não louva e aprova a doutrina ou a vida dos membros dos seitas. É isso o que São Roberto Belarmino ensina em sua obra De Controversiis (De Concilis, IV, XVI):

“A décima terceira nota é a confissão dos adversários. Pois tamanha é a força da verdade que constrange os nossos adversários mesmos a vez por outra darem testemunho, conforme Deuteronômio XIII: “O Senhor nosso Deus não é como os seus deuses, e os nossos inimigos são juízes.” Ora, nunca se encontraram católicos que tivessem louvado ou aprovado a doutrina ou a vida dos pagãos ou hereges. Sabemos, pois, que uma só é a fé verdadeira, sem a qual não há verdadeira justiça. E por isso asseveramos constantemente que erram todos os que não seguem a nossa doutrina. Mas não falam assim sobre nós os pagãos, judeus, turcos e hereges.”

(Ven. Cardinalis Roberti Bellarmini Politani S. J. Opera Ominia: Ex Editione Veneta etc. Tomus Secundus. Parisis apud Ludovicum Vivès, 1870, p. 404.)

Confronte o ensinamento de São Roberto Belarmino com a doutrina modernista sobre o ecumenismo. Comece pelas seguintes sentenças de Paulo VI e João Paulo II:

“O Segundo Concílio do Vaticano exprimiu sincera admiração pelo budismo em suas várias formas… Desejamos a Vossa Santidade e a todos os vossos fiéis abundância de prosperidade e paz.” (Paulo VI, Discurso ao Líder Espiritual Budista Tibetano, 17 jan 1975; L’Osservatore Romano, 30 jan 1975, p. 5)

“Vós sois, no seio de vosso povo, o depositário do patrimônio religioso e civil do budismo. Vós rendeis um vivo testemunho de seu espírito dentro de vossa nação. Ora, a Igreja Católica considera com estima e respeito suas riquezas espirituais; ela se reconhece solidária sob muitos aspectos e deseja colaborar convosco, como homens religiosos, pela realização da verdadeira paz e salvação do homem.” (Paulo VI, Alocução ao Patriarca Budista de Laos, 8 jun 1973; L’Osservatore Romano, 21 jun 1973, p. 5)

Honra a vós, homens do Islã… honra a vós, judeus… Honra particularmente a ti, Igreja ortodoxaDeus seja louvado por este testemunho de amor, que foi prestado pelas três grandes religiões! Possa ele crescer e ser confirmado, eliminando com o orvalho do afeto e da amizade qualquer resíduo dos focos de oposição!” (João Paulo II, Alocução, 22 mai. 2002; L’Osservatore Romano, 29 mai. 2002, p. 4)

Tendo em conta esses atos de “sincera admiração” por hereges, judeus, turcos e pagãos, você já sabe que Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI não são católicos, nem podem ser contados como membros da Igreja visível. Lembre-se sempre do que disse o Santo Doutor das Controvérsias: “nunca se encontraram católicos que tivessem louvado ou aprovado a doutrina ou a vida dos pagãos ou hereges”.

Paulo VI Sodomita: Rumor ou Realidade?

O jornal italiano L’Espresso publicou uma reportagem onde informava que Paulo VI teria sido vitima de chantagem em razão de um certo segredo. A informação confidencial seria sua suposta “irregularidade” no tocante a atos homossexuais.

O essencial do artigo foi reportado pelo Il Giornale Online, a 27 de janeiro de 2006. Em vez de negar as acusações, Paulo VI teria pedido a ajuda de seu amigo Aldo Moro, presidente do Conselho Governamental, para sufocar o boato. Isso foi relatado pelo general Giorgio Manes, que divulgou com exclusividade as suas notas confidenciais ao L’Espresso.

Existe algum sólido fundamento nesta acusação tão séria, ou seria ela apenas uma calúnia de tabloide? A reportagem traz à tona a acusação recorrente de que Paulo VI realmente teria sido homossexual. Muitas vezes se disse que a principal coisa que poderia interromper o processo de sua canonização seria que seu vício era, e ainda é, amplamente conhecido em inúmeros setores italianos.

Em seu livro, Vaticano II, Homossexualidade e Pedofilia, Atila S. Guimarães examinou essas acusações e, com base em fontes confiáveis, compôs o seguinte informe. Com sua permissão, transcrevo um excerto de seu trabalho (páginas 157 a 162, com as notas de rodapé).

Acusações contra Paulo VI

[…]

Em abril de 1976, uma declaração importante sobre Paulo VI foi feita. Em entrevista à revista italiana Tempo, o autor francês Roger Peyrefitte, um homossexual declarado, comentou sobre uma homilia (janeiro de 1976) na qual Paulo VI se pronunciou contra a homossexualidade. O escritor francês alegou que as palavras do pontífice eram hipócritas e fez essa revelação:

“O segundo pecado do qual me sinto libertado, depois desse grotesco discurso papal, é a minha homossexualidade. Em meu último livro, Cenas Furtivas, e em outro, Em torno do povo francês, eu afirmei com todo o respeito devido a um papa (especialmente quando ele ainda está vivo) que ele é homossexual. É impressionante que o discurso papal [contra a homossexualidade] tenha sido publicado no mesmo tempo que meu livro. Paulo VI foi movido por um complexo de culpa? Mas por que ele deveria se sentir culpado? Sabe-se que um namorado de Paulo VI era uma certa estrela de cinema, cujo nome eu não darei, embora me lembre muito bem dele. Ele era um ator desconhecido quando nosso amigo Paulo era o cardeal Montini, arcebispo de Milão.” (1)

Essas graves acusações (que alguns poderiam considerar abertas à discussão, dadas as características escandalosas de Peyrefitte) foram confirmadas por outro autor, um professor e jornalista sério que trabalhou no Vaticano nas dependências papais.


Sérias acusações contra Paulo VI – 30 Giorni, julho / agosto de 2001.

Os detalhes que ele relatou corroboram com as afirmações de Peyrefitte e parecem bastante dignos de crédito. Seu nome é Franco Bellegrandi, camariero di spada e cappa de Sua Santidade, do final do pontificado de Pio XII ao reinado de Paulo VI. Ele era um membro da Guarda Nobre do Vaticano, o mais distinto corpo do serviço militar papal. A Guarda Nobre – eliminada por Paulo VI – era um corpo de honra militar de elite formado por membros da nobreza romana que ajudava o pontífice em cerimônias e solenidades, bem como em funções diplomáticas cotidianas com Chefes de Estado ou importantes representantes estrangeiros.

Com credenciais confiáveis – professor de História Moderna na Universidade de Innsbruck (Áustria), correspondente do L’Osservatore Romano, autor de dois outros livros sobre o Vaticano, e condecorado com a Cruz de Ouro do Mérito da República Austríaca – ele utilizou fontes e estava a par dos fatos. Em 1994, quando seu livro Nichitaroncalli – Controvita di un Papa (Nikita Krushev e Roncalli – Aspectos Desconhecidos de um Papa) foi lançado em Roma, entre os presentes estava o Cardeal Silvio Oddi, que veio prestar seu prestígio ao trabalho e indiretamente endossar seus conteúdos.

Neste livro, Bellegrandi descreveu a situação nas dependências papais:

“Em Roma e em toda a Itália, corre o rumor de que Paulo VI é homossexual… Quando ele era arcebispo de Milão, ele foi pego pela polícia numa noite vestindo roupas civis e em companhia não tão louvável. Na verdade, por muitos anos ele disse ter uma amizade especial com um ator ruivo. Este homem não fez nenhum segredo de seu relacionamento com o futuro papa. O relacionamento continuou e se estreitou nos anos seguintes. [Depois que Montini foi eleito papa], um oficial das forças de segurança do Vaticano me contou que esse favorito de Montini era autorizado a entrar e sair livremente nos apartamentos pontifícios e que ele foi visto muitas vezes à noite tomando o elevador papal.

“A casca de banana que Paulo VI pisou e que pôs fim à natureza confiante de sua fraqueza foi a homilia sobre ética sexual proferida em janeiro de 1976, tratando de alguns pontos sobre a homossexualidade. Esta homilia provocou uma reação do escritor Roger Peyrefitte. Em 13 de abril de 1976, o semanário Tempo publicou uma entrevista com este autor (com uma reputação de boa documentação), que acusou o papa de ser homossexual e negou seu direito de ser um censor sobre o assunto. Paulo VI reconheceu oficialmente o golpe.

“Um ‘dia de reparação pela ofensa ao papa’ foi pedido. Toda a Itália, no entanto, estava rindo-se do incidente. A TV britânica fez uma entrevista com Peyrefitte, que confirmou suas acusações e expressou surpresa com a publicidade que estava recebendo.

“A primeira chantagem contra Montini foi feita pela Maçonaria assim que ele subiu ao trono de Pedro, ela o pressionou a acabar com a condenação da Igreja àqueles que pedem para serem cremados após a morte (o que ele fez). O que ela usou como ameaça foi revelar os encontros secretos entre o arcebispo de Milão e “seu” ator em um hotel em Sion, no cantão de Valais, na Suíça. Em Paris, algum tempo depois, a história por trás dessa mudança feita por Paulo VI veio à tona, com a evidência indiscutível pacientemente acumulada por um policial. ” (2)

Algumas páginas depois, Bellegrandi descreveu o que ele havia testemunhado pessoalmente:

“Outra mudança observada por aqueles naquele estreito círculo que, por causa de sua posição na hierarquia ou seus postos, costumavam passar uma grande quantidade de tempo dentro do Palácio Apostólico, foi a súbita nomeação de homossexuais para posições de prestígio e responsabilidade para junto do Papado. Esta praga infestou, transformou e devastou o Vaticano durante o tempo de Paulo VI. Já começara então [no pontificado de João XXIII], bem escondida nas barras das cortinas barrocas da Corte Pontifícia, mas, infelizmente, viva e real. Mas foi a mão distante do arcebispo de Milão, ele mesmo vítima de tal fraqueza, que discretamente os colocava um após o outro no tabuleiro de xadrez do Estado… as peças de seu jogo, caras ao seu coração.

“Esses novos personagens de alto escalão, que estavam contaminados pela mesma ‘doença’, naturalmente trouxeram consigo outras pessoas menos elevadas do mesmo gênero. Portanto, lenta mas continuamente, rumores e indiscrições começaram a fluir no Vaticano, e fatos graves começaram a ocorrer como coisa corriqueira.

“Por causa de suas funções, essas pessoas eram frequentemente vistas por nós [a Guarda Nobre]. … Eles também tinham seus favoritos, que eram os jovens efeminados que usavam uniformes elegantes e maquiagem no rosto para dissimular suas barbas. Nós (os camarieri di spada e cappa e os nobres guardas) cuidadosamente mantivemos nossa distância de seus sorrisos e cortesias. Nós nos limitávamos a cumprimentá-los à distância com a saudação militar dos saltos.

“Favoritos do Arcebispo de Milão também começaram a aparecer no nível de funcionários, e pequenos e grandes escândalos às vezes irrompiam. A Gendarmeria Pontificia [a polícia do Vaticano] teve que se orientar com cuidado… junto com essas minas flutuantes e manter um olho fechado – e às vezes os dois – para evitar que os relatórios vazassem e desencorajar alguns jornalistas afiados… Funcionários antigos e honrados que dependiam do Governatato [a administração do Estado do Vaticano] foram repentinamente demitidos ou removidos para outros postos, e esses recém-chegados foram instalados em seus lugares, todos carregando em seus bolsos cartas de recomendação do Cardeal Montini.” (3)

Guimarães termina seu capítulo apresentando o testemunho do autor espanhol Pepe Rodrigues, que afirma abertamente o que parece ser de conhecimento geral nos círculos internos da hierarquia européia e das elites, isto é, que não havia apenas muitos bispos homossexuais, mas também um “grande papa homossexual.” (4)

A reivindicação anterior, pelo menos, pode ser afirmada sem hesitação em face da crise contínua da homossexualidade que a Igreja está experimentando por causa do envolvimento ou cumplicidade de seus prelados com esses crimes. A segunda alegação, se for verdadeira, explicaria em parte a imensa complacência da mais alta cúpula em relação à homossexualidade entre os eclesiásticos.

Notas:
1. Roger Peyrefitte, “Mea culpa? Ma fatemi il santo piacere,” Tempo, 4 abr. 1976. 
2. Franco Bellegrandi, Nichitaroncalli – Controvita di un Papa (Roma: Ed. Internazionale di Letteratura e Scienze, 1994), pp. 85-86. 
3. Ibid., pp. 91-2. 4. Pepe Rodrigues, “Espana no es diferente,” El Mundo, March 19, 1995, p. 3.

HORVAT, Ph,D, Marian T. Paul VI’s Homosexuality: Rumor or Reality? In: Tradition in Action. Acesso em: 4 dez. 2018.

Bernardo Küster, Padre Paulo Ricardo e Comunismo: A Heresia Neoconservadora

Se você deseja perder a sua fé católica, torne-se um neoconservador como o sr. Bernardo Küster e o sr. Padre Paulo Ricardo. Assim você terá destruído em sua alma a virtude sobrenatural da fé, ao mesmo tempo que ostentará perante o mundo a conveniente máscara de fidelidade ao Magistério. Uma máscara somente, não se engane, pois tal fidelidade não existe.

Neste vídeo, mostrarei que o espírito herético desses homens se manifesta, por exemplo, em matéria de comunismo. Como se verá, os ditos neoconservadores não seguem nem totalmente a doutrina tradicional da Igreja, nem totalmente a doutrina pós-conciliar sobre a matéria. Por um lado, ignorando Pio XII, veneram como santos revolucionários de marca maior e alegam obediência ao sistema filomarxista edificado por eles. Por outro lado, ignorando João XXIII, não seguem a doutrina da Pacem in Terris que passou a permitir a colaboração com comunistas. Entre os dois senhores, o Magistério tradicional e o Magistério modernista, eles não servem a nenhum: servem, de fato, a si mesmos, escolhendo o que mais lhes convém. Isso faz de todo neoconservador um exemplar máximo daquela desobediência habitual que vicia na alma a virtude sobrenatural da fé.

Testemunho do embaixador Carl J. Burckardt sobre João XXIII: https://controversiacatolica.com/2018/11/27/testemunho-do-embaixador-carl-j-burckardt-sobre-joao-xxiii/

João XXIII: Precursor e Padroeiro da Teologia da Libertação: https://controversiacatolica.com/2018/11/28/joao-xxiii-precursor-e-padroeiro-da-teologia-da-libertacao-i-parte/

A Pacem in Terris de João XXIII: apologia ao liberalismo religioso e endosso ao comunismo e globalismo: https://controversiacatolica.com/2018/11/30/a-pacem-in-terris-de-joao-xxiii-apologia-ao-liberalismo-religioso-e-endosso-ao-comunismo-e-globalismo/

Pacem in Terris e abertura à esquerda: como a Teologia da Libertação nasceu da pena de João: https://controversiacatolica.com/2018/11/30/pacem-in-terris-e-abertura-a-esquerda-como-a-teologia-da-libertacao-nasceu-da-pena-de-joao/

Pacem in Terris e abertura à esquerda: como a Teologia da Libertação nasceu da pena de João

Na foto: João XXIII (Angelo Roncalli).

O filomarxismo e a associação com este não se limitou à sua versão democrática, i.e. à social-democracia, senão que se estendeu ao bolchevismo. Na encíclica Pacem in Terris, João XXIII fez uma inusitada distinção para justificar a aliança com os marxistas, que se levou a cabo com seu beneplácito:

“Cumpre não identificar falsas idéias filosóficas sobre a natureza, a origem e o fim do universo e do homem com movimentos históricos de finalidade econômica, social, cultural ou política, embora tais movimentos encontrem nessas idéias filosóficas a sua origem e inspiração. A doutrina, uma vez formulada, é aquilo que é, mas um movimento, mergulhado como está em situações históricas em contínuo devir, não pode deixar de lhes sofrer o influxo e, portanto, é suscetível de alterações profundas. De resto, quem ousará negar que nesses movimentos, na medida em que concordam com as normas da reta razão e interpretam as justas aspirações humanas, não possa haver elementos positivos dignos de aprovação?

Pode, por conseguinte, acontecer que encontros de ordem prática, considerados até agora inúteis para ambos os lados, sejam hoje ou possam vir a ser amanhã, verdadeiramente frutuosos. Decidir se já chegou tal momento ou não, e estabelecer em que modos e graus se hão de conjugar esforços na demanda de objetivos econômicos, sociais, culturais, políticos, que se revelem desejáveis e úteis para o bem comum, são problemas que só pode resolver a virtude da prudência, moderadora de todas as virtudes que regem a vida individual e social. No que se refere aos católicos, compete tal decisão, em primeiro lugar, aos que revestem cargos de responsabilidade nos setores específicos da convivência em que tais problemas ocorrem, sempre, contudo, de acordo com os princípios do direito natural, com a doutrina social da Igreja e as diretrizes da autoridade eclesiástica.” (26) Ou seja, que uma coisa é a doutrina marxista e outra a atuação dos partidos marxistas, de tal modo que o suposto partido católico, a democracia cristã, pode aliar-se com ele quando considera oportuno. O respeito à doutrina social da Igreja é retórico, posto que, como já disse, a hierarquia pós-conciliar lhe abandonou. Enquanto às diretivas da dita autoridade não haverá problema porque é ela que insta a tal aliança, e deixa a decisão nas mãos dos dirigentes daquela. Por conseguinte, Roncalli “se opôs firmemente a que a Igreja de Itália tomasse posição oficial contra a apertura a sinistra“. (27) É chamativo que esse tosco argumento, utilizado também por outras tendências pós-conciliares, não seja aplicado ao fascismo, ao nacional-socialismo e aos restantes movimentos nacionalistas.

 A dita encíclica se aparta por completo do ensinamento tradicional da Igreja e, entre outros conceitos, suplanta a Paz Cristã por um pacifismo democrático e filomarxista. (28) João XXIII encarregou a sua redação ao sacerdote Pietro Pavan, professor da Universidade Pontifícia de Latrão, antifascista e demo-cristão, com o qual estava relacionado desde há tempo. (29) Havia escrito Democrazia e crestianesimo (1952), título igual ao de Murri, onde expunha as teorias maritaineanas. (30) Para guardar as formas, Roncalli fez algumas consultas a respeito da encíclica, p. ex., a George Jarlot SJ, catedrático de sociologia da Universidade Gregoriana, “não ocultava que muitos e ele o primeiro, se haviam sentido maravilhados, senão mais bem estupefatos, ante a linguagem da encíclica: ‘Não era acaso o problema mais urgente a ameaça comunista contra o Ocidente e a civilização cristã?”. (31) Os comunistas, como é de imaginar, receberam o documento com grande alvoroço: “Na União Soviética a Trass difundia um amplo resumo da encíclica. Frases da Pacem in Terris adornavam as caminhonetes da propaganda eleitoral do partido comunista italiano, que circulavam pelas ruas de Roma.” (32)

Há pouco de iniciar-se o concílio, Roncalli já havia declarado que “temos algo mais importante que fazer que lançar pedras contra o comunismo” (33). E acerca da URSS e EUA em relação à paz mundial, na primeira entrevista de novembro de 1962 disse a Pavan: “Eu não posso supor má fé em nenhuma das partes” (34). Tudo isso explica como os soviéticos lhe concederam o prêmio da Fundação Balzan da paz (35).

“Devo sublinhar com particular amargura de meu espírito a constatação da pertinácia observada em alguns por sustentar a todo custoa chamada abertura a esquerda contra a clara decisão tomada pela hierarquia da Igreja, transparentes nas augustas manifestações verbais e escritas do Santo Padre; evidentíssima na mensagem natalícia do episcopado trivêneto, e em sucessivas comunicações repetidas de viva voz, sob a forma de amável persuasão, em público e em privado.

Deixemos que Roncalli refute Roncalli:”Certas palavras que anunciam a distensão como o remédio dos males presentes não são, em realidade, mais que um invento para adormecer as consciências e trazer-nos a confusão e a ruína (36)” No entanto, vemos que fez logo uma defesa ante o Santo Ofício de Wladimiro Dorigo, dirigente demo-cristão que propunha em seu jornal a colaboração que ele acabava de condenar. Ante a reação do Tribunal, o patriarca se viu obrigado a simular ortodoxia. Em vista das eleições municipais emitiu uma Mensagem de 6-V-1956, que já conhece o leitor, donde ratificou a proibição de que os católicos votassem nos comunistas e seus aliados socialistas, assinalando que “a preocupação permanente de quem cuida dos interesses religiosos e sociais do povo cristão é estar com o evangelho ou contra o mesmo, segundo direções definidas e seguras” (37). A 12-VIII-1956, Roncalli tornou pública uma carta onde rechaça de maneira contundente a aliança com o marxismo, que propunha na encíclica. Convém recordá-la:

“Me é doloroso assinalar também que, neste ponto, pelo que se refere aos católicos, nos encontramos ante um erro doutrinal gravíssimo; e há uma flagrante violação da disciplina católica. O erro consiste em tomar praticamente partido e associar-se com uma ideologia, a marxista, que é negação do cristianismo e cujas aplicações não podem estar de acordo com os pressupostos do Evangelho de Cristo.

“Não nos venha dizer que este caminhar para a esquerda tem um simples significado de mais sinceras e mais amplas reformas de natureza econômica; posto que também neste sentido o equívoco segue, a dizer: o perigo de que penetre nas consciências o especioso axioma de que, para realizar a justiça social, para socorrer aos pobres de toda a categoria, para impor o respeito às leis tributárias, é necessário absolutamente associar-se com os negadores de Deus e os opressores das liberdades humans e dobrar-se a seus caprichos. O que é falso nas premissas e tristemente funesto nas aplicações.

“A violação da disciplina consiste em ir direta e explicitamente contra a Igreja viva e operante, como se carecesse de autoridade e competência nesta grave matéria, para por-se em guarda contra aproximações e compromissos que se julgam perigosos.

“Ou estamos com a Igreja, e seguimos suas normas e merecemos o nome de católicos. Ou preferimos obrar por conta própria, promover e favorecer divisões e secessões, e devemos então assumir a responsabilidade conseguinte: o nome de católica já não nos pertence” (38).  

26 – Juan XXIII, Pacem in Terris, IV, Relaciones entre católicos y no católicos en el campo económico-social-político pp. 50-51.

27 – Zizola, ob. cit., p. 159; v. it. pp. 278-286.

28 – O pacifismo parte da ideia errada da paz perpétua, negada pela história e pela natureza humana. Por outra parte, a paz não se alcança pela utopia do desarmamento senão pelo justo ordenamento entre os Estados, como ocorreu durante a Cristandade, onde não existiram guerras universais e os conflitos, ainda que sangrentos, eram em realidade “querelas de família”. O pacifismo, que desarma as consciências e debilita o caráter, é um instrumento útil do comunismo. É o complemento do antimilitarismo, que ensinam os comunistas para abater seus inimigos, mas logo, no poder, formam um exército maior do que o deles e desenvolvem uma política belicista, certamente em nome da paz e contra os agressores dos povos. O antimilitarismo não se achava ausente no seminarista Roncalli, que logo que cumpriu o serviço militar (X/1901-X/1902) escreveu em seu Giornale dell’anima: “O exército é uma fonte desde onde aflui a podridão para inundar a cidade” (v. João XXIII, Diario del alma y otros escritos piadosos, pp. 154-155, Madrid, 1964, apud Zizola, ob. cit., p. 45).

29 – Zizola, ob. cit., p. 28.

30 – Ib.

31 – Ib., p. 39.

32 – Ib., pp. 159-160.

 33 – Estas palavras de João XXIII foram recolhidas por Henri Fesquet (v. Zizola, ob. cit., p. 39).

34 – P. Pavan, Intrevista sulla “Pacem in Terris”, CORRIERE DELLA SERA, 11-IV-1963, apud Zizola, ob. cit., p. 29.

35 – Zizola, ob. cit., p. 147 et passim.

36 – Cardeal Roncalli, Notificação de 14-XII-1955, em id., Scritti e Discorsi, vol. II (1955-1956), p. 265, Roma, 1959, apud Zizola, ob. cit., p. 289. Recorda-se que a por causa da “admoestação de Pio XII”, o então patriarca de Veneza redigiu esse documento para condenar o que depois seria chamado de apertura a sinistra (v. cap. 32, A, § 4).

37 – Ib., p. 296.

38 – Ib. pp. 296-297.

RIVANERA CARLÉS, Federico. La judaización del cristianismo y la ruina de la civilización. 3 vol. Buenos Aires: Instituto de Historia S. S. Paulo IV, 2008, pp. 87-90.