Como se tornar um apologista conciliar em sete passos

Siga os seguintes passos para se tornar o mias incansável combatente do protestantismo no século XXI. Sim senhor, neste vídeo você vai aprender a ser um verdadeiro apologista conciliar.

1º Passo – Convide membros de seitas heréticas de todas as partes do mundo para ocuparem a honrada posição de observadores em seu Concílio Ecumênico Vaticano II. Neste mesmo Concílio, não somente deixe que eles atuem como grupos de pressão dentro e fora das sessões conciliares, mas ainda faça-lhes o grande favor de chamar as suas seitas heréticas de “meios de salvação” em seu famoso decreto sobre a unidade dos cristãos. No mesmo documento, aplauda e diga que tomará parte ativa nas iniciativas do movimento ecumênico, sem se importar com o fato de que o Papa Pio XI escreveu que “quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.” (Papa Pio IX, Mortalium Animos, n. 3, 6 jan. 1928). [1]

2º Passo – Faça um Missa Nova com o auxílio de seis pastores protestantes, removendo sistematicamente de suas orações qualquer alusão a conceitos desagradáveis aos seus queridos irmãos separados, tais como o conceito de inferno, julgamento divino, ira de Deus, castigo pelo pecado, perversidade do pecado como o maior de todos males, desapego do mundo, purgatório, as almas dos defuntos, o Reinado de Cristo sobre a Terra, o triunfo da fé católica, os males da heresia, do cisma e do erro, a conversão dos acatólicos, os milagres e etc. [2]

3º Passo – Se você for um apologista italiano, dê o seu anel episcopal ao pseudo-Arcebispo Anglicano da Cantuária, se você for um apologista polonês, vá além e lhe dê uma bela cruz peitoral. [3] Mas se você for um apologista latino-americano, ah… se você for um apologista latino-americano, dê a ele logo uma réplica do báculo de São Gregório Magno. [4]

4º Passo – Realize no seu continente um Congresso Eucarístico Internacional onde protestantes são autorizados pelos bispos a receberem a Santa Comunhão. E mais: permita que eles discursem livremente em uma “Celebração da Palavra” ecumênica, deixando que eles chamem o Concílio Vaticano II de uma segunda edição bem-sucedida da Reforma Protestante e ainda digam que sofrem muita discriminação por parte dos católicos. Lembrando que tudo isso deve acontecer dentro de um Congresso Eucarístico com o apoio de todo clero conciliar, inclusive do legado apostólico apontado pelo papa. [5]

5º Passo – Autorize uma comissão mista de católicos e protestantes e depois de muito estudo e discussão, passe a ver Lutero “como uma testemunha do Evangelho, como um mestre na Fé, como um paladino da renovação espiritual”. [6] E quando o devido tempo chegar, não deixe de louvar a Confissão de Augsburgo, um documento chave da revolta luterana contra o catolicismo e a cristandade. [7]

6º Passo – Já que você deseja ser um rottweiler da fé como Joseph Ratzinger, assine uma declaração conjunta com os luteranos, dizendo que os anátemas do Concílio de Trento não se aplicam mais à doutrina protestante da justificação somente pela fé, afirmando juntamente com eles que “tudo o que, no ser humano, precede ou se segue ao livre presente da fé não é fundamento da justificação nem a faz merecer”. [8]

7º Passo – Comemore com toda a pompa os 500 anos de Revolta Protestante, com direito a um selo postal com a foto de Lutero e muitos e muitos encontros ecumênicos… tudo isso feito em honra deste acontecimento memorável. [9] Sim, deste acontecimento que segundo São Pio X foi obra de “homens orgulhosos e rebeldes, inimigos da Cruz de Cristo, homens de sentimentos terrestres que não tinham por Deus senão o próprio ventre” e foi, nas palavras de Pio XI, a “origem dessa apostasia da sociedade da Igreja, cujos efeitos dolorosos e funestos toda alma honesta hoje deplora”. [10]

Esses são passos importantes que você deve dar se deseja se tornar um verdadeiro apologista conciliar. Em suma, você vai precisar de muito diálogo e nenhuma apologética. Afinal, você não vai querer pecar contra o ecumenismo, não é?

Jogue fora aquele seu empoeirado manual de apologética pré-Vaticano II e desconsidere aqueles livros de ex-protestantes made in USA. Estamos na era Vaticano II, onde Lutero é um herói e seus atos de cisma e heresia são tidos como testemunho do Evangelho; estamos na era em que os responsáveis pela quase extinção do nome católico de países como a Inglaterra são dignos de anel episcopal, cruz peitoral e báculo papal. É realmente uma grande perda de tempo insistir na defesa da fé católica dentro de uma igreja ecumênica, totalmente aberta a todo tipo de heresia e blasfêmia contra o nome de Deus.

No entanto, se você deseja ser um apologista de verdade, se você deseja realmente converter almas para a única verdadeira Igreja de Cristo, afaste-se de uma vez desses cúmplices e bajuladores da iniquidade alheia.

Rompa com a seita do Vaticano II, rompa com os seus falsos papas, rompa com esse ecumenismo apóstata que não agrada a Deus. Na verdade, essa é a única maneira de defender a fé católica em nosso tempo.

Mas, se você quiser defender a fé dentro da seita conciliar, siga os passos que foram mencionados e pisoteie na memória de todos os santos que preferiram antes morrer do que se associar com os hereges.

FONTES:

1 – 63 Non-Catholic Observers Attending Second Session https://vaticaniiat50.wordpress.com/2013/09/27/63-non-catholic-observers-attending-second-session/; Number of Observers Nearly Doubles Since Start of Council https://vaticaniiat50.wordpress.com/2015/09/17/number-of-observers-nearly-doubles-since-start-of-council/; Pe. Joaquín Sáenz y Arriaga, The New Montinian Church, pp. 100-113 p. 159.

2 – As 62 razões para não assistir à Missa Nova https://www.fsspx.com.br/as-62-razoes-para-nao-assistir-a-missa-nova/; Pe. Anthony Cekada, Work of Human Hands: A Theological Critique of the Mass of Paul VI.

3 – “Em 1966, o Papa Paulo VI deu ao Arcebispo Michael Ramsey seu próprio anel espicopal, que foi guardado pelos seus sucessores e que eu estou usando hoje. Alegra-me agradecer-vos pelo presente pessoal da cruz peitoral, a mim enviada na ocasião de minha entronização no começo deste ano. Quando assumia o meu novo ministério, agradou-me profundamente esse sinal de trabalho compartilhado…” (Rowan Williams, “Arcebispo” Anglicano de Cantuária, a João Paulo II, 4 out. 2003; L’Osservatore Romano, 8 out. 2003, p. 9.)

4 – Pope Francis and Archbishop Welby exchange gifts http://www.anglicannews.org/multimedia/pope-francis-and-archbishop-welby-exchange-gifts.aspx; Archbishop gives Cross of Nails to Pope as symbol of reconciliation partnership https://www.archbishopofcanterbury.org/speaking-and-writing/articles/archbishop-gives-cross-nails-pope-symbol-reconciliation-partnership.

5 – Pe. Joaquín Sáenz y Arriaga, The New Montinian Church, pp. 100-113.

6 – Pe. Mathias Gaudron, Catecismo Católico da Crise na Igreja, p. 109.

7 – João Paulo II, Discurso por ocasião do 450º Anivrsário da “Confessio Augustana” https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/speeches/1980/june/documents/hf_jp-ii_spe_19800625_confessio-augustana.html.

8 – Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (cf. nn. 25 e 41) http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/chrstuni/documents/rc_pc_chrstuni_doc_31101999_cath-luth-joint-declaration_po.html

9 – Vaticano emite selo comemorativo pelos 500 anos da Reforma https://noticias.cancaonova.com/mundo/vaticano-emite-selo-comemorativo-pelos-500-anos-da-reforma/ e etc.

10 – Qual é a doutrina católica sobre o ecumenismo? https://controversiacatolica.com/2018/06/11/qual-e-a-doutrina-catolica-sobre-o-ecumenismo/

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A catequese modernista é um desastre. Solução? Mais modernismo!

A catequese modernista é um desastre. Solução? Mais modernismo!

Os modernistas mais moderados estão dispostos a reconhecer o seu fracasso, mas unicamente para ter mais um motivo para repeti-lo em dose maior.

É assim que eles concluem ilogicamente que o fracasso de uma catequese centrada na imanência vital, existencialista e antropocêntrica, deve ser remediado com uma catequese ainda mais centrada na imanência vital, mais existencialista e mais antropocêntrica. É assim que eles deduzem que o fracasso da experiência religiosa modernista, em voga desde o Vaticano II, deve ser corrigido com a Nova Evangelização de Bento XVI, isto é, com a intensificação da mesma experiência religiosa modernista. De fato, para os ratzingerianos de carteirinha o dogma tem que permanecer por toda a vida como o servente da fé existencial, vivida e entendida a la Martinho Lutero.

Donde logicamente concluímos nós que um modernista moderado como o Padre Paulo Ricardo em suas explicações mirabolantes para salvar o Vaticano II procede tal e qual o Cardeal Piacenza, aquele representante infalível do absurdismo ratzingeriano: ele admite o pecado para poder pecar mais fortemente, ele reconhece o fracasso na iniciativa dos neoteólogos, mas sua solução consiste em injetar mais uma dose de Nova Teologia nas veias do cadáver conciliar:

“A quase cinquenta anos depois do Concílio Ecumênico Vaticano II, devemos reconhecer como a própria vida moral, tanto dentro como fora da Igreja, tem sido terrivelmente enfraquecida pela insuficiente catequese, por uma educação incapaz, talvez, de dar as razões das demandas do Evangelho e mostrar, na experiência existencial concreta [= perspectiva modernista da fé como experiência religiosa, existencialismo], como elas são extraordinariamente humanizadoras [= antropocentrismo]. Tudo isso [= toda essa desgraça que vem acontecendo desde o Vaticano II] certamente não por culpa do Concílio!”

(Cardeal Mauro Piacenza, Iniziazione cristiana e nuova Evangelizzazione,
Convegno internazionale sulla catechesi promosso dalla CCEE, 8 mai. 2012, p. 2.)

A culpa nunca é do Concílio, nem dos que implementaram as reformas conciliares e tampouco dos agentes de todo este rebuliço febril que tem sido feito em torno da catequese desde o Vaticano II. Todavia, curiosamente o bastante, a data da crise da catequese começa exatamente com o Concílio e ninguém ouse dizer que a culpa foi a falta de recursos ou a inércia! Quanto barulho, quantos recursos, quantas formações, quantas novas experiências foram feitas de lá para cá!

Mas, na mente do ratzingeriano, tanto a causa da decadência quanto o remédio proposto tem de ser um e o mesmo, trata-se do conceito-chave do Concílio: a fé como experiência religiosa, conceito este – nunca é demais recordar – condenado na Pascendi de Sua Santidade o Papa São Pio X.

Será que o Cardeal Piacenza e o Padre Paulo Ricardo são incompetentes ao ponto de não saberem analisar um conceito teológico em si mesmo e nas suas implicações lógicas e históricas? Não, eles certamente não são incompetentes, eles são muito capazes de compreendê-lo bem e em todas as suas implicações, afinal, eles aprenderam filosofia e sabem fazer tudo isso e muito mais. É mais provável que eles tenham medo de perder o emprego ou então, na hipótese mais elevada e ainda assim culpável, seja-lhes demasiado custoso reconhecer que passaram a vida inteira acreditando e ensinado os erros de seus falsos heróis.

Leia também: Explicação do beijo no Corão a partir da fé católica e da gnose modernista

Explicação do beijo no Corão a partir da fé católica e da gnose modernista

Artigo dedicado à página Teologia da Deslibertação, Bernardo Pires Küster e Padre Paulo Ricardo.

O católico beija a Bíblia, a Santa Cruz, o Rosário, coisas que ele ama e aprova. João Paulo II beija todas essas coisas, mas também dá um beijo no Corão. É um gesto simbólico, ninguém o nega, e não deve nos escapar o seu sentido profundo. Olhando esta cena estranha desde a perspectiva do Calvário, o beijo no Corão significa que, guardadas as proporções, a obra do diabo merece a mesma veneração que a obra de Deus, que a obra do infiél Maomé merece a mesma veneração que a obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Você consegue entender o quanto isso é satânico?

Se você não percebe a gravidade disso, eu lhe pergunto, o que restou da sua fé, ou melhor, em que coisa monstruosa ela se transformou? É tempo de ver as coisas como elas realmente são, sem apoiar-se em filosofias profanas como fez João Paulo II e sua facção modernista. É tempo de ver que o Corão é uma obra detestável aos olhos de Deus e a causa da morte de milhares de cristãos, membros do corpo místico de Jesus Cristo. É ainda tempo de ver que Karol Wojtyla, que o mundo chamou de João Paulo II num dos períodos mais dramáticos da história da Igreja, foi um traidor da fé e um apóstata dos mais satânicos que este mundo já conheceu. E sejamos bem objetivos: ele foi muito pior do que Lutero, pois este não ousou levar a sua impiedade a este grau de indiferença e desprezo a tudo o que é mais sagrado. Muito pior realmente, porque Lutero exaltou o juízo do homem por meio da Bíblia, que em si mesma é boa, ao passo que Wojtyla exaltou o juízo do homem por meio de todas as religiões, o que ele fez no Encontro de Assis e reiterou diversas vezes. Hoje recordamos o lamentável episódio do beijo no Corão.

Se alguém quiser compreender o porquê ele é capaz de fazer isso sem remorsos, eu digo em poucas palavras que é porque ele acreditava na imanência vital, uma doutrina modernista condenada por São Pio X e incompatível com a fé cristã. É uma doutrina profana adotada por todos os modernistas.

Segundo a imanência vital, o homem não conhece a Deus por meio de dogmas, mas sim por meio da experiência religiosa. Essa experiência nasce no íntimo do coração de cada homem, ela é essencialmente prática e se manifesta na vida da pessoa. Essa ideia certamente supõe o agnosticismo anatematizado por três vezes no Concílio Vaticano I e já está implicada no conceito luterano de fé fiducial, isto é, uma fé que nasce da confiança, de uma certeza interior e não da crença em dogmas definidos. Donde se pode dizer que todo modernista é filho de Lutero. No entanto, a imanência vital do modernista não é idêntica a de Lutero, pois Lutero confinava a experiência ao contato com a Sagrada Escritura, enquanto o conceito modernista amplia o escopo dessa experiência para todas as “tradições religiosas” (exatamente ao modo do perenialismo de René Guénon et caterva).

Embora o cristão faça a sua experiência de Deus a partir da Bíblia, todos os homens têm essa experiência pessoal com Deus, cada qual em sua respectiva religião. Em realidade, segundo essa perspectiva, até mesmo o ateu tem certa experiência religiosa a partir de sua experiência da ausência de Deus. É por isso, aliás, que devemos dialogar com todos e aprender de todos.

De fato, Deus se manifesta ao homem no íntimo do coração, as religiões são o “gatilho” pelo qual essa experiência com o sagrado se produz na consciência humana e nela se desenvolve. É daí que nascem os dogmas e daí também que se depreende o valor das várias “tradições religiosas”: todas elas são meios pelos quais o homem tem sua experiência de Deus e – é muito importante acrescentar – todas elas são meios pelos quais o homem “dá testemunho” de sua experiência pessoal, isto é, por onde ele a dogmatiza e cristaliza através de diferentes formulas, ritos e leis. Neste sistema, convém salientar, a experiência religiosa do crente somente se inspira e exprime na religião, porém a sua origem verdadeira, a raiz de todas as religiões, dogmas, ritos e leis, é o próprio homem que alega ter recebido uma revelação no íntimo de seu coração. Como a experiência humana se aprofunda e progride com o tempo, assim também a religião do homem deve igualmente mudar com ele e deve ir se aperfeiçoando com o passar do tempo.

É a partir dessa perspectiva que um Vaticano II pode ser concebido e é assim que se sustenta uma Igreja permanentemente conciliar, que vive de atualizações feitas mediante periódicas “consultas à Igreja”.

Sem querer aprofundar a matéria aqui – em outro momento o faremos, haveria realmente muito que dizer sobre a consequente crença de João Paulo II na salvação universal e outros tópicos -, convém reforçar o que já foi dito sobre a imanência vital a partir do próprio Wojtyla:

“O Espírito Santo não está presente nas outras religiões somente através de expressões autênticas de oração. A presença e ação do Espírito, assim como escrevi na carta encíclica Redemptoris Missio, ‘afeta não somente indivíduos, mas também a sociedade e a história, povos, culturas e religiões.’”

“Normalmente, será pela prática sincera daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas e seguindo os ditames de sua própria consciência que os membros de outras religiões respondem positivamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo enquanto eles não o reconhecem ou aceitam como seu Salvador.” (As sementes da Palavra nas religiões do mundo, 9 set. 1998)

É aí que vemos com claridade solar o quanto, na cabeça de João Paulo II, a fé católica e dogmática foi substituída pela experiência religiosa gnóstica, isto é, pelo conceito herético e profano de imanência vital. Já que as outras religiões são obra do Espírito Santo, instrumentos por meio dos quais as pessoas têm a sua experiência pessoal com Deus, sem o intermédio da revelação externa, sem os dogmas da religião, por que não dar um beijo no Corão?

João Paulo II está bem certo da salvação dessas almas e reza com elas e não por elas, pois ele crê na imanência vital. O Islã é uma tradição religiosa, na qual as pessoas podem ter uma verdadeira experiência de Deus, ele é um instrumento do Espírito, onde este atua revelando-se a si mesmo no íntimo do coração de cada indivíduo e, porque não dizê-lo, até mesmo na “consciência coletiva” dos membros da religião islâmica. Jesus Cristo veio para os cristãos, Maomé veio para os muçulmanos. Embora possa existir alguma superioridade na revelação de Cristo – ele não ousaria negá-lo -, trata-se apenas da diferença de meio e não de espécie, como aquela entre dois carros com motores de diversa potência, contudo ambos os veículos nos permitem acessar a mesma experiência íntima com Deus. Sendo assim, por que não dar um beijo o Corão?

É assim que um homem começa na heresia e termina na apostasia. É assim que um homem começa querendo seguir mestres profanos e termina fazendo neste mundo a obra de Satanás. É assim que o modernismo resvala no satanismo.

É conveniente encerrar esta reflexão com o entendimento católico sobre a matéria, especialmente naquilo que ele se opõe ao conceito de João Paulo II e seus gurus gnósticos. É possível sintetizá-lo nos seguintes três pontos:

1. A natureza da fé. A fé é a submissão da inteligência e da vontade ao que Deus revela por causa da autoridade do próprio Deus. Ela consiste na assimilação de uma revelação pública e externa que Deus confiou a Igreja na forma de dogmas e preceitos salutares. É verdadeiro conhecimento científico, moral e histórico, com a vantagem de desfrutar da assinatura de Deus que não engana e nem se pode enganar. É por isso que a ciência, a moral e a história devem docilmente se curvar perante a fé. Não se trata de uma experiência interior e pessoal, não é um conhecimento prático e existencial, formado na consciência humana a partir do contato direto com a “realidade divina” (o “sentimento religioso” dos filósofos) e que somente depois vai ser traduzido na forma de dogmas de acordo com a condição dos tempos. Não, a fé não é o reviver e desenvolver as experiências expressas nessas antigas formulas da religião (compendiadas nas diversas “tradições religiosas”), mas o assentir às verdades imutáveis da única religião revelada porque Deus assim revelou e confiou à Igreja, conforme provam principalmente os milagres e as profecias. (cf. Papa São Pio X, Pascendi, passim)

2. A importância da conversão. Nenhuma pessoa visivelmente fora da Igreja pode estar segura de sua eterna salvação, absolutamente nenhuma. A perspectiva católica está muito longe do desalmado otimismo modernista. As falsas religiões não são meios de salvação, mas meios de perdição inventados pelo demônio como causa remota, pelo mundo como causa próxima e pela carne como causa imediata. Elas privam as pessoas dos inumeráveis auxílios e graças que somente se pode obter com o ingresso no corpo da Igreja pelo batismo. (cf. Papa Pio XII, Mystici Corporis, n. 100)

3. A importância da oração pela conversão. A caridade nos obriga a “desejamos que sem interrupção subam até Deus as orações de todo o corpo místico [ou seja, de toda a Igreja] implorando que os errantes entrem quanto antes no único redil de Jesus Cristo” (ibidem, n. 101). Ninguém aqui irá rezar com os hereges e infiéis pela paz no mundo, como fez João Paulo II, mas todos nós rezaremos pela conversão dos hereges e infiéis para que entrem no redil de Cristo.

Façamo-lo, pois, e guardemos sem desvios a santa fé que recebemos da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. E façamo-lo por inteiro, o que implica o grave dever de repudiar esta seita modernista, esta bastarda protestantico-gnóstica, mais conhecida como Igreja pós-conciliar.

Eis alguns artigos que podem ser úteis como complemento do que foi dito acima:

Os coroinhas de Bernardo Küster e Padre Paulo Ricardo: Resposta à Teologia da Deslibertação

OS COROINHAS DE BERNARDO KÜSTER E PADRE PAULO RICARDO

Notas ao vídeo:
1 – “Pacto de Moscou”, leia-se Pacto com Moscou ou Pacto Vaticano-Moscou. Denunciado primeiramente por Jean Madiran em O Acordo Vaticano-Moscou, Itinieres, No. 84, junho de 1964 e disponível em inglês no Fatima Crusader, n. 16, set-out 1984 (Constable, N.Y.). Ato de alta traição somente superado pela ida de Paulo VI à Sede da ONU e pelo próprio Concílio Vaticano II.

2 – O mencionado livro do Dr. Pe. Joaquín Sáenz y Arriaga S.J. Ph.D  chama-se La Nueva Iglesia Montiniana, publicado no México em 1971. A obra foi traduzida para o inglês e encontra-se disponível no Internet Archive sob o título “The New Montinian Church” etc.  É de conhecimento geral que Pe. Sáenz também foi o co-autor da importante obra Complotto contro la Chiesa, publicada exatamente em Roma durante a abertura do Vaticano II. Ela foi traduzida para vários idiomas. A obra denunciava de antemão aquilo que eventualmente seria executado nas sessões do Concílio Vaticano II.

3 – O Seminário São José realizará o Retiro Vocacional em Atibaia-SP entre os dias 6 e 11 de janeiro de 2019. Eis o banner do evento: https://www.facebook.com/2017118301688457/photos/a.2017611154972505/2174528915947394/?type=3&theater 

4 – Papa doa 100 mil euros para a construção do primeiro mosteiro ortodoxo na Áustria, publicado a 7 mar. 2018 no The Tablet, disponível em: https://www.thetablet.co.uk/news/8686/pope-donates-100-000-euros-90-000-towards-first-orthodox-monastery-in-austria

5 – Demais explicações podem ser encontradas no artigo abaixo.

 RESPOSTA À TEOLOGIA DA DESLIBERTAÇÃO

Os argumentos da Teologia da Deslibertação são três. O primeiro afirma que os sedevacantistas merecem o título de hereges; o segundo diz que os sedevacantistas nada fazem de concreto para ajudar o próximo; o terceiro alega que o sedevacantismo é coisa de criança. Os três argumentos são fáceis de refutar e revelam o escasso conhecimento que nossos oponentes possuem dos temas em questão.

1. SEDEVACANTISTAS MERECEM O TÍTULO DE HEREGES

O primeiro raciocínio se diz assim:

Batizados que não professam a fé católica são chamados de hereges. 
Os sedevacantistas não professam a fé católica.
Logo, os sedevacantistas devem ser chamados, sem eufemismo, de hereges.

Este raciocínio é falso de acordo com (a) a doutrina do Vaticano II e (b) a fé católica.

a) Falso conforme a doutrina do Vaticano II

Primeiramente, digo que o raciocínio inteiro não condiz com a doutrina ecumênica do Vaticano II, a qual os “teólogos da deslibertação” se dizem fiéis.

Na ótica do Vaticano II, a premissa maior e a menor são falsas, pois os supostos bispos e papas pós-conciliares propõem uma “evolução de mentalidade” nas relações com os hereges, segundo a qual eles ora devem ser ouvidos e tratados como nossos irmãos, deixando-se de lado as excomunhões do passado e empregando “vocábulos mais orientados a ressaltar a profundidade da comunhão”. Este é o fim da apologética e o princípio do “diálogo”, este é o fim da pregação apostólica e a retomada das conversações do Éden, na qual a seita modernista, tal qual Eva no Velho Testamento, dialoga com a astuta serpente. A “caridade sem fé” dos modernistas é tamanha que lhes parece boa coisa até ir além: eles chegam ao ponto excessivamente escandaloso de emprestar suas igrejas aos hereges e contribuir com grandes somas de dinheiro para o progresso de suas seitas.

Se os teólogos da deslibertação fossem fiéis aos seus princípios, eles deveriam ou romper com essa mentalidade herética, ou abraçá-la de uma vez. De um ponto de vista bastante concreto, deveriam ou tornar-se sedevacantistas como eu ou modernistas como os teólogos da libertação.

Provas.
I. “Acontece, por exemplo, que — segundo o espírito mesmo do Sermão da Montanha — os cristãos pertencentes a uma confissão já não consideram os outros cristãos como inimigos ou estranhos, mas vêem neles irmãos e irmãs. Por outro lado, mesmo a expressão irmãos separados, o uso tende hoje a substituí-la por vocábulos mais orientados a ressaltar a profundidade da comunhão — ligada ao carácter batismal — que o Espírito alimenta, não obstante as rupturas históricas e canônicas… Tal ampliação do léxico traduz uma notável evolução das mentalidades.” (João Paulo II, Ut unum sint, n. 42, 25 mai. 1995)

II. “A ‘fraternidade universal’ dos cristãos tornou-se uma firme convicção ecumênica. Deixando para trás as excomunhões do passado, as Comunidades antes rivais hoje, em muitos casos, ajudam-se mutuamente; às vezes os edifícios para o culto são emprestados…” (João Paulo II, Ut unum sint, n. 44, 25 mai. 1995)

III. “Mas podemos definir a ação requerida ainda mais claramente nos termos do diagnóstico acima. Isso significa que o católico não insiste na dissolução das confissões protestantes e na demolição de suas igrejas, mas em vez disso espera que eles sejam fortalecidos em suas confissões e realidades eclesiais.” (Joseph Ratzinger, Principles of Catholic Theology, 1982, p. 202)
Ratzinger se refere ao modelo da “unidade na diversidade”, que ele empresta do teólogo luterano Oscar Cullmann. (cf. RICOSSA, Don Francesco. Ratzinger protestante? Al 99%. Sodalitium Pianum, nº 33, abr. 1993, pp. 3-10).
IV. Segundo Ratzinger, é necessário que todas as Igrejas sejam purificadas e reduzam sua fé ao essencial. Isso soa protestante, mas não admira nada, vindo da boca de Ratzinger, um luterano disfarçado. É preciso perseverar “no caminhando juntos (…), na humildade que respeita o outro, mesmo quando a compatibilidade na doutrina ou na prática da Igreja ainda não foi alcançada; consiste na disposição de aprender do outro [= herege] e de ser corrigido pelo outro [= herege], com alegria e gratidão pelas riquezas espirituais do outro [= herege], numa permanente “essencialização” da nossa fé [conceito herético de Feuerbach], da doutrina e da prática que devem ser sempre purificadas e alimentados pela Escritura, com os olhos fixos no Senhor…” (30 Giorni, nº 2, pp. 67-68 apud RICOSSA, 1993, p. 8)

V. “Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo. Segue-se daqui, como consequência lógica, que devemos ter a peito a unidade dos crentes. De fato, a sua desunião, a sua contraposição interna põe em dúvida a credibilidade do seu falar de Deus [supondo que os hereges são cristãos e que a Igreja não é una]. Por isso, o esforço em prol do testemunho comum de fé dos cristãos [inclusive dos hereges] – em prol do ecumenismo – está incluído na prioridade suprema.” (Bento XVI, Carta aos bispos a respeito da remissão da excomunhão aos quatro bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, 10 mar. 2009)

b) Falso segundo a doutrina católica

Do ponto de vista da fé católica, o sedevacantismo não é herético, nem cismático. O suposto “anátema ao sedevacantismo” dos teólogos da deslibertação é má interpretação e falta de critério teológico.

Este erro já foi refutado por mim em diversas ocasiões, eis as três mais memoráveis:

Carlos Nougué: Paranoia ou Mistificação? https://controversiacatolica.com/2018/08/11/carlos-nogue-paranoia-ou-mistificacao/

Resposta à Ordem da Vera Cruz: https://controversiacatolica.com/2018/07/16/resposta-a-ordem-da-vera-cruz/

Os perpétuos sucessores e a visibilidade da Igreja: https://controversiacatolica.com/2018/05/07/os-perpetuos-sucessores-e-a-visibilidade-da-igreja/

2. OS SEDEVACANTISTAS NADA FAZEM DE CONCRETO PARA AJUDAR O PRÓXIMO

O segundo raciocínio se diz assim:

Os verdadeiros católicos ajudam o próximo concretamente.
Os sedevacantistas nada fazem de concreto para ajudar o próximo.
Logo, os sedevacantistas não são verdadeiramente católicos ou, pelo menos, não são bons católicos.

Este raciocínio é falso, porque (a) supõe uma caridade sem fé (à imagem e semelhança da Teologia da Libertação) e (b) ignora de todo nossas concretíssimas atividades.
 
a) Supõe uma caridade sem fé

Eis aqui um tropeço tipicamente modernista. Conforme a perspectiva “pastoral” dos “agentes de pastoral” da Teologia da Deslibertação, instruir os ignorantes e repreender os pecadores não são mais obras de misericórdia, frutos da mais genuína caridade cristã, não! É preciso daquele ativismo que põe a fé em segundo plano, que ajuda o próximo com pão ou discursos demagógicos. Essa perspectiva “pastoral” certamente os aproxima muito da Teologia da Libertação. O princípio é essencialmente o mesmo: ajudar o próximo concreta e pastoralmente é algo que ultrapassa os limites da fé (esse falso e absurdo conceito da “pastoral” foi disseminado sobretudo por João XXIII e Paulo VI). Contra eles disse São Pio X: “rebeldes são aqueles que professam e difundem sob formas sutis os erros monstruosos… sobre adaptação aos tempos em tudo, no falar, no escrever e no pregar uma caridade sem fé, muito terna aos incrédulos, que abre a todos infelizmente o caminho da eterna ruína.” (Discurso aos novos cardeais, 17 abr. 1907)

Nós, porém, dizemos que “Sine fide impossibile sit placere Deo: Sem a fé é impossível agradar a Deus.” (Heb. XI, 6) Sem a fé verdadeira não há verdadeira caridade. É inútil, portanto, toda essa pastoral que despreza o fundamento da fé. Se o nosso trabalho de divulgação da doutrina católica não lhes parece algo concreto para ajudar o próximo, então eles não reconhecem a necessidade da fé para as obras de caridade e a comunicação da fé como uma grandiosa obra de caridade. Nesse raciocínio, supõem aquele filantropismo que anima tanto os teólogos da libertação, quanto os teólogos do ecumenismo, dentre os quais ocupa um lugar de destaque o alemão e neoteólogo Josef Ratzinger.

b) Ignora nossas atividades

Além da Teologia da Deslibertação possuir um viés muito semelhante ao da Teologia da Libertação, ela possui outra qualidade própria de comunistas: ela se fez perita em desinformação, de modo que poderíamos chamá-la de Teologia da Desinformação. Mente sobre nosso apostolado, cria uma “versão da história” que não corresponde aos fatos.

Eis algumas coisas concretas que o nosso apostolado realizou neste semestre:

I. Retiro inaciano na Argentina com sacerdotes tradicionais;
II. Reunião com Sua Excia. Rev. Mons. Daniel Dolan, especialmente sobre o apostolado sedevacantista no Brasil;
III. Reunião com o Padre Rodrigo da Silva sobre o Seminário São José, primeiro seminário sedevacantista do Brasil.

Essas são algumas atividades bem concretas de nosso modesto apostolado. Atividades que nos exigem um sacrifício adicional, porque nossa saúde não é das melhores..

3. SEDEVACANTISMO É COISA DE CRIANÇA

Este não é bem um raciocínio, trata-se de um juízo preconceituoso, um juízo bastante burro por sinal. Com efeito, quem já ouviu falar nos nomes do Dr. Pe. Joaquín Sáenz y Arriaga S.J. Ph.D. e do Dr. Dom Michel-Louis Guérard des Lauriers, O.P., os dois grandes proponentes do sedevacantismo na década de 1970, sabe que o sedevacantismo é coisa de gente culta, valente e fiel.

É ainda ignorância da própria história da Teologia da Libertação, uma vez que o sedevacantismo aqui na América Latina surge sobretudo como reação à Teologia da Libertação, instalada neste continente sob os auspícios do apóstata público e notório Paulo VI.

CONCLUSÃO

A Teologia da Deslibertação seria realmente contrária à Teologia da Libertação se assumisse a postura de Padre Joaquín Sáenz y Arriaga, o primeiro homem a bater de frente com os semeadores da Teologia da Libertação na América Latina! Eles deveriam ler, de capa a capa, seu livro chamado A Nova Igreja Montiniana a fim de aprender, a partir de fontes primárias, quando, onde e como nasceu a Teologia da Libertação. Somente assim o anticomunismo deles será verdadeiramente católico, porque por ora o seu anticomunismo se fundamenta em um conceito partidário de Igreja, importado do protestantismo, como se a convivência com o “outro partido”, o partido dos “bispos comunistas” e outros tipos heréticos, fosse inevitável e digna de um católico.
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Como se tornar um santo conciliar (versão Paulo VI)

COMO SE TORNAR UM SANTO CONCILIAR (VERSÃO PAULO VI)

Siga os seguintes passos para se tornar um santo segundo o exemplo de “São” Paulo VI.

1º – Quando estiver em Nova Iorque, não deixe de ir até a Sede da ONU para dizer entre comunistas e maçons que ela com a sua Nova Ordem Mundial, “representa o caminho obrigatório da civilização moderna e da paz mundial” e constitui “a última esperança de concórdia e paz” para o mundo. (1)

2º – Ajoelhe-se e beije os pés do Patriarca da Igreja Cismática Grega, (2) humilhando-se perante o chefe daquela seita que nega os dogmas do Primado do Santo Padre o Papa, da Imaculada Conceição, do Purgatório e do Filioque.

3º – Assine todos os documentos do Concílio Vaticano II, aprovando oficialmente as heresias da nova eclesiologia, do ecumenismo, da liberdade religiosa e da colegialidade. (3) E ao término deste espetáculo de heterodoxia, diga em alta voz que nele a religião do Deus que se fez homem se encontrou com a religião do homem que se fez Deus e que nesta reunião entre cristianismo e ateísmo não houve qualquer luta ou condenação. (4)

4º – Seja o responsável pela abolição do Santo Ofício, do Index Librorum Phohibitorum, do Juramento Antimodernista (5) e tome medidas drásticas para diminuir a influência de bispos e cardeais tradicionais com a criação do bispo emérito e proibindo o voto de cardeais acima de oitenta anos nos conclaves papais. (6)

5º – Crie uma Missa Nova protestantizada, baseada em princípios heréticos como acontece com a “apresentação de dons” panteística de Theilhard de Chardin e remova do seu Missal os conceitos católicos de Inferno, Purgatório, ira de Deus, pecado como o maior de todos males, desapego do mundo, Reinado de Cristo sobre a terra, males da heresia e muitos outros conceitos que agora você já não considera importantes. (7)

6º – Mande o seu cardeal comunista favorito, o Cardeal Giacomo Lercaro, para a Conferência de Medelin a fim de implantar, com a ajuda de seu amigo Dom Helder Câmara, a Teologia da Libertação na América Latina. Não deixe também de realizar na véspera, na pessoa do legado papal, um Congresso Eucarístico em Bogotá confraternizando-se com os líderes protestantes e permitindo que ao fim de um escandaloso culto ecumênico muitos deles recebam a Santa Comunhão. (8)

7º – Suspenda a divinis o arcebispo tradicional Monsenhor Marcel Lefebvre (9), mas deixe mega-hereges como Yves Congar, Karl Rahner, Edward Schillebeeckx, Henri de Lubac, Joseph Ratzinger, Hans Urs von Balthasar livres, leves e soltos para poderem espalhar suas ideias novas e subversivas nos seminários e universidades do mundo inteiro. (10)

Essas são apenas algumas das incontáveis, das inumeráveis heresias e escândalos de Paulo VI, seria impossível reuni-las todas em um só vídeo. Então, você já sabe, se você quiser ser um santo conciliar, basta destruir e condenar tudo o que a Igreja Católica construiu e aprovou no curso dos séculos. Siga os passos de Paulo VI, imite-o e louve todos aqueles que ousaram desprezar os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso fará de você um santo, mas – infelizmente – um santo da Igreja de Satanás.

No entanto, se você leva a salvação de sua alma realmente a sério… Reze o Santo Rosário, vista o Escapulário e evite a imitação e a companhia de hereges como Paulo VI.

NOTAS

1 – Paulo VI, Discurso na Organização das Nações Unidas, 4 out. 1975: https://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651004_united-nations.html; Denzinger-Hünermann 4421. Cf. COOMARASWAMY, Rama P. The Destruction of the Christian Tradition: Updated and Revised. Bloomington: World Wisdom, 2006, p. 221; VILLA, Pe. Luigi. ¿Paulo VI Beato? Brescia: Civiltá, 2011, pp. 84-87; SÁENZ Y ARRIAGA, Pe. Joaquín. João Batista Montini não é um verdadeiro e legítimo papa: https://controversiacatolica.com/2018/08/27/joao-batista-montini-nao-e-um-verdadeiro-e-legitimo-papa/.

2 – COOMARASWAMY, 2006, p. 152; VILLA, 2011, p. 103.

3 – Cf. As heresias do Concílio Vaticano II: https://controversiacatolica.com/2018/11/06/as-heresias-do-concilio-vaticano-ii/; A Nova Eclesiologia: https://controversiacatolica.com/2018/11/04/a-nova-eclesiologia-do-vaticano-ii/; Os Erros Doutrinais do Concílio Vaticano II: https://controversiacatolica.com/2017/04/02/os-erros-doutrinais-do-concilio-vaticano-ii-por-bispo-mark-a-pivarunas-crmi/ e outros artigos em http://controversiacatolica.com.

4 – Ultima Sessione Pubblica del Concilio Ecumenico Vaticano II, Allocuzione de Santo Padre Paolo VI, 7 dez. 1975: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/it/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651207_epilogo-concilio.html.

5 – COOMARASWAMY, 2006, p. 209; VILLA, 2011, pp. 181-183.

6 – COOMARASWAMY, 2006, p. 154; ENGEL, Randy. The Rite of Sodomy: Volume V – The Vatican and Pope Paul VI. Export: NEP, 2006, p. 1150; SAÉNZ Y ARRIAGA, Pe. Joaquín. The New Post-Conciliar or Montinian Church.  La Habra: Lakeside Press, 1985, pp. 344-348.

7 – As 62 razões para não assistir à Missa Nova https://www.fsspx.com.br/as-62-razoes-para-nao-assistir-a-missa-nova/; CEKADA, Pe. Anthony. Work of Human Hands: A Theological Critique of the Mass of Paul VI. West Chester: SGG, 2015, passim.

8 – SÁENZ Y ARRIAGA, 1985, pp. 1-324; Id. 
João Batista Montini não é um verdadeiro e legítimo papa: https://controversiacatolica.com/2018/08/27/joao-batista-montini-nao-e-um-verdadeiro-e-legitimo-papa/.

9 – Notification à Mgr Lefebvre de sa suspens a divinis le 22 juillet 1976: http://laportelatine.org/vatican/sanctions_indults_discussions/suspens_1976_1978/22_07_1976_notification_suspens_a_divinis.php.

10 – GAUDRON, Padre Mathias. Catecismo Católico da Crise na Igreja. Tradução de Leandro Calabrese. Niterói: Permanência, 2011, pp. 56-61; LEFEBVRE, Mons. Marcel. Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar. Tradução de Idelfonso Albano Filho. 2 ed. Niterói: Permanência, 2013, pp. 127-129; VILLA, 2011, pp. 93-107.

Jacques Maritain, seu discípulo Paulo VI e a Teologia da Libertação

Na foto: Jacques Maritain e Paulo VI.

Outro filósofo, Jacques Maritain (1882-1973), teve, desde os anos 30, grande influência na formação das tendências contemporâneas. Mas em vez de absorver a ordem natural na ordem sobrenatural, ele distinguiu-as de modo a reconhecer na criação e na história humana duas vocações distintas e essencialmente autônomas: de um lado a vocação e a missão terrestre, do outro lado a vocação sobrenatural. Maritain desenvolveu a tese da “sociedade vitalmente cristã”, segundo a qual “a partir de um movimento progressivo e necessário, a Igreja, renuncia à proteção da espada secular, emancipa-se da tutela intransigente das cabeças dos estados católicos e se contenta unicamente com a liberdade, agora reduzida a nada mais do que o fermento evangélico escondido na massa ou o sinal de salvação para a humanidade… À cristandade medieval de tipo ‘sacro’ e ‘teocrático’…  deve ora suceder uma ‘nova cristandade’ caracterizada… pela emancipação recíproca do temporal e do espiritual, e pelo pluralismo religioso e cultural da cidade.” (131)

Essa realmente é a rejeição do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo:

“Que a cristandade possa realizar-se de maneiras diferentes na monarquia de São Luís e na República da Garcia Moreno, isso é evidente; mas que a sociedade maritainiana, a cidade pluralista ‘vitalmente cristã’ ainda seja uma cristandade e realize o reinado social de Jesus Cristo, isso é o que eu nego absolutamente. A Quanta Cura, a Immortale Dei e a Quas Primas me asseguram do contrário, Jesus Cristo não tem trinta e seis maneiras de governar uma sociedade, ele reina ‘informando’, modelando as leis civis de acordo com sua lei divina. Uma coisa é apoiar uma sociedade em que de fato há uma pluralidade de religiões, como por exemplo no Líbano, e fazer o possível para que Jesus Cristo ainda seja o ‘pólo’; outra coisa é defender o pluralismo em uma cidade ainda majoritariamente católica e querer, isso é o cúmulo, batizar esse sistema com o nome de cristandade… Jacques Maritain, na verdade, estava deslumbrado pelo tipo de civilização abertamente pluralista dos Estados Unidos da América.” (132)

Não erramos ao chamar Jacques Maritain de pai da liberdade religiosa do Vaticano II; Paulo VI se nutriu de suas teses políticas e sociais e o reconhecia como seu mestre. Mas essas teses estão na origem da “teologia da libertação”, como escreveu o Padre Gustavo Gutiérrez, nascido em 1928, professor de teologia na Universidade de Lima e ainda mais “avançado” na separação entre natural e sobrenatural:

“As graves questões históricas que a nova situação histórica apresenta à Igreja a partir do século XVII, que se tornaram mais agudas com a Revolução Francesa, dão lentamente lugar a outro enfoque pastoral e a outra mentalidade teológica, que graças a Maritain, receberá o nome de ‘nova cristandade’ (cf. “Humanismo Integral”). Ela tentará aproveitar ao máximo as lições da ruptura entre a fé e a vida social, que estavam intimamente ligadas na época da cristandade… O pensamento de Maritain foi muito influente em certos setores cristãs da América. Latina.” (133)

Quão longe estamos da cristandade onde o sobrenatural iluminava toda a ordem temporal e a transfigurava pela fé. Quão longe estamos do lema de São Pio X: “Restaurar todas as coisas em Cristo”. O lema de Maritain, que se tornará o de Paulo VI, é antes: “Restaurar todas as coisas no homem”. Veremos que este é sobretudo o lema do papa João Paulo II […]

Contra Maritain, os papas responderam de antemão, condenando o pluralismo religioso:

“Devemos nos guardar de um erro: não concluamos a partir disso que a melhor situação para a Igreja é aquela que ela desfruta na América, ou que é sempre permissível e útil separar e dissociar os assuntos civis dos assuntos sagrados, como acontece na América. O fato do catolicismo encontrar-se em boa disposição, ou melhor, estar gozando de um próspero crescimento deve ser sempre atribuído à fecundidade com que Deus dotou sua Igreja, em virtude da qual, salvo quando homens e circunstâncias interferem, espontaneamente se expande e difunde a si mesma; contudo, ela renderia ainda mais frutos se, além da liberdade, desfrutasse também do favor das leis e do patrocínio da autoridade pública.” (135).

“A Igreja não dissimula que considera em princípio esta colaboração como normal (a da Igreja e do Estado), e que ela vê como um ideal a unidade das pessoas na verdadeira religião e a unanimidade de ação entre esta e o Estado.” (136)

Notas:
131. Incamazione di Dio, Queriniana, Brescia 1972, p. 643, citado por Gethsémani, p. 73.
132. Ils l’ont découronné, p. 130-131-132.
133 Teologia della liberazione, Queriniana, Brescia 1972, 2.ª éd. 1973, citado por Gethsémani, p. 98.
135. Leão Xlll, Encíclica Longinqua Oceani, 6 jan. 1895.
136. Pio XII, Discurso de 7 set. 1955.

LE ROUX, Abbé Daniel. Pierre M’aimes-tu? Fideliter, 1988, pp. 36-37.

Imaculada Conceição e sedevacantismo

A Santíssima Virgem Maria é a Imaculada Conceição. É desta árvore sem mancha original (sine macula originalis) que procede o bendito fruto, Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos resgatou mediante seu sacrifício cruento na árvore da Cruz. A árvore Imaculada não dá maus frutos, mas dá frutos conforme a sua natureza santa, miraculosamente preservada de toda mancha. Deus preparou para si uma digna morada, a Virgem Imaculada é o Paraíso terrestre onde quis habitar o novo Adão. Quão grandiosos são os desígnios de Deus! 

Por um privilégio igualmente grandioso, a Igreja Católica goza de prerrogativa semelhante. Embora seus membros não sejam pessoalmente imaculados, a Igreja em si é propriamente chamada de Esposa Imaculada de Cristo. Ela é imaculada, porque ela não pode ensinar erros em matéria de fé e moral, ela não pode estabelecer uma disciplina que desencaminhe os fiéis. Este privilégio se depreende sobretudo da promessa que Nosso Salvador fez ao chefe da Igreja, o Romano Pontífice, na pessoa de São Pedro Apóstolo: 

E esta doutrina dos Apóstolos […] de que esta cátedra de S. Pedro sempre permaneceu imune de todo o erro, segundo a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo feita ao príncipe dos Apóstolos: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” [Lc 22, 32].

Pastor Aeternus, Concílio Vaticano I

Uma consequência necessária desta prerrogativa é que a Igreja unida à Cátedra de Pedro é indefectível no seu ser, infalível no seu ensino e plena de autoridade no governo das almas. A verdade dessa proposição foi muito bem explicada pelo Cardeal Billot em seu artigo sobre a infalibilidade da Igreja em matérias disciplinares:

Nós afirmamos com todas as fibras do coração essa verdade. Diferentemente das posições rivais, dizemos que a Igreja não pode nos dar uma Missa defeituosa, irreverente e protestantizante, nem pode tolerar e até institucionalizar “abusos” desastrosos. Nossos rivais, porém, defendem que essa religião da Missa Nova e da indisciplina geral é de fato a Igreja Católica. Que pensamento infeliz! Pouco a pouco vão se distanciando da sã doutrina, daquela doutrina segura que não admite que brotem maus frutos da Árvore Imaculada da Igreja.

Os aderente da posição Reconhecer e Resistir (R&R) blasfemam contra esta prerrogativa quando, resistindo ao que consideram disciplina oficial, afirmam que esta é defeituosa e mesmo nociva. Se é assim, então onde é que está a Igreja Imaculada em suas doutrinas, culto e leis?

Os aderentes da  “hermenêutica da continuidade” blasfemam contra ela quando desejam impor a sua interpretação pessoal sobre a posição oficialmente herética da seita modernista. Em outras palavras, eles reconhecem um defeito generalizado de interpretação, uma “desorientação diabólica”, uma “autodemolição da Igreja”, que nada condiz com a natureza da Esposa Imaculada de Cristo.

O que lhes resta é dar um “significado positivo” ao Vaticano II… Mas acontece que este “dar um significado positivo” é precisamente a raiz de todo o nosso problema com o Vaticano II. Afinal, a chamada evolução dos dogmas – interpretar o antigo de um jeito diferente – é a causa do Vaticano II e todas as suas reformas. O melhor que a posição da “hermenêutica da continuidade” tem a nos oferecer é o seguinte: combater o modernismo com mais modernismo. O raciocínio é mais ou menos assim: “o remédio que os modernistas propuseram no Vaticano II não deu muito certo, hoje temos uma crise de fé generalizada. Logo, a solução é tomar uma dose concentrada do mesmo remédio!” É óbvio que a posição da “hermenêutica de continuidade” não deve ser levada a sério. 

Já a posição de Mons. Lefebvre, no que ela teve de melhor, foi de dúvida entre o que é uma blasfêmia explícita hoje (modernismo, R&R e hermenêutica da continuidade) e o sedevacantismo. É urgente, porém, sair desse dilema lefebvriano, que outrora pode ter sido prudente e bom, mas que hoje, na era de Ratzinger e Bergoglio, clama por uma decidida afirmação das prerrogativas da única verdadeira Igreja de Cristo contra as pretensões da infame e deplorável seita modernista.