Sermão da Solenidade de Cristo Rei por Dom Joseph S. Selway

SERMÃO DA SOLENIDADE DE CRISTO REI
POR DOM JOSEPH S. SELWAY

Christus Vincit! Christus Regnat! Christus Imperat!

Sermão proferido em 28 de outubro de 2018.

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Fonte: Christ the King, by Bishop Joseph S. Selway

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A Solenidade de Cristo Rei contra o laicismo moderno

A Solenidade de Cristo Rei anualmente nos recorda que o laicismo é heresia. Cristo deve reinar não somente sobre as almas e os corações, mas também sobre a sociedade.

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Último Domingo de Outubro.

FESTA DE CRISTO-REI

Numerosos textos das Sagradas Escrituras provam a realeza universal e gloriosa de Jesus, “Rei dos reis e Senhor dos senhores”.

O Santo Sacrifício e o Ofício Divino são o tributo que a Igreja presta quotidianamente a Cristo, na sua qualidade de pontífice e rei, e as mesmas festas litúrgicas da Epifania, da Páscoa e da Ascensão têm por objeto a veneração dos mistérios em que Cristo se apresenta a nós sob a forma de rei… Todavia a Santa Igreja como tantas vezes tem feito com outras heresias, ainda desta feita quis opor à heresia moderna do laicismo, que não quer que “Cristo reine sobre nós”, sobre a sociedade, a afirmação da sua crença na suprema realeza de Jesus, instituindo uma festa especial, que convidasse anualmente os seus filhos a confessarem pública e solenemente que Jesus é não somente rei das almas e dos corações, mas também rei da sociedade.

Foi assinado à nova solenidade o Domingo que precede a Festa de Todos os Santos, na qual veneramos a Jerusalém celeste e a corte brilhante do Rei da glória. Ao terminar do ciclo de domingos depois de Pentecostes, é justo que, antes de volver os olhos para os vários coros que que brilham e cantam na cidade do Céu, tributemos a adoração que lhe é devida Àquele diante de quem os Anjos e os Santos todos se prostram, para depois lhe entoarem um aleluia de eterno júbilo e louvor. Associemo-nos a esta homenagem que na santa cidade dos bem-aventurados prestam ao Rei divino, e cá na terra repitamos, com a Liturgia, a bela oração do dia: Ó Senhor que vos dignastes restaurar todas as coisas na pessoa do Vosso dileto Filho, estabelecendo-o Rei universal das criaturas, fazei que todos os povos, perdida pelo pecado a prístina unidade de família, a encontrem no único e doce reino inaugurado por Cristo por meio da Igreja!

(Missal Romano, Festa de Cristo-Rei; versão portuguesa e anotações de D. Crisóstomo d’Aguiar, 1938, p. 1197.)

Leia também: Sobre Cristo Rei: A Encíclica Quas Primas de Pio XI
E também: A Realeza de Cristo contra a Liberdade Religiosa

A verdadeira devoção ao Sagrado Coração de Jesus

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Conferência sobre a importância do culto ao Sagrado Coração de Jesus, proferida pelo Rev. Padre Ariel Damin da Capela Nossa Senhora de Lourdes (Mendoza, Argentina).

O sacerdote baseia sua explicação nos seguintes documentos do Magistério da Igreja:

Papa Leão XIII, Annum Sacrum, 1899.
Papa Pio XI, Miserentissimus Redemptor, 1928.
Papa Pio XII, Haurietis Aquas, 1956.

Desta última encíclica, Padre Damin cita a seguinte passagem (n. 60), que bem ilustra o lugar de honra ocupado pelo Sagrado Coração de Jesus no culto católico:

“E aqui está a razão por que, na prática, o culto ao sagrado coração é considerado como a mais completa profissão da religião cristã. Verdadeiramente, a religião de Jesus Cristo funda-se toda no Homem-Deus mediador; de maneira que não se pode chegar ao coração de Deus senão passando pelo coração de Cristo, conforme o que ele mesmo afirmou: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim’ (Jo 14,6). Assim sendo, facilmente deduzimos que, pela própria natureza das coisas, o culto ao sacratíssimo coração de Jesus é o culto ao amor com que Deus nos amou por meio de Jesus Cristo, e, ao mesmo tempo, o exercício do amor que nos leva a Deus e aos outros homens; ou, dito por outra forma, este culto dirige-se ao amor de Deus para conosco, propondo-o como objeto de adoração, de ação de graças e de imitação; e tem por fim a perfeição do nosso amor a Deus e aos homens mediante o cumprimento cada vez mais generoso do mandamento ‘novo’, que o divino Mestre legou como sagrada herança aos seus apóstolos quando lhes disse: ‘Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei… O meu preceito é que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei’ (Jo 13,34; 15,12). Esse mandamento, verdadeiramente, é ‘novo’ e ‘próprio’ de Cristo; porque, como diz s. Tomás de Aquino: ‘Pouca diferença há entre o Antigo e o Novo Testamento; pois, como diz Jeremias: ‘Farei um pacto novo com a casa de Israel’ (Jr 31,31). Porém que este mandamento se praticasse no Antigo Testamento a impulsos de um santo temor e amor, isto pertencia ao Novo Testamento; de sorte que este mandamento existia na antiga lei não como próprio dela, porém como preparação da nova lei.'”

A perseguição final

Continuação de Nosso tempo testado pela profecia.

E quais serão as notas da perseguição empreendida por esse homem iníquo? As notas da perseguição do Anticristo foram descritas por Cornelius a Lapide e Suarez de acordo com as Escrituras e os Santos Padres.

Primeiro, o que é certo e quase de fé é que a perseguição do Anticristo será a mais terrível e violenta da história. Em primeiro lugar, porque ela será universal, conforme Ap 20,8: “E subiram sobre o âmbito da terra, e cercaram os arraias dos santos e a cidade querida.” Na Cidade de Deus, livro 20, Santo Agostinho entende essa passagem como significando que todos os infiéis, hereges, sectários e depravados que estão espalhados pelo mundo se juntarão com o Anticristo para mover guerra contra os santos.

Segundo, porque ele não será movida por causa de superstição ou fanatismo, ou pelo culto aos ídolos, como aquela dos imperadores pagãos; nem será para saciar o orgulho ou satisfazer a sede de poder, como foi a de Maomé; nem pela avareza e incontrolável ambição pelos bens alhios que moveu os príncipes alemães do tempo de Lutero. Essa perseguição será inspirada unicamente pelo ódio a Deus, nela Deus e sua Igreja serão diretamente desafiados e seu único objetivo será o extermínio da realeza divina, a completa destruição do cristianismo e toda religião positiva. Nesses tempos, ao contrário daqueles de Tibério, Nero e outros temíveis tiranos, nem mesmo uma adoração modificada e corrompida de qualquer divindade será permitida. Todo o homem será obrigado a render um culto de latria ao próprio Satanás, na pessoa do Anticristo que é o homem mais malvado e abominável que a humanidade já produziu.

Terceiro, ela será marcada por uma sedução quase irresistível. Aos judeus, o Anticristo dará Jerusalém, o templo, a circuncisão e os sacrifícios. Aos não judeus, por sua vez, ele conquistará mediante sua persuasão e eloquência, sendo ele exímio conhecedor das ciências naturais e sabendo os textos sagrados de cor (Santo Anselmo); também os subornará com ouro e riquezas, ele mesmo terá acesso às riquezas contidas no fundo do mar e nas profundezas da terra (Cornelius a Lapide).

Quarto, o seu poder causará grande admiração dada a rapidez com que este homem chegou ao topo da fortuna e da onipotência; e ainda mais admiração pelos milagres que obrará pelo poder do demônio, serão prodígios da mentira, pois não serão verdadeiros milagres, mas ilusões e obras de fantasia: o ressuscitado ou não estará realmente morto ou não terá realmente voltado à vida, os prodígios sobre a matéria serão operados por meios naturais (São Tomás de Aquino). Ele também será estimado pelos maus por liberar todos os tipos de libertinagem: “se mostrará apaixonado por mulheres” (Dn 11,37).

Quinto, será a mais sangrenta e bárbara perseguição: “Porque será então a aflição tão grande, que, desde que há mundo até agora, não houve, nem haverá outra semelhante” (Mt 24,21). Primeiro, devido ao poder das armas e maldade dos executores de suas ordens; segundo, por causa da malícia do demônio que então manifestará todo seu ódio pela natureza humana. Por conseguinte, haverão muitos mártires, os maiores da história da Igreja, mais gloriosos e admiráveis do que aqueles que lutaram com leões nos anfiteatros de Roma e da Gália. Esses confessores dos últimos tempos lutarão contra o próprio demônio, que usará requintes de malícia que a mente humana jamais poderia ter concebido por conta própria.

Sexto, ela será tão violenta que quase a totalidade dos cristãos apostatarão da fé (cf. Ap 13, Dn 7). Santo Agostinha comenta que esta é a apostasia propriamente dita, pois ela excederá todas as outras em número e extensão. Não é correto, porém, pensar que não haverão eleitos naquele tempo, pois essa perseguição será abreviada em atenção deles. Santo Agostinho conta que nos tempos da perseguição haverão mártires heroicos e confessores capazes de escapar da perseguição, vivendo em cavernas e no alto das montanhas, onde Deus não permitirá que sejam encontrados pelos seus perseguidores e não deixará que o demônio os denuncie.

A partir do momento que estourar a perseguição e o Anticristo ter envolvido os homens em suas mentiras e vilezas, ele tornará o seu culto obrigatório e se declarará senhor do céu e da terra, de modo que não se poderá invocar o nome de nenhuma divindade salvo a deste que “elevou-se contra tudo o que se chama Deus”. “Ele não tolerará nem a religião mosaica, nem a própria religião natural. Ele perseguirá com igual intensidade judeus, cismáticos, hereges, deístas e toda seita que reconheça a existência de um ser supremo e a imortalidade da vida do porvir. Ainda assim Deus, em sua sabedoria, tirará o bem do mal. A horrível tempestade que a sua justiça permitiu que se soltasse sobre a terra resultará no desaparecimento das falsas religiões. Juntamente com o judaísmo, isso abolirá os remanescentes do maometismo, superstições idolátricas e toda religião hostil à Igreja.” (p. 48)

“Será desferido o golpe final contra as seitas das trevas. Maçonaria, carbonarismo, iluminismo e todas as sociedades subversivas desaparecerão em um turbilhão de perversidade, uma obra que elas mesmas tinham preparado por séculos na crença de que isso levaria ao seu triunfo supremo e definitivo. Elas terão contribuído a contra-gosto ao estabelecimento da unidade predita por Nosso Senhor: erit unum ovile et unus Pastor. (Jo 10,16)” (p. 48)

“O triunfo do iníquo será de curta duração, mas a consolação que seguirá será universal, abundante, proporcional à medida de tribulações que a Igreja terá sofrido.” (p. 49)

Citando Abbé Lehman, um judeu convertido ao catolicismo (autor de Les Nations Fremissantes), Padre Arminjon encerra a conferência aludindo a glória da unidade final que enfim unirá a Igreja com Israel. Ele primeiro remete a duas imagens bíblicas, a Epifania e o Domingo de Ramos. No primeiro, diz o autor, os pagãos prestaram sua homenagem a Cristo na pessoa dos magos; no outro, os judeus reconheceram o seu Messias. Na ordem da história que se seguiu a crucifixão de Jesus e a fundação da Santa Igreja, os pagãos de toda terra vieram adorar a Cristo, mas até o momento não houve ainda o Domingo de Ramos da parte de Israel. Mas quando chegar esse dia, todo o mundo adorará o mesmo Deus e se cumprirá o que está dito em Apocalipse 11,15: “E o sétimo anjo tocou a trombeta, e ouviram-se no céu grandes vozes que diziam: O reino deste mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará por séculos de séculos. Amém.”

Nosso tempo testado pela profecia

Continuação de O Anticristo: seu caráter e seu tempo

Se não se pode dizer que após o Anticristo o fim do mundo não virá senão depois de alguns séculos, não se pode dizer o mesmo sobre a grande crise que provocará a sua vinda. Com efeito, estudando por um instante os sinais do tempo presente, veremos que os sintomas ameaçadores de nossa situação política e nossas revoluções, como também o crescimento da população e o incessante aumento do mal, correspondentes ao progresso da civilização e às descobertas na ordem material, fazem-nos considerar que não falta muito para a vinda do homem do pecado e dos dias de dissolução preditos por Cristo.

“A Sagrada Escritura nos oferece três principais características que marcarão o domínio do Anticristo. Ele será o imperador e mestre absoluto do universo; segundo, ele terá Jerusalém como sua capital; terceiro, ele será tão esperto quanto violento, e a guerra que ele moverá contra os santos será, primariamente, uma guerra de engano e sedução.” (p. 38)

Primeiro, o Anticristo será o senhor do mundo. É claro que o mundo de hoje está oferecendo todas as condições para que uma tal coisa seja possível. Por um lado, os meios de transporte e comunicação de nossa época permitem que pessoas e ideias se desloquem rapidamente de um extremo ao outro do planeta. Nos centros comerciais do mundo encontram-se pessoas de diversas raças e, com a intensificação do comércio e onipresença da propaganda, as diferenças entre as nações diminuem cada vez mais.

Por outro lado, o desenvolvimento militar não deixa por menos: o aumento do poder bélico e da própria população que alimenta os exércitos é outro sinal notório de que um governo mundial não é um ideal remoto. Essas coisas tendem a provocar, cedo ou tarde, o enfraquecimento dos laços nacionais e até mesmo a eventual destruição de muitas nações. No fim, é certo que será estabelecido um império global. Do ponto de vista moral, “qualquer cuidadoso observador dos tempos modernos não pode fugir da convicção de que todas as coisas estão sendo feitas para produzir um ambiente social onde o homem do pecado, combinando toda a perversidade e toda falsa doutrina de sua época, será produzido espontaneamente e sem esforço, como a tênia que se se prolifera em carnes e órgãos gangrenosos.” (p. 40)

O que pode admirar alguns é a segunda característica: o papel de Jerusalém como sede do governo mundial. Isso aparentemente é uma possibilidade bastante remota (lembrando que Padre Arminjon escreveu mais de meio século antes da fundação do Estado de Israel). Entretanto, ela não o é se nos deixarmos guiar pela boa lógica e inegável evidência. “De fato, quando a fé cristã ter finalmente desaparecido do coração dos homens – quando o prazer e o bem-estar terem se tornado os deuses do momento – a atividade humano terá então um único objetivo: o poder do Estado; uma única alavanca e estímulo: a opinião pública; uma só inspiração e força-motriz, este sustentáculo, esta força-motriz será o ouro. O ouro terá precedência sobre a religião e a moral, tornando-se a base da política e a chave-mestra de todas as instituições. Os pontífices e reis serão os financistas: e o povo que possuir mais ouro será em breve o que exercerá maior controle sobre nós.” (p. 40-41)

Não seria uma questão de lógica supor que o abandono de um ideal que foi a alma da civilização europeia, ou melhor, que esse esforço contínuo e conjunto das nações para expulsá-lo da sociedade civil, não levaria ao topo os seus maiores inimigos? Muito provavelmente que sim. E o que poderia ser uma mera matéria de probabilidade é rapidamente convertido em certeza pelos fatos. A apostasia da sociedade cristã é diretamente proporcional ao avanço e hegemonia cultural dos judeus, o povo que desde os tempos de Cristo cega e obstinadamente resiste a Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Igreja, contra toda evidência das profecias e dos milagres, contra todos os castigos que tal recusa lhes trouxe. O motivo da sobrevivência deste povo e do papel preponderante que ele ocupa nesses nossos tempos tem tudo a ver com o papel que eles desempenharão no fim dos tempos.

“Ora”, diz Padre Arminjon na segunda metade do século XIX, pouco menos de cem anos depois da Revolução Francesa, “faz menos de um século atrás que esse povo foi emancipado e, qual aluvião que estoura todos os diques, eles já estão no comando dos assuntos humanos. Ontem mesmo noviços na vida civil e política, hoje eles já são dominantes em todos os lugares e nada mais se pode fazer sem eles. Eles subornam e têm a sua disposição as agências de propaganda e os principais órgãos da imprensa. Eles são os credores dos principais estados da Europa. As ferrovias, as grandes invenções, os bancos e teatros pertencem a eles; eles são a cabeça do grande movimento socialista que está agitando Rússia, Alemanha e França;… eles governam os principados do Danúbio e tem o voto decisivo nos altos conselhos da maçonaria, dirigindo sua operação e inspiração.

Enquanto escrevemos essas linhas, o que é chamada de questão anti-semítica está colocando um formidável problema para o Estado, agitando a Alemanha e a Europa Central profundamente. O ponto em questão é o progresso e crescente influência do judaísmo, que no presente constitui uma ameaça à civilização, à segurança e existência dos povos cristãos. A questão está causando séria preocupação em políticos e homens de Estado, mas, uma vez que eles se recusam a deixar-se guiar pela luz do catolicismo e da religião revelada, eles são impotentes na busca de uma verdadeira solução.

Para falar somente da Prússia, um cálculo recente estabeleceu que o número de estudantes de escolas secundárias e superiores nesse império são 87.942 protestantes, 20.147 católicos e 12.371 israelitas. Se reduzirmos isso a cifra proporcional da população, ela deveria ser 79.000 protestantes, 40.000 católicos e 1.8000 israelitas. Esta desproporção dá ocasião à grave reflexão. Dos 1.200 estudantes de direito na Universidade de Berlim, 600 são israelitas – e eis que fazem apenas seis anos que as portas das magistraturas e serviço público foram abertas para os judeus. Se esse avanço continuar, é certo que dentro de vinte e cinco anos três quartos dos cargos públicos na Alemanha serão ocupados por judeus. É um fato que, no presente, eles já são dominantes nas finanças, na imprensa e estão atuando como um Estado dentro do Estado.

O judaísmo é realmente uma fé confessional e doutrina enxertada em uma raça e nacionalidade. Todos os outros povos – franceses, italianos, alemães e espanhóis -, se eles viverem por um certo tempo sujeitos ao mesmo governo e forma de administração, se eles forem governados pelas mesmas instituições – não levará muito tempo para que eles se juntem, unam seus interesses, misturarem seu sangue e adquiriram as mesmas aspirações e espírito patriótico. Já o judeu é inassimilável: ele está plantado nos outros povos na posição de inquilino, como disse um famoso escritor; ou, em vez, ele considera a si mesmo como um exilado e cativo no meio das nações. Em vez de uma pátria real, ele tem unicamente uma pátria ideal: a Palestina. Jerusalém é a única cidade pela qual ele anseia. Em seus discursos e escritos, em cada página de seus jornais e revistas, eles manifestam a esperança que eles nunca cessaram de entreter: reconstruir um novo reino judeu ou em Jerusalém ou em seus arredores.

Assim, não é a nacionalidade e o sangue que impedem os judeus de serem assimilados e que os estabelecem em aberta inimizade com os outros povos, mas a religião: não a religião de Moisés, que eles abandonaram e que eles já não conhecem senão o nome, mas a sua religião talmúdica, rabínica, uma coleção de absurdos e fábulas confusas, baseadas, não no princípio evangélico do amor ao próximo, mas na obrigação de jurar profundo ódio a todos que não são de seu sangue. Assim, um axioma reconhecido e elevado por Israel ao nível de doutrina e símbolo revelado é que, cada vez que se considera útil para os seus interesses, um judeu tem o dever de fingir conversão e participar exteriormente nos costumes e práticas de uma religião outra que a sua. Assim, foi descoberto que no tempo presente existem judeus na Alemanha que recebem o batismo e aceitam o cristianismo a fim de adquirir terras, conquistar para si títulos de nobreza e obter mais facilmente posições públicas, e que depois colocam essas vantagens em favor do enriquecimento da sinagoga e do empobrecimento dos povos nos quais vivem.

O liberalismo moderno, com seu fútil sentimentalismo e falsos princípios igualitários, tem contribuído mais do que todos os outros erros para produzir essa preponderância e opressora maré de influência judaica que com boas razões temem os povos europeus.

Na Idade Média as nações e príncipes cristãos, iluminados pela Igreja, tinham previsto este perigo social. Por um lado, eles sabiam que tinham o dever de tolerar os judeus, e que era impossível se livrar deles, pois a profecia afirma que eles subsistiriam até o fim dos tempos e que somente assim eles haveriam de retornar para a verdadeira fé. Por outro lado, eles sabiam que não poderiam viver em paz e segurança se eles concedessem irrestrita liberdade a essa raça tão ávida pelo poder. É um fato de experiência que, onde quer quer os judeus tenham se estabelecido e predominado, eles se converteram em déspotas e encarniçados tiranos. É por isso que, negando-lhes os direitos civis e políticos que eles teriam abusado – e abusaram onde quer que a riqueza os tenha feito mestres -, o Direito Canônico lhes garantia tolerância. Ele cuidava deles de modo que tivessem paz para executar calmamente suas atividades e assuntos comerciais, sem prejuízo para os cristãos com os quais eles se misturavam; e mediante essas sábias medidas, os judeus foram por séculos não só protegidos, mas também defendidos contra o ódio universal, o fermento e exasperação de povos incompreensivos.

Tal é a questão judaica que neste momento está profundamente agitando a opinião na Prússia, Áustria e Polônia; sua solução parece carregada com os mais sombrios auspícios. Ora, se nós tomamos Israel como um todo, pondo de lado os homens dessa nação que caíram no racionalismo e descrença, o núcleo da raça judaica não cessou de nutrir a mesma ilusão que nós já indicamos: ainda esperam por um Messias, que eles continuam a entender como um conquistador poderoso que subjugará a terra. Não muito tempo atrás, um dos mais autoritativos expoentes do Talmude ousou dizer:

“Um novo messianismo nascerá, uma Jerusalém de uma nova ordem, reverentemente estabelecida entre o Ocidente e o Oriente, deve substituir a dupla cidade dos Césares e dos Papas.” Além do mais, é mais do que um fato estabelecido que os crentes ortodoxos tem mantido como seu motto e palavra de ordem, a asserção uma vez dita por um famoso rabino: “Jerusalém ainda é o pivô de nossas esperanças e nossa fé.”

Ora, é improvável que em uma condição social como a nossa, em que os mais temíveis e inauditos eventos agigantam-se com a rapidez da correnteza e do trovão, possa viver um homem que tire proveito do caos em que nossas revoluções nos lançam, conquiste as massas e ganhe domínio sobre mentes e corações; e que, jurando regenerar a humanidade, entoe um grito de guerra para o qual todos os seus correligionários irão responder, assim obtendo a o poder universal, um estupendo domínio sobre mentes e corpos, um domínio aceito entusiasticamente pela universalidade dos povos enganados e seduzidos?

Por fim, não creríamos que este homem poderoso e iníquo, que prenderá o mundo com mãos de ferro com indescritível e irrestrito despotismo, unificando a raça humana pela escravidão das consciências e humilhação dos espíritos, será o personagem retratado e predito por São João como o Anticristo, e que ele será o homem que a Divina Providência desejou usar a fim de desenganar Israel, que primeiramente o aclamará como seu Messias e Rei?”  (p. 41-44)

O Anticristo: seu caráter e seu tempo

Continuação de O fim do mundo presente: os sinais que o precederão e acompanharão.

SEGUNDA CONFERÊNCIA
A perseguição do Anticristo e a conversão dos judeus

“E então aparecerá o tal iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o assopro de sua boca e o destruirá com o resplendor de sua vinda.” (2Ts 2,8)

O contexto da Epístola aos Tessalonicenses é testemunho da obrigação apostólica de comunicar ao mundo que, embora devamos estar sempre vigilantes, ninguém deve abandonar os seus afazeres para entreter-se com prospectos do fim do mundo, deixando que a inércia e ansiedade tomem conta do seu coração. Antes de que o fim chegue, diz o Apóstolo, há de vir o Anticristo.

“O que é claro e inegável a partir da passagem que acabamos de citar é que antes do fim do mundo aparecerá sobre a terra um homem profundamente mau, investido com poderes quase sobre-humanos, que desafiando Cristo, moverá uma guerra ímpia e louca contra Ele. Pelo medo que este homem inspirará e especialmente mediante seus estratagemas e gênio sedutor, ele conseguirá conquistar quase o universo inteiro, terá altares erguidos para si e compelirá todos os povos a adorá-lo.” (p. 23)

“Quase todos os Doutores e Padres, Santo Agostinho, São Jerônimo e São Tomás, claramente mantém que esta terrível malfeitor, que este monstro de impiedade e depravação, será um ser humano. O sábio Belarmino demonstra que é impossível dar outra interpretação às palavras de São Paulo e aquelas de Daniel 11,36-37.” (p. 23)

“Daniel nos informa que ele atacará tudo o que é santo e digno de respeito, exaltar-se-á ousadamente contra o Deus dos deuses e considerará como nada o Deus dos seus pais: ‘Is Deus patrum suorum non reputabit.‘ O Apóstolo acrescenta que Cristo o matará. Todos esses vários aspectos e características evidentemente não podem ser aplicados a um ser ideal e abstrato; eles só podem se adequar a um indivíduo de carne e osso, um personagem real e definido.” p. 24

As opiniões sobre a tribo em que nascerá o Anticristo são incertos. “O que parece estar além de toda dúvida é que o Anticristo será de origem judaica.” Assim testemunham Santo Ambrósio e Sulpício Severo. “Ademais, tudo leva a crer que no princípio de seu reino ele logrará, mediante sua astúcia e fama, fazer que os judeus creiam que ele é o Messias que eles incessantemente esperavam e que eles, em sua cegueira, se apressarão em recebê-lo e honrá-lo como tal. É assim que Suárez e a maior parte dos intérpretes entende este dito de Nosso Senhor em São João 5,43: ‘Eu vim em nome do meu Pai e vós não me recebeis; se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebê-lo.'” (p. 24)

Pelo que se sabe sobre o nascimento de Cristo, é provável por analogia e indução que este jurado inimigo de Deus será nascido de uma união ilegítima, contrapondo-se a Cristo que nasceu da Imaculada Virgem Maria. “Ele será um filho da fornicação”, diz São João Damasceno, “e seu nascimento será manchado pelo sopro e espírito de Satanás.” (p. 25) e, sobre sua vida, diz-se que “seu ódio a Deus será tão violento, sua aversão a toda boa obra tão invencível e sua associação e comércio com o espírito das trevas será tão próxima e contínua que ele permanecerá insensivelmente hostil aos apelos divinos e a graça celestial jamais penetrará o seu coração.” (loc. cit.).

É muito claro que o grau de sua aversão a Deus o levará ao desejo de substituí-lo, de modo que ele procure para si a glória que se deve unicamente ao Criador. Assim, ele estabelecerá sacerdotes que oferecerão sacrifícios em sua honra e se certificará de que os juramentos e contratos serão feitos invocando o seu nome. Com o fim de dar maior credibilidade a sua loucura, contraporá a revelação divina com falsas revelações sobre a sua pessoa e, sobretudo, “contra a Igreja eterna fundada por Cristo, ele estabelecerá uma abominável sociedade, da qual ele será o chefe e pontífice. São Tomás acrescenta que assim como a plenitude da divindade habita corporalmente no Verbo Encarnado, assim a plenitude de toda a maldade habitará neste homem terrível, cuja missão e obras não serão senão uma imitação ao inverso e uma execrável fraude da missão e das obras de Cristo.” (p. 25-26)

Esta guerra infernal contra o nome de Deus, provocada pela íntima relação entre o Anticristo e o demônio, prevalecerá por um tempo. Todos os mestres da mentira e arquitetos do mal que viveram no curso dos tempos parecerão pigmeus perante um gigante quando comparados ao Anticristo. “Assim ele repetirá os feitos infames de Nero, estará cheio do ódio e violência de Diocleciano, terá a astúcia e duplicidade de Juliano, o Apóstata; ele recorrerá à intimidação e dobrará a terra ante o seu cetro como Maomé, ele será um homem erudito, um filósofo, um hábil orador, excelente nas artes e ciências aplicadas, ele será exímio no deboche e zombaria como Voltaire. Por fim, ele obrará milagres e levitará como Simão, o Mago.” (p. 26)

Estas coisas terríveis serão permitidas como castigo da incredulidade humana. Suárez afirma que Deus permitirá o advento do Anticristo especialmente em razão da perfídia judaica.

Antes de tudo, para nos fazer compreender a ferocidade de sua guerra contra Deus e os santos, São João o representa no capítulo 13 do Apocalipse como uma monstruosa besta tendo dez cabeças e diademas contendo blasfêmias. Os intérpretes dizem que essas dez cabeças representam dez reis submetidos a seu domínio. Ele também nos dizem que ele será o soberano absoluto do universo. Em seu governo, na medida que persegue os santos ao extremo, ele permitirá todo o tipo de licença, de modo que não haverá liberdade senão para se fazer o mal.

Finalmente, ele será um mestre do ocultismo e da mágica, sendo capaz de operar prodígios ante os olhos da multidão. O primeiro desses milagres será sua miraculosa ressurreição, a qual fará que os céticos e livre pensadores daquele tempo o tenham na conta de invencível. Em segundo lugar, ele fará descer fogo do céu para dar a impressão de seu domínio sobre a natureza. Terceiro, ele fará uma estátua falar com o auxílio dos demônios que, usando peças de madeira como instrumento, tratarão de comunicar ao mundo os seus falsos oráculos. Com o auxílio diabólico também se verão mover móveis e montanhas, como também se manifestarão demônios nos ares disfarçados de anjos da luz. E assim os céticos e livre pensadores do século se renderão à superstição, de modo que se confirmará as palavras do Apóstolo: “dando ouvidos a espíritos de erro e a doutrinas de demônios, attendentes spiritibus erroris et dotrinis demoniorum.” (1Tm 4,1)

“Por fim está escrito que a soberba do homem do pecado não terá limites. Ele abrirá sua boca com blasfêmias contra Deus, blasfemando seu nome, seu tabernáculo e os santos do céu. Daniel diz que ele se considerará capaz de abolir tempos e leis, et putabit quod possit mutare tempora et leges. Ou seja, ele suprimirá as festas e a observância do domingo, mudará a ordem dos meses e o número das semanas, removerá nomes cristãos do calendário, substituindo-os por emblemas de vis animais. Numa palavra, este antagonista de Cristo será um ateu no mais pleno sentido da palavra. Ele fará desaparecer a cruz e todo símbolo religioso e, como Daniel novamente declara, ele substituirá o sacrifício cristão por ritos abomináveis em todas as igrejas. Os púlpitos se calarão, o ensino e a educação será laico, compulsório e ímpio. Jesus Cristo será banido do berço da criança, do altar que une os esposos e do leito do agonizante. Sobre toda a superfície da terra, não será tolerado o culto de nenhum outro senão o deste cristo de Satanás.” (p. 28)

Revelando estas coisas Deus deseja nos preparar para vencer as ciladas do demônio, ele quer mostrar quão poderoso o demônio é e quão necessárias são as armas da fé e da caridade. Sem elas, o homem, por mais sábio e rico que seja, não passa de um brinquedo nas mãos do diabo.

O Anticristo também trará à luz aquelas almas predestinadas que nem a sua violência, nem a sua astúcia será capaz de vencer, pois seus nomes estão escritos no Livro da Vida.

“Apostasias serão numerosas e a coragem se tornará rara. Está escrito que os poderes do céu serão abalados e que as estrelas do firmamento cairão. Em outras palavras, os líderes dos povos serão vistos dobrando os joelhos perante o ídolo reinante, e – o que é ainda mais lamentável -, entre os expoentes da ciência, os luminares da teologia e os oradores da sacra eloquência, um largo número abandonará a verdade, deixando-se levar por essa torrente de depravação.” (p. 29)

A marca da besta será imposta como sinal de apostasia e aqueles que não a tiverem na mão e na fronte não serão capazes de comprar ou vender e sequer terão a liberdade de sair à luz do dia. Assim o Anticristo deseja que o mundo inteiro despreze o incomparável mestre que elevou a civilização ao zênite da perfeição e do progresso. Somente a assistência desse mesmo Deus será capaz de manter os eleitos fiéis ao Evangelho até o fim.

Nessa época a tecnologia será tal que não haverá lugar desconhecido, o mundo será mapeado e mesmo as casas deixarão de ser um lugar seguro, pois um irmão entregará o outro à morte e o pai entregará seus filhos e estes se levantarão contra o seu pai. (cf. Mc 13,12).

O centro da política e eventos humanos será mais uma vez o Oriente e o homem ímpio se instalará nos lugares mais santos, estabelecendo sua sede em Jerusalém. Felizmente, Deus abreviará o seu reinado que será de três anos e meio. Nessa módica cifra certamente não está incluído o tempo que antecederá sua ascensão o poder supremo. Assim também, sabe-se que o sacrifício da Missa subsistirá até o tempo em que o Anticristo estabelecer seu domínio sobre toda raça, nação e língua.

O nome do Anticristo é indicado no Apocalipse pelo número 666. É sabido que em muitas línguas se pode converter as letras em números e vice-versa, assim se fizeram e fazem muitas conjecturas sobre qual nome pode ser este que rende o número 666. A opinião mais segura nesta matéria é aquela de Santo Irineu que afirma que o Apóstolo deu o nome da besta de modo enigmático para que ele viesse a ser conhecido unicamente no tempo do próprio Anticristo.

“Justamente quando a tempestade for mais violenta, quando a Igreja estiver sem chefe, quando o incruento sacrifício tiver cessado e tudo parecer humanamente perdido, duas testemunhos, assim diz São João, serão vistas ressurgindo.” Essas duas testemunhas, conforme Beda, Santo Agostinho, Santo Anselmo e muitos outros que se baseiam especialmente em Eclesiástico 48 e no profeta Malaquias – são Enoque e Elias, os quais foram arrebatados para que, no fim dos tempos, combatam o Anticristo e deem testemunho de Cristo perante as nações. Eles iniciarão o seu ministério público trinta dias depois do Anticristo ter logrado o domínio total sobre o mundo, sua principal realização será remover o véu da perfídia judaica.

Enoque e Elias terão poderes sobre-humanos, tanto pela força de sua pregação, feita com uma eloquência jamais vista desde os tempos apostólicos, quanto pelos prodígios que serão capazes de operar. E assim será até ter se completado sua missão, tal como se deu no caso de Sansão e Joana d’Arc. Após terem atingido todos os bons e não havendo nada mais por fazer pelos maus, eles serão mortos pelo Anticristo. E, depois, não São João, mas São Paulo nos conta que o Anticristo será morto pelo assopro da boca de Cristo e pelo resplendor de sua vinda. Estas imagens indicam, como afirma São Tomás, não que Cristo o matará em pessoa, mas o matará pela sua ordem (assopro de sua boca) e com o seu poder (resplendor de sua vinda).

E o que virá depois? A visão mais autoritativa e que parece estar mais em harmonia com a Escritura é que, depois da queda do Anticristo, a Igreja Católica prosperará e triunfará mais uma vez. Pois, como São Paulo observa em Romanos 11,12, o evento da conversão dos judeus trará consigo uma abundância inaudita para o mundo. Essa passagem é precisa e parece não deixar espaço para duvida. Além disso, ela está em harmonia com Apocalipse 15,2-3: “E vi… os que venceram a besta e a sua imagem… E cantavam eles o cântico do servo de Deus, Moisés, e o cântico do Cordeiro”, ou seja, doravante os cristãos e os judeus serão um só espírito e uma só fé, eles dirigirão os mesmos louvores a Cristo e juntos proclamarão sua glória.

Alguns pontos para guardar:

  1. O fim do mundo não chegará antes da vinda do Anticristo;
  2. O Anticristo será um homem de carne e osso;
  3. Será de origem judaica;
  4. Será concebido de uma união ilegítima;
  5. Será insensível à graça de Deus e terá estreita relação com o demônio;
  6. Desejará tomar o lugar de Deus;
  7. Será tão violento quanto astuto, perseguindo uns pela força, convencendo outros pela palavra e ainda outros pelos seus supostos milagres;
  8. Será o castigo da incredulidade humana, especialmente da perfídia judaica;
  9. Será o rei de um império mundial;
  10. Enquanto governante, perseguirá os santos e promoverá a promiscuidade;
  11. Céticos e livres pensadores crerão nele;
  12. Será o reformador e cabeça de uma falsa religião, uma caricatura da Igreja Católica;
  13. Será um tempo de grande apostasia, mas também de heroicos mártires e confessores da fé;
  14. Será um tempo de alta tecnologia;
  15. Jerusalém voltará a ser o centro da política;
  16. Seu reinado será de três anos e meio;
  17. Enoque e Elias o combaterão e serão responsáveis pela conversão dos judeus;
  18. Enoque e Elias serão mortos pelo Anticristo;
  19. O Anticristo será morto pelas ordens de Cristo;
  20. O mundo se tornará católico, judeus e cristãos serão um só povo.

O fim do mundo presente: os sinais que o precederão e acompanharão

Neste breve estudo resumo as duas primeiras conferências da obra de Padre Charles Arminjon sobre o fim do mundo presente. Sigo a versão inglesa da mesma, intitulada The End of the Present World and the Mysteries of the Future Life, pp. 1-49.

Este livro causou grande impressão em Santa Teresa do Menino Jesus, que o menciona em sua autobiografia e em suas cartas. Essas primeiras conferências tratam especificamente das circunstâncias que levarão e acompanharão ao fim do mundo (primeira conferência) e das circunstâncias que levarão ao advento do Anticristo e a conversão dos judeus (segunda conferência).

PREFÁCIO DO AUTOR

A fonte do racionalismo, mal do século, é a ausência do senso do sobrenatural e a negligência das grandes verdades sobre a vida futura. Essa terrível indiferença nasce da ignorância e do desmedido amor pelos prazeres sensuais que, obscurecendo o olho interior da alma, trazem todas as suas aspirações para o baixo nível da vida presente, afastando-a da visão das belezas e prêmios do mundo vindouro.

Como doenças extremas exigem tratamentos extremos, a melhor forma de combater o naturalismo é uma lúcida, clara e exata exposição, sem atenuantes, das verdades essenciais relacionadas com a vida futura e o inevitável termo do destino humano.

PRIMEIRA CONFERÊNCIA

O Fim do Mundo Presente: os sinais que o precederão e as circunstâncias que o acompanharão

“Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual passarão os céus com grande ímpeto, e os elementos com o calor se dissolverão, e a terra, e todas as obras que há nela, se abrasarão.” (1Pd 3,10)

Após o longo período dos séculos, a ordem visível das coisas na terra dará lugar a uma nova e permanente ordem, a mutável era do tempo será substituída pela era da estabilidade e do repouso. Esta conferência tratará de três questões fundamentais:

1. A doutrina do fim dos tempos é uma doutrina indubitável, em harmonia com a razão?

2. Podemos determinar, de acordo com as palavras de Cristo, se o fim do mundo está próximo ou não?

3. Por meio de qual cataclismo esta mudança acontecerá?

1. A ciência ateia de nosso tempo afirma que o mundo é eterno e que as coisas surgiram por acaso, nega assim a criação e a Divina Providência. Mas não nega, porém, a fé e a esperança no homem, pois ama tudo o que se refere às realizações do mesmo, vendo um potencial de progresso indefinido no mundo do qual o homem é o protagonista.

Entretanto, essa miragem do progresso esconde e canaliza uma constante frustração inerente desse sistema de desespero: o ideal nunca se torna realidade, o bem nunca está separado do mal e não há um mecanismo pelo qual se possa medir com justiça a importância da vida moral e dos atos humanos.

Tenta-se imputar esta responsabilidade à história. Ela, dizem os céticos, será a juíza da humanidade, de modo que o juízo final é supérfluo. Contudo, a verdade é que esta é uma juíza bastante inepta, incapaz de completar o serviço que lhe é outorgado e que, ademais, tem o estranho hábito de relegar ao esquecimento a maior parte dos réus. O julgamento da história não é público, sua sentença procede de um historiador falível, cujo juízo privado pouco ou nada pode fazer além de se lamentar pelas injustiças passadas.

Cada vida humana pode ser aquilatada como boa ou má, como semente de vida ou semente de morte, nenhuma pessoa é indiferente a este fato. E assim se torna forçoso concluir que, se há justiça no mundo, deve haver um juízo universal que dê a cada qual o que lhe é devido. Esse juízo só pode vir do tribunal infalível e onisciente de Deus.

Por conseguinte, os requerimentos da justiça, indicam que este mundo presente será julgado e assim terá um fim. Daí em diante haverá uma nova ordem. É também o que a observação e o bom senso exigem, pois se vê que a figura deste mundo realmente passa, isto é, que tudo nele é consumido pelo tempo. É certo, pois, que o mundo terá um fim, mas este fim é próximo ou remoto?

2. Cristo não precisou a data do fim do mundo, mas consentiu em dar sinais definidos e indicações a fim de nos deixar saber que o cumprimento das profecias está próximo. Jesus procede com a humanidade como um todo do mesmo modo que procede com indivíduos: a morte é certa, mas não se sabe quando ela virá. E embora possamos ser pegos de surpresa em qualquer momento, geralmente há sinais que tornam manifesto que a hora da morte se faz eminente e que seria uma vã ilusão pensar que nossa vida se estenderia por mais longos e longos anos aqui em baixo.

Em Mateus, cap. 24, Cristo aponta como sinais guerras, fomes, terremotos. Por si esses sinais são bastante vagos, ocorrendo em maior e menor grau em todas as épocas da história, porém eles são apenas o começo das dores: haec autem omnia initia sunt dolorum. Tais sinais não são suficientes para se formar uma firme conclusão de que o fim dos tempos está próximo, pois mesmo as calamidades públicas e revoluções sociais de nossa época encontram precedentes na história. Entretanto, as calamidades e revoluções do fim dos tempos serão de caráter público, pertencendo a ordem religiosa e social, elas não poderão ser ignoradas pela humanidade.

Essas calamidades são constituídas por três grandes sinais. Primeiro, o Evangelho deve ser pregado em todo o mundo (Mt 24,14); segundo, a aparição do homem do pecado, o Anticristo (2Ts 2,2-4); terceiro, a conversão dos judeus, que reconhecerão o Senhor Jesus Cristo e o adorarão como o Messias prometido (Rm 11,14-17). Nesta conferência será tratado unicamente do primeiro sinal.

Quanto a ele, alguns Padres dizem que uma conversão parcial seria o bastante, enquanto a maioria mantém que a profecia deve ser entendida em um sentido mais estrito. Cornélio a Lapide entende que este sinal somente se concretizará quando a Igreja tiver exercido toda a sua influência sobre toda e cada uma das nações bárbaras, o que significa que todas as nações devem experimentar o esplendor da pregação apostólica, com todo o brilho inerente de sua legislação, solenidades e hierarquia. Esse último pensamento parece mais em conformidade com o testemunho da Sagrada Escritura, com a sabedoria e misericórdia de Deus e com os modos da Providência que não faz acepção entre os povos e chama cada um a seu tempo para o conhecimento de sua lei salutar.

Nesse sentido, é preciso admitir que, como uma matéria de fato, a Ásia Central, a África Equatorial e muitas outras partes do mundo ainda não receberam a pregação do Evangelho em seu esplendor.

Feita essa observação, o Padre Arminjon menciona os seguintes textos da Escritura:

“Porquanto do Senhor é o reino; e ele mesmo reinará sobre as gentes.” (Sl 21,29)

“Diante dele se prostrarão os da Etiópia; e os seus inimigos beijarão a terra. Os reis de Társis, e as ilhas, lhe oferecerão dons; os reis da Arábia e de Sabá lhe trarão presentes.” (Sl 71,9-10)

“Alegra o sitio da tua tenda, e estende as peles dos teus pavilhões, e não te poupes a nada; faze compridas as tuas cordas, e segura as tuas estacas. Porque tu te alargarás para a direita e para a esquerda, e a tua posteridade terá por herança as gentes, e povoará as cidades desertas. Não temas, porque não serás confundida nem envergonhada, porquanto não terás de que te afrontar, pois te esquecerás da confusão de tua mocidade, e não te lembrarás mais do opróbrio da tua viuvez.” (Is 54,2-4)

“Será chamado o Deus de toda terra.” (Is 54,5)

“Esses textos”, diz Padre Aminjon, “são explícitos e precisos. É claro a partir desses testemunhos que haverá um tempo em que todas as heresias e cismas serão superados e a verdadeira religião conhecida e praticada por todos, em todos os lugares iluminados pelo sol.” (p. 10).

Depois disso, virá um tempo em que a humanidade estará mergulhada na mais profunda indiferença religiosa, os pensamentos sobre o castigo e justiça divina estarão muito longe da mente dos homens. A divina misericórdia terá esgotado todos os seus recursos. O Anticristo já terá aparecido sobre a face da terra. Os homens de toda o mundo já foram chamados para o conhecimento da verdade e a Igreja já floresceu na plenitude de sua vida e fecundidade pela sua última vez.

3. O grande cataclismo virá quando o mundo estiver mais seguro: a civilização estará no seu zênite, os mercados estarão transbordando de dinheiro e os estoques dos governos nuca terá sido tão alto. A humanidade embriagada pela prosperidade material não aspirará mais pelo céu.

Por meio de que elemento essa grande destruição acontecerá? Qual será a sua causa eficiente, agente principal, instrumento direto e imediato de tudo isso? Não será por água como no dilúvio, nem por terremotos ou por lava como em Herculaneum e Pompeii da época de Tito; desta vez, a terra será destruída pelo fogo. O mesmo espírito que pelo fogo criou o mundo, também pelo fogo o destruirá para formar o novo mundo: “Fogo irá adiante dele, e abrasará ao redor os seus inimigos. Alumiaram os seus relâmpagos a redondeza da terra; viu-os a terra, e foi comovida.” (Sl 96,3-4). Este fogo devorará o ímpio como palha e o penetrará até a medula, até consumi-lo inteiramente. Será também a tribulação final para o justo, pois esse castigo dos últimos tempos tomará o lugar do Purgatório. Podemos estar bastante certos desses eventos, eles são certos com o mesmo grau de certeza absoluta com o qual dizemos que Deus é Deus, não estando sujeito a qualquer erro ou mudança.

Essas verdades não são meras verdades de ordem especulativa, mas são ensinadas para que se produzam efeitos práticos e imediatos em nossas vidas. Assim, se tudo o que temos neste mundo será consumido pelo fogo, não devemos valorizar os bens terrenos mais do que estimamos uma pilha de lenha ou um monte de palha. Por que então fazer delas o centro de nossos desejos e cuidados? Por que deixar as marcas de nosso gênio onde tudo será dissolvido pelo fogo?

Pode-se objetar que isso será daqui há mil anos. Mas o que são mil anos para quem vê as coisas da eternidade? A história humana parecerá menor que um dia para aqueles que a contemplam deste a eternidade. “Mille anni, ante oculos tuos, tamquam dies hesterna praeterit. / Porque mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem, que passou” (Sl 39,4).

Cristo mesmo insiste que devemos meditar sobre essas coisas e que o fim dos tempos nos tomará de surpresa e acontecerá antes do que imaginamos. Prope est jam Dominus (Joel 1,15; Abidias 1,15). O Senhor está próximo, o dia do julgamento é iminente, assim pensaram os grandes santos e doutores da Igreja, como São Jerônimo, São Gregório, São Bernardo e São Vicente Ferrer. Naquele tempo terrível da consumação dos séculos nada mais distinguirá o homem senão a virtude e o mérito. O justo que ouviu as recomendações dos Apóstolos, observando os mandamentos de Cristo e sua Igreja, sairá vitorioso do meio desse caos sem precedentes, este será o triunfo do bem sobre o mal.

Que este seja o nosso destino. Amém.

Alguns pontos para guardar:

  1. O juízo final e o fim do mundo são condizentes com a razão e o bom senso;
  2. As guerras, fomes e pragas não são sinais certíssimos; elas serão somente o início das dores, se bem que dessa vez a calamidade diferirá das outras pela sua proporção;
  3. Sinais mais precisos sobre o fim dos tempos são a pregação do Evangelho em todo o mundo, a vinda do Anticristo e a conversão dos judeus;
  4. Esta pregação se cumprirá somente quando o mundo todo for católico;
  5. O elemento que dissolverá o mundo presente será o fogo.