Viganò, Rússia e Terceira Roma: Análise da Declaração sobre a Crise Russo-Ucraniana

No dia 6 de março, Monsenhor Carlo Maria Viganò, Arcebispo e ex-Núncio Apostólico nos Estados Unidos, bem conhecido por suas críticas a Francisco e ao Concílio Vaticano II, pronunciou-se sobre a crise entre Rússia e Ucrânia. A análise que ele fez da situação mostra a questão dentro de uma perspectiva menos politicamente correta do que aquela que constitui a narrativa oficial, martelada diariamente na grande mídia desde o início do conflito, revelando o outro lado da história, enquanto que ao menos parece, como veremos, extrapola os limites da ortodoxia católica.

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FAKE NEWS sobre o conflito na Ucrânia

É dois de março de 2022. Já se passou uma semana desde o começo do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, bem mais do que esperava que tomasse para eu me pronunciar a respeito. Creio, porém, que valeu a pena a demora. Do dia 24 de fevereiro para cá, estive me informando sobre o que estava acontecendo, ouvindo diferentes opiniões e abordagens, tudo a fim de me posicionar de acordo com a justiça e caridade cristã, e ajudar também aos outros a fazê-lo. Ainda estou aberto as considerações dos demais, que podem muito bem ter compreendido o que me escapou. Em todo caso, vou divulgando aqui o resultado de meus estudos, na forma de comentários que lidam com aspectos gerais e específicos do conflito e sua repercussão, dentro da perspectiva católica, com a lição ou conclusão prática a ser tirada desses acontecimentos. Começarei aqui tratando das notícias falsas que circulam em torno desse acontecimento.

I. Primeiramente, cumpre notar que o estado de medo e ansiedade, que Santo Inácio chamaria de tempos de desolação, não é o mais apropriado para a tomada de qualquer decisão importante. É preciso de calma e paz no coração, sem isso o ser humano não consegue pensar direito e acaba cedendo a propostas que, em circunstâncias normais, jamais aceitaria. O terror psicológico que vemos neste tempo é para enganar ou paralisar, e não parece que seja proporcional a dimensão real e concreta do problema que vivemos atualmente.

Note bem o modo como as coisas têm sido retratadas:

1.º Surgiu um perigo novo, iminente e extraordinário.
2.º – Este perigo ameaça toda a humanidade.
3.º – Ele pode causar a morte de milhões de pessoas.
4.º – É necessário que todos se unam contra ele, para que não sejam suas vítimas.
5.º – É fundamental que todos os governos tomem medidas urgentes.
6.º – Espera-se que os afetados tomem medidas que atentem contra a sua própria vida.
7.º – Os não afetados, igualmente, devem prevenir-se de formas não menos agressivas.

Ora, não é preciso ser um gênio, nem ter uma memória privilegiada, para lembrar e comparar o que hoje ocorre na Ucrânia com o que se passou nos últimos dois anos. Falava-se exatamente as mesmas coisas do Coronavírus, as pessoas se desesperaram – e até hoje alguns se desesperam -, mas as previsões apocalípticas não se cumpriram e as soluções encontradas – máscaras e vacinas experimentais – fazem ver os riscos e o ridículo a que nos expõe essa abordagem. Antes se falava em pandemia, hoje se fala em Terceira Guerra Mundial; antes se falava em medidas sanitárias enérgicas, hoje em sanções econômicas homéricas; antes se falava em fazer as pessoas cobaias de laboratório, hoje se fala em fazê-las buchas de canhão. Diante do aprendizado dos últimos dois anos, não pode escapar da acusação de gravemente imprudente a pessoa que cai nesse jogo de faz de conta.

II. Todos os lados envolvidos no conflito estão errados em alguma medida e todos mentem. Como muitos disseram: a primeira vítima da guerra é a verdade. Portanto, demonizar qualquer uma das partes envolvidas não é apenas uma estupidez enorme, mas faz parte do plano. A guerra de informação pela opinião pública corre, lado a lado, com a disputa armada pelo poder.

É importante chamar a atenção para esse elemento propagandístico da guerra, até mesmo para ressaltar que é muito difícil saber, durante o conflito, e às vezes mesmo depois dele, o que realmente está acontecendo. Há muitas coisas que fogem do nosso alcance, que são só do conhecimento dos governos e seus serviços de inteligência, e há tantas outras que não passam de desinformação, ou seja, de notícias deliberadamente falsificadas, no intento de desmoralizar o adversário.

Até que ponto isso é lícito? São Tomás de Aquino ensina na Suma Teológica (II-II, q. 40, art. 3) que é lícito omitir informações do inimigo e deixar-se o que é segredo em segredo, porque nem todos devem saber tudo. Contudo, divulgar informações falsas e quebrar promessas é sempre ilícito, pois a falta de lealdade com o próximo, além de ser uma injustiça, também é um poderoso combustível para maiores conflitos.

Neste caso de mentira ilícita, incluem-se as notícias, na grande mídia ocidental, que divulgavam fotos e vídeos de bombardeios acontecidos em outros lugares e épocas da história, como os conflitos na Iuguslávia e Palestina, como se tivessem ocorrido na Ucrânia. Houve até o caso de cenas de vídeo game sendo exibidas como imagens dos ataques russos. Por outro lado, na mídia russa, fala-se, como justificativa da operação, em grupos terroristas e armas nucleares em solo ucraniano, mesma espécie de argumento dúbio usado pelos Estados Unidos ao invadir o Iraque.

Escândalo Mundial ou Teoria da Conspiração? – Breve investigação sobre a origem do Coronavírus

Escândalo mundial para uns, teoria de conspiração para outros. O que pensar sobre as notícias que ultimamente se tem publicado sobre a origem do coronavírus? Será verdade que o Covid-19 tenha sido obra de mãos humanas? Será mesmo que o conhecimento sobre sua origem teria sido ocultado por Anthony Fauci, Peter Daszac e outros cientistas, aparentemente movidos por alguma mórbida ambição ou conflito de interesse?

Respondê-lo não é possível, se antes não procuramos trazer à lume, da maneira mais completa e imparcial, quais são as informações que tem estado em pauta na mídia internacional. Portanto, aqui me limitarei a apresentar algumas manchetes, de vários jornais do mundo, inclusive de posições antagônicas – uns sendo reconhecidamente de esquerda ou inclinados à geopolítica do oriente, outros reconhecidamente de direita ou inclinados à geopolítica do ocidente -, resumindo, da melhor forma possível, o que há de importante em cada matéria. Esse será o nosso ponto de partida.

Tal exercício não tem o intento de encerrar a questão, o que talvez nem seja possível no momento, mas apenas procura apresentar as informações relevantes que engendraram a questão ou, melhor dizendo, que fizeram com que a questão aparentemente resolvida da origem do Coronavírus, voltasse à pauta dos acadêmicos, políticos e jornalistas de todo o mundo. Sem esse conhecimento prévio, penso que não valeria a pena nem começar discussão alguma sobre a verdade ou falsidade de tais proposições.

Aliás, o simples questionar-se sobre tais possibilidades já nos abre para uma séria e saudabilíssima reflexão sobre as bases frágeis do sistema liberal em que vivemos, no qual o governo, a imprensa e a ciência não se regulam, como foi no passado, de acordo com as leis imutáveis do Evangelho de Jesus Cristo, mas somente operam de acordo com conceitos humanitários, que podem justificar qualquer iniciativa e ambição perigosa, da implantação de uma tecnocracia global (o tal do grande reset do Fórum Econômico Mundial) ao transhumanismo homicida, uma das principais apostas dos tecnocratas para o futuro.

De fato, essa crença cega na própria excelência e a falta de recurso a Deus nas situações de necessidade podem oferecer maior ameaça à espécie humana do que o humilde e reverente reconhecimento da própria ignorância. Os antigos são chamados de ignorantes e supersticiosos porque respeitavam o curso da natureza e admitiam que a ciência e poder do homem têm limites precisos, mas o que dizer destes filhotes de Maquiavel que, inflados de sua falsa ciência e ateísmo, nos querem fazer engolir uma agenda estúpida e totalitária? Eles mesmos não sabem as consequências de suas ideias e irresponsabilidade de seu poder. No intuito de ser deuses, agem como demônios: mortes, fraude e mentiras são o resultado de seu “humanismo”.

Voltando à questão da origem do Coronavírus, penso que algumas distinções filosóficas são muito bem-vindas aqui. Então, falarei, primeiro, sobre sua origem imediata, isto é, o que se sabe ou alega hoje em dia sobre o possível vazamento do vírus a partir do laboratório de Wuham, na China; a seguir, sobre sua origem próxima, trazendo as notícias em torno dos estudos sobre “ganho de função” do Coronavírus, apontando para sua origem artificial; por último, sobre a origem remota, isto é, sobre aqueles que financiaram tais estudos para fins aparentemente escusos. Com essas informações, creio que todos estarão aptos a formar melhor juízo sobre essa questão da origem do Coronavírus.

Numa palavra, o compêndio que se segue pode ser resumido assim: (I) um vazamento no laboratório de Wuham, na China, (II) por consequência de pesquisas sobre ganho de função em patógenos, (III) com financiamento do governo americano.

I. UM VAZAMENTO NO LABORATÓRIO DE WUHAM, NA CHINA

No artigo da Veja Saúde intitulado “Coronavírus: como a pandemia nasceu de uma zoonose” (https://saude.abril.com.br/medicina/coronavirus-pandemia-zoonose/), encontramos a narrativa sugerida pela OMS no ano passado, segundo a qual o Coronavírus teria uma origem natural, tendo saltado do morcego para o homem. Segundo essa explicação, o contato com o animal portador da infecção teria sido a fonte do Coronavírus, que de algum modo se adaptou ao organismo humano, quando entrou em contato com ele. Tal poderia ter ocorrido no mercado público de Wuham.

Essa tese foi contestada desde o princípio, mas por uma série de razões que veremos adiante ela foi desprezada pelos cientistas e governantes. Cumpre notar por enquanto que a opinião pública sobre o tema sofreu uma mudança recentemente, segundo alguns, a começar pela publicação do artigo Intelligence on Sick Staff at Wuhan Lab Fuels Debate on Covid-19 Origin (Inteligência sobre funcionários doentes no laboratório de Wuhan alimenta debate sobre a origem da Covid-19), publicado no The Wall Street Journal por Michael R. Gordon, Warren P. Strobel e Drew Hinshaw no dia 23 de maio de 2021 (https://www.wsj.com/articles/intelligence-on-sick-staff-at-wuhan-lab-fuels-debate-on-covid-19-origin-11621796228). Ali lemos o seguinte:

WASHINGTON – Três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan da China ficaram doentes o suficiente em novembro de 2019 e procuraram atendimento hospitalar, de acordo com um relatório não divulgado da inteligência dos EUA, que pode adicionar peso às crescentes demandas por uma investigação mais completa sobre se o vírus Covid-19 pode ter escapado do laboratório.

Os detalhes do relatório vão além de um informativo do Departamento de Estado, emitido durante os últimos dias do governo Trump, que dizia que vários pesquisadores do laboratório, um centro de estudo de coronavírus e outros patógenos, adoeceram no outono de 2019 “com sintomas consistentes com Covid-19 e uma gripe sazonal comum.”

A divulgação do número de pesquisadores, do momento de suas doenças e de suas visitas hospitalares acontece na véspera de uma reunião do órgão de decisão da Organização Mundial da Saúde, que deve discutir a próxima fase de uma investigação sobre as origens da Covid-19 .

Funcionários atuais e ex-funcionários familiarizados com a inteligência sobre os pesquisadores de laboratório expressaram opiniões diferentes sobre a força das evidências de apoio para a avaliação. Uma pessoa disse que foi fornecido por um parceiro internacional e era potencialmente significativa, mas ainda precisava de mais investigações e corroboração adicional.

Outra pessoa descreveu a inteligência como mais forte. “As informações que recebíamos de várias fontes eram de excelente qualidade. Foi muito preciso. O que isso não disse foi exatamente por que eles ficaram doentes ”, disse ele, referindo-se aos pesquisadores. […] (The Wall Street Journal, Inteligência sobre funcionários doentes no laboratório de Wuhan alimenta debate sobre a origem da Covid-19, 23-05-2021)

O The Wall Street Journal é propriedade do sr. Rupert Murdoch. Ele também é proprietário do jornal The New York Post e da emissora de televisão Fox News. Todas essas companhias, como veremos, fizeram circular essa e outras informações, que corroboram com a teoria do vazamento via laboratório em Wuham, responsabilizando direta ou indiretamente o governo chinês pelo ocorrido. Politicamente, seus jornais são de direita, alinhando-se com o Partido Republicano nos EUA. Religiosamente, ele é judeu, embora tenha casado com uma católica Novos Ordo, assistido a algumas missas novas e recebido a honra de Cavaleiro Comandante da Ordem de São Gregório, uma honra papal que lhe foi concedida por João Paulo II, três meses antes de seu segundo divórcio (https://en.wikipedia.org/wiki/Rupert_Murdoch#cite_ref-143).

Essa digressão é importante, porque é mais ou menos com isso em vista que no dia 1.º e junho foi publicado, no World Socialist Web Site, o artigo Author of Wall Street Journal “Wuhan lab” story wrote lies about Iraqi “Weapons of Mass Destruction” (O autor da história do “laboratório de Wuhan” do Wall Street Journal escreveu mentiras sobre as “armas de destruição em massa” do Iraque) – https://www.wsws.org/en/articles/2021/06/01/wuha-j02.html. Depois de uma retrospectiva sobre os acontecimentos subsequentes à publicação do artigo sobre o vazamento em Wuham, o jornal de esquerda afirma que, ao que tudo indica, trata-se de um consórcio entre a grande mídia e o governo americano para os preparativos de uma guerra com a China:

EM 23 DE MAIO, o Wall Street Journal publicou um artigo intitulado “Intelligence on Sick Staff at Wuhan Lab Fuels Debate on Covid-19 Origin”. Citando “funcionários atuais e ex-funcionários” não identificados, ele afirmou que os pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan “foram para o hospital em novembro de 2019, pouco antes do surto confirmado” de COVID-19.

Dois dias depois, em 25 de maio, o Secretário de Saúde e Serviços Humanos Xavier Becerra, falando na Assembleia Mundial da Saúde das Nações Unidas, exigiu uma investigação “transparente” sobre as origens do COVID-19.

No dia seguinte, em 26 de maio, o presidente dos EUA Joe Biden convocou a “Comunidade de Inteligência” para investigar se o COVID-19 surgiu “de um acidente de laboratório”, pedindo que “me informe em 90 dias”.

Seguiram-se reportagens da mídia pela NBC, CNN e New York Times. Todas elas alegaram que as ações do governo Biden foram desencadeadas pelas “novas evidências” apresentadas no artigo do Wall Street Journal. Dentro de 24 horas da publicação do relatório do Journal, todas essas publicações declararam que a teoria da conspiração do Wuhan Lab era “confiável”.

Mas o artigo publicado pelo Wall Street Journal – além de ser totalmente infundado e não apresentar nada de fundamentalmente novo em termos de “inteligência” – acontece de ter por autor principal a quem ajudou a fabricar a mentira mais letal do século 21.

O principal autor do artigo do Journal, Michael R. Gordon, foi o mesmo homem que, junto com Judith Miller, escreveu o artigo de 8 de setembro de 2002 afirmando falsamente que o presidente iraquiano Saddam Hussein estava tentando construir uma arma nuclear.

Esse artigo, intitulado “U.S. says Hussein intensifies quest for a-bomb parts” (“U.S. diz que Hussein intensifica a busca por peças de uma bomba”), afirmou que “nos últimos 14 meses, o Iraque procurou comprar milhares de tubos de alumínio especialmente projetados, que as autoridades americanas acreditam que eram destinados como componentes de centrífugas para enriquecer urânio”.

A afirmação era uma mentira, direcionada para o Times pelo gabinete do vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney.

[…]

O mesmo tipo de “engano deliberado” da mídia em relação às “armas de destruição em massa” usadas para preparar a guerra do Iraque está sendo reprisado em a campanha contínua da administração Biden e da mídia para promover a alegação de que o COVID-19 surgiu do Instituto de Virologia de Wuhan. Assim como as mentiras de 2002 levaram à destruição do Iraque e à morte de mais de um milhão de pessoas, a atual campanha de propaganda dos EUA contra a China corre o risco de provocar um conflito militar em uma escala muito mais devastadora. (World Socialist Web Site, Author of Wall Street Journal “Wuhan lab” story wrote lies about Iraqi “Weapons of Mass Destruction”, 01-06-2021).

Contudo, embora seja verdade que o retorno à discussão sobre a origem do Coronavírus possa assumir o caráter de um conflito geopolítico entre Estados Unidos e China, a referência do jornal socialista ao artigo do The Wall Street Journal como o motor da discussão é incorreto. Aliás, como é comum acontecer com os socialistas, eles politizam tudo, religião e ciência, reduzindo tudo a uma relação imbecil entre dominador e dominado, a tal da luta de classes, o que nem sempre é o caso, porque o homem também busca a verdade sem interesse, pois é normal que uma pessoa identifique o conhecimento da verdade como o seu próprio bem e mude de atitude quando percebe que procedia a partir de um falso conceito das coisas. Se nós mesmos admitimos isso em nós, por que negaremos aos outros esse benefício de rever seus conceitos agindo de boa fé?

Porém, o mais irônico é que, desta maneira, os socialistas estão despolitizando o politizado, isto é, escondendo os fatos verdadeiros de compromisso político e econômico que tornam um tanto suspeita a tese “não conspiratória”. O que hoje se sabe é que o prematuro negacionismo dos cientistas e demais envolvidos na investigação da origem do Coronavírus era motivado mais por uma oposição ao governo Trump e por conflito de interesse da parte dos possíveis responsáveis pelo desastre do que outra coisa. Uma vez que não há mais Trump e que a fraude se tornou insustentável, mudou-se o discurso antes que fosse tarde demais.

II. POR CONSEQUÊNCIA DE PESQUISAS SOBRE GANHO DE FUNÇÃO EM PATÓGENOS

Em abril do ano passado, o Nobel de Medicina, Luc Montagnier, afirmou taxativamente que era um mito essa história de que o Coronavírus teria surgido de mutação natural. Eis o que aparece no UOL em 17 de abril de 2020:

Em uma entrevista ao site francês Pourquoi doctor? (“Por quê doutor?”, em português), o professor e Nobel de Medicina francês Luc Montagnier explica que não acredita que a covid-19 seja originária da contaminação em um mercado de animais selvagens na China. “É apenas uma história da Carochinha, mas não é real. O vírus saiu de um laboratório de Wuhan”, declarou. Montagnier, premiado com o Nobel pela “descoberta” do HIV em 2008, afirmou ainda que “o laboratório da cidade de Wuhan se especializou nesse coronavírus desde o início dos anos 2000. Eles têm experiência nessa área”.

O professor explica ter analisado “nos mínimos detalhes” a sequência com seu colega matemático Jean-Claude Perrez: “Não fomos os primeiros, já que um grupo de pesquisadores indianos tentou publicar um estudo que mostra que o genoma completo desse coronavírus [possui] sequências de outro vírus, o HIV, o vírus da AIDS”, explicou. O pesquisador diz que o grupo indiano de pesquisa teve que se retratar após sua publicação. Ele afirma que “a verdade científica sempre acaba surgindo”. Segundo ele, a sequência do HIV foi inserida no genoma do coronavírus na tentativa de fazer uma vacina contra o HIV. “É o trabalho de um aprendiz de feiticeiro”, comenta. (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2020/04/17/nobel-de-medicina-frances-causa-polemica-ao-dizer-que-coronavirus-saiu-de-laboratorio-chines.htm?cmpid=copiaecola).

A UOL e toda a mídia da época então tentou desmentir o valho perito em virologia, citando outras “autoridades científicas” e taxando como Fake News quem quer que dissesse o contrário. Não obstante, para que ele tinha razão, apesar da campanha em contrário, “a verdade científica sempre acaba surgindo.”

Um breve relato sobre a mudança de perspectiva nesse respeito apareceu a 22 de maio de 2021, um dia antes da reportagem alegada como a fonte da nova “teoria da conspiração”. Eis o que lemos no Editorial do New York Post:

Os republicanos no Comitê de Inteligência da Câmara acabaram de divulgar um relatório citando “evidências circunstanciais significativas” de que a COVID-19 se originou em um laboratório de Wuhan, China, e que Washington “pode ter financiado ou colaborado” em pesquisas que levaram ao surto – suspeitas que nas últimas semanas se tornaram bastante populares.

Portanto, dois pontos: 1) Por que os democratas não se inscreveram? 2) Quão tolo o Facebook agora parece por bloquear a coluna de fevereiro de 2020 do The Post, que primeiro levantou a possibilidade de vazamento do laboratório de Wuhan.

A virada começou quando 18 cientistas mundiais desafiaram a investigação superficial da Organização Mundial da Saúde, que chamou o cenário de vazamento de laboratório de “extremamente improvável”. Eles pediram “uma investigação adequada”, observando que nenhuma evidência apóia a teoria de que o vírus simplesmente saltou de morcegos.

Em seguida, veio o ensaio marcante do ex-repórter científico do New York Times, Nicholas Wade, detalhando a ciência que torna a teoria do vazamento de laboratório mais confiável e sinalizando para a possibilidade real de que a EcoHealth Alliance, sediada em Nova York, pode ter usado financiamento federal para pagar a pesquisa do coronavírus no Instituto de Virologia de Wuhan.

Peter Daszak, presidente da EcoHealth, tem sido a principal força buscando desacreditar a teoria do vazamento de laboratório, organizando uma carta no The Lancet que a atacou e até mesmo servindo na equipe da OMS responsável por “investigar” o ocorrido em Wuhan.

VEJA TAMBÉM

Republicanos da Câmara: evidências mostram que COVID-19 se originou de vazamento de laboratório chinês
Notavelmente, Anthony Fauci e o chefe do Centro de Controle de Doenças, Rochelle Walensky, já admitiram que a pandemia pode ter começado naquele laboratório.

Enquanto isso, a China se recusa terminantemente a permitir acesso independente ao laboratório ou seus registros – o que significa que está escondendo algo (quem sabe apenas outra pesquisa sobre guerra biológica, que insiste que não está fazendo).

Os “saltos” entre as espécies requerem tempo para que um vírus se adapte e provavelmente infectaria pelo menos uma espécie intermediária antes de ser transmitida aos humanos. Mas os testes de 80.000 amostras de animais nas primeiras áreas infectadas da China deram todos resultados negativos para COVID-19. E a espécie de morcego com maior probabilidade de transportar coronavírus mora a 1.600 quilômetros de Wuhan e estaria em hibernação quando os primeiros casos apareceram.

Que este coronavírus em particular aparecesse aparentemente do nada, sendo perfeitamente adequado para atacar humanos, seria um grande mistério se não tivesse surgido primeiro em uma cidade com dois institutos de virologia que estavam estudando coronavírus em morcegos.

Além das observações de rotina, esses estudos chegaram ao que os republicanos da Câmara chamaram de “pesquisa perigosa”, conduzida sem “protocolos de segurança necessários”.

É aqui que a coisa fica realmente confusa.

O MIT identificou o trabalho de Shi Zheng-li, uma importante cientista do laboratório de Wuhan, como um exemplo de pesquisa de “ganho de função”, um método de desenvolver vacinas tornando primeiro um vírus mais potente e adaptado para atacar células humanas. Ela fazia grande parte de seu trabalho em uma sala com apenas o mesmo nível de medidas sanitárias e de segurança de um consultório de dentista dos EUA.

E ela disse à Scientific American que ao ouvir sobre os primeiros casos em Wuhan, seu primeiro pensamento foi se perguntar se seu laboratório seria a fonte.

A China em geral tem um histórico de vazamentos de pesquisas resultando em infecções, e o Departamento de Estado emitiu alertas sobre esses experimentos específicos e a falta de pessoal treinado envolvido já em 2017. Ah, e a mídia chinesa estava discutindo o descarte impróprio de resíduos no Instituto Wuhan, e funcionários vendendo animais de laboratório no mercado negro, antes do surto.

Vários dos pesquisadores do instituto exibiram sintomas semelhantes aos do COVID no outono de 2019. O uso do telefone celular nas instalações parou por três semanas em outubro, sugerindo uma interrupção do trabalho, talvez para evacuação ou descontaminação.

Resumindo, a China tem muito o que explicar – assim como o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas liderado por Fauci, que relata a Newsweek investiu milhões na pesquisa do coronavírus de Wuhan.

Os republicanos da Câmara querem uma divulgação completa de todas as informações federais sobre as origens da pandemia. Isso seria pelo menos um começo para esclarecer os mistérios (https://nypost.com/2021/05/22/the-wuhan-lab-leak-theory-looks-more-credible-then-ever/).

Além disso, um estudo do professor britânico Angus Dalgleish e do cientista norueguês Dr. Birger Sorensen sugere que o exame da proteína spike do Coronavírus revela traços de retroengenharia humana.

A notícia, publicada em 28 de maio no Daily Mail, apareceu no mesmo New York Post, sob o título Explosive study claims to prove Chinese scientists created COVID (Estudo explosivo afirma provar que cientistas chineses criaram COVID).

Um novo estudo bombástico afirma ter provas de que os cientistas chineses criaram o COVID-19 em um laboratório e, em seguida, tentaram fazer a engenharia reversa de versões do vírus para fazer parecer que ele evoluiu naturalmente dos morcegos.

O professor britânico Angus Dalgleish e o cientista norueguês Dr. Birger Sørensen escreveram que tiveram evidências primárias “de retroengenharia na China” desde o ano passado, mas foram ignorados por acadêmicos e importantes jornais médicos, informou o Daily Mail no sábado, citando o estudo a ser publicado.

O estudo conclui: “a probabilidade de ser o resultado de processos naturais é muito pequena.” O vírus ainda mata 12.000 pessoas por dia em todo o mundo.

Dalgleish é um professor de oncologia de Londres conhecido por um trabalho inovador em uma vacina contra o HIV. Sørensen é virologista e presidente da empresa farmacêutica Immunor, que desenvolveu uma vacina candidata contra o coronavírus chamada Biovacc-19. Dalgleish também tem participação financeira nessa empresa.

Foi durante a pesquisa da vacina COVID-19 que a dupla encontrou “impressões digitais únicas” indicando que o vírus não veio da natureza, disseram eles. A pista reveladora: uma descoberta rara no vírus portador do COVID de uma fileira de quatro aminoácidos, que emitem uma carga positiva e se ligam a células humanas negativas.

“As leis da física implicam que você não pode ter quatro aminoácidos carregados positivamente em uma fileira”, disse Dalgleish ao Daily Mail. “A única maneira de conseguir isso é fabricando-o artificialmente.”

Eles também rastrearam pesquisas chinesas publicadas, algumas feitas em parceria com universidades americanas, para mostrar como as ferramentas para criar o vírus foram supostamente construídas. Boa parte do trabalho revisado envolveu pesquisa de “ganho de função”, que envolve a manipulação de vírus naturais em um laboratório para torná-los mais infecciosos, permitindo que os cientistas estudem seu efeito potencial em humanos.

Os EUA impuseram uma moratória a esse tipo de pesquisa em 2014. Mas é impossível saber se US $ 600.000 em financiamento para pesquisa médica na China foram usados para pesquisa de ganho de função, disse o Dr. Anthony Fauci ao Congresso na semana passada.

“Seria de se esperar que uma pandemia de vírus natural sofresse mutação gradativa e se tornasse mais infecciosa, mas menos patogênica, o que muitos esperavam com a pandemia de COVID-19, mas que parece não ter acontecido”, escreveram os cientistas.

Os cientistas não puderam ser contatados imediatamente pelo The Post para comentar o assunto.

A notícia do estudo surge em meio a um interesse renovado nas origens do COVID-19, que há muito tempo foi proclamado como tendo saltado de morcegos para humanos em um mercado público na China. (https://nypost.com/2021/05/29/explosive-study-claims-to-prove-chinese-scientists-created-covid/)

A repercussão da matéria foi internacional. Os organismos de imprensa alinhados com o ocidente, não tardaram em emitir um juízo condenatório contra os chineses, os organismos em linha com a China o dispensaram como uma teoria da conspiração, consistentemente negada pelo governo chinês. Como exemplos de um e de outro, cito o NewsX da Índia e o TRT World da Turquia:

30-05-2021 – Novo estudo do Reino Unido sobre Wuhan Lab expõe a ligação por trás da criação do vírus por cientistas chineses – NewsX da Índia (https://www.newsx.com/world/new-uk-study-on-wuhan-lab-exposes-link-behind-chinese-scientists-creating-the-virus.html).

A nova pesquisa afirma que os cientistas pegaram um “backbone” natural de coronavírus encontrado em morcegos das cavernas chinesas e entrelaçaram nele um novo “spike”, transformando-o em algo mortal e altamente transmissível, o Covid19.

À medida que o novo coronavírus se espalhava, o Instituto de Virologia de Wuhan foi interrompido e responsabilizado pela realização de pesquisas arriscadas de ganho de função em coronavírus. Devido a pedidos, cada vez mais numerosos, por uma nova investigação sobre as origens da Covid-19, um novo estudo explosivo descobriu que cientistas chineses criaram o vírus em um laboratório em Wuhan e, em seguida, tentaram cobrir seus rastros com versões de engenharia reversa do vírus para fazer com que pareça que ele evoluiu naturalmente dos morcegos.

O laboratório de Wuhan também está sendo investigado por negligência em padrões de segurança, bem como por estar sob o controle direto dos militares chineses, o Exército de Libertação do Povo (PLA). O Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) declarou oficialmente que o mercado municipal em Wuhan pode ter sido uma vítima do vírus e um super propagador.

No entanto, essa falsa teoria do mercado municipal foi mantida viva por pesquisadores comprometidos nos Estados Unidos e na Europa, e alguns deles são nomes de destaque no governo de Joe Biden. Especialistas dos EUA enviaram um alerta a Washington de que o laboratório de Wuhan estava pronto, mas os próprios cientistas do laboratório relataram uma séria escassez de técnicos e investigadores devidamente treinados, necessários para operar com segurança este laboratório de alta contenção.

A Instituto de Virologia de Wuham declarou em seu site que seus cientistas fizeram grandes realizações em virologia e biotecnologia ao atender às demandas estratégicas nacionais. O estudo patogênico de doenças infecciosas emergentes é um importante campo de pesquisa nesse laboratório.

O paper também cita que os pesquisadores encontraram “impressões digitais únicas” em amostras da Covid-19 que, segundo eles, só poderiam ter surgido da manipulação em um laboratório. Os autores Dalgleish e Sorensen escreveram em seu artigo que tiveram evidências prima facie de retro-engenharia na China durante um ano, mas foram ignorados por acadêmicos e periódicos importantes.

29-05-2021 – Estudo alega que a China criou coronavírus em laboratório, tentou encobrir rastros – TRT World – TRT World da Turquia (https://www.trtworld.com/life/study-alleges-china-created-coronavirus-in-lab-tried-to-cover-tracks-47098).

Os autores do estudo, o professor britânico Angus Dalgleish e o cientista norueguês Dr. Birger Sorensen, afirmam que Pequim fabricou o vírus em um laboratório de Wuhan e o ocultou fazendo “engenharia reversa” de suas variantes. A China rejeitou consistentemente a teoria de vazamento em laboratório.

Cientistas chineses criaram o coronavírus em um laboratório e depois tentaram ocultá-lo por meio de variantes de “engenharia reversa” do vírus mortal para fazer com que parecesse ter se desenvolvido a partir de morcegos, afirma um novo estudo relatado pelo Daily Mail.

A Covid-19, que surgiu na China no final de 2019, matou 3,34 milhões de pessoas, custou ao mundo trilhões de dólares em renda perdida e mudou a vida normal de bilhões de pessoas.

O novo estudo, obtido pelo Daily Mail e com publicação em breve no Quarterly Review of Biophysics Discovery, alega a “destruição deliberada, ocultação ou contaminação de dados” e diz que os autores têm “evidências prima facie de retroengenharia na China” .

O artigo do jornal, escrito pelo professor britânico Angus Dalgleish e pelo cientista norueguês Dr. Birger Sorensen, também observa o silenciamento de cientistas na China que falaram sobre o vírus.

A China tem acusado os EUA de politizar a pandemia e dizer que especialistas internacionais “elogiaram repetidamente a atitude aberta e transparente da China” em relação às origens de Covid.

“Algumas pessoas nos Estados Unidos ignoram completamente os fatos e a ciência”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, a repórteres na quinta-feira.

Mudança de maré

Dalgleish e Sorensen alegaram que notaram “impressões digitais únicas” no coronavírus que sugerem manipulação em um laboratório há cerca de um ano, mas foram rejeitados para publicação pelas principais revistas científicas devido à crença de que o vírus se originou de um morcego.

Em seu relatório final, escrito em conjunto com cientistas chineses, uma equipe liderada pela OMS que passou quatro semanas em Wuhan e arredores, em janeiro e fevereiro, disse que o vírus provavelmente foi transmitido de morcegos para humanos através de outro animal, e que um vazamento de laboratório era “extremamente improvável” como causa.

Mas em maio, um grupo de cientistas renomados disse que a origem do novo coronavírus ainda não está clara e que a teoria de que foi causado por um vazamento de laboratório precisa ser levada a sério até que haja uma investigação rigorosa baseada em dados que provem que ela está errada.

Pressão de Washington

No início desta semana, o presidente dos EUA, Joe Biden, ordenou que assessores encontrassem respostas para a origem do Covid-19, dizendo que as agências de inteligência dos EUA estão perseguindo teorias rivais, incluindo a possibilidade de um acidente de laboratório na China.

Biden pediu às agências de inteligência dos EUA que apresentassem um relatório dentro de 90 dias e disse a repórteres na quinta-feira que pretendia divulgar seus resultados publicamente.

O democrata instruiu os laboratórios nacionais dos Estados Unidos a ajudar na investigação e a comunidade de inteligência a preparar uma lista de consultas específicas ao governo chinês. Ele pediu à China que coopere com investigações internacionais sobre as origens da pandemia.

Washington pediu que a OMS abrisse uma segunda fase para sua investigação sobre a origem da Covid-19.

A China foi atacada no ano passado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que havia promovido a teoria de que o vírus poderia ter vazado do Instituto de Virologia de Wuhan e acusou Pequim de não ser transparente sobre o surto inicial.

Cientistas e funcionários chineses rejeitaram consistentemente a hipótese de vazamento de laboratório, dizendo que o SARS-CoV-2 poderia estar circulando em outras regiões antes de atingir Wuhan e poderia até mesmo ter entrado na China de outro país por meio de remessas de alimentos congelados importados ou comércio de animais selvagens.

Equipe do laboratório de Wuhan procurou atendimento hospitalar antes da divulgação do surto – WSJ

Na semana passada, o Wall Street Journal citando um relatório da inteligência dos EUA disse que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuham (WIV) da China procuraram atendimento hospitalar em novembro de 2019, um mês antes de a China relatar os primeiros casos de Covid-19.

O jornal disse que o relatório anteriormente não divulgado – que fornece novos detalhes sobre o número de pesquisadores afetados, o momento de suas doenças e suas visitas ao hospital – pode adicionar peso aos pedidos de uma investigação mais ampla sobre se o vírus Covid-19, que poderia ter escapado do laboratório.

O jornal disse que atuais e ex-funcionários familiarizados com a inteligência expressaram uma série de pontos de vista sobre a força das evidências de apoio do relatório, com uma pessoa não identificada dizendo que precisava de “investigação adicional e corroboração adicional”.

Questionado sobre os relatórios, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, os descreveu como “totalmente falsos”.

O artigo que divulgou o novo estudo foi publicado posteriormente no Daily Mail Online, segue a reportagem na íntegra:

01-06-2021 – EXCLUSIVO: COVID-19 ‘NÃO tem ancestral natural credível’ e FOI criado por cientistas chineses que então tentaram encobrir seus rastros com ‘retroengenharia’ para fazer parecer que surgiu naturalmente de morcegos, afirma um novo estudo explosivo – Mail Online – https://www.dailymail.co.uk/news/article-9629563/Chinese-scientists-created-COVID-19-lab-tried-cover-tracks-new-study-claims.html.

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Um novo estudo explosivo afirma que os pesquisadores encontraram “impressões digitais exclusivas” em amostras do COVID-19 que, segundo eles, só poderiam ter surgido da manipulação em um laboratório
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O DailyMail.com obteve exclusivamente o novo artigo de 22 páginas de autoria do professor britânico Angus Dalgleish e do cientista norueguês Dr. Birger Sørensen, conforme submetido a publicação na Quarterly Review of Biophysics Discovery
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O estudo mostrou que há evidências que sugerem que cientistas chineses criaram o vírus enquanto trabalhavam em um projeto de ganho de função em um laboratório de Wuhan
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A pesquisa de ganho de função, que foi temporariamente proibida nos EUA, envolve a alteração de vírus de ocorrência natural para torná-los mais infecciosos, a fim de estudar seus efeitos potenciais em humanos
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De acordo com o artigo, os cientistas chineses pegaram uma ‘espinha’ [backbone, ou estrutura molecular geral] de coronavírus natural encontrado em morcegos das cavernas chinesas e uniram nela uma nova ‘haste’ [spike], transformando-a no mortal e altamente transmissível COVID-19
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Os pesquisadores, que concluíram que COVID-19 “não tem ancestral natural credível”, também acreditam que os cientistas realizaram engenharia reversa de versões do vírus para encobrir seus rastros
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‘Pensamos que houve viroses criadas mediante engenharia retroativa’, disse Dalgleish ao DailyMail.com. “Eles mudaram o vírus e então tentaram disfarçar que era uma sequência de anos atrás.”
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O estudo também aponta para ‘destruição deliberada, ocultação ou contaminação de dados’ em laboratórios chineses e observa que ‘os cientistas que desejaram compartilhar suas descobertas não puderam fazê-lo ou desapareceram’
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Até recentemente, a maioria dos especialistas negava veementemente que a origem do vírus não fosse uma infecção natural que passasse de animais para humanos
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No início desta semana, o Dr. Anthony Fauci defendeu o financiamento dos EUA do Instituto de Virologia de Wuhan, dizendo que o subsídio de US $ 600.000 não foi aprovado para pesquisa de ganho de função

Um novo estudo explosivo afirma que os cientistas chineses criaram o COVID-19 em um laboratório de Wuhan e, em seguida, tentaram cobrir seus rastros por meio de versões de engenharia reversa do vírus para fazer com que parecesse ter evoluído naturalmente dos morcegos.

Os autores do artigo, o professor britânico Angus Dalgleish e o cientista norueguês Dr. Birger Sørensen, escreveram que tiveram ‘evidências prima facie de retroengenharia na China’ por um ano – mas foram ignorados por acadêmicos e periódicos importantes.

Dalgleish é professor de oncologia na St George’s University, em Londres, e é mais conhecido pela sua importante contribuição na criação da primeira ‘vacina contra o HIV’ que funciona, para tratar pacientes diagnosticados e permitir que parem de tomar medicamentos por meses.

Sørensen, um virologista, é presidente da empresa farmacêutica Immunor, que desenvolveu uma vacina candidata contra o coronavírus chamada Biovacc-19. Dalgleish também possui opções de ações na empresa.

As chocantes alegações do estudo incluem acusações de ‘destruição deliberada, ocultação ou contaminação de dados’ em laboratórios chineses, e observa o silenciamento e desaparecimento de cientistas no país comunista em que se manifestaram.

O artigo do jornal, obtido exclusivamente por DailyMail.com e submetido para publicação nos próximos dias, deve causar perturbação na comunidade científica, já que a maioria dos especialistas até recentemente negou veementemente que as origens do COVID-19 fossem mais do que um infecção natural passando de animais para humanos.

Enquanto analisavam amostras de COVID-19 no ano passado na tentativa de criar uma vacina, Dalgleish e Sørensen descobriram ‘impressões digitais únicas’ no vírus que, segundo eles, só poderiam ter surgido da manipulação em um laboratório.

Eles disseram que tentaram publicar suas descobertas, mas foram rejeitados pelas principais revistas científicas, que na época decidiram que o vírus passava naturalmente dos morcegos ou outros animais para os humanos.

Mesmo quando o ex-chefe do MI6, Sir Richard Dearlove, disse publicamente que a teoria dos cientistas deveria ser investigada, a ideia foi descartada como ‘notícia falsa’.

Mais de um ano depois, importantes acadêmicos, políticos e a mídia finalmente mudaram de ideia e começaram a contemplar a possibilidade de o COVID-19 ter escapado do Instituto de Virologia de Wuhan, na China – um laboratório onde experimentos incluíam a manipulação de vírus para aumentar sua infecciosidade e estudar seus efeitos potenciais em humanos.

Esta semana, o presidente Joe Biden ordenou que a comunidade de inteligência reexaminasse como o vírus se originou, incluindo a teoria do acidente de laboratório.

O anúncio ocorreu após a revelação de que um relatório de inteligência anteriormente não divulgado foi feito à Casa Branca, alegando que vários pesquisadores do instituto Wuhan foram hospitalizados com doença em novembro de 2019. O documento foi descoberto esta semana pelo Wall Street Journal.

Autoridades de saúde dos EUA também foram criticadas por supostamente financiarem experimentos controversos e arriscados de pesquisadores no laboratório de Wuhan.

Agora, Dalgleish e Sørensen são os autores de um novo estudo, que conclui que ‘o SARS-Coronavirus-2 não tem ancestral natural credível’ e que está ‘fora de qualquer dúvida razoável’ que o vírus foi criado por meio de ‘manipulação de laboratório’.

No artigo de 22 páginas que foi submetido para publicação na revista científica Quarterly Review of Biophysics Discovery, os cientistas descrevem sua ‘análise forense’ de meses de duração, olhando para os experimentos feitos no laboratório de Wuhan entre 2002 e 2019.

Vasculhando arquivos de periódicos e bancos de dados, Dalgleish e Sørensen conseguiram retraçar como os cientistas chineses, alguns trabalhando em conjunto com universidades americanas, supostamente construíram as ferramentas para criar o coronavírus.

Muito do trabalho foi centrado em torno da polêmica pesquisa de ‘ganho de função’ – temporariamente proibida nos Estados Unidos durante o governo Obama.

Ganho de função envolve ajustes de vírus que ocorrem naturalmente para torná-los mais infecciosos, de modo que possam se replicar em células humanas em um laboratório, permitindo que o efeito potencial do vírus em humanos seja estudado e melhor compreendido.

Dalgleish e Sørensen afirmam que os cientistas que trabalham em projetos de ganho de função pegaram uma ‘espinha dorsal’ [backbone] de coronavírus natural encontrada em morcegos das cavernas chineses e uniram nela uma nova ‘ponta’ [spike], transformando-a no mortal e altamente transmissível SARS-Cov-2.

Um sinal revelador de suposta manipulação que os dois homens destacaram foi uma fileira de quatro aminoácidos que encontraram no pico SARS-Cov-2.

Em uma entrevista exclusiva ao DailyMail.com, Sørensen disse que todos os aminoácidos têm carga positiva, o que faz com que o vírus se prenda firmemente às partes negativamente carregadas das células humanas como um ímã, tornando-se mais infeccioso.

Mas porque, como ímãs, os aminoácidos carregados positivamente se repelem, é raro encontrar até mesmo três em uma linha em organismos que ocorrem naturalmente, enquanto quatro em uma linha é “extremamente improvável”, disse o cientista.

“As leis da física significam que você não pode ter quatro aminoácidos carregados positivamente em uma fileira. A única maneira de conseguir isso é fabricando-o artificialmente’, disse Dalgleish ao DailyMail.com.

Seu novo artigo diz que essas características do SARS-Cov-2 são ‘impressões digitais únicas’ que são ‘indicativas de manipulação intencional’ e que ‘a probabilidade de ser o resultado de processos naturais é muito pequena.’

“Seria de se esperar que uma pandemia de vírus natural sofresse mutação gradual e se tornasse mais infecciosa, mas menos patogênica, o que muitos esperavam com a pandemia de COVID-19, mas que não parece ter acontecido”, escreveram os cientistas.

‘A implicação de nossa reconstrução histórica, postulamos agora além de qualquer dúvida razoável, do vírus quimérico propositalmente manipulado SARS-CoV-2 torna imperativo reconsiderar que tipos de experimentos de ganho de função é moralmente aceitável empreender.

‘Devido ao amplo impacto social, essas decisões não podem ser deixadas apenas para cientistas pesquisadores.’

Durante uma audiência no Senado, na quarta-feira, o conselheiro médico chefe da Casa Branca, Dr. Anthony Fauci, admitiu não ter certeza se o financiamento dos EUA para pesquisadores no laboratório de Wuhan não foi gasto em experimentos controversos e arriscados de ganho de função.

‘Como você sabe que eles não mentiram para você e usaram o dinheiro para pesquisa sobre ganho de função de qualquer maneira?’ O senador da Louisiana, John Kennedy, perguntou a Fauci.

‘Nunca se sabe’, respondeu ele, mas acrescentou que os cientistas do laboratório são ‘confiáveis’.

O diretor do National Institutes of Health, Dr. Francis Collins, disse em audiência que os cientistas do laboratório financiado pelos EUA ‘não foram aprovados pelo NIH para fazerem pesquisas de ganho de função’.

Em outra afirmação impressionante contida no documento de pesquisa, Dalgleish e Sørensen afirmam ter evidências de que, após o início da pandemia, os cientistas chineses coletaram amostras do vírus COVID-19 e o ‘reprojetaram’, fazendo com que parecesse ter evoluído naturalmente.

Eles disseram que suspeitavam de uma série de novas cepas repentinamente inseridas em bancos de dados de genes por cientistas predominantemente chineses no início de 2020, anos depois de terem sido registradas como coletadas.

‘Pensamos que foram criados vírus com engenharia retroativa’, disse Dalgleish ao DailyMail.com. “Eles mudaram o vírus e tentaram descobrir se era uma sequência anos atrás.”

Em seu artigo, Dalgleish e Sørensen também apontaram para ‘destruição deliberada, ocultação ou contaminação de dados’ em laboratórios chineses e observaram que ‘os cientistas chineses que desejavam compartilhar seus conhecimentos não foram capazes de fazê-lo ou desapareceram.’

“Parece que o material preservado do vírus e as informações relacionadas foram destruídos. Portanto, somos confrontados com grandes lacunas nos dados que podem nunca ser preenchidas ‘, escreveram.

‘Cepas’ surgidas ‘depois de janeiro de 2020 não são credíveis… Por um ano, possuímos evidências prima facie de retroengenharia na China no início de 2020.’

Em janeiro do ano passado, o DailyMail.com revelou que os cientistas vinham alertando sobre o risco de patógenos mortais escapando do laboratório de Wuhan desde sua inauguração em 2017.

A China instalou o primeiro de um planejado de cinco a sete biolabs projetados para segurança máxima em Wuhan em 2017, com o objetivo de estudar os patógenos de maior risco, incluindo os vírus Ebola e SARS.

Tim Trevan, um consultor de biossegurança de Maryland, disse à revista científica Nature naquele ano, quando o laboratório estava prestes a ser inaugurado, que temia que a cultura da China pudesse tornar o instituto inseguro porque ‘estruturas onde todos se sentem livres para falar e abertura de informações são importantes.’

Na verdade, o vírus SARS havia ‘escapado’ várias vezes de um laboratório em Pequim, de acordo com o artigo da Nature.

Funcionários do Departamento de Estado dos EUA visitaram o instituto Wuhan em 2018 e enviaram dois avisos oficiais a DC alertando o governo sobre a falta de segurança lá, de acordo com o Washington Post.

O Laboratório Nacional de Biossegurança de Wuhan, localizado no Instituto de Virologia de Wuhan, foi o primeiro laboratório da China a ser classificado como nível 4 de biossegurança, a classificação mais segura.

Mas Sørensen disse acreditar que o vírus escapou de áreas de baixa segurança do instituto, onde ele acredita que a pesquisa de ganho de função foi realizada.

‘Vimos vazamentos de laboratório e sabemos que está acontecendo. Também sabemos pelos relatórios que vimos, que o coronavírus é trabalhado em laboratórios de Nível de Biossegurança 2 ou 3. Se eles obtiverem ganho de função nesses laboratórios, o que você espera?’ ele disse.

Em fevereiro de 2020, um pesquisador de biomecânica molecular da South China University of Technology, Botao Xiao, publicou um artigo afirmando que ‘o coronavírus assassino provavelmente se originou de um laboratório em Wuhan’, destacando questões de segurança no instituto.

Xiao retirou o artigo semanas depois, depois que as autoridades chinesas negaram qualquer acidente no laboratório.

No mesmo mês, um grupo de 27 cientistas escreveu uma declaração no jornal The Lancet, dizendo que ‘condenam veementemente as teorias da conspiração que sugerem que covid-19 não tem uma origem natural’ e ‘concluem esmagadoramente que este coronavírus se originou na vida selvagem’.

Três dos autores mais tarde disseram ao Wall Street Journal que agora acreditam que um acidente de laboratório vale a pena ser considerado como uma explicação para as origens do covid-19.

Dalgleish disse ao DailyMail.com que ele acreditava que a resistência à teoria de que o COVID-19 é um vírus artificial e escapado vem de cientistas temerosos de que a revelação feche seu campo [de estudo].

“Isso parece uma defesa fraca para proteger a disciplina, de modo que esse tipo de engenharia genética não sofra interferência”, disse ele. – Não escondo isso. A engenharia de ganho de função deveria ter sido banida há muito tempo.’

Questionado em uma audiência no Congresso esta semana, o conselheiro médico chefe da Casa Branca, Dr. Anthony Fauci, negou que qualquer financiamento dos EUA fosse para a pesquisa de ganho de função no Instituto de Virologia de Wuhan.

Fauci disse aos legisladores que o National Institutes of Health destinou US $ 600.000 ao laboratório chinês por meio da organização sem fins lucrativos EcoHealth Alliance, para estudar se os coronavírus dos morcegos poderiam ser transmitidos aos humanos.

O diretor do NIH, Dr. Francis Collins, também disse na audiência que cientistas do laboratório financiados pelos EUA ‘não foram aprovados pelo NIH para fazer pesquisa de ganho de função’.

“É claro que não temos conhecimento de outras fontes de fundos ou outras atividades que eles possam ter realizado fora do que nosso subsídio aprovado permitia”, acrescentou.

O NIH cessou seu financiamento para a EcoHealth Alliance em abril de 2020. (https://www.dailymail.co.uk/news/article-9629563/Chinese-scientists-created-COVID-19-lab-tried-cover-tracks-new-study-claims.html)

OUTRAS REFERÊNCIAS SOBRE “GANHO DE FUNÇÃO” E AFINS

DOCUMENTÁRIO
SARS COV2 – Identikit di un killer (Identikit of a killer)

ARTIGOS CIENTÍFICOS
The Evidence which Suggests that This Is No Naturally Evolved Virus A Reconstructed Historical Aetiology of the SARS-CoV-2 Spike by Birger Sørensen, Angus Dalgleish & Andres Susrud https://thevirus.wtf/wp-content/uploads/2020/12/TheEvidenceNoNaturalEvol.pdf

Sars-Cov-2 and the sourcerer’s apprendices by Armando Aranda-Anzaldo http://ludus-vitalis.org/ojs/index.php/ludus/article/viewFile/905/906

Documentation by Dr. Richard M. Fleming https://www.flemingmethod.com/documentation

Fauci-Funded Daszak Describes ‘Colleagues In China’ Manipulating Viruses Into ‘Killers’ https://rumble.com/vi8qwj-fauci-funded-daszak-describes-colleagues-in-china-manipulating-viruses-into.html

Portanto, a teoria da não conspiração tem contra si muitas fatos: a omissão de informação da parte da China; a superficialidade do juízo da OMS sobre o caso; o conflito de interesse de um dos seus investigadores, que militou para o descrédito da tese a fim de livrar-se das consequências de ser responsabilizado pelo vazamento; a perseguição aos que diziam o contrário com argumentos científicos; as conhecidas pesquisas sobre ganho de função em morcegos infectados em Wuham. tudo isso demonstra a conspiração de cientistas e funcionários do governo chinês e americano para omitir uma possibilidade sumamente comprometedora.

III. COM FINANCIAMENTO DO GOVERNO AMERICANO

O fato é que esses estudo de ganho de função facilmente podem servir para um uso duplo. De fato, o ganho de função de um vírus pode ser utilizado para a criação de vacinas contra futuras infecções, mas quem irá negar que facilmente se pode dar uma finalidade militar a esse estudo? Assim como uma faca pode ser usada para uma cirurgia ou para uma guerra, do mesmo modo o que é o insumo para se fazer uma vacina também pode servir de arma biológica.

Não creio que agora seja possível saber se, na mais provável hipótese de um vazamento, o Coronavírus tenho sido um acidente de laboratório ou uma arma biológica. Grandes cientistas divergem sobre esse ponto. Em todo caso, o fato de tal pesquisa ter sido financiada pelo Departamento de Defesa Americano e do laboratório de Wuham estar, como se diz, sob o controle dos militares chineses, revela que há boas razões para se pensar que os governos não olham com desinteresse para o eventual uso militar dessas viroses potencializadas pelo ganho de função.

Como veremos, essa informação é relativamente antiga, mas foi por ocasião da ressurreição dessa controvérsia que passou a figurar na grande mídia. Afinal, pensam eles, agora não há mais porque temer publicá-la, já que todo mundo já está sabendo.

04-06-2021 – O Pentágono deu US $ 39 milhões para a Eco Health Alliance do Dr. Peter Daszak – a instituição de caridade que financiou a pesquisa do coronavírus no laboratório de Wuhan, acusada de ser a fonte do surto, revelam dados federais – Daily Mail – https://www.dailymail.co.uk/news/article-9652287/The-Pentagon-funneled-39million-charity-funded-Wuhan-lab.html.

O Pentágono deu US $ 39 milhões para a EcoHealth Alliance do Dr. Peter Daszak – a instituição de caridade que financiou a pesquisa do coronavírus no laboratório de Wuhan, acusada de ser a fonte do surto, revelam dados federais


* Dados federais vistos pelo DailyMail.com revelam que o Pentágono doou US $ 39 milhões para a EcoHealth Alliance, que financiou um laboratório em Wuhan, China, entre 2013 e 2020
* O Instituto de Virologia de Wuhan é acusado de ser a fonte do Covid-19
* A maior parte do financiamento do DoD veio do DTRA, um braço militar com a missão de ‘conter e deter as armas de destruição em massa e redes improvisadas de ameaças’
* Dados da concessão federal reunidos por pesquisadores independentes mostram que a instituição de caridade recebeu mais de US $ 123 milhões do governo no total
* Os subsídios do Pentágono incluíram $ 6.491.025 da Defense Threat Reduction Agency (DTRA) de 2017 a 2020
* EHA também recebeu $ 64,7 milhões da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID)
* Recebeu $ 13 milhões de Saúde e Serviços Humanos, que inclui os Institutos Nacionais de Saúde e Centros de Controle de Doenças
* Não se sabe quanto do dinheiro realmente foi para o laboratório de Wuhan
* A EHA também financiou experimentos de “ganho de função” profundamente controversos, em que vírus perigosos se tornam mais infecciosos para estudar seu efeito nas células humanas

O Pentágono doou US $ 39 milhões para uma instituição de caridade que financiou a polêmica pesquisa do coronavírus em um laboratório chinês acusado de ser a fonte da Covid-19, revelam dados federais.

A notícia chega no momento em que o chefe da instituição de caridade, o cientista britânico Dr. Peter Daszak, foi exposto em um alegado conflito de interesses e campanha de bastidores para desacreditar as teorias de vazamento de laboratório.

A instituição de caridade, EcoHealth Alliance (EHA), está sob intenso escrutínio depois que se descobriu que estava usando verbas federais para financiar pesquisas sobre coronavírus no Instituto de Virologia de Wuhan, na China.

Os EUA. A organização sem fins lucrativos, criada para pesquisar novas doenças, também financiou em parte experimentos polêmicos de “ganho de função”, em que vírus perigosos se tornam mais infecciosos para estudar seu efeito nas células humanas.

Uma tempestade política estourou quando o ex-presidente Donald Trump cancelou uma doação de US $ 3,7 milhões para a instituição de caridade no ano passado em meio a alegações de que a Covid-19 foi criada ou vazou do laboratório de Wuhan financiado pela EHA.

Mas os dados de subsídios federais reunidos por pesquisadores independentes mostram que a instituição de caridade recebeu mais de US $ 123 milhões do governo – de 2017 a 2020 – e que um de seus maiores financiadores é o Departamento de Defesa, canalizando quase US $ 39 milhões para a organização desde 2013.

Não se sabe exatamente quanto desse dinheiro foi para pesquisas no Instituto de Virologia de Wuhan.

As doações do Pentágono incluíram $ 6.491.025 da Defense Threat Reduction Agency (DTRA) de 2017 a 2020 com a descrição: ‘Compreendendo o risco de emergência de doenças zoonóticas transmitidas por morcegos na Ásia Ocidental.’

O subsídio foi classificado como ‘pesquisa científica – combate às armas de destruição em massa’.

A maior parte do financiamento do DoD veio do DTRA, um braço militar com a missão de ‘conter e deter as armas de destruição em massa e redes improvisadas de ameaças’.A EHA também recebeu US $ 64,7 milhões da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), US $ 13 milhões da Saúde e Serviços Humanos, que inclui os Institutos Nacionais de Saúde e Centros de Controle de Doenças, US $ 2,3 milhões do Departamento de Segurança Interna e $ 2,6 milhões da National Science Foundation.

Um valor de financiamento do governo de US $ 3,4 milhões foi amplamente divulgado, depois que o conselheiro médico chefe da Casa Branca, Anthony Fauci, foi questionado em uma audiência no Senado sobre quanto dinheiro os Institutos Nacionais de Saúde enviaram ao laboratório de Wuhan por meio de suas doações à EcoHealth Alliance em 2019.

Mas os números totais do subsídio, incluindo o financiamento do Pentágono, superam esse número.

Os pesquisadores James Baratta e Mariamne Everett reuniram pedidos de doações de agências do governo dos EUA para a EHA, que foram publicados no popular site de ciência Independent Science News em dezembro.

O site descobriu que a declaração da EHA sobre seu vasto financiamento militar está aninhada na seção ‘Política de Privacidade’ de seu site, sob o título ‘Política da Aliança EcoHealth em relação ao conflito de interesses em pesquisa’.

Na divulgação, a EHA afirma ser “o destinatário de vários subsídios de agências federais, incluindo o Instituto Nacional de Saúde, a Fundação Nacional de Ciências, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e o Departamento de Defesa”.

Ele não divulga o tamanho de seu financiamento do DoD.

Em 2014, o governo Obama proibiu a pesquisa de ganho de função, como os experimentos financiados pela EHA, após preocupações surgidas entre os cientistas de que isso poderia levar a uma pandemia global de um vírus geneticamente modificado que escapasse de um laboratório.

Mas a EHA continuou a financiar legalmente a prática, usando uma brecha que permitia a pesquisa em casos ‘urgentemente necessários para proteger a saúde pública ou a segurança nacional’.

Um notável ‘conselheiro de política’ da EHA é David Franz, ex-comandante da principal instalação de guerra biológica e biodefesa do governo dos EUA, Fort Detrick.

Franz era um funcionário da Comissão Especial das Nações Unidas que inspecionava armas biológicas no Iraque.

O chefe da instituição de caridade, Daszak, foi acusado de orquestrar uma campanha de ‘bullying’ nos bastidores para garantir que a culpa pelo covid-19 não recaísse sobre o laboratório de Wuhan que ele financiou.

O homem de 55 anos trabalhou em estreita colaboração com a chamada ‘mulher morcego’ do laboratório, Shi Zhengli, em seus estudos de coronavírus.

Em fevereiro de 2020, Daszak persuadiu mais de duas dúzias de outros cientistas a assinarem uma carta que ele havia escrito para a revista médica altamente respeitada The Lancet, que foi considerada tão influente que intimidou a maioria dos especialistas a recusarem até mesmo considerar que o vírus pudesse ter sido feito artificialmente e escapado do instituto de Wuhan.

O ex-funcionário de alto escalão do governo Clinton, Jamie Metzl, que agora faz parte do comitê consultivo da Organização Mundial da Saúde para a edição do genoma humano, disse ao DailyMail.com que a carta do Lancet ‘era propaganda científica e uma forma de violência e intimidação’.

Divulgações da Lei de Liberdade de Informação revelaram que Daszak tentou distanciar sua caridade da carta para fazer parecer que vinha de ‘uma comunidade que apoia nossos colegas’.

O chefe da instituição de caridade disse a seus colegas signatários por e-mail que a carta não seria enviada com o logotipo EcoHealth ‘e não seria identificável como proveniente de qualquer organização ou pessoa’.

A carta conjunta, publicada no jornal em 19 de fevereiro do ano passado, elogiou os chineses ‘que continuam a salvar vidas e proteger a saúde global durante o desafio do surto de Covid-19’ e acrescentou ‘Estamos juntos para condenar veementemente as teorias da conspiração que sugerem que Covid-19 não tem uma origem natural.’

Apesar de suas ligações estreitas com o laboratório chinês, Daszak também foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para fazer parte de sua equipe de 13 membros encarregada de encontrar a causa da pandemia que começou em Wuhan, uma cidade de cerca de 11 milhões de pessoas na China Central.

Metzl disse ao DailyMail.com que a nomeação foi um ‘conflito de interesse maciço e ultrajante’, permitindo que um homem que tinha interesses financeiros e de reputação significativos no descrédito de teorias de vazamento de laboratório investigasse essas teorias.

Cientistas proeminentes criticaram a investigação da OMS, que rejeitou as teorias de vazamento de laboratório, como sem brilho e incompleta.

Em uma divulgação dos e-mails de Fauci pela Freedom of Information, obtidos pelo Buzzfeed no mês passado, Daszak agradeceu ao médico da Casa Branca por rejeitar a teoria de que o covid-19 foi feito pelo homem.

‘Eu só queria dar um agradecimento pessoal em nome de nossa equipe e colaboradores, por se levantar publicamente e afirmar que a evidência científica apóia uma origem natural para COVID-19 de um salto de morcego para humano, não uma liberação de laboratório do Instituto de Virologia de Wuhan’, escreveu Daszak em abril de 2020.

Fauci diz que os e-mails foram postos fora do contexto.

As declarações financeiras mais recentes da EHA apresentadas ao IRS dizem que cerca de 90% de seu financiamento vem de fontes governamentais.

O relatório de 2019 diz que Daszak recebeu um total de $ 410.801 por ano, incluindo $ 311.815 de pagamento básico, $ 42.250 de bônus, $ 24.500 de compensação diferida e $ 32.236 de benefícios não tributáveis.

Essa notícia simplesmente reproduz na grande mídia, sem citar a fonte, uma reportagem de Sam Husseini, publicada em dezembro do ano passado:

16-12-2020 – A EcoHealth Aliance de Peter Daszac tem escondido quase $40 milhões em financiamento do Pentágono e em ciência pandêmica militarizada – Peter Daszak’s EcoHealth Alliance Has Hidden Almost $40 Million In Pentagon Funding And Militarized Pandemic Science – Independent Science News – https://www.independentsciencenews.org/news/peter-daszaks-ecohealth-alliance-has-hidden-almost-40-million-in-pentagon-funding/.

Aliás, não é de hoje e não se restringe a Wuham o investimento do governo americano em pesquisas com patógenos para seu potencial uso militar.

07-09-2020 – Novo vazamento de informações do biolaboratório do Pentágono na Geórgia – New data leak from the Pentagon biolaboratory in Georgia – Dilyana

E-mails vazados entre o Lugar Center, o biolaboratório do Pentágono em Tbilisi, a Embaixada dos EUA na Geórgia e o Ministério da Saúde da Geórgia revelam novas informações sobre o programa secreto de pesquisa biológica do governo dos EUA de $161 milhões neste ex-país soviético.

Os dados supostamente provenientes do Ministério da Saúde da Geórgia foram publicados anonimamente no Twitter e em um fórum para vazamentos de banco de dados – Raidforums. Entre os documentos estão memorandos internos, cartas oficiais e informações detalhadas sobre projetos do governo dos EUA no Lugar Center, financiamento e viagens de negócios ao exterior.

Os voluntários do Arms Watch analisaram esses documentos e descobriram fatos muito interessantes sobre as atividades recentes do Centro.

O Pentágono planejou transformar a Geórgia em seu maior centro de pesquisa biológica no exterior, combinando seus recursos militares com os recursos dos Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) na Geórgia.

Além disso, o número de projetos e doações dos EUA aumentou, bem como o número de cientistas americanos destacados para o Lugar Center. A instalação financiada pelo Pentágono está planejada para acomodar temporariamente 16 especialistas do CDC de Atlanta, para os quais a Geórgia construirá um laboratório BSL-2 separado, um prédio administrativo e um campus próximo ao Lugar Center. Além disso, a Geórgia se tornará um centro regional de CDC para a Europa Oriental e Ásia Central, revelam documentos internos.

O Lugar Center já gerou polêmica sobre a possível pesquisa de uso duplo em 2018, quando documentos vazados revelaram que diplomatas americanos na Geórgia estavam envolvidos no tráfico de sangue humano congelado e patógenos para um programa militar secreto.

O Lugar Center é apenas um dos muitos biolaboratórios do Pentágono em 25 países em todo o mundo. Eles são financiados pela Agência de Redução de Ameaças de Defesa dos EUA (DTRA) sob um programa militar de US $ 2,1 bilhões – Programa Cooperativo de Engajamento Biológico (CBEP) e estão localizados em países da ex-União Soviética, como a Geórgia (a pátria do ex-líder soviético Joseph Stalin) e Ucrânia, Oriente Médio, Sudeste Asiático e África.

Pesquisa do Pentágono sobre agentes de bioterrorismo no Lugar Center

Cientistas militares dos EUA foram enviados à Geórgia para pesquisas sobre agentes de bioterrorismo no Lugar Center, de acordo com o novo vazamento de dados. Esses bioagentes têm potencial para serem aerossolizados e usados como bioarmas. Entre eles antraz, tularemia, Brucella, Febre Hemorrágica da Crimeia-Congo, Hantavírus, Y. pestis (causador da peste bubônica).

Os projetos militares de pesquisa biológica dos EUA na Geórgia foram financiados pela Defense Threat Reduction Agency (DTRA). De acordo com dados internos, cientistas americanos e georgianos estão atualmente trabalhando nos seguintes projetos DTRA no Lugar Center:

Projeto 1059: Infecções zoonóticas com febre e lesões de pele na Geórgia

O projeto inclui o isolamento de novos ortopoxvírus em humanos, roedores, animais domésticos e selvagens na Geórgia, e coleta de roedores (como um reservatório natural para este vírus) para seu estudo posterior.

Duração: 01/11/2015 a 31/10/2018 (prorrogado até 2020)

Financiamento: $ 702.343

Projeto 1060: Caracterização do Repositório de Cepas do Centro Nacional Georgiano para Controle de Doenças (NCDC) por Sequenciamento de Nova Geração

Descrição: caracterização e pesquisa do genoma em 100 cepas de quatro espécies endêmicas: Y. pestis (causando a doença pestilenta), B. anthracis (antraz), Brucella e F. tularensis (causando a doença tularemia).

Duração: 01/11/2015 a 31/10/2018

Financiamento: $ 518.409

Projeto 1439: Pesquisa Virológica Molecular na Geórgia

Descrição e objetivos:

Identificar e caracterizar cepas de Hantavírus e vírus da febre hemorrágica da Crimeia-Congo (CCHFV) por métodos moleculares;
Caracterizar e estudar a diversidade genética do vírus da febre hemorrágica da Crimeia-Congo e cepas de hantavírus isoladas de roedores e ectoparasitas;
Exame sorológico de pacientes febris com febre hemorrágica da Crimeia-Congo e febre hemorrágica com síndrome renal;
Coleção de roedores e ectoparasitas (carrapatos, pulgas);
Duração: 16/08/2017 – 15/08/2021

Financiamento: $ 612.614

Projeto 1497: Epidemiologia Molecular e Ecologia de Espécies de Yersinia na Geórgia e no Azerbaijão

Descrição: 1) Pesquisa ecológica em roedores em Kerbaijani na fronteira georgiana-azerbaijana 2) Isolamento de diferentes cepas de Yersinia; 3) Triagem molecular de amostras coletadas de roedores e pulgas. 4) Uma análise comparativa dos genomas de cepas de Yersinia obtidos durante o trabalho de campo; 5) Análise espacial da distribuição das cepas de Yersinia.

Duração: 01/09/2017-31/08/2018 (prorrogado até 2022)

Financiamento: $ 134.090,00

Duração: 24/10/2018/2018/2019

Financiamento: $ 71.500

Em 2017, a Agência de Redução de Ameaças de Defesa dos EUA (DTRA) lançou um projeto de US $ 6,5 milhões em morcegos e coronavírus na Ásia Ocidental (Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Turquia e Jordânia) com o Lugar Center sendo o laboratório local para essa pesquisa genética. A duração do programa é de 5 anos e foi implementado pela organização sem fins lucrativos dos EUA, Eco Health Alliance.

Os objetivos do projeto são: 1. Capturar e amostrar não letalmente 5.000 morcegos no período de 5 anos (2017-2022) 2. Coletar 20.000 amostras (ou seja, orais, esfregaços retais e / ou fezes e sangue) e triagem para coronavírus usando consenso PCR em laboratórios regionais na Geórgia e na Jordânia. De acordo com a apresentação do projeto, a Eco Health Alliance já colheu amostras de 270 morcegos de 9 espécies em três países da Ásia Ocidental: 90 morcegos individuais na Turquia (agosto de 2018), Geórgia (setembro de 2018) e Jordânia (outubro de 2018).

Coincidentemente, o mesmo contratante do Pentágono encarregado do programa de pesquisa de morcegos do DoD dos EUA – Eco Health Alliance, EUA, também coletou morcegos e isolou coronavírus junto com cientistas chineses do Instituto de Virologia de Wuhan. A EcoHealth Alliance recebeu uma doação de US $ 3,7 milhões dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) para coletar e estudar coronavírus em morcegos na China de 2014 a 2019.

Projeto 1911: Vigilância da infecção por Ricketsia e Coxelia na Geórgia e no Azerbaijão (concessão federal dos EUA HDTRA1-19-1-0042 concedida ao NCDC-Geórgia)

Duração: 23/09/2019 – 22/09/2022

Financiamento: $ 945.000

Apesar das afirmações oficiais da Geórgia e dos EUA de que o Place Center está sob o controle total do governo deste país do Cáucaso, documentos internos mostram o contrário. O Pentágono não apenas financiou projetos de pesquisa biológica, mas também pagou todas as despesas de segurança e manutenção, incluindo contas de serviços públicos – água, gás, eletricidade e limpeza. A tarefa de dar apoio operacional e científico ao Lugar Center é a USAMRU-Georgia, uma unidade especial enviada à Geórgia pelo Instituto de Pesquisa do Exército Walter Reed (WRAIR). WRAIR pagou: $ 524.625 (2016-2018), $ 650.000 (2017-2019) e $ 1.062.400 (2017-2021) para contas de serviços públicos, e mais $ 158.050 (2016-2017) e $ 322.000 (2018-2021) para seguranças.

O Pentágono também concedeu a um empreiteiro privado dos EUA, Technology Management Company (TMC) um contrato de US $ 8 milhões para serviços de ciência para apoiar o USAMRU-Georgia no Lugar Center (2016-2021).

A unidade do Pentágono USAMRU-Georgia conduziu uma extensa pesquisa sobre tularemia envolvendo soldados georgianos, revelam artigos científicos.

A tularemia é uma doença infecciosa rara que geralmente ataca a pele, os olhos, os gânglios linfáticos e os pulmões. A tularemia, também chamada de febre do coelho ou febre da mosca do veado, é causada pela bactéria Francisella tularensis. É classificada como agente de bioterrorismo da categoria A. A tularemia foi transformada em arma para disseminação em massa de aerossol pelo Exército dos EUA no passado, de acordo com um relatório militar recentemente divulgado.

Hub regional CDC

O governo dos EUA lançou um programa civil paralelo na Geórgia, implementado pelos Centros de Controle de Doenças dos EUA (CDC). E-mails vazados entre a Embaixada dos Estados Unidos em Tbilisi e funcionários de saúde da Geórgia revelam que o CDC planejou estabelecer um escritório regional para a Europa Oriental e Ásia Central na Geórgia. A Embaixada dos EUA e o CDC solicitaram espaço de escritório adicional para 16 funcionários. Atualmente, a equipe do CDC está trabalhando dentro do Lugar Center.

Curiosamente, as autoridades de saúde georgianas não pedem nenhuma informação ou esclarecimento adicional sobre o que este novo centro estrangeiro fará em seu próprio país. Em vez disso, o Ministério da Saúde da Geórgia planejou a construção de um novo laboratório BSL-2, sala de conferências e campus perto do Lugar Center com um empréstimo do Banco Europeu de Investimento, de acordo com uma carta ao ministro das finanças da Geórgia vazada no Raidforums.

A Arms Watch não pôde verificar de forma independente a autenticidade desta carta, pois não a encontramos nos arquivos que vazaram. Analisamos ainda mais os dados internos do ministério e descobrimos os seguintes projetos de CDC na Geórgia:

Projeto 1320: Projeto de Resistência Antimicrobiana

Duração: 01/09/2016 -29/09/2020

Financiamento: $ 153.492,40

Projeto 1440: Apresentando ou Expandindo o Uso da Vacina Contra Influenza Fora dos Estados Unidos

Duração: 30/09/2016 – 29/09/2019

Financiamento: $ 750.000

Projeto 1441: Vigilância da Influenza fora dos Estados Unidos

Duração: 30/09 / 16-29 / 09/21

Financiamento: $ 250.000

Projeto 1446: Fortalecimento das Capacidades de Sequenciamento da Nova Geração para Vigilância da Hepatite C na Geórgia

Duração: 01/07 / 2017-30 / 06/2018

Financiamento: $ 22.000

Projeto 1447: Coleta de amostras no âmbito do Programa de Eliminação da Hepatite C na Geórgia – Bio-Bank

Objetivo: o objetivo do projeto é armazenar amostras coletadas no âmbito do programa de hepatite C para futuros trabalhos científicos

20.000 amostras de plasma / soro
6.000 amostras de soro da Pesquisa Nacional de Seroprevalência de Hepatites C e B de 2015
1.000 amostras de sangue de bancos de sangue
500 amostras de sangue de pacientes com doença hepática terminal
Duração: 01/07 / 2017-30 / 06/2018

Projeto 1456: Fortalecimento do sistema de monitoramento do déficit de micronutrientes na Geórgia

Duração: 01/09/2017 – 31/08/2018

Financiamento: $ 92.875

Projeto 1457: Peculiaridades genéticas do vírus da hepatite C na Geórgia e seu papel no programa de eliminação da hepatite C da Geórgia

Objetivo: Avaliar a morbimortalidade associada ao vírus da hepatite C

Duração: 01/09 / 2017-31 / 08/2018

Financiamento: $ 127.125

Projeto 1532: Fortalecimento, detecção, resposta e prevenção de surtos de diarreia na Geórgia

Duração: 30/09/2017 29/09/2020

Financiamento: $ 40.000

Projeto 1533: Fortalecimento do Sistema de Controle de Vacinação e Imunização

Duração: 30/09/2017 – 29/09/2020

Financiamento: $ 67.220,00

Projeto 1534: Vigilância de Doenças Respiratórias

Duração: 30/09/2017 – 29/09/2020

Financiamento: $ 80.000,00

Projeto 1535: Vigilância de enterovírus na Geórgia

Duração: 30/09/2017 -29/09/2020

Financiamento: $ 45.000

Projeto 1536: Programa de Controle de Qualidade do Laboratório Nacional na Geórgia

Duração: 30/09/2017 29/09/2020

Financiamento: $ 56.140

Projeto 1537: Programa de Treinamento Laboratorial e Epidemiologia de Campo do Sul do Cáucaso

Duração: 30/09/2017 29/09/2020

Financiamento: $ 150.000

Projeto 1538: Febre de etiologia desconhecida causada por arbovírus na região do Mar Negro – as amostras clínicas serão enviadas ao Laboratório do CDC para análises

Duração: 30/09/2017 – 29/09/2020

Financiamento: $ 100.360

Em conclusão, os Estados Unidos têm desenvolvido consistentemente suas instalações laboratoriais no Cáucaso. Por que o governo dos Estados Unidos gastou bilhões de dólares em tais biolaboratórios e projetos no exterior, em vez da saúde de seus próprios cidadãos?

Além disso, por que os cientistas americanos que trabalham no Lugar Center receberam status diplomático e imunidade para pesquisar agentes patogênicos e insetos mortais na Geórgia? A imunidade diplomática é um princípio do direito internacional pelo qual os funcionários de governo estrangeiro não estão sujeitos à jurisdição de tribunais locais e outras autoridades para suas atividades. Conseqüentemente, os cientistas americanos poderiam até mesmo realizar experimentos ilegais na Geórgia sem serem processados, pois têm imunidade diplomática.

A Arms Watch está atualmente analisando todos os dados vazados. Devido ao grande volume de informações, publicaremos mais documentos em outro artigo em breve. Se você deseja apoiar o Arms Watch, acesse a página de doações ou Torne-se um voluntário. Obrigada!

Dilyana Gaytandzhieva

http://armswatch.com/

Dilyana Gaytandzhieva é uma jornalista investigativa búlgara, correspondente no Oriente Médio e fundadora da Arms Watch. Nos últimos dois anos, ela publicou uma série de relatórios reveladores sobre o fornecimento de armas a terroristas na Síria e no Iraque. Seu trabalho atual concentra-se na documentação de crimes de guerra e exportações ilícitas de armas para zonas de guerra em todo o mundo.

04-06-2021 – Judicial Watch Obtém Registros mostrando que NIAID sob o Dr. Fauci deu ao Wuhan Lab $ 826.000 para Pesquisa de Coronavírus de Morcego de 2014 a 2019.

(Washington, DC) Judicial Watch anunciou hoje que obteve 280 páginas de documentos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos revelando que de 2014 a 2019, $ 826.277 foram doados ao Instituto de Virologia de Wuhan para pesquisa de coronavírus em morcego pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), dirigido pelo Dr. Anthony Fauci.

Os documentos, alguns dos quais foram editados ou retidos em sua totalidade, foram obtidos através de um Freedom of Information Act (FOIA) ação judicial buscando registros de comunicações, contratos e acordos com o Instituto de Virologia Wuhan na China (Judicial Watch, Inc. v. Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (No. 1: 21-cv-00696)). A agência está processando registros de apenas 300 páginas por mês, o que significa que levará até o final de novembro para que os registros sejam totalmente revisados e liberados sob o FOIA.

Os registros incluem um gráfico de financiamento do NIAID para o Instituto de Virologia de Wuhan enviado em 21 de abril de 2020 por Chase Crawford do NIAID ao Diretor Adjunto Hugh Auchincloss e outros funcionários do NIAID. Os fundos da agência direcionados ao Instituto de Virologia de Wuhan entre os anos de 2014-2019 totalizam US $ 826.277. Todos os projetos listados no gráfico são intitulados “Compreendendo o risco de emergência do Bat Coronavirus”.

Em um e-mail de 15 de abril de 2020 marcado como “alta” importância, o diretor adjunto do NIH Lawrence Tabak enviou um e-mail para Fauci, o diretor do NIH Francis Collins e outros funcionários do NIH com o assunto: “HEADS UP: Wuhan lab research:”

Tabak: WH abraçou fortemente as preocupações levantadas pelo congressista Gaetz, que está criticando publicamente o HHS / NIH por financiar a pesquisa de morcegos do laboratório de Wuhan. Aqui está esta citação de outro artigo: “Estou enojado em saber que durante anos o governo dos EUA tem financiado experimentos perigosos e cruéis com animais no Instituto Wuhan, que podem ter contribuído para a disseminação global do coronavírus, e pesquisas em outros laboratórios em China que praticamente não tem supervisão das autoridades dos EUA. ” [Ênfase no original]

Este é um grande estudo de vários países, com Wuhan sendo um local. O investigador principal, Peter Daszak, mora em NY na EcoHealth Alliance, Inc. [Ênfase no original]

Tabak fornece detalhes da concessão a Peter Daszak, presidente da EcoHealth Alliance, para um projeto intitulado “Compreendendo o risco de emergência do Coronavírus de morcego”. Tabak continua, dizendo: “O valor de 3,7 milhões de dólares é superior a 6 anos para todos os locais que incluem (vários na) China, Tailândia, Camboja, Laos, Vietnã, Malásia, Indonésia e Mianmar. Estimamos que aproximadamente $ 826.300 foram gastos neste local desde o início do subsídio. Os custos anuais parecem ser de cerca de 80K / ano. A bolsa está no ano 6 de um total de 10 anos.”

Em 9 de janeiro de 2020, a troca de e-mail rotulada de “alta” importância entre o consultor científico sênior do NIAID, Dr. David Morens e Daszak, detalha a relação entre a agência de Fauci e o Instituto de Virologia de Wuhan:

Morens: Olá pessoal, algum de vocês tem alguma informação privilegiada sobre este novo coronavírus que ainda não é de domínio público? Ou algum pensamento?

Daszak: Sim – muitas informações e falei com Erik Stemmy e Alan Embry ontem, antes da notícia ser divulgada. Erik é meu oficial de programa em nossa concessão de coronavírus, focada especificamente na China….

Morens: Obrigado, a emoção nunca acaba, certo?

Daszak: O NIAID tem financiado o trabalho com coronavírus na China nos últimos 5 anos… (1R01Al110964: “Compreendendo o risco de emergência do coronavírus de morcego”). Isso agora foi renovado… Colaboradores incluem Wuhan Institute of Virology (atualmente trabalhando no nCoV) e Ralph Baric [da University of North Carolina].


Além disso, para sua informação, antes do R01, trabalhamos sob um R01 com Eun-Chung Park como oficial do programa na descoberta de vírus em morcegos, onde originalmente identificamos o SARS-CoV como tendo uma origem provável em morcegos (publicado na Science)….

Morens: Ótima informação, obrigado. Tony não se mantém ciente dessas coisas e não sabe, a menos que os oficiais do programa digam a ele, o que raramente fazem, já que estão do outro lado da cidade e podem não vê-lo mais de uma vez por ano, ou menos…. Interessado em saber para onde isso está indo. Os especialistas estão zumbindo ao nosso redor, em todo o mapa, entre o dia do juízo final e não é grande coisa, com tudo que há no meio disso.

Em 23 de janeiro de 2020, uma oficial sênior do NIH, Melinda Hoskins encaminhou um artigo do Daily Mail a colegas discutindo o financiamento do NIH / NIAID para a pesquisa do vírus do morcego, e notando que Fauci estaria informando os senadores na manhã seguinte. Hoskins diz: “Por favor, confirme a natureza exata do nosso apoio ao Instituto de Virologia / Laboratório de Biossegurança de Wuhan.”

Outra autoridade, Barbara Mulach, responde que, “Identificamos uma bolsa com uma subvenção para o Wuhan Institute of Virology (obrigado pela liderança) e uma bolsa principal para a Wuhan University. Estamos tentando obter um esclarecimento se as duas organizações estão relacionadas ou não, para que possamos saber se a segunda aplicação é relevante para a solicitação ou não. ”

Ela fornece dados que mostram um “Subprêmio ao Wuhan Institute of Virology”, com Daszak como investigador principal de um projeto intitulado “Entendendo o Risco da Emergência de Coronavírus do morcego”, e fornece informações sobre outro prêmio, número de concessão R01AI119064-06, com o investigador principal Ke Lan, indo para a Universidade de Wuhan e intitulado “Funções versáteis de LANA na patogênese de KSHV.”

Em 13 de abril de 2020, o e-mail do funcionário do NIH Emily Erbelding para colegas do NIH, Erbelding observa que “o valor total do novo subsídio Daszak (ano 6 financiado no FY19) é de cerca de 3,64 M. O valor total que irá para o Instituto Wuhan de Virologia sob esta doação será de cerca de US $ 750 mil (US $ 76.301 já foram enviados para Wuhan no ano 1, de acordo com a NOA).” Além disso, o e-mail informa que o trabalho de amostragem de morcegos realizado durante os anos de 2011-2015, além de receber financiamento da bolsa Daszak, “também poderia ter sido apoiado pelo programa USAID Predict (que também financiava o laboratório de Wuhan).”

Auchinloss encaminha a nota de Erberlding para Fauci, dizendo: “Isso é mais alto, mas não extraordinariamente mais alto do que eu indiquei originalmente, o que era para algum trabalho anterior.” Fauci responde: “Obrigado”.

Em uma troca de e-mail de 15 de abril de 2020, Tabak pergunta a seus colegas se a equipe de Daszak “publicou algo seminal relacionado à pandemia atual”. Erbelding responde: “A única publicação de Peter sobre SARS CoV2 desde o início da epidemia é um artigo no NEJM [New England Journal of Medicine]”, para o qual ela fornece um hiperlink. Ela acrescenta: “Observe que todo o trabalho anterior sobre reservatórios zoonóticos de CoVs também foi apoiado por fundos da USAID por meio de um programa denominado PREDICT, que já foi encerrado.”

Em 1.º de outubro de 2017, depois de receber o e-mail de Daszak relacionado ao seu artigo então não publicado descrevendo uma pesquisa detalhada sobre um novo vírus nascido em morcego ligado à Síndrome de Diarreia Aguda Suína, Fauci encaminha o e-mail e o artigo de Daszak para o funcionário do NIH Greg Folkers, dizendo: “Confidencial, mas para você.” Daszak diz: “Você deve saber que este trabalho foi apoiado por um papel do NIAID do qual Erik Stemmy [do NIH] é o oficial do programa, e do qual sou PI [investigador principal], com Zhengli Shi [diretora do Centro de Doenças Infecciosas Emergentes do Instituto de Virologia de Wuhan] como co-PI. ”

Uma pessoa cujo nome é redigido em 19 de abril de 2018, envia um e-mail por CC para “Cabos internacionais (HHS / OS)” com o assunto “China Virus Institute dá as boas-vindas a mais cooperação dos EUA em segurança de saúde global” inclui um telegrama dos EUA:

O Wuhan Institute of Virology da China, líder global em pesquisa de vírus, é um parceiro-chave dos Estados Unidos na proteção da segurança sanitária global. Seu papel como operador do recém-lançado laboratório de Nível de Biossegurança 4 (ou ‘P4’) – o primeiro laboratório desse tipo na China – abre ainda mais oportunidades para intercâmbio de especialistas, especialmente à luz da falta de pessoal treinado do laboratório.


No ano passado, o laboratório também recebeu visitas do National Institutes of Health, da National Science Foundation e de especialistas da University of Texas Medical Branch em Galveston. O instituto se reporta à Academia Chinesa de Ciências em Pequim.

O P4 Lab é aberto e transparente, enfatizam os funcionários


As autoridades descreveram o laboratório como um “nó regional” no sistema global de biossegurança e disseram que ele desempenharia um papel de resposta de emergência em uma epidemia ou pandemia. A brochura em inglês do laboratório destacou um papel de segurança nacional, dizendo que é “uma medida eficaz para melhorar a disponibilidade da China na salvaguarda da biossegurança nacional se [uma] possível guerra biológica ou ataque terrorista acontecer.”

Funcionários do instituto disseram que haveria “disponibilidade limitada” para cientistas nacionais e internacionais que passaram pelo processo de aprovação necessário para fazer pesquisas no laboratório. Eles enfatizaram que o objetivo do laboratório era ser uma “plataforma mundial e aberta” para virologia. Eles disseram que deram as boas-vindas aos especialistas do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), observando que a Academia Chinesa de Ciências não era forte em especialização em doenças humanas, tendo-se concentrado apenas nisso nos últimos 15 anos, após o surto de SARS. Um funcionário do consulado francês baseado em Wuhan que trabalha na cooperação científica e tecnológica com a China também enfatizou que o laboratório, que foi iniciado em 2004 como um projeto conjunto França-China, deveria ser “aberto e transparente” para a comunidade científica global. “A intenção era montar um laboratório de acordo com os padrões internacionais e aberto à pesquisa internacional,” ele disse. Especialistas franceses forneceram orientação e treinamento em biossegurança ao laboratório, que continuará, disse o funcionário francês. Funcionários do instituto disseram que a França forneceu o design do laboratório e grande parte de sua tecnologia, mas que ele é inteiramente financiado pela China e é totalmente administrado pela China desde a cerimônia de “transferência” em 2016.

Além da assistência francesa, os especialistas do laboratório P4 apoiado pelo NIH na University of Texas Medical Branch em Galveston treinaram técnicos de laboratório de Wuhan em gerenciamento e manutenção de laboratório, disseram os funcionários do instituto. … Um pesquisador do Wuhan Institute of Virology treinou por dois anos no laboratório de Galveston e o instituto também enviaram um cientista para a sede do CDC nos EUA em Atlanta para um trabalho de seis meses sobre a gripe.

        Pesquisa apoiada pelo NIH revisa história de origem do SARS

O NIH foi um dos principais financiadores, junto com a Fundação Nacional de Ciência da China (NSFC), da pesquisa sobre SARS pelo Instituto de Virologia de Wuhan [redigida].


Pronto para ajudar no projeto Global Virome

Funcionários do instituto expressaram grande interesse no Global Virorne Project (GVP), e disseram que o financiamento chinês para o projeto provavelmente viria do financiamento da Academia Chinesa de Ciências já destinado a iniciativas relacionadas a One Belt, One Road…. O GVP pretende lançar este ano como um esforço colaborativo internacional para identificar dentro de dez anos praticamente todos os vírus do planeta que têm potencial pandêmico ou epidêmico e a capacidade de atingir os humanos. “Esperamos que a China seja um dos países líderes a iniciar o Projeto Global Virome”, disse um funcionário do Wuhan Institute of Virology. A China participou de uma reunião de lançamento do GVP em janeiro na Tailândia e está esperando por mais detalhes sobre a iniciativa. As autoridades disseram que o governo chinês financia projetos semelhantes ao GVP para investigar os antecedentes de vírus e bactérias. Este constituiu essencialmente o próprio Projeto Virome da China …


Alguns participantes do workshop também expressaram ceticismo sobre a abordagem do Global Virome Project (GVP), dizendo que obter uma compreensão preditiva de vírus com potencial pandêmico exigiria ir além da estratégia GVPs de coleta de amostra, para adotar uma abordagem “ecológica” que considere o viroma além sistemas de vertebrados para identificar os mecanismos que conduzem a evolução do patógeno. Um workshop subsequente será realizado em junho na Universidade de Berkeley. A NSF e a NSFC esperam anunciar em conjunto uma chamada de financiamento para projetos colaborativos ainda este ano.

Em 14 de abril de 2020, o oficial do NIH Marshall Bloom encaminhou um artigo do Washington Post de Josh Rogin intitulado “Cabos do Departamento de Estado alertados sobre questões de segurança no Laboratório de Wuhan estudando coronavírus de morcego” e pediu a um colega: “Por favor, envie para o HCTF [Tarefa de Alta Força de Contenção]. Obrigado!”

Depois de receber um artigo por e-mail em 1º de novembro de 2013, do funcionário do NIH Greg Folkers com um desenho animado retratando um morcego depositando partículas de coronavírus atacando células receptoras ACE2 humanas, seu colega, assistente especial de Fauci, Patricia Conrad, escreveu: “Penso que precisamos de mais slides assim… é muito fofo! ”

Um cabograma do Departamento de Estado de 19 de janeiro de 2018 da Embaixada dos Estados Unidos em Pequim sobre o Instituto de Virologia de Wuhan com o assunto “China abre o primeiro laboratório de segurança biológica de nível 4” inclui uma seção intitulada “Diretrizes pouco claras sobre acesso a vírus e falta de talento treinado Impede pesquisa”, que observa em sua introdução que “sua produtividade atual é limitada por uma escassez de técnicos e investigadores altamente treinados necessários para operar com segurança um laboratório BSL-4 e uma falta de clareza nas políticas e diretrizes do governo chinês”.

O memorando continua: “Até o momento, o WIV [Instituto de Virologia de Wuhan] obteve permissão para pesquisar três vírus: o vírus Ebola, o vírus Nipah e o vírus da febre hemorrágica de Xinjiang (uma cepa da febre hemorrágica da Crimeia Congo encontrada na província de Xinjiang, na China). ”

“Esses novos documentos mostram que o financiamento para o Instituto Wuhan foi maior do que o público foi informado”, disse o presidente do Judicial Watch, Tom Fitton. “O fato de ter levado um ano e um processo federal para obter esta primeira divulgação sobre COVID e Wuhan é evidência de encobrimento pela agência de Fauci.”

APÊNDICE – NOTÍCIAS RELACIONADAS, MAS NÃO CITADAS

26-05-2021 – Senadores do Partido Republicano questionam Fauci sobre o financiamento do laboratório de Wuhan, origens do COVID-19 – The Washington Post (https://nypost.com/2021/05/26/gop-senators-grill-fauci-on-wuhan-lab-funding-origins-of-covid/).

Senadores republicanos interrogaram o Dr. Anthony Fauci sobre o financiamento concedido ao Instituto de Virologia de Wuhan e as origens do COVID-19 durante uma audiência do Comitê de Apropriações do Senado na quarta-feira – conforme aumenta a pressão para que ele seja demitido por sua mudança de posição sobre as questões.

Fauci foi criticado por republicanos, que criticaram o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas por sua ladainha de mudanças de posição sobre como combater o coronavírus, sua origem e uma investigação do Instituto de Virologia de Wuhan – com alguns pedindo sua renúncia.

Durante a audiência de quarta-feira, o senador John Kennedy (R-La.) levantou questões sobre se o financiamento fornecido ao Instituto de Virologia de Wuhan foi usado para os fins pretendidos e não para pesquisa de “ganho de função”, que Fauci descreveu anteriormente como “pegar um vírus que poderia infectar humanos e torná-lo mais transmissível e/ou patogênico para humanos.”

Fauci confirmou que US $ 600.000 em subsídios a serem usados ao longo de cinco anos foram fornecidos para estudar se coronavírus de morcego poderiam ser transmitidos a humanos, acrescentando que ele acredita que o financiamento foi usado corretamente, mas não pode confirmar com 100% de certeza se foi utilizado para sua finalidade pretendida.

“Você não tem como saber se eles fizeram isso ou não, a não ser que você confie neles. Isso está certo?” Kennedy perguntou, insistindo se ele poderia garantir que o donatário não mentiu para ele. Fauci afirmou acreditar que o financiamento não foi mal utilizado depois de analisar as pesquisas produzidas pelos cientistas no exterior, mas “não posso garantir que um bolsista não tenha mentido para nós, porque nunca se sabe”. “Eles são cientistas muito competentes e confiáveis, não estou falando de mais nada na China, estou falando dos cientistas que você esperaria que cumprissem as condições da concessão, o que eles fizeram nos anos em que tivemos interações”, disse ele.

Kennedy continuou a levantar preocupações sobre o nível de influência do Partido Comunista Chinês sobre a Organização Mundial da Saúde, ao que Fauci respondeu que tem confiança na independência da OMS.

“Minha interação com a OMS e pelo seu diretor-geral, Dr. Tedros, tem sido algo que acredito que seja uma pessoa de alto grau de integridade”, disse ele.

Os republicanos também foram muito críticos de Fauci após suas recentes observações de que é possível que o COVID-19 pudesse ter se originado de um laboratório, depois que legisladores republicanos foram criticados no ano passado por levantarem repetidamente a possibilidade.

O senador Lindsey Graham (R-SC) questionou a linha do tempo em que seria determinado que o vírus veio de um laboratório se um hospedeiro intermediário não fosse encontrado, e quem deveria estar conduzindo essa investigação.

Fauci disse que é difícil fornecer um prazo, uma vez que ainda não encontraram o hospedeiro intermediário para o Ebola, que eles estão confiantes de que não se originou de um laboratório, acrescentando que gostaria que a OMS continuasse com sua investigação.

“[A] OMS fez o que estão referindo agora como a primeira fase de uma investigação, que eles sentiram não ser completamente adequada. Como você sabe, você ouviu a mim e ao Dr. Collins e outros no governo pedindo a continuação da investigação”, disse Fauci, referindo-se ao Dr. Francis Collins, diretor dos Institutos Nacionais de Saúde.

E o Sen. Marco Rubio (R-Flórida) levantou preocupações sobre a “história de acidentes de laboratório” na China, acrescentando que o “surto aconteceu em uma cidade que por acaso era a casa, coincidentemente, de um laboratório que sabemos estar envolvido em uma extensa pesquisa, e o que eles fazem é pegar esse vírus que ocorre naturalmente, e manipulá-lo, e mudá-lo para torná-lo infeccioso para os humanos.”

O republicano da Flórida questionou por que Fauci conteve as especulações de que o vírus poderia ter sido fabricado artificialmente.

“Sempre disse que a probabilidade é que se trate de uma ocorrência natural. Não descartei nada, apenas disse que é muito provável que seja uma ocorrência natural, proveniente do ambiente de um hospedeiro animal que ainda não identificamos”, disse Fauci.

“Bem, eu ainda sustento isso, mas como acabei de mencionar na resposta a outras perguntas, já que você não sabe 100% sobre isso porque ninguém sabe, inclusive eu, 100% qual é a origem, é a razão pela qual somos a favor de uma investigação mais aprofundada.”

Em maio de 2020, Fauci disse que “a evidência científica está muito, muito fortemente inclinada” para o vírus ter evoluído na natureza, acrescentando que ele não acredita que tenha vindo de um laboratório.

“Se você olhar para a evolução do vírus em morcegos e o que está lá fora agora, [as evidências científicas] estão muito, muito fortemente inclinadas para que isso não pudesse ter sido artificialmente ou deliberadamente manipulado”, disse Fauci à National Geographic em uma entrevista naquele tempo.

Ele acrescentou que não acreditava em “uma teoria alternativa – que alguém encontrou o coronavírus na natureza, o trouxe para um laboratório e, em seguida, escapou acidentalmente.”

“Tudo sobre a evolução gradativa ao longo do tempo indica fortemente que [esse vírus] evoluiu na natureza e depois se transformou em espécie”, disse o médico na época.

Graham disse que se for descoberto que o vírus mortal se originou no Instituto de Virologia de Wuhan, ele acha que é fundamental que haja consequências significativas.

“Penso que devemos enviar um sinal claro para a China, parece ser uma fonte de muitas pandemias, que se isso ocorreu no laboratório, esperamos que algo aconteça, porque se não fizermos nada, reforçaremos isso no futuro”, disse ele. “E que coisa deve ser feita é algo para o qual tenho a mente aberta, mas estou fechado para a ideia de não fazer nada.”

Declaração sobre nCoV e nosso exercício pandêmico

Em outubro de 2019, o Johns Hopkins Center for Health Security sediou um exercício de mesa pandêmico chamado Evento 201 com parceiros, o Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill & Melinda Gates. Recentemente, o Center for Health Security recebeu perguntas sobre se aquele exercício pandêmico previu o novo surto de coronavírus na China. Para ser claro, o Center for Health Security e os parceiros não fizeram uma previsão durante nosso exercício de mesa. Para o cenário, modelamos uma pandemia fictícia de coronavírus, mas declaramos explicitamente que não era uma previsão. Em vez disso, o exercício serviu para destacar os desafios de preparação e resposta que provavelmente surgiriam em uma pandemia muito grave. Não estamos prevendo agora que o surto do nCoV-2019 matará 65 milhões de pessoas. Embora nosso exercício de mesa incluísse um novo coronavírus simulado, as entradas que usamos para modelar o impacto potencial desse vírus fictício não são semelhantes ao nCoV-2019.

https://www.centerforhealthsecurity.org/news/center-news/2020/2020-01-24-Statement-of-Clarification-Event201.html

Parada LGBT, HIV e Orgulho Sodomita

Por causa do Coronavírus, a 25.ª Parada LGBT de São Paulo será realizada online e tranismitida via Youtube. Aos que se deparam com este fato, proponho uma breve reflexão sobre os aspectos negativos do evento, com algumas considerações em torno do tema proposto pelos seus organizadores (o HIV) e, sobretudo, com uma crítica à sua mensagem geral, que a uma mente cristã soa como falsa alegria, presunção e orgulho. Essa pequena série de argumentos históricos, filosóficos e teológicos deve bastar para confirmá-lo.

FONTES
Paradas do orgulho LGBT estão fora das ruas mais uma vez e lançam programação online https://guia.folha.uol.com.br/shows/2021/06/paradas-do-orgulho-lgbt-estao-fora-das-ruas-mais-uma-vez-e-lancam-programacao-online.shtml

Why Do Gay Men Have an Increased Risk of HIV? https://www.verywellhealth.com/why-do-gay-men-have-an-increased-risk-of-hiv-3132782

Epístola de São Paulo aos Romanos c. 1 https://controversiacatolica.files.wordpress.com/2022/02/ed134-biblia-vulgata-padre-antonio-pereira-de-figueiredo-11.pdf

Quarta Homilia dos Comentários de São João Crisóstomo à Epístola aos Romanos https://catolicotridentino.files.wordpress.com/2017/11/patrc3adstica-vol-27_1-comentc3a1rio-as-cartas-de-sao-paulo-sao-joao-crisc3b3stomo.pdf

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Heresia: A Principal Arma do Demônio

As heresias são a principal arma do demônio e não há neste mundo quem mais contribua para a realização dos projetos diabólicos do que os hereges. O modo como eles agem, a gravidade do seu pecado e o tremendo dano que causam à Igreja disso nos certificam totalmente.

A. A ATITUDE HERÉTICA

Como é mais próprio da natureza angélica usar da persuasão para enganar aos homens, não há dúvida de que os homens que mais lhe servem e imitam neste mundo são os hereges, porque por hereges se entendem justamente falsos doutores que, com suas falsas doutrinas, procuram desviar os homens por meio de um cristianismo falsificado, adulterando o Evangelho de Jesus Cristo.

Nosso Senhor já tinha profetizado o seu advento em São Mateus XXIV, 11. 23-25: “E levantar-se-ão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos… Então se alguém vos disser: Olhai, aqui está o Cristo, ou ei-lo acolá: Não lhe deis crédito. Porque se levantarão falsos Cristos, e falsos profetas: Que farão grandes prodígios, e maravilhas tais, que (se fora possível) até os escolhidos se enganariam. Vede que eu vô-lo adverti antes.”

Os Apóstolos, por sua vez, puseram todo o peso de sua autoridade no combate a esses falsários da Palavra de Deus. Assim, São Paulo ordena: “Se alguém vos anunciar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema.” (Gálatas I, 9). São João tem ao herege na conta de um sedutor, um anticristo, um homem que dissolve Cristo (cf. I São João IV, 3; II São João 7) e manda que nem sequer lhe seja feita saudação alguma: “Não o recebais em vossa casa, nem lhe digam ‘Deus te salve'”. (II São João 10). São Pedro, com a autoridade de seu ofício e fervor de sua fé, denuncia assim aos sectários: “Houve porém no povo até falsos profetas, assim como também haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão seitas de perdição, e negarão aquele Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos apressada ruína: E muitos seguirão as suas dissoluções, por quem será blasfemado o caminho da verdade.” (II São Pedro II, 1-2). São Judas fala de maneira semelhante em toda a sua epístola católica. Por fim, novamente São Paulo avisa aos perturbadores da unidade de fé em Corinto que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas são poderosas em Deus para a destruição das fortificações, derribando os conselhos e toda a altura que se levanta contra a ciência de Deus, e reduzindo a cativeiro todo o entendimento, para que obedeça a Cristo, e tendo em nossa mão o poder de castigar a todos os desobedientes” (II Coríntios X, 4-6). Deste modo varonil combateram os Santos Apóstolos aos filósofos da gentilidade, aos judaizantes e todos aqueles que procuravam de um modo ou de outro alterar o verdadeiro conhecimento de Deus que lhes havia sido confiado por Revelação Divina.

Os Apóstolos não só procederam assim, como também mandaram que assim fizesse cada bispo em sua Igreja. Deste modo, São Timóteo recebe de São Paulo o preceito de combater pelas verdades da fé: “Este mandamento te encarrego… milites por elas boa milícia. Conservando a fé e a boa consciência, a qual porque ainda alguns repeliram, naufragaram na fé: Deste número é Himeneu, e Alexandre, os quais eu entreguei a satanás, para que aprendam a não blasfemar.” (I São Timóteo I, 18-20). Ele também exorta os presbíteros da Igreja de Éfeso, dizendo: “Atendei, por vós e por todo o rebanho, sobre que o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para governardes a igreja de Deus, que ele adquiriu pelo seu próprio sangue. Porque eu sei que depois da minha despedida, hão-de entrar a vós certos lobos arrebatadores, que não hão de perdoar ao rebanho. E que dentre vós mesmos hão de sair homens que hão de publicar doutrinas perversas, com o intento de levarem após si muitos discípulos. Por cuja causa vigiai, lembrando-vos que por três anos não cessei de noite e de dia de admoestar com lágrimas a cada um de vós.” (Atos XX, 28-31). “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus operários, guardai-vos dos falsos circuncidados”, escrevia o mesmo Apóstolo aos Filipenses (III, 2), os cães sendo os mesmos falsos mestres indicados acima sob o título de “lobos arrebatadores”.

Os Padres da Igreja não manifestaram maior clemência para com os pervertidos na fé. Um escritor protestante descreve assim a sua doutrina (Schaff-Herzog, v. Heresy): “Policarpo considerava Marcião como o primogênito do diabo. Inácio vê nos hereges plantas venenosas ou animais em forma humana. Justino e Tertuliano condenam seus erros como inspirações do Maligno. Teófilo os compara a ilhas áridas e rochosas, nas quais os navios naufragam. Orígenes diz que, assim como os piratas colocam luzes nos penhascos para atrair e destruir navios em busca de refúgio, o Príncipe deste mundo acende o fogo do falso conhecimento para destruir os homens. [Jerônimo chama as congregações dos hereges de sinagogas de Satanás (Ep. 123), e diz que sua comunhão deve ser evitada como a das víboras e escorpiões (Ep. 130).]”

Esse conceito dos antigos sobre a heresia foi fielmente transmitido e posto em prática pela Igreja Católica nas épocas subsequentes. Quem quer que examine as Atas dos Concílios, veja os procedimentos inquisitoriais de Gregório IX contra os albigenses, leia a Bula de Leão X contra Lutero, ou, mais recentemente, as encíclicas Satis Cognitum de Leão XIII, Pascendi de São Pio X, Mostalium Animos de Pio XI, Humani Generis de Pio XII verá a mesma atitude apostólica em face das heresias. Numa palavra, não há quebra na tradição de São Pedro a São Pio XII.

Por outra parte, quem quer que considere o aggiornamento de João XXIII, o culto do homem de Paulo VI, o Encontro de Assis de João Paulo II, a Nova Evangelização de Bento XVI e a Cultura do Diálogo e do Encontro de Francisco rapidamente notará uma ruptura com o modo de proceder dos Apóstolos, dos Santos Padres e da Igreja Católica em geral, além de achar nelas uma flagrante violação do preceito do mesmo Cristo, que manda submeter ao Evangelho os infiéis (São Mateus XXVIII, 20) e tratar como pagãos e publicanos aos que não dão ouvidos à Igreja (São Mateus XVIII, 17).

Essa atitude nova, qualificada por Pio XII como irenismo, porque dissente do modo de agir da Igreja do passado e, ainda mais, por ser aplicação de heresias já condenadas, a saber, do liberalismo e do modernismo, promove, sem dúvida, a união pacífica de todos os homens, mas somente para ajuntá-los em uma comum ruína (Humani Generis). Ora, uma instituição que já não promove obstáculos eficazes no combate dos erros, em fidelidade aos preceitos dominicais e apostólicos, apostatou da religião de Jesus Cristo, que não admite esse tipo de coisa.

Contudo, não romperam com essa tradição os assim-chamados tradicionalistas, uma vez que eles permanecem no combate dos erros modernos, em especial do modernismo. É por isso que, em nosso tempo, a Igreja de Cristo está justamente aí, onde a fé de sempre é preservada e são mantidos intactos os bons costumes.

B. A GRAVIDADE DO PECADO DE HERESIA

Os hereges também servem e imitam ao demônio mais perfeitamente, porque a infidelidade é o mais grave de todos os pecados e, das espécies de infidelidade que existem, a heresia é a pior de todas.

São Tomás assim o demonstra na Suma de Teologia II-II, q. 10, aa. 3 e 6: “Todo pecado consiste formalmente na aversão a Deus, como disse acima, consequentemente, quanto mais um pecado separa o homem de Deus, mais grave ele é. Ora, não há nada que separe mais o homem de Deus do que a infidelidade, porque nesse estado ele nem sequer tem o verdadeiro conhecimento de Deus e, pelo falso conhecimento de Deus, o homem não se aproxima dele, mas dele fica cada vez mais distante… Quem resiste à fé depois de aceitá-la peca mais gravemente contra a fé do que quem resiste sem tê-la aceito, assim como quem não cumpre o que prometeu, peca mais gravemente do que se nunca o tivesse prometido. Desta forma, a infidelidade dos hereges, que confessam sua fé no Evangelho, e resistem a essa fé corrompendo-a, é um pecado mais grave do que o dos judeus, que nunca aceitaram a fé do Evangelho. No entanto, visto que eles aceitaram a figura dessa fé na Lei Antiga, que eles corrompem com suas falsas interpretações, sua infidelidade é um pecado mais grave do que a dos gentios, porque estes não aceitaram a fé do Evangelho de maneira alguma.”

C. O PREJUÍZO QUE CAUSA À IGREJA

Além disso e para concluir, comprova-se a maior serventia e semelhança dos hereges ao demônio, pelo maior dano que estes causam à Igreja. Santo Afonso Maria de Ligório, no Prefácio de sua Storia delle Eresia colle loro confutazioni, observa que por maiores que tenham sido as perseguições que a Igreja tenha sofrido por causa da idolatria dos gentios, ainda maiores foram aquelas que ela teve de suportar dos hereges saídos de seu próprio seio: desses homens ímpios que, por orgulho ou ambição, ou por licença de costumes, esforçaram-se para rasgar as entranhas de sua própria mãe.

Por isso, a heresia foi chamada de câncer: “Propaga-se como um câncer: Ut cancer serpit” (II São Timóteo II, 17), pois assim como o câncer infecta todo o corpo, a heresia infecta toda a alma, a mente e o coração, o intelecto e a vontade. É por isso também que recebeu o nome de praga, pois não infecta apenas a pessoa contaminada por ela, mas aqueles que a ela se associam, e a isso se deve que a disseminação dessa praga no mundo prejudicou mais a Igreja do que a idolatria, e essa boa mãe sofreu mais com seus próprios filhos do que com seus inimigos externos.

Portanto, se é sumamente útil e benéfico curar um câncer ou livrar-se de uma peste, assim também será de grande valor refutar todas as heresias, que em realidade são mais nocivas do que todas essas coisas, já que pervertem a parte mais elevada do homem, seu intelecto e vontade, e assim fazem com que este se mude de filho de Deus para instrumento do demônio.

Vencendo o Eruditismo com uma apologia ao Catolicismo

Si quis aliter docet, et non acquiescit sanis sermonibus
Domini nostri Jesu Christi, et ei, quæ secundum pietatem
est, doctrinæ : superbus est, nihil sciens, sed languens
circa quæstiones, et pugnas verborum – I Tim. vi. 3-4.

INTRODUÇÃO

Alguns episódios interessantes me fizeram antepor este vídeo aos demais que me propus gravar para o nosso canal do Controvérsia Católica. Eu vou relatá-los aqui, porque eles, mais do que simples justificativa, servem-me também de ponto de partida para a exposição deste problema grave e verdadeiro, muito disseminado em meios católicos atualmente, sobretudo nos grupos sob a influência de Olavo de Carvalho, que aqui, como em outro lugar, chamo de eruditismo.

Esse erro, na verdade, é bastante vulgar. Na antiguidade ele foi um traço proeminente da seita dos maniqueus e pelagianos e, mais para os nossos tempos modernos, uma nota comum a panteístas e positivistas. Sua fonte é o orgulho intelectual, e o seu remédio eficaz é o reconhecimento humilde da primazia da fé e da graça de Jesus Cristo.

O primeiro episódio, certamente o que mais me moveu a tratar especificamente desse tema, foi de um distinto senhor que, depois de ter assistido ao vídeo “Quando Olavo não tem razão”, relatou-me o seguinte:

“Bom dia, Diogo. No seu vídeo sobre o Olavo de Carvalho, você tocou num ponto que muito me aflige. A mim e a incontáveis outros, tenho certeza. O Eruditismo. Confesso que fui atingido em cheio por esse vício bem típico dessa era divorciada do amor a Cristo. Isso me manteve orgulhosamente afastado dos caminhos da fé, sempre colocando na frente desta uma vaidade tola e o esteticismo vazio. Lembro, por exemplo, de ter lido tanto Santa Tereza D’Ávila quanto São João da Cruz com o único intuito de apreciar a ‘beleza literária’ dos seus escritos, fechando-me por inteiro a quaisquer ensinamentos espirituais ali contidos. Tenho a plena consciência de que a única coisa que se ‘lucra’ com isso é o desordenado aumento da presunção, a qual despreza a prática da humildade, virtude que muito agrada a Deus. Você passou por isso? Como extirpar definitivamente de dentro de nós os vestígios dessa erva daninha fincada na nossa alma? Deus te abençoe.”

É sobretudo a essas questões que desejo responder. Outro caso que me impeliu à produzir este vídeo foi a solicitação de um amigo meu, que instou-me a falar sobre a necessidade da religião católica, em outras palavras, da necessidade desta verdadeira fonte da fé e da graça de Cristo para a nossa salvação, mostrando a insuficiência dos outros caminhos que pessoas, às vezes muito boas de coração, acabam preferindo por lhes dar maior liberdade de pensamento e de ação. Esse é o caso de tantos hoje que acreditam em uma religião criada por si próprios, um ídolo exarado de suas próprias elucubrações e experiências, o qual hoje em dia é vendido na praça como “espiritualidade”, o substituto infeliz da religião divina e católica, que não passa de vaidade das vaidades.

Outro caso relevante para a elaboração deste material foi um jovem que, imbuído das ideias de Olavo de Carvalho, falou-me de vocação como fruto da maturidade, o que só se obteria depois de muita experiência de vida, como ensina a teoria das camadas da personalidade etc. etc., o qual, não obstante suas muitas qualidades, parece estar ainda tão crédulo nas teorias do seu mestre, que não percebe o quanto uma tal concepção é perigosa.

Assim, para satisfazer o desejo de uns e alertar a outros, proponho-me tratar aqui da futilidade do eruditismo e das considerações que podemos usar para livrar-nos dele.

I. O TESTEMUNHO DE SÃO JERÔNIMO

Em primeiro lugar, respondo afirmativamente à questão seguinte: se padeci ou não do eruditismo. Já o tinha feito no vídeo anterior, intitulado Quando Olavo não tem razão, e volto a confessar que durante muito tempo busquei a literatura em detrimento da fé, porque pensava que a esta se chegava só depois de muita preparação intelectual ou experiência de vida, não querendo, para citar a frase do próprio Olavo de Carvalho, ser um filósofo católico, mas um católico filósofo, isto é, que pratica o catolicismo, mas não o assume como a regra superior que deve imperar sobre meus pensamentos. À religião relegava os sentimentos e toda a gama de experiência com o divino, já à esfera intelectual e tudo o que dela depende ficava ao meu bel-prazer, lendo, sob os auspícios de mestre, todo o tipo de coisa para melhorar minha “expressão das impressões”

Naquele mesmo vídeo, recomendei como remédio, aos católicos que desse mal possam padecer, o livro do excelente Monsenhor Gaume, chamado O Verme Roedor das Sociedades Modernas, o qual demonstra muito cabalmente que é ao eruditismo, sobretudo na forma de influência pagã na educação da mocidade, que se deve atribuir a culpa de serem os últimos séculos marcados pela gradual destruição da civilização católica na Europa e no mundo.

Dentre a multidão de testemunhos que ele menciona para provar o seu ponto, o qual também se confirma pelos fatos, ele invoca aquele de São Jerônimo, o qual é tão impressionante que hei de transcrevê-lo na íntegra aqui, para advertência dos incautos que muita confiança põem nos seus próprios estudos:

“O testemunho de S. Jerônimo é, de todos os que acabais de ouvir, o mais explícito e mais grave. Com Santo Agostinho, é ele, talvez, o Padre da Igreja que mais estudou as obras pagãs e a funesta influencia que elas podem exercer. Escrevendo ao papa S. Dámaso, mui versado também nas letras latinas, cita-lhe o texto de S. Paulo: Não habiteis no templo dos ídolos; depois exclama: «Não ouvis o grande Paulo que vos diz noutros termos: Não vos firmeis no estudo dos filósofos, nem oradores, nem poetas pagãos. É crime beber ao mesmo tempo no cálice de Cristo e no dos demônios». Noutros termos; são incompatíveis o cristianismo e o paganismo: um é o sensualismo, outro o espiritualismo.

«Eu mesmo, diz ele noutra parte, quis fazer essa perigosa experiência, e amargos foram os frutos que dela colhi. Havia anos que eu tinha deixado a casa paterna, privando-me da sociedade de meus pais, minha irmã e meus amigos; e, o que é mais difícil, tinha renunciado ao uso dos alimentos delicados; tudo com vistas de ganhar o céu. Tencionando ir a Jerusalém, para combater nos combates do Senhor, não podia passar sem a biblioteca que em Roma compusera com extremo cuidado e trabalho infinito. Assim, desgraçado de mim! deixava tudo, jejuava para ler Cícero. Depois de frequentes vigílias, e abundantes lagrimas por minhas culpas passadas, pegava em Plauto. Se, às vezes, tornando a mim, tentava ler os profetas, horrorizava-me o seu estilo inculto; e como os meus olhos enfermos não viam a luz, julgava que a falta era do sol.

«Em tanto que eu era assim o joguete da antiga serpente, fui de repente levado em espírito ao tribunal do soberano juiz. Tal era o resplendor da luz que brilhava na sua pessoa e na dos anjos que o rodeavam, que fiquei prostrado sem ousar erguer os olhos. Interrogado sobre a minha condição, respondi que era cristão. Mentes, replicou o Juiz; tu és ciceroniano, e não cristão; porque onde tens o teu tesouro, tens o teu coração. A estas palavras calei-me, e o Juiz mandou-me açoutar, e os açoutes que eu recebia me eram menos cruéis que os remorsos que rasgavam a minha consciência. Lembrei-me desta palavra do profeta: Quem vos poderá louvar no inferno? Contudo comecei a exclamar e a dizer, soluçando: Senhor, tende piedade de mim. Emfim, os que ladeavam o tribunal, lançaram-se aos pés do juiz e pediram-lhe compaixão para a minha mocidade e tempo para fazer penitencia, dizendo-lhe que eu me emendaria. Eu, também, nesta extremidade, fazia ainda maiores promessas; jurei, invocando o nome de Deus, que queria ser tido como apóstata, se me acontecesse algum dia guardar livros pagãos.

«Pronunciado este juramento, soltaram-me e eu vim a mim. Com grande espanto dos circunstantes, tinha os olhos tão cheios de lagrimas que todos se convenceram da violência da dor que sofrera. Não foi sono, ou vão sonho, como os que nos iludem às vezes. Tomo por testemunhas aquele tribunal ante o qual estive, e a formidável sentença que me gelou de medo. Por isso nunca mais quererei expôr-me a tal questão, em que fiquei com as costas mortificadas pelos açoites, que, por muito tempo, me doeram, e depois da qual estudei as Escrituras com o fervor com que estudara os livros pagãos (Ad Eustocli., De custod. virginit., ep. XVIII, opp., t. IV, p. 43).»

O santo doutor foi fiel ao juramento. Não só deixou de ler autores pagãos, mas até receava citar passagens deles, que lhe vinham à memória. Aos que lhe diziam, como se diz hoje, que, sem esses livros, não se pode falar nem escrever bem, respondia: «O que vós admirais, desprezo-o eu, porque tenho gozado da loucura de Jesus Cristo, e a loucura de Jesus Cristo é mais sábia que toda a sabedoria humana». (GAUME, O Verme Roedor, pp. 88-90).

II. OS ARGUMENTOS DE SÃO TOMÁS EM FAVOR DA VERDADE REVELADA

Muito já nos adiantou o testemunho formidável de São Jerônimo, o qual ensina, com o consenso unânime dos Santos Padres, que jamais deve um cristão devotar-se ao estudo dos clássicos sem grave motivo e que, ainda assim, seria de todo leviano fazê-lo sem antes aplicar-se muito e sobretudo ao estudo da doutrina de Jesus Cristo, porque sempre será melhor perder o mundo, na forma de um cargo ou uma posição vantajosa, do que perder a alma.

Contudo para os incipientes ou que ainda não estão cientes do valor deste dom inestimável da fé e da graça de Jesus Cristo, isto é, da grande vantagem que obtemos pela adesão à doutrina e com a busca dos grandes bens que os cristãos recebem de seu Mestre Divino, temos os argumentos de São Tomás de Aquino, que nos primeiros capítulos de sua Suma contra os Gentios demonstra a existência, vantagem e razoabilidade da revelação que Deus realizou por Jesus Cristo e seus Apóstolos (Summa contra Gentiles, l. I, cc. III-VI).

A. HÁ VERDADES SOBRE DEUS QUE EXCEDEM O NOSSO ENTENDIMENTO

Quanto ao primeiro ponto, São Tomás explica (c. III), com Aristóteles e Boécio, que o nosso conhecimento de uma coisa está subordinado ao quanto podemos compreender de sua natureza. Ora, como o que sabemos de Deus vem da contemplação de suas obras e como as tais não podem nos dizer mais do que algumas coisas sobre a virtude daquele que é seu autor, então é evidente que, em princípio, se Deus é Deus, ele não cabe todo inteiro em nosso entendimento, porque só o conhecemos com a nossa razão de uma forma indireta e parcial.

O mesmo pode ser inferido facilmente se comparamos o entendimento de um ignorante com aquele de um douto. É totalmente razoável que um ignorante admita que há coisas que ele não entenda, mas que são compreendidas por uma pessoa bem mais inteligente do que ele. Ora, a distância entre o intelecto de um ignorante e de um sábio é bem menor que aquela que existe entre a mente de Deus e a dos homens. Logo, há verdades sobre Deus que excedem às nossas forças naturais.

Por fim, a nossa ciência mesma das coisas que caem sob os nossos sentidos é imperfeita e limitada, de modo que diariamente nos deparamos com a insuficiência de nosso conhecimento das propriedades das coisas ou de que modo elas se relacionam com a sua natureza. Se tal se pode dizer de nossa apreensão das coisas desse mundo, muito mais se pode dizer a respeito da própria substância divina.

Logo, realmente existem verdades sobre Deus que jamais iremos encontrar pelo simples esforço racional. É por isso que Aristóteles diz: “O nosso intelecto está para as primeiras noções dos seres, que em si são evidentíssimas, como os olhos do morcego para o sol.” (II Metafísica 1, 993b). Assim também nos instrui o Espírito Santo na Sagrada Escritura: “Por acaso compreendes os vestígios de Deus e perfeitamente descobres o onipotente?” (Jó 11, 7); “Eis o grande Deus que está acima do nosso entendimento.” (Jó 36, 26) e “Conhecemos em parte” (1Cor 13, 9).

B. CONVÉM AOS HOMENS SABER PELA FÉ ATÉ O QUE PODERIAM SABER PELA LUZ DA RAZÃO

Aliás, muito provável é que mesmo as coisas que poderíamos encontrar mediante esse esforço, não as encontrássemos por conta das contingências da vida, de modo que é conveniente que até mesmo essas coisas nos sejam propostas pela fé e não só pela nossa investigação pessoal (c. IV). De fato, pelos seguintes motivos, a fé também é conveniente para a comunicação das verdades naturais sobre Deus:

Sem a fé, poucos homens chegariam ao simples conhecimento de Deus, pois a investigação racional demanda assídua investigação. Ora, alguns não alcançariam tais verdades por falta de capacidade intelectual, outros por falta de tempo e ainda outros por falta de interesse em filosofia. A fé, pois, tem a vantagem de, com as mais sólidas conclusões da inconcusa filosofia, suprir à fraqueza dos primeiros, poupar o tempo dos segundos e a falta de interesse em filosofia dos terceiros.

Além disso, a maioria dos homens permaneceria nas trevas, pois somente alguns deles, e estes só depois de um longo tempo de estudo, teriam condições de chegar ao conhecimento que os tornaria perfeitos e bons. Com efeito, a matéria em questão é dificílima, supõe muitos conhecimentos prévios e é somente muito tarde na vida, quando a alma já não é tão facilmente molestada pelas paixões, que melhor se está disposto a essas considerações. De modo que, sem a fé, mesmo aqueles homens capazes, mas desprovidos de disciplina e experiência, como é o caso dos jovens, estariam excluído do grêmio dos sábios.

Por fim, há o perigo do erro. A falsidade facilmente se introduz na investigação feita pela razão e a disputa entre as escolas rapidamente põe em descrédito a própria verdade, logo dando margem ao ceticismo daqueles que se acham perplexos pela variedade das opiniões humanas sobre um mesmo assunto. Somente a autoridade divina pode ao mesmo tempo garantir a isenção de erro e conter essas lutas verbais.

Após examinar esses três motivos com algum pormenor, São Tomás conclui dizendo: “Por todos esses motivos foi conveniente que pela via da fé se apresentassem ao homem a firme certeza e a pura verdade das coisas divinas. Foi, pois, vantajoso que a clemência divina determinasse serem tidas como de fé também as verdades que a razão pode por si mesma investigar. Assim, todos podem com facilidade, sem dúvida e sem erro, ser participantes do conhecimento das verdades divinas. Daí estar escrito: Já não andais como os povos que andam segundo a vaidade dos sentidos, tendo o intelecto obscurecido” (Ef 4, 17); e: Farei a todos os os teus filhos doutrinados pelo Senhor (Is 54,13).” (Suma contra os Gentios I, 4)

C. CONVÉM QUE OS HOMENS SAIBAM PELA FÉ TAMBÉM O QUE EXCEDE À RAZÃO

Se é evidente a vantagem que se obtém em conhecer pela fé as verdades sobre Deus ao alcance da razão, dada a debilidade de nossa natureza, não menos conveniente é que saibamos pela fé coisas que excedem à nossa capacidade natural, dada a grandeza da vocação a qual o homem foi chamado pela providência de Deus.

De fato, apesar dos pesares da ignorância humana e do pecado, que sempre devemos ter diante dos nossos olhos, não é difícil de perceber a naturalidade com que os homens desejam saber a verdade e agir conforme a justiça. As faculdades espirituais do homem, sua inteligência e vontade, ordenam-se para bens infinitos, que não se podem encontrar nesta vida. Ora, da mesma forma que é absurdo imaginar na natureza aberrações como peixes que não tenham mar, pássaros que não tenham céu e plantas que não tenham terra, assim também não é nada razoável supor que o nosso desejo pelas coisas divinas nesta vida exista simplesmente por existir, sem haver um complexo de verdades e bens proporcionais a tais inclinações naturais.

São Tomás começa a desenvolver essa tese (c. V), que será completada no l. 3 c. 48, como um princípio basilar da ética tomista: nihi volitum nisi praecognitum: nada é querido, senão for antes conhecido. Logo, como poderia o homem caminhar conscientemente em direção de bens que excedem à sua capacidade natural, mas que ele deseja tão naturalmente como o cervo que deseja a fonte das águas, se antes não fosse levado a conhecer e ter o cuidado para obter aqueles bens que já agora não pode possuir? A fé cristã propriamente nos leva a desejar a esses bens espirituais e eternos acima de qualquer outro, de modo a nos dispor à posse desses bens futuros. Logo, muito condiz com a realização de nossa inclinação natural a proposta de verdades e preceitos que por meio dela não podemos senão suspeitar da existência e sem os quais dificilmente poderíamos ter o cuidado requerido para obtê-los. De fato, os ditames da reta filosofia são incapazes de persuadir os homens a bem se prepararem para a vida futura, embora são bons enquanto nos dispõem para a fé.

Também a proposta de verdades sobrenaturais foi necessária para que os homens tivessem um conhecimento mais veraz de Deus, porque, chegando ao conhecimento de mistérios inacessíveis à sua razão, firma-se no homem a certeza de que Deus está muito acima de tudo o que o homem possa pensar a respeito dele, o que é a mais pura verdade, como já se demonstrou acima.

Além disso, a proposta de verdades reveladas liberta o homem da presunção na investigação da verdade, que é a mãe do erro. De fato, caminhará com modéstia em suas investigações se de antemão souber que há coisas sobre Deus que excedem à sua capacidade de compreensão. Outra utilidade vem da própria natureza destas verdades que, embora no presente só nos sejam acessíveis pela fé, já agora nos conduzem ao máxima grau de perfeição.

D. QUEM CRÊ NA FÉ CRISTÃ NÃO O FAZ SEM RAZÃO

Não cremos levianamente como o fazem os maometanos (c. VI), os tesouros da Sabedoria nos foram comunicados pelo próprio Deus, assim o atestam aqueles que o viram, os Apóstolos; aqueles que anunciaram a sua vinda e os seus feitos, os profetas; aqueles que morreram pela fé nele, os mártires; e aqueles que em seu nome obraram milagres, os santos confessores da fé; e, se tudo isso não servir de nada, ainda maior milagre se constata: os homens decidiram renunciar ao mundo e se submeter aos rigores da vida cristã sem a necessidade de qualquer milagre, poderia haver milagre maior do que esse? No entanto, procedimento bem contrário foi aquele dos sectários de todos os tempos.

Para melhor apreciação deste argumento poderoso e decisivo, constituindo ele sozinho uma eloquente apologia do cristianismo, deixe-me transcrevê-lo na íntegra:

“Os segredos da sabedoria divina, ela mesma – que conhece tudo perfeitamente dignou-se revelar aos homens, mostrando-lhes a sua presença, a verdade da sua doutrina, e inspirando-os, com testemunhos condizentes.”

“Ademais, para confirmar as verdades que excedem o conhecimento natural, realizou operações visíveis que superam a capacidade de toda a natureza, como sejam a cura de doenças, a ressurreição de mortos e maravilhosas mudanças nos corpos celestes. Mais maravilhoso ainda é, inspirando as mentes humanas, ter feito que homens ignorantes e rudes, enriquecidos pelos dons do Espírito Santo, adquirissem instantaneamente tão elevada sabedoria e eloquência.

“Depois de termos considerados tais fatos, acrescente-se agora, para a confirmação da eficácia dos mesmos, que uma multidão de homens, não só os rudes como também os sábios, acorreu para a fé cristã. Assim o fizeram, não premidos pela violência das armas, não pela promessa de prazeres, mas também – o que é maravilhoso – sofrendo a perseguição de tiranos.

“Além disso, na fé cristã, são expostas as virtudes que excedem todo o intelecto humano, os prazeres são reprimidos e se ensina o desprezo das coisas do mundo. Ora, terem os espíritos humanos concordado com tudo isso é ainda maior milagre e claro efeito da inspiração divina.

“Essas coisas não aconteceram de improviso ou por acaso, mas por disposição divina, porque ficou evidenciado que elas se realizaram mais tarde, porquanto Deus as havia predito pelos oráculos de muitos profetas, cujos livros são venerados por todos nós como portadores do testemunho da nossa fé.

“Este modo de inspiração das verdades reveladas está lembrado na Carta aos Hebreus: A verdade da salvação, que foi inicialmente transmitida pelo Senhor, foi em nós confirmada por aqueles que a ouviram, confirmando-a Deus por sinais, milagres e por muitos dons do Espírito Santo.” (Hb 2,3).

“Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

“Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e desprezar bens tão valiosos. Mais ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de realizar milagres para a confirmação da fé.

“No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé. Ele seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência. Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne.

“Além disso, não apresentou testemunhos de verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas. Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há convincente testemunho da mediação divina, quando uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da verdade está inspirado de modo invisível. Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos. Ademais, desde o início, homens sábios, versados em coisas divinas e humanas, nele não acreditaram. Nele, porém, acreditaram homens que, animalizados no deserto, eram totalmente ignorantes da doutrina divina. No entanto, foi a multidão de tais homens que obrigou os outros a obedecerem, pela violência das armas, a uma lei. Finalmente, nenhum dos oráculos dos profetas que o antecederam dele deu testemunho, visto que ele deturpou com fabulosas narrativas quase todos os fatos do Velho e do Novo Testamento. Tudo isso pode ser verificado ao se estudar a sua lei. Já também por isso, e de caso sagazmente pensado, não deixou para a leitura de seus seguidores os livros do Velho Testamento, para que não o acusassem de impostura.

“Fica assim comprovado que os que lhe dão fé à palavra creem levianamente.”

O que foi dito sobre os muçulmanos, vale ainda mais para os protestantes, maçons e comunistas que não chegaram ao poder senão mediante o argumento das armas e dos prazeres sensuais. Todos eles se serviram da coação e das paixões para levarem os homens para longe de uma fé reta em Deus, de modo a desviá-los do caminho que conduz para o Céu.

É por isso que os sectários são os maiores inimigos dos homens, porque os privam do maior bem, fazendo com que procedam contra a natureza humana, que alegremente se inclina para os bens superiores e tantas vantagens obtém, até mesmo na consecução de sua felicidade natural, pela posse das virtudes cristãs. Que a profissão de tais verdades e o cumprimento de tais preceitos ainda tenha a virtude de nos salvar e guardar para bens ainda maiores, não deixa de ser uma demonstração da infinita bondade de Deus, que deve nos impelir a um heroico amor por Ele, ainda que isso nos custe a própria vida.

CONCLUSÃO

O que foi dito é uma síntese do que encontramos na obra dos Santos Padres e dos apologistas cristãos de todos os tempos. Não irão essas considerações ser capazes de forçar uma pessoa a crer no Cristianismo, porque a fé no Filho de Deus é um dom sobrenatural e gratuito, infundido por Deus em nossa alma. Mas quem examina essas razões com atenção verá que elas nos dispõem para a fé, já que nos mostram o quanto é razoável crer em Jesus Cristo, do mesmo modo que nos convencem de que não é razoável buscar a salvação em qualquer outro.

Mais do que um artigo preambular de apologética, o que se disse aqui é antídoto forte e poderoso contra o eruditismo, pois o nosso grande bem não consiste em ser porta-vozes de uma sabedoria e eloquência meramente humana, mas em acolher aquela sabedoria que é loucura para o mundo, que não nos é revelada pela carne e pelo sangue, mas que é realmente sabedoria e poder de Deus.

Introdução à História Secreta das Heresias

Os antigos se esforçaram para compreender a Deus e a sua obra, e nisto se sobressaíram os Doutores Escolásticos, dentre os quais brilha São Tomás de Aquino. Apoiados na revelação divina, na experiência dos séculos e na razão humana, estavam eles convencidos da ação insidiosa do demônio sobre os homens e da suma importância de proteger-se contra os seus enganos e seduções mediante a Santa Igreja de Jesus Cristo, sociedade estabelecida para resgatar, conduzir e salvar aqueles que estavam sob o seu domínio e influência.

Os modernos, porém, voltando-se para o homem, puseram toda a ênfase no exame de suas intenções, ações e operações. Assim eles esperavam, cada qual a seu modo, livrar-se do demônio sem a Igreja. Exemplos clássicos são Lutero e Descartes, um querendo livrar-se de Satanás somente pela fé fiducial; o outro querendo escapar do gênio mau pela certeza do seu próprio pensamento. Desde então, na medida que passam as gerações, a influência do demônio aumenta, ao mesmo passo e velocidade que a percepção de seu real caráter e função na história diminui.

Hoje em dia, pouco se fala sobre o papel do demônio na história humana, ainda menos sobre o papel fundamental que este teve na origem e desenvolvimento de todas as heresias. Já é tempo de recuperar esse conhecimento perdido e, na medida de nossas forças, dar continuidade ao trabalho dos Doutores Escolásticos, há muito abandonado pelos modernos autores que só enxergam as intenções e os sentimentos dos homens.

Para tanto, São Tomás de Aquino, São Roberto Belarmino e Santo Afonso Maria de Ligório serão de grande importância, o primeiro por sua sublime compreensão do demônio como caput malorum, o segundo por seu brilhante esquema sobre a ordem das heresias segundo a mente do demônio e o terceiro por sua consideração preliminar sobre seu terrível efeito na história eclesiástica. Além disso, teremos que nos valer também daquilo que autores eclesiásticos mais recentes disseram, já que os Santos Doutores não sobreviveram para ver os erros diabólicos que contemplamos em nossos dias, muito embora não faltem indícios de que eles os tenham pressentido.

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Entre a justiça divina e a igreja da vacina: a verdadeira causa do coronavírus e o único remédio eficaz

Secas, terremotos e pestes de toda sorte não se devem única e primariamente a causas naturais. Muito embora causas naturais possam concorrer no cumprimento dos decretos divinos, como um instrumento do qual a sua onipotência pode ou não se servir, elas sempre são causas segundas e como que sintomas de um mal maior, pois se deve inferir pelos fatos históricos e pela Revelação Divina que a causa primeira das calamidades públicas são os pecados dos homens, contra os quais se levanta a justiça divina.

Exemplos de como os pecados são a verdadeira causa das calamidades não faltam tanto na História Sagrada quanto na História Profana. Nas páginas sagradas, o dilúvio que fez submergir um mundo de pecado, a confusão de línguas que abateu o orgulho dos construtores da Torre de Babel, o fogo que desfez em cinza a ousada impureza dos sodomitas, as dez pragas que prostrou por terra o arrogante poder do Faraó com todo o Egito, a seca que castigou a infidelidade dos israelitas no tempo do profeta Elias, a destruição de Jerusalém e o exílio que os deportou para a Babilônia no tempo de Jeremias e muitos outros eventos atestam que essas mazelas não são mais que o salário do pecado. Da mesma maneira, nos anais da história secular, a ruína do Império Romano na Antiguidade, a peste negra na Idade Média, o terremoto em Portugal na Modernidade e as duas guerras mundiais na Contemporaneidade não foram senão outros terríveis açoites que nosso Soberano Senhor desferiu, não sem razão e aviso, contra a imoralidade dos homens.

De fato, toda a Sagrada Escritura, omnium prophetarum, literis atque linguis, e o sentir de toda Igreja, que noscit sensum Sponsi, pacífica e infalivelmente ensinam que as calamidades que assolam cidades e nações inteiras são a triste consequência dos pecados dos homens. Para tomar um entre mil testemunhos, ouçamos com atenção a confissão humilde e sincera de São Tobias, o qual governado pelo Espírito Santo (que não pode errar) assim ensinava aos seus irmãos e patrícios oprimidos com tão duro cativeiro em Babilônia, a reconhecer a única origem de tão funestos desastres: “Se fomos entregues à pilhagem, ao cativeiro e à morte, e se nos temos tornado objeto de mofa e de riso para os pagãos entre os quais nos dispersastes, é porque não obedecemos às vossas leis.” (Tob 3,4).

Portanto, diante do atual cenário de deriva sanitária e econômica, independentemente de quais causas naturais tenham sido usadas pela divina majestade, seja o vírus em si, seja a ambição dos homens, seja o mais provável, uma mistura das duas coisas, o seguro e bem-fundado é que as nossas iniquidades se elevaram sobre as nossas cabeças e como um pesado fardo elas nos oprimiram (cf. Sl 37,5).

Era de se esperar então que os pretensos homens da Igreja fizessem qual fizeram os São Vicente Ferrer e os Gabriel Malagrida em face de semelhantes desastres, a saber, chamassem todo o povo à penitência. Isso o fariam para aplicar-lhe o melhor e mais eficaz remédio, pois Deus está disposto a perdoar aqueles que praticam obras de penitência, como se viu no caso de Jonas e dos Ninivitas e dos hebreus exilados em Babilônia. Pois, neste conflito entre Deus e o pecador, Deus vencerá ou acabando o pecado no pecador, que abalado e atemorizado com tão horrendo flagelo, há de buscar com uma sólida penitencia o asilo da misericórdia; ou vencerá acabando o pecador no pecado: largando os obstinados ao furor executivo da sua justiça. Neste último caso, da obstinação do pecador no pecado, somar-se-á ao presente castigo um outro sete vezes pior (cf. Lv 26, 18) e essa habitual impenitência do pecador só servirá de atalho à sua fatal ruína, como nos adverte o sábio: “Se não te aferrares firmemente no temor do Senhor, tua casa em breve será destruída.” (Eclo 27,4).

Logo, o remédio excelente e definitivo não é a vacina x ou y, mas é a penitência humilde e sincera. Se os homens tomam a vacina, mas não se convertem a Deus, se não cessam as blasfêmias nos vídeos, as desonestidades nas músicas, as heresias no ensino, as injustiças nos tribunais, os roubos nos parlamentos e gabinetes e, sobretudo, se não se dá fim a culpável ignorância e negligência religiosa nas famílias e toda sociedade, o povo continuará sendo vítima de seus pecados e a ira de Deus permanecerá sobre o mundo, pois Deus é Deus de todos e reinará sobre todos ou pelos seus mandamentos, ou pelos seus reiterados castigos.

Isso, pois, era o que deveria estar no discurso de pessoas que se dizem católicas. Pois acaso não sabem elas que este mundo não é uma casa sem dono? Não sabem que há providência em Deus? Que há Deus no céu, que está vigiando continuamente sobre as nossas operações, e que nos há de punir se não procedermos bem?

Se sabem, na prática, demonstram não crer no que sabem. O assim-chamado Papa Francisco, dando mostras de seu pestilencial naturalismo, afirmou em 27 de março de 2020 que o coronavírus não é o juízo de Deus, mas o juízo do homem (https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-03/papa-francisco-coronavirus-homilia-integral.html) e, quando foi buscar alguma causa mais transcendental para a calamidade moderna, não foi além da fúria da deusa Terra ou Gaia contra os nossos pecados ecológicos (https://rr.sapo.pt/2020/04/22/papa/papa-francisco-por-causa-do-egoismo-falhamos-o-compromisso-de-cuidar-da-terra/video/237717/). E o mesmo que outrora atribuiu o coronavírus a uma causa natural, também agora põe em um remédio natural a esperança de cura: não é pela penitência, mas pela vacina que iremos nos livrar dos males presentes. Elas são as “luzes de esperança”, a “escolha ética” que devemos fazer (https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2021-01/papa-francisco-pandemia-vacina-esperanca.html).

Ora, com as lágrimas, com o abatimento da nossa soberba, com uma verdadeira penitência, se pode aplacar a ira de Deus; e a espada destinada ao extermínio dos pecadores pode, com o benefício da penitência, trocar-se em chave para abrir, aos humilhados, os tesouros da misericórdia; porém como há de entrar nestes cuidados e empenho, o povo mais duro, e rude nos seus vícios, se ouvirem os que dizem, asseguram, que estas calamidades são puros efeitos das causas naturais, e não vinganças de um Deus indignado, e ferido no mais vivo da sua honra, pela obstinada perfídia dos pecadores?

Parece-me que o mesmo demônio não podia excogitar doutrina mais conducente à nossa irreparável ruína, do que ensinar esta naturalidade tão inatural, afirmando serem pelos sintomas das causas segundas e naturais, estes flagelos que experimentamos, ficando nós com estes sistemas mais empedernidos nas injúrias e desprezos da causa primeira; perseverando nós como antes no nosso pratico ateísmo.

É nesta heresia naturalista e em seu lisonjeiro corolário de habitual impenitência em que os modernistas e outros pretensos cristãos de nossa época querem meter o povo inteiro e é por essa razão que eles são os maiores inimigos, não só dos católicos, mas de toda humanidade. Foi ouvindo a tais conselheiros que as civilizações mais poderosas e opulentas foram riscadas do mapa e certamente não é seguindo as suas doutrinas e preceitos que haveremos de salvar as nossas vidas, pois eles só sabem ecoar, como a antiga serpente, que não morreremos se ousarmos transgredir os mandamentos divinos (cf. Gn 3,4).

Quando Olavo não tem razão

QUANDO OLAVO NÃO TEM RAZÃO

Por Irmão Diogo Rafael Moreira

INTRODUÇÃO

A ideia deste artigo é demonstrar biográfica e bibliograficamente o porquê quanto mais católico você é, menos olavette você fica. Essa tese certamente supõe uma incompatibilidade entre a fé católica tradicional e pelo menos alguns aspectos do que chamarei aqui de carvalhismo, a doutrina ensinada pelo Professor Olavo de Carvalho.

Essa incompatibilidade será explicada de maneira biográfica, porque eu, Irmão Diogo Rafael Moreira, segui e aderi ao carvalhismo de 2009 e 2014, e de lá para cá fui me distanciando dele muito conscientemente, como resultado de minha adesão ao sedevacantismo. Ela será também explicada bibliograficamente, porque esse processo se deu tanto pela leitura de obras que destoam do carvalhismo, quanto por reflexões pessoais sobre suas principais obras.

Escolhi para estas linhas o título “Quando Olavo não tem razão”, porque minhas críticas são pontuais e, no meu entender, suficientes para satisfazer o pedido de um amigo que me instou a compor esse artigo para “abrir os olhos” das pessoas sobre os problemas do pensamento de Olavo de Carvalho.

A Lógica Escolástica nos ensina que uma contraditória basta para derrubar uma proposição universal afirmativa, logo os exemplos e considerações contidos aqui são de bom tamanho para que aqueles que desejam ser verdadeiros católicos estejam atentos para as limitações, erros e perigos relacionados a alguns pontos-chave do carvalhismo.

1. MEU EGO OLAVETTE

Na Aula 31 do seu Curso Essencial de História da Filosofia, intitulada “O enigma Maquiavel”, Olavo de Carvalho ensina que o amadurecimento intelectual consiste na passagem do ego egoísta, que só faz o que lhe apraz, para o ego acusador, que denuncia a injustiça e as mentiras no mundo. Mas para que essa crítica não se torne hipocrisia, continua o professor, muito necessário é acusar-se a si mesmo. Foi assim mesmo que ele fez: “Não por coincidência, se você for ver, as ideias que eu combato hoje foram as primeiras a que eu aderi na minha vida. Eu não estou cuspindo na cara de ninguém sem ter cuspido na minha primeiro. Mas tem que passar por isso, tem que passar, porque esta é de fato sua cura.” (p. 51).

Apropriando-me eu também desse conceito e fazendo jus ao mestre de minha juventude, exporei os seus erros não como quem cinicamente ataca um estranho ou desconhecido, mas como alguém que antes denuncia e corrige a si mesmo, pois o que ataco no carvalhismo hoje é o que defendi ontem, e que, desde um determinado momento, fui substituindo por algo melhor.

Esse meu ego olavette, que ora critico, caiu nestes cinco erros principais: eruditismo, modernismo, liberalismo, americanismo e judeofilia. Nas seguintes linhas hei de descrever cada ponto e indicar em que sentido tais posicionamentos não coincidem com a verdade ensinada pela doutrina católica apostólica romana.

2. O ERUDITISMO

A primeira nota fundamental do meu ego olavette era o eruditismo. Por eruditismo entendo a busca pela alta cultura, o ideal do filósofo ou do sábio profano, que passou a predominar, entre os letrados, a partir Renascença e se manifestou por meio do humanismo, classicismo ou academicismo.

Como um resultado desse ideal, esse foi de longe o período em que mais comprei livros em toda a minha vida. Acreditava eu que precisava ler oitenta livros por ano, e que deveria ler muita literatura brasileira e estrangeira, a fim de melhorar minha “expressão das impressões”, como repetia o professor nas lições do COF, citando Benedetto Croce.

Li Shakespeare, Goethe, Dante, Lima Barreto, Machado de Assis e até Nelson Rodrigues. Comprei todos os livros do professor Olavo de Carvalho que o meu dinheiro podia comprar, li com assiduidade A Dialética Simbólica, O Jardim das Aflições, A Filosofia e o seu Inverso, Aristóteles em Nova Perspectiva, Maquiavel, ou: A Confusão Demoníaca, Visões de Descartes etc. e inclusive fiz uma entusiástica campanha pela compra do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, de modo que muitos amigos meus o adquiriram. Aos que duvidam, seguem algumas incontestes evidências de minha olavetticidade:

Li comparativamente pouco sobre religião, pois, mesmo na teoria, a santidade seria o último estágio de uma formação humanística que tomaria quase toda a vida da pessoa, ou então, uma das últimas camadas da personalidade. Por conta disso, não tinha muito interesse em obras de religião. Lembro-me, porém, de ter lido, sob direta influência do carvalhismo, a tríade de Chesterton (Ortodoxia, Hereges e O Homem Eterno); um livro de Christopher Dawson sobre religião e progresso; uma obra de René Fülöp-Miller sobre os santos que abalaram o mundo, com as biografias de Santo Antão, Santo Agostinho, São Francisco de Assis e Santa Teresa d’Ávila; e, por fim, O Inferno de Monsenhor de Segür.

Inspirado no artigo “Arte Sacra e Estupidez Profana”, eu pensava que Guénon, Schuon, Coomaraswamy e outros tinham salvo o Ocidente da ignorância em matéria de simbolismo religioso e que São Tomás era o que era por causa das catedrais medievais. Logo, o negócio era adquirir muita alta cultura e sensibilidade artística, porque o cerne da sã filosofia consistia em reviver a experiência dos autores lidos, como um ator que procura fazer suas as experiências dos personagens que representa. Aliás, não só autores literários, filmes também faziam parte do enredo (embora não tivessem o mesmo grau de aperfeiçoamento técnico que as obras literárias, dada a juventude do cinema). Por conta disso, assisti o filme A Troca, Gran Torino e outros.

As leituras em si não me fizeram tão mal, salvo o tempo perdido e às vezes o conteúdo pouco digerido. Mas as consequências dessa ênfase na alta cultura e retardo na busca da perfeição moral, sim, fizeram-me mal e transpareciam no uso indiscriminado de más palavras (ilustradas pelos proverbiais palavrões do mestre, que infelizmente se proliferavam nos lábios de seus alunos, inclusive os meus) e no culto aos falsos heróis do classicismo e de intelectuais modernos.

Mas, algum tempo e o estudo sério do catolicismo me mostraram que, se o cristão deseja ser discípulo de Jesus Cristo, deve distanciar-se dessas vulgaridades. Pois, diz o Apóstolo: “Não vos enganeis: as más conversas corrompem os bons costumes.” (1Cor 15, 33). E também porque, embora reconheça que no passado, mesmo no âmbito eclesiástico, tenha havido a aclamação e incentivo do classicismo, penso que devemos novamente fixar nossa atenção nos resultados obtidos e afirmar, com o Padre Joseph Gaume, que o prematuro contato com os heróis e ideais do classicismo foi e ainda é o verme roedor da civilização cristã, o molde que transforma cristãos em pagãos, o fermento da revolução e o inimigo número um da educação cristã (cf. Verme Roedor…, pp. 29-34). Aliás, não só o Padre Gaume, mas mesmo Maquiavel o admitiu veladamente e serviu-se disso em favor do próprio paganismo (cf. Discorsi II, 5).

3. MODERNISMO

Por essa época também li, reli e muito refleti sobre a tese de Olavo de Carvalho sobre o cristianismo. Essa tese se encontra no livro principal do autor, chamado O Jardim das Aflições, e baseia-se principalmente nas ideias de René Guénon e Eric Voegelin sobre a matéria (cf. Livro IV, cap. 8, §§ 24-5). A parte de Guénon consistia em ver no cristianismo um “esoterismo exoterizado” e, como tal, despojado de uma clara mensagem ética e política. No caso de Voegelin, em enxergá-lo como uma seita escatológica que, em razão de não ter ocorrido o fim do mundo, esperado pelos primeiros cristãos, precisou tornar-se igreja e acomodar-se às exigências do tempo.

Essas duas noções combinadas: de um lado, o cristianismo como uma experiência direta do indivíduo com o Logos, e, do outro, como o reino escatológico que se vê forçado a ser Igreja são exatamente os dois pilares fundamentais do modernismo, os quais a encíclica Pascendi aptamente descreveu e condenou com os nomes de imanência vital e evolucionismo do dogma.

A insistência do professor Olavo de Carvalho no fato de que o cristianismo seja mais uma experiência do que um conjunto de crenças e preceitos, sua insinuação de que a doutrina e a moral católica seja coisa muito tardia e assaz cambiável no curso dos tempos, que só foi se enrijecendo na medida em que a hierarquia ia se paganizando, também são sinais evidentes do caráter modernista de sua visão do cristianismo. Pois o que é o modernista senão isto: uma combinação do intuicionismo ou ontologismo a la Guénon, como o demonstrou o Padre Curzio Nitoglia em sua obra L’ esoterismo, com uma crítica histórica protestante a la Voegelin, como o demonstrou o Padre Catão em sua conferência sobre o pensamento de Bento XVI? Sem dúvida, Loisy e Tyrell não podiam ter achado um melhor discípulo. E assim, se acaso Olavo e os modernistas tiverem razão, devemos nós todos admitir que foi preciso nada menos que vinte séculos para descobrirmos que o cristianismo, em vez de manter e aperfeiçoar a Antiga Lei, como disse Nosso Senhor, veio, pelo contrário, aboli-la e pôr em seu lugar “o homem religioso autônomo e solitário” da Reforma Protestante e da tariqa do Schuon. No mínimo dos mínimos, o nome disso é anacronismo.

Essas coisas eu não as entendia tão bem naquele tempo como entendo hoje, se assim o fizesse, era provável que a teria rechaçado por instinto essa noção demasiado estranha e excêntrica de cristianismo. Contudo, estava sob sua influência dela e como um resultado julgava que a doutrina e a moral não eram tão importantes quanto a experiência direta com o Verbo: a fé, lembro-me de ouvir o professor dizer, não é tanto o acreditar em uma doutrina, mas o confiar em uma pessoa, Jesus Cristo, basicamente o conceito de fé fiduciária de Lutero, um dos pais da modernidade (cf. GILLESPIE, The Theological Origins of Modernity, 2008), coisa bem distinta do conceito tradicional de fé como o assentimento da inteligência à Revelação infalivelmente transmitida pela Igreja (contido em qualquer catecismo pré-Vaticano II ou tratado sobre as virtudes teologais); a moral católica, também dizia frequentemente o professor, não foi sistematizada senão no século XVIII por Santo Afonso Maria de Ligório e tampouco a confissão auricular existiu nos primórdios do cristianismo, noções que o colocam na esteira de críticos protestantes como o apóstata Luigi Desanctis.

Porque essa sua noção gnóstico-protestante de cristianismo, de uma forma geral, significa que este era originalmente uma “via de salvação” e não uma Nova Lei, mais perfeita e universal que a da antiga Sinagoga, Olavo de Carvalho incorre no seguinte anátema do Concílio de Trento: “Cân. 21. Se alguém disser que Deus deu aos homens Cristo Jesus como redentor, no qual devem confiar, e não também como legislador ao qual devem obedecer: seja anátema.” (Sessão VI). Não só ele, claro, mas todos os inimigos do reinado social de Jesus Cristo, o que hoje é um público bem grande, indo do coro unânime dos filósofos modernos (cf. MACLNTYRE, After Virtue, p. 165) aos padres do Concílio Vaticano II (cf. GAUDRON, Catecismo Católico da Crise na Igreja, cap. 5).

Outro erro fatal, porém, e o que mais segura as pessoas no modernismo e falso tradicionalismo, e que também me afetava bastante, era a crença de que o problema com o Vaticano II era a mudança na Missa. Não tendo mudado a Missa, tudo estaria a salvo. Essa visão, que abandonei por completo pela leitura do livro Work of Human Hands de Padre Anthony Cekada, é o que mantém tantos olavettes no modernismo.

Eu ali teria permanecido, como o próprio Olavo de Carvalho permaneceu, permanece e possivelmente permanecerá até o fim da vida, não fosse o contato, cada vez mais intenso a partir de meados de 2015, com católicos tradicionais de língua inglesa e autores pré-Vaticano II, que me foram educando e mostrando esse e outros erros do carvalhismo.

4. AMERICANISMO

Entre esses “outros erros”, ocupa um papel proeminente o americanismo, acompanhado de uma áspera e contínua crítica ao Brasil. Essas duas coisas, aliás, me faziam desejar mudar-me logo para os Estados Unidos: os Estados Unidos era um pais onde havia verdadeira liberdade e alta cultura, ao passo que o Brasil era insuportável. Infelizmente não tinha laços o suficiente para adquirir um visto americano, mas o próprio contato com americanos, na sua maior parte católicos tradicionais, fez com que eu mudasse de perspectiva sobre os Estados Unidos.

Não que os americanos tenham se provado maus amigos, longe disso. Na verdade, foram justamente eles que me alertaram sobre a natureza maçônica e subversiva da revolução americana, o viés marcadamente anti-católico das políticas americanas e como a serpente de Franklin, o dragão verde da Taverna de Boston e a mulher libertina com a tocha de Nova York vieram para desfazer e subverter o admirável trabalho começado em terras americanas pelos missionários católicos e a Virgem de Guadalupe.

Foi justamente de uma grande amiga americana que ganhei uma cópia do livro The Star-Spangled Heresy: Americanism de Solange Hertz, a obra que mais contribuiu para mudar o meu conceito a respeito dos Estados Unidos. Muito curioso é o contexto em que isso ocorreu. Havia eu querido fazer um elogio ao pais de minha amiga, apresentando-lhe o parecer de quem eu julgava ser uma das melhores referências no campo, o meu mui estimado professor Olavo de Carvalho, o qual teria ido aos Estados Unidos e lá mesmo mudado sua visão sobre a América. Para tanto, citei uma parte do seu debate com Dugin, discussão que acompanhei e li por inteiro. Ali ele dizia que os Estados Unidos ou o povo americano é o mais caridoso e isso se manifestava inclusive no fato de os Estados Unidos reconstruir os países que ele venceu. Como muita cortesia, a pessoa me replicou dizendo que discordava deste ponto e, pouco depois, mandou-me o livro citado.

A verdade é que a índole caritativa dos americanos é, à primeira vista, encantadora e admirável para nós latinos, mas se olhamos para o fato sem examinar o porquê e o como, corremos o risco de ser superficiais e precipitados em nosso juízo. O hábito de ajudar e querer o bem dos outros é certamente uma virtude, mas se com isso o que se pretende é americanizar o mundo a partir de uma concepção assaz pragmática de religião (a noção de “virtudes ativas” opostas às tradicionais “virtudes passivas”), o que nós temos então já não é caridade propriamente dita, a caridade cristã, mas a mera filantropia maçônica; e tampouco trata-se aqui de uma virtude, mas antes é uma heresia, filha do naturalismo.

De fato, a tese de Hertz é precisamente esta: a heresia do americanismo, já muito bem-desenvolvida nos meios americanos no século XIX, já era a versão compacta e local do “espírito” do Vaticano II, a religião filantrópica por excelência. Convido àqueles que disso duvidarem, a me acompanharem na leitura dessa descrição de uma paróquia americana do início do século XX, contida na obra A Conjuração Anticristã de Monsenhor Henri Delassus:

No livro que acabamos de citar, Bargy tem um capítulo intitulado: Uma paróquia americana, que pode ser apresentado como o tipo, aperfeiçoável, dos futuros grupos religiosos baseados no naturalismo.

A paróquia está dividida em clubes: clube dos homens, clube dos jovens, clube das moças. Admitem que não podem organizar as mulheres casadas em clubes porque os cuidados da casa as retêm nos seus lares. Há, não obstante, algumas instituições para elas.

No clube dos homens: há três sessões de ginástica por semana; toda terça-feira uma reunião para discussão das questões sociais; e toda quinta-feira, dança.

No clube dos jovens: toda segunda-feira aulas de aritmética, ortografia, leitura e caligrafia; três vezes por semana sessão de ginástica e banhos; terça-feira, dança; quarta-feira, exercícios militares e outros.

No clube das moças: todos os dias aulas de costura, moda, culinária; três vezes por semana, aula de cultura física; duas vezes por semana, aulas de leitura; cinco vezes aulas de estenografia e datilografia.

Os pastores favorecem a dança. Concertos, peças representadas pelos membros servem assim para criar uma atmosfera social… A vida interna e íntima da paróquia reside nos clubes. Mas sua ação se estende para fora dos clubes através da clínica, da oficina de auxílios, e sobretudo através de duas obras de mutualidade: a agência de empregos e a associação de empréstimos.

As Igrejas assim organizadas do ponto de vista da ação social são chamadas “Igrejas institucionais”. A Igreja institucional criou um novo tipo de pastor: o pastor homem de negócios. “O diretor de uma fábrica, diz o Evening Post, não precisa de mais talento para a ação do que o chefe de uma Igreja moderna com a multiplicidade das suas obras. Não há lugar para a teologia num homem que preside seis comissões numa tarde. A Igreja institucional não formará Tomases de Aquino”.

Um dispêndio tão grande de atividade e de dinheiro teria, pelo menos, uma finalidade espiritual? Bargy questionou-se a respeito. Ele responde: “As Igrejas da Europa levam o dogma tão a sério que tudo o que elas fazem de humano parece a seus adversários um caminho secreto que leva ao dogma; mas quase nunca vem ao espírito de um americano vislumbrar numa boa obra um sentido oculto dogmático. As obras sociais transformam-se na própria existência dessas Igrejas. Para os jovens ministros da nova escola são as obras que constituem o encanto do seu trabalho. No pensamento do clero, a obra humanitária não está subordinada à obra eclesiástica; quando a equipe de futebol comparece ao serviço (religioso) da noite, ele se rejubila, mas quando a coleta da noite fornece dinheiro para o futebol ele não se rejubila menos. Da mesma forma, os membros das obras amam-nas por si mesmas; é a única forma de religião de muitos amam; os americanos têm uma tendência a não compreender outro culto que não seja a ação; as obras não são para eles um auxílio para a religião, elas são a própria religião. [DELASSUS, Mons. Henri. A Conjuração Anticristã, Tomo III, p. 41, grifo meu.]

As paróquias modernas de hoje são simplesmente aquilo que eram e ainda são a média das paróquias americanas, porque, graças à “grande obra” dos Founding Fathers, ali o naturalismo prevaleceu sobre a religião revelada, ainda que sob o disfarce de religiosidade. Quando a unidade na fé e nos bons costumes dá lugar ao indiferentismo, o que sobra é a “caridade”, ou melhor, a ação social, o humanitarismo naturalista, o amor do homem por ele mesmo. Infelizmente, não é essa caridade sem fé que vai salvar o mundo, antes é ela que, pouco a pouco, vai ajudar a mergulhá-lo no turbilhão de conflitos e confusão em que ele se encontra atualmente. A caridade que vai salvar o mundo, que realmente tem esse poder em si mesma, porque procede do próprio coração de Deus, é aquela dos humildes missionários católicos e da Virgem de Guadalupe, mas foi justamente para destroná-la e substitui-la por algo despojado do sobrenatural, que nasceu o americanismo.

É nessas horas que notamos que as potências da política estão ligadas a poderes superiores e que é vão examinar a história dos indivíduos e dos povos sem ter, no dizer da senhora Hertz, “o demônio em mente”. Os dados brutos podem impressionar alguns, mas quem vê as coisas com os olhos da fé, com a única forma autêntica de realismo histórico, sempre buscará rastrear a influência de agentes invisíveis no mundo visível. Neste caso em particular, quem não enxerga que os americanos, não tomados individualmente, mas enquanto nação, têm, no curso de sua história, sido levados, por um poder oculto, a conspirar contra a ordem cristã e assentar as bases da ordem anticristã (cf. PREUSS, A Study in American Freemasonry; STORCK, From Christendom to Americanism and Beyond), carece de senso crítico e chama de bem ao mal e de mal ao bem.

5. O LIBERALISMO

O americanismo é a versão local de uma manifestação mais ampla do naturalismo na política: o liberalismo. Como fervoroso discípulo de Olavo de Carvalho, eu certamente era um liberal e via no judeu Ludwig von Misses um guia seguro para o realismo político. O socialismo era falso e o único horizonte para a ação humana era justamente o capitalismo laissez-faire. Sua apologia a este na obra A Mentalidade Anticapitalista foi avidamente absorvida por mim que inclusive a sintetizei da seguinte maneira:

Ludwig von Mises ensinou-me uma lição valiosa de economia. Aprendi com ele na leitura de “A mentalidade anticapitalista” que o progresso não nasce em árvores, sendo antes o resultado da ação conjunta de três classes minoritárias. É um pequeno grupo de pessoas realmente ousadas que produz o progresso e estende seus benefícios à multidão, fazendo a sociedade prosperar materialmente.

A primeira classe é composta pelos banqueiros que poupam e emprestam o capital que conservam, a segunda é formada pelos empresários que investem e administram o dinheiro e a terceira é constituída por tecnólogos que criam novos produtos e métodos. A atividade dessas três classes, quando bem sucedida, além de gerar o enriquecimento deles próprios – que de fato o merecem -, também confere riqueza àqueles que pouco ou nada fizeram para o êxito do negócio.

Em outras palavras, a esmagadora maioria da população que, em geral, não deseja viver boa parte de sua vida efetuando cálculos de juros, arriscando pesadas somas de dinheiro ou quebrando a cabeça na invenção de novidades obtém mais conforto e qualidade de vida graças ao esforço, muitas vezes não visto e reconhecido, desses poucos sujeitos corajosos e tenazes.

As pessoas comuns e os intelectuais deveriam ser mais gratos ao capitalismo e seus representantes. A inveja e o ódio, enfim, devem dar lugar à gratidão. Viva o capitalismo!

Ao compartilhar essa peça hoje em dia, sinto um certo mal-estar. Como eu pude ser tão idiota? Eis a questão. Mas, bem, quando não se entende, como passei a entender mais tarde, que tudo está bem nesse sistema, salvo que ele subtrai o fato de que os seres humanos possuem uma alma (lição que aprendi com John Senior em seu livro The Restoration of Christian Culture). A ordem capitalista faz empresários, banqueiros e tecnólogos, mas dificilmente faz santos. Por quê? Porque a ambição pelas coisas materiais, a famosa avareza, que tão bem repercute no capitalismo pela usura e pelo salário baixo, não permite que as pessoas rezem e busquem primeiro o reino de Deus e a sua justiça. O aprofundamento na doutrina social da Igreja, mediante a leitura dos documentos Rerum Novarum (Leão XIII), Fin della Prima (São Pio X) e Quadragesimo Anno (Pio XI), fez-me ver os graves erros da Escola Austríaca.

Claro, o liberalismo econômico é apenas uma faceta do liberalismo político. O que dizer da “liberdade de perdição” promovida pela liberdade de mentir e enganar os outros, a famosa e tão defendida liberdade de expressão? Essa liberdade que vai ser a semeadora de tantos vícios e tantas mentiras oficiais: pornografia, sodomia, pedofilia e tantas outras abominações permitidas e às vezes até incentivadas nos veículos da imprensa (como demonstrou Jean-Claude Guillebaud na obra A Tirania do Prazer). Por acaso é justo que um ser humano que ama aos seus semelhantes diga que eles têm toda a liberdade para perder-se nessas coisas, em vez de lembrá-los de que Deus lhes deu a liberdade tão somente para que evitem o mal e façam o bem?

Desde que li a Mirari Vos de Gregório XVI, a Quanta Cura e o Syllabus de Pio IX, a Immortale Dei, a Libertas Praestantissimum e a Humanum Genus de Leão XIII, a Notre Charge Apostolique de São Pio X, a Quas Primas, a Divini Illius Magistri e a Vigilanti Cura de Pio XI, minha visão sobre esse tema nunca mais foi a mesma. Sou desde então um antiliberal decidido e não tenha mais nada que ver com aquele ego que exaltava o capitalismo e as liberdades modernas. Liberdade, sim, mas somente para o que agrada a Deus, somente para o que é justo e bom, ao que não condiz com o plano de Deus para os homens, tenha-se como objetivamente mal e seja expulso da esfera pública mediante censura e coerção (cf. A Indústria do Entretenimento e o Bem Comum).

6. JUDEOFILIA

Judeofilia aqui não se refere ao simples amor pelos judeus ou pela cultura judaica, o que em si mesmo não é ruim (o estudo do hebraico ou da arqueologia bíblica, por exemplo, nada tem de mau). Mas antes tomo o termo para indicar um amor desordenado, quiçá bajulador e interesseiro, pelo judeus, como aquele que alguém pode sentir por um cadáver (necrofilia) ou uma criança (pedofilia).

Nesse sentido, não há dúvida que o professor Olavo e também eu por um certo tempo tivemos um apreço hiperbólico e sem discernimento pelo judaísmo e quisemos ver nele um dos pilares da civilização ocidental. Até hoje fala-se nos círculos olavettes de cultura judaico-cristã e o professor dizia que a sua esperança no combate ao totalitarismo islâmico era uma articulação entre judeus e cristãos.

Esse pensamento demasiado indulgente para com os judeus foi extirpado de minha mente quando li O Complô contra a Igreja, eu o li antes mesmo de saber que este tinha sido composto por um sedevacantista. Impressionou-me muito a primeira e a segunda parte, respectivamente sobre a influência judaica no comunismo e na maçonaria. Cheguei ao ponto de traduzir toda a primeira parte, acrescentando notas e comentários que me pareceram oportunas (vide O Motor Secreto do Comunismo: A religião por trás da máquina de matar revolucionária). Mas, ao mesmo tempo que eu o fazia, dentro de mim eu me questionava o porquê uma coisa tão bem documentada não tinha chegado ao conhecimento de pessoas como o professor Olavo de Carvalho. Não é estranho que ele nunca tenha tratado abertamente dessa questão um tanto óbvia?

Por outro lado, tinha sido um amigo olavette que me indicou o livro The Jewish Revolutionary Spirit de E. Michael Jones, lá nos idos de 2015. Será possível que o professor Olavo de Carvalho ignorasse a tese de Jones sobre a questão judaica? Creio que não. Embora não lhe tenha acompanhado de 2015 para cá, sei que foi publicada uma obra de Jones em português e que o professor recomendava a sua leitura. Logo, o professor conhecia o autor e provavelmente conhecia sua tese.

Seja como for, a parcialidade do professor e sua consciente omissão de qualquer revisionismo histórico nessa matéria tão politicamente correta é impressionante e só pode derivar de um amor desordenado pelos judeus. Um amor semelhante ao do necrófilo ou pedófilo, que não é benéfico nem para si, nem para a vítima, porque o melhor remédio para todos os seres humanos é a verdade e a verdade nesta matéria exige fazer o duro diagnóstico que os padres redatores da revista La Civiltà Cattolica fizeram ao completar-se o primeiro centenário da Revolução Liberal em França: o debacle moral e intelectual da civilização europeia se deveu à preponderância dos judeus na imprensa, nas universidades e nas finanças. A raiz do problema, longe de ser o racismo ou inveja do gentio para com uma minoria oprimida, encontra-se nos ensinamentos subversivos e anti-sociais do Talmud. O remédio é um retorno aos padrões do Antigo Regime (cf. La Civiltà Cattolica, Série XIV, vol. VIII, fasc. 961, 23 out. 1890; fasc. 970, 4 nov. 1890; fasc. 972, 9 dez. 1890).

Eis uma grande ironia: mesmo admitindo que a liberdade dada aos judeus a partir da Revolução Francesa tenha lhes sido mais prejudicial que benéfica (cf. Maquiavel e a formação das identidades nacionais, p. 52), Olavo de Carvalho entende que dar-lhes toda a liberdade na imprensa, educação e finanças vai lhes fazer realmente um grande serviço. Essa é, mais uma vez, a pura ilusão do americanista liberal, incapaz de propor aos indivíduos a submissão à lei de Cristo.

Vendo as coisas com os olhos da fé, sabemos que em vão trabalha aquele que o Senhor não ajuda. Jesus Cristo mandou a Igreja pregar o Evangelho para que as nações observassem tudo o que ele havia prescrito, se tal coisa não se opera, tudo está perdido para o mundo. As pessoas podem prosperar materialmente, e nisto ver o seu bem, mas vale a pena o fazer à custa da própria alma? A bênção de Deus só descerá copiosamente sobre nós quando as leis da nação se conformarem a Jesus Cristo e lhe renderem a devida honra, pois Ele é o Legislador e Rei da Nova e Eterna Aliança.

É urgente que se faça um esforço para que Nosso Senhor Jesus Cristo volte a reinar em nossa sociedade. Os cristãos tiveram sociedades políticas por mais de um milênio e meio, enquanto os judeus talmúdicos passaram quase dois milênios sem lei, rei e pátria. É ridículo defender com unhas e dentes, como faz o professor Olavo de Carvalho, que os judeus tenham o seu estado nacional, e, ao mesmo tempo, negar aos cristãos o direito de lutarem abertamente pela cristianização do Estado, deixando-lhes como única alternativa a aliança com a Sinagoga e a Loja Maçônica, as mesmas organizações que conspiraram e ainda conspiram para a destruição da Cristandade (cf. RIVANERA CARLÉS, La Judaización del Cristianismo y la ruina de la civilización; DILLON, The War of Anti-Christ with the Church and Christian Civilization).

Aos olhos do carvalhismo, porém, toda essa batalha espiritual travada na esfera temporal, pois tout commence en mystique et finit en politique (Peguy), praticamente não existe como um problema ou, na melhor das hipóteses, é fruto de incompreensão por parte dos cristãos, que antigamente (leia-se: antes da Reforma Protestante, da Revolução Americana e Liberal e do Concílio Vaticano II) não eram tão iluminados como nós somos hoje em dia (cf. Maquiavel e a formação das identidades nacionais, p. 49-51). No meu entender, o nome disso é sabotagem e eu, enquanto cristão, não devo defender essa civilização bastarda, nascida de um vil adultério e de uma vã presunção, mas antes, qual luz e sal da terra, devo viver e ensinar o modo de vida cristão e desejar ardentemente que ele seja promovido pelo Estado. Ou Cristo ou caos, não há uma terceira via para a civilização.

CONCLUSÃO

O efeito cumulativo desse fim de análise é inquietante e justifica tanto a publicação do artigo quanto um saudável afastamento do carvalhismo por parte dos católicos. Para que isso fique claro, revisemos muito brevemente o nosso itinerário.

O eruditismo nos levou não para a imitação da vida de Jesus e dos Santos, mas para a mesma armadilha do classicismo, do homem sábio aos olhos do mundo, em que caiu a elite europeia a partir do século XV e que levou ao esfacelamento da Cristandade.

O modernismo nos tirou a fé e a moral tradicional da Igreja, que qualquer pessoa de bem pode colher naqueles compêndios de teologia chamados de “catecismos”, e pôs no seu lugar um misticismo postiço e subjetivista, filho do casamento entre a gnose de Guénon e o protestantismo de Voegelin, ou seja, filho de mais dois ingredientes que colocam a ênfase no indivíduo para, juntos, arruinarem com a óbvia dimensão política do cristianismo.

O americanismo trouxe-nos o ativismo das campanhas e manifestações (modernamente, a militância contra o aborto e o comunismo), mas em compensação reduziu a religião a um ativismo social e político que, aliás, não tem levado a cristianização da sociedade, mas antes tem produzido o efeito contrário. As coisas não poderiam ser diferentes, uma vez que tal ação se encontra despojada do caráter dogmático, sobrenatural e civilizador, peculiar a qualquer empreendimento genuinamente católico.

O liberalismo econômico e social, destruindo os freios aos vícios da avareza, da luxúria, da soberba e de outros pecados capitais, lançou Nosso Senhor Jesus Cristo e a sua Igreja para fora das instituições civis. Novamente, o indivíduo quer colocar-se no lugar de Deus, em vez de submeter-se à Sua Santíssima Vontade, e se regozija com as “liberdades de perdição” do mundo moderno.

A judeofilia vem coroar essa apostasia social contra Nosso Senhor, pondo no pedestal o seu máximo antagonista: o judaísmo talmúdico, filho legítimo do farisaísmo apóstata. O motor secreto do comunismo, a mão por trás das lojas maçônicas, o fermento de uma variedade de revoluções e políticas deletérias ao cristianismo, está isento da mais mínima crítica, excetuando-se talvez o fato de serem demasiado indulgentes para com aqueles que lhe perseguem. Esse ser mais amigo dos judeus do que da verdade é realmente uma desordem e destrói no cristão uma aspiração legítima que não se nega aos próprios judeus: o desejo de ter um estado segundo os moldes da própria religião. Não, devido a uma estranha judeofilia, o carvalhismo nos quer obrigar a ficar satisfeitos com as migalhas que nos são lançadas pela Sinagoga e pela Loja Maçônica.

Depois de ter considerado esses pontos, penso que seja forçoso concluir que um bom aluno do Professor Olavo de Carvalho pode nos render um bom modernista, um bom protestante, um bom muçulmano e certamente um bom judeu, mas dificilmente sairá de suas mãos um bom católico. A menos que ele faça uma vasta reforma no pensamento de seu mestre, mas aí é provável que do carvalhismo como tal sobre pouco mais que os cigarros.

APÊNDICE 1: A TESE DE OLAVO DE CARVALHO SOBRE O CRISTIANISMO

Em O Jardim das Aflições, no livro IV, intitulado Os Braços e a Cruz (§§ 24-25), Olavo de Carvalho fala sobre o caráter original e peculiar do cristianismo e sua oposição ao paganismo e gnosticismo. Sua concepção sobre essa matéria repousa principalmente em René Guénon e Eric Voegelin.

Segundo o autor, o cristianismo teria acrescentado a dimensão espiritual ou metafísica (de altura e profundidade, ou a haste vertical da cruz) ao mundo antigo, o que causou uma reação por parte do paganismo reinante na forma de gnosticismo.

O gnosticismo nada mais era que o materialismo em suas duas facetas: a divinização do tempo (sociedade, Estado) e a divinização do espaço (natureza), manifestado no antigo paganismo pelo culto social e estatal aos heróis e às potências cósmicas, expressões da dimensão histórica/temporal e da dimensão natural/material assimiladas pelo paganismo, representadas nos dois braços da cruz.

O cristianismo, a princípio, teria triunfado sobre essa concepção pagã criando um hiato entre o indivíduo e a sociedade, entre a personalidade humana que, depois de rasgar-se o véu do Templo, era capaz de chagar ao conhecimento direto do Logos, e as convenções sociais, formulações doutrinais e ritos litúrgicos que não podem senão expressá-la simbolicamente. O cristianismo teria elevado o indivíduo acima do poder temporal (“os santos julgarão o mundo”) e revelado a todos os homens o segredo que se tornara o privilégio dos sábios e dos místicos.

Assim, o cristianismo encerra a era do Estado sacerdotal e protetor e inaugura a era do homem religioso autônomo e solitário, prova-o a importância fundamental que nele teve o monasticismo. A ênfase do cristianismo no eixo vertical da cruz, nas relações diretas entre a alma e Deus, fez com que a natureza e a sociedade, os braços ou eixo horizontal da cruz, perdessem seu papel de interlocutoras: o indivíduo agora, qual novo Adão, eleva-se como senhor do mundo, em luta aberta contra as potências cósmicas e os poderes sociais do Império.

Cultivado originalmente como a religião de indivíduos autônomos, unidos unicamente pelo laço voluntário da fé e a experiência direta com o Logos, o cristianismo não deve ser confundido com a Igreja, o Papado ou a Instituição Romana. “Ao contrário, a própria consolidação da autoridade romana se faz, em grande parte, romanizando [i.e., paganizando] o cristianismo, ressacralizando a sociedade: a Igreja conquista o mundo, mas deixando-se em parte conquistar por ele.”

De fato, a princípio, o cristianismo era meramente um esoterismo exoterizado, não apresentava uma lei religiosa definida, com um plano de organização da sociedade e um rito litúrgico estabelecido, mas à força das circunstâncias externas (a ausência de uma lei religiosa expressiva, devido à decadência da antiga religião romana e do judaísmo). Mas o cristianismo não estava bem dotado para reorganizar a sociedade civil e política. “No Evangelho não se encontra uma indicação, uma linha, uma palavra sequer a respeito da organização política e econômica, da moral exterior, do direito civil e penal, como se encontram com abundância na Torah, no Corão ou nas Escrituras hindus. O cristianismo era essencialmente uma ‘via de salvação’, que voltava as costas para este mundo, concentrando todos os esforços na busca da Cidade Celeste. Para transformar-se numa força organizadora da Cidade Terrestre, ele teve de sofrer adaptações que arriscaram deformá-lo profundamente.” Um exame do desenvolvimento da moral e disciplina católica (celibato, liturgia, confissão auricular) revela que, no curso da história, elas não foram forjadas como a “progressão linear de uma simples dedução lógica, mas como um organismo vivente, entre dores e contradições.”

A inadaptação congênita do cristianismo como poder civilizador e a obrigação externa de assumir esse papel gerou, por um lado, uma série de tentativas fracassadas de unificar o Ocidente em um só Império cristão e, por outro e como uma consequência, produziu a elevação do Papado a um poder temporal concorrente, “com todo o seu cortejo de conseqüências nefastas. A principal, evidentemente, foi a mundanização do culto, o rebaixamento da moral cristã a um receituário de exterioridades tão opressivo e falso quanto o moralismo estatal romano, a cristalização progressiva da doutrina num formalismo lógico-jurídico deprimente e, por via de conseqüência, a politização completa da religião na época pós-renascentista, como um conservadorismo monárquico, de início, que aos poucos iria se transformando no seu contrário: num ativismo republicano, liberal e socialista.”

Deste modo, o gênio político, histórico e jurídico do paganismo infiltrou-se na alta hierarquia da Igreja, ao passo que sua religião cósmica refugiou-se nas seitas gnósticas. Assim, desde o início, aparecem na história do cristianismo essas duas facetas do paganismo para se oporem à aliança entre Deus e o homem. Toda a história moderna consistirá no abandono da dimensão espiritual e metafísica em favor, ora de um, ora de outro lado da cruz, tanto de viés naturalista (empirismo, darwinismo, New Age e outras formas kitsch de misticismo), quanto de viés histórico (hegelismo, positivismo, marxismo).

O que ficou escrito neste artigo, bem como as referências indicadas, servem de refutação à tese de Olavo de Carvalho sobre o cristianismo.

APÊNDICE 2: UM EXEMPLAR DE FALSO HERÓI DO CARVALHISMO

In: The Journal of Historical Review, setembro/dezembro de 2001 (Vol. 20, No. 5/6), pág. 10.

Viktor Frankl, sobrevivente do Holocausto, foi gaseado em Auschwitz?

Um artigo recente revelou que Viktor Frankl, o famoso psiquiatra e sobrevivente emblemático de Auschwitz, muito inventou sobre o seu escasso tempo em Auschwitz. Esta notícia lança uma sombra sobre a veracidade das famosas memórias de Frankl, “Em Busca de Sentido”. Mais interessante ainda, porém, é uma questão que surge quando se consideram os registros do Museu Estatal de Auschwitz sobre o tempo de Frankl em Birkenau: Viktor Frankl foi gaseado em Auschwitz?

Poucos homens que saíram dos acampamentos podem se igualar ao falecido Viktor Frankl em aclamação. Um psiquiatra de Viena que morreu em 1997, Frankl ganhou renome internacional pelas teorias de saúde mental que expôs através de sua escola psiquiátrica, a logoterapia. Inextricavelmente ligado à fama, ensinamentos e autoridade moral de Frankl foi sua experiência nos campos de concentração alemães, sobretudo Auschwitz, como descrito em Man’s Search for Meaning (EUA, 1959), um best-seller mundial, que foi classificado como um dos dez livros mais influentes do século XX pela Biblioteca do Congresso.

Em sua reminiscência, Frankl relatou sua estadia em Auschwitz como se ela tivesse durado uma eternidade. Agora vem Timothy Pytell, professor adjunto de história da Cooper Union em Nova York, para nos informar que, com base em sua pesquisa para uma biografia intelectual de Frankl, o famoso sobrevivente passou no máximo três dias em Auschwitz, enquanto em trânsito de Theresienstadt na Boêmia para um subcampo de Dachau em outubro de 1944. Como observa Pytell, um leitor da obra “Em Busca de Sentido” ficaria “atônito ao descobrir que Frankl passou apenas alguns dias em Auschwitz”. No livro, Frankl dedica cerca de trinta páginas a Auschwitz. Além de registrar suas experiências na chegada (fazer a barba, tomar banho, higiene etc.), Frankl faz observações sobre o lote de detentos, que implica fortemente que, no mínimo, ele passou meses, e não dias, no campo. (“Tivemos que usar as mesmas camisas por meio ano, até que elas perdessem toda a aparência de serem camisas”). Como escreve Pytell sobre a descrição de Frankl de sua estada em Auschwitz: “Mas se a verdade for dita, o relato de Frankl é contraditória e profundamente enganosa”.

Pytell observa que Frankl foi transferido de Theresienstadt em 19 de outubro de 1944, em um trem que transportou 1500 pessoas para Auschwitz, e que o diário de bordo do prisioneiro do sub-campo de Dachau Kaufering III registra a chegada de Frankl em 25 de outubro de 1944. De fato, o próprio Frankl disse ao evangelista americano Robert Schuller, em uma entrevista publicada na revista Possibilities de Schuller (março-abril de 1991): “Eu estive em Auschwitz apenas três ou quatro dias… Fui enviado a um quartel e fomos todos transportados para um campo na Baviera”. Assim, a credibilidade de mais uma estrela sobrevivente foi testada e achada em falta. Como o testemunho de Miklos Nyiszli, Filip Müller, Rudolf Vrba, Mel Mermelstein e muitos outros oráculos de testemunhas oculares, as histórias de Auschwitz de Viktor Frankl são agora uma vergonha para a indústria do Holocausto, em vez de uma acusação aos alemães.

Há mais, no entanto. Enquanto Pytell não estava à altura de examinar as implicações da estadia de Frankl em Auschwitz para a confiabilidade da história oficial do campo, os registros compilados pelo pesquisador exterminador de Theresienstadt H. G. Adler e pelo Museu Estadual de Auschwitz deixam claro que, se Frankl chegou a Auschwitz em 20 de outubro de 1944, ele deve ter deixado Theresienstadt em um trem com 1.500 passageiros, designado “Es”. A edição em inglês do supostamente autoritativo Auschwitz Chronicle, 1939-45 (editor Danuta Czech, Londres: I.B. Tauris, 1990), baseada em material do Museu Estadual de Auschwitz, relata sobre esse trem:

20 de outubro
1.500 homens, mulheres e crianças judias são enviados em um transporte RSHA do gueto de Theresienstadt. Após a seleção, 169 mulheres são admitidas no campo de trânsito e 173 homens como prisioneiros no campo. Os homens recebem os números B-13307-B-13479. As 1.158 pessoas restantes são mortas na câmara de gás do Crematorium III.

Ora, enquanto Viktor Frankl disserta longamente em suas prolixas memórias sobre sua recepção em Auschwitz (incluindo a escova obrigatória com o Dr. Mengele), ele não diz uma só palavra sobre ter sido registrado, enumerado e transferido para o Stammlager de Auschwitz, o campo permanente). Assim, pode-se concluir que ele não foi admitido como prisioneiro no campo. E a entrada do Chronicle não fala de nenhuma pessoa sobrevivente, não-registrada naquele carregamento. Ergo, de acordo com o Auschwitz Chronicle, e os registros nos quais ele afirma estar baseado, Viktor Frankl deve ter sido gaseado quase cinqüenta e três anos antes de sua morte amplamente anunciada em setembro de 1997. Quem, então, foi enviado para fora de Auschwitz alguns dias depois, e continuou a escrever todos aqueles livros?

Como Robert Faurisson, Carlo Mattogno, Enrique Aynat Eknes, Jürgen Graf, e outros pesquisadores revisionistas deixaram claro, há uma saída para este aparente dilema. A sobrevivência de Frankl, como a sobrevivência de diversas outras pessoas contadas mortas pelos registradores do Museu Estadual de Auschwitz – notadamente a francesa e europolítica Simone Veil – foi devida, não a alguma intervenção milagrosa, mas à pesquisa descuidada e desonesta das autoridades de Auschwitz. Apesar das recentes revisões no Chronicle, que permitem a sobrevivência de alguns detentos não registrados, a referência amplamente consultada continua a consignar, mais ou menos automaticamente, as chegadas não atribuídas oficialmente ao campo de Auschwitz às câmaras de gás.

Sem dúvida, se os registros de Auschwitz fossem abertos a um revisionista minucioso e diligente, saberíamos de muitos mais sobreviventes que são contados, oficialmente, como gaseados. Escusado será dizer que tais descobertas de afirmação de vida são totalmente indesejáveis para os industriais do Holocausto, seja no Museu Estadual de Auschwitz, seja no centro internacional de rastreamento da Cruz Vermelha em Arolsen, Alemanha, ou no Yad Vashem em Israel. E — quem sabe? — afirmar que Viktor Frankl não foi gaseado poderia render uma multa, ou prisão, em mais de uma “democracia”.

BIBLIOGRAFIA

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____. Aristóteles em Nova Perspectiva: Introdução à Teoria dos Quatro Discursos. São Paulo: É Realizações, 2008.

____. A Filosofia e seu inverso: e outros ensaios. Campinas: Vide, 2012.

____. O enigma Maquiavel: Aula 31. São Paulo: É Realizações, 2008.

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Cancele a Netflix

CANCELE A NETFLIX

Peço encarecidamente aos que seguem o canal Controvérsia Católica, assim como aos que chegaram ao conhecimento dele por meio deste vídeo, que cancelem sua assinatura da Netflix.

Embora eu considere isso como um dever óbvio do cristão, vou mencionar três razões para fazê-lo imediatamente.

1.ª Porque, mais de uma vez, a Netflix debocha de Nosso Senhor Jesus Cristo, promovendo às vésperas do Natal um programa de uma tal de Porta dos Fundos, que pelo seu teor anticristão bem merece o título de Loja dos Fundos. Essa campanha blasfema não deve gozar da aprovação tácita dos que fazem profissão de fé cristã, nenhum cristão – na verdade, nenhuma pessoa decente – deve apoiar e acompanhar a Netflix e seus espetáculos estúpidos e cheios de iniquidade.

2.ª Porque a Netflix não serve para cristãos, serve só para pagãos, sobretudo para sustentar gente vagabunda e inútil (pessoas que dizem fazer “arte”, mas que em realidade fazem coisa muito pior que esterco), gente péssima que não estando contente de perder-se por meio de mil torpezas, ainda procura perder os outros mediante a comunicação de uma ciência vã, uma sabedoria mundana reprovada por Deus. “Ninguém se engane a si mesmo: Se alguém de vós se tem por sábio neste mundo, faça-se insensato para ser sábio. Porque a sabedoria deste mundo é uma estultícia diante de Deus… O Senhor conhece o pensamento dos sábios que são vãos.” (1Cor 3, 18-20).

3.ª Porque, além de ser inútil para a alma e não aproveitar para a vida eterna, também é prejudicial. Quem assina a Netflix é cúmplice de todas as suas blasfêmias e imoralidades, coloca-se ainda como aluno desta escola de perdição. Tudo isso leva para o inferno.

Então, pelo amor de Deus, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, cancele a Netflix! Faça-o agora mesmo!

Eis alguns links que ensinam como cancelar a assinatura desta empresa ímpia e execrável:

Como faço para cancelar o faturamento da Netflix pelo Google Play?
https://help.netflix.com/pt/node/42988

Como faço para cancelar o faturamento da Netflix pelo iTunes?
https://help.netflix.com/pt/node/27460?ba=SwiftypeResultClick&q=cancelar