As Duas Espadas e a Exegese Bíblica

DOUTRINA DAS DUAS ESPADAS

“Por que tentas tomar a espada que tu fostes mandado deixar embainhada? Pois se alguém negar que ela é tua, este não parece prestar suficiente atenção às palavras do Senhor quando ele diz: “Mete a tua espada na bainha” [João 18,11]. Ela é, portanto, realmente tua, sujeita ao teu assentimento, mas se for necessário desembainhá-la pela tua mão, deve sê-lo de outro modo. Ademais, se ela não te pertencesse de nenhum modo, o Senhor não teria dito “basta”, mas “demasiado” quando os Apóstolos disseram “Aqui estão duas espadas” [Lc 22,38]. Portanto, a Igreja possui ambas espadas, a espiritual e a temporal. Mas enquanto a última deve ser tirada em favor da Igreja, a primeira deve ser tirada pela Igreja; enquanto a primeira está na mão do sacerdote, a última está na mão do soldado, mas claramente sujeita ao assentimento do sacerdote e mandato do imperador.” (SÃO BERNARDO DE CLARAVAL op. cit. BELLARMINE, St Robert.. On Temporal and Spiritual Authority. Indianapolis: Liberty Fund, 2012, p. 131)

“Deus dividiu, pois, o governo do gênero humano entre dois poderes: o poder eclesiástico e o poder civil; àquele preposto às coisas divinas, este às coisas humanas. Cada uma delas no seu gênero é soberana; cada uma está encerrada em limites perfeitamente determinados, e traçados em conformidade com a sua natureza e com o seu fim especial. Há, pois, como que uma esfera circunscrita em que cada uma exerce a sua ação “iure próprio”. Todavia, exercendo-se a autoridade delas sobre os mesmos súditos, pode suceder que uma só e mesma coisa, posto que a título diferente, mas no entanto uma só e mesma coisa, incida na jurisdição e no juízo de um e de outro poder. Era, pois, digno da Sábia Providência de Deus, que as estabeleceu ambas, traçar-lhes a sua trilha e a sua relação entre si. “OS poderes que existem foram dispostos por Deus” (Rom 13, 1). Se assim não fora, muitas vezes nasceriam causas de funestas contenções e conflitos e muitas vezes o homem deveria hesitar, perplexo, como em face de um duplo caminho, sem saber o que fazer, em conseqüência das ordens contrárias de dois poderes cujo jugo em consciência ele não pode sacudir. Sumamente repugnaria responsabilizar por essa desordem a sabedoria e a bondade de Deus, que, no governo do mundo físico, todavia de ordem bem inferior, temperou tão bem umas pelas outras as forças e as causas naturais, e as fez harmonizar-se de maneira tão admirável, que nenhuma delas molesta as outras, e todas, num conjunto perfeito, conspiram para a finalidade a que tende o universo. Necessário é, pois, que haja entre os dois poderes um sistema de relações bem ordenado, não sem analogia com aquele que, no homem, constitui a união da alma com o corpo. Não se pode fazer uma justa ideia da natureza e da força dessas relações senão considerando, como dissemos, a natureza de cada um dos dois poderes, e levando em conta a excelência e a nobreza dos seus fins, visto que um tem por fim próximo e especial ocupar-se dos interesses terrenos, e o outro proporcionar os bens celestes e eternos.

Assim, tudo o que, nas coisas humanas, é sagrado por uma razão qualquer, tudo o que é pertinente à salvação das alas e ao culto de Deus, seja por sua natureza, seja em relação ao seu fim, tudo isso é da alçada da autoridade da Igreja. Quanto às outras coisas que a ordem civil e política abrange, é justo que sejam submetidas à autoridade civil, já que Jesus Cristo mandou dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Tempos ocorrem às vezes, em que prevalece outros modo de assegurar a concórdia e de garantir a paz e a liberdade; é quando os chefes de Estado e os Sumos Pontífices se põem de acordo por um tratado sobre algum ponto particular. Em tais circunstâncias, dá a Igreja provas evidentes da sua caridade materna, levando tão longe quanto possível a indulgência e a condescendência.” (Leão XIII, Immortale Dei, nn. 19-20)

A EXEGESE BÍBLICA

Existem dois modos legítimos de compreender o texto bíblico: o literal e o tipológico. Este último se divide em três: alegórico, moral e anagógico. Este motto medieval consigna os quatro sentidos e dá a finalidade de cada um:

Littera gesta docet; quid credas, allegoria;
Moralis quid agas; quo tendas, anagogia.

Em tradução adaptada temos:

O literal ensina os feitos grandiosos;
A alegoria tudo o que tu deves crer;
A moral te inspira atos generosos;
A anagogia mostra o que iremos ser.

MAAS, A. Biblical Exegesis. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1909.

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Distributismo, Capitalismo e Comunismo

Três verdades que devem ficar gravadas na mente do estudante: (1) capitalismo e comunismo são irmãos, nutridos pela mesma mãe: o individualismo. Esta é a pedra de tropeço na qual caem todos os “filósofos políticos” da modernidade – aliás, uma concepção irracional, grosseira e sem qualquer respaldo na realidade; (2) por crítico que seja ao seu irmão mais velho, o comunismo é um desdobramento do capitalismo, ele pode ser definido como a democratização da individualismo mundano e soberbo da burguesia capitalista; (3) o distributismo, uma via econômica à prova de ambas as vertentes deletérias do individualismo, somente pode vir a efeito acompanhado do Catolicismo, sem a verdadeira fé é muito difícil, senão impossível, levar a efeito um sistema cujo único exemplar histórico disponível tenha sido a Cristandade. Logo, enquanto o mundo não livrar-se do pérfido laicismo, enquanto não reconhecer publicamente Cristo como Senhor do Estado e sua Igreja como mestra das nações, não se deve esperar nenhuma melhora significativa no curso das atividades econômicas. O dinheiro continuará sendo um problema de tal dimensão que as pessoas mal terão tempo para dedicar-se às coisas do Reino de Deus, ou seja, as pessoas continuarão vivendo uma triste vida, a qual levará ricos e pobres a um fim miserável.

REFERÊNCIAS

BELLOC, Hillaire. An Essay on the Restoration of Property. 2 ed. Norfolk: IHS Press, 2009.

ESOLEN, Anthony. Reclaiming Catholic Social Teaching. Sophia Institute Press. Edição do Kindle.

FANFANI, Amintore. Catholicism, Protestantism and Capitalism. London: Sheed & Ward, 1935.

GILLESPIE, Michael Allen. The Theological Origins of Modernity. University of Chicago Press: Kindle, 2008.

MCNABB O.P., Pe. Vincent. Nazareth or Social Chaos.Nortfolk: IHS Press, 2009.

MCQUILLAN, John et al. Flee to the Fields. Norfolk: IHS Press, 2003.

O’BRIEN, George. An Essay on the economic effects of the Reformation. Nortfolk: IHS Press, 2003.

SCHUMACHER, E. F. Small is Beautiful: Economics as if People Mattered. New York: Harper Perenial, 2010.

SENIOR, John. The Restoration of Christian Culture. Nortfolk: IHS Press, 2008.

STORCK, Thomas. From Christendom to Americanism and Beyond: The Long, Jagged Trail to a Postmodern Void. Angelico Press. Edição do Kindle.

Kant em contexto e em contraste com o realismo tomista

A filosofia de Kant é a conciliação do racionalismo continental com o empirismo insular, em termos teológicos, da doutrina do livre-exame (a onipotência do juízo privado) com o fideísmo nominalista (divórcio entre razão e revelação). São Tomás não concilia, mas corrige ambos os excessos, dando a cada um o seu devido lugar. Ele não diminui o escopo da razão, nem rebaixa a Revelação. Ao intelectualismo aristotélico (bem menos inflamado do que o cartesiano), submete ao fato da Revelação, fazendo da razão nobre serva da Teologia. Ao agostinianismo (bem menos inflamado do que o fideísmo reformado), submete ao fato de Deus ser o autor tanto da Revelação quanto da razão humana, não podendo existir contradição entre ambas. Assim São Tomás concilia a ciência profana com a ciência sagrada, dando a cada uma o que é seu, sem incorrer no intersubjetivismo estreito e prenhe de contradições de Emmanuel Kant.

REFERÊNCIAS

CONTEXTO

GILLESPIE, Michael Allen. The Theological Origins of Modernity. University of Chicago Press: Kindle, 2008.

MORA, Ferrater. Dicionário de Filosofia. Lisboa: Dom Quixote, 1978.

SCRUTON, Roger. Uma breve história da Filosofia Moderna: de Descartes a Wittgenstein. Tradução de Eduardo Francisco Alves. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008.

CRÍTICA

CARVALHO, Olavo de. A ousadia da ignorância. In: A Filosofia e seu Inverso: e outros ensaios. Campinas: Vide, 2012.

GARRIGOU-LAGRANGE, Reginald. Reality: A Synthesis of Thomistic Thought. Disponível em: <http://www.thesumma.info/reality/index.php>. Acesso em: 15 mar. 2018.

LLANO, Alejandro. Gnosiologia Realista. Tradução de Fernando Marquezini. São Paulo: Raimundo Lúlio, 2004.

MACINTYRE, Alasdair. After Virtue: A Study in Moral Theory, Third Edition. University of Notre Dame Press: Kindle, 2007.

 

 

Preambula Fidei: As Provas Externas da Revelação Cristã

INTRODUÇÃO

Recentemente um amigo perguntou-me a respeito dos argumentos que ele poderia utilizar para persuadir-se da veracidade da fé católica. Isso me deu ocasião de tocar no assunto das Provas Externas da Revelação, isto é, provas certas de que o Catolicismo é a religião verdadeira, fundada pelo próprio Deus na Divina Pessoa do Verbo Encarnado.

1. A OBRIGAÇÃO E UTILIDADE DO USO DAS PROVAS EXTERNAS

“Não se tem o direito de esperar de um incrédulo que ele admita a ressurreição de nosso divino Salvador antes de ter-lhe dado provas certas: e estas provas são deduzidas pelo raciocínio. Sobre estas diversas questões, a razão precede a fé e deve conduzir a ela. Por fraca e obscura que se tenha tornado a razão, por causa do pecado original, resta-lhe bastante clareza e força guiar-nos com certeza à existência de Deus, à revelação feita aos judeus, por Moisés, e aos cristãos, pelo nosso adorável Homem-Deus.” (Papa Gregório XVI, Teses subscritas por Louis-Eugène Bautain, 1840 in: Denzinger-Hünermann, n. 2754-56)

“Quanto a decidir qual religião é a verdadeira, isso não é difícil a quem quiser julgar disso com prudência e sinceridade. Efetivamente, provas numerosíssimas e evidentes, a verdade das profecias, a multidão dos milagres, a prodigiosa celeridade da propagação da fé, mesmo entre os seus inimigos e a despeito dos maiores obstáculos, o testemunho dos mártires e outros argumentos semelhantes, provam claramente que a única religião verdadeira é a que o próprio Jesus Cristo instituiu e deu à sua Igreja a missão de guardar e propagar.” (Papa Leão XIII, Immortale Dei, n. 13; cf. idem, Libertas Praestantissimum, n. 33-35).

“Admito e reconheço como sinais certíssimos da origem divina da religião cristã as provas externas da revelação, isto é, os feitos divinos, em primeiro lugar os milagres e as profecias, e afirmo que são perfeitamente adaptadas a inteligência de todas as idades e de todos os homens, inclusive os da época presente.” (Papa São Pio X, Motu Proprio Sacrorum Antistium [Juramento Antimodernista], 1º set. 1910).

2. AS PROFECIAS

O texto sacro em primeiro lugar e, depois dele, a arqueologia nos servem de fontes para a compreensão do caráter do Messias esperado pelos judeus. Todos as características deste Messias prometido são plenamente cumpridas em Jesus Cristo.

2.1. VELHO TESTAMENTO

GUEDDES, L., Messiah. In: The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1911. Disponível em: <http://www.newadvent.org/cathen/10212c.htm>. Acesso em: 14 mar. 2018.

Este breve artigo da Enciclopédia Católica serve de introdução ao estudante que deseja compreender como se dá o cumprimento das profecias em Cristo. Como se verá nele, nosso Divino Rei e Salvador possui todos as notas que foram sendo atribuídas ao Messias durante as diferentes épocas do Velho Testamento, inclusive aquelas que eram aparentemente inconciliáveis entre si, tais como o servo sofredor de Isaías, que se sacrifica como vítima inocente pelos seus, e o rei davídico, que imperiosamente estabelece um reino tão grande e augusto que é reconhecido por reis e se estende por toda terra.

2.2. MANUSCRITOS DO MAR MORTO

Eis alguma bibliografia recomendada pelo sr. Michael Barber em sua interessante conferência sobre os Manuscritos do Mar Morto e as origens do Cristianismo (esta lista não segue a ordem alfabética, mas a ordem de importância apresentada pelo autor):

MARTINEZ, Florentino Garcia. The Dead Sea Scrolls: Study Edition. 2 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1999.

FLINT, Peter; VANDERKAN, James. The Meaning of the Dead Sea Scrolls: Their Significance For Understanding the Bible, Judaism, Jesus, and Christianity. San Francisco: HarpenOne, 2004.

CHARLESWORTH, James H. The Bible and the Dead Sea Scrolls. 3 vols. Waco: Baylor University Press, 2006.

COLLINS, John L. Christian Beginnings and the Dead Sea Scrolls. Ada: Baker Academic, 2006.

3. OS MILAGRES E A CELERIDADE DA CONVERSÃO DOS PAGÃOS À FÉ CRISTÃ

Dentre outros esmerados argumentos que podem ser encontradas nas obras dos grandes defensores da fé, eis algumas que comprovam aquilo que foi dito por Leão XIII na Immortale Dei:

“[…] Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais [os milagres dos Apóstolos], por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e desprezar bens tão valiosos. […] No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé. Ele seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência. Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne. Além disso, não apresentou testemunhos de verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas. Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há convincente testemunho da mediação divina, quando uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da verdade está inspirado de modo invisível. Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos.” (AQUINO, São Tomás de. Suma contra os Gentios: Livros Iº e IIº. Tradução de D. Odilão Moura e D. Ludgero Jaspers. Caxias do Sul: Universidade de Caxias do Sul, 1990, p. 27-28).

“A razão pela qual não existe maior abundância de exemplos [de governantes convertidos] no Novo Testamento é que Deus quis começar sua Igreja com homens pobres e humildes, como se diz em 1 Corintios 1, de modo que o crescimento da Igreja não fosse reputado como obra humana, o que teria ocorrido se ela tivesse crescido pelo favor dos príncipes. De fato, pelo contrário, nos primeiros três séculos, Deus quis que a Igreja fosse oprimida com toda força pelos governantes do mundo inteiro, a fim de que assim se demonstrasse que a Igreja era obra sua e que ela foi mais potente sofrendo do que eles foram oprimindo-a.” (BELLARMINE, St. Robert. On Temporal and Spiritual Authority. Indianapolis: Liberty Fund, 2012, p. 15).

4. AS OBRAS DA IGREJA

O testemunho dos mártires, a heroica virtude dos santos, os feitos sociais alcançados pela Igreja e somente ela (universidades, hospitais, orfanatos, guildas, ordens religiosas das mais diversos matizes, triunfos militares miraculosos etc.) são mais uma prova de quão excelente ela é e de quão orgulhosos devemos estar por pertencer a uma instituição que não cessou por um instante de legar ao mundo inestimáveis benefícios.

Uma pesquisa abrangente e bem honesta do histórico de cada uma dessas santas almas e instituições, muitas das quais o mundo até hoje se beneficia largamente, não obstante seu brilho ter sido mitigado pela secularização da sociedade (como é patente no caso dos hospitais e outros serviços), mostrará para além de toda dúvida, ao estudante esforçado e prudente, que a fecundidade da Igreja nas boas obras não procede senão de sua íntima e indissolúvel união com o Benfeitor Supremo. Nessa matéria, somente o homem bruto ou assaz soberbo pode negar à Igreja Católica suas prerrogativas e resistir a seu charme perene. Para que mude a má disposição tanto de um quanto do outro deve bastar o estudo da história eclesiástica. Seguem algumas indicações que podem contribuir neste sentido:

4.1. FONTES PRIMÁRIAS

Dentre as fontes primárias se podem mencionar as cartas de São Paulo (especialmente as quatro principais: Romanos, Gálatas e as duas aos Coríntios), como também as de Clemente e de Santo Inácio de Antioquia; o Martírio de S. Policarpo, a Carta a Diogneto, as obras de Santo Irineu, São Justino, Tertuliano, Eusébio (pai da historiografia cristã), Agostinho (especialmente sua Cidade de Deus) e muitas outras que dão testemunho da santidade dos cristãos, da retidão de sua doutrina e do caráter divino da Santa Mãe Igreja.

4.2. FONTES SECUNDÁRIAS

De grande utilidade são as obras historiográficas e apologéticas de autores mais modernos, os quais fazem a imensa caridade de reduzir a um breve compêndio, para o proveito de público mais amplo, aquilo que há de mais importante na história eclesiástica. Tais são as obras de Padre John Laux, Christopher Dawson, William Thomas Walsh, Hillaire Belloc, Étiene GIlson, Régine Pernoud, Ludwig von Pastor e muitas outras. Dentre as vidas dos santos, a mais ampla, bem-documentada e encantadora que conheço é aquela do Padre Alban Butler, mas existem muitas mais que podem ser e certamente serão consultadas pelo estudante diligente.

CONCLUSÃO

“Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditar, de modo absoluto, em Deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.” (Pio XI, Mortalium Animos, n. 7)

Noções acerca da relação entre Igreja e Estado, contra o naturalismo, acompanhadas de importantes referências sobre a matéria

REFERÊNCIAS COMENTADAS

BELLARMINE, St. Robert. On Temporal and Spiritual Authority. Liberty Fund Inc. Edição do Kindle.

Tratados de São Roberto Belarmino sobre o poder temporal e espiritual do Sumo Pontífice. Refuta muitas mentiras contra o Papado, traçando com clareza aquilo que pertence ao Estado e aquilo que pertence à Igreja.

ESOLEN, Anthony. Reclaiming Catholic Social Teaching. Sophia Institute Press. Edição do Kindle.

Bela exposição da doutrina social da Igreja, inspirada sobretudo nos ensinamentos do Papa Leão XIII.

GARRIGOU-LAGRANGE, Reginald. As três vias e as três conversões. 4 ed. Niterói: Petrópolis, 2011.

Como dito no vídeo, o autor desta obra explica como os bens espirituais devem ser buscados primeiro e antes dos materiais, estes bens unem os homens de verdade enquanto os outros dividem.

KONINCK, Charles de. De la Primauté du Bien Commun contre les Personalistes. Laval: Editions Fides, 1943.

Livro escrito para evitar que os católicos caíssem na armadilha do personalismo maritainiano. Infelizmente a maioria se fez de surdo e caiu de cabeça na arapuca do humanismo integral.

MAISTRE, Joseph de. Essai sur le Principe Générateur des Constitutions Politiques et des autres institutions humaines, Lyon: M. P. Rusand, 1833.

Argumentos convincentes e bem-fundamentados contra a absurda noção de um Estado sem Deus, de uma constituição sem religião. Um resumo dos principais pontos da obra pode ser encontrado em: https://catolico247.com/2017/06/22/joseph-de-maistre-e-seu-principio-gerador-das-constituicoes-contra-os-sofismas-da-filosofia-politica-moderna/.

HERTZ, Solange. The Star-Spangled Heresy: Americanism. Tumblar House: Edição do Kindle.

A história do americanismo e seu impacto na esfera civil e religiosa. Livro muito útil para compreender que os conservadores de hoje são os revolucionários de ontem, substancialmente tão revolucionários quanto os seus adversários vermelhos, e que suas ideias se baseiam em princípios ímpios, irracionais e subversivos, uma porta aberta para a revolução e o comunismo.

JONES, E. M. A Goy Guide to the World History. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ygCE9Y28xWg. Acesso em: 1 mar. 2018.

Documentário a respeito de muitos tópicos relacionados ao sionismo, menção honrosa a sua versão revista e americanizada chamada neoconservadorismo. O autor demonstra que os principais inimigos do povo judeu são os rabinos que, com seu Talmude, verdadeiro discurso de ódio, afastam os judeus do Messias.

LEÃO XIII. Immortale Dei. Disponível em: Acesso em: https://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01111885_immortale-dei.html. Acesso em: 1 mar. 2018.

Documento essencial acerca das relações entre Igreja e Estado. Todo católico deve lê-lo e aplicá-lo na medida de suas possibilidades.

____. Libertas Praestamtissimum. Disponível em: http://www.capela.org.br/Magisterio/LeaoXIII/libertas.htm. Acesso em: 1 mar. 2018.

Um prolongamento da encíclica acima, ela trata das liberdades modernas, a saber, os dogmas sacrossantos do liberalismo: liberdade de expressão, imprensa, religião etc.

RICKABY, J. (1907). Civil Authority. In: The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1907. Disponível em: https://catolico247.com/2017/07/07/origem-natureza-e-limites-da-autoridade-civil/. Acesso em 28 jun. 2017. Acesso em: 1 mar. 2018.

Bom artigo da Enciclopédia Católica sobre a origem, as competências e os limites da autoridade civil.

PIE, Card. Louis-Édouard. Siècle de l’Eglise de France, p. 500. In: DE S. JUST O.M.C., P. Théotime. La Royauté Sociale de N.-S. Jésus-Christ: d’après le Cardinal Pie. 10 ed. Paris: S. François d’Assise, 1925. Disponível em: http://www.liberius.net/livres/La_Royaute_Sociale_de_N.-S._Jesus-Christ_d_apres_le_cardinal_Pie_000000698.pdf. Acesso em: 25 jun. 2017.

Compêndio dos salutares e sensatos ensinamentos do grande Cardeal Pie sobre a necessidade de cristanizar as instituições civis.

PIO XI. Quas Primas. Disponível em: https://controversiacatolica.wordpress.com/2017/06/26/sobre-cristo-rei-a-enciclica-quas-primas-de-pio-xi/. Acesso em: 1 mar. 2018.

Excelente encíclica sobre o reinado social do Nosso Senhor Jesus Cristo, combate o laicismo e expõe sucintamente a doutrina católica a respeito dos direitos de Deus sobre as nações.

STORCK, Thomas. From Christendom to Americanism and Beyond: The Long, Jagged Trail to a Postmodern Void. Angelico Press. Edição do Kindle.

Ensaios bem interessantes que defendem a concepção católica de história e política. Obra contemporânea, capaz de reafirmar com eloquência as posições advogadas por Chesterton e Belloc.

VEUILLOT. A Ilusão Liberal. Niterói: Permanência, 2010.

Escrito por um jornalista católico sumamente fiel ao Magistério Católico, este livro dirige um ataque frontal ao liberalismo insurgente na França do século XIX, o primo mais velho do neoconismo ultramarino.

Qual Igreja Pedófila? O vergonhoso conluio entre a Igreja Conciliar e a Imprensa Apóstata

Os Papas sempre disseram que a liberdade de expressão, de imprensa e de religião não devem ser concedidas a todos indiscriminadamente, mas somente aos que dizem a verdade e promovem a virtude. Aqueles que pregam a mentira, diziam os Vigários de Cristo em uníssono, precisam ser calados e aqueles que instigam a prática do mal precisam ser punidos. De fato, eles sabiam que, se o Estado desse essas liberdades ao povo, então não faltaria gente disposta à justificar, com mil-e-um artifícios, todo o tipo de barbaridade.

E não é que eles tinham toda razão? Veja o caso da pedofilia. Durante duas décadas inteirinhas a imprensa livre, leve e louca deu voz à escritores, artistas e diretores apóstatas, os quais faziam proselitismo de pedofilia, incesto, divórcio e todas as demais abominações prometidas pela “liberação sexual”. Qual foi o resultado? Exatamente aquele previsto pelos Romanos Pontífices: escândalos tão grandes que chegaram mesmo a causar horror naqueles que, até ontem, promoviam todas essas coisas!

E este é um exemplo entre outros, suficiente, porém, para demonstrar que libertar-se dos preceitos da Igreja equivale a entregar-se ao demônio.

Enquanto as pessoas continuarem pensando que o Catolicismo é objeto de crítica e não de máxima reverência, enquanto o povo não se dobrar diante dos ensinamentos salutares da única religião de Cristo, a sociedade permanecerá sendo o que ela é atualmente: o palco de todo o tipo de desordem espiritual, intelectual e moral.

É preciso escolher, ou Cristo ou caos, ou Deus ou o demônio, não há, nem nunca houve, uma terceira-via para a sociedade.

Que o país opte pelo caminho do bem, que a nação se converta, que Jesus seja adorado publicamente por todos os cidadãos e que a Igreja seja exaltada como guia e mestra do povo brasileiro.

REFERÊNCIAS

BENTO XVI. Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos. Tradução de Sofia Flávia Vieira et al. Parede: Lucerna, 2010, p. 35.

GUILLEBAUD, Jean-Claude. A Tirania do Prazer. Tradução de Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999, p. 29-32.