O Anticristo: seu caráter e seu tempo

Continuação de O fim do mundo presente: os sinais que o precederão e acompanharão.

SEGUNDA CONFERÊNCIA
A perseguição do Anticristo e a conversão dos judeus

“E então aparecerá o tal iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o assopro de sua boca e o destruirá com o resplendor de sua vinda.” (2Ts 2,8)

O contexto da Epístola aos Tessalonicenses é testemunho da obrigação apostólica de comunicar ao mundo que, embora devamos estar sempre vigilantes, ninguém deve abandonar os seus afazeres para entreter-se com prospectos do fim do mundo, deixando que a inércia e ansiedade tomem conta do seu coração. Antes de que o fim chegue, diz o Apóstolo, há de vir o Anticristo.

“O que é claro e inegável a partir da passagem que acabamos de citar é que antes do fim do mundo aparecerá sobre a terra um homem profundamente mau, investido com poderes quase sobre-humanos, que desafiando Cristo, moverá uma guerra ímpia e louca contra Ele. Pelo medo que este homem inspirará e especialmente mediante seus estratagemas e gênio sedutor, ele conseguirá conquistar quase o universo inteiro, terá altares erguidos para si e compelirá todos os povos a adorá-lo.” (p. 23)

“Quase todos os Doutores e Padres, Santo Agostinho, São Jerônimo e São Tomás, claramente mantém que esta terrível malfeitor, que este monstro de impiedade e depravação, será um ser humano. O sábio Belarmino demonstra que é impossível dar outra interpretação às palavras de São Paulo e aquelas de Daniel 11,36-37.” (p. 23)

“Daniel nos informa que ele atacará tudo o que é santo e digno de respeito, exaltar-se-á ousadamente contra o Deus dos deuses e considerará como nada o Deus dos seus pais: ‘Is Deus patrum suorum non reputabit.‘ O Apóstolo acrescenta que Cristo o matará. Todos esses vários aspectos e características evidentemente não podem ser aplicados a um ser ideal e abstrato; eles só podem se adequar a um indivíduo de carne e osso, um personagem real e definido.” p. 24

As opiniões sobre a tribo em que nascerá o Anticristo são incertos. “O que parece estar além de toda dúvida é que o Anticristo será de origem judaica.” Assim testemunham Santo Ambrósio e Sulpício Severo. “Ademais, tudo leva a crer que no princípio de seu reino ele logrará, mediante sua astúcia e fama, fazer que os judeus creiam que ele é o Messias que eles incessantemente esperavam e que eles, em sua cegueira, se apressarão em recebê-lo e honrá-lo como tal. É assim que Suárez e a maior parte dos intérpretes entende este dito de Nosso Senhor em São João 5,43: ‘Eu vim em nome do meu Pai e vós não me recebeis; se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebê-lo.'” (p. 24)

Pelo que se sabe sobre o nascimento de Cristo, é provável por analogia e indução que este jurado inimigo de Deus será nascido de uma união ilegítima, contrapondo-se a Cristo que nasceu da Imaculada Virgem Maria. “Ele será um filho da fornicação”, diz São João Damasceno, “e seu nascimento será manchado pelo sopro e espírito de Satanás.” (p. 25) e, sobre sua vida, diz-se que “seu ódio a Deus será tão violento, sua aversão a toda boa obra tão invencível e sua associação e comércio com o espírito das trevas será tão próxima e contínua que ele permanecerá insensivelmente hostil aos apelos divinos e a graça celestial jamais penetrará o seu coração.” (loc. cit.).

É muito claro que o grau de sua aversão a Deus o levará ao desejo de substituí-lo, de modo que ele procure para si a glória que se deve unicamente ao Criador. Assim, ele estabelecerá sacerdotes que oferecerão sacrifícios em sua honra e se certificará de que os juramentos e contratos serão feitos invocando o seu nome. Com o fim de dar maior credibilidade a sua loucura, contraporá a revelação divina com falsas revelações sobre a sua pessoa e, sobretudo, “contra a Igreja eterna fundada por Cristo, ele estabelecerá uma abominável sociedade, da qual ele será o chefe e pontífice. São Tomás acrescenta que assim como a plenitude da divindade habita corporalmente no Verbo Encarnado, assim a plenitude de toda a maldade habitará neste homem terrível, cuja missão e obras não serão senão uma imitação ao inverso e uma execrável fraude da missão e das obras de Cristo.” (p. 25-26)

Esta guerra infernal contra o nome de Deus, provocada pela íntima relação entre o Anticristo e o demônio, prevalecerá por um tempo. Todos os mestres da mentira e arquitetos do mal que viveram no curso dos tempos parecerão pigmeus perante um gigante quando comparados ao Anticristo. “Assim ele repetirá os feitos infames de Nero, estará cheio do ódio e violência de Diocleciano, terá a astúcia e duplicidade de Juliano, o Apóstata; ele recorrerá à intimidação e dobrará a terra ante o seu cetro como Maomé, ele será um homem erudito, um filósofo, um hábil orador, excelente nas artes e ciências aplicadas, ele será exímio no deboche e zombaria como Voltaire. Por fim, ele obrará milagres e levitará como Simão, o Mago.” (p. 26)

Estas coisas terríveis serão permitidas como castigo da incredulidade humana. Suárez afirma que Deus permitirá o advento do Anticristo especialmente em razão da perfídia judaica.

Antes de tudo, para nos fazer compreender a ferocidade de sua guerra contra Deus e os santos, São João o representa no capítulo 13 do Apocalipse como uma monstruosa besta tendo dez cabeças e diademas contendo blasfêmias. Os intérpretes dizem que essas dez cabeças representam dez reis submetidos a seu domínio. Ele também nos dizem que ele será o soberano absoluto do universo. Em seu governo, na medida que persegue os santos ao extremo, ele permitirá todo o tipo de licença, de modo que não haverá liberdade senão para se fazer o mal.

Finalmente, ele será um mestre do ocultismo e da mágica, sendo capaz de operar prodígios ante os olhos da multidão. O primeiro desses milagres será sua miraculosa ressurreição, a qual fará que os céticos e livre pensadores daquele tempo o tenham na conta de invencível. Em segundo lugar, ele fará descer fogo do céu para dar a impressão de seu domínio sobre a natureza. Terceiro, ele fará uma estátua falar com o auxílio dos demônios que, usando peças de madeira como instrumento, tratarão de comunicar ao mundo os seus falsos oráculos. Com o auxílio diabólico também se verão mover móveis e montanhas, como também se manifestarão demônios nos ares disfarçados de anjos da luz. E assim os céticos e livre pensadores do século se renderão à superstição, de modo que se confirmará as palavras do Apóstolo: “dando ouvidos a espíritos de erro e a doutrinas de demônios, attendentes spiritibus erroris et dotrinis demoniorum.” (1Tm 4,1)

“Por fim está escrito que a soberba do homem do pecado não terá limites. Ele abrirá sua boca com blasfêmias contra Deus, blasfemando seu nome, seu tabernáculo e os santos do céu. Daniel diz que ele se considerará capaz de abolir tempos e leis, et putabit quod possit mutare tempora et leges. Ou seja, ele suprimirá as festas e a observância do domingo, mudará a ordem dos meses e o número das semanas, removerá nomes cristãos do calendário, substituindo-os por emblemas de vis animais. Numa palavra, este antagonista de Cristo será um ateu no mais pleno sentido da palavra. Ele fará desaparecer a cruz e todo símbolo religioso e, como Daniel novamente declara, ele substituirá o sacrifício cristão por ritos abomináveis em todas as igrejas. Os púlpitos se calarão, o ensino e a educação será laico, compulsório e ímpio. Jesus Cristo será banido do berço da criança, do altar que une os esposos e do leito do agonizante. Sobre toda a superfície da terra, não será tolerado o culto de nenhum outro senão o deste cristo de Satanás.” (p. 28)

Revelando estas coisas Deus deseja nos preparar para vencer as ciladas do demônio, ele quer mostrar quão poderoso o demônio é e quão necessárias são as armas da fé e da caridade. Sem elas, o homem, por mais sábio e rico que seja, não passa de um brinquedo nas mãos do diabo.

O Anticristo também trará à luz aquelas almas predestinadas que nem a sua violência, nem a sua astúcia será capaz de vencer, pois seus nomes estão escritos no Livro da Vida.

“Apostasias serão numerosas e a coragem se tornará rara. Está escrito que os poderes do céu serão abalados e que as estrelas do firmamento cairão. Em outras palavras, os líderes dos povos serão vistos dobrando os joelhos perante o ídolo reinante, e – o que é ainda mais lamentável -, entre os expoentes da ciência, os luminares da teologia e os oradores da sacra eloquência, um largo número abandonará a verdade, deixando-se levar por essa torrente de depravação.” (p. 29)

A marca da besta será imposta como sinal de apostasia e aqueles que não a tiverem na mão e na fronte não serão capazes de comprar ou vender e sequer terão a liberdade de sair à luz do dia. Assim o Anticristo deseja que o mundo inteiro despreze o incomparável mestre que elevou a civilização ao zênite da perfeição e do progresso. Somente a assistência desse mesmo Deus será capaz de manter os eleitos fiéis ao Evangelho até o fim.

Nessa época a tecnologia será tal que não haverá lugar desconhecido, o mundo será mapeado e mesmo as casas deixarão de ser um lugar seguro, pois um irmão entregará o outro à morte e o pai entregará seus filhos e estes se levantarão contra o seu pai. (cf. Mc 13,12).

O centro da política e eventos humanos será mais uma vez o Oriente e o homem ímpio se instalará nos lugares mais santos, estabelecendo sua sede em Jerusalém. Felizmente, Deus abreviará o seu reinado que será de três anos e meio. Nessa módica cifra certamente não está incluído o tempo que antecederá sua ascensão o poder supremo. Assim também, sabe-se que o sacrifício da Missa subsistirá até o tempo em que o Anticristo estabelecer seu domínio sobre toda raça, nação e língua.

O nome do Anticristo é indicado no Apocalipse pelo número 666. É sabido que em muitas línguas se pode converter as letras em números e vice-versa, assim se fizeram e fazem muitas conjecturas sobre qual nome pode ser este que rende o número 666. A opinião mais segura nesta matéria é aquela de Santo Irineu que afirma que o Apóstolo deu o nome da besta de modo enigmático para que ele viesse a ser conhecido unicamente no tempo do próprio Anticristo.

“Justamente quando a tempestade for mais violenta, quando a Igreja estiver sem chefe, quando o incruento sacrifício tiver cessado e tudo parecer humanamente perdido, duas testemunhos, assim diz São João, serão vistas ressurgindo.” Essas duas testemunhas, conforme Beda, Santo Agostinho, Santo Anselmo e muitos outros que se baseiam especialmente em Eclesiástico 48 e no profeta Malaquias – são Enoque e Elias, os quais foram arrebatados para que, no fim dos tempos, combatam o Anticristo e deem testemunho de Cristo perante as nações. Eles iniciarão o seu ministério público trinta dias depois do Anticristo ter logrado o domínio total sobre o mundo, sua principal realização será remover o véu da perfídia judaica.

Enoque e Elias terão poderes sobre-humanos, tanto pela força de sua pregação, feita com uma eloquência jamais vista desde os tempos apostólicos, quanto pelos prodígios que serão capazes de operar. E assim será até ter se completado sua missão, tal como se deu no caso de Sansão e Joana d’Arc. Após terem atingido todos os bons e não havendo nada mais por fazer pelos maus, eles serão mortos pelo Anticristo. E, depois, não São João, mas São Paulo nos conta que o Anticristo será morto pelo assopro da boca de Cristo e pelo resplendor de sua vinda. Estas imagens indicam, como afirma São Tomás, não que Cristo o matará em pessoa, mas o matará pela sua ordem (assopro de sua boca) e com o seu poder (resplendor de sua vinda).

E o que virá depois? A visão mais autoritativa e que parece estar mais em harmonia com a Escritura é que, depois da queda do Anticristo, a Igreja Católica prosperará e triunfará mais uma vez. Pois, como São Paulo observa em Romanos 11,12, o evento da conversão dos judeus trará consigo uma abundância inaudita para o mundo. Essa passagem é precisa e parece não deixar espaço para duvida. Além disso, ela está em harmonia com Apocalipse 15,2-3: “E vi… os que venceram a besta e a sua imagem… E cantavam eles o cântico do servo de Deus, Moisés, e o cântico do Cordeiro”, ou seja, doravante os cristãos e os judeus serão um só espírito e uma só fé, eles dirigirão os mesmos louvores a Cristo e juntos proclamarão sua glória.

Alguns pontos para guardar:

  1. O fim do mundo não chegará antes da vinda do Anticristo;
  2. O Anticristo será um homem de carne e osso;
  3. Será de origem judaica;
  4. Será concebido de uma união ilegítima;
  5. Será insensível à graça de Deus e terá estreita relação com o demônio;
  6. Desejará tomar o lugar de Deus;
  7. Será tão violento quanto astuto, perseguindo uns pela força, convencendo outros pela palavra e ainda outros pelos seus supostos milagres;
  8. Será o castigo da incredulidade humana, especialmente da perfídia judaica;
  9. Será o rei de um império mundial;
  10. Enquanto governante, perseguirá os santos e promoverá a promiscuidade;
  11. Céticos e livres pensadores crerão nele;
  12. Será o reformador e cabeça de uma falsa religião, uma caricatura da Igreja Católica;
  13. Será um tempo de grande apostasia, mas também de heroicos mártires e confessores da fé;
  14. Será um tempo de alta tecnologia;
  15. Jerusalém voltará a ser o centro da política;
  16. Seu reinado será de três anos e meio;
  17. Enoque e Elias o combaterão e serão responsáveis pela conversão dos judeus;
  18. Enoque e Elias serão mortos pelo Anticristo;
  19. O Anticristo será morto pelas ordens de Cristo;
  20. O mundo se tornará católico, judeus e cristãos serão um só povo.

O fim do mundo presente: os sinais que o precederão e acompanharão

Neste breve estudo resumo as duas primeiras conferências da obra de Padre Charles Arminjon sobre o fim do mundo presente. Sigo a versão inglesa da mesma, intitulada The End of the Present World and the Mysteries of the Future Life, pp. 1-49.

Este livro causou grande impressão em Santa Teresa do Menino Jesus, que o menciona em sua autobiografia e em suas cartas. Essas primeiras conferências tratam especificamente das circunstâncias que levarão e acompanharão ao fim do mundo (primeira conferência) e das circunstâncias que levarão ao advento do Anticristo e a conversão dos judeus (segunda conferência).

PREFÁCIO DO AUTOR

A fonte do racionalismo, mal do século, é a ausência do senso do sobrenatural e a negligência das grandes verdades sobre a vida futura. Essa terrível indiferença nasce da ignorância e do desmedido amor pelos prazeres sensuais que, obscurecendo o olho interior da alma, trazem todas as suas aspirações para o baixo nível da vida presente, afastando-a da visão das belezas e prêmios do mundo vindouro.

Como doenças extremas exigem tratamentos extremos, a melhor forma de combater o naturalismo é uma lúcida, clara e exata exposição, sem atenuantes, das verdades essenciais relacionadas com a vida futura e o inevitável termo do destino humano.

PRIMEIRA CONFERÊNCIA

O Fim do Mundo Presente: os sinais que o precederão e as circunstâncias que o acompanharão

“Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual passarão os céus com grande ímpeto, e os elementos com o calor se dissolverão, e a terra, e todas as obras que há nela, se abrasarão.” (1Pd 3,10)

Após o longo período dos séculos, a ordem visível das coisas na terra dará lugar a uma nova e permanente ordem, a mutável era do tempo será substituída pela era da estabilidade e do repouso. Esta conferência tratará de três questões fundamentais:

1. A doutrina do fim dos tempos é uma doutrina indubitável, em harmonia com a razão?

2. Podemos determinar, de acordo com as palavras de Cristo, se o fim do mundo está próximo ou não?

3. Por meio de qual cataclismo esta mudança acontecerá?

1. A ciência ateia de nosso tempo afirma que o mundo é eterno e que as coisas surgiram por acaso, nega assim a criação e a Divina Providência. Mas não nega, porém, a fé e a esperança no homem, pois ama tudo o que se refere às realizações do mesmo, vendo um potencial de progresso indefinido no mundo do qual o homem é o protagonista.

Entretanto, essa miragem do progresso esconde e canaliza uma constante frustração inerente desse sistema de desespero: o ideal nunca se torna realidade, o bem nunca está separado do mal e não há um mecanismo pelo qual se possa medir com justiça a importância da vida moral e dos atos humanos.

Tenta-se imputar esta responsabilidade à história. Ela, dizem os céticos, será a juíza da humanidade, de modo que o juízo final é supérfluo. Contudo, a verdade é que esta é uma juíza bastante inepta, incapaz de completar o serviço que lhe é outorgado e que, ademais, tem o estranho hábito de relegar ao esquecimento a maior parte dos réus. O julgamento da história não é público, sua sentença procede de um historiador falível, cujo juízo privado pouco ou nada pode fazer além de se lamentar pelas injustiças passadas.

Cada vida humana pode ser aquilatada como boa ou má, como semente de vida ou semente de morte, nenhuma pessoa é indiferente a este fato. E assim se torna forçoso concluir que, se há justiça no mundo, deve haver um juízo universal que dê a cada qual o que lhe é devido. Esse juízo só pode vir do tribunal infalível e onisciente de Deus.

Por conseguinte, os requerimentos da justiça, indicam que este mundo presente será julgado e assim terá um fim. Daí em diante haverá uma nova ordem. É também o que a observação e o bom senso exigem, pois se vê que a figura deste mundo realmente passa, isto é, que tudo nele é consumido pelo tempo. É certo, pois, que o mundo terá um fim, mas este fim é próximo ou remoto?

2. Cristo não precisou a data do fim do mundo, mas consentiu em dar sinais definidos e indicações a fim de nos deixar saber que o cumprimento das profecias está próximo. Jesus procede com a humanidade como um todo do mesmo modo que procede com indivíduos: a morte é certa, mas não se sabe quando ela virá. E embora possamos ser pegos de surpresa em qualquer momento, geralmente há sinais que tornam manifesto que a hora da morte se faz eminente e que seria uma vã ilusão pensar que nossa vida se estenderia por mais longos e longos anos aqui em baixo.

Em Mateus, cap. 24, Cristo aponta como sinais guerras, fomes, terremotos. Por si esses sinais são bastante vagos, ocorrendo em maior e menor grau em todas as épocas da história, porém eles são apenas o começo das dores: haec autem omnia initia sunt dolorum. Tais sinais não são suficientes para se formar uma firme conclusão de que o fim dos tempos está próximo, pois mesmo as calamidades públicas e revoluções sociais de nossa época encontram precedentes na história. Entretanto, as calamidades e revoluções do fim dos tempos serão de caráter público, pertencendo a ordem religiosa e social, elas não poderão ser ignoradas pela humanidade.

Essas calamidades são constituídas por três grandes sinais. Primeiro, o Evangelho deve ser pregado em todo o mundo (Mt 24,14); segundo, a aparição do homem do pecado, o Anticristo (2Ts 2,2-4); terceiro, a conversão dos judeus, que reconhecerão o Senhor Jesus Cristo e o adorarão como o Messias prometido (Rm 11,14-17). Nesta conferência será tratado unicamente do primeiro sinal.

Quanto a ele, alguns Padres dizem que uma conversão parcial seria o bastante, enquanto a maioria mantém que a profecia deve ser entendida em um sentido mais estrito. Cornélio a Lapide entende que este sinal somente se concretizará quando a Igreja tiver exercido toda a sua influência sobre toda e cada uma das nações bárbaras, o que significa que todas as nações devem experimentar o esplendor da pregação apostólica, com todo o brilho inerente de sua legislação, solenidades e hierarquia. Esse último pensamento parece mais em conformidade com o testemunho da Sagrada Escritura, com a sabedoria e misericórdia de Deus e com os modos da Providência que não faz acepção entre os povos e chama cada um a seu tempo para o conhecimento de sua lei salutar.

Nesse sentido, é preciso admitir que, como uma matéria de fato, a Ásia Central, a África Equatorial e muitas outras partes do mundo ainda não receberam a pregação do Evangelho em seu esplendor.

Feita essa observação, o Padre Arminjon menciona os seguintes textos da Escritura:

“Porquanto do Senhor é o reino; e ele mesmo reinará sobre as gentes.” (Sl 21,29)

“Diante dele se prostrarão os da Etiópia; e os seus inimigos beijarão a terra. Os reis de Társis, e as ilhas, lhe oferecerão dons; os reis da Arábia e de Sabá lhe trarão presentes.” (Sl 71,9-10)

“Alegra o sitio da tua tenda, e estende as peles dos teus pavilhões, e não te poupes a nada; faze compridas as tuas cordas, e segura as tuas estacas. Porque tu te alargarás para a direita e para a esquerda, e a tua posteridade terá por herança as gentes, e povoará as cidades desertas. Não temas, porque não serás confundida nem envergonhada, porquanto não terás de que te afrontar, pois te esquecerás da confusão de tua mocidade, e não te lembrarás mais do opróbrio da tua viuvez.” (Is 54,2-4)

“Será chamado o Deus de toda terra.” (Is 54,5)

“Esses textos”, diz Padre Aminjon, “são explícitos e precisos. É claro a partir desses testemunhos que haverá um tempo em que todas as heresias e cismas serão superados e a verdadeira religião conhecida e praticada por todos, em todos os lugares iluminados pelo sol.” (p. 10).

Depois disso, virá um tempo em que a humanidade estará mergulhada na mais profunda indiferença religiosa, os pensamentos sobre o castigo e justiça divina estarão muito longe da mente dos homens. A divina misericórdia terá esgotado todos os seus recursos. O Anticristo já terá aparecido sobre a face da terra. Os homens de toda o mundo já foram chamados para o conhecimento da verdade e a Igreja já floresceu na plenitude de sua vida e fecundidade pela sua última vez.

3. O grande cataclismo virá quando o mundo estiver mais seguro: a civilização estará no seu zênite, os mercados estarão transbordando de dinheiro e os estoques dos governos nuca terá sido tão alto. A humanidade embriagada pela prosperidade material não aspirará mais pelo céu.

Por meio de que elemento essa grande destruição acontecerá? Qual será a sua causa eficiente, agente principal, instrumento direto e imediato de tudo isso? Não será por água como no dilúvio, nem por terremotos ou por lava como em Herculaneum e Pompeii da época de Tito; desta vez, a terra será destruída pelo fogo. O mesmo espírito que pelo fogo criou o mundo, também pelo fogo o destruirá para formar o novo mundo: “Fogo irá adiante dele, e abrasará ao redor os seus inimigos. Alumiaram os seus relâmpagos a redondeza da terra; viu-os a terra, e foi comovida.” (Sl 96,3-4). Este fogo devorará o ímpio como palha e o penetrará até a medula, até consumi-lo inteiramente. Será também a tribulação final para o justo, pois esse castigo dos últimos tempos tomará o lugar do Purgatório. Podemos estar bastante certos desses eventos, eles são certos com o mesmo grau de certeza absoluta com o qual dizemos que Deus é Deus, não estando sujeito a qualquer erro ou mudança.

Essas verdades não são meras verdades de ordem especulativa, mas são ensinadas para que se produzam efeitos práticos e imediatos em nossas vidas. Assim, se tudo o que temos neste mundo será consumido pelo fogo, não devemos valorizar os bens terrenos mais do que estimamos uma pilha de lenha ou um monte de palha. Por que então fazer delas o centro de nossos desejos e cuidados? Por que deixar as marcas de nosso gênio onde tudo será dissolvido pelo fogo?

Pode-se objetar que isso será daqui há mil anos. Mas o que são mil anos para quem vê as coisas da eternidade? A história humana parecerá menor que um dia para aqueles que a contemplam deste a eternidade. “Mille anni, ante oculos tuos, tamquam dies hesterna praeterit. / Porque mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem, que passou” (Sl 39,4).

Cristo mesmo insiste que devemos meditar sobre essas coisas e que o fim dos tempos nos tomará de surpresa e acontecerá antes do que imaginamos. Prope est jam Dominus (Joel 1,15; Abidias 1,15). O Senhor está próximo, o dia do julgamento é iminente, assim pensaram os grandes santos e doutores da Igreja, como São Jerônimo, São Gregório, São Bernardo e São Vicente Ferrer. Naquele tempo terrível da consumação dos séculos nada mais distinguirá o homem senão a virtude e o mérito. O justo que ouviu as recomendações dos Apóstolos, observando os mandamentos de Cristo e sua Igreja, sairá vitorioso do meio desse caos sem precedentes, este será o triunfo do bem sobre o mal.

Que este seja o nosso destino. Amém.

Alguns pontos para guardar:

  1. O juízo final e o fim do mundo são condizentes com a razão e o bom senso;
  2. As guerras, fomes e pragas não são sinais certíssimos; elas serão somente o início das dores, se bem que dessa vez a calamidade diferirá das outras pela sua proporção;
  3. Sinais mais precisos sobre o fim dos tempos são a pregação do Evangelho em todo o mundo, a vinda do Anticristo e a conversão dos judeus;
  4. Esta pregação se cumprirá somente quando o mundo todo for católico;
  5. O elemento que dissolverá o mundo presente será o fogo.

As Duas Espadas e a Exegese Bíblica

DOUTRINA DAS DUAS ESPADAS

“Por que tentas tomar a espada que tu fostes mandado deixar embainhada? Pois se alguém negar que ela é tua, este não parece prestar suficiente atenção às palavras do Senhor quando ele diz: “Mete a tua espada na bainha” [João 18,11]. Ela é, portanto, realmente tua, sujeita ao teu assentimento, mas se for necessário desembainhá-la pela tua mão, deve sê-lo de outro modo. Ademais, se ela não te pertencesse de nenhum modo, o Senhor não teria dito “basta”, mas “demasiado” quando os Apóstolos disseram “Aqui estão duas espadas” [Lc 22,38]. Portanto, a Igreja possui ambas espadas, a espiritual e a temporal. Mas enquanto a última deve ser tirada em favor da Igreja, a primeira deve ser tirada pela Igreja; enquanto a primeira está na mão do sacerdote, a última está na mão do soldado, mas claramente sujeita ao assentimento do sacerdote e mandato do imperador.” (SÃO BERNARDO DE CLARAVAL op. cit. BELLARMINE, St Robert.. On Temporal and Spiritual Authority. Indianapolis: Liberty Fund, 2012, p. 131)

“Deus dividiu, pois, o governo do gênero humano entre dois poderes: o poder eclesiástico e o poder civil; àquele preposto às coisas divinas, este às coisas humanas. Cada uma delas no seu gênero é soberana; cada uma está encerrada em limites perfeitamente determinados, e traçados em conformidade com a sua natureza e com o seu fim especial. Há, pois, como que uma esfera circunscrita em que cada uma exerce a sua ação “iure próprio”. Todavia, exercendo-se a autoridade delas sobre os mesmos súditos, pode suceder que uma só e mesma coisa, posto que a título diferente, mas no entanto uma só e mesma coisa, incida na jurisdição e no juízo de um e de outro poder. Era, pois, digno da Sábia Providência de Deus, que as estabeleceu ambas, traçar-lhes a sua trilha e a sua relação entre si. “OS poderes que existem foram dispostos por Deus” (Rom 13, 1). Se assim não fora, muitas vezes nasceriam causas de funestas contenções e conflitos e muitas vezes o homem deveria hesitar, perplexo, como em face de um duplo caminho, sem saber o que fazer, em conseqüência das ordens contrárias de dois poderes cujo jugo em consciência ele não pode sacudir. Sumamente repugnaria responsabilizar por essa desordem a sabedoria e a bondade de Deus, que, no governo do mundo físico, todavia de ordem bem inferior, temperou tão bem umas pelas outras as forças e as causas naturais, e as fez harmonizar-se de maneira tão admirável, que nenhuma delas molesta as outras, e todas, num conjunto perfeito, conspiram para a finalidade a que tende o universo. Necessário é, pois, que haja entre os dois poderes um sistema de relações bem ordenado, não sem analogia com aquele que, no homem, constitui a união da alma com o corpo. Não se pode fazer uma justa ideia da natureza e da força dessas relações senão considerando, como dissemos, a natureza de cada um dos dois poderes, e levando em conta a excelência e a nobreza dos seus fins, visto que um tem por fim próximo e especial ocupar-se dos interesses terrenos, e o outro proporcionar os bens celestes e eternos.

Assim, tudo o que, nas coisas humanas, é sagrado por uma razão qualquer, tudo o que é pertinente à salvação das alas e ao culto de Deus, seja por sua natureza, seja em relação ao seu fim, tudo isso é da alçada da autoridade da Igreja. Quanto às outras coisas que a ordem civil e política abrange, é justo que sejam submetidas à autoridade civil, já que Jesus Cristo mandou dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Tempos ocorrem às vezes, em que prevalece outros modo de assegurar a concórdia e de garantir a paz e a liberdade; é quando os chefes de Estado e os Sumos Pontífices se põem de acordo por um tratado sobre algum ponto particular. Em tais circunstâncias, dá a Igreja provas evidentes da sua caridade materna, levando tão longe quanto possível a indulgência e a condescendência.” (Leão XIII, Immortale Dei, nn. 19-20)

A EXEGESE BÍBLICA

Existem dois modos legítimos de compreender o texto bíblico: o literal e o tipológico. Este último se divide em três: alegórico, moral e anagógico. Este motto medieval consigna os quatro sentidos e dá a finalidade de cada um:

Littera gesta docet; quid credas, allegoria;
Moralis quid agas; quo tendas, anagogia.

Em tradução adaptada temos:

O literal ensina os feitos grandiosos;
A alegoria tudo o que tu deves crer;
A moral te inspira atos generosos;
A anagogia mostra o que iremos ser.

MAAS, A. Biblical Exegesis. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1909.

Distributismo, Capitalismo e Comunismo

Três verdades que devem ficar gravadas na mente do estudante: (1) capitalismo e comunismo são irmãos, nutridos pela mesma mãe: o individualismo. Esta é a pedra de tropeço na qual caem todos os “filósofos políticos” da modernidade – aliás, uma concepção irracional, grosseira e sem qualquer respaldo na realidade; (2) por crítico que seja ao seu irmão mais velho, o comunismo é um desdobramento do capitalismo, ele pode ser definido como a democratização da individualismo mundano e soberbo da burguesia capitalista; (3) o distributismo, uma via econômica à prova de ambas as vertentes deletérias do individualismo, somente pode vir a efeito acompanhado do Catolicismo, sem a verdadeira fé é muito difícil, senão impossível, levar a efeito um sistema cujo único exemplar histórico disponível tenha sido a Cristandade. Logo, enquanto o mundo não livrar-se do pérfido laicismo, enquanto não reconhecer publicamente Cristo como Senhor do Estado e sua Igreja como mestra das nações, não se deve esperar nenhuma melhora significativa no curso das atividades econômicas. O dinheiro continuará sendo um problema de tal dimensão que as pessoas mal terão tempo para dedicar-se às coisas do Reino de Deus, ou seja, as pessoas continuarão vivendo uma triste vida, a qual levará ricos e pobres a um fim miserável.

REFERÊNCIAS

BELLOC, Hillaire. An Essay on the Restoration of Property. 2 ed. Norfolk: IHS Press, 2009.

ESOLEN, Anthony. Reclaiming Catholic Social Teaching. Sophia Institute Press. Edição do Kindle.

FANFANI, Amintore. Catholicism, Protestantism and Capitalism. London: Sheed & Ward, 1935.

GILLESPIE, Michael Allen. The Theological Origins of Modernity. University of Chicago Press: Kindle, 2008.

MCNABB O.P., Pe. Vincent. Nazareth or Social Chaos.Nortfolk: IHS Press, 2009.

MCQUILLAN, John et al. Flee to the Fields. Norfolk: IHS Press, 2003.

O’BRIEN, George. An Essay on the economic effects of the Reformation. Nortfolk: IHS Press, 2003.

SCHUMACHER, E. F. Small is Beautiful: Economics as if People Mattered. New York: Harper Perenial, 2010.

SENIOR, John. The Restoration of Christian Culture. Nortfolk: IHS Press, 2008.

STORCK, Thomas. From Christendom to Americanism and Beyond: The Long, Jagged Trail to a Postmodern Void. Angelico Press. Edição do Kindle.

Kant em contexto e em contraste com o realismo tomista

A filosofia de Kant é a conciliação do racionalismo continental com o empirismo insular, em termos teológicos, da doutrina do livre-exame (a onipotência do juízo privado) com o fideísmo nominalista (divórcio entre razão e revelação). São Tomás não concilia, mas corrige ambos os excessos, dando a cada um o seu devido lugar. Ele não diminui o escopo da razão, nem rebaixa a Revelação. Ao intelectualismo aristotélico (bem menos inflamado do que o cartesiano), submete ao fato da Revelação, fazendo da razão nobre serva da Teologia. Ao agostinianismo (bem menos inflamado do que o fideísmo reformado), submete ao fato de Deus ser o autor tanto da Revelação quanto da razão humana, não podendo existir contradição entre ambas. Assim São Tomás concilia a ciência profana com a ciência sagrada, dando a cada uma o que é seu, sem incorrer no intersubjetivismo estreito e prenhe de contradições de Emmanuel Kant.

REFERÊNCIAS

CONTEXTO

GILLESPIE, Michael Allen. The Theological Origins of Modernity. University of Chicago Press: Kindle, 2008.

MORA, Ferrater. Dicionário de Filosofia. Lisboa: Dom Quixote, 1978.

SCRUTON, Roger. Uma breve história da Filosofia Moderna: de Descartes a Wittgenstein. Tradução de Eduardo Francisco Alves. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008.

CRÍTICA

CARVALHO, Olavo de. A ousadia da ignorância. In: A Filosofia e seu Inverso: e outros ensaios. Campinas: Vide, 2012.

GARRIGOU-LAGRANGE, Reginald. Reality: A Synthesis of Thomistic Thought. Disponível em: <http://www.thesumma.info/reality/index.php>. Acesso em: 15 mar. 2018.

LLANO, Alejandro. Gnosiologia Realista. Tradução de Fernando Marquezini. São Paulo: Raimundo Lúlio, 2004.

MACINTYRE, Alasdair. After Virtue: A Study in Moral Theory, Third Edition. University of Notre Dame Press: Kindle, 2007.

 

 

Preambula Fidei: As Provas Externas da Revelação Cristã

INTRODUÇÃO

Recentemente um amigo perguntou-me a respeito dos argumentos que ele poderia utilizar para persuadir-se da veracidade da fé católica. Isso me deu ocasião de tocar no assunto das Provas Externas da Revelação, isto é, provas certas de que o Catolicismo é a religião verdadeira, fundada pelo próprio Deus na Divina Pessoa do Verbo Encarnado.

1. A OBRIGAÇÃO E UTILIDADE DO USO DAS PROVAS EXTERNAS

“Não se tem o direito de esperar de um incrédulo que ele admita a ressurreição de nosso divino Salvador antes de ter-lhe dado provas certas: e estas provas são deduzidas pelo raciocínio. Sobre estas diversas questões, a razão precede a fé e deve conduzir a ela. Por fraca e obscura que se tenha tornado a razão, por causa do pecado original, resta-lhe bastante clareza e força guiar-nos com certeza à existência de Deus, à revelação feita aos judeus, por Moisés, e aos cristãos, pelo nosso adorável Homem-Deus.” (Papa Gregório XVI, Teses subscritas por Louis-Eugène Bautain, 1840 in: Denzinger-Hünermann, n. 2754-56)

“Quanto a decidir qual religião é a verdadeira, isso não é difícil a quem quiser julgar disso com prudência e sinceridade. Efetivamente, provas numerosíssimas e evidentes, a verdade das profecias, a multidão dos milagres, a prodigiosa celeridade da propagação da fé, mesmo entre os seus inimigos e a despeito dos maiores obstáculos, o testemunho dos mártires e outros argumentos semelhantes, provam claramente que a única religião verdadeira é a que o próprio Jesus Cristo instituiu e deu à sua Igreja a missão de guardar e propagar.” (Papa Leão XIII, Immortale Dei, n. 13; cf. idem, Libertas Praestantissimum, n. 33-35).

“Admito e reconheço como sinais certíssimos da origem divina da religião cristã as provas externas da revelação, isto é, os feitos divinos, em primeiro lugar os milagres e as profecias, e afirmo que são perfeitamente adaptadas a inteligência de todas as idades e de todos os homens, inclusive os da época presente.” (Papa São Pio X, Motu Proprio Sacrorum Antistium [Juramento Antimodernista], 1º set. 1910).

2. AS PROFECIAS

O texto sacro em primeiro lugar e, depois dele, a arqueologia nos servem de fontes para a compreensão do caráter do Messias esperado pelos judeus. Todos as características deste Messias prometido são plenamente cumpridas em Jesus Cristo.

2.1. VELHO TESTAMENTO

GUEDDES, L., Messiah. In: The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1911. Disponível em: <http://www.newadvent.org/cathen/10212c.htm>. Acesso em: 14 mar. 2018.

Este breve artigo da Enciclopédia Católica serve de introdução ao estudante que deseja compreender como se dá o cumprimento das profecias em Cristo. Como se verá nele, nosso Divino Rei e Salvador possui todos as notas que foram sendo atribuídas ao Messias durante as diferentes épocas do Velho Testamento, inclusive aquelas que eram aparentemente inconciliáveis entre si, tais como o servo sofredor de Isaías, que se sacrifica como vítima inocente pelos seus, e o rei davídico, que imperiosamente estabelece um reino tão grande e augusto que é reconhecido por reis e se estende por toda terra.

2.2. MANUSCRITOS DO MAR MORTO

Eis alguma bibliografia recomendada pelo sr. Michael Barber em sua interessante conferência sobre os Manuscritos do Mar Morto e as origens do Cristianismo (esta lista não segue a ordem alfabética, mas a ordem de importância apresentada pelo autor):

MARTINEZ, Florentino Garcia. The Dead Sea Scrolls: Study Edition. 2 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1999.

FLINT, Peter; VANDERKAN, James. The Meaning of the Dead Sea Scrolls: Their Significance For Understanding the Bible, Judaism, Jesus, and Christianity. San Francisco: HarpenOne, 2004.

CHARLESWORTH, James H. The Bible and the Dead Sea Scrolls. 3 vols. Waco: Baylor University Press, 2006.

COLLINS, John L. Christian Beginnings and the Dead Sea Scrolls. Ada: Baker Academic, 2006.

3. OS MILAGRES E A CELERIDADE DA CONVERSÃO DOS PAGÃOS À FÉ CRISTÃ

Dentre outros esmerados argumentos que podem ser encontradas nas obras dos grandes defensores da fé, eis algumas que comprovam aquilo que foi dito por Leão XIII na Immortale Dei:

“[…] Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais [os milagres dos Apóstolos], por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e desprezar bens tão valiosos. […] No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé. Ele seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência. Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne. Além disso, não apresentou testemunhos de verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas. Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há convincente testemunho da mediação divina, quando uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da verdade está inspirado de modo invisível. Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos.” (AQUINO, São Tomás de. Suma contra os Gentios: Livros Iº e IIº. Tradução de D. Odilão Moura e D. Ludgero Jaspers. Caxias do Sul: Universidade de Caxias do Sul, 1990, p. 27-28).

“A razão pela qual não existe maior abundância de exemplos [de governantes convertidos] no Novo Testamento é que Deus quis começar sua Igreja com homens pobres e humildes, como se diz em 1 Corintios 1, de modo que o crescimento da Igreja não fosse reputado como obra humana, o que teria ocorrido se ela tivesse crescido pelo favor dos príncipes. De fato, pelo contrário, nos primeiros três séculos, Deus quis que a Igreja fosse oprimida com toda força pelos governantes do mundo inteiro, a fim de que assim se demonstrasse que a Igreja era obra sua e que ela foi mais potente sofrendo do que eles foram oprimindo-a.” (BELLARMINE, St. Robert. On Temporal and Spiritual Authority. Indianapolis: Liberty Fund, 2012, p. 15).

4. AS OBRAS DA IGREJA

O testemunho dos mártires, a heroica virtude dos santos, os feitos sociais alcançados pela Igreja e somente ela (universidades, hospitais, orfanatos, guildas, ordens religiosas das mais diversos matizes, triunfos militares miraculosos etc.) são mais uma prova de quão excelente ela é e de quão orgulhosos devemos estar por pertencer a uma instituição que não cessou por um instante de legar ao mundo inestimáveis benefícios.

Uma pesquisa abrangente e bem honesta do histórico de cada uma dessas santas almas e instituições, muitas das quais o mundo até hoje se beneficia largamente, não obstante seu brilho ter sido mitigado pela secularização da sociedade (como é patente no caso dos hospitais e outros serviços), mostrará para além de toda dúvida, ao estudante esforçado e prudente, que a fecundidade da Igreja nas boas obras não procede senão de sua íntima e indissolúvel união com o Benfeitor Supremo. Nessa matéria, somente o homem bruto ou assaz soberbo pode negar à Igreja Católica suas prerrogativas e resistir a seu charme perene. Para que mude a má disposição tanto de um quanto do outro deve bastar o estudo da história eclesiástica. Seguem algumas indicações que podem contribuir neste sentido:

4.1. FONTES PRIMÁRIAS

Dentre as fontes primárias se podem mencionar as cartas de São Paulo (especialmente as quatro principais: Romanos, Gálatas e as duas aos Coríntios), como também as de Clemente e de Santo Inácio de Antioquia; o Martírio de S. Policarpo, a Carta a Diogneto, as obras de Santo Irineu, São Justino, Tertuliano, Eusébio (pai da historiografia cristã), Agostinho (especialmente sua Cidade de Deus) e muitas outras que dão testemunho da santidade dos cristãos, da retidão de sua doutrina e do caráter divino da Santa Mãe Igreja.

4.2. FONTES SECUNDÁRIAS

De grande utilidade são as obras historiográficas e apologéticas de autores mais modernos, os quais fazem a imensa caridade de reduzir a um breve compêndio, para o proveito de público mais amplo, aquilo que há de mais importante na história eclesiástica. Tais são as obras de Padre John Laux, Christopher Dawson, William Thomas Walsh, Hillaire Belloc, Étiene GIlson, Régine Pernoud, Ludwig von Pastor e muitas outras. Dentre as vidas dos santos, a mais ampla, bem-documentada e encantadora que conheço é aquela do Padre Alban Butler, mas existem muitas mais que podem ser e certamente serão consultadas pelo estudante diligente.

CONCLUSÃO

“Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditar, de modo absoluto, em Deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.” (Pio XI, Mortalium Animos, n. 7)

Noções acerca da relação entre Igreja e Estado, contra o naturalismo, acompanhadas de importantes referências sobre a matéria

REFERÊNCIAS COMENTADAS

BELLARMINE, St. Robert. On Temporal and Spiritual Authority. Liberty Fund Inc. Edição do Kindle.

Tratados de São Roberto Belarmino sobre o poder temporal e espiritual do Sumo Pontífice. Refuta muitas mentiras contra o Papado, traçando com clareza aquilo que pertence ao Estado e aquilo que pertence à Igreja.

ESOLEN, Anthony. Reclaiming Catholic Social Teaching. Sophia Institute Press. Edição do Kindle.

Bela exposição da doutrina social da Igreja, inspirada sobretudo nos ensinamentos do Papa Leão XIII.

GARRIGOU-LAGRANGE, Reginald. As três vias e as três conversões. 4 ed. Niterói: Petrópolis, 2011.

Como dito no vídeo, o autor desta obra explica como os bens espirituais devem ser buscados primeiro e antes dos materiais, estes bens unem os homens de verdade enquanto os outros dividem.

KONINCK, Charles de. De la Primauté du Bien Commun contre les Personalistes. Laval: Editions Fides, 1943.

Livro escrito para evitar que os católicos caíssem na armadilha do personalismo maritainiano. Infelizmente a maioria se fez de surdo e caiu de cabeça na arapuca do humanismo integral.

MAISTRE, Joseph de. Essai sur le Principe Générateur des Constitutions Politiques et des autres institutions humaines, Lyon: M. P. Rusand, 1833.

Argumentos convincentes e bem-fundamentados contra a absurda noção de um Estado sem Deus, de uma constituição sem religião. Um resumo dos principais pontos da obra pode ser encontrado em: https://catolico247.com/2017/06/22/joseph-de-maistre-e-seu-principio-gerador-das-constituicoes-contra-os-sofismas-da-filosofia-politica-moderna/.

HERTZ, Solange. The Star-Spangled Heresy: Americanism. Tumblar House: Edição do Kindle.

A história do americanismo e seu impacto na esfera civil e religiosa. Livro muito útil para compreender que os conservadores de hoje são os revolucionários de ontem, substancialmente tão revolucionários quanto os seus adversários vermelhos, e que suas ideias se baseiam em princípios ímpios, irracionais e subversivos, uma porta aberta para a revolução e o comunismo.

JONES, E. M. A Goy Guide to the World History. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ygCE9Y28xWg. Acesso em: 1 mar. 2018.

Documentário a respeito de muitos tópicos relacionados ao sionismo, menção honrosa a sua versão revista e americanizada chamada neoconservadorismo. O autor demonstra que os principais inimigos do povo judeu são os rabinos que, com seu Talmude, verdadeiro discurso de ódio, afastam os judeus do Messias.

LEÃO XIII. Immortale Dei. Disponível em: Acesso em: https://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01111885_immortale-dei.html. Acesso em: 1 mar. 2018.

Documento essencial acerca das relações entre Igreja e Estado. Todo católico deve lê-lo e aplicá-lo na medida de suas possibilidades.

____. Libertas Praestamtissimum. Disponível em: http://www.capela.org.br/Magisterio/LeaoXIII/libertas.htm. Acesso em: 1 mar. 2018.

Um prolongamento da encíclica acima, ela trata das liberdades modernas, a saber, os dogmas sacrossantos do liberalismo: liberdade de expressão, imprensa, religião etc.

RICKABY, J. (1907). Civil Authority. In: The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1907. Disponível em: https://catolico247.com/2017/07/07/origem-natureza-e-limites-da-autoridade-civil/. Acesso em 28 jun. 2017. Acesso em: 1 mar. 2018.

Bom artigo da Enciclopédia Católica sobre a origem, as competências e os limites da autoridade civil.

PIE, Card. Louis-Édouard. Siècle de l’Eglise de France, p. 500. In: DE S. JUST O.M.C., P. Théotime. La Royauté Sociale de N.-S. Jésus-Christ: d’après le Cardinal Pie. 10 ed. Paris: S. François d’Assise, 1925. Disponível em: http://www.liberius.net/livres/La_Royaute_Sociale_de_N.-S._Jesus-Christ_d_apres_le_cardinal_Pie_000000698.pdf. Acesso em: 25 jun. 2017.

Compêndio dos salutares e sensatos ensinamentos do grande Cardeal Pie sobre a necessidade de cristanizar as instituições civis.

PIO XI. Quas Primas. Disponível em: https://controversiacatolica.com/2017/06/26/sobre-cristo-rei-a-enciclica-quas-primas-de-pio-xi/. Acesso em: 1 mar. 2018.

Excelente encíclica sobre o reinado social do Nosso Senhor Jesus Cristo, combate o laicismo e expõe sucintamente a doutrina católica a respeito dos direitos de Deus sobre as nações.

STORCK, Thomas. From Christendom to Americanism and Beyond: The Long, Jagged Trail to a Postmodern Void. Angelico Press. Edição do Kindle.

Ensaios bem interessantes que defendem a concepção católica de história e política. Obra contemporânea, capaz de reafirmar com eloquência as posições advogadas por Chesterton e Belloc.

VEUILLOT. A Ilusão Liberal. Niterói: Permanência, 2010.

Escrito por um jornalista católico sumamente fiel ao Magistério Católico, este livro dirige um ataque frontal ao liberalismo insurgente na França do século XIX, o primo mais velho do neoconismo ultramarino.

Qual Igreja Pedófila? O vergonhoso conluio entre a Igreja Conciliar e a Imprensa Apóstata

Os Papas sempre disseram que a liberdade de expressão, de imprensa e de religião não devem ser concedidas a todos indiscriminadamente, mas somente aos que dizem a verdade e promovem a virtude. Aqueles que pregam a mentira, diziam os Vigários de Cristo em uníssono, precisam ser calados e aqueles que instigam a prática do mal precisam ser punidos. De fato, eles sabiam que, se o Estado desse essas liberdades ao povo, então não faltaria gente disposta à justificar, com mil-e-um artifícios, todo o tipo de barbaridade.

E não é que eles tinham toda razão? Veja o caso da pedofilia. Durante duas décadas inteirinhas a imprensa livre, leve e louca deu voz à escritores, artistas e diretores apóstatas, os quais faziam proselitismo de pedofilia, incesto, divórcio e todas as demais abominações prometidas pela “liberação sexual”. Qual foi o resultado? Exatamente aquele previsto pelos Romanos Pontífices: escândalos tão grandes que chegaram mesmo a causar horror naqueles que, até ontem, promoviam todas essas coisas!

E este é um exemplo entre outros, suficiente, porém, para demonstrar que libertar-se dos preceitos da Igreja equivale a entregar-se ao demônio.

Enquanto as pessoas continuarem pensando que o Catolicismo é objeto de crítica e não de máxima reverência, enquanto o povo não se dobrar diante dos ensinamentos salutares da única religião de Cristo, a sociedade permanecerá sendo o que ela é atualmente: o palco de todo o tipo de desordem espiritual, intelectual e moral.

É preciso escolher, ou Cristo ou caos, ou Deus ou o demônio, não há, nem nunca houve, uma terceira-via para a sociedade.

Que o país opte pelo caminho do bem, que a nação se converta, que Jesus seja adorado publicamente por todos os cidadãos e que a Igreja seja exaltada como guia e mestra do povo brasileiro.

REFERÊNCIAS

BENTO XVI. Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos. Tradução de Sofia Flávia Vieira et al. Parede: Lucerna, 2010, p. 35.

GUILLEBAUD, Jean-Claude. A Tirania do Prazer. Tradução de Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999, p. 29-32.

A necessidade do Reinado Social de Cristo em algumas sentenças

Tudo começa em mística e termina em política. (Charles Peguy)

Jesus Cristo é a pedra angular de todo o edifício social. Sem Ele, tudo se abala, tudo se divide, tudo se perde. (Cardeal Pie)

Não há questão mais importante que a do Reinado Social de Cristo. Ela é para o mundo uma questão de vida ou morte. (Padre Théotime de Saint-Just, O.M.C.)

A Igreja é intolerante em seus princípios porque ela crê, mas é tolerante na prática porque ela ama; os inimigos da Igreja são tolerantes em seus princípios porque eles não creem, mas são intolerantes na prática porque eles não amam. (Padre Reginald Garrigou-Lagrange, O.P.)

Aos filósofos da moda qualquer ligeiro fundamento basta para desacreditar os Santos e justificar os que estão muito longe de sê-lo. (Antonio Eximeno)

Se não tornamos para as antigas máximas, se a educação não for devolvida aos padres e se a ciência não for posta por todos em segundo lugar, os males que nos esperam são incalculáveis: seremos embrutecidos pela ciência, e este é o último grau do embrutecimento. (Joseph de Maistre)