Escrúpulos do Padre Leandro Neves – Palmar de Troya & Bispos Thuc

Eis uma resposta ao juízo sumário, para não dizer temerário, do Padre Leandro Neves contra todos os sacerdotes sedevacantistas da linhagem Thuc. Em poucos minutos, ele os associa com a seita do Palmar de Troya, põe um ponto de interrogação na validade de suas ordenações e, enfim, considera-os indignos profanadores do sacerdócio.

O único homem e a única obra que presta, que ele reconhece como a salvação do sacerdócio, é Dom Marcel Lefebvre e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Será então, de grande proveito, neste contexto, examinar a relação que há entre Dom Lefebvre e a sua obra, de um lado, e a Igreja Palmariana, a validade dos Bispos Thuc e a sagração de bispos jovens, do outro.

Veremos assim, claramente, que os escrúpulos do Padre Leandro Neves servem apenas para cultivar uma atitude inescrupulosamente descaridosa, nele e naqueles que o seguem, para com os seus colegas no sacerdócio tradicional e os demais fiéis sedevacantistas, pondo Cristo contra Cristo, e privando a muitos da comunhão com aqueles que, seguindo os ensinamentos da Igreja nas questões em controvérsia, não podem concordar com os preconceitos e calúnias dirigidos contra Monsenhor Thuc e os bispos de sua linhagem episcopal.

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS

DERKSEN, Mario. An Open Letter to Bishop Clarence Kelly on the “Thuc Bishops” and the Errors in The Sacred and the Profane. http://www.thucbishops.com/Open_Letter_to_%20Bp_Kelly_FULL.pdf

Todo material em http://www.thucbishops.com/

CEKADA, Rev. Pe. Anthony. The Validity of the Thuc Consecrations (1992). http://www.traditionalmass.org/articles/article.php?id=60#_ednref1

CONTROVÉRSIA CATÓLICA. Sucessão Apostólica depois do Concílio Vaticano II. https://controversiacatolica.com/2017/06/15/a-sucessao-apostolica-depois-do-concilio-vaticano-ii

LUNDBERG, Magnus. A Pope of Their Own: El Palmar de Troya and the Palmarian Church. Uppsala: Uppsala University, Department of Theology, 2017, p. 68. https://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:1098857/FULLTEXT02

Revista EINSICHT Online. The Autobiography of Mgr. Ngô-dinh-Thuc – Part 4. http://www.einsicht-aktuell.de/index.php?svar=2&ausgabe_id=180&artikel_id=1923

WILLIAMSON, D. Richard. Bp. Williamson on the validity of Bp. Dolan’s consecration. http://www.traditionalmass.org/articles/article.php?id=51&catname=13

Declaração dos modernistas sobre as Sagrações de Dom Thuc. https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19830312_poenae-canonicae_po.html

Monsenhor Fellay, FSSPX, sagrado bispo aos 30 anos: https://en.wikipedia.org/wiki/Bernard_Fellay

Dom Vital, bispo aos 27 anos: https://en.wikipedia.org/wiki/Vital_Maria_Gon%C3%A7alves_de_Oliveira

CATHOLIC ENCYCLOPEDIA. St. Gregory of Neocaesarea. https://www.newadvent.org/cathen/07015a.htm

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A Infalibilidade do Papa e o Syllabus pelo Padre Pierre Bouvier S.J.

O Sr. Paul Viollet, professor formado em direito civil e canônico, publicou, em 1904, um livro intitulado «A Infalibilidade do Papa e o Syllabus: Estudo Histórico e Teológico», em que pretende – ao que parece, com a melhor das intenções – defender a Igreja e o Papa contra os ataques de seus inimigos.

Paul Viollet (1840-1914)

Ele o faz mediante três estratagemas muito utilizados, hoje em dia, pelos oponentes do sedevacantismo: (1) a restrição da infalibilidade papal às definições dogmáticas solenes, ou seja, somente quando o Papa proclama um dogma; (2) a negação da autoridade dos documentos papais e (3) o ataque à ortodoxia dos papas do passado. Em outras palavras, temos aqui um legítimo representante da posição Reconhecer & Resistir, operando já nos umbrais do século XX: ele reconhecia Pio IX como Papa, mas resistia aos seus ensinamentos. Como? Negando sua infalibilidade fora do dogma da Imaculada Conceição, negando a autoridade do Syllabus e, de quebra, afirmando, sem escrúpulos, que muitos papas antigos foram hereges.

Essa obra de Paul Viollet entrou para o Índice de Livros Proibidos em 1906. No artigo abaixo, publicado originalmente na Revista Études (1905), o Padre Pierre Bouvier S.J. aponta, à luz da doutrina e erudição católica, os erros teológicos e históricos nela contidos. Dentre outras coisas, ele expõe o verdadeiro significado da definição do Concílio Vaticano I sobre a infalibilidade papal, doutrina tão deturpada, à época, pelos liberais e modernistas, e hoje – para o escândalo de todos – ainda mais distorcida pelos pretensos conservadores e tradicionalistas. Queira Deus que, lendo essas páginas, despertem de seus erros.

PDF: A Infalibilidade do Papa e o Syllabus pelo Padre Pierre Bouvier S.J.

Destaco, neste post, a seguinte passagem decisiva:

Mas o Sr. Viollet não se contentou de contestar ao Syllabus o valor de documento ex cathedra. Para apoiar essa tese, ele supõe que o papa não é infalível senão em definições estritamente dogmáticas, definições tão raras, que não se conhece uma só, fora do concílio, em cento e três anos, além daquela da Imaculada Conceição, «Pio IX, quando define, nas condições previstas pela infalibilidade, o dogma da Imaculada Conceição, permanece falível em todos os outros casos.» (p. 66). «Constatamos que, no curso destes cento e três anos, um só ato pontifical se apresenta com as características da infalibilidade.» (p. 70).

Ele o diz a contragosto, mas aqui não há atenuação possível, uma semelhante restrição da infalibilidade pontifical está em flagrante oposição com a definição vaticana. Introduziu-se na definição termos escolhidos, todos expressos para impedir essa interpretação culposa.

Os Padres do Concílio, querendo definir que o papa é infalível, examinaram uma primeira fórmula onde se dizia precisamente que o papa não pode errar quando define, em matéria de fé e moral, o que deve ser crido, de fé católica, por toda a Igreja: Cum definit quid in rebus fidei et morum ab universa Ecclesia fide catholica credendum sit. Essa fórmula foi descartada, dizem as atas do concílio, «por se temer que os fiéis, tomando esse capítulo como uma exposição completa da doutrina sobre a infalibilidade do pontífice romano, não viessem a restringir essa infalibilidade unicamente às definições de fé

Outras fórmulas foram examinadas, e finalmente chegou-se àquela onde se diz que o papa, definindo ex cathedra a doutrina que deve ser tida pela Igreja universal, em matéria de fé ou moral, tem a mesma infalibilidade que a Igreja.

Assim, pois, para saber qual é a extensão da infalibilidade do papa, deve-se buscar qual é aquela da Igreja, porque, segundo a definição do concílio, a medida de uma é a medida da outra.

Pois bem, é ensinamento unânime, é de fé que a Igreja é infalível quando define as verdades reveladas que se devem crer, os erros que se devem rejeitar como heréticos; e é teologicamente certo que a Igreja é infalível quando define verdades conexas à fé, quando ela condena erros com notas inferiores àquela da heresia e quando ela decide definitivamente sobre fatos dogmáticos.

Assim também é, pois, o campo da infalibilidade papal: é de fé que o papa é infalível quando define dogmas como a Imaculada Conceição, e é teologicamente certo que o papa, como a Igreja, é infalível nas outras definições. O bispo de Brixen, relator da comissão conciliar que tinha preparado a definição, disse, perante os Padres, que quem negar essa infalibilidade não ainda definida como de fé e não tendo mais que uma certeza teológica, «não seria abertamente herético, porém cometeria um erro gravíssimo e um pecado gravíssimo

Quem não vê que, desde então, restringir a infalibilidade papal, depois de um século, unicamente ao dogma da Imaculada Conceição, negando, por conseguinte, essa infalibilidade às canonizações que tomaram lugar em grande número, negando-a às encíclicas, como à Encíclica Quanta Cura, com sua fórmula tão grave e tão explícita: Pravas opiniones ac doctrinas… commemoratas auctoritate Nostra apostolica reprobamus, proscribimus atque damnamus, easque ab omnibus catholicæ Ecclesiæ filiis, veluti reprobatas, proscriptas atque damnatas omnino haberi volumus ac mandamus, é ir não somente contra o espírito, mas contra a letra da fórmula aceita e promulgada pelo concílio do Vaticano, é se pôr formalmente no caso assinalado pelo bispo de Brixen?

É inútil, depois disso, seguir o autor na parte de sua brochura onde enumera os papas que teriam errado ou que haveriam submetido seus atos e suas palavras ao juízo da Igreja. É um ponto de partida que não lança nenhuma luz sobre a questão a resolver. Tão estendido, com efeito, que se suponha o campo da infalibilidade dos papas, não se pode ignorar que o privilégio da inerrância não os previne contra o erro, nem nas relações da vida privada, nem nos escritos ou discursos que contém nada mais que suas visões pessoais, nem nos conselhos que podem dar, nem nas ordens que não visem o conjunto dos fiéis. Por que se admirar então que se encontre erros no que disseram, em semelhantes casos, tais e tais soberanos pontífices, ou que eles tenham, eles mesmos, enquanto morriam, submetido esses atos e palavras ao juízo da Igreja? Deve-se explicar todas essas fórmulas à luz da doutrina católica. Quanto ao fato de Honório, sobre o qual o Sr. Viollet tem o propósito de se apoiar, ele tem sido discutido a fundo tantas vezes, sobretudo por ocasião do concílio do Vaticano, que não há mais nada para acrescentar. Estabeleceu-se, peremptoriamente, que as cartas deste papa, que foram objeto de debate, não contém nenhuma definição ex cathedra, nem nenhum erro contra a fé. Igualmente se estabeleceu que o anátema pronunciado pelo sexto concílio contra Honório é uma condenação de seu imprudente conselho, mas não de sua doutrina.

SÃO JOÃO BOSCO RESPONDE AO CENTRO DOM BOSCO

Em nosso último vídeo, “São João Bosco responde ao Centro Dom Bosco sobre João XXII e a lição da história” (disponível aqui https://youtu.be/ggyW9lGxNO8), terminei a série que compara o ensinamento do CDB sobre os Papas com aquele de seu padroeiro. Para facilitar a consulta e confronto de citações, condensei tudo em um arquivo PDF, que pode ser facilmente baixado, impresso, lido e distribuído. Segue o link:

São João Bosco responde ao Centro Dom Bosco sobre João XXII e a lição da história

Para encerrar nossa breve comparação entre São João Bosco e o Centro Dom Bosco, cumpre falar sobre o último caso de papa que caiu ou, ao menos, apoiou o erro, segundo o assim-chamado “Catecismo Católico da Crise na Igreja”. Depois disso, veremos qual é a surpreendente lição que ambos tiram de toda essa controvérsia.

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Aspectos da «Correção Filial»: Reflexões sobre sua importância, erros e acertos

Neste primeiro podcast, que conta com a presença e participação especial de Dr. Yuri Maria, do canal Apostolado São Lucas, conversamos sobre aspectos da «Correção Filial», documento publicado em 16 de julho de 2017, por um grupo de acadêmicos conservadores, em reação às heresias da Amoris Laetitia de Francisco-Bergoglio. Tratam-se de reflexões que sublinham principalmente a importância, os erros fundamentais e os acertos inegáveis dessa declaração controversa.

Inscreva-se no canal do Dr. Yuri Maria: https://www.youtube.com/channel/UCs8mnX4eavFg0_jLX-EToOA

Texto da «Correção Filial»,
http://www.correctiofilialis.org/wp-content/uploads/2017/09/Correctio-filialis_Portuguese.pdf

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A Ação de Bispos em tempos de Crise

Download do PDF: A Ação de Bispos em tempos de Crise

INTRODUÇÃO

Gostaria de apresentar um texto, retirado da obra De L’Église et de sa Divine Constitution [Sobre a Igreja e sua Constituição Divina] (pp. 209-221) de Dom Adrien Gréa, padre geral dos Cônegos Regulares da Imaculada Conceição, que foi publicada em 1885 e aumentada em sua edição de 1907, da qual me sirvo. Essa obra traz a aprovação de numerosos bispos e cardeais.

A seguir, Dom Gréa versa sobre a ação extraordinária dos bispos, em tempos de crise. O texto demonstra que é lícito, em casos excepcionais, como em tempos de grandes heresias e perseguições, estabelecer bispos católicos sem mandato apostólico, quando, em tais circunstâncias, o recurso ao Papa é impossível.

SOBRE A IGREJA E SUA CONSTITUIÇÃO DIVINA

Por Dom Adrien Gréa

CAPÍTULO IV
SOBRE A AÇÃO EXTRAORDINÁRIA DO EPISCOPADO

§ I

O poder do episcopado, no governo da Igreja universal, é exercido, ordinariamente, pelos Concílios e pelo concurso menos marcante dos bispos dispersos, sempre unidos na dependência e sob o impulso de seu chefe, prestando-se, sem cessar, à manutenção da fé e da disciplina.

Mas este poder do episcopado teve também, na história, manifestações extraordinárias, que importa reduzir à mesma subordinação e submeter às mesmas leis essenciais da hierarquia.

Queremos falar aqui, primeiramente, da autoridade dos apóstolos, seus discípulos e dos bispos dos primeiros tempos, seus sucessores, para anunciar por toda a parte o Evangelho e estabelecer a Igreja, e, em segundo lugar, das ações extraordinárias, pelas quais, em seguida, vemos os bispos não hesitarem em remediar as necessidades prementes do povo cristão e levantar, pelo emprego de um poder quase apostólico, as Igrejas colocadas em extremo perigo pela violência dos infiéis e dos hereges.

Abusou-se desses fatos para estender, para além da medida, a autoridade dos bispos e dar-lhes uma espécie de soberania primitiva e independente.

É, pois, necessário inverter este fundamento de erro. Faremos isso simplesmente lembrando a doutrina exposta em nosso primeiro livro, principalmente no capítulo V, onde tratamos das relações de dependência essencial, que unem as Igrejas particulares à Igreja universal, e reconduzindo esses fatos às leis já conhecidas da hierarquia, leis que, em toda parte e sempre, estabelecem a completa subordinação dos bispos ao seu chefe.

E, antes de tudo, é bom lembrar que a Igreja universal, precedendo em tudo as Igrejas particulares, possui antes destas e sempre mantém soberanamente a missão de pregar o Evangelho em todos os lugares e de salvar almas.
Segue-se que a hierarquia da Igreja universal, que não é destituída de sua autoridade imediata sobre as almas, nem mesmo pelo estabelecimento de Igrejas particulares, permanece a única responsável pela salvação dos homens, quando estas faltarem, e emprega seus poderes para assegurar-lhes esse benefício.

Essa hierarquia é a do Papa e dos bispos. A ação soberana e principal pertence ao Papa. Mas os próprios bispos, na medida em que estão associados a ele, como ministros da Igreja universal, são chamados a participar dela. Parecem então investidos de um poder que não se limita aos seus rebanhos particulares e que se exerce nos lugares onde ainda não há Igrejas particulares fundadas e bispos titulares estabelecidos, e naqueles onde as hierarquias locais, tendo sido estabelecidas, são afetadas em sua existência ou atingidas pela impotência.

Esse poder extraordinário do episcopado é, de fato, sempre, e por sua própria essência, absolutamente subordinado a Jesus Cristo e ao seu Vigário, pois os bispos não são nada, na Igreja universal, fora desta dependência que é sua ordem mesma.

Se chamamos de extraordinárias a essas manifestações do poder universal do episcopado sob seu chefe, o Vigário de Jesus Cristo, ao contrário do que acontece nos Concílios, onde o exercício desse poder é ordinário, é porque a necessidade que lhes dá origem não é um estado de coisas ordinário e regular.

O estabelecimento e a plena atividade das Igrejas particulares é, de fato, o estado normal e habitual da santa Igreja Católica. Ela vive de sua existência e se alegra com sua saúde: sofre de sua fraqueza e recebe danos quando perecem, pois as Igrejas particulares não são uma instituição acidental e que possa algum dia ser suplementada, de forma duradoura, pelo apostolado ou pela obra das missões. O apostolado não tem outro objetivo senão fundar essas Igrejas; e quando são constituídas, ele cessa e dá lugar ao seu governo ordinário.

Mas se o defeito das Igrejas particulares exige a ação imediata de Igreja universal e pode dar abertura a esta ação extraordinária do episcopado, isso [ocorre] manifestamente em duas ocasiões:

Primeiramente, quando as Igrejas particulares ainda não foram fundadas, e este é propriamente o apostolado;

Em segundo lugar, quando as Igrejas particulares são como que derrubadas pela perseguição, heresia ou algum grave obstáculo que aniquile e suprima inteiramente a ação de seus pastores; e este é o caso mais raro da intervenção extraordinária do episcopado vindo em seu auxílio.

Oferecemos aqui modestamente nosso juízo; e, embora respeitando aqueles que alhures procuram explicar esses fatos da história por outros meios, cremos que o poder do episcopado, um poder que flui de sua cabeça e atua nessa dependência, é suficiente para fornecer-lhes plenamente a razão.

Acreditamos que abaixo da autoridade soberana de Jesus Cristo, totalmente confiada ao seu Vigário, nunca houve na Igreja Católica outro poder hierárquico que não o do episcopado, que era o dos apóstolos; e não achamos útil reconhecer, mesmo nestes, uma soberania particular, colocada fora da hierarquia sagrada, como vamos expor.

[Depois de explicar o poder extraordinário do episcopado em tempos de apostolado e missões, Dom Grèa passa a tratar da hipótese mais rara: a autoridade extraordinária do Episcopado em tempos de crise:]

§ III

Mas não é somente no estabelecimento da Igreja que se declarou o poder propriamente apostólico e universal dos bispos, poder sempre subordinado, em sua substância e exercício, ao Vigário de Jesus Cristo. Há uma segunda ordem dessas manifestações, ainda mais rara e extraordinária.

No seio mesmo dos povos cristãos, temos visto, algumas vezes, em tempos de necessidades prementes, bispos, sempre dependentes nisto, como em tudo, do Sumo Pontífice e atuando em virtude de sua comunhão, isto é, recebendo dele todo o seu poder, usarem este poder para a salvação dos povos.

Em consequência de calamidades superiores a todas as provisões das leis e violências que não podem ser remediadas por meios comuns, a ação de pastores locais pode ser inteiramente deficiente; voltava-se assim às condições em que se exercia o apostolado para o estabelecimento das Igrejas e em que os ministérios locais ainda não haviam sido constituídos. Pois, como já dissemos, concebemos que, na ausência de pastores particulares, o que é universal nos poderes da hierarquia permanece só, e a Igreja universal, pelos poderes de sua hierarquia e do episcopado, toma, por assim dizer, o lugar das Igrejas particulares, e vem imediatamente em socorro das almas.

Assim, no século IV, Santo Eusébio de Samósata percorreu as Igrejas Orientais, devastadas pelos arianos, e lhes ordenou pastores ortodoxos, sem que sobre elas tivesse jurisdição especial (1).

São ações verdadeiramente extraordinárias, como as circunstâncias que lhes deram ocasião.
Por isso, essas manifestações do poder universal do episcopado, exercido em lugares onde se estabeleceram hierarquias locais e não pereceram inteiramente, sempre foram muito raras.

O mais frequente, nesses casos extremos, é os Soberanos Pontífices intervirem eles mesmos nas necessidades dos povos, enviando legados ou administradores apostólicos; e como, na plenitude do seu poder principal e soberano, eles se reservaram, com o tempo, a obra das missões, assim se aplicaram a socorrer, por esta mesma autoridade, sempre imediata, as Igrejas definhantes.

Se, então, a história nos mostra bispos cumprindo por si mesmos esse ofício como “médicos” (2) das Igrejas caídas, ela nos fala, ao mesmo tempo, das conjunturas imperiosas que lhes ditaram essa conduta. Era preciso, para torná-la legítima, necessidades tais que a própria existência da religião estivesse envolvida, que o ministério dos pastores particulares fosse inteiramente aniquilado ou tornado impotente, e que não se pudesse esperar nenhuma recurso possível à Santa Sé.

Em casos tão extremos, o poder apostólico que apareceu no começo, para estabelecer o Evangelho, reapareceu como que para estabelecê-lo novamente: pois, preservá-las da ruína e da destruição total, é equivalente a dar um novo nascimento às Igrejas.

Mas, fora dessas condições, e enquanto a hierarquia legítima das igrejas particulares está de pé, haveria abuso e usurpação manifestos no ato de um bispo levar a foice para a messe de seu irmão, e derrubar o os limites das jurisdições locais fixados pelos Padres.

Assim, em primeiro lugar, este poder universal do episcopado, embora habitual em sua substância, é extraordinário em seu exercício sobre as Igrejas particulares, e não ocorre quando a ordem dessas Igrejas não é destruída. Em segundo lugar, para que o seu exercício seja legítimo, o recurso ao Soberano Pontífice deve ser impossível e não pode haver dúvida quanto ao valor da presunção pela qual o episcopado, com a força do consentimento tácito de seu chefe, tornado certo pela necessidade, confia em sua autoridade sempre presente e ativa nele.

Mas, é preciso reconhecer, nem sempre essas condições foram verificadas com o rigor necessário nos diversos fatos relatados pela história dos primeiros séculos; e não somos obrigados a justificá-los todos com base nisso. Nisto houve abusos e usurpações.

Se a conduta de Santo Eusébio, que citamos acima, foi louvada sem restrições, quem poderia desculpar a interferência dos bispos de Alexandria nos assuntos de Constantinopla e do Oriente (3), ou a ação de São Epifânio celebrando uma ordenação em Constantinopla? (4)

A Santa Sé, que, nestas circunstâncias, às vezes usou de condescendência no juízo das pessoas, sempre manteve os princípios e condenou esses empreendimentos.

Por isso, pouco a pouco, esses excessos tornaram-se cada vez mais raros, e foram mais severamente reprimidos à medida que as circunstâncias os tornavam menos desculpáveis. Não podemos mais conceder-lhes indulgência hoje.
A Igreja, de fato, graças a Deus, está agora muito bem estabelecida no mundo, e as relações que unem os membros à cabeça estão suficientemente asseguradas para que não haja mais ocasião para esta ação extraordinária da Igreja. A voz do Vigário de Jesus Cristo é ouvida até nos confins da terra (5). Todos podem interrogá-lo, todas as Igrejas podem recorrer a ele em suas necessidades.

Assim como se reservou para si a obra das missões, incontestavelmente e com muita justiça, por muito tempo, reservou inteiramente para si a responsabilidade de prover as necessidades extraordinárias das Igrejas particulares e a falta de pastores e hierarquias locais. Ele suporta, com caridade vigilante, o peso da languidez e da fraqueza de todos os membros sofredores do corpo de que é a cabeça. “Quem são os doentes cuja enfermidade não sente com terna compaixão? Quais são os escândalos que não inflamam seu zelo?” (6). Ele só basta para fortalecer todos os seus irmãos; e se o amanhã reservar a Igreja provações, que a reduzam às dificuldades dos primeiros séculos, se os perigos dos últimos tempos chegarem a esse excesso, esta mesma voz de São Pedro ainda se fará ouvir neste extremo, e, quando chamar os bispos para as últimas batalhas, desatará, se for necessário, dentre os poderes do episcopado, aqueles que devem ser desatados para a salvação do povo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um caso de longa vacância da Sé Apostólica, em decorrência de heresia, constitui um caso extraordinário em que nem há provisões legais para resolvê-lo, nem possibilidade de recurso ao Papa. (7)

É verdade, essa possibilidade não foi contemplada por Dom Grèa, mas isso não altera o fato de que uma tal situação preenche, sem dificuldade, os requisitos para uma intervenção extraordinária do episcopado nas Igrejas particulares, tal como ocorreu nos tempos do arianismo.

Como uma consequência necessária, as sagrações realizadas por Monsenhor Lefebvre, Monsenhor Thuc e alguns outros bispos, em decorrência das heresias modernistas do Concílio Vaticano II e seus falsos papas, são totalmente legítimas, enquanto forem necessárias – como são – para o bem das almas.

Logo, deve continuar havendo tais sagrações, por parte de seus sucessores, até que se resolva a crise atual. É razoável crer que não sofrerão censura, mas antes os mais altos elogios, aqueles que, em tempos de crise, não ficaram ociosos, mas trabalharam para nutrir os fiéis, com a sã doutrina, e fortalecê-los na graça de Deus.

NOTAS

1 – Cum multas ecclesias pastoribus carere didicisset, militari habitu indutus et tiara capiti imposita, Syriam, Phaeniciam et Palestinam peragravit, presbyteros ordinans et diaconos, aliosque sufficiens ordines ecclesiasticos: quod si quando doctrina consentientes episcopos invenisset, etiam pontifices carentibus ecclesiis prœficiebat. (Théod. Hist. eccl. l. IV. c. XII. Cf. l. V, c. IV.)

2 – Brev. Rom. in S. Euseb. Vercell.

3 – Rursum tibi eadem scribimus fîeri non posse ut, nisi congruum judicium subsequatur super his quae per ludibrium gesta sunt… a Joannis communione discedamus. (S. INNOC. I Epist. V, ad Theoph. in negotio S. Joan. Chrys. Cf. BARON, an. 403, n. 1-33; an. 4o4, n. 7-9.)

4 – Addunt alii illic ab Epiphanio ordinatum fuisse quemdam diaconum: quod non licebat in diœcesi non sua facere. (Ibid., an. 402, n. 9.)

5 – Ps. XVIII, 5.

6 – II Cor. XI, 29.

7 – “Não existem provisões canônicas regulando a autoridade do Colégio de Cardeais sede Romana Impedita, i.e., no caso de um papa se tornar insano ou pessoalmente um herege; em tais casos, seria necessário consultar os ditames da reta razão e os ensinamentos da história”. (V. Cardinal, Catholic Encyclopedia, vol. 3, p. 339).

Frei Tiago vs. Montfort – Análise da Controvérsia

No artigo intitulado “Refutação das Teses Sedevacantistas de Frei Tiago de São José“, o senhor Alberto Zucchi procura defender a Associação Cultural Montfort das críticas feitas pelo dito religioso no vídeo “Montfort convoca Congresso polêmico contra o DOGMA DA INFALIBILIDADE PAPAL“.

Aqui eu darei uma breve resposta aos argumentos do Sr. Zucchi, precedida de uma comparação entre as duas exposições.

Nota-se muito claramente a diferença entre as fontes utilizadas. Em argumentos teológicos a autoridade citada tem um peso muito grande, porque, quando o assunto é certeza teológica, somente o Magistério da Igreja, em suas múltiplas manifestações, goza de infalibilidade ou, ao menos, um juízo seguro e autorizado. Donde a importância de citar documentos do Magistério ou, quando não há, exposições dos teólogos aprovados.

De parte de Frei Tiago de São José, vemos que ele cita a Constituição Dei Filius e Pastor Aeternus do Concílio do Vaticano, documentos infalíveis emanados do Magistério Extraordinário; Monsenhor De Ségür, um dos principais autores da Escola Anti-Liberal em França; e Padre Hilaire, autor de um conhecido manual de apologética, muito popular entre os tradicionalistas até os dias de hoje. Todos são documentos ou autores pré-Vaticano II, reconhecidos por todos, inclusive pela Montfort.

Da parte do Sr. Zucchi, ele cita Monsenhor Marcel Lefebvre, Padre Daniel Pinheiro e Professor Orlando Fedeli, todos autores do período pós-Vaticano II, cuja autoridade não é reconhecida por todos, nem obriga em consciência a ninguém. Monsenhor Lefebvre não é aceito pela própria Montfort; Padre Daniel Pinheiro não é membro da Igreja docente, mas apenas participa na medida em que está em comunhão com o ensinamento dos bispos em comunhão com o Papa – o que seguramente não é o seu caso neste tema – e o Professor Orlando Fedeli só seria infalível in credendo, isto é, aceitando o que o Papa e os Bispos ensinam – o que também não é o caso, como veremos.

No que tange aos argumentos do Sr. Zucchi, eles são tão bons, no que toca à questão do Papado e da Igreja, quanto às suas fontes. Eles consistem basicamente em três coisas:

1.º Argumento ad hominem ou “o teu passado te condena”. O Sr. Zucchi fala de sua experiência com Frei Tiago e relembra dos “bons tempos” em que ele concordava com a Montfort. Contudo, em matéria de conhecimento, qualquer pessoa estudiosa que olhe para trás verá que é normal que se vá da ignorância ao conhecimento e não o contrário. O cristão é como o vinho: vai ficando bom com o passar do tempo, se ele persevera na fé, esperança e caridade. Então, como Frei Tiago não apostatou, mas continua firme na profissão dos dogmas da religião, isso deveria sugerir ao Sr. Zucchi mais um progresso do que um retrocesso da parte de Frei Tiago.

2.º Infalibilidade vs. Assentimento: Baseado na bibliografia secreta de Padre Daniel Pinheiro, que diz ter estudado muito o assunto, o Magistério se divide em Infalível e não Infalível e desta diferença se tiram os graus de assentimento ao Magistério.

A verdade, porém, é que o Magistério Eclesiástico se divide em Ordinário e Extraordinário, ambos infalíveis dentro de certas condições.

Se o senhor Zucchi tivesse prestado atenção, ele teria ouvido o Frei Tiago se referir à Constituição Dogmática Dei Filius, na qual se ensina, ao contrário do que ensina o Professor Fedeli no artigo citado por Zucchi, que

“Deve-se, pois, crer com fé divina e católica todas as coisas que estão contidas na palavra de Deus escrita ou transmitida, e que pela Igreja, quer em declaração solene, quer pelo Magistério ordinário e universal, nos são propostas a ser cridas como reveladas por Deus”. (Denz.-Hün. 3011).

Este Magistério Ordinário e Universal, conforme ensinam de forma unânime os teólogos aprovados, encontra-se nas doutrinas sobre fé e moral ensinadas pelo Papa com os Bispos em comunhão com ele, nos ritos aprovados, nas leis universais e até mesmo na aprovação tácita que estes dão ao ensinamento dos teólogos.

Deste Magistério participam, em diferentes graus e de diferentes modos, todos os membros do Corpo Místico de Cristo. Os fiéis, por exemplo, de uma forma passiva, gozam da infalibilidade do Magistério Ordinário in credendo, isto é, pela fé no que ensina a Igreja docente.

Na exposição da doutrina, a Igreja pode ensinar, entre as verdades da fé, opiniões prováveis ou de algum modo úteis para a sua compreensão (e assim não infalíveis), ou ainda pode delegar outras pessoas para o exercício de sua autoridade sem, contudo, comunicá-las a sua infalibilidade (o que ocorre, de ordinário, com as congregações romanas).

Nestes casos, o Magistério Ordinário não é infalível, mas é sempre seguro, de modo que não cairá em erro contra a fé ou a moral aquele que seguir o ensinamento expresso, implícito ou tácito do Magistério Ordinário da Igreja docente. Como tal, ele exige dos fiéis o assentimento interno.

https://controversiacatolica.wordpress.com/wp-content/uploads/2022/01/COMPENDIO-DE-ENSINAMENTOS-DE-SANTOS-PAPAS.pdfQuem quiser saber mais sobre o tema, remeto aos tratados do Cardeal Franzelin, De Divina Traditione et Scriptura e De Ecclesia Christi, ao De Religione et Ecclesia de Cardeal Mazzela, ao De Ecclesia do Cardeal Billot ou, àqueles que quiserem uma fonte em português, o “COMPÊNDIO DE ENSINAMENTOS DE SANTOS PAPAS, SANTOS DOUTORES E TEÓLOGOS: IGREJA NÃO PODE ERRAR GRAVEMENTE E NEM OFERECER ENSINAMENTOS AMBÍGUOS” [em PDF].

Diante desses ensinamentos, qualquer pessoa com o mínimo de coerência, perceberá que, se os modernistas fossem a Igreja doente operando pelos seus órgãos quotidianos, poderia, digamos, haver alguma imprudência, alguma erro leve, que poder-se-ia discutir privadamente e comunicar às congregações romanas, mas não haveria heresias sendo ensinadas de comum acordo ente o Papa e os Bispos, Missa Nova como rito aprovado e até como a única “lex orandi” do Rito Romano, leis universais desastrosas para a Igreja, a família e os indivíduos e, com certeza, um “consenso unânime dos teólogos” que, nos bons tempos, mereceria a fogueira da Santa Inquisição. Mais: não haveria um Congresso da Montfort para criticar publicamente todas essas coisas!

3.º Comparando Laranjas com Maçãs. Por fim, como bom galicano, o Sr. Zucchi passa a descrever os “podres” dos papas do passado, atos imprudentes ou erros ocasionais, como se essas coisas, se entendidas em seu contexto, afetassem a autoridade do Magistério Eclesiástico e formassem algum paralelo com a Igreja pós-conciliar.

Eu penso que um simples apelo ao bom senso seria o bastante. Digamos, lembrar-se que há uma leve diferença entre uma chuva de verão e o dilúvio, ou entre um pequeno acidente e um suicídio. Em outras palavras, deve-se notar que uma coisa é uma lei menos prudente, e outra, uma lei imoral. Uma coisa era haver más tendências nas altas esferas e nos movimentos (o que infelizmente acontece, porque a Igreja é composta de bons e maus), e outra muito diferente é haver erros doutrinas e morais sendo pregados em plena luz do dia, para o dano do povo simples e escândalo dos mais entendidos.

Para terminar, é sempre bom lembrar que os não sedevacantistas já o são na prática. Eles não reconhecem a voz do Bom Pastor na hierarquia modernista e é por isso que eles precisam criar ou patrocinar um “Instituto do Bom Pastor”, para compensar a ausência da sã doutrina, da Missa Tridentina e da disciplina tradicional em suas paróquias e dioceses.

Os Papas e Bispos modernistas sabem disso e é por este motivo que mal podem suportá-los. Existe uma Igreja verdadeira e uma falsa, no fim, uma deve prevalecer sobre a outra. Neste meio tempo, porém, a preservação da fé católica requer a adesão ao dogma da infalibilidade da Igreja e do Papa, mas é aí – neste ponto – que os montfortinos discordam de nós, preferindo antes perder a fé do que a comunhão com os hereges.

Sedevacantismo em Três Horas – Entrevista de Diogo Rafael Moreira ao Reconquista Católica

Entrevista realizada no dia 29 de dezembro de 2021, transmitida e publicada originalmente no canal Reconquista Católica
https://www.youtube.com/watch?v=idSR-PlYhmo&t=94s

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Centro Dom Bosco comparece ao Enterro da Tradição

O Centro Dom Bosco ficou famoso por seus confrontos com a CNBB, denunciando, dentre outras coisas, a Campanha da Fraternidade Ecumênica. Mais recentemente, eles chegaram mesmo a entrar em controvérsia com o próprio Papa Francisco. Devido as recentes restrições à Missa Tradicional, dizem eles, o Santo Padre estaria promovendo o “enterro da Tradição”.

“Tradição” é um termo muito corrente no Centro Dom Bosco. Na verdade, seus membros se apresentam como um apostolado que busca a Tradição em tempos de crise na Igreja. É importante notar que aqui eles falam de Tradição em um sentido um tanto equívoco, a fim de designar por ela sua preferência pelo Magistéro pré-Concílio Vaticano II.

Não obstante o piedoso uso, quando o assunto é a autoridade do Papa e da Igreja, os ensinamentos dos antigos Pontífices não só é desprezado, mas contrariado por eles de forma herética e cismática.

Neste quesito podemos dizer com segurança e toda evidência: Se é mesmo que está havendo um enterro da Tradição, seguramente os rapazes do Centro Dom Bosco são hábeis coveiros, ansiosos para enterrar a todo custo a doutrina tradicional sobre o Papa e a Igreja.

O QUE ENSINA A TRADIÇÃO SOBRE A OBEDIÊNCIA DEVIDA AO PAPA

A Tradição nos ensina a reconhecer o poder e a autoridade do Romano Pontífice pela nossa obediência:

“Ora, nesta única Igreja de Cristo ninguém está, nem persevera, a menos que, obedecendo, reconheça e aceite a autoridade e o poder de Pedro e de seus legítimos sucessores. – Jamvero in hac una Christi Ecclesia nemo est, perseverari nemo, nisi Petri, legitimorumque eius successorum, auctoritatem potestatemque obediendo agnoscat atque accipiat.” (Papa Pio XI, Mortalium Animos).

Eis mais alguns exemplos do que ensina a “Tradição” (isto é, o Magistério dos Papas anteriores ao Vaticano II) sobre a questão da obediência:

PAPA PIO IX, Bula Quanta Cura (ex cathedra):

“Nem podemos passar em silêncio a audácia de quem, não podendo tolerar os princípios da sã doutrina, pretendem ‘que aos juízos e decretos da Sé Apostólica, que têm por objeto o bem geral da Igreja, e seus direitos e sua disciplina, enquanto não toquem os dogmas da fé e dos costumes, se pode negar assentimento e obediência, sem pecado e sem nenhuma violação da fé católica’. Esta pretensão é tão contrária ao dogma católico do pleno poder divinamente dado pelo próprio Cristo Nosso Senhor ao Romano Pontífice para apascentar, reger e governar a Igreja, que não há quem não o veja e entenda clara e abertamente. Em meio desta tão grande perversidade de opiniões depravadas, Nós, com plena consciência de Nossa missão apostólica, e com grande solicitude pela religião, pela sã doutrina e pela saúde das almas a Nos divinamente confiadas, assim como até pelo próprio bem da sociedade humana, temos julgado necessário levantar de novo Nossa voz apostólica. Portanto, todas e cada uma das perversas opiniões e doutrinas determinadamente especificadas nesta Carta, com Nossa autoridade apostólica as reprovamos, proscrevemos e condenamos; e queremos e mandamos que todas elas sejam tidas pelos filhos da Igreja como reprovadas, proscritas e condenadas.” (Papa Pio IX, Quanta Cura, 8 dez 1864)

PAPA LEÃO XIII, Encíclica Sapientiae Christianae:

“Quanto à determinação dos limites da obediência, não imagine alguém que basta obedecer à autoridade dos pastores de almas e, sobre todos, do pontífice romano, nas matérias de dogma, cuja rejeição pertinaz traz consigo o pecado de heresia. Nem basta ainda dar sincero e firme assentimento àquelas doutrinas que, apesar de não definidas ainda com solene julgamento da Igreja, são todavia propostas à nossa fé pelo magistério ordinário e universal da mesma como divinamente reveladas e, as quais, por decreto do concílio Vaticano I devem ser cridas com fé católica e divina. É necessário também que os cristãos contem entre os seus deveres o de se deixarem reger e governar pela autoridade e direção dos bispos e principalmente da Sé Apostólica. Bem fácil é de ver o razoável dessa sujeição. Efetivamente das coisas contidas nos divinos oráculos, umas referem-se a Deus e outras ao mesmo homem e aos meios necessários para chegar à eterna salvação. Pois bem, nestas duas ordens de coisas, isto é, quanto ao que se deve crer e ao que se deve fazer, compete por Direito Divino à Igreja e, na Igreja, ao Romano Pontífice determiná-lo. E eis a razão do porque o Romano Pontífice deve ter autoridade para julgar que coisas contenha a palavra de Deus, que doutrinas concordem com ela e quais dela desdigam; e, do mesmo modo, determinar o que é bem e o que é mal; o que se deve fazer e o que se deve evitar para conseguir a salvação eterna. Se isso não se pudesse fazer, o Papa não seria intérprete infalível da vontade de Deus, nem o guia seguro da vida do homem.” (Leão XIII, Sapientiae Christianae, n. 35, 10 jan 1890; em Documentos de Leão XIII. Tradução de Honório Dalbosco e e Lourenço Costa. São Paulo: Paulus, 2005, pp. 396-397)

PAPA SÃO PIO X, Encíclica Vehementer Nos:

“A Igreja é uma sociedade, por essência, desigual; isto é, uma sociedade que compreende duas categorias de pessoas: os pastores e o rebanho; os que ocupam uma posição nos diferentes níveis da hierarquia e a multidão dos fiéis. E estas categorias são de tal modo distintas entre si que apenas no corpo pastoral reside o direito e a autoridade necessários para promover e dirigir todos os membros rumo ao fim da sociedade. Quanto à multidão, não tem outro dever a não ser se deixar conduzir e, rebanho dócil, seguir seus pastores.” (São Pio X, Vehementer Nos, 11 fev. 1906; em Documentos Pontifícios: nº 88. Petrópolis: Vozes, 1957)

BENTO XV, Encíclica Ad Beatissimi Apostolorum:

Então, em qualquer momento em que a legítima autoridade enuncie algum mandato, a ninguém seja lícito transgredi-lo, por não lhe agradar; mas cada qual submeta a própria opinião à autoridade daquele a qual está sujeito, e a ele obedeça por mérito de consciência. Assim também ninguém, privadamente, ao publicar livros ou jornais, ou que fizer discursos públicos, comporte-se na Igreja como mestre. Todos sabem a quem foi confiado por Deus o Magistério da Igreja; a ele, portanto, se deixe livre o campo, a fim de que fale como e quando creia oportuno. É dever dos outros prestar a ele, quando fala, obséquio devoto, e obedecer à sua palavra.” (Bento XV, Ad Beatissimi, 1 nov 1914; em Documentos de Pio X e Bento XV. Tradução de Darci L. Marin. São Paulo: Paulus, 2002, pp. 308-309)

TRÊS ALTERNATIVAS INEVITÁVEIS:

1.ª ENTERRAR A TRADIÇÃO (MODO 1)
FRANCISCO É PAPA, mas não somos obrigados a dar assentimento às decisões da Sé Apostólica, salvo no que for de fé e moral. HERESIA.

2.ª ENTERRAR A TRADIÇÃO (MODO 2)
FRANCISCO É PAPA e devemos dar nosso assentimento e sustentar com ele coisas como: comunhão para recasados (AAS CVIII n. 10), uma fraternidade universal pluralista, sem Cristo Rei (Fratelli Tutti), a exclusividade da Missa de Lutero (Traditionis Custodes) etc. HERESIA.

3.ª DEFENDER A TRADIÇÃO
FRANCISCO NÃO É PAPA, porque, se ele fosse um, os que o reconhecem não viveriam neste dilema diabólico: ou reconhecê-lo desobedecendo (cisma que termina em heresia), ou obedecê-lo descrendo (heresia que termina em cisma).

COMO É POSSÍVEL QUE FRANCISCO NÃO SEJA PAPA?

SÃO ROBERTO BELARMINO RESPONDE:

“É manifesto que o papa herege cessa por si de ser papa e cabeça, assim como por si cessa de ser cristão e membro do corpo da Igreja, razão pela qual a Igreja pode julgá-lo e puni-lo. ESTA É A SENTENÇA DE TODOS OS ANTIGOS PADRES, que ensinam que os hereges manifestos perdem imediatamente toda jurisdição” (Sobre o Sumo Pontífice II, 30).

Se nós, como diz o CDB, não temos autoridade, imagine um Papa Herético! O tal carece de toda a autoridade, eis o que nos ensina a Tradição!

Anti-Sedevacantismo na Era de Bergoglio com Padre Anthony Cekada

PRESO NO ATOLEIRO

ANTI-SEDEVACANTISMO NA ERA DE BERGOGLIO

Católicos tradicionalistas concordam que as reformas do Vaticano II, que começaram nos anos 60, foram um desastre para a fé, disciplina e culto católico. Contudo, nos últimos cinquenta anos, tem havido uma contínua disputa nas fileiras tradicionalistas: como podemos reconciliar os óbvios erros e males das reformas, impostas como foram de cima para baixo, com o dever dos católicos de submeter-se à autoridade do Romano Pontífice?

A ala Reconhecer e Resistir ou R&R do Movimento Tradicionalista representa uma escola de pensamento. Ela consiste na Fraternidade São Pio X, nos seguidores do Bispo Richard Williamson e em muitos devotos de publicações como Remnant e Catholic Family News. Seus aderentes insistem que se deve reconhecer os papas pós-conciliares como verdadeiros papas, mas, não obstante, resistir-lhes, rejeitando suas leis, ordens e ensinamentos.

Outros, como eu, aderem ao sedevacantismo. Uma palavra originária de sede vacante, a expressão em Direito Canônico para a vacância da Santa Sé. Sustentamos que os papas pós-conciliares não podem ser considerados verdadeiros papas, por causa de sua heresia pública. Por conta disso, apesar de suas batinas brancas, esses homens não poderiam ter nenhuma autoridade vinda de Cristo. Logo, seus ensinamentos, leis e ordens nem obrigam aos verdadeiros católicos, nem comprometem a infalibilidade e indefectibilidade da Igreja de Cristo.

O sedevacantismo está fundamentalmente alicerçado em uma verdade teológica básica, que ninguém disputa: para ser um membro da Igreja, alguém deve (1) ser batizado e (2) professar a fé católica. A heresia pública destrói a última condição. Você perde automaticamente a qualidade de membro da Igreja e, com ela, se você for clérigo, seu ofício ou autoridade.

A eleição de Jorge Mario Bergoglio, pelo conclave de março de 2013, marcou uma reviravolta nesta disputa. Devido a torrente aparentemente interminável de declarações públicas ultrajantes, que Francisco tem feito desde então: “Quem sou eu para julgar?”, “Segurança doutrinal não é possível”, “Não há um Deus católico”, “Proselitismo é nonsense” e assim por diante. Muitos tradicionalistas finalmente abraçam o sedevacantismo e muitos mais se encontram considerando fazer o mesmo.

Mas não pára por aí. A controvérsia que Bergoglio e o Sínodo dos Bispos de outubro de 2014 provocou, sobre a questão dos sacramentos aos divorciados e recasados, tem até levado a discussões na grande mídia religiosa e secular, coisas como sedevacantismo, heresia e o prospecto de um papa herético. Uma possibilidade que teria sido inconcebível, mesmo cinco anos atrás.

Este crescente apelo do sedevacantismo na era de Bergoglio causou considerável mal-estar no campo R&R. Como se vê pelo número de críticas anti-sedevacantistas que seus seguidores produziram desde 2013. Os argumentos contra o sedevacantismo, que seus autores propuseram, são essencialmente os mesmos que ouvimos, pela primeira vez, nos anos 80. Mas desde então, a situação mudou.

Primeiro, escritores sedevacantistas, como eu, mostraram que os teólogos católicos eventualmente rejeitaram as teorias por trás desses velhos argumentos. Segundo, nós, sedevacantistas, agora baseamos nossa posição em um princípio teológico, que os velhos argumentos R&R simplesmente não tratam, a saber, que porque ele era um herege público, Bergoglio não foi eleito validamente. Logo, ele não tinha nenhum papado a perder.

Em outras palavras, os anti-sedevacantistas na era de Bergoglio estão presos em um atoleiro: discutindo os teólogos e o problema errado. Esses dois pontos são o tópico deste vídeo.

Atoleiro Número 1:
Os Teólogos Errados

Há mais de uma década ou algo assim, um bom número de advogados civis do campo R&R (Christopher Ferrara, John Salza, Brian McCall e Robert Sicoe) têm apresentado uma grande quantia de artigos atacando o sedevacantismo.

Esses cavalheiros argumentam que um papa herético deve, primeiro, ser submetido a um elaborado processo judicial e então declarado deposto pelos cardeais ou por um concílio da Igreja, antes que alguém possa dizer que ele realmente não é o papa.

Dada a preferência burocrática e altamente lucrativa dos sistemas jurídicos civis pela vaga noção de protocolo processual, acima das noções de bom senso e substância, pode-se facilmente entender por que este cenário fascina os advogados civis. Ou, talvez, esses advogados tributaristas e criminalistas, normalmente vestidos em ternos cinzentos, secretamente imaginam a si mesmos trajados com a colorida indumentária dos funcionários legais do Vaticano, eloquentemente defendendo o Santo Padre perante um juri carregado de perversos sedevacantistas.

Seja como for, como base para os seus argumentos exigindo o julgamento papal, esses escritores geralmente citam os teólogos do século XVI, Francisco Suárez S.J. e Tomás Caetano O.P.; o jesuíta do século XVII, Paul Laymann ou, especialmente, em tempos recentes, o dominicano do século XVII, João de São Tomás. Certamente, nomes impressionantes da teologia católica. Os escudeiros, como parte de suas táticas de corte, não perdem uma oportunidade de exaltar as qualificações das testemunhas especializadas que eles têm invocado em seu favor. Suárez como doctor eximius et pius, Caetano como o conselheiro de confiança do Papa Clemente VII e João de São Tomás como um dos maiores tomistas que a Igreja já produziu.

Mas qualquer que tenha sido a estima que estes teólogos desfrutaram por suas outras opiniões, a preparação teológica desde o século XVII definitivamente deixou o seu ensinamento sobre a questão de um papa herético ali mesmo onde estava.

A. Uma Opinião Abandonada

A figura principal da teologia católica que abandonou a posição de Suárez e companhia foi Roberto Belarmino. Uma vez que a Igreja o declarou tanto um santo quanto um doutor da Igreja, não se requer tantos elogios da minha parte.

Em seu grande tratado, De Romano Pontifice, publicado em 1610, Belarmino examinou cinco diferentes opiniões teológicas sobre a questão de um papa herético e rejeitou o primeiro cenário de “pôr o papa no tribunal”, que os controversistas R&R citam invariavelmente. Em vez disso, Belarmino concluiu que um papa, que fosse um herege manifesto, automaticamente cessa de ser papa e cabeça, assim como ele cessa automaticamente de ser um cristão e um membro da Igreja. A propósito, antes de chegar a essa conclusão, Belarmino devotou quatro páginas e meia na demolição da opinião de Caetano, tão amado pela junta de advogados R&R. Agora você pode ler os argumentos de Belarmino por si mesmo, na nova tradução ao inglês de De Romano Pontifice pela Mediatrix Press. [Em português, temos a nova edição da Editora CDB].

Pelo século XX, todos os teólogos e canonistas católicos, que trataram da questão de um papa herético, seguiram o ensinamento de Belarmino e adotaram unanimemente sua posição de que nenhum julgamento é requerido. Um papa que tivesse sido eleito validamente e mais tarde caísse em heresia pública perderia o seu ofício automaticamente. Assim é a posição das grandes autoridades do século XX, tais como Coronata (1950), Beste (1946), Vermeersch (1949), Regatillo (1956) e outros. Eu citei seus ensinamentos extensamente em outro lugar (no opúsculo Tradicionalistas, Infalibilidade e o Papa), logo não será necessário fazê-lo aqui novamente. Contudo, o volumoso comentário ao código [de direito canônico] de Wernz-Vidal (1943) nos fornecerá um exemplar típico deste ensinamento. Ele diz que um papa herético perde seu poder ipso facto e também antes de qualquer sentença declaratória da Igreja.

O ensinamento de Belarmino foi inclusive confirmado no Concílio Vaticano I. Um dos bispos presentes, o Arcebispo John Purcell, posteriormente informou que a questão sobre o papa herético foi pedida durante o próprio Concílio e então foi respondida pela Comissão Teológica do Concílio. “Foi respondido que”, disse o Arcebispo Purcell, “a partir do momento que ele se torna um herege, ele não é a cabeça ou mesmo um membro da Igreja… quando ele começa a ensinar uma doutrina que a Igreja sabe ser uma falsa doutrina… ele cessaria de ser papa, sendo deposto pelo próprio Deus… Se ele nega qualquer dogma da Igreja sustentado por todo verdadeiro fiel, ele já não seria mais papa do que eu e você.” (in Rev. J. McGovern, Life and Life Work of Pope Leo XIII. Chicago: Allied Printing, 1903, 241). Isto, aliás, derruba a acusação falsa e frequentemente repetida de que o argumento sedevacantista solapa o Vaticano I.

A resposta dada a questão pelo Concílio é idêntica ao princípio sobre o qual repousa a tese sedevacantista. Finalmente, devemos notar que o argumento inteiro de Belarmino, assim como sua refutação sistemática de Caetano e companhia, tudo repousa no simples princípio que enunciamos no começo deste vídeo: a fé é um requisito para ser um membro da Igreja e a heresia, a negação ou dúvida de um artigo da fé, coloca-o para fora da Igreja.

B. Suplantada por uma Bula Papal

A posição de Suárez, Caetano e João de São Tomás não foi somente abandonada em teoria, mas também suplantada como uma matéria prática em Direito Canônico. Isso ocorreu, em 1559, quando o Papa Paulo IV promulgou a Bula Cum Ex Apostolatus Officio. O Pontífice decretou que se alguém eleito papa tivesse caído da fé católica, ele seria privado de qualquer autoridade ou poder, por esse mesmo fato, sem a necessidade de fazer qualquer declaração posterior.

Frente a uma linguagem como essa, como se pode possivelmente argumentar que as opiniões dos teólogos que pensaram o contrário ainda possuem alguma força? Qual parte do “sem a necessidade de qualquer declaração posterior”, você não entendeu?

C. Entendendo Erroneamente o Termo “Declaração”

Aqueles ainda presos no atoleiro de pôr o papa no tribunal, citam teólogos mais recentes que, enquanto aceitando o ensinamento de Belarmino de que um papa herético automaticamente perde sua autoridade, no entanto, aludem a alguma espécie de declaração da parte do Colégio de Cardeais ou dos Bispos. Eis, por exemplo, o comentário de Wernz-Vidal: “Não se exclui uma sentença declaratória, na medida que ela é meramente declaratória.” (Jus Canonicum. Roma: Gregoriana, 1943, 2: 453). Uma contradição, talvez? Ou uma ambiguidade que de algum modo apoie a teoria R&R do sem tribunal, sem perda de ofício, nem sequer pense em vacância? De modo algum!

Se nossos amigos advogados de plantão tivessem tido ao menos um curso básico em direito canônico, eles poderiam dar-se conta que o termo “declaração” neste contexto meramente reflete um princípio geral expresso no cânon 151, sobre apontamento a um ofício da Igreja: se um clérigo opera ilegitimamente um ofício a que ele não tem direito (um clérigo, digamos, cuja instalação como bispo da diocese foi imposta à força pelo poder civil), o prelado ou eleitores que têm o poder canônico para conferir o ofício podem, validamente, apontar uma outra pessoa, somente se a possessão ilegal do ocupante deste ofício for declarada como ilegítima. Comentários sobre o cânon, como aquele de Moroto, enfatizam que tal declaração é necessária para dar ao título seu próprio efeito legal e que, sem ela, um apontamento é nulo. Assim também o propósito de uma declaração pelo Colégio de Cardeais, a qual alguns autores aludiram, não era para remover ou depor um papa herético, mas, antes, era um requerimento processual estabelecido para limpar o caminho legalmente para a eleição de um novo, para todo mundo saber que o novo sujeito, e não o antigo, é agora o papa. De outro modo, poderia haver confusão. O herege poderia ainda continuar tentando se apresentar como papa, ele poderia fazer barricada dentro do Palácio Apostólico, tentar canonizar santos ou apontar outros bispos heréticos, ou em uma situação talvez não antecipada nem pelo doctor eximius et pius, andar em um papamóvel roubado. A declaração pelos cardeais neste contexto é análoga a um certidão de óbito na lei civil. Seu tio rico, Steve, o guru tech, pode de fato estar realmente morto. Não há pulso quando se verifica por debaixo de sua gola alta. Mas para limpar o caminho para que você ganhe a propriedade legal indisputada ao que ele antes possuía, a lei civil requer que você primeiramente obtenha um atestado de óbito, assinado por um médico ou outro oficial. Isso estabelecerá sua morte legalmente e lhe dará pleno título às suas ações na Apple, que você pode então vender para erigir um monumento de bom gosto.

D. Quem são ELES para julgar?

Ainda que a tese de pôr primeiro o papa no tribunal fosse um ensinamento teológico aceitável, seus proponentes do século XVI e XVII presumiam que, enquanto o papa tivesse publicamente caído da fé, todos os cardeais e bispos ainda aderem a ela. Mas, na era pós-Vaticano II, todos os pretensos cardeais e bispos residentes professam o mesmo conjunto fundamental de heresias modernistas que os pretensos papas. Sim, mesmo o conservador e favorito do povo do Indulto, o esplendidamente trajado Raymond Cardeal Burke. Todos eles aderem aos ensinamentos do Vaticano II, aos ensinamentos de Paulo VI e seus sucessores, aos conteúdos do Catecismo de João Paulo II e aos decretos doutrinais do Vaticano modernista.

Então, a FSSPX, o Remnant e Catholic Family News estão de fato nos instando a abraçar um absurdo prático. Devemos esperar que cardeais heréticos declarem que um papa seja herético e, portanto, não um verdadeiro papa, muito embora ele professe as mesmas heresias que eles. Deveríamos, talvez, esperar ouvi-lo do Conselho dos Oito de Francisco, antes que possamos dizer que ele é um herege? Diria Cardeal Kasper que a acusação estava “divorciada” da realidade? Emitiria Cardeal Madriaga uma nota de cautela? Diria o Cardeal Schönborn de Viena que a matéria se espalhou feito balões sem controle? Alertaria o Cardeal Mahony, aos seus colegas cardeais, a não beberem o suco de pacote que estão oferecendo os sedevacantistas? Insistiria o Cardeal Tagle de Manila ou o Cardeal Solorzano de Managua em uma abordagem mais casual? Opinaria o Cardeal Dolan de Nova York que os cardeais não deveriam deixar esse nonsense subisse às suas cabeças?

Contudo, Robert Sicoe diz que ele crê que nós precisaríamos de um Concílio Geral, representando todos os bispos da Igreja pós-Vaticano II, eles são aqueles, ele insiste, que deveriam publicar uma sentença declaratória do crime e informar aos fiéis que o papa herético deve ser evitado. Estou certo que sua proposta provocaria uma onda de entusiasmo da parte dos bispos.

Um advogado amigo meu, e eu tenho muitos, uma vez me falou sobre o que ele e seus colegas chamam o teste da cara vermelha, você sabe que seu argumento jurídico não é convincente, quando você tenta fazê-lo em voz alta e seu rosto fica vermelho. Este é exatamente o problema aqui: o argumento que os distintos advogados Ferrara, Salza, McCall e Ciscoe e de fato muitos outros fazem não passa pelo teste da cara vermelha. Isso é porque ele não passa pelo teste da veste vermelha, os cardeais e bispos, que eles insistem que devem sentar e julgar um papa pós-Vaticano II, estão justamente tão montados no erro quanto o acusado. Quando o assunto é heresia, quem são eles para julgar?

Eis o primeiro atoleiro do campo R&R. Eles reiteram de maneira interminável um princípio geral falho, uma opinião teológica abandonada, e esperam que ignoremos a pura idiotice que resultaria da tentativa de aplicá-la na prática.

Atoleiro Número 2:
O Problema Errado

Por tal entendemos que, em suas tentativas de refutar o sedevacantismo, os partidários da posição R&R estão agora direcionando o seu tiro para o lugar errado, eles não foram capazes de focar no fato de que o princípio teológico fundamental por trás do argumento sedevacantista agora mudou. Essa mudança começou nos anos 90, enquanto pesquisando sobre a questão da perda de ofício por um papa herético, descobrimos ainda outro giro teológico. Não somente um papa herético automaticamente cessa de ser papa, mas também um herege público não poderia sequer tornar-se papa em primeiro lugar. Isso, e não perda de ofício, é o princípio que os sedevacantistas agora apelam ao discutir o estado de Bergoglio. Como um herege público, ele era incapaz de tornar-se validamente eleito um verdadeiro papa: ele não tem qualquer ofício ou autoridade a perder.

As heresias que Francisco tem vertido desde sua eleição, não apareceu de repente depois que ele vestiu a batina branca em 13 de março de 2013, em vez disso, sua heresia era uma condição pré-existente. Basta olhar para as declarações de Bergoglio sobre verdade religiosa, lei moral objetiva, proselitismo, os judeus etc. em seu livro, Sobre o Céu e a Terra, escrito com o rabino Abraham Skorka, quando ele era Arcebispo de Buenos Aires. Mas isto, lembre-se, eram apenas acréscimos apimentados ao mesmo conjunto fundamental de heresias (ecumenismo, liberdade religiosa, Igreja-Frankenstein) que ele já compartilhava com o restante dos cardeais no conclave. Logo, quem quer que tivesse sido eleito no conclave, teria sido tão papa quanto Francisco, ou seja: papa nenhum.

A. Um Herege Não Pode Tornar-se Papa

O primeiro ponto e mais importante de se lembrar é que esta proibição é uma matéria de lei divina, da lei de Deus, não apenas de lei canônica. Numerosos comentários pré-Vaticano II, do século XX sobre o código de direito canônico fazem exatamente este ponto ao tratar das qualificações requeridas a alguém eleito ao ofício papal. Wernz-Vidal: “Aqueles capazes de ser validamente eleitos são todos os não proibidos por lei divina ou por uma lei eclesiástica invalidante… Aqueles que são impedidos como incapazes de ser validamente eleitos são todas as mulheres, crianças que não atingiram o uso da razão; também aqueles afligidos com insanidade habitual, não batizados, hereges, cismáticos…” (Jus Canonicum 1:415). Coronata: “IIII. Apontamento ao Ofício do Primado. 1. O que é requerido pela lei divina para este apontamento:… Também é requerido para validade que o apontamento seja de um membro da Igreja. Hereges e apóstatas (ao menos os públicos) estão, portanto, excluídos.” (Institutiones 1:312). Badius: “c) A lei agora em vigor para a eleição do Romano Pontífice se reduz a esses pontos… Impedidos como incapazes de ser validamente eleitos são todas as mulheres, crianças que não atingiram a idade da razão; também aqueles afligidos com insanidade habitual, não batizados, hereges e cismáticos…” (Institutiones, 160). Cocchi: “Para validade da eleição no que toca à pessoa eleita, basta somente que ela não seja impedida ao ofício por lei divina – isto é, qualquer homem cristão, mesmo um leigo. Portanto, os seguintes estão excluídos: mulheres, aqueles que não têm o uso da razão, infiéis e, ao menos, aqueles que não são católicos públicos.” (Commentarium in C. J. C., 2: 151). Sipos: “Qualquer homem que tenha o uso da razão e que seja um membro da Igreja pode ser eleito. Portanto, os seguintes são eleitos invalidamente: mulheres, crianças, aqueles sofrendo de insanidade, não batizados, hereges e cismáticos.” (Enchiridion I. C., 153).

A linguagem destes canonistas não poderia ser mais clara ou direta: um herege público não pode se tornar um verdadeiro papa. A própria lei de Deus o proíbe. Isso então, e não perda de ofício, é agora a base para o argumento sedevacantista.

B. O PECADO de Heresia.

Quando confrontados com princípios teológicos estabelecidos como estes sobre os efeitos da heresia pública em um papa, os controversistas R&R, a começar por Michael Davies nos anos 80, buscaram retratar o estado do herege como praticamente impossível de atingir. Isso eles fizeram pela confusão de duas coisas: o crime canônico de heresia, isto é, a heresia como uma ofensa criminosa ao direito canônico e o pecado de heresia, a heresia como um pecado grave contra a lei divina.

Para entender a distinção, considere o aborto. O ato tem um aspecto duplo: primeiro, como um pecado contra a lei divina, tu não matarás, que traz consigo a perda da graça santificante; e segundo, como um crime canônico contra a lei da Igreja, cânon 2350, que traz consigo certas penas canônicas. Uma pessoa que comete o pecado de aborto pode não necessariamente preencher todas as condições legais adicionais que devem estar presentes para incorrer no crime canônico de aborto. Essas condições adicionais são estabelecidas do cânon 2199 ao 2211, sobre a imputabilidade de um crime. Se você não atende a um dos critérios, você pode realmente escapar das punições legais, excomunhão neste caso, mas ainda ser culpado do pecado de aborto.

Na matéria em questão, nossa analogia deveria ser clara: uma vez que os autores que citamos na secção anterior, disseram que a lei divina impede o herege de tornar-se papa, eles se referem ao pecado de heresia, logo a junta de advogados R&R já não pode argumentar que todos os diversos requisitos técnicos legais pertinentes ao crime canônico de heresia devem ser observados primeiro. Se atender a todos os critérios canônicos fosse um requerimento, esteja certo que Wernz-Vidal, Coronata, Badius, Cocchi e Sipos nos teriam dito isso explicitamente. Em vez disso, eles simplesmente disseram lei divina e herege. Logo, é o pecado público de heresia que impede a Bergoglio e seus pares de se tornarem verdadeiros papas.

C. O Companheiro Ortodoxo

Seja como for, será útil discutir uma obsessão especial do campo R&R, que surge da confusão entre heresia como pecado e heresia como crime canônico. O suposto requerimento do que eu chamo “O Companheiro Ortodoxo”. Assim como você não pode jogar tênis sem um tenista companheiro, assim também, eles parecem crer, que você não pode se tornar um herege público sem um companheiro ortodoxo. Se você lança uma proposição herética, um companheiro ortodoxo a rebate alertando-lhe que isso é herético e “por favor, retrate-se”. Somente depois do terceiro retorno, você se torna pertinaz, perde a partida e se torna um verdadeiro herege. Na polêmica R&R, esse falso princípio se manifesta como uma sopa, como a servida nesta passagem. Aqui os ingredientes incluem: uma asserção gratuita sobre a lei divina (a Epístola a Tito 3, 10 de fato estabelece três admoestações como uma condição sine qua non para a heresia existir), segundo, uma falsa analogia (combinando renúncia tácita do ofício com degradação penal canônica) e, terceiro, pura astúcia (“A”, que em uma sentença é um meio de estabelecer a pertinácia, torna-se, na próxima, um meio necessário). Mas a porção favorita aqui está sublinhada em azul: “A presença da pertinácia”, assegura-nos o Sr. Siscoe, deve ser confirmada. Ela não é presumida.

Contudo, de fato, mesmo para o crime eclesiástico de heresia, a presunção legal está contra você. Sem qualquer conversa sobre a questão da necessidade de admoestação de antemão da parte de seu companheiro ortodoxo, “A própria incorrência em qualquer ato que signifique heresia…”, diz MacKenzie (1942), “dá suficiente fundamento para a presunção jurídica de depravação herética.” Mas, seja como for, procedimentos técnicos processuais, tais como admoestações, pertenceriam unicamente ao crime eclesiástico de heresia, uma ofensa contra a lei canônica. “Essas não são condições necessárias”, diz o canonista Michel, “para cometer o pecado de heresia, uma ofensa contra a lei divina”, que é o que nos interessa aqui.

Deixando de lado erros e princípios, quem será que o Sr. Sicoe et al. pensam que deve funcionar como o companheiro ortodoxo oficial para os hereges modernistas? Quem sabe um outro trabalho para os bispos do Vaticano II? Ou, se o companheiro ortodoxo apenas se aponta a si mesmo, como é que você sabe que ele é tão ortodoxo assim? Ele tem um companheiro, ele mesmo, para vigiá-lo? A quem ele comunica a sua terceira rebatida fatal?

Se aplicamos a regra do companheiro ortodoxo a Jorge Bergoglio, quando ele era o Arcebispo-passageiro de ônibus de Buenos Aires, isto funcionaria como algo assim: Bergoglio pronuncia publicamente declarações heréticas, o companheiro ortodoxo faz a admoestação número 1, recusa número 1, admoestação número 2, recusa número 2, admoestação número 3, recusa número 3, somente aí vem “Poof! Pertinácia! Heresia! Perda da sua Sé!”.

Uma vez mais, como a insistência de nossa junta de advogados R&R de que necessitamos de um Concílio Geral para nos dizer que um papa pós-conciliar é um herege e não um verdadeiro papa, o argumento de que para cada herege deve haver um companheiro ortodoxo não passa pelo teste da cara vermelha ou pelo teste da veste vermelha. Quando você imagina como isso funcionaria na prática e quem se esperaria que o implementasse, o argumento se evapora no absurdo.

D. Heresia Formal ou Material: O Mesmo Efeito

Quando se confrontam com o argumento sedevacantista, a última linha de defesa dos R&R tem sido costumeiramente a distinção entre um herege público material e um herege público formal. Um herege público material é alguém que externamente nega uma verdade de fé divina e católica por ignorância e inocentemente. Enquanto um herege público formal é alguém que o faz voluntária e culposamente. Somente um herege formal, segue o argumento, verdadeiramente se coloca fora da Igreja. Um herege material, argumenta o Sr. Ferrara, não. Não pode se provar que os papas pós-conciliares sejam hereges formais, ou porque ninguém os admoestou pelas heresias (não houve companheiros ortodoxos), ou porque, como liberais, sua mente não pode conceber a verdade objetiva (esse é o mentevacantismo ou teoria da mente vazia do Bispo Williamson). Mas um argumento baseado nesta distinção, como o primeiro cenário do ponha-o-papa-no-tribunal, já não é sustentável teologicamente. Ele foi derrubado no século XX pela Encíclica Mystici Corporis (1943) de Pio XII.

O teólogo Van Noort explica: “O mesmo pontífice explicitamente assinalou que, diferentemente de outros pecados, heresia, cisma e apostasia automaticamente separam um homem da Igreja. ‘Pois nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a heresia e a apostasia.'” (Dogmatic Theology II: Christ’s Church, 5th. Ed. Westminster MD: 1959, 153).

Note exatamente o que Pio XII ensina: o pecado de heresia automaticamente separa alguém do corpo da Igreja. Baseado nesta passagem da Mystici Corporis, Van Noort prossegue explicando o porquê é insustentável afirmar que um hereges públicos materiais, não obstante isso, mantenham-se membros da Igreja. “Se hereges materiais públicos permanecessem membros da Igreja, a visibilidade e a unidade da Igreja de Cristo pereceria. Se esses hereges puramente materiais fossem considerados membros da Igreja Católica, no sentido estrito da palavra, como alguém poderia localizar a Igreja Católica? Como a Igreja seria um corpo? Como ela professaria uma só fé? Onde estaria sua visibilidade? Onde sua unidade?” (Ibid.).

De fato, esse é o dilema que enfrentam os católicos tradicionais: se você insiste que os papas pós-conciliares, com toda sua miríade de heresias, erros, gestos públicos escandalosos e leis destruidoras da fé fossem ainda membros da Igreja, antes de sua eleição e depois dela, você destrói a visibilidade da Igreja como coluna da verdade. Então, a última saída de emergência R&R, a afirmação de que os papas pós-conciliares eram meramente hereges materiais e, portanto, ainda membros da Igreja e também, portanto, verdadeiros papas foi abatida no século XX por Pio XII.

Além disso, como mencionei no capítulo 2 de Obra de Mãos Humanas, Mystici Corporis foi um de vários documentos que Pio XII publicou para censurar erros sendo espalhados pela ala modernista do Movimento Litúrgico europeu, cujos aderentes e apoiadores, vinte anos mais tarde, procederiam em nos dar os horrores do Vaticano II e da Missa Nova.

Uma vez que Pio XII estabelece um princípio que nos permite explicar como os homens que perpetraram esses horrores não poderiam ser nem verdadeiros papas, nem sequer católicos, é impossível não crer que o pontífice promulgou a Mystici Corporis naquele tempo, graças a uma especial disposição da Providência de Deus. Para aqueles de nós que, mais de setenta anos depois, ainda estão buscando entender o que se passou com a Igreja, ela chegou no tempo certo, no próprio tempo de Deus.

E. As Objeções “Papa por Padrão”

Derrotado por um princípio teológico irrefragável que aponta para uma conclusão lógica, o campo R&R irá, sem dúvida, recair novamente em várias objeções do “papa por padrão”, implicando que eles podem, de algum modo, transformar um herege em um verdadeiro papa por padrão. A Igreja deve ter um papa, e qual, senão ele, está lá? Eis algumas objeções comuns com minhas respostas baseadas no ensinamento de vários teólogos pré-Vaticano II:

  1. O Vaticano I ensinou que haveria “perpétuos sucessores” no Primado.

Resposta: “Perpétuos sucessores” significa que o ofício do Primado é perpétuo, não estava limitado somente a São Pedro. Mas é “um poder que permanecerá perpetuamente até o fim do mundo.” (Salaverri, de Ecclesia 1:385).

  1. Uma longa vacância mudaria a natureza da Igreja

Resposta: A natureza monárquica da Igreja “não impede que a Igreja, por um curto tempo depois da morte de um papa, ou mesmo por muitos anos, de permanecer privada de sua cabeça. Sua constituição monárquica também permanece intacta neste estado… A perene presença física da pessoa da cabeça, porém, não é tão estritamente necessária.” (Dorsch, de Ecclesia 2:196-7).

  1. Como então poderíamos ter um verdadeiro papa algum dia?

Resposta: As várias teorias são: Intervenção direta de Deus; a tese material/formal; um Concílio Geral imperfeito (esta última ensinada pelo teólogo Caetano, de Comparatione 13, 742, 745). Ou, talvez estamos vivendo no fim dos tempos.

  1. O sedevacantismo destrói a visibilidade da Igreja.

Resposta: Não há nada que impeça a Igreja de ser reduzida a um pequeno número. “Quando vier o Filho do homem, julgais vós que achará ele alguma fé na terra?” (Lucas 18, 8). Além disso, o próprio propósito da visibilidade – a Igreja como a “coluna da verdade para as nações” – é frustrada pelas heresias do corpo pós-Vaticano II.

  1. A aceitação universal dos papas pós-conciliares confirma que eles são verdadeiros papas.

Resposta: Argumento Circular: Hereges, que estão fora da Igreja, confirmam como cabeça da Igreja um a um outro herege que está fora da Igreja. Legal, se você conseguir lidar com isso. Além disso, os sedevacantistas rejeitam os papas pós-Vaticano II. Somos insignificantes? Logo, a aceitação é claramente não universal.

  1. É impossível que tantos católicos pudessem estar errados e somente os sedevacantistas, certos.

Resposta: “Não parece haver razão para que uma falsa Igreja não possa se tornar universal, mesmo mais universal do que a verdadeira, ao menos por um tempo.” (Berry, Church of Christ, 155).

Olhe com atenção cada uma das objeções novamente. Nenhuma delas sequer tocam, ainda menos derrotam, o princípio por debaixo da tese sedevacantista de que um herege público que carece da fé de Pedro não pode, pela lei divina, obter a autoridade de Pedro. Essas objeções nem mesmo remotamente respondem ao argumento que fizemos neste vídeo. Insistir que elas fazem é o mesmo que assobiar passando pelo cemitério.

Pensamentos Finais

Ao fazer este vídeo, nosso propósito foi examinar os argumentos contra o sedevacantismo, feito por grupos como a Fraternidade São Pio X, os seguidores do Bispo Williamson, The Remnant e Catholic Family News. Não tivemos a intenção de apresentar todo o caso sedevacantista. Então não fornecemos exemplos específicos das heresias que Francisco e seus predecessores professaram publicamente. Para isso, referimos os espectadores aos muitos artigos publicados ao longo dos anos em traditionalmass.org, fathercekada.com, mostholytrinityseminary.org e aos áudios mp3 do Francis Watch, disponíveis em restorationradionetwork.org.

Para alguém de fora, essa disputa pode parecer um tanto como um argumento entre especialistas em baseball, mas de fato o problema subjacente é um de eclesiologia: como entender e aplicar a teologia católica sobre a natureza, propriedades e autoridade da Igreja, quando a instituição em si parece como Hiroshima um dia depois. Enquanto eu tenho sido firme contra meus oponentes no campo R&R, para o benefício da audiência mais ampla que pode deparar-se com este vídeo, gostaria de concluir fazendo um ponto em que nós concordamos: católicos conservadores e aqueles que promovem a celebração da Missa Tridentina, sob os auspícios do estabelecimento pós-Vaticano II, estão horrorizados com Francisco, suas consoladoras ilusões debaixo da era Ratzinger sobre hermenêutica de continuidade e uma restauração tijolo após tijolo desapareceu completamente. Este sujeito é um lançador de bombas, ele é o seu pior pesadelo. Você nunca sabe que maluquice ele irá dizer ou fazer da próxima vez. Então os conservadores e tipos de Motu Proprio na era de Bergoglio rangem seus dentes e esperam que isso passe. O próximo papa talvez seja melhor, eles esperam. Então, a restauração pode começar a partir daí. Mas o que eles estão vendo se desenrolar diariamente perante os seus olhos não é realmente um problema com Bergoglio, mas um problema com o Vaticano II. Em outras palavras, Francisco não é a verdadeira doença, mas meramente um sintoma da verdadeira doença. Se os sintomas foram um pouco mais leves nos dias de João Paulo II ou Bento XVI, mas o Concílio tem continuamente invadido, controlado e secundado todo o organismo.

O modernismo escancarado de Bergoglio e a sempre descendente espiral da morte eclesial das eras de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI não são nada mais que consequências diretas do Vaticano II. Somente uma cura funciona: Descarte o Vaticano II!

Até lá, os personagens na sacada de São Pedro podem mudar e atuar, perante a plateia, à esquerda ou à direita, mas a comédia que mascara a tragédia seguirá adiante.