DECLARAÇÃO CATÓLICA SOBRE A VACÂNCIA DA SÉ APOSTÓLICA

DECLARAÇÃO CATÓLICA
SOBRE A VACÂNCIA DA SÉ APOSTÓLICA

Não reconheço os papas que realizaram e aderiram ao Concílio Vaticano II (1962-1965) como verdadeiros e legítimos, porque, na Igreja Católica Apostólica Romana, fundada sobre a rocha de Cristo e do Papado,¹ não tem o poder de Pedro, quem não confessa a fé de Pedro;² nem pode ser Vigário de Cristo, quem se revolta contra Cristo.³

Estou ciente de que estes pretensos papas – por palavras, atos e omissões – têm rejeitado o depósito da fé divina e apostólica, sob o disfarce de reforma e renovação, adotando e prescrevendo, para a ruína da fé e dos costumes no mundo inteiro, um discurso repleto de «profanas novidades de palavras»,⁴ uma doutrina social contrária ao Evangelho⁵ e uma noção de Igreja tão nova quanto blasfema, que não só faz das seitas heréticas e cismáticas partes da Igreja de Cristo,⁶ mas até permite ver as falsas religiões como instrumentos do Espírito Santo.⁷

Essas opiniões são abomináveis aos olhos de Deus, que jamais pode transigir com a mentira e com o mal, e por isso a Igreja, onde habita o espírito da verdade e santidade, condenou-as inúmeras vezes no passado,⁸ de modo que aqueles que hoje abraçam esses erros não estão com Cristo e sua Igreja, mas antes com o demônio, pai da mentira e homicida,⁹ e com aqueles falsos doutores de quem já advertia São Pedro, primeiro Vigário de Cristo, os quais, diz ele, «introduzirão heresias de perdição, e negarão aquele Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos apressada ruína e muitos seguirão as suas dissoluções, por quem será blasfemado o caminho da verdade»¹⁰

Portanto, eu, católico pela graça de Deus, julgando a árvore pelos seus frutos e guardando-me dos lobos que astutamente se vestem em pele de ovelha,¹¹ a fim de permanecer fiel a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo, coluna e fundamento da verdade,¹² declaro meu total repúdio ao Concílio Vaticano II, aos pretensos papas conciliares e à falsa religião que eles representam.

Rogo a Deus que os que ainda viverem se convertam à fé de sempre e retornem à comunhão com a Igreja de Cristo, também suplico ao Senhor que se digne enviar um papa que condene todos esses erros lamentáveis e combata todos os males que hoje perturbam a Santa Igreja.

Dada em Guaramirim, 29 de junho de 2022,
Festa dos Bem-Aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo

Assinado,
Diogo Rafael Moreira
Católico Apostólico Romano pela graça de Deus

NOTAS

1 – Cf. Papa São Leão Magno, Sermo IV in Migne, Patrologia Latina, vol. 54 col. 150; Papa São Leão IX, In Terra Pax, c. 7 in Denzinger-Umberg, Enchiridion Symbolorum n. 351; Papa Pio IX, Alla Nobilissima Deputazione Cattolica di tutte nazioni…, 7 mar. 1873 in Pasquale de Franciscis, Discorsi… vol. 3: Discorso CCLIX p. 252; Mat. 7, 24-27; 16, 18; Atos 4, 11; 1 Cor. 10, 4.

2 – Cf. Papa Pelágio II, Ep. 1 Quod ad Dilectionern in Denzinger-Umberg op. cit. n. 246; Mat. 16, 16-19 segundo os Santos Padres in Cornélio a Lapide, Commentarii in Scripturam Sacram, Ed. Peagaud et Lesne, vol. VIII, ad locum; João Maldonado, Commentarii in quatuor evangelistas, Ed. Konrad Martin, vol. I ad locum e Belarmino, De Summo Pontifice, lib. I c. 10-12 in Opera Omnia, Ed. Louis Vivès, vol. I.

3 – Cf. Mat. 12, 30; Atos 1, 25; São Jerônimo, ad Mat. 26, 65 in Migne op. cit. vol. 26 col. 202.

4 – 1 Tim. 6, 20, cf. 2 Tim. 1, 13; Papa Pio IX, Eximiam Tuam, 15 jun. 1857 in Denzinger-Umberg op. cit. 1611. O desprezo pelas antigas fórmulas, o abandono da linguagem tradicional é o próprio «espírito» do Concílio Vaticano II. Cf. João XXIII, Discurso na solene abertura do Concílio Vaticano II, 11 out. 1962 in AAS 54, pp. 784-795; Discurso aos Cardeais, 23 dez. 1962 in AAS 55, pp. 43-45; Vaticano II, Decreto Unitatis Redintegratio n. 6, 21 nov. 1964; Paulo VI, Discurso na última sessão pública do Vaticano II, 7 dez. 1965 in AAS 58, pp. 51-59; João Paulo II, Ut Unum Sint, n. 42, 25 mai. 1995.

5 – Cf. Vaticano II: Declaração Dignitatis Humanae nn. 2, 4 e 9, 7 dez. 1965; Constituição Pastoral Gaudium et Spes passim, 7 dez. 1965; Paulo VI, Discurso na Organização das Nações Unidas, 4 out. 1965 in AAS 57, p. 877-885; João Paulo II, Centesimus Annus, n. 47, 1 mai. 1991; Catecismo n. 2108; Discursos à comunidade muçulmana e aos sequazes do Vodu em Viagem Apostólica ao Benin, Uganda e Sudão, 4 fev. 1993; Bento XVI, Ecclesia in Medio Oriente, n. 26, 14 set. 2012; Francisco, Evangelii Gaudium, n. 255, 24 nov. 2013.

6 – Cf. Vaticano II: Constituição Dogmática Lumen Gentium n. 8, 21 nov. 1964; Decreto Unitatis Redintegratio n. 3, 21 nov. 1964; João Paulo II, Catecismo 819, Carta aos Bispos sobre alguns aspectos da Igreja entendida como Comunhão, 28 mai. 1992; Declaração Dominus Iesus, 6 ago. 2000; cuja consequência prática é o falso ecumenismo: Vaticano II: Decreto Unitatis Redintegratio n. 8; Decreto Ad Gentes n. 29, 7 dez. 1965; João Paulo II, Discurso por ocasião do 450º Aniversário da Confessio Augustana, 25 jun. 1980; Alocução aos representantes de diferentes religiões e tradições culturais em Nova Deli, n. 7, 2 fev. 1986; Ut Unum Sint, passim, 25 mai. 1995; Alocução aos membros de uma delegação ecumênica, 19 jan. 2004; Bento XVI, Discurso em encontro ecumênico no Palácio Episcopal de Colônia, 19 ago. 2005; Carta aos bispos a respeito da remissão da excomunhão aos quatro bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, 10 mar. 2010; Francisco, Evangelii Gaudium, n. 246, 24 nov. 2013; Alocução a seminaristas, religiosos e fiéis da Geórgia, 1 out. 2016; Discurso no Encontro Ecumênico em Malmö, 31 out. 2016.

7 – Cf. Vaticano II: Declaração Nostra Aetate passim, 28 out. 1965; Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, n. 53, 8 dez. 1975; João Paulo II, Discurso pelo Dia Mundial de Oração pela Paz, 27 out. 1986; Catecismo n. 843; Audiência de 9 set. 1998; Bento XVI, Verbum Domini, n. 119, 30 set. 2010; Francisco, Documento sobre a Fraternidade Humana, 4 fev. 2019; Audiência de 2 fev. 2022.

8 – O Magistério de São Pedro a Pio XII é uma constante condenação do espírito e doutrina do Concílio Vaticano II, eis apenas alguns documentos compostos diretamente contra os erros modernos: Papa Pio VI, Auctorem Fidei contra os erros do Sínodo de Pistoia, 28 ago. 1794; Gregório XVI, Mirari Vos contra o indiferentismo, 16 ago. 1832; Quanta Cura contra o liberalismo, socialismo e comunismo com o Syllabus dos Erros Modernos, 8 dez. 1864; Leão XIII, Humanum Genus contra a maçonaria. 20 abr. 1884; Immortale Dei sobre a Igreja e o Estado, 1 nov. 1885; Libertas Praestantissimum contra o liberalismo, 20 jun. 1888; Satis Cognitum contra falsas noções de unidade da Igreja, 29 jun. 1896; Testem Benevolentiae contra o americanismo, 22 jan. 1899; São Pio X, Decreto Lamentabili, 3 jul. 1907 e Encíclica Pascendi Dominici Gregis, 8 set. 1907, ambos documentos contra o modernismo; Pio XI, Quas Primas sobre a realeza social de Jesus Cristo contra o liberalismo, 11 dez. 1925; Mortalium Animos contra o ecumenismo, 6 jan. 1928; Divini Redemptoris contra o comunismo, 19 mar. 1937; Pio XII, Mystici Corporis contra falsas noções de Igreja, 29 jun. 1943; Humani Generis contra vários erros da Nova Teologia, 12 ago. 1950. Excertos destes documentos podem ser encontrados em Denzinger-Umberg op. cit. a partir do n. 1501.

9 – João 8, 44.

10 – 2 Ped. 2, 1-2, αἱρέσεις ἀπωλείας (airéseis apoleías), literalmente heresias de perdição, conforme o grego.

11 – Mat. 7, 15-16.

12 – 1 Tim. 3, 15. Apoiar-se sempre na Igreja, onde se acha a verdade sem mancha de erro, não em si mesmo, nem nas novidades e sistemas alheios, ao contrário do que propõe o Vaticano II, cf. Gregório XVI, Singulari Nos, 25 jun. 1834, Denzinger-Umberg op. cit. 1617.

Escrúpulos do Padre Leandro Neves – Palmar de Troya & Bispos Thuc

Eis uma resposta ao juízo sumário, para não dizer temerário, do Padre Leandro Neves contra todos os sacerdotes sedevacantistas da linhagem Thuc. Em poucos minutos, ele os associa com a seita do Palmar de Troya, põe um ponto de interrogação na validade de suas ordenações e, enfim, considera-os indignos profanadores do sacerdócio.

O único homem e a única obra que presta, que ele reconhece como a salvação do sacerdócio, é Dom Marcel Lefebvre e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Será então, de grande proveito, neste contexto, examinar a relação que há entre Dom Lefebvre e a sua obra, de um lado, e a Igreja Palmariana, a validade dos Bispos Thuc e a sagração de bispos jovens, do outro.

Veremos assim, claramente, que os escrúpulos do Padre Leandro Neves servem apenas para cultivar uma atitude inescrupulosamente descaridosa, nele e naqueles que o seguem, para com os seus colegas no sacerdócio tradicional e os demais fiéis sedevacantistas, pondo Cristo contra Cristo, e privando a muitos da comunhão com aqueles que, seguindo os ensinamentos da Igreja nas questões em controvérsia, não podem concordar com os preconceitos e calúnias dirigidos contra Monsenhor Thuc e os bispos de sua linhagem episcopal.

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS

DERKSEN, Mario. An Open Letter to Bishop Clarence Kelly on the “Thuc Bishops” and the Errors in The Sacred and the Profane. http://www.thucbishops.com/Open_Letter_to_%20Bp_Kelly_FULL.pdf

Todo material em http://www.thucbishops.com/

CEKADA, Rev. Pe. Anthony. The Validity of the Thuc Consecrations (1992). http://www.traditionalmass.org/articles/article.php?id=60#_ednref1

CONTROVÉRSIA CATÓLICA. Sucessão Apostólica depois do Concílio Vaticano II. https://controversiacatolica.com/2017/06/15/a-sucessao-apostolica-depois-do-concilio-vaticano-ii

LUNDBERG, Magnus. A Pope of Their Own: El Palmar de Troya and the Palmarian Church. Uppsala: Uppsala University, Department of Theology, 2017, p. 68. https://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:1098857/FULLTEXT02

Revista EINSICHT Online. The Autobiography of Mgr. Ngô-dinh-Thuc – Part 4. http://www.einsicht-aktuell.de/index.php?svar=2&ausgabe_id=180&artikel_id=1923

WILLIAMSON, D. Richard. Bp. Williamson on the validity of Bp. Dolan’s consecration. http://www.traditionalmass.org/articles/article.php?id=51&catname=13

Declaração dos modernistas sobre as Sagrações de Dom Thuc. https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19830312_poenae-canonicae_po.html

Monsenhor Fellay, FSSPX, sagrado bispo aos 30 anos: https://en.wikipedia.org/wiki/Bernard_Fellay

Dom Vital, bispo aos 27 anos: https://en.wikipedia.org/wiki/Vital_Maria_Gon%C3%A7alves_de_Oliveira

CATHOLIC ENCYCLOPEDIA. St. Gregory of Neocaesarea. https://www.newadvent.org/cathen/07015a.htm

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A Infalibilidade do Papa e o Syllabus pelo Padre Pierre Bouvier S.J.

O Sr. Paul Viollet, professor formado em direito civil e canônico, publicou, em 1904, um livro intitulado «A Infalibilidade do Papa e o Syllabus: Estudo Histórico e Teológico», em que pretende – ao que parece, com a melhor das intenções – defender a Igreja e o Papa contra os ataques de seus inimigos.

Paul Viollet (1840-1914)

Ele o faz mediante três estratagemas muito utilizados, hoje em dia, pelos oponentes do sedevacantismo: (1) a restrição da infalibilidade papal às definições dogmáticas solenes, ou seja, somente quando o Papa proclama um dogma; (2) a negação da autoridade dos documentos papais e (3) o ataque à ortodoxia dos papas do passado. Em outras palavras, temos aqui um legítimo representante da posição Reconhecer & Resistir, operando já nos umbrais do século XX: ele reconhecia Pio IX como Papa, mas resistia aos seus ensinamentos. Como? Negando sua infalibilidade fora do dogma da Imaculada Conceição, negando a autoridade do Syllabus e, de quebra, afirmando, sem escrúpulos, que muitos papas antigos foram hereges.

Essa obra de Paul Viollet entrou para o Índice de Livros Proibidos em 1906. No artigo abaixo, publicado originalmente na Revista Études (1905), o Padre Pierre Bouvier S.J. aponta, à luz da doutrina e erudição católica, os erros teológicos e históricos nela contidos. Dentre outras coisas, ele expõe o verdadeiro significado da definição do Concílio Vaticano I sobre a infalibilidade papal, doutrina tão deturpada, à época, pelos liberais e modernistas, e hoje – para o escândalo de todos – ainda mais distorcida pelos pretensos conservadores e tradicionalistas. Queira Deus que, lendo essas páginas, despertem de seus erros.

PDF: A Infalibilidade do Papa e o Syllabus pelo Padre Pierre Bouvier S.J.

Destaco, neste post, a seguinte passagem decisiva:

Mas o Sr. Viollet não se contentou de contestar ao Syllabus o valor de documento ex cathedra. Para apoiar essa tese, ele supõe que o papa não é infalível senão em definições estritamente dogmáticas, definições tão raras, que não se conhece uma só, fora do concílio, em cento e três anos, além daquela da Imaculada Conceição, «Pio IX, quando define, nas condições previstas pela infalibilidade, o dogma da Imaculada Conceição, permanece falível em todos os outros casos.» (p. 66). «Constatamos que, no curso destes cento e três anos, um só ato pontifical se apresenta com as características da infalibilidade.» (p. 70).

Ele o diz a contragosto, mas aqui não há atenuação possível, uma semelhante restrição da infalibilidade pontifical está em flagrante oposição com a definição vaticana. Introduziu-se na definição termos escolhidos, todos expressos para impedir essa interpretação culposa.

Os Padres do Concílio, querendo definir que o papa é infalível, examinaram uma primeira fórmula onde se dizia precisamente que o papa não pode errar quando define, em matéria de fé e moral, o que deve ser crido, de fé católica, por toda a Igreja: Cum definit quid in rebus fidei et morum ab universa Ecclesia fide catholica credendum sit. Essa fórmula foi descartada, dizem as atas do concílio, «por se temer que os fiéis, tomando esse capítulo como uma exposição completa da doutrina sobre a infalibilidade do pontífice romano, não viessem a restringir essa infalibilidade unicamente às definições de fé

Outras fórmulas foram examinadas, e finalmente chegou-se àquela onde se diz que o papa, definindo ex cathedra a doutrina que deve ser tida pela Igreja universal, em matéria de fé ou moral, tem a mesma infalibilidade que a Igreja.

Assim, pois, para saber qual é a extensão da infalibilidade do papa, deve-se buscar qual é aquela da Igreja, porque, segundo a definição do concílio, a medida de uma é a medida da outra.

Pois bem, é ensinamento unânime, é de fé que a Igreja é infalível quando define as verdades reveladas que se devem crer, os erros que se devem rejeitar como heréticos; e é teologicamente certo que a Igreja é infalível quando define verdades conexas à fé, quando ela condena erros com notas inferiores àquela da heresia e quando ela decide definitivamente sobre fatos dogmáticos.

Assim também é, pois, o campo da infalibilidade papal: é de fé que o papa é infalível quando define dogmas como a Imaculada Conceição, e é teologicamente certo que o papa, como a Igreja, é infalível nas outras definições. O bispo de Brixen, relator da comissão conciliar que tinha preparado a definição, disse, perante os Padres, que quem negar essa infalibilidade não ainda definida como de fé e não tendo mais que uma certeza teológica, «não seria abertamente herético, porém cometeria um erro gravíssimo e um pecado gravíssimo

Quem não vê que, desde então, restringir a infalibilidade papal, depois de um século, unicamente ao dogma da Imaculada Conceição, negando, por conseguinte, essa infalibilidade às canonizações que tomaram lugar em grande número, negando-a às encíclicas, como à Encíclica Quanta Cura, com sua fórmula tão grave e tão explícita: Pravas opiniones ac doctrinas… commemoratas auctoritate Nostra apostolica reprobamus, proscribimus atque damnamus, easque ab omnibus catholicæ Ecclesiæ filiis, veluti reprobatas, proscriptas atque damnatas omnino haberi volumus ac mandamus, é ir não somente contra o espírito, mas contra a letra da fórmula aceita e promulgada pelo concílio do Vaticano, é se pôr formalmente no caso assinalado pelo bispo de Brixen?

É inútil, depois disso, seguir o autor na parte de sua brochura onde enumera os papas que teriam errado ou que haveriam submetido seus atos e suas palavras ao juízo da Igreja. É um ponto de partida que não lança nenhuma luz sobre a questão a resolver. Tão estendido, com efeito, que se suponha o campo da infalibilidade dos papas, não se pode ignorar que o privilégio da inerrância não os previne contra o erro, nem nas relações da vida privada, nem nos escritos ou discursos que contém nada mais que suas visões pessoais, nem nos conselhos que podem dar, nem nas ordens que não visem o conjunto dos fiéis. Por que se admirar então que se encontre erros no que disseram, em semelhantes casos, tais e tais soberanos pontífices, ou que eles tenham, eles mesmos, enquanto morriam, submetido esses atos e palavras ao juízo da Igreja? Deve-se explicar todas essas fórmulas à luz da doutrina católica. Quanto ao fato de Honório, sobre o qual o Sr. Viollet tem o propósito de se apoiar, ele tem sido discutido a fundo tantas vezes, sobretudo por ocasião do concílio do Vaticano, que não há mais nada para acrescentar. Estabeleceu-se, peremptoriamente, que as cartas deste papa, que foram objeto de debate, não contém nenhuma definição ex cathedra, nem nenhum erro contra a fé. Igualmente se estabeleceu que o anátema pronunciado pelo sexto concílio contra Honório é uma condenação de seu imprudente conselho, mas não de sua doutrina.

SÃO JOÃO BOSCO RESPONDE AO CENTRO DOM BOSCO

Em nosso último vídeo, “São João Bosco responde ao Centro Dom Bosco sobre João XXII e a lição da história” (disponível aqui https://youtu.be/ggyW9lGxNO8), terminei a série que compara o ensinamento do CDB sobre os Papas com aquele de seu padroeiro. Para facilitar a consulta e confronto de citações, condensei tudo em um arquivo PDF, que pode ser facilmente baixado, impresso, lido e distribuído. Segue o link:

São João Bosco responde ao Centro Dom Bosco sobre João XXII e a lição da história

Para encerrar nossa breve comparação entre São João Bosco e o Centro Dom Bosco, cumpre falar sobre o último caso de papa que caiu ou, ao menos, apoiou o erro, segundo o assim-chamado “Catecismo Católico da Crise na Igreja”. Depois disso, veremos qual é a surpreendente lição que ambos tiram de toda essa controvérsia.

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Aspectos da «Correção Filial»: Reflexões sobre sua importância, erros e acertos

Neste primeiro podcast, que conta com a presença e participação especial de Dr. Yuri Maria, do canal Apostolado São Lucas, conversamos sobre aspectos da «Correção Filial», documento publicado em 16 de julho de 2017, por um grupo de acadêmicos conservadores, em reação às heresias da Amoris Laetitia de Francisco-Bergoglio. Tratam-se de reflexões que sublinham principalmente a importância, os erros fundamentais e os acertos inegáveis dessa declaração controversa.

Inscreva-se no canal do Dr. Yuri Maria: https://www.youtube.com/channel/UCs8mnX4eavFg0_jLX-EToOA

Texto da «Correção Filial»,
http://www.correctiofilialis.org/wp-content/uploads/2017/09/Correctio-filialis_Portuguese.pdf

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A Ação de Bispos em tempos de Crise

Download do PDF: A Ação de Bispos em tempos de Crise

INTRODUÇÃO

Gostaria de apresentar um texto, retirado da obra De L’Église et de sa Divine Constitution [Sobre a Igreja e sua Constituição Divina] (pp. 209-221) de Dom Adrien Gréa, padre geral dos Cônegos Regulares da Imaculada Conceição, que foi publicada em 1885 e aumentada em sua edição de 1907, da qual me sirvo. Essa obra traz a aprovação de numerosos bispos e cardeais.

A seguir, Dom Gréa versa sobre a ação extraordinária dos bispos, em tempos de crise. O texto demonstra que é lícito, em casos excepcionais, como em tempos de grandes heresias e perseguições, estabelecer bispos católicos sem mandato apostólico, quando, em tais circunstâncias, o recurso ao Papa é impossível.

SOBRE A IGREJA E SUA CONSTITUIÇÃO DIVINA

Por Dom Adrien Gréa

CAPÍTULO IV
SOBRE A AÇÃO EXTRAORDINÁRIA DO EPISCOPADO

§ I

O poder do episcopado, no governo da Igreja universal, é exercido, ordinariamente, pelos Concílios e pelo concurso menos marcante dos bispos dispersos, sempre unidos na dependência e sob o impulso de seu chefe, prestando-se, sem cessar, à manutenção da fé e da disciplina.

Mas este poder do episcopado teve também, na história, manifestações extraordinárias, que importa reduzir à mesma subordinação e submeter às mesmas leis essenciais da hierarquia.

Queremos falar aqui, primeiramente, da autoridade dos apóstolos, seus discípulos e dos bispos dos primeiros tempos, seus sucessores, para anunciar por toda a parte o Evangelho e estabelecer a Igreja, e, em segundo lugar, das ações extraordinárias, pelas quais, em seguida, vemos os bispos não hesitarem em remediar as necessidades prementes do povo cristão e levantar, pelo emprego de um poder quase apostólico, as Igrejas colocadas em extremo perigo pela violência dos infiéis e dos hereges.

Abusou-se desses fatos para estender, para além da medida, a autoridade dos bispos e dar-lhes uma espécie de soberania primitiva e independente.

É, pois, necessário inverter este fundamento de erro. Faremos isso simplesmente lembrando a doutrina exposta em nosso primeiro livro, principalmente no capítulo V, onde tratamos das relações de dependência essencial, que unem as Igrejas particulares à Igreja universal, e reconduzindo esses fatos às leis já conhecidas da hierarquia, leis que, em toda parte e sempre, estabelecem a completa subordinação dos bispos ao seu chefe.

E, antes de tudo, é bom lembrar que a Igreja universal, precedendo em tudo as Igrejas particulares, possui antes destas e sempre mantém soberanamente a missão de pregar o Evangelho em todos os lugares e de salvar almas.
Segue-se que a hierarquia da Igreja universal, que não é destituída de sua autoridade imediata sobre as almas, nem mesmo pelo estabelecimento de Igrejas particulares, permanece a única responsável pela salvação dos homens, quando estas faltarem, e emprega seus poderes para assegurar-lhes esse benefício.

Essa hierarquia é a do Papa e dos bispos. A ação soberana e principal pertence ao Papa. Mas os próprios bispos, na medida em que estão associados a ele, como ministros da Igreja universal, são chamados a participar dela. Parecem então investidos de um poder que não se limita aos seus rebanhos particulares e que se exerce nos lugares onde ainda não há Igrejas particulares fundadas e bispos titulares estabelecidos, e naqueles onde as hierarquias locais, tendo sido estabelecidas, são afetadas em sua existência ou atingidas pela impotência.

Esse poder extraordinário do episcopado é, de fato, sempre, e por sua própria essência, absolutamente subordinado a Jesus Cristo e ao seu Vigário, pois os bispos não são nada, na Igreja universal, fora desta dependência que é sua ordem mesma.

Se chamamos de extraordinárias a essas manifestações do poder universal do episcopado sob seu chefe, o Vigário de Jesus Cristo, ao contrário do que acontece nos Concílios, onde o exercício desse poder é ordinário, é porque a necessidade que lhes dá origem não é um estado de coisas ordinário e regular.

O estabelecimento e a plena atividade das Igrejas particulares é, de fato, o estado normal e habitual da santa Igreja Católica. Ela vive de sua existência e se alegra com sua saúde: sofre de sua fraqueza e recebe danos quando perecem, pois as Igrejas particulares não são uma instituição acidental e que possa algum dia ser suplementada, de forma duradoura, pelo apostolado ou pela obra das missões. O apostolado não tem outro objetivo senão fundar essas Igrejas; e quando são constituídas, ele cessa e dá lugar ao seu governo ordinário.

Mas se o defeito das Igrejas particulares exige a ação imediata de Igreja universal e pode dar abertura a esta ação extraordinária do episcopado, isso [ocorre] manifestamente em duas ocasiões:

Primeiramente, quando as Igrejas particulares ainda não foram fundadas, e este é propriamente o apostolado;

Em segundo lugar, quando as Igrejas particulares são como que derrubadas pela perseguição, heresia ou algum grave obstáculo que aniquile e suprima inteiramente a ação de seus pastores; e este é o caso mais raro da intervenção extraordinária do episcopado vindo em seu auxílio.

Oferecemos aqui modestamente nosso juízo; e, embora respeitando aqueles que alhures procuram explicar esses fatos da história por outros meios, cremos que o poder do episcopado, um poder que flui de sua cabeça e atua nessa dependência, é suficiente para fornecer-lhes plenamente a razão.

Acreditamos que abaixo da autoridade soberana de Jesus Cristo, totalmente confiada ao seu Vigário, nunca houve na Igreja Católica outro poder hierárquico que não o do episcopado, que era o dos apóstolos; e não achamos útil reconhecer, mesmo nestes, uma soberania particular, colocada fora da hierarquia sagrada, como vamos expor.

[Depois de explicar o poder extraordinário do episcopado em tempos de apostolado e missões, Dom Grèa passa a tratar da hipótese mais rara: a autoridade extraordinária do Episcopado em tempos de crise:]

§ III

Mas não é somente no estabelecimento da Igreja que se declarou o poder propriamente apostólico e universal dos bispos, poder sempre subordinado, em sua substância e exercício, ao Vigário de Jesus Cristo. Há uma segunda ordem dessas manifestações, ainda mais rara e extraordinária.

No seio mesmo dos povos cristãos, temos visto, algumas vezes, em tempos de necessidades prementes, bispos, sempre dependentes nisto, como em tudo, do Sumo Pontífice e atuando em virtude de sua comunhão, isto é, recebendo dele todo o seu poder, usarem este poder para a salvação dos povos.

Em consequência de calamidades superiores a todas as provisões das leis e violências que não podem ser remediadas por meios comuns, a ação de pastores locais pode ser inteiramente deficiente; voltava-se assim às condições em que se exercia o apostolado para o estabelecimento das Igrejas e em que os ministérios locais ainda não haviam sido constituídos. Pois, como já dissemos, concebemos que, na ausência de pastores particulares, o que é universal nos poderes da hierarquia permanece só, e a Igreja universal, pelos poderes de sua hierarquia e do episcopado, toma, por assim dizer, o lugar das Igrejas particulares, e vem imediatamente em socorro das almas.

Assim, no século IV, Santo Eusébio de Samósata percorreu as Igrejas Orientais, devastadas pelos arianos, e lhes ordenou pastores ortodoxos, sem que sobre elas tivesse jurisdição especial (1).

São ações verdadeiramente extraordinárias, como as circunstâncias que lhes deram ocasião.
Por isso, essas manifestações do poder universal do episcopado, exercido em lugares onde se estabeleceram hierarquias locais e não pereceram inteiramente, sempre foram muito raras.

O mais frequente, nesses casos extremos, é os Soberanos Pontífices intervirem eles mesmos nas necessidades dos povos, enviando legados ou administradores apostólicos; e como, na plenitude do seu poder principal e soberano, eles se reservaram, com o tempo, a obra das missões, assim se aplicaram a socorrer, por esta mesma autoridade, sempre imediata, as Igrejas definhantes.

Se, então, a história nos mostra bispos cumprindo por si mesmos esse ofício como “médicos” (2) das Igrejas caídas, ela nos fala, ao mesmo tempo, das conjunturas imperiosas que lhes ditaram essa conduta. Era preciso, para torná-la legítima, necessidades tais que a própria existência da religião estivesse envolvida, que o ministério dos pastores particulares fosse inteiramente aniquilado ou tornado impotente, e que não se pudesse esperar nenhuma recurso possível à Santa Sé.

Em casos tão extremos, o poder apostólico que apareceu no começo, para estabelecer o Evangelho, reapareceu como que para estabelecê-lo novamente: pois, preservá-las da ruína e da destruição total, é equivalente a dar um novo nascimento às Igrejas.

Mas, fora dessas condições, e enquanto a hierarquia legítima das igrejas particulares está de pé, haveria abuso e usurpação manifestos no ato de um bispo levar a foice para a messe de seu irmão, e derrubar o os limites das jurisdições locais fixados pelos Padres.

Assim, em primeiro lugar, este poder universal do episcopado, embora habitual em sua substância, é extraordinário em seu exercício sobre as Igrejas particulares, e não ocorre quando a ordem dessas Igrejas não é destruída. Em segundo lugar, para que o seu exercício seja legítimo, o recurso ao Soberano Pontífice deve ser impossível e não pode haver dúvida quanto ao valor da presunção pela qual o episcopado, com a força do consentimento tácito de seu chefe, tornado certo pela necessidade, confia em sua autoridade sempre presente e ativa nele.

Mas, é preciso reconhecer, nem sempre essas condições foram verificadas com o rigor necessário nos diversos fatos relatados pela história dos primeiros séculos; e não somos obrigados a justificá-los todos com base nisso. Nisto houve abusos e usurpações.

Se a conduta de Santo Eusébio, que citamos acima, foi louvada sem restrições, quem poderia desculpar a interferência dos bispos de Alexandria nos assuntos de Constantinopla e do Oriente (3), ou a ação de São Epifânio celebrando uma ordenação em Constantinopla? (4)

A Santa Sé, que, nestas circunstâncias, às vezes usou de condescendência no juízo das pessoas, sempre manteve os princípios e condenou esses empreendimentos.

Por isso, pouco a pouco, esses excessos tornaram-se cada vez mais raros, e foram mais severamente reprimidos à medida que as circunstâncias os tornavam menos desculpáveis. Não podemos mais conceder-lhes indulgência hoje.
A Igreja, de fato, graças a Deus, está agora muito bem estabelecida no mundo, e as relações que unem os membros à cabeça estão suficientemente asseguradas para que não haja mais ocasião para esta ação extraordinária da Igreja. A voz do Vigário de Jesus Cristo é ouvida até nos confins da terra (5). Todos podem interrogá-lo, todas as Igrejas podem recorrer a ele em suas necessidades.

Assim como se reservou para si a obra das missões, incontestavelmente e com muita justiça, por muito tempo, reservou inteiramente para si a responsabilidade de prover as necessidades extraordinárias das Igrejas particulares e a falta de pastores e hierarquias locais. Ele suporta, com caridade vigilante, o peso da languidez e da fraqueza de todos os membros sofredores do corpo de que é a cabeça. “Quem são os doentes cuja enfermidade não sente com terna compaixão? Quais são os escândalos que não inflamam seu zelo?” (6). Ele só basta para fortalecer todos os seus irmãos; e se o amanhã reservar a Igreja provações, que a reduzam às dificuldades dos primeiros séculos, se os perigos dos últimos tempos chegarem a esse excesso, esta mesma voz de São Pedro ainda se fará ouvir neste extremo, e, quando chamar os bispos para as últimas batalhas, desatará, se for necessário, dentre os poderes do episcopado, aqueles que devem ser desatados para a salvação do povo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um caso de longa vacância da Sé Apostólica, em decorrência de heresia, constitui um caso extraordinário em que nem há provisões legais para resolvê-lo, nem possibilidade de recurso ao Papa. (7)

É verdade, essa possibilidade não foi contemplada por Dom Grèa, mas isso não altera o fato de que uma tal situação preenche, sem dificuldade, os requisitos para uma intervenção extraordinária do episcopado nas Igrejas particulares, tal como ocorreu nos tempos do arianismo.

Como uma consequência necessária, as sagrações realizadas por Monsenhor Lefebvre, Monsenhor Thuc e alguns outros bispos, em decorrência das heresias modernistas do Concílio Vaticano II e seus falsos papas, são totalmente legítimas, enquanto forem necessárias – como são – para o bem das almas.

Logo, deve continuar havendo tais sagrações, por parte de seus sucessores, até que se resolva a crise atual. É razoável crer que não sofrerão censura, mas antes os mais altos elogios, aqueles que, em tempos de crise, não ficaram ociosos, mas trabalharam para nutrir os fiéis, com a sã doutrina, e fortalecê-los na graça de Deus.

NOTAS

1 – Cum multas ecclesias pastoribus carere didicisset, militari habitu indutus et tiara capiti imposita, Syriam, Phaeniciam et Palestinam peragravit, presbyteros ordinans et diaconos, aliosque sufficiens ordines ecclesiasticos: quod si quando doctrina consentientes episcopos invenisset, etiam pontifices carentibus ecclesiis prœficiebat. (Théod. Hist. eccl. l. IV. c. XII. Cf. l. V, c. IV.)

2 – Brev. Rom. in S. Euseb. Vercell.

3 – Rursum tibi eadem scribimus fîeri non posse ut, nisi congruum judicium subsequatur super his quae per ludibrium gesta sunt… a Joannis communione discedamus. (S. INNOC. I Epist. V, ad Theoph. in negotio S. Joan. Chrys. Cf. BARON, an. 403, n. 1-33; an. 4o4, n. 7-9.)

4 – Addunt alii illic ab Epiphanio ordinatum fuisse quemdam diaconum: quod non licebat in diœcesi non sua facere. (Ibid., an. 402, n. 9.)

5 – Ps. XVIII, 5.

6 – II Cor. XI, 29.

7 – “Não existem provisões canônicas regulando a autoridade do Colégio de Cardeais sede Romana Impedita, i.e., no caso de um papa se tornar insano ou pessoalmente um herege; em tais casos, seria necessário consultar os ditames da reta razão e os ensinamentos da história”. (V. Cardinal, Catholic Encyclopedia, vol. 3, p. 339).

Frei Tiago vs. Montfort – Análise da Controvérsia

No artigo intitulado “Refutação das Teses Sedevacantistas de Frei Tiago de São José“, o senhor Alberto Zucchi procura defender a Associação Cultural Montfort das críticas feitas pelo dito religioso no vídeo “Montfort convoca Congresso polêmico contra o DOGMA DA INFALIBILIDADE PAPAL“.

Aqui eu darei uma breve resposta aos argumentos do Sr. Zucchi, precedida de uma comparação entre as duas exposições.

Nota-se muito claramente a diferença entre as fontes utilizadas. Em argumentos teológicos a autoridade citada tem um peso muito grande, porque, quando o assunto é certeza teológica, somente o Magistério da Igreja, em suas múltiplas manifestações, goza de infalibilidade ou, ao menos, um juízo seguro e autorizado. Donde a importância de citar documentos do Magistério ou, quando não há, exposições dos teólogos aprovados.

De parte de Frei Tiago de São José, vemos que ele cita a Constituição Dei Filius e Pastor Aeternus do Concílio do Vaticano, documentos infalíveis emanados do Magistério Extraordinário; Monsenhor De Ségür, um dos principais autores da Escola Anti-Liberal em França; e Padre Hilaire, autor de um conhecido manual de apologética, muito popular entre os tradicionalistas até os dias de hoje. Todos são documentos ou autores pré-Vaticano II, reconhecidos por todos, inclusive pela Montfort.

Da parte do Sr. Zucchi, ele cita Monsenhor Marcel Lefebvre, Padre Daniel Pinheiro e Professor Orlando Fedeli, todos autores do período pós-Vaticano II, cuja autoridade não é reconhecida por todos, nem obriga em consciência a ninguém. Monsenhor Lefebvre não é aceito pela própria Montfort; Padre Daniel Pinheiro não é membro da Igreja docente, mas apenas participa na medida em que está em comunhão com o ensinamento dos bispos em comunhão com o Papa – o que seguramente não é o seu caso neste tema – e o Professor Orlando Fedeli só seria infalível in credendo, isto é, aceitando o que o Papa e os Bispos ensinam – o que também não é o caso, como veremos.

No que tange aos argumentos do Sr. Zucchi, eles são tão bons, no que toca à questão do Papado e da Igreja, quanto às suas fontes. Eles consistem basicamente em três coisas:

1.º Argumento ad hominem ou “o teu passado te condena”. O Sr. Zucchi fala de sua experiência com Frei Tiago e relembra dos “bons tempos” em que ele concordava com a Montfort. Contudo, em matéria de conhecimento, qualquer pessoa estudiosa que olhe para trás verá que é normal que se vá da ignorância ao conhecimento e não o contrário. O cristão é como o vinho: vai ficando bom com o passar do tempo, se ele persevera na fé, esperança e caridade. Então, como Frei Tiago não apostatou, mas continua firme na profissão dos dogmas da religião, isso deveria sugerir ao Sr. Zucchi mais um progresso do que um retrocesso da parte de Frei Tiago.

2.º Infalibilidade vs. Assentimento: Baseado na bibliografia secreta de Padre Daniel Pinheiro, que diz ter estudado muito o assunto, o Magistério se divide em Infalível e não Infalível e desta diferença se tiram os graus de assentimento ao Magistério.

A verdade, porém, é que o Magistério Eclesiástico se divide em Ordinário e Extraordinário, ambos infalíveis dentro de certas condições.

Se o senhor Zucchi tivesse prestado atenção, ele teria ouvido o Frei Tiago se referir à Constituição Dogmática Dei Filius, na qual se ensina, ao contrário do que ensina o Professor Fedeli no artigo citado por Zucchi, que

“Deve-se, pois, crer com fé divina e católica todas as coisas que estão contidas na palavra de Deus escrita ou transmitida, e que pela Igreja, quer em declaração solene, quer pelo Magistério ordinário e universal, nos são propostas a ser cridas como reveladas por Deus”. (Denz.-Hün. 3011).

Este Magistério Ordinário e Universal, conforme ensinam de forma unânime os teólogos aprovados, encontra-se nas doutrinas sobre fé e moral ensinadas pelo Papa com os Bispos em comunhão com ele, nos ritos aprovados, nas leis universais e até mesmo na aprovação tácita que estes dão ao ensinamento dos teólogos.

Deste Magistério participam, em diferentes graus e de diferentes modos, todos os membros do Corpo Místico de Cristo. Os fiéis, por exemplo, de uma forma passiva, gozam da infalibilidade do Magistério Ordinário in credendo, isto é, pela fé no que ensina a Igreja docente.

Na exposição da doutrina, a Igreja pode ensinar, entre as verdades da fé, opiniões prováveis ou de algum modo úteis para a sua compreensão (e assim não infalíveis), ou ainda pode delegar outras pessoas para o exercício de sua autoridade sem, contudo, comunicá-las a sua infalibilidade (o que ocorre, de ordinário, com as congregações romanas).

Nestes casos, o Magistério Ordinário não é infalível, mas é sempre seguro, de modo que não cairá em erro contra a fé ou a moral aquele que seguir o ensinamento expresso, implícito ou tácito do Magistério Ordinário da Igreja docente. Como tal, ele exige dos fiéis o assentimento interno.

https://controversiacatolica.wordpress.com/wp-content/uploads/2022/01/COMPENDIO-DE-ENSINAMENTOS-DE-SANTOS-PAPAS.pdfQuem quiser saber mais sobre o tema, remeto aos tratados do Cardeal Franzelin, De Divina Traditione et Scriptura e De Ecclesia Christi, ao De Religione et Ecclesia de Cardeal Mazzela, ao De Ecclesia do Cardeal Billot ou, àqueles que quiserem uma fonte em português, o “COMPÊNDIO DE ENSINAMENTOS DE SANTOS PAPAS, SANTOS DOUTORES E TEÓLOGOS: IGREJA NÃO PODE ERRAR GRAVEMENTE E NEM OFERECER ENSINAMENTOS AMBÍGUOS” [em PDF].

Diante desses ensinamentos, qualquer pessoa com o mínimo de coerência, perceberá que, se os modernistas fossem a Igreja doente operando pelos seus órgãos quotidianos, poderia, digamos, haver alguma imprudência, alguma erro leve, que poder-se-ia discutir privadamente e comunicar às congregações romanas, mas não haveria heresias sendo ensinadas de comum acordo ente o Papa e os Bispos, Missa Nova como rito aprovado e até como a única “lex orandi” do Rito Romano, leis universais desastrosas para a Igreja, a família e os indivíduos e, com certeza, um “consenso unânime dos teólogos” que, nos bons tempos, mereceria a fogueira da Santa Inquisição. Mais: não haveria um Congresso da Montfort para criticar publicamente todas essas coisas!

3.º Comparando Laranjas com Maçãs. Por fim, como bom galicano, o Sr. Zucchi passa a descrever os “podres” dos papas do passado, atos imprudentes ou erros ocasionais, como se essas coisas, se entendidas em seu contexto, afetassem a autoridade do Magistério Eclesiástico e formassem algum paralelo com a Igreja pós-conciliar.

Eu penso que um simples apelo ao bom senso seria o bastante. Digamos, lembrar-se que há uma leve diferença entre uma chuva de verão e o dilúvio, ou entre um pequeno acidente e um suicídio. Em outras palavras, deve-se notar que uma coisa é uma lei menos prudente, e outra, uma lei imoral. Uma coisa era haver más tendências nas altas esferas e nos movimentos (o que infelizmente acontece, porque a Igreja é composta de bons e maus), e outra muito diferente é haver erros doutrinas e morais sendo pregados em plena luz do dia, para o dano do povo simples e escândalo dos mais entendidos.

Para terminar, é sempre bom lembrar que os não sedevacantistas já o são na prática. Eles não reconhecem a voz do Bom Pastor na hierarquia modernista e é por isso que eles precisam criar ou patrocinar um “Instituto do Bom Pastor”, para compensar a ausência da sã doutrina, da Missa Tridentina e da disciplina tradicional em suas paróquias e dioceses.

Os Papas e Bispos modernistas sabem disso e é por este motivo que mal podem suportá-los. Existe uma Igreja verdadeira e uma falsa, no fim, uma deve prevalecer sobre a outra. Neste meio tempo, porém, a preservação da fé católica requer a adesão ao dogma da infalibilidade da Igreja e do Papa, mas é aí – neste ponto – que os montfortinos discordam de nós, preferindo antes perder a fé do que a comunhão com os hereges.

Sedevacantismo em Três Horas – Entrevista de Diogo Rafael Moreira ao Reconquista Católica

Entrevista realizada no dia 29 de dezembro de 2021, transmitida e publicada originalmente no canal Reconquista Católica
https://www.youtube.com/watch?v=idSR-PlYhmo&t=94s

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Centro Dom Bosco comparece ao Enterro da Tradição

O Centro Dom Bosco ficou famoso por seus confrontos com a CNBB, denunciando, dentre outras coisas, a Campanha da Fraternidade Ecumênica. Mais recentemente, eles chegaram mesmo a entrar em controvérsia com o próprio Papa Francisco. Devido as recentes restrições à Missa Tradicional, dizem eles, o Santo Padre estaria promovendo o “enterro da Tradição”.

“Tradição” é um termo muito corrente no Centro Dom Bosco. Na verdade, seus membros se apresentam como um apostolado que busca a Tradição em tempos de crise na Igreja. É importante notar que aqui eles falam de Tradição em um sentido um tanto equívoco, a fim de designar por ela sua preferência pelo Magistéro pré-Concílio Vaticano II.

Não obstante o piedoso uso, quando o assunto é a autoridade do Papa e da Igreja, os ensinamentos dos antigos Pontífices não só é desprezado, mas contrariado por eles de forma herética e cismática.

Neste quesito podemos dizer com segurança e toda evidência: Se é mesmo que está havendo um enterro da Tradição, seguramente os rapazes do Centro Dom Bosco são hábeis coveiros, ansiosos para enterrar a todo custo a doutrina tradicional sobre o Papa e a Igreja.

O QUE ENSINA A TRADIÇÃO SOBRE A OBEDIÊNCIA DEVIDA AO PAPA

A Tradição nos ensina a reconhecer o poder e a autoridade do Romano Pontífice pela nossa obediência:

“Ora, nesta única Igreja de Cristo ninguém está, nem persevera, a menos que, obedecendo, reconheça e aceite a autoridade e o poder de Pedro e de seus legítimos sucessores. – Jamvero in hac una Christi Ecclesia nemo est, perseverari nemo, nisi Petri, legitimorumque eius successorum, auctoritatem potestatemque obediendo agnoscat atque accipiat.” (Papa Pio XI, Mortalium Animos).

Eis mais alguns exemplos do que ensina a “Tradição” (isto é, o Magistério dos Papas anteriores ao Vaticano II) sobre a questão da obediência:

PAPA PIO IX, Bula Quanta Cura (ex cathedra):

“Nem podemos passar em silêncio a audácia de quem, não podendo tolerar os princípios da sã doutrina, pretendem ‘que aos juízos e decretos da Sé Apostólica, que têm por objeto o bem geral da Igreja, e seus direitos e sua disciplina, enquanto não toquem os dogmas da fé e dos costumes, se pode negar assentimento e obediência, sem pecado e sem nenhuma violação da fé católica’. Esta pretensão é tão contrária ao dogma católico do pleno poder divinamente dado pelo próprio Cristo Nosso Senhor ao Romano Pontífice para apascentar, reger e governar a Igreja, que não há quem não o veja e entenda clara e abertamente. Em meio desta tão grande perversidade de opiniões depravadas, Nós, com plena consciência de Nossa missão apostólica, e com grande solicitude pela religião, pela sã doutrina e pela saúde das almas a Nos divinamente confiadas, assim como até pelo próprio bem da sociedade humana, temos julgado necessário levantar de novo Nossa voz apostólica. Portanto, todas e cada uma das perversas opiniões e doutrinas determinadamente especificadas nesta Carta, com Nossa autoridade apostólica as reprovamos, proscrevemos e condenamos; e queremos e mandamos que todas elas sejam tidas pelos filhos da Igreja como reprovadas, proscritas e condenadas.” (Papa Pio IX, Quanta Cura, 8 dez 1864)

PAPA LEÃO XIII, Encíclica Sapientiae Christianae:

“Quanto à determinação dos limites da obediência, não imagine alguém que basta obedecer à autoridade dos pastores de almas e, sobre todos, do pontífice romano, nas matérias de dogma, cuja rejeição pertinaz traz consigo o pecado de heresia. Nem basta ainda dar sincero e firme assentimento àquelas doutrinas que, apesar de não definidas ainda com solene julgamento da Igreja, são todavia propostas à nossa fé pelo magistério ordinário e universal da mesma como divinamente reveladas e, as quais, por decreto do concílio Vaticano I devem ser cridas com fé católica e divina. É necessário também que os cristãos contem entre os seus deveres o de se deixarem reger e governar pela autoridade e direção dos bispos e principalmente da Sé Apostólica. Bem fácil é de ver o razoável dessa sujeição. Efetivamente das coisas contidas nos divinos oráculos, umas referem-se a Deus e outras ao mesmo homem e aos meios necessários para chegar à eterna salvação. Pois bem, nestas duas ordens de coisas, isto é, quanto ao que se deve crer e ao que se deve fazer, compete por Direito Divino à Igreja e, na Igreja, ao Romano Pontífice determiná-lo. E eis a razão do porque o Romano Pontífice deve ter autoridade para julgar que coisas contenha a palavra de Deus, que doutrinas concordem com ela e quais dela desdigam; e, do mesmo modo, determinar o que é bem e o que é mal; o que se deve fazer e o que se deve evitar para conseguir a salvação eterna. Se isso não se pudesse fazer, o Papa não seria intérprete infalível da vontade de Deus, nem o guia seguro da vida do homem.” (Leão XIII, Sapientiae Christianae, n. 35, 10 jan 1890; em Documentos de Leão XIII. Tradução de Honório Dalbosco e e Lourenço Costa. São Paulo: Paulus, 2005, pp. 396-397)

PAPA SÃO PIO X, Encíclica Vehementer Nos:

“A Igreja é uma sociedade, por essência, desigual; isto é, uma sociedade que compreende duas categorias de pessoas: os pastores e o rebanho; os que ocupam uma posição nos diferentes níveis da hierarquia e a multidão dos fiéis. E estas categorias são de tal modo distintas entre si que apenas no corpo pastoral reside o direito e a autoridade necessários para promover e dirigir todos os membros rumo ao fim da sociedade. Quanto à multidão, não tem outro dever a não ser se deixar conduzir e, rebanho dócil, seguir seus pastores.” (São Pio X, Vehementer Nos, 11 fev. 1906; em Documentos Pontifícios: nº 88. Petrópolis: Vozes, 1957)

BENTO XV, Encíclica Ad Beatissimi Apostolorum:

Então, em qualquer momento em que a legítima autoridade enuncie algum mandato, a ninguém seja lícito transgredi-lo, por não lhe agradar; mas cada qual submeta a própria opinião à autoridade daquele a qual está sujeito, e a ele obedeça por mérito de consciência. Assim também ninguém, privadamente, ao publicar livros ou jornais, ou que fizer discursos públicos, comporte-se na Igreja como mestre. Todos sabem a quem foi confiado por Deus o Magistério da Igreja; a ele, portanto, se deixe livre o campo, a fim de que fale como e quando creia oportuno. É dever dos outros prestar a ele, quando fala, obséquio devoto, e obedecer à sua palavra.” (Bento XV, Ad Beatissimi, 1 nov 1914; em Documentos de Pio X e Bento XV. Tradução de Darci L. Marin. São Paulo: Paulus, 2002, pp. 308-309)

TRÊS ALTERNATIVAS INEVITÁVEIS:

1.ª ENTERRAR A TRADIÇÃO (MODO 1)
FRANCISCO É PAPA, mas não somos obrigados a dar assentimento às decisões da Sé Apostólica, salvo no que for de fé e moral. HERESIA.

2.ª ENTERRAR A TRADIÇÃO (MODO 2)
FRANCISCO É PAPA e devemos dar nosso assentimento e sustentar com ele coisas como: comunhão para recasados (AAS CVIII n. 10), uma fraternidade universal pluralista, sem Cristo Rei (Fratelli Tutti), a exclusividade da Missa de Lutero (Traditionis Custodes) etc. HERESIA.

3.ª DEFENDER A TRADIÇÃO
FRANCISCO NÃO É PAPA, porque, se ele fosse um, os que o reconhecem não viveriam neste dilema diabólico: ou reconhecê-lo desobedecendo (cisma que termina em heresia), ou obedecê-lo descrendo (heresia que termina em cisma).

COMO É POSSÍVEL QUE FRANCISCO NÃO SEJA PAPA?

SÃO ROBERTO BELARMINO RESPONDE:

“É manifesto que o papa herege cessa por si de ser papa e cabeça, assim como por si cessa de ser cristão e membro do corpo da Igreja, razão pela qual a Igreja pode julgá-lo e puni-lo. ESTA É A SENTENÇA DE TODOS OS ANTIGOS PADRES, que ensinam que os hereges manifestos perdem imediatamente toda jurisdição” (Sobre o Sumo Pontífice II, 30).

Se nós, como diz o CDB, não temos autoridade, imagine um Papa Herético! O tal carece de toda a autoridade, eis o que nos ensina a Tradição!