Explicações, vocações e doações

Neste vídeo explicamos como foram os principais eventos que aconteceram em nosso Seminário até aqui, sobretudo o início de suas atividades e primeira visita pastoral de Monsenhor Daniel Dolan ao Brasil. Em seguida, convidamos os moços que estão por eleger seu estado de vida a consideração da vocação sacerdotal. Por fim, agradecemos a todos os que nos ajudaram neste interim e pedimos que continuem a nos apoiar nesse grande projeto, cujos beneficiados serão todos os católicos que amam a Santa Igreja de todo coração, que a amam em sua imutável doutrina, culto e disciplina.

As viagens do Santa Carona: a doutrina católica sobre o Papa

Este vídeo é dedicado ao autor do canal Santa Carona, o qual publicou um vídeo contra o sedevacantismo, a posição que defendemos aqui no Controvérsia Católica. Este vídeo marca a primeira interação entre o canal Controvérsia Católica e o canal Santa Carona, primeiro de um série que pretende tocar nos pontos principais da crítica do Santa Carona ao sedevacantismo. Hoje falaremos um pouco sobre a doutrina católica sobre o Papado.

Apesar do caráter polêmico desta série, o nosso tom é manso e amigável, sobretudo porque o Santa Carona possui um conceito católico de Papado, o que é meio-caminho andado para se tornar um sedevacantista. De fato, coisa rara é encontrar alguém entre os modernistas (inclusive os mais tradicionais como aqueles da linha Monttfort, IBP e Padre Paulo Ricardo) e ainda mais entre os tradicionalistas (aos quais ele chama de rad-trads), que tenha conservado uma justa compreensão da dimensão e altura do poder do Romano Pontífice.

Eu pessoalmente devo muito de minha adesão ao sedevacantismo ao fato de crer firmemente no Papado e de assim ter percebido que não era qualquer pessoa que poderia ocupá-lo. A pessoa, pensava eu, tinha que ao menos acreditar na doutrina católica. O Santa Carona ainda não chegou nesse nível de entendimento das coisas, mas pelo menos entende que o Papa criticável em matéria de fé e moral é um não-Papa e que o que defende essa tese de um Papa criticável é um não-cristão, porque é da natureza do Papa ser mestre nesses assuntos e é da natureza do cristão crer nessa doutrina revelada por Deus; ele sabe ainda que seria ao cristão um pecado gravíssimo desobedecer a um verdadeiro e legítimo Papa.

Tudo isso é muito bom e muito certo e nós cá estamos para subscrever essa verdade que nos trouxe o Santa Carona. Ele peca por ignorância ao querer nos ensinar com o Catecismo de São Pio X, ao qual bem conhecemos e que já aprofundamos com a leitura da Pastor Aeternus e outros documentos pontifícios sobre o Papado; porém, essa é a mesma doutrina em que cremos de coração e com a boca professamos. Tanto é assim, que gostaria de confirmar e aprofundar o que foi dito por ele com este ensinamento autoritativo de Leão XIII:

“Pois bem, nestas duas ordens de coisas, isto é, quanto ao que se deve crer e ao que se deve fazer, compete por Direito Divino à Igreja e, na Igreja, ao Romano Pontífice determiná-lo. E eis a razão do porque o Romano Pontífice deve ter autoridade para julgar que coisas contenha a palavra de Deus, que doutrinas concordem com ela e quais dela desdigam; e, do mesmo modo, determinar o que é bem e o que é mal; o que se deve fazer e o que se deve evitar para conseguir a salvação eterna. Se isso não se pudesse fazer, o Papa não seria intérprete infalível da vontade de Deus, nem o guia seguro da vida do homem.” (Leão XIII, Sapientiae Christianae, n. 35, 10 jan 1890; em Documentos de Leão XIII. Tradução de Honório Dalbosco e e Lourenço Costa. São Paulo: Paulus, 2005, pp. 396-397)

Esta é a doutrina sobre o Papa em que acreditamos. O Romano Pontífice é aquele na Igreja que diz o que se deve crer e fazer, o Romano Pontífice é o intérprete infalível da vontade de Deus e guia seguro da vida do homem. A nossa obediência ao Romano Pontífice deve ser integral nessas matérias e ponto final.

O problema pouco notado é que este ponto essencial da doutrina católica é negado não pelos sedevacantistas, mas pelos não sedevacantistas! Não falo de simples fiéis modernistas como o sr. do Santa Catona, mas dos seus chefes, daqueles do mais alto escalão, e dos luminares do modernismo; falo, infelizmente falo, daqueles que deveriam ser os primeiros a professar esta santa doutrina!

Sim, desde a era do Vaticano II, desde os tempos de João XXIII, tornou-se de praxe rebaixar a dignidade papal às custas de um “itinerário ecumênico”. Essa obra tem sido continuada até os nossos dias, da deposição pública da tiara papal por parte de Paulo VI até o abandono dos sapatos vermelhos por Bergoglio.

Do ponto de vista doutrinal, logrou-se grande progresso com a doutrina da colegialidade dos bispos e do sacerdócio dos crentes entendido naquele sentido bem luterano. O primeiro em particular coloca o Romano Pontífice como um entre outros no colégio dos Bispos, um passo decisivo em direção do febronismo condenado por Pio VI na bula Auctorem Fidei e, sem dúvida, um notável abandono da doutrina da Pastor Aeternus.

Por causa dessas e outras mudanças doutrinas e disciplinares que não convém detalhar nessa breve introdução, temos que a fé no Papado é muito rara hoje em dia e que os altos escalões do modernismo simplesmente a negam. Na verdade, eles são os primeiros a defender a tese do Papa criticável, aquela tese que o Santa Carona condena com razão; a tese, digo eu, do Papa que já não é Papa, do Papa que o ecumenismo, a colegialidade, a Igreja governada de forma sinodal e a desenfreada “liberdade dos teólogos” transformou em uma rainha da Inglaterra, um Primado de honra somente, um príncipe que reina, mas não governa.

Ouçamos a doutrina de Joseph Ratinger sobre a matéria:

Ratzinger explica que criticar os pronunciamentos do Papa é possível e por vezes mesmo necessário

Em 1969, o futuro Papa Bento XVI, então Pe. Joseph Ratzinger, escreveu que criticar as declarações papais era não só possível mas até necessário, sempre que o Papa pudesse desviar-se do depósito da fé e da tradição apostólica. O Papa Bento XVI incluiu estas observações na antologia dos seus escritos, ‘Fede, ragione, verità e amore’ de 2009. Tais observações, que agora publicamos abaixo traduzidas, são particularmente relevantes à luz da correção filial ao Papa Francisco:

«Devemos evitar especialmente a impressão de que o Papa (ou o ofício em geral) só pode reunir e expressar, de tempos em tempos, a média estatística da fé viva, para a qual não é possível uma decisão contrária a esses valores estatísticos médios (os quais, para além do mais, são problemáticos em sua verificabilidade).

A fé baseia-se nos dados objetivos da Escritura e do dogma, que nos tempos obscuros também podem desaparecer assustadoramente da consciência da maior parte do cristianismo (em termos estatísticos), sem perder de qualquer forma, contudo, o seu carácter obrigatório e vinculativo.

Neste caso, a palavra do Papa pode e deve certamente ir contra as estatísticas e contra o poder de uma opinião que pretende fortemente ser a única válida; e isso deve ser feito de forma tão decisiva quanto o testemunho da tradição é claro (como no caso apresentado). Pelo contrário, a crítica dos pronunciamentos papais será possível e até necessária quando carecem de fundamentação na Escritura e no Credo, isto é, na fé de toda a Igreja.

Quando não se tem o consenso de toda a Igreja, nem existem evidências claras das fontes, não é possível uma decisão vinculativa e definitiva. Se tal acontecesse formalmente, faltariam as condições para tal ato e, portanto, teria de ser levantada a questão quanto à sua legitimidade.» – Das neue Volk Gottes: Entwürfe zur Ekklesiologie, (Düsseldorf: Patmos, 1972) p. 144. Fede, ragione, verità e amore, (Lindau 2009), p. 400.

Como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e mais tarde como o Papa Bento XVI, Ratzinger continuou as suas reflexões sobre os limites do poder do Pontífice Romano para contrariar a imutável doutrina:

Cardeal Joseph Ratzinger, 1998:

«O Romano Pontífice está como todos os fiéis submetido à Palavra de Deus, à fé católica e é garante da obediência da Igreja e, neste sentido, servus servorum. Ele não decide segundo o próprio arbítrio, mas dá voz à vontade do Senhor, que fala ao homem na Escritura vivida e interpretada pela Tradição; noutros termos, a episkopè do Primado tem os limites que procedem da lei divina e da inviolável constituição divina da Igreja, contida na Revelação. O Sucessor de Pedro é a rocha que, contra a arbitrariedade e o conformismo, garante uma rigorosa fidelidade à Palavra de Deus: daí resulta também o carácter martirológico do seu Primado.»

Papa Bento XVI, 2005:

«O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.»

Andrew Guernsey in ‘Rorate Caeli’
(Tradução: odogmadafe.wordpress.com)


Esse artigo foi publicado em um site famoso em círculos mais tradicionais do modernismo, o que é uma prova adicional de que o tradicionalismo não sedevacantista é simplesmente o modernismo doutrinal com roupagem tradicional.

Então aqui encarro o nosso primeiro argumento. Se o senhor realmente crê com São Pio X e Leão XIII que todo o católico deve crer que o Papa é intérprete infalível da vontade de Deus e guia seguro da vida do homem, então o senhor não pode crer que os mesmos homens que defendem o contrário sejam católicos e tampouco os chefes da religião católica.

O Magistério da Igreja segue sendo infalível e os homens seguem sendo livres para rebelar-se contra ele. Nós sedevacantistas rechaçamos esta “liberdade de perdição” do modernismo com respeito ao Papa, nós somos fiéis ao Magistério e não entendemos como representantes dele homens como Ratzinger, cuja vida e obra consiste na negação das prerrogativas do Papado.

Há certamente algumas nuances que devem ser melhor esclarecidas em vídeos posteriores, mas aqui está lançada a semente a partir da qual o senhor vai começar a entender a mentalidade sedevacantista que é simplesmente o catolicismo bem professado e aplicado em assuntos de Papado.

Os tradicionalistas, a Infalibilidade e o Papa

OS TRADICIONALISTAS, A INFALIBILIDADE E O PAPA

Pelo Rev. Padre Anthony Cekada

Traduzido e primeiramente publicado em vernáculo por Católico Romano
Acesse www.catolicoromano.com.br

Índice

Introdução

Os mesmos homens que teriam autoridade na Igreja ensinam erros e impõem disciplinas e leis prejudiciais. Como conciliar isso com a infalibilidade?

Se você assiste regularmente a Missa Tradicional em Latim, é porque em algum momento concluiu que a Missa e os ensinamentos antigos eram Católicos e bons, enquanto a nova Missa e os ensinamentos modernos, de alguma forma, não.

Mas você (assim como eu) provavelmente teve alguns medos no início:

E se a Missa Antiga que eu vou não tiver a aprovação da minha diocese? Estou desafiando as autoridades legítimas da Igreja? Estou desobedecendo o Papa?

Essa é a chamada “questão da Autoridade”, que parece apresentar um dilema. A Igreja ensina que o papa é infalível em questões de fé e moral. Além disso, bons católicos costumam obedecer às leis do papa e da hierarquia. Maus católicos, por sua vez, escolhem as leis que querem obedecer.

De outra parte, aqueles homens que teriam autoridade na Igreja mandam aceitar doutrinas e uma Missa que é prejudicial à fé ou, pelo menos, tem efeitos desastrosos. O que um católico deveria fazer nesse caso?

Por que rejeitar as mudanças?

Para resolver esse dilema, vale considerar por qual razão deixamos de ir nas paróquias que seguem o Vaticano II [e a missa nova n.d.T.]. Na maioria dos casos, a razão foi o conhecimento de algum tipo de contradição com o ensinamento Católico já definido ou a irreverência no culto. Em outras palavras, notamos algum elemento na religião moderna que fosse [algum tipo de] erro doutrinal ou mal.

Dificilmente nossas objeções se relacionavam com pequenos detalhes irrelevantes. As novas doutrinas, ao contrário, apresentaram-se como mudanças em aspectos essenciais – compromissos, falsificações, ou contradições diretas com o antigo ensinamento Católico. Talvez tenhamos passado a entender o novo sistema de culto como um mal – algo irreverente, indigno do Santíssimo Sacramento, repugnante à doutrina Católica, ou, em última análise, destrutivo para a fé de milhões de almas.

Foram razões de peso como essas – e não meros caprichos – que nos moveram a resistir e rejeitar as mudanças.

A esse ponto, tendo reconhecido (como é devido) que alguns pronunciamentos ou leis que emanavam [e emanam n.d.t] da hierarquia pós Vaticano II continham erros ou males, nos encontramos, de fato, no caminho certo para resolver a aparentemente espinhosa questão da autoridade. Vamos examinar porquê.

Alguns erros e males.

Comecemos por listar alguns erros e males oficialmente aprovados pelo Vaticano II e seus papas:

  • O ensinamento do Vaticano II (e do Código de direito canônico(CIC) de 1983) de que a Igreja de Cristo ‘subsiste na‘ Igreja Católica. O que implica que a verdadeira Igreja de Cristo também subsiste em outros corpos religiosos.
  • A abolição no Vaticano II e no CIC de 83 da distinção tradicional entre os fim primário (procriativo) e o secundário (unitivo) do matrimônio, colocando ambos em mesmo nível, e revertendo sua ordem. Essa mudança fornece um tácito apoio à contracepção, visto que a proibição contra o controle de natalidade baseava-se no ensinamento de que a procriação era o fim primário do matrimônio.
  • A supressão sistemática, na versão latina original do Missal de Paulo VI, dos seguintes conceitos: inferno, julgamento divino, a Ira de Deus, castigo pelo pecado, a perversidade do pecado como o maior de todos males, desapego do mundo, purgatório, as almas dos defuntos, Reinado de Cristo sobre a Terra, A Igreja Militante, o triunfo da fé católica, os males da heresia, do cisma e do erro, a conversão dos acatólicos, os méritos dos santos e os milagres. A remoção dessas doutrinas da liturgia tinha a intenção de assinalá-las como não sendo mais verdadeiras, ou pelo menos afirmar que elas não eram mais tão importantes para serem lembradas nas orações oficiais da Igreja.
  • A aprovação oficial de Paulo VI para a comunhão na mão. Essa prática foi imposta pelos protestantes do século XVI para negar a transubstanciação e a natureza sacramental do sacerdócio.
  • O documento oficial de Introdução da Nova Missa que ensinava que esta era uma ceia-reunião, concelebrada pela congregação e seu presidente, durante a qual Cristo estava presente no povo, nas leituras da Escritura, e no pão e no vinho. Este é um entendimento protestante e modernista da Missa, e foi o pilar teórico para os subsequentes “abusos” que viriam.

Os ensinamentos de Bento XVI

Ao que já foi mencionado, poderíamos adicionar vários ensinamentos de João Paulo II e Bento XVI, ambos falsamente retratados como “conservadores”. Os seus pronunciamentos e escritos revelam-se permeados de um problema teológico que vai muito além da questão da Missa Nova vs a Antiga.

Bento XVI, quando ainda era Joseph Ratzinger, era um expoente teólogo modernista durante o Vaticano II, e deixou um longo rastro em escritos contendo seus erros. Ele foi o arquiteto chefe da nova teologia que postulava um “Povo de Deus” e uma “Igreja de Cristo” não idêntica à Igreja Católica Romana – ao contrário uma Super Igreja [mais universal n.d.t.] ou uma “Frankengreja” [referência ao Frankenstein] criada a partir de elementos da verdadeira Igreja que estavam presentes ou de maneira completa(pelos católicos) ou parcialmente(pelos hereges e cismáticos).

O esparadrapo que sustentava essa besta ecumênica [referindo-se ao Frankestein que tinha esparadrapos sustentando o corpo. N.d.T.] era a noção de Ratzinger de Igreja como “comunhão”. Como Cardeal e consultor doutrinal chefe de João Paulo II ele desenvolveu essa ideia na carta da Congregação para Doutrina da Fé(CDF) sobre A Igreja Comunhão [1], na Declaração Dominus Iesus, no Código de Direito Canônico de 83 e no Catecismo de 97.

Vejamos algumas proposições típicas dos ensinamentos de Ratzinger:

  • Corpos cismáticos são “Igrejas particulares” unidas a Igreja Católica por “estreitíssimos vínculos”. (Communion 17, ver nota 1)
  • A igreja universal é o “corpo das igrejas particulares” (ibid. 8)
  • Igrejas cismáticas tem uma existência ‘ferida’. (ibid. 17)
  • A “Igreja Universal torna-se presente nelas [as igrejas particulares] em todos os seus elementos essenciais” (ibid. 17).
  • A Igreja de Cristo está “presente e ativa” nas igrejas que rejeitam o papado. (Dominus Iesus 17)
  • Pelo batismo a pessoa torna-se membro do “Povo de Deus” (Catecismo 782)
  • Todo esse Povo de Deus participa no ofício de Cristo. (ibid. 783)
  • O corpo de Cristo, a Igreja, está “ferida” (ibid. 817)
  • O Espírito de Cristo utiliza-se de corpos heréticos e cismáticos como “meios de salvação.” (ibid. 819)
  • Cada “igreja particular” é “católica”, porém algumas são “plenamente católicas”.(ibid. 832, 834)

Esses ensinamentos são contrários ao artigo da Fé Divina e Católica: “Creio na Igreja Una, Santa…”. “Una” no Credo se refere à propriedade da Igreja pela qual ela é “indivisa em si mesma e separada de qualquer outra” na fé, na disciplina e no culto. Os ensinamentos de Ratzinger são também contrários ao ensinamento dos Padres da Igreja e do magistério ordinário universal que afirma que os hereges estão “fora da comunhão católica e estranhos à Igreja” (Papa Leão XIII)

A Igreja não pode oferecer o Mal.

Uma lista desses ensinamentos contrários ao ensinamento da Igreja poderia seguir por páginas a fio. Mas o que estamos tentando dizer é que cada item desses ensinamentos podem ser classificados com um erro (uma contradição ou mudança substancial com os ensinamentos do magistério pré-Vaticano II) ou como um mal (algo ofensivo para Deus, e nocivo para salvação das almas). Mas a mesma fé que nos diz que essas mudanças são más nos diz também que a Igreja não pode falhar no seu ensinamento ou oferecer algo mal.

Uma das essenciais propriedades da Igreja Católica é sua indefectibilidade. Isso significa, entre outras coisas, que seus ensinamentos são “imutáveis e sempre permanecem os mesmos” (Santo Inácio de Antioquia). É impossível que ela contradiga seus próprios ensinamentos.

Ademais, outra propriedade essencial da Igreja de Cristo é sua infalibilidade. E ela não se aplica (como alguns católicos tradicionais costumam pensar) apenas em raros pronunciamentos papais ex cathedra como os que definiram a Imaculada Conceição ou a Assunção. A infalibilidade estende-se também às leis disciplinares universais da Igreja.

O princípio, estabelecido em textos clássicos de teologia dogmática tais como Salaverri (I:722), Zubizarreta (I:486), Herrmann (I:258), Schultes (314-7) e Abarzuza(I:447), é tipicamente explicado da seguinte forma:

“A infalibilidade da Igreja se estende… às leis eclesiásticas aprovadas para a Igreja universal para a direção do culto e da vida cristã… Mas a Igreja é infalível quando emite um decreto doutrinário como o declarado acima – de tal forma que ela não pode nunca sancionar uma lei universal que estivesse em desacordo com a fé ou a moral; ou que por sua natureza mesma fosse nociva para as almas…

“Se, conforme foi alegado, a Igreja pudesse cometer um erro dessa maneira quando legisla uma disciplina geral, Ela não seria mais uma fiel guardiã da doutrina revelada nem uma Mestra digna de confiança da vida cristã.

“Não seria guardiã da doutrina revelada, porque a imposição de uma lei má (viciosa) seria, para todos os efeitos práticos, equivalente a uma definição doutrinária errônea; [n.d.t. quando a Igreja impõe uma lei] todos concluem [concluiriam] que o que foi imposto é compatível com a sã doutrina.

“Não seria mestra da vida cristã porque através de suas leis ela traria corrupção para a prática da vida religiosa”. [Van Noort, Teologia Dogmática. 2:91. Destaques do original] É impossível, portanto, que a Igreja possa transmitir algum mal através de suas leis – inclusive em suas leis que regulam o culto.

O reconhecimento, por um lado, de que a hierarquia pós-Vaticano II oficialmente sancionou erros e males; e, por outro lado, a consideração das propriedades essenciais da Igreja levam-nos a uma conclusão a respeito da autoridade dessa hierarquia:

Dada a indefectibilidade da Igreja no seu ensinamento ( ele não pode mudar) e a infalibilidade em suas leis disciplinares universais (que não podem comprometer a fé ou pôr em perigo as almas), é impossível que os erros e males que catalogamos possam, de fato, vir da autoridade da Igreja. Deve haver uma outra explicação.

Perda de ofício por heresia

A única explicação que preserva a doutrina da Infalibilidade e indefectibilidade da Igreja é que os clérigos que promulgaram tais erros e males de alguma forma perderam, enquanto indivíduos, a autoridade dos ofícios na Igreja que eles aparentavam possuir – ou que eles nunca possuíram tal autoridade diante de Deus. Os seus pronunciamentos tornaram-se juridicamente vazios e estavam inaptos a vincular os católicos – da mesma forma que os decretos dos bispos na Inglaterra que aceitaram a heresia protestante no século XVI tornaram-se vazios de autoridade para os católicos.

Tal perda de autoridade decorre de um princípio geral em Direito Canônico:a defecção pública da Fé Católica priva automaticamente uma pessoa de todos os ofícios que ela possa manter. Se se pensa no assunto, é algo que faz todo sentido: Seria absurdo que alguém que não professasse verdadeiramente a Fé Católica tivesse autoridade sobre os católicos que a professam.

O princípio dessa perda automática de ofício aplica-se aos padres, bispos diocesanos e qualquer outro ofício similar na igreja, incluindo o Papa.

Perda do Ofício Papal

Teólogos e canonistas como São Roberto Belarmino, Caetano, Suarez, Torquemada, Wernz e Vidal sustentam que, sem comprometer a doutrina da infalibilidade papal, mesmo um papa (como indivíduo, obviamente) pode tornar-se um herege e então perder o pontificado. Alguns desses autores mantém ainda que um papa poderia tornar-se até mesmo um cismático.

No seu grande tratado sobre o Romano Pontífice, São Roberto Belarmino, por exemplo, coloca a seguinte questão: “Se um papa herege pode ser deposto”. Note, já de início, que a pergunta pressupõe que pode haver um papa herege. Após uma longa discussão, ele conclui:

“Um papa que é um herege manifesto automaticamente (per se) cessa de ser papa e cabeça, da mesma forma que automaticamente ele deixou de ser Cristão e membro da Igreja. Donde segue que ele pode ser julgado e punido pela Igreja. Este é o ensinamento de todos os antigos Padres que ensinam que um herege manifesto perde automaticamente toda jurisdição”. [De Romano Pontifice. II. 30. Destaques meus.] Belarmino cita passagens de Cipriano, Driedonus e Melchior Cano para apoiar sua posição. A base para esse ensinamento, diz ele, é que um herege manifesto não é de nenhum modo membro da Igreja – nem da sua alma nem do seu corpo, nem por união interna ou externa.

Outros grandes canonistas e teólogos posteriores a Belarmino apoiaram a mesma posição. Wernz-Vidal no seu Ius Canonicum, trabalho de 8 volumes publicado em 1943, que é talvez o mais respeitado comentário ao direito canônico de 1917, afirma:

“Por heresia notória e abertamente divulgada, o Romano Pontífice, se cair em heresia, pelo próprio fato (ipso facto) é tido como privado do poder de jurisdição, antes mesmo de qualquer juízo declaratório da Igreja… Um papa que cai publicamente em heresia cessaria ipso facto de ser membro da Igreja; portanto, ele também cessaria de ser cabeça da Igreja”. [II:453. Destaques originais.]

Canonistas Pós Vaticano II

A possibilidade de que um papa possa tornar-se um herege e perder seu ofício é também reconhecido por um comentário autorizado do código de direito canônico de 1983:

“Clássicos canonistas discutiram a questão de se um papa, em suas opiniões privadas ou pessoais, poderia entrar em heresia, apostasia ou cisma. Se ele o fizesse de modo notório e amplamente público, ele perderia a comunhão, e, segundo uma opinião geralmente aceita, perderia seu ofício ipso facto. (c. 194 ss1, 2º ). Como ninguém pode julgar o papa (c.1401), ninguém poderia depor um papa por tais crimes, e os autores estão divididos de que como a perda do ofício seria declarada para que a vacância pudesse ser preenchida por uma nova eleição. [J. Corridan et al., eds., The Code of Canon Law: A Text and Commentary commissioned by the Canon Law Society of America (New York: Paulist 1985), c. 333.] O princípio que um papa herege perde automaticamente seu ofício, portanto, é amplamente admitido por uma grande variedade de Católicos canonistas e teólogos.

Papas Inocêncio III e Paulo IV

Até mesmo papas levantaram a possibilidade que um herege poderia de algum modo chegar ao trono de Pedro

Papa Inocêncio III (1198-1216), um dos maiores defensores da autoridade papal na história do papado, ensina:

“Ainda menos o Romano Pontífice pode se vangloriar, pois ele pode ser julgado pelos homens – ou melhor, ele pode ser demonstrado julgado, se ele manifestamente ‘perder o sabor’ pela heresia. Porque quem não crê já está julgado. [Sermo 4: In Consecratione PL 218:670] Durante a revolta protestante, o Papa Paulo IV (1555-1559), outro vigoroso defensor dos direitos do papado, suspeitou que um dos cardeais que tinham grande chances de ser eleitos papa no próximo conclave fosse secretamente herege.

Em 16 de fevereiro de 1559, por essa razão, ele publicou a Bula Cum ex Apostolatus Officio. O pontífice decretou que se, em qualquer tempo, surgir alguém eleito Pontífice Romano que tivesse anteriormente “[se] desviado da Fé Católica ou caído em alguma heresia”, sua eleição, ainda que com aprovação e consentimento unânime de todos cardeais, seria “nula, legalmente inválida e vazia.”

Todos atos subsequentes, leis e nomeações de tal papa invalidamente eleito, conforme Paulo IV decretou, “estariam privados de força, e não confeririam solidez ou qualquer poder legal.” Ele ordenou, além disso, que todos aqueles que foram nomeados para ofícios eclesiásticos por tal papa “,pelo mesmo fato e sem necessidade de nenhuma outra declaração, estariam privados de qualquer dignidade, posição, honra, título, autoridade, ofício ou poder.”

A possibilidade de heresia e a concomitante falta de autoridade por parte dos indivíduos que pareciam ser Papas não é de modo algum absurda, e é fundada no ensinamento de pelo menos dois papas.

As alternativas

Para simplificar, por um lado sabemos que a Igreja não pode falhar. E por outro, sabemos que teólogos e, até mesmo papas, ensinam que um papa como indivíduo pode se desviar da Fé, e então perder seu ofício e autoridade.

Uma vez que reconhecemos os erros e males da religião do pós-Vaticano II, duas opções se apresentam:

(1) A Igreja falhou

(2) Homens falharam e perderam seus ofícios e autoridade.

Diante de tal situação, a lógica da fé prescreve que afirmemos a indefectibilidade da Igreja, e admitamos a defecção dos homens.

Posto de maneira diferente, reconhecer que as mudanças são falsas, más, que devem ser rejeitadas é também, implicitamente, reconhecer que os homens que as promulgaram não possuem a autoridade da Igreja. Todos tradicionalistas, alguém poderia dizer, são, na realidade, ‘sedevacantistas’ – simplesmente, alguns ainda não perceberam isso.

Assim a questão da autoridade está resolvida. Os Católicos que estão lutando para preservar a Fé após a apostasia do Vaticano II não tem qualquer obrigação de obedecer aqueles que perderam seus ofícios pela adoção de erros.

Em suma:

  • As Leis e Ensinamentos (oficialmente sancionados) do Vaticano II e do Magistério subsequente incorporam erros e/ou promovem o mal.
  • Como a Igreja é indefectível, seus ensinamentos não podem mudar, e porque ela é infalível, suas leis não podem propagar o mal.
  • É, por conseguinte, impossível que os erros e males, oficialmente sancionados no Vaticano II e nos ensinamentos e Leis pós concílio, possam ter vindo da autoridade da Igreja.
  • Aqueles que promulgaram tais erros e males de alguma forma não tinham uma autoridade real na Igreja.
  • Canonistas e teólogos ensinam que a defecção da Fé, uma vez manifesta, traz consigo a perda automática de qualquer ofício eclesiástico (autoridade). Eles aplicam esse princípio até mesmo para um papa que, enquanto capacidade pessoal, de alguma forma se tornasse herege.
  • Até mesmo Papas admitiram a possibilidade de que um herege pudesse algum dia terminar no trono de Pedro. Paulo IV decretou que a eleição de tal papa seria inválida, e que ele não teria nenhuma autoridade.
  • Como a Igreja não pode falhar, mas um papa, enquanto indivíduo, pode (como, a fortiori, podem os bispos diocesanos), a melhor explicação para os erros e males pós vaticano II que nós catalogamos é que eles procedem de indivíduos que, apesar de ocuparem o Vaticano e várias catedrais diocesanas, não possuíam, objetivamente, autoridade canônica.

DEMONSTRAMOS AMPLAMENTE aqui que é contra a Fé católica afirmar que a Igreja pode ensinar o erro ou promulgar leis más. Mostramos também que o Vaticano II e suas reformas nos transmitiram erros contra a doutrina Católica e leis más e hostis à salvação das almas.

A fé mesma nos obriga a afirmar que aqueles que ensinam estes erros e promulgam essas leis, por mais que mantenham toda aparência, de fato não têm a autoridade da Igreja Católica. Somente assim se pode preservar a indefectibilidade da Igreja. Devemos então, como católicos, afirmar que a Igreja é Indefectível e Infalível, rejeitar e repudiar a reivindicação de que Paulo VI e seus sucessores tenham sido papas verdadeiros.

Por outro lado, deixamos para a autoridade da Igreja, quando voltar a atuar de modo regular, declarar com autoridade que estes supostos papas não o eram de fato. Nós, como simples padres, não podemos fazer juízos com autoridade, seja legal ou doutrinal, que pudessem obrigar as consciências dos fiéis.

Nós católicos tradicionais, por fim, não fundamos uma nova religião, mas estamos, simplesmente, ‘tomando medidas’ para preservar a Fé e o culto Católico até que venham dias melhores. Nesse meio tempo, esse objetivo é melhor servido se nós nos dirijamos a estas questões espinhosas com atenção não apenas aos princípios teológicos, mas também com a virtude teologal da Caridade.

Notas

[1] Carta aos Bispos sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão, da [assim chamada n.d.t.] Congregação para Doutrina da Fé(CDF) de 1992

Apêndice 1

Heresia e perda do Ofício Papal

Pode parecer surpreendente aos Católicos instruídos na doutrina da infalibilidade papal que um papa, como doutor (mestre) privado, possa, por sua vez, cair em heresia e automaticamente perder seu ofício. Para evitar que se pense que esse princípio é uma fantasia inventada por tradicionalistas “fanáticos”, ou, na melhor das hipóteses, que se trata de uma opinião minoritária expressa por um ou dois escritores católicos obscuros, vamos reproduzir alguns textos dos papas, santos, canonistas e teólogos.

Leitores leigos podem não estar familiarizados com nomes como Coronata, Iragui, Badiim Prummer, Wernz, Vidal, Beste, Vermeersch, Creusen, e Regatillo. Estes padres foram autoridades internacionalmente reconhecidas em suas áreas de atuação antes do Vaticano II. Nossas citações foram retiradas dos seus massivos tratados em Direito Canônico e Teologia Dogmática.

Matthaeus Conte a Coronata (1950) “III. Designação para o Ofício do Primado [i.e. papado]”

“1º O que é necessário por lei divina para essa designação: (a) É necessário que a designação seja de um homem que possua o uso da razão – e isto pelo menos por causa da ordenação que o Primaz [o papa, N.d.T.] deve receber para possuir o poder das Ordens Sagradas. Na verdade, isso é requerido para a validade da designação.”

“Também é requerido para a validade que a designação seja de um membro da Igreja. Hereges e apóstatas (pelo menos os de público) estão assim excluídos.” …

“2º Perda de ofício do Romano Pontífice. Isso pode ocorrer de várias formas:…”

“c) Heresia Notória. Certos autores negam a suposição de que um Romano Pontífice possa, de fato, tornar-se herege.

“No entanto, não pode ser provado que o Romano Pontífice, como mestre privado, não possa tornar-se herege – se, por exemplo, ele costumazmente negasse um dogma previamente definido. Tal impecabilidade nunca foi prometida por Deus. Na verdade, o Papa Inocêncio III expressamente admite que um caso assim é possível.

“Se semelhante situação acontecesse, ele [o Pontífice Romano] cairia, por lei divina, do seu ofício sem nenhuma sentença, sem nem mesmo sentença declaratória. Aquele que abertamente professa heresia coloca-se fora da Igreja, e não é possível que Cristo preservaria o Primado da sua Igreja em alguém tão indigno. Donde, se o Romano Pontífice professasse heresia, antes de qualquer sentença declaratória (que de qualquer forma seria impossível) ele perderia sua autoridade.” Instituitiones Iuris Canonici. Rome: Marietti 1950. 1:312, 316. (Destaques meus)

Papa Inocêncio III (1198) “Para este fim, a fé é tão necessária para mim que, embora para outros pecados eu tenha apenas Deus como juiz, basta um pecado cometido contra a fé para que eu possa ser julgado pela Igreja.” Sermo 2 In Consecratione PL 218:656.

“Vós sois o sal da terra… ainda menos o Romano Pontífice pode se envaidecer, porque ele pode ser julgado pelos homens – ou ainda, ser mostrado como julgado, se ele manifestamente ‘perder seu sabor’ pela heresia. porque quem não crê já está julgado.” Sermo 4: In Consecratione PL 218:670.

Santo Antonino (+1459) “No caso em que um papa se tornasse um herege, ele se encontraria, pelo fato em si e sem nenhuma outra sentença, separado da Igreja. Uma cabeça separada de um corpo não pode, enquanto se mantenha separada, ser cabeça do corpo do qual foi extirpada(cortada).”

“Um papa que fosse separado da Igreja por heresia, portanto, pelo mesmo fato cessaria de ser cabeça da Igreja. Ele não poderia ser um herege e permanecer papa, porque, como ele está fora da Igreja, não poderia possuir as chaves da Igreja.” Summa Theologica, citada em Actes de Vatican I. V. Frond pub..

Papa Paulo IV (1559) “Ademais, se alguma vez aparecesse que algum bispo (ainda que fosse um atuando como arcebispo, patriarca ou primaz), ou um cardeal da Igreja Romana, ou legado (como mencionado acima), ou ainda o Romano Pontífice (seja antes de sua promoção a cardeal, ou antes de sua eleição para ser Romano Pontífice), tenha se desviado da Fé católica ou caído em alguma heresia, [Nós ordenamos, decretamos, determinamos e definimos]:”

“ – Essa promoção ou eleição em ou de si, ainda que com conformidade ou consentimento unânime de todos os cardeais, será nula, legalmente inválida e vazia.”

“- Não deve ser possível uma promoção ou eleição dessas ser tida como válida ou ser validada, nem através de recepção de ofício, consagração, subsequente administração, posse, ou putativa entronização de um Romano Pontífice, acompanhada da veneração e obediência devidas por parte de todos”

“ Essa promoção ou elevação, nas condições expostas acima, por nenhum espaço de tempo, nem de modo algum, será considerada, ainda que parcialmente, válida.”

“Todas e cada uma das palavras, atos e leis, nomeações daqueles assim promovidos ou eleitos – e, na verdade, tudo que daí vier – não terá força, e não garantirá qualquer solidez ou poder legal a ninguém.”

“Aqueles promovidos ou eleitos, por esse mesmo fato, sem necessidade de qualquer declaração posterior, serão privados de qualquer dignidade, posição, honra, título, autoridade, ofício e poder.” Bula Cum ex Apostolatus Officio. 16 de fevereiro de 1559.

São Roberto Belarmino (1610) “Um papa que é herege manifesto automaticamente (per se) cessa de ser papa e cabeça, da mesma forma que automaticamente ele deixou de ser Cristão e membro da Igreja. Donde segue que ele pode ser julgado e punido pela Igreja. Este é o ensinamento de todos os antigos Padres que ensinam que um herege manifesto perde automaticamente toda jurisdição. De Romano Pontifice. II. 30.”

Santo Afonso de Ligório(+1787) “Se mesmo um papa, enquanto pessoa privada, caísse em heresia, ele cairia do pontificado.” Oeuvres Complètes. 9:232

Vaticano I (1869), Serapius Iraqui (1959) “O que dizer se caso o Romano Pontífice se tornasse um herege? No Concílio Vaticano I, a seguinte questão foi proposta: Pode o Romano Pontífice como pessoa privada cair em heresia manifesta?”

“A resposta então foi: ‘Firmemente acreditando na providência sobrenatural, nós pensamos que tais coisas muito provavelmente nunca ocorrerão. Mas Deus não falha em tempo de necessidade. Donde, se Ele permitisse um mal assim, não faltariam os meios para lidar com ele.'[Mansi 52:1109]”

“Os teólogos respondem do mesmo modo. Não podemos provar a absoluta improbabilidade de um evento dessa natureza [absolutam repugnantiam facti]. Por essa razão, os teólogos comumente concedem que o Romano Pontífice, se caisse em heresia manifesta, não seria mais membro da Igreja, e portanto não poderia ser chamado sua cabeça visível.” Manuale Theologiae Dogmaticae. Madrid: Ediciones Studium 1959. 371.

Wilhelm (1913) “Mesmo o próprio Papa, se culpado de heresia notória, cessaria de ser papa porque ele cessaria de ser membro da Igreja.” Catholic Encyclopedia. New York: Encyclopedia Press 1913. 7:261.

Caesar Badii (1921) “c) A lei agora em vigor para a eleição do Romano Pontífice se reduz a estes pontos:…

“Impedidos como inaptos de serem validamente eleitos são os seguintes: mulheres, crianças que não atingiram a idade da razão, aqueles que sofrem de habitual insanidade, os não-batizados, hereges e cismáticos….

Suspensão do poder pontifical. Esse poder cessa: … (d) Por heresia notória e abertamente divulgada. Um papa publicamente herege não seria mais membro da Igreja; por esta razão, ele não poderia mais ser sua cabeça.” Instituitiones Iuris Canoninci. Florence: Fiorentina 1921. 160, 165. (Destaques do original)

Dominic Prümmer (1927)O poder do Romano Pontífice é perdido: … (c) por sua perpétua insanidade ou por heresia formal. E isto pelo menos provavelmente…

“Os autores de fato comumente ensinam que um papa perde seu poder por heresia certa e notória, mas sobre se este caso é realmente possível há uma justa dúvida.

“Baseado, porém, na hipótese de que um papa pudesse cair em heresia como pessoa privada (pois como papa ele não poderia errar na fé, porque em fé ele seria infalível), vários autores deram respostas diferentes a respeito de como ele então iria ser privado do seu poder. Nenhuma das respostas, entretanto, excedem os limites da mera probabilidade”. Manuale Iuris Canonci. Gribourg in Briegsgau: Herder 1927. 95. (Destaques originais.)

F.X. Wernz, P. Vidal (1943) “Por heresia notória e abertamente divulgada, o Romano Pontífice, se ele caísse em heresia, por esse mesmo fato [ipso facto] seria tido como privado do poder de jurisdição mesmo antes de qualquer juízo declaratório por parte da Igreja…. Um papa que cai em heresia cessaria ipso facto de ser membro da Igreja; e então cessaria também de ser cabeça da Igreja.”Ius Canonicum. Rome: Gregoriana 1943. 2:453.

Udalricus Beste (1946) “Não poucos canonistas ensinam que, além de morte e abdicação, a dignidade pontifical pode ser perdida por clara insanidade e perda da razão, o que é legalmente equivalente à morte, bem como por heresia notória e manifesta. No último caso, um papa cairia automaticamente do seu poder, e isto, na verdade, sem que nenhuma sentença fosse emitida, porque a primeira Sé [i.e., A Sé de Pedro] não é julgada por ninguém.

“A razão é que, por cair em heresia, um papa cessa de ser membro da Igreja. Aquele que não é membro de uma sociedade, obviamente, não pode ser sua cabeça. Não podemos encontrar nenhum exemplo disso na história.” Introductio in Codicem. 3a Ed. Collegeville: St. John’s Abbey Press 1946. Canon 221.

A. Vermeersch, I. Creusen (1949) “O poder do Romano Pontífice cessa por morte, livre resignação (que é válida sem necessidade de nenhuma aceitação, c. 221), clara e inquestionável insanidade perpétua, e por heresia notória.

“Pelo menos de acordo com o mais comum ensinamento, O Romano Pontífice enquanto doutor privado pode cair em heresia manifesta. Então, sem nenhuma sentença declaratória (pois que a suprema Sede não é julgada por ninguém), ele automaticamente [ipso facto] cairia do poder que, como ele que não é mais membro da Igreja, estaria inapto a possuir.” Epitome Iuris Canonici. Rome: Dessain 1949. 340.

Eduardus F. Regatillo (1956) “O Pontífice Romano cessa seu offício: … (4) Por heresia pública e notória? Cinco respostas têm sido dadas:

“1. ‘O papa não pode ser herege ainda que enquanto doutor privado’. Essa é piedosa, mas há pouca base para ela

“2. ‘O papa perde o ofício ainda que por heresia secreta.’ Falsa, porque um herege em segredo pode ser membro da Igreja.

“3. ‘O papa não perde o seu ofício por causa de heresia pública.’ Improvável.

“4. ‘O papa perde o ofício por uma sentença jurídica de heresia pública’. Mas quem iria publicar a sentença? A primeira Sé não pode ser julgada por ninguém (Canon 1556).

“5. ‘O papa perde o ofício ipso facto por heresia pública.’ Esse é o mais comum ensinamento, porque ele não seria mais membro da Igreja, e portanto muito menos poderia ser sua cabeça.” Institutiones Iuris Canonici. 5a ed. Santander: Sal Terrae, 1956. 1:396. (Destaques originais)

Apêndice 2

Heresia: O pecado vs. O Crime

Alguns autores levantaram a seguinte objeção: Ninguém pode tornar-se um verdadeiro herege a menos que a Autoridade da Igreja primeiro o avise ou advirta sobre sua rejeição ao dogma. Somente após isso o sujeito teria a “pertinácia” (obstinação na falsa crença/fé) requerida para heresia. Ninguém teria emitido advertências aos papas pós-Conciliares sobre seus erros, então eles não podem ser pertinazes. Logo, não podem ser verdadeiros hereges.

Esse argumento confunde a distinção que os canonistas fazem entre dois aspectos da heresia:

(1) Moral: Heresia enquanto um pecado (peccatum) contra a lei divina.

(2) Canônico: Heresia enquanto um crime(delictum) contra a lei canônica.

Essa distinção é fácil de de compreender quando se aplica ao caso do aborto. Podemos considerar o aborto sob dois aspectos:

(1) Moral: Pecado contra o 5o Mandamento que resulta em perda da graça santificante.

(2) Canônico: Crime contra o cânon 2350.1 do Código de Direito Canônico que resulta em excomunhão automática.

No caso da heresia, advertências somente entram em jogo para o crime canônico da heresia. Essas advertências não são obrigatórias para que se cometa o pecado de heresia contra a lei divina.

O canonista Michel nos dá uma clara distinção: “Pertinácia não inclui, necessariamente, longa obstinação do herege e advertências da Igreja. Uma coisa é a condição para o pecado de heresia; outra é a condição para o crime canônico de heresia, punível pela lei canônica.” (Michel, “Hérésie,” in DTC 6:2222)

É o pecado público de heresia que despoja o papa da autoridade de Cristo. “Se uma situação assim acontecesse”, disse o canonista Coronata. “ele [o Romano Pontífice] iria, por lei divina, cair do seu ofício sem nenhuma declaração.” (Ver acima)

Apêndice 3

A nova missa vem da Igreja?

Observamos acima que, se a Nova Missa é Protestante, irreverente, sacrílega, ou ainda prejudicial para a Fé Católica ou a salvação das almas, ela não pode vir da autoridade da Igreja, porque a sua infalibilidade se estende à suas leis disciplinares universais, incluindo leis litúrgicas. Abaixo algumas citações dos Teólogos que explicam esse ensinamento.

O termo “universal” se refere ao território onde uma lei se aplica (em todo lugar ao invés de uma área geográfica limitada), não ao rito (Latim, ao invés de Oriental). (Ver Prümmer, Man. Jus. Can., 4)

A maioria dos teólogos citam o anátema de Trento (também citado aqui) contra aqueles que dizem que as cerimônias Católicas são “incentivo à impiedade.”

“Incentivo à impiedade,” a maioria dos Católicos Tradicionais provavelmente concordaria, é provavelmente a melhor forma curta para descrever os ritos e Orações do Novus Ordo de Paulo VI. Ele [o novus ordo N.d.T.] não fez mais que corroer a fé, promover o erro, e progressivamente esvaziar as Igrejas. O homem que promulgou tal rito não poderia, portanto, ter a autoridade de Pedro.

Concílio de Trento (1562) “Se alguém disser que as cerimônias, vestimentas e sinais exteriores, que a Igreja Católica utiliza para celebração das Missas, são incentivos à impiedade, ao invés de servirem à piedade: seja Anátema.” Cânones sobre a Missa. 17 de setembro de 1562. Denzinger 954.

P. Hermann (1908) “A Igreja é infalível na sua disciplina geral. Pelo termo disciplina geral entendem-se as leis e as práticas que pertencem à ordenação externa de toda a Igreja. Isto diz respeito a elementos tais como o culto externo, como a liturgia e as rubricas ou a administração dos sacramentos, tal como a Comunhão sob uma espécie…

“A igreja em sua disciplina geral, entretanto, é tida como infalível nesse sentido: que nada pode ser encontrado em suas leis disciplinares que sejam contra a Fé e a sã moral, ou que possam tender [vergere] ou ao detrimento da Igreja ou ao prejuízo dos fiéis.

“A infalibilidade da Igreja na sua disciplina advém da sua própria missão. Essa missão consiste em preservar a fé integral e guiar as pessoas a salvação ensinando-as a guardar aquilo que Cristo mandou. Mas se ela fosse capaz de prescrever ou de ordenar ou de tolerar em sua disciplina alguma coisa contrária à fé e aos costumes, ou alguma coisa prejudicial à Igreja ou nociva aos fiéis, ela falharia na sua missão divina, o que seria impossível” Institutiones Theologiae Dogmaticae. 4a Edição. Roma: Della Pace 1908. 1:258

A. Dorch (1928) “A Igreja é também justamente tida como infalível em seus decretos disciplinares…

“Por decretos disciplinares se entende todas aquelas coisas que pertencem ao governo da Igreja, na medida em que se distingue do magisterium. O que é referido aqui, portanto, são as leis eclesiásticas que Igreja estabelece universalmente para regular o culto divino ou dirigir a vida Cristã.” Institutiones Theologiae Fundamentalis. Innsbruck: Rauch 1928. 2:409.

R.M.Schultes (1931) “A infalibilidade da Igreja promulgando leis disciplinares. Leis disciplinares são definidas como ‘Leis eclesiásticas estabelecidas para guiar a vida cristã e o culto.’…

“A questão de se a Igreja é infalível quando estabelece uma lei disciplinar toca a substância das leis disciplinares universais – ou seja, se tais leis podem ser contrárias ao ensinamento da fé ou moral, e então agir para o prejuízo dos fiéis,…

Thesis. A Igreja, quando estabelece leis universais, é infalível no que toca a substância dessas leis.

“A Igreja é infalível em matéria de fé e moral. Através da suas leis disciplinares, a Igreja ensina sobre assuntos de fé e moral, não doutrinariamente ou teoricamente, mas prática e efetivamente. Como uma lei disciplinar envolve um juízo doutrinal…

“A razão, consequentemente, e a fundamentação da infalibilidade da Igreja em sua disciplina geral é a íntima conexão entre as verdades de fé e moral e as leis disciplinares.

“O objeto principal das leis disciplinares é como segue: a) o Culto…” De Ecclesia Catholica. Paris: Lethielleux 1931. 314-7.

Valentino Zubizarreta (1948) “[Subtítulo]Corolário II. Enquanto estabelece leis disciplinares para a Igreja Universal, a Igreja é do mesmo modo infalível, de tal modo que ela nunca iria legislar algo que iria contradizer a fé verdadeira e a sã moral.

Nota. “Disciplina da Igreja se define como ‘aquela legislação ou coleção de leis que guia os homens no que diz respeito ao devido culto a Deus e a uma sã vida cristã…

Prova para o Corolário. [Arg.] Foi demonstrado acima que a Igreja goza de infalibilidade naquelas coisas que concernem a fé e moral, ou ainda nas que são necessárias para sua preservação. Porém as leis disciplinares, prescritas para a Igreja universal para que se cultue a Deus e se estabeleça devidamente a boa vida cristã, estão implicitamente reveladas em matéria de moral, e são necessária para preservar a fé e a boa moral. Assim, o Corolário está provado. [Ergo. no original latino consta apenas a expressão. Como conclusão lógica e segue uma citação de casos em que os apóstolos estabelecem disciplinas indiretamente ligadas a fé e moral n.d.T.]” Theologia Dogmatico-Scholastica. 4a Edição. Vitoria: El Carmen 1948. 1:486. [Aqui os colchetes foram todos adições do tradutor.]

Serapius Iragui (1959) “ Além daquelas verdades reveladas em si mesmas, o objeto da infalibilidade do magistério inclui outras verdades que, embora não reveladas, são, no entanto, necessárias para integralmente preservar o depósito da Fé, corretamente explicá-lo, e efetivamente definí-lo…

“D) Decretos disciplinares. Esses decretos são leis universais que governam a vida cristã e o culto divino. Embora a faculdade de estabelecer leis pertença ao poder de jurisdição, no entanto, o poder de magistério é considerado nessas leis sob um outro aspecto particular, na medida em que não deve haver nada nessas leis que se oponha à lei natural ou positiva. Nesse sentido, dizemos que o julgamento da Igreja é infalível…

“1o) Isto é necessário pela natureza e propósito da infalibilidade, porque a Igreja infalível deve conduzir seus membros à santificação por uma correta exposição da doutrina. De fato, se a Igreja em seus decretos universais vinculantes impusesse uma falsa doutrina, pelo mesmo fato os homens seriam desviados da salvação, e a própria natureza da Igreja verdadeira seria posta em perigo.

“Tudo isto, entretanto, é repugnante à prerrogativa da infalibilidade com a qual Cristo dotou Sua Igreja. Portanto, quando a Igreja estabelece leis disciplinares, ela deve ser infalível.” Manuale Theologiae Dogmaticae. Madrid: Ediciones Studium 1959. 1:436, 447.

Joachim Salaverri (1962) “3) A respeito dos decretos disciplinares em geral que pelo seu propósito [finaliter] estão ligados com as coisas que Deus revelou.

“A. O propósito do Magistério infalível requer infalibilidade para decretos dessa natureza…

“Especificamente, que a Igreja reivindica infalibilidade para si mesma em decretos disciplinares está estabelecido pela lei que os Concílios de Constança e Trento solenemente promulgaram a respeito da comunhão eucarística sob uma espécie.

“Isso pode ser abundantemente provado por outros decretos, pelos quais o Concílio de Trento solenemente confirmou os ritos e cerimônias usados na administração dos sacramentos e celebração da Missa”. Sacrae Theologiae Summa. 5a edição Madrid: BAC 1962. 1:722, 723.

Apêndice 4

Uma longa Vacância da Santa Sé

Alguns tradicionalistas oferecem outra objeção: O Vaticano I ensina que São Pedro teria “perpétuos sucessores”no Primado. (DZ 1825) Não significaria isso que é impossível que a Igreja possa ficar sem um papa verdadeiro por tanto tempo? Desde o Vaticano II (1960), como você afirma?

Não. A definição do Vaticano I, na verdade, era dirigida aos hereges que ensinavam que os poderes especiais de São Pedro dados por Cristo teriam morrido com ele e não foram transmitidos aos seus sucessores, os papas. “Perpétuos Sucessores” significa que o ofício do Primado é perpétuo – não limitado a Pedro, mas “um poder que vai permanecer perpetuamente até o fim do mundo.” (Salaverri, de Ecclesia 1:385)

Este ofício papal pode permanecer vacante por um longo tempo sem por isso se extinguir ou mudar a natureza da Igreja. Segue a explicação:

A. Dorschi (1928) “A Igreja portanto é uma sociedade essencialmente monárquica. Mas isto não previne que a Igreja, por um curto tempo após a morte do papa, ou ainda por muitos anos, fique privada de sua cabeça. Ainda nesse estado sua forma monárquica permanece intacta…

“Nesse caso a Igreja seria de fato um corpo sem cabeça… Sua forma de governo monárquica permaneceria, embora de um modo diferente – ou seja, permanece, porém incompleta e por se completar. A ordenação do todo à submissão ao Primado está presente, embora a submissão mesma não esteja.

“Por essa razão, considera-se, como é devido, que a Sé de Roma permanece depois que a pessoa que a ocupava tenha morrido – porque Ela consiste essencialmente nos direitos do Primado. Esses direitos são um elemento necessário e essencial da Igreja. Com eles, além do mais, o Primado então continua, pelo menos moralmente. A presença física perene da pessoa da cabeça, entretanto, não é estritamente necessária”. (de Ecclesia 2:196-7)

Apêndice 5

De onde virá um Papa Verdadeiro?

Se os papas do Vaticano II não são papas verdadeiros, como poderia a Igreja um dia novamente ter um papa verdadeiro? Aqui estão algumas teorias:

  1. Direta Intervenção Divina. Este cenário é encontrado nos escritos de alguns místicos aprovados.
  2. Tese do Papa Material/Formal. Esta sustenta que se um papa pós-Vaticano II renunciasse publicamente as heresias da Igreja Conciliar, ele automaticamente se tornaria um papa verdadeiro.
  3. Um Concílio Geral imperfeito. O Teólogo Cajetan (1469-1534) e outros ensinam que, se o Colégio dos Cardeais se extinguisse, o direito de eleger o papa seria devolvido ao clero de Roma, e em seguida para a Igreja universal. (de Comparatione 13, 742, 745)

Cada uma dessas teorias parece apresentar algumas dificuldades. Mas isso não é nada surpreendente, porque a solução para um problema extraordinário na Igreja pode não ter sido previsto anteriormente. Isto pode ser visto no seguinte comentário da Enciclopédia Católica (1913): “ Não existem provisões canônicas regulando a autoridade do Colégio de Cardeais sede Romana Impedita, i.e. no caso de um papa se tornar insano, ou pessoalmente um herege; em tais casos seria necessário consultar os ditames da reta razão e os ensinamentos da história.” (“Cardeal”, CE 3:339)

Além disso, a inabilidade atual para determinar exatamente como outro papa verdadeiro seria escolhido no futuro não torna Paulo VI e seus sucessores papas.

Nem muda o fato que já sabemos que: os papas pós-conciliares promulgaram erros, heresias e leis más; um herege não pode ser um papa verdadeiro; e a promulgação de leis más é incompatível com haver autoridade dada por Cristo.

Insistir, apesar de tudo, que os papas conciliares devem (necessariamente) ser papas verdadeiros é criar um problema insolúvel em relação a indefectibilidade da Igreja – os representantes de Cristo ensinam erro e oferecem o mal. Enquanto que uma longa vacância da Santa Sé, como notado no Apêndice 4, não é contrária à indefectibilidade ou natureza da Igreja.

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Carta dos Nove ao Arcebispo Marcel Lefebvre

CARTA DOS NOVE AO ARCEBISPO MARCEL LEFEBVRE

Da esquerda para a direita: Padre Donald Sanborn, Monsenhor Marcel Lefebvre e Padre Anthony Cekada, por volta de 1982.

Carta dos Nove ao Arcebispo Marcel Lefebvre [PDF]

Prefácio de Padre Anthony Cekada

Décadas depois, persiste o mito de que a principal discordância teológica entre o Arcebispo Lefebvre e os Nove em 1983 era sobre o sedevacantismo. Como tal, porém, esta questão particular não apareceu no princípio e ela certamente não foi aquela que provocou a disputa. Alguns dos Nove eram sedevacantistas no tempo da ruptura e outros não o eram.

Em vez disso, haviam seis sérios problemas na FSSPX que contribuíram para pôr toda a crise em andamento. E agigantando-se qual um abutre de asas abertas estava o grave semblante de Pe. Richard Williamson. O Arcebispo o tinha apontado como Vice-Reitor do seminário de Ridgefield, como uma espécie de comissária teológico para os Estados Unidos, encarregado de detectar quaisquer desvios da nova política do arcebispo.

Pe. Williamson era o homem perfeito para este papel. Como um converso adulto de depois do Vaticano II, seu único conhecimento e experiência de catolicismo vinha do Arcebispo Lefebvre e da FSSPX. Consequentemente, ele era um homem de plena política partidária; seu principal ponto de referência para resolver qualquer assunto era o que o Arcebispo Lefebvre pensava sobre isso. Isso pode ser visto nos boletins e artigos que ele produziu durante a disputa que se seguiria.

Meu primeiro encontro com Pe. Williamson depois de seu apontamento não trazia bom agouro. Foi-me dada a tarefa de encontrá-lo na capela de Staten Island, onde ele ofereceu Missa imediatamente depois de sua chegada da Europa. Sua Missa foi tão escandalosa – corria com total desrespeito pelas rubricas – que não pude aguentar assistir e esperei do lado de fora.

O método de Pe. Williamson no seminário era do clássico agent provocateur – declarações ultrajantes direcionadas para provocar fortes reações de oposição por parte dos seminaristas que pudessem manifestar fidelidade a qualquer princípio além das sempre cambiantes “posições do arcebispo.”

Em algumas semanas, o Seminário São Tomás de Aquino, que tinha sido pacífico durante cinco anos sob a direção de Pe. Sanborn, encontrava-se em completo alvoroço. “Conflito é normal em um seminário”, Pe. Williamson assegurava aos seminaristas. Não até a sua vinda, Padre.

Contra este quadro, na primavera de 1983 (Padres Kelly, Sanborn, Jenkins, Dolan e eu) começamos a redigir uma carta ao Arcebispo Lefebvre e ao “Conselho Geral” de FSSPX (Pe. Franz Schmidberger e outros de alto-escalão na FSSPX) que poria em claro as questões mais importantes. Quatro dos sacerdotes jovens – Padres Collins (ordenado em 1979), Berry (1980), Zapp (1982) e Skierka (1982) – tinham reservas similares sobre o curso que a Fraternidade ia tomando e entraram nas discussões.

A 25 de maio de 1983, concordamos com a versão final da carta e a assinamos em Oyster Bay Cove, Nova York e então a despachamos. O texto integral da carta foi postado em www.traditionalmass.org como “Carta dos ‘Nove’ ao Arcebispo Lefebvre.”

(Rev. Pe. Anthony Cekada, The Nive vs. Lefebvre: We Resist You to Your Face, 2008, pp. 4-5.)

A mesma carta é ora disponível em versão portuguesa no site www.controversiacatolica.com.

CARTA DOS NOVE AO ARCEBISPO MARCEL LEFEBVRE

Nove sacerdotes destacam os graves problemas na Fraternidade São Pio X em sua carta de 25 de março de 1983 ao Arcebispo Lefebvre e ao Conselho Geral da Fraternidade. Os sacerdotes seriam expulsos no mês seguinte.

Vossa Graça e Rev. Padres,

É de nosso entender que a razão pela qual a Fraternidade São Pio X foi fundada era promover a fidelidade à Tradição, pela qual se compreende a fidelidade à Igreja, sua doutrina, moral, sacramentos e disciplina. Que uma tal organização fosse necessária se devia ao fato das reformas introduzidas por João XXIII terem posto em movimento um processo que resultou em uma mudança radical, que constitui uma rejeição substancial da doutrina, moral e disciplina católica tradicional.

A história recorda que Vossa Graça foi uma das vozes de coragem e lucidez no Concílio e que nos anos que seguiram ao Concílio recusou-se a cooperar com a destruição da Igreja. Era natural que outros que amavam a Igreja e suas tradições se voltassem para o senhor. Não é exagero dizer que o senhor se tornou para milhões um símbolo de fidelidade à tradição e que muitas almas, que de outro modo se perderiam, passarão a eternidade no Céu graças ao que o senhor tem feito.

Assim, à luz desses fatos, é necessariamente com grande tristeza que escrevemos a Vossa Graça e ao Conselho Geral da Fraternidade sobre certas matérias que cremos ser tão graves a ponto de constituírem uma ruptura com o propósito pelo qual a Fraternidade foi estabelecida e capazes de trazer sobre ela sua definitiva ruína, caso não sejam corrigidos. Isso nós devemos fazer por fidelidade a este propósito e de maneira mais importante por fidelidade à Igreja.

Portanto, nós respeitosamente manifestamos nossa grave preocupação sobre alguns sérios desenvolvimentos que surgiram na Fraternidade e que esperamos que sejam resolvidos. Pedimo-lhe que que se dê séria consideração a esses pontos que são apresentados por sacerdotes que têm dado ao senhor anos de serviço fiel.

1. O Seminário

No começo do ano acadêmico, Vossa Graça impôs reformas na Missa do seminário em Ridgefield, i.e., as reformas litúrgicas impostas por João XXIII. Como o senhor sabe, essas reformas são uma fase no processo iniciado nos anos cinquenta, orquestradas por Annibale Bugnini, o criador da Missa Nova e completadas por Paulo VI. Já que essas reformas eventualmente levaram à Nova Missa na Igreja, isso causou grande escândalo no Seminário entre professores e estudantes.

O senhor disse que tais reformas foram necessárias pela “unidade”. Mas tais reformas não trouxeram a unidade que já existia no seminário. Em vez disso, essas mudanças na Missa foram o prelúdio para a destruição da paz e da unidade. Até esse tempo o seminário de Ridgefield achava-se praticamente livre de problemas. Os conflitos e controvérsias tão característicos de Ecône eram desconhecidos no seminário americano. Aqui os seminaristas eram treinados em paz e serenidade.

A busca por unidade de João XXIII resultou em desunião. Como poderia ser que a imposição de sua reforma em um seminário tradicional da Fraternidade trouxesse qualquer coisa além de confusão? A imposição dessas reformas foi subversiva do princípio no qual a Fraternidade foi edificada: a fidelidade à Tradição.

Ademais, é contrário à reta razão tentar contrapor a desordem da revolução litúrgica pela imposição na Fraternidade de uma importante fase dessa revolução, tornando-lhe a norma litúrgica que devemos seguir. Por que impor reformas que contribuíram para um ataque à Tradição? A unidade não pode fundar-se em desordem e novidade.

E assim, tal como aconteceu na Igreja durante as mudanças de João XXIII, seguiu-se um espírito de contenda e divisão no seminário, um espírito que levou ao estado infeliz em que nós encontramos o seminário atualmente, não mais um lugar de paz, mas de controvérsia e inquietação. Assim como um demônio se introduziu quando João XXIII começou suas reformas, assim também se introduziu no seminário de Ridgefield desde que essas mesmas reformas foram impostas. O nome do demônio é legião.

2. Sacerdotes duvidosos

Nos últimos anos, a Fraternidade aceitou o serviço de sacerdotes ordenados pela versão vernácula do novo rito de ordenação de 1968. A 30 de novembro de 1947, o Papa Pio XII publicou a sua Constituição Apostólica Sacramentum Ordinis, lidando com a matéria do Sacramento da Ordem. Era sua intenção “pôr fim a toda controvérsia”, como ele disse. Assim ele fez, dentre outras coisas, decretando e definindo quais palavras na ordenação sacerdotal “são essenciais e portanto um requisito para a validade.”

A versão inglesa da forma do Novo Rito de Ordenação difere de tal modo daquela que Pio XII disse ser essencial para a sua validez que ela introduz uma dúvida positiva sobre sua validade. De fato, a dúvida não é negativa, mas positiva o bastante mesmo em seu próprio entendimento, Vossa Graça, de modo a justificar a ordenação condicional de padres ordenados no rito novo.

E assim o senhor tem de fato condicionalmente ordenado ao menos dois sacerdotes nos Estados Unidos: Padre Sullivan e Padre […]. Realmente, o senhor mesmo pediu ao Rev. Philip Stark para aceitar a ordenação condicional e ele, como o senhor mesmo nos contou, inflexivelmente recusou. E ainda assim, depois de sua recusa, o senhor o aceitou e continua a aceitá-lo trabalhando com a Fraternidade; e ele não é o único sacerdote duvidosamente ordenado que o senhor permite que assim o faça, ele é um entre muitos.

Assim, sob a égide da Fraternidade, Missas duvidosas estão sendo oferecidas, duvidosas absolvições conferidas e os agonizantes estão recebendo uma Extrema Unção que pode ser inválida e de não maior valor que a unção com óleo feita pelo ministro protestante.

Como pode, alguém deve pedir diante de Deus, a Fraternidade rejeitar os sacramentos duvidosos da nova Igreja para então substitui-los por sacerdotes duvidosos? Quão grave é este pecado! Quão falsa essa pretensão! Além disso, a Fraternidade no distrito sudoeste começou a importar para os Estados Unidos sacerdotes cujo treinamento teológico e modo de ordenação se encontram sob uma sombra similar. Como Vossa Graça sabe, isso tem sido matéria de escândalo.

O emprego de tais sacerdotes fere de morte uma das razões de ser da Fraternidade: fornecer sacramentos inquestionavelmente válidos aos fiéis, pois se uma dúvida positiva existe quanto à validade da ordenação do sacerdote, não somente os sacramentos que ele administra são duvidosos, mas também os fiéis são postos pela Fraternidade na posição de escolher entre os sacramentos duvidosos da nova Igreja e os padres duvidosos da Fraternidade. Do ponto de vista da moral católica, isso é inadmissível.

3. Mudanças Litúrgicas

O Primeiro Capítulo Geral da Fraternidade, realizado em Ecône em 1976, adotou o princípio de que os Distritos e as Casas de Formação deveriam seguir o Missal, Breviário, Calendário e Rubricas que eram costumeiros naquele tempo. Essa decisão nunca foi revogada ou discutida no Segundo Capítulo Geral realizado no ano passado em que foi eleito o seu sucessor.

No caso dos Estados Unidos, sempre temos seguido o Missal, Breviário, Calendário e Rubricas de nosso santo padroeiro, o Papa São Pio X, cuja prática foi sancionada pelo Primeiro Capítulo Geral. Mais tarde, contudo, uma tentativa foi feita para forçar todos os sacerdotes e seminaristas dos Estados Unidos a adotarem as reformas litúrgicas de João XXIII com base na uniformidade e fidelidade à Fraternidade, implicando assim que a adesão aos ritos não-reformados e tradicionais de São Pio X constitui infidelidade.

Será que a Fraternidade passou a enxergar a fidelidade à tradição como fidelidade à Fraternidade?

Mais recentemente, para o nosso choque e consternação, foi dado a um sacerdote recém-ordenado um ultimato de ou aceitar as reformas de João XXIII e dizer Missa de acordo com o missal de João XXIII ou deixar a Fraternidade.

Será possível que a Fraternidade que tem sido perseguida por causa de sua fidelidade à tradição, agora persegue sacerdotes por sua fidelidade à tradição? O que houve? Será que a Fraternidade agora utiliza a mesma tática que a hierarquia reformista usou para impor a reforma que destruiu o nosso povo e as nossas igrejas? Não seria isso, à luz da história recente, uma coisa inacreditável? Não seria hoje bem mais culposa a aceitação deste primeiro passo do que o que fizeram os sacerdotes há vinte anos atrás, já que eles não tinham o precedente histórico que nós temos ante os nossos olhos?

Como o senhor bem sabe, João XXIII fez suas mudanças originais como passos meramente temporários em preparação ao Vaticano II. Padre Kelly escreveu ao senhor sobre esta matéria no último ano quando foi anunciado que o senhor se esforçaria por introduzir as reformas de João XXIII nos Estados Unidos. Citamos a carta de Padre Kelly de 23 de março de 1982:

“A mim parece que a própria natureza do Rubricarum Instructum é de caráter temporário e certamente somente se manteve em vigor por quatro anos. Assim em seu texto, João XXIII disse que sua reforma de 25 de julho de 1960 foi feita com a intenção de ‘que os mais importantes princípios governando a reforma litúrgica deveriam ser colocados ante os membros da hierarquia no próximo concílio ecumênico’, que ele disse ter decidido convocar ‘sob a inspiração divina.’ Não é difícil, então, enxergá-lo como o tipo de gradualismo que eventualmente abraçou a reforma.”

“Nosso povo ficaria chocado por qualquer reforma litúrgica. Introduzir uma mudança em direção do Concílio seria visto como um passo para as mudanças dos anos sessenta. Nós simplesmente não poderíamos aparecer em frente de nossas congregações dizendo que estamos abandonando o Missal, Calendário e Breviário de nosso Santo Padroeiro, São Pio X, por aqueles de João XXIII; um, o maior papa do século, o outro, o originador do aggiornamento cujos efeitos seguem conosco até hoje.”

Em nossa opinião, aceitar o Missal, Breviário, Calendário e Rubricas de João XXIII seria aceitar os primeiros passos para a “reforma litúrgica” do Vaticano II, passos que gradualmente levaram à Missa Nova e tal seria o modo como o laicato americano o entenderia.

Ademais, e com todo o devido respeito, superiores religiosos não possuem, conforme os cânones e tradições da Igreja, qualquer poder para legislar em matéria litúrgica, Tal poder pertence ao Romano Pontífice e ele mesmo é limitado. Pois embora o poder de um papa seja muito grande, ele não é nem arbitrário, nem irrestrito. “O papa”, como disse uma vez o Cardeal Hergenroether, “é limitado pela consciência da necessidade de fazer o uso correto e benéfico dos deveres ligados a seus privilégios… Ele também é limitado pelo espírito e prática da Igreja, pelo respeito devido aos Concílios Gerais e aos antigos estatutos e costumes, pelos direitos dos bispos, pela sua relação com os poderes civis, pelo tom tradicionalmente manso de governo pelo objetivo da instituição do papado de ‘nutrir’…” (apud The Catholic Encyclopedia (1913), vol. XII, Pope, pp. 269-270)

Essa obediência em matéria litúrgica pertence a um superior religioso na medida que o que ele exige é demandado pela Igreja e pelas legítimas demandas de um Romano Pontífice.

4. Demissão de Sacerdotes

Nos últimos anos, um considerável número de sacerdotes foram ameaçados com a expulsão da Fraternidade. Alguns foram realmente expulsos. Nenhuma provisão foi dada para o sustento desses sacerdotes. Eles foram simplesmente expulsos e a Fraternidade lavou suas mãos.

Esta é realmente uma flagrante violação da tradição, do espírito do Concílio de Trento e do Código de Direito Canônico, e sempre conduziu a indizíveis abusos e escândalo de almas. Enquanto possa ser verdade que vivemos em tempo difíceis, todavia isso não pode servir de desculpa para o desvio do espírito da lei na criação de sacerdotes “sem título”.

Como o senhor sabe, “O título canônico é a garantia de decente mantimento do clero em perpetuidade” (Ramstein, Manual de Direito Canônico, [Terminal Pub., 1948], p. 432.)

O cânon 979, § 2 do Código de Direito Canônico afirma que “Este título deve ser tanto garantido por toda a vida do candidato quanto plenamente adequado a um sustento digno…” E o cânon 980 § 2 diz: “Se, sem um indulto apostólico, alguém deliberadamente promove ou permite a promoção às sagradas ordens de um sujeito que carece de um título canônico, ele e seus sucessores estão obrigados a fornecê-lo mais tarde…” Alexandre III, no Terceiro Concílio de Latrão, condenou bispos que ordenariam diáconos e sacerdotes sem um título para o sustento de tais sacerdotes a partir da mesa episcopal… O Concílio de Trento manteve a necessidade do “Título de Ordenação” (Sessão XXI, Capítulo 2) e “A Congregação da Propaganda em resposta ao bispo de Natchez, a 4 de fevereiro de 1873, mostra claramente que o sacerdote não pode ser privado de seu meio de sustento… Graves ofensas cometidas por ele, que podem justificar sua deposição do ofício, não justificará ao bispo recusar-lhe os meios de sustento.” (Catholic Encyclopedia, vol. 1, “Alimentation”, p. 313.)

Tão antiga é essa tradição do “Título” que alguns a traçam desde o Concílio de Calcedônia em 451. Todos admitem que desde o século XI ele tem tido exatamente o mesmo significado que possui hoje. Será a Fraternidade que abandonará o espírito de tradição?

Essa é uma prática muito lamentável que contradiz antigas tradições e leis da Igreja. Ademais, esse modo de ação da Fraternidade implica que a conformidade com os estatutos é substituída pela conformidade com os desejos dos superiores tidos como a norma do comportamento correto.

Um dramático exemplo disso é o recente ultimato de Vossa Graça a um sacerdote recém-ordenado que o senhor ameaçou com a expulsão, porque ele não incorporou em suas Missas as reformas de João XXIII. Alguém poderia bem perguntar: “Onde é que nos estatutos da Fraternidade se diz que a norma litúrgica para a Fraternidade é a reforma de João XXIII?”

5. Autoridade Magisterial

A presente situação na Igreja tem gerado muitos problemas de natureza teológica e prática sem precedentes, por exemplo, a questão da validade ou invalidade in se da Missa Nova, em contraste com a questão de assistir à Missa Nova. Por um lado, a resolução definitiva das questões de teologia especulativa devem esperar a restauração da normalidade na Igreja. Por outro lado, devemos aplicar os princípios morais e dogmáticos católicos aos problemas práticos.

A Fraternidade não deve presumir encerrar essas questões especulativas de forma autoritativa e definitiva, já que ela absolutamente não tem autoridade para fazê-lo. Qualquer tentativa da Fraternidade de ensinar e impor suas conclusões em matéria de teologia especulativa como as únicas posições adequadas para o católico abraçar é perigosa e abre as portas para grandes males, pois ela assume uma autoridade magisterial que pertence não a ela, mas unicamente à Igreja.

Ora, enquanto em teoria a Fraternidade pode negar qualquer pretensão a tal autoridade de ensino, na prática ela tem atuado como se todavia tivesse tal autoridade. Pois ela tem proposto soluções a questões de teologia especulativa e tem ameaçado com a expulsão ou realmente expulsado padres e seminaristas que discordam de sua doutrina.

Por exemplo, a 8 de novembro de 1982 um jovem sacerdote recebeu o seguinte ultimato sobre a resolução de uma matéria de teologia especulativa:

“Se o senhor permanecer com a nossa Fraternidade, o senhor tem de gradualmente esclarecer o seu ponto de vista interno e retornar à atitude de Fraternidade Sacerdotal, que nos parece ser a única correta nas presentes circunstâncias, como uma conversação com teólogos no último final de semana mostrou-me novamente. Pense seriamente sobre isso, porque com essa decisão o seu bem-estar temporal e ainda mais o seu bem-estar eterno está em jogo no mais alto grau. Eu continuarei a rezar pelo senhor pedindo pela iluminação divina e humilde submissão.”

Será esta a ameaça de excomunhão feita por um papa contra um réu de heresia? Essa predição de ruína temporal e eterna pela recusa do assentimento interno aponta para a mais alta autoridade de ensino e governo?

Porém, ai de nós, não é um papa que está falando. Essas são na verdade as palavras de Padre Franz Schmidberger, ele mesmo um jovem sacerdote ordenado em 1975 por Vossa Graça, o qual sucederá o senhor como cabeça da Fraternidade e que presume ensinar e ameaçar com tamanha autoridade. Isso é inadmissível!

Agir de tal modo coloca a Fraternidade na perigosa posição de assumir para si os direitos e autoridade que pertencem unicamente ao Magistério. Ela cria o potencial para o cisma e para o pior. Isso é inaceitável a partir de um ponto de vista católico. O modo católico de agir seria a Fraternidade deixar de tentar obrigar as consciências de seus membros em assuntos de teologia especulativa que são, na verdade, abertos a discussão e que só podem ser estabelecidos definitivamente pela legitima autoridade quando forem restauradas as tradições.

6. Fidelidade

A razão fundamental de existência da Fraternidade é promover fidelidade à Igreja e suas doutrinas. Infelizmente, parece que a distinção entre a fidelidade primária que nós devemos à Igreja e a fidelidade subordinada que nós devemos à Fraternidade tem se tornado de algum modo confusas na ordem prática.

Sacerdotes, seminaristas e fiéis se associam com a Fraternidade na medida que a Fraternidade é fiel à Tradição; eles se associam com ela porque eles querem a Missa tradicional, os sacramentos tradicionais e as doutrinas e práticas tradicionais da Igreja. A confiança que deles recebemos se baseia nisso. Essa é a confiança sob a qual nós temos trabalhado nos Estados Unidos nesses últimos dez anos. Nós recebemos tal confiança em um sentido verdadeiramente contratual. O apoio que nós temos pedido e recebido deles foi um apoio condicional. A condição era que nós seríamos fiéis à Tradição e o povo seria fiel a nós. Não é a fidelidade à pessoas ou organizações, mas é a fidelidade à Igreja e suas tradições que importam aos seus olhos.

Cremos que deveria ser a prática da Fraternidade evitar que se dê a impressão de que a fidelidade à Fraternidade encontra-se no mesmo nível que a fidelidade às tradições da Igreja e da própria Igreja. Nós sacerdotes não podemos propor a fidelidade à Fraternidade como igual em valor à fidelidade aos ritos e doutrinas tradicionais. Portanto, o motivo primário de todas as coisas que fazemos é a fidelidade à Igreja.

Na medida que qualquer organização, inclusive a Fraternidade, faça coisas que entrem em conflito com as tradições e práticas imemoriais da Igreja, nessa mesma medida rejeitamos tais coisas sem hesitação ou reservas.

7. Anulamentos

A Fraternidade recentemente anunciou uma política geral em que ela presume a validade dos anulamentos da nova Igreja sem investigação. A única consequência de seguir tal política vai ser sério escândalo público, grave dano à vida familiar e cumplicidade com a nova Igreja em seu ataque ao santo sacramento do Matrimônio.

Em resposta a um questionamento de um leigo sobre o estado de seu segundo casamento (o qual sabemos ser inválido), o Secretário Geral da Fraternidade respondeu como segue:

“Em nome de Sua Graça, o Arcebispo Marcel Lefebvre, eu lhe agradeço por sua carta de 23 de julho, para a qual ele tem dado a devida atenção.”

“Sua Graça pensa que, apesar de tudo, dever-se-ia aderir às decisões tomadas pela Igreja. Embora se possa deplorar que hoje em dia a Igreja declare casamentos inválidos tão facilmente, nós não podemos afirmar em um caso especial, sem qualquer motivo grave, que uma declaração de invalidade não seja válida. Assim o senhor pode seguir recebendo os sacramentos tendo uma vida familiar cristã.”

Dado que nenhuma investigação foi feita pela Vossa Graça ou pelo Secretário Geral, e dado que nenhuma base sobre o anulamento conciliar foi mencionada na carta original de questionamento, o sentido fica claro tanto pelas palavras quanto pelo contexto. O sentido é que a presunção é para ser dada em favor dos anulamentos da Igreja Conciliar até que se prove o contrário.

Esse é um erro trágico, pois a Igreja Conciliar tem provado o seu desprezo pelo sacramento do Matrimônio em suas ações. Perante o mundo a Igreja é exposta ao ridículo por causa das práticas de anulamento da Igreja Conciliar, que são mais desprezíveis do que as ações tomadas contra o casamento pelos tribunais civis. A política da Fraternidade deve ser presumir a invalidade de todas os anulamentos até que seja provado por parâmetros tradicionais que o casamento anulado tenha sido claramente inválido desde o princípio.

Lidar com coisas tão graves e sagradas de qualquer outro modo ataca o sacramento, faz pouco caso dos processos mais sérios e complicados da Igreja, põe em perigo os casamentos correntes, é um escândalo para o povo que muito sofre em razão de seu respeito pelo sacramento e mais especialmente zomba daqueles que têm vivido suas vidas em perfeita castidade em fidelidade à doutrina da indissolubilidade do casamento cristão.

À luz do que foi dito, nós respeitosamente pedimos que Vossa Graça e o Conselho Geral da Fraternidade adotem as seguintes resoluções para o bem das almas e da Fraternidade.

Resoluções

  1. Sacerdotes duvidosamente ordenados, i.e., conforme o novo rito de ordenação, como também padres ou bispos cismáticos e sacerdotes de caráter moral questionável serão excluídos de trabalhar com a Fraternidade em qualquer parte do mundo.
  2. A liturgia de São Pio X será restaurada no Seminário São Tomás de Aquino de Ridgefield e uma perpétua garantia será dada para o seu uso exclusivo ali e nos capítulos associados com a Fraternidade pelos Estados Unidos, garantia esta que deverá ser feita cumprir mediante contratos legais.
  3. Referente à disciplina que governa os sacerdotes da Fraternidade: na medida do possível, a letra e em todos os casos o espírito das tradições da Igreja, os decretos do Concílio de Trento e o Código de Direito Canônico devem ser seguidos. Com efeito, a prática da Fraternidade de criar sacerdotes sem título e vínculos chegará a um fim. E sendo impossível seguir a letra da lei nessas matérias, o espirito da lei será rigorosamente acatado.
  4. Respeito pela autoridade magisterial da Igreja como o único árbitro de questões teológicas será feito cumprir. Portanto, a Fraternidade há de aderir fielmente aos ensinamentos da Igreja, mas nunca usurpará a autoridade de ensino tentando estabelecer definitivamente questões de teologia especulativa. Nem tentará obter por ameaças de expulsão ou quaisquer outras ameaças o assentimento interno às opiniões dos superiores.
  5. A Fraternidade reconhece e aceita o princípio de que nossa fidelidade a ela está subordinada à fidelidade a Igreja e suas tradições.
  6. Em razão do imprudente falta de consideração da Igreja Conciliar pela santidade do matrimônio e sua pecaminosa e escandalosa política de garantir anulamentos, a Fraternidade presume a invalidade de todos os anulamentos concedidos pela Igreja Conciliar até que possa ser demonstrado para além de qualquer dúvida razoável que não houve o pacto conjugal do casamento anulado em primeiro lugar. Pois conforme o cânon 1014 do Código de Direito Canônico, “O casamento goza do favor da lei; consequentemente em caso de dúvida a validade do casamento deve ser mantida até que o contrário seja provado…”

Conclusão

Na Constituição Apostólica pela qual ele convocou o Concílio, João XXIII falou de sua expectativa de “retorno da unidade e da paz.” Em vez disso, sua reforma trouxe a ruína sobre a Igreja.

João XXIII estaria consciente das palavras de Gregório XVI: “que toda novidade procura minar a Igreja Universal”? Em vez disso, ele instituiu uma reforma que foi, para usar as palavras de Gregório XVI, “a elevação da absurdidade e do ultraje” para a Igreja. Por isso era “pretender que uma restauração e uma regeneração tem se tornado necessária para assegurar sua existência e seu progresso; como se fosse possível acreditar que ela estivesse assim sujeita à fraqueza, às trevas ou outros alterações desse tipo.” (Mirari Vos)

A reforma de João XXIII não poderia fazer nada senão trazer a ruína, porque ela rompeu com a tradição. Com isso perante os nossos olhos, não haverá desculpa se nós repetirmos o mesmo erro dos católicos dos anos sessenta. Por meio deles nós ao menos podemos compreender como eles foram arrastados da tradição para a nova religião pelo processo de gradualismo e obediência servil. Eles foram assegurados de que estavam sendo filhos obedientes ouvindo a voz de seus pastores e do próprio pastor supremo, o Papa. Era inconcebível que o Vigário de Cristo colocasse a Igreja em um caminho que resultaria na traição da tradição e na ruína de milhões. E assim os católicos se submeteram ao processo.

Nós escrevemos preocupados com a salvação das almas e a glória de Deus. Não deve haver questões sobre os nossos motivos. Testemunha-o o crescimento do apostolado nos Estados Unidos nos últimos dez anos, obtido com um bastante reduzido número de sacerdotes, partindo do dizer Missa em uma garagem em Wantagh, N.Y. para as igrejas e capelas, centros de Missa e crescentes números de fiéis, escolas, retiros, missões, campos de verão, empreendimentos educacionais, o seminário etc.

Isso mostra de um modo concreto nossa lealdade e fidelidade à razão pela qual a Fraternidade foi fundada no princípio. E nós esperamos e rezamos para que esses problemas sejam resolvidos a fim de garantir que o crescimento florescente da Fraternidade nos Estados Unidos possa continuar em paz e verdadeira unidade.

Para nós, passados mais de vinte anos, com a história ante os nossos olhos, não pode haver desculpas para a aceitação do processo de reforma. Nem podemos nós sancionar práticas que equivalem ao rechaço das sagradas tradições. Nós tememos tanto pelo futuro da Fraternidade como pelo bem das almas. E assim aproveitamos esta oportunidade para apresentar a Vossa Graça e ao Conselho Geral as nossas preocupações e resoluções acima.

Nós estamos decididos a continuar o trabalho pelo qual fomos ordenados e pelo qual temos recebido a confiança dos fiéis. Isso nós pretendemos fazer com toda tranquilidade ainda que a Fraternidade abandonasse ou a nós, ou a essa confiança.

In Jesu et Maria,

Rev. Clarence Kelly
Superior do Distrito Nordeste

Rev. Donald J. Sanborn
Reitor do Seminário São Tomás de Aquino

Rev. Daniel L. Dolan

Rev. Anthony Cekada

Rev. William W. Jenkins

Rev. Eugene Berry

Rev. Martin P. Skierka

Rev. Joseph Collins

Rev. Thomas P. Zapp

(The Roman Catholic, maio de 1983)

Traição na Tradição: A verdadeira história do sedevacantismo

TRAIÇÃO NA TRADIÇÃO: A VERDADEIRA HISTÓRIA DO SEDEVACANTISMO

Prefácio do Controvérsia Católica

Dom Tomás de Aquino recentemente mandou publicar um velho artigo de Monsenhor Williamson contra os nove sacerdotes americanos, dentre os quais estava o nosso Reverendíssimo Monsenhor Daniel Dolan, sacerdotes que nos idos de 1983 foram expulsos da Fraternidade São Pio X em razão dos diversos compromissos que esta tinha firmado com os modernistas.

Na missiva que precede o artigo, Dom Tomás se diz motivado pelo fato de muitos católicos não conhecerem bem a história do sedevacantismo. Um nobre ideal, alguém poderia dizer, mas que de nenhum modo foi alcançado pela publicação do artigo em questão, o qual – verdade seja dita – somente serve para aumentar a ignorância sobre a história do sedevacantismo.

De fato, se existe algum texto desinformativo neste respeito, este é precisamente o artigo de Dom Williamson, falho tanto na cobertura dos acontecimentos quanto nos critérios de avaliação dos fatos históricos. Que ele seja assim, porém, não nos surpreende: pouco se deveria esperar do mesmo homem que naquele tempo foi o principal agente de discórdia entre Monsenhor Lefebvre e os nove sacerdotes injustamente expulsos da Fraternidade.

No tocante aos fatos históricos, o artigo oculta que a querela de então girava em torno de problemas bem graves, que podem resumir-se nos seguintes pontos:

1) A escandalosa imposição das reformas litúrgicas de João XXIII na Missa do Seminário de Ridgefield, ação contrária aos usos locais e ao próprio estatuto da Fraternidade São Pio X;

2) A inescrupulosa admissão de padres ordenados no rito novo, sem qualquer ordenação condicional, ação guiada pelo respeito humano e contrária ao mínimo de prudência que se deve ter em questões sacramentais;

3) A exigência de uma obediência indevida a superiores religiosos, como se eles tivessem o poder de legislar sobre a liturgia e a lei da Igreja, ação que contradiz a natureza do próprio oficio que ocupam e que usurpa as prerrogativas do Magistério da Igreja;

4) A descaridosa expulsão, sem nenhum amparo legal, de sacerdotes que dissentiam dos caprichos do dia dos superiores da Fraternidade, postura contraria à lei canônica e à finalidade mesma da Fraternidade São Pio X, estabelecida para manter-se fiel à Tradição e não para constituir uma seita funada no culto de homens;

5) A aceitação dos anulamentos matrimoniais feitos pelos modernistas sem qualquer investigação, ação que produz escândalo público, dano à vida familiar e cumplicidade com os modernistas.

Todas essas coisas motivaram a reação dos nove sacerdotes que formal e respeitosamente pediram a Monsenhor Lefebvre e ao Conselho Geral da Fraternidade que as tratasse com a devida consideração. A resposta viria um mês depois com a expulsão dos nove da Fraternidade São Pio X. Quem quer que considere os motivos verá que a expulsão foi injusta e fundada em nada além de compromissos com o modernismo.

No que toca aos critérios de avaliação dos fatos, a base de tudo, como de costume, consiste no culto à personalidade de Monsnhor Marcel Lefebvre, como se ele fosse tão irrepreensível como Nosso Senhor Jesus Cristo, independentemente de todos os posicionamentos nada tradicionais, em grande medida absurdos e abusivos então realmente assumidos por ele e pela sua obra. De fato, qualquer tradicionalista minimamente informado sobre a reforma litúrgica de João XXIII e o estado dos anulamentos matrimoniais na seita modernista, especialmente nos Estados Unidos pós-conciliar, sabe muito bem que a traição a Jesus Cristo está antes em forçar a observância dessas mudanças para toda a Fraternidade do que em colocar-se contra elas. Fique isso bem claro: os nove se levantaram especificamente contra uma aliança entre a Fraternidade e os modernistas e não contra o que há de irrepreensível no obrar de Monsenhor Marcel Lefebvre. O texto de Dom Williamson, porém, esconde essa dura verdade através da indevida divinização de Monsenhor Marcel Lefebvre, ali tratado como se fosse a pessoa do Verbo de Deus humanado.

Esta atitude de apoio incondicional aos eventuais compromissos de Monsenhor Lefebvre e da Fraternidade com o modernismo é verdadeiramente fanática e engendra ela mesma uma falsificação histórica gigantesca: presume-se que Monsenhor Lefebvre seja o alfa e o ômega da Tradição e que todos os demais sejam ou seus servidores e portanto amigos da Tradição, ou seus adversários e portanto inimigos da Tradição. A fim de remediar este erro de interpretação tão corriqueiro entre os tradicionalistas, erro que nada tem a ver com a justa admiração que se deve ao que ele fez de bom, apresento ao público de língua portuguesa o seguinte artigo de Padre Ricossa, vertido em espanhol pelo Padre Héctor Romero, acerca da verdadeira história do sedevacantismo. Por meio dele, o leitor compreenderá que o sedevacantsmo é mais antigo e mais fiel à Tradição do que o posicionamento tardio e inconsistente assumido pela Fraternidade São Pio X.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO SEDEVACANTISMO:
RESPOSTA AO DOCUMENTO DA FRATERNIDADE SÃO PIO X CONTRA O SEDEVACANTISMO

O sedevacantismo não foi tardio, Inclusive até foi “preventivo”! Há tomadas de posição sedevacantistas a respeito da questão do Papa desde 1962 em diante.

O autor do número especial da Tradizione Cattolica é um jovem que na vida não conheceu outra coisa senão a Fraternidade. Talvez isso explique a sua ignorância sobre a história do “tradicionalismo”, apesar das “pesquisas diligentes” (cf. pág. 29, nota 7) efetuadas. Já que ele mesmo nos pergunta (ibidem), demo-lhe alguma informação a respeito.

Demonstraremos que, em certo sentido, o sedevacantismo existia inclusive antes de 1965, e que a questão do Papa tinha sido o centro das discussões dos “tradicionalistas” (sedevacantistas ou não) desde o princípio; enquanto que a “solução prudencial” (que consiste no desinteresse pala questão, considerada secundária senão ociosa e nociva) tem sido propriedade exclusiva da Fraternidade São Pio X.

Os católicos mexicanos. O Padre Sáenz y Arriaga (1962-65)

Na introdução expliquei que o “sedevacantismo” não só não foi tardio senão que, às claras, foi “preventivo”. Faço alusão ao livro Complô contra a Igreja, publicado sob o pseudônimo de Maurice Pinay; sua primeira edição italiana data de 1962 e foi distribuída a todos os padres conciliares em outubro deste mesmo ano, depois de 14 meses de trabalho dos autores. (). Diria que não se pode pedir uma data de nascimento do sedevacantismo mais antiga e mais pública (em Roma, na mesmíssima aula de São Pedro). O livro em questão denuncia as tratativas em marcha entre o Cardeal Bea (eleito por João XXIII) e as autoridades judaicas (particularmente a B’naï B’rith) para obter do Concílio apenas convocado uma declaração em favor do judaísmo. Essa declaração lograria o objetivo de pôr o Vaticano II em contradição com o Evangelho, contra o consenso unânime dos Padres e contra os dezenove séculos de magistério infalível da Igreja. Os judeus queriam que desse modo a “Santa Igreja se contradissesse a si mesma, perdendo autoridade sobre os fiéis, porque evidentemente proclamariam que uma instituição que se contradiz não pode ser divina.” (pág. XIX). Na introdução à edição austríaca (janeiro de 1963), lê-se: “A audácia do comunismo, da maçonaria e dos judeus chega a tal ponto que já se fala em controlar a eleição do próximo Papa, pretendendo colocar no trono de São Pedro a um de seus cúmplices no respeitável corpo cardinalício.” (pág. 3). Segundo os autores, tal plano não era novo: “Como o demonstraremos nesta obra com documentos de indiscutível autenticidade, os poderes do dragão infernal chegaram a colocar no Pontificado a um cardeal nomeado pelas forças de Satanás, dando por um momento a sensação de serem os donos da Santa Igreja. Nosso Senhor Jesus Cristo, que jamais a abandonou, inspirou a ação e armou o braço de homens pios e combativos como São Bernardo, São Norberto, o cardeal Américo (…) que não reconheceram a qualificação de Papa ao Cardeal Pierleoni, este lobo em pele de cordeiro que durante muitos anos buscou usurpar o Trono de São Pedro e a quem excomungaram e desterraram sob a merecida qualificação de Antipapa” (pág. 4). E, com efeito, todo o capítulo XXV (Um cardeal cripto-judeu usurpa o Papado) está consagrado ao caso do antipapa Anacleto II Pierleoni. Como pode ver-se, para os autores do livro Complô contra a Igreja (leigos e eclesiásticos vinculados à Universidade de Guardalajara e à União Católica Trento), só um antipapa como Pierleoni poderia promulgar o documento Nostra Ætate que o cardeal Bea preparava no Concílio; este homem foi Paulo VI, eleito em janeiro de 1963. Depois do Complô contra a Igreja, não faltaram outras intervenções sobre o mesmo tema durante o Concílio (*). Apesar disso e não obstante a oposição da minoria conciliar guiada por Mons. Carli, Bispo de Segni (e coadjuntor dos bispos árabes), e apesar dos numerosos incidentes no caminho que fizeram pensar em um estancamento do esquema, chega-se às vésperas do voto definitivo da declaração conciliar Nostra Ætate. Os católicos que se opunham ao Concílio e à Nostra Ætate fizeram um último intento para tratar de obstruir a via para a Declaração. Henri Fesquet, enviado do jornal Le Monde, escreve em seu artigo de 16 de outubro de 1965: “Sobretudo, há que mencionar o libelo de quatro páginas que receberam os bispos. Está precedido por este título, tão largo como curioso: ‘Nenhum concílio nem Papa algum podem condenar a Jesus, nem à Igreja Católica Apostólica Romana, nem a seus Pontífices e Concílios mais ilustres. Ora bem, a declaração sobre os judeus comporta implicitamente uma tal condenação e por esta razão deve rechaçar-se-la’. Neste texto, leem-se estas impressionantes afirmações: ‘Os judeus desejam agora empurrar a Igreja a condenar-se tacitamente e desacreditar-se ante o mundo inteiro. É EVIDENTE QUE SÓ UM ANTIPAPA E UM CONCILIÁBULO PODERIAM APROVAR UMA DECLARAÇÃO DESTE GÊNERO. E ISTO É O QUE PENSAM JUNTO CONOSCO UM NÚMERO CADA VEZ MAIOR DE CATÓLICOS DE TODO O MUNDO QUE ESTÃO DECIDIDOS A OBRAR DO MODO QUE SEJA NECESSÁRIO PARA SALVAR A IGREJA DE SEMELHANTE IGNOMINIA’ (…)”. Portanto, os historiadores de La Tradizione Cattolica deveriam admitir que o “sedevacantismo” não veio à luz em 1973-76, senão que tomou posição pública dirigindo-se a todos os Padres conciliares de 1962 a 1965, ou seja, do princípio ao fim do Vaticano II. Também teriam que admitir que ditos católicos condenaram a declaração Nostra Ætate, enquanto que Mons. Lefebvre (que também havia exigido o rechaço, juntamente com Mons. Carli e Mons. Proença Sigaud, mediante uma carta aos Padres conciliares distribuída na aula a 11 de outubro) não fez parte – segundo suas próprias declarações – dos 88 Padres que não votaram o documento conciliar a 28 de outubro de 1965. Estes fatos históricos sozinhos demolem completamente todas as teses de La Tradizione Cattolica, fundadas sobre o caráter tardio do sedevacantismo. Para completar, acrescentarei outros testemunhos sobre a existência do “sedevacantismo” antes de 1973-76, data de nascimento desta posição segundo os diligentes historiadores de La Tradizione Cattolica.

O Padre Guérard des Lauriers, o Padre Coache (1969)

É sabido que o “tradicionalismo” saiu à luz pública sobretudo com a promulgação do novo missal, em 1969. Podemos demonstrar que para essa data os principais defensores da Missa Católica em França eram “sedevacantistas”. De fato, o abbé de Nantes narra (a seu modo) a reunião que tivera em sua casa, a Maison Saint-Joseph, em Saint-Parres-les-Vaudes, a 21 de jullho de 1969 (antes da promulgação do novo missal, ocorrida em novembro do mesmo ano). Se transladaram até o abbé de Nantes o Padre Philippe Rousseau, os sacerdotes mexicanos Sáenz y Arriaga e Charles Marquette, o Padre Coache e o Padre M. L. Guérard des Lauriers, mais um leigo de Versailles (Alain Tilloy); o Padre Barbara já era hóspede do abbé de Nantes de forma independente ao grupo que fazia a visita. Segundo o testemunho do abbé de Nantes e seus religiosos, os sacerdotes que vieram visitá-lo sustentavam a invalidez da missa nova e a vacância da Sé Apostólica. Uma confirmação deste testemunho se acha em uma carta de Padre Guérard des Lauriers ao abbé de Nantes de 8 do agosto seguinte, em que faz referência à visita de 21 de julho e sustenta que ficou demonstrado – a partir da aprovação do novo missal – que o “cardeal Montini” não é Papa.

Argentina, Estados Unidos, Alemanha… (1967-69)

A influência do abbé de Nantes (naquele tempo enorme, em razão de sua oposição ao Vaticano II desde o princípio) punha em duvida pessoas como o Padre Barbara ou, na Argentina, o Prof. Disandro, que já em maio de 1969 postulavam todavia também eles a questão da sede vacante. Nos Estados Unidos não faltaram de pronto os “sedevacantistas”, desde 1967 pelo menos, senão antes, como atesta a carta do Dr. Kellner ao Cardeal Browne de 28 de abril dese ano. Igualmente na Alemanha, onde se havia fundado o Una Voce-Gruppe Maria em 1966. Desde 1969, o Prof. Reinhard Lauth, da Universidade de Munique, declarou-se pela vacância da Sé Apostólica. Portanto, a tese da TC (nenhum rastro de “sedevacantismo” antes de 1973-76) também se demonstra universalmente falsa.

(*) MAURICE PINAY, Complot contra la Iglesia, tradução espanhola de Dr. Luis González, Ed. Mundo Libre, México, 1968, publicada com imprimatur de 18 de abril de 1968 do arcebispo de Hermosillo, Juan Navarrete. O livro foi publicado em italiano em Roma (31 de agosto de 1962), e distribuído a todos os Padres conciliares em outubro. A edição austríaca é de 20 de janeiro de 1963; a venezuelana de 15 de dezembro de 1963; as mexicanas, de 1968 e 1969 (usarei a edição de 1969). O livro foi preparado nos 14 meses prévios. O livro de Maurice Pinay (se trata de un pseudônimo) foi apresentado também ao público italiano em Sodalitium nº 37, abril-maio de 1994, págs. 33-45 [ed. it.; ed. fr., nº 37, out.-nov. 1994, págs. 28-40]: O complô judeo-maçônico contra a Igreja Romana. Este artigo corresponde ao cap. XX do livro de PADRE NITOGLIA, Per padre il diavolo. Un’introduzione al problema ebraico secondo la tradizione cattolica, SEB, Milán, 2002.

(**) JOAQUÍN SÁENZ Y ARRIAGA, El antisemitismo y el Concilio Ecuménico. Y qué es el progresismo, La hoja de roble, México (sine loco et data, mas posterior à abertura da segunda sessão do Concílio); LEON DE PONCINS, Il problema dei giudei in Concilio, Tipografia Operaia romana, Roma. Na Inglaterra, com The Britons, Londres (depois da terceira sessão); A ação jude-maçônica no Concílio (enviado a todos os bispos, cf. Fesquet, pág. 504, 29 de setembro de 1964).

Mensagem natalina de Monsenhor Dolan aos fiéis do Brasil

Dentre as bênçãos que conto neste Natal, em meu vigésimo quinto ano de episcopado, certamente está a alegria, a devoção e o entusiasmo que encontrei entre os fiéis brasileiros que tive o privilégio de conhecer e começar a servir este ano.

Eis um incentivo e um encorajamento para mim enquanto me preparo para visitá-los em fevereiro e oferecer a minha primeira Santa Missa em vossa terra bendita, tão cara a Nossa Senhora e aos santos. Uma vez católica, trabalharemos juntos para fazê-la assim novamente.

Foi-me dito que no Brasil há muita devoção ao Menino Jesus. Uma coisa bela, pois ela é muito agradável a Nosso Senhor e fonte de muitas graças. Neste espírito de devoção, desejo a todos um Natal muito abençoado.

+ Monsenhor Daniel Dolan

A indefectibilidade da Igreja

Se a Igreja é indefectível no seu ser, infalível no seu ensino e guia segura no governo dos fiéis, então é evidente que a seita modernista do Vaticano II não pode identificar-se com ela e que as supostas autoridades que a promovem pelo mundo, de algum modo ou de outro, deixaram de fazer parte desta Igreja indefectível, infalível e autoritativa no governo das almas.

Com efeito, na seita modernista, a hierarquia mesma afirma uma evolução da instituição e da mentalidade eclesial, os fiéis recebem uma catequese contaminada com ideais não católicos e são conduzidos ao abismo pela porta verdadeiramente larga do amor ao mundo e do diálogo com o mal.

A falta de temor de Deus implicada no “fechar os olhos” para esse problema dificilmente pode desculpar os mestres de grupos neoconservadores e tradicionalistas que, ex cathedra pestilentiae, publicamente o negam.

O argumento dos frutos amargos do sedevacantismo

Ilustríssimo, eu compreendo a sua má impressão do sedevacantismo, mas ela não é justa. Ela é de fato uma análise superficial e preconceituosa. Dizer que não aprovemos a posição da FSSPX é uma coisa, mas dizer que tratamos com desdém e ingratidão a Monsenhor Lefebvre é uma mentira. Também é falso afirmar que dizemos que somos os únicos católicos do planeta Terra. O que dizemos é que a posição Reconhecer e Resistir da FSSPX é um erro teológico grave, certamente heretizante. Papas no passado, como Pio VI na Auctorem Fidei, qualificaram-na como temerária e injuriosa à Igreja de Deus e ao Espírito Santo. Ela não é, portanto, uma posição “prudente”, como dizem por aí, mas uma posição perigosa e reprovada pelo Magistério de sempre. Existe ainda o problema eclesiológico, isto é, a infalibilidade da Igreja como um todo, que é prejudicada pelo “reconhecimento” da seita modernista bastarda.

É basicamente esse o nosso ponto. E entenda bem isso aqui: não é que a posição de Belarmino seja a única que exista, mas é que ela é de fato a única capaz de reconciliar os fatos da apostasia com a obrigação de assentir ao Magistério da Igreja enquanto Magistério e o dogma da indefectibiidade da Igreja.

Eu sugiro que o senhor não procure respostas rápidas ao que eu acabei de dizer, mas procure entender melhor o nosso ponto, que parte do bom senso, do catecismo, de numerosos ensinamentos do Magistério e dos grandes teólogos. Como você há de perceber, o sedevacantismo não é essa coisa sem consistência e razão de ser que o senhor imagina. A verdade é bem outra. Não é assim e eu penso que já estamos em posição de exigir do senhor e seus amigos o devido respeito, o respeito que se deve a católicos militantes.

Quanto aos “frutos amargos do sedevacantismo”, eu poderia multiplicar frutos amargos da FSSPX também, mas isso não vem ao caso. Eu ainda poderia explicar historicamente o crescimento da FSSPX sem recorrer a superstições. Não o farei. O que eu farei aqui é indicar-lhe um pequeno vídeo de Padre Anthony Cekada, onde este responde ao recorrente argumento – muito usado por Dom Lourenço e outros – sobre os “frutos amargos” do sedevacantismo. Aqui está:

Página Teologia da Deslibertação ataca o sedevacantismo com tese blasfêma e supersticiosa

Além de insistir na defesa de um anticomunismo frouxo, de mocinhas que não dormem com a luz apagada, a Teologia da Deslibertação quer nos acusar de heresia – acusação gravíssima – ao mesmo tempo que exime de heresia ao Vaticano II, suas reformas e seus defensores mais entusiastas. Sim senhor, enquanto se fazem cegos aos monstruosos erros do neoteólogo Joseph Ratzinger, ao qual têm na conta de herói da fé (!!!), eles nos acusam de heresia porque dizemos que um herege como ele não pode ter sido validamente eleito ao papado. Eles nos acusam baseando-se em uma blasfêmia e uma superstição.

Primeiro a blasfêmia. Na sua visão, Deus tem a obrigação de aceitar Bergoglio e Ratzinger, hereges de carreira, como Sumos Pontífices da Igreja Católica. Ele deve aceitar homens sem a fé de Pedro, homens que acolheram erros condenados no passado, ainda que isso seja contra a Lei de Deus e da Igreja. Não seria essa sua tese uma afronta às prerrogativas divinas, bem ao modo do antropocentrismo moderno, esse que põe o homem no lugar de Deus? Sim, seria e ela é totalmente falsa! O poder do homem tem limites, não é qualquer batizado que pode se tornar a cabeça da Igreja. Do mesmo modo que Deus não vai converter em seu Santíssimo Corpo qualquer alimento, como uma maçã, mas unicamente o pão, do mesmo modo ele não vai converter em papa qualquer batizado, mas unicamente quem professa a fé católica e não, preste atenção, e não a fé patentemente modernista de um Ratzinger e de um Bergoglio! Deus é quem dá a lei, cabe aos homens obedecer-lhe e não o contrário. É uma violação de seus direitos e uma injúria a seus atributos obrigá-lo a partilhar da apostasia de indivíduos sem fé, que vivem em aberta desobediência aos ensinamentos da Escritura, da Tradição e do Magistério da Igreja Católica.

Depois da blasfêmia vem a superstição. A promessa de Cristo e a frase de Santo Ambrósio, dizem eles, impedem a existência de uma eleição inválida e de um falso papa. Então, eu pergunto, se fosse assim, então me expliquem:

Por que o Papa Paulo IV escreveu a bula Cum Ex Apostolatus Officio?

Por que o Código de 1917 falava de renúncia tácita do cargo em caso de heresia?

Por que teólogos e canonistas admitem a heresia como um impedimento à eleição papal?

Por que a Igreja sempre se esmerou em criar órgãos como o Santo Ofício e o Index para impedir que hereges galgassem na hierarquia eclesiástica?

Por que o Papa São Pio X estabeleceu o Juramento Antimodernista para todo o clero?

E, finalmente, por que a Igreja fez o Juramento Papal, segundo o qual se diz: “nós submetemos ao rigoroso interdito do ANÁTEMA, se porventura qualquer um, OU NÓS MESMOS, ou um outro, tiver a presunção de introduzir qualquer novidade em oposição à Tradição Evangélica, ou à integridade da Fé e da Religião” etc.?

Eu respondo: é porque a Igreja sempre esteve ciente de que, não fossem tomadas as mais enérgicas medidas, haveria sim o terrível prospecto de uma eleição inválida e de um falso papa!

Está na cara, pois, que a tese da impossibilidade de uma eleição inválida e de um falso papa é mera superstição dos teólogos da deslibertação, superstição esta que sempre esteve longe da mente da Igreja. Superstição, repito, na qual a Igreja jamais acreditou. A Igreja Católica repele todos os inovadores e assim fazemos nós!

Mas os hereges e legitimadores de hereges utilizam esse ardil blasfemo e supersticioso para que os católicos mais facilmente sejam influenciados e corrompidos pelos seus erros. Assim a casa de Deus vai sendo destruída pela inércia e conivência da Teologia da Deslibertação, que prefere antes usar um ligeiro pretexto do que levantar uma verdadeira resistência à nova face do comunismo, esse comunismo verde e branco, do qual faz parte a Igreja ecumênica do Vaticano II, a animadora espiritual da Nova Ordem Mundial.

Seminário São José: origem, fim e meios

Nesta entrevista exclusiva, o Reverendo Padre Rodrigo da Silva fala sobre como surgiu a ideia do Seminário São José, qual a sua finalidade e como os candidatos serão selecionados. Além disso, o sacerdote indica os meios pelos quais as pessoas podem apoiar esta obra tão necessária no combate à peste do modernismo.

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