A Solenidade de Cristo Rei contra o laicismo moderno

A Solenidade de Cristo Rei anualmente nos recorda que o laicismo é heresia. Cristo deve reinar não somente sobre as almas e os corações, mas também sobre a sociedade.

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Último Domingo de Outubro.

FESTA DE CRISTO-REI

Numerosos textos das Sagradas Escrituras provam a realeza universal e gloriosa de Jesus, “Rei dos reis e Senhor dos senhores”.

O Santo Sacrifício e o Ofício Divino são o tributo que a Igreja presta quotidianamente a Cristo, na sua qualidade de pontífice e rei, e as mesmas festas litúrgicas da Epifania, da Páscoa e da Ascensão têm por objeto a veneração dos mistérios em que Cristo se apresenta a nós sob a forma de rei… Todavia a Santa Igreja como tantas vezes tem feito com outras heresias, ainda desta feita quis opor à heresia moderna do laicismo, que não quer que “Cristo reine sobre nós”, sobre a sociedade, a afirmação da sua crença na suprema realeza de Jesus, instituindo uma festa especial, que convidasse anualmente os seus filhos a confessarem pública e solenemente que Jesus é não somente rei das almas e dos corações, mas também rei da sociedade.

Foi assinado à nova solenidade o Domingo que precede a Festa de Todos os Santos, na qual veneramos a Jerusalém celeste e a corte brilhante do Rei da glória. Ao terminar do ciclo de domingos depois de Pentecostes, é justo que, antes de volver os olhos para os vários coros que que brilham e cantam na cidade do Céu, tributemos a adoração que lhe é devida Àquele diante de quem os Anjos e os Santos todos se prostram, para depois lhe entoarem um aleluia de eterno júbilo e louvor. Associemo-nos a esta homenagem que na santa cidade dos bem-aventurados prestam ao Rei divino, e cá na terra repitamos, com a Liturgia, a bela oração do dia: Ó Senhor que vos dignastes restaurar todas as coisas na pessoa do Vosso dileto Filho, estabelecendo-o Rei universal das criaturas, fazei que todos os povos, perdida pelo pecado a prístina unidade de família, a encontrem no único e doce reino inaugurado por Cristo por meio da Igreja!

(Missal Romano, Festa de Cristo-Rei; versão portuguesa e anotações de D. Crisóstomo d’Aguiar, 1938, p. 1197.)

Leia também: Sobre Cristo Rei: A Encíclica Quas Primas de Pio XI
E também: A Realeza de Cristo contra a Liberdade Religiosa

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Renovação Carismática: Instrumento Modernista

Via: Verdade en la Red

Muitas pessoas afirmam ter obtido a conversão através da Renovação Carismática… entendam os que estão na Renovação Carismática que isso é parte do caminho da conversão, isso não é o destino final. Não podem ficar presos aí, já que a Renovação Carismática é um erro protestante introduzido e promovido dentro da Igreja Conciliar.

Dom Sebastião dá o seu testemunho católico contra a liberdade religiosa do Vaticano II

Via: Clericalismo

Ei Pe. Paulo Ricardo, diante do catolicíssimo Dom Sebastião, que no dia do Juízo testemunhará contra ti, como é que fica a liberdade religiosa do Vaticano II? Ele violou um “direito inalienável” de Lutero e Calvino?

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Vergonha eterna a todos os falsos profetas desta seita conciliar, cuja má doutrina condena os bons católicos de ontem e de hoje, ao mesmo tempo que favorece todos os hereges do passado e do presente.

Curta: Clericalismo
Curta: Controvérsia Católica

Leão não falou pela boca de Pedro Dimond: Ir. Pedro Dimond e a Carta a Flaviano

LEÃO NÃO FALOU PELA BOCA DE PEDRO DIMOND

IR. PEDRO DIMOND E A CARTA A FLAVIANO

Por Diogo Rafael Moreira (2018)

Leão não falou pela boca de Pedro Dimond [PDF]

INTRODUÇÃO

Há algum charme no discurso do Ir. Pedro Dimond, especialmente quando se vive na era do Vaticano II, onde poucas são as vozes que falam sobre a vida sobrenatural e os novíssimos. Contudo, sua pretensão de provar uma tese nova e rigorista fere de morte a credibilidade do seu apostolado.

A tese em questão é aquela que entende o dogma “Fora da Igreja não há salvação” em um sentido tal que exclua o batismo de desejo, uma doutrina ancestral do catolicismo.1 Essa posição peculiar é o principal título de separação entre os católicos e o seu grupo.

Para o bem do Ir. Pedro Dimond e seus seguidores, como também para o esclarecimento de muitos, proponho examinar o argumento que, segundo o autor, “encerra o debate sobre o batismo de desejo”.

I. RESUMO

O autor começa apresentando o que ele chama de “a declaração mais interessante sobre o tema”. Trata-se do seguinte excerto da carta de São Leão Magno a Flaviano:

“Deixai que preste atenção ao que o bem-aventurado apóstolo Pedro prega, que a santificação pelo Espírito se realiza pela aspersão do sangue de Cristo (1 Pedro 1,2), e não deixai passar despercebidas as palavras do mesmo apóstolo, considerando que haveis sido resgatados do vosso vão viver segundo a tradição de vossos pais, não com prata, nem com ouro, corruptíveis, senão com o sangue precioso de Cristo, como cordeiro sem defeito nem mancha (1 Pedro 1, 18). Tampouco há que resistir ao testemunho do bem-aventurado João: e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todos os pecados (1 João 1,7); e outra vez, esta é a vitória que venceu o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo senão o que crê que Jesus é o Filho de Deus? Ele é o que veio pela água e pelo sangue, Jesus Cristo; não só na água, mas na água e no sangue. E é o Espírito o que o certifica, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três se reduzem a um só (1 João 5, 4-8). EM OUTRAS PALAVRAS, O ESPÍRITO DA SANTIFICAÇÃO E O SANGUE DA REDENÇÃO E A ÁGUA DO BATISMO, ESTES TRÊS SÃO UM E PERMANECEM INDIVISÍVEIS, NENHUM DELES É SEPARÁVEL DE SEU VÍNCULO COM OS DEMAIS.”2

Antes de examinar o texto, ele exibe as credenciais da carta: ela foi incluída nas atas do Concílio Ecumênico de Calcedônia e foi considerada maximamente autoritativa pelo Papa São Gelásio. É, pois, um documento infalível ou ex cathedra.

Então, o autor nos assegura que o trecho citado se refere à “santificação pelo Espírito”, termo esse definido como “justificação do estado de pecado”. Logo, o Espírito de santificação mencionado na carta significa a justificação do pecador. Ora, se o texto de São Leão Magno ensina que a dita justificação é impossível sem a água do batismo, então qualquer possibilidade de uma justificação sem o batismo de água tem de ser descartada, inclusive a doutrina sobre o batismo de desejo e de sangue. “Papa São Leão define que na justificação, o Espírito da santificação e o sangue da redenção não podem ser separados da água do batismo! Logo, não há justificação pelo Espírito e pelo sangue sem o Sacramento do Batismo. Isso infalivelmente exclui o próprio conceito de batismo de desejo e batismo de sangue, que é de que a santificação pelo Espírito e pelo sangue é possível sem a água.”

Ele prossegue dizendo que São Tomás de Aquino não segue São Leão Magno nessa matéria, mas diz bem o contrário: o Doutor Angélico ensina que, no caso do batismo de desejo, a santificação se opera sem o sacramento do batismo, “exatamente o oposto do que o Papa São Leão Magno definiu”. Portanto, entre São Leão e São Tomás, “um católico deve aceitar o que o Papa São Leão Magno definiu” e rejeitar a doutrina de São Tomás.

“A significância da declaração do Papa São Leão é extraordinária”, pois ele é mais específico até mesmo que o próprio Concílio de Trento (!). Mas, alguém irá perguntar, por que muitos teólogos e até santos ignoraram essa passagem tão importante dos escritos do Papa São Leão Magno? “A resposta é simples: eles não estavam conscientes da declaração de São Leão Magno neste respeito; eles erraram de boa fé; eles eram homens falíveis; não estavam conscientes de que sua posição era contrária ao ensino infalível da Igreja Católica”. Porém, você não tem essa nobre desculpa, graças a Deus, você conheceu a obra do Ir. Pedro Dimond contra o batismo de desejo e, como uma consequência necessária, tem apenas duas opções: aderir ao ensinamento infalível do Papa São Leão Magno sobre a matéria da justificação ou cair em heresia formal, o que implicaria na sua danação eterna.

II. EXAME CRÍTICO

O texto examinado segue um raciocínio muito simples:

Maior: O batismo de desejo e de sangue ocorrem na falta do batismo de água;
Menor: Mas o Papa São Leão Magno infalivelmente ensinou que a justificação (entendida como espírito de santificação) é inseparável da água do batismo;
Conclusão: Logo, o batismo de desejo e de sangue não salvam ou justificam, o que é o mesmo que dizer que a doutrina sobre eles é falsa.

No entanto, o argumento não se sustenta, pois a premissa menor é falsa. Ela parece verdadeira, porque o Ir. Pedro Dimond não explicou qual era o tema da carta dogmática e meticulosamente omitiu a explicação dada pelo próprio papa. Em outras palavras, em vez de ser um fiel porta-voz da mensagem de São Leão Magno, o autor tapa a boca do Romano Pontífice e põe as suas próprias palavras em seu lugar.

Para que tudo fique bem claro, citarei novamente o texto com o acréscimo das partes que nos permitem compreender tanto o tema da carta quanto a explicação omitida:

“Não desconfies ser homem com um corpo igual ao nosso quem ele sabe ter sido passível, porque a negação da verdadeira carne é igualmente negação da paixão corpórea. Se [Eutiques] adere à fé cristã, e não desvia o ouvido da pregação do Evangelho, contemple qual foi a natureza que pendeu do lenho da cruz, transpassada pelos cravos, e tendo sido aberto o lado crucificado pela lança do soldado, entenda de onde brotou sangue e água, para que a Igreja de Deus fosse refeita pelo lavacro e o cálice. Deixai que [Eutiques] preste atenção ao que o bem-aventurado apóstolo Pedro prega, que a santificação pelo Espírito se realiza pela aspersão do sangue de Cristo (1 Pedro 1,2), e não deixai passar despercebidas as palavras do mesmo apóstolo, considerando que haveis sido resgatados do vosso vão viver segundo a tradição de vossos pais, não com prata, nem com ouro, corruptíveis, senão com o sangue precioso de Cristo, como cordeiro sem defeito nem mancha (1 Pedro 1, 18). Tampouco há que resistir ao testemunho do bem-aventurado João: e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todos os pecados (1 João 1,7); e outra vez, esta é a vitória que venceu o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo senão o que crê que Jesus é o Filho de Deus? Ele é o que veio pela água e pelo sangue, Jesus Cristo; não só na água, mas na água e no sangue. E é o Espírito o que o certifica, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três se reduzem a um só (1 João 5, 4-8). Em outras palavras, o Espírito da santificação e o sangue da redenção e a água do batismo, estes três são um e permanecem indivisíveis, nenhum deles é separável de seu vínculo com os demais; pois a Igreja Católica vive de tal fé e nela progride: Não há em Cristo Jesus humanidade sem verdadeira divindade, nem divindade sem verdadeira humanidade. Eutiques respondeu a vosso interrogatório: “Confesso que nosso Senhor tinha duas naturezas antes da união; depois desta, confesso ter apenas uma natureza”. Admiro-me que tão absurda e perversa profissão não tenha sido repreendida e censurada pelos juízes e tenha passado em silêncio palavra tão insipiente e blasfema, como se nada de escandaloso tivesse sido ouvido. Afirma ele tão impiamente que o Unigênito Filho de Deus, antes da encarnação, tivera duas naturezas, quanto criminosamente assevera haver nele uma só natureza depois que o Verbo se fez carne.”3

O exame desta citação mais longa é revelador. Ele pode ser resumido nos seguintes pontos:

1. O tema da carta: uma heresia contra o dogma da Encarnação

“A negação da verdadeira carne é igualmente a negação da paixão corpórea”. Quem teve de negar a encarnação do Verbo pela confissão de uma só natureza em Cristo? Os monofisistas, nomeadamente Eutiques e seus discípulos. De fato, esta famosa carta de São Leão Magno a Flaviano trata de defender a realidade da Encarnação do Verbo contra a heresia de Eutiques.

Se a heresia refutada é o monofisismo eutiqueano, então é evidente que o Papa São Leão Magno não pode estar falando diretamente sobre a justificação, um tema que só será definido na sexta sessão do Concílio de Trento. Não estamos aqui em uma querela protestante do século XVI sobre a justificação do fiel, mas em uma controvérsia cristológica do século V sobre a natureza do Filho de Deus. Portanto, aqui já cai por terra a afirmação de que a dita carta é mais específica do que a declaração solene do Concílio de Trento.

2. A justificação enquanto testemunha da Encarnação

Fala-se evidentemente da justificação, porém não se fala da doutrina em si, mas da justificação como testemunha ou prova da Encarnação: da mesma forma que a negação da Encarnação (eutiqueanismo) termina na negação da justificação, a afirmação da justificação dá testemunho da Encarnação.

Nesse sentido de prova, as três testemunhas mencionadas (“o espírito da santificação, o sangue da redenção e a água do batismo”) são uma e a mesma confissão de fé, inseparáveis entre si, “pois a Igreja Católica vive de tal fé e nela progride: Não há em Cristo Jesus humanidade sem verdadeira divindade, nem divindade sem verdadeira humanidade; quia catholica ecclesia hac fide vivit, hac proficit, ut nec sine vera divinitate humanitas nec sine vera credatur humanitate divinitas”. Ou seja, as três testemunhas não se separam, pois juntas atestam a fé da Igreja na Encarnação.

Corrobora com esta explicação o maior comentador da Sagrada Escritura dos tempos modernos, Cornelius a Lapide, que tomou essa passagem de São Leão como uma interpretação mística de 1 Jo 5, 8:

“Misticamente, entende-se por espírito, água e sangue as três coisas que concorrem para a nossa justificação e assim dão testemunho de Cristo, por cujos méritos e poder se alcança nossa justificação. Assim o sangue significa o mérito do sangue e morte de Cristo que nos foi aplicado como justificação, a água significa a ablução e purgação dos pecados, o espírito significa a aspiração e infusão do espírito, ou seja, da vida espiritual, da graça, da caridade e das demais virtudes que nos fazem justos. Donde diz S. Ambrósio lib. De spiritu sancto cap. 11: o espírito renova a mente, a água nos lava, o sangue é o preço. Assim também Cirilo de Fide ad Reginas, e S. Leão epist. 10 c. 5. São três, diz, o espírito da santificação, o sangue da redenção e a água do batismo.”4

Essa interpretação, que não é senão uma leitura cuidadosa do excerto referido, destrói outros dois erros do artigo do Ir. Pedro Dimond, a saber:

a) a afirmação de que somente o Espírito de santificação significa a justificação, quando na verdade as três coisas mencionadas são parte constitutiva do processo de justificação;

b) a interpretação literal de água do batismo como o sacramento do batismo, o que é arbitrário e sem fundamento, uma vez que São Leão Magno está falando em sentido místico.

3. Explicação do termo “água do batismo”

A justificação enquanto testemunha de Cristo consiste em três coisas: redenção (sangue), purificação (água) e santificação (espírito). Todas essas coisas são realizadas por Cristo na alma dos fiéis, tudo isso faz parte da justificação. Nesse contexto, a água do batismo não pode significar o sacramento do batismo (a causa instrumental da justificação, que certamente inclui as três coisas juntas), mas unicamente um de seus efeitos, isto é, o perdão dos pecados.

Esse sentido místico está tão arraigado na mentalidade católica que uma das mais famosas orações indulgenciadas pede ardentemente para que o cristão aqui e agora, e especialmente depois de receber a Santíssima Eucaristia, seja lavado (i.e. batizado) de pela água do lado de Cristo.5 É claro que assim o fiel não pede para ser batizado de novo, o que seria absurdo, mas para que Cristo purifique sua alma de todo pecado. De fato, a água entendida nesse sentido correpende ao efeito obtido por um ato de contrição perfeita, o qual, se feito com todo ardor, nos alcança o perdão dos pecados até mesmo antes da recepção do sacramento.6

4. O sacramento do batismo: sentido alegórico

Por outro lado, o sacramento do batismo pode ser entendido como uma testemunha de Cristo em sentido alegórico:

“Alegoricamente, por essas três coisas se entendem os três principais sacramentos que dão testemunho de Cristo, isto é, por ele instituídos e santificadores em virtude de seus méritos. A água significa o batismo, o sangue o cálice da Eucaristia, o espírito a penitência. Donde que soprando o Espírito sobre seus Apóstolos, Cristo deu-lhes o poder de perdoar os pecados em Jo 20, 22. Todas essas coisas provam que Jesus Cristo é Deus, tanto porque a remissão dos pecados é obra de Deus e do poder divino, quanto porque a transubstanciação do pão e vinho em corpo e sangue de Cristo não pode ser feita senão pela virtude e poder divino.” etc.7

O Papa Leão Magno exprime-o também em sua carta quando diz: “e tendo sido aberto o lado crucificado pela lança do soldado, entenda de onde brotou sangue e água, para que a Igreja de Deus fosse refeita pelo lavacro e o cálice”.8 Ora, o lavacro e o cálice são referências inequívocas ao sacramento do Batismo e da Eucaristia.

Assim como no sentido místico, a referida interpretação se funda no sentido literal, isto é, “o Espírito que Cristo morrendo na cruz entregou nas mãos do Pai, como também a água e sangue que manaram do lado de Cristo, atestam que Cristo era não só verdadeiro homem, mas também verdadeiro Deus; Spiritus quem Christus in cruce moriens emisit in manus Patris, item aqua et sanguis quae de latere Christi profluxerunt, testificantur Christum verum fuisse non tantum hominem, sed et Deum.”9

As discussões modernas sobre o sentido literal não serão discutidas aqui, mas o que importa saber é que, no contexto das três testemunhas, em nenhum caso o sacramento do batismo é significado isoladamente dos outros dois (Penitência e Eucaristia). Logo, a interpretação do Ir. Peter Dimond é inaceitável e pode resumir-se como a confusão entre o sentido místico e alegórico da passagem supracitada.

5. Uma prova adicional em favor do batismo de desejo

A interpretação correta da Carta a Flaviano prova o batismo de desejo, pois implica que a fé do catecúmeno na justificação faz dele um com a Igreja de Deus. É precisamente isso o que ensina São João Batista de La Salle em seu catecismo, chamado pelo censor da obra de “exposição completa e luminosa da doutrina católica”:

“A Igreja, no entanto, sempre teve um sentimento bem diferente dos catecúmenos mortos sem o batismo, desde que ela os tem visto como sendo do número dos fiéis e tendo a fé e o amor de Deus no coração. É também isso o que ela sempre acreditou daqueles que, antes de serem batizados, sofreram o martírio professando a fé de Jesus Cristo.”

“É isso o que deu ocasião de distinguir três tipos de batismo: o batismo de água, o batismo de lágrimas e o batismo de sangue. Mas não há senão o batismo de água que seja um verdadeiro sacramento e, se damos o nome de batismo aos dois outros, isso é unicamente porque eles suprem a falta deste sacramento quando ele não pode ser recebido e têm o mesmo efeito.”10

São João Batista de la Salle é apenas uma testemunha em favor dessa doutrina, há muitas mais.11 Como o testemunho da Igreja de Cristo não se divide e nem pode ser mentiroso, como “nenhum deles é separável de seu vínculo com os demais”, é natural que rejeitando essa porção dos fiéis de Cristo se rejeite também todo o Corpo da Igreja e o próprio Cristo. Essa é a gravidade do pecado da heresia que nos aparta da comunhão com a Igreja Católica, a testemunha infalível da Encarnação do Verbo de Deus.

6. Responsabilidade pelo erro

Por que a interpretação do Ir. Pedro Dimond destoa tão grandemente do sentido original do texto? Num primeiro momento eu me sentiria impelido a responder que “a resposta é simples: eles não estavam consciente da declaração de São Leão Magno neste respeito; eles erraram de boa fé; eles eram homens falíveis; não estavam conscientes de que sua posição era contrária ao ensino infalível da Igreja Católica”. No entanto, ao fim desse exame, devo dizer que essa resposta simplista não é o bastante. Os motivos são os seguintes:

a) O Ir. Pedro Dimond teve acesso a toda a carta de São Leão Magno a Flaviano, contida no compêndio de Concílios Ecumênicos editado pela Universidade de Georgetown.

b) O texto foi recortado de tal maneira que dava a entender que São Leão Magno estava definindo algo que não tinha absolutamente nada a ver com o escopo da carta e aquilo mesmo que o Papa dizia naqueles linhas.

c) Ele oferece como “background” as credenciais da carta, o que é surpreendente e revelador, pois as credenciais servem unicamente para tornar o argumento persuasivo e não para oferecer algum esclarecimento sobre sua origem e conteúdo.

d) A afirmação de que tal passagem define uma doutrina sobre a justificação seria imediatamente desacreditada se o leitor fosse informado acerca do verdadeiro “background” da dita passagem.

e) A comparação entre o Concílio de Trento e o Concílio de Calcedônia é a mesma coisa que comparar laranjas com maçãs, porém o autor faz a comparação mesmo assim. Ora, como foi visto, o Concílio de Trento trata expressamente da doutrina da justificação, enquanto tudo o que diz o Concílio de Calcedônia, salvo o que tem de disciplinar, refere-se ao Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Então, chamar a Carta a Flaviano de “mais específica” que o próprio Concílio de Trento no tocante à doutrina da justificação é um erro grave. Novamente, parece que seu único propósito é convencer, não esclarecer.

f) A comparação entre São Tomás e São Leão Magno é igualmente falsa, pois São Tomás está realmente falando sobre o batismo de desejo, enquanto São Leão Magno está falando sobre a encarnação e menciona a água do batismo em sentido místico e na medida em que ela é testemunha da Encarnação do Verbo de Deus.

g) Afirmar que os santos, dentre os quais muitos doutores da Igreja, pecaram por ignorância da declaração do Papa Leão Magno é um ato de presunção enorme. Primeiro, porque “a mais interessante declaração sobre o tema” não existe, pois o tema é bem outro; segundo, porque esta carta de São Leão Magno é provavelmente um de seus escritos mais conhecidos, senão o mais conhecido; terceiro, porque é pelo menos imprudente dizer que membros da Igreja hierárquica, muitos dos quais teólogos eminentes, não entenderam a relativamente simples carta de São Leão Magno a Flaviano, enquanto um monge nascido depois do Concílio Vaticano II, desprovido da graça de estado e do preparo teológico que esses homens certamente tiveram, tenha finalmente entendido o verdadeiro sentido de um trecho solto da carta.

Essa afirmação até parece plausível depois que o texto já foi tirado de seu verdadeiro contexto e enxertado no contexto de uma discussão dos idos do século XVI sobre a justificação; torna-se ainda mais plausível quando ele é confrontado com o Concílio de Trento e São Tomás; porém, já se provou que todo esse percurso é uma ilusão. Como é de costume, os santos estavam certos, os doutores estavam certos, a Igreja hierárquica estava certa. Quem estava errado desde o princípio? O Ir. Pedro Dimond. Por que ele estava errado? Porque deseja colocar a sua tese acima da verdade proposta pela Igreja hierárquica. O espetáculo visto nesse seu último argumento contra o batismo de desejo dá testemunho de sua obstinação, uma obstinação própria de um herege.

CONCLUSÃO

O presente exame evidenciou duas coisas: (1ª) o texto apontado como “a declaração mais interessante sobre esse tema” afirma antes a doutrina católica sobre o batismo de desejo do que sua negação; (2.ª) o exame revela o uso de técnicas de persuasão – exposição de credenciais, repetições constantes, comparações impressionantes – que servem mais como uma distração do que prova substancial de alguma coisa.

Espero que este exame anime todos a terem uma fé mais viva na Encarnação do Verbo de Deus e no testemunho que a Igreja dá, com os seus catecúmenos e mártires não batizados, de seus efeitos maravilhosos.

Rezemos uns pelos outros.

A.M.D.G.,
Diogo Rafael Moreira.

NOTAS:

1 – Cf. Sources of Baptism of Blood and & Baptism of Desire ou o mais breve Evidência da Doutrina Católica sobre o Batismo de Desejo e de Sangue nos Catecismos Aprovados e Outras Obras Católicas de Instrução Popular.

2 – Esta e as demais citações do resumo encontram-se em Ir. Peter Dimond, Outside the Church there is Absolutely No Salvation, 2ª ed. Inglesa, cap. 15, p. 89-94.

3 – Migne, Patristica Latina, tom. 54, cols. 775 e 774.

4 – Cornelius a Lapide, Commentaria in Sacra Scriptura, tom. 10, p. 912.

5 – Refiro-me certamente à célebre Alma de Cristo de Santo Inácio de Loyola.

6 – Concílio de Trento, sessão XIV, cap. IV.

7 – Cornelius a Lapide, op. cit., loc. cit.

8 – Migne, op. cit., col. 775.

9 – Cornelius a Lapide, loc. cit.

10 – St. Jean Baptiste de La Salle, Les devoirs d’un chrétien… Paris: D. Dumoulin et Cie., 1891, p. 167.

11 – Vide nota 1.

O Báculo de Bergoglio

Via Miles Christi

Reflexão de Elías Bautista sobre o “báculo” que um grupo de peregrinos italianos deu a Bergoglio a 11 de agosto deste ano no Circus Maximus de Roma, e que ele usou na cerimônia de abertura da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (o chamado “Sínodo sobre os Jovens e a Vocação”) a 3 de outubro, com a presença dos dois novos bispos oficializados do Partido Comunista Chinês: José Guo Jincai (da recém-criada diocese de Chengde) e João Batista Yang Xiao-ting (da diocese de Yan’an). RECOMENDAMOS DIZER A ORAÇÃO DE SÃO MIGUEL E A AVE MARIA, ANTES DE CONTINUAR.

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«O STANG, também conhecido como “FORCA DAS BRUXAS” é uma ferramenta mágica de feitiçaria. É uma vara de mais de 1,20 metros de altura com terminação bifurcada. Ele pode ser visto em inúmeras ilustrações e pinturas de bruxas voando sobre esse artefato.

Para a feitiçaria tradicional, o stang, em si, é um altar móvel e discreto, onde a feiticeira ou feiticeiro pode levar sua devoção, assim a parafernália wiccaniana não é necessária para trabalhar com ele, já que, para ativá-lo, basta abrir um compasso e cravá-lo à terra, no centro do mesmo.

Para outros, o Stang é um portal de comunicação direta com o SENHOR OBSCURO. Da mesma forma, o “Axis Mundi”, o eixo da terra, do universo, representa a árvore da vida, a sábia serpente que se elevava ao céu “.

Eu o encontrei em um site sobre feitiçaria. As ilustrações são similares TODAS COMO A A VARA de Chê Bergoglio. E como se vê, pode-se levar suas devoções nela, penas, pedras, ou, no caso de BRUXO Francisco, um prego.

Sobre a relação entre o prego e a vara ou stang do feiticeiro, eu encontrei esse texto:

Não sabemos se O BRUXO Francisco está ciente desta bruxaria em que o meteram, mas estamos ante um sacrilégio gravíssimo que tem como objetivo apresentar a abertura do Sínodo como A OBRA DE UM GRANDE BRUXO que comanda a fé em contato com o “SENHOR OBSCURO”.

Quem fez o “stang” entrar em moda foi um feiticeiro dos anos sessenta chamado Robert Cochrane (nascido Leonard Roy Bowers), que é o refundador do wiccanismo. Ele cometeu suicídio em 1966, logo após o término do concílio.

O “stang” deve ser consagrado com rituais. Poderia ter sido assim com o BRUXO de Francisco? Seja como for, o anti-papa nunca deveria ter aceito esse objeto tão indigno de adoração e muito menos agora que se suspeita desse sinal oculto de bruxaria sobre o rito católico e o sínodo.

Que Deus nos ajude.

Monsenhor Dolan: Perguntas e Respostas sobre a Missa una cum

SOBRE A MISSA UNA CUM E UM MITO TRIBAL DO TRADICIONALISMO

Monsenhor Dolan responde a três perguntas frequentes:

– O que pensar sobre as Missas ditas una cum?
– O que fazer quando não há como ir a uma Missa não una cum?
–  O que pensar da posição “Reconhecer e Resistir”?

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TRANSCRIÇÃO DA CONFERÊNCIA

M. D. = Monsenhor Daniel Dolan
P. D. = Padre Ariel Damin
P. R. = Padre Rodrigo da Silva

P. R. – Monsenhor, tenho algumas perguntas do Brasil. Muita gente se pergunta se pode ir assistir a Missa, frequentar a Missa una cum, tanto das comunidades Ecclesia Dei, como da Fraternidade e da Resistência. Creio que no Brasil os fiéis ficam sem ver as diferenças entre as missas ou [sem saber] porque nós preferimos os sacerdotes ou missas não una cum.

M. D. – Obrigado, padre. Esta é uma questão muito boa e certamente muito importante, pois esta seria a nossa ruína mesmo de um ponto de vista prático, já que muitas pessoas pensam “Bem, tudo o que importa é ter uma Missa em latim”, mas então onde é que você traça a sua linha? Por que não ir na missa de um padre da Resistência? Por que não ir na missa de um padre da FSSPX? Ou por que não ir na missa de um padre Ecclesia Dei? E, finalmente, por que não ir a uma Missa diocesana? Já que a sua religião é o que nós chamamos de Missa-latinismo, por assim dizer, a religião da Missa em latim? Realmente não há limites e eu te digo que esta não é a minha religião, a minha religião é a católica.

Este é o ponto: se você tem a Igreja Católica, você tem tudo o que você precisa: ela é a sua Mãe, ela é a Esposa Imaculada de Cristo, ela é uma gloriosa imagem da sempre Virgem Maria, ela é tudo o que nós desejamos e necessitamos. Ora, pode ser que para você seja difícil encontrar um sacerdote ou encontrar uma Missa boa, encontrar os sacramentos. Embora na medida que cresce o número de nossos sacerdotes e ficamos mais organizados, essas dificuldades vão desaparecendo.

Seja como for, você tem tudo o que você precisa, se você é um católico. Mas se você tem uma missa em latim na [religião do] missa-latinismo, você não tem absolutamente nada. Você não tem uma Missa que agrada a Deus Todo-Poderoso e talvez ele nem seja válida. E você certamente não tem a fé católica e a Igreja Católica.

Veja: o dabo pode e faz uso mesmo do Santo Sacrifício da Missa para promover seus próprios objetivos e fins. Em muitos momentos da história, houveram missas cismáticas ou heréticas. Veja o exemplo dos ortodoxos orientais, os gregos e os russos. Suas missas são um sacrilégio, uma ofensa a Deus Todo-Poderoso. No entanto, elas são válidas, muito mais válidas que a Missa em sua paróquia. Você pode ir na missa ortodoxa oriental? Alguns pensam que sim, mas por que pensam eles assim? Por ignorância e por causa deste missa-latinismo.

O que importa é que a Missa seja a oblatio munda, a oferta pura a Deus todo-poderoso. Mas eu vivo muito longe de uma missa não una cum. seria tão difícil ir até lá com minha família ou é preciso viajar muito. Eis uma boa objeção prática. Como eu respondo?

Por que você vai a Missa? Você vai a Missa para receber alguma coisa ou para dar alguma coisa? Que é o sacrifício da Missa? Eis a questão primordial. Você vai a Santa Missa para dar Deus a Deus, sua reverência, Jesus Cristo em sua natureza humana entregando a natureza humana ante o trono de Deus, em adoração e submissão, oferecendo Deus a Deus, ela não é uma coisa para mim, mas é algo perfeito para Deus.

Por que a Missa una cum – una cum significa em comunhão com – porque ela não é uma Missa perfeita? Não é, porque ela é uma Missa – como disse em meu primeiro vídeo – que põe uma mentira no momento mais santo da Missa, isto é, diz que você está em comunhão com este impostor, com este arqui-herege, este bruxo, Bergoglio, o que não é verdade. Então, por que mentir? Por que fingir o que ofende a Deus? E então a outra questão é esta: como você pode declarar a si mesmo unido ao bispo dos bispos, ao Papa, se ele nem sequer é um papa, se nem é um bispo válido e talvez nem seja um padre válido? Com alguém que ensina falsidades e heresias?

Toda a doutrina de todos os padres da Igreja, desde os primeiros, Irineu de Lião, por exemplo, citando apenas um de muitos, muitos, insiste na unidade dos fiéis com seu bispo: um altar, uma fé; mas você não está unido a Bergoglio, você não o segue, não se você tem bom senso, certamente você não o faz.

Então, porque toda essa confusão? Por causa do missa-latinismo. E veja: toma-se um tempo, fazem cinquenta anos desde as mudanças, toma um tempo para as pessoas começarem a perceber as coisas, no começo ninguém percebeu o que se passava.

Eu me recordo na FSSPX, no primeiro capítulo geral, pensando comigo mesmo: Por que eles não estudam esses assuntos? Por que eles impõem esses mitos ou ideologias convenientes, essas soluções políticas para as questões? Eles nunca o fizeram na FSSPX e os estudos que já fizeram foram modernistas e cheios da ignorância. Por quê? Porque este é um movimento político e não religioso. É uma seita e não parte da Igreja Católica. Então não se engane: estude o assunto e, para cada assunto que aparece e que você encontra como um católico tradicional, o que você tem de fazer é isto: não pergunte a si mesmo o que eu quero, o que é conveniente para mim, o que funciona melhor na minha vida. Não! Pergunte: o que Deus quer de mim? Como salvar a minha alma imortal? Qual é o ensinamento infalível da Igreja Católica? Não descanse, não pare até que você a encontre. O Deus Todo-Poderoso nos abençoou hoje. Nós, católicos sedevacantistas, somos simplesmente católicos que recusam mudar sua religião, que recusam qualquer coisa que tenha a ver com a religião modernista e conciliar do Vaticano II. O Deus Todo-Poderoso nos abençoou com muitos padres jovens e muitos jovens pelo mundo que querem respostas para essas questões, que não estão dispostos a aceitar a resposta de alguém, porque ela é a resposta de um terceiro, que não tem autoridade, que não tem o ensinamento da Igreja, o ensinamento dos Padres, o ensinamento dos santos, não, eles querem a verdade.

Eu o convido a juntar-se a nós desejando a verdade também. Além disso, hoje se você está conectado à internet, a Santa Missa está disponível. Você pode assistir a Missa da nossa Igreja, Santa Gertrudes, a Grande, que é transmitida pela internet todos os dias. Assisti-la espiritualmente é muito melhor que ofender a Deus Onipotente, indo a uma Missa que é corrupta, absolutamente inválida, certamente ilícita e ofensiva a Deus, colocando um dos grandes inimigos de todos os tempos do cristianismo, este maldito Bergoglio, no sacratíssimo cânon da Missa. Isso nós não podemos fazer e isso nós não o faremos. Espero ter respondido a sua pergunta, padre.

P. R. – Obrigado, Monsenhor. Alguns também perguntam: Aqueles que estão impossibilitados de ir a Missa, todos os domingos e dias de guarda, o senhor aconselha alguma prática piedosa, por exemplo, o Rosário, a comunhão espiritual, ou como se faz nos Estados Unidos?

M. D. – Bem, como mencionei, uma possibilidade, se você tem uma boa conexão à internet, é seguir a Missa conosco espiritualmente. Em todo caso, é importante rezar e a oração mais poderosa, depois da Sagrada Liturgia, é a oração do Santo Rosário. Certamente, a maioria de vocês já tem o costume de rezar o Rosário, um terço todo o dia. Isso é muito importante. Vocês devem fazer isso juntos aos domingos de maneira especial.

Pode ser que seja bom fazer como os católicos nos Estados Unidos faziam alguns seculos atrás, quando faltavam padres – dificilmente se conseguia achar missionários -, então eles liam algumas das orações da Missa: a Epístola, o Evangelho, a Coleta e faziam uma ativa comunhão espiritual. Em minha experiência, você, em sua família, pode em realidade ter uma fé mais forte rezando juntos em casa do que qualquer um poderia ter indo nestes grupos, pois todos eles enfraquecem a fé, põem sua fé em perigo.

Lembre-se, por fim, do poder do próprio Rosário, lembre-se o que os santos ensinavam sobre o valor da comunhão espiritual, em particular Santa Madalena de Pazzi que ensina que uma comunhão espiritual bem-feita – e você poderia fazer várias por dia -, dá quase tantas graças quanto a comunhão sacramental. Logo, você deve praticá-la, você deve concentrar-se na prática de unir a si mesmo a Nosso Senhor. A pequena oração de Santo Afonso é muito útil para este fim. “Eu desejo vos receber com amor e devoção, eu me arrependo dos meus pecados, vinde a mim meu querido Jesus, vinde agora ao meu coração.”

Faça-o e para os seus pecados você deve examinar sua consciência todas as noites, faça um ato de contrição perfeita, que é perfeita por causa do motivo, o motivo é: “Arrependo-me de meus pecados, porque eu ofendi a vós, meu Deus, que sois o Sumo Bem”, pelo amor de Deus você se arrepende e, o quanto puder, você firmemente decide não tornar mais a pecar, este é um ato de contrição perfeita. Este ato seria aceito e até seus pecados seriam perdoados e manteria sua alma em paz até a próxima vez que você encontrar um sacerdote.

Portanto, é possível salvar sua alma dentro destas circunstancias, mas não é possível salvá-la se você compromete nossa fé. Lembre-se do que eu disse antes: o que me leva a fazer isso [= estar em comunhão com Bergoglio]? Mito, tradição, costume, seguir a corrente, fazer o que todo mundo faz, eventualmente é uma atitude egocêntrica, não estamos aqui para ser egoístas, mas para nos entregar a Deus.

P. R. – Obrigado. Temos tempo para mais uma pergunta, Monsenhor?

M. D. – Sim, como não? Estou aqui para isso.

P. R. – Muitos creem, ao menos na Resistência de onde vim, que a posição Reconhecer e Resistir é a verdadeira posição católica, ou seja, reconhecemos como católico a Bergoglio e a hierarquia modernista pós-conciliar e, ao mesmo tempo, resistimos a legítima hierarquia da Igreja. Este também é o posicionamento da Fraternidade Sacerdotal São Pio X de Monsenhor Lefebvre. Como o senhor vê esta posição de reconhecimento e resistência ao Magistério da Igreja?

M. D. – Caro padre, eu não gostaria de ser descaridoso, não gostaria de ofender ninguém gratuitamente, mas veja: será que esses bispos realmente conhecem o seu catecismo? Como um todo, a posição Reconhecer e Resistir, entendida como uma obrigação católica, é inteiramente estúpida e imperdoavelmente estúpida. Eles devem responder por isso perante o Deus Todo-Poderoso, pois promovem um mito, uma falsidade, uma superstição, de onde é que eles tiraram essa ideia? Ninguém, jamais, na história da Igreja, ensinou tal coisa. De onde eles tiraram isso? De Lefebvre, talvez? Eles fizeram dele um tipo de profeta, tomam certas citações dele e as agrupam ou pregam juntas para fazer disso uma espécie de teologia.

Saia da Fraternidade Sacerdotal São Pio X! Saia da Resistência! Eles inventaram uma teologia que lhes é conveniente, mas veja: o que é isso? Se você inventa sua própria doutrina, se você escolhe uma nova doutrina para seguir, em vez daquela da Igreja Católica, você termina com uma heresia. Heresia vem do grego e significa escolher. Eu não escolheria algo novo, eu escolheria ficar com a Igreja Católica, com seu magistério infalível.

Existem muitos diferentes graus de solenidade – como todos sabemos – do ensinamento de uma certa doutrina, mas a medida última é esta: o que chamamos do Magistério Ordinário, o catecismo, o ensinamento da maioria dos teólogos, o ensinamento de uma encíclica, todos eles obrigam em consciência e devem ser aceitos por nós. Certamente existem muitas distinções teológicas, porém não se perca nisso, esta é uma tentação para tornar a vida tão complicada, não precisamos ser tão complicados.

Sou católico e aceito o que a Igreja Católica ensina. Por que está a Igreja Católica aqui? Por que eu preciso de Monsenhor Faure? Ou de Lefebvre (que descanse em paz)? Não preciso destes homens. Ou de Williamson? Ou de Fellay? Que Deus nos livre de Fellay, ele realmente se acha em uma situação ruim. Não preciso deles, de seus mitos e novidades, suas ideias. Eu tenho o catecismo do Concílio de Trento, eu tenho o Denzinger, eu tenho minha fé católica. Eu sei o que a Igreja ensina, eu sei por que a Igreja Católica está aqui: a Igreja Católica está aqui para ensinar-me, não estou eu aqui para ensiná-la ou para resistir-lhe, não, não. Tudo isso é falso, tudo falso.

Meu amigo, apenas saia de tudo isso, afaste-se, abandone-o. Você se sentirá muito melhor e assim você poderá dedicar o seu tempo estudando sua fé e ajudando a esclarecer outros também.  Formemos pequenos grupos de católicos, que podem estudar sua fé juntos e então podem promovê-la aos demais e apoiar os bons sacerdotes que virão para trazer-lhes uma Missa boa e os sacramentos.

P. R. – Muito obrigado, Monsenhor. Creio que estamos muito felizes com sua ajuda e não só com os sacramentos, mas também com a doutrina, a verdadeira doutrina. Agradecemos também ao Padre Ariel Damin, superior dos monfortinos, da Congregação de Nossa Senhora do Rosário, que também vai visitar-nos no Brasil, se Deus quiser, e assim também o Monsenhor que, se Deus quiser, vai visitar-nos no próximo ano. Estamos organizando as datas e, se Deus quiser, estaremos unidos neste trabalho.

P. D. – Uma coisa muito importante hoje na Igreja Católica é fomentar a missão das vocações. Se não há vocações sacerdotais, se não há sacerdotes que queiram dar glória a Deus e salvar as almas, então não haverá bom apostolado. É por isso que o fundamento de todo o nosso apostolado é formar bons seminários para que se formem bons e santos sacerdotes. E daí teremos justamente um florescimento da Igreja ainda que em meio da apostasia. O Papa São Pio X pôs todo o seu empenho, em seu pontificado, para que se formassem bons sacerdotes e santos sacerdotes, justamente para sempre renovar a Igreja na tradição. Uma verdadeira renovação consiste em enraizar-se mais na tradição católica para que cresça a doutrina, a moral e a espiritualidade católica e assim a graça de Deus; e o que melhor do que esses canais de graça, que são justamente os sacerdotes?

P. R. – Muito obrigado, padre. Então, para o Brasil temos duas organizações religiosas. Os frades que já são bem conhecidos nossos e para os que querem, para os que têm uma vocação sacerdotal ou sentem um chamado ao sacerdócio, o Monsenhor nos autorizou a começar no próximo ano, o ano de humanidades. Então, aqueles que querem ingressar futuramente em um seminário, ter uma formação sacerdotal, tem que primeiro estudar as coisas mais simples ou humanas – por isso se chamam humanidades -, e também levar uma vida espiritual de oração, e ao mesmo tempo de estudo. Então pretendemos [começar], com a graça de Deus e a ajuda do Monsenhor e também do padre Ariel Damin, que também vai dar-nos alguma ajuda e também aulas no próximo ano. Então, quem se interessar e querer começar a consagra-se a Deus são bem-vindos, entrem em contato conosco por meio de nosso site ou por telefone também, [falando com] aqueles que já nos acompanham.

Então, Monsenhor, se quiser, pode dizer algumas palavras finais e depois dar a sua benção para todos.

M. D. – As minhas últimas palavras são: a nossa fé católica não é complicada, ela é muito simples. A fim de, nos EUA diríamos, “ter um bolo e comê-lo ao mesmo tempo”, muitos grupos e líderes tradicionais introduziram toda essa complicação. Nós somos simplesmente católicos, que fomos nascidos pelo batismo como católicos e queremos viver e morrer como católicos. Há uma simples e verdadeira religião católica. Nós queremos nos livrar das heresias dos modernistas e qualquer conexão com elas, quereremos manter nossa fé católica tradicional, assim como ela foi transmitida até nós. Eu o convido a unir-se a nós nesta obra de ser simplesmente católicos e nada mais.

E agora dou-lhes a minha benção: Que a benção do Deus Onipotente, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre. Amém.

Monsenhor Straubinger refuta a religião do Vaticano II

Juan Straubinger
Monsenhor Juan Straubinger (1883-1956) foi um sacerdote católico, teólogo, exegeta e professor de Sagrada Escritura. Célebre por sua edição da Bíblia em espanhol. 

“Mas ainda quando nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um evangelho diferente do que nós vos temos anunciado, seja anátema.” (Gálatas 1, 8).

Nota sobre Gálatas 1, 8 da Sagrada Bíblia, versão de Mons. Juan Straubinger (1951): “O Evangelho não deve ser acomodado ao século sob pretexto de adaptação. A verdade não é condescendente, senão intransigente. O mesmo Senhor nos previne contra os falsos Cristos (Mat. 24, 24), os lobos com pele de ovelha (Mat. 15 etc.), e também São Paulo contra os falsos apóstolos de Cristo (II Cor 1. 13)., e os falsos doutores com aparência de piedade (II Tim 3, 1-5). É de admirar a liberdade de espírito que o Apóstolo nos impõe ao dizer-nos que nem sequer um anjo deve mover-nos da fé que ele ensinou a cada um com suas palavras inspiradas. Ver-se II Cor 12, 14; 13, 5 e nota.” (Nuevo Testamento, p. 246).

Gálatas c 1 v 8
Nota sobre Gálatas 1, 8 da Sagrada Bíblia, versão de Mons. Juan Straubinger (1951): Nuevo Testamento, p. 246.

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