Mensagem natalina de Monsenhor Dolan aos fiéis do Brasil

Dentre as bênçãos que conto neste Natal, em meu vigésimo quinto ano de episcopado, certamente está a alegria, a devoção e o entusiasmo que encontrei entre os fiéis brasileiros que tive o privilégio de conhecer e começar a servir este ano.

Eis um incentivo e um encorajamento para mim enquanto me preparo para visitá-los em fevereiro e oferecer a minha primeira Santa Missa em vossa terra bendita, tão cara a Nossa Senhora e aos santos. Uma vez católica, trabalharemos juntos para fazê-la assim novamente.

Foi-me dito que no Brasil há muita devoção ao Menino Jesus. Uma coisa bela, pois ela é muito agradável a Nosso Senhor e fonte de muitas graças. Neste espírito de devoção, desejo a todos um Natal muito abençoado.

+ Monsenhor Daniel Dolan

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A moda e o modernismo

Met Gala, Nova York, 7 de maio de 2018. Evento blasfêmo, verdadeiro deboche à religião católica, obteve aprovação do clero modernista, contando com a participação de “Cardeal” Timothy Dolan e do Coro da Capela Sistina. Fotos ao fim do artigo.

É natural que os bons católicos e os amigos da decência em geral se escandalizem com a revolução do vestuário, que vem se vulgarizando na sociedade desde os anos sessenta, sobretudo no que diz respeito a moda feminina.

A Igreja Católica, na pessoa dos Romanos Pontífices e dos Bispos, sempre levantou a sua voz, com profética insistência e firmeza, contra essas modas imorais. Pio XI e Pio XII vem logo a memória como ardorosos defensores do bom senso contra essa barbárie moderna.

Porém, depois da introdução do modernismo no seio da Cristandade, especialmente com a nefasta influência dos ideais de diálogo e permissividade do Concílio Vaticano II, os prelados deixaram de tomar enérgicas medidas contra as novas modas, declarando que agora deveriam supor nos fiéis uma “fé adulta” e, portanto, livre das censuras e restrições do passado. Salvo raríssimas exceções, eles trataram este grave assunto com indiferença e toleraram como normal, quando não incentivaram, esta abertura à revolução nos costumes da sociedade, uma revolução que é a fonte de pecados mortais e escândalos públicos.

A peste do modernismo, que permite o inaceitável, não é abuso de um clero dissidente. Não, ela é resultado de sua fidelidade aos princípios insanos do Vaticano II. Uma vez aceito o princípio do “culto ao homem” e de abertura ao novo, escancaram-se as portas da alma e da paróquia às modas infernais.

A prova definitiva vem do fato dos mais altos dignatários da nova religião aceitarem espetáculos de indecência, nada fazendo para prevenir e impedir o dano permanente causado por eles. É assim que estes profetas do modernismo, bem contentes com o fim daquela censura louvada pelos santos, aplainam, pelo seu silêncio obsequioso, o caminho para a formação de uma sociedade inteiramente neopagã.

A indefectibilidade da Igreja

Se a Igreja é indefectível no seu ser, infalível no seu ensino e guia segura no governo dos fiéis, então é evidente que a seita modernista do Vaticano II não pode identificar-se com ela e que as supostas autoridades que a promovem pelo mundo, de algum modo ou de outro, deixaram de fazer parte desta Igreja indefectível, infalível e autoritativa no governo das almas.

Com efeito, na seita modernista, a hierarquia mesma afirma uma evolução da instituição e da mentalidade eclesial, os fiéis recebem uma catequese contaminada com ideais não católicos e são conduzidos ao abismo pela porta verdadeiramente larga do amor ao mundo e do diálogo com o mal.

A falta de temor de Deus implicada no “fechar os olhos” para esse problema dificilmente pode desculpar os mestres de grupos neoconservadores e tradicionalistas que, ex cathedra pestilentiae, publicamente o negam.

Como se tornar um apologista conciliar em sete passos

Siga os seguintes passos para se tornar o mias incansável combatente do protestantismo no século XXI. Sim senhor, neste vídeo você vai aprender a ser um verdadeiro apologista conciliar.

1º Passo – Convide membros de seitas heréticas de todas as partes do mundo para ocuparem a honrada posição de observadores em seu Concílio Ecumênico Vaticano II. Neste mesmo Concílio, não somente deixe que eles atuem como grupos de pressão dentro e fora das sessões conciliares, mas ainda faça-lhes o grande favor de chamar as suas seitas heréticas de “meios de salvação” em seu famoso decreto sobre a unidade dos cristãos. No mesmo documento, aplauda e diga que tomará parte ativa nas iniciativas do movimento ecumênico, sem se importar com o fato de que o Papa Pio XI escreveu que “quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.” (Papa Pio IX, Mortalium Animos, n. 3, 6 jan. 1928). [1]

2º Passo – Faça um Missa Nova com o auxílio de seis pastores protestantes, removendo sistematicamente de suas orações qualquer alusão a conceitos desagradáveis aos seus queridos irmãos separados, tais como o conceito de inferno, julgamento divino, ira de Deus, castigo pelo pecado, perversidade do pecado como o maior de todos males, desapego do mundo, purgatório, as almas dos defuntos, o Reinado de Cristo sobre a Terra, o triunfo da fé católica, os males da heresia, do cisma e do erro, a conversão dos acatólicos, os milagres e etc. [2]

3º Passo – Se você for um apologista italiano, dê o seu anel episcopal ao pseudo-Arcebispo Anglicano da Cantuária, se você for um apologista polonês, vá além e lhe dê uma bela cruz peitoral. [3] Mas se você for um apologista latino-americano, ah… se você for um apologista latino-americano, dê a ele logo uma réplica do báculo de São Gregório Magno. [4]

4º Passo – Realize no seu continente um Congresso Eucarístico Internacional onde protestantes são autorizados pelos bispos a receberem a Santa Comunhão. E mais: permita que eles discursem livremente em uma “Celebração da Palavra” ecumênica, deixando que eles chamem o Concílio Vaticano II de uma segunda edição bem-sucedida da Reforma Protestante e ainda digam que sofrem muita discriminação por parte dos católicos. Lembrando que tudo isso deve acontecer dentro de um Congresso Eucarístico com o apoio de todo clero conciliar, inclusive do legado apostólico apontado pelo papa. [5]

5º Passo – Autorize uma comissão mista de católicos e protestantes e depois de muito estudo e discussão, passe a ver Lutero “como uma testemunha do Evangelho, como um mestre na Fé, como um paladino da renovação espiritual”. [6] E quando o devido tempo chegar, não deixe de louvar a Confissão de Augsburgo, um documento chave da revolta luterana contra o catolicismo e a cristandade. [7]

6º Passo – Já que você deseja ser um rottweiler da fé como Joseph Ratzinger, assine uma declaração conjunta com os luteranos, dizendo que os anátemas do Concílio de Trento não se aplicam mais à doutrina protestante da justificação somente pela fé, afirmando juntamente com eles que “tudo o que, no ser humano, precede ou se segue ao livre presente da fé não é fundamento da justificação nem a faz merecer”. [8]

7º Passo – Comemore com toda a pompa os 500 anos de Revolta Protestante, com direito a um selo postal com a foto de Lutero e muitos e muitos encontros ecumênicos… tudo isso feito em honra deste acontecimento memorável. [9] Sim, deste acontecimento que segundo São Pio X foi obra de “homens orgulhosos e rebeldes, inimigos da Cruz de Cristo, homens de sentimentos terrestres que não tinham por Deus senão o próprio ventre” e foi, nas palavras de Pio XI, a “origem dessa apostasia da sociedade da Igreja, cujos efeitos dolorosos e funestos toda alma honesta hoje deplora”. [10]

Esses são passos importantes que você deve dar se deseja se tornar um verdadeiro apologista conciliar. Em suma, você vai precisar de muito diálogo e nenhuma apologética. Afinal, você não vai querer pecar contra o ecumenismo, não é?

Jogue fora aquele seu empoeirado manual de apologética pré-Vaticano II e desconsidere aqueles livros de ex-protestantes made in USA. Estamos na era Vaticano II, onde Lutero é um herói e seus atos de cisma e heresia são tidos como testemunho do Evangelho; estamos na era em que os responsáveis pela quase extinção do nome católico de países como a Inglaterra são dignos de anel episcopal, cruz peitoral e báculo papal. É realmente uma grande perda de tempo insistir na defesa da fé católica dentro de uma igreja ecumênica, totalmente aberta a todo tipo de heresia e blasfêmia contra o nome de Deus.

No entanto, se você deseja ser um apologista de verdade, se você deseja realmente converter almas para a única verdadeira Igreja de Cristo, afaste-se de uma vez desses cúmplices e bajuladores da iniquidade alheia.

Rompa com a seita do Vaticano II, rompa com os seus falsos papas, rompa com esse ecumenismo apóstata que não agrada a Deus. Na verdade, essa é a única maneira de defender a fé católica em nosso tempo.

Mas, se você quiser defender a fé dentro da seita conciliar, siga os passos que foram mencionados e pisoteie na memória de todos os santos que preferiram antes morrer do que se associar com os hereges.

FONTES:

1 – 63 Non-Catholic Observers Attending Second Session https://vaticaniiat50.wordpress.com/2013/09/27/63-non-catholic-observers-attending-second-session/; Number of Observers Nearly Doubles Since Start of Council https://vaticaniiat50.wordpress.com/2015/09/17/number-of-observers-nearly-doubles-since-start-of-council/; Pe. Joaquín Sáenz y Arriaga, The New Montinian Church, pp. 100-113 p. 159.

2 – As 62 razões para não assistir à Missa Nova https://www.fsspx.com.br/as-62-razoes-para-nao-assistir-a-missa-nova/; Pe. Anthony Cekada, Work of Human Hands: A Theological Critique of the Mass of Paul VI.

3 – “Em 1966, o Papa Paulo VI deu ao Arcebispo Michael Ramsey seu próprio anel espicopal, que foi guardado pelos seus sucessores e que eu estou usando hoje. Alegra-me agradecer-vos pelo presente pessoal da cruz peitoral, a mim enviada na ocasião de minha entronização no começo deste ano. Quando assumia o meu novo ministério, agradou-me profundamente esse sinal de trabalho compartilhado…” (Rowan Williams, “Arcebispo” Anglicano de Cantuária, a João Paulo II, 4 out. 2003; L’Osservatore Romano, 8 out. 2003, p. 9.)

4 – Pope Francis and Archbishop Welby exchange gifts http://www.anglicannews.org/multimedia/pope-francis-and-archbishop-welby-exchange-gifts.aspx; Archbishop gives Cross of Nails to Pope as symbol of reconciliation partnership https://www.archbishopofcanterbury.org/speaking-and-writing/articles/archbishop-gives-cross-nails-pope-symbol-reconciliation-partnership.

5 – Pe. Joaquín Sáenz y Arriaga, The New Montinian Church, pp. 100-113.

6 – Pe. Mathias Gaudron, Catecismo Católico da Crise na Igreja, p. 109.

7 – João Paulo II, Discurso por ocasião do 450º Anivrsário da “Confessio Augustana” https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/speeches/1980/june/documents/hf_jp-ii_spe_19800625_confessio-augustana.html.

8 – Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (cf. nn. 25 e 41) http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/chrstuni/documents/rc_pc_chrstuni_doc_31101999_cath-luth-joint-declaration_po.html

9 – Vaticano emite selo comemorativo pelos 500 anos da Reforma https://noticias.cancaonova.com/mundo/vaticano-emite-selo-comemorativo-pelos-500-anos-da-reforma/ e etc.

10 – Qual é a doutrina católica sobre o ecumenismo? https://controversiacatolica.com/2018/06/11/qual-e-a-doutrina-catolica-sobre-o-ecumenismo/

A catequese modernista é um desastre. Solução? Mais modernismo!

A catequese modernista é um desastre. Solução? Mais modernismo!

Os modernistas mais moderados estão dispostos a reconhecer o seu fracasso, mas unicamente para ter mais um motivo para repeti-lo em dose maior.

É assim que eles concluem ilogicamente que o fracasso de uma catequese centrada na imanência vital, existencialista e antropocêntrica, deve ser remediado com uma catequese ainda mais centrada na imanência vital, mais existencialista e mais antropocêntrica. É assim que eles deduzem que o fracasso da experiência religiosa modernista, em voga desde o Vaticano II, deve ser corrigido com a Nova Evangelização de Bento XVI, isto é, com a intensificação da mesma experiência religiosa modernista. De fato, para os ratzingerianos de carteirinha o dogma tem que permanecer por toda a vida como o servente da fé existencial, vivida e entendida a la Martinho Lutero.

Donde logicamente concluímos nós que um modernista moderado como o Padre Paulo Ricardo em suas explicações mirabolantes para salvar o Vaticano II procede tal e qual o Cardeal Piacenza, aquele representante infalível do absurdismo ratzingeriano: ele admite o pecado para poder pecar mais fortemente, ele reconhece o fracasso na iniciativa dos neoteólogos, mas sua solução consiste em injetar mais uma dose de Nova Teologia nas veias do cadáver conciliar:

“A quase cinquenta anos depois do Concílio Ecumênico Vaticano II, devemos reconhecer como a própria vida moral, tanto dentro como fora da Igreja, tem sido terrivelmente enfraquecida pela insuficiente catequese, por uma educação incapaz, talvez, de dar as razões das demandas do Evangelho e mostrar, na experiência existencial concreta [= perspectiva modernista da fé como experiência religiosa, existencialismo], como elas são extraordinariamente humanizadoras [= antropocentrismo]. Tudo isso [= toda essa desgraça que vem acontecendo desde o Vaticano II] certamente não por culpa do Concílio!”

(Cardeal Mauro Piacenza, Iniziazione cristiana e nuova Evangelizzazione,
Convegno internazionale sulla catechesi promosso dalla CCEE, 8 mai. 2012, p. 2.)

A culpa nunca é do Concílio, nem dos que implementaram as reformas conciliares e tampouco dos agentes de todo este rebuliço febril que tem sido feito em torno da catequese desde o Vaticano II. Todavia, curiosamente o bastante, a data da crise da catequese começa exatamente com o Concílio e ninguém ouse dizer que a culpa foi a falta de recursos ou a inércia! Quanto barulho, quantos recursos, quantas formações, quantas novas experiências foram feitas de lá para cá!

Mas, na mente do ratzingeriano, tanto a causa da decadência quanto o remédio proposto tem de ser um e o mesmo, trata-se do conceito-chave do Concílio: a fé como experiência religiosa, conceito este – nunca é demais recordar – condenado na Pascendi de Sua Santidade o Papa São Pio X.

Será que o Cardeal Piacenza e o Padre Paulo Ricardo são incompetentes ao ponto de não saberem analisar um conceito teológico em si mesmo e nas suas implicações lógicas e históricas? Não, eles certamente não são incompetentes, eles são muito capazes de compreendê-lo bem e em todas as suas implicações, afinal, eles aprenderam filosofia e sabem fazer tudo isso e muito mais. É mais provável que eles tenham medo de perder o emprego ou então, na hipótese mais elevada e ainda assim culpável, seja-lhes demasiado custoso reconhecer que passaram a vida inteira acreditando e ensinado os erros de seus falsos heróis.

Leia também: Explicação do beijo no Corão a partir da fé católica e da gnose modernista

O argumento dos frutos amargos do sedevacantismo

Ilustríssimo, eu compreendo a sua má impressão do sedevacantismo, mas ela não é justa. Ela é de fato uma análise superficial e preconceituosa. Dizer que não aprovemos a posição da FSSPX é uma coisa, mas dizer que tratamos com desdém e ingratidão a Monsenhor Lefebvre é uma mentira. Também é falso afirmar que dizemos que somos os únicos católicos do planeta Terra. O que dizemos é que a posição Reconhecer e Resistir da FSSPX é um erro teológico grave, certamente heretizante. Papas no passado, como Pio VI na Auctorem Fidei, qualificaram-na como temerária e injuriosa à Igreja de Deus e ao Espírito Santo. Ela não é, portanto, uma posição “prudente”, como dizem por aí, mas uma posição perigosa e reprovada pelo Magistério de sempre. Existe ainda o problema eclesiológico, isto é, a infalibilidade da Igreja como um todo, que é prejudicada pelo “reconhecimento” da seita modernista bastarda.

É basicamente esse o nosso ponto. E entenda bem isso aqui: não é que a posição de Belarmino seja a única que exista, mas é que ela é de fato a única capaz de reconciliar os fatos da apostasia com a obrigação de assentir ao Magistério da Igreja enquanto Magistério e o dogma da indefectibiidade da Igreja.

Eu sugiro que o senhor não procure respostas rápidas ao que eu acabei de dizer, mas procure entender melhor o nosso ponto, que parte do bom senso, do catecismo, de numerosos ensinamentos do Magistério e dos grandes teólogos. Como você há de perceber, o sedevacantismo não é essa coisa sem consistência e razão de ser que o senhor imagina. A verdade é bem outra. Não é assim e eu penso que já estamos em posição de exigir do senhor e seus amigos o devido respeito, o respeito que se deve a católicos militantes.

Quanto aos “frutos amargos do sedevacantismo”, eu poderia multiplicar frutos amargos da FSSPX também, mas isso não vem ao caso. Eu ainda poderia explicar historicamente o crescimento da FSSPX sem recorrer a superstições. Não o farei. O que eu farei aqui é indicar-lhe um pequeno vídeo de Padre Anthony Cekada, onde este responde ao recorrente argumento – muito usado por Dom Lourenço e outros – sobre os “frutos amargos” do sedevacantismo. Aqui está:

Explicação do beijo no Corão a partir da fé católica e da gnose modernista

Artigo dedicado à página Teologia da Deslibertação, Bernardo Pires Küster e Padre Paulo Ricardo.

O católico beija a Bíblia, a Santa Cruz, o Rosário, coisas que ele ama e aprova. João Paulo II beija todas essas coisas, mas também dá um beijo no Corão. É um gesto simbólico, ninguém o nega, e não deve nos escapar o seu sentido profundo. Olhando esta cena estranha desde a perspectiva do Calvário, o beijo no Corão significa que, guardadas as proporções, a obra do diabo merece a mesma veneração que a obra de Deus, que a obra do infiél Maomé merece a mesma veneração que a obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Você consegue entender o quanto isso é satânico?

Se você não percebe a gravidade disso, eu lhe pergunto, o que restou da sua fé, ou melhor, em que coisa monstruosa ela se transformou? É tempo de ver as coisas como elas realmente são, sem apoiar-se em filosofias profanas como fez João Paulo II e sua facção modernista. É tempo de ver que o Corão é uma obra detestável aos olhos de Deus e a causa da morte de milhares de cristãos, membros do corpo místico de Jesus Cristo. É ainda tempo de ver que Karol Wojtyla, que o mundo chamou de João Paulo II num dos períodos mais dramáticos da história da Igreja, foi um traidor da fé e um apóstata dos mais satânicos que este mundo já conheceu. E sejamos bem objetivos: ele foi muito pior do que Lutero, pois este não ousou levar a sua impiedade a este grau de indiferença e desprezo a tudo o que é mais sagrado. Muito pior realmente, porque Lutero exaltou o juízo do homem por meio da Bíblia, que em si mesma é boa, ao passo que Wojtyla exaltou o juízo do homem por meio de todas as religiões, o que ele fez no Encontro de Assis e reiterou diversas vezes. Hoje recordamos o lamentável episódio do beijo no Corão.

Se alguém quiser compreender o porquê ele é capaz de fazer isso sem remorsos, eu digo em poucas palavras que é porque ele acreditava na imanência vital, uma doutrina modernista condenada por São Pio X e incompatível com a fé cristã. É uma doutrina profana adotada por todos os modernistas.

Segundo a imanência vital, o homem não conhece a Deus por meio de dogmas, mas sim por meio da experiência religiosa. Essa experiência nasce no íntimo do coração de cada homem, ela é essencialmente prática e se manifesta na vida da pessoa. Essa ideia certamente supõe o agnosticismo anatematizado por três vezes no Concílio Vaticano I e já está implicada no conceito luterano de fé fiducial, isto é, uma fé que nasce da confiança, de uma certeza interior e não da crença em dogmas definidos. Donde se pode dizer que todo modernista é filho de Lutero. No entanto, a imanência vital do modernista não é idêntica a de Lutero, pois Lutero confinava a experiência ao contato com a Sagrada Escritura, enquanto o conceito modernista amplia o escopo dessa experiência para todas as “tradições religiosas” (exatamente ao modo do perenialismo de René Guénon et caterva).

Embora o cristão faça a sua experiência de Deus a partir da Bíblia, todos os homens têm essa experiência pessoal com Deus, cada qual em sua respectiva religião. Em realidade, segundo essa perspectiva, até mesmo o ateu tem certa experiência religiosa a partir de sua experiência da ausência de Deus. É por isso, aliás, que devemos dialogar com todos e aprender de todos.

De fato, Deus se manifesta ao homem no íntimo do coração, as religiões são o “gatilho” pelo qual essa experiência com o sagrado se produz na consciência humana e nela se desenvolve. É daí que nascem os dogmas e daí também que se depreende o valor das várias “tradições religiosas”: todas elas são meios pelos quais o homem tem sua experiência de Deus e – é muito importante acrescentar – todas elas são meios pelos quais o homem “dá testemunho” de sua experiência pessoal, isto é, por onde ele a dogmatiza e cristaliza através de diferentes formulas, ritos e leis. Neste sistema, convém salientar, a experiência religiosa do crente somente se inspira e exprime na religião, porém a sua origem verdadeira, a raiz de todas as religiões, dogmas, ritos e leis, é o próprio homem que alega ter recebido uma revelação no íntimo de seu coração. Como a experiência humana se aprofunda e progride com o tempo, assim também a religião do homem deve igualmente mudar com ele e deve ir se aperfeiçoando com o passar do tempo.

É a partir dessa perspectiva que um Vaticano II pode ser concebido e é assim que se sustenta uma Igreja permanentemente conciliar, que vive de atualizações feitas mediante periódicas “consultas à Igreja”.

Sem querer aprofundar a matéria aqui – em outro momento o faremos, haveria realmente muito que dizer sobre a consequente crença de João Paulo II na salvação universal e outros tópicos -, convém reforçar o que já foi dito sobre a imanência vital a partir do próprio Wojtyla:

“O Espírito Santo não está presente nas outras religiões somente através de expressões autênticas de oração. A presença e ação do Espírito, assim como escrevi na carta encíclica Redemptoris Missio, ‘afeta não somente indivíduos, mas também a sociedade e a história, povos, culturas e religiões.’”

“Normalmente, será pela prática sincera daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas e seguindo os ditames de sua própria consciência que os membros de outras religiões respondem positivamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo enquanto eles não o reconhecem ou aceitam como seu Salvador.” (As sementes da Palavra nas religiões do mundo, 9 set. 1998)

É aí que vemos com claridade solar o quanto, na cabeça de João Paulo II, a fé católica e dogmática foi substituída pela experiência religiosa gnóstica, isto é, pelo conceito herético e profano de imanência vital. Já que as outras religiões são obra do Espírito Santo, instrumentos por meio dos quais as pessoas têm a sua experiência pessoal com Deus, sem o intermédio da revelação externa, sem os dogmas da religião, por que não dar um beijo no Corão?

João Paulo II está bem certo da salvação dessas almas e reza com elas e não por elas, pois ele crê na imanência vital. O Islã é uma tradição religiosa, na qual as pessoas podem ter uma verdadeira experiência de Deus, ele é um instrumento do Espírito, onde este atua revelando-se a si mesmo no íntimo do coração de cada indivíduo e, porque não dizê-lo, até mesmo na “consciência coletiva” dos membros da religião islâmica. Jesus Cristo veio para os cristãos, Maomé veio para os muçulmanos. Embora possa existir alguma superioridade na revelação de Cristo – ele não ousaria negá-lo -, trata-se apenas da diferença de meio e não de espécie, como aquela entre dois carros com motores de diversa potência, contudo ambos os veículos nos permitem acessar a mesma experiência íntima com Deus. Sendo assim, por que não dar um beijo o Corão?

É assim que um homem começa na heresia e termina na apostasia. É assim que um homem começa querendo seguir mestres profanos e termina fazendo neste mundo a obra de Satanás. É assim que o modernismo resvala no satanismo.

É conveniente encerrar esta reflexão com o entendimento católico sobre a matéria, especialmente naquilo que ele se opõe ao conceito de João Paulo II e seus gurus gnósticos. É possível sintetizá-lo nos seguintes três pontos:

1. A natureza da fé. A fé é a submissão da inteligência e da vontade ao que Deus revela por causa da autoridade do próprio Deus. Ela consiste na assimilação de uma revelação pública e externa que Deus confiou a Igreja na forma de dogmas e preceitos salutares. É verdadeiro conhecimento científico, moral e histórico, com a vantagem de desfrutar da assinatura de Deus que não engana e nem se pode enganar. É por isso que a ciência, a moral e a história devem docilmente se curvar perante a fé. Não se trata de uma experiência interior e pessoal, não é um conhecimento prático e existencial, formado na consciência humana a partir do contato direto com a “realidade divina” (o “sentimento religioso” dos filósofos) e que somente depois vai ser traduzido na forma de dogmas de acordo com a condição dos tempos. Não, a fé não é o reviver e desenvolver as experiências expressas nessas antigas formulas da religião (compendiadas nas diversas “tradições religiosas”), mas o assentir às verdades imutáveis da única religião revelada porque Deus assim revelou e confiou à Igreja, conforme provam principalmente os milagres e as profecias. (cf. Papa São Pio X, Pascendi, passim)

2. A importância da conversão. Nenhuma pessoa visivelmente fora da Igreja pode estar segura de sua eterna salvação, absolutamente nenhuma. A perspectiva católica está muito longe do desalmado otimismo modernista. As falsas religiões não são meios de salvação, mas meios de perdição inventados pelo demônio como causa remota, pelo mundo como causa próxima e pela carne como causa imediata. Elas privam as pessoas dos inumeráveis auxílios e graças que somente se pode obter com o ingresso no corpo da Igreja pelo batismo. (cf. Papa Pio XII, Mystici Corporis, n. 100)

3. A importância da oração pela conversão. A caridade nos obriga a “desejamos que sem interrupção subam até Deus as orações de todo o corpo místico [ou seja, de toda a Igreja] implorando que os errantes entrem quanto antes no único redil de Jesus Cristo” (ibidem, n. 101). Ninguém aqui irá rezar com os hereges e infiéis pela paz no mundo, como fez João Paulo II, mas todos nós rezaremos pela conversão dos hereges e infiéis para que entrem no redil de Cristo.

Façamo-lo, pois, e guardemos sem desvios a santa fé que recebemos da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. E façamo-lo por inteiro, o que implica o grave dever de repudiar esta seita modernista, esta bastarda protestantico-gnóstica, mais conhecida como Igreja pós-conciliar.

Eis alguns artigos que podem ser úteis como complemento do que foi dito acima: