As 20 principais heresias da Opus Dei

AS 20 PRINCIPAIS HERESIAS DA OPUS DEI

Monsenhor Henri Delassus (o autor de “A Conjuração Anticristã”), citando São Gregório Magno no sermão n° 10 sobre a Epifania disse:

“…HÁ HEREGES QUE CREEM EM SUA DIVINIDADE, MAS QUE NÃO ADMITEM DE NENHUM MODO QUE SEJA REI EM TODOS OS LUGARES. SEM DÚVIDA O OFERECEM INCENSO, MAS NÃO QUEREM OFERECER-LHE TAMBÉM O OURO”.

Ele acrescenta:

“DESTE TIPO DE HEREGES AINDA O HÁ, LEVAM O NOME DE CATÓLICOS LIBERAIS”.

Entre estes muitos “católicos liberais” estava José María Escrivá y Albás, mais conhecido como “São Josemaría Escrivá de Balaguer” (porque se mudou o nome com o fim de ser o único “São Josemaría” na história, e para desassociar-se da carga judaica de sua linhagem), aquele que fundou a “Opus Dei”. Foi tão liberal que ele e a sua Obra se adiantaram 35 anos do Vaticano II, desalentando a vida religiosa; e fingiu ser tão conservador que acusou a Roncalli e Montini de serem francomaçons, e sentenciou ao Inferno a todos os “cardeais” que votaram por Montini no “conclave” de 1963.

Heresias da Opus Dei contra a Verdade de Fé Divina e Católica

  1. – “Nossa Obra é a primeira organização católica que, com a autorização da Santa Sé, admite como Cooperadores aos não católicos, cristãos ou não. Defendeu sempre a liberdade das consciências.” (Monseñor Escrivá de Balaguer Salvador Bernal, Ed. RIALP. 1976, pág. 296). – “A liberdade religiosa é um delírio nascido do indiferentismo.” (Mirári Vos: Encíclica de Gregório XVI contra o Indiferentismo Religioso. 15 de Agosto de 1832, N° 10)
  2. – “Amamos a necessária consciência da liberdade, isto é, o pluralismo. Na Opus Dei o pluralismo é querido e amado, não apenas tolerado e de modo algum dificultado.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 127) – “A Declaração dos Direitos do Homem é contrária à Religião e a sociedade.” (Nota (Carta de Pio VI sobre os eventos de Avinhão, 23 de Abril de 1791)
  3. – Escrivá de Balaguer se declarou contente porque “o Concílio acolheu o espírito da Opus Dei.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 486) – A liberdade religiosa é Liberdade da Perdição. (Quanta Cura: Pio IX contra os erros modernos, 8 de Dezembro de 1864)
  4. – As obras apostólicas da Opus Dei “se projetam e governam com mentalidade laica. Para ela não são confessionais.” (Monseñor Escrivá de Balaguer Salvador Bernal, Ed. RIALP. 1976, pág. 309) – “A sociedade, subtraída às leis da Religião e da verdadeira justiça, não pode ter outro ideal que acumular riquezas, nem seguir mais lei, em todos seus atos, que um insaciável desejo de satisfazer a indomável concupiscência do espírito, servindo tão somente a seus próprios prazeres e interesses.” (Quanta Cura: Pio IX contra os erros modernos, 8 de Dezembro de 1864)
  5. – Escrivá confessa que “A afirmação do pluralismo entre os católicos foi, nos primeiros anos de Opus Dei, uma novidade ininteligível para muitos, porque haviam sido formados em uma linha justamente contrária…” (Monseñor Escrivá de Balaguer Salvador Bernal, Ed. RIALP. 1976, pág. 311) – O pluralismo é um erro abominável, reprovado e condenado. (Quanta Cura; Pio IX contra os erros modernos, 8 de Dezembro de 1864)
  6. – “Quando, em 1950, o Fundador finalmente obteve da Santa Sé a permissão para admitir na Obra os sacerdotes diocesanos e poder nomear não-católicos e até não-cristãos como Cooperadores da Obra, ‘completou-se’ a família espiritual da Opus Dei.” (Monseñor Escrivá de Balaguer Salvador Bernal, Ed. RIALP. 1976, pág. 244) – “Não se unam em jugo desigual com os infiéis, pois que comunhão pode haver entre a justiça e a iniquidade?” (II Cor. 6, 14)
  7. – Escrivá reconhece que “para mantê-la (a Obra) ademais dos membros da Opus Dei, há outras pessoas que ajudam; alguns não são católicos, e muitos, muitíssimos, não são cristãos.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 615) – “Assim, uma tal liberdade põe no mesmo nível a verdade e o erro, a fé e a heresia, a Igreja de Jesus Cristo e qualquer instituição humana.” (Libértas: Carta de Leão XIII sobre a liberdade humana, 29 de Junho de 1888)
  8. – “Os organismos competentes da Santa Sé chegaram ao consenso de que tal concessão (o Decretum Laudis) é, de momento, impossível. A Obra não se comporta em nenhuma das formas associativas reconhecidas pelo Direito da Igreja. Um alto personagem da Cúria disse a dom Álvaro [de Portillo]: ‘Vocês chegaram com um século de antecedência.’” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, 326) – “Temos que lidar com um inimigo astuto e doloso que, elogiando os ouvidos de povos e príncipes, cativou a uns e outros com maciez de palavras e adulações.” (Humánum Genus: Encíclica de Leão XIII contra a Francomaçonaria, 20 de Abril de 1884).
  9. – “Só correram cinco anos e se deu início a uma nova corrente ecumênica: esse passo audaz (admitir não-católicos no apostolado da Opus Dei), que poderia ter gerado muitas incompreensões, fluía já com naturalidade na história contemporânea.” (El fundador del Opus Dei: Andrés Vásquez de Prada, Ed. RIALP. 1987, pág. 235). – “O Sillón, que ensina semelhantes doutrinas, semeia então em vossa juventude católica umas noções erradas e funestas sobre a autoridade, a liberdade e a obediência.”. (Notre Charge Apostólique: Carta de São Pio X contra o Sillonismo, 23 de Outubro de 1908, N° 21)
  10. – “Esta realidade ‘ecumênica’ do Caminho obriga a se perguntar como umas páginas, cuja origem redacional tem contextos tão marcados, puderam difundir-se entre pessoas pertencentes a meios culturais, não já diferentes ao originário do Caminho, senão tão diversas entre si.” (Estudios sobre el Camino: Mons. Álvaro del Portillo et alteri, Ed. RIALP. 1989, pág. 48.). – “A doutrina católica nos ensina que o primeiro dever da caridade não está na tolerância das opiniões errôneas, por muito sinceras que sejam, nem na indiferença teórica ou prática ante o erro ou o vício em que vemos caídos a nossos irmãos, senão no zelo por seu melhoramento intelectual e moral não menos que no zelo por seu bem-estar material”. (Notre Charge Apostólique: Carta de São Pio X contra o Sillonismo, 23 de Outubro de 1908, N° 22)
  11. – “O Caminho foi preparando neste tempo a milhões de pessoas para entrarem em sintonia e acolherem com profundidade alguns dos ensinamentos mais revolucionários que, trinta anos depois, promulgaria solenemente a Igreja no Concílio Vaticano II.“ (Estudios sobre el Camino: Mons. Álvaro del Portillo et alteri, Ed. RIALP. 1989, pág. 53). – “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”: As perversas sementes da Revolução Francesa (DF)
  12. – “O fundador da Opus Dei é um ‘conservador’ (digamo-lo com uma metáfora) uma ‘rocha primordial cristã’ ou – se quiserem – uma ‘rocha primordialmente cristã’, com uma profundidade e uma convicção tais que ao mesmo tempo se converte no maior ‘revolucionário católico’ dos últimos duzentos anos.” (Opus Dei-Vida y obra del fundador Josémaría Escrivá – Peter Berglar, Ed. RIALP. 1987 -Trad. Española, pág. 243) – Cristo Rei tem poder sobre todas as criaturas e sobre todos os Estados. (cf. Quas Primas: Encíclica de Pio XI sobre a Realeza Social de Cristo, 11 de Dezembro de 1925, N°10-11)
  13. – “O Fundador da Opus Dei, depois de muitos anos de incompreensões, teve a satisfação de que destacados Padres conciliares, como os Cardeais Frings (Colônia), Künig (Viena), Lercaro (Bolonia) e outros, o reconheceram, como um verdadeiro precursor do Vaticano II, sobretudo naqueles pontos capitais que, para o Concílio, marcavam o caminho a seguir no futuro.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 303) – “Julgamos peste de nossos tempos ao chamado laicismo com seus erros e abomináveis intentos; e vós sabeis, Veneráveis Irmãos, que tal impiedade não nasceu num só dia, senão que se encucava desde muito antes nas entranhas da sociedade.”. (Quas Primas: Encíclica de Pio XI sobre a Realeza Social de Cristo, 11 de Dezembro de 1925, N°18)
  14. – “Para os Papas João Paulo I e João Paulo II, a Opus Dei e seu Fundador eram fatos objetivos que anunciavam o começo de uma nova era do cristianismo.” (Opus Dei-Vida y obra del fundador Josémaría Escrivá – Peter Berglar, Ed. RIALP. 1987 -Trad. Española, pág. 243) – “Que se deva separar o Estado da Igreja, é uma tese absolutamente falsa, e perniciosíssima.” (Veheménter Nos: Carta de Pio IX a França sobre a Lei de separação Igreja-Estado, 11 de Novembro de 1906, N°2)
  15. – O Vaticano II aprovou solenemente o que a Opus Dei praticava a respeito do ecumenismo. (cf. Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 14) – “Jesus Cristo não concebeu nem instituiu uma Igreja formada de muitas comunidades que se assemelham por certas características gerais, mas distintas umas de outras e não unidas entre si por aqueles vínculos que unicamente podem dar à Igreja a individualidade e a unidade de que fazemos profissão no símbolo da fé: “Creio na Igreja uma“…” (Satis Cognitum: Encíclica de Leão XIII contra a Francomaçonaria e demais sociedades secretas, 29 de Junho de 1896, N°8)
  16. – Álvaro del Portillo relata que “Durante meu trabalho nas comissões do Concílio Vaticano II pude comprovar como se abriam caminho em seus documentos, às vezes muito laboriosamente, enfoques da vida cristã e critérios pastorais que são como a atmosfera do Caminho.”. (Estudios sobre el Camino: Mons. Álvaro del Portillo et alteri, Ed. RIALP. 1989, pág. 55) – “Esta classe de gente (os católicos liberais) é, sem dúvida alguma, mais perigosa e daninha que os inimigos declarados, porque sem chamar a atenção e sem, talvez, por-se em guarda, se prestam às manobras destes últimos.” (Per Tristíssima: Carta de Pio IX ao Círculo Ambrosiano de Milão sobre os “Católicos Liberais”. 6 de Março de 1873)
  17. – “A Obra era, assim, a primeira associação da Igreja que abria fraternalmente seus braços a todos os homens sem distinção de credo ou confissão.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 610). – “Alguns homens vão fazendo pactos com todos, e ensinam que a salvação eterna está aberta aos sectários de todas as religiões, sejam o que sejam.”. (Singuláris Quidem: Carta de Pio IX sobre os problemas da Igreja na Áustria, 17 Março de 1856, N°1)
  18. – “As residências da Opus Dei são interconfessionais “donde vivem estudantes de todas as religiões e ideologias.” (Conversaciones con Escrivá de Balaguer, Centro de Estudios Históricos San Josemaría Escrivá, Ed. RIALP. 1968, 117) – “Desta doutrina da experiência, unida à outra do simbolismo, se infere a verdade de toda religião, sem excetuar o paganismo”: CONDENADA (cf. Pascéndi Domínici Gregis: Encíclica de São Pio X contra o Modernismo, 8 de Dezembro de 1907, N° 13)
  19. – Escrivá disse a João XXIII “Em nossa Obra sempre encontram todos os homens, católicos ou não, um lugar amável: não aprendi o ecumenismo de Sua Santidade.” (Conversaciones con Escrivá de Balaguer (Centro de Estudios Históricos San Josemaría Escrivá, Ed. RIALP. 1968, pág. 246) – “Nem a Sé Apostólica pode de maneira alguma ter parte em ditos Congressos ecumênicos, nem de nenhum modo podem os católicos nem favorecer, nem cooperar com semelhantes intentos; e se o fizessem, dariam autoridade a uma falsa religião cristã, totalmente alheia à única e verdadeira Igreja de Cristo.” (Mortálium Ánimos: Encíclica de Pio XI sobre a verdadeira unidade cristã, 6 de Janeiro de 1928, N°10)
  20. – “É certamente grande vosso ideal, que desde seus começos antecipou a teologia do laicato que caracterizou logo à Igreja do Concílio e do Pós-concílio…” (Discurso à Opus Dei: João Paulo II, 19 de Agosto de 1979) – “Muitos, guiados dum imprudente zelo das almas, se sentem levados por um interno impulso e ardente desejo a romper as barreiras que separam entre si às pessoas boas e honradas; e propugnam uma espécie de irenismo, que, ignorando as questões que dividem aos homens, se propõe, não só combater em união de forças o combatente ateísmo, senão também reconciliar opiniões contrárias inclusive no campo dogmático.” (Humáni Géneris: Encíclica de Pio XII contra a “Nova Teologia”, Agosto 12 de 1950, N° 6)

Escrivá de Balaguer e sua obra eram, portanto, mais progressistas que muitos modernistas pré-conciliabulares, mas tendo sido ultrapassados pela esquerda no conciliábulo e no pós-conciliábulo, agora são acusados de “ultraconservadores”.A

Traduzido do original espanhol, 20 principales herejías del Opus Dei , disponível em Miles Christi.

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O Sacramento da Confirmação

9.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento da Confirmação.

Revisão da lição sobre o Sacramento do Batismo.

I. A Confirmação ou Crisma é o Sacramento que (a) nos dá o Espírito Santo, (b) imprime em nossa alma o caráter de soldados de Jesus Cristo e (c) nos faz perfeitos cristãos.

II. Os Apóstolos antes da vinda do Espírito Santo, eram homens tímidos, ignorantes e cheios de imperfeições; mas apenas o Espírito Santo desceu sobre eles, ficaram iluminados, instruídos, cheios de fé e de caridade, dispersando-se por todo o universo, confessando a Jesus Cristo perante os tribunais e os tiranos, e por último tiveram a felicidade de derramar o seu sangue em testemunho da verdade que anunciavam. A Confirmação é o Pentecostes de cada cristão, pelo qual o Espírito Santo fará nele coisas prodigiosas, dando a sua alma o complemento e a perfeição.

III. Querendo o imperador Juliano fazer pública e solenemente a sua apostasia, mandou preparar num templo um grande sacrifício aos ídolos; mas no momento de começar a cerimônia o fogo do altar apagou-se de todo; as facas dos sacerdotes dos falsos deuses não puderam cortar a c arne das vítimas, de sorte que o sacrificador que esperava exclamou: “Algum galileu há aqui novamente, lavado com a água ou ungido com o bálsamo?” (Querendo dizer um batizado ou confirmado). Então um jovem pagem, que era cristão, e acabara de receber o Sacramento da Confirmação, levantando a voz, disse: “Sou eu a causa, pois fiz o sinal da cruz e invoquei o santíssimo nome de Jesus para vergonha de vossos ídolos.” Ficou pasmado o imperador, que havia sido cristão, e estava bem instruído do poder de Jesus Cristo. Temeu os efeitos da vingança divina, e sem dizer palavra, saiu do templo, coberto de confusão. O valoroso defensor de Jesus Cristo foi referir aos cristãos o que acabava de suceder, e reconheceram quão temíveis são ao demônio aqueles em quem habita a virtude de Jesus Cristo pelo Sacramento da Confirmação, quando este é recebido com santas disposições.

IV. Todos devem procurar receber o Sacramento da Confirmação e fazer com que os seus subordinados o recebam. A idade em que é conveniente receber o Sacramento da Confirmação é de sete anos, pouco mais ou menos; porque então costumam começar as tentações, e e já se pode conhecer bastante a graça deste Sacramento e conservar-se a lembrança de o ter recebido. Para receber dignamente o Sacramento da Confirmação, é necessário estar em graça de Deus, saber os mistérios principais de nossa santa Fé e aproximar-se deste Sacramento com reverência e devoção.

V. O ministro ordinário do Sacramento da Confirmação é o bispo, (a) porque a administração da Confirmação foi um privilégio exclusivo dos Apóstolos; (b) porque só pertence aos altos oficiais o alistamento dos soldados que devem formar o exército de Cristo Rei; (c) porque assim como nas artes é ofício do mestre aperfeiçoar a obra começada pelos discípulos, assim também na Confirmação cabe aos bispos a obra sobrenatural iniciada no Batismo pelos sacerdotes. O Bispo para administrar a cerimônia da Confirmação ou Crisma, estende primeiro as mãos sobre os que vão crismar-se, invocando sobre eles o Espírito Santo; depois faz uma Cruz na testa de cada um deles com o Santo Crisma, pronunciando as palavras da forma deste Sacramento, isto é, “Eu te assinalo com o sinal da Cruz e te confirmo com o Crisma da salvação em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” Depois dá um leve tapa na face do crismado, dizendo-lhe a paz seja contigo, pax tecum. E no fim abençoa solenemente todos os crismados.

VI. A matéria da Confirmação é azeite misturado com bálsamo, que o Bispo consagra na Quinta-Feira Santa. O azeite, que se derrama e fortalece, significa a abundante graça que se espande na alma do cristão, para o confirmar na Fé; e o bálsamo que é aromático e preserva da corrupção, significa que o cristão, fortificado por esta graça, está apto para exalar bom aroma de virtudes cristãs e para se preservar da corrupção dos vícios. Faz-se a unção na fronte a fim de que o crismado entenda que não deve envergonhar-se do nome e da profissão de cristão, nem ter medo dos inimigos da Fé. Dá-se um leve tapa na face do crismado, para que saiba que deve estar pronto a sofrer todas as afrontas e todas as penas pela Fé, por amor de Jesus Cristo. Para conservar a graça da Confirmação, o cristão deve rezar frequentemente, fazer boas obras e viver segundo a Lei de Jesus Cristo, sem respeito humano.

VII. Os dons do Espírito Santo que se recebem na Confirmação são sete: 1º Sabedoria, 2º Entendimento, 3º Conselho, 4º Fortaleza, 5º Ciência, 6º Piedade, 7º Temor do Senhor. Por meio desses dons podemos alcançar a perfeição da vida cristã, porque eles são como uma escada pela qual subimos por diversos degraus do estado de pecado até a conquista da santidade. É assim uma escada que desce do Céu até nós para que nós possamos chegar até o Céu. O último degrau da escada é o primeiro que devemos pisar, a saber, o dom do Temor do Senhor pelo qual reconhecemos que os nossos pecados nos fazem inimigos de Deus Onipotente. Movidos por esse santo temor, subimos mais um degrau com o dom da Piedade que nos leva a ter gosto pelas coisas de Deus, dá o desejo de fazer a sua vontade em todas as coisas. O terceiro degrau é o dom da Ciência, porque quem realmente deseja fazer a vontade divina pede a Deus instrução sobre suas santas leis e preceitos. Deus então o faz conhecer todas as coisas necessárias, em parte pelos pregadores, em parte pelos livros, em parte por inspiração. O quarto degrau é a Fortaleza, porque sabendo o que Deus quer, o cristão passa a perceber que o mundo, o diabo e a carne impõem-lhe muitos obstáculos a realização da vontade divina, sendo necessário que Deus lhe dê a força para vencer todas essas dificuldades. O quinto degrau é o dom do Conselho, porque o demônio, quando não vence um homem pela força, recorre à fraude, tentando enganá-lo com falsas imagens de bem. Deus não irá abandoná-lo, envia-lhe esse dom pelo qual ele triunfa sobre os diversos embustes do inimigo. O sexto degrau é o Entendimento, porque quando um homem já está bem treinado na vida ativa e obteve muitas vitórias sobre o demônio, Deus o impele para a vida contemplativa e lhe concede ver e penetrar nos mistérios divinos. O sétimo degrau é a Sabedoria, que é a conquista da perfeição, porque aquele que é sábio conhece a causa primeira e ordena as suas ações em conformidade com ela; o que não pode fazer senão aquele que ao dom do Entendimento ajunta a perfeita caridade, pois com o entendimento conhece a causa primeira e com a caridade ordena e dirige a ela todas as coisas como ao fim último; e ainda porque a união do afeto com o entendimento é precisamente o dom da Sabedoria, isto é, o saber saboroso, como ensinava São Bernardo.

As viagens do Santa Carona: a doutrina católica sobre o Papa

Este vídeo é dedicado ao autor do canal Santa Carona, o qual publicou um vídeo contra o sedevacantismo, a posição que defendemos aqui no Controvérsia Católica. Este vídeo marca a primeira interação entre o canal Controvérsia Católica e o canal Santa Carona, primeiro de um série que pretende tocar nos pontos principais da crítica do Santa Carona ao sedevacantismo. Hoje falaremos um pouco sobre a doutrina católica sobre o Papado.

Apesar do caráter polêmico desta série, o nosso tom é manso e amigável, sobretudo porque o Santa Carona possui um conceito católico de Papado, o que é meio-caminho andado para se tornar um sedevacantista. De fato, coisa rara é encontrar alguém entre os modernistas (inclusive os mais tradicionais como aqueles da linha Monttfort, IBP e Padre Paulo Ricardo) e ainda mais entre os tradicionalistas (aos quais ele chama de rad-trads), que tenha conservado uma justa compreensão da dimensão e altura do poder do Romano Pontífice.

Eu pessoalmente devo muito de minha adesão ao sedevacantismo ao fato de crer firmemente no Papado e de assim ter percebido que não era qualquer pessoa que poderia ocupá-lo. A pessoa, pensava eu, tinha que ao menos acreditar na doutrina católica. O Santa Carona ainda não chegou nesse nível de entendimento das coisas, mas pelo menos entende que o Papa criticável em matéria de fé e moral é um não-Papa e que o que defende essa tese de um Papa criticável é um não-cristão, porque é da natureza do Papa ser mestre nesses assuntos e é da natureza do cristão crer nessa doutrina revelada por Deus; ele sabe ainda que seria ao cristão um pecado gravíssimo desobedecer a um verdadeiro e legítimo Papa.

Tudo isso é muito bom e muito certo e nós cá estamos para subscrever essa verdade que nos trouxe o Santa Carona. Ele peca por ignorância ao querer nos ensinar com o Catecismo de São Pio X, ao qual bem conhecemos e que já aprofundamos com a leitura da Pastor Aeternus e outros documentos pontifícios sobre o Papado; porém, essa é a mesma doutrina em que cremos de coração e com a boca professamos. Tanto é assim, que gostaria de confirmar e aprofundar o que foi dito por ele com este ensinamento autoritativo de Leão XIII:

“Pois bem, nestas duas ordens de coisas, isto é, quanto ao que se deve crer e ao que se deve fazer, compete por Direito Divino à Igreja e, na Igreja, ao Romano Pontífice determiná-lo. E eis a razão do porque o Romano Pontífice deve ter autoridade para julgar que coisas contenha a palavra de Deus, que doutrinas concordem com ela e quais dela desdigam; e, do mesmo modo, determinar o que é bem e o que é mal; o que se deve fazer e o que se deve evitar para conseguir a salvação eterna. Se isso não se pudesse fazer, o Papa não seria intérprete infalível da vontade de Deus, nem o guia seguro da vida do homem.” (Leão XIII, Sapientiae Christianae, n. 35, 10 jan 1890; em Documentos de Leão XIII. Tradução de Honório Dalbosco e e Lourenço Costa. São Paulo: Paulus, 2005, pp. 396-397)

Esta é a doutrina sobre o Papa em que acreditamos. O Romano Pontífice é aquele na Igreja que diz o que se deve crer e fazer, o Romano Pontífice é o intérprete infalível da vontade de Deus e guia seguro da vida do homem. A nossa obediência ao Romano Pontífice deve ser integral nessas matérias e ponto final.

O problema pouco notado é que este ponto essencial da doutrina católica é negado não pelos sedevacantistas, mas pelos não sedevacantistas! Não falo de simples fiéis modernistas como o sr. do Santa Catona, mas dos seus chefes, daqueles do mais alto escalão, e dos luminares do modernismo; falo, infelizmente falo, daqueles que deveriam ser os primeiros a professar esta santa doutrina!

Sim, desde a era do Vaticano II, desde os tempos de João XXIII, tornou-se de praxe rebaixar a dignidade papal às custas de um “itinerário ecumênico”. Essa obra tem sido continuada até os nossos dias, da deposição pública da tiara papal por parte de Paulo VI até o abandono dos sapatos vermelhos por Bergoglio.

Do ponto de vista doutrinal, logrou-se grande progresso com a doutrina da colegialidade dos bispos e do sacerdócio dos crentes entendido naquele sentido bem luterano. O primeiro em particular coloca o Romano Pontífice como um entre outros no colégio dos Bispos, um passo decisivo em direção do febronismo condenado por Pio VI na bula Auctorem Fidei e, sem dúvida, um notável abandono da doutrina da Pastor Aeternus.

Por causa dessas e outras mudanças doutrinas e disciplinares que não convém detalhar nessa breve introdução, temos que a fé no Papado é muito rara hoje em dia e que os altos escalões do modernismo simplesmente a negam. Na verdade, eles são os primeiros a defender a tese do Papa criticável, aquela tese que o Santa Carona condena com razão; a tese, digo eu, do Papa que já não é Papa, do Papa que o ecumenismo, a colegialidade, a Igreja governada de forma sinodal e a desenfreada “liberdade dos teólogos” transformou em uma rainha da Inglaterra, um Primado de honra somente, um príncipe que reina, mas não governa.

Ouçamos a doutrina de Joseph Ratinger sobre a matéria:

Ratzinger explica que criticar os pronunciamentos do Papa é possível e por vezes mesmo necessário

Em 1969, o futuro Papa Bento XVI, então Pe. Joseph Ratzinger, escreveu que criticar as declarações papais era não só possível mas até necessário, sempre que o Papa pudesse desviar-se do depósito da fé e da tradição apostólica. O Papa Bento XVI incluiu estas observações na antologia dos seus escritos, ‘Fede, ragione, verità e amore’ de 2009. Tais observações, que agora publicamos abaixo traduzidas, são particularmente relevantes à luz da correção filial ao Papa Francisco:

«Devemos evitar especialmente a impressão de que o Papa (ou o ofício em geral) só pode reunir e expressar, de tempos em tempos, a média estatística da fé viva, para a qual não é possível uma decisão contrária a esses valores estatísticos médios (os quais, para além do mais, são problemáticos em sua verificabilidade).

A fé baseia-se nos dados objetivos da Escritura e do dogma, que nos tempos obscuros também podem desaparecer assustadoramente da consciência da maior parte do cristianismo (em termos estatísticos), sem perder de qualquer forma, contudo, o seu carácter obrigatório e vinculativo.

Neste caso, a palavra do Papa pode e deve certamente ir contra as estatísticas e contra o poder de uma opinião que pretende fortemente ser a única válida; e isso deve ser feito de forma tão decisiva quanto o testemunho da tradição é claro (como no caso apresentado). Pelo contrário, a crítica dos pronunciamentos papais será possível e até necessária quando carecem de fundamentação na Escritura e no Credo, isto é, na fé de toda a Igreja.

Quando não se tem o consenso de toda a Igreja, nem existem evidências claras das fontes, não é possível uma decisão vinculativa e definitiva. Se tal acontecesse formalmente, faltariam as condições para tal ato e, portanto, teria de ser levantada a questão quanto à sua legitimidade.» – Das neue Volk Gottes: Entwürfe zur Ekklesiologie, (Düsseldorf: Patmos, 1972) p. 144. Fede, ragione, verità e amore, (Lindau 2009), p. 400.

Como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e mais tarde como o Papa Bento XVI, Ratzinger continuou as suas reflexões sobre os limites do poder do Pontífice Romano para contrariar a imutável doutrina:

Cardeal Joseph Ratzinger, 1998:

«O Romano Pontífice está como todos os fiéis submetido à Palavra de Deus, à fé católica e é garante da obediência da Igreja e, neste sentido, servus servorum. Ele não decide segundo o próprio arbítrio, mas dá voz à vontade do Senhor, que fala ao homem na Escritura vivida e interpretada pela Tradição; noutros termos, a episkopè do Primado tem os limites que procedem da lei divina e da inviolável constituição divina da Igreja, contida na Revelação. O Sucessor de Pedro é a rocha que, contra a arbitrariedade e o conformismo, garante uma rigorosa fidelidade à Palavra de Deus: daí resulta também o carácter martirológico do seu Primado.»

Papa Bento XVI, 2005:

«O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.»

Andrew Guernsey in ‘Rorate Caeli’
(Tradução: odogmadafe.wordpress.com)


Esse artigo foi publicado em um site famoso em círculos mais tradicionais do modernismo, o que é uma prova adicional de que o tradicionalismo não sedevacantista é simplesmente o modernismo doutrinal com roupagem tradicional.

Então aqui encarro o nosso primeiro argumento. Se o senhor realmente crê com São Pio X e Leão XIII que todo o católico deve crer que o Papa é intérprete infalível da vontade de Deus e guia seguro da vida do homem, então o senhor não pode crer que os mesmos homens que defendem o contrário sejam católicos e tampouco os chefes da religião católica.

O Magistério da Igreja segue sendo infalível e os homens seguem sendo livres para rebelar-se contra ele. Nós sedevacantistas rechaçamos esta “liberdade de perdição” do modernismo com respeito ao Papa, nós somos fiéis ao Magistério e não entendemos como representantes dele homens como Ratzinger, cuja vida e obra consiste na negação das prerrogativas do Papado.

Há certamente algumas nuances que devem ser melhor esclarecidas em vídeos posteriores, mas aqui está lançada a semente a partir da qual o senhor vai começar a entender a mentalidade sedevacantista que é simplesmente o catolicismo bem professado e aplicado em assuntos de Papado.

O Sacramento do Batismo

8.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento do Batismo.

Revisão da lição sobre os Sete Sacramentos.

I. O Batismo é o Sacramento pelo qual nascemos para a graça de Deus e nos tornamos cristãos. O Sacramento do Batismo (1) apaga o pecado original, e também o pecado atual, se houver; (2) perdoa toda pena por eles devida; (3) imprime o caráter de membros de Jesus Cristo; (4) faz-nos filhos de Deus e da Igreja e herdeiros do Céu; (5) torna-nos capazes de receber os outros Sacramentos.

II. Um nobre de bom coração tomou para si o filho de um homem que morreu lhe devendo uma grande soma de dinheiro e se encarregou de educá-lo. Um dia ele chamou o menino em sua presença e mostrou-lhe dois documentos, que distinguiam-se por um estar em um envelope preto e o outro em um envelope vermelho. O nobre primeiramente pôs o envelope negro na mão do menino. O menino tirou o selo e empalideceu logo que se deparou com o conteúdo da carta. Ali estavam enunciadas todas as dividas de seu pai e além disso todos os gastos que tinham custado ao benfeitor a sua educação. O órfão estava preocupado com o que viria depois, vendo quanto ele e o seu pai lhe deviam. Mas quando o nobre viu o semblante assustado da criança, sorriu e rasgou aquela carta de débito; então ele lhe deu o outro envelope e pediu para que o lesse. Ele continha uma total remissão das dividas de seu pai e, o que era mais impressionante, um ato pelo qual o menino era adotado como seu filho e herdeiro de todos os seus bens. A alegria do menino pode ser imaginada, ele já não era um pobre órfão embaraçado com tantos débitos, mas o filho de um pai nobre e rico. Assim é conosco que pelo Batismo recebemos a remissão do pecado original, o legado de nossos primeiros pais, e assim fomos feitos filhos de Deus e herdeiros do Céu.

III. Os pobres batizados sentam-se à mesa do rei, e os príncipes dela são excluídos. Ingo, duque de Carintia, para tornar sensível esta verdade a seus parentes e barões, que ainda eram pagãos, convidou-os um dia para um grande festim, para o qual convidou também uma multidão de pobres cristãos. À hora marcada os convidados dirigiram-se ao palácio e foram dispostos em duas mesas diferentes. Os senhores foram servidos no pátio, ao ar, muito rusticamente; ao passo que os pobres o foram na mesa do duque, comeram as iguárias mais finas e beberam os vinhos mais preciosos em taças de ouro. Os senhores, chateados com aquele tratamento, entraram na sala onde Ingo comia, e cheios de cólera perguntaram-lhe porque ele se comprazia em insultá-los assim. Mas o príncipe respondeu tranquilamente: “Não vos maravilheis com a minha conduta. Os homens que aqui vedes, embora pobres de bens temporais, são filhos e herdeiros de Deus, e eu reconheço-os por meus irmãos em Jesus Cristo. Vós, ao contrário, ricos segundo o mundo, sois muito pobres aos olhos de Deus, porque sois ainda escravos do demônio, adoradores de estúpidas divindades e inimigos do Deus vivo e verdadeiro.” Esta linguagem serena, mas severa e forte, produziu salutar impressão. Algum tempo depois, a maior parte, dos grandes e nobres de Carintia convertiam-se ao cristianismo e eram batizados por Arno, bispo de Salisburgo.

IV. O Delfim, pai de Luiz XVI, repetia muitas vezes a seus filhos que a Religião não distingue entre ricos e pobres, quando regenerados nas águas sacramentais. Para ela é maior o que melhor cumprir a vontade do Senhor. Quando seus filhos foram batizados, mandou inscrever-lhes os nomes no registro paroquial, ao lado dos mais pobrezinhos. Vede, disse-lhes um dia o Delfim, ao mesmo tempo que os filhos observavam o registro: diante de Deus a condição dos que aqui estão inscritos é perfeitamente igual, e só a virtude e a fé os pode distinguir. Vós, aos olhos do mundo, sereis talvez os maiores dentre os que estão aqui inscritos; mas diante de Deus todos podem ser maiores que Vós, se amarem mais a Jesus Cristo e melhor praticarem os seus ensinamentos.

Um dia uma filha de um rei de França indispôs-se com a sua camareira, e para a incomodar disse-lhe com orgulho: “Não sabes que sou filha do rei?” E a camareira respondeu com dignidade cristã: “E não sabeis vós que eu sou filha de Deus?”

V. O ministro ordinário do Batismo é o sacerdote, principalmente o pároco. Em caso de necessidade, qualquer homem ou mulher, herege ou infiel, pode administrar o Batismo validamente desde que o faça do modo devido. Só o pároco batiza por direito na sua paróquia, mas na sua falta preferir-se-á o sacerdote ao diácono, o diácono ao clérigo de ordens menores, este ao leigo, o católico ao cismático, o cismático ao herege, o herege ao infiel, o homem à mulher, contanto que a decência ou perícia não aconselhem de outra coisa. Dentro das leis da conveniência, são as mulheres, especialmente as parteiras e enfermeiras, que administram o Batismo nesses casos por causa de sua maior presença e maior prática. Como se depreende do testemunho deste missionário: “Nos lugares mais populosos da missão, escolhemos mulheres capazes, as quais, mostrando grande cuidado pelos meninos doentes dos infiéis, quando os veem em agonia, com arte finíssima procuram todos os meios para lhes subministrar o Batismo. E todos os anos – quem o diria – enviam elas para o Paraíso até oito mil crianças. Que obra extraordinária de caridade!”

VI. Administra-se o Batismo derramando água natural sobre a cabeça do batizado, e não podendo ser a cabeça, em qualquer outra parte principal do corpo, dizendo ao mesmo tempo: Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo com a intenção de fazer o que a Igreja sempre faz ao batizar. Deve-se levar as crianças à Igreja para batizar o mais cedo possível.

VII. O Sacramento do Batismo é absolutamente necessário à salvação. De fato, o Batismo é um só, como uma só é a Fé. Porém, o Batismo pode suprir-se com o martírio (batismo de sangue) ou com o desejo de receber o Sacramento (batismo de desejo). Na história eclesiástica encontra-se, dentre outros exemplos, a história de Santa Emerenciana como um caso de batismo suprido pelo martírio e do imperador Valentiniano como um caso de batismo suprido pelo desejo de recebê-lo.

VIII. A Igreja pede que se dê ao batizado o nome de um santo para que ele o tenha como protetor e exemplo de virtude. Os padrinhos e madrinhas contraem parentesco espiritual com o batizado e seus pais (o que constitui um impedimento matrimonial) e também assumem gravíssimas obrigações para com ele: eles devem vigiar, instruir e mandar instruir o batizado nas coisas da alma; procurar de todos os modos que viva como um bom cristão e edificá-lo com o seu exemplo; também devem corrigi-lo e aconselhá-lo, particularmente se faltarem os pais, dos quais devem fazer as vezes. Quem recebe o Batismo fica obrigado a professar a Fé, e a observar a Lei de Jesus Cristo e da sua Igreja. Ao receber o Batismo, renuncia-se para sempre ao demônio com suas obras e pompas. Por obras e pompas do demônio entendem-se os pecados, as máximas corrompidas e a vaidade do mundo. Somos assim obrigados, porque Deus nos recebeu na Igreja mediante estas condições. Portanto, tenhamos muita gratidão a Deus pelo Batismo e ódio eterno ao pecado.

IX, São Luís, rei de França, apreciava tanto a graça do batismo, que se assinava muitas vezes como Luís de Poissy, porque tendo tido ali a a dita de receber este sacramento, estimava mais o título de filho de Deus e da Igreja que de rei da França.

X. Lemos na história da Igreja, que um piedoso diácono, chamado Murita, havendo sido padrinho de batismo de um mancebo por nome Epifidoro, teve a dor de o ver apostatar e converter-se em perseguidor dos cristãos. Um dia, em que ele exercia publicamente a sua perseguição, o diácono apresenta-se diante dele no meio de uma turba imensa, e como conservava a túnica branca, que Epifidoro tinha vestido quando o batizaram, mostrou-lha e disse-lhe estas terríveis palavras: “Eis aqui a testemunha da tua apostasia; esta testemunha te acusará no tribunal do Supremo Juiz. Vê esta túnica branca, que vestiste nas fontes sagradas; ela clamará vingança contra ti, e se transformará em um vestido de fogo e de chamas, que te devorarão durante toda a eternidade.” Ao ouvir estas palavras, todo se romperam em lágrimas e Epifidoro retirou-se coberto de confusão.

Missa Antiga vs. Missa Nova

MISSA ANTIGA VS. MISSA NOVA

Composto e publicado pelos sacerdotes do site Traditional Mass

Traduzido e primeiramente publicado em vernáculo por Católico Romano
Acesse http://www.catolicoromano.com.br

Compare
A Missa Tradicional em Latim
Com
A missa moderna da sua paróquia
Atmosfera de adoração reverente:

Ambiente pacífico, alheio ao mundo. Ênfase na elevação individual do coração e da mente em direção a Deus. Os membros da congregação dirigem atenção a Deus, não para um ao outro.

Atmosfera social, de aula, ou, por vezes, de entretenimento:
Constante sentar-se e levantar-se, barulho amplificado; Atmosfera de um encontro público. Ênfase na “instrução.” Socialização antes e depois do culto, e aperto de mãos durante.
Profunda reverência pela Presença Real (no sacrário):
Dezesseis genuflexões. Somente as mãos do padre tocam a hóstia consagrada. Comunhão dada apenas na boca.
Indiferença, Irreverência à presença Real:
Somente três genuflexões necessárias. Leigos homens e mulheres distribuem a comunhão. Comunhão dada nas mãos – uma prática que os protestantes introduziram para negar a presença Real.
Fidelidade à doutrina Católica:

 

Durante o ano todas os aspectos da doutrina católica são apresentados.

Sistemática omissão das doutrinas Católicas:
As novas orações sistematicamente omitem as referências ao inferno, julgamento, punição pelo pecado, méritos dos Santos, a única verdadeira Igreja, as almas dos falecidos e os milagres.
Antiguidade:

Os volumes das orações dominicais e sua organização remonta a pelo menos aos anos 300 e 400 da era Cristã. O Cânon é essencialmente o mesmo desde Santo Ambrósio (d. 397)

Novidade:
As antigas orações dominicais omitidas ou despojadas das doutrinas, e rearranjadas em 1960. Somente 17% das antigas orações permaneceram. Pedaços do antigo Cânon agora são opcionais. As palavras da Consagração, as palavras do próprio Cristo “Por vós e por muitos” foram mudadas. Três cânones substitutos foram inventados e introduzidos nos anos 60, e ainda outros posteriormente.
Estabilidade:
Tudo é regulado por leis precisas para proteger a pureza do culto e da doutrina.
Mudanças constantes:
Opções, opções e mais opções. Comissões individuais de padres e paróquias escolhem, retiram ou inventam textos para empurrar o que eles pensam que as pessoas deveriam acreditar.
Padre como Sacerdote:
O padre olha para o tabernáculo, a cruz e o altar (para Deus). Ele faz todas ações e recita todas as orações da Missa.
Padre como ”presidente”, Ator:
O padre olha para o povo, ao invés de para Deus. Senta-se de lado. Suas funções são dadas a leigos homens e mulheres.

Os Sete Sacramentos

7.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. Os Sete Sacramentos.

Revisão geral sobre a primeira parte da doutrina cristã, isto é, as verdades de fé contidas no Credo. Diga o Credo. Lembre-se das lições sobre o Sinal da Santa Cruz, a Unidade e Trindade de Deus, a Encarnação do Filho de Deus, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Juízo Particular e Universal e a Santa Igreja Católica.

I. Em uma vasta planície haviam duas fontes e de cada fonte brotavam sete canais que levavam as águas para todas as partes da planície. As águas da primeira fonte, embora um pouco amargas, tinham um poder maravilhoso; ao beber dessas águas o velho se tornava jovem, o feio se embelezava, o doente se curava e até mesmo o morto, quando tocado por elas, voltava a vida. As águas da outra fonte, embora mais doces, logo tornavam-se amargas e causavam vômitos, convulsões e até a morte. A primeira fonte é Jesus Cristo e os sete canais são os sete Sacramentos. A outra fonte é o demônio e dele procedem os sete pecados capitais. O triste disso tudo é que apesar da grande diferença nos efeitos, muitos recusam beber da primeira fonte e alegremente buscam as águas da outra.

II. Um bom sacerdote clamava: “Quantos enfermos há que no tempo de verão vão às águas de Luso e de Vizela? Quantos fizeram grandes despesas para se livrar das doenças corporais, e não se curam todos? Nós temos fontes admiráveis para todas as enfermidades da alma, que são os Sacramentos; e estas fontes de graça curam infalivelmente todos os que vão a elas bem dispostos. Como sucede, pois, que vemos tantos pecadores negligentes e descuidados em ir a essas fontes e beber nelas uma água que lhes é tão salutar? Como é que a maior parte dos que vão a elas, não se apresentam com as devidas disposições?”

III. Sacramento é um sinal sensível e eficaz da graça, instituído por Nosso Senhor, para santificar as nossas almas. Os Sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, pois eles apresentam certa semelhança com a graça espiritual que realmente comunicam. Por exemplo, a água natural que é usada para lavar o corpo é a matéria do batismo, que lava a nossa alma e tira dela a mancha do pecado. Os Sacramentos santificam nossas almas, porque eles nos dão ou aumentam a graça que nos torna santos e gratos a Deus, que nos faz seus filhos adotivos e herdeiros do Céu. Esse poder de nos santificar tem como fonte os infinitos méritos da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

IV. Para fazer um sacramento é necessário matéria, forma e o ministro que tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja. A matéria é a coisa sensível que se utiliza (por exemplo, a água natural no Sacramento do Batismo); a forma são as palavras que se dizem ao fazê-lo; o ministro é a pessoa que faz ou confere o sacramento.

V. Os Sacramentos são sete: 1.º Batismo; 2.º Confirmação (ou Crisma); 3.º Eucaristia; 4.º Penitência; 5.º Extrema Unção; 6.º Ordem; 7.º Matrimônio. Os Sacramentos são sete, porque os bens sobrenaturais da vida da alma possuem certa semelhança com os bens naturais da vida do corpo. Na vida do corpo é preciso nascer; crescer; nutrir-se; tomar remédio, se alguma vez se cai doente; armar-se, se alguma vez se vai ao combate; é necessário que alguns governem para a preservação da ordem e da paz; e é preciso que alguns se multipliquem para a propagação da vida humana. Assim também é com os bens da alma dispensados pelos Sacramentos: o Batismo é o nosso nascimento para a graça de Deus; a Confirmação ou Crisma faz com que essa graça cresça e se fortaleça; a Eucaristia permite que essa graça seja nutrida e sustentada; quando quer que se perca esta graça, a Penitência a fará recuperar; na derradeira batalha da morte, a Extrema Unção é arma poderosa; a graça de poder dirigir e governar as coisas espirituais se adquire pela Ordem; a graça de poder propagar a raça humana para que assim os fiéis cresçam em número se obtém pelo Matrimônio.

VI. Os Sacramentos podem ser distinguidos entre si de muitos modos.

a) Pelo fim. Alguns dão a graça, outros a aumentam. Os Sacramentos que nos levam da inimizade para a amizade de Deus são o Batismo e a Penitência e chamam-se Sacramentos dos mortos, porque destroem o pecado, que é a morte da alma. Esses Sacramentos são os mais necessários à nossa salvação, o Batismo é necessário a todos, a Penitência é necessária a todos os que pecaram depois do Batismo. Os Sacramentos que nos santificam aumentando-nos a graça são a Confirmação, a Eucaristia, a Extrema Unção, a Ordem e o Matrimônio; chamam-se Sacramentos dos vivos, porque quem os recebe já deve estar vivo para a graça de Deus, isto é, sem pecado mortal. Quem recebe esses Sacramentos, sabendo que não está na graça de Deus, comete um grave sacrilégio.

b) Pela excelência. Cada Sacramento possui sua excelência própria sob certo ponto de vista, mas o Sacramento mais excelente de todos é o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pois ele contém o próprio autor da graça e de todo o bem, Cristo Nosso Senhor. Do ponto de vista da necessidade, como se viu, os mais excelentes são o Batismo e a Penitência; do ponto de vista da dignidade, são a Confirmação e a Ordem, já que somente um bispo pode as conferir; do ponto de vista da facilidade, é a Extrema Unção, que perdoa os pecados sem necessidade da exaustão mental exigida na Penitência; do ponto de vista do significado é o Matrimônio, pois este significa a união de Cristo com a Igreja.

c) Pela impressão de caráter. Os Sacramentos que se podem receber só uma vez são o Batismo, a Confirmação e a Ordem, pois esses três Sacramentos imprimem caráter na alma daquele que os recebe, isto é, imprimem um sinal espiritual que é indelével e distintivo: indelével, porque nunca mais se apaga; distintivo, porque o Batismo nos distingue como membros de Jesus Cristo; a Confirmação como seus soldados e a Ordem como seus ministros.

VII. No Antigo Testamento haviam muitos Sacramentos, mas eles diferem dos Sacramentos da Nova Aliança de quatro modos. Eles eram mais numerosos do que os nossos; a sua observância era mais difícil, diferente dos nossos; seu sentido era mais obscuro e poucos entendiam o que eles significavam, já os nossos são claros e facilmente entendidos por todos; eles não conferiam a graça como os nossos, mas somente a prefiguravam e prometiam. É por isso que os Sacramentos da Nova Lei são de longe mais excelentes: eles são menos, mais fáceis, mais claros e mais eficazes do que os Sacramentos da Antiga Lei.

Os tradicionalistas, a Infalibilidade e o Papa

OS TRADICIONALISTAS, A INFALIBILIDADE E O PAPA

Pelo Rev. Padre Anthony Cekada

Traduzido e primeiramente publicado em vernáculo por Católico Romano
Acesse http://www.catolicoromano.com.br

Índice

Introdução

Os mesmos homens que teriam autoridade na Igreja ensinam erros e impõem disciplinas e leis prejudiciais. Como conciliar isso com a infalibilidade?

Se você assiste regularmente a Missa Tradicional em Latim, é porque em algum momento concluiu que a Missa e os ensinamentos antigos eram Católicos e bons, enquanto a nova Missa e os ensinamentos modernos, de alguma forma, não.

Mas você (assim como eu) provavelmente teve alguns medos no início:

E se a Missa Antiga que eu vou não tiver a aprovação da minha diocese? Estou desafiando as autoridades legítimas da Igreja? Estou desobedecendo o Papa?

Essa é a chamada “questão da Autoridade”, que parece apresentar um dilema. A Igreja ensina que o papa é infalível em questões de fé e moral. Além disso, bons católicos costumam obedecer às leis do papa e da hierarquia. Maus católicos, por sua vez, escolhem as leis que querem obedecer.

De outra parte, aqueles homens que teriam autoridade na Igreja mandam aceitar doutrinas e uma Missa que é prejudicial à fé ou, pelo menos, tem efeitos desastrosos. O que um católico deveria fazer nesse caso?

Por que rejeitar as mudanças?

Para resolver esse dilema, vale considerar por qual razão deixamos de ir nas paróquias que seguem o Vaticano II [e a missa nova n.d.T.]. Na maioria dos casos, a razão foi o conhecimento de algum tipo de contradição com o ensinamento Católico já definido ou a irreverência no culto. Em outras palavras, notamos algum elemento na religião moderna que fosse [algum tipo de] erro doutrinal ou mal.

Dificilmente nossas objeções se relacionavam com pequenos detalhes irrelevantes. As novas doutrinas, ao contrário, apresentaram-se como mudanças em aspectos essenciais – compromissos, falsificações, ou contradições diretas com o antigo ensinamento Católico. Talvez tenhamos passado a entender o novo sistema de culto como um mal – algo irreverente, indigno do Santíssimo Sacramento, repugnante à doutrina Católica, ou, em última análise, destrutivo para a fé de milhões de almas.

Foram razões de peso como essas – e não meros caprichos – que nos moveram a resistir e rejeitar as mudanças.

A esse ponto, tendo reconhecido (como é devido) que alguns pronunciamentos ou leis que emanavam [e emanam n.d.t] da hierarquia pós Vaticano II continham erros ou males, nos encontramos, de fato, no caminho certo para resolver a aparentemente espinhosa questão da autoridade. Vamos examinar porquê.

Alguns erros e males.

Comecemos por listar alguns erros e males oficialmente aprovados pelo Vaticano II e seus papas:

  • O ensinamento do Vaticano II (e do Código de direito canônico(CIC) de 1983) de que a Igreja de Cristo ‘subsiste na‘ Igreja Católica. O que implica que a verdadeira Igreja de Cristo também subsiste em outros corpos religiosos.
  • A abolição no Vaticano II e no CIC de 83 da distinção tradicional entre os fim primário (procriativo) e o secundário (unitivo) do matrimônio, colocando ambos em mesmo nível, e revertendo sua ordem. Essa mudança fornece um tácito apoio à contracepção, visto que a proibição contra o controle de natalidade baseava-se no ensinamento de que a procriação era o fim primário do matrimônio.
  • A supressão sistemática, na versão latina original do Missal de Paulo VI, dos seguintes conceitos: inferno, julgamento divino, a Ira de Deus, castigo pelo pecado, a perversidade do pecado como o maior de todos males, desapego do mundo, purgatório, as almas dos defuntos, Reinado de Cristo sobre a Terra, A Igreja Militante, o triunfo da fé católica, os males da heresia, do cisma e do erro, a conversão dos acatólicos, os méritos dos santos e os milagres. A remoção dessas doutrinas da liturgia tinha a intenção de assinalá-las como não sendo mais verdadeiras, ou pelo menos afirmar que elas não eram mais tão importantes para serem lembradas nas orações oficiais da Igreja.
  • A aprovação oficial de Paulo VI para a comunhão na mão. Essa prática foi imposta pelos protestantes do século XVI para negar a transubstanciação e a natureza sacramental do sacerdócio.
  • O documento oficial de Introdução da Nova Missa que ensinava que esta era uma ceia-reunião, concelebrada pela congregação e seu presidente, durante a qual Cristo estava presente no povo, nas leituras da Escritura, e no pão e no vinho. Este é um entendimento protestante e modernista da Missa, e foi o pilar teórico para os subsequentes “abusos” que viriam.

Os ensinamentos de Bento XVI

Ao que já foi mencionado, poderíamos adicionar vários ensinamentos de João Paulo II e Bento XVI, ambos falsamente retratados como “conservadores”. Os seus pronunciamentos e escritos revelam-se permeados de um problema teológico que vai muito além da questão da Missa Nova vs a Antiga.

Bento XVI, quando ainda era Joseph Ratzinger, era um expoente teólogo modernista durante o Vaticano II, e deixou um longo rastro em escritos contendo seus erros. Ele foi o arquiteto chefe da nova teologia que postulava um “Povo de Deus” e uma “Igreja de Cristo” não idêntica à Igreja Católica Romana – ao contrário uma Super Igreja [mais universal n.d.t.] ou uma “Frankengreja” [referência ao Frankenstein] criada a partir de elementos da verdadeira Igreja que estavam presentes ou de maneira completa(pelos católicos) ou parcialmente(pelos hereges e cismáticos).

O esparadrapo que sustentava essa besta ecumênica [referindo-se ao Frankestein que tinha esparadrapos sustentando o corpo. N.d.T.] era a noção de Ratzinger de Igreja como “comunhão”. Como Cardeal e consultor doutrinal chefe de João Paulo II ele desenvolveu essa ideia na carta da Congregação para Doutrina da Fé(CDF) sobre A Igreja Comunhão [1], na Declaração Dominus Iesus, no Código de Direito Canônico de 83 e no Catecismo de 97.

Vejamos algumas proposições típicas dos ensinamentos de Ratzinger:

  • Corpos cismáticos são “Igrejas particulares” unidas a Igreja Católica por “estreitíssimos vínculos”. (Communion 17, ver nota 1)
  • A igreja universal é o “corpo das igrejas particulares” (ibid. 8)
  • Igrejas cismáticas tem uma existência ‘ferida’. (ibid. 17)
  • A “Igreja Universal torna-se presente nelas [as igrejas particulares] em todos os seus elementos essenciais” (ibid. 17).
  • A Igreja de Cristo está “presente e ativa” nas igrejas que rejeitam o papado. (Dominus Iesus 17)
  • Pelo batismo a pessoa torna-se membro do “Povo de Deus” (Catecismo 782)
  • Todo esse Povo de Deus participa no ofício de Cristo. (ibid. 783)
  • O corpo de Cristo, a Igreja, está “ferida” (ibid. 817)
  • O Espírito de Cristo utiliza-se de corpos heréticos e cismáticos como “meios de salvação.” (ibid. 819)
  • Cada “igreja particular” é “católica”, porém algumas são “plenamente católicas”.(ibid. 832, 834)

Esses ensinamentos são contrários ao artigo da Fé Divina e Católica: “Creio na Igreja Una, Santa…”. “Una” no Credo se refere à propriedade da Igreja pela qual ela é “indivisa em si mesma e separada de qualquer outra” na fé, na disciplina e no culto. Os ensinamentos de Ratzinger são também contrários ao ensinamento dos Padres da Igreja e do magistério ordinário universal que afirma que os hereges estão “fora da comunhão católica e estranhos à Igreja” (Papa Leão XIII)

A Igreja não pode oferecer o Mal.

Uma lista desses ensinamentos contrários ao ensinamento da Igreja poderia seguir por páginas a fio. Mas o que estamos tentando dizer é que cada item desses ensinamentos podem ser classificados com um erro (uma contradição ou mudança substancial com os ensinamentos do magistério pré-Vaticano II) ou como um mal (algo ofensivo para Deus, e nocivo para salvação das almas). Mas a mesma fé que nos diz que essas mudanças são más nos diz também que a Igreja não pode falhar no seu ensinamento ou oferecer algo mal.

Uma das essenciais propriedades da Igreja Católica é sua indefectibilidade. Isso significa, entre outras coisas, que seus ensinamentos são “imutáveis e sempre permanecem os mesmos” (Santo Inácio de Antioquia). É impossível que ela contradiga seus próprios ensinamentos.

Ademais, outra propriedade essencial da Igreja de Cristo é sua infalibilidade. E ela não se aplica (como alguns católicos tradicionais costumam pensar) apenas em raros pronunciamentos papais ex cathedra como os que definiram a Imaculada Conceição ou a Assunção. A infalibilidade estende-se também às leis disciplinares universais da Igreja.

O princípio, estabelecido em textos clássicos de teologia dogmática tais como Salaverri (I:722), Zubizarreta (I:486), Herrmann (I:258), Schultes (314-7) e Abarzuza(I:447), é tipicamente explicado da seguinte forma:

“A infalibilidade da Igreja se estende… às leis eclesiásticas aprovadas para a Igreja universal para a direção do culto e da vida cristã… Mas a Igreja é infalível quando emite um decreto doutrinário como o declarado acima – de tal forma que ela não pode nunca sancionar uma lei universal que estivesse em desacordo com a fé ou a moral; ou que por sua natureza mesma fosse nociva para as almas…

“Se, conforme foi alegado, a Igreja pudesse cometer um erro dessa maneira quando legisla uma disciplina geral, Ela não seria mais uma fiel guardiã da doutrina revelada nem uma Mestra digna de confiança da vida cristã.

“Não seria guardiã da doutrina revelada, porque a imposição de uma lei má (viciosa) seria, para todos os efeitos práticos, equivalente a uma definição doutrinária errônea; [n.d.t. quando a Igreja impõe uma lei] todos concluem [concluiriam] que o que foi imposto é compatível com a sã doutrina.

“Não seria mestra da vida cristã porque através de suas leis ela traria corrupção para a prática da vida religiosa”. [Van Noort, Teologia Dogmática. 2:91. Destaques do original] É impossível, portanto, que a Igreja possa transmitir algum mal através de suas leis – inclusive em suas leis que regulam o culto.

O reconhecimento, por um lado, de que a hierarquia pós-Vaticano II oficialmente sancionou erros e males; e, por outro lado, a consideração das propriedades essenciais da Igreja levam-nos a uma conclusão a respeito da autoridade dessa hierarquia:

Dada a indefectibilidade da Igreja no seu ensinamento ( ele não pode mudar) e a infalibilidade em suas leis disciplinares universais (que não podem comprometer a fé ou pôr em perigo as almas), é impossível que os erros e males que catalogamos possam, de fato, vir da autoridade da Igreja. Deve haver uma outra explicação.

Perda de ofício por heresia

A única explicação que preserva a doutrina da Infalibilidade e indefectibilidade da Igreja é que os clérigos que promulgaram tais erros e males de alguma forma perderam, enquanto indivíduos, a autoridade dos ofícios na Igreja que eles aparentavam possuir – ou que eles nunca possuíram tal autoridade diante de Deus. Os seus pronunciamentos tornaram-se juridicamente vazios e estavam inaptos a vincular os católicos – da mesma forma que os decretos dos bispos na Inglaterra que aceitaram a heresia protestante no século XVI tornaram-se vazios de autoridade para os católicos.

Tal perda de autoridade decorre de um princípio geral em Direito Canônico:a defecção pública da Fé Católica priva automaticamente uma pessoa de todos os ofícios que ela possa manter. Se se pensa no assunto, é algo que faz todo sentido: Seria absurdo que alguém que não professasse verdadeiramente a Fé Católica tivesse autoridade sobre os católicos que a professam.

O princípio dessa perda automática de ofício aplica-se aos padres, bispos diocesanos e qualquer outro ofício similar na igreja, incluindo o Papa.

Perda do Ofício Papal

Teólogos e canonistas como São Roberto Belarmino, Caetano, Suarez, Torquemada, Wernz e Vidal sustentam que, sem comprometer a doutrina da infalibilidade papal, mesmo um papa (como indivíduo, obviamente) pode tornar-se um herege e então perder o pontificado. Alguns desses autores mantém ainda que um papa poderia tornar-se até mesmo um cismático.

No seu grande tratado sobre o Romano Pontífice, São Roberto Belarmino, por exemplo, coloca a seguinte questão: “Se um papa herege pode ser deposto”. Note, já de início, que a pergunta pressupõe que pode haver um papa herege. Após uma longa discussão, ele conclui:

“Um papa que é um herege manifesto automaticamente (per se) cessa de ser papa e cabeça, da mesma forma que automaticamente ele deixou de ser Cristão e membro da Igreja. Donde segue que ele pode ser julgado e punido pela Igreja. Este é o ensinamento de todos os antigos Padres que ensinam que um herege manifesto perde automaticamente toda jurisdição”. [De Romano Pontifice. II. 30. Destaques meus.] Belarmino cita passagens de Cipriano, Driedonus e Melchior Cano para apoiar sua posição. A base para esse ensinamento, diz ele, é que um herege manifesto não é de nenhum modo membro da Igreja – nem da sua alma nem do seu corpo, nem por união interna ou externa.

Outros grandes canonistas e teólogos posteriores a Belarmino apoiaram a mesma posição. Wernz-Vidal no seu Ius Canonicum, trabalho de 8 volumes publicado em 1943, que é talvez o mais respeitado comentário ao direito canônico de 1917, afirma:

“Por heresia notória e abertamente divulgada, o Romano Pontífice, se cair em heresia, pelo próprio fato (ipso facto) é tido como privado do poder de jurisdição, antes mesmo de qualquer juízo declaratório da Igreja… Um papa que cai publicamente em heresia cessaria ipso facto de ser membro da Igreja; portanto, ele também cessaria de ser cabeça da Igreja”. [II:453. Destaques originais.]

Canonistas Pós Vaticano II

A possibilidade de que um papa possa tornar-se um herege e perder seu ofício é também reconhecido por um comentário autorizado do código de direito canônico de 1983:

“Clássicos canonistas discutiram a questão de se um papa, em suas opiniões privadas ou pessoais, poderia entrar em heresia, apostasia ou cisma. Se ele o fizesse de modo notório e amplamente público, ele perderia a comunhão, e, segundo uma opinião geralmente aceita, perderia seu ofício ipso facto. (c. 194 ss1, 2º ). Como ninguém pode julgar o papa (c.1401), ninguém poderia depor um papa por tais crimes, e os autores estão divididos de que como a perda do ofício seria declarada para que a vacância pudesse ser preenchida por uma nova eleição. [J. Corridan et al., eds., The Code of Canon Law: A Text and Commentary commissioned by the Canon Law Society of America (New York: Paulist 1985), c. 333.] O princípio que um papa herege perde automaticamente seu ofício, portanto, é amplamente admitido por uma grande variedade de Católicos canonistas e teólogos.

Papas Inocêncio III e Paulo IV

Até mesmo papas levantaram a possibilidade que um herege poderia de algum modo chegar ao trono de Pedro

Papa Inocêncio III (1198-1216), um dos maiores defensores da autoridade papal na história do papado, ensina:

“Ainda menos o Romano Pontífice pode se vangloriar, pois ele pode ser julgado pelos homens – ou melhor, ele pode ser demonstrado julgado, se ele manifestamente ‘perder o sabor’ pela heresia. Porque quem não crê já está julgado. [Sermo 4: In Consecratione PL 218:670] Durante a revolta protestante, o Papa Paulo IV (1555-1559), outro vigoroso defensor dos direitos do papado, suspeitou que um dos cardeais que tinham grande chances de ser eleitos papa no próximo conclave fosse secretamente herege.

Em 16 de fevereiro de 1559, por essa razão, ele publicou a Bula Cum ex Apostolatus Officio. O pontífice decretou que se, em qualquer tempo, surgir alguém eleito Pontífice Romano que tivesse anteriormente “[se] desviado da Fé Católica ou caído em alguma heresia”, sua eleição, ainda que com aprovação e consentimento unânime de todos cardeais, seria “nula, legalmente inválida e vazia.”

Todos atos subsequentes, leis e nomeações de tal papa invalidamente eleito, conforme Paulo IV decretou, “estariam privados de força, e não confeririam solidez ou qualquer poder legal.” Ele ordenou, além disso, que todos aqueles que foram nomeados para ofícios eclesiásticos por tal papa “,pelo mesmo fato e sem necessidade de nenhuma outra declaração, estariam privados de qualquer dignidade, posição, honra, título, autoridade, ofício ou poder.”

A possibilidade de heresia e a concomitante falta de autoridade por parte dos indivíduos que pareciam ser Papas não é de modo algum absurda, e é fundada no ensinamento de pelo menos dois papas.

As alternativas

Para simplificar, por um lado sabemos que a Igreja não pode falhar. E por outro, sabemos que teólogos e, até mesmo papas, ensinam que um papa como indivíduo pode se desviar da Fé, e então perder seu ofício e autoridade.

Uma vez que reconhecemos os erros e males da religião do pós-Vaticano II, duas opções se apresentam:

(1) A Igreja falhou

(2) Homens falharam e perderam seus ofícios e autoridade.

Diante de tal situação, a lógica da fé prescreve que afirmemos a indefectibilidade da Igreja, e admitamos a defecção dos homens.

Posto de maneira diferente, reconhecer que as mudanças são falsas, más, que devem ser rejeitadas é também, implicitamente, reconhecer que os homens que as promulgaram não possuem a autoridade da Igreja. Todos tradicionalistas, alguém poderia dizer, são, na realidade, ‘sedevacantistas’ – simplesmente, alguns ainda não perceberam isso.

Assim a questão da autoridade está resolvida. Os Católicos que estão lutando para preservar a Fé após a apostasia do Vaticano II não tem qualquer obrigação de obedecer aqueles que perderam seus ofícios pela adoção de erros.

Em suma:

  • As Leis e Ensinamentos (oficialmente sancionados) do Vaticano II e do Magistério subsequente incorporam erros e/ou promovem o mal.
  • Como a Igreja é indefectível, seus ensinamentos não podem mudar, e porque ela é infalível, suas leis não podem propagar o mal.
  • É, por conseguinte, impossível que os erros e males, oficialmente sancionados no Vaticano II e nos ensinamentos e Leis pós concílio, possam ter vindo da autoridade da Igreja.
  • Aqueles que promulgaram tais erros e males de alguma forma não tinham uma autoridade real na Igreja.
  • Canonistas e teólogos ensinam que a defecção da Fé, uma vez manifesta, traz consigo a perda automática de qualquer ofício eclesiástico (autoridade). Eles aplicam esse princípio até mesmo para um papa que, enquanto capacidade pessoal, de alguma forma se tornasse herege.
  • Até mesmo Papas admitiram a possibilidade de que um herege pudesse algum dia terminar no trono de Pedro. Paulo IV decretou que a eleição de tal papa seria inválida, e que ele não teria nenhuma autoridade.
  • Como a Igreja não pode falhar, mas um papa, enquanto indivíduo, pode (como, a fortiori, podem os bispos diocesanos), a melhor explicação para os erros e males pós vaticano II que nós catalogamos é que eles procedem de indivíduos que, apesar de ocuparem o Vaticano e várias catedrais diocesanas, não possuíam, objetivamente, autoridade canônica.

DEMONSTRAMOS AMPLAMENTE aqui que é contra a Fé católica afirmar que a Igreja pode ensinar o erro ou promulgar leis más. Mostramos também que o Vaticano II e suas reformas nos transmitiram erros contra a doutrina Católica e leis más e hostis à salvação das almas.

A fé mesma nos obriga a afirmar que aqueles que ensinam estes erros e promulgam essas leis, por mais que mantenham toda aparência, de fato não têm a autoridade da Igreja Católica. Somente assim se pode preservar a indefectibilidade da Igreja. Devemos então, como católicos, afirmar que a Igreja é Indefectível e Infalível, rejeitar e repudiar a reivindicação de que Paulo VI e seus sucessores tenham sido papas verdadeiros.

Por outro lado, deixamos para a autoridade da Igreja, quando voltar a atuar de modo regular, declarar com autoridade que estes supostos papas não o eram de fato. Nós, como simples padres, não podemos fazer juízos com autoridade, seja legal ou doutrinal, que pudessem obrigar as consciências dos fiéis.

Nós católicos tradicionais, por fim, não fundamos uma nova religião, mas estamos, simplesmente, ‘tomando medidas’ para preservar a Fé e o culto Católico até que venham dias melhores. Nesse meio tempo, esse objetivo é melhor servido se nós nos dirijamos a estas questões espinhosas com atenção não apenas aos princípios teológicos, mas também com a virtude teologal da Caridade.

Notas

[1] Carta aos Bispos sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão, da [assim chamada n.d.t.] Congregação para Doutrina da Fé(CDF) de 1992

Apêndice 1

Heresia e perda do Ofício Papal

Pode parecer surpreendente aos Católicos instruídos na doutrina da infalibilidade papal que um papa, como doutor (mestre) privado, possa, por sua vez, cair em heresia e automaticamente perder seu ofício. Para evitar que se pense que esse princípio é uma fantasia inventada por tradicionalistas “fanáticos”, ou, na melhor das hipóteses, que se trata de uma opinião minoritária expressa por um ou dois escritores católicos obscuros, vamos reproduzir alguns textos dos papas, santos, canonistas e teólogos.

Leitores leigos podem não estar familiarizados com nomes como Coronata, Iragui, Badiim Prummer, Wernz, Vidal, Beste, Vermeersch, Creusen, e Regatillo. Estes padres foram autoridades internacionalmente reconhecidas em suas áreas de atuação antes do Vaticano II. Nossas citações foram retiradas dos seus massivos tratados em Direito Canônico e Teologia Dogmática.

Matthaeus Conte a Coronata (1950) “III. Designação para o Ofício do Primado [i.e. papado]”

“1º O que é necessário por lei divina para essa designação: (a) É necessário que a designação seja de um homem que possua o uso da razão – e isto pelo menos por causa da ordenação que o Primaz [o papa, N.d.T.] deve receber para possuir o poder das Ordens Sagradas. Na verdade, isso é requerido para a validade da designação.”

“Também é requerido para a validade que a designação seja de um membro da Igreja. Hereges e apóstatas (pelo menos os de público) estão assim excluídos.” …

“2º Perda de ofício do Romano Pontífice. Isso pode ocorrer de várias formas:…”

“c) Heresia Notória. Certos autores negam a suposição de que um Romano Pontífice possa, de fato, tornar-se herege.

“No entanto, não pode ser provado que o Romano Pontífice, como mestre privado, não possa tornar-se herege – se, por exemplo, ele costumazmente negasse um dogma previamente definido. Tal impecabilidade nunca foi prometida por Deus. Na verdade, o Papa Inocêncio III expressamente admite que um caso assim é possível.

“Se semelhante situação acontecesse, ele [o Pontífice Romano] cairia, por lei divina, do seu ofício sem nenhuma sentença, sem nem mesmo sentença declaratória. Aquele que abertamente professa heresia coloca-se fora da Igreja, e não é possível que Cristo preservaria o Primado da sua Igreja em alguém tão indigno. Donde, se o Romano Pontífice professasse heresia, antes de qualquer sentença declaratória (que de qualquer forma seria impossível) ele perderia sua autoridade.” Instituitiones Iuris Canonici. Rome: Marietti 1950. 1:312, 316. (Destaques meus)

Papa Inocêncio III (1198) “Para este fim, a fé é tão necessária para mim que, embora para outros pecados eu tenha apenas Deus como juiz, basta um pecado cometido contra a fé para que eu possa ser julgado pela Igreja.” Sermo 2 In Consecratione PL 218:656.

“Vós sois o sal da terra… ainda menos o Romano Pontífice pode se envaidecer, porque ele pode ser julgado pelos homens – ou ainda, ser mostrado como julgado, se ele manifestamente ‘perder seu sabor’ pela heresia. porque quem não crê já está julgado.” Sermo 4: In Consecratione PL 218:670.

Santo Antonino (+1459) “No caso em que um papa se tornasse um herege, ele se encontraria, pelo fato em si e sem nenhuma outra sentença, separado da Igreja. Uma cabeça separada de um corpo não pode, enquanto se mantenha separada, ser cabeça do corpo do qual foi extirpada(cortada).”

“Um papa que fosse separado da Igreja por heresia, portanto, pelo mesmo fato cessaria de ser cabeça da Igreja. Ele não poderia ser um herege e permanecer papa, porque, como ele está fora da Igreja, não poderia possuir as chaves da Igreja.” Summa Theologica, citada em Actes de Vatican I. V. Frond pub..

Papa Paulo IV (1559) “Ademais, se alguma vez aparecesse que algum bispo (ainda que fosse um atuando como arcebispo, patriarca ou primaz), ou um cardeal da Igreja Romana, ou legado (como mencionado acima), ou ainda o Romano Pontífice (seja antes de sua promoção a cardeal, ou antes de sua eleição para ser Romano Pontífice), tenha se desviado da Fé católica ou caído em alguma heresia, [Nós ordenamos, decretamos, determinamos e definimos]:”

“ – Essa promoção ou eleição em ou de si, ainda que com conformidade ou consentimento unânime de todos os cardeais, será nula, legalmente inválida e vazia.”

“- Não deve ser possível uma promoção ou eleição dessas ser tida como válida ou ser validada, nem através de recepção de ofício, consagração, subsequente administração, posse, ou putativa entronização de um Romano Pontífice, acompanhada da veneração e obediência devidas por parte de todos”

“ Essa promoção ou elevação, nas condições expostas acima, por nenhum espaço de tempo, nem de modo algum, será considerada, ainda que parcialmente, válida.”

“Todas e cada uma das palavras, atos e leis, nomeações daqueles assim promovidos ou eleitos – e, na verdade, tudo que daí vier – não terá força, e não garantirá qualquer solidez ou poder legal a ninguém.”

“Aqueles promovidos ou eleitos, por esse mesmo fato, sem necessidade de qualquer declaração posterior, serão privados de qualquer dignidade, posição, honra, título, autoridade, ofício e poder.” Bula Cum ex Apostolatus Officio. 16 de fevereiro de 1559.

São Roberto Belarmino (1610) “Um papa que é herege manifesto automaticamente (per se) cessa de ser papa e cabeça, da mesma forma que automaticamente ele deixou de ser Cristão e membro da Igreja. Donde segue que ele pode ser julgado e punido pela Igreja. Este é o ensinamento de todos os antigos Padres que ensinam que um herege manifesto perde automaticamente toda jurisdição. De Romano Pontifice. II. 30.”

Santo Afonso de Ligório(+1787) “Se mesmo um papa, enquanto pessoa privada, caísse em heresia, ele cairia do pontificado.” Oeuvres Complètes. 9:232

Vaticano I (1869), Serapius Iraqui (1959) “O que dizer se caso o Romano Pontífice se tornasse um herege? No Concílio Vaticano I, a seguinte questão foi proposta: Pode o Romano Pontífice como pessoa privada cair em heresia manifesta?”

“A resposta então foi: ‘Firmemente acreditando na providência sobrenatural, nós pensamos que tais coisas muito provavelmente nunca ocorrerão. Mas Deus não falha em tempo de necessidade. Donde, se Ele permitisse um mal assim, não faltariam os meios para lidar com ele.'[Mansi 52:1109]”

“Os teólogos respondem do mesmo modo. Não podemos provar a absoluta improbabilidade de um evento dessa natureza [absolutam repugnantiam facti]. Por essa razão, os teólogos comumente concedem que o Romano Pontífice, se caisse em heresia manifesta, não seria mais membro da Igreja, e portanto não poderia ser chamado sua cabeça visível.” Manuale Theologiae Dogmaticae. Madrid: Ediciones Studium 1959. 371.

Wilhelm (1913) “Mesmo o próprio Papa, se culpado de heresia notória, cessaria de ser papa porque ele cessaria de ser membro da Igreja.” Catholic Encyclopedia. New York: Encyclopedia Press 1913. 7:261.

Caesar Badii (1921) “c) A lei agora em vigor para a eleição do Romano Pontífice se reduz a estes pontos:…

“Impedidos como inaptos de serem validamente eleitos são os seguintes: mulheres, crianças que não atingiram a idade da razão, aqueles que sofrem de habitual insanidade, os não-batizados, hereges e cismáticos….

Suspensão do poder pontifical. Esse poder cessa: … (d) Por heresia notória e abertamente divulgada. Um papa publicamente herege não seria mais membro da Igreja; por esta razão, ele não poderia mais ser sua cabeça.” Instituitiones Iuris Canoninci. Florence: Fiorentina 1921. 160, 165. (Destaques do original)

Dominic Prümmer (1927)O poder do Romano Pontífice é perdido: … (c) por sua perpétua insanidade ou por heresia formal. E isto pelo menos provavelmente…

“Os autores de fato comumente ensinam que um papa perde seu poder por heresia certa e notória, mas sobre se este caso é realmente possível há uma justa dúvida.

“Baseado, porém, na hipótese de que um papa pudesse cair em heresia como pessoa privada (pois como papa ele não poderia errar na fé, porque em fé ele seria infalível), vários autores deram respostas diferentes a respeito de como ele então iria ser privado do seu poder. Nenhuma das respostas, entretanto, excedem os limites da mera probabilidade”. Manuale Iuris Canonci. Gribourg in Briegsgau: Herder 1927. 95. (Destaques originais.)

F.X. Wernz, P. Vidal (1943) “Por heresia notória e abertamente divulgada, o Romano Pontífice, se ele caísse em heresia, por esse mesmo fato [ipso facto] seria tido como privado do poder de jurisdição mesmo antes de qualquer juízo declaratório por parte da Igreja…. Um papa que cai em heresia cessaria ipso facto de ser membro da Igreja; e então cessaria também de ser cabeça da Igreja.”Ius Canonicum. Rome: Gregoriana 1943. 2:453.

Udalricus Beste (1946) “Não poucos canonistas ensinam que, além de morte e abdicação, a dignidade pontifical pode ser perdida por clara insanidade e perda da razão, o que é legalmente equivalente à morte, bem como por heresia notória e manifesta. No último caso, um papa cairia automaticamente do seu poder, e isto, na verdade, sem que nenhuma sentença fosse emitida, porque a primeira Sé [i.e., A Sé de Pedro] não é julgada por ninguém.

“A razão é que, por cair em heresia, um papa cessa de ser membro da Igreja. Aquele que não é membro de uma sociedade, obviamente, não pode ser sua cabeça. Não podemos encontrar nenhum exemplo disso na história.” Introductio in Codicem. 3a Ed. Collegeville: St. John’s Abbey Press 1946. Canon 221.

A. Vermeersch, I. Creusen (1949) “O poder do Romano Pontífice cessa por morte, livre resignação (que é válida sem necessidade de nenhuma aceitação, c. 221), clara e inquestionável insanidade perpétua, e por heresia notória.

“Pelo menos de acordo com o mais comum ensinamento, O Romano Pontífice enquanto doutor privado pode cair em heresia manifesta. Então, sem nenhuma sentença declaratória (pois que a suprema Sede não é julgada por ninguém), ele automaticamente [ipso facto] cairia do poder que, como ele que não é mais membro da Igreja, estaria inapto a possuir.” Epitome Iuris Canonici. Rome: Dessain 1949. 340.

Eduardus F. Regatillo (1956) “O Pontífice Romano cessa seu offício: … (4) Por heresia pública e notória? Cinco respostas têm sido dadas:

“1. ‘O papa não pode ser herege ainda que enquanto doutor privado’. Essa é piedosa, mas há pouca base para ela

“2. ‘O papa perde o ofício ainda que por heresia secreta.’ Falsa, porque um herege em segredo pode ser membro da Igreja.

“3. ‘O papa não perde o seu ofício por causa de heresia pública.’ Improvável.

“4. ‘O papa perde o ofício por uma sentença jurídica de heresia pública’. Mas quem iria publicar a sentença? A primeira Sé não pode ser julgada por ninguém (Canon 1556).

“5. ‘O papa perde o ofício ipso facto por heresia pública.’ Esse é o mais comum ensinamento, porque ele não seria mais membro da Igreja, e portanto muito menos poderia ser sua cabeça.” Institutiones Iuris Canonici. 5a ed. Santander: Sal Terrae, 1956. 1:396. (Destaques originais)

Apêndice 2

Heresia: O pecado vs. O Crime

Alguns autores levantaram a seguinte objeção: Ninguém pode tornar-se um verdadeiro herege a menos que a Autoridade da Igreja primeiro o avise ou advirta sobre sua rejeição ao dogma. Somente após isso o sujeito teria a “pertinácia” (obstinação na falsa crença/fé) requerida para heresia. Ninguém teria emitido advertências aos papas pós-Conciliares sobre seus erros, então eles não podem ser pertinazes. Logo, não podem ser verdadeiros hereges.

Esse argumento confunde a distinção que os canonistas fazem entre dois aspectos da heresia:

(1) Moral: Heresia enquanto um pecado (peccatum) contra a lei divina.

(2) Canônico: Heresia enquanto um crime(delictum) contra a lei canônica.

Essa distinção é fácil de de compreender quando se aplica ao caso do aborto. Podemos considerar o aborto sob dois aspectos:

(1) Moral: Pecado contra o 5o Mandamento que resulta em perda da graça santificante.

(2) Canônico: Crime contra o cânon 2350.1 do Código de Direito Canônico que resulta em excomunhão automática.

No caso da heresia, advertências somente entram em jogo para o crime canônico da heresia. Essas advertências não são obrigatórias para que se cometa o pecado de heresia contra a lei divina.

O canonista Michel nos dá uma clara distinção: “Pertinácia não inclui, necessariamente, longa obstinação do herege e advertências da Igreja. Uma coisa é a condição para o pecado de heresia; outra é a condição para o crime canônico de heresia, punível pela lei canônica.” (Michel, “Hérésie,” in DTC 6:2222)

É o pecado público de heresia que despoja o papa da autoridade de Cristo. “Se uma situação assim acontecesse”, disse o canonista Coronata. “ele [o Romano Pontífice] iria, por lei divina, cair do seu ofício sem nenhuma declaração.” (Ver acima)

Apêndice 3

A nova missa vem da Igreja?

Observamos acima que, se a Nova Missa é Protestante, irreverente, sacrílega, ou ainda prejudicial para a Fé Católica ou a salvação das almas, ela não pode vir da autoridade da Igreja, porque a sua infalibilidade se estende à suas leis disciplinares universais, incluindo leis litúrgicas. Abaixo algumas citações dos Teólogos que explicam esse ensinamento.

O termo “universal” se refere ao território onde uma lei se aplica (em todo lugar ao invés de uma área geográfica limitada), não ao rito (Latim, ao invés de Oriental). (Ver Prümmer, Man. Jus. Can., 4)

A maioria dos teólogos citam o anátema de Trento (também citado aqui) contra aqueles que dizem que as cerimônias Católicas são “incentivo à impiedade.”

“Incentivo à impiedade,” a maioria dos Católicos Tradicionais provavelmente concordaria, é provavelmente a melhor forma curta para descrever os ritos e Orações do Novus Ordo de Paulo VI. Ele [o novus ordo N.d.T.] não fez mais que corroer a fé, promover o erro, e progressivamente esvaziar as Igrejas. O homem que promulgou tal rito não poderia, portanto, ter a autoridade de Pedro.

Concílio de Trento (1562) “Se alguém disser que as cerimônias, vestimentas e sinais exteriores, que a Igreja Católica utiliza para celebração das Missas, são incentivos à impiedade, ao invés de servirem à piedade: seja Anátema.” Cânones sobre a Missa. 17 de setembro de 1562. Denzinger 954.

P. Hermann (1908) “A Igreja é infalível na sua disciplina geral. Pelo termo disciplina geral entendem-se as leis e as práticas que pertencem à ordenação externa de toda a Igreja. Isto diz respeito a elementos tais como o culto externo, como a liturgia e as rubricas ou a administração dos sacramentos, tal como a Comunhão sob uma espécie…

“A igreja em sua disciplina geral, entretanto, é tida como infalível nesse sentido: que nada pode ser encontrado em suas leis disciplinares que sejam contra a Fé e a sã moral, ou que possam tender [vergere] ou ao detrimento da Igreja ou ao prejuízo dos fiéis.

“A infalibilidade da Igreja na sua disciplina advém da sua própria missão. Essa missão consiste em preservar a fé integral e guiar as pessoas a salvação ensinando-as a guardar aquilo que Cristo mandou. Mas se ela fosse capaz de prescrever ou de ordenar ou de tolerar em sua disciplina alguma coisa contrária à fé e aos costumes, ou alguma coisa prejudicial à Igreja ou nociva aos fiéis, ela falharia na sua missão divina, o que seria impossível” Institutiones Theologiae Dogmaticae. 4a Edição. Roma: Della Pace 1908. 1:258

A. Dorch (1928) “A Igreja é também justamente tida como infalível em seus decretos disciplinares…

“Por decretos disciplinares se entende todas aquelas coisas que pertencem ao governo da Igreja, na medida em que se distingue do magisterium. O que é referido aqui, portanto, são as leis eclesiásticas que Igreja estabelece universalmente para regular o culto divino ou dirigir a vida Cristã.” Institutiones Theologiae Fundamentalis. Innsbruck: Rauch 1928. 2:409.

R.M.Schultes (1931) “A infalibilidade da Igreja promulgando leis disciplinares. Leis disciplinares são definidas como ‘Leis eclesiásticas estabelecidas para guiar a vida cristã e o culto.’…

“A questão de se a Igreja é infalível quando estabelece uma lei disciplinar toca a substância das leis disciplinares universais – ou seja, se tais leis podem ser contrárias ao ensinamento da fé ou moral, e então agir para o prejuízo dos fiéis,…

Thesis. A Igreja, quando estabelece leis universais, é infalível no que toca a substância dessas leis.

“A Igreja é infalível em matéria de fé e moral. Através da suas leis disciplinares, a Igreja ensina sobre assuntos de fé e moral, não doutrinariamente ou teoricamente, mas prática e efetivamente. Como uma lei disciplinar envolve um juízo doutrinal…

“A razão, consequentemente, e a fundamentação da infalibilidade da Igreja em sua disciplina geral é a íntima conexão entre as verdades de fé e moral e as leis disciplinares.

“O objeto principal das leis disciplinares é como segue: a) o Culto…” De Ecclesia Catholica. Paris: Lethielleux 1931. 314-7.

Valentino Zubizarreta (1948) “[Subtítulo]Corolário II. Enquanto estabelece leis disciplinares para a Igreja Universal, a Igreja é do mesmo modo infalível, de tal modo que ela nunca iria legislar algo que iria contradizer a fé verdadeira e a sã moral.

Nota. “Disciplina da Igreja se define como ‘aquela legislação ou coleção de leis que guia os homens no que diz respeito ao devido culto a Deus e a uma sã vida cristã…

Prova para o Corolário. [Arg.] Foi demonstrado acima que a Igreja goza de infalibilidade naquelas coisas que concernem a fé e moral, ou ainda nas que são necessárias para sua preservação. Porém as leis disciplinares, prescritas para a Igreja universal para que se cultue a Deus e se estabeleça devidamente a boa vida cristã, estão implicitamente reveladas em matéria de moral, e são necessária para preservar a fé e a boa moral. Assim, o Corolário está provado. [Ergo. no original latino consta apenas a expressão. Como conclusão lógica e segue uma citação de casos em que os apóstolos estabelecem disciplinas indiretamente ligadas a fé e moral n.d.T.]” Theologia Dogmatico-Scholastica. 4a Edição. Vitoria: El Carmen 1948. 1:486. [Aqui os colchetes foram todos adições do tradutor.]

Serapius Iragui (1959) “ Além daquelas verdades reveladas em si mesmas, o objeto da infalibilidade do magistério inclui outras verdades que, embora não reveladas, são, no entanto, necessárias para integralmente preservar o depósito da Fé, corretamente explicá-lo, e efetivamente definí-lo…

“D) Decretos disciplinares. Esses decretos são leis universais que governam a vida cristã e o culto divino. Embora a faculdade de estabelecer leis pertença ao poder de jurisdição, no entanto, o poder de magistério é considerado nessas leis sob um outro aspecto particular, na medida em que não deve haver nada nessas leis que se oponha à lei natural ou positiva. Nesse sentido, dizemos que o julgamento da Igreja é infalível…

“1o) Isto é necessário pela natureza e propósito da infalibilidade, porque a Igreja infalível deve conduzir seus membros à santificação por uma correta exposição da doutrina. De fato, se a Igreja em seus decretos universais vinculantes impusesse uma falsa doutrina, pelo mesmo fato os homens seriam desviados da salvação, e a própria natureza da Igreja verdadeira seria posta em perigo.

“Tudo isto, entretanto, é repugnante à prerrogativa da infalibilidade com a qual Cristo dotou Sua Igreja. Portanto, quando a Igreja estabelece leis disciplinares, ela deve ser infalível.” Manuale Theologiae Dogmaticae. Madrid: Ediciones Studium 1959. 1:436, 447.

Joachim Salaverri (1962) “3) A respeito dos decretos disciplinares em geral que pelo seu propósito [finaliter] estão ligados com as coisas que Deus revelou.

“A. O propósito do Magistério infalível requer infalibilidade para decretos dessa natureza…

“Especificamente, que a Igreja reivindica infalibilidade para si mesma em decretos disciplinares está estabelecido pela lei que os Concílios de Constança e Trento solenemente promulgaram a respeito da comunhão eucarística sob uma espécie.

“Isso pode ser abundantemente provado por outros decretos, pelos quais o Concílio de Trento solenemente confirmou os ritos e cerimônias usados na administração dos sacramentos e celebração da Missa”. Sacrae Theologiae Summa. 5a edição Madrid: BAC 1962. 1:722, 723.

Apêndice 4

Uma longa Vacância da Santa Sé

Alguns tradicionalistas oferecem outra objeção: O Vaticano I ensina que São Pedro teria “perpétuos sucessores”no Primado. (DZ 1825) Não significaria isso que é impossível que a Igreja possa ficar sem um papa verdadeiro por tanto tempo? Desde o Vaticano II (1960), como você afirma?

Não. A definição do Vaticano I, na verdade, era dirigida aos hereges que ensinavam que os poderes especiais de São Pedro dados por Cristo teriam morrido com ele e não foram transmitidos aos seus sucessores, os papas. “Perpétuos Sucessores” significa que o ofício do Primado é perpétuo – não limitado a Pedro, mas “um poder que vai permanecer perpetuamente até o fim do mundo.” (Salaverri, de Ecclesia 1:385)

Este ofício papal pode permanecer vacante por um longo tempo sem por isso se extinguir ou mudar a natureza da Igreja. Segue a explicação:

A. Dorschi (1928) “A Igreja portanto é uma sociedade essencialmente monárquica. Mas isto não previne que a Igreja, por um curto tempo após a morte do papa, ou ainda por muitos anos, fique privada de sua cabeça. Ainda nesse estado sua forma monárquica permanece intacta…

“Nesse caso a Igreja seria de fato um corpo sem cabeça… Sua forma de governo monárquica permaneceria, embora de um modo diferente – ou seja, permanece, porém incompleta e por se completar. A ordenação do todo à submissão ao Primado está presente, embora a submissão mesma não esteja.

“Por essa razão, considera-se, como é devido, que a Sé de Roma permanece depois que a pessoa que a ocupava tenha morrido – porque Ela consiste essencialmente nos direitos do Primado. Esses direitos são um elemento necessário e essencial da Igreja. Com eles, além do mais, o Primado então continua, pelo menos moralmente. A presença física perene da pessoa da cabeça, entretanto, não é estritamente necessária”. (de Ecclesia 2:196-7)

Apêndice 5

De onde virá um Papa Verdadeiro?

Se os papas do Vaticano II não são papas verdadeiros, como poderia a Igreja um dia novamente ter um papa verdadeiro? Aqui estão algumas teorias:

  1. Direta Intervenção Divina. Este cenário é encontrado nos escritos de alguns místicos aprovados.
  2. Tese do Papa Material/Formal. Esta sustenta que se um papa pós-Vaticano II renunciasse publicamente as heresias da Igreja Conciliar, ele automaticamente se tornaria um papa verdadeiro.
  3. Um Concílio Geral imperfeito. O Teólogo Cajetan (1469-1534) e outros ensinam que, se o Colégio dos Cardeais se extinguisse, o direito de eleger o papa seria devolvido ao clero de Roma, e em seguida para a Igreja universal. (de Comparatione 13, 742, 745)

Cada uma dessas teorias parece apresentar algumas dificuldades. Mas isso não é nada surpreendente, porque a solução para um problema extraordinário na Igreja pode não ter sido previsto anteriormente. Isto pode ser visto no seguinte comentário da Enciclopédia Católica (1913): “ Não existem provisões canônicas regulando a autoridade do Colégio de Cardeais sede Romana Impedita, i.e. no caso de um papa se tornar insano, ou pessoalmente um herege; em tais casos seria necessário consultar os ditames da reta razão e os ensinamentos da história.” (“Cardeal”, CE 3:339)

Além disso, a inabilidade atual para determinar exatamente como outro papa verdadeiro seria escolhido no futuro não torna Paulo VI e seus sucessores papas.

Nem muda o fato que já sabemos que: os papas pós-conciliares promulgaram erros, heresias e leis más; um herege não pode ser um papa verdadeiro; e a promulgação de leis más é incompatível com haver autoridade dada por Cristo.

Insistir, apesar de tudo, que os papas conciliares devem (necessariamente) ser papas verdadeiros é criar um problema insolúvel em relação a indefectibilidade da Igreja – os representantes de Cristo ensinam erro e oferecem o mal. Enquanto que uma longa vacância da Santa Sé, como notado no Apêndice 4, não é contrária à indefectibilidade ou natureza da Igreja.

Bibliografia

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BESTE, U. Introductio in Codicem. 3a ed. Collegeville: St. John’s Abbey Press 1946.
CAJETAN, T. de Vio. De Comparatione Auctoritatis Papae et Concilii. Rome: Angelicum
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