Por que devemos rezar pelos Sacerdotes

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Sermão da Missa votiva a Cristo Sumo e Eterno Sacerdote pela Santificação do Clero, proferido por Sua Excelência Reverendíssima Monsenhor Daniel Dolan.

Sim, devemos rezar pelos sacerdotes. É um ato simples, porém de grande valor. O que reza pela santificação dos sacerdotes santifica-se a si mesmo, porque procura o bem do sacerdote sem tomar os seus defeitos humanos como objeto de comentários injustos ou descaridosos. O que reza pela santificação dos sacerdotes pratica a virtude da humildade, porque não se faz juiz do sacerdote, mas coloca-se como seu servidor. Entende que muitas vezes a virtude da alma é coisa que não se vê claramente, como se verifica em alguns episódios da vida de São Carlos Borromeu, verdadeiro reformador e bispo de Milão. Por fim, o que reza pelos sacerdotes, vê as coisas de modo sobrenatural, compreende a real natureza do sacerdócio enxergando na pessoa do ministro de Deus um outro Cristo.


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O que você precisa saber sobre a Missa Una Cum

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Por Missa una cum se entende toda a Missa Tridentina que nomeia tanto o papa como do bispo modernista entre os defensores da fé católica. Como tal, ela é um ato ecumênico, uma grande blasfêmia e objetivamente um escândalo. É unir em torno de um mesmo Altar, Cristo e Belial, luz e trevas, catolicismo e modernismo.

O tema da Missa una cum já foi tratado no Controvérsia Católica, ele foi habilmente explicado por Monsenhor Dolan por volta de um ano atrás, no vídeo intitulado “Monsenhor Dolan: Perguntas e Respostas sobre a Missa una cum” (https://www.youtube.com/watch?v=RKrYbAVF7Y4).

Neste novo vídeo sobre o tema, Padre Rodrigo e eu temos a intenção de salientar mais uma vez a importância de evitar a frequência da Missa una cum mediante um pequeno comentário daquilo que se passa no momento em que o sacerdote coloca os nomes dos modernistas no cânon da Santa Missa.

Para mantê-lo simples e acessível mesmo àqueles pouco familiarizados com a questão, escolhemos utilizar um manual popular que, gozando de um justificado prestígio, pode ser facilmente encontrado na internet. Trata-se do livro Missa Tridentina: Explicações das orações e das cerimônias da Santa Missa pelo famoso liturgista Dom Prosper Guéranger.

A parte que aqui nos interessa é a seguinte:

“Em seguida o padre acrescenta: Una cum famulo tuo Papa nostro N. et Antistite nostro N. et omnibus orthodoxis, atque catholicae et apostolicae fidei cultoribus. Nem uma só missa é celebrada sem que ela aproveite a toda a Igreja. Todos os seus membros participam de cada missa, e esta oração nos dá o detalhe. Primeiro é mencionado o Vigário de Cristo na Terra, não sem uma inclinação de cabeça do celebrante para honrar a Nosso Senhor no seu Vigário…

Para que todos os seus membros, sem exceção, sejam mencionados, a Santa Igreja fala aqui de todos os fiéis, expressos nesta palavra: cultoribus, ou seja, todos os fiéis observantes da fé católica, pois é necessário estar dentro desta fé para ser incluído no número dos que são aqui mencionados pela Igreja. É preciso ser ortodoxo, omnibus ortodoxis, ou seja, ter o pensamento reto e professar a fé católica, a fé que nos vem dos Apóstolos. A Santa Igreja, ao insistir sobre estas palavras, omnibus orthodoxis, atque catholicae et apostolicae fidei cultoribus, mostra que nesse lugar do rito ela não reza por aqueles que não têm fé, que não têm a reta doutrina e que não receberam a fé dos Apóstolos.”

(GUÉRANGER, Dom Prosper. Missa Tridentina: Explicações das orações e das cerimônias da Santa Missa. Niterói-RJ: Permanência, 2010, pp. 92-93.)

Em suma, por mais incenso e latim, por maior que seja o esplendor das cerimônias, por mais barroco ou gótico que seja o templo e por mais dignas que sejam as vestes litúrgicas utilizadas, o padre e o fiel que está em uma Missa una cum afirma categoricamente que ele está em comunhão com os hereges modernistas, nomeadamente o que ora usurpa a Sé Petrina e seu auxiliar local, o herege diocesano, e que eles são pastores fiéis e ortodoxos, que têm o pensamento reto e professam a fé católica e apostólica.

O mínimo de bom senso aqui bastaria para qualquer sedevacantista ou tradicionalista perceber que, uma vez que ele está plenamente ciente de que os papas modernistas e seus asseclas não cabem dentro dessa categoria nem sonhando, porque é óbvio que eles foram e são, por tudo o que se sabe sobre eles, cultores da heresia e da heterodoxia, então eles jamais devem ir a uma Missa una cum, que é um ato público onde se afirma totalmente o contrário.

Também basta o mínimo de bom senso para que os conservadores que operam dentro da estrutura pós-conciliar decidam de uma vez se querem ser católicos ou modernistas. Com efeito, a Missa una cum os faz confessar a hierarquia modernista como perfeitamente católica. Nada há, portanto, que criticar sobre as novas doutrinas e disciplinas pós-conciliares… portanto, seu próprio movimento não tem razão de existência, salvo como uma “experiência tradicional” que não é mais verdadeira e boa que a experiência de comunhão com comunistas e protestantes, mais conhecidas como Teologia da Libertação e Renovação Carismática. Devem então, em solene procissão com bandeira de arco-íris e o ídolo de Pachamama, caminhar junto com eles, pondo-se de corpo e alma no trem modernista rumo a um reino ainda desconhecido, em constante evolução, que fica cada vez mais distante do catolicismo. Ou, então, se for para serem coerentes com as suas mais sinceras convicções, não dirão ou irão mais à Missa una cum, pois a verdade os obriga a admitir que os modernistas podem ser cultores de tudo, do surrealismo, da luta de classes, de abusos doutrinais, litúrgicos e morais de todo tipo, até mesmo cultores de árvores e do estilo de vida indígena… realmente de tudo, menos da fé católica e apostólica.

É por isso que pedimos aos nossos ilustres leitores e espectadores que deixem de ir não só à Missa Nova, que está totalmente fora de cogitação como uma alternativa ao católica, mas inclusive às missas em latim, tradicionais ou tridentinas rezadas por padres em comunhão com os modernistas.

Padre Anthony Cekada escreveu um artigo de 19 páginas somente sobre essa matéria, respondendo inclusive às objeções comumente feitas contra essa nossa posição. Embora creiamos que o que foi dito acima resolve o problema da maior parte das pessoas, também forneceremos uma tradução deste seu artigo bem mais extenso e detalhado, o qual, se Deus quiser, deve sair ainda neste mês de novembro.


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Discurso de São Pio X aos padres da União Apostólica

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DISCURSO DE SUA SANTIDADE O PAPA SÃO PIO X
AOS PADRES DA UNIÃO APOSTÓLICA
POR OCASIÃO DO QUINTO ANIVERSÁRIO
DA FUNDAÇÃO

Segunda-feira, 18 de novembro de 1912

Agradeço-vos, diletos irmãos, pelo delicado pensamento que vos conduziu ao Vaticano para celebrar aqui, com o antigo confrade, o cinquentenário da fundação da União Apostólica. Agradeço-vos de todo o coração e rezo ao Senhor para que Ele vos recompense por esse ato de requintada caridade. Também vos parabenizo por serdes filiados a esta União, porque com tal ato vos comprometestes a cumprir fielmente todas as obrigações sacerdotais: obrigações que me esforcei por resumir no Exhortatio ad clerum, publicado por ocasião do meu Jubileu sacerdotal, e com cujo cumprimento poderemos permanecer fieis à vocação para a qual o Senhor nos chamou: vocavit vocatione sua sancta: ou seja, seremos capazes de alcançar a santidade necessária ao sacerdócio para o qual fomos chamados. Se, falando dos simples cristãos, São Pedro os chamou gens sancta, genero electum, regal sacerdotium, quanto mais isso deve ser dito de nós, representantes de Deus na Terra e de seus ministros, quos elegit Deus in Christo ante mundi constitutionem, ut essemus sancti et imrnaculati in caritate, quos non dixit servos sed amicos, pro Christo legatione fungentes, ministros Christi et dispensatores mysteriorum Dei?

Portanto, para alcançar essa santidade, exorto-vos a permanecer sempre fieis à observância das regras de vossa União, tomando o cuidado de não dispensar em nenhum dia e por qualquer motivo as obrigações que vos são impostas, isto é, da meditação, da leitura espiritual, do exame, da visita ao Ss. Sacramento, porque, observando essas ordens, vos conservareis bem e vos tornareis santos.

Distraídos por tantas outras ocupações, é fácil esquecer as coisas que levam à perfeição da vida sacerdotal; é fácil se iludir e acreditar que, ao lidar com a saúde das almas dos outros, a pessoa também trabalha na própria santificação. Mas não vos engane essa lisonja, pois nemo dat quod non habet; e, para santificar os outros, não devemos negligenciar nenhum dos meios propostos para nos santificar.

Vós dissestes muito bem que a característica dos padres da União Apostólica e sua divisa particular deve ser, e é de fato, o amor ao Papa, e isso também contribuirá admiravelmente à vossa santificação. Para amá-lo, basta refletir quem é o Papa:

O papa é o guardião do dogma e da moral; ele é o depositário dos princípios que faz honesta a família, grandes as nações, santas as almas; é o conselheiro de príncipes e povos; é o chefe sob a qual ninguém se sente tiranizado, porque ele representa o próprio Deus; é o pai por excelência que, por si só, reúne tudo o que pode haver de amoroso, terno e divino.

Parece incrível, e é também doloroso, que haja padres a quem essa recomendação deva ser feita, mas infelizmente estamos hoje nessa condição dura e infeliz de ter que dizer aos padres: amai o Papa!

E como se deve amá-lo? Non verbo neque lingua, sed opere et veritate. Quando alguém ama uma pessoa, tenta se conformar a seus pensamentos em tudo, executar suas vontades, interpretar seus desejos. E se nosso Senhor Jesus Cristo disse de si mesmo “si quis diligit me, sermonem meum servabit”, da mesma forma, para mostrar nosso amor ao Papa, é necessário obedecer-lhe.

Portanto, quando se ama o papa, não se discute sobre o que Ele dispõe ou exige, ou até onde deve chegar a obediência e em que coisas se deve obedecer; quando se ama o papa, não se diz que ele não tenha falado com clareza suficiente, como se fosse obrigado a repetir ao ouvido de cada um aquela vontade claramente expressa com tanta frequência não apenas por voz, mas por cartas e outros documentos públicos; não se põe em dúvida suas ordens, aduzindo ao fácil pretexto de quem não quer obedecer – que não é o papa quem comanda, mas aqueles que o rodeiam – ; o campo em que ele pode e deve exercer sua autoridade não é limitado; à sua autoridade não se antepõe a de outras pessoas que dele discordem, por mais instruídas que sejam, pois, se são instruídas, não são santas, uma vez que quem é santo não pode discordar do papa.

Este é o desabafo de um coração dolorido que faço com profunda amargura, não por vós amados irmãos, mas convosco para lamentar a conduta de tantos padres que não apenas se permitem discutir e rever os desejos do Papa, mas que não têm vergonha de chegar às descaradas e atrevidas desobediências, com tanto escândalo dos bons e com tanta ruína das almas.

Esta queixa não é provocada (repito) por vós, amados irmãos, que, observando as regras da União, professam solenemente seu respeito, sua afeição, sua piedade em relação ao Papa. Que Deus vos mantenha nessas santas intenções e vos console com sua bênção; esta bênção que eu invoco sobre vós, vossos irmãos, vossas famílias, todos os vossos entes queridos e aqueles que tendes em mente, para que a todos possa ser portadora de toda consolação.


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A profissão de heresia modernista do Papa Pachamama

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A PROFISSÃO DE HERESIA MODERNISTA DO PAPA PACHAMAMA

Pelo Reverendo Padre Anthony Cekada
(Quidlibet, 3 de novembro de 2019)

Bergoglio recebe uma oferenda a Pachamama.

“Todos os deuses dos pagãos são demônios”, diz o Salmo 95 – mas isso não impediu Jorge Mario Bergoglio de patrocinar a adoração de ídolos pagãos à deusa da terra da Amazônia, a Pachamama, nos jardins do Vaticano em 4 de outubro. Nem o deteve duas semana depois, durante a Procissão do Ofertório de uma Missa, de receber com alegria a tradicional oferenda de flores com fita vermelha à Pachamama – e instruir seu Mestre de Cerimônias a colocá-la no Altar Superior de São Pedro, que fica diretamente sobre o túmulo do próprio São Pedro.

Heresia e apostasia, ensinam os canonistas e os teólogos moralistas, podem ser cometidas dictis vel factis – não apenas por palavras, mas também por atos. E se os últimos feitos de Bergoglio não são prova de que ele repudiou totalmente a religião revelada por Deus, as próprias palavras heresia e apostasia – e, de fato, todo o Primeiro Mandamento – perderam completamente o seu sentido.

Como se tornou possível justificar essas ações – que os mártires se recusaram a executar sob ameaça de tortura e de morte certa – e tudo no mesmo local em que o próprio São Pedro morreu?

A resposta, é claro, é o Vaticano II, que ensinou que as religiões pagãs são “meios de salvação” usados ​​pelo Espírito Santo. E essa heresia, por sua vez, é o produto de outra: a meta-heresia modernista da evolução do dogma.

VaticanNews: O desenvolvimento da doutrina é um povo que caminha unido.

Portanto, era perfeitamente apropriado que, dois dias depois de Bergoglio colocar a oferenda de Pachamama sobre os ossos de São Pedro, a Assessoria de Imprensa do Vaticano publicasse uma profissão clara e aberta dessa heresia em um artigo intitulado O desenvolvimento da doutrina é um povo que caminha unido“.

Sua fonte (o serviço de notícias oficial do Vaticano), o momento de seu lançamento (após o polêmico Sínodo da Amazônia) e o tópico que ele trata (uma justificativa geral para mudanças radicais na doutrina e na disciplina da Igreja) devem sinalizar a importância do artigo. Ele estabelece a ampla base teorética para as mudanças que Francis pretende introduzir em sua exortação pós-sinodal, que em breve aparecerá e que implementará as resoluções de seu sínodo fraudulento.

Seu conteúdo é um sino que não pode não ser tocado, é uma bomba nuclear que não pode não ser detonada. De uma vez para sempre, ela faz parte do registro público permanente. Embora o artigo não leve o nome de Francisco na parte inferior (para permitir que os neoconservadores argumentem que a culpa está em outro lugar), ele tem por toda parte as impressões digitais dele e de seus comparsas teológicos modernistas. Este é o seu trabalho, sua doutrina – e, de fato, está publicado no site do Vaticano sob o título de “Papa Francisco” e “Magistério Papal”.

“Um povo que caminha unido” apresenta nada menos que o argumento modernista clássico para a evolução do dogma – a heresia que sustenta que as verdades reveladas não são imutáveis, mas são condicionadas e sujeitas à mudanças à luz da “experiência” evolutiva dos homens em várias idades. Essa heresia está em toda parte no Novus Ordo.

Evolução do dogma: uma verdadeira heresia?

Por que, alguém poderia perguntar, tal noção seria herética, se ela não nega ou põe em dúvida explicitamente dogmas individuais como a divindade de Cristo, o nascimento virginal ou a transubstanciação, não é?

A resposta é: sim, sim, ela nega. A evolução do dogma nega ou põe em dúvida toda verdade religiosa, porque torna impossível a própria ideia de uma verdade religiosa. Ela passa cada dogma pelo moedor filosófico do relativismo, subjetivismo, psicologia, experiência pessoal e “historicismo”, e o transforma em mingau. A verdade que ele expressou (somos levados a entender) foi “superada”, contornada, ignorada na prática ou esvaziada de seu significado essencial. “Esse tempo já passou”, é o refrão comum.

A evolução do dogma, então, não é meramente uma heresia. É, como disse São Pio X, o esgoto de todas as heresias e, na prática, apostasia, porque nega implicitamente a possibilidade de verdade objetiva em qualquer dogma.

Os modernistas camuflam sua heresia, aqui e em outros lugares, com a frase “desenvolvimento da doutrina”, que eles tiraram de John Henry Newman, um converso e apologista católico do século XIX. Mas Newman quis dizer uma coisa – a Igreja ao longo dos séculos adquire uma compreensão mais profunda de uma verdade teológica fundamental – enquanto o modernista significa completamente outra – a “experiência” pode alterar o sentido original ou a essência dessa verdade, mesmo de maneira a contradizer seu significado original e essencial.

Aqueles de nós que sobreviveram aos seminários modernistas na década de 1960 e depois viram essa heresia em ação, sabem exatamente como ela funciona. Depois do Vaticano II, seus adeptos lançaram seu veneno exatamente da mesma forma que durante os tempos do arqui-inimigo da heresia, São Pio X: por meio de confusão, obscuridade, contradição, submissão da boca para fora às doutrinas tradicionais, pretensões de “retorno às fontes” e uma variedade de bandeiras falsas, todas combinadas para minar a certeza doutrinal.

Papa Francisco: Na sua cara

Desde o momento em que Bergoglio saiu para a sacada de São Pedro na noite de sua eleição, ficou óbvio para nós, sobreviventes grisalhos e carecas dos anos 60, que, enquanto Wojtyla e Ratzinger camuflavam sua adesão ao modernismo sob os véus de piedade mariana ou de ritualismo, Bergoglio iria lançá-lo na cara de todo mundo. Dito e feito.

Assim, em todo ciclo de notícias, por meio de coletivas de imprensa, audiências de quarta-feira, sermões, comentários inusitados, telefonemas, encíclicas, gestos públicos, fotos, entrevistas com Scalfari, omissões calculadas e inúmeros outros meios, Bergoglio lança dúvidas, de novo e de novo, sobre dogmas católicos e princípios morais objetivos. O processo contínuo veio todo de uma vez. Seu método, e o de seus homólogos teológicos, não era negar diretamente artigos da fé divina e católica (por exemplo, negar abertamente que um casamento sacramental era indissolúvel), mas antes lançar dúvidas sobre eles (por exemplo, instituindo e aprovando um processo de “discernimento” pós-divórcio faz com que o vínculo sacramental – puf! – desapareça.)

Muitos conservadores e tradicionalistas da instituição Novus Ordo, embora profundamente perturbados pelos pronunciamentos de Bergoglio, hesitaram (e ainda o fazem) em caracterizar suas palavras como heresia ou em chamar o próprio Bergoglio de herege. Que artigo da fé divina e católica o Papa Francisco nega diretamente? Reza a objeção.

Mas a heresia também consiste em lançar dúvidas sobre um dogma – seja através de palavras ou ações, como já observamos – e esse é exatamente o método que os hereges modernistas como Bergoglio usam para fazer o seu trabalho sujo.

O mais recente “Modernismo para Iniciantes”

Passemos agora ao recente documento do Vaticano para entender como Bergoglio pretende aplicar essa heresia à implementação do Sínodo de Pachamama.

Em vez da prosa complicada e propositadamente obscura dos teólogos da era dos anos 60, o “Um povo que caminha unido” de Bergoglio é absolutamente claro e aberto ao professar a heresia da evolução do dogma e ao nos dizer exatamente como aplicá-la – como se as obras de Alfred Loisy, George Tyrell e Hans Küng, tivessem sido reescritas pelos editores do USA Today . Ele oferece uma apologia modernista para crianças, que até mesmo o bispo diocesano mais limitado e grosseiro seria capaz de entender e adotar como seus pontos de discussão para promover a agenda bergogliana.

A analogia subjacente ao artigo é o clichê modernista favorito dos anos 60 de Bergoglio: “jornada”. Você sabe como isso funciona. Somos pessoas em uma jornada, em movimento. Estamos de mãos dadas a caminho, indo de um destino para o outro. Onde estamos hoje é diferente de onde estávamos ontem e diferente de onde estaremos amanhã . Não podemos simplesmente permanecer em um só lugar. Não podemos realmente saber para onde a jornada nos levará, mas é assim que o Espírito Santo (ou “o Deus das Surpresas”) funciona. Portanto:

Dois mil anos de história nos ensina que o desenvolvimento da doutrina da Igreja é um povo que caminha unido. Caminhando ao longo dos séculos, a Igreja vê e apreende coisas novas, crescendo sempre na inteligência da fé. Às vezes neste caminho, há alguns que se detêm, outros que vão rápido demais, e outros ainda que tomam outra estrada.

Porque “o desenvolvimento da doutrina na Igreja” é um povo , de todas as coisas? Um “povo” não é uma coleção de seres humanos individuais? E o “desenvolvimento” não é um processo ? Como você pode afirmar que uma coleção de seres humanos individuais é um processo?

Bem, antes de tudo, se você é modernista, você evita definir as essências das coisas – isso seria tão preciso e tão da “Igreja velha”! – e o substitui por analogias estúpidas ou jargões mistificadores após o verbo “é”. Assim, em resposta à pergunta “O que é a Igreja?”, Você pode obter algo como “Igreja [nenhum artigo definido, por favor! ] é o Sacramento vivo do pneuma, a liberdade de nossas liberdades”. Entendeu? Oooh, profundo!

Mas, mais ao ponto aqui, um povo pode “ser” um processo porque, no sistema modernista, a religião não vem de cima (= verdades eternas reveladas por Deus), mas de baixo (= ele se une a experiências interiores comuns aos viajantes).

Magistério Congelado! Brr!

O próximo passo é um golpe nos dois olhos ao modo dos Três Patetas simultaneamente nos fãs do neo-con-Ratzinger e dos tradicionalistas da FSSPX, da variedade “reconhecer e resistir” (R&R):

Bento XVI: não congelar o magistério

Sobre este aspecto são significativas as palavras de Bento XVI na Carta escrita em 2009 sobre o caso da remissão da excomunhão aos 4 bispos consagrados pelo arcebispo Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X:

“Não se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade. Mas, a alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja. Quem quiser ser obediente ao Concílio, deve aceitar a fé professada no decurso dos séculos e não pode cortar as raízes de que vive a árvore”.

Então, pare um minuto e admire o que o rabino amigo número um de Bergoglio, Abraham Skorka, chamaria de chutzpah aqui. O “Rottweiler da Ortodoxia” favorito dos conservadores, Ratzinger-Bento, é citado contra eles, tanto melhor para orientá-los na jornada evolutiva dos modernistas, ao mesmo tempo em que colocam os possíveis retardatários na mesma categoria dos Lefebvrists excomungados. Zeyer klug. Muito esperto…

Em seguida, vem um segundo tiro no “Magistério congelado”.

Colocar junto coisas novas e antigas

É preciso considerar estes dois elementos: não congelar o magistério a uma determinada época e ao mesmo tempo permanecer fiéis à Tradição. Como diz Jesus no Evangelho: “Todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13,52). Não se apegar apenas às coisas antigas, nem mesmo acolher apenas coisas novas separando-as das antigas.

“Congelar o Magistério a uma determinada época.” Essa frase descarta em sete breves palavras a noção de que verdades dogmáticas, o próprio fundamento de nossa fé como católicos, devem ser consideradas imutáveis, porque Deus as revelou e Sua infalível Igreja as ensinou. “Não se apegar apenas às coisas antigas.”

E qual é a alternativa desejável a um Magistério congelado ? Um Magistério derretido? Um Magistério fresco e de origem local?  Pela aparência deste documento, é provável que seja um Magistério ao ar livre que o agricultor Frank e suas mãos contratadas guardaram com fertilizantes frescos por décadas.

Espírito bom. Letra má.

Então temos o velho encantamento modernista-progressista, quase xamânico “espírito versus letra”. Espírito bom! Letra – uh! -um monte de baboseira!

Não se ater à letra, mas se deixar guiar pelo Espírito

O importante é entender quando há um desenvolvimento da doutrina fiel à Tradição. A história da Igreja ensina que não precisa seguir a letra, mas o Espírito. De fato, se prendermos como ponto de referência a não contraditoriedade literal entre textos e documentos, paramos no caminho. Como está escrito no Catecismo da Igreja Católica:

“A fé cristã não é uma ‘religião do Livro’. O Cristianismo é a religião da ‘Palavra’ de Deus, ‘não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’. Para que não sejam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna do Deus vivo, pelo Espírito Santo, nos abra o espírito à inteligência das Escrituras”. (CIC 108 ).

Esses três parágrafos aplicam indevidamente o que é um princípio moral prudencial (não se deve simplesmente agir de acordo com a letra da lei em sua conduta, mas também de acordo com seu espírito, se possível) a formulações doutrinais, implicando que nem sempre esta última deve ser entendida na mesmo sentido e com o mesmo significado (em eodem sensu atque eadem sententia). Este princípio é uma característica integrante da teoria modernista padrão sobre dogmas. São Pio condenou-a na Pascendi e no juramento antimodernista, exigindo que os padres a repudiassem.

Hippity-Hoppity com Pachama Pappity!

Então nossa jornada se torna um pouco mais atlética com…

O grande salto adiante no primeiro Concílio de Jerusalém

Sem este olhar espiritual e eclesial, todo desenvolvimento será visto como demolição da doutrina e como construção de uma nova Igreja. Por isso devemos ter uma grande admiração pelos primeiros cristãos que no Concílio de Jerusalém do primeiro século aboliram, mesmo sendo judeus, a tradição milenária da circuncisão. Para alguns deve ter sido um verdadeiro trauma cumprir esta mudança. A fidelidade não é o apego a uma só regra, mas caminhar juntos como povo de Deus.

Outra analogia falsa. A circuncisão era uma lei ritual que a nova aliança que Nosso Senhor estabeleceu anulou, não uma verdade revelada imutável da qual Deus espera nosso consentimento e que de sua natureza não pode ser abolida – mesmo por pessoas que estão “caminhando juntas” em uma jornada (ou, neste caso, pulando).

E um “grande salto adiante”? Os estudantes da história do século XX reconhecerão que o autor empregou inconscientemente o título que o ditador comunista chinês Mao Tse-tung deu ao seu programa social de “reforma” de 1958-1962. Isso acabou matando 18 a 56 milhões de pessoas – o que, se você está falando sobre os efeitos espirituais do Vaticano II, não é uma comparação totalmente distorcida.

A verdade evolui em erro

O próximo argumento para a evolução do dogma começa com a pergunta: “Crianças não batizadas vão ao paraíso ou não?”

Talvez o exemplo mais impressionante se refira à salvação de crianças não batizadas. Aqui estamos falando sobre o que é mais importante para os crentes: a salvação eterna. No Catecismo Romano (“Tridentino”), promulgado pelo Papa São Pio V, de acordo com um decreto do Concílio de Trento, lemos que não é deixada às crianças nenhuma outra possibilidade de obter a salvação, se o batismo não lhes for conferido. E muitas pessoas se lembram do que foi dito no Catecismo de São Pio X: “Para onde vão as crianças que morrem sem o batismo? As crianças que morrem sem o batismo vão para o Limbo, onde não há recompensa sobrenatural nem pena; porque, tendo pecado original e somente ele, elas não merecem o céu; mas também não merecem o inferno ou o purgatório ”.

Nota: o artigo recapitula corretamente o ensino dogmático: as crianças não têm outra possibilidade de obter a salvação (= céu), a menos que sejam batizadas. Mas como o sistema modernista se baseia na evolução do dogma, houve um…

Desenvolvimento doutrinal de São Pio X a São João Paulo II

O Catecismo tridentino é de 1566, o Catecismo de São Pio X é de 1912. O Catecismo da Igreja Católica aprovado em 1992, elaborado sob a guia do cardeal Joseph Ratzinger durante o pontificado de São João Paulo II, diz: “Quanto às crianças mortas sem Batismo, a Igreja pode somente confiar-lhes à misericórdia de Deus (…) De fato, a grande misericórdia de Deus, ‘que quer que todos os homens sejam salvos’ (1Tm 2,4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que disse: ‘Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus’ (Mc 10, 14), permitem-nos acreditar que existe um caminho de salvação para as crianças mortas sem Batismo”. Portanto a solução já estava no Evangelho, mas não a vimos por muitos séculos. (CCC 1261 ).

O argumento aqui, mais uma vez, é que um dogma pode “evoluir” para ter um novo significado, que é diametralmente a seu sentido original. Assim, podemos evoluir da proposição: “Na falta de batismo, uma criança não batizada não pode ir para o céu”, para “Bem, podemos esperar que esse dogma seja falso, porque agora percebemos que a Igreja não entendeu o Evangelho”. E outra coisa real: não apenas leva a uma evolução do dogma, mas também a um magistério que ensina o oposto a uma verdade revelada .

Quem precisa disso , como sempre digo, quando você pode obter a mesma coisa na Igreja Episcopal, mas com boa música e sem confissão?

Então, tragam as diaconisas!

A evolução do não-sim em crianças não batizadas é, então, o ambiente perfeito para o nosso guia turístico sugerir uma parada futura muito antecipada em nossas alegres peregrinações e outro salto não-sim:

A questão da mulher na história da Igreja

A Igreja fez muitos progressos na questão feminina. A maior consciência dos direitos e da dignidade foi saudada por São João XXIII como um sinal dos tempos. Na primeira Carta a Timóteo, São Paulo escrevia: “A mulher fique escutando em silêncio, com toda a submissão. Não permito que a mulher ensine, nem que mande no homem. Ela fique em silêncio”. Somente nos anos 70 do século XX, durante o Pontificado de São Paulo VI, as mulheres começaram a ensinar nas universidades pontifícias aos futuros padres. Aqui também, tínhamos nos esquecido que foi uma mulher, Maria Madalena, a primeira pessoa a anunciar aos apóstolos a Ressurreição de Jesus.

Hmm. Aqui, pretendemos concluir que, se a “conscientização crescente” e os “sinais dos tempos” sobre a questão das mulheres permitiram que elas ensinassem nas universidades pontifícias – com a aprovação total de um papa-santo e em aparente contradição com a Sagrada Escritura, nada menos! – que outras funções de “ensino” podem agora estar abertas para elas? Que função de ensino da pregação do Evangelho, que é confiada aos diáconos em virtude da recepção das Ordens Sagradas?

Depois de consagrar com firmeza e clareza o princípio evolutivo dos modernistas, ver Doris usando uma daumática não é uma proposta tão assustadora. É apenas mais uma parada na jornada em andamento!

E um erro evolui para uma verdade

Depois, vem outro exemplo de evolução doutrinal, em que os “sinais dos tempos” transformam um ensinamento que no passado condenou como erro pernicioso em um direito humano fundamental que o Vaticano II e seus papas proclamaram como verdade religiosa: A liberdade religiosa.

A verdade vos tornará livres

Último exemplo. O reconhecimento da liberdade religiosa e de consciência, além de política e de expressão, no magistério da Igreja pós-conciliar. Uma verdadeira mudança dos documentos dos Papas do século XIX, como Gregório XVI, que na Encíclica Mirari Vos definia estes princípios como erros muito venenosos. Confrontando os textos, de um ponto de vista literal, há grande contradição, não há um desenvolvimento linear. Mas se lermos melhor o Evangelho, nos recordamos das palavras de Jesus: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres”.

O exposto é outro golpe modernista nos dois olhos: por um lado, essa linguagem é um tapa nos conservadores que, empregando uma forçada “hermenêutica da continuidade” ratzingeriana, tentaram desesperadamente conciliar as consistentes condenações papais pré-Vaticano II da liberdade religiosa com a aprovação explícita do Vaticano II. Por outro, é um grande golpe na FSSPX, que com seu fundador, Arcebispo Lefebvre, denunciou o ensino do Vaticano II sobre liberdade religiosa como um erro venenoso, se não uma heresia real.

E quanto ao apelar às palavras de Nosso Senhor de que “a verdade vos libertará”, isso Ele promete apenas àqueles que “permanecem na minha palavra” – dificilmente possível para os gangsteres modernistas que minam essa mesma palavra, revirando a história de Sua vida. em contos de fadas míticos, negando a realidade de Seus milagres, apagando Suas severas condenações ao pecado e esvaziando o significado dos dogmas de Sua Igreja que expõe com autoridade essa palavra.

Oh, pobre bebê!

Então, qual é o curso de ação que os modernistas recomendam aos conservadores Novus Ordo, aos comerciantes da Summorum Pontificum e à ala FSSPX/R&R do movimento comercial? Por que amar o papa, é claro!

A dor dos Papas

Os santos sempre convidaram a amar os Papas, como condição para caminhar unidos à Igreja. São Pio X, falando aos sacerdotes da União Apostólica em 1912, afirmava com o “desabafo de um coração desconsolado”: “Parece incrível, e é mesmo desolador, que existam sacerdotes aos quais deve-se fazer esta recomendação, porém infelizmente, estamos passando por dias em que nos encontramos nesta triste condição de ter que dizer aos sacerdotes: amem o Papa!”.

João Paulo II, na Carta Ecclesia Dei de 1988, reconhecia “com grande aflição” a ilegítima ordenação episcopal conferida pelo bispo Lefebvre, recordando que é “contraditória uma noção de Tradição que se opõe ao Magistério universal da Igreja, do qual é detentor o Bispo de Roma e o Colégio dos Bispos. Não se pode permanecer fiel à Tradição rompendo o vínculo eclesial com aquele a quem o próprio Cristo, na pessoa do Apóstolo Pedro, confiou o ministério da unidade na sua Igreja”.

Bento XVI, na Carta de 2009 sobre o caso lefebvriano, também exprimia muita dor: “Fiquei triste com o fato de inclusive católicos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste”. Quem é católico não só deve respeitar o Papa, mas amá-lo como Vigário de Cristo.

Afixadas no final de uma declaração aberta para a heresia modernista da evolução do dogma – que derruba os ensinamentos de todos os papas antes do Vaticano II – essas citações são no mínimo o arremate de uma piada de fazer rolar no chão e morrer de rir. Ele põe o dedo na ferida não só dos conservadores que denunciaram a esquerda por ignorar os ensinamentos de JP2 e B16, mas também da FSSPX, cuja submissão da boca para fora à suposta autoridade papal sem submissão real a ela, coisa que nós sedevacantistas denunciamos há anos citando frequentemente a mesma carta de São Pio X de 1912 à União Apostólica.

Ame o papa de fato!

Seu guia turístico reflete

E, finalmente, para encerrar as coisas com um grande laço vermelho de Pachamama, o artigo conclui com um apelo à unidade na jornada:

Apelo à unidade: caminhar juntos na direção de Jesus

Portanto, a fidelidade a Jesus não é se fixar a um texto escrito em uma determinada época nestes 2000 anos de história, mas é fidelidade ao seu povo, o povo de Deus que caminha unido na direção de Jesus, unido com o seu Vigário e os sucessores dos Apóstolos. Como disse o Papa no Angelus de 27 de outubro, na conclusão do Sínodo para a Amazônia:

“O que foi o Sínodo? Foi, como diz a palavra, um caminhar juntos, confortados pela coragem e pelas consolações que vêm do Senhor. Caminhamos fitando-nos nos olhos e ouvindo-nos com sinceridade, sem esconder as dificuldades, experimentando a beleza de ir adiante juntos, para servir”.

Mas, a essa altura, deve ficar claro que a jornada que os católicos devem seguir não será uma passeio de lazer. Em vez disso, será um passeio com o guia turístico Jorge Mario Bergoglio em seu ônibus em alta velocidade, sob o qual ele habilmente jogará fora um pedaço da fé divina e católica após a outra.

Tudo o que é sólido derrete no ar …

A promoção pública da idolatria por Bergoglio, seguida por uma profissão aberta da heresia modernista, que faz tudo possível com a evolução do dogma, deve levar não apenas os tradicionalistas R&R (como FSSPX, a multidão do Remnant / Catholic Family News), mas também conservadores e tradicionalistas oficialmente afiliados à instituição Novus Ordo a dizer “Basta” e denunciar Bergoglio como herege e não papa.

Deve, mas não vai.

  • A Fraternidade Sacerdotal São Pio X vai denunciar Bergoglio apenas porque “as pessoas que caminham juntas” os insultaram, mas mesmo assim, eles não farão mais do que apresentar o usual argumento do “pai mau”. Se Bergoglio tivesse dado à FSSPX permissão para conferir outro sacramento, não ouviríamos um pio, exceto “Santo Padre isso” e “Papa Francisco aquilo” e “Por favor, contribua para o Fundo de Basílica da Glória de US $ 31 milhões em Cornfield, porque agora temos outra aprovação de ‘Roma’.”
  • O editor remanescente Michael Matt produzirá outro vídeo choroso e livre de teologia e, com a CFN , organizará sua quinquagésima petição sem sentido.
  • O OnePeterFive nos dirá que podemos ignorar Bergoglio, porque o magistério papal ordinário não é obrigatório de qualquer forma e acreditar no contrário é cair nos ensinamentos errôneos dos teólogos dogmáticos papistas pré-Vaticano II, que eram “papólatras” e “ultramontanos”.
  • LifeSite e Edward Pentin vão para outra coisa.
  • Bp. Athanasius Schneider solicitará a Bergoglio em privado um “esclarecimento”, que ele circulará com entusiasmo na imprensa.
  • A Indústria de Fátima dirá que Bergoglio, não importa o que ele faça, continua sendo papa, porque você precisa de um deles para consagrar a Rússia no Imaculado Coração, e Pio XII não fez isso corretamente.
  • Fulaninho de tal de barba nos vai dar dez coisas para conhecer e compartilhar.
  • O padre Z vai dizer a nós todos: “Vão para a confissão”.
  • E a ala ritualista do Novus Ordo da High Church vai ignorar todo o episódio e voltará sua atenção para assuntos mais importantes, como a reencenação do ritual norbertino do século 14 para a bênção de rosquinhas na Catedral de São Bavo de Ghent. Agora, de que cor esses amitos devem ser…

Em outras palavras, para a maioria “à direita”, será um retorno aos negócios como de costume – reciclando mitos obscenos, teologia ruim e evasões infinitas, para que possam ignorar os ensinamentos reais do homem que eles insistem que seja o vigário de Jesus Cristo sobre a Terra.

Para a maioria, mas não para todos – porque nem todos os que estão desapontados com Bergoglio foram nascidos e criados nos mitos predominantes.

Como escrevo e faço vídeos sobre sedevacantismo há mais de duas décadas, agora ouço pessoas de todo o mundo – de duas a três por semana há vários anos – que concluíram que o sedevacantismo é a única explicação teologicamente coerente para o Vaticano II, suas reformas desastrosas e as palavras e ações escandalosas e destruidoras de fé dos “papas” que as promoveram. Essas pessoas, a maioria delas jovens (e muitas delas convertidas ou revertidas), estudaram seu caminho para a fé católica ou de volta à mesma. Eles percebem rápido que o que vêem e ouvem nas igrejas de Novus Ordo não é o catolicismo, e também concluem que quando você diz que a religião do Novus Ordo é falsa, você tem uma de duas opções:

  1. A Igreja Católica desertou da fé (que a própria fé nos diz que é impossível).
  2. Os homens que se apresentaram como papas desertaram da fé, mesmo antes de suas supostas eleições e, portanto, não possuíam autoridade de Cristo (o que a teologia católica e o direito canônico nos diz que é possível)..

Em outras palavras, suas palavras heréticas e atos manifestamente maus provam que os “papas” do Vaticano II nunca foram verdadeiros papas, de modo que, longe de perderem o papado por heresia, desde o início esses homens realmente “não tinham nada a perder.  Fatie isso de outra maneira, e tudo o que resta sobre a mesa é uma igreja defeituosa e igualmente falsa.

Finalmente, enquanto as loucuras e as blasfêmias de Bergoglio forçaram muitos católicos “à direita” a se concentrarem em erros e questões que eles nunca sequer tinham pensado há seis anos atrás, eles não deveriam cometer o erro de pensar “É apenas um problema com Bergoglio.”

Pelo contrário, esse é um problema com o Vaticano II. Certamente, alojar a Pachamama em Santa Maria na Transpontina foi um verdadeiro horror. Mas é uma ninharia passageira ao lado de alojar como princípio permanente no “magistério papal” a heresia da evolução do dogma. E esse ídolo, diante do qual todo o dogma se derrete no ar, não pode desaparecer apenas jogando-o no Tibre. O Vaticano II, o Conciliábulo, tem de ser tirado do caminho primeiro – e desta vez, há que esmagá-lo.


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Efeitos da devoção às almas do Purgatório na vida espiritual

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“Desenvolvemos assim um hábito mental que é fatal ao espírito do mundo e à tirania do respeito humano, e que muito nos ajuda a neutralizar o veneno do amor próprio… este é exatamente o espírito do Evangelho, a verdadeira atmosfera da santidade.”

Uma excelência adicional dessa devoção deve ser encontrada em seus efeitos sobre a vida espiritual. Ela parece ser uma devoção especialmente dirigida a almas interiores. Mas o fato é que ela é tão repleta de doutrina, incorpora tanta coisa sobrenatural, que não nos surpreende a influência que exerce na vida espiritual.

Em primeiro lugar, ela é uma obra oculta, do princípio ao fim. Não vemos os resultados, de modo que há pouco alimento para a vanglória; não é uma devoção cujo exercício apareça aos olhos dos outros. Ela implica, ademais, um absoluto desprezo do egoísmo, pois desfazemo-nos de nossas próprias satisfações e indulgências nos mantendo ternamente interessados por um objeto que não nos concerne diretamente. Seu objetivo não é apenas a glória de Deus, mas Sua maior glória.

Ela nos leva a pensar puramente nas almas, o que é muito difícil de fazer neste mundo material, e pensar nelas, também, simplesmente como esposas de Jesus. Desenvolvemos assim um hábito mental que é fatal ao espírito do mundo e à tirania do respeito humano, e que muito nos ajuda a neutralizar o veneno do amor próprio. O pensamento incessante nas Santas Almas faz-nos reter a imagem do sofrimento, não um sofrimento passivo, mas uma gozosa conformidade com a Vontade de Deus. Ora, este é exatamente o espírito do Evangelho, a verdadeira atmosfera da santidade.

FABER, Padre Frederick William. O Purgatório. Campinas: Ecclesiae, 2013, pp. 86-87.


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Missas no Mês das Almas

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Aqueles que neste Mês das Almas desejam ter a Santa Missa Tridentina oferecida na intenção de um ente querido, podem encomendá-la ao Reverendo Padre Rodrigo da Silva, reitor do Seminário São José de Atibaia e fiel colaborador do Controvérsia Católica.

É costume antiquíssimo e prática regulamentada pela lei da Igreja, o pagamento de um estipêndio ao sacerdote que oferece o Santo Sacrifício da Missa, porque o ministro do Altar deve viver do Altar (cf. 1Tm 5, 18; 1Cor 9, 8-14).

O pagamento do estipêndio no valor de R$ 50 reais, juntamente com o nome do ente querido (que deve ser especificado no campo “Adicionar uma observação”), pode ser feito via Paypal pelo link: https://www.paypal.com/cgi-bin/webscr?cmd=_s-xclick&hosted_button_id=785MUXDDJ6F9U&source=url

Também é possível fazer uma transferência ou depósito bancário nas contas abaixo, lembre-se de mandar o comprovante para o e-mail controversiacatolica@gmail.com com o nome da alma por quem se deseja oferecer a Missa. Também se pode pedir que se reze Missa por uma graça especial a alcançar ou oferecer a Missa em honra de um santo de devoção.

Contas para o envio do estipêndio:

Banco do Brasil
Titular: Rodrigo Henrique Ribeiro da Silva
Ag 2350-7
Cc 43020-X

Caixa Econômica Federal
Agência 0046
013
Conta POUPANÇA 00026514-7
CPF: 059.864.014-25
Rodrigo Henrique Ribeiro da Silva


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Súplicas a Jesus em favor das almas

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Súplicas a Jesus em favor das almas

V. Dulcíssimo Jesus, pelo suor de sangue que derramastes no horto das Oliveiras,
R. Tende piedade das almas do purgatório.

V. Dulcíssimo Jesus, pelas dores da Vossa crudelíssima flagelação,
R. Tende piedade das almas do purgatório.

V. Dulcíssimo Jesus, pelas dores da Vossa coroação de espinhos,
R. Tende piedade das almas do purgatório.

V. Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes, levando a pesada Cruz ao Calvário.
R. Tende piedade das almas do purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores de Vossa dolorosíssima agonia,
R. Tende piedade das almas do purgatório.

V. Dulcíssimo Jesus, pelas imensas dores que sofrestes, expirando na Cruz,
R. Tende piedade das almas do purgatório.

V. Dulcíssimo Jesus, pelas últimas gotas de Sangue do vosso amantíssimo Coração, transpassado pela lança,
R. Tende piedade das almas do purgatório.

SURSUM CORDA: Manual de devoção da Donzella cristan no Collegio e no lar: compilado pelas irmans franciscanas. Winterberg: Casa Editora Catholica J. Steinbrener, 1927, pp. 352-353.


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Ato heroico de caridade em favor das almas

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Este ato consiste em uma oferta espontânea que fazemos à Divina Majestade, em favor das almas, de todas as nossas obras satisfatórias durante a vida, e dos sufrágios que nos podem ser aplicados depois da morte e que pomos nas mãos da Ss. Virgem, para que esta terna mãe os distribua à sua vontade às Almas do Purgatório que ela deseja libertar.

Oferta

Ó Santíssima e adorável Trindade, desejando eu ajudar a livrar as almas do Purgatório, cedo, em proveito delas, a parte satisfatória de todas as minhas obras e todos os sufrágios que me forem concedidos depois da minha morte. Entrego tudo nas mãos da Santíssima Virgem, para que ela o aplique, como bem lhe parecer, às almas dos fiéis defuntos que ela quer livrar das suas penas. Dignai-Vos, ó meu Deus, acolher e abençoar a oferta que neste momento Vos faço. Amém.

SURSUM CORDA: Manual de devoção da Donzella cristan no Collegio e no lar: compilado pelas irmans franciscanas. Winterberg: Casa Editora Catholica J. Steinbrener, 1927, pp. 347-348.


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Um cardeal excomungado pode ser eleito Papa?

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UM CARDEAL EXCOMUNGADO PODE SER ELEITO PAPA?

Pelo Reverendo Padre Anthony Cekada
Quidlibet, 25 jun. 2007

PERGUNTA: A Constituição do Papa Pio XII, que estabelece as regras para o Conclave Papal, diz o seguinte:

“34. Nenhum Cardeal, à pretexto ou em razão de qualquer excomunhão, suspensão, interdito ou outro qualquer impedimento eclesiástico, pode ser excluído de qualquer maneira da eleição ativa e passiva de Sumo Pontífice. Além disso, suspendemos tais censuras apenas para efeito da eleição papal, ainda que, para outros efeitos, sejam mantidas.” (Constituição Vacantis Apostolicae Sedis,, 8 de dezembro de 1945).

Tenho várias perguntas sobre isso:

1. Como a Igreja interpreta essa passagem?

2. São levantadas todas as excomunhões, impedimentos eclesiásticos e censuras para todos os participantes do conclave papal? Inclusive para o cardeal que tenha sido eleito Papa, porque é isso o que parece significar o termo “eleição passiva”?

3. Se é assim, a passagem quer dizer que um Cardeal excomungado pode ser eleito validamente Papa? Isso não derruba o princípio fundamental por trás de todo o argumento sedevacantista?

RESPOSTA: Por muitos anos vários autores tradicionalistas pertencentes à FSSPX, como o Padre Carl Pulvemacher, Michael Davies, Padre Dominque Boulet e os dominicanos de Avrillé, e até autores conservadores como o Padre Brian Harrison, tem citado essa passagem como uma resposta definitiva ao sedevacantismo. Se Pio XII explicitamente suspendeu qualquer excomunhão, impedimentos eclesiásticos e censuras de qualquer tipo a quem quer que seja eleito Papa, logo (segue seu argumento) um herege poderia ser eleito como um verdadeiro Papa.

Mas será que este é o princípio certo a ser tirado dessa passagem? Abordemos primeiro, pois, a questão mais ampla a da interpretação.

I. A INTERPRETAÇÃO DA LEI

De maneira geral, a “intepretação” no direito canônico provém de uma autoridade pública, como o Papa, a Cúria etc. (o que se denomina interpretação autêntica) ou de outra fonte reconhecida, como o ensino de canonistas (o que se chama interpretação doutrinal). (Para uma discussão completa, vide Abbo e Hannon, 1:17.)

Não fui capaz de encontrar um pronunciamento papal ou curial que interprete ou explique essa passagem. Ela aparece com essencialmente a mesma redação na legislação de eleições papais promulgada por Clemente V (1317), Pio IV (1562), Gregório XV (1621) e Pio X (1904). Por isso, o significado da norma deve ter sido considerado evidente, ao menos para pessoas de tipo curial.

Quando não existe uma interpretação por uma autoridade pública, e isso é frequente em direito canônico, deve-se consultar outras passagens do Código e o ensinamento dos canonistas, para se descobrir o que os termos significam. Depois de seguido esse procedimento, fica claro o significado dessa passagem na Constituição de Pio XII. Por essa razão, vamos agora empreender uma averiguação na terminologia.

(a) Censuras. A “excomunhão, suspensão ou interdito” que o Pontífice mencionou são censuras, castigos que a lei eclesiástica inflige a um malfeitor para que se arrependa. (Para uma descrição mais geral, consulte-se Bouscaren, Canon Law 815-6). Os cardeais estão eximidos de incorrer em censuras, exceto nos casos em que a lei especifique o contrário. (Cânon 2227.2)

Em um conclave papal, o cardeal eleitor ou o papa eleito que, não obstante, de alguma maneira tivesse sido excomungado, enfrentaria obstáculos quase insuperáveis. Os efeitos dessa censura impedem que um excomungado administre ou receba os sacramentos, exerça a sua jurisdição, vote, nomeie outrem para cargos e, de fato, seja eleito para qualquer cargo eclesiástico. (vide Bouscaren, 831-4). Isso não permitiria ao papa-eleito senão o saudar a multidão da sacada do seu palácio e circular de papamóvel. (não mencionado por Bouscaren).

As censuras são às vezes denominadas penas medicinais, porque o seu propósito é curar a teimosia do malfeitor. Isso as distinguia das penas punitivas, que expiam diretamente um crime, independentemente de o malfeitor se arrepender ou não. (Bouscaren, 846).

(b) Impedimentos Eclesiásticos. O termo “outro impedimento eclesiástico” mencionado na Constituição de Pio XII pertence a uma categoria mais genérica.

Um desses impedimentos é, por exemplo, a pena punitiva de infâmia: a perda da reputação devido a um crime horrível. Entre outras coisas, esta pena faz com que um criminoso não seja passível de eleição a cargos eclesiásticos, dignidades, etc. (Bouscaren, 849.)

Este impedimento, então, como a excomunhão, impediria um cardeal de votar em um conclave ou de ser eleito papa.

II. SUSPENSÃO DE CENSURAS E IMPEDIMENTOS

Tendo estabelecido o significado desses termos no parágrafo 34 da Constituição de Pio XII, pode-se ver com facilidade o que almeja alcançar a lei: evitar a discussão interminável sobre a validade das eleições papais.

Então fica fácil responder à segunda pergunta: “Ela levanta todas as excomunhões, impedimentos eclesiásticos e censuras para todos os participantes de um conclave papal”?

A resposta é sim.

O parágrafo 34 também compreende o caso de um cardeal excomungado que tenha sido eleito papa?

Novamente a resposta é sim, porque a Constituição se utilizou dos termos eleição ativa e passiva, o que significa respectivamente ser capaz de votar e ser capaz de ser eleito. Portanto, é correto dizer que a Constituição de Pio XII permite explicitamente que um cardeal excomungado seja eleito papa validamente.

III. UM ARGUMENTO CONTRA O SEDEVACANTISMO?

Eis então a pergunta final: Isso não derruba o princípio fundamental por trás da tese sedevantista?

Mas aqui a resposta é não.

A maioria dos que pertencem ao FSSPX, muitos sedevacantistas e até acadêmicos inteligentes como o Pe. Harrison presumem que a excomunhão é o ponto de partida para a tese sedevacantista, que eles acreditam ser algo como o isso:

  • O direito canônico impõe uma excomunhão automática a um herege.
  • A excomunhão impede que um clérigo vote para eleger alguém a um cargo, que ela própria seja eleita ou que permaneça em um cargo uma vez que se tenha tornado um herege público.
  • Paulo VI e seus sucessores incorreram nessa excomunhão por heresia pública.
  • Logo, eles não foram verdadeiros papas.

Elimine a possibilidade de excomunhão por conta do parágrafo 34 da Constituição de Pio XII (segue a argumentação anti-sedevacantista) e desaparece o argumento sedevacantista.

Mas eles não entenderam. A excomunhão é uma criação da lei eclesiástica, e ela não é o ponto de partida para a tese sedevacantista. Na verdade, esta não tem nada a ver com aquela.

Em vez disso, ponto de partida para o sedevacantismo é um princípio inteiramente outro: é que a lei divina impede que um herege se torne um verdadeiro papa (ou que permaneça como tal, se um papa adota a heresia durante o curso de seu pontificado). Esse princípio vem diretamente daquelas sessões de grandes comentários pré-Vaticano II ao Código de Direito Canônico que tratam da eleição ao ofício papal e das qualidades requeridas na pessoa eleita.

Eis aqui algumas citações:

Hereges e cismáticos estão excluídos do Supremo Pontificado pela própria lei divina…Eles certamente devem ser considerados como excluídos de ocupar o trono da Sé Apostólica, que é a mestra infalível da verdade e da fé e o centro da unidade eclesiástica.” (Maroto, Institutiones IC 2 784)

Apontamento para o Ofício do Primado. 1. O que se requer por lei divina para esse apontamento…Também se requer para a validade que o eleito seja membro da Igreja; portanto, hereges e apóstatas (ao menos os públicos) estão excluídos.” (Coronata, Institutiones, IC 1:312).

“Todos aqueles que não sejam impedimentos por lei divina ou por uma lei eclesiástica invalidante são validamente passíveis de eleição [ao papado]. Portanto, um homem que que goze do uso da razão suficiente para aceitar a eleição e exercer jurisdição, e que seja um verdadeiro membro da Igreja, pode ser validamente eleito, ainda que seja um leigo. São, porém, excluídos como incapazes de eleição válida todas as mulheres, crianças que ainda não tenham chegado à idade da razão, os afetados de insanidade habitual e hereges e cismáticos.” (Wernz-Vidal, Jus Can. 2:415)

Portanto, a heresia não é um mero “impedimento eclesiástico” ou censura do tipo que Pio XII enumerou e suspendeu no parágrafo 34 da Vacantis Apostolicae Sedis. Ao contrário, é um impedimento de lei divina que Pio XII não suspendeu – e de fato nem poderia ter suspendido, precisamente porque é uma lei divina.

IV. RESUMO: MAÇÃS E LARANJAS

O parágrafo 34 da Vacantis Apostolicae Sedis suspende os efeitos das censuras (excomunhão, suspensão, interdição) e outros impedimentos eclesiásticos (por exemplo, infâmia legal) para os cardeais que estão elegendo o papa e para o cardeal que venha a ser eleito. Portanto, um cardeal que tenha incorrido em uma excomunhão antes de sua eleição como papa seria, não obstante, eleito validamente.

Contudo, esta lei só concerne aos impedimentos da lei eclesiástica. Com tal, ela não pode ser invocada como argumento contra o sedevacantismo, que se baseia nos ensinamentos dos canonistas pr´-Vaticano II de que a heresia é um impedimento da lei divina ao recebimento do o papado.

Portanto, os polemistas anti-sedevacantistas devem deixar de reciclar argumentos baseados na passagem em questão. Ele não tem nada a ver com a posição a que eles se opõem.

BIBLIOGRAFIA
ABBO, J & J. Hannon. The Sacred Canons. St. Louis: Herder 1957. 2 vols.
BOUSCAREN, T. & A. Ellis. Canon Law: A Text and Commentary. Milwaukee: Bruce 1946.
Bullarum, Diplomatum et Privilegiorum Ss. Rom. Pont. Turin: Vecco 1847.
CLEMENT V. Constitutiones Clementinae. 1317. Cap. 2, Ne Romani ¶4, de elect. I, 3 in Clem.
CODE OF CANON LAW. 1917.
CORONATA, M. Institutiones Juris Canonici. 4th ed. Turin: Marietti 1950. 3 vols.
GREGORY XV. Bull Aeterni Patris, 15 November 1621. In Bullarum 12:619–27. ¶22
MAROTO, P. Institutiones Iuris Canonici. Rome: 1921. 4 vols.
PIUS IV. Bull In Eligendis, 9 October 1562. In Bullarum 7:230-6. ¶29
PIUS X. Constitution Vacante Sede Apostolica, 25 December 1904. ¶29.
PIUS XII. Constitution Vacantis Apostolicae Sedis, 8 December 1945. Acta Apostolicae Sedis 36 (1946). 65–99. ¶34.
WERNZ, F. & P. Vidal. Ius Canonicum. Rome: Gregorian 1934. 8 vols.


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A Missa de Caim

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A MISSA DE CAIM

Por Louis Demornex

A Missa Nova remonta ao sacrifício de Caim e não ao de Abel. De fato, encontra-se no ofertório da Missa Nova: “Bendito sejais, Senhor, Deus do Universo, pelo pão que recebemos de Vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano: que agora Vos apresentamos e para nós se vai tornar Pão da vida”. Quem é esse Deus do Universo? “Bendito sejais, Senhor, Deus do Universo” é uma expressão da cabala judaica. Não se diz: “Bendito sejais, Deus, Criador do Universo”, mas: “Bendito sejais, Deus do Universo”, que é Deus imanente ao universo, alma da matéria. Isso é tipicamente cabalístico.

Um livro escrito por um maçom luciferiano fornece a resposta: “O que, então, é o Senhor dos Céus, se não o Deus dos preguiçosos, dos ociosos e dos vagabundos que imaginam o espírito e estão saciados de matéria, que vivem de ideias e consomem a realidade? Não há espírito sem matéria, posto que se identificam entre si; caso contrário, o Senhor do Céu é o Deus do Nada, enquanto Satanás é o Deus do Universo! Deus do Universo, porque compreende espírito e matéria em um único ser, não podendo subsistir um sem o outro. Isso por si só deve ser para nós o Deus que governa ambos, e este é Satanás.” (Domenico Margiotta: Le palladisme: Culte de Satanás-Lúcifer in les triangles maçonniques, Grenoble 1895, p.44).

O Cardeal Montini, em 27 de março de 1960, em Turim, disse: “O homem moderno não chegará um dia, à medida que seus estudos científicos progridem e descobrem realidades escondidas atrás da face muda da matéria, a inclinar o ouvido à maravilhosa voz do espírito que nela palpita? [heresia panteísta, popularizada na década de 1950 por Teilhard de Chardin]. Não será essa a religião do amanhã? O próprio Einstein entreviu a espontaneidade de uma religião do universo. Ou não será, talvez, a minha religião hoje? Os trabalhos já não estão, desde já, engajados na trajetória direta que leva à religião?” (La Documentation Catholique. N ° 133, 19 de junho de 1960, p.764-765).

Montini nos permite, assim, vislumbrar que o panteísmo evolucionista era desde então sua religião pessoal. Não é de se admirar que essa “religião do universo” inspirará o Missal Montiniano: “Bendito sejais, Senhor, Deus do Universo”. A esse misterioso Deus do Universo o fruto da terra é oferecido como alimento.

Na Missa Verdadeira, o padre diz: “Recebei, Santo Pai, Deus Todo-Poderoso e Eterno, esta vítima imaculada”, isto é, o Cordeiro de Deus, o mais belo do rebanho, a ser oferecido. Para entender o profundo significado dessa diferença, voltemos à Sagrada Escritura: “Depois de muito tempo, Caim ofereceu o sacrifício dos frutos da terra a Deus; Abel então ofereceu o primogênito de seu rebanho, dos mais gordos. Deus olhou para Abel e seus dons, mas não olhou para Caim e seus dons. Caim ficou com muita raiva e seu rosto se desfez. Disse Caim a seu irmão Abel: “Vamos sair “. Logo que chegaram ao campo, Caim se levantou contra seu irmão Abel e o matou”. (Gen. IV, 5-6, 8).

Como não comparar esse evento histórico com a “igreja conciliar”, que se tornou a igreja de Caim, com seu rito (a “nova missa”) que quer matar a Igreja de Abel, com seu rito agradável a Deus (Santa Missa de sempre, dita “de São Pio V”)? Como podemos ver, esse desejo dos inimigos da Igreja de destruir o Santo Sacrifício já vem de muito tempo.

(L’Église éclipsée, Ed. Delacroix 1997, p. 236, nota 1).


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