Heresia Anti-Litúrgica e Missa Nova

Nesta conferência, proferida pelo Sr. Robert Liberato Braz, cerimoniário da Missão Nossa Senhora do Desterro, apresenta-se um texto de Dom Guéranger, atualíssimo por sinal, sobre as bases e princípios da heresia anti-litúrgica. Ao longo do discurso, o Sr. Robert traça paralelos impressionantes com a Missa Nova, mostrando que a heresia dos protestantes e jansenistas, denunciada pelo grande abade beneditino em 1840, é partilhada e encorajada pelos modernistas de nosso tempo, os quais marcam uma outra etapa na história desse erro pernicioso ao extremo.

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Nota de Falecimento

Caros fiéis,

Informamos a triste notícia do falecimento de Monsenhor Andrés Morello, conhecido bispo sedevacantista argentino, que faleceu ontem, dia 6 de março de 2022, no Mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe, situado na Patagônia Argentina. Nós o confiamos à caridade de vossas orações, para seu descanso eterno, assim como confiamos a sua comunidade, a Companhia de Jesus e Maria, que acha-se agora em grande luto. Também compartilhamos a mensagem que o Padre Alfredo enviou a respeito da partida de Monsenhor. Nós vos saudamos em Maria Santíssima.

“Queridos amigos: Monsenhor acaba de ser chamado à presença de Deus. Partiu como sempre quis e elogiou na partida do Padre Barriel, que era seu Diretor Espiritual quando seminarista: DE PÉ COMO GUERREIRO. Clinicamente um infarto. Tudo foi feito para reanimá-lo até a chegada da ambulância. Era seu tempo e os desígnios de Deus. Nós o confiamos às vossas devoções. Ele será velado por três dias no Mosteiro com sua insígnia episcopal. Nossa Mãe, Rainha da Companhia, envolva-o em seu manto. Descanse em paz e a misericórdia de Deus repouse sobre sua alma.”

Virtudes de São Tomás de Aquino, o Mais Douto dos Santos e o Mais Santo dos Doutos

Eis a lição inaugural de nossa área de membros, agora disponível ao público do canal, para maior honra de São Tomás de Aquino, cuja festa celebramos neste dia.

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Lei do Jejum e Abstinência para a Quaresma

Em resposta aos que me pedem sobre a lei do jejum e abstinência durante a Quaresma, apresento a legislação sobre jejum e abstinência, tal como aparece no Código de Direito Canônico de 1917.

Texto retirado da lição Os Cinco Preceitos Gerais da Igreja

Salvo em caso de indulto concedido pela Santa Sé de tempos em tempos (cf. cânon 1253), os dias de jejum com abstinência de carne são:

– A quarta-feira de cinzas, as sextas e sábados da Quaresma, as quartas, sextas e sábados das Quatro Têmporas, as Vigílias de Pentecostes, da Assunção da Mãe de Deus, da festa de Todos os Santos e do Natal do Senhor, aqui no Brasil também a festa da Imaculada Conceição;

Os dias de jejum sem abstinência de carne são:

– Todos os demais dias da Quaresma;

Os dias de abstinência de carne sem jejum são:

– Todas as sextas-feitas do ano (cf. cânon 1252 §§1-3).

Cessa a lei do jejum e da abstinência, aos domingos ou festas de preceito, salvo as festas que caem na Quaresma não antecipadas por vigília.

Cessa também após o meio-dia do Sábado Santo (cf. cânon 1252 §4).

A regra simples para o jejum é tomar uma única refeição completa, e, se necessário, outras duas que, juntas, não constituam uma refeição completa.

A regra simples para a abstinência é evitar comer carne de animais de sangue quente (carne bovina, suína, frango etc.) e caldo de carne, não estando proibido comer ovos, laticínios ou quaisquer condimentos, ainda que sejam de gordura animal (cf. cânons 1250-1).

A lei do jejum é obrigatória a todos os cristãos dos vinte e um aos sessenta anos, e a lei da abstinência começa a obrigar a partir dos sete anos (cf. cânon 1254).

A Igreja ordena a abstinência e o jejum para fazer-nos exercitar a virtude da penitência e mortificação, indispensáveis ao cristão, bem como para melhor nos dispor à oração e imitação da vida de Cristo, fazendo assim com que evitemos de cair em novos pecados.

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FAKE NEWS sobre o conflito na Ucrânia

É dois de março de 2022. Já se passou uma semana desde o começo do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, bem mais do que esperava que tomasse para eu me pronunciar a respeito. Creio, porém, que valeu a pena a demora. Do dia 24 de fevereiro para cá, estive me informando sobre o que estava acontecendo, ouvindo diferentes opiniões e abordagens, tudo a fim de me posicionar de acordo com a justiça e caridade cristã, e ajudar também aos outros a fazê-lo. Ainda estou aberto as considerações dos demais, que podem muito bem ter compreendido o que me escapou. Em todo caso, vou divulgando aqui o resultado de meus estudos, na forma de comentários que lidam com aspectos gerais e específicos do conflito e sua repercussão, dentro da perspectiva católica, com a lição ou conclusão prática a ser tirada desses acontecimentos. Começarei aqui tratando das notícias falsas que circulam em torno desse acontecimento.

I. Primeiramente, cumpre notar que o estado de medo e ansiedade, que Santo Inácio chamaria de tempos de desolação, não é o mais apropriado para a tomada de qualquer decisão importante. É preciso de calma e paz no coração, sem isso o ser humano não consegue pensar direito e acaba cedendo a propostas que, em circunstâncias normais, jamais aceitaria. O terror psicológico que vemos neste tempo é para enganar ou paralisar, e não parece que seja proporcional a dimensão real e concreta do problema que vivemos atualmente.

Note bem o modo como as coisas têm sido retratadas:

1.º Surgiu um perigo novo, iminente e extraordinário.
2.º – Este perigo ameaça toda a humanidade.
3.º – Ele pode causar a morte de milhões de pessoas.
4.º – É necessário que todos se unam contra ele, para que não sejam suas vítimas.
5.º – É fundamental que todos os governos tomem medidas urgentes.
6.º – Espera-se que os afetados tomem medidas que atentem contra a sua própria vida.
7.º – Os não afetados, igualmente, devem prevenir-se de formas não menos agressivas.

Ora, não é preciso ser um gênio, nem ter uma memória privilegiada, para lembrar e comparar o que hoje ocorre na Ucrânia com o que se passou nos últimos dois anos. Falava-se exatamente as mesmas coisas do Coronavírus, as pessoas se desesperaram – e até hoje alguns se desesperam -, mas as previsões apocalípticas não se cumpriram e as soluções encontradas – máscaras e vacinas experimentais – fazem ver os riscos e o ridículo a que nos expõe essa abordagem. Antes se falava em pandemia, hoje se fala em Terceira Guerra Mundial; antes se falava em medidas sanitárias enérgicas, hoje em sanções econômicas homéricas; antes se falava em fazer as pessoas cobaias de laboratório, hoje se fala em fazê-las buchas de canhão. Diante do aprendizado dos últimos dois anos, não pode escapar da acusação de gravemente imprudente a pessoa que cai nesse jogo de faz de conta.

II. Todos os lados envolvidos no conflito estão errados em alguma medida e todos mentem. Como muitos disseram: a primeira vítima da guerra é a verdade. Portanto, demonizar qualquer uma das partes envolvidas não é apenas uma estupidez enorme, mas faz parte do plano. A guerra de informação pela opinião pública corre, lado a lado, com a disputa armada pelo poder.

É importante chamar a atenção para esse elemento propagandístico da guerra, até mesmo para ressaltar que é muito difícil saber, durante o conflito, e às vezes mesmo depois dele, o que realmente está acontecendo. Há muitas coisas que fogem do nosso alcance, que são só do conhecimento dos governos e seus serviços de inteligência, e há tantas outras que não passam de desinformação, ou seja, de notícias deliberadamente falsificadas, no intento de desmoralizar o adversário.

Até que ponto isso é lícito? São Tomás de Aquino ensina na Suma Teológica (II-II, q. 40, art. 3) que é lícito omitir informações do inimigo e deixar-se o que é segredo em segredo, porque nem todos devem saber tudo. Contudo, divulgar informações falsas e quebrar promessas é sempre ilícito, pois a falta de lealdade com o próximo, além de ser uma injustiça, também é um poderoso combustível para maiores conflitos.

Neste caso de mentira ilícita, incluem-se as notícias, na grande mídia ocidental, que divulgavam fotos e vídeos de bombardeios acontecidos em outros lugares e épocas da história, como os conflitos na Iuguslávia e Palestina, como se tivessem ocorrido na Ucrânia. Houve até o caso de cenas de vídeo game sendo exibidas como imagens dos ataques russos. Por outro lado, na mídia russa, fala-se, como justificativa da operação, em grupos terroristas e armas nucleares em solo ucraniano, mesma espécie de argumento dúbio usado pelos Estados Unidos ao invadir o Iraque.

Vídeo sobre o atual conflito na Ucrânia

Caros amigos, na falta de coisa melhor, estou preparando uma análise, à luz do catolicismo de sempre, sobre o atual conflito entre Rússia e Ucrânia.

Meu ponto de partida será uma matéria recém-publicada no site Vatican News, que resume a posição da Igreja Conciliar sobre a matéria:

Guerra na Ucrânia, o Papa na Embaixada da Rússia para expressar preocupação https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-02/guerra-na-ucrania-o-papa-na-embaixada-da-russia.html

Minha ideia é comentar a atitude modernista em face do conflito, discutir a licitude ou não licitude da corrente guerra e tirar daí algumas conclusões práticas. Será o nosso último vídeo da semana, porque, depois disso, terei que resolver alguns assuntos urgentes de ordem prática, tais como a mudança de lugar de nosso estúdio de gravação e a finalização de algumas publicações do Controvérsia Católica.

Coquetel Peruzzo-Jackelén: Heresia Feminista em Curitiba

No dia 25 de maio de 2021, a Arquidiocese modernista de Curitiba, governada por Dom José Antônio Peruzzo, informa que a Arcebispa luterana e Primaz da Suécia, a Doutora Antje Jackelén, proferiu, no dia anterior, uma conferência teológica na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. O tema? “Os cinco tóxicos p’s e seus remédios – considerações teológicas para uma era digital”. Os cinco p’s mencionados no título são polarização, populismo, protecionismo, pós-verdade e, claro, patriarcado, palavras que começam com a letra “p” e formam, na mente dela, um “coquetel perigoso de ingredientes tóxicos”. Não obstante o teor questionável de sua teoria dos p’s, parece-me útil servir-me deste esquema para falar da própria situação, que é infinitamente mais questionável e tóxica: Pastora Protestante Pregando na PUC-Paraná com a Permissão de Peruzzo. Eis os sete tóxicos p’s sobre os quais gostaria de tratar aqui.

Os últimos quatro p’s, na PUC-Paraná com a permissão de Peruzzo, são um tanto reveladores, eles mostram qual é o tipo de cristianismo que ele favorece. Dom Peruzzo, tão tolerante com os seus irmãos hereges, especialmente com a referida pastora protestante, a quem cedeu, por um instante, a cátedra da PUC-Paraná, para o ensino de teologia, não teve a mesma bondade para com os padres do Instituto do Bom Pastor, que foram expulsos de sua Arquidiocese no final do ano passado.

Talvez o que ele tinha em vista era incentivar, por meio deste escândalo, uma participação maior das mulheres na vida da Igreja, algo que já havia sido preconizado por João Paulo II, como veremos depois.

Mas é sobre os primeiros três tóxicos p’s, Pastora Protestante Pregando, que eu gostaria de falar principalmente. Da mesma forma que, no passado, os protestantes negaram a doutrina da Eucaristia, interpretando como simbólico, ou quase isso, o sentido evidente e literal dos termos “Este é o meu Corpo… Este é o meu Sangue”, assim também, hoje em dia, de comum acordo com os modernistas Novus Ordo, eles negam, em grande parte, o ensinamento óbvio da Sagrada Escritura, confirmado mil vezes pela Tradição e pelo Magistério da Igreja, sobre a condição das mulheres, a qual exige que sejam submissas ao homem, não ensinando na Igreja, nem exercendo funções litúrgicas.

Primeiramente, convém expor o harmonioso consenso da doutrina bíblica, patrística e magisterial a esse respeito, porque assim se verá o profundo abismo no qual se acham os proponentes desse feminismo eclesiástico-litúrgico.

Na Sagrada Escritura, além de outros lugares, vemos o ensinamento sobre a condição das mulheres em São Paulo, na 1.ª Epístola a Timóteo, cap. 2, vv. 12-15:

Pois eu não permito a mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o marido: Senão que esteja em silêncio. Porque Adão foi formado primeiro: Depois Eva: E Adão não foi seduzido: Mas a mulher foi enganada em prevaricação. Contudo, ela se salvará pelos filhos que der ao mundo, se permanecer na fé e caridade, em santidade junta com a modéstia.

O célebre exegeta católico, Dom Augustin Calmet, explica essa passagem, citando o testemunho de Tertuliano, Santo Epifânio, São Jerônimo, São João Crisóstomo, Teodoreto e outros antigos autores cristãos:

DOCERE AUTEM MULIERI NON PERMITTO. Não permito a mulher que ensine nas assembleias, ou onde há homens; pois, nas comunidades de mulheres, aquelas que têm capacidade, podem ensinar as outras: as mães de família devem instruir seus filhos e seus servos em particular [Tito II, 2]. Há mesmo os casos em que uma mulher instruída, pode instruir um homem que não o seja, por exemplo, uma mulher fiel a seu esposo pagão [I Coríntios 7, 13-16]. Prisca, ou Priscila, instruiu a Apolon, apesar de ele ser muito mais sábio em tudo o mais, ele não conhecia a JESUS CRISTO. A maior parte dos Apóstolos tiveram com eles mulheres piedosas e instruídas [I Coríntios 9, 5], que iam nas repartições das mulheres, onde os homens não podiam ir, e lhes anunciavam o Evangelho. São Paulo mesmo reconheceu que ele tinha sido muito ajudado em Filipos pelas mulheres de piedade, que tem trabalhado muito na obra de Deus [Filipenses 4, 3]. Então, não é senão da instrução pública e solene que o Apóstolo impede as mulheres, e não da instrução particular.

Na primeira aos Coríntios, ele impede mesmo aquelas que receberam o dom da profecia ou de interpretar as Escrituras de aparecer sem véu e de ensinar na Igreja. É a disciplina inviolável que sempre foi observada nas Igrejas Católicas [De Virginibus velandis cap. 9, vide Contra Marcionem, liv. 5]: Non permittitur mulier in Ecclesia loqui, sed nec docere, nec tinguere, nec offerre, nec illius virilis muneris sortem sibi vindicare. Mas entre os hereges, a coisa não é assim tão rara [idem, De praescript., c. 41]. Vemos quanta deferência tinha Simão e os simonitas por Helena e os montanistas por suas pretensas profetizas; eles lhes admitiram ao sacerdócio e ao episcopado, segundo Santo Epifânio [Heresia 48]. Os marcionitas [Idem, Heres. 42] dificilmente tinham menos consideração por elas; eles permitiam que elas dessem o Batismo. Nós não vimos, no século passado, uma rainha herética à frente da Igreja Anglicana?

ADAM ETIAM PRIMUS FORMATUS EST. Pois Adão foi formado primeiro. Eis as razões que obrigam as mulheres a serem submissas aos maridos, e que lhes deve impedir de exercer autoridade sobre eles, ainda mesmo quando elas tenham adquirido mais conhecimentos, ou que elas tenham recebido um dom particular de interpretar as Escrituras. Esses dons extraordinários não podem derrogar a ordem natural, que pede que a mulher seja submissa ao homem. Ela foi criada depois do homem e para o seu serviço [Gênesis 2, 11-12; I. Cor. 9, 8-9], Deus a sujeitou ao homem [Gênesis 3, 16], sub viri potestate eris. Além disso, Eva foi seduzida pela serpente, e é por ela que o pecado e a morte entraram no mundo. Quando então ela tinha sido criada inteiramente igual ao homem, por isto só de ter sido a primeira a pecar, ela mereceu ser reduzida a obediência e a se submeter. Com efeito, a sentença de sua sujeição não foi pronunciada senão depois do pecado, como nota São João Crisóstomo [ad locum].

ADAM NON EST SEDUCTOS. Adão não foi seduzido. Ele não foi seduzido primeiro, nem pela serpente, mas ele foi o segundo e por Eva, sua esposa [Teodoreto]. Assim a mulher era mais frágil, mais débil, mais fácil de seduzir, menos prudente, é justo que ela fique sujeita àquele que tem mais força, firmeza e juízo. Ela se pôs uma vez a ensinar, e tudo subverteu; que ela fique em silêncio, posto que ela quis falar a Adão, e o seduziu.

SALVABITUR AUTEM PER FILIORUM GENERATIONEM. Ela se salvará pelos filhos que der ao mundo, se elas forem constantes na fé, etc. Elas devem se consolar de não ensinar na Igreja, de não executar as funções e de não cumprir as dignidades que são reservadas aos homens. Isso não as exclui da felicidade e as dispensa de uma infinidade de penas e inquietações; e se elas têm inveja de render serviço a Deus pela instrução dos outros, não têm elas os seus filhos e domésticos, a quem elas podem e mesmo devem instruir e criar no temor do Senhor, na piedade, na fé, na caridade? [vide Crisóstomo, ad locum]. Pois o grego lê no plural: Se eles perseverarem na fé, na caridade etc. E a maioria dos Padres [Jerônimo, Ambrósio, todos os gregos] lhe relacionam aos filhos e não às mães.

Aqueles mesmos que a relacionam às mães, leem no plural, como o grego e o siríaco, e as outras versões. As mães serão salvas se elas perseverarem na fé, e na prática da caridade e da piedade, ou se elas têm cuidado de fazer de tal modo que seus filhos também perseverem. É muito para os pais e mães de bem viver e perseverar na fé e na caridade, mas isso não basta para os salvar, a menos que eles se empenhem de todo o seu poder a instruir e a fazer instruir seus filhos e seus domésticos. É um depósito precioso que vós haveis recebido, diz São João Crisóstomo; cabe a vós lhe conservar preciosamente.

Essa expressão, per filiorum generationem, não significa a geração natural dos filhos, como se fosse uma via própria para levar à salvação, que por ter muitos filhos, ou que as mulheres casadas encontrariam nas dores de parto, uma penitência para a expiação de seus pecados, como alguns disseram. Se assim fosse, as virgens e aqueles que vivem em continência, seriam privadas de uma grande vantagem para a sua salvação. Gerar, neste local, toma-se por criar, do mesmo modo que em algumas outras passagens da Escritura. É dito, por exemplo, que Maquir gera sobre os joelhos de José [Gênesis 50, 22], e que Noemi gera Obed [Rute 4, 17], isto é, que José e Noemi criaram, um os filhos de Maquir, a outra Obed, seu neto. Está dentro do sentido dos Livros Santos dar o nome de pai àquele que criou o menino, que não lhe pertencia.

(Calmet ad locum)

O que a Sagrada Escritura e a Tradição ensina sobre a condição das mulheres é confirmado pelo Magistério tradicional da Igreja.

Sobre a questão de mulheres desempenhando funções litúrgicas, assim responde o Papa Bento XIV em 1755:

O Papa Gelásio em sua nona carta (cap. 26) aos bispos de Lucania condenou a má prática que havia sido introduzida de mulheres servindo ao sacerdote na celebração da Missa. Como esse abuso havia se espalhado para os gregos, Inocêncio IV o proibiu estritamente em sua carta ao bispo de Tusculum: ‘As mulheres não devem ousar servir no altar; a elas deve ser totalmente recusado este ministério’. Nós também proibimos esta prática com as mesmas palavras em Nossa Constituição Etsi Pastoralis, sess. 6, n. 21. (Papa Bento XIV, Allatae Sunt, 26 de julho de 1755)

Sobre a sujeição da mulher ao homem, reitera-o, em 1930, o Papa Pio XI:

Finalmente, robustecida a sociedade doméstica com o vínculo desta caridade, é necessário que nela floresça o que Santo Agostinho chamava a hierarquia do amor, a qual abrange tanto o primado do homem sobre a mulher e os filhos, como a diligente submissão da mulher e sua rendida obediência, mandada pelo Apóstolo com estas palavras: ‘As casadas estejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor; porque o homem é a cabeça da mulher, assim como Cristo é cabeça da Igreja’ [Ef. 5, 22-23] (Papa Pio XI, Casti Connubii, n. 10)

Completamente outra é a posição do Magistério modernista, para quem trabalha Dom Peruzzo, o qual atuando contra a Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério tradicional da Igreja, ensina o exato oposto, a heresia feminista, na pessoa de João Paulo II:

Hoje estou apelando a toda a comunidade da Igreja para que favoreça de todas as maneiras a participação das mulheres em sua vida interna. Em grande parte, essa participação incluiria simplesmente a implementação de funções existentes abertas às mulheres, incluindo o ensino de teologia, formas aprovadas de ministério litúrgico, inclusive serviço no altar, conselhos pastorais e administrativos em várias instituições da Igreja, Cúrias e Tribunais. (João Paulo II, Audiência em Castelgandolfo, 3 de setembro de 1995, citado em The Wanderer, 9 de outubro de 1997).

Mas, enquanto na relação Cristo-Igreja a submissão é só da parte da Igreja, na relação marido-mulher a « submissão » não é unilateral, mas recíproca! (João Paulo II, Mulieris Dignitatem, n. 24).

Somente um insensato para não ver que estes falsos profetas de nosso tempo, pretensos pastores da Igreja Católica, trabalham pela implantação de uma agenda feminista, segundo as pegadas do protestantismo, e na medida que caminham nessa direção, mais e mais se afastam do catolicismo.

A Ação de Bispos em tempos de Crise

Download do PDF: A Ação de Bispos em tempos de Crise

INTRODUÇÃO

Gostaria de apresentar um texto, retirado da obra De L’Église et de sa Divine Constitution [Sobre a Igreja e sua Constituição Divina] (pp. 209-221) de Dom Adrien Gréa, padre geral dos Cônegos Regulares da Imaculada Conceição, que foi publicada em 1885 e aumentada em sua edição de 1907, da qual me sirvo. Essa obra traz a aprovação de numerosos bispos e cardeais.

A seguir, Dom Gréa versa sobre a ação extraordinária dos bispos, em tempos de crise. O texto demonstra que é lícito, em casos excepcionais, como em tempos de grandes heresias e perseguições, estabelecer bispos católicos sem mandato apostólico, quando, em tais circunstâncias, o recurso ao Papa é impossível.

SOBRE A IGREJA E SUA CONSTITUIÇÃO DIVINA

Por Dom Adrien Gréa

CAPÍTULO IV
SOBRE A AÇÃO EXTRAORDINÁRIA DO EPISCOPADO

§ I

O poder do episcopado, no governo da Igreja universal, é exercido, ordinariamente, pelos Concílios e pelo concurso menos marcante dos bispos dispersos, sempre unidos na dependência e sob o impulso de seu chefe, prestando-se, sem cessar, à manutenção da fé e da disciplina.

Mas este poder do episcopado teve também, na história, manifestações extraordinárias, que importa reduzir à mesma subordinação e submeter às mesmas leis essenciais da hierarquia.

Queremos falar aqui, primeiramente, da autoridade dos apóstolos, seus discípulos e dos bispos dos primeiros tempos, seus sucessores, para anunciar por toda a parte o Evangelho e estabelecer a Igreja, e, em segundo lugar, das ações extraordinárias, pelas quais, em seguida, vemos os bispos não hesitarem em remediar as necessidades prementes do povo cristão e levantar, pelo emprego de um poder quase apostólico, as Igrejas colocadas em extremo perigo pela violência dos infiéis e dos hereges.

Abusou-se desses fatos para estender, para além da medida, a autoridade dos bispos e dar-lhes uma espécie de soberania primitiva e independente.

É, pois, necessário inverter este fundamento de erro. Faremos isso simplesmente lembrando a doutrina exposta em nosso primeiro livro, principalmente no capítulo V, onde tratamos das relações de dependência essencial, que unem as Igrejas particulares à Igreja universal, e reconduzindo esses fatos às leis já conhecidas da hierarquia, leis que, em toda parte e sempre, estabelecem a completa subordinação dos bispos ao seu chefe.

E, antes de tudo, é bom lembrar que a Igreja universal, precedendo em tudo as Igrejas particulares, possui antes destas e sempre mantém soberanamente a missão de pregar o Evangelho em todos os lugares e de salvar almas.
Segue-se que a hierarquia da Igreja universal, que não é destituída de sua autoridade imediata sobre as almas, nem mesmo pelo estabelecimento de Igrejas particulares, permanece a única responsável pela salvação dos homens, quando estas faltarem, e emprega seus poderes para assegurar-lhes esse benefício.

Essa hierarquia é a do Papa e dos bispos. A ação soberana e principal pertence ao Papa. Mas os próprios bispos, na medida em que estão associados a ele, como ministros da Igreja universal, são chamados a participar dela. Parecem então investidos de um poder que não se limita aos seus rebanhos particulares e que se exerce nos lugares onde ainda não há Igrejas particulares fundadas e bispos titulares estabelecidos, e naqueles onde as hierarquias locais, tendo sido estabelecidas, são afetadas em sua existência ou atingidas pela impotência.

Esse poder extraordinário do episcopado é, de fato, sempre, e por sua própria essência, absolutamente subordinado a Jesus Cristo e ao seu Vigário, pois os bispos não são nada, na Igreja universal, fora desta dependência que é sua ordem mesma.

Se chamamos de extraordinárias a essas manifestações do poder universal do episcopado sob seu chefe, o Vigário de Jesus Cristo, ao contrário do que acontece nos Concílios, onde o exercício desse poder é ordinário, é porque a necessidade que lhes dá origem não é um estado de coisas ordinário e regular.

O estabelecimento e a plena atividade das Igrejas particulares é, de fato, o estado normal e habitual da santa Igreja Católica. Ela vive de sua existência e se alegra com sua saúde: sofre de sua fraqueza e recebe danos quando perecem, pois as Igrejas particulares não são uma instituição acidental e que possa algum dia ser suplementada, de forma duradoura, pelo apostolado ou pela obra das missões. O apostolado não tem outro objetivo senão fundar essas Igrejas; e quando são constituídas, ele cessa e dá lugar ao seu governo ordinário.

Mas se o defeito das Igrejas particulares exige a ação imediata de Igreja universal e pode dar abertura a esta ação extraordinária do episcopado, isso [ocorre] manifestamente em duas ocasiões:

Primeiramente, quando as Igrejas particulares ainda não foram fundadas, e este é propriamente o apostolado;

Em segundo lugar, quando as Igrejas particulares são como que derrubadas pela perseguição, heresia ou algum grave obstáculo que aniquile e suprima inteiramente a ação de seus pastores; e este é o caso mais raro da intervenção extraordinária do episcopado vindo em seu auxílio.

Oferecemos aqui modestamente nosso juízo; e, embora respeitando aqueles que alhures procuram explicar esses fatos da história por outros meios, cremos que o poder do episcopado, um poder que flui de sua cabeça e atua nessa dependência, é suficiente para fornecer-lhes plenamente a razão.

Acreditamos que abaixo da autoridade soberana de Jesus Cristo, totalmente confiada ao seu Vigário, nunca houve na Igreja Católica outro poder hierárquico que não o do episcopado, que era o dos apóstolos; e não achamos útil reconhecer, mesmo nestes, uma soberania particular, colocada fora da hierarquia sagrada, como vamos expor.

[Depois de explicar o poder extraordinário do episcopado em tempos de apostolado e missões, Dom Grèa passa a tratar da hipótese mais rara: a autoridade extraordinária do Episcopado em tempos de crise:]

§ III

Mas não é somente no estabelecimento da Igreja que se declarou o poder propriamente apostólico e universal dos bispos, poder sempre subordinado, em sua substância e exercício, ao Vigário de Jesus Cristo. Há uma segunda ordem dessas manifestações, ainda mais rara e extraordinária.

No seio mesmo dos povos cristãos, temos visto, algumas vezes, em tempos de necessidades prementes, bispos, sempre dependentes nisto, como em tudo, do Sumo Pontífice e atuando em virtude de sua comunhão, isto é, recebendo dele todo o seu poder, usarem este poder para a salvação dos povos.

Em consequência de calamidades superiores a todas as provisões das leis e violências que não podem ser remediadas por meios comuns, a ação de pastores locais pode ser inteiramente deficiente; voltava-se assim às condições em que se exercia o apostolado para o estabelecimento das Igrejas e em que os ministérios locais ainda não haviam sido constituídos. Pois, como já dissemos, concebemos que, na ausência de pastores particulares, o que é universal nos poderes da hierarquia permanece só, e a Igreja universal, pelos poderes de sua hierarquia e do episcopado, toma, por assim dizer, o lugar das Igrejas particulares, e vem imediatamente em socorro das almas.

Assim, no século IV, Santo Eusébio de Samósata percorreu as Igrejas Orientais, devastadas pelos arianos, e lhes ordenou pastores ortodoxos, sem que sobre elas tivesse jurisdição especial (1).

São ações verdadeiramente extraordinárias, como as circunstâncias que lhes deram ocasião.
Por isso, essas manifestações do poder universal do episcopado, exercido em lugares onde se estabeleceram hierarquias locais e não pereceram inteiramente, sempre foram muito raras.

O mais frequente, nesses casos extremos, é os Soberanos Pontífices intervirem eles mesmos nas necessidades dos povos, enviando legados ou administradores apostólicos; e como, na plenitude do seu poder principal e soberano, eles se reservaram, com o tempo, a obra das missões, assim se aplicaram a socorrer, por esta mesma autoridade, sempre imediata, as Igrejas definhantes.

Se, então, a história nos mostra bispos cumprindo por si mesmos esse ofício como “médicos” (2) das Igrejas caídas, ela nos fala, ao mesmo tempo, das conjunturas imperiosas que lhes ditaram essa conduta. Era preciso, para torná-la legítima, necessidades tais que a própria existência da religião estivesse envolvida, que o ministério dos pastores particulares fosse inteiramente aniquilado ou tornado impotente, e que não se pudesse esperar nenhuma recurso possível à Santa Sé.

Em casos tão extremos, o poder apostólico que apareceu no começo, para estabelecer o Evangelho, reapareceu como que para estabelecê-lo novamente: pois, preservá-las da ruína e da destruição total, é equivalente a dar um novo nascimento às Igrejas.

Mas, fora dessas condições, e enquanto a hierarquia legítima das igrejas particulares está de pé, haveria abuso e usurpação manifestos no ato de um bispo levar a foice para a messe de seu irmão, e derrubar o os limites das jurisdições locais fixados pelos Padres.

Assim, em primeiro lugar, este poder universal do episcopado, embora habitual em sua substância, é extraordinário em seu exercício sobre as Igrejas particulares, e não ocorre quando a ordem dessas Igrejas não é destruída. Em segundo lugar, para que o seu exercício seja legítimo, o recurso ao Soberano Pontífice deve ser impossível e não pode haver dúvida quanto ao valor da presunção pela qual o episcopado, com a força do consentimento tácito de seu chefe, tornado certo pela necessidade, confia em sua autoridade sempre presente e ativa nele.

Mas, é preciso reconhecer, nem sempre essas condições foram verificadas com o rigor necessário nos diversos fatos relatados pela história dos primeiros séculos; e não somos obrigados a justificá-los todos com base nisso. Nisto houve abusos e usurpações.

Se a conduta de Santo Eusébio, que citamos acima, foi louvada sem restrições, quem poderia desculpar a interferência dos bispos de Alexandria nos assuntos de Constantinopla e do Oriente (3), ou a ação de São Epifânio celebrando uma ordenação em Constantinopla? (4)

A Santa Sé, que, nestas circunstâncias, às vezes usou de condescendência no juízo das pessoas, sempre manteve os princípios e condenou esses empreendimentos.

Por isso, pouco a pouco, esses excessos tornaram-se cada vez mais raros, e foram mais severamente reprimidos à medida que as circunstâncias os tornavam menos desculpáveis. Não podemos mais conceder-lhes indulgência hoje.
A Igreja, de fato, graças a Deus, está agora muito bem estabelecida no mundo, e as relações que unem os membros à cabeça estão suficientemente asseguradas para que não haja mais ocasião para esta ação extraordinária da Igreja. A voz do Vigário de Jesus Cristo é ouvida até nos confins da terra (5). Todos podem interrogá-lo, todas as Igrejas podem recorrer a ele em suas necessidades.

Assim como se reservou para si a obra das missões, incontestavelmente e com muita justiça, por muito tempo, reservou inteiramente para si a responsabilidade de prover as necessidades extraordinárias das Igrejas particulares e a falta de pastores e hierarquias locais. Ele suporta, com caridade vigilante, o peso da languidez e da fraqueza de todos os membros sofredores do corpo de que é a cabeça. “Quem são os doentes cuja enfermidade não sente com terna compaixão? Quais são os escândalos que não inflamam seu zelo?” (6). Ele só basta para fortalecer todos os seus irmãos; e se o amanhã reservar a Igreja provações, que a reduzam às dificuldades dos primeiros séculos, se os perigos dos últimos tempos chegarem a esse excesso, esta mesma voz de São Pedro ainda se fará ouvir neste extremo, e, quando chamar os bispos para as últimas batalhas, desatará, se for necessário, dentre os poderes do episcopado, aqueles que devem ser desatados para a salvação do povo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um caso de longa vacância da Sé Apostólica, em decorrência de heresia, constitui um caso extraordinário em que nem há provisões legais para resolvê-lo, nem possibilidade de recurso ao Papa. (7)

É verdade, essa possibilidade não foi contemplada por Dom Grèa, mas isso não altera o fato de que uma tal situação preenche, sem dificuldade, os requisitos para uma intervenção extraordinária do episcopado nas Igrejas particulares, tal como ocorreu nos tempos do arianismo.

Como uma consequência necessária, as sagrações realizadas por Monsenhor Lefebvre, Monsenhor Thuc e alguns outros bispos, em decorrência das heresias modernistas do Concílio Vaticano II e seus falsos papas, são totalmente legítimas, enquanto forem necessárias – como são – para o bem das almas.

Logo, deve continuar havendo tais sagrações, por parte de seus sucessores, até que se resolva a crise atual. É razoável crer que não sofrerão censura, mas antes os mais altos elogios, aqueles que, em tempos de crise, não ficaram ociosos, mas trabalharam para nutrir os fiéis, com a sã doutrina, e fortalecê-los na graça de Deus.

NOTAS

1 – Cum multas ecclesias pastoribus carere didicisset, militari habitu indutus et tiara capiti imposita, Syriam, Phaeniciam et Palestinam peragravit, presbyteros ordinans et diaconos, aliosque sufficiens ordines ecclesiasticos: quod si quando doctrina consentientes episcopos invenisset, etiam pontifices carentibus ecclesiis prœficiebat. (Théod. Hist. eccl. l. IV. c. XII. Cf. l. V, c. IV.)

2 – Brev. Rom. in S. Euseb. Vercell.

3 – Rursum tibi eadem scribimus fîeri non posse ut, nisi congruum judicium subsequatur super his quae per ludibrium gesta sunt… a Joannis communione discedamus. (S. INNOC. I Epist. V, ad Theoph. in negotio S. Joan. Chrys. Cf. BARON, an. 403, n. 1-33; an. 4o4, n. 7-9.)

4 – Addunt alii illic ab Epiphanio ordinatum fuisse quemdam diaconum: quod non licebat in diœcesi non sua facere. (Ibid., an. 402, n. 9.)

5 – Ps. XVIII, 5.

6 – II Cor. XI, 29.

7 – “Não existem provisões canônicas regulando a autoridade do Colégio de Cardeais sede Romana Impedita, i.e., no caso de um papa se tornar insano ou pessoalmente um herege; em tais casos, seria necessário consultar os ditames da reta razão e os ensinamentos da história”. (V. Cardinal, Catholic Encyclopedia, vol. 3, p. 339).

Os Erros da Montfort em Disciplina, Moral e Doutrina

Em seu vídeo de 12 minutos, intitulado “Resposta ao site Controvérsia Caótica”, o Sr. Alberto Zucchi, aconselhado pela sua esposa, a Sra. Lucia Zucchi, pretendeu refutar minha análise da controvérsia entre a Montfort e o Frei Tiago de São José, “antes” – diz ela, por meio dele – “que o vídeo se espalhe”.

Se este era o objetivo, a esta altura Dona Lúcia terá de reconhecer o fracasso de seu marido. Enquanto o vídeo dele mal alcançou 2 mil visualizações, o nosso já está com bem mais de 6 mil.

Além de ter falhado neste ponto, o Sr. Zucchi também falhou em outros mais sérios.

Primeiramente, ao colocar sua esposa a pontificar sobre religião a um grupo misto, no Congresso da Montfort na Paraíba, o Sr. Alberto Zucchi, como homem e como católico, falhou na aplicação do seguinte preceito natural e divino: mulheres não devem ensinar religião aos homens, mas antes receber deles a doutrina. Esse é o ensinamento tradicional da Igreja, conforme exposto por São Paulo Apóstolo, São João Crisóstomo, São Tomás de Aquino, Cornélio a Lapide e outros graves autores.

Depois, falhou, igualmente como homem e católico, ao tratar o seu próximo como um inferior, quando o preceito natural requer que se o trate como a um igual – ama a teu próximo como a ti mesmo, não faça ao outro o que não queres que te façam – e o divino manda que se o tenha na conta de superior: Nada façais por porfia, nem por vanglória: Mas com humildade, tendo cada um, aos outros, por superiores (Fil. 2, 3). Submetei-vos a toda humana criatura… Porque assim é a vontade de Deus, que obrando bem façais emudecer a ignorância dos homens imprudentes. Como livres, e não tendo a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas como servos de Deus. (I Pedr. 2, 13).

Não obstante sua responsabilidade, como presidente de um apostolado leigo, o Sr. Zucchi passa boa parte de seu vídeo ofendendo a seu próximo.

Eu nem mereço ser chamado pelo nome – trata-me ele como uma pessoa, um garoto, um gerente de banco quando nega um empréstimo, alguém de visão torta – uma alusão provável e indigna ao nistagmo, isto é, ao movimento involuntário de meus olhos, causado por uma atrofia no nervo óptico. Zucchi também chama o Seminário São José de “porcaria” e ao nosso Congresso de “sem-vergonha”. “Esnobe”, talvez, seja a melhor palavra para descrever sua conduta lamentável e escandalosa.

Por fim, fracassou o Sr. Zucchi como homem de letras e como católico em seu exame de minha argumentação, e isto em uma série de pontos, que exporei na ordem em que aparecem no seu vídeo.

1.º) Sobre as fontes, ele afirma que errei em minha avaliação delas, porque ele também teria citado o Concílio Vaticano I sobre a infalibilidade, com a diferença de que Frei Tiago o teria interpretado do seu prórpio jeito, enquanto ele não faz o mesmo.

Sua afirmação é falsa por três razões:

Primeiro, porque Frei Tiago não faz uma interpretação pessoal, mas apenas a legítima aplicação da doutrina da Igreja ao Magistério pós-conciliar. Isso se espera de qualquer católico instruído: quando a Igreja ensina que devemos evitar comunistas, presume que saibamos identificar os comunistas. Do mesmo modo, quando ensina seus dotes e notas, presume que sejamos capazes de reconhecê-la e distingui-la das falsas igrejas, por meio dessas qualidades. Quando Frei Tiago diz o que diz, ele somente está aplicando essa doutrina da Igreja a um caso concreto particular, em que se vê uma pretensa sem tais qualidades. Ora, a consequência que se segue – tomá-la como falsa e evitá-la – é o que se espera de todo católico. Não há absolutamente nada de errado nisso.

Segundo, também é falsa, porque o Frei Tiago cita a Constituição Dei Filius do Vaticano I, a qual diz que a Igreja é infalível também em seu Magistério Ordinário e Universal, algo completamente ignorado pelo Sr. Zucchi. Portanto, Frei Tiago cita o Vaticano I completamente, no que toca à infalibilidade, enquanto Zucchi o faz parcialmente.

Terceiro, na hora de explicar a doutrina do Vaticano I, Frei Tiago se vale de autores pré-conciliares, com os quais todos concordam, enquanto Zucchi cita somente autores de sua escola de pensamento, o que se chama – em Lógica – de uma petição de princípio.

2.º) Quanto à sua posição, Zucchi pensa que pode haver erros graves no Magistério da Igreja. Por exemplo, heresias, como o modernismo e o liberalismo, e práticas prejudiciais, como a Missa Nova.

Contudo, já se provou mil vezes que esse posicionamento se funda na desconversa e ignorância voluntária.

No vídeo que ele pretende responder, citei três professores da Universidade Gregoriana em Roma, mas o Sr. Zucchi “esqueceu-se” e confundiu a coisas. Ele afirma que eu me baseio em um manual de apologética, quando quem o citou, como exemplo da doutrina tradicional, foi Frei Tiago.

Esses autores todos, de comum acordo, dizem duas coisas que destroem completamente com a tese de Zucchi, Padre Daniel Pinheiro e também, de seu pai no erro, o Sr. Xavier da Silveira (R.I.P.):

Primeiro, o Magistério da Igreja também é infalível quando propõe, sem juízo solene, doutrinas como reveladas por Deus, ritos litúrgicos e leis gerais.

Na prática, se os papas pós-conciliares fossem papas de verdade, eles teriam feito tais coisas infalivelmente, e não haveria problemas sérios com a doutrina do Vaticano II e a Missa Nova. Contudo, a Montfort nega ambas as coisas. Logo, implicitamente, os membros da Montfort afirmam que eles não são verdadeiros papas, embora – explicitamente – neguem um dogma: a infalibilidade da Igreja em seu Magistério Ordinário e Universal.

Segundo, as determinações doutrinais dos dicastérios romanos, embora não sejam infalíveis, são seguras. O mesmo valeria para um pronunciamento não infalível do Papa.

Na prática, isso se aplicaria, digamos, à Declaração sobre a Fraternidade Humana de Bergoglio, inclusa recentemente nas Atas da Sé Apostólica, mas a Montfort jamais aceitaria tal documento como seguro. Mais uma vez, implicitamente, admitem que Bergoglio não é Papa, enquanto – explicitamente – ensinam uma heresia: o Magistério da Igreja, em seus órgãos, pode transmitir aos fiéis uma doutrina herética ou uma disciplina geral nociva à fé e aos bons costumes.

Em outras palavras, o Sr. Zucchi comete dois erros graves, unicamente para salvar, sem sucesso, seu falso papa:

1.º Erro. Reduz demasiadamente a infalibilidade da Igreja; e

2.º Erro. Transforma o não infalível em um possível sinônimo de herético ou prejudicial.

Ambas as teses são negadas por uma infinidade de documentos do Magistério da Igreja (Quanta Cura, Sapientiae Christianae, Humani Generis etc.) e por todos os teólogos citados.

3.º) O Sr. Zucchi afirma que eu teria me dispensado de examinar as fontes de Padre Daniel Pinheiro. Na verdade, eu apenas não tinha sido capaz de encontrá-las no artigo.

Logo me mandaram o texto e o resultado de minha análise apareceu horas depois do vídeo do Sr. Zucchi. Ali demonstrei, para além de toda a dúvida, que Padre Daniel Pinheiro contradiz os próprios teólogos citados por ele mesmo e ignora alguns outros – que, de maneira mais explícita, discordam dele tanto quanto os demais.

4.º) O mesmo Zucchi diz que fiz mal ao não falar sobre os supostos erros dos papas pré-conciliares, limitando-me a dizer que ele comparava coisas de diferentes naturezas e proporções.

O dia em que uma imprudência política for Magistério da Igreja e que a citação – fora do contexto – de um telegrama do presidente dos Estados Unidos gozar de infalibilidade pontifícia, eu levarei sua crítica a sério.

5.º) Zucchi não ignora que eu tenha dito que a Divina Providência não pode permitir que um dicastério romano cometa um erro grave em questões de fé e moral, mas insiste que seria contra os desígnios da Divina Providência uma longa vacância da Sé Apostólica.

Aqui não preciso dizer nada em minha defesa. O próprio Zucchi fez questão de citar, em um outro vídeo, Cardeal Billot dizendo que uma longe vacância é possível. Aliás, sobre este outro vídeo, falarei em outra ocasião.

6.º) Afirma ele que eu defendo o eclesiovacantismo, isto é, o desaparecimento da hierarquia da Igreja. Na verdade, eu me limito a dizer que Bergoglio e companhia não representam o Magistério da Igreja.

Além disso, saliento que o problema da visibilidade da Igreja, acarretado por esse fato notório, não desaparece quando a Montfort afirma que esses hereges são a hierarquia da Igreja. Uma hierarquia com um Magistério que erra gravemente em questões de fé, moral e disciplina eclesiástica é tão invisível, em termos teológicos, como a Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová. Ela não pode ser vista como hierarquia da Igreja, pois não possui qualidades inerentes a essa hierarquia. Se isso não existe, não há visibilidade alguma.

Negar o fato da vacância, não exime dos problemas da vacância, da mesma forma que negar a existência do sol não nos permite fugir, em pleno dia, de sua luz e calor.

7.º) Zucchi dirá então que o sedevacantismo termina em uma seita de teólogos, que se colocam acima do Papado. É mais uma erro de lógica, porque não reconhecemos Bergoglio como representante do Papado.

Além disso, tudo o que se disse dos sedevacantistas, aplica-se mais e melhor à Montfort, que ensina a seus membros a filtrarem o Magistério da Igreja, peneirando o que é católico do que não é. Como dizia o Padre Cekada, o Papa fala, mas são os eles que decidem se o que o Papa diz é católico, herético ou algo entre os dois. O que é isso senão uma seita de gurus que se coloca acima do Papado?

8.º) Zucchi cita uma passagem de São Tomás fora do contexto, no outro vídeo ele fará o mesmo, várias vezes, com outros autores, inclusive São Roberto Belarmino. Mas isso tratarei em outro lugar. Basta dizer aqui que o Doutor Angélico não fala de desobediência a um superior reconhecido como infalível e seguro no exercício de seu ofício.

9.º) Ele diz que eu termino o vídeo com um convite ecumênico e ironiza dizendo que eu poderia convidar também o ultra-bergogliano Leonardo Boff, pois ele também se diz católico.

Meu convite não foi ecumênico, porque eu penso que a Montfort deveria abandonar sua falsa doutrina sobre o Magistério da Igreja, antes de tudo, para que então ela possa fazer a coisa certa.

Diante do exposto, creio que ficou bem demonstrado o porquê seria justo fazê-lo. De fato, sob os auspícios da seita pós-conciliar, a Montfort, na pessoa do seu presidente, comporta-se, aos olhos de todos, como um grupo feminista, sem caridade e sem verdade. Estou eu pedindo muito, ao exortá-la a seguir por outro caminho?

Avisos e Notas sobre os Últimos Acontecimentos

1. Graças a Deus, haverá, neste final de semana, sábado e domingo, Missa Tridentina não una cum em Florianópolis. Depois da Missa de sábado, haverá também uma conferência, cujo tema é o opúsculo de Padre Anthony Cekada, intitulado Tradicionalistas, a Infalibilidade e o Papa. Os interessados, por favor, entrem em contato comigo via whatsapp ou telegram – meu número é (47) 99101-3580 -, para que eu possa fornecer-lhes todas as informações necessárias.

2. Interrompi a gravação de vídeos, nos últimos dias, porque contrai uma gripe/resfriado e, como uma consequência disso, minha garganta não está muito boa. Apesar do inconveniente, estou bem, não corro – ao que parece – nenhum perigo. Assim que melhorar, tornarei às atividades habituais. Quem puder, por gentileza, reze a São Brás por mim, hoje que celebramos a festa desta ilustre Bispo e Mártir da Santa Igreja.

3. Neste interim, tive o ensejo de dar os últimos retoques em uma tradução que deve sair em breve. Trata-se do trabalho de maior envergadura já publicado pelo Controvérsia Católica. É o catecismo pequeno e grande de São Roberto Belarmino, em tradução inédita a partir do original italiano. Seguramente, um item indispensável na biblioteca de todo católico tradicional.

4. Depois disso, assisti e anotei o que o Sr. Alberto Zucchi argumentou no vídeo “Sedevacantismo: Heresia refutada pelo magistério – Resposta ao Frei Tiago”. É possível construir um Syllabus de Erros inteiro a partir das trapaças e trapalhadas teológicas cometidas pelo autor. Se esta semana eu ainda não puder publicar um vídeo, ao menos compartilharei minha análise por aqui.

5. Na última audiência geral na Sala da Serpente, mais conhecida como Sala Paulo VI (02/02/2022), Bergoglio negou o nono artigo do Credo: Creio na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos. Ele disse que os apóstatas, perseguidores da Igreja e blasfemadores fazem parte da Igreja, da Comunhão dos Santos. Um pouco antes, na mesma “catequese”, havia dito que a Igreja é composta pelos pecadores salvos (em italiano, peccatori salvati), uma ideia que, aplicada ao que foi dito acima, significa o seguinte: apóstatas, perseguidores da Igreja e blasfemadores são pecadores salvos.

É um reflexo da noção protestante de salvação sem obras: Cristo é apenas Salvador, e não Rei, ele não pode condenar ninguém que nele creia. Porém, com esta diferença: em geral, os protestantes requerem que se tenha fé, claro que apenas no sentido de uma confiança emocional em Cristo (fé fiducial, não a fé dogmática dos católicos), enquanto que, segundo Bergoglio, nem mesmo isto é necessário mais: basta ser, quando muito, batizado.

Esta teologia é mortífera e blasfema. Mortífera, porque, como diz o Ritual do Batismo, a Igreja nos dá a fé, e a fé nos dá a vida eterna. Sem esta fé católica, não há vida eterna algum. Além disso, como ensina o mesmo Ritual, para obter a vida eterna é preciso guardar os Mandamentos da Lei de Deus. É também blasfema, porque Cristo, que de nós exigiu o testemunho público da fé e a prática de boas obras, haveria mentido ou se enganado, já que nem uma coisa, nem outra, é estritamente necessária à salvação.

Detalhe: aqueles que aceitam a Bergoglio como um católico incorrem no seu mesmo erro, eles creem que é possível ser cristão, e até Papa, sem a fé católica, basta-lhe o Batismo, nada mais. É assim que todos juntos, ligados ao demônio, mantém esta farsa conciliar, caricatura grotesca do catolicismo.

Que Deus se digne humilhar os inimigos da Santa Igreja, a fim de que assim se convertam a Deus e salvem suas almas.