O Primeiro Mandamento da Lei de Deus

Compartilhar controvérsia

16.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Primeiro Mandamento da Lei de Deus.

Revise a lição sobre Os Mandamentos da Lei de Deus em geral.

PARTE POSITIVA

PARTE NEGATIVA

I. “Jesus lhes disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o máximo e o primeiro mandamento.” (Mt 22, 37s). Devemos a Deus um amor muito especial, sem igual, imenso, sobre todas as coisas, maior do que o amor que temos por aqueles de nossa casa, de nosso sangue, de nossa pátria; amor maior que o amor que temos pela nossa própria vida. De fato, o Primeiro Mandamento da Lei de Deus, “Não terás deuses estrangeiros diante de mim…” (Ex 20, 3ss) manda que somente a Deus se renda o culto supremo, aquela homenagem devida ao nosso único Criador e Senhor. Esse culto não deve ser somente interno (por meio de atos interiores de fé, esperança e caridade), mas também externo (por meio de obras exteriores). Assim como não é possível encontrar um filho que ame e respeite de verdade o seu pai, sem que lhe dê sinal algum de amor e respeito, também não é possível que o homem tenha vivos sentimentos de gratidão, adoração, amor e obediência a Deus, sem que isto se manifeste fora do seu espírito. Além disso, sendo Deus o Criador e Senhor absoluto tanto da alma quanto do corpo, deve-se prestar a Deus um culto da alma juntamente com o corpo.

II. a. O zelo pelo culto divino é a manifestação concreta de nosso amor a Deus. Um chinês piedoso veio até um missionário manifestar o seu desejo de construir uma capela em sua vila. O missionário, olhando para a sua simplicidade, comoveu-se pela boa intenção do rapaz, mas logo explicou que uma tal obra exigiria muitas despesas, que ele não teria condições de arcar com tantos gastos. É aqui então que o chinês revela o seu segredo: durante anos fez economia, contentando-se com o necessário para o seu sustento, de modo que tinha reunido uma soma mais que suficiente para a construção da igreja.

b. Um dia o grande chanceler da Inglaterra, Thomas More, quando assistia à Santa Missa, foi chamado pelo rei para um assunto importantíssimo. Thomas não se moveu do seu lugar, Pouco depois, novo recado; e o piedoso chanceler nem assim se moveu. Quando por fim um terceiro procurador chegou, a correr, pedindo-lhe que não se demorasse a ir ao gabinete do rei, Thomas respondeu que naquele momento estava prestando homenagem ao mais excelso Senhor e que só iria ter com o rei da Inglaterra, quando terminasse a Santa Missa. Thomas deu assim prova soleníssima de amar profundamente o seu Deus, porque o culto externo da Missa se juntava ao culto interno do seu coração.

III. O culto externo é um dever social. A sociedade, como o homem, pertence a Deus e a Ele está absolutamente sujeita. Por isso, a sociedade como tal, e o homem como seu membro, tem o restrito e sacrossanto dever de render ao Altíssimo um culto público e solene. Sem esta homenagem social, os homens coletivamente recusam reconhecer a Deus como base da ordem política e impedem que o Redentor exerça sua influência benigna sobre as instituições sociais. O resultado dessa rebelião contra a vontade divina é que os homens assim dispostos vivem em desunião e ficam à mercê de toda calamidade moral e natural.

IV. Recordemos o exemplo do povo de Israel. Quando este povo, para honrar o Senhor, construía tabernáculos preciosíssimos com as alfaias mais suntuosas, ele era pastoreado por Deus, por ele iluminado e protegido contra os seus inimigos. Mas quando se afastava dos caminhos do Senhor, era disperso e entregue aos seus inimigos. Que assim aprendamos que o culto público tributado a Deus não prejudica às nações, mas antes é fonte perene de bênçãos.

V. Além da distinção de culto externo e interno, o culto também pode ser privado (oração, meditação, leitura espiritual) ou público (também conhecido como litúrgico, dito em nome da Igreja, como a Missa, o Ofício Divino, os demais Sacramentos, sacramentais, bênçãos e procissões). O culto de Deus também pode ser direto, quando se refere ao mesmo Deus, ou indireto quando se refere a Deus por meio de seus servos mais excelentes. O culto supremo de Deus se chama de latria, o culto a Santíssima Virgem enquanto mãe de Deus se chama de hiperdulia, o culto a São José de protodulia e, por fim, o culto aos demais santos simplesmente de dulia. Este pode ser ainda absoluto, quando se dirge a pessoa diretamente, ou relativo quando se dirige a um símbolo, quadro, imagem ou estátua de Nosso Senhor, Nossa Senhora, dos Santos e Anjos de Deus.

VI. Logo a calúnia rabínico-protestante, segundo a qual os católicos violam o Primeiro Mandamento pelo culto aos Santos e veneração das imagens sagradas, carece de todo fundamento e contradiz a Bíblia. No Antigo e no Novo Testamento evidentemente há o culto às criaturas mais excelentes de Deus e fazem-se imagens delas para favorecer a piedade de todos. Porém, o culto que lhes é prestado é sempre secundário e subordinado ao culto divino: os santos e os anjos são reconhecidos como amigos de Deus e poderosos intercessores diante de Cristo, por isso eles são louvados em razão de sua fidelidade a Deus e para servirem de modelo aos fiéis.

Eis alguns exemplos bíblicos de culto aos Santos: Abraão (Gn 18, 2), Ló (Gn 19, 1) e Josué (Js 5, 14-15) prostram-se diante dos anjos do Senhor; Abdias, homem temente a Deus, também se curva por terra na presença do profeta Elias (3Rs 18, 7), os filhos dos profetas fazem o mesmo diante de Eliseu (4Rs 2, 15). Toda Escritura nos ensina a louvar e tratar com toda reverência os homens de virtude. “Demos louvores aos homens gloriosos como Moisés, Josué e Davi. A sua sabedoria é celebrada pelos povos e os seus louvores são repetidos nas sagradas assembleias.” (Eclo 44, 1-15) Não somente a pessoa dos santos, mas também aquilo que os representa, pois assim como a imagem de César gravada em uma moeda lembra do tributo que se deve pagar a César (Mt 22, 19-21), a imagem de um santo posta no altar nos lembra de render-lhe a devida homenagem; além disso, quem faz reverência a um símbolo relacionado com alguém deseja indicar sua reverência por este mesmo alguém, tal como fez Jacó inclinando-se diante da vara de José (Hb 11, 21).

VII. O Primeiro Mandamento proíbe a idolatria, a superstição, o sacrilégio, a heresia e todo e qualquer outro pecado contra a religião.

a. Idolatria é prestar a uma criatura o culto supremo de adoração devido só a Deus. Exemplos de idolatria se encontram entre os antigos egípcios, gregos e romanos, como também entre os hindus e tribos da América e da África. A idolatria é um gravíssimo pecado, porque coloca a criatura no lugar do Criador e assim faz a Deus a maior das injúrias. A gravidade da idolatria infere-se também dos tremendos castigos com que puniu os culpados. Por ordem do Senhor, vinte três mil homens foram passados ao fio de espada por terem adorado a um bezerro de ouro.

b. Superstição é toda e qualquer devoção contrária à doutrina e ao uso da Igreja, bem como atribuir a uma ação ou a uma coisa uma virtude sobrenatural que ela não tem. Exemplo disso são o tomar como sinal de desgraça o quebrar de um vidro, o canto da coruja, o encontro de uma pessoa em vez de outra ou quando se diz que fazendo tal coisa ou usando tal outra se estará infalivelmente livre de incêndios, naufrágios, morte súbita etc. A superstição é um pecado horrível, porque nela pode intervir o demônio e se deposita em coisa de nenhum valor aquela confiança ilimitada que devemos ter somente em Deus,

c. O sacrilégio é a profanação de um lugar, de uma pessoa ou de uma coisa consagrada a Deus ou destinada ao seu culto. O sacrilégio é dito pessoal quando se agride ou ofende um sacerdote ou religioso enquanto tal; ele é dito local, quando se estraga ou profana um ambiente reservado ao culto divino; e real, quando o que estraga ou profana são coisas como vestes e vasos sagrados. Todas essas formas de sacrilégio são graves, como testemunha a Sagrada Escritura: A insolência dos meninos que zombavam de Eliseu foi severamente punida (4Rs 2, 23-24); a tentativa de Heliodoro de assaltar o Templo resultou na vingnça do Senhor (2Mc 3); o reino de Baltasar terminou na hora em que chegou ao cúmulo de usar os vasos sagrados do Templo para uso profano (Dn 5).

d. Heresia é a negação pertinaz e voluntária de qualquer verdade revelada por Deus e pela Igreja proposta como tal. A heresia é um enorme pecado contra o Primeiro Mandamento, porque contém a mais declarada rebelião da inteligência contra Deus e a sua Igreja. O orgulho sempre foi a fonte comum de todas as heresias. Não ligar importância à doutrina do Catecismo, não buscar a instrução religiosa, também é pecado contra o Primeiro Mandamento.

e. O Primeiro Mandamento também proíbe o comércio com o demônio na forma de adivinhação, magia ou espiritismo; bem como a associação com seitas anti-cristãs, especialmente a seita maçônica e a comunista.


Compartilhar controvérsia

Modernismo e Integrismo

Compartilhar controvérsia

Compartilho com os leitores do Controvérsia Católica um excerto do artigo Duas correntes no pensamento católico contemporâneo escrito pelo Monsenhor Joseph Clifford Fenton (1906-1969), que então era Professor de Teologia Dogmática na Universidade Católica da América. Recomendo a leitura do artigo na íntegra, disponível em português nesta cópia digitalizada da Revista Eclesiástica Brasileira (vol. 8, fasc. 4, dez. 1948). O texto seguinte é particularmente importante, porque expõe o sentido exato de “modernismo” e “integrismo” enquanto revela o erro daqueles que imaginam um meio-termo entre ambos.

************

O leitor incauto da Pastoral do Cardeal Suhard poderá, talvez, chegar à conclusão perigosamente falsa de que o modernismo e o integrismo são duas doutrinas opostas e igualmente falsas, uma levando para a esquerda e outra para a direita do genuíno ensinamento católico. Nada, porém, estaria mais longe da verdade do que isso. Modernismo, na linguagem técnica da doutrina católica, é o nome dado a uma série definida de erros condenados no decreto Lamentabili, na encíclica Pascendi e no motu-proprio Sacrorum antistitum. O Papa Pio X qualificou o modernismo de “conglomeração de todas as heresias”. Ao passo que integrismo é o nome dado ao ensinamento ou à atitude daqueles que se esforçam por apresentar o catolicismo em sua inteireza, que expõem o dogma católico exatamente e integralmente. A palavra “integrismo” foi primeiro usada correntemente para designar o espírito e a atitude daqueles escritores católicos que tinham entrado em controvérsia contra os modernistas durante a primeira década do século corrente. Entendido deste modo, o integrismo não era senão a impugnação da heresia modernista; ele consistia tão somente e fundamentalmente na exposição da doutrina católica.

Quando vemos que na Pastoral do Cardeal Suhard o integrismo é posto em paralelo com o modernismo e apontado como atitude a ser evitada pelos católicos, precisamos saber que essa situação decorreu da superveniência, na França, de certos acontecimentos de interesse predominantemente nacional. Alguns dos escritores franceses que se opuseram com maior energia aos erros modernistas, foram também dos que, em política, assumiram uma atitude ultra-conservadora. Muitos deles se acharam implicados em um determinado movimento monarquista. Ora, algumas das opiniões políticas por eles adotadas eram injustificáveis. Em consequência, o descrédito que cobriu suas ideias politicas estendeu-se também a todas as ideias doutrinárias por eles professadas. O termo “integrismo” acabou, assim, por aplicar-se a um campo inteiramente diverso do que, em sua origem, servia para designar, e ser malquisto em todas as suas acepções.

Não obstante isso, é mister não esquecer que o modernismo, em si, é uma heresia definida, ou uma coletânea de ensinamentos heterodoxos, ao passo que o integrismo, em si, nada tem de herético. A genuína doutrina católica não se encontra a meio caminho entre os ensinamentos de Tyrell e Loisy e os dos autores católicos que os combateram. Impugnando os textos condenados em Lamentabili, Pascendi e Sacrorum antitstitum, os escritores católicos da época agiam de modo correto e irrepreensível. Se, como está sendo em nosso país, a palavra integrismo foi usada para designar o que é especificamente anti-modernista, quer isto dizer então que o integrismo não é mais do que a asserção das verdades do catolicismo pressupostas na negação dos erros que são incompatíveis com a divina mensagem da Igreja.

Isto não quer dizer que todas as teorias proferidas pelos grandes oponentes do modernismo na primeira década de nosso século tenham que ser aceitas como fazendo parte da doutrina católica. Menos ainda quer isto dizer que qualquer dessas teorias individuais possa ser tida legitimamente como pertencendo essencialmente ao integrismo. Os homens que discerniram e atacaram no começo deste século as falsas opiniões então correntes em certos meios, divergiram entre si, às vezes até radicalmente, em suas individuais conclusões teológicas. Os pontos sobre os quais eles divergiram, e sobre os quais os homens de seu tempo podiam legitimamente divergir, não constituíam aquilo que os modernistas, pelo menos, chamavam de integrismo. O trabalho a que se dedicaram os integristas, considerados em conjunto, foi o desmascaramento e a destruição da heresia modernista. Esse trabalho de equipe – e não outro – é que foi e ainda é hoje designado correta e geralmente pelo nome de integrismo.

Para a gente de nossa terra, por conseguinte, torna-se, na melhor hipótese, motivo de confusão apontar o integrismo como um perigo que os publicistas católicos devem evitar, se quiserem que seja bem recebida pelo mundo, que dela tanto necessita, a doutrina divinamente revelada. O modernismo constitui, sem a menor sombra de dúvida, um perigoso erro; é uma armadilha em que pode cair qualquer pessoa que se torne tão entusiasta da orientação “progressista”, tão pressurosa por apresentar ao mundo a doutrina da Igreja de maneira aceitável, que olvide os pontos essenciais do dogma católico. O integrismo, ao contrário, por si mesmo, não constitui perigo algum. É de outra espécie, muito diferente, a armadilha em que se arrisca a cair um escritor “conservador”, zeloso de conservar íntegra a fé católica, mas descuidoso da maneira pela qual ele a transmite em seus escritos.

(Fenton, P. Joseph Clifford. Duas correntes no pensamento católico contemporâneo. Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 8, fasc. 4, dez. 1948, pp. 789-791.)


Compartilhar controvérsia

Culpado, culpado, culpado!

Compartilhar controvérsia

CULPADO, CULPADO, CULPADO

Youcat Bento XVI
Na foto: O Youcat (“catecismo juvenil”) publicado sob o não-papado de Bento XVI.

Por Sua Excelência Reverendíssima Monsenhor Donald J. Sanborn
In Veritate, 22 de junho de 2018

Nos três países, Irlanda, Argentina e Polônia, a culpa pelo abandono da moralidade católica deve ser imputada ao clero Novus Ordo. De todos os países do mundo, esses três estão entre os mais predominantemente católicos, e o clero estava em uma posição perfeita para influenciar, separando a população das atrocidades morais modernas.

Na década de 1950, quando os Estados Unidos tinha 25% de católicos (agora tem apenas cerca de 20%), o clero católico podia manter a sujo, imunda indústria de Hollywood em relativamente bom estado, graças a uma instituição maravilhosa conhecida como a Legião de Decência. Os roteiros deviam ser alterados e as cenas [imorais] apagadas pelos produtores de Hollywood para obter a aprovação da Legião. Na escola católica, lembro-me de receber uma folha mimeografada toda semana que indicava quais filmes estavam sendo exibidos nos cinemas locais, e cada filme recebia uma classificação da Legião. A-1 era para patrocínio geral; A-2 era para adultos e adolescentes; A-3 para adultos; B era chamada de “moralmente censurável em parte a todos”. C era “condenada”, algo reservado à pornografia pura.

Eles nos diziam que era um pecado mortal assistir a um filme B, e isso incluía adultos. Todos os anos, no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, toda a paróquia ficava na Missa, no momento dos anúncios, e recitava o juramento da Legião da Decência, pelo qual se prometia não assistir aos filmes sujos. Na minha casa, o folha que recebíamos na escola era colocada na cozinha. Qualquer permissão para ir ver um filme era imediatamente submetida à revisão da qualificação concedida pela Legião da Decência.

Menciono isso para mostrar o tremendo poder da Igreja Católica em um país protestante, os Estados Unidos, para influenciar a moralidade pública.

O declínio da moral entre os católicos deve ser atribuído ao clero Novus Ordo. Embora seja verdade que vários deles têm lutado contra a imoralidade pública, seja em sermões ou nos meios de comunicação, eles são infelizmente poucos e, na maioria dos casos, não têm o apoio da hierarquia Novus Ordo

Se os bispos da Irlanda, Argentina e Polônia tivessem feito um esforço concertado contra a legalização desses pecados malignos, essas ofensas contra a lei de Deus não teriam passado.

O Vaticano II é a causa da decadência moral, já que sua alma é o relativismo em relação à verdade. Assim como a objetividade da verdade caracterizou o catolicismo antes do Vaticano II, tanto no dogma quanto na moral, esse novo relativismo é o que permeia toda a era pós-Vaticano II. O filho mais velho deste relativismo é o ecumenismo, que afirma que as religiões não-católicas são meios de salvação. Implícito nessa declaração é que Deus não se importa com a religião a qual você pertence, ou com os dogmas que você adere, contanto que você tenha um relacionamento pessoal interior com ele. Neste sistema, todas as religiões são verdadeiras e todas são formas de salvação. A irmãzinha feia do ecumenismo é a liberdade religiosa, pela qual a consciência é exaltada acima do magistério da Igreja,

Esse relativismo em relação à verdade é o que destruiu o catolicismo em todas as instituições que já foram católicas. Também destruiu a capacidade do clero de insistir na moral católica na esfera pública. Destruiu a unidade da fé entre os católicos, o rótulo “católico” agora se refere apenas à adesão a uma instituição, mas não a um conjunto de princípios dogmáticos ou morais. Adicione a isto às outras ideias do Novus Ordo que foram popularmente espalhadas por esta nova religião, como “todos vão para o céu” e “não há inferno” e “todos nós adoramos o mesmo Deus”. O resultado é um clero irresponsável e inútil, incapaz de transmitir a fé católica.

Seus sermões são chatos e triviais, não se importam com o dogma católico e a moral objetiva, mas com ideias puramente naturalistas de ser bom ao próximo, preocupar-e com o meio ambiente e ser “simpático” em geral. Os sermões fúnebres não tratam mais do purgatório e do juízo, mas do fato de que o falecido está no céu, geralmente jogando golfe com Deus, ou cortando a grama dele ou fazendo spaghetti (se for italiano) ou alguma outra atividade enfadonha ou boba que tenha caracterizado o falecido nesta vida.

Devemos acrescentar ainda mais o efeito dos novos catecismos, que surgiram na década de 1960, e que, por não apresentarem a fé católica com um método objetivo de perguntas e respostas, arruinou a virtude da fé dos católicos a eles submetidos. Eles apresentavam a doutrina tipicamente modernista de que Deus é descoberto através de uma experiência religiosa pessoal, e não através do conhecimento dos dogmas que se adere pela virtude da fé. Modernismo é o inimigo mortal da virtude da fé, e vimos o resultado desse envenenamento das almas na imoralidade pública e, o que é pior, na legalização da imoralidade: de fato na legalização do assassinato de bebês e do vício contra a natureza, abominações aos olhos de Deus acontecendo em países que antes eram incondicionalmente católicos.

O clero Novus Ordo, como um todo, e com poucas exceções, é culpado dessa apostasia moral e tem em suas mãos o sangue dos bebês inocentes que serão abortados nesses países outrora católicos.

Bergoglio disse alguma coisa aos eleitores católicos na Irlanda antes do referendo? Nem uma só palavra. Ele ao menos interveio em seu próprio país para impedir a legalização do aborto na Argentina? Não, absolutamente não.

Em relação ao vício antinatural, ele disse recentemente a um homem “homossexual” que Deus lhe fez assim. Ele endereçou essas palavras para um Juan Carlos, que é uma das vítimas de abuso sexual no Chile pelo clero Novus Ordo: “Juan Carlos, se você é gay, não importa, Deus fez você assim e ele ama você assim e eu não me importo. O Papa ama você como você é, você tem que estar feliz com quem você é. ”

As implicações dessa afirmação são blasfemas e moralmente desastrosas em relação a Juan Carlos. É uma blasfêmia, na medida em que faz de Deus a causa do que é claramente uma desordem. Seria como dizer a uma pessoa nascida com distrofia muscular (uma doença genética muito debilitante) que “Deus fez você desse jeito” e que “você tem que estar feliz com quem você é”. Ou seria o mesmo que dizer a um eletricista que é tão maluco que acredita que conectores machos devem ser ligados a outros conectores machos e os conectores fêmeas a outros fêmeas, que “Deus fez você desse jeito e ele ama você desse jeito”. O comentário também encoraja Juan Carlos a agir de acordo com seu apetite desordenado.

Implícita nessa declaração de Bergoglio, que está em total acordo com muitas outras declarações e ações dele, é que o apetite justifica o objeto do apetite. Em outras palavras, “se estou inclinado a isso, deve ser bom, já que encontro esse impulso dentro de mim”. Essa atitude, que prevalece em toda a sociedade moderna, é típica da doença intelectual moderna do relativismo, ou seja, de que não há normas objetivas, mas sim o sujeito (a pessoa) que determina o objeto. Em outras palavras, “algo é bom porque eu quero” e não o contrário, isto é, “eu quero algo porque é a coisa certa a fazer”. O mesmo acontece com a religião: “Algo é verdadeiro porque acredito” e não “acredito em algo porque é verdadeiro”.

Se aplicarmos esse princípio do apetite que justifica o objeto do apetite, os efeitos são horripilantes. E as pessoas que têm o objeto de cobiçar o assassinato e o desmembramento de outras pessoas? Este é um verdadeiro apetite em algumas pessoas.

Não é de admirar que quase todos os casos de abuso infantil no clero católico tenham ocorrido depois do Vaticano II. Porque o subjetivismo e o relativismo desencadeados pelo Concílio provocaram o colapso de todas as restrições da santa pureza, tão intrínsecas à espiritualidade católica, e especialmente à pureza dos sacerdotes. Havia um espírito de “todo o Inferno correndo solto” depois do Concílio, um espírito de revolução contra as restrições tradicionais de moral exigidas dos sacerdotes. Isso porque o Concílio causou, particularmente no clero, que entendia os princípios do Concílio e era mais afetado por eles, um enfraquecimento ou um franco abandono da fé, especialmente na sacralidade de seu próprio sacerdócio.

A Nova Missa fez muito para promover essa decomposição da virtude da fé, já que reduziu o padre a um mero presidente, presidindo uma liturgia protestantizada e centrada no homem, ditada pelo que o Padre Cekada chamou de o Soviete das Damas, isto é, o comitê litúrgico paroquial cujos membros eram principalmente senhoras rabugentas, teimosas e dominadoras. Dada a desprestigiação do padre, e dado o princípio geral de que o apetite justifica o objeto de seu apetite e dado o abandono da espiritualidade tradicional de mortificar as más inclinações de si mesmo, o efeito era quase inevitável: qualquer um inclinado a abusar de uma criança usaria o ponto privilegiado de seu sacerdócio para atrair jovens incautos e confiantes para graves pecados de impureza.

Outro elemento muito sério que contribuiu para a imoralidade do clero depois do Vaticano II foi o abandono da veste clerical. A lei canônica tradicional exigia que os padres usassem vestes clericais em todos os seus momentos em público, a menos que houvesse uma razão séria para que eles não o fizessem. (Portanto, obviamente, não é necessário que um padre use o colarinho quando estiver nadando ou acampando). A maioria dos padres Novus Ordo hoje é irreconhecível como sacerdotes por suas roupas, o que faz com que relaxem demais em público, tornando-se “um dos garotos” e permitindo-lhes fazer coisas imorais sem serem notados como clérigos. A lei canônica tradicional afirma que um padre cometeria um pecado mortal por mais de três dias sem traje clerical, se não tivesse uma motivo grave.


Compartilhar controvérsia

A verdade sufocada: Resposta ao Padre Leonardo da Administração Apostólica de Campos

Compartilhar controvérsia

Verdade sufocada por bravatas, verdade sufocada por omissões, verdade, a verdade católica, sendo trocada e adulterada pela grossa mentira modernista sobre o atual estado de coisas na Igreja de Cristo. Foi isso que vi quando assisti nada menos que uma hora e meia de conferência do Padre Leonardo da Administração Apostólica de Campos sobre os erros dos “tradicionais”.

É louvável que Padre Leonardo tenha abandonado a Missa Nova e tenha o propósito de jamais celebrá-la novamente, mas é digno de censura que ele pare por aí mesmo e queira que os seus subordinados o imitem. É verdade, ele já deu um passo adiante; sim, ele já começa a afastar-se da pecaminosa comunhão com os modernistas: do mesmo modo que, na juventude, ia até o outro lado da cidade para evitar a missa de seu pároco comunista, hoje ele procura evitar a Missa Nova em geral. De certa forma, hoje ele já está em desobediência ao que mandou o mui ardiloso Bento XVI em sua Carta aos Bispos de 7 julho de 2007, aquela anexa ao famoso Motu Proprio Summorum Pontificum: “Obviamente, para viver a plena comunhão, também os sacerdotes das Comunidades aderentes ao uso antigo não podem, em linha de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros.”

Mas isso não basta. Padre Leonardo não deve contentar-se com um altar lateral na capela ecumênica de Ratzinger e Bergoglio. Ele tem que ir além sob pena de estar caindo e levando os outros a caírem na armadilha do Motu Proprio; sob pena de estar criando uma geração de supostos católicos tradicionais, com muito latim e incenso no exterior, mas com um interior cheio de modernismo. Sob pena, repito, de formar uma futura geração que é tradicional no feitio e no nome, mas não o é no coração. Esses neotradicionalistas seriam os fariseus da sinagoga pós-conciliar, uma minoria que teria muito prestígio e pouco mando, que viveria pacificamente ao lado de seus irmãos saduceus da Renovação Carismática e da Teologia da Libertação. Ora, não pode ser assim!

É preciso dizer toda a verdade! Chamar o seu próximo de cismático e protestante não muda em nada a realidade! Padre Leonardo, como pode o senhor vir com essas bravatas? Os católicos tradicionais, que não reconhecem o Concílio Vaticano II e suas reformas, bem como a autoridade daqueles que o promulgaram, estão simplesmente fazendo o que é de seu dever. A obrigação que todo batizado assume de professar a fé é o que move os católicos a detestarem todas essas inovações doutrinais e disciplinares e resolutamente se afastarem da nova religião dos modernistas. Os inovadores modernistas, por outro lado, com Padre Leonardo e todos os protestantes mais inclinados ao liberalismo e indiferentismo, falam sobre “uma caridade sem fé, muito terna aos incrédulos, que abre a todos infelizmente o caminho da eterna ruína.” (São Pio X, Discurso aos Novos Cardeais, 17 abr. 1917) Isso é modernismo, isso não tem nada a ver com o modo católico de proceder ante os erros modernos.

E é assim que a receita dada por Padre Leonardo consiste em dizer que, embora o católico não pode ser liberal, aqueles que assim o são devem ser tidos como nossos irmãos e nós devemos conquistá-los pelo nosso testemunho de santidade. Essa é a mesma linguagem que os modernistas empregam para falar do diálogo com protestantes e ateus: temos outra fé, mas são nossos irmãos, vamos conquistá-los com o testemunho de nossa vida. Ao que tudo indica, Padre Leonardo já está consciente de que sua religião pós-conciliar está infestada de protestantes e ateus. Aqui há uma confissão do fracasso da nova religião em manter a unidade da fé e da disciplina.

Mas, se assim é, onde está a nota da unidade, característica exclusiva da Igreja Católica? Ela simplesmente não está. E, como a religião moderna já é a imagem e semelhança de uma igreja protestante, o que resta fazer é tratá-la do mesmo modo que as seitas se tratam entre si: “os credos são diversos, mas Deus é um só”.

Essa ideia chama-se ecumenismo, ela nasceu no protestantismo liberal e foi notavelmente condenada nos pontificados de Leão XIII e Pio XI. No vídeo, esse erro moderno é apresentado por Padre Leonardo como se fosse doutrina católica e, pasmem, como se fosse o que nos ensinam os Santos! Que falsificação gigantesca! Na verdade, trata-se de uma ideia protestante adotada por ele e seus correligionários.

E o que dizer da solução proposta para o problema da crise iniciada, pelo menos, desde o século XVI: devemos converter não pela propagação da fé e oposição aos erros, mas simplesmente pela santidade de vida? Essa ideia – adivinhem? – também é protestantico-modernista. Ela quer dizer adeus à antiga apologética e pôr em seu lugar a experiência subjetiva de cada um com Deus, a qual será suficiente para persuadir os demais. Eis que aqui temos muita fé fiducial luterana, muito pietismo, muito existencialismo e tão somente a aparência de catolicismo. As noções de fé como experiência e apologética como diálogo foi justamente condenada por São Pio X na encíclica Pascendi, as quais foram justamente associadas ao pseudo-misticismo dos protestantes.

Por outro lado, os Santos e o próprio Magistério da Igreja não recomendam senão a denúncia dos erros e a luta pela verdade. Limito-me a um santo e a um pronunciamento do Magistério:

São Francisco de Sales recomenda aos simples fiéis denunciarem quaisquer manifestações heréticas: “É uma caridade descobrir o lobo que se esconde entre as ovelhas, em qualquer parte onde o encontramos.” (Filoteia III, 29). Evidentemente, ele não está só. Todos os grandes confessores da fé católica sempre pediram que os seus subordinados os imitassem no combate aos erros. Isso é absolutamente normal e tradicional. Mas os ecumenistas da Administração Apostólica, aqui representada pelo Padre Leonardo, não quer saber disso, o negócio deles é precisamente parecer tradicional e não sê-lo realmente.

O Papa Alexandre VII em Decreto do Santo Ofício de 24 set. 1665 condenou a seguinte proposição:

“Embora te conste de modo evidente que Pedro é um herege, não és obrigado a denunciá-lo, se não te é possível prová-lo.” (Denzinger-Hünermann 2025; Denzinger 1105)

A condenação desta proposição demonstra duas coisas importantíssimas: (1) um particular tem a obrigação de denunciar aquele que lhe pareça um herege e (2) não é necessário que tenha contra ele uma prova definitiva, basta uma suspeita ou um indício.

Para mais informações, leia nosso artigo contra o argumento: quem sou eu para julgar?

Esses ensinamentos são omitidos pelo Padre Leonardo que deseja encobrir os lobos para evitar maiores problemas. Felizmente, nós não temos esse tipo de compromisso e assim podemos dizer toda a verdade.

Enquanto se vive neste mundo ainda há tempo de mudar e melhor se ajustar ao programa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Espero que o Padre Leonardo tenha a coragem de dar mais esse passo. Ele já disse não à Missa Nova, agora é tempo de dizer não à Missa do Motu Proprio. Assim ele estará de acordo com Paulo IV, Inocêncio III, Alexandre VII, São Pio X, São Roberto Belarmino, São Francisco de Sales, Santo Afonso Maria de Ligório e muitos mais que ensinam para além de toda a dúvida que o ecumenismo com hereges, quem quer que sejam ou tenham sido, é pecaminoso.

Quanto a nós, sabemos que nesta terra fomos recrutados para militar pela causa de Deus contra as obras e pompas do demônio, o qual é pai de todas as heresias; a fé exige de nós esse combate frontal contra os erros de nosso tempo e é precisamente isso o que esperamos fazer até o derradeiro suspiro.


Compartilhar controvérsia

As pérolas do Padre Leonardo da Administração Apostólica de Campos

Compartilhar controvérsia

Em síntese, as pérolas do Padre Leonardo consistem em cair e fazer os outros caírem na armadilha do Motu Proprio, isto é, no erro de dizer que o católico deve contentar-se com uma casca tradicional, enquanto conserva intacta a substância modernista.

Como pode dizer-se tradicional quem aceita o que Dom Antônio de Castro Mayer lucidamente chamou de o cisma do Vaticano II? Como pode sê-lo se reconhece hereges abertamente modernistas como se fossem católicos? Como pode sê-lo se chama as reformas protestantizadoras pós-conciliares de católicas? Realmente não é tradicional, nem formará católicos tradicionais, a menos que mude de posição.


Compartilhar controvérsia

Os Dez Mandamentos da Lei de Deus em geral

Compartilhar controvérsia

15.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. Os Dez Mangamentos da Lei de Deus em geral.

Revise a lição sobre o Sacramento do Matrimônio.

I. É muito sábio desejar aprender e compreender os Dez Mandamentos da Lei de Deus ou o Decálogo, pois a fé sem a caridade e a observância da Lei de Deus não basta para a salvação. É verdade que Jesus Cristo aboliu os preceitos judiciários e cerimoniais da antiga Lei, mas também é verdade que Nosso Senhor confirmou os Dez Mandamentos na Nova Lei e fez de seu cumprimento o caminho necessário para a vida eterna. Assim responde o Divino Mestre a quem lhe pede o que fazer para salvar-se: “Se tu queres entrar na vida, guarda os Mandamentos.” (Mt 19, 17). E, de fato, no dia do Juízo não pedirá o Senhor conta de nossa fé, pois o que não crê já está condenado (Mc 16, 16; Tt 3, 10), mas pedirá sim conta de nossas obras (Mt 25, 31-46).

II. Muitas razões podem ser apresentadas para mostrar a excelência dessa lei. Em primeiro lugar, porque Deus estabeleceu esta lei desde o princípio, escrevendo-a nos corações dos homens e depois, de forma solene – entre raios, trovões e o barulho de trombetas – gravou-a em duas tábuas de pedra para que dela não se desviassem. Em segundo lugar, porque esta lei é fonte e origem de todas as demais: todas as outras leis derivam dela e só merecem o nome de leis quando estão em conformidade com ela. Em terceiro lugar, porque ela é a lei mais geral que pode se encontrar, obrigando não só os cristãos, mas também judeus e pagãos, homens e mulheres, ricos e pobres, sábios e ignorantes. Em quarto lugar, porque essa lei é necessária para a salvação, como Nosso Senhor frequentemente afirma no Evangelho.

III. O fim dos Mandamentos é o amor de Deus e do próximo, posto que todos eles ensinam que não devemos ofender a Deus, nem ao próximo. Então, os Dez Mandamentos podem ser reduzidos a esses dois: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Por isso, eles foram divididos em duas tábuas gravados em pedra. A primeira tábua continha os três mandamentos que declaram nossas obrigações perante Deus, enquanto a segunda continha sete mandamentos envolvendo nossas obrigações para com o nosso próximo. Ainda assim, embora a primeira contenha somente três e a outra sete, elas não diferem muito uma da outra, porque os mandamentos da primeira tábua são dados em muitas palavras, enquanto aqueles da segunda são expressos com menos palavras.

IV. Devemos, então, amar a Deus sobre todas as coisas, com todo o coração, com toda a mente, com toda alma e com todas as forças. Devemos também amar o nosso próximo como a nós mesmos. Amar o próximo é querer-lhe bem, ajudá-lo em suas necessidades, confortá-lo nas suas dificuldades, desejando a ele o mesmo bem que desejamos a nós mesmos. Próximos não são somente os nossos parentes e amigos, mas todos os homens, inclusive os nossos inimigos, sem exceção alguma. Isso quer dizer que infiéis, hereges e todos aqueles que não pertencem à Igreja devem ser contados como nossos próximos: porque eles também são homens e podem converter-se e salvar-se, devemos sempre desejar o bem de sua conversão e salvação. De fato, todos os homens foram criados à imagem e semelhança de Deus, por todos eles morreu Jesus Cristo e todos têm a vida eterna como fim último.

V. Os mandamentos sobre Deus são três, porque nos ensinam a amar a Deus com o coração, palavras e obras. Os mandamentos sobre o próximo são sete, porque um ensina o bem que devemos fazer ao nosso próximo e os seis seguintes a não fazer-lhe nenhum mal: nem à sua pessoa, nem à sua honra, nem aos seus bens e, neste último caso, nem por meio de obras, palavras ou desejo.

VI. Os Dez Mandamentos são os seguintes:

1.º Amar a Deus sobre todas as coisas;
2.º Não tomar o seu Santo Nome em vão;
3.º Guardar os domingos e festas;
4.º Honrar pai e mãe;
5.º Não matar;
6.º Não pecar conta a castidade;
7.º Não furtar;
8.º Não levantar falso testemunho;
9.º Não desejar a mulher do próximo;
10.º Não cobiçar as coisas alheias.

VII. Os mandamentos são precedidos por este prefácio: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão”. Por meio dessas palavras temos três argumentos pelos quais sabemos que Deus pode dar uma lei a nós e que nós estamos obrigados a observá-la. O primeiro argumento está contido nas palavras: “Eu sou o Senhor”, porque sendo ele Senhor supremo e principal, que nos criou a todos do nada, sem dúvida alguma, ele pode prescrever uma lei para os seus servos. O segundo está contido na palavra “teu Deus”, porque embora nós sejamos obrigados a obedecer-lhe como servos ao seu Senhor e como súditos ao seu Rei, além disso nós estabelecemos um pacto com ele pelo Batismo. De fato, Deus nos adotou como filhos e nós em retorno o tomamos como nosso Pai. O terceiro argumento procede das palavras: “que te tirou da terra do Egito, da casa da escravidão”. Com efeito, os mandamentos são também deveres de gratidão. Deus nos livrou da escravidão do demônio e do pecado, que eram figurados na opressão do Faraó Egípcio, da qual os hebreus foram libertos por Deus.


Compartilhar controvérsia

A armadilha da Missa do Motu Proprio

Compartilhar controvérsia

A ARMADILHA DA MISSA DO MOTU PROPRIO

Missa de Motu Proprio

Pelo Reverendo Padre Anthony Cekada
Traditional Mass, 7 jul. 2007.

Um “traço de identidade… Uma forma de encontro… Especialmente adequada para eles”. Uma “sacralidade que atrai muita gente.”
— Bento XVI, sobre suas razões para instituir a Missa do Motu.

“Legítima diversidade e diferentes sensibilidades, dignas de respeito… estimuladas pelo Espírito, que faz que todos os carismas se juntem em unidade.”
— João Paulo II, sobre a Missa Tradicional, à Fraternidade São Pedro.

“Tudo em seu sistema se explica por impulsos ou necessidades interiores.”
— São Pio X, sobre os modernistas e os sacramentos, Pascendi.

Em 7 de julho de 2007, Bento XVI publicou o Summorum Pontificum, o seu tão aguardado Motu Proprio permitindo um uso mais amplo da versão de 1962 da Missa Tradicional em latim. Sua ação não foi surpresa para ninguém. Ainda como Cardeal Joseph Ratzinger, já tinha falado várias vezes em favor da Missa antiga.

Eis aqui algumas disposições salientes de seu Motu Proprio e da carta que o acompanha:

  • A nova Missa de Paulo VI é a expressão “ordinária” da lei da oração (lex orandi), enquanto que a versão de João XXIII da antiga Missa é a expressão “extraordinária”. Elas são os “dois usos do único Rito Romano” (Motu Proprio, § 1).
  • Qualquer sacerdote pode rezar a Missa do “Beato João XXIII” privadamente. (§ 2)
  • Nas paróquias, onde houver um grupo estável de fiéis aderentes à precedente tradição litúrgica, o pároco acolha de bom grado as suas solicitações de terem a celebração da Missa de 62. (§ 5.1)
  • Tais celebrações podem realizar-se nos dias feriais; nos domingos e dias santos, também é possível uma celebração desse gênero. (§5.2)
  • As leituras da Escritura podem ser proclamadas em língua vernácula. (§ 6)
  • O Rito antigo pode ser usado, quando seja pedido, para casamentos e funerais (§ 5.3), e o pároco pode permitir usar os ritos antigos para a administração de outros sacramentos também. (§ 9.1)
  • O Bispo diocesano pode estabelecer uma “Paróquia pessoal” para ditas celebrações. (§ ‘0)
  • A nova Missa e a antiga não são dois ritos, senão um duplo uso de “um único e mesmo rito”. (Carta aos Bispos)
  • O Antigo Missal nunca foi “juridicamente ab-rogado e, por conseguinte, em princípio, esteve sempre permitido.”
  • Os dois ritos “se enriquecem mutuamente.”
  • “Novos santos e novos prefácios podem e devem ser incluídos no antigo.”
  • “Não há contradição” entre os dois ritos.
  • Sacerdotes de comunidades que aderem ao uso antigo “não podem, por principio, excluir celebrar segundo os novos livros.”

Então, agora que a Missa do “Motu Proprio” chegou finalmente, o que deveríamos fazer com relação a isso? Eis algumas considerações preliminares:

I. Aspectos Positivos

1. Admissão de um fracasso

Como seminarista na década de 1960, vivi a revolução litúrgica desde dentro, e desde então li comentários sobre a reforma formulados pelos mesmos que a dirigiram: Bugnini, Jungmann, Braga, Wagner, Patino, Botte, Vaggagini, Brandolini e muitos outros.
Naqueles dias para aqueles homens, não havia lugar para nenhuma questão sobre permitir a sobrevivência da Missa anterior ao Vaticano II, e nem sequer em bases restringidas. O novo rito da Missa no Missal de 1970 de Paulo VI se converteria na Missa do Rito Romano e ponto, e este seria um grande passo à frente para a Igreja.

Essa era a intenção do próprio Paulo VI. Em novembro de 1969, pouco antes que sua Missa Nova fosse introduzida nas igrejas do mundo inteiro, ele desenvolveu este tema em duas audiências gerais.

“[A reforma litúrgica] é um passo adiante para a genuína tradição [da igreja]. É um sinal evidente de fidelidade e vitalidade… não é uma moda, nem um experimento fugaz ou opcional, invenção de alguns diletantes… esta reforma põe fim a incertezas, discussões e abusos arbitrários. Nos chama de regresso a aquela uniformidade de ritos e atitudes que é própria da Igreja Católica…”

“A diretriz fundamental da Missa ainda é tradicional, não só teológica, senão também espiritualmente. Certamente, se o rito é realizado como se deve se descobrirá que o aspecto espiritual tem maior riqueza”

“Não falemos, pois de uma nova Missa, senão de uma nova era na vida da Igreja”.

A nova era agora se acabou. Durante quatro décadas de “maior riqueza”, as ordenações nos EUA declinaram 72%, o ingresso nos seminários em 90%, seminários em 66%, Irmãs Educadoras em 94%, matrículas em escolas católicas em 55% e a assistência à Missa perto de 60%.

Na década de 1990 uma nova geração de clérigos começou a se afastar do rito de Paulo VI e a olhar com anseio o Missal Tridentino. Formados em diversos seminários diocesanos, procuraram ornamentos antigos, fizeram cursos sobre as rubricas anteriores ao Vaticano II, celebraram a Missa Tradicional às escondidas e geralmente esperavam algo mais católico do que se achava no novo rito.

Se a Nova Missa houvesse sido um êxito, isso nunca teria acontecido. A Missa de Motu Proprio é uma admissão do fracasso do Novus Ordo.

2. Remover o estigma

Desde 1964 até 1984, a hierarquia da Igreja modernista tratou aqueles que queriam a Missa Antiga como párias, loucos e neandertais. Porém. o indulto de 1984 e depois a constituição da Comissão Ecclesia Dei em 1988, removeram um pouco do estigma de promover a “Missa em Latim”. Para muitos, a Missa do Motu Proprio de Ratzinger legitima ainda mais as práticas litúrgicas anteriores ao Vaticano II.

3. Uma causa de divisão no campo inimigo

Apesar das elaboradas garantias que Ratzinger tratou de estabelecer, a Missa de Motu Proprio, inevitavelmente causará conflito entre os seguidores do Vaticano II. Não sei o que se passa em outras partes do mundo, mas provavelmente posso prever a forma em que isto se desenvolverá nas zonas urbanas dos EUA, onde reside atualmente a maioria dos católicos do Novus Ordo. Ali, em Igrejas arquitetonicamente indistinguíveis de cadeias de restaurantes e agências bancarias, comitês de leigas “autorizadas” e agressivas, assalariadas ou voluntarias, junto com as ocasionais e liberadas “religiosas”, agora ditam as políticas e práticas paroquiais. Elas e seus concidadãos gostam da Missa e da religião fácil do Vaticano II tal como ela é. Se um Neo-vigário (típico “Padre Pepe” com mais de 30 anos, obeso e em sua segunda profissão) anunciasse que, graças ao Motu Proprio, ele estará exibindo todo o arsenal litúrgico antigo que comprou no “e-bay” e começasse a celebrar a Missa antiga em latim aos domingos às 10 da manhã, uma insurreição em proporção paroquial, em que não faltariam reclamações ao Bispo e uma massiva campanha midiática, seria organizada pelo Soviet feminino. Multipliquem isto em umas quantas paróquias por diocese e poderão ver os conflitos que a Missa de Motu Proprio poderia causar ao inimigo. Uma casa dividida não pode manter-se em pé, e as divisões que aprofundem a decomposição da nova religião só podem acelerar a restauração da antiga, quod Deus det!

4. Alerta aos tradicionalistas comprometidos

A maioria dos velhos tradicionalistas detesta qualquer modificação na Missa. Ratzinger, não obstante, deu a entender que há algumas mudanças que poderiam esperar em sua Missa de Motu Proprio local: festas de novos santos, prefácios novos e leituras em vernáculo; nem mesmo ficou claro se não haverá que usar inclusive o lecionário de Bugnini. Muito bem! Brincar assim com a Missa antiga fará que os velhos fiquem muito inquietos, os alertará sobre o jogo de Ratzinger (isso eu espero), e inclusive talvez os iniciem no caminho de pensar que modernistas como Ratzinger são o problema, e não a solução, para os verdadeiros católicos.

5. Esfregar a Missa Nova no nariz dos padres

Desde 1988 João Paulo II e Ratzinger aprovaram um grande numero de comunidades religiosas semitradicionalistas (Fraternidade São Pedro, Instituto Cristo Rei, Instituto Bom Pastor, etc.) às quais tem permissão para usar o Missal de 1962 e outros ritos anteriores ao Vaticano II. Isso resguardava muitos clérigos que detestavam a Missa Nova de serem forçados a celebrar-la.

Não mais. Ratzinger lança uma bomba: “Não é necessário dizer que, a fim de experimentar plena comunhão, os sacerdotes das comunidades que aderem ao uso antigo não podem, por principio, excluir celebrar de acordo com os novos livros. A exclusão total do novo rito não seria, de fato, coerente com o reconhecimento de seu valor e santidade.”

Novamente, que ótimo! Quanto mais os sacerdotes desses institutos se encontrem pessoalmente afrontados com o mal da Missa Nova, mais rápido se darão conta das irreconciliáveis contradições de sua própria posição.

6. Introdução às verdadeiras questões

Ainda que a Missa de João XXIII que Ratzinger autoriza seja uma versão mutilada da liturgia tradicional integral, ainda conserva o bastante da antiga para demonstrar que, em comparação, a Nova Missa de Paulo VI representa uma religião inteiramente nova, “centrada no homem”, como orgulhosamente proclamou um de seus criadores, o Padre Martin Patino.

Para muitos católicos, o caminho para se fazer tradicionalista começou quando encontraram uma Missa Tradicional em Latim pela primeira vez e a compararam com o rito neoprotestante celebrado em suas paróquias.

Com a Missa do Motu Proprio, a possibilidade de tais encontros se multiplica exponencialmente. Isto sem dúvida levará muitas almas sinceras e reflexivas a olharem da questão litúrgica ao problema maior, o doutrinal – as heresias do Vaticano II e os Papas pós-conciliares – e eventualmente abraçarão a única posição lógica para um fiel católico: o sedevacantismo.

II. Aspectos Negativos

1. Captados pelo subjetivismo modernista

Porque ainda pensam em antigas categorias religiosas católicas, os tradicionalistas que promoveram a Missa de Motu Proprio considerarão sua aprovação como uma clamorosa derrota para o modernismo. Na verdade, ocorreu outra coisa: com a Missa de Motu Proprio os modernistas agora terão a colaboração dos tradicionalistas incautos em seu próprio programa subjetivista.

O Papa São Pio X condenou o modernismo, porque (entre outras coisas) rejeitava o dogma e exaltava o “sentimento religioso” do fiel. E todos os pronunciamentos vaticanos que autorizam o uso da Missa Tradicional – desde o indulto de 1984 em diante – fazem-no sobre a base de categorias modernistas sorrateiras e subjetivas como “diferente sensibilidade”, “sentimentos”, “diversidade legítima”, “gosto”, “distintos carismas”, “expressões culturais”, “apego”, etc.. (1)

Ratzinger toca agora repetidamente neste tema: “apego”, “afeição”, “cultura”, “familiaridade”, “elementos de identidade”, “caro a eles”, “atração”, “forma de encontro”, e “sacralidade que atrai”. Tudo se reduz ao subjetivo. Digam os tradicionalistas que o promoveram o que disserem. Para Ratzinger, a Missa de Motu Proprio simplesmente os converte em uma cor a mais em seu arco-íris do Vaticano II.

2. Uma Capela lateral numa igreja Ecumênica

Como mencionamos repetidamente em outras ocasiões, a contribuição pessoal de Joseph Ratzinger a longa lista de erros do Vaticano II, é a sua heresia da “Frankenchurch” (Igreja Frankenstein). Para ele, a Igreja é uma “comunhão”: um tipo de igreja ecumênica, uma única igreja mundial, a qual pertencem igualmente católicos cismáticos e hereges, onde cada um possui “elementos” da igreja de Cristo, seja “plena” ou “parcialmente”. Segundo seu catecismo, todos fazem parte de um grande e feliz “Povo de Deus.”

Sob este teto, alguns gostam de coros luteranos, Missa com guitarra, canto gregoriano, comunhão na mão, “acólitas”, ministros eucarísticos leigos, liturgias “inculturadas” hindus e africanas, música mariachi. Outros (em comunhão parcial com Ratzinger) gostam de cantos ortodoxos sombrios, música rock, sacerdotisas, aromas e sinos anglicanos, cânones onde faltam as palavras de consagração, gritos no altar do tipo: “Aceita Jesus como seu salvador pessoal” e credos sem o Filioque.

Portanto, dificilmente surpreende que Ratzinger ofereça aos tradicionalistas a Missa do Motu e juntamente com ela uma ampla e cômoda capela lateral em sua Igreja Ecumênica. Simplesmente uma opção a mais…

E de fato o Padre Nicola Bux, um funcionário do Vaticano que esteve envolvido na redação do rascunho do Motu Proprio, chamou-o justamente assim: um “aumento das opções”.

E certamente há há um preço a pagar.

De acordo com o Motu Proprio de Ratzinger e a sua carta adjunta, o Novus Ordo – o sacrilégio ecumênico, protestante, modernista, que destruiu a fé católica em todo o mundo – é a “expressão ordinária da lei da oração da Igreja Católica”. A Missa de Motu Proprio dos senhores – a verdadeira Missa, como você preferiria chamá-la – é meramente “extraordinária”. A nova e a antiga são simplesmente dois usos do mesmo rito romano.

Se você aceita a Missa do Motu, você compra tudo isso e se converte em um membro assalariado da Igreja ecumênica mundialista de Ratzinger.

3. Rituais Católicos, Doutrinas Modernistas

Durante décadas os tradicionalistas marchavam ao grito de “E a Missa que importa!”. Mas ultimamente isto é apenas um slogan. Pode-se ir ao céu sem ter a Missa Católica, mas não se pode ir ao céu sem a Fé Católica. Agora Ratzinger lhes dará a Missa, mas ele lhes dará a fé? Aqueles que aceitarem sua generosa oferta, estarão livres para condenar o Novus Ordo, os erros do Vaticano II e os falsos ensinamentos dos Papas pós-conciliares?

Para descobri-lo, basta observar a Fraternidade São Pedro, o Instituto Cristo Rei e as demais organizações que já celebram a Missa antiga sob os auspícios da comissão vaticana Ecclesia Dei. Seus clérigos se atrevem, no máximo, a fazer alguma critica ocasional e amável sobre “deficiências” ou “ambiguidades” da nova religião. E hoje são homens vendidos. Sua principal preocupação será agora, semelhante a da “High Church”, manter o externo do catolicismo, especialmente seu culto. Mas o coração do catolicismo – a fé – desapareceu. Assim, enquanto um sacerdote neoconservador que oferece uma Missa do Motu pode agora sentir-se encantado cantando as antigas coletas com sua linguagem “negativa” sobre o inferno, a retribuição divina, os judeus, os pagãos, os hereges e demais, ele deveria recordar que o Vaticano II aboliu os pressupostos doutrinais sobre os quais estava embasada esta linguagem. (2)

Para o bom padre e sua congregação, a lex orandi que eles observam (a Missa Tradicional) não tem conexão alguma, de nenhuma espécie, com seu lex credendi oficial (a religião do Vaticano II).

Desde seus inícios no século XIX, o modernismo buscou criar uma religião que estivesse divorciada do dogma, mas que, não obstante, satisfizesse o “sentido religioso” do homem. É irônico que essa religião “auto-contraditória” e livre de dogmas esteja agora plenamente realizada no Motu Proprio da Missa de Ratzinger.

4. Os sacerdotes que não são sacerdotes oferecem Missas inválidas

“Uma vez que não haja mais sacerdotes válidos, eles permitirão a Missa em Latim”.
Esta foi a predição que fez em mediados da década de 1970, o padre capuchinho Carl Pulvemacher, um velho sacerdote tradicionalista que trabalhava com a FSSPX e era um dos editores de sua publicação estadunidense The Angelus.

Foi também profético. Em 1968 os modernistas formularam um novo rito de consagração episcopal que é inválido: não pode criar um verdadeiro bispo. (3) alguém que não é um verdadeiro Bispo, naturalmente não pode ordenar um verdadeiro sacerdote e todas as Missas – tradicionais em latim ou Novus Ordo – oferecidas por um sacerdote invalidamente ordenado são igualmente inválidas.

De modo que cerca de quarenta anos mais tarde, quando restavam poucos sacerdotes validamente ordenados, graças ao Rito de Consagração Episcopal pós-conciliar, o modernista Ratzinger (ele mesmo invalidamente consagrado no rito novo) autoriza a Missa Tradicional.

Em conseqüência, como resultado do Motu Proprio, as Missas tradicionais em latim começarão a ser amplamente celebradas em todo o mundo; os cânticos e a música de Palestrina ressonarão magnificamente em igrejas enfeitadas, deslumbrarão os ornamentos de tecidos dourados, nuvens de incenso encherão as absides barrocas, pregadores discretamente proclamarão o retorno ao sagrado, clérigos com rostos solenes oficiarão, seguindo com toda perfeição das rubricas que permitirem os mutilados ritos de João XXIII.

Mas a Missa do Motu será um espetáculo vazio. Sem bispos verdadeiros, não haverá sacerdotes verdadeiros; sem sacerdotes verdadeiros, não haverá Presença Real; sem a presença real, não haverá Deus a receber e adorar – somente pão…

III. Diga não ao Motu…

Em longo prazo, a Missa do Motu contribuirá para o contínuo declínio da religião pós-conciliar e a eventual morte do Vaticano II – o demoníaco bebê de Ratzinger, para o qual o limbo nunca foi uma opção. Perante tudo isso, podemos somente nos alegrar. Em curto prazo, no entanto, muitos tradicionalistas ingênuos se verão atraídos pela Missa do Motu Proprio por conveniência, ou ante a perspectiva de “pertencer” a algo maior.

Porém os aspectos negativos de assistir realmente ao Motu Proprio são puro veneno. Eis aqui dois pontos essenciais para lembrar:

1) Na maioria dos casos, a sua Missa de Motu Proprio local será inválida, porque o sacerdote que a oferece foi ordenado por um bispo invalidamente consagrado. Inclusive alguns paroquianos do Indulto já evitam as Missas dos sacerdotes da FSSP por essa razão.

2) A Missa de Motu forma parte de uma religião falsa. Seguramente, eles têm sua Missa “aprovada” e talvez também seu Catecismo de Baltimore. Mas seus correligionários na Igreja conciliar também têm sua Missa e seu Catecismo, tudo igualmente “aprovado”.

Ao assistir a Missa do Motu, você se converte em parte de tudo isso e afirma que as diferenças entre você e os que seguem o caminho de São Teihard são meramente cosméticas: “legitima diversidade e sensibilidades diferentes, dignas de respeito… estimuladas pelo Espírito” como dizia João Paulo II à FSSP sobre o seu apostolado de oferecer a Missa antiga.

Mas se como fiel católico, desagrada-lhe o pensamento de compromisso com a heresia e de converter-se numa cor a mais no arco-íris litúrgico e doutrinal dos modernistas, há somente uma opção: Diga não ao Motu!

7 de julho de 2007.

NOTAS:

1. Indulto de 1984: para os católicos que estão “apegados” à Missa Tridentina. Carta Ecclesia Dei (1988) de João Paulo II: A Missa antiga forma parte de uma “riqueza para a igreja de uma diversidade de carismas, tradições de espiritualidade e apostolado, que também constituem a beleza da unidade na diversidade; essa “harmonia” combinada que a igreja terrena eleva ao céu sob o impulso do Espírito Santo… deve mostrar-se respeito pelos sentimentos de todos aqueles que estão apegados á tradição litúrgica latina.” João Paulo II dirige-se em 1990 aos beneditinos do Barroux: a Missa Tradicional está permitida porque a Igreja respeita e estimula as qualidades e talentos das diversas raças e nações… “Esta concessão tem por objeto facilitar a união eclesial das pessoas que sentem apego por essas formas litúrgicas” carta do Cardeal Mayer de 1991 aos Bispos dos Estados Unidos: “diversidade” e respeito pelos ‘sentimentos’. Alocução do Cardeal Ratzinger de 1988, em Roma, aos tradicionalistas: “diferente ênfase espiritual e teológica… esta riqueza que pertence á mesma e única fé católica”. Cardeal Castrillón-Hoyos, maio de 2007: “expressão ritual que agrada a alguns… esta sensibilidade”. Ver também a Alocução de João Paulo II a FSSP em outubro de 1998.

2. Certamente, quando a noticia do Motu Proprio começou a circular, os judeus apresentaram protestos contra a restauração das antigas orações por sua conversão. E porque não? Por acaso o Vaticano II não lhes havia assegurado a vitoria?

3. “Ver “absolutamente nulo e totalmente vão”, “Porque os novos bispos não são verdadeiros bispos”, e Sempre nulo e sempre vão”, em www.traditionalmass.org os reformadores mudaram completamente a forma sacramental essencial: a frase do rito que contém todo o necessário e suficiente para consagrar verdadeiramente um bispo. No processo, eliminaram uma ideia fundamental: o poder para conferir Ordens Sagradas que recebe o Bispo. Se se modifica uma forma sacramental de tal modo que se elimine uma ideia essencial, a forma se torna inválida.

 


Compartilhar controvérsia

Notas da Semana: Modernos milagres e prodígios, opção pelos pobres, conexão Ratzinger-Lutero, a heresia e o cisma à luz do Vaticano II

Compartilhar controvérsia

I. OS MODERNOS MILAGRES E PRODÍGIOS

Foto de um típico encontro da Renovação Carismática Católica

Os milagres modernos não são comprovados – ao menos jamais encontrei provas cabais de sua veracidade – e em nenhum lugar se vê produzirem frutos de santidade. Essas coisas me levaram a concluir, no tempo em que investiguei alguns casos, sobretudo o de Buenos Aires, que são simples fraudes para a captação de dinheiro e poder. Eu duvido que existam verdadeiros milagres na Igreja pós-conciliar, contudo tenho absoluta certeza de que ali se verificam o tempo todo prodígios diabólicos que atestam sua falsidade: a confusão das linguas dos carismáticos, prática autorizada e espalhada em todo lugar, é, como em Babel, um castigo pela busca de dons e poderes que não convém ao homem buscar, castigo que entrega as pobres almas de seus adeptos à maléfica influência dos demônios. Essas coisas acontecem para que os bons percebam que as mudanças radicais produzidas depois dos anos sessenta na Igreja e no mundo não são obra de Deus, mas do diabo, que é o pai da mentira e o inimigo de Deus e dos homens.

II. A OPÇÃO PELOS POBRES

São Camilo

Os bispos e padres modernos falam muito dos pobres, mas fazem pouco por eles. A Igreja Católica antes do Vaticano II abundava em orfanatos, asilos, colégios para a educação católica de meninos e meninas, as revistas e livros defendiam a doutrina e a moral de Nosso Senhor a fim de proteger a juventude dos erros do mundo, tudo isso era fruto da fé e da caridade cristã. Quando eles começaram a colocar a religião de seus pais em dúvida e quiseram construir uma nova religião de sua própria cabeça, perderam até o genuíno amor dos pobres que tinham antes, ao mesmo tempo que, com hipocrisia, diziam defendê-los mais na medida que questionavam os antigos ideais de santidade e abandonavam os conventos. Resultado? As ordens de caridade da Igreja nova estão se extinguindo e parece que a única coisa que interessa nas paróquias é a arrecadação dos dízimos.

III. CONEXÃO RATZINGER-LUTERO

“Desde Martinho Lutero não houve nenhum alemão que tenha influenciado tanto a Igreja Católica como Joseph Ratzinger.” (H.J. Fishcer)
biografia de Bento XVI
“(…) Enfim, tenho aprendido muito com a biografia do Pablo Blanco Sarto, publicada pela Molokai. Pablo Blanco é professor na Universidade de Navarra, grande especialista em Lutero e Ratzinger. Tive a alegria de escutar o professor Pablo Blanco em sala de aula. A biografia do Papa Emérito, agora publicada em português, consta de 2 tomos e são aproximadamente 1.400 páginas, a encadernação é belíssima. Sem dúvida está um pouco caro, como costumam ser os livros da Molokai, mas vale a pena!

É interessante que o biógrafo de Ratzinger seja também especialista em Lutero.

Padre Catão, que também é ratzingeriano, explica bem o porquê: https://youtu.be/SZBg-I6UOzc. Vale a pena assistir. A ideia de experiência religiosa, incipiente em Lutero e sempre condenada pela teologia católica, foi reintroduzida na Igreja às vésperas do Vaticano II. Ela já aparece na Dei Verbum, mas é Ratzinger quem a fez entrar de uma vez no Catecismo de 92 e que, já como Bento XVI, incorporou-a em seu conceito revolucionário de nova evangelização (as palavras são do próprio Padre Catão).

Recordo que esta ideia de nova evangelização como experiência religiosa é própria do modernismo. Ao descrever o modernista filósofo, crente, apologista, historiador e teólogo, parece que São Pio X estava falando do próprio Ratzinger. Neste caso específico, o modernista apologista condenado é exatamente a mesma coisa que o ratzingeriano evangelizador apresentado pelo Padre Catão. Eis a admirável virtude da Pascendi: desmascarar os modernistas da velha e da nova guarda, revelando a surpreendente ligação entre Lutero e Ratzinger.

IV. A HERESIA E O CISMA À LUZ DO VATICANO II

padres católicos sedevacantista tradicionais

Toda vez que um modernista te chamar de herege ou cismático, recorde por caridade que, na religião dele, estes nomes já foram esvaziados do seu sentido tradicional, tendo sido elevados ao grau de elogio.

Sedevacantistas em particular e tradicionalistas em geral, se o Vaticano II for verdade conforme a interpretação oficial dada pelos papas e bispos modernos, são: membros de Igrejas particulares, com verdadeiros meios de santificação, muito amados de Nosso Senhor, testemunhas do Evangelho, com pleno direito de anunciar por palavra e por escrito a sua doutrina. Os fiéis não devem tentar convertê-los, mas dialogar com eles e olhar o que há de bom em sua religião! Em suma, todo mundo que segue o Vaticano II deve abandonar o jargão tradicional – hereges! cismáticos! – para tratar sedes e trads daquele jeitinho cor de rosa característico do modernismo apóstata – somos todos irmãos, quem sou eu para julgar.

 

 


Compartilhar controvérsia

Por que os novos bispos não são verdadeiros bispos

Compartilhar controvérsia

Resumo

Tratamos nas seções precedentes de uma variedade de temas (cf. artigo completo: https://controversiacatolica.com/2017/05/27/o-rito-de-consagracao-episcopal-de-1968/), oferecemos agora um resumo ao leitor.

A. Princípios gerais

(1) Todo sacramento possui uma forma (sua forma essencial) que produz seu efeito sacramental. Quando uma mudança de significado substancial é introduzida na forma sacramental por corrupção ou omissão das palavras essenciais, o sacramento se torna inválido (= “não funciona”, ou não produz o efeito sacramental).

(2) As formas sacramentais aprovadas em uso nos ritos orientais da Igreja Católica às vezes diferem em palavras das formas do rito latino. Porém, elas são sempre as mesmas em substância e são válidas.

(3) Pio XII declarou que a forma das Santas Ordens (ou seja, diaconado, presbiterado e episcopado) devem univocamente (sem ambiguidade) significar os efeitos sacramentais – o poder da Ordem e a graça do Espírito Santo.

(4) Para conferir o episcopado, Pio XII designou como forma sacramental uma sentença do rito tradicional de consagração episcopal que univocamente exprime o poder da ordem que o bispo recebe e a graça do Espírito Santo. “Completai em vosso sacerdote a plenitude do Vosso ministério [= o poder da Ordem do episcopado], e adornado da vestimenta de toda glória [= idem], santificai-o com o orvalho da unção celestial [= a graça do Espírito Santo].”

B. Aplicando à nova forma

(1) A nova forma de consagração episcopal que Paulo VI promulgou não parece especificar o poder da Ordem sendo supostamente conferido.

“Enviai agora sobre este eleito a força que de Vós procede, o Espírito soberano [= a graça do Espírito Santo?], que destes ao Vosso Amado Filho Jesus Cristo, e ele aos Santos Apóstolos, que fundaram a Igreja por toda parte [= considerando essa subordinada, “Espírito Soberano” significa a graça do Espírito Santo], como vosso templo, para a glória e perene louvor do vosso Nome.” [= não faz menção alguma ao poder da Ordem do episcopado]

Ela é capaz de conferir o episcopado? A fim de respondê-lo, apliquemos os princípios mencionados acima.

(2) A brave oração de consagração episcopal de Paulo VI não é idêntica às extensas formas orientais e, contrariamente a elas, não menciona o poder sacramental próprio da ordem episcopal (ou seja, o poder de ordenar). As orações do rito oriental que seguem mais de perto o Prefácio consacratório de Paulo VI são orações não sacramentais usadas na entronização dos Patriarcas maronitas e sírios, que já são bispos quando designados para a função. Em suma, não se pode utilizar o argumento segundo o qual a forma de Paulo VI estaria “em uso em dois ritos orientais certamente válidos.”

(3) Diversos textos antigos (de Hipólito, as Constituições Apostólicas, o Testamento de Nosso Senhor) que partilham alguns elementos em comum com o prefácio consacratório de Paulo VI foram “reconstruídos”, são de procedência duvidosa, podem não ter sido realmente usados na liturgia etc. Não há evidência de que eles foram “aceitos e usados pela Igreja como tais”. Logo, eles não oferecem evidência confiável em favor da validade da forma de Paulo VI.

(4) O problema-chave da nova forma gira em torno do termo Espírito soberano (Spiritus principalis em latim). Antes e depois da promulgação do rito de consagração episcopal de 1968, o significado dessa expressão provocou preocupações sobre sua suficiência para significar o sacramento.

(5) Dom Bernard Botte, o principal criador do novo rito, sustentou que, para os cristãos do século III, Espírito soberano conotava o episcopado, pois os bispos possuem “o espírito de autoridade” como “governantes da Igreja”. Spiritus principalis significa “o dom do Espírito próprio do chefe.”

(6) Tal explicação é falsa e maliciosa. Referência a dicionários, comentários bíblicos, Padres da Igreja, um tratado de dogmática e cerimônias de investiduras não sacramentais dos ritos orientais revelam que, em meio a uma dúzia de significados diferentes e às vezes contraditórios, Espírito soberano não significa especificamente nem o episcopado em geral, nem a plenitude das Santas Ordens que o bispo possui.

(7) Antes das controvérsia sobre isso ter surgido, o próprio Dom Botte disse que não via como a omissão da expressão Espírito soberano mudaria a validade do rito de consagração.

(8) A nova forma não atende aos dois critérios assinalados por Pio XII para a forma das Santas Ordens. (a) Porque o termo Espírito soberano pode significar muitas coisas ou pessoas diferentes, ele não significa univocamente o efeito sacramental. (b) Ela não possui qualquer termo que sequer equivocamente conote o poder da Ordem que um bispo possui – “a plenitude da sacerdócio de Cristo no ofício e ordem episcopal” ou “a plenitude ou totalidade do ministério sacerdotal.”

(9) Por essas razões, a nova forma constitui uma mudança substancial no significado da forma sacramental que confere o episcopado.

(10) Uma mudança substancial no significado de uma forma sacramental, como já demonstramos acima, torna o sacramento inválido.

C. Conclusão: Um sacramento inválido

Logo, por todas as razões expostas até aqui, uma consagração episcopal conferida com a forma sacramental do rito promulgado por Paulo VI em 1968 é inválida.


Compartilhar controvérsia

Oração a Nosso Senhor Jesus Cristo Rei

Compartilhar controvérsia

Oração a Nosso Senhor Jesus Cristo Rei

Ó Cristo Jesus! Reconheço-Vos como Rei universal. Tudo o que foi feito, por Vós foi criado. Exercei sobre mim todos os vossos direitos. Renovo as minhas promessas do Batismo, renunciando a Satanás, às suas pompas e às suas obras; e muito particularmente me comprometo a fazer triunfar, por todos os meios ao meu alcance, os direitos de Deus e da vossa Igreja!

Divino Coração de Jesus! Ofereço-Vos minhas pobres ações, para alcançar que todos os corações reconheçam vossa Realeza sagrada e assim se estabeleça no universo inteiro o reinado da vossa paz. Amém.

(Esta oração foi composta por Pio XI como renovação das promessas do Batismo. Pode ser rezada antes ou depois da comunhão.)

Cf. A Realeza de Cristo contra a Liberdade Religiosa.


Compartilhar controvérsia