Qual Igreja Pedófila? O vergonhoso conluio entre a Igreja Conciliar e a Imprensa Apóstata

Os Papas sempre disseram que a liberdade de expressão, de imprensa e de religião não devem ser concedidas a todos indiscriminadamente, mas somente aos que dizem a verdade e promovem a virtude. Aqueles que pregam a mentira, diziam os Vigários de Cristo em uníssono, precisam ser calados e aqueles que instigam a prática do mal precisam ser punidos. De fato, eles sabiam que, se o Estado desse essas liberdades ao povo, então não faltaria gente disposta à justificar, com mil-e-um artifícios, todo o tipo de barbaridade.

E não é que eles tinham toda razão? Veja o caso da pedofilia. Durante duas décadas inteirinhas a imprensa livre, leve e louca deu voz à escritores, artistas e diretores apóstatas, os quais faziam proselitismo de pedofilia, incesto, divórcio e todas as demais abominações prometidas pela “liberação sexual”. Qual foi o resultado? Exatamente aquele previsto pelos Romanos Pontífices: escândalos tão grandes que chegaram mesmo a causar horror naqueles que, até ontem, promoviam todas essas coisas!

E este é um exemplo entre outros, suficiente, porém, para demonstrar que libertar-se dos preceitos da Igreja equivale a entregar-se ao demônio.

Enquanto as pessoas continuarem pensando que o Catolicismo é objeto de crítica e não de máxima reverência, enquanto o povo não se dobrar diante dos ensinamentos salutares da única religião de Cristo, a sociedade permanecerá sendo o que ela é atualmente: o palco de todo o tipo de desordem espiritual, intelectual e moral.

É preciso escolher, ou Cristo ou caos, ou Deus ou o demônio, não há, nem nunca houve, uma terceira-via para a sociedade.

Que o país opte pelo caminho do bem, que a nação se converta, que Jesus seja adorado publicamente por todos os cidadãos e que a Igreja seja exaltada como guia e mestra do povo brasileiro.

REFERÊNCIAS

BENTO XVI. Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos. Tradução de Sofia Flávia Vieira et al. Parede: Lucerna, 2010, p. 35.

GUILLEBAUD, Jean-Claude. A Tirania do Prazer. Tradução de Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999, p. 29-32.

Carta de Mons. Moisés Carmona Rivera ao arcebispo conciliar de Santa Cruz de la Sierra

Esta carta é um documento entre tantos outros que demonstram que o Vaticano II não foi universalmente aceito pela Igreja Católica, ao contrário do que dizem alguns. Segundo o próprio autor dessa missiva, o Vaticano II foi aceito por bispos e padres covardes “que agora queimam o que antes adoravam, e que adoram o que antes queimavam”, muitos não eram progressistas de fato, mas “dela se apartaram para não perderem seu cargo”.

No meio de toda essa vergonha, porém, sempre houveram vozes que se ergueram para denunciar abertamente o cisma conciliar. Essas vozes são a Igreja Católica Apostólica Romana, a qual jamais abandonou sua missão de guardar o depósito da Fé.

O então “arcebispo” conciliar de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) afirmou publicamente que Monsenhor Moisés Carmona Rivera não era bispo, pois seu nome estava fora do Anuário Pontifício. Monsenhor Carmona lhe respondeu por meio desta carta, declarando que agradecia muito por seu nome não estar na lista dos bispos apóstatas.

Monsenhor Moisés Carmona Rivera
Monsenhor Moisés Carmona Rivera (1912-1991)

Santa Cruz de la Sierra, 24 de fevereiro de 1987

Monsenhor Luis Rodríguez Pardo
Arcebispo da Nova Igreja Pós-Conciliar.
Presente.-

Senhor Arcebispo:

Lendo vossas declarações nos diversos jornais da região, não pude deixar de sentir para com o senhor uma profundíssima admiração por haver declarado publicamente que meu nome não está na lista de todos os bispos do mundo, que o Anuário Pontifício publica a cada ano. Obrigado senhor Rodriguez! Agora já todos sabem que NÃO APOSTATEI como têm feito em massa todos os bispos com mui raras exceções; não! não! Meu nome não está na lista dos APÓSTATAS, na lista desses bispos que sem vergonha têm claudicado, e que no Vaticano II se portaram como COVARDES, não erguendo-se para defender o depósito da Fé que lhes foi confiado, e aceitando quantas mudanças e novidades lhes propunham aqueles que estavam interessados na ruína da Igreja.

Dissestes uma estupenda verdade: Meu nome não está nem estará jamais nessa ignominiosa lista de bispos renegados, que agora queimam o que antes adoravam, e que adoram o que antes queimavam.

Tampouco na lista dos autênticos e legítimos bispos estão os nomes de todos esses bispos desertores, entre os quais está o senhor, e os fiéis devem dar-se conta dessa verdade que é inegável: o senhor JÁ NÃO É BISPO DA IGREJA CATÓLICA, senão da NOVA Igreja que é a Igreja da APOSTASIA.

Afirma que sou um impostor. Quão fácil dizê-lo! Mas impostor não é aquele que não sendo já bispo católico nem pregando já as verdades divinas, aparenta sar e diz que é divino o que prega? POIS ESTE SOIS VÓS, SENHOR RODRIGUEZ, porque tendo desertado da Igreja que Cristo instituiu se passou às fileiras da Igreja Montiniana e segue agindo COMO SE FOSSE católico, e como se fossem verdades divinas as suas AMBIGUIDADES.

Também afirma que não estou em comunhão com a Igreja Católica. Pois saiba o senhor e saibam todos que desde que pelo batismo ingressei no Reino de Deus, que é a Igreja, por Cristo divinamente instituída, JAMAIS ME SEPAREI DELA; quando recebi do Bispo o sacramento da Ordem Sacerdotal, e quando ainda sem merecê-lo, me consagraram Bispo, fiz minha profissão de fé e o JURAMENTO ANTIMODERNISTA que mandou o Papa São Pio X, e em nenhum momento o quebrei.

Sigo, pois, em comunhão COM A VERDADEIRA IGREJA e quem não está em comunhão com ela são desertores, os que fazendo-se hereges, dela se apartaram para não perderem seu cargo; os que fizeram uma NOVA Igreja que eu detesto com toda minha alma; Verdade é que NÃO ESTOU com João Paulo II, como tampouco estive com João XXIII, Paulo VI, e João Paulo I, porque estes quatro “papas”, emanados do MODERNISMO condenado pelo mesmo Papa São Pio X, NÃO TEM SIDO LEGÍTIMOS sucessores de São Pedro, embora se apresentem como tais; e não tenho estado com esses “papas”, porque o Papa Paulo IV em sua Bula “Ex Apostolatus Officiio” disse que devemos evitar aos ilegítimos como se fossem feiticeiros, pagãos, publicanos ou heresiarcas.

Que saibam todos que eu NÃO ESTOU EM COMUNHÃO com essa NOVA Igreja que no Vaticano II, inspirada NÃO pelo Espírito Santo senão pelo espírito de Montini, deu a luz aos bispos “conciliares”. Essa Igreja NÃO É A IGREJA CATÓLICA, embora seja aceita por todo o povo, e embora ela esteja na hierarquia, pois é precisamente essa hierarquia APÓSTATA que tem traído Cristo e sua Igreja, que trai os FIÉIS conduzindo-os à apostasia universal.

 

Essa Igreja NÃO É A IGREJA DE CRISTO, senão a Igreja DO ANTICRISTO, e tampouco se deve estranhar que sucedam essas coisas, posto que desde há cem anos a Virgem de La Sallete anunciou que ROMA PERDERÁ A FÉ e que O ANTICRISTO ESTABELECERÁ A SUA SEDE EM ROMA.

Não disse que não sabem celebrar a Missa, mas que a “missa” que celebram NÃO É A MISSA CATÓLICA, que é a renovação do Sacrifício da Cruz e cujas partes essenciais se remontam aos tempos dos Apóstolos; a “missa” que celebram é uma CEIA PROTESTANTE e com ele estão PROTESTANTIZANDO OS FIÉIS sem que eles se deem conta disso, a NOVA “miss” foi o sinal de que uma NOVA RELIGIÃO substituía a que Cristo instituiu.

O mesmo Cardeal Bonelli reconheceu a 13 de outubro de 1976, conversando com M. de Sebestrer, presidente da “Una Voce Internacional”, que todas as novas formas de celebrar vão na mesma direção, enquanto que a antiga Misa representa outra eclesiología.

Quem agora quer salvar sua alma deve REGRESSAR à Igreja de sempre, à Igreja que NINGUÉM pode mudar; porque é IMUTÁVEL, nem NINGUÉM pode destruir porque é DIVINA. Agora que os hereges ficaram com nossos templos, não resta aos fiéis outro recurso que orar em suas próprias casas, rezar o Santo Rosário, estudar o Catecismo de antes e viver piedosamente cumprindo com fidelidade os Mandamentos de Deus.

+ Monseñor Moisés Carmona R.
BISPO DA IGREJA CATÓLICA


MILES CHRISTI. Disponível em: <http://wwwmileschristi.blogspot.com.br/2015/03/carta-de-mons-moises-carmona-rivera-al.html>. Acesso em: 16 jun. 2017.

A Heresia Hebraica de Francisco, Bento XVI, João Paulo II et al.

Francisco com os judeus
“Sinto-me feliz por estar aqui, entre vós, nesta Sinagoga… As nossas relações me interessam muito. Em Buenos Aires, costumava ir às sinagogas e me encontrar com as comunidades lá reunidas; seguia de perto as festividades e comemorações judaicas.” (Francisco, Alocução durante visita a Sinagoga de Roma, 18 jan. 2016)
Ratzinger na sinagoga de Satanás
“Também eu, no curso de meu Pontificado, quis demonstrar minha proximidade e meu afeto para com o povo da Aliança.” (Bento XVI, Alocução durante visita a Sinagoga de Roma, 17 jan. 2010)
João Paulo II em visita a Sinagoga de Roma
“Este povo persevera apesar de tudo, porque ele é o povo da Aliança, e apesar das infidelidades humanas, o Senhor é fiel a sua Aliança.” (João Paulo II, Alocução ao Simpósio sobre as Raízes do Antijudaísmo, 31 out. 1997)

Francisco, Bento XVI e João Paulo II afirmaram explicitamente que Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – ainda possui uma Aliança com os judeus. Eles se baseiam na doutrina conciliar, segunda a qual os judeus  “continuam ainda, por causa dos patriarcas, a ser muito amados de Deus, cujos dons e vocação não conhecem arrependimento” (Paulo VI, Vaticano II, Nostra Aetate n. 4, 28 out. 1965). Essa afirmação é contrária à doutrina católica de que não é possível agradar a Deus senão pela fé em Jesus Cristo, “não há salvação em nenhum outro, porque do céu abaixo nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual nós deveremos ser salvos.” (At. 4,12).

Os seguintes textos permitem ao leitor confrontar esta doutrina nova ensinada pelo Vaticano II e seus profetas com a doutrina católica de sempre.

Leia também: Kurt Hruby: Exemplo de judeu infiltrado e desprezo pelas Imagens Sagradas

DECLARAÇÕES NOVUS ORDO SOBRE OS JUDEUS

Um olhar muito especial é dirigido ao povo judeu, cuja Aliança com Deus nunca foi revogada, porque “os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis” (Rm 11, 29). A Igreja, que partilha com o Judaísmo uma parte importante das Escrituras Sagradas, considera o povo da Aliança e a sua fé como uma raiz sagrada da própria identidade cristã (cf. Rm 11, 16-18). Como cristãos, não podemos considerar o Judaísmo como uma religião alheia, nem incluímos os judeus entre quantos são chamados a deixar os ídolos para se converter ao verdadeiro Deus (cf. 1 Ts 1, 9). Juntamente com eles, acreditamos no único Deus que atua na história, e acolhemos, com eles, a Palavra revelada comum.

(Francisco, Evangelii Gaudium, n. 247, 24 nov. 2013)

Quando meu Venerável Predecessor, João Paulo II, veio até vós pela primeira vez… ele quis fazer uma contribuição decisiva visando o fortalecimento das boas relações entre as nossas comunidades, a fim de superar todo preconceito e incompreensão. Minha visita faz parte de uma jornada já começada, venho confirmá-la e aprofundá-la…

O ensinamento do Concílio Vaticano II representou para os católicos uma clara divisa para a qual fazemos constante referência na nossa atitude e nas nossas relações com o povo judeu, marcando um estágio novo e significativo. O Concílio deu um novo ímpeto ao nosso irrevogável compromisso de buscar o caminho do diálogo, fraternidade e amizade, uma jornada que tem sido aprofundada e desenvolvida nos últimos quarenta anos por meio de passos importantes e gestos significativos… Também eu, no curso de meu Pontificado, quis demonstrar minha proximidade e meu afeto para com o povo da Aliança.

(Bento XVI, Alocução durante visita a Sinagoga de Roma, 17 jan. 2010)

Este povo foi reunido e conduzido por Deus, o Criador do Céu e da Terra. Logo, sua existência não é um mero fato de natureza ou de cultura, no sentido de que pela cultura o homem manifesta as virtudes de sua própria natureza. Ele é um fato sobrenatural. Este povo persevera apesar de tudo, porque ele é o povo da Aliança, e apesar das infidelidades humanas, o Senhor é fiel a sua Aliança. Ignorar esse fato primário é tomar o caminho do marcionismo contra o qual a Igreja reagiu imediatamente e vigorosamente, consciente de sua ligação vital com o Velho Testamento, sem o qual o Novo Testamento seria desprovido de seu significado.

(João Paulo II, Alocução ao Simpósio sobre as Raízes do Antijudaísmo, 31 out 1997)

DECLARAÇÕES DA IGREJA CATÓLICA SOBRE OS JUDEUS

Por isso eu vos declaro que tirado vos será o reino de Deus, e será dado a um povo que faça os frutos dele.

(Nosso Senhor Jesus Cristo, o Messias, Mat. 21,43)

Quem a mim despreza, despreza Àquele que me enviou… Todas as coisas me tem sido entregues por meu Pai. E ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai, e nem quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quer revelar. (Lc 10,16.22)

Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus seja o Cristo? Este tal é um anticristo, que nega o Pai e o Filho.

(São João Evangelista e Apóstolo, 1Jo. 2,22)

E se vós sois de Cristo, logo vós sois a semente de Abraão, os herdeiros da promessa.

(São Paulo Apóstolo, Gal. 2,29)

E primeiramente com a morte do Redentor, foi abrogada a antiga Lei e sucedeu-lhe o Novo Testamento; então com o sangue de Cristo foi sancionada para todo o mundo a Lei de Cristo com seus mistérios, leis, instituições e ritos sagrados. Enquanto o divino Salvador pregava num pequeno território – pois que não fora enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (cf. Mt 15, 24) – corriam juntos a Lei e o Evangelho, mas no patíbulo, onde morreu, anulou a Lei com as suas prescrições (cf. Ef 2, 15), afixou a cruz o quirógrafo do Antigo Testamento (cf. Cl 2, 14), estabelecendo, com o sangue, derramado por todo o gênero humano, a Nova Aliança (cf. Mt 26, 28; 1 Cor 11, 25). “Então, diz S. Leão Magno falando da cruz do Senhor, fez-se a transferência da Lei para o Evangelho, da Sinagoga para a Igreja, de muitos sacrifícios para uma única hóstia, tão evidentemente, que ao exalar o Senhor o último suspiro, o místico véu, que fechava os penetrais do templo e o misterioso santuário, se rasgou improvisamente de alto a baixo”.

Portanto na cruz morreu a Lei antiga; dentro em pouco será sepultada e se tornará mortífera, para ceder o lugar ao Novo Testamento, para o qual tinha Cristo escolhido ministros idôneos na pessoa dos apóstolos (cf. 2 Cor 3,6): e é pela virtude da cruz que o Salvador, constituído cabeça de toda a família humana já desde o seio da Virgem, exerce plenamente o seu múnus de cabeça da Igreja.

(Papa Pio XII, Mystici Corporis, n. 28s, 29 jun. 1943)

A Igreja crê firmemente, professa e ensina que as prescrições legais do Antigo Testamento, isto é, a Lei mosaica, que se dividem em cerimônias, sacrifícios sagrados e sacramentos, mesmo porque instituídos para significar algo futuro, ainda que adequadas ao culto divino daquela época, com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, por elas significado, cessaram, e que tomaram início os sacramentos do Novo Testamento. Ela ensina que peca mortalmente todo aquele que voltar a pôr, depois da paixão de Cristo, sua esperança naquelas prescrições legais e as observa como se fossem necessárias à salvação e a fé no Cristo não pudesse salvar sem elas. A Igreja não nega, todavia que, no tempo entre a paixão de Cristo e a promulgação do Evangelho, elas pudessem ser observadas, mesmo que não fossem julgadas necessárias à salvação; depois do anúncio do Evangelho, porém, não podem mais ser observadas sem a perda da salvação eterna. Todos, portanto, que depois disso observam os tempos de circuncisão, do sábado e de outras disposições da lei, ela os denuncia como estranhos à fé em Cristo, não podendo de todo participar da salvação eterna.

(Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, 4 fev. 1442; Denz 712)

Contudo, eles não estão tentando observar os preceitos da antiga lei que, como todos sabem, foi revogada pela vinda de Cristo… A primeira consideração a ser feita é que as cerimônias da Lei Mosaica foram revogadas com a vinda de Cristo e que elas já não podem ser observadas sem pecado depois da promulgação do Evangelho.

(Papa Bento XIV, Ex Quo Primum, nn. 59 e 61, 1 mar. 1756)

Leia também: Judaísmo, Racismo e Antissemitismo

O cisma do Vaticano II

Dom Antônio de Castro Mayer em Monitor Campista, 23/02/1986 (via FSSPX) explica com admirável sagacidade e concisão o porquê o Concílio Vaticano II é herético e cismático e, portanto, não pode ser contado entre os Concílios Ecumênicos da Igreja Católica. Em suma, o falso concílio apresenta uma série de doutrinas que se afastam da pureza e integridade dos ensinamentos da Igreja como se elas fossem parte do corpo doutrinal da Igreja.

Dom Antônio de Castro Mayer o Leão de Campos
Dom Antônio de Castro Mayer (20/06/1904-25/04/1991), o Leão de Campos, Paladino da Fé Católica.

Cismáticos, define o Código de Direito Canônico, são os fiéis que se separaram do corpo da Igreja, constituído pelo Papa e os bispos em união com ele. Vão mais diretamente contra a Caridade, do que contra a Fé. Assim, antes do primeiro concílio do Vaticano, poder-se-ia cogitar de um que chegasse à heresia. Exemplo histórico é o fato constituído pela “petite église”, formada pelos bispos e fiéis que não acataram a decisão de Pio VII, quando, cedendo às exigências de Napoleão, destituiu todos os bispos fiéis à monarquia de Luiz XVI. Esses bispos e fiéis não aderiram a nenhum erro doutrinário, mas não acataram a decisão do Papa. Afastaram-se, apenas, do Papa e dos bispos que com o Papa se mantiveram unidos. Foi um Cisma. Não foi uma heresia.

Visto o primeiro concílio do Vaticano ter definido como dogma de Fé que o Romano Pontífice tem, na Igreja, o poder supremo de Jurisdição sobre bispos e fiéis, não há mais possibilidade de se figurar um cisma que não seja também heresia, que não rejeite uma verdade de Fé.

No entanto, como a heresia, o cisma, em geral, envolve também discordância doutrinária. É assim que se fala no cisma de Santo Hipólito, no século III, quando o Santo recusou aceitar a autoridade do Papa São Calixto. Cisma, então poderia definir-se um corpo de doutrina que se apresentaria como lote doutrinário da Igreja, e que, na realidade, se afastaria da pureza e integridade dos ensinamentos da mesma Igreja.
No caso do Vaticano II, este poderá e deverá ser apontado como cismático, desde que se mostre que, nos seus textos autênticos, há ensinamentos destoantes da Fé tradicional da Igreja.

Ora semelhante dissonância foi notada, mesmo durante os trabalhos conciliares. É, aliás, de todos conhecida a liberdade religiosa, reivindicada pelo Concílio como direito natural, mesmo para aqueles que não cumprem o dever de investigar qual a verdadeira religião. Em outras palavras, o Concílio admite que semelhante direito seja reconhecido por todos os Estados. Tal ensinamento do Vaticano é diametralmente oposto à doutrina tradicional, renovada por Pio IX na encíclica “Quanta Cura”.

Esse é um exemplo. Há muito mais.

Diante dessa posição cismática do Vaticano II, o bem das almas impõe a absoluta necessidade de eliminá-la antes de cuidar de eventuais outras, que possam aparecer. Aliás, o Vaticano II não poderá ser apresentado como concílio da Igreja Católica.

A invalidade do Rito de Consagração Episcopal de 1968

ABSOLUTAMENTE NULO E TOTALMENTE VÃO

O Rito de Consagração Episcopal de 1968

Pe. Anthony Cekada
www.traditionalmass.org

Traduzido por Diogo Rafael Moreira

Francisco impondo as mãos

ÍNDICE
I. PRINCÍPIOS A APLICAR
II. ORIGEM DO NOVO RITO
III. A FORMA DE PAULO VI
IV. UMA FORMA DO RITO ORIENTAL?
V. UMA OUTRA FORMA APROVADA?
VI. O PODER DO EPISCOPADO?
VII. MUDANÇA SUBSTANCIAL?
VIII. UM SACRAMENTO INVÁLIDO
IX. SALVA PELO CONTEXTO?
X. APROVADA PELO PAPA?
XI. RESUMO
APÊNDICE 1
APÊNDICE 2

Quando não houverem mais sacerdotes validamente ordenados, eles permitirão a Missa em Latim.
— Rev. Carl Pulvermacher OFM Cap
Antigo Editor da Revista The Angelus

Conserve a casca, mas remova a substância.
— V. Lênin

Nos anos sessenta, os católicos que estavam perturbados com as mudanças litúrgicas pós-Vaticano II já começavam a se preocupar com a validade dos sacramentos conferidos nos novos ritos. Um momento forte nos Estados Unidos ocorreu em 1967 quando Patrick Henry Omlor publicou a primeira edição de seu estudo, Questionando a validade das Missas ditas segundo o cânon de língua inglesa, uma obra que, mesmo antes da promulgação do Novus Ordo em 1969, consolidou a então incipiente resistência tradicionalista.

Como os “reformadores” modernistas revisaram os outros ritos sacramentais – Confirmação, Penitência e Extrema-Unção – os tradicionalistas também questionaram a validade desses sacramentos e procuraram padres que oferecessem a Missa tradicional e celebrassem nos ritos antigos.

A Ordem foi um sacramento com o qual os tradicionalistas não parecem ter se preocupado tanto. Certo, não havia vocações. E visto que poucos leigos tinham chegado a assistir uma ordenação e ainda menos sabiam o que tornava uma ordenação válida, a questão de como e se as mudanças litúrgicas afetaram a validade das Santas Ordens foi um tópico que passou despercebido.

Eu me deparei com o assunto por acidente no meu primeiro ano (1975-76) no Seminário da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em Écône, Suíça. Fui pedir ao Arcebispo Marcel Lefebvre se os meus amigos conservadores do antigo seminário em que estive poderiam trabalhar na Fraternidade depois da ordenação. Ele me disse que sim, a princípio, mas primeiro eles teriam de ser ordenados sob condição, porque Paulo VI tinha mudado o rito das Santas Ordens.

O arcebispo explicou que a nova forma (forma essencial) do rito de ordenação sacerdotal era duvidosa, pois uma palavra tinha sido removida. A nova forma de consagração episcopal, prosseguiu o Arcebispo, era completamente diferente e, portanto, inválida.

Apesar da gravidade da questão, apenas alguns tradicionalistas examinaram os ritos de ordenação pós-Vaticano II (1), mesmo depois que começaram a se multiplicar as Missas de Indulto. Essas missas eram cada vez mais rezadas por padres ordenados por bispos consagrados no novo rito, que pertenciam a grupos tais como a Fraternidade São Pedro. Se o bispo ordenante tivesse sido consagrado invalidamente, então os sacramentos ministrados por esses sacerdotes seriam igualmente inválidos.

O assunto, porém, reapareceu depois que Bento XVI foi eleito em 2005. O Cardeal Joseph Ratzinger, apontado como arcebispo e cardeal por Paulo VI, foi consagrado no novo rito a 25 de maio de 1977. Seria ele – ponha-se de lado a controvérsia sedevacantista – um verdadeiro bispo?

No verão de 2005, uma editora tradicionalista francesa, Editions Saint-Remi, publicou o primeiro volume de Rore Sanctifica (2), um vasto dossiê de documentos e comentários sobre o rito de consagração episcopal de Paulo VI. O estudo, que em sua capa figurava lado a lado fotos de Ratzinger e do Superior Geral da FSSPX, Mons. Bernard Fellay, concluía que o novo rito era inválido.

Isso naturalmente chamou a atenção dos altos escalões da FSSPX da Europa, que naquele tempo estavam em negociações com Bento XVI para obter um status especial na igreja do Vaticano II. Como os superiores da FSSPX poderiam unir os tradicionalistas a um papa que nem mesmo era um bispo?

Os dominicanos de Avrillé, França, uma ordem religiosa tradicionalista na órbita da FSSPX, imediatamente assumiu a tarefa de provar de maneira convincente a validade do novo rito. Um deles, Pe. Pierre-Marie OP, produziu um extenso artigo a favor da validade, o qual foi publicado pelos dominicanos na Sel de la Terre (3), sua revista trimestral.

Thilo Stopka, um antigo seminarista da FSSPX da Europa, desafiou as conclusões de Pe. Pierre-Marie e, em seguida, publicou uma grande quantidade de informações na internet para refutá-las.

Enquanto isso, The Angelus, a revista oficial da FSSPX nos EUA, prontamente traduziu o artigo de Pe. Pierre-Marie para o inglês, publicando-o em duas edições sucessivas (dezembro de 2005 e janeiro de 2006) sob o título “Por que o novo rito de consagração episcopal é válido.”

Considerei irônico e triste que um tal artigo aparecesse na The Angelus. Em Agosto de 1977 eu visitei um tradicionalista da velha guarda em Upper Michigan chamado Bill Hanna. Ele compartilhou comigo sua frase favorita de Pe. Carl Pulvermacher, um capuchinho que trabalhou com a FSSPX e mais tarde foi o redator chefe da The Angelus: “Quando não houver mais padres validamente ordenados, eles permitirão a Missa em Latim.”

Padre Carl parece ter sido um pouco profeta.

No seu artigo da The Angelus, o Pe. Pierre-Marie argumentou que o rito de consagração episcopal de Paulo VI  seria válido, porque se serve das orações de consagração episcopal que eram praticamente as mesmas que são (a) usadas nos ritos orientais da Igreja Católica, ou (b) que tinham sido usadas outrora na Igreja antiga.

Note bem: Paulo VI fez essas mesmas afirmações quando promulgou o novo rito de consagração em 1968, e ambas são comprovadamente falsas. É espantoso que os superiores da FSSPX as tenham reciclado para vender a validade desse mesmo rito aos leigos tradicionalistas que não são capazes de suspeitar desse problema.

Com o intento de apoiar sua argumentação, o Pe. Pierre-Marie apresenta várias tabelas que comparam diversos textos latinos. Elas serão discutidas no Apêndice.

Quanto ao restante do artigo, a maioria dos leitores provavelmente se afastou dele inteiramente estupefata. Pois embora o Pe. Pierre-Marie tenha dito que “procederia conforme o método escolástico para tratar a matéria com o máximo de rigor possível”, ele jamais chegou a centrar-se claramente nas duas questões principais:

(1) Quais princípios a teologia católica emprega para determinar se uma forma sacramental é válida ou inválida?

(2) Como esses princípios se aplicam ao novo rito de consagração episcopal?

Responderemos ambas as questões e tiraremos as devidas conclusões. Nossa discussão pode ser um pouco técnica às vezes – então providenciei um resumo (seção XI) para onde o leitor pode pular caso se encontre demasiadamente indisposto a falar sobre coptas, maronitas, Hipólito e o misterioso Espírito soberano.

I. Princípios a aplicar


Primeiramente, para o benefício dos leitores leigos, vamos rever alguns princípios que são usados para determinar se uma forma sacramental é válida. Os conceitos não são complicados.

A. O que é uma forma sacramental?

Na aula de catecismo todos nós aprendemos a definição de sacramento: “Um sinal visível instituído por Cristo para comunicar a graça.”

O “sinal visível” da definição se refere ao que nós vemos e ouvimos quando um sacramento é conferido – o padre derrama a água sobre a cabeça da criança e recita a fórmula “Eu te batizo” etc.

A teologia católica ensina que em todo sacramento esse sinal visível consiste na junção de dois elementos:

  • Matéria: alguma coisa ou ação perceptível aos sentidos (derramar água, pão e vinho etc.)
  • Forma: as palavras recitadas que na verdade produzem o efeito sacramental (“Eu te batizo…”, “Este é o meu Corpo…”, etc.)

Cada rito sacramental, não importa quantas orações e cerimônias a Igreja tenha prescrito para ele, contém ao menos um esquema que os teólogos católicos ou os pronunciamentos autoritativos da Igreja designaram como sua forma essencial.

B. A omissão da forma

Todos os católicos sabem de cor ao menos uma forma sacramental: “Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

Se num batismo o padre diz todas as outras orações e realiza todas as outras cerimônias, mas omite esta fórmula quando ele derrama a água, o sacramento é inválido (não funciona), a graça prometida por Cristo não é conferida e a criança não é batizada.

Até aqui tudo é bastante óbvio.

C. Mudanças na forma

Mas surge uma outra questão: O que acontece se as palavras de um sacramento são mudadas? Como isso afeta a sua validade?

A resposta depende se ela resultou numa mudança de significado. Os teólogos distinguem dois tipos de mudança:

Substancial. (Mudança de significado = inválida.)
Isso ocorre “quando o significado da forma mesma é corrompido… se as palavras tiverem um significado diferente daquele pretendido pela Igreja.” (4) Em outras palavras: se a forma “é mudada de tal maneira que o significado pretendido ou querido por Cristo já não se exprima completa e inequivocamente por meio dela.” (5) Uma mudança substancial na forma sacramental é introduzida pelo acréscimo, omissão, corrupção, transposição ou troca de palavres da forma, ou interrompê-las de tal modo que a forma já não mantenha o mesmo significado (6). Aqui vão dois exemplos:

  • Corrupção de palavras: Um sacerdote modernista diz: “Eu te batizo em nome da Mãe e do Filho…” Ele introduziu uma nova palavra que muda o significado de um dos elementos essenciais da forma – Pai. O batismo foi inválido (7).
  • Omissão de palavras. Um novo sacerdote que está nervoso e ainda não memorizou bem a foma diz: “Eu batizo em nome do do Pai e do Filho…” omitindo o “te”. Ou então, ele diz o “te” mas omite a palavra “batizo”. Posto que a forma sacramental deve expressar de algum modo quem está recebendo o sacramento como também a ação sacramental mesma, omitir o “te” ou o “batizo” muda o significado e torna o sacramento inválido (8).

(2) Acidental. (Mesmo significado = ainda válido.)
Essa é uma mudança que não altera o significado substancialmente.

Exemplo: No lugar de dizer “Eu te batizo…”, o sacerdote diz “Eu te lavo em nome do Pai…”. O significado permaneceu o mesmo, porque ele substituiu uma das palavras da forma por um sinônimo exato (batizar é o grego para “lavar”). A mudança, portanto, foi apenas acidental. O batismo foi válido (9).

Essa distinção entre mudança substancial e acidental será um conceito-chave no exame da validade da forma de consagração episcopal de 1968. Se a nova forma constitui uma mudança substancial no significado, ela é inválida.

D. Usando uma forma do rito oriental

As formas sacramentais em uso nos ritos orientais da Igreja Católica às vezes diferem grandemente em palavras daquelas usadas pelo rito latino. Mas o significado substancial é sempre o mesmo.

Exemplo: o rito ucraniano usa a seguinte forma batismal: “O servo de Deus N. é batizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” (10)

Ela conserva cada conceito que os teólogos dizem que devem aparecer na foma válida do batismo: o ministro (ao menos implicitamente, “é batizado”), o ato de batizar, o recipiente, a unidade da essência divina e a trindade das pessoas expressa sob nomes distintos (11).

Além disso, no caso de um grupo cismático oriental que se submeteu ao papa, a Igreja examinou as orações e cerimônias de seus ritos sacramentais para garantir que eles ficassem livres de erros doutrinais e contivessem todos os elementos necessários para conferir verdadeiros sacramentos.

Logo, se um bispo ou sacerdote administra um sacramento usando uma forma sacramental idêntica a uma contida num sacramentário oriental devidamente aprovado, pode-se ter certeza de que o sacramento será válido.

Esse princípio também aparecerá em nossa discussão, pois o Pe. Pierre-Marie baseia muito de sua argumentação em prol da validade do novo rito sobre elementos supostamente comuns entre o rito oriental de consagração episcopal e a nova forma de Paulo VI.

Também foi este mesmo argumento, dito por Franz Schmidberger – a nova forma era “rito oriental” -, que levou o Arcebispo Lefebvre a abandonar a sua posição original de que o novo rito de consagração episcopal era inválido (12).

E. Requisitos da forma das Santas Ordens

O que nós estamos procurando especificamente no novo rito de consagração episcopal? O que devem expressar as palavras da forma que conferem as Santas Ordens?

Pio XII em sua Constituição Apostólica Sacramentum Ordinis, assinalou o princípio geral ao declarar que as Santas Ordens devem “significar univocamente os efeitos sacramentais – isto é, o poder da ordem e a graça do Espírito Santo.” (13)

Observe que os dois elementos que as palavras devem exprimir de forma unívoca (i.e., sem ambiguidade) são a ordem específica que é conferida (diaconado, presbiterado, episcopado) e a graça do Espírito Santo.

Logo devemos determinar se a nova forma é realmente unívoca na expressão desses efeitos.

F. Consagração Episcopal em particular

No mesmo documento, tendo assinalado o princípio geral, Pio XII então declarou que as seguintes palavras, contidas no Prefácio consacratório do rito de consagração episcopal, constituem a forma sacramental essencial para conferir o episcopado:

“Completai em vosso sacerdote a plenitude do Vosso ministério, e adornado da vestimenta de toda glória, santificai-o com o orvalho da unção celestial.” (14)

Essa forma significa univocamente os efeitos sacramentais como segue:

(1) “A plenitude do Vosso ministério,” “vestimenta de toda glória” = o poder da Ordem do episcopado.

(2) “O orvalho da unção celestial” = a graça do Espírito Santo.

A questão é se a nova forma faz o mesmo.

II. Origem do novo rito

Em 1964 Paulo VI confiou a implementação das mudanças litúrgicas prescritas pelo Vaticano II a uma nova agência vaticana conhecida como “Consilium’. Essa organização era composta por centenas de prelados, divididos conforme sua especialidade em trinta e nove “grupos de estudo”. O Secretário da Consilium e seu verdadeiro chefe era o Pe. Annibal Bugnini, um modernista litúrgico e alegadamente maçom, que escreveu a constituição sobre a sagrada liturgia do Concílio.

O grupo de estudo 20 tinha a tarefa de “reformar” o rito das Santas Ordens, seu líder foi o monge beneditino Dom Bernard Botte (1893-1980), especialista nas linguagens da liturgia oriental e também ele um modernista litúrgico.

Sua mais famosa realização acadêmica foi uma nova edição de A Tradição Apostólica de Santo Hipólito, uma coleção de antigos textos da liturgia cristã (15). Um desses se tornaria a Oração Eucarística II da Missa Nova – excetuando suas referências ao demônio, inferno, salvação dos justos somente e o sacerdote sacrificante.

Dom Botte propôs que outro texto dessa mesma coleção fosse introduzido no rito de consagração episcopal para substituir o tradicional Prefácio consacratório. O antigo Prefácio, disse ele, possuía “pobre conteúdo doutrinal”, era orientado “quase exclusivamente para o papel litúrgico do bispo”, uma “forma híbrida, pobremente balanceada” (16). Era preciso de algo que exprimisse melhor a teologia do Vaticano II.

A oração de consagração episcopal de Hipólito, disse Dom Botte, sobreviveu em versões “mais desenvolvidas” no rito sírio e copta. Empregada no rito romano, disse ele, ela “afirmaria igualmente uma unidade de concepção entre o Oriente e o Ocidente sobre o episcopado” – ou seja, alegraria os cismáticos orientais, que também faziam uso desses ritos. “Esse era um argumento ecumênico. Foi decisivo.” (17)

Foi assim que o texto de Botte, extraído quase palavra por palavra de sua obra de 1963, veio a ser o novo Prefácio de Consagração Episcopal promulgado por Paulo VI em junho de 1968. (18)

III. A forma de Paulo VI

Paulo VI designou a seguinte passagem do Prefácio como a nova forma para a consagração de um bispo:

“Enviai agora sobre este eleito a força que de Vós procede, o Espírito soberano, que destes ao Vosso Amado Filho Jesus Cristo, e ele aos Santos Apóstolos, que fundaram a Igreja por toda parte, como vosso templo, para a glória e perene louvor do vosso Nome.” (19)

Toda disputa sobre a validade do novo rito de consagração episcopal se concentra sobre esta passagem.

À primeira vista, ela parece mencionar o Espírito Santo. Porém, ela não parece mencionar especificamente o poder da Santa Ordem que está sendo conferida – a plenitude do sacerdócio que constitui o episcopado – que a forma tradicional exprime tão bem.

Então, essa nova forma é capaz de conferir o episcopado?

A fim de respondê-lo, aplicaremos os princípios destacados na primeira seção. Procederemos dos argumentos mais fortes para os mais fracos.

IV. Uma forma do Rito Oriental?

Questão: A nova forma foi empregada num rito católico oriental como a forma sacramental para conferir o episcopado?

Se sim, essa seria a mais forte evidência em favor da validade da nova forma. Poder-se-ia demonstrar que ela, portanto, atendeu ao critério enunciado por Pio XII sobre a forma das Santas Ordens, pois ela já estaria entre as palavras que são “aceitas e usadas pela Igreja neste sentido.” (20)

Na sua Constituição Apostólica que promulgou o novo rito, Paulo VI diz que o novo Prefácio de Consagração Episcopal é tomado de A Tradição Apostólica de Hipólito (um documento que será discutido na quinta seção), que continua a ser usado “em grande medida” para a consagração episcopal por dois ritos católicos orientais em particular: o copta e o sírio ocidental.

E realmente sobre esta base o Pe. Pierre-Marie argumentou: “A utilização da forma que está em uso em dois ritos orientais certamente válidos garante sua validade.” (21)

Mas esta afirmação factual é realmente verídica? A forma de Paulo VI está realmente em uso nesses dois Ritos Orientais?

Tudo o que é necessário fazer é (1) verificar a partir de livros de teologia quais orações dos ritos orientais de consagração são consideradas as formas sacramentais, (2) examinar esses textos e (3) compará-los com a forma de Paulo VI.

Os dois pontos gerais que emergem para derrotar o argumento do rito oriental são:

(1) A forma sacramental que Paulo VI prescreveu para conferir o episcopado consiste meramente de uma frase. As formas do rito oriental, porém, consistem de toda uma oração, ou mesmo uma série de orações, compostas por centenas de palavras.

Assim, a vista disso, a forma de Paulo VI – composta meramente por 42 palavras – não pode ser descrita como uma forma “em uso em dois ritos orientais certamente válidos.”

(2) Nem se poderia afirmar que todo o Prefácio de Consagração Episcopal de Paulo VI (212 palavras em latim) é de algum modo “aceito por dois ritos orientais certamente válidos”. O Prefácio realmente possui algumas frases encontradas nas formas do rito oriental – mas existem omissões e variações significativas. Ainda assim, ele não é idêntico a qualquer uma delas.

Logo, dos dois lados, a nova forma não pode estar entre as palavras “aceita e usada pela Igreja” como uma forma sacramental das Santas Ordens.

Eis alguns detalhes.

A. Forma do Rito Copta?

Esse grupo uniata provém dos hereges monofisistas (= Cristo tem só uma natureza) que, depois do Concílio de Calcedônia (451), entraram em cisma sob o Patriarca de Alexandria (Egito), seguindo um longo período de declínio (Veja Apêndice).

Até o século XIX um bom número de coptas renunciou a seus erros e se submeteu ao Papa para que a Santa Sé os organizasse em seu próprio rito uniata.

Em 1898 seu Sínodo decretou que, para as três ordens maiores no rito copta, “a forma é a oração que o bispo ordenante recita durante a imposição das mãos sobre o ordenado.” (22) O teólogo dogmático Heinrich Denzinger, mais conhecido por seu Enchiridion Symbolorum, uma coleção de textos dogmáticos, também publicou uma coleção de textos litúrgicos orientais, o Ritus Orientalium. Na sua longa introdução a essa obra, Denzinger explica que a forma sacramental de consagração episcopal no rito copta “é a oração Qui es, Dominator, Deus omnipotens, que no ritual mesmo é chamada de oração de imposição das mãos.” (23)

Observe o seguinte:

(1) Essa oração é um Prefácio com cerca de 340 palavras em latim (24). A forma de Paulo VI tem 42. As duas formas, portanto, não podem ser iguais.

(2) Esse longa forma copta menciona três poderes sacramentais específicos considerados como próprios unicamente da ordem episcopal: “a fim de estabelecer um clero segundo o Vosso mandamento para o sacerdócio… novas casas de oração, e consagrar altares.” (25)

Embora o Prefácio de Paulo VI que cerca a nova forma contenha muitas frases encontradas na forma copta (inclusive “o Espírito soberano” que discutiremos abaixo), ele omite essas frases.

Essa omissão é particularmente significativa, pois a disputa sobre a validade da forma de Paulo VI gira em torno da questão de se ela exprime adequadamente o poder da ordem sendo conferida – ou seja, o episcopado.

B. Forma do Rito Maronita?

No século V alguns sírios se tornaram hereges monofisistas e, assim como os coptas, entraram em cisma depois do Concílio de Calcedônia. Eles são também conhecidos como “jacobitas” por Jacó Baradai, que foi sagrado bispo clandestinamente no século VI e organizou esse movimento.

Outros sírios-ocidentais, que se opuseram aos monofisistas, vieram a ser chamados de maronitas (pelo monastério de São Maro, seu centro). A maioria dos maronitas se fixou no Líbano e ficaram conhecidos por sua profunda devoção à Santa Sé.

Os maronitas adotaram alguns elementos externos do rito romano (vestimentas, estilo do altar etc.), mas de resto continuaram a seguir o rito de Antioquia, uma das antigas sés patriarcais.

Conforme Denzinger, a forma de consagração episcopal no rito maronita consiste nas orações Deus qui universam Ecclesiam tuam per istos pontifices in manus impositione exornas, etc, Deus deorum et Dominus dominantium.” (26)

A comparação com o rito de Paulo VI revela o seguinte:

(1) A forma maronita é um prefácio de pelo menos 370 palavras intercaladas por imposições de mãos sobre a cabeça do candidato. Reza-se para que o candidato receba “a sublime ordem episcopal”, com orações subsequentes implorando a Deus duas vezes para “plenificar” a sua graça e ministério sacerdotal. (27) Essa forma não tem nada em comum com a forma de Paulo VI.

(2) Na página seguinte do rito maronita de consagração episcopal, existe uma oração que possui algumas frases em comum com a forma de Paulo VI (e.g.  o Espírito soberano), mas, mesmo isso ocorrendo durante a cerimônia, essa não é a forma sacramental maronita (28).

(3) A oração maronita que mais se parece com a forma de Paulo VI e o Prefácio de Consagração Episcopal se encontra no Rito de Consagração do Patriarca Maronita. (29) E, de fato, Pe. Pierre-Marie reproduz muito desse texto para apoiar os argumentos em prol da validade do novo rito.

Porém, esta oração não é uma forma sacramental feita para conferir o episcopado. Ela é meramente uma oração de entronização, pois o Patriarca Maronita já é um bispo quando é designado para essa função.

C. Forma do rito sírio?

Entre os séculos XVII e XIX vários bispos jacobitas, incluindo até mesmo um Patriarca de Antioquia, abjuraram de seus erros e se submeteram à Santa Sé. No século XIX o Papa estabeleceu um Patriarcado de Antioquia de rito sírio localizado em Beirut, Líbano. (Em meados do século XX, muitos católicos de rito sírio viviam no Iraque.)

Os sírios, assim como os maronitas, seguem o rito de Antioquia, mas existem algumas diferenças entre eles.

A forma de consagração episcopal no rito sírio, de acordo com Denzinger, consiste ou nas orações usadas no Rito Maronita, ou numa outra: “Deus qui omnia per potentiam tuam,”  (30) recitada depois que o Patriarca impõe sua mão direita sobre a cabeça do ordenado.

Novamente, comparemos essa oração com a forma de Paulo VI:

(1) O rito sírio tem cerca de 230 palavras (31) contra as 42 palavras do rito de Paulo VI. Novamente, não são iguais.

(2) Ainda com mais detalhe que no rito copta, a forma síria enumera poderes sacramentais específicos considerados como próprios da ordem episcopal, que ele “faça padres, unja diáconos, consagre altares de igrejas, abençoe casas, chame vocações para o ofício eclesiástico.” (32)

E novamente, muito embora a forma de Paulo VI e o Prefácio contenham algumas frases presentes na forma síria (e.g. “o Espírito soberano”, “apascenta” [meu rebanho], “desata o que está atado”), as expressões precedentes estão ausentes.

(3) No rito sírio, assim como no rito maronita, a oração que mais se parece com a forma e o prefácio de Paulo VI é uma utilizada na “consagração” do Patriarca (33).

Novamente, porém, não se trata de uma oração sacramental para a consagração de um bispo, e isso fica claro pelo seguinte:

O livro sírio prescreve a mesma ordem de ações para o rito sacramental de consagração do bispo e para o rito de consagração do Patriarca, excetuando somente um texto. Para a consagração do Patriarca, o bispo ordenante omite a oração designada como a forma da consagração episcopal (a oração Deus, qui omniam per potentiam tuam) e a substitui pela “Oração de Clemente” (34), um texto semelhante ao Prefácio de Paulo VI.

Dois termos diferentes são utilizados para distinguir o rito sacramental de consagração episcopal do rito não sacramental de consagração do Patriarca. O primeiro rito é designado uma “imposição de mãos” enquanto o outro é referido com um termo que significa “confiar ou investir alguém com um dever.” (35)

Um liturgista sírio explica: “No primeiro caso [consagração episcopal], o bispo recebe um carisma diferente daquele que ele já possui… No segundo, o Patriarca não recebe um carisma diferente daquele que recebeu quando foi ordenado bispo.” (36)

D. Não é uma forma oriental

Começamos essa seção com a questão: A nova forma foi empregada num rito católico oriental como a forma sacramental para conferir o episcopado?

A resposta é não, porque a forma de Paulo VI não é idêntica às formas de rito oriental.

Em particular, as longas formas orientais mencionam a plenitude do sacerdócio ou poderes sacramentais específicos, considerados como próprios unicamente da ordem episcopal (ordenar sacerdotes etc.). A forma de Paulo VI não.

No rito maronita e sírio, a oração que mais se parece com o prefácio de consagração de Paulo VI não é uma forma sacramental que confere o episcopado, mas uma oração não sacramental para a entronização do Patriarca, que ordinariamente já é um bispo quando apontado para o cargo.

Logo, não é possível argumentar que a forma de Paulo VI é válida, porque ela é usada como forma sacramental de “dois ritos orientais certamente válidos”.

Ela não está nas palavras “usadas e aceitas pela Igreja nesse sentido” e não há garantia de validade sobre essa base.

V. Uma outra forma aprovada?

Questão: A nova forma foi adotada como forma sacramental para conferir o episcopado em algum outro rito do passado, que tenha ao menos gozado da aprovação tácita da Igreja?

Tal evidência, apesar de não ser uma prova tão forte quanto seu uso num rito oriental católico, daria ao menos algum peso ao argumento de que a nova forma seria válida.

Acima mencionamos que o Prefácio de Paulo VI foi tomado quase literalmente de uma antiga oração de consagração episcopal que aparece na edição de 1963 da A Tradição Apostólica de Santo Hipólito reconstituída por Dom Botte. Ela também tem paralelos com outros textos tais como As Constituições Apostólicas e o Testamento de Nosso Senhor.

Pe. Pierre-Marie também empregou esses textos como evidência para indicar que o novo rito é válido.

Que grau de certeza podemos ter para afirmar que (1) esses textos foram formas sacramentais usadas para conferir o episcopado? E que (2) eles receberam ao menos a aprovação tácita da Igreja como tais, de tal sorte que, ainda que num sentido amplo, eles tenham sido “aceitos e usados pela Igreja nesse sentido”?

Ai! Se por “certeza” queremos dizer aquela certeza que a teologia moral católica requer para conferir ou receber um sacramento válido, a nossa resposta deve ser: absolutamente não. Pois aqui nós imediatamente caímos no mundo mistificante dos debates acadêmicos sobre autoria, origem, datação, reconstrução e decifração de textos de 1700 anos atrás.

A. Tradição Apostólica de Hipólito?

Eis aqui alguns dos problemas preliminares que descobrimos:

(1) Identidade do autor. Jean-Michel Hanssens, jesuíta perito em liturgias orientais, dedica aproximadamente cem páginas na tentativa de identificar este Hipólito: era aquele envolvido no cálculo da data de Páscoa? Ou aquele representado pela estátua? Ou aquele tido como nativo de Roma? Ou o egípcio? Ou o conselheiro do Papa? Ou o anti-papa? O sacerdote Hipólito? Ou um bispo? Ou o mártir? Ou um dos vários santos no martirológio? (37)

O melhor que podemos obter são conjecturas acadêmicas.

(2) Origem. De onde veio a Tradição Apostólica? Algum dizem de Roma, outros dizem de Alexandria, Egito. Mais conjecturas.

(3) Datação. Quando foi escrita? “Geralmente” cerca de 215 d.C., mas “a seção que lida com ordenação pode ter sido retocada no século IV a fim de ajustá-la às doutrinas e práticas em vigor.” (38)

Note bem: “retocada”. Mais conjecturas acadêmicas são necessárias para nos dizer quais partes do documento foram retocadas.

(4)  Autoridade do manuscrito. Quanta confiança podemos depositar em seus originais? Bom, nós nem sequer temos os originais:

“O original grego do documento não sobreviveu, exceto na forma de alguns fragmentos isolados. Ele tem sido reconstruído a partir de uma versão latina estendida e de versões coptas, árabes e etíopes posteriores, como também do uso feito dela pelos compiladores das ordens eclesiásticas, o que aumenta a dificuldade de determinar com exatidão o que o autor escreveu.” (39)

Donde o subtítulo de Dom Botte na edição de 1963: Uma tentativa de reconstrução (40). Ao menos meia-dúzia de acadêmicos (Connolly, Dix, Easton, Elfers, Lorentz, Hanssens) fizeram tentativas similares.

Uma reconstrução, disse Dom Botte, pode “recuperar somente o arquétipo, não o original.” (41)

Assim, temos mais conjecturas, as quais nem mesmo vão nos levar para o original.

(5) Uso litúrgico. O texto reflete exatamente uma prática real?

“Não é fácil distinguir o que representa o uso real do ideal” (42), disse Dom Botte em 1963.  As orações contidas na Tradição Apostólica foram dadas como “modelos, e não como formas fixas.” (43)

E finalmente, disse Dom Botte, na Tradição Apostólica de Hipólito, “Sua origem quer seja romana ou [egípcia] não é realmente importante. Mesmo se ela fosse um documento romano, ela não deveria ser vista como a liturgia romana do século III, um tempo onde a pratica litúrgica dava grande margem ao improviso do celebrante.” (44)

E assim, numerosos volumes de trabalhos acadêmicos produzem um modelo para uma oração de consagração episcopal que não foi necessariamente seguida palavra por palavra do mesmo jeito.

Isso não é algo que inspire confiança.

B. Constituições Apostólicas?

Eis um título impressionante. E, no entanto, trata-se de uma “revisão composta” de três ordens eclesiásticas antigas.

As Constituições parecem ter se originado na Síria “e se pensa geralmente que seria a obra de um [herege] ariano que havia, numa certa medida, mais composto uma idealização idiossincrática que reproduzido exatamente a prática litúrgica com a qual ele estivesse familiarizado.” (45)

Um texto composto, fruto da fantasia de um herege?

C. O Testamento de Nosso Senhor?

Eis um título ainda mais impressionante! Mas “provavelmente” data do século V e “parece” ter sido composto na Síria.

Além disso, “embora escrito originalmente em grego, não existe senão em versões sírias, árabes e etíopes. Assim como as Constituições Apostólicas, pode-se duvidar em que medida ele representa a prática histórica real.” (46)

Prática histórica duvidosa?

D. Nenhuma prova de uso aprovada

A questão que abriu essa sessão foi: A nova forma foi adotada como forma sacramental para conferir o episcopado em algum outro rito do passado, que tenha ao menos gozado da aprovação tácita da Igreja?

Nossa resposta é: não temos absolutamente a menor ideia, porque:

  • Não temos nenhum texto original autêntico.
  • Temos textos “reconstruídos” que se baseiam em nada mais que a autoridade de teorias acadêmicas sobre quais seriam as versões corretas.
  • Não sabemos se esses textos foram usados para consagrar bispos.
  • Não há registro de aprovação da Igreja.

Logo, não se pode argumentar que a forma de Paulo VI é válida com base nesses textos. Nenhum deles foi “aceito e usado pela Igreja nesse sentido”, assim não há garantia de validade sobre essa base.

VI. O poder do episcopado?

Questão: A nova forma sacramental significa univocamente os efeitos sacramentais – o poder da ordem (o episcopado) e a graça do Espírito Santo?

Esses são os critérios que Pio XII assinalou para a forma sacramental. Eis aqui novamente a forma de Paulo VI para a qual iremos aplicá-los:

“Enviai agora sobre este eleito a força que de Vós procede, o Espírito soberano, que destes ao Vosso Amado Filho Jesus Cristo, e ele aos Santos Apóstolos, que fundaram a Igreja por toda parte, como vosso templo, para a glória e perene louvor do vosso Nome.” (47)

A forma parece significar a graça do Espírito Santo.

Mas “Espírito soberano“? Bispos luteranos, metodistas e mórmons também governam. Esse termo pode significar univocamente o poder de ordem conferida – a plenitude do sacerdócio?

A expressão Espírito soberano (Spiritus principalis em latim) está no coração da disputa sobre a validade do novo rito, pois se ela não significasse a plenitude do sacerdócio que constitui o episcopado, o sacramento seria inválido.

A. Primeiras duvidas sobre a validade

O leitor comum certamente se sentirá tentado a tomar isso como um sonho febril de tradicionalistas. Mas quarenta anos atrás, mesmo antes do novo rito ser promulgado, um membro do grupo de estudos que criou o novo rito de consagração episcopal levantou essa questão.

Em memorando de 14 de outubro de 1966, o Bispo Juan Hervás e Benet (1905-1982), o ordinário da Ciudad Real (Espanha) e promotor da Opus Dei, escreveu o seguinte aos seus companheiros de estudo:

“Seria necessário estabelecer inegavelmente que a nova forma significa melhor e mais perfeitamente a ação sacramental e seu efeito. Ou seja, deveria ser estabelecido em termos certos que ela não contém ambiguidades, que não muda nada das funções principais que são próprias da ordem episcopal… uma duvida me ocorre com respeito às palavras “Spiritus principalis”; essas palavras significam adequadamente o sacramento?” (48)

Não se sabe se ele recebeu uma resposta. Mas considere o que a questão do bispo implicava no tempo para qualquer um com sério treinamento teológico. A introdução dessa expressão na forma exporá o sacramento ao risco de invalidade?

Depois que Paulo VI promulgou o novo rito das Santas Ordens em junho de 1968, ele teve de ser traduzido para várias línguas modernas. A expressão Spiritus principalis imediatamente suscitou problemas. A primeira tradução oficial inglesa traduziu-a como “Espírito sublime“; a francesa como “o Espírito que faz os chefes”, o alemão como “o Espírito de um guia”.

Essas expressões certamente levaram alguns dos bispos mais conservadores da época a temerem pela sucessão apostólica, pois Roma publicou imediatamente duas declarações sobre a tradução das formas sacramentais no espaço de três meses (outubro de 1973 e janeiro de 1974) (49).

A última declaração da Congregação da Doutrina da Fé, além disso, foi reimpressa na Notitiae (A publicação oficial da Congregação do Culto Divino), acompanhada de um estranho comentário. O autor, um dominicano, especificamente mencionou a Constituição Sacramentum Ordinis de Pio XII, a “substância dos sacramentos”, como cada nova forma sacramental, “continua a significar a graça especial dada pelo sacramento” e a necessidade de “preservar a validade do rito sacramental” (50).

Uma coincidência? Na mesma edição da Notitae, cerca de uma dúzia de páginas depois, deparamo-nos com um curto artigo de Dom Bernard Botte OSB explicando o significado de – adivinhem? – Spiritus principalis.

Claramente se vê que essa expressão latina perturbava muita gente.

B. O Espírito soberano = Episcopado?

A explicação de Dom Botte de Spiritus principalis foi essencialmente a seguinte:

A expressão “levantou muitas dificuldades” e levou a diversas traduções.

Ela ocorre no Salmo 50,14, mas o seu significado não está necessariamente ligado ao que a expressão da oração consacrátória significou para os cristãos do século III.

“Espírito” significa o Espírito Santo.

Mas o que a palavra grega hegemonicos e seu equivalente latino principalis significava no vocabulário dos cristãos do século III?

Ela significava isto: Cada uma das três ordens porta um dom do Espírito Santo, mas não o mesmo para todas. Diáconos = “espírito de zelo e solicitude”, presbíteros = “espírito de conselho”

E os bispos tem o “Espírito de autoridade”.

O Bispo é tanto o líder que deve governar e sumo sacerdote do santuário. Ele é o chefe da Igreja. Logo, a palavra hegemonicos/principalis é compreensível.

Spiritus principalis significa “o dom do Espírito Santo próprio do chefe.” (51)

Depois que essa declaração apareceu, diversas traduções foram ajustadas, e a tradução inglesa oficial se tornou Espírito soberano.

C… ou Espírito soberano = quem é que sabe?

Essa explicação soou bastante erudita. Infelizmente, ela é falsa – um caso típico da descarada linguagem dupla que os modernistas utilizam quando são encurralados. Spiritus principalis pode significar muitas coisas, mas o “poder da Ordem” próprio do episcopado não é uma delas.

Isso se torna evidente após uma breve pesquisa sobre o significado do termo Espírito soberano, seja no latim Spiritus principalis, seja na sua forma grega (hegemonicos).

(1) Dicionários. Dicionários de latim e grego explicam o adjetivo “principalis” como respectivamente “existente originalmente, básico, primário… primeiro em importância ou estima, chefe… conveniente aos chefes e aos príncipes,” (52) e “quem ocupa cargo de chefe, dirigente, governante” ou “guia” (53).

Existe um termo próximo, hegemonia, que em geral significa “autoridade, comando” e que num sentido secundário significa “regimento, cargo de um superior, cargo episcopal… de um superior de um convento… donde, da esfera do regimento episcopal, diocese.” (54)

Mas mesmo nesse sentido, ele não conota o poder da Ordem (potestas ordinis), apenas a jurisdição (potestas jurisdictionis), especialmente porque a definição menciona um superior monástico.

(2) Salmo 50. No latim e no grego eclesiástico, o primeiro texto frequentemente citado para principalis é a oração do rei Davi em Sl 50, 14, onde é usada com espírito. A expressão é traduzida no inglês como espírito perfeito, que os comentadores explicam como “um espírito generoso ou nobre.” (55)

Apesar da afirmação de Dom Botte de não haver ligação entre o significado de Spiritus principalis do salmo e o suposto significado tido no século III na oração de consagração episcopal, um dicionário de patrística grega diretamente liga as duas passagens e mesmo cita o excerto grego de Hipólito (56).

(3) Padre da Igreja. Eles interpretam Spiruitus prncipalis de diversos modos, como se referindo ao Pai (57), ao Espírito Santo (58), à virtude e fortaleza (59), a um poder que fortifica contra tentações (60), etc.

(4) Um tratado de teologia dogmática. Em sua obra sobre a Trindade, Mons. Pohle diz que Spiritus principalis no salmo não significa o Espírito Santo, mas nada mais que um “efeito divino externo”, “um espírito sobrenatural de retidão e autocontrole, ou seja, uma boa disposição.” (61)

(5) Um comentário a Hipólito de 1962. A antiga oração de consagração episcopal, diz Roger Beraudy, apresenta o bispo sucessivamente sob o duplo aspecto de chefe e sumo sacerdote. Spiritus principalis aparece na seção da oração que apresenta o bispo como o “chefe da Igreja” melhor que na parte seguinte onde Barundy a identifica como que apresentando “o bispo como um sumo sacerdote.” (62)

(6) Cerimônias não sacramentais. O rito copta, a parte de sua oração sacramental de consagração episcopal, também emprega a expressão Spiritus principalis em duas cerimônias não sacramentais.

a. Na Igreja copta, como na Igreja Católica, o abade não é um bispo, mas simplesmente um padre que é a cabeça do mosteiro. Quando um abade copta (hegemonos) é entronizado, o bispo impõe suas mãos sobre a cabeça do sacerdote e pede na oração que Deus confira ao padre “um Espírito soberano de amabilidade e caridade, de paciência e bondade.” (63)

b. Para a promoção de um bispo copta ao cargo de arcebispo (metropolitano), em que se pede a Deus que ele receba o seu Espírito soberano, “o conhecimento que é vosso, que ele recebeu em vossa Santa Igreja.” (64)

(7) Outro perito. E em 1969, antes de se tornar uma matéria de controvérsia, encontramos ao menos um perito que disse que a omissão da expressão Espírito soberano não mudaria necessariamente a validade do rito.

“Se alguém inadvertidamente omitisse o Spiritum principalem, não vejo o que mudaria.”

Quem é o perito? Dom Bernard Botte (65).

(8) Quem é que sabe? Nossa breve pesquisa, então, descobriu uma dúzia de significados para o Espírito soberano:

  • Um Espírito originalmente existente
  • Um espírito de chefe e guia
  • Um espírito perfeito como para o Rei Davi
  • Espírito generoso ou nobre
  • Deus Pai
  • Deus Espírito Santo
  • Um efeito divino externo
  • Espírito natural de retidão/autocontrole
  • Boa disposição
  • Para um abade copta: amabilidade, caridade, paciência e bondade.
  • Para um arcebispo copta: o conhecimento divino, recebido pela Igreja.
  • Alguma coisa cuja omissão não mudaria em nada a validade da forma.

Nenhuma dessas expressões significa o episcopado em geral, nem a plenitude da Santa Ordem que um bispo possui.

D. Significa o efeito univocamente?

Agora começamos a aplicar um pouco mais o critério da seção I.

Pio XII na sua Constituição Sacramentum Ordinis declarou que a forma das Santas Ordens deve “univocamente significar os efeitos sacramentais – isto é, o poder da Ordem e a graça do Espírito Santo.” (66)

A nova forma falha nesses dois pontos.

(1) Não é unívoca. A expressão Espírito soberano não é unívoca – isto é, ela não é um termo que significa uma coisa somente, como Pio XII exigiu (67).

Antes, como demonstramos acima, a expressão é ambígua – capaz de significar muitas coisas e pessoas diferentes.

Entre seus vários significados encontramos um deles que conota o Espírito Santo – mas não num sentido exclusivamente limitado aos bispos. Abades coptas, o rei Davi e chefes virtuosos podem receber esse Espírito soberano.

(2) Não exprime o poder da Ordem. Entre seus diversos significados, porém, não encontramos o poder da Ordem (potestas ordinis) do episcopado. A expressão Espírito soberano nem mesmo conota equivocamente o Sacramento da Ordem em qualquer sentido.

Tampouco conota aquilo que os teólogos que aconselharam Pio XII disseram que a forma sacramental para conferir o episcopado deve significar: a “plenitude do sacerdócio de Cristo no ofício e ordem episcopal” ou a “plenitude ou totalidade do ministério sacerdotal.” (68)

Um dos elementos constitutivos da forma capaz de conferir a Ordem, portanto, está ausente.

Assim, temos uma resposta para a questão com a qual começamos essa seção:

A nova forma sacramental significa univocamente os efeitos sacramentais – o poder da ordem (o episcopado) e a graça do Espírito Santo?

A resposta é não.

VII. Mudança substancial?

Questão: Esta é uma mudança substancial na forma sacramental que confere a Ordem do Episcopado?

Uma mudança substancial, como vimos na seção I, ocorre numa forma sacramental “quando o significado da forma mesma é corrompido”, se as palavras “tiverem um significado diferente que o pretendido pela Igreja” (69), se elas já não exprimem “completa e igualmente” o significado pretendido e querido por Cristo (70).

Ora, para as Santas Ordens Pio XII nos disse exatamente quais elementos a forma sacramental deve exprimir – a graça do Espírito Santo e o poder da Ordem sendo conferida.

O termo Espírito soberano da nova forma de consagração episcopal promulgado por Paulo VI pode exprimir o primeiro desses elementos, o Espírito Santo. De fato, o pronome que começa a frase subordinada que a segue – “que destes…” – claramente indica que se refere ao Espírito Santo.

Essa mesma expressão, Espírito soberano, no entanto, não pode e não exprime o outro elemento requerido – o poder da Ordem sendo conferida. Essa noção está totalmente ausente na nova forma sacramental, que já não significa adequadamente o que se pretende efetuar: a plenitude do sacerdócio que constitui a Ordem Episcopal.

Então a nossa questão foi: Esta é uma mudança substancial na forma sacramental que confere a Ordem do Episcopado?

A resposta é sim.

VIII. Um sacramento inválido

Questão: Como essa mudança substancial de significado na forma afeta a validade do sacramento?

Uma mudança substancial no significado da forma sacramental, como visto na seção I, torna o sacramento inválido.

Isso nos leva inexoravelmente para a seguinte conclusão:

Logo, uma consagração episcopal conferida pela forma promulgada por Paulo VI em 1968 é inválida.

Passemos para duas objeções.

IX. Salva pelo contexto?

Objeção: Mesmo se a parte essencial do sacramento fosse determinada de maneira insuficiente, ela ainda seria especificada adequadamente na frase “exerça de modo irrepreensível diante de Vós o sumo sacerdócio” (71) que ocorre mais tarde no contexto.

Pe. Pierre-Marie brevemente levantou essa objeção (72). Mas alguém poderia fazer um tal argumento somente se:

(1) A nova forma sacramental contivesse ambos elementos requeridos por Pio XII (a graça do Espírito Santo e o poder da Ordem).

(2) A forma significasse um daqueles elementos equivocamente em vez de univocamente.

Poder-se-ia ao menos argumentar que a forma realmente continha o elemento que Pio XII exigiu e que o contexto especificou-a adequadamente. Contudo:

A. Certeza… ou opinião?

Pouco importa a força com que seja formulada, não sendo mais que uma opinião provável, um tal argumento jamais produzirá certeza moral para afirmar que a nova forma sacramental é válida. Pois o contra-argumento contundente seria sempre que Pio XII exigiu que a forma fosse unívoca e ponto final.

Não é lícito na administração e recepção dos sacramentos seguir uma mera opinião provável sobre validade. Fazê-lo é pecado mortal contra a religião, a caridade e (da parte do ministro) contra a justiça (73).

Além do mais, isso é ainda mais verdadeiro no caso da administração do sacramento das Santas Ordens em virtude do dano irreparável: missas, absolvições e novos ritos inválidos resultantes de sua invalidade.

Portanto, ninguém poderia nem conferir, nem receber as Santas Ordens baseado na opinião de que o novo rito de consagração episcopal seria válido, nem mesmo exercer uma função sacerdotal baseado numa tal opinião.

B. Um Contra-argumento

E o argumento do contexto, seja como for, falha em todos os sentidos.

Outras reconstruções da oração de consagração episcopal da Tradição Apostólica de Hipólito contém uma petição a Deus para que o bispo recebesse “o poder… de conferir ordens segundo o Vosso decreto.” (74)

O Prefácio de Consagração de Paulo VI neste ponto pede que ele receba o poder de “distribuir dons (ou cargos) segundo o vosso mandato.” (75) A tradução inglesa oficial verte isso como “distribua os ministérios conforme o vosso desígnio.”

Um bispo mórmon com o seu próprio Espírito soberano pode designar ministros, e mesmo o Papai Noel pode distribuir presentes.

A noção de conferir as Santas Ordens – o poder distintivo que caracteriza a plenitude do sacerdócio – foi eliminada do novo Prefácio.

Que essa omissão foi feita de forma deliberada fica claro a partir da forma do rito copta de consagração episcopal que Dom Botte consultou para reconstruir o texto de Hipólito. Depois da frase que precede, esta forma específica ademais que o bispo tem a tarefa de fornecer ao clero “o sacerdócio… estabelecer novas casas de oração e consagrar altares.” (76)

A remoção do poder da Ordem da forma anglicana de consagração episcopal estava entre as razões aduzidas por Leão XIII para declarar as ordens anglicanas inválidas, “porque entre os primeiros deveres do episcopado está o de ordenar ministros para a Santa Eucaristia e o sacrifício.” (77)

C. Não só equívoca, mas PERDIDA

Contudo, não se pode nem mesmo fazer o argumento em favor da validade, porque a nova forma nem mesmo equivocamente significa um dos elementos que Pio XII disse que a forma sacramental deve conter – o poder da Ordem sendo conferida.

Esse elemento está ausente, logo não há o que especificar ou determinar pelo contexto. Tentar fazê-lo é um esforço vão.

Se eu disser todas as orações e realizar todas as cerimônias que o Rituale Romanum prescreve para o batismo, mas omitir – Deus me livre – a palavra “batizo” quando derramar a água sobre a cabeça da criança, o sacramento é inválido. Todas as outras orações que constituem o rito  – não importa o quanto elas falem de batismo, purificação, vida da graça – não podem tornar a forma válida. Um elemento essencial está faltando na forma, logo não há nada – nem mesmo um termo equívoco – que possa ser especificado de alguma maneira pelo contexto.

O mesmo sucede aqui. O poder da Ordem está ausente da forma e o contexto não pode trazê-lo de volta.

Tudo o que sobra é o Espírito soberano, que pode referir ao Espírito Santo, ou a um de seus efeitos, ou ao Pai, ou ao conhecimento, ou às virtudes de um abade copta.

X. Aprovado pelo Papa?

Objeção: Ainda que a forma sacramental não signifique univocamente um dos efeitos sacramentais (o poder da ordem do episcopado), a aprovação dada por Paulo VI garantiria que a forma fosse válida.

Este é o último e o mais fraco argumento para a validade, não só porque ele presume que as declarações autoritativas da Igreja não precisam de justificação teológica coerente (78), mas também porque ele atribui erroneamente ao papa um poder que ele não possui.

A. Sem o poder de mudar?

No começo da Sacramentum Ordinis, Pio XII, reiterando o ensinamento do Concílio de Trento, afirma: “a Igreja não tem poder sobre ‘a substância dos Sacramentos, isto é, sobre aquelas coisas que, como é provado pelas fontes de revelação divina, Nosso Senhor mesmo estabeleceu para ser mantidas como sinais sacramentais.” (79)

Com respeito às Santas Ordens, “a Igreja não possui poder sobre o significado da forma, porque pertence à substância do sacramento instituído por Cristo.” (80) Cristo mesmo prescreveu que para as Santas Ordens fossem usadas palavras e sinais “capazes de exprimir… o poder da Ordem.” (81)

A nova forma de consagração episcopal não exprime este poder, nem mesmo equivocamente. Portanto, ela muda a substância de um sacramento como foi estabelecido por Cristo. Nenhum papa teria o poder de tornar uma tal forma válida.

B. Ou uma mudança significa sem poder?

Se a fé nos diz que a Igreja não tem poder de mudar a substância dos sacramentos, e Paulo VI de facto mudou a substância do sacramento – tornando-o inválido – não podemos senão chegar a uma conclusão: ele não era o Papa.

A invalidade do rito de consagração episcopal de Paulo VI, então, é apenas mais uma evidência confirmando a defecção da fé e consequente perda de autoridade dos Papas do Vaticano II.

Que o homem que ocupa a Sé de Roma não seja um verdadeiro bispo deveria servir como uma prova suplementar de que ele não é um verdadeiro Papa.

XI. Resumo

Tratamos nas seções precedentes de uma variedade de temas, oferecemos agora um resumo ao leitor.

A. Princípios gerais

(1) Todo sacramento possui uma forma (sua forma essencial) que produz seu efeito sacramental. Quando uma mudança de significado substancial é introduzida na forma sacramental por corrupção ou omissão das palavras essenciais, o sacramento se torna inválido (= “não funciona”, ou não produz o efeito sacramental).

(2) As formas sacramentais aprovadas em uso nos ritos orientais da Igreja Católica às vezes diferem em palavras das formas do rito latino. Porém, elas são sempre as mesmas em substância e são válidas.

(3) Pio XII declarou que a forma das Santas Ordens (ou seja, diaconado, presbiterado e episcopado) devem univocamente (sem ambiguidade) significar os efeitos sacramentais – o poder da Ordem e a graça do Espírito Santo.

(4) Para conferir o episcopado, Pio XII designou como forma sacramental uma sentença do rito tradicional de consagração episcopal que univocamente exprime o poder da ordem que o bispo recebe e a graça do Espírito Santo.

B. Aplicando à nova forma

(1) A nova forma de consagração episcopal que Paulo VI promulgou não parece especificar o poder da Ordem sendo supostamente conferido. Ela é capaz de conferir o episcopado? A fim de respondê-lo, apliquemos os princípios mencionados acima.

(2) A brave oração de consagração episcopal de Paulo VI não é idêntica às extensas formas orientais e, contrariamente a elas, não menciona o poder sacramental próprio da ordem episcopal (ou seja, o poder de ordenar). As orações do rito oriental que seguem mais de perto o Prefácio consacratório de Paulo VI são orações não sacramentais usadas na entronização dos Patriarcas maronitas e sírios, que já são bispos quando designados para a função. Em suma, não se pode utilizar o argumento segundo o qual a forma de Paulo VI estaria “em uso em dois ritos orientais certamente válidos.”

(3) Diversos textos antigos (de Hipólito, as Constituições Apostólicas, o Testamento de Nosso Senhor) que partilham alguns elementos em comum com o prefácio consacratório de Paulo VI foram “reconstruídos”, são de procedência duvidosa, podem não ter sido realmente usados na liturgia etc. Não há evidência de que eles foram “aceitos e usados pela Igreja como tais”. Logo, eles não oferecem evidência confiável em favor da validade da forma de Paulo VI.

(4) O problema-chave da nova forma gira em torno do termo Espírito soberano (Spiritus principalis em latim). Antes e depois da promulgação do rito de consagração episcopal de 1968, o significado dessa expressão provocou preocupações sobre sua suficiência para significar o sacramento.

(5) Dom Bernard Botte, o principal criador do novo rito, sustentou que, para os cristãos do século III, Espírito soberano conotava o episcopado, pois os bispos possuem “o espírito de autoridade” como “governantes da Igreja”. Spiritus principalis significa “o dom do Espírito próprio do chefe.”

(6) Tal explicação é falsa e maliciosa. Referência a dicionários, comentários bíblicos, Padres da Igreja, um tratado de dogmática e cerimônias de investiduras não sacramentais dos ritos orientais revelam que, em meio a uma dúzia de significados diferentes e às vezes contraditórios, Espírito soberano não significa especificamente nem o episcopado em geral, nem a plenitude das Santas Ordens que o bispo possui.

(7) Antes das controvérsia sobre isso ter surgido, o próprio Dom Botte disse que não via como a omissão da expressão Espírito soberano mudaria a validade do rito de consagração.

(8) A nova forma não atende aos dois critérios assinalados por Pio XII para a forma das Santas Ordens. (a) Porque o termo Espírito soberano pode significar muitas coisas ou pessoas diferentes, ele não significa univocamente o efeito sacramental. (b) Ela não possui qualquer termo que sequer equivocamente conote o poder da Ordem que um bispo possui – “a plenitude da sacerdócio de Cristo no ofício e ordem episcopal” ou “a plenitude ou totalidade do ministério sacerdotal.”

(9) Por essas razões, a nova forma constitui uma mudança substancial no significado da forma sacramental que confere o episcopado.

(10) Uma mudança substancial no significado de uma forma sacramental, como já demonstramos acima, torna o sacramento inválido.

C. Conclusão: Um sacramento inválido

Logo, por todas as razões expostas até aqui, uma consagração episcopal conferida com a forma sacramental do rito promulgado por Paulo VI em 1968 é inválida.


Quando eu era seminarista em Midwest entre o fim dos anos 1960 e começo dos 1970, ouvia muitos modernistas repudiando a concepção tradicional de sucessão apostólica como “teologia de encanamento”, uma doutrina não bíblica, uma “reflexão da fé” feita depois dos fatos, e zombando da noção tradicional de formas sacramental como “palavras mágicas” e nonsense.

Durante a mesma época pós-Vaticano II, os modernistas peritos em liturgia trabalharam duro para elaborar o novo rito de consagração episcopal. Lendo agora muto daquilo que eles escreveram –  repletos como eles estão daquelas afirmações falaciosas de “retorno às fontes”, de linguagem dupla, de desprezo por teologia sacramental escolástica e da pestilenta arrogância que se desprende de cada página – não tenho qualquer dificuldade em crer que esses homens se puseram a produzir um rito que destruiria a sucessão apostólica como ela era tradicionalmente entendida (82).

Como vimos, eles tiveram êxito. A erradicação da sucessão apostólica procede de sua “piadinha” sobre a Igreja. Assim, os modernistas não precisam mais zombar do “encanamento”. Eles o romperam em 1968. Os bispos consagrados com esse novo rito não possuem mais o poder sacramental de verdadeiros bispos, e não podem consagrar validamente outros bispos ou ordenar outros padres.

Os padres que descendem sua ordenação desses bispos não podem, por sua vez, consagrar a Eucaristia validamente na Missa, perdoar os pecados ou ungir os moribundos.  Esse é um pecado contra as virtudes da religião, da justiça e da caridade. Os sacerdotes que de boa fé recebem ordens inválidas estão privados do caráter sacerdotal e os leigos que recebem sacramentos inválidos por suas mãos estão privados da graça.

Já seria ruim o bastante que esse fenômeno de sacramentos inválidos se limitasse exclusivamente às paróquias e aos sacerdotes que abraçaram totalmente as mudanças do Vaticano II, mas isso também tem se espalhado em locais onde se oferece a Missa tradicional em latim.

Desde 1984 as Missas tradicionais sob “indulto”, autorizadas pelas dioceses, têm surgido por toda parte, sendo oferecidas por padres ordenados por bispos que foram consagrados no novo rito. Todas essas missas são inválidas, mas muitos católicos inocentes na falta de coisa melhor, adoram e recebem somente pão.

Todavia ainda mais perigosos são os institutos sacerdotais e religiosos que agora oferecem a Missa tradicional em latim com a plena aprovação e reconhecimento da hierarquia modernista – a Fraternidade São Pedro, o Instituto Cristo Rei, a Administração Apostólica São João Maria Vianney, os beneditinos de Fogambault etc.

Enquanto eles dão a impressão de manter o catolicismo em sua integridade, essas instituições estão completamente comprometidas com os modernistas. Seus membros são obrigados a aderir plenamente aos erros do Vaticano II e a cooperar com os bispos diocesanos e seu falso clero.

Os moços atraídos pelas glórias do catolicismo e os ideais do sacerdócio, entram nesses seminários e mosteiros na esperança de um dia serem ordenados sacerdotes segundo a cerimônia integralmente tradicional pré-Vaticano II. Mas eles sairão dessas cerimônias tão leigos quanto eram no tempo de sua entrada alguns anos antes, pois o bispo que os ordenou não possuía a plenitude do sacerdócio, mas somente o vão Espírito soberano.

E no que refere aos superiores da FSSPX, sua tentativa de comprar uma capela lateral na Igreja Ecumênica Mundial de Ratzinger mediante a defesa de seu falso episcopado, constitui uma traição contra os sacerdotes, os fiéis e o fundador da Fraternidade.

Porque apesar das doutrinas incoerentes e perigosas da Fraternidade sobre o Papa e o Magistério Ordinário Universal, alguém poderia ao menos ter alguma consolação no fato de que ela se mantinha pela validade dos sacramentos.

Mas se a nova linha manifesta no artigo de Pe. Pierre-Marie prevalecer, esta validade será perdida. E se uma “reconciliação” deveria ocorrer, será então nada mais que uma questão de tempo para que o falso clero comece a aparecer pelo apostolado da FSSPX – cortesia, talvez, de um cardeal ou mesmo do próprio “Bispo” de Roma, com o propósito de fazer um gesto de boa vontade ecumênica.

Quem, então, nos escalões da FSSPX terá a coragem de resistir? Quem, então, como o Arcebispo Marcel Lefebvre, erguerá a sua voz contra esses “ritos bastardos”, esses “sacerdotes bastardos”, esses “sacramentos bastardos” que já não podem comunicar a graça? (83)

E o laicado tradicionalista, traído pelo compromisso de seus filhos com os modernistas, perguntar-se-á novamente se esses sacramentos são algo mais que um espetáculo vazio – absolutamente nulo e totalmente vão.

25 de março de 2016
Arcebispo Lefebvre
15º Aniversário


CEKADA, Pe. Anthony. Absolutely Null and Utterly Void: The 1968 Rite of Episcopal Consecration, 25 mar. 2006. Disponível em: <http://www.traditionalmass.org/images/articles/NewEpConsArtPDF2.pdf>. Acesso em: 8 jun 2017.

APÊNDICE 1

Duas notas sobre o artigo de Pe. Pierre-Marie

A. Doutores da Igreja consagrados invalidamente? Pe. Pierre-Marie argumenta que, atacando a validade do novo rito, implicitamente se ataca também a as ordenações e consagrações de vários Doutores da Igreja (84) – supondo que a forma para as Santas Ordens em Alexandria e Antioquia era mais ou menos a mesma coisa que o rito de Paulo VI.

O próprio Dom Botte, porém, demonstrou que a verdadeira forma usada para conferir as Santas Ordens nesses ritos não era a de Hipólito, mas a forma “A divina graça…” ainda usada pelo rito bizantino (85).

B. Tabelas de comparação. Pe. Pierre-Marie apresenta três tabelas bem chamativas com textos latinos postos em paralelo. Assim ele pretende demonstrar que o texto de Paulo VI para a consagração de bispos é fundamentalmente o mesmo que os textos de consagração episcopal usados nos ritos orientais e na Igreja antiga e que, portanto, ele é válido.

Mas as tabelas de comparação não valem mais do que os textos selecionados, e os textos que Pe. Pierre-Marie escolheu são totalmente inúteis para o seu argumento.

O texto base de comparação é a versão latina do prefácio de consagração episcopal de 1968 composto, com certeza, por Dom Botte. Pe. Pierre-Marie nos oferece os seguintes textos para comparar:

(1) Tradição Apostólica de Hipólito. Trata-se da reconstrução de 1963 de Dom Botte. Incluí-lo numa tabela de comparação não prova nada sobre a validade da forma de 1968 – apenas mostra que Dom Botte teve a oportunidade de escrever duas vezes a mesma coisa.

(2) As Constituições Apostólicas. Esse texto que é tido por ser a obra de um herege ariano, é um texto composto e pode não representar a prática litúrgica real (86). Não é uma grande prova em prol da validade.

(3) Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não se sabe em que medida ele representava uma prática litúrgica histórica (87). Aqui novamente nenhuma prova contundente pela validade.

(4) Consagração do Patriarca Maronita. Esse texto não é a forma sacramental maronita de consagração episcopal, mas uma oração de entronização não sacramental para o Patriarca que já é um bispo (88).

(5) Rito Copta de Consagração Episcopal. Aqui Pe. Pierre-Marie ao menos fornece um texto baseado numa de consagração episcopal que é reconhecida e válida. Infelizmente:

(a) Ele tomou sua tradução latina do Denzinger Ritus Orientalium (89), que no caso dos textos coptas se baseou numa outra versão latina “repleta de traduções mal-feitas” (90) e, portanto, “deveria ser tratado com cautela.” (91)

(b) Essa versão faz uma má tradução da frase que especifica o poder do bispo de “fornecer aos sacerdotes, segundo o mandamento [do Senhor], o sacerdócio” (92). Dom Botte distorceu essa frase na sua reconstrução de 1963 como “distribuir os ministérios” e no seu prefácio consacratório de 1968 como “distribuir os dons” (93). Isso deveria ter levantado suspeitas, mas tal não sucedeu porque Pe. Pierre-Marie usou uma má tradução.

Em suma, o Pe Pierre-Marie apresenta em sua tabela três textos antigos disputados (a (“reconstrução” de Hipólito feita por Dom Botte, as Tradições Apostólicas e o Testamento de Nosso Senhor), um rito de entronização não-sacramental (para o Patriarca Maronita) e uma má tradução (versão latina de Denzinger/Scholz) que omite uma palavra-chave (ordenar sacerdotes) da forma sacramental copta.

Nenhum deles, obviamente, comprova a validade do novo rito.

Apêndice 2

Uma nota sobre os coptas

Depois da conquista do Norte da África pelos muçulmanos, os coptas entraram num período de longa decadência.

Candidatos mal-formados obtinham o Patriarcado (94), às vezes por suborno (95). A formação do clero secular era nula (96) e nos mosteiros um pouco melhor (97).

Aqui vão algumas notas sobre as práticas sacramentais dos coptas:

  • Se um bebê moribundo não pudesse ser trazido à Igreja para o batismo, os sacerdotes se contentariam em ungi-lo, abençoá-lo e recitar os exorcismos, porque a lei sacramental copta dizia que qualquer uma dessas cerimônias podia substituir o batismo (98).
  • Nos séculos XII e XIII, houve uma série de tentativas em favor da abolição total da confissão auricular, substituindo-a por um tipo de absolvição geral durante a Missa (99).
  • O bispo copta responsável pela região da Etiópia ordenava milhares de sacerdotes africanos de uma só vez, alguns deles compareciam completamente desnudos para a cerimônia (100).
  • Em virtude da forma como alguns sacerdotes coptas administravam o batismo, havia razões para duvidar de sua validade, assim o Santo Ofício decretou em 1885 que um inquérito fosse feito cada vez que um copta se convertesse (101).

Que os modernistas tenham trocado o venerável prefácio romano de consagração episcopal por um texto litúrgico ligado a uma seita decadente, cismática e herética, constitui um opróbrio eterno contra sua insuportável arrogância e loucura.

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Notas

[1] O único estudo amplamente difundido que conheço em língua inglesa é o de R. Coomaraswamy, “The Post-Conciliar Rite of Holy Orders”, in Studies in Comparative Religion 16.2-2.

[2] Rore Sanctifica: “Invalidité du rite de consécration épiscopale Pontificalis Romani“, (Edition Saint-Rémi, 2005). www.rore-sanctifica.org

[3] Sel de la Terre, n°54 (outono 2005), 72-129.

[4] H. Merkelbach, Summa Theologiae Moralis, 8 ed., (Montreal, Desclée, 1949) 3:20. “Quando ipse sensus forma corrumpitur… habeat sensum diversum a sensu intento ab Ecclesia.”


[5] M. Coronata, De Sacramentis, (Turin, Marietti, 1953) 1:13. ” Modificatur ita ut sensus a Cristo intentus seu volitus non amplius per ipsam complete et congruenter exprimatur.”

[6] F. Cappello, De Sacramentis, (Rome, Marietti, 1951) 1:15.

[7] F. Cappello 1:15. “Forma irrita est, si nova vox ex corruptione in substantialibus inducantur.”

[8] F. Cappello, 1:15. “Detractione: forma irritatur, si tollantur verba exprimantia actionem sacramentalem aut subjectum.”

[9] E. Regatillo, Jus Sacramentarium, (Santander, Sal Terrae, 1949), 8. “Transmutatione, adhibitis verbis synonimis : si sint omnino synonima et usu communi recepta, forma valet.”

[10] Citado por Cappello: 1:777.

[11] Veja Merkelbach, 3:127.

[12] Mons. Donald Sanborn relata o seguinte: Conversando nos começos de 1983 com Mons. Marcel Lefebvre e o padre Schmidberger sobre as negociações que então teria lugar entre a Fraternidade e o Vaticano (plus ça change), Mons. Sanborn preguntava como a Fraternidade poderia aceitar alguma solução, qualquer que fosse, quando o Arcebispo nos havia dito tantas vezes que considerava o rito de consagração episcopal inválido. O Arcebispo replicou: “Aparentemente seria válido”. Depois fez um gesto convidando o padre Schmidberger para se expressar, ele então disse: “É um rito oriental”.

[13] Const. Apost. Sacramentum Ordinis (30 nov 1947), DZ 2301. ¶4. “quibus univoce significantur effectus sacramentales – scilicet potestas Ordinis et gratia Spiritus Sancti.”

[14] Sacr. Ord., DZ 2301. ¶5. “Comple in Sacerdoté tuo ministerii tui summam, et ornamentis totius glorificationis instructum coelestis ungenti rore sanctifica.”

[15] La tradition Apostolique de Saint Hippolyte: Essai de reconstitution, 2 éd. (Münster : Aschendorff 1963).

[16
B. Botte, L’ordination de l’Evêque, Maison-Dieu 97 (1969), 119-20.

[17] B. Botte, From Silence to Participation: An Insider’s View of Liturgical Renewal (Washington: Pastoral 1988), 135.

[18] Const. Apost. Pontificalis Romani (18 jun 1968), AAS 30 (1968), 369-73.

[19] Tradução da Conferência Episcopal Portuguesa, Ordenação do Bispo, dos Presbíteros e Diáconos. 3 ed., p. 40.  “Et nunc effunde super hunc Electum eam virtutem, quae a te est, Spiritum principalem, quem dedisti dilecto filio Tuo Jesu Christo, quem ipse donavit sanctis Apostolis, qui constituerunt Ecclesiam per singula loca, ut sanctuarium tuum, in gloriam et laudem indeficientem nominis tui.”

[20] Sac. Ord., DZ 2301. ¶4. “quaequae ab Ecclesia qua talia accipiuntur et usurpantur.”

[21] “Why the New Rite”, (jan 2006), 10.

[22] Citado por Cappello 4:732. “In collatione trium ordinum majorum….forma est ipsa oratio quanm ordinans recitat, dum manus ordinando imponit.”

[23] H. Denzinger, Ritus Orientalium, Coptorum, Syrorum et Armenorum (Würzburg: Stahel 1863), doravante RO, 1:140. “Apud Coptias est oratio illa, Quis es, Dominator, Deux omnipotens, quae in ipso rituale eorum dicitur oratio cheirotonias.”

[24] cf. RO 2:23-24. Ela se divide em duas seções. Segundo a rúbrica que se encontra no rodapé, o bispo ordenante continua mantendo sua mão imposta durante la parte que segue a interjeição do Arcediácono.

[25] Tradução de O.H.E. KHS- Burmester, Ordination Rites of the Coptic Church,(Cairo, 1985), 110:-1. RO 2-24 traduz em latim a frase “concedei padres… sacerdócio” como: “constituendi cleros (klêros árabe: clericos) secundum mandatum ejus ad sanctuarium”, acrescentando no rodapé “in ordine sacerdotali”.

[26] RO 1-141. “Apud Syros, Maronitas et Jacobitas, forma episcopatus ex Assemano est in illis duabus orationibus vel in eorum altera : Deus, qui universam Ecclesiam tuam per istos pontifices in manus imposatione exornas, etc…, Deus deorum et Dominus dominantium, quae apud utrosque sequuntur, posquam episcopus manum impositam tenens dixerit : Etiam, [sic] Domine Deus etc… O texto que Denzinger dá para a oração em RO 2–195 na verdade começa por “Eia” em vez de “Etiam”. Os maronitas usam as duas orações.

[27] RO 2:195. “recipiat sublimem episcoporum ordinem”. RO 196-7. “perfice nobiscum gratiam tuam tuumque donum” “perfice …sacerdotale ministerium”.

[28] RO 2:198. “Spiritum…Sanctum illum principalem”. “expellat omnia ligamina”.

[29] RO 2:220.

[30] RO 1:141. “In ordine autem nostro ex codice Florentino desumpto, non occurit nisi haec una : Deus, qui omnia per potentiam tuam”.

[31] RO 2:97.

[32] RO 2:97. “eo fine ut… sacerdotes constituat, diaconos ungat ; consecret altaria et ecclesias; domibus benedicat; vocationes ad opus (ecclesiasticum) faciat”.

[33] Para a oração de entronização do Patriarca, ver B. De Smet, Le Sacre des
Evêques dans l’Eglise syrienne
: texte, L’Orient Syrien, 8 (1963), 202-4.

[34] De Smet 166-7. ““Le Sacre des Éveques dans l’Église Syrienne: Texte,” L’Orient Syrien 8 (1963), 202-4. 34. De Smet, 166-7. “Par le même rite de la chirotonie, c’est-à-dire, les mêmes priéres et le même office avec lesquelles le patriarche lui-même sacre les mé- tropolites et les évêques, par ces mêmes rites ils le sacreront eux aussi… il y a, dans le sacre du patriarche, trois élements qui lui sont propre, à savoir:… 2º L’invocation du Saint-Esprit, dont il est écrit de Clément, et que nous donnerons plus loin: elle est dit uniquement sur le patriarche par les pontifes qui l’établissent.” – “ (Grifo nosso. O primeiro e o terceiro elemento são a eleição e a meneiro de conferir o báculo). A forma de consagração episcopal e a oração de entronização aparecem sucessivamente nas páginas 202-204 donde é fácil de comparar as diferenças de conteúdo.

[35] G. Khouris-Sarkis, Le Sacre des Evêques dans l’Eglise Syrienne: Introduction, L’Orient Syrien 8 (1963), 140-1, 156-7. “Mais le pontificale… fait une distinction entre la consécration conferée aux évêques et celle qui est conférée au patriarche… et c’est pour cela que le pontificale appelle cette consécration ‘syom’îdo d-Episqûfé,’ imposition des mains aux évêques. The word used in the title of the ceremony for the patriarch, “’Mettasºrhonûto,’ est l’action de confier une charge à quelqu’un, de l’en investir.”.

[36] G. Khouris-Sarkis, 140-1. “Dans la prémière, l’élu reçoit un charisme différent de celui qu’il possedait déjà… Dans le second, le patriarche ne reçoit un charisme différent de celui qu’il a reçu au moment où il a été créé évêque.”

[37] La Liturgie d’Hippolyte: Ses Documents, Son Titulaire, Ses Origines et Son
Caractère
(Roma: Instituto Oriental, 1959), 249-340.

[38] P. Bradshaw, Ordination Rites of the Ancient Churches of East and West (NewYork : Pueblo 1990), 3.

[39] P. Bradshaw, 3-4.

[40] “Essai de reconstitution.

[41] La tradition… Essai, XXXIII-IV.

[42] La tradition… Essai, XIV.

[43] La tradition… Essai, XVI.

[44] Louvain, notes de conférence juillet 1961, “Le Rituel d’Ordination dans la Tradition Apostolique d’Hippolyte”, Bulletin du Comité 36 (1962), 5.

[45] Bradshaw, 4.

[46] Bradshaw, 4-5.

[47] Tradução da Conferência Episcopal Portuguesa, Ordenação do Bispo, dos Presbíteros e Diáconos. 3 ed., p. 40. “Et nunc effunde super hunc Electum eam virtutem, quae a te est, Spiritum principalem, quem dedisti dilecto filio Tuo Jesu Christo, quem ipse donavit sanctis Apostolis, qui constituerunt Ecclesiam per singula loca, ut sanctuarium tuum, in gloriam et laudem indeficientem nominis tui.”

[48] Instituto Litúrgico Alemão (Trêves), Kleinheyer file, B117 ; citado por Fr. Pierre Marie, “Why the New Rite…” (jan 2005), 15 (grifo meu).

[49] SC do Culto Divino, Carta Circular Dum Toto Terrarum, 25 out 1973, AAS 66 (1974) 98-9; SC da Doutrina da Fé, Declaração Instauratio Liturgica, 25 jan 1974, AAS 66 (1974), 661. o segundo documento explicava que quando a Santa Sé aprova uma tradução: “Julga que exprime corretamente o significado previsto pela Igreja”, mas estibulava igualmente que a tradução “deve ser compreendida de acordo com o espírito da Igreja como expresso pelo texto original em latim”. Essa declaração é estranha. Uma tradução ou conserva o significado substancial do latim ou não.. Nesse último caso, o sacramento é inválido não importa o que se “estipule” – salvo por Humpty Dumpty em Through the Looking Glass: “Quando eu uso uma palavra… ela significa unicamente o sentido que eu escolhi dar-lhe – nem mais nem menos”

[50] B. Douroux, “Commentarium”, Notitiae 10 (1974), 394-95 “purché la nuova
formula continui a significare la grazia speciale conferita dal sacramento.”

[51] B. Botte, “‘Spiritus Principalis’ Formule de l’ordination épiscopale”, Notitiae 10 (1974), 410-1. “C’est le don de l’esprit qui convient à un chef.”

[52] P. Glare, Oxford Latin Dictionnary (Oxford, Clarendon, 1974). Similarmente, A. Forcellini, Lexicon Totius Latinitatis (Padua 1940); A. Souter, Glossary of Later Latin after 600 AD (Oxford, Clarendon, 1949); C. Lewis & C. Short, A New Latin Dictionnary (New-York : 1907).

[53] G. Lampe, A Patristic Greek Lexicon (Oxford, Clarendon, 2000). F. Gingrich & F. Danker, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Litterature (Chicago University Press, 1957).

[54] Lampe, 599.

[55] B. Orchard ed., A Catholic Commentary of the Holy Scripture (London: Nelson 1953). 457.

[56] Lampe, 599. “Ps. 50:14; cf. Hipp.trad.ap.3.3″.

[57] Orpigenes, In Jer Hom. 8, PG 13:336. Τινα τα τρια πνευµατα ταυτα; Το ηγεµονικον ο Πατηρ.”.

[58] Orígenes, Comm. In Ep. Ad Rom. 7, PG 14:1103. “sed in his principatum et
dominationem hunc Spiritum sanctum, qui et principalis appelatur, tenere.”.
Cirilo de Alexandria, Dubia de Trinitate 9, PG 77:1140., “το του Θεου Πνευµα, το ευθεs, το ηγεµονικον.” Basílio o Grande, Adv. Eunomium 5.3, PG 29:753. “το Πνευµα … και ηγεµονικον.”

[59] Cirilo de Alexandria, Expl. In Psalmos 50:14, PG 69:1100-1.“τωι ηγεµονικωι
Πνευµατι, οπερ εστιν η δια του αγιου Πνευµατοs ευανδρια.”.

[60] Atanásio, Ep. Ad Amunem Mon., PG 26:1176. “Και Πνευµατι ηγεµονικωι …ισχυρα τιs παρα σου δυναµιs.”

[61] J. Pohle, The Divine Trinity: A Dogmatic Treatise, 2. ed. (St. Louis: Herder 1915), 97.

[62] R. Beraudy, “Le Sacrement de l’Ordre d’après la Tradition Apostolique
d’Hippolyte,” Bulletin du Comité
36 (1962), 341, 342.

[63] Tr. Burmester, Ordination Rites…Coptic, 97.  “hegemonicon pneuma.” Também RO 2:17. “spiritum hegemonicum.”

[64] Tr. Burmester, Ordination Rites…Coptic, 118. “hegemonicon pneuma.”.
Também RO 2:34. “in spiritu tuo hegemonico”.

[65] B. Botte, L’ordination de l’Evêque, (cf. note 16), 123. “mais si on ommetait par inadvertance les mots ‘spiritum principalem’ je ne vois pas ce que cela changerait.”. Dom Botte, um modernista típico, devota duas páginas deste artigo para repudiar as tradicionais garantias de validade de consagração episcopal, que foram introduzidas sobre os princípios da teologia moral e dogmática.

[66] Sacr. Ord. DZ 2301. ¶4. “quibus univoce significantur effectus sacramental — scilicet potestas Ordinis et gratia Spiritus Sancti.”

[67] Forcellini, Lexicon 8:869. “proprie de eo qui unius est vocis… cui multivocus vel plurivocus opponitur.… ‘Univoca (sunt) quae sub eodem nomine et sub eadem substantia continentur.’”.

[68] F. Hürth, “Commentarius ad Cons. Apostolicam Sacramentum Ordinis,” Periodica 37 (1948), 31–2. “plenitudinem sacerdotii Christi in munere et ordine episcopali.” “’summa seu totalitas’ ministerii sacerdotalis.”

[69] H. Merkelbach, 3:20.

[70] Coronata, 1:13. “non amplius per ipsam complete et congruenter exprimatur.”

[71] De Ordinatione Episcopi, Presbyterorum et Diaconorum, ed. typ. alt. (Rome:
Polyglot 1990), 25.
“Da… ut… summum sacerdotium tibi exhibeat sine reprehensione”.

[72] “Why the New Rite…” (Jan 2005), 10.

[73] Cappello 1:25-6.

[74] Bradshaw, 107.

[75] De Ord. Ep., 25. “ut distribuat munera secundum praeceptum tuum.”

[76] Burmester, Ordination Rites, 111.

[77] Apostolicae Curae, 13 Sep 1896, DZ 1965. “eoque id magis, quia in primis episcopatus muniis scilicet est, ministros ordinandi in sanctam Eucharistiamet sacrificium“.

[78] Nada poderia ser mais falso. Os teólogos que prepararam a declaração de Pio XII de 1947 a respeito da matéria e forma das Santas Ordens trabalharam a questão durante 40 anos, e se cercaram de grandes precauções para garantir que o raciocínio teológico rigoroso, coerente com a tradição, justificasse cada palavra do projeto. Quando foi publicado, o chefe da comissão redigiu um comentário de 50 páginas para demonstrá-lo.

[79] DZ 3201. “Ecclesia nulla competat potestas in ‘substantia Sacramentorum,’id est in ea quae, testibus divinae revelationis fontibus, ipse Christus Dominus in signo sacramentali servanda statuit.”

[80] Merkelbach 3:720. “Quantum ad sensum formae, quia pertinet ad substantiam sacramenti a Christo instituta, Ecclesiae nulla competit potestas.”

[81] Merkelbach 3:18. “determinavit… quod ab Ecclesia adhiberentur signa et verba idonea ad exprimendum characterem et gratiam propriam Confirmationis, vel potestatem Ordinis.”

[82] Dom Botte sabia, por exemplo, que a oração síria ocidental para a consagração do Patriarca não era sacramental – que o título significava “cerimônia de investidura” em vez de consagração sacramental, pois “o Patriarca não recebe um carisma diferente do que já recebeu no momento em que foi consagrado bispo” KhourisSarkis, 140-1, 156-7. Ele sabia porque era um editor que contribuía com a l’Orient Syrien, a revista onde essas palavras apareceram. Sabia também porque ele mesmo escreveu um artigo onde demonstrava que a verdadeira forma sacramental antiga para a ordenação do biso nos ritos sírio e copta não era a de Hipólito, senão a oração “A divina graça…”, usada no rito Bizantino. “A graça divina, sob a forma que encontramos no eucologio bizantino, é la forma sacramental mais antiga no Patriarcado Sírio” Botte, “La Formule d’Ordination”, L’Orient Syrien 2
(1957), 295.

[83] Sermon, Lille (France), 29 ago 1976. In M. Davies, Apologia pro Marcel Lefebvre (Dickinson TX: Angelus Press 1979) 1:262–3. “O rito da (nova) misa é um rito bastardo, os sacramentos são sacramentos bastardos – não sabemos mais se são sacramentos que dão a graça ou que não dão a graça… Os padres que saem dos seminários são padres bastardos.”

[84] Why the New Rite,” The Angelus, jan 2006, 4.

[85] Ver B. Botte, “La Formule d’Ordination,” L’Orient Syrien 2 (1957), 295.

[86] Cf. artigo, seção V.B.

[87] Cf. artigo, seção V.C

[88] Cf. artigo, seção IV.C.

[89] RO 2:23ff

[90] Emmanuel. Lanne, “Denzinger se base sur une version faite par Scholz… La traduction de Scholz contient des gros contresens.”

[91] Bradshaw, 8.

[92] Trans. Burmester, Ordination Rites, 110-1. RO 2:24 traduz o copta como
“constituendi cleros secundum mandatum ejus ad sanctuarium.” No rodapé lê-se: “in ordine sacerdotali.”

[93] distribuat munera,” “dare sortes.” Botte também fez sumirem as frases
que mencionavam a consagração das igrejas e dos altares.

[94] M. Jugie, “Monophysite (Église Copte)” DTC 10:2260. “Remarquons, à ce propos, que les patriarche coptes n’ont jamais brillé pour leur science; on en a vu de fort ignorants, et nous avons donné plus haut le nom d’un illtetré.”

[95] Jugie DTC 10:2262

[96] Jugie DTC 10:2263

[97] Jugie DTC 10:2262

[98] Jugie DTC 10:2281

[99] Jugie DTC 10:2285–6

[100] A. Fortescue, The Lesser Eastern Churches (London: CTS 1913), 311

[101] D. Attwater, Christian Churches of the East (Milwaukee: Bruce 1961) 2:191.

O Papa e o Anticristo: A Grande Apostasia Predita

A doutrina católica é simples e clara: o Papa é a Suma Autoridade na Terra, o Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso faz dele o contrarrevolucionário por excelência, o inimigo número um dos rebeldes de todas as estirpes, o antagonista perpétuo do Anticristo. O Papa JAMAIS será parte da crise na Igreja ou mesmo a causa dela.

Alguns católicos hoje em dia se mostram dispostos a acreditar que o Papado não é o que a Igreja sempre nos ensinou que ele era. Este, porém, é um mau caminho. O que nós católicos devemos concluir a partir da postura revolucionária dos últimos clamantes ao Papado em Roma (de João XXIII em diante) é que eles não gozam do carisma papal. Isso explica perfeitamente bem o estado sem precedentes de confusão e desordem em que se encontra a Igreja de Deus no presente momento.

Se resta alguma dúvida quanto a isso, leia este artigo com bastante atenção.

Leia também: A Revolução dentro da Igreja

O PAPA E O ANTICRISTO
Pio XII vs o Anticristo

A GRANDE APOSTASIA PREDITA

INTRODUÇÃO

Como todos sofremos nesses tempos difíceis, nos quais a confusão e o caos reinam entre aqueles que procuram ser genuinamente católicos, membros da única religião verdadeiramente estabelecida por Deus, é útil e importante refletir sobre o fato de que a situação em que nos encontramos hoje – não ter Papas válidos desde 1958, nem bispos católicos com jurisdição ordinária, enquanto há em seu lugar uma falsa instituição mascarada de Igreja Católica espalhando heresia, imoralidade e impiedade – foi predita na Sagrada Escritura. Assim como a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo tomou (quase) todos de surpresa, embora essas coisas tivessem sido profetizadas de antemão, parece que a Paixão e aparente Morte da própria Igreja tem tomado todos de surpresa, muito embora a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição, os Padres da Igreja e vários teólogos tenham atestado que o Corpo Místico de Cristo teria de sofrer, antes do fim dos tempos, a maior tribulação de sua história.

Já tratamos um pouco desse assuntos em posts e artigos anteriores, onde mostramos passagens das Escrituras em que uma apostasia da Fé é predita e, de modo especial, aquelas que profetizavam que o Papado seria perseguido e atacado de maneira terrível. Para uma rápida revisão dessas importantes (e extremamente significativas) profecias, seguem os links:

Posto que é evidente que, ao longo de história, o Papa sempre foi alvo dos inimigos da Igreja na condição de verdadeiro Vigário de Jesus Cristo e Cabeça Visível da Igreja, não é de admirar que nos últimos tempos o demônio junte todas as suas forças numa última e extremamente poderosa tentativa de arrebatar o Papado e a Igreja. Vale dizer que essa batalha final de Satanás contra o Reino de Deus sobre a terra seria sem precedentes em termos de sua natureza, extensão, furor, poder, horror e astúcia.

UMA FRAUDE PARA DESTRUIR A IGREJA

Nas décadas que precederam a criação da seita modernista do Vaticano II, os Papas denunciaram vigorosamente as conspirações planejadas pelas sociedades secretas, que tinham como objetivo declarado a infiltração e destruição definitiva da Igreja Católica e sua doutrina. Os seguintes links apresentam vários excertos de documentos papais anteriores ao Vaticano II que chamam a atenção para a perseguição arquitetada e empreendida contra a Igreja da parte de seus mais perniciosos inimigos:

Algumas pessoas imprudentes procuram fugir dessa evidência por meio da resposta um tanto ligeira e cínica de que “a Igreja não pode ser destruída, as portas do Inferno não prevalecerão”. Embora isso seja verdade, tal resposta não compreende a realidade da situação: os Papas mesmos, obviamente, também sabiam que a Igreja Católica jamais poderia ser destruída, sendo obra de Deus e tendo Cristo prometido que ela se manteria sem qualquer alteração substancial até o fim dos tempos. Mas por que, então, os repetidos avisos dos papas? Por que o senso de alarme e urgência com o qual denunciavam o que seus inimigos estavam planejando?

A resposta é simples: A Igreja não será destruída, mantendo-se até o fim dos tempos, contudo, a perseguição empreendida por seus inimigos causa imenso dano às almas e as almas realmente vão para o Inferno, se elas sucumbirem como suas vítimas. Quando a Fé está sob ataque, quando as almas estão sob o risco de se perderem, quando a heresia ameaça sufocar a fé pura e inocente de seus filhos, não basta simplesmente apontar para o fato de que a Igreja não pode ser destruída. Ela não pode ser destruída, de fato, mas o número de seus membros pode diminuir, isto é, seus filhos podem se perder, podem abandonar a Fé e se tornar insensíveis, eles podem pecar mortalmente, morrer espiritualmente pela confusão e falta de conhecimento e queimar no Inferno eternamente. O fato do Reino de Deus perder membros e tê-los transferidos novamente para o domínio das trevas, inclusive em grandes quantidades, provoca grande perturbação e ansiedade; afinal, isso é o contrário do que a Igreja foi encarregada de realizar! A Igreja foi fundada para levar as almas para o Céu, não para vê-las condenadas ao Inferno. Por essa razão que a réplica de que “as portas do Inferno não prevalecerão”, em face à perseguição da Igreja, está completamente deslocada.

Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pastor de nossas almas (cf Jo 10,14), avisou-nos que antes de sua Segunda Vinda haveria um declínio da Fé causado por uma grande fraude, uma fraude tão convincente que até mesmo os eleitos creriam, se não fossem especialmente prevenidos por Deus:

E estando ele assentado no Monte das Oliveiras, se chegaram a ele seus discípulos em particular, perguntando-lhe: Dize-nos, quando sucederão estas coisas? E que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século? E respondendo Jesus lhes disse: Vede, não vos engane alguém; Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. Haveis pois de ouvir guerras, e rumores de guerras. Olhai não vos turbeis; porque importa que assim aconteça, mas não é este ainda o fim; Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá pestilência, e fomes, e terremotos em diversos lugares. E todas estas coisas são o princípio das dores. Então vos entregarão à tribulação e vos matarão; e sereis aborrecidos de todas as gentes por causa do meu nome. E muitos então serão escandalizados, e se entregarão de parte a parte, e se aborrecerão uns aos outros. E levantar-se-ão muitos falsos profetas, e enganarão há muitos. E porquanto multiplicar-se-á a iniquidade e se resfriará a caridade de muitos. Mas o que perseverar até o fim, este será salvo. E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, em testemunho a todas as gentes; e então chegará o fim. Quando vós pois virdes que a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, está no lugar santo, o que lê entenda; Então os que se acharem na Judeia, fujam para os montes; E o que se acha no telhado, não desça para levar coisa alguma de sua casa; E o que se acha no campo, não volte a tomar a sua túnica. Mas ai das que estiverem grávidas, das que tiverem filhos naqueles dias. Rogai pois que não seja a vossa fuga em tempo de inverno, ou em dia de sábado; Porque será então a aflição tão grande, que, desde que há mundo até agora, não houve, nem haverá outra semelhante. E se não se abreviassem aqueles dias, não se salvaria pessoa alguma; porém abreviar-se-ão aqueles dias em atenção aos escolhidos. Então, se alguém vos disser: Olhai, aqui está o Cristo; ou, ei-lo acolá: não lhe deis crédito. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão grandes prodígios e maravilhas tais que, se fosse possível, até os escolhidos se enganariam. Vede que eu vo-lo adverti antes.

(Mateus 24,3-25)

Uma fraude de tais dimensões, que quase enganaria os eleitos, tem de ser uma fraude muito perniciosa. Por certo, tem de ser capaz de enganar as massas; tem de ser um ardil capaz de arrebatar um grande número de fiéis católicos, tornando-os infiéis. Ora, existe melhor modo para isso do que colocar uma falsa igreja no lugar da Igreja Católica? Do que introduzir uma seita desde dentro que, enquanto mantendo a aparência da verdadeira Igreja, subverte a doutrina da Fé, os Sacramentos e a piedade católica? Mais: se existe uma pessoa na terra que os católicos seguem, essa pessoa é o Papa; logo, a grande apostasia tem de ser imposta desde cima. O alvo, portanto, será o Papa – o Papado deve ser usurpado, por um modo ou outro, para que os inimigos da Igreja sejam capazes de realizar o seu sonho maligno de perverter a fé de milhões com o único propósito de estabelecer o reino do homem no lugar do reino de Cristo.

No século XIX, o plano da loja maçônica Alta Vendita se fez transparente na sua secreta “Instrução Permanente”, um documento que, pela providência do Deus Todo-Poderoso, foi descoberto no reinado de Gregório XVI (1831-1846) e divulgado pelos Papas Pio IX e Leão XIII:

Não temos a intenção de trazer os Papas à nossa causa, de torná-los neófitos dos nossos princípios, propagadores das nossas ideias. Isso seria um sonho ridículo, não importa a maneira como esses eventos possam suceder. Se cardeais ou prelados, por exemplo, de algum modo entrassem, conscientes ou não, dentro de algum de nossos planos, não seria esse fato um incentivo para desejar a sua ascensão à Sé de Pedro. Essa elevação iria nos destruir. A simples ambição os lavaria para a apostasia de nossa causa: as necessidades do poder hão de forçá-los a nos sacrificar. Assim, o que nós deveríamos pedir, aquilo que deveríamos procurar e esperar, assim como os judeus esperam pelo Messias, é um Papa de acordo com as nossas vontades…

Portanto, a fim de garantir-nos um Papa nesses moldes, é necessário formar para esse Papa uma geração digna do reinado daquele que nós sonhamos…

… Buscai o Papa cujo retrato vos damos. Desejais estabelecer o reino do eleito sobre o trono da prostituta de Babilônia? Deixai os clérigos marcharem sob vossa bandeira na crença de que estão marchando sob a bandeira das Chaves Apostólicas. Desejais acabar com o último vestígio de tirania e de opressão? Lançai as vossas redes como Simão, filho de Jonas. Lançai-as no interior das sacristias, seminários e conventos, em vez de lançá-las ao fundo do mar e, caso não vos desespereis, obtereis uma pescaria mais milagrosa que a dele. Eis que o pescador de peixes se tornará um pescador de homens! Vós mesmos havereis de ficar como amigos à volta da Sé Apostólica. Dessa maneira, vós tereis realizado uma Revolução de Tiara e Casula, combinada com Cruz e bandeira – uma Revolução que precisa somente de um empurrãozinho para incendiar os quatro cantos da Terra.

(Permanent Instruction of the Alta |Vendita)

Enquanto parece que os eventos posteriores, na verdade, saíram um pouco diferentes do que o planejado neste documento – há evidência de que Angelo Roncalli, que se tornou o primeiro Antipapa da falsa Igreja do Vaticano II em 1958, foi realmente um maçom rosacruzense – o elemento-chave da fraude, isto é, “ser-católica-por-fora-mas-herética-por-dentro”, permanece o mesmo: “Deixai os clérigos marcharem sob vossa bandeira na crença de que estão marchando sob a bandeira das Chaves Apostólicas… Vós mesmos havereis de ficar como amigos à volta da Sé Apostólica. Dessa maneira, vós tereis realizado uma Revolução de Tiara e Casula, combinada com Cruz e bandeira…”

Certamente todos os falsos papas desde 1958 tem pregado a doutrina maçônico-modernista, que se impôs oficialmente com a “encíclica” Pacem in Terris de João XXIII e o Concílio Vaticano II: os ideais maçônicos de liberdade, igualdade e fraternidade se tornaram as doutrinas do Vaticano II de liberdade religiosa, colegialidade e do ecumenismo que são o fundamento da religião Novus Ordo. No entanto, dentre os seis papas impostores até o presente, o que mais abertamente professa e ensina as doutrinas maçônicas é o corrente Jorge Bergoglio, mais conhecido como “Papa Francisco”, como se pode verificar nos seguintes links:

O que faz dessa perseguição a Igreja, infligida pelos maçons infiltrados e seus discípulos, algo realmente mais poderoso e trágico é que frequentemente as pessoas que promovem esses falsos mestres são, no entanto, de boa vontade, piedosas e sinceramente buscam servir a Deus – em outras palavras, a grande maioria daqueles que espalham a apostasia não são enganadores deliberados, mas, em vez disso, são eles mesmas vítimas da fraude. No sermão proferido no Domingo de Pentecostes de 1861, o famoso Padre Frederick Faber alertou que isso era precisamente o que faria tantas pessoas caírem no erro:

Devemos lembrar que se todos os homens manifestamente bons fossem para um lado e todos os manifestamente maus fossem para outro, não existiria o menor risco do último dos eleitos ser enganado por prodígios de mentira. São os bons homens, os que o foram uma vez e que devemos esperar que ainda o sejam, que hão de fazer a obra do Anticristo e que, desafortunadamente, hão de crucificar o Senhor novamente… Tenham em mente esta característica dos últimos tempos: esta fraude surge precisamente do fato de homens bons estarem do lado errado.

(Fr. Frederick Faber, Sermon for Pentecost Sunday, 1861; qtd. in Fr. Denis Fahey, The Mystical Body of Christ in the Modern World)

A importância desse ponto não pode ser enfatizada o bastante, porque uma multidão de pessoas são seduzidas pela aparência externa e fazem-no a partir da (real ou falsa) sinceridade alheia. O que Padre Faber nos ensinou é que essas mesmas pessoas boas e sinceras podem ainda, inconscientemente, fazer o trabalho do Anticristo – a sinceridade que elas têm não as impede de serem, de facto, agentes do demônio; a boa vontade delas também não as previne de serem ferramentas usadas para a realização da obra de Satanás.

CARDEAL MANNING SOA O ALERTA

Durante a Páscoa de 1861, o famoso Cardeal Edward Manning (1808-92), convertido do anglicanismo, publicou um livreto contendo quatro textos explicando os eventos que haveriam de preceder e circundar o advento do Anticristo, pautado nas palavras de São Paulo em II Tessalonicenses 2,3-11, que fala não só de uma grande fraude, mas também de uma revolta, de um “homem do pecado” e da força que temporariamente o retém:

Ninguém de modo algum vos engane; porque não será, sem que antes venha a apostasia, e sem que antes tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição; Aquele que se opõe, e se eleva sobre tudo o que se chama Deus, ou que é adorado, de sorte que se assentará no templo de Deus, ostentando-se como se fosse Deus. Não vos lembrais de que eu vos disse estas coisas, quando ainda estava convosco? E vós sabeis que é o que agora o retém, a fim de que seja manifestado a seu tempo. Porque o mistério da iniquidade já de presente se obra; somente que aquele, que agora tem, tenha, até que este homem seja destruído. E então aparecerá o tal iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca, e o destruirá com o resplendor de sua vinda; A vinda do qual é segundo a obra de Satanás em todo o seu poder, e em sinais e em prodígios mentirosos, e em toda a sedução da iniquidade para aqueles que perecem; porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. Por isso lhes enviará Deus a operação do erro, para que creiam na mentira; Para que sejam condenados todos os que não deram crédito à verdade, antes assentiram à iniquidade.

(II Tessalonicenses 2,3-11)

O livreto de Cardeal Manning foi publicado inicialmente com o título The Present Crisis of the Holy See Tested by Prophecy [A Presente Crise da Santa Sé à luz da profecia], mas depois passou a ser reeditado com o nome mais chamativo de The Pope & the Antichrist [O Papa & o Anticristo] (Tradibooks, 2007). A maior parte do conteúdo dessa obra foi incluída posteriormente no trabalho mais substancial chamado The Temporal Power of the Vicar of Jesus Christ [O Poder Temporal do Vigário de Jesus Cristo].

Embora sempre se deva ter cautela com respeito a um interesse excessivo pelas coisas relacionadas ao “fim dos tempos”, no entanto, plea mesma razão seria imprudente desconsiderar toda e qualquer revelação relacionada com essa questão, visto que o Deus Todo-Poderoso não nos revelaria verdades para que nós as ignorássemos.

Em O Papa e o Anticristo, o Cardeal Manning destaca e explica em detalhe os quatro elementos-chave mencionados por São Paulo na passagem citada acima. São eles:

  1. Uma “revolta” contra a verdadeira Igreja;
  2. A manifestação do “homem da iniquidade”, o Anticristo;
  3. Uma força que o retém por um tempo;
  4. Um período de poder no qual o Anticristo persegue os fiéis.
Cardeal Manning
Cardeal Henry Edward Manning (1808-1892)

O Cardeal se adianta em dizer que os esclarecimentos que ele fornece não são o resultado de suas próprias conjecturas, mas que antes se fundam na autoridade de teólogos católicos reconhecidos: “Em se tratando desse assunto, não deverei eu valer-me de conjecturas de minha própria autoria, mas deverei simplesmente expor o que encontrei ou nos Padres da Igreja, ou em teólogos reconhecidos pela Igreja, nomeadamente [São Roberto] Belarmino, Lessius, Malvenda, Viegas, Suarez, Ribera e outros.” (p. 9).

Os parágrafos seguintes consistem de vários trechos tomados das mais excelentes e edificantes passagens dessa obra de Cardeal Manning. Para aqueles que estão interessados em obter uma cópia, quer no formato impresso ou digital, atualmente estão disponíveis as seguintes edições e formatos:

Os excertos a seguir de O Papa & o Anticristo estão divididos por seções que correspondem às quatro conferências que constituem o livro. Enquanto você fizer a leitura desses excertos, tenha em mente que o Cardeal os escreveu em 1861, há mais de cento e cinquenta anos atrás, antes das duas terríveis guerras mundiais, antes da criação do Estado de Israel e pouco tempo depois do reino da Itália ter anexado à força a maior parte dos Estados Pontifícios, do qual o Papa era o chefe temporal.

[PRINCÍPIO DO EXCERTO]

I CONFERÊNCIA: A GRANDE APOSTASIA

Temos aqui a profecia de quatro grandes fatos: primeiro, de uma revolta que precederá a segunda vinda de Nosso Senhor; segundo, da manifestação de alguém que é chamado de “o homem iníquo”; terceiro, de um obstáculo que impede sua manifestação; e, por fim, de um período de poder e perseguição, do qual ele será o autor…

Primeiro, então, o que é essa revolta? No original ela é chamada de apostasia: e na Vulgata, discessio, ou seja, uma ruptura. Ora, uma revolta implica uma separação sediciosa de alguma autoridade e uma conseqüente oposição a ela… Ora, existem no mundo duas autoridades supremas, a civil e a espiritual, logo esta revolta deve ser ou uma sedição, ou um cisma… Parece pouco necessário provar que esta revolta ou apostasia é uma separação não da ordem civil, mas sim da ordem e da autoridade espiritual; pois os autores sagrados, de novo de de novo, falam de uma tal separação; e em algum lugar São Paulo parece declarar expressamente o significado desta palavra. Ele adverte São Timóteo de que nos últimos dias “apostatarão alguns da fé” [I Timóteo 4,1] e parece evidente que a apostasia espiritual que ele menciona é a mesma apostasia [referida] aqui.

Logo, a autoridade de que se ocupa a revolta é o reino de Deus sobre a Terra…, em outras palavras, a Igreja Una e Católica, fundada pelo Divino Salvador, e difundida pelo mundo por seus Apóstolos. Neste único reino sobrenatural foi depositada a verdade e o teísmo puro, ou o conhecimento de Deus, e a verdadeira e única fé no Deus Encarnado com as doutrinas e leis da graça. Esta, então, é a autoridade contra a qual a revolta deve se insurgir, seja ela o que for.

francisco-esconde-o-curcifixoSendo esta a autoridade contra a qual se levanta a revolta, não pode ser difícil definir seu caráter. Os autores inspirados expressamente descrevem suas notas. A primeira é o cisma, como demonstra São João: “É chegada a última hora e como vós tendes ouvido dizer que o Anticristo vem, também já desde agora há muitos anticristos, donde conhecemos que é chegada a última hora. Eles saíram de nós, mas não eram de nós, porque, se eles tivessem sido de nós, ficariam certamente conosco.” [I Jo 2,18-19]. A segunda nota é a rejeição das obras e presença do Espírito Santo, São Judas diz: “Estes são os que fomentam a discórdia, homens sensuais [isto é, homens que ignoram seu caráter sobrenatural], que não têm o Espírito.” (Judas 19). Isso necessariamente implica o princípio herético da opinião humana como oposta à infalível voz do Espírito Santo que fala através da Igreja de Deus. A terceira nota é a negação da Encarnação. São João escreve: “Todo espírito, que confessa que Jesus Cristo veio em carne, é de Deus; e todo espírito, que divide a Jesus [isto é, todo o que nega o mistério da Encarnação, ou sua verdadeira divindade, ou sua verdadeira humanidade ou a unidade e divindade da pessoa do Filho Encarnado] “não é de Deus, mas este tal é o Anticristo, do qual vós tendes ouvido que vem, e ele agora está já no mundo.” (I Jo 4,2-3). Novamente ele diz, “Muitos impostores se tem levantado no mundo, que não confessam que Jesus veio em carne; este tal é impostor e um anticristo.” (II Jo 7) Então, assim como a Igreja deve ser conhecida por suas notas, a revolta anticristã ou a apostasia pode ser distinguida por essas notas…

[T]odas as heresias desde o princípio não são mais que o continuo desenvolvimento e expansão do “mistério da iniquidade”, o qual já está operando…

É evidente que esse movimento apóstata, acumulando seus resultados progressivamente, seja neste tempo mais natural e tenha uma maior organização e poder, assim como seu antagonismo contra a Igreja e a fé é maior do que antes…

Parece inevitável que os inimigos de todas as nações que estão separadas da unidade católica… deveriam concentrar seus esforços sobre aquele que é o Vigário e Representante de Jesus, e sobre o único Corpo que testemunha a Encarnação e todos os mistérios da verdade e da graça. Tal é a Santa Igreja Católica Romana e tal é o Sumo Pontífice, sua cabeça visível. Nas palavras da Sagrada Escritura, essas duas [potências] são o mistério da piedade e da iniquidade. Todas as coisas estão imersas na chama e proeminência desses dois poderes supremos, que dividem os destinos dos homens. O conflito se resume no antagonismo entre o Cristo e o Anticristo; e essas duas potências estão marchando ordenadamente, e os homens estão escolhendo os princípios de uma ou da outra; ou então os acontecimentos estão escolhendo por eles; e eles estão à deriva na correnteza que os vai arrastando sem que eles tenham consciência disso…

II CONFERÊNCIA: O ANTICRISTO

De fato, é verdade que o Anticristo teve, e deve ter ainda, muitos precursores, também o próprio Cristo os teve. Assim como Isaac, Moisés, Josué, Davi e Jeremias foram tipos dele, do mesmo modo Antíoco, Juliano, Ario, Maomé e muitos outros foram tipos do Anticristo; porque pessoas tipificam pessoas. Então, novamente, Cristo é a Cabeça e Representante no qual todo o mistério da piedade foi resumido e recapitulado, da mesma forma que o mistério da impiedade vai achar sua expressão e sua cabeça na pessoa do Anticristo. Ele pode, realmente, incorporar um espírito e representar um sistema, mas não sem a liderança de uma pessoa…

Além do mais, os Padres [da Igreja] acreditavam que o Anticristo será da raça judaica… E e ele aparecerá provavelmente, se considerarmos que o Anticristo virá para enganar os judeus, conforme a profecia do Senhor: “Eu venho em nome de meu Pai, e vós não me recebestes: outro virá em meu próprio nome e vós o recebereis” (Jo 5,43)… Além disso, aumenta a probabilidade de que assim seja se também considerarmos que um falso Cristo faltaria à primeira condição de êxito, se ele não fosse da tribo de Davi; pois é de lá que os judeus estão esperando sua vinda; eles tem se preparado para o engano, crucificando o verdadeiro Messias; e, portanto, é isso que os Padres da Igreja compreendem acerca do verdadeiro e falso Messias nessas palavras de São Paulo: “Porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. Por isso lhes enviará Deus a operação do erro, para que creiam na mentira” [II Ts 2,10-11]…

Francisco escondendo a CruzDaí percebemos uma triplo caráter do Anticristo, nomeadamente, que ele não será simplesmente um antagonista, mas sim um substituto ou suplantador do verdadeiro Messias: e isso se torna ainda mais provável pelo fato de que o Messias esperado pelos Judeus sempre foi um libertador temporal, o restaurador de uma ordem temporal; ou, em outras palavras, um príncipe político e militar. É óbvio também que quem quer que venha a enganá-los com o caráter de seu pretenso Messias deve, pois, negar o mistério da Encarnação; qualquer coisa que ele diga de sobrenatural se refere a si mesmo. Ele será, em sua própria pessoa, um completo negador de toda a fé cristã; pois se ele é o verdadeiro Messias, então o Messias dos cristãos deve ser falso…

Mas as profecias acrescentam mais um caráter preternatural à pessoa do Anticristo: Ele é descrito como um obrador de falsos milagres. Da vinda dele se diz que “é segundo a obra de Satanás em todo o poder, e em sinais e em prodígios mentirosos, e em toda a sedução da iniquidade para aqueles que perecem” [II Ts 2,9-10]… O tempo está maduro para o engano. Não vão acreditar nos milagres dos santos, mas se embriagarão com fenômenos de espiritualismo…

A última característica da qual falarei pode ser mais difícil de conceber. São Paulo diz sobre “o homem do pecado” que ele é “o filho da perdição; Aquele que se opõe, e se eleva sobre tudo o que se chama Deus, ou que é adorado, de sorte que se assentará no templo de Deus, ostentando-se como se fosse Deus.” [II Ts 2,4]. Essas palavras são interpretadas pelos Padres com o sentido de que ele reclamará honras divinas, e isso no templo de Jerusalém… [Ainda:] Assim como Cristo na sua vinda era crido como o carpinteiro, da mesma forma o Anticristo deve ser visivelmente nada mais que um empreendedor bem-sucedido. Mesmo o seu preternatural caráter, verdadeiro ou falso, deve parecer aos olhos dos outros como ranços de insanidade, ou como a mentira contada por seus aduladores. Dessa maneira, o mundo cega seus próprio olhos pela fumaça de seu próprio orgulho intelectual.

III CONFERÊNCIA: AQUELE OU O QUE RETÉM A MANIFESTAÇÃO DO ANTICRISTO

Assim como existe um perpétuo trabalho do mistério da iniquidade, também existe um perpétuo obstáculo ou barreira a sua manifestação, que permanecerá até ser removido; e existe um tempo determinado em que ele deve ser tirado do seu caminho… Ora, enquanto que este homem iníquo deve ser uma pessoa desregrada, que introduzirá desordem, sedição, tumulto e revolução, tanto na ordem espiritual quanto na temporal, do mesmo modo aquele que impede seu desenvolvimento será seu direto antagonista depois de sua manifestação e deve necessariamente ser um príncipe de ordem, de leis de submissão, a autoridade da verdade e do direito…

Devemos agora nos aproximar de uma conclusão afirmada no começo a respeito do Anticristo que também vale para o seu oponente, nomeadamente, que o poder que impede a revelação do homem desregrado não é somente uma pessoa, mas um sistema e não somente um sistema, mas uma pessoa. Numa palavra, o obstáculo é a Cristandade e sua Cabeça; portanto, é na pessoa do Vigário de Jesus Cristo, em posse da dupla autoridade de que ele foi providencialmente investido, que encontramos o direto antagonista ao princípio da desordem…

Desde a fundação da Europa Cristã, a ordem política do mundo tinha se orientado sobre o mistério da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo; por essa razão, todos os atos públicos de autoridade, e mesmo o calendário pelo qual nós datamos nossos dias, são contados a partir dos anos de salvação ou a partir do “ano de Nosso Senhor”… [N]o dia em que se admite igualdade de privilégios aos que negam a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, dissolve-se a vida e a ordem social orientadas pelo mistério da Encarnação e se põe em seu lugar os alicerces do naturalismo: isso é precisamente o que foi predito acerca do período anticristão…

Se a barreira que impedia o desenvolvimento do princípio da desordem anticristã tinha sido o poder de Jesus Cristo, Nosso Senhor, incorporado pela Igreja conduzida pelo seu Vigário, então nenhuma mão é poderosa o bastante e ninguém será capaz de tirá-lo do caminho, exceto a mão e a vontade do Filho encarnado de Deus mesmo…

A história da Igreja e a história de Nosso Senhor sobre a terra, correm como que em paralelo. Por trinta e três anos o Filho de Deus esteve no mundo e nenhum homem poderia lançar sua mão contra ele. Nenhum homem poderia apanhá-Lo, porque a sua “hora ainda não chegou.” Havia uma hora pré-determinada em que o Filho de Deus deveria ser entregue nas mãos dos pecadores. Ele sabia disso; Ele predisse isso. Ele manteve seu destino em suas própria mãos, pois ele estava protegido pelo círculo de seu próprio poder divino. Nenhum homem poderia atravessar aquele círculo de onipotência até que chegasse a sua hora, quando por sua própria vontade ele abrisse caminho para o poder das trevas…

O mesmo vale para Sua Igreja. Até chegar o tempo em que a barreira deverá, pela Vontade Divina, ser tirada do caminho, ninguém poderá lançar sua mão contra ela. As portas do Inferno podiam mover guerra contra ela; podem lutar e lutar como lutam agora contra o Vigário de Nosso Senhor, mas não têm o poder de mover um passo a mais, até que chegue a hora em que o Filho de Deus permitirá, por um tempo, que os poderes das trevas prevaleçam. Que Ele permitirá que prevaleçam por um tempo, isso se apóia no livro da profecia…

Precisamos, pois, ficar bem atentos. Deve acontecer mais uma vez com alguns aquilo que ocorreu como se fez quando o Filho de Deus estava em sua Paixão – eles o viram traído, preso, amarrado, abatido, golpeado, de olhos vendados e açoitado; eles o viram carregar Sua Cruz para o Calvário e lá o pregarem e elevaram para o desprezo do mundo; e eles disseram, “se ele for o Rei de Israel, desça agora da cruz, e nós creremos nele” (Mt 27,42). Então, da mesma maneira dizem agora, “vejam a Igreja Católica, esta Igreja de Deus, débil e frágil, rejeitada até mesmo pelas nações ditas católicas. Vede a França católica, a Alemanha católica, a Sicília católica e a Itália católica abrindo mão da falácia do poder temporal do Vigário de Jesus Cristo.” E assim, porque a Igreja parece fraca e o Vigário do Filho de Deus está renovando em si a Paixão de seu Mestre sobre a terra, ficamos nós escandalizados, dele afastamos a nossa face. Então, onde é que está a nossa fé? Entretanto, o filho de Deus predisse essas coisas quando falou: “E eu vo-lo disse agora, antes que suceda, para que, quando suceder, o creiais” (Jo 14,29).

Pio XII sendo velado
Velório de Pio XII (outubro de 1958)

IV CONFERÊNCIA: A PAIXÃO E “MORTE” DA IGREJA

Ora, é contra a pessoa [do Papa] eminentemente e enfaticamente, como se disse antes, que o espírito das trevas e da mentira deve dirigir seu assalto; pois se a cabeça for separada do corpo, o corpo mesmo deve morrer. “Matem o pastor, e as ovelhas serão dispersadas” é a antiga artimanha do malvado, que feriu o Filho de Deus para que pudesse dispersar o rebanho. Mas essa artimanha sempre falhou; pois na morte que abateu o Pastor, o rebanho foi redimido: e embora o pastor que foi constituído no lugar do Filho esteja abatido, o rebanho não pode mais se dispersar. Há trezentos anos o mundo se esforça para arruinar a linha dos Soberanos Pontífices, mas o rebanho nunca se dispersou: e assim deve ser até o fim. É, no entanto, é contra a Igreja de Deus e, principalmente, contra sua Cabeça, que todos os espíritos das trevas em todos os tempos, sobretudo no presente, dirigem as flechas de sua inimizade…

Ora, a Igreja já padeceu duas perseguições, uma nas mãos dos judeus e outra na mão dos pagãos. Desse fato, os autores de tempo mais remoto, os Padres tanto do Ocidente quanto do Oriente, previram que nos últimos dias a Igreja padecerá uma terceira perseguição, mais amarga, mais sangrenta, mais intensa e cruel do que qualquer perseguição já feita, e ela partirá de um mundo sem fé que se revoltou contra o Verbo Encarnado…

Assim como os perversos não prevaleceram contra Ele [Nosso Senhor Jesus Cristo] mesmo quando o amarraram com cordas, arrastaram para o julgamento, vendaram seus olhos, zombaram dele como se fosse um falso rei, bateram em sua cabeça como se fosse um falso profeta, ainda quando o conduziram para fora, crucificaram e, no auge de seu poder, pareciam ter completo domínio sobre Ele, de modo que Ele foi derrubado e quase se prostrou diante de sus pés; e como, precisamente no momento em que esteve morto e enterrado a vista deles, foi o tempo em que Ele foi elevado sobre todos, ressurgiu no terceiro dia, subiu aos Céus, foi coroado e glorificado, tomando posse de sua realeza e supremo reinado, sendo constituído Rei dos Reis e Senhor dos Senhores; do mesmo modo deve suceder com a sua Igreja: embora por um tempo perseguida, e aos olhos dos homens derrotada e pisoteada, destronada, despojada, escarnecida e esmagada, mesmo nesse tempo de triunfo, as portas do Inferno não prevalecerão. Existe na história uma ressurreição e uma ascensão para a Igreja, uma realeza e dominação, uma gloriosa recompensa para todos os que tenham perseverado. Como aconteceu com Jesus, é preciso sofrer para receber essa coroa de glória. Ninguém se deixe, então, escandalizar se a profecia fala de sofrimentos por vir. Estamos todos acostumados a imaginar triunfos e glórias da Igreja sobre a terra, que o Evangelho será pregado por todas as nações, que o mundo se converterá e todos os inimigos serão subjugados e etc. até alguns se mostram indispostos a ouvir que na história da Igreja haverá um tempo de grande tribulação: e, agindo assim, fazemos como os antigos judeus que esperavam por um conquistador, por um rei, pela prosperidade; e quando seu Messias veio na humildade e na paixão, não o puderam reconhecer. Por isso, estou inclinado a penar que muitos entre nós intoxicam suas mentes com vislumbres de sucesso e vitória a ponto de não suportarem a ideia de que esse tempo de perseguição já se aproxima da Igreja de Deus…

Communion of unbelieversO primeiro sinal ou nota dessa perseguição vindoura é a indiferença à verdade. Assim como existe calmaria antes de um furacão, assim como as águas de uma cachoeira descem como vidro, do mesmo modo antes do surgimento de um conflito existe um tempo de tranquilidade. O primeiro sinal é a indiferença. Nada caracteriza mais do que qualquer outra coisa o surgimento de uma perseguição futura do que o indiferente desprezo pela verdade ou mentira. A Roma Antiga em sua força e poder adotou todas as falsas religiões de todas as nações conquistadas e deu para cada uma delas um templo dentro de seus muros. Ela foi soberana e desdenhosamente indiferente para com todas as superstições da terra. Encorajou-as; porque cada nação tinha sua própria superstição e tal superstição era uma maneira de tranquilizar, governar e manter em sujeição o povo favorecido pela construção de um templo dentro de seus muros. Da mesma forma, vemos no presente as nações do mundo cristão gradualmente aderindo a toda espécie de contradição religiosa, isto é, dando-lhes toda liberdade, ou como dizem, perfeita tolerância; não reconhecendo qualquer distinção entre verdade e falsidade entre elas, mas deixando todas as formas de religião trilharem seu próprio caminho…

[E]xiste o crescimento do ódio pelo que eles chamam de dogmatismo, ou seja, a qualquer verdade positiva, qualquer coisa definida, qualquer coisa última, qualquer coisa que tenha limites precisos e qualquer espécie de crença que se expresse em definições particulares – essas coisas são totalmente desagradáveis aos homens que adotam o princípio de encorajar todas as formas de opinião religiosa…

Pio XIIO próximo passo, pois, é a perseguição da verdade… [Na Roma antiga] existia toda sorte de confrarias, ordens, sociedade e etc.; no entanto, existia uma sociedade cuja existência não era permitida: a Igreja do Deus vivo. No meio dessa tolerância universal, havia uma exceção feita com a mais categórica severidade, a fim de eliminar a verdade e a Igreja de Deus da face da terra. Agora, isso é o que inevitavelmente sucederá mais uma vez, porque a Igreja de Deus é inflexível na missão de comunicá-la. A Igreja Católica nunca negociará uma doutrina que seja; ela nunca permitirá que duas doutrinas sejam ensinadas dentro de seus domínios; ela nunca obedecerá às determinações do governo civil em matérias de caráter espiritual. A Igreja Católica está obrigada pela Lei Divina a sofrer o martírio em vez de comprometer uma doutrina que seja, ou no lugar de obedecer à lei de um Estado que viole a consciência; e, mais do que isso, ela não somente está obrigada a oferecer uma desobediência passiva – que pode ser feita em um caso extremo -, mas a Igreja Católica não pode se calar; ela não pode se omitir; ela não pode cessar de pregar a doutrina da Revelação, não somente da Trindade e da Encarnação, mas também dos Sete Sacramentos e da Infalibilidade da Igreja de Deus, e da unidade necessária e da soberania tanto temporal quanto espiritual da Santa Sé; e, porque ela não vai se calar e porque não pode fazer concessões e nem pode obedecer a matérias que são de sua sua própria prerrogativa, por esse mesmo motivo ela está sozinha no mundo; pois não existe outra Igreja assim chamada, nem qualquer comunidade que professe ser Igreja, que não se submeta, não obedeça ou se omita quando o governo civil do mundo ordena…

Missa NovaTodos os Santos Padres que escreveram sobre o assunto do Anticristo e das profecias de Daniel, sem uma única exceção, até onde sei, tanto os Padres do Ocidente quanto os do Oriente, tanto os da Igreja Latina quanto os da Grega – todos eles unanimemente – dizem que no fim dos tempos, durante o reino do Anticristo, o Santo Sacrifício do Altar cessará. Na obra sobre o fim do mundo, escrita por Santo Hipólito, depois de uma longa descrição das aflições dos últimos dias, lemos o seguinte: “As Igrejas lamentarão com uma grande dor, pois lá não se oferecerá mais a oblação, nem incenso, nem um culto agradável a Deus. Os edifícios sagrados serão como choupanas; e o precioso Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo não se manifestará nesses dias; a Liturgia será extinta; o canto dos salmos cessará; a leitura das Sagradas Escrituras não se escutará mais. Mas existirá sobre os homens escuridão, luto sobre luto e aflição sobre aflição.” Então, a Igreja deverá ser abalada, conduzida para o deserto e deverá ser por um tempo, como no princípio, invisível, escondida em catacumbas, cavernas, montanhas, lugares ocultos; por um tempo deverá ser como se ela tivesse sido varrida da face da terra. Tal é o universal testemunho dos Padres dos primeiros séculos…

Missa Nova IIAs sociedades secretas tem de longa data minado e invadido a sociedade cristã da Europa e estão nesse momento lutando para cima de Roma, o centro de toda ordem cristã no mundo. O cumprimento da profecia está ainda por vir; e isso que nós temos visto acontecer a volta dela, devemos ver também acontecer no centro; o grande exército da Igreja de Deus por um tempo será abatido. Parece que será derrotado, por um tempo, e o poder dos inimigos das trevas por um momento prevalecerá. O sacrifício perpétuo desaparecerá e o santuário será devastado… se poderia entender essa profecia de desolação, entrando numa igreja que foi uma vez católica e que agora não é mais um sinal de vida; ela fica vazia, desabitada, sem altar, sem tabernáculo, sem a presença de Jesus…

E assim chegamos à terceira nota, a humilhação do “Príncipe Forte”; isto é, da divina autoridade da Igreja, e especialmente daquele no qual ela se personifica, o Vigário de Jesus Cristo… O destronamento do Vigário de Cristo é o destronamento da hierarquia da Igreja Universal e a rejeição pública da Presença e do Reinado de Jesus…

A tendência de todos os acontecimento que assistimos nesse momento é claramente essa, derrubar o culto católico por todo o mundo. Já observamos que todas os regimes da Europa estão excluindo a religião de seus atos públicos. Os poderes civis estão profanando-se a si mesmos; o governo está sem religião; e se o governo for sem religião, a educação deve ser sem religião. Já vimos isso na Alemanha e na França. Tem sido mais e mais vezes tentado na Inglaterra. O resultado pode ser nada além do restabelecimento da sociedade meramente natural; que é o mesmo que dizer que os governos e poderes do mundo, que por um tempo estiveram submetidos pela Igreja de Deus a crer na Cristandade, a obedecer aos preceitos divinos e à unidade da Igreja têm se revoltado contra ela e se profanado, tem recaído no seu estado puramente natural…

[Muitos] devem perderão sua fidelidade a Deus. E como essas coisas devem acontecer? Primeiro por temor, em parte pelo engano, em parte pela covardia, em parte porque eles não suportam ficar com uma verdade impopular perante uma mentira popular; em parte porque a rejeição da opinião pública, como ocorre nesse país e na França, reprime e amedronta os católicos que não se atrevem a confessar os seus princípios, e finalmente, não se atrevem a mantê-los…

O Verbo de Deus nos disse que no fim dos tempos os poderes desse mundo vão se tornar tão irresistíveis e triunfarão de tal modo que a Igreja de Deus afundará sob suas mãos – isto é, a Igreja de Deus não receberá mais a ajuda dos imperadores, reis ou príncipes, ou legisladores, nações e povos para fazer frente contra o poder e a força de seus inimigos. Ela será despojada de proteção. Ela será enfraquecida, prostrada e pisoteada pelos poderes desse mundo. Isso não parece inacreditável? O que, pois, vemos nesse tempo? Vede a Igreja Católica Romana pelo mundo. Quando foi que ela mais se assemelhou a sua Cabeça na hora que ele teve suas mãos e pés amarrados por aqueles que o traíram? Vede a Igreja Católica, ainda independente, fiel a sua missão divina e, contudo, rejeitada pelas nações do mundo; o Santo Padre, o Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo, nesse momento sendo zombado, despido, traído, roubado e há aqueles que defenderiam seu assassinato. Quando esteve a Igreja de Deus em pior condição, no débil entender humano, do que agora? E, então, eu me pergunto: de onde virá a libertação? Existe na terra algum poder que possa intervir? Existe algum rei, príncipe ou potentado que possa impor ou sua vontade ou sua espada para proteger a Igreja? Não há; e foi predito que deveria ser assim mesmo. Não é necessário esperar por esse libertador terreno, pois a vontade de Deus parece ser outra.

Porém, existe um Poder que destruirá todos os adversários; existe uma Pessoa que romperá e reduzirá a pó todos os inimigos da Igreja, pois Ele derrotará seus inimigos “com o sopro de sua boca” e os destruirá “com o fulgor de sua vinda”. Parece como se o Filho de Deus estivesse com ciúmes para que ninguém reivindicasse Sua autoridade. Ele chamou a batalha para Si mesmo. Ele investiu contra os que o rejeitaram e a profecia deixa claro que aquele que porá fim ao mal será Ele; que isso não será obra humana, mas obra do Filho de Deus; a fim de que todas as nações do mundo saibam que Ele, e somente Ele, é o Rei e entendam de uma vez por todas que Ele, e somente Ele, é Deus…

Os autores da Igreja contam-nos que nos últimos dias a cidade de Roma provavelmente se tornará apóstata da Igreja e do Vigário de Cristo; e que Roma novamente será castigada por isso; e o jugo de Deus recairá sobre o lugar onde ele uma vez reinou sobre as nações do mundo… Roma deve apostatar da fé e rechaçar o Vigário de Cristo, tornar ao seu antigo paganismo…

[Resumindo,] o Anticristo, e o movimento anticristão, terá as seguintes notas: primeiro, será um cisma da Igreja de Deus; segundo, negará o seu caráter divino e infalível e, terceiro, negará a Encarnação. Portanto, será o inimigo direto e mortal da Igreja Una, Santa, Católica e Romana – da unidade contra a qual se fazem os cismas; da única organização conduzida pelo Espírito de Deus; do sacrário e do santuário da Encarnação e do sacrifício perpétuo…

[FIM DO EXCERTO]

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não duvido que você concordará que a explicação de Cardeal Manning sobre as profecias da Sagrada Escritura, que foram cumpridas e estão se cumprindo, são inspiradas e fascinantes, especialmente porque nós podemos reconhecer nelas muito do que tem acontecido em tempos recentes e, na verdade, ainda estão acontecendo. O que testemunhamos mais e mais é a preparação para o advento do Anticristo.

Observe como a todo momento o Cardeal Manning fala do Papa como sendo o Vigário de Cristo e a Cabeça Visível da Igreja e como o direto antagonista do Anticristo – nunca Sua Eminência sequer toca na ideia absurda, defendida por muitos dos assim chamados “católicos tradicionalistas” de hoje, segundo a qual o Papa mesmo seria parte do problema, uma espécie de “sócio” do Anticristo, como Francisco realmente é. Vemos, então, mais uma vez que a popular, embora falha e herética posição da “Resistência”, a qual reconhece Francisco como verdadeiro Papa, mas lhe recusa submissão e rejeita seus ensinamentos e leis, é completamente estranha ao pensamento, doutrina e profecia católica. Além do mais, isso é mais uma evidência de que os “Papas” do Vaticano II são charlatões, não genuínos Vigários de Cristo, em vez disso, são instrumentos de Satanás usados para destronar o verdadeiro Vigário de Cristo e prevenir ou impedir o seu governo.

Quando o Cardeal Manning escreveu sua obra em 1861, o movimento de apostasia, de certa forma, ainda se encontrava nos seus primeiros estágios. Desde então, a Grande Apostasia não recebeu maior força propulsora que a Igreja Modernista do Concílio Vaticano II (1962-65). Nada espalhou o naturalismo, as principais heresias da doutrina maçônica, com mais velocidade ou eficácia que as demandas conciliares em prol da liberdade religiosa, as quais puseram fim às nações católicas (tais como Espanha e Colômbia) e de fato exigiram uma separação entre Igreja e estado; como também a erradicação desta nas constituições dos países católicos, uma coisa que o Antipapa Paulo VI fez com muito prazer. Cristo Rei, o verdadeiro Rei dos indivíduos, sociedades e nações foi destronado pelo Vaticano II – um ato que prova que Paulo VI não foi Pedro, mas Judas, e que a igreja por ele dirigida não era a Igreja Católica de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por assim dizer, a Sinagoga de Anás e Caifás.

A perseguição da verdadeira Fé e da verdadeira Igreja pelos modernistas do Vaticano II tem sido extremamente bem-sucedida, como ela foi acelerada não somente pela malícia dos mentirosos, mas também por pessoas de muita boa vontade, inclusive aquelas que são vítimas da fraude. Como se disse acima, no entanto, citando Pe. Faber, isso somente torna maior o desastre e não altera a natureza ou diminui a gravidade desse problema.

Na sua introdução a O Papa e o Anticristo, que consiste numa carta dele ao Dr. John Henry Newman, Cardeal Manning diz: “Queira Deus guardar-nos de nos calarmos durante a perseguição de sua Igreja!” (p. 6). Ai daqueles, entendam ou não, que reconhecem a Seita Novus Ordo como a Igreja Católica e consideram seus falsos clérigos como legítimas autoridades católicas e ai daqueles que, sabendo a verdade, se calam sobre ela durante esse tempo de perseguição à verdadeira Igreja! Que você, caro leitor, não seja um deles.

Gostaria de encerrar esse longo post com uma nota positiva.

O que nós temos lido, embora seja realmente terrível, deveria nos dar grande consolo e esperança e provocar o aumento de nossa Fé. As explicações de Cardeal Mannig sobre a Grande Apostasia, a perseguição, a Paixão e aparente “Morte” da Igreja – todas essas coisas estão de acordo com o que testemunhamos hoje. Isso significa que aquilo que aconteceu desde a morte do Papa Pio XII e que estamos padecendo agora não está em contradição com os Desígnios de Deus, da mesma forma que a Crucifixão de Nosso Senhor não frustrou sua missão. Muito pelo contrário: tudo isso faz parte de sua Divina Vontade e se constitui como um prelúdio necessário para o perfeito cumprimento de seus desígnios. O que sofremos agora nesse tempo de inaudita inquietação e confusão não é um sinal de que as promessas de Deus têm falhado, antes é a prova de que as promessas de Deus estão se cumprindo. As profecias estão se cumprindo nesse exato momento.

Então, guarde no seu coração: Todas as coisas estão, por assim dizer, ocorrendo conforme o planejado – mas esse plano é o Caminho da Cruz, assim como foi para Nosso Senhor literalmente, será para a sua Igreja misticamente. Não é bonito ver esse caminho repleto de grande dor e humilhação, contudo este é o caminho – o único caminho – que há de nos levar para a glória eterna.


Novus Ordo Watch. The Pope and the Antichrist: The Great Apostasy Foretold, 23 abr. 2015. Acesso em: 8 jun 2016.

A Cruz Escondida

A CRUZ ESCONDIDA

Para André

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Se de mim a Cruz escondeu,
digo: quem é que te envia?
Será o filho de Maria,
que nela por nós padeceu?

Aquele que se ofereceu
pelo que nas trevas vivia,
o qual por si não merecia,
pois no pecado já nasceu?

Não penso que tal sucedeu,
pois se o fosse me diria:
“Só indo pela Sacra Via,
há de purgar o erro teu”.

Mas antes que me respondeu?
disse que melhor eu faria,
ficando na periferia,
vivendo qual um fariseu.

Achou que eu fosse nazireu,
me disse que arrependeria,
por não ter parte em orgia,
nem gastar bem o tempo meu.

Meu coração entristeceu
pela palavra que ouvia,
se não ouvisse, não creria,
que de tal boca procedeu.

Logo a razão esclareceu,
e vi tão claro como o dia:
A Cristo ele não servia,
ao Inimigo se rendeu.

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A Canção Conciliar

Sumário em verso dos feitos infames dos seis revolucionários de tiara e casula que desde Roma, por ocasião do cisma do Vaticano II, promoveram a destruição das instituições católicas e a ruína de muitas almas.

[JOÃO XXIII]

João XXIII o convocou,
da Santa Sé que usurpou,
qual comuna barato e virulento.

Louvado foi naquele dia,
por grãos da Maçonaria,
que em nada esconderam seu contento.

Ele os judeus abençoou,
e os ateus elogiou,
sem ter de convertê-los o intento.

[PAULO VI]

Montini então continuou,
o que Roncalli preparou
com seu maldito aggiornamento.

Deixando um legado cruel,
trocou a Igreja por Babel,
da confusão foi ele o instrumento.

A Missa Nova promulgou,
e outros ritos profanou,
aviltando a todo Sacramento.

[JOÃO PAULO I]

Seu sucessor durou um mês,
dos liberais sendo freguês,
não se achava de erro isento.

Não via no divórcio um mal,
somente do Banco Papal,
queria saber o procedimento.

Ao menos esse é o boato,
nem lhe deram ultimato,
mataram-no por envenenamento.

[JOÃO PAULO II]

Saindo ele deste mundo,
Deu sua vaga ao Segundo
João Paulo, polaco de nascimento.

Este então foi bom ator,
posou como conservador,
mas abraçou os erros do momento.

Beijando ora o Corão,
ora apoiando o pagão,
mostrou-se um herege de talento.

Um catecismo inventou,
e as novas leis que sancionou,
fizeram da heresia Mandamento.

Wojtyla viveu um tempão,
Mas garantiu a eleição,
D’outro amante do aggiornamento,

[BENTO XVI]

Quem do Concílio foi um ás,
seu porta-voz e capataz,
tomou para si nome de Bento.

Com seu Motu salafrário,
chamou de extraordinário
o Rito dos católicos de Trento.

Pondo, pois, em igualdade,
o certo co’a falsidade,
da Missa fez questão de sentimento.

Qual amante da mentira,
em Assis de volta unira,
os doutores do vão ensinamento.

Mas durou pouco quem diria,
quis ter aposentaria,
do ofício pedindo afastamento.

[FRANCISCO]

Eis que aí Chico Primeiro,
dentre todos mais ligeiro,
pôde dar ao erro prosseguimento.

Mostrando de forma boçal,
pra mídia internacional,
seu descaso pelo estabelecimento.

Quebrou assim regras e normas,
alegrou-se co’as “reformas”,
sem pudor e com todo atrevimento.

Dos pães a multiplicação,
tratou como superstição,
duvidando do Novo Testamento.

Sendo então tudo simbólico,
nem o seu Deus era católico,
nem seu Cristo tinha bom comportamento.

Pregando doutrina malsã,
confirmou mundo e Satã,
sem cumprir o Divino Mandamento.

[CONCLUSÃO]

Quem por erro ou costume,
trata tal boca d’estrume
como Papa ou Pedro do momento.

Saiba que nisso s’engana,
não pode mente profana,
ocupar um Apostólico Assento.

O que ele pode e faz,
tendo os cinco por detrás,
é do Bem desviar o desatento.

E se você quer se salvar,
Deve então abandonar,
A seita dessas cabeças de vento.

Leia também: O Papa e o Anticristo: A Grande Apostasia Predita

E também: A Revolução dentro da Igreja

E também: Os erros doutrinais do Concílio Vaticano II

Os profetas de Roncalli

Pairou no mundo estranha profecia,
que não trouxe mais vaticínio grave,
nem denunciou em plena luz do dia
as obras que ao Bem eram entrave.

Eis que ao modernismo enaltecia,
tratava como bênção o enclave
do reinado da geral Apostasia,
onde jazia a Petrina Chave.
.
“Progresso, o cassar da hipocrisia!”,
bradavam do altar até a nave,
tais profetas vibrantes de euforia.

E assim, com voz séria ou mais suave,
pregavam toda sorte de heresia,
sem jamais, do olho, tirar a trave!

O Concílio de Apostasia

O Segundo Concílio do Vaticano
rompeu com o primeiro e os demais,
aclamando erros do mundo profano,
pondo de lado verdades fundamentais.

Tornou-se fonte de imensurável dano,
pois é da boca de padres e cardeais,
que se ouvem as palavras de engano
espalhadas pelos anticlericais!

E unindo-se co’a hoste mercenária,
desviam muitos com falsa conversa:
“A permanência é coisa refratária”

Essa falácia é assaz perversa,
é a mais cruel insídia adversária,
pois ilude a uns, outros dispersa.