O padre modernista e a seita conciliar: Resposta ao Pe. Alex Sandro Sudre

 

O PADRE MODERNISTA E A SEITA CONCILIAR [PDF]

Por Diogo Rafael Moreira (2018)

O Pe. Alex Sandro Sudre escreveu um artigo intitulado “O Padre-Tridentino e a Igreja do Atraso”, no qual se pronuncia contra a tendência tradicional de muitos sacerdotes e fiéis da seita conciliar. Como o artigo é um exemplar da retórica modernista, convém examinar suas características e mostrar a real natureza do problema em questão.

Progressista. A tese principal do artigo consiste no progressismo, isto é, na crença de que a Igreja necessita atualizar-se ou ajustar-se ao sujeito moderno (Libânio). Essa tese é falsa, pois este sujeito moderno é tão antigo quanto o catolicismo. A julgar pelas reformas conciliares na liturgia e na doutrina, os protestantes já estavam atualizados desde os 1500s e os maçons desde os 1700s, e assim é porque o sujeito moderno não tem nada a ver com a tecnologia ou o tempo em que se vive, ele é simplesmente o mesmo herege e infiel de ontem infiltrado na Igreja de hoje.

Prova-se isso pelo seguinte: a medida da seita conciliar já não é o depósito da fé imutável, sua promoção e defesa, mas a acomodação deste a todos os inimigos do catolicismo. Os conciliares não falam mais em nome de Cristo, mas falam em nome do falso Cristo dos não católicos, em nome dos hereges e infiéis de ontem. O progresso deles consiste pura e simplesmente na apostasia da religião revelada (Pio XI).

Autocrata. O homem que nas linhas finais do artigo propõe uma Igreja do diálogo, que não afirma sua própria autoridade, mas diz coisas que tocam o coração, exclui de antemão qualquer diálogo com o “padre-tridentino”, o qual certamente representa uma minoria bem odiada e humilhada. Sim, Padre Alex fala logo de “desobediência formal e inequívoca”, de hostilidade à autoridade eclesiástica, nada de palavras que toquem o coração, nada do diálogo prometido. Eis a verdadeira face do modernismo: bom com os inimigos, mau com os amigos; pronto para dialogar com a serpente, indisposto para o diálogo com os fiéis. Este modelo autocrático, sem respaldo na Bíblia, na Tradição e no Magistério precedente, surdo aos séculos de cristianismo e todo ouvidos aos seus detratores, baseia-se unicamente na imposição de si mesmo. Este, porém, não pode ser tido como legítimo e verdadeiro modelo, pois a fé tradicional não é opcional: se o sujeito não professa esta fé íntegra perante o mundo, ele está fora da Igreja e não goza de poder algum sobre os fiéis (Gal. 1, 8).

Contraditório. A crítica aos tradicionalistas consiste no fato de que eles não são modernos, porém o tradicionalismo de hoje é bem mais atual que a eclesiologia do Vaticano II. Nos tempos da internet e do smartphone, declina o modelo conciliar enquanto cresce o tradicional. O autor não esconde sua admiração e busca respostas, mas a resposta é simples: sendo o modernismo a notícia de ontem, ele já não tem valor perante si e perante o mundo. Não admira, portanto, que cristãos sinceros procurem uma doutrina mais digna e durável, isto é, o catolicismo de sempre.
Mundano. Pe. Alex explica o tradicionalismo como produto do comodismo, ostentação e elitismo. Estes termos do vocábulo marxista são, em verdade, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida de que fala o Apóstolo São João (1Jo 2, 16), ou seja, a busca dos prazeres, das riquezas e das honras mundanas (Allioli).

Mas qual é a raiz de todos esses pecados? Sua raiz é o amor ao mundo. “Não ameis ao mundo, nem as coisas que estão no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2, 15), pois “o mundo jaz no Maligno” (1Jo 5, 19). O problema do pecado consiste em pôr o mundo em primeiro lugar, ou seja, fazer exatamente o que a seita conciliar tanto faz.

Esta inversão própria do humanismo é bem visível no artigo de Pe. Alex onde pouco ou nada se fala de Deus, da necessidade de amá-lo sobre todas as coisas, e sempre se fala das necessidades do mundo. A moral mundana dele e de sua seita conciliar se edifica sobre a violação do Primeiro Mandamento, ela é um veneno para a alma e a raiz de toda a desgraça que ele lamenta (Calmet).

Filantropo. A seita conciliar soa a trombeta do amor ao próximo 24 horas por dia, mas o que ela faz em concreto não passa de atos demagógicos e obras menores. As ordens religiosas que se dedicavam a essas atividades diminuíram drasticamente, os orfanatos, asilos, hospitais e colégios católicos estão desaparecendo. O ativismo modernista transforma a caridade cristã em filantropia barata, faltando-lhe a base sobrenatural, inviabiliza a realização de obras de grande envergadura (Rivanera).

Em suma: não ao progressismo, sim ao catolicismo; não ao diálogo com o mal, sim à fé tradicional; não ao transitório, sim ao eterno; não ao mundano, sim ao divino; não à filantropia, sim à caridade baseada na fé verdadeira e única.

Que isso fique bem claro: a batalha não é entre o ontem e o hoje ou entre os ricos e os pobres. Esta é uma interpretação carnal, naturalista e anticristã da realidade. A batalha real e permanente é aquela entre o Senhor Jesus Cristo e os três inimigos do gênero humano: o mundo, o diabo e a carne. Os infiéis estão contra Cristo, os hereges desertaram de seu exército, mas os verdadeiros católicos seguem junto dele nessa peleja (Cat. Rom.). Em uma batalha desse porte, quem dialoga com o inimigo é traidor. Esta é a lamentável posição de Pe. Alex e sua seita conciliar.

OBRAS CITADAS
LIBÂNIO, J. B (modernista). Concílio Vaticano II. São Paulo: Loyola, 2005.
PIO XI. Mortalium Animos. In: Documentos de Pio XI. São Paulo: Paulus, 2004.
ALLIOLI, J. F. Bible d’Aliolli. Paris: L. Vivès, 1858.
CALMET, A. Commentaire litteral etc. Paris: P. Emery, 1726.
RIVANERA CARLÉS, F. La judaización del cristianismo etc. Buenos Aires: S. S. Paulo IV, 2008.
PIO V. Catecismo Romano. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística, 1950.

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