Resistência Católica à Declaração Conciliar em prol do Judaísmo Deicida

Trecho do livro Protocolos do Concílio Vaticano II sobre os Judeus pelo padre modernista Humberto Porto. Ilustra a gloriosa resistência católica contra a pérfida Declaração Conciliar em prol do Judaísmo Deicida.

[…] A essa altura, crescia fora da Aula Conciliar, o trabalho da oposição. Os Padres receberam vários libelos, entre os quais: El Problema del Judaismo ante el Concilio Vaticano II, de Dom Luigi Maria Carli, Bispo de Segni, na Itália; Il Problema dei Giudei in Concilio de León Poncins; La Dichiaratizone in Favore dei Ebrei Favorisce um Razzismo che Lede il Diritto di Legitima Difesa degli altri Populi, de Dr. Edoardo di Zaga, (os textos foram impressos em várias línguas, em Roma, para a IV Sessão).

No dia 13.10.65, véspera dos primeiros sufrágios conciliares sobre a Declaração, os Padres receberam pelo correio, despachado de Roma, o libelo mais característico, que resume o conteúdo dos demais. O título em espanhol era: Ningún Concilio ni ningún Papa pueden condenar a Jesucristo ni a la Iglesia Católica ni a sus Papas y Concilios más ilustres. La Declaración sobre los judíos lleva implicita tal condenación y debe, por lo mismo, ser desechada. No texto lia-se:

“É evidente que somente um antipapa ou um conciliábulo poderiam aprovar uma declaração deste tipo. E isto o pensamos cada dia mais um maior número de católicos em todo o mundo, que estamos dispostos a agir na forma que for necessária para salvar a Igreja de tal ignomínia. Fazemos um apelo aos Padres Conciliares que não se dobraram à pressão judaica ou que não se venderam simoniacamente ao outo judeu, para que impeçam a tácita condenação de tantos Papas, Concílios, Padres e Santos ilustres, rejeitando a pérfida Declaração em favor dos judeus… Tomem nota os Padres Conciliares de que nem o Papa nem os Concílios têm faculdades para privar a Igreja nem os demais povos do direito natural de legítima defesa.”

O libelo é assinado por 28 organizações que se dizem ‘tradicionalistas’.

Quando da votação da Declaração, os Padres Conciliares receberam folhetos anônimos semelhantes aos que já haviam sido distribuídos nos últimos dias da segunda sessão. Um deles, bem impresso e em várias línguas, de 20 páginas em grande formato, intitulava-se Ação Judeo-Maçônica no Concílio; com data de Roma, setembro de 1964. Declara que foi composto por um grupo de sacerdotes, “com conhecimento e anuência do bispo”. Fala da perda de fé de alguns Padres Conciliares; da ‘nova fronteira’ que se intenciona impor de modo permanente à Igreja Católica em flagrante contradição co a doutrina e a tradição de dezenove séculos; de um complô de judeus e maçons eclesiásticos; e que os agentes do judaísmo teriam penetrado no Templo do Senhor para pregar no sagrado recinto as heresias que lhes foram ensinadas por lojas maçônicas. São nomeados o Cardeal Bea, os Bispos Walter Kempe e Serigo Mendez Arceo, o Mons. John Oesterreicher e o Pe. Gregory Baum, todos eles acusados de serem judeus e maçons. Fala também contra as “reformas” dos Cardeais Bea, Suenens, Frings, Doepfner, e “de seus cúmplices”.

Outro folheto de 30 páginas, também remetido pelo correio, traz o título Secondo Cristo N. S. il Deicida é il Popolo Ebraico. Assina-se como autor o “Pe. Maurice Mauclair”. Repete as mesmas acusações e cita os mesmos nomes. A Introdução termina assim: “Se a vontade de Deus permitiu que se levantem sob a cúpula de S. Pedro vozes heréticas, é porque quer que de nós se levante um apelo para contrapor-lhe a Verdade que ele ensinou.” […]

O esforço da retificação efetiva

Nos maios eclesiásticos, a Declaração sofria críticas por parte de certos defensores de uma responsabilidade coletiva do povo judeu na crucifixão de Jesus. Esta tese foi arrazoada pelo Mons. L. M. Carli através de dois artigos publicados em Palestra del Clero, sob os títulos A Questão Judaica diante do Concílio Vaticano II e É Possível Discutir com Seriedade a Questão Judaica? (XLIV, 1965, 185-203, 463-476). […]

PORTO, Padre Humberto. Protocolos do Concílio Vaticano II sobre os Judeus. São Paulo: Edições Diálogo, 1984, pp. 72-75.

Os Protocolos Judaicos do Concílio Vaticano II

OS PROTOCOLOS JUDAICOS DO CONCÍLIO VATICANO II

RESUMO CRÍTICO DA OBRA “OS PROTOCOLOS DO CONCÍLIO VATICANO II SOBRE OS JUDEUS”

Por Irmão Diogo Rafael Moreira

ÍNDICE
INTRODUÇÃO
I. OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS
II. AS REAÇÕES INICIAIS
III. PAULO VI E OUTROS CONSPIRADORES
IV. A LAVAGEM CEREBRAL
V. LIBELOS ACUSATÓRIOS
VI. A APROVAÇÃO DA NOSTRA AETATE
VII. A SINAGOGA EM FESTA
CONCLUSÃO

INTRODUÇÃO

O livro “Os Protocolos do Concílio Vaticano II sobre os Judeus” escrito pelo Padre Humberto Porto e publicado em São Paulo pelas “Edições Diálogo” nos idos de 1984 é uma obra que impressiona. O título, a capa, o local, a editora, a epígrafe e, quem diria, o Imprimatur… tudo nela se reveste da mais fina ironia. Ironia concisa, porém, são apenas 110 páginas, uma apresentação sucinta que visa “oferecer uma visão de conjunto da elaboração, discussão e aprovação do texto” contido no capítulo 4.º da Declaração do Concílio Vaticano II sobre as religião não cristãs, também conhecida como Nostra Aetate, a “Carta Magna do Diálogo Religioso da Igreja com os Judeus” (p. 11).

Juntamente com este trabalho vêm quatro documentos em apêndice: (1) o texto da própria declaração sobre os judeus; (2) textos paralelos nos outros documentos do Concílio Vaticano II; sugestões e orientações da Santa Sé sobre o diálogo como os judeus; e (4) orientações para os católicos no relacionamento om os judeus no Brasil. O leitor também é brindado com uma breve bibliografia para estudo.

O título é alusão implícita aos Protocolos dos Sábios de Sião, uma obra do início do século XX que falava sobre uma conspiração orquestrada pelos judeus para a dominação mundial. O autor não explica o porquê deste título, nem assinala para essa obra aludida e amplamente conhecida nos círculos de estudo da questão judaica, contudo isso é de todo desnecessário: uma imagem vale mais que mil palavras. Na capa temos uma estrela de cinco pontas, símbolo do judaísmo, que aprisiona dentro de si uma cruz romana. Eis aí já uma síntese gráfica de todo o livro: a obra do Padre Porto apresenta uma “visão de conjunto da elaboração, discussão e aprovação” da Declaração que contém o plano de trabalho para a judaização do cristianismo.

A obra foi publicada em São Paulo, onde o escritor Gustavo Barroso fez publicar sua tradução da obra Os Protocolos dos Sábios de Sião em 1937. Certamente muita coisa mudou de lá para cá em São Paulo, de um protocolo para o outro. Dá testemunho disso o nome da editora, “Edições Diálogo”, por que diálogo? Porque é sob o pretexto de diálogo que “a partir deste documento, algo mudou radicalmente na história da Igreja, que deseja dar espaço a todos, judeus e cristãos, sem distinção, para viverem num clima de verdadeira fraternidade” (p. 7), de tal sorte que é “de toda evidência que algo realmente mudou a partir desta revisão profunda.” (p. 11).

E é tão verdade que mudou que vemos na epígrafe ninguém menos que João XXIII dizendo que “no decorrer de muitos e muitos séculos, nossos olhos se achavam tão cegos que já não éramos capazes ainda de ver a beleza de vosso povo eleito… Compreendemos que o sinal de Caim esteja escrito sobre nossa fonte… Perdoai-nos a maldição que injustamente tínhamos atribuído ao nome de judeus, perdoai-nos por vos havermos uma segunda vez crucificado neles, em sua carne, porque não sabíamos o que fazíamos.” (p. 6). E a mudança no andar das coisas se faz tão mais notória pelo fato da obra do novo diálogo e da mudança radical ter recebido os tradicionais Imprimatur e Nihil Obstat, os quais antes dos anos sessenta eram sinais de que a obra em questão estaria isenta de inovações em assuntos morais e religiosos.

II. OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS

Ironias à parte, o livro conta de chofre e sem rodeios que a grande obra de judaização da Nostra Aetate se deveu principalmente a três homens: João XXIII, Cardeal Bea e Jules Isaac. Eles aparecem já nas primeiras linhas do primeiro capítulo. “Em outubro de 1960”, relata Padre Porto, “o Papa João XXIII entregou ao Cardeal Bea, seu principal auxiliar na gigantesca tarefa de renovação da Igreja, o dossiê do Professor Jules Isaac. As 18 famosas sugestões para eliminar do ensino cristão as fórmulas suscetíveis de favorecer o anti-semitismo tornavam-se a base dos estudos preparatórios para a elaboração do documento conciliar que, por vontade expressa de João XXIII, devia realicerçar no amor e na paz o relacionamento da Igreja com o Judaísmo.” (p. 15) “Tratava-se”, na mente de João XXIII, “de um vasto e profundo programa de refontalização que devia levar a uma reafirmação dos princípios da justiça, da paz e do amor… Para que se chegasse deveras a essa ‘ardente e sentida renovação das almas’, era mister que se triunfasse ‘sobre os erros de dois mil anos’, como a anti-semitismo e tantos outros.” (pp. 16-17).

Sim, erros de dois mil anos, porque, partindo de uma perspectvia judaica, na Igreja Católica “existem referências aos judeus e ao seu papel na História, em seus textos litúrgicos, por catecismos em suas diversas formas e em certas comemorações, bem como nos manuais de ensino e de devoção muito difundidos… que os ignorantes e caluniadores podem interpretar mal, deformar e explorar estas referências a fim de fomentar o ódio para com o outro, e forçar uma contradição prática do ensinamento da Igreja a respeito da fraternidade entre os homens.” (p. 21). Não admira que os pérfidos judeus pensem desta maneira, o que admira é que algum católico compre este sofisma. Com efeito, a afirmação de que a liturgia, os ensinamentos e as festas da Igreja possam levar as pessoas a um mau caminho é uma tese jansenista condenada nos fins do século XVIII por Pio VI e obviamente constitui uma ofensa à Igreja e ao Espírito Santo que a governa.

Mas muito pior que o próprio sofisma é a solução proposta pela Sinagoga: Mudar a liturgia, o catecismo e, claro, fechar os olhos para as próprias fontes da Revelação (Sagrada Escritura e Patrística), nas quais elas se baseiam. Para que os judeus se sintam mais confortáveis, o cristão deve se despojar daquilo que o distingue dele. Poderia existir alguma petição menos razoável?

Apesar disso, havia um homem que estava pronto para mudar liturgia, catecismos e o ensino da Igreja em geral a mando de João XXIII e da Sinagoga, o seu nome era Agostinho Bea. “Para concretizar todos os esforços ecumênicos, o Papa criou algo de absolutamente novo e e sem precedentes, o Secretariado para a Unidade dos Cristãos, colocando-o à testa, como Presidente… No período preparatório do Concílio, João XXIII confiou-lhe a tarefa global de predispor a opinião pública por meio de cartas, conferências e contatos pessoais a uma articulação plena para todo o desenrolar dos acontecimentos.” (p. 17) Os resultados não podiam ser mais promissores. “Após oito conferências públicas foi tão delirantemente aclamado que a imprensa o saudou com o título de ‘Pater Oecumenicus’ e ‘depositário das esperanças judaicas’.” (p. 18). A mesma imprensa que já então era controlada pelos judeus.

E ele o fazia com ampla liberdade, “costumava-se dizer em Roma que Bea e os beati constituíam o único grupo conciliar, que não sofria a ingerência da Cúria Romana.” (p. 17) Não é preciso maior prova disso que o “Ágape fraterno” organizado na mesma Roma pelo Pro Deo a 13 de janeiro de 1963, entre representantes de 70 nações com 21 religiões diferentes, onde “o Cardeal Bea expôs abertamente seu pensamento sobre a liberdade religiosa… A revista La Civittà Cattolica de 6 de abril de 1963 reproduziu sem comentários o texto do discurso. Dez anos antes, outra era a doutrina da Igreja. Mas, a encíclica Pacem in Terris viria confirmar a posição do Cardeal Bea que, de resto, já expusera essas ideias como relator na reunião preparatória da Comissão Central do Concílio a 19 de junho de 1962.” (p. 18).

“Em novembro de 1960, o Papa João XXIII manifestou ao Cardeal Bea o desejo de que o Secretariado para a União dos Cristãos se incumbisse da tarefa de elaborar um documento conciliar sobre os judeus… O texto deveria ser vazado em termos que não se prestassem a especulações e a interpretações tendenciosas. Velhas acusações anti-semitas necessitavam de ser, por cautela, rechaçadas apenas no terreno religioso, em seus fundamentos doutrinários tradicionais… o Cardeal Bea estava com o projeto revisto e pronto em junho de 1962. O texto não continha mais que 800 palavras, mas parecia fadado a pulverizar toda a literatura de hebreufobia religiosa e patrística.” (pp. 19, 20, 23).

Aí temos, pois, descritos os principais personagens da trágica história que ora vamos narrar com o auxílio do Padre Porto: Em primeiro lugar, aparece Jules Isaac, com as ideias judaicas; depois, João XXIII, com a pretensa autoridade pedindo para que elas sejam a base de um documento conciliar; e, por fim, surge Cardeal Bea com todo o trabalho de lavagem cerebral exigido para fazer passar os Protocolos Judaicos do Concílio Vaticano II.

II. AS REAÇÕES INICIAIS

Mas não há crime perfeito. Ouçamos o que nos conta o Padre Porto sem ocultar em nada o seu viés modernista:

“Em novembro de 1962, cada padre conciliar encontra em sua caixa de correspondência um estranho volume, impresso em segredo, intitulado Le Complot contre L’Église. Eram 900 páginas do mais virulento anti-semitismo. O calhamaço não exumava somente as velhas calúnias… mas sustentava também que havia uma quinta coluna no seio do clero católico, chegando até a arrazoar as atrocidades de Hitler contra os judeus. Ninguém até hoje conseguiu saber como o livro penetrou o Vaticano e foi distribuído a todos os Padres Conciliares… Era um elemento poluidor com que não contava o Cardeal Bea.” (p. 23).

“Reinava grande expectativa em torno de um projeto de um pronunciamento conciliar a respeito das relações da Igreja com o povo judeu. Tendências alarmistas de espíritos vesgos haviam-lhe denunciado erroneamente as conotações políticas. A enchente da maré anti-semita ameaçava destruí-lo sem quaisquer escrúpulos. No período intersessional que se estendeu de 8 de dezembro de 1962 a 30 de setembro de 1963, mostravam-se os Padres do Concílio reticentes face a uma declaração sobre os judeus, sendo estranho até à maioria deles a simples ideia de um documento desse teor.” (pp. 24-25).

Ninguém queria falar sobre os judeus, salvo os próprios judeus e aqueles que trabalhavam para eles. O que há de tão estranho no Complô contra Igreja simplesmente dizer que havia uma minoria trabalhando para mudar a doutrina da Igreja e manipular a opinião dos Padres, quando é justamente esta a história que o Padre Porto nos conta? Parece que a cegueira do autor só é comparável à judaica.

III. PAULO VI E OUTROS CONSPIRADORES

Neste ínterim morre João XXIII e elege-se Paulo VI. “O novo Papa”, informa-nos Padre Porto, “não tardaria em reforçar a atmosfera de confiança e otimismo, ao aderir plenamente à linha de João XXIII… A assembleia conciliar irá vibrar com aplausos no dia 28 de outubro de 1963 quando o Cardeal Suenens declarar que ‘bem se vê que a Providência concedeu à sua Igreja S. S. Paulo VI para dar forma e estrutura às intuições proféticas de seu predecessor.” (p. 26).

Padre Porto resume em linguagem modernista essa mudança de paradigma inciada por João XXIII e consolidada por Paulo VI: “Superava-se a mentalidade pouco bíblica e evangélica de um posicionamento jurídico, apologético e triunfalista da Igreja diante do mundo e de suas realidades.” Claro que eles não fizeram isso sós, Padre Porto mesmo confessa que a Nova Teologia vinda do Reno e os Hélederes Câmaras agindo nos bastidores do Concílio também tiveram um papel fundamental. Escreve ele: “Todas as correntes teológicas mais recentes da Europa Central haviam adquirido direito de cidadania e começavam a renovar e influir no pensamento oficial. Os encontros de grupos e indivíduos à margem das sessões, pelos corredores do Vaticano, foram de extraordinária valia, por propiciarem uma permuta mais direta de ideias e experiências.” (p. 25).

IV. A LAVAGEM CEREBRAL

“No dia 8 de novembro de 1963, o Secretariado para a União dos Cristãos comunicou em forma oficial que fora entregue aos Padre Conciliares um projeto sobre ‘a atitude dos católicos perante os não-cristãos, em particular perante os judeus.” (p. 27). Nessa primeira redação, que Padre Porto faz questão de citar na íntegra, o documento afirmava que a Igreja reconhece suas raízes judaicas e não só deplora, como também condena as perseguições anti-semitas (pp. 28-29). O documento foi simbolicamente entregue no dia 9 de novembro para coincidir com a “noite dos cristais” de 1938, que desencadeou o programa nacional-socialista contra os judeus (p. 30).

Dez dias depois, Cardeal Bea proferiria sua relação oficial sobre o esquema apresentado na aula conciliar. No discurso ele garante que se trata de uma questão meramente religiosa, sem conotação política; insiste na não culpabilidade dos judeus tomados coletivamente pela morte de Cristo e, aduzindo a uma série de textos bíblicos descontextualizados, diz que a obediência à mensagem de João XXIII e sobretudo a imitação do exemplo de Nosso Senhor, São Pedro e São Paulo, que perdoaram e queriam o bem até mesmo dos judeus que os perseguiam (pp. 32-33). Por fim condena como um injustiça (iniuria) a acusação de povo maldito (populus maledictus) ou de nação deicida (gens deicida) tradicionalmente atribuída aos judeus (p. 34).

É curioso que apesar de Cardeal Bea ser “biblista de mão-cheia” (p. 17), em nenhum lugar se vê ele citando ou explicando o conhecidíssimo texto em que São Paulo diz que os judeus “mataram o Senhor Jesus, e os profetas, e nos têm perseguido a nós, e não são do agrado de Deus, e são inimigos de todos os homens. Proibindo-nos de falar aos gentios, para que sejam salvos, a fim de encherem sempre a medida dos seus pecados; porque a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim.” (2Ts 2, 15-16). Também é curioso que não siga as regras da exegese católica sabiamente definidas por Leão XIII na Providentissimus Deus. Com efeito, no lugar de seguir o óbvio consenso dos Santos Padres nesta matéria, Cardeal Bea faz um livre exame sem o mínimo esforço de concordância com Santo Agostinho, São João Crisóstomo, São Justino, Santo Inácio de Antioquia e quantos mais falaram explicitamente sobre a questão judaica. Na verdade, já sabemos o motivo. Cardeal Bea não trabalhava para a Igreja, mas estava dos pés à cabeça a serviço da Sinagoga como parte daquela quinta coluna de infiltrados, de que já nos advertia o Complô contra a Igreja. Bea não estava aí para ensinar catolicismo, o que ele queria era judaizar, eliminando, para usar mais uma vez os termos de Padre Porto, “toda a literatura de hebreufobia religiosa e patrística” (p. 23). Ele com o Padre Porto seriam deveras mais felizes se tivessem decidido simplesmente mudar de religião. O negócio deles, porém, era arruinar com a própria, custe o que custar. Passados mais de cinquenta anos do delírio conciliar, vemos que o trabalho deles contribuiu significativamente para aumentar o prestígio da Sinagoga e diminuir a influência da Igreja Católica no Brasil e no mundo.

Pouco a pouco e com muita insistência, ia-se levando os Padres Conciliares a pelo menos se acostumarem com a ideia do documento. “Ao longo da segunda sessão do Concílio”, relata o Padre Porto, “os debates não levaram a uma abordagem direta do conteúdo do documento sobre os judeus. Os Padres pronunciaram-se mais a respeito da sua oportunidade no momento histórico e de sua inserção no esquema sobre o Ecumenismo. Todo o capítulo foi considerado inoportuno por alguns (Patriarca Tappouni, dos sírios; Patriarca Sidarous, dos coptas; Bispo Veiga Coutinho, da Índia), sendo que um solicitou mesmo sua eliminação (Pont y Gol). Outros opinaram que todo o texto devia entrar noutro esquema (Patriarca Máximos IV, dos melquitas; Cardeal Léger; Patriarca Batanian, dos armênios; Cardeal Bacchi e Arcebispo Florit), tendo havido também quem defendesse seu lugar no esquema ecumênico (Cardeais Ritter e Meyer, Jelimini, Mendez Arceo). Perguntava-se então: se falamos dos judeus que não são cristãos, por que não diremos algumas palavras também das outras religiões não-cristãs? (Ruffini, Bueno y Monreal, Gori), particularmente dos budistas e confucionistas (Tatsuo Doi), dos muçulmanos (Máximos IV, Mendez Arceo, Veiga Coutinho) e do hinduísmo (Veiga Coutinho).” (p. 39).

Que fiquem registados os nomes destes bispos e cardeais, para que se saiba quem foram os homens que, enquanto o depósito da fé estava em perigo, preocupavam-se mais com a conveniência política (possível retaliação dos árabes por conta do documento pró-sionista) ou com o que iam pensar as religiões pagãs.

Tratando dos eventos ocorridos depois do fechamento da segunda sessão, o Padre Porto se refere a um discurso que o Arcebispo de Westminster proferiu a 5 de março de 1964, perante o “conselho de cristãos e judeus”. “Há dois anos,” diz o prelado, “sou membro do Secretariado para a União dos Cristãos, de que é presidente o Cardeal Bea. Embora com a atividade voltada para a unidade cristã, o Secretariado não a tem visualizado de maneira restritiva. Dois dos nossos teólogos são de etnia judaica: o Pe. Baum e o Mons. Oesterreicher. Um foi educado fora de qualquer religião; o outro, embora não praticante, pertence a uma família que guarda as tradições judaicas. Cito-os porque eles foram escolhidos para consultores do Secretariado precisamente com o fito de nos guiar nas discussões sobre esta unidade mais larga que deve incluir os judeus.” (p. 41) Eis mais uma vez a nossa quinta coluna em ação. “O pronunciamento do Arcebispo de Westminster”, arrazoa o Padre Porto, “possui alto valor informativo. Dele se valerá mais tarde o Cardeal Bea na sequência dos seus trabalhos.” (p. 42).

Além disso, o autor dá notícia que no dia 15 de março de 1964, durante sua estadia em Colônia, o Cardeal Bea teve o ensejo de prestar mais esclarecimentos sobre o esquema que se tornaria o quarto capítulo da Nostra Aetate. Chamo a atenção particularmente para os créditos que ele confere a João XXIII: “Também neste ponto grande foi o mérito do Papa João XXIII de se ter dado conta deste problema multissecular e de lhe haver atribuído a maior importância. Foi ele, que por uma decisão inteiramente pessoal, suprimiu da liturgia da Sexta-Feira Santa a expressão perfidi judaei que gerava tantos mal-entendidos. E ele foi mais longe. Foi ele pessoalmente quem pediu que se preparasse para o Concílio um esquema sobre este assunto.” (p. 44).

Outro evento acontecido um pouco antes também é digno de nota. “De 27 de fevereiro a 7 de março de 1964, o Secretaria realizou sua sessão plenária, sob a direção do Cardeal Bea. As solicitações dos Padres Conciliares foram analisadas e se decidiu manter o texto do esquema sobre os judeus, subtraindo-lhe porém do esquema sobre o ecumenismo. Agora o texto era um apêndice ao texto sobre o ecumenismo intitulado De patrimonio christianis et judaeis communi (Sobre o patrimônio comum a cristãos e judeus), com o acréscimo de outras questões relativas às relações da Igreja com as religiões não-cristãs.” (p. 45).

Estas coisas, somadas à supervalorizada pressão da imprensa e de outras organizações judaicas, preparavam o caminho para a aprovação do documento. Mas decerto nada contribuiu mais para isso que as viagens de Paulo VI. Assim como a viagem à ONU teve um papel fundamental para a aprovação do texto sobre a liberdade religiosa, do mesmo modo a sua viagem à Terra Santa seria da mais alta importância para o êxito da Nostra Aetate. “Como peregrino da paz”, nota o autor, “ele penetrou em território israelense a 5 de janeiro de 1964. Em Megido, foi recebido pelo presidente do Estado de Israel, Zalman Shazar, acompanhado por membros do governo e do corpo diplomático.” (p. 46).

A Igreja de Montini se tornava aquela que estava interessada na promoção da paz entre os homens, uma paz obtida não pela submissão de todos eles aos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que a Igreja sempre promoveu, mas pela execução dos Protocolos dos Sábio de Sião ou, se preferir, dos Protocolos do Vaticano II. A ideia é sem dúvida tudo subverter e perverter. Inculcando por este discurso um complexo de culpa nos católicos, fazendo que eles vejam que a sua religião milenar mudou de posição de um dia para o outro e assim cheguem a conclusão de que uma tal religião não pode ser divina e que o melhor então é depositar todas as nossas esperança neste mundo, reduzindo nossa esperança ao messianismo judaico, a uma paz fora do reino de Cristo, construída artificialmente pelos homens, como se fez em Babel, para sua própria desgraça.

Daí vem o subjetivismo imbecil da Ecclesiam Suam do mesmo Paulo VI, publicada a 6 de agosto de 1964, às vésperas da terceira sessão. Ali, tratando largamento do tema do diálogo, alude nitidamente aos “filhos, dignos de nosso afetuoso respeito, do povo hebreu, fiéis à religião que nós denominamos do Antigo Testamento” (p. 48), como se a rejeição do Messias feita pelo judaísmo talmúdico estivesse em harmonia com os escritos de Moisés e dos Profetas. Assim Paulo VI também, juntamente com João XXIII, pessoalmente nega a doutrina dogmática sobre a descontinuidade entre o atual judaísmo e a antiga Sinagoga, identificando os negadores de Cristo com os santos Patriarcas e Profetas da Antiga Lei. Semelhante ofensa a Cristo, tamanha injúria a fé, somente pode ser permitida num contexto de intragável mundanismo. Já então parece que a fé havia se extinguido dos corações daqueles que deveria ser os primeiros a propô-la aos fiéis.

Somos informados pelo autor que antes de apresentar o texto da Nostra Aetate para os debates da terceira sessão, uma redação nova foi feita a mando de personagens influentes. Padre Porto qualifica-a como ingerência, possivelmente se tratava de uma reação conservadora que forçou o Secretariado a mitigar certas afirmações. “O novo texto”, diz ele, “perdeu um parágrafo inteiro, aquele que faz referência ao deicídio. Preferiu-se simplesmente evitar a questão. Em compensação, acrescenta um tópico relativo à missão da Igreja com relação ao povo judeu, denotando uma preocupação alheia ao plano proposto a partir da determinação de João XXIII. Com relação à primeira redação, esta não significava nenhum progresso. Antes até empobrecera o teor do documento… O título era: ‘Segunda Declaração (a primeira era sobre a liberdade religiosa) sobre os judeus e os não-cristãos’ (Declaratio altera, de judaeis et de non christianis). Figurava como apêndice ao esquema do decreto sobre o ecumenismo e mantinha as três grandes partes: patrimônio comum de judeus e cristãos, a universal paternidade de Deus e a condenação de toda espécie de discriminação.” (p. 50).

Onze dias depois de aberta a terceira sessão, Cardeal Bea expõe o seu relatório sobre as mudanças na letra da declaração. Padre Porto aqui resume o discurso e se detém um pouco para refletir sobre a não culpabilidade dos judeus pela morte de Cristo. Entretanto, a digressão é de todo irrelevante. Pois a questão da culpabilidade ou não dos judeus pela morte de Cristo não altera em nada o estado atual do judaísmo talmúdico. Enquanto tal, o judaísmo não salva, nem representa uma aliança com Deus, antes objetivamente representa – e aqui está o sentido das sentenças que qualifica o judaísmo como populus maledictus e gens deicida – uma cegueira mortífera e fatal, cheia de consequências destrutivas para si mesmos e os demais, resultantes de sua continuada recusa de dobrar-se perante Jesus Cristo, Rex Judaeorum.

A incredulidade judaica é um escândalo injustificável para o cristão que por definição entende que tudo no Velho Testamento converge para Cristo. Esse cristianismo judaizado do Cardeal Bea, João XXIII e Paulo VI, saído aliás da pena de um judeu chamado Jules Isaac, rechaça a perspectiva cristã sobre o judaísmo, exclui o ensinamento dos Santos Padres e da Sagrada Liturgia. Incorre, ademais, na condenação do Magistério precedente, uma vez que a 25 de março de 1928, a Sagrada Congregação do Santo Ofício sob o Papa Pio XI aboliu a associação Amici Israel (Amigos de Israel), que apresentava exatamente as mesmas propostas de judaização do decreto Nostra Aetate, e ordenava que no futuro ninguém se aventurasse a escrever ou publicar livros ou panfletos que de qualquer maneira promovessem iniciativas errôneas desta natureza (AAS XX, 1928, pp. 103-104). Ora, o Secretariado para a Unidade dos Cristãos representa precisamente este tipo de associação e o mesmo se aplica a toda a Igreja Kosher criada sob João XXIII e Paulo VI.

Durante a discussão do documento, a maioria dos Padres (Cardeais Anchille Liénart, Ignace Gabriel Tappouni, Joseph Frings, Giacomo Lercaro, Émile Léger, RIchard Cushing etc.) responderam de forma positiva à proposta geral da declaração, com uma ou outra proposta ou qualificação. No meio do debate, porém, uma voz de lucidez ecoa na aula conciliar. É o Cardeal Ernesto Ruffini que se levanta para reafirmar a doutrina católica sobre o judaísmo. Concedendo que a caridade cristã justifica o perdão aos inimigos, ajunta o prelado que isso não modificava em nada o fato de que a morte de Cristo foi injusta, como o atestam inúmeros textos da Sagrada Escritura. Ademais, não é a Igreja que deve ser exortada a amar aos judeus, pois ela já demonstrou este amor principalmente na Segunda Guerra Mundial, mas são os judeus que devem amar os cristãos e em particular os católicos. Recorda ainda que a maçonaria, que tanto combate a Igreja, é em grande parte financiada pelos judeus (pp. 54-55).

Seria supérfluo para os fins deste resumo crítico descrever o que se passou em cada movimento das congregações gerais que lidaram com a questão judaica. Aos interessados remeto ao que está sucintamente documento da página 53 a 67 do livro de Padre Porto. Contento-me em dizer que diante desta questão, aos Padres Conciliares não coube senão decidir entre o ensinamento do passado e o ensinamento novo, que nada mais era do que a subscrição das sugestões judaicas feitas pelo Professor Jules Isaac. Em suma, ou os cristãos estavam certos sobre a situação dos judeus, ou os judeus talmúdicos estavam certos. Padre Humberto Porto não hesita em preterir o ensinamento tradicional para adotar o ponto de vista judaico. “O mito do deicídio foi amplamente divulgado pelos catecismos da doutrina cristã. Trata-se de um expurgo necessário para fins humanitários, em nome dos valores supremos da verdade, da justiça e do amor.” (p. 65).

Enfim, o documento foi aprovado. Sigamos a narrativa do Padre Porto: “Com 34 discursos que ocuparam praticamente o tempo de quase duas Congregações Gerais, a 84.ª de de 28 de setembro e a 90.ª de 29 de setembro de 1964, encerrava-se o debate conciliar do texto sobre os judeus. Alvo de numerosas críticas, a partir do próprio título, ele devia ser imediatamente submetido a uma severa revisão… Nos fins de novembro de 1964, o Secretariado distribuiu aos Padres Conciliares o texto emendado da Declaração. O Concílio estava prestes a concluir a sua terceira sessão. O documento foi divulgado na 127.ª e última Congregação Geral… Distribuído no dia 18 de novembro de 1964, o texto foi submetido a duas votação quanto às partes novas que nele foram introduzidas. Após três escrutínios, foram estas partes aprovadas por 1838 com 136, 1770 contra 185 e 1996 contra 99. No último escrutínio houve ainda 242 votos a favor, mas juxta modum… Ficava assim aprovado o texto pela Congregação Geral do Concílio, mas os Moderadores determinaram a revisão dos modus. [sic] As entradas deviam ser encaminhadas à Secretária Geral até dia 31 de janeiro de 1965. O texto necessitava de estar definido e plenamente aceito para a próxima sessão do Concílio… A notícia do resultado da votação fizera crescer a onda de hostilidade.” (p. 70, 71).

VI. LIBELOS ACUSATÓRIOS

Esta “onda de hostilidades”, uma das páginas mais gloriosas da história da resistência ao Conciliábulo, merece ser citada na íntegra:

“A onda de protestos contrários

A essa altura, crescia fora da Aula Conciliar, o trabalho da oposição. Os Padres receberam vários libelos, entre os quais: El Problema del Judaismo ante el Concilio Vaticano II, de Dom Luigi Maria Carli, Bispo de Segni, na Itália; Il Problema dei Giudei in Concilio de León Poncins; La Dichiaratizone in Favore dei Ebrei Favorisce um Razzismo che Lede il Diritto di Legitima Difesa degli altri Populi, de Dr. Edoardo di Zaga, (os textos foram impressos em várias línguas, em Roma, para a IV Sessão). No dia 13.10.65, véspera dos primeiros sufrágios conciliares sobre a Declaração, os Padres receberam pelo correio, despachado de Roma, o libelo mais característico, que resume o conteúdo dos demais. O título em espanhol era: Ningún Concilio ni ningún Papa pueden condenar a Jesucristo ni a la Iglesia Católica ni a sus Papas y Concilios más ilustres. La Declaración sobre los judíos lleva implicita tal condenación y debe, por lo mismo, ser desechada. No texto lia-se:

‘É evidente que somente um antipapa ou um conciliábulo poderiam aprovar uma declaração deste tipo. E isto o pensamos cada dia mais um maior número de católicos em todo o mundo, que estamos dispostos a agir na forma que for necessária para salvar a Igreja de tal ignomínia. Fazemos um apelo aos Padres Conciliares que não se dobraram à pressão judaica ou que não se venderam simoniacamente ao outo judeu, para que impeçam a tácita condenação de tantos Papas, Concílios, Padres e Santos ilustres, rejeitando a pérfida Declaração em favor dos judeus… Tomem nota os Padres Conciliares de que nem o Papa nem os Concílios têm faculdades para privar a Igreja nem os demais povos do direito natural de legítima defesa.’

O libelo é assinado por 28 organizações que se dizem ‘tradicionalistas’.

Quando da votação da Declaração, os Padres Conciliares receberam folhetos anônimos semelhantes aos que já haviam sido distribuídos nos últimos dias da segunda sessão. Um deles, bem impresso e em várias línguas, de 20 páginas em grande formato, intitulava-se Ação Judeo-Maçônica no Concílio; com data de Roma, setembro de 1964. Declara que foi composto por um grupo de sacerdotes, ‘com conhecimento e anuência do bispo’. Fala da perda de fé de alguns Padres Conciliares; da ‘nova fronteira’ que se intenciona impor de modo permanente à Igreja Católica em flagrante contradição co a doutrina e a tradição de dezenove séculos; de um complô de judeus e maçons eclesiásticos; e que os agentes do judaísmo teriam penetrado no Templo do Senhor para pregar no sagrado recinto as heresias que lhes foram ensinadas por lojas maçônicas. São nomeados o Cardeal Bea, os Bispos Walter Kempe e Serigo Mendez Arceo, o Mons. John Oesterreicher e o Pe. Gregory Baum, todos eles acusados de serem judeus e maçons. Fala também contra as ‘reformas’ dos Cardeais Bea, Suenens, Frings, Doepfner, e ‘de seus cúmplices’.

Outro folheto de 30 páginas, também remetido pelo correio, traz o título Secondo Cristo N. S. il Deicida é il Popolo Ebraico. Assina-se como autor o ‘Pe. Maurice Mauclair’. Repete as mesmas acusações e cita os mesmos nomes. A Introdução termina assim: ‘Se a vontade de Deus permitiu que se levantem sob a cúpula de S. Pedro’ vozes heréticas, é porque quer que de nós se levante um apelo para contrapor-lhe a Verdade que ele ensinou’…

O esforço da retificação efetiva

Nos maios eclesiásticos, a Declaração sofria críticas por parte de certos defensores de uma responsabilidade coletiva do povo judeu na crucifixão de Jesus. Esta tese foi arrazoada pelo Mons. L. M. Carli através de dois artigos publicados em Palestra del Clero, sob os títulos ‘A Questão Judaica diante do Concílio Vaticano II’ e ‘É Possível Discutir com Seriedade a Questão Judaica?’ (XLIV, 1965, 185-203, 463-476).” (pp. 72-74; 75).

Apesar desses esforços para prevenir a aprovação do desastroso documento, a posição de Cardeal Bea e Paulo VI era totalmente obstinada. “A declaração”, admite o Padre Porto, “conheceu uma história acidentada. Esteve a pique de ser eliminada do cenário do Concílio. Agora, porém, mesmo em meio a duras críticas, parecia encaminhar-se para um final feliz. É que na realidade ela contava com o apoio maciço dos Padres Conciliares. E isto deve ser em larga medida creditado à tenacidade do Cardeal Bea.” (p. 75). E foi assim que mais uma vez a democracia crucificou Nosso Senhor.

VI. A APROVAÇÃO DA NOSTRA AETATE

No entanto, foi somente na quarta e última sessão que o documento foi aprovado. Distribuído em agosto aos Padres Conciliares e apresentado na 149.ª Congregação Geral pelo Cardeal Bea, com a sua relação oficial sobre as emendas (pp. 79-82). Saliente-se que o documento que antes era para ser unicamente sobre o judaísmo dilatou-se e se tornou uma declaração perante as religiões não cristãs, isto é, agora incluía o o hinduísmo, o budismo, o islamismo e principalmente o judaísmo. É assim que se cumpre o que disse São Tomás no seu opúsculo De Ente et Essentia: parvus error in principio magnus est in fine, o pequeno erro inicial fica grande no final. A aprovação da perfídia judaica não veio só, juntamente com ela veio a idolatria do hinduísmo, a loucura do budismo e a infidelidade do islamismo.

Padre Porto observa que na última revisão algumas expressões foram evitadas: a parte onde se dizia que a Igreja era grata aos judeus foi removida; a afirmação de que a Igreja condenava alguma coisa no no nível doutrinal também, porque agora a Igreja não condena mais nada; por último, omitiu-se falar de deicídio, poque, embora Padre Porto não queira admiti-lo, Monsenhor Carli tinha razão (pp. 82-84).

Com 1765 votos favoráveis no sufrágio de conjunto, a declaração Nostra Aetate foi definitivamente aprovada pela Congregação Geral do Concílio no dia 15 de outubro de 1965. Paulo VI decidiu promulgá-lo na Sessão Pública de 28 de outubro de 1965. No discurso de promulgação, Paulo VI dizia que cabia agora aos fiéis católicos dedicar especial atenção “aos hebreus, objeto não mais de reprovação e desconfiança, mas de respeito, amor e esperança.” Evidentemente, um Santo Estevão que reprova a incredulidade judaica não teria mais lugar no seio da nova Igreja de Paulo VI.

A condenação de Cristo, dos Apóstolos, dos Padres, Doutores e Santos mais ilustres da Igreja Católica, deu-se nos seguintes termos: “Todo o conjunto e cada um dos pontos que foram enunciados nesta Declaração agradaram aos Padres. E Nós, pela Autoridade Apostólica por Cristo a Nós confiada, juntamente com os Veneráveis Padres, no Espírito Santo os aprovamos, decretamos e estatuímos. Ainda ordenamos que o que foi determinado em Concílio seja promulgado para a glória de Deus.” (p. 86). Ficam assim solenemente aprovados os Protocolos do Vaticano II sobre os judeus.

VII. A SINAGOGA EM FESTA

O trabalho do Padre Porto termina com uma série de excertos de jornais e conferências que ilustram a reação dos judeus à declaração conciliar. Alguns esperavam que o documento fosse mais longe do que ele pôde ir, outros se congratularam com o fato deste configurar uma mudança no ensino da Igreja sobre o judaísmo e inculcar na mente dos católicos aquela noção mitológica dos judeus como o único povo do universo imune à crítica e isento de qualquer responsabilidade pelos seus delitos.

Dentre eles seleciono três que parecem os mais perspicazes. No primeiro o Rabino Arthur Gilbert compara o Concílio Vaticano II com o Concílio anterior, também realizado no Vaticano em 1870. No Vaticano I os judeus foram chamados à conversão pelo Papa Pio IX, obviamente eles se ressentiram dessa atitude, católica demais para o seu gosto; no Vaticano II aconteceu coisa completamente outra, “já não se fala aos judeus com ar de superioridade; acabou a estereotipada do judeu… Os peritos designados hoje para o Secretariado da Igreja que se ocupam desse projeto não agem de um maneira condescendente. Manifestam simpatia pelas nossas preocupações e falam por nós.” (p. 87). Ou seja, não agem mais como representantes de Cristo, mas como representantes dos próprios judeus.

O Dr. Ernst Ludwig Ehrlich em 1966 na Basiléia também comemora a Declaração. Segundo ele, a Nostra Aetate “registrou um progresso teológico”, manifesto pelo seu parentesco com a “Relação sobre o Anti-Semitismo” do protestante Conselho Mundial das Igrejas. No entanto, o melhor de tudo é que a Declaração fala de origem e fim comuns a judeus e cristãos e “evita toda alusão à conversão de Israel” (p. 90).

Para terminar, o Congresso Mundial Judaico em sua reunião de 1966 em Bruxelas louvou o novo clima inaugurado pela Nostra Aetate expressando que “aguarda a realização prática, em todos os níveis e em todas as comunidades cristãs, destes novos ensinamentos e saúda calorosamente as primeiras medidas e iniciativas práticas que já foram tomadas, seja no plano internacional como no plano local.” (p. 92).

Esses judeus entenderam melhor do que muitos católicos ditos tradicionais o verdadeiro teor da Declaração: ela constituiu uma ruptura com o passado, porque transmite novos ensinamentos sobre o judaísmo e não procura mais a conversão dos judeus.

CONCLUSÃO

Diante da tamanha impostura retratada neste livro, não pode senão soar como proféticas e incrivelmente acertadas as palavras daqueles católicos dos anos sessenta que reagiram de imediato contra a judaização do cristianismo: “É evidente que somente um antipapa ou um conciliábulo poderiam aprovar uma declaração deste tipo. E isto o pensamos cada dia mais um maior número de católicos em todo o mundo, que estamos dispostos a agir na forma que for necessária para salvar a Igreja de tal ignomínia… Tomem nota os Padres Conciliares de que nem o Papa nem os Concílios têm faculdades para privar a Igreja nem os demais povos do direito natural de legítima defesa.” (p. 73).

As pessoas que escreveram estas palavras que eu hoje subscrevo inteiramente não chegaram a ver os resultados dos Protocolos com a intensidade que nós enxergamos hoje. O leitor e eu sabemos bem, vivendo em pleno século XXI, a que ponto de decadência intelectual, moral e espiritual fomos levados por esses malditos Protocolos do Concílio Vaticano II. Impressiona, porém, a cegueira de tantos que diante de todo o desastre subsequente ainda julgam que essa conspiração satânica saída do fundo mais obscuro da Sinagoga foi obra do Espírito Santo. Será que esta não é uma prova incontestável de que eles já foram, como aquela cruz romana da capa do livro, absorvidos pelo judaísmo apóstata?

O Cura d'Ars e a Missa Una Cum: Exemplo de resistência à falsa Igreja

UM PASTORZINHO DURANTE O TERROR (1793 – 1794)

Em janeiro de 1791, época em que a Constituição Civil entrou a vigorar na comarca de Lião, João Maria ainda não tinha completado cinco anos. O Pe. Jaques Reys, cura de Dardilly durante 39 anos, cometera a fraqueza de prestar o juramento cismático. Mas, a dar-se crédito às tradições locais, esclarecido pelo exemplo do coadjutor e dos colegas vizinhos, que haviam recusado o tal juramento, não tardou muito em compreender e detestar sua falta. Permaneceu ainda por algum tempo na paróquia celebrando a missa numa casa particular, retirando-se depois para Lião. Mais tarde teve que exilar-se na Itália.

Se a saída do Pe. Rey não passou despercebida, Dardilly contudo não foi perturbada ao ponto que se poderia esperar. A igreja continuou aberta, pois veio outro sacerdote, enviado pelo novo bispo de Lião, um certo Lamourette, amigo de Mirabeau, nomeado pela Constituição, sem mandato de Roma, em lugar do venerável Mons. Marbeuf. O novo cura como também o novo bispo haviam prestado o juramento; mas como poderia suspeitar a boa gente de Dardilly que a constituição de Civil, da qual ignoravam, talvez, o próprio nome, pudesse conduzi-los ao cisma e à heresia? Nenhuma mudança aparente se havia operado, quer nas cerimônias, que nos costumes paroquiais. Aqueles simples de coração, assistiram por algum tempo sem escrúpulos à missa do “padre juramentado”. Do mesmo modo procedeu com toda a boa fé Mateus Vianney, a esposa e seus filhos.

Entretanto abriram-se os olhos. Catarina, a mais velha das filhas, posto que naquela época não contasse mais de uma dúzia de anos, foi a primeira a pressentir o perigo. No púlpito, o novo pároco nem sempre tratava dos mesmos assuntos como o Pe. Rey. Os termos cidadãos, civismo, constituição, pontilhavam suas prédicas. Às vezes descambava em ataque contra seus predecessores. Cada vez mais a influência à igreja era menos homogênea e apesar disso mais minguada do que outrora; pessoas mui piedosas não compareciam mais aos ofícios divinos. Onde, pois, ouviam missa nos dias de festa? Pelo contrário iam outros que nunca haviam frequentado o templo. Catarina sentiu certos receios e os manifestou à mãe. As coisas andavam nesse pé, quando os Vianney receberam a visita de um parente que residia em Ecully.

“Ah! Meus amigos, que fazeis?” perguntou-lhes ao ver que assistiam à missa do padre ‘juramentado”. “Os bons sacerdotes recusaram o juramento, por isso são caçados, perseguidos, obrigados a fugir. Felizmente em Ecully, há alguns que ficaram entre nós. A estes é que vos deveis dirigir. O vosso novo cura separou-se da Igreja Católica com o seu juramento. Não é de modo algum vosso pastor e não o podeis seguir”.

Como que fora de si por essa revelação, a mãe de João Maria não trepidou em interpelar o infeliz sacerdote e censurar-lhe a apostasia da verdadeira Igreja. Ao citar-lhe o Evangelho, onde está escrito que o ramo separado da videira será lançado ao fogo, levou-o à seguinte confissão:

— “É verdade, senhora, a videira vale mais do que o sarmento”.

Maria Vianney deve ter explicado aos seus a falta daquele padrem pois conta-se que o pequeno João Maria “mostrou horror por esse pecado, começado dali por diante a esquivar-se do cura juramentado”. Desde então a igreja paroquial, relicário de tão suaves recordações, onde os pais se haviam casado e os filhos recebido o batismo, deixou de ser para a família Vianney lugar predileto de oração. Não tardou muito a ser fechada.


Chegaram, porém os dias da sangrenta perseguição. Todo o sacerdote ue não prestasse o juramento se expunha a ser encarcerado executado, sem recurso possível, dentro de 24 horas. Quem os denunciasse receberia cem libras de recompensa. Quem, ao contrário, lhes desse agasalho, seria deportado. Assim rezavam as leis de 24 de abril, 17 de setembro e 20 de outubro de 1793.

Apesar dessas ameaças terríveis, os sacerdotes fiéis andavam escondidos pelos arredores de Dardilly, e a casa dos Vianney ocultou a todos um após outro. Em algumas ocasiões celebraram nela a santa missa. Foi um milagre o dono da casa não ter caído na suspeita de alguns jacobinos, pagando com a cabeça a santa audácia.

Mas foi mesmo em Lião ou nos seus arrebaldes que os confessores da fé receberam, com mais frequência, generoso abrigo.

Mensageiros de confiança, enviados de Ecully, passavam em certos dias pelas casas das famílias católicas e lhes indicava o esconderijo , onde à noite seguinte haveriam de ser celebrados os divinos mistérios. Os Vianney partiam, sem ruído, e marchavam, muitas vezes, por longo tempo na escuridão da noite. João Maria, todo feliz por ir àquela festa, valentemente meneava as perninhas. Os irmãos murmuravam de vez em quando, achando a distância demasiada, mas a mãe lhes dizia: “Imitem a João que nunca se cansa’.

Chegados ao lugar combinado, eram introduzidos num paiol ou quarto retirado, quase às escuras. Ao pé de pobre mesa, rezava um desconhecido cujo semblante fatigado esboçava suave sorriso. Depois dos cumprimentos, no canto mais escuro, detrás duma cortina, em voz baixa, o bom padre aconselhava, tranquilizava e absolvia as consciências. Não raro, jovens noivos pediam que lhes abençoassem o matrimônio. Enfim, chegava a hora da missa, a missa tão desejada por grandes e pequenos. O padre dispunha sobre a mesa a pedra d’ara que trouxera consigo, o missal, o cálice e numerosas hóstias, pois não seria só ele a comungar naquela noite. Revestia-se com paramentos amarrotados e desbotados. Depois, envolto por silêncio profundo, começava as preces litúrgicas, Introibo ad altare Dei. Que unção na voz, que recolhimento e que comoção da assistência! Frequentemente misturava-se às palavras santas os contínuos soluços do celebrante. Dir-se-ia uma missa nas catacumbas antes da prisão e do martírio. Como se comovia naqueles comentos inesquecíveis a alma do pequeno Vianney! De joelhos, entre a mãe e as irmãs, orava como um anjo e chorava por ouvir chorar. Além disso, com que atenção escutava, sem compreender tudo, os graves ensinamentos daquele prescrito que arriscava a vida por amor às almas. Não teria sido naquelas reuniões noturnas que ouvira, pela primeira vez, o chamado ao sacerdócio?


TROCHU, Cônego Francis. O CURA D’ARS: São João Batista Maria Vianney, Patrono Oficial dos Párocos (1786-1859). II. Edição. Petrópolis: Vozes, 1960, pp. 20-22.

Um Filho da Serpente: Bergoglio nega a Imaculada Conceição e a Corredenção de Maria Santíssima

A 21 de dezembro de 2018, Bergglio negava a Imaculada Conceição de Maria, dizendo que ela não nasceu santa. A 13 de dezembro de 2019, festa de Nossa Senhora de Guadalupe, ele aproveitou a ocasião para negar a corredenção de Maria e qualificar como uma “tonteria” (uma tolice) sua possível definição como dogma.

A Imaculada Conceição de Maria é um dogma de fé, negá-la é uma heresia, um pecado mortal diretamente contra a fé.

A Corredenção de Maria é uma “doutrina católica, segura, indiscutível e definível, isto é, pode ser declarada como verdade de fé.” (Bainvel S. J.). Negá-la é um erro doutrinal grave, um pecado mortal indiretamente contra a fé.

Assim é, porque nas palavras de Padre Geraldo Pires de Sousa C.Ss.R. (1895-1969):

“A doutrina sobre a mediação de Nossa Senhora está hoje fora de toda dúvida. Os quatro últimos Papas* manifestaram-se com toda a clareza sobre ela, quer reproduzindo as opiniões dos Santos Doutores, quer publicando as suas próprias. Temos agora Ofício e festa de Nossa Senhora, Medianeira das graças. Por isso, escreve Bainvel, S. J.: A dupla cooperação de Maria na obra da redenção, primeiro na terra por sua vida, sofrimentos e preces, e depois no céu pela oração tão somente, é doutrina católica, segura, indiscutível e definível, isto é, pode ser declarada como verdade de fé. – Mais uma vez, S. Afonso teve razão; bateu-se por um futuro dogma, na sua visão de profeta. (Nota do tradutor).”

(Padre Geraldo Pires de Sousa C.Ss.R. in Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja e Fundador da Congregação do Santíssimo Redentor. Glórias de Maria. 3.ª ed. Aparecida: Santuário, 1989, p. 148, nota do tradutor.)

  • – Provavelmente Leão XIII, São Pio X, Bento XV e Pio XI, pois a tradução do Padre Pires foi inicialmente publicada pela Vozes em 1933.

Dom Fernando Arêas Rifan Sionista: O Pupilo da Sinagoga

Eis a homenagem que o bispo ecumênico de Campos, Dom Fernando Arêas Rifan (o mesmo que não se entende bem com o Padre Fernando Arêas Rifan: https://www.youtube.com/watch?v=eJXcvicC9jo), rende aos seus mestres da Sinagoga.

Sem “Dom”, sem batina e sem vergonha de escandalizar, Dom Fernando Arêas Rifan recomenda incondicionalmente os cursos de uma instituição judaica, que não crê nas Sagradas Escrituras, porque se nelas cresse reconheceria a Nosso Senhor Jesus Cristo Rei, aquele que o Pai enviou (cf. Evangelho segundo São João, capítulo 5).

Resposta a um seminarista

Resposta a um seminarista modernista, com uma apologia à Missa Tridentina, explicação sobre o que é a religião (seja como complexo de verdades, preceitos e culto, seja como virtude moral), seguida de uma distinção entre a religião divina e a religião do homem, a saber, que uma é revelada por Deus e para a glória de Deus, enquanto a outra vem do homem e é para a glória do homem; uma busca a redenção mediante a humilde submissão do homem à Majestade Divina, a outra nutre a ilusão gnóstica da auto-salvação (humanismo). Conclusão: todo homem que queira ser fiel a Deus e busque o seu próprio bem está obrigado a rechaçar as falsas religiões (inclusive o modernismo pós-conciliar) e deve abraçar a única religião divina e católica.

Padre Paulo Ricardo Sionista: O Lado Politicamente Correto de um Padre Modernista

O homem que não é bispo porque fala uma coisa ou outra contra o comunismo e as heresias de seus compadres modernistas, sem jamais atacar a raiz do problema, continua, porém, sendo padre modernista, porque ele não diz o que tem que dizer sobre as heresias do Vaticano II e sua falsa hierarquia.

Ele adota, sobretudo, tanto na teoria quanto na prática, o posicionamento dos modernistas no tocante ao judaísmo, os quais começaram a introduzir sua heresia judaizante a partir da promulgação da Nostra Aetate (um dos documentos mais escandalosos do Vaticano II), com o claro fim de alterar o dogma sobre a situação dos judeus depois da morte de Cristo.

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Veja também: A Heresia Hebraica de Francisco, Bento XVI, João Paulo II et al. https://controversiacatolica.com/2017/06/10/roma-judaizada-a-heresia-dos-revolucionarios-de-branco-sobre-os-judeus/

E também: Traindo Cristo Crucificado: A Nova Oração de Sexta-Feira Santa pelos judeus https://controversiacatolica.com/2017/04/13/traindo-cristo-crucificado-a-nova-oracao-de-sexta-feira-santa-pelos-judeus/

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Essa tentativa, longe de ser legítima, equivale a deserção da fé católica, que não nos deixa alternativas nesta matéria senão a de simplesmente repetir o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Apóstolos, dos Santos Padres e Doutores da Igreja. Essa tomada de posição dos modernistas foi uma das formas com que esses apóstatas deram “adeus” ao catolicismo.

Além de porem essa inovação no Catecismo novo de 1992, eles adotaram um novo modus operandi perante o judaísmo. Em vez de denunciarem os erros da sinagoga e chamarem os judeus à conversão, os papas modernistas – e com eles Padre Paulo Ricardo – portaram-se de modo omisso, submisso e cínico, como se os corifeus da sinagoga, que não conhecem a Deus, por rejeitarem a Deus Filho e repelirem o Divino Espírito Santo, não precisassem mais abjurar dos seus erros e converter-se ao cristianismo.

Aqui Padre Paulo Ricardo imita a Ratzinger, que em documento conjunto prefaciado por ele mesmo afirma que a interpretação judaica do Velho Testamento é válida, acrescentando mais tarde no livro herético “Jesus da Nazaré” que se deve adiar a conversão dos judeus para o fim do mundo. Aqui ele também segue as pegadas de João Paulo II, que elevou a sinagoga aos altares por meio de canonizações inválidas (como a de Edite Stein) e ainda por cima assumiu uma postura absolutamente sionista (reconhecendo Israel sem falar dos direitos de Cristo, visitando sinagogas sem jamais pedir que se convertessem).

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Veja também: Qual é a doutrina católica sobre os judeus? https://controversiacatolica.com/2018/06/02/qual-e-a-doutrina-catolica-sobre-os-judeu/

E também: Jesus Cristo era judeu? https://controversiacatolica.com/2018/05/06/jesus-cristo-era-judeu/

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Eis o lado politicamente correto de Padre Paulo Ricardo, por essas e outras ele ainda está no modernismo. Se ele se convertesse, teria que romper com a sinagoga pós-conciliar e a sua postura filo-sionista. Contudo, parece que isso seria demasiado católico para ele.

Teatro na Missa

Tudo o que São João Crisóstomo disse sobre as sinagogas de sua época, hoje nós, que sabemos algo a respeito da revolução litúrgica dos anos sessenta, podemos aplicar às paróquias modernistas que seguem o Novus Ordo Missae.

O modernismo é um teatro, a Missa Nova é um teatro, os padres, bispos e papas modernistas se portam como atores desse teatro macabro que tem servido unicamente para distrair as pessoas dos seus deveres cristãos e anestesiar as suas consciências para que assim “pequem em paz” e se lancem de cabeça nas redes do mundo moderno.

Essas coisas são evidentes em si mesmas, porém custa um pouco para a gente se dar conta disso. Eu mesmo e minha família, mesmo depois de sabermos algumas coisas sobre a Santa Missa (sempre pesquisando por conta própria), continuamos indo por um tempo à Missa modernista da paróquia. Porém, graças a Deus, houve um momento em que dissemos “basta!” e o resultado foi maravilhoso.

Sofremos muito e ainda sofremos, como todo vivente neste vale de lágrimas sofre, mas com a consciência tranquila e sem mais patrocinar a falta de respeito generalizada e sempre reinante nos ambientes pós-conciliares.

Encorajo todos a seguirem o nosso exemplo, ciente de que é o melhor a fazer. Não há teatro sem plateia, meus amigos. Se rejeitamos o modernismo, das duas uma: ou eles fecham a companhia de teatro Vaticano II, ou são obrigados a mudarem drasticamente de conduta para não perderem o emprego.

E notem o seguinte: Se as pessoas deixarem de seguir o péssimo conselho de modernistas como Padre Paulo Ricardo, Padre Leonardo e Dom Fernando Arêas Rifan – isto é, não importa que o padre diga heresias contra a fé e a moral cristã, não importa que tudo seja uma imensa falta de respeito ao Santíssimo Sacramento, apenas cale-se e vá à Missa aos domingos! -, o “grande risco” que elas correm é o de escapar de um sacrilégio, de não ouvir heresias e não ver gente se comportando como se estivesse em um teatro… porque, afinal de contas, as paróquias modernistas, como as sinagogas do tempo de São João Crisóstomo, não passam de teatros, sendo por muitos motivos até piores do que eles.

A Nova Evangelização de Bento XVI

A NOVA EVANGELIZAÇÃO DE BENTO XVI

Por Irmão Diogo Rafael Moreira

ÍNDICE

INTRODUÇÃO
I. TESE FUNDAMENTAL: A VERDADEIRA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE
II. SOFISMA FUNDAMENTAL: O PSEUDO-TOMISMO MODERNISTA
III. MODERNISMO: A FONTE DO VATICANO II E DA NOVA EVANGELIZAÇÃO RATZINGERIANA
IV. DE LUTERO A RATZINGER
V. MODERNISMO NO NOVO CATECISMO E ALÉM
VI. NOVA EVANGELIZAÇÃO: MODERNISMO EM DOSE DUPLA
CONCLUSÃO

INTRODUÇÃO

A nova evangelização de Bento XVI é o velho modernismo condenado por São Pio X na Pascendi. A nova evangelização de Bento XVI é anatematizada pelo Concílio Vaticano I. A nova evangelização de Bento XVI é mais propriamente uma antiga, sorrateira e venenosa desevangelização, sempre presente nas seitas heréticas e esotéricas, mas que nos últimos tempos foi sendo introduzida nos meios católicos mediante o conceito modernista de fé como experiência de Deus.

Essas e outras coisas serão demonstradas neste artigo, onde partiremos de uma conferência (https://www.youtube.com/watch?v=SZBg-I6UOzc) dada pelo teólogo ratzingeriano Francisco Catão, doutor em teologia pela Universidade de Estrasburgo, professor do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, conselheiro do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e – o que mais nos interessa aqui – um entusiasta do Vaticano II, disposto a nos contar com detalhes bastante inusitados a gênese e o desenrolar do câncer modernista, mostrando a verdadeiro continuidade que há entre o modernismo, o Vaticano II e o pensamento de Bento XVI.

I. TESE FUNDAMENTAL: A VERDADEIRA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE

Um resumo da tese de Catão sobre a nova evangelização, que é também a tese de Bento XVI, aparece no seguinte momento da conferência:

“Daí é que vem a ideia de nova evangelização, porque nova evangelização? A nossa tese, eu já digo nossa porque é também de Cardeal Piacenza e é sobretudo de Bento XVI, a nossa tese e de alguns teólogos, não muito numerosos aqui no Brasil, pelo contrário, a nossa tese é de que nova significa uma evangelização baseada no ato de crer.”

“Uma evangelização que não é um ensino sobre as verdades da fé, uma evangelização baseada no anuncio, no querigma, que desperta para a fé. Independentemente do conteúdo, a fé nasce da nossa adesão à Palavra, da nossa adesão à Jesus e é a partir dessa experiência, a partir dessa adesão a Jesus que nós construímos a visão cristã que temos. Visão cristã que vai variar nas suas expressões de acordo com a cultura, de acordo com o tempo, mas que tem como unidade a certeza de que Deus nos ama, de que Jesus veio comunicar a vida de Deus no Espírito e de que nós somos conduzidos pelo Espírito de Deus. Essa é que é a certeza fundamental. Nós somos conduzidos pelo Espírito de Deus. Não somos nós que evangelizamos, é o Espírito que anuncia Jesus, não somos nós que fazemos a Igreja, é o Espírito que faz a Igreja, a Igreja é sustentada pelo Espírito, não pela nossa ciência, pela nossa indústria, pela nossa habilidade, pela nossa política, pelos meios de comunicação, isso tudo é instrumento do Espírito, é o Espírito que age santificando os homens. Os homens e as mulheres naturalmente. Essa tese é uma tese bastante revolucionária. Mas quem a defendeu? Bento XVI na Exortação Apostólica A Igreja no Oriente, que foi publicada no dia 14 de setembro, no dia da Exaltação de Santa Cruz, Bento XVI assinou essa exortação no Líbano…”

“Ora, eu fiquei estarrecido ouvindo Bento XVI. Depois fui ler para conferir. O primeiro capítulo dessa Exortação precisa ser lido, sobretudo nos primeiros números, do número de 3 ao 7, porque ele defende a tese de que tudo vem do Espírito e que a grande dificuldade que nós temos de compreender a Igreja é que nós não consideramos que o Espírito está na raiz da Igreja; que a comunhão eclesial é dom do Espírito. Nós temos uma magnífica ocasião de considerar isso no Oriente Médio, porque há muitas igrejas cristãs, umas unidas, outras não a Roma, mas o Espírito está em todas elas! A gente pergunta: e a orientação da Dominus Jesus? Ele passou por cima. Bento XVI fez uma nova eclesiologia, uma eclesiologia do Espírito na Exortação Ecclesiam in Oriente. Isso a gente precisa levar em consideração. É um dado importante para nós. Isso valoriza a questão do querigma, isso valoriza toda a posição carismática, a visão carismática da Igreja etc. etc. etc., então tudo isso é muito importante para as novas comunidades.”

“Veja que o Papa – eu acho que ele está percebendo que ele não vai durar muito -, que ele vai se encontrar brevemente com o Senhor, e ele está resolvendo dizer as últimas coisas. E ele diz com uma coragem e com uma clareza impressionante.” (16:59-19:50 e 20:08-22:10)

Como se vê, o teólogo Francisco Catão fala sobre a evangelização segundo a perspectiva de Bento XVI. Aquilo que ela tem de “nova” nos permite conhecer melhor o lado vanguardista deste homem que a mídia e os neoconservadores erroneamente consideram como o guardião da fé católica.

A tese de Bento XVI é realmente revolucionária e o Padre Catão está aqui não somente para revelá-lo, mas também para enquadrá-la no contexto da revolução doutrinal operada pelo Concílio Vaticano II. Antes de prosseguir, gostaria de sublinhar que o conferencista em questão esteve presente nas sessões do Concílio Vaticano II e é um dos poucos teólogos brasileiros que segue a linha de pensamento do neoteólogo Joseph Ratznger, também conhecido como Bento XVI.

Esta conferência de Francisco Catão insiste sobretudo na continuidade entre o Vaticano II, o Catecismo de 1992 e a Nova Evangelização de Bento XVI. De fato, esta é a verdadeira “hermenêutica da continuidade”: Bento XVI continua e desenvolve a revolução doutrinal iniciada no Concílio Vaticano II. Ouçamos as palavras do próprio conferencista:

“Há uma continuidade importante entre o concílio, o catecismo e a nova evangelização.” (3:18-3:35)

“Essa continuidade está clara no pensamento de Bento XVI na carta apostólica Porta Fidei. (4:03-4:23)

II. SOFISMA FUNDAMENTAL: O PSEUDO-TOMISMO MODERNISTA

Mais adiante, o autor propõe defender essa tese da continuidade, a única continuidade real, valendo-se supostamente da doutrina de São Tomás de Aquino sobre a fé. Ele explica o conceito tomista de fé da seguinte maneira:

“Para Tomás de Aquino [nunca São Tomás], a teologia tem como fonte a fé, não porém os conteúdos da fé, os conteúdos da fé são elaborados pela teologia, a teologia tem como fonte o ato de crer. O fato de que na nossa vida humana, na nossa vida intelectual, na nossa vida de conhecimento, nós buscamos iluminar aquilo que Deus nos fala no íntimo do coração. A fonte da teologia é a experiência interior, a experiência de Deus, a experiência religiosa. A fonte da teologia é a experiência.” (4:56-5:57)

Bem, se São Tomás tivesse realmente dito isso, a saber, que a fonte da teologia é a experiência interior, nós já saberíamos que o Santo Doutor teria sido fulminado por um anátema do Concílio Vaticano I, onde se diz:

“Se alguém disser que a divina revelação não pode tornar-se crível por manifestações externas, e que por isto os homens não devem ser movidos à fé senão exclusivamente pela interna experiência ou inspiração privada, seja anátema.” (De Fide, cân. 3).

Mas deixemos o Padre Catão continuar com a sua exposição de sua suposta doutrina tomista sobre a fé:

“Tudo começa no nosso coração. Nós somos chamados a pureza de coração, que é o caminho para nós vermos a Deus. E a nossa vida vai terminar quando interiormente nós entrarmos na intimidade de Deus. Então a fé é espiritual, a fé é radical, a fé é fundamental, tudo depende da fé. A fé não está naquilo que eu creio, está no fato de eu crer. Aquilo que eu creio é expressão da fé. E nós sabemos que essa expressão muda com a cultura, muda com a história, mas o importante, o fundamental não é a maneira como eu expresso a minha vida profunda com Deus, o fundamental é ter essa vida profunda, é participar da vida de Deus. E nós participamos de vida de Deus no íntimo do nosso coração.” (7:47-8:54)

Por atraente que possa parecer essa doutrina de floreados corações, força é dizer que tal definição de fé não coincide de modo algum com a doutrina de São Tomás de Aquino sobre a fé e o ato de crer. Nos bons tempos, esse homem teria que responder por heresia em um tribunal eclesiástico e estelionato em um tribunal civil.

Muito, mas muito pelo contrário, sua teoria está mais de acordo com a filosofia moderna e o seu conceito de imanência vital. Na verdade, enquanto a experiência religiosa assim entendida está bem afinada com a filosofia moderna e sua vertente teológica, o modernismo, ela se encontra em patente contradição com a filosofia tomista e a fé católica.

Comecemos pela filosofia tomista. São Tomás de Aquino entende o ato de fé como o assentimento da inteligência a tudo o que Deus revelou para a nossa salvação, trata-se portanto de crer nas verdades que Deus revela ao homem (cf. II-II q. 1, a. 1; II-II q. 2, a. 5); em casos extraordinários, como no caso dos apóstolos e profetas, ele admite sim que a fé é comunicada imediatamente, sem o intermédio da pregadores da fé, mas ainda assim explica claramente que em tal caso a fé não é comunicada de uma forma interior, no íntimo do coração, mas de uma forma exterior, mediante palavras e sinais, tal como fez Nosso Senhor Jesus Cristo quando ensinou sua doutrina aos discípulos e a confirmou com muitos milagres (cf. II-II q. 6, a. 1). Entretanto, que pessoa razoável negará que, de ordinário, Cristo se serviu e se serve da Igreja para comunicar as verdades da fé? Quem negará que Cristo estabeleceu o apostolado justamente para que a sua doutrina alcance os confins da terra? Se tudo se resumisse à experiência interior de cada um, o apostolado perderia sua razão de ser e todo homem, sem o expresso apontamento divino, poderia se arrogar o título de profeta e apóstolo.

É um ultraje chamar essa imbecilidade de tomismo. Não há outro nome para essa pretensão senão o de protestantismo liberal e pseudo-misticismo. É evidente que essa doutrina da experiência religiosa não passa de uma aplicação do conceito protestante de justificação e sacerdócio dos crentes (entendida do modo mais liberal possível), que aqui aparece muito mal-disfarçadamente sob a máscara de tomismo. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Ademais, São Tomás de Aquino também explica que as verdades de fé consistem em artigos bem definidos e imutáveis (cf. II-II q. 1, aa. 6-9), diz que o Romano Pontífice, cabeça da Igreja, é o intérprete infalível em matérias de fé e o único capaz de propor à Igreja um novo símbolo de fé (cf. II-II, q. 1, a. 9) e ainda declara que aquele que nega um só artigo de fé perde totalmente a virtude da fé, sendo este o caso do herege (cf. II-II, q. 5, a. 3). Tudo isso demonstra o quanto o conceito tomista de fé difere dessa fé não dogmática, dessa fé entendida como uma experiência interior de Deus que fala no íntimo do coração de cada um.

III. MODERNISMO: A FONTE DO VATICANO II E DA NOVA EVANGELIZAÇÃO RATZINGERIANA

A doutrina venenosa da experiência religiosa, vendida aqui na forma de nova evangelização, faz parte de um sistema chamado modernismo. O sistema modernista foi exposto e denunciado em detalhe pelo Papa São Pio X na carta encíclica Pascendi Dominici Gregis. Observe como a doutrina do “modernista crente”, tão bem descrita por São Pio X, se identifica perfeitamente com aquela doutrina de Francisco Catão e de seu mestre, Joseph Ratzinger:

“Agora, passando a considerá-lo como crente, se quisermos conhecer de que modo, no modernismo, o crente difere do filósofo, convém observar que, embora o filósofo reconheça por objeto da fé a realidade divina, contudo esta realidade não se acha noutra parte senão na alma do crente, como objeto de sentimento e afirmação; porém, se ela em si mesma existe ou não fora daquele sentimento e daquela afirmação, isto não importa ao filósofo. Se, porém, procurarmos saber que fundamento tem esta asserção do crente, respondem os modernistas: é a experiência individual. Com esta afirmação, enquanto na verdade discordam dos racionalistas, caem na opinião dos protestantes e dos pseudo-místicos.”

“Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir. Quanto estamos longe dos ensinamentos católicos! Já vimos essas idéias condenadas pelo Concílio Vaticano I. Veremos ainda como, com semelhantes teorias, unidos a outros erros já mencionados, se abre caminho para o ateísmo. Cumpre, entretanto, desde já, notar que, posta esta doutrina da experiência unida à outra do simbolismo, toda religião, não executada sequer a dos idólatras, deve ser tida por verdadeira. E na verdade, porque não fora possível o se acharem tais experiências em qualquer religião? E não poucos presumem que de fato já se as tenha encontrado. Com que direito, pois, os modernistas negarão a verdade a uma experiência afirmada, por exemplo, por um maometano? Com que direito reivindicarão experiências verdadeiras só para os católicos? E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras. É claro, porém, que eles não poderiam pensar de outro modo.” (Pascendi Dominici Gregis, nn. 36-37)

“O viver para os modernistas é prova de verdade; e a razão disto é que verdade e vida para eles são uma e a mesma coisa. E daqui, mais uma vez, se infere que todas as religiões existentes são verdadeiras, do contrário já não existiriam.” (Id., n. 40)

Aí está em um compêndio todo o conceito proposto pelo Vaticano II, inclusive a base de seu ecumenismo. Se alguém com estômago forte se aventurar a assistir de início ao fim a palestra de Padre Catão, saiba que achará uma longa e fiel paráfrase de tudo o que foi condenado por São Pio X.

De fato, essa doutrina não coincide com o tomismo e se alguém duvidar do que digo basta assistir a palestra até o final, onde Francisco Catão afirmará justamente que o Vaticano II descobriu um novo conceito de fé. Ora, se o tal conceito fosse o mesmo conceito de São Tomás, qual seria a novidade?

Eis então como o autor trai a si mesmo quando confessa abertamente que o conceito de fé do Vaticano II propôs algo bem diferente do que aquilo que se ensinava antes. Eis o que ele afirma categoricamente contra si mesmo:

“Essa verdade, essa descoberta constitui a grande novidade do Vaticano [II], o Vaticano [II] nasceu da percepção de que a palavra de Deus não é uma palavra que transmita verdades, é uma palavra que nos transmite a vida. A Revelação não é uma transmissão de verdades, como se pensava antes [nos tempos de |São Tomás?], e isso historicamente tem as suas razões, a Revelação é a comunicação na vida de Deus. É aquilo que está no primeiro capítulo da Constituição Dei Verbum do número 2 ao número 11.” (8:58-9:48)

“Em 1966 eu fiz uma palestra sobre o Concílio. Eu estava voltando de Roma, no início de 1966, em março de 1966, o Concílio havia terminado em dezembro de 1965, então o Paulo pediu que eu fosse fazer uma palestra no Seminário do Ipiranga sobre o Concílio. Eu fiz uma palestra, “Concílio, um Concílio de mudança” E fiz seis proposições mostrando em que que o Concílio mudou. A primeira proposição: passamos da revelação das verdades para a comunicação da vida. É a primeira das seis proposições que eu fiz em 1966.” (12:42-13:33)

Esta é a primeira mudança de fato, mas não a única proposta por ele, porque o Concílio Vaticano II não se contentou em mudar o conceito tradicional de fé, mas também modificou o conceito de Igreja e de sua relação com as seitas e o mundo, os quais derivam desse mesmo conceito modernista de fé. Por isso, o conferencista continua:

“Eu divido o Concílio em quatro pontos, quatro temas: a Palavra de Deus, a Igreja, o Ecumenismo e a Relação com o mundo. E as seis proposições de mudança nesses quatro pontos. É um pouco inspirado na Ecclesiam Suam de Paulo VI, uma encíclica que nem sempre se conhece. Aqui no Brasil se fez muita resistência a ela no dia 6 de agosto de 1964.” (14:17-14:50)

Na verdade, essa mudança geral operada no Vaticano II é bastante lógica se nós entendemos bem a mentalidade do modernista crente. Como tudo depende de Deus que fala no íntimo do coração (imanentismo), porque nós limitaríamos as propriedades de verdade e santidade a nossa religião, negando a veracidade da experiência dos adeptos de outras religiões (nova eclesiologia)? É por isso que agora se pode e mesmo deve dialogar e aprender com todas as religiões (ecumenismo), todas elas manifestam uma certa experiência de Deus e daí deriva o direito que todas têm de dar testemunho de suas experiências de Deus na sociedade civil (liberdade religiosa).

É o Espírito Santo, dizem os modernistas, que age por meio delas. Em suma, essa nova noção de fé como experiência religiosa os força a aplicar à humanidade como um todo, desde os idólatras aos hereges de toda sorte, aquilo que antes os católicos aplicavam unicamente à Igreja Católica. Daí se vê muito claramente que os modernistas abandonaram de vez a noção tomista, reafirmada por Leão XIII na Satis Cognitum, segundo a qual basta a negação de um só artigo da fé para que se perca a fé inteira.

IV. DE LUTERO A RATZINGER

Em outro momento da palestra, Padre Catão explica como esse conceito de experiência é de origem protestante, confirmando aquilo que já tinha indicado o Papa São Pio X. Ele também destaca que tal ideia só começou a ganhar espaço na teologia católica às vésperas do Vaticano II. Eis o seu depoimento:

“A experiência era suspeita na Igreja Católica desde o século XVI, quando Lutero insistiu na experiência contra o Magistério de Roma, contra as práticas de Roma. Então a Igreja de Roma resolveu não falar da experiência, condenou durante séculos todos os teólogos que deram importância à experiência. A experiência não é fonte de conhecimento, a fonte de conhecimento da verdade é a autoridade da Igreja. A experiência não é uma fonte de conhecimento. Você não pode fazer uma teologia a partir da experiência, você tem que fazer uma teologia a partir do dogma. Essa era a posição da Igreja Católica até 1954, quando um teólogo, reitor do seminário de Dijon, na Borgonha, Jean Mouroux, escreveu um livro sobre a experiência cristã, “L’Experience Chretienne”, uma nova forma de fazer teologia, tratando da experiência como fonte da teologia. O livro de Mouroux é muito bem escrito, ele era um grande teólogo, da geração Congar, mais ou menos contemporâneo ao Congar, muito ligado à Maritain, Jacques Maritian. O Mouroux fez um livro muito inteligente. Você não podia criticar. Desde o Mouroux a experiência entrou como um elemento importante para fazer teologia.” (29:38-31:30)

Nós já ouvimos falar de indivíduos inteligentes que gostavam muito desse tema da experiência. Quem são eles? Os mesmos modernistas condenados por São Pio X. Na introdução de sua famosa carta encíclica, o Papa descreve a astúcia dos modernistas do seguinte modo:

“Não há quem os vença em manhas e astúcias: porquanto, fazem promiscuamente o papel ora de racionalistas, ora de católicos, e isto com tal dissimulação que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto; e sendo ousados como os que mais o são, não há consequências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos. Acrescente-se-lhes ainda, coisa aptíssima para enganar o ânimo alheio, uma operosidade incansável, uma assídua e vigorosa aplicação a todo o ramo de estudos e, o mais das vezes, a fama de uma vida austera. Finalmente, e é isto o que faz desvanecer toda esperança de cura, pelas suas mesmas doutrinas são formados numa escola de desprezo a toda autoridade e a todo freio; e, confiados em uma consciência falsa, persuadem-se de que é amor de verdade o que não passa de soberba e obstinação.” (Pascendi Dominici Gregis, n. 4)

Não poderia haver melhor descrição do caráter e do modo de agir dos peritos do Concílio Vaticano II do que essa. Infelizmente, eles foram ao Concílio, enganaram os incautos e ao fim fizeram da heresia modernista a base daquilo que viria a ser conhecido como a Igreja pós-conciliar. Esses mesmos peritos depois se tornaram os lumiares do modernismo institucionalizado, os cardeais e papas da seita modernista. Dentre eles podemos mencionar, por exemplo, os neoteólogos e futuros cardeais Henri de Lubac, Yves Congar, Hans Urs von Balthasar, Jean Daniélou, Joseph Ratzinger e Karol Wojtyla.

Hoje eles e seus discípulos guiam a multidão para o abismo do protestantismo e do ateísmo, que são o destino final do modernismo, conforme tinha observado São Pio X já na primeira década do século XX.

“Eu defendi essa tese da prioridade do ato de crer. Isso é a luz que guia Bento XVI na sua interpretação do Concílio. O primeiro sínodo que ele convocou foi “A Palavra de Deus, na vida e na missão da Igreja”, foi o sínodo de 2008, tem a exortação apostólica Verbum Domini. Agora ele convocou o sínodo sobre a nova evangelização para a transmissão da fé cristã. E você tem a convocação do Ano da Fé, da Porta Fidei. Se nós procurarmos qual é o fio que une todos esses documentos, nós diremos evidentemente que é a prioridade no ato de crer.” (15:05-16:13)

“Ele insiste muito no ato de crer, não emprega esse termo, emprega um outro termo: a experiência, a experiência de Deus, a experiência do Espírito, a percepção interior, a vivência do dom da graça nos seus reflexos no interior de cada um de nós. Ele desenvolve um conceito de experiência muito interessante e me chocou o número de vezes que fala da experiência. 70 vezes fala sobre a experiência! Não é uma vez ou duas, são setenta vezes! Quem conhece a história da teologia sabe o que que isso significa.” (28:48-29:37)

Certamente nós sabemos o que isso significa. Isso significa que estamos diante de um protestante e de um psudo-místico. Isso significa que nós temos um herege modernista em Roma, ou melhor, nós temos uma Igreja inteira ocupada por modernistas que se promovem a si mesmos e boicotam qualquer um que tente insistir no conceito verdadeiramente tomista e tradicional de fé.

A continuidade entre o Vaticano II e o pensamento de Bento XVI já está mais do que provada. O conceito modernista de experiência religiosa é o fio condutor de ambos. Do mesmo modo, penso estar bem clara a única diferença entre eles: aquilo que era timidamente ensinado por Mouroux e pela Dei Verbum, hoje é ensinado abertamente e repetido ad nauseam por Ratzinger.

V. MODERNISMO NO NOVO CATECISMO E ALÉM

Agora examinemos como o teólogo Francisco Catão mostra a ligação entre eles e o Novo Catecismo, promulgado por João Paulo II em 1992.

Depois de reclamar da ausência de um tratado específico sobre fé nos cursos de teologia, ele lembra que o Catecismo começa falando justamente sobre a fé nesse sentido de experiência religiosa. Na seção “Creio – Cremos”, o Catecismo utiliza uma perspectiva antropocêntrica, falando de Deus que se manifesta no íntimo do coração de todos os homens. Ele distingue então o conteúdo da fé do ato de crer (n. 26), insiste sobre o desejo de Deus (n. 27), diz no segundo capítulo que Deus se revela mediante uma relação pessoal, reforçando o caráter da fé como um ato humano livre. Por fim, chegamos ao terceiro capítulo do Novo Catecismo, o momento certo de passar a palavra para o teólogo Francisco Catão:

“Aí vem o terceiro capítulo: o que é a fé? Nós não podemos definir a fé, a fé ultrapassa toda a definição. É uma realidade de relação pessoal. Que nós não podemos definir estritamente com um gênero e uma diferença específica. É algo existencial. Como é que nós vamos abordar a fé? Através dos parâmetros da fé. Quais são os parâmetros da fé? Abraão e Maria. Se nós quisermos saber o que é ter fé, [devemos] olhar para Abraão e olhar para Maria: ‘Bem aventurada és tu, porque acreditaste’. Esse é o segredo do catecismo. Ele vai dizer o que é a fé a partir da experiência pessoal de Abraão e de Maria. É por aí, nós não temos outro caminho para saber qual é a fé. Não é uma ideia, a fé é uma realidade, é uma experiência, é uma relação pessoal, então nós temos que partir dos parâmetros Abraão e Maria.” (49:07-50:40)

Muito interessante esse ponto, parece que eu estou ouvindo a voz de um modernista teólogo. E não é que eu estou mesmo? Vejamos o que a Pascendi fala sobre o modernista teólogo:

“O filósofo tem por certo de que as representações da fé são puramente simbólicas; o crente afirma que o objeto da fé é Deus em si mesmo; conclui pois o teólogo: logo as representações da realidade divina são simbólicas. Segue-se daqui o simbolismo teológico. São erros enormes deveras; e quanto sejam perniciosos vamos ver de um modo luminoso, observando-lhes as conseqüências. E para falarmos desde já do simbolismo, como os símbolos são: símbolos com relação ao objeto, e instrumentos com relação ao crente, dizem os modernistas que o crente, antes de tudo, não deve apegar-se demais à fórmula, que deve servir-lhe só no intuito de unir-se com a verdade absoluta, que a fórmula ao mesmo tempo revela e esconde; isto é, esforça-se por exprimi-la, sem jamais o conseguir. Querem, em segundo lugar, que o crente use de tais fórmulas tanto quanto lhe forem úteis, porquanto elas são dadas para auxílio e não para embaraço; salvo porém o respeito que, por motivos sociais, se deve às fórmulas pelo público magistério julgadas aptas para exprimir a consciência comum, e enquanto o mesmo magistério não julgar de outro modo.” (Pascendi, n. 44)

“Já alguma coisa ficou dito sobre a natureza e origem dos livros sagrados. Segundo a mente dos modernistas, bem se pode defini-los uma coleção de experiências [como as de Abraão e Marias, por exemplo], não por certo das que de ordinário qualquer pessoa adquire, mas das extraordinárias e das mais elevadas que se têm dado em uma qualquer religião. É precisamente isto que os modernistas ensinam dos nossos livros do Antigo e Novo Testamento.” (Pascendi, n. 49)

Além da audácia de introduzir o conceito de experiência modernista no Novo Catecismo (para que se tenha esta heresia como “doutrina segura”), Ratzinger vai além: juntamente com os modernistas do passado, despreza a eficácia das provas externas da Revelação (profecias, milagres etc.) e estabelece em seu lugar a experiência interna e pessoal. É evidente que isso implica que ele não considera mais os preâmbulos tradicionais como o bastante, sendo necessária a tal da experiência… o nome disso é modernismo.

“O conteúdo vem depois, o que vem antes é o ato de crer. É o que lembra a Porta Fidei. A Porta Fidei vai tão longe teologicamente que ela diz que o desejo de Deus é um preambulo da fé. Essa expressão preâmbulo da fé é uma expressão técnica em teologia, queria dizer as verdades que preparam a fé, a existência de Deus, a santidade da Igreja, isso aí é um preâmbulo da fé. O Porta Fidei diz não, mas espera aí não é tudo: antes disso o preâmbulo da fé é o desejo de Deus. Bento XVI diz pode ser considerado um preâmbulo da fé. Esse texto tecnicamente é muito importante, porque justamente ele transfere para o ato de crer as consequências teológicas que a teologia dogmática tirava do conteúdo da fé. Para um raciocínio teológico isso é um doce de coco.” (51:40-53:02)

É precisamente assim que o modernista crente entende a experiência religiosa. Recordemos o que disse São Pio X na Pascendi:

“Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir. Quanto estamos longe dos ensinamentos católicos! Já vimos essas idéias condenadas pelo Concílio Vaticano I.” (Pascendi, n. 36)

De fato, segundo a lógica de Ratzinger e dos modernistas em geral, todos são crentes, inclusive aqueles que não seguem a Jesus Crisito:

“Depois no número 151 [do Catecismo], que eu sintetizo, cito apenas uma frase: Para o cristão, então vejam bem: primeiro define a fé sem especificar que é do cristão, todo o homem de boa vontade que adere a Deus no íntimo do seu coração, adere ao sentido da vida no íntimo do seu coração, tem fé, é uma coisa extraordinária, não é o cristão que tem fé, todos os homens salvos por Jesus Cristo são chamados a acolher Deus no íntimo do seu coração, e esse acolhimento é a fé, a fé que justifica, a fé que santifica, então eu não sou um cristão anônimo, eu sou um homem não cristão, é por lá que eu me santifico.

“Então isso é muito importante. Esse número 150 aí é fundamental. No caso do cristão, o que é que especifica o cristão? Não é a fé. Para o cristão crer em Deus é crer inseparavelmente naquele que Deus enviou, no seu Filho muito amado, em quem ele pôs todas as suas complacências. A minha fé é cristã porque eu não só creio em Deus, mas eu creio em Jesus. Não é possível acreditar em Jesus sem ter parte no seu Espírito, é o Espírito Santo quem revela aos homens quem é Jesus, Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus. Só Deus conhece inteiramente Deus.” (53:03-55:06)

Em suma, todos têm a sua experiência religiosa, o cristão tem a sua experiência a partir de Cristo, o maometano a partir de Maomé, o budista a partir de Buda e assim sucessivamente. Essa experiência religiosa nasce do contato da consciência com a realidade divina, ela não é a mera aceitação de dogmas, mas sim a utilização, confirmação e construção de dogmas a partir dessa experiência. A Bíblia mesma pode ser entendida como uma coleção de experiências vividas por pessoas muito especiais, pessoas que nós mesmos utilizamos como um parâmetro para as nossas experiências pessoais com Deus.

VI. NOVA EVANGELIZAÇÃO: MODERNISMO EM DOSE DUPLA

É esse pensamento modernista, muito caro ao protestantismo e seu parente próximo o carismatismo, que a nova evangelização veio consolidar nos ambientes à sombra do Vaticano II:

“O que é a experiência? É o ato de crer. Eu experimento a realidade de Deus na minha vida e por isso eu creio. A fé é resposta ao dom de Deus experimentado no íntimo do coração. Basta cada um de vocês olhar para a sua própria experiência. E a Renovação, por exemplo, que dá bastante importância a experiência, tem uma força que você não pode negar, são homens e mulheres que passam a viver a partir da experiência. A nossa vida é construída a partir da nossa experiência, também a nossa teologia e a teologia é a vida da fé. Então se a vida é construída a partir da experiencia, também o conhecimento de Deus é feito a partir da experiência. Isso que é o ponto fundamental. A nova evangelização é a valorização da experiência na construção da vida de fé.” (36:28-37:36)

“Esse acreditar é um ato da inteligência, mas não é um ato de pensamento só. É um ato da inteligência que comanda a vida e a fé só se consolida na medida em que nós vivemos de fé. A Igreja não é uma academia, o cristianismo não é uma filosofia, o cristianismo é uma opção de vida de relação pessoal com Deus.” (56:58-57:24)

Nós que ouvimos São Pio X sabemos aonde esta experiência religiosa vai dar, ela vai terminar no ateísmo. No curto prazo, ela vai gerar uma crise de fé sem precedentes que, aliás, já temos diante dos olhos por causa do Vaticano II. Mas os modernistas não têm e jamais terão a humildade de reconhecê-lo, no seu ódio ao dogma, eles continuarão pensando que o melhor remédio é justamente ser cada vez mais protestante, imitar cada vez mais as seitas heréticas:

“Se você analisa esses quatro parágrafos do cenário religioso, você percebe o seguinte: é um cenário de inércia. A Igreja está inerte no dogma e na maneira de dizer a fé. Se você acentua a importância do ato de crer, você tem que sacudir essa inércia. A nossa catequese, as nossas homilias não funcionam mais, porque elas são inertes, elas são vinculadas a uma expressão do passado, a uma expressão atrasada, você precisa tirar a poeira, revivificar. Como é que você vai revivificar a pregação, a catequese? Você vai revivificar acentuando a base que é o ato de fé. Visando diretamente o que é o ato de fé, valorizando o anúncio do Evangelho, você vai mudar profundamente a maneira de pensar dos próprios cristãos.” (43:49-45:03 )

Ninguém dúvida que se vai mudar profundamente a maneira de pensar dos cristãos. Eles já não vão pensar como São Tomás Aquino e São Pio X, mas vão pensar como Martinho Lutero e Bento XVI.

“Hoje o mundo está a busca de espiritualidade, a busca de sentido, a busca do sagrado, as seitas crescem porque oferecem um sagrado acessível, ao passo que a Igreja Católica fica marcada por ritos que não tem mais significação. O aspecto positivo e o aspecto negativo do cenário religioso.” (45:08-45:37)

Na verdade, essa afirmação é bastante cínica.

As seitas crescem porque, por um lado, o Concílio Vaticano II aboliu sistematicamente todos os obstáculos ao proselitismo protestante, todos sabem que a liberdade religiosa colocou todas as seitas em pé da igualdade no âmbito civil, inclusive em países como Espanha e Colômbia, onde a religião católica era oficialmente protegida pelo Estado e as seitas eram – Deo gratias! – impedidas de espalhar suas falsas doutrinas; no âmbito religioso, foram postas em pé de igualdade mediante o ecumenismo que levanta as excomunhões do passado para tratar todas essas seitas como irmãs e dignas do nome cristão. Por outro lado, elas crescem pela sistemática destruição da catequese tradicional, o Catecismo Holandês que o diga, onde o que erroneamente recebe esse nome não passa de um discurso antropocêntrico que tudo permite e nada obriga. Já fazem mais de cinquenta anos que os católicos não recebem a fé dogmática, a fé divina e católica que antes recebiam nas aulas de catecismo.

Essa é uma verdade tão certa que o próprio Cardeal Piacenza, no sermão referido antes pelo Padre Catão, vê-se obrigado a admiti-la:

“A quase cinquenta anos depois do Concílio Ecumênico Vaticano II, devemos reconhecer como a própria vida moral, tanto dentro como fora da Igreja, tem sido terrivelmente enfraquecida pela insuficiente catequese, por uma educação incapaz, talvez, de dar as razões das demandas do Evangelho e mostrar, na experiência existencial concreta, como elas são extraordinariamente humanizadoras. Tudo isso certamente não por causa do ConCÍLIO!” (Cardeal Piacenza, Convegno internazionale sulla catechesi promosso dalla CCEE, Iniziazione cristiana e nuova Evangelizzazione (http://www.cism.milano.it/wp-content/uploads/2012/05/120508-CardPiacenza-Catechesi.pdf), 8 mai. 2012, p. 2)

Como bem se vê, os modernistas estão até dispostos a reconhecer aqui e ali o seu fracasso, mas unicamente para ter mais um motivo para repeti-lo em dose aumentada. É assim que o fracasso de uma catequese centrada na experiência, existencialista e antropocêntrica, deve ser remediado com uma catequese ainda mais centrada na experiência, mais existencialista e mais antropocêntrica. É assim que o fracasso da experiência religiosa deve ser remediado com mais experiência religiosa. É ou não é verdade que essa estratégia modernista desafia as regras da lógica e já há muito ultrapassou os limites do bom senso?

CONCLUSÃO

Enquanto os modernistas permanecem assassinando almas nos seus templos, enquanto eles continuam levando o povo ao protestantismo e ao ateísmo, nós seguimos o conselho de Sua Santidade o Papa São Pio X, evitando e repudiando o veneno modernista.

Se você tem a intenção de preservar a fé católica, de mantê-la naquele sentido dogmático e imutável conforme o Concílio de Trento, o Concílio Vaticano I e o Papa São Pio X, então você já sabe que deve por necessidade repudiar o Vaticano II, o Novo Catecismo e a Nova Evangelização de Bento XVI. Tratam-se de dois conceitos de fé diametralmente opostos, diversos em sua origem e também diversos nas suas consequências.

Afaste-se, portanto, da armadilha modernista, que anualmente arrasta milhares de pessoas para as seitas e que aconselha milhares de pessoas a viverem uma experiência religiosa a la Martinho Lutero; junte-se aos católicos fiéis à doutrina de sempre, aos católicos que repudiam as heresias do Vaticano II e se opõem firmemente àqueles que as promovem contra as Escrituras, a Tradição e o Magistério da Igreja Católica Apostólica Romana.

Lembre-se ainda que o dizemos para o seu próprio bem. Como dizia São Pio X, os modernistas são uma companhia muito perigosa “e tanto o método como as doutrinas [dos modernistas] estão cheios de erros, capazes só de destruir e não de edificar, não de formar católicos, mas de arrastar os católicos à heresia, mais ainda, à completa destruição de toda religião!” (Pascendi, n. 78)

“Se, pois, de uma só vista de olhos atentarmos para todo o sistema, a ninguém causará pasmo ouvir-Nos defini-lo, afirmando ser ele a síntese de todas as heresias. Certo é que se alguém se propusesse juntar, por assim dizer, o destilado de todos os erros, que a respeito da fé têm sido até hoje levantados, nunca poderia chegar a resultado mais completo do que alcançaram os modernistas. Tão longe se adiantaram eles, como já o notamos, que destruíram não só o catolicismo, mas qualquer outra religião. Com isto se explicam os aplausos do racionalistas; por isto aqueles dentre os racionalistas que falam mais clara e abertamente, se vangloriam de não ter aliados mais efetivos que os modernistas.” (Pascendi, n. 80)