Resposta católica à apostasia de João Paulo II

RESPOSTA CATÓLICA À APOSTASIA DE JOÃO PAULO II

Por S. Ex.ª Revma. Mons. Daniel L. Dolan
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Conferência proferida em St-Maurice, Bretanha (França), 13 de agosto de 2000.

É PARA MIM ALEGRIA SINGULAR vir a França nesta grande festa da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria a convite do Padre Guépin. A Assunção é a maior de todas as festas da Ss, Virgem e é em França que este esplêndido triunfo de Nossa Senhora é celebrado com a maior solenidade, pois como sabeis, vosso Rei, Luís XIII, fez deste dia festa nacional em França e chamou por uma dedicação anual de França a Nossa Senhora. A piedade e a devoção do francês a Bem-Aventurada Virgem Maria é bem conhecida pelo mundo inteiro.

Mas vós bem sabeis que nossa alegria é temperada pela tristeza que devemos suportar todos os dias devido a crise na Igreja Católica. Temos já suportado esta tristeza por trinta e cinco anos e nós nos perguntamos: “Domine, usquequo? / Senhor, até quando?”

O que engrandece imensamente nossa tristeza durante esses tempos é o fracasso dos fiéis católicos em organizar um fronte unido e consistente contra o inimigo. Quando olhamos para a resistência católica, quão perturbados ficamos ao ver sua falta de unidade. O que é ainda mais inquietante é que a maioria dos que resistem não reconhecem o inimigo como inimigo, mas como a própria autoridade de Cristo. Assim, tratando os modernistas como a verdadeira autoridade de Cristo e sua Igreja, eles tem se submetido ao jugo dos modernistas, como no caso da Fraternidade São Pedro, ou desejam estar em comunhão com os modernistas, para sujeitar-se a eles e trabalhar com eles, como no caso da Fraternidade São Pio X.

Percebo, pois, que minha missão como bispo consiste em alertar os católicos para a resposta verdadeiramente católica à presente crise na Igreja. Ademais, espero conquistar jovens para o sacerdócio que sejam formados de maneira integralmente católica e que não respondam à apostasia de João Paulo II com um espírito de cisma.

Existem dois tópicos que tratarei hoje: primeiro, a apostasia de João Paulo II e suas consequências teológicas; e segundo, a resposta verdadeiramente católica a essa apostasia.

A APOSTASIA DE JOÃO PAULO II

Observai que não escolhi a palavra heresia, mas antes apostasia. Os erros de João Paulo II verdadeiramente constituem uma apostasia e não meramente uma heresia.

Heresia é duvidar ou negar uma verdade particular da fé, ou talvez algumas verdades da fé, e.g. a divindade de Cristo, a presença real de Cristo na Santa Eucaristia, o nascimento da Virgem etc. Provavelmente estais familiarizados com os nomes de alguns hereges bem-conhecidos da história: Ario, Lutero, Calvino.

Apostasia, por outro lado, é rejeitar completamente a fé cristã. Por exemplo, o imperador do quarto século, Juliano, rejeitou totalmente a fé e se tornou um apóstata, abraçando o culto dos deuses pagãos de Roma. Ele é conhecido como Juliano, o Apóstata.

Então, por que uso esta palavra forte com João Paulo II, que professa ser um católico e que mesmo de tempos em tempos diz coisas pias e edificantes?

É porque ele não crê em quaisquer artigos de fé que ele professa crer. Ele não adere a eles, pois para ele essas verdades sagradas não excluem o que é oposto a elas. O que contradiz essas verdades não é falso para ele.

Por que ele não as tem por falsas? Porque primeiro e sobretudo, João Paulo II é um ecumenista, e não um católico. Um ecumenista é alguém que crê que todas as religiões contém uma certa medida de verdade, algumas mais, outras menos, e que elas, portanto, possuem certo valor. Todas as religiões para o ecumenista são verdadeiras religiões. Algumas são apenas melhores do que outras.

O máximo que eles concedem à Igreja Católica é que ela possui a “plenitude da verdade”, enquanto as outras possuem uma “verdade parcial”. Mas quando eles falam sobre a Igreja Católica, estão eles falando da Igreja Católica como nós a entendemos? Não, eles estão se referindo a esse catolicismo reformado, essa nova religião do Vaticano II, uma caricatura grotesca da verdadeira fé.

Eles também distinguem entre “A Igreja” e a “Igreja Católica”. “A Igreja” para eles é a humanidade, porque, como o Vaticano II disse na Gaudium et Spes, Cristo se uniu de algum modo com todo homem por causa de sua Encarnação:

“Já que, n’Ele, a natureza humana foi assumida, e não destruída, por isso mesmo também em nós foi ela elevada a sublime dignidade. Porque, pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem” (Gaudium et Spes, no. 22)

João Paulo II o repetiu em sua primeira encíclica e realmente tem feito dela um tema central de sua doutrina. Ouçamos alguns outros textos de João Paulo II. Falando por ocasião do dia pancristão ecumênico de Assis (27 de outubro de 1986), ele declara que:

“Tal dia parece exprimir, de maneira visível, a oculta, mas radical unidade que o Verbo estabeleceu entre homens e mulheres deste mundo… o fato de termos nos reunido em Assis é como um sinal da profunda unidade daqueles que buscam valores espirituais na religião… O Concílio fez uma ligação entre a identidade e a unidade da raça humana.” (Lumen Gentium 1 e 9; Gaudium et Spes 42)

Em consequência, cada homem, na medida em que já está unido a Cristo pela simples virtude de sua Encarnação, é um membro da Igreja de Cristo. A Igreja de Cristo não é outra coisa que toda a raça humana sem qualquer exceção. No mesmo discurso, ele continua esse tema explicando que a ordem divina das coisas é a unidade de todos os homens que procuram valores religiosos. As diferenças de fé e moral que existem entre as várias religiões são efeitos dos seres humanos que corromperam a ordem divina. Assim o objetivo para João Paulo |II é fazer as diferenças religiosas desaparecerem e fazer a ordem divina – que é a ordem panteística – prevalecer. Citemos o seu discurso:

“As diferenças religiosas se revelam como pertencentes a uma outra ordem. Se a ordem da unidade é divina, as diferenças religiosas são do fazer humano e devem ser superadas no processo rumo a realização do grandioso desígnio da unidade que preside a criação. É possível que os homens não estejam conscientes de sua radical unidade de origem e sua inserção no mesmo plano divino. Mas apesar de tais divisões, eles estão inclusos no grande e singular desígnio de Deus em Jesus Cristo, que uniu-se de certo modo a cada homem (Gaudium et Spes, 22), mesmo que ele não esteja consciente.”

Dessas palavras percebemos a apostasia de João Paulo II: todo homem pertence a um Cristo panteísta que está unido a cada homem, quer ele saiba ou não, em virtude de sua Encarnação.

Ouçamos mais uma vez a João Paulo II:

“Todos os homens são chamados a esta unidade católica do povo de Deus, a esta unidade pertencem, de diversos modos, os fiéis católicos e aqueles que olham com fé para Cristo a finalmente todo homem sem exceção.”

Essas palavras de João Paulo II nos dão a chave para a compreensão do enigma deste homem: por um lado professa as verdades da Fé Católica, recita o Credo Católico, mas, por outro lado, professa ao mesmo tempo um repúdio completo da Fé por atos abomináveis contra o Primeiro Mandamento.

João Paulo II vê o valor e utilidade da Fé Católica e do Credo Católico como um instrumento para a união da humanidade, não de fato para conduzi-la ao verdadeiro Salvador, mas ao seu Cristo panteísta que abraça todos os homens apesar de suas diferenças religiosas. Ele tem, em suma, criado uma Igreja sem dogmas que procura unir a humanidade sob um Cristo sem dogmas. Por que a Igreja Católica é tão útil para este fim, transformada como ela foi pelo Vaticano II, João Paulo II professa muitas doutrinas católicas. Mas ele adere a essas doutrinas com a certeza e firmeza da fé divina? De jeito nenhum! Pois qualquer pessoa que tenha verdadeiramente a Fé Católica não poderia:

  • Beijar o Corão, a Bíblia Maometana.
  • Dizer que todos os homens estão unidos a Cristo unicamente em virtude da Encarnação [1].
  • Dizer que todos os homens estão salvos [2].
  • Dizer que a Igreja Una Santa Católica e Apostólica do Credo está presente, em todos os seus elementos essenciais, em seitas não católicas. [3]
  • Dizer que a Igreja Católica está em comunhão com seitas não católicas. [4]
  • Dizer que a Igreja Católica é incapaz de dar credibilidade ao Evangelho, a não ser que ocorra a “reunião dos cristãos” [5]
  • dizer que a Igreja Católica compartilha uma fé apostólica comum com as seitas não católicas. [6]
  • Dizer que seitas não católicas possuem uma missão apostólica. [7]
  • Dizer que o Espírito Santo usa as seitas não católicas como meios de salvação. [8]
  • Dizer que é divinamente revelado que o homem tem o direito a verdade religiosa e liberdade de consciência. [9]
  • Dizer que uma sociedade bem ordenada é aquela em que todas as religiões são dadas livre curso para a sua prática, proselitismo e propaganda. [10]
  • Dizer que a descida de Nosso Senhor aos infernos simplesmente significa que ele foi sepultado. [11]
  • Participar em todas as formas de culto não católicos, incluindo aqueles com luteranos, judeus, indus, índios americanos, polinésios, apenas para mencionar alguns;
  • Louvar a religião do vudu;
  • Admitir a abominação de Assis, na qual uma estátua de ouro de Buda foi colocada sobre um altar e incensada por um sacerdote budista;
  • Permitir as abominações ecumênicas contidas no Diretório Ecumênico.
  • Aprovar o sacrilégio do Santíssimo Sacramento permitindo sua recepção por não católicos.
  • Sustentar e ensinar uma noção blasfema e herética de Igreja, segundo a qual a Igreja de Cristo não é exatamente a mesma coisa que a Igreja Católica, mas meramente subsiste nela. Essa doutrina herética foi ensinada pelo Vaticano II na Lumen Gentium e seu significado herético tem sido sustentado por João Paulo II muitas vezes, particularmente no Diretório Ecumênico.
  • Dizer que muçulmanos e católicos adoram o mesmo Deus. [12]
  • Dar aprovação pública a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, que contém muitas heresias explicitas e contradiz totalmente o ensinamento solene do Concílio de Trento sobre a justificação.

Essas são apenas algumas heresias de João Paulo II. Nunca devemos nos esquecer que alguém pode manifestar e aderir a heresia não somente pela palavra, mas também pelas obras. Assim esses vários atos ecumênicos que são uma afronta ao Deus uno e verdadeiro são manifestações de uma adesão interior à heresia.

Todos esses erros e heresias são sustentados e ensinados por João Paulo II em nome do ecumenismo. É este ecumenismo a apostasia de João Paulo II. O ecumenismo é apostasia, porque reduz todos os dogmas da Fé Católica à relatividade. No sistema ecumênico, todas as religiões são vistas como tendo certas partes de verdade e todas as religiões são vistas como em posse de certo valor. Por esta razão, João Paulo II frequentemente repetiu a heresia do Vaticano II: que o Espírito Santo não hesita em fazer uso de religiões não católicas como meios de salvação.

Porém, tratar os dogmas da Igreja Católica de tal maneira é destituí-los de todo seu valor. O ecumenista abandona todos os dogmas de Igreja Católica, uma vez que ele não dá o assentimento da fé a nenhum deles.

A fé é uma adesão ao dogma baseada na autoridade de Deus que revela. Logo, o que cremos pela virtude da fé é absoluto e imutável. Os mártires professaram sua adesão a esses dogmas imutáveis dando suas vidas, às vezes tendo de suportar torturas atrozes. Assim a virtude da fé não pode tolerar o ecumenismo. O ecumenismo é diretamente contrário ao assentimento da fé, ele é, pois, uma grave violação do Primeiro Mandamento da Lei de Deus: Eu sou o Senhor teu Deus, não terás deuses estranhos perante mim.

O ecumenista, deve-se recordar, está construindo a grande religião ecumênica, um grande templo ecumênico, em que todas as religiões são capazes de coexistir, não importa quais sejam suas crenças internas, desde que nenhuma delas sustente que suas crenças são absolutamente verdadeiras e excludentes das crenças que se lhes opõem.

Este fato explica por que João Paulo II ocasionalmente fala sobre a doutrina católica: para ele isto é falar sobre os nossos assuntos internos, nossa experiência religiosa, nossos dogmas. Mas para ele esses dogmas são mantidos e ensinados no contexto do ecumenismo, isto é, onde eles são destituídos de todo sentido absoluto.

Isso poderia ser comparado a cozinha local das várias regiões de França: cada região tem seus próprios pratos, seus próprios vinhos, seus próprios queijos. Elas são boas em si mesmas, e a cozinha de uma religião não exclui as especiarias de outras regiões.

João Paulo II vê as religiões de modo semelhante. Todas as religião são o efeito da obra de Deus na alma; todas as religiões possuem certa verdade. É a missão da Igreja apagar as divisões entre as várias religiões, e trazer os homens para uma grande religião universal sem, no entanto, eliminar a legítima diversidade dos dogmas.

Isso é apostasia. Sabemos disso não a partir de nosso juízo privado, mas a partir do ensinamento da Igreja Católica. O Papa Pio XI em sua encíclica Mortalium Animos, referindo-se aos congressos ecumênicos, disse:

“Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império. Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.” (Papa Pio IX, Mortalium Animos, nn. 2-3, 6 jan. 1928)

AS CONSEQUÊNCIAS DA APOSTASIA DE JOÃO PAULO II

É óbvio que a apostasia, que é o pior pecado contra a fé, tem terríveis consequências na Igreja, que é uma organização fundada sobre a fé. Nosso “bilhete” de entrada na Igreja Católica é a profissão da verdadeira fé. No Batismo, antes mesmo de entrar no edifício da Igreja, o sacerdote pergunta: “O que pedes a Igreja de Deus?” A resposta é: “a Fé”. Sem a profissão da fé, o sacerdote não consentiria em nos admitir na Igreja.

Assim a perda da fé, quer seja por heresia ou apostasia, tem a consequência imediata e automática de nos separar da Igreja Católica. Para que isso ocorra, porém, nossa heresia ou apostasia deve ser pertinaz. Nossa heresia e apostasia é pertinaz se nós sabidamente e voluntariamente nos opomos ao ensinamento da Igreja Católica. O único fator que desculpa o herege da pertinacidade é a ignorância do fato de que a doutrina que ele professa é contrária ao ensinamento da Igreja Católica.

João Paulo II pode ser desculpado por ignorância? Claro que não. Seria absurdo dizer que um homem com tamanha educação na Fé pré-Vaticano II pudesse ignorar o ensinamento da Igreja Católica. Enquanto podemos conceber a ignorância da parte de um simples leigo, é impossível conceber a ignorância da parte de um ex-professor de seminário como João Paulo II, que possui um Doutorado na Universidade Angelicum. Se a ignorância fosse possível em um tal homem, então quem porventura poderia ser culpado de heresia ou apostasia?

Asseguramo-nos da pertinacidade de João Paulo II quando consideramos que no curso de sua ocupação do Vaticano por mais de vinte anos, reinou a destruição da fé em todas as instituições da Igreja. Se ele não fosse pertinaz, ele ao menos estaria horrorizado por esta perda da fé e tomaria medidas conta ela. Os únicos passos que ele tomou, porém, são contra a preservação da fé tradicional e estes ele tomou muito vigorosamente e com particular severidade.

I. Separação da Igreja e Perda de Autoridade

Assim a primeira consequência da apostasia de João Paulo II é sua separação da Igreja Católica.

A conclusão óbvia que emana diretamente da natureza da Fé Católica e da Igreja Católica é que João Paulo II não é e realmente não pode ser um verdadeiro Romano Pontífice. Pois não é preciso dizer que não se pode ser cabeça de alguma coisa da qual não se é sequer um membro.

O problema que enfrentamos é que sua separação da Igreja Católica e assim seu não papado não tem sido legalmente declarado. Se um concílio geral ou um conclave declarasse a sua apostasia e as suas consequências, a crise da Igreja de repente cessaria. A confusão acabaria. Ele estaria na mesma posição que Martinho Lutero. Mas o problema agonizante que enfrentamos é que falta essa declaração legal e ele portanto tem as aparências de ser um verdadeiro papa, enquanto adere e promulga uma falsa religião. Não há nada que acompanhe o papado melhor do que a fé verdadeira, e não existe nada que se oponha mais ao papado do que a profissão e promulgação de uma falsa religião. A autoridade do papado foi dada por Cristo a Igreja para confirmar-nos na verdade revelada. Assim, não há maior perversão de autoridade do que nos confirmar na apostasia.

II. Promulgação de Apostasia como Regra da Fé e da Disciplina

A segunda consequência da apostasia de João Paulo II é ainda mais importante. Devemos assinalar que João Paulo II não caiu unicamente no pecado pessoal de heresia e apostasia, mas o que é infinitamente mais pernicioso, ele promulgou sua apostasia como uma regra de fé e disciplina da Igreja Católica Romana.

João Paulo II, numa palavra, requer que todos os católicos se tornem apostatas ecumênicos juntamente com ele.

Isso é mais importante, pois essa tentativa de alterar a fé e a disciplina da Igreja Católica toca na indefectibilidade da Igreja e sua constante assistência pelo Cristo nos séculos. “Eu estarei convosco até a consumação dos séculos.”

Assim, Paulo VI e seus sucessores promulgaram as falsas doutrinas do Vaticano II e suas subsequente falsa liturgia e disciplinas.

Podemos dizer que essas falsas doutrinas, essa falsa liturgia e essas falsas disciplinas nos são dadas pela autoridade de Cristo?

Podemos admitir que a Igreja Católica tenha autorizado a promulgação universal e o uso de tais coisas?

Absolutamente não. Pois se associamos toda essa destruição com a Igreja Católica e consequentemente com a autoridade de Cristo, então como poderemos dizer que a Igreja é indefectível? Como dizer que ela está sendo assistida por Cristo?

Uma vez que somos obrigados pela fé a não afirmar tais blasfêmias sobre Cristo e sua Igreja, somos obrigados a concluir que de algum modo as pessoas que promulgaram essas coisas não possuem a autoridade de Cristo e da Igreja. A conclusão é óbvia: a fé que temos na assistência divina da Igreja nos compele a dizer que é impossível que Paulo VI, João Paulo I ou João Paulo II sejam verdadeiros papas católicos.

A RESPOSTA CATÓLICA

Em resumo, a resposta católica à apostasia de João Paulo II é clara: ele não pode ser um papa verdadeiro. Isso é claro sob dois aspectos e por dois argumentos distintos:

(1) pela sua queda pública e pessoal da verdadeira fé, que o coloca fora da Igreja;

(2) pela promulgação de falsas doutrinas, liturgia e disciplinas, que provam que ele carece da assistência de Cristo prometida à verdadeira autoridade da Igreja.

RESPOSTAS NÃO CATÓLICAS

I. A Fraternidade São Pedro e os seguidores do Indulto

A Fraternidade São Pedro e aqueles que que seguem o Indulto aceita a hierarquia Novus Ordo como a hierarquia católica, e aceita o Vaticano II e todas as reformas oficiais feitas em consequência do Vaticano II. Eles obtiveram da parte dos modernistas o direito de manter a Missa de João XXIII e operar um seminário e instituto de acordo com linhas mais ou menos pré-Vaticano II. Sua solução, então, consiste em aderir à tradição sob os auspícios e em obediência à hierarquia Novus Ordo. Sua adesão à tradição, portanto, não é tida como uma defesa da Fé contra os modernistas, mas antes como uma preferência, algo similar a ala conservadora da comunhão anglicana.

Do que se disse acima, vemos que essa nem sequer é uma solução. Posto que eles aceitaram o Novus Ordo como católico, eles reduziram sua adesão à tradição a uma mera nostalgia. Eles se tornaram uma ala conservadora dentro da religião ecumênica de João Paulo II, uma religião que também admite o vudu, o culto de Shiva, de Buda e o louvor a heresiarcas tais como Martinho Lutero.

Mas uma coisa deve ser dita em favor daqueles que seguem a Fraternidade São Pedro: Eles são pelo menos consistentes e lógicos em seu pensamento, na medida que eles veem que não se pode aceitar João Paulo II como papa e ao mesmo tempo ignorar sua autoridade doutrinal e disciplinar. Mas é absolutamente deplorável que essas pessoas tenham se cegado ao ponto de estarem em comunhão, isto é, serem correligionários dos modernistas, aqueles que São Pio X disse que deveriam ser combatidos com os punhos.

II. A Fraternidade São Pio X e outras

A resposta da Fraternidade São Pio X tem sido opor-se à apostasia de João Paulo II com o espírito de cisma. Muitas outras seguem por um caminho semelhante.

A solução lefebvrista, enunciada simplesmente, é esta: reconhecer a autoridade de João Paulo II, mas não segui-lo em seus erros. O Arcebispo Lefebvre insistiu que todos dentro da Fraternidade São Pio X considerassem João Paulo II como papa e expulsou da Fraternidade todos que publicamente sustentassem que ele não o fosse. Ele sempre tratou com os modernistas romanos como se eles tivessem autoridade, procurando a aprovação deles para a sua Fraternidade. Ele via como uma solução para a crise modernista um movimento tradicional popular que clamasse, em cada diocese, por padres tradicionais e rejeitasse os modernistas. Ele supôs que a solução sedevacantista sufocaria esse movimento popular, já que ele pensava que dizer que João Paulo II não era papa lançaria um fardo demasiado pesado sobre as costas do católico mediano.

Ao óbvio problema da obediência colocado pela sua posição, o Arcebispo Lefebvre respondia que nenhuma autoridade, inclusive aquela do papa, teria o direito de nos dizer para fazer algo de errado. Mas o Novus Ordo é errado. Logo, o papa não pode nos obrigar a aceitar o Novus Ordo. Esse raciocínio trouxe a necessidade de peneirar o Novus Ordo com o Catolicismo. Como um homem garimpa os fragmentos de ouro escondidos em meio a lama, assim o católico teria de peneirar o magistério de Paulo VI e João Paulo II e ficar com a verdadeira fé. O que quer que fosse tradicional seria aceito, o que fosse modernista seria rejeitado. E como o Arcebispo Lefebvre foi um dos mais proeminentes aderentes da tradição, a sua palavra se tornou a regra próxima da fé e logrou a obediência de milhares de padres e dezenas de milhares de católicos. Assim a suposta autoridade da João Paulo II não foi o suficiente para mover as mentes e vontades dos católicos fiéis a tradição, mas tinha de ser ampliada pela aprovação do Arcebispo Lefebvre. Esse papel de perneira adquirido pela Fraternidade foi zelosamente mantido e qualquer um que ousasse ignorá-lo era tido um como um subversivo e finalmente expulso.

A Fraternidade frequentemente usa a analogia do pai de família que pede para seus filhos fazerem alguma coisa errada. Os filhos em um tal caso devem desobedecer ao pai a fim de serem obedientes a lei superior de Deus. Mas ao mesmo tempo o pai sempre permanece sendo o pai. Do meso modo, eles afirmam, o Papa é o nosso pai e ele está nos pedindo para fazer alguma coisa errada, isto é, o Vaticano II e suas reformas. Devemos desobedecer-lhe, eles dizem, pois isso é contrário a lei divina. Porém, ele continua sendo o nosso pai.

Infelizmente, essa analogia não se aplica. Primeiro, ser o pai natural de alguém nunca muda, pois está baseado em geração biológica. Mas ser o pai espiritual de alguém pode mudar, pois se baseia em geração espiritual. Logo, um papa poderia renunciar e já não seria o pai espiritual de católicos.

Mas ainda há um motivo ainda mais importante que rende o argumento falso. Se um papa desse a uma pessoa em particular uma ordem que fosse má (e.g. profanar um crucifixo), o argumento se aplicaria. Pois em tal caso o papa não estaria envolvendo toda a prática da Igreja e portanto não envolveria a indefectibilidade da mesma Igreja. Mas se ele fizesse uma lei geral para que todos os católicos profanassem crucifixos, então a própria indefectibilidade da Igreja estaria em jogo. Pois como poderia a Igreja de Cristo fazer tais leis? Isso não conduziria todas as almas para o inferno? O fato de João Paulo II ter feito leis que prescrevam ou mesmo permitam o mal é uma violação da indefectibilidade da Igreja.

Logo, o argumento da Fraternidade não pode ser aplicado à presente crise na Igreja.

Se João Paulo II é o papa, devemos obedecer-lhe. O fato mesmo de admitir a possibilidade de que um papa possa promulgar falsas doutrinas e decretar leis disciplinares universais que sejam más é por si uma heresia contra o ensinamento de que proclama que a Igreja Católica é infalível nessas matérias. É impossível que, seguindo os ensinamentos universais da Igreja ou suas disciplinas universais, você pudesse se desviar e ir para o inferno. Se isso fosse possível, teria que se concluir que a Igreja Católica Romana já não é a verdadeira Igreja, mas uma instituição humana como qualquer outra falsa igreja.

Além disso, peneirar os ensinamentos da Igreja é estabelecer-se como o papa, pois sua adesão a esses ensinamentos não estaria baseada na autoridade da Igreja, mas na sua própria “peneira” desses ensinamentos.

Um dos superiores de distrito da Fraternidade São Pio X escreveu uma carta desacreditando as reformas do Vaticano II: “Esse é o motivo pelo qual insistimos em reconhecer o Papado e a hierarquia apesar do fato de que nós não nos sentimos um como eles”. Esta sentença bem descreve sua posição, que combina duas coisas que são intrinsecamente incompatíveis, i.e., reconhecer João Paulo II, mas não ser um com ele.

É imediatamente evidente que sua posição envolve inescapáveis contradições do ponto de vista da eclesiologia católica. Em primeiro lugar, eles de algum modo veem o Vaticano II e suas reformas como católico e não católico e por essa razão eles “peneiram” os ensinamentos Novus Ordo e sua disciplina a fim de recolher dessa massa podre o que quer que venha a ser católico. Eles, portanto, associam o Novus Ordo com a Igreja Católica. Eles consideram a hierarquia Novus Ordo como tendo a autoridade de Cristo para ensinar, governar e santificar os fiéis. Mas ao mesmo tempo eles são excomungados por essa mesma autoridade, uma vez que eles agem como se ela não existisse, de modo que consagram bispos contra uma expressa ordem “papal”.

A posição lefebvrista é uma posição completamente inconsistente e faz em pedaços a indefectibilidade da Igreja, da Igreja Católica, uma vez que identifica com a Igreja Católica a defecção doutrinal e disciplinar do Vaticano II e suas subsequentes reformas. Nossa posição é a seguinte: o Vaticano II com suas reformas não é católico e, por conseguinte, aqueles que o promulgaram não podem ser detentores da autoridade católica. Se eles possuíssem verdadeira autoridade católica, eles teriam a assistência de Cristo e seriam incapazes de promulgar uma doutrina e uma disciplina deficiente em nome da Igreja Católica.

Os lefebvristas, porém, estão na posição impossível de resistir à autoridade da Igreja Católica em matérias de doutrina, disciplina e culto. Esses três domínios são o efeito das três funções essenciais da hierarquia da Igreja: a função de ensinar, governar e santificar. Essas funções são os fundamentos da tripla unidade da Igreja: a unidade da fé, a unidade de governo e a unidade de comunhão. Resistir à Igreja Católica nessas matérias é suicídio espiritual, uma vez que a adesão à Igreja Católica é necessária à salvação. Se é permitido resistir à Igreja em doutrina, disciplina e culto, então no que é que a Igreja deve ser obedecida? Qual é a autoridade de São Pedro, se ele pode ser ignorante nessas matérias?

Em suma, a Fraternidade São Pio X reconhece a autoridade de João Paulo II, mas ao mesmo tempo rejeita as prerrogativas de sua autoridade. Nessa última matéria eles infelizmente estão ligados aos galicanos, jansenistas e outras seitas de rito oriental que fazem exatamente a mesma coisa, isto é, que “filtram” as doutrinas e decretos dos Romanos Pontífices de acordo com a sua preferência.

Conforme essas seitas, o magistério não pode obrigar a menos que ele seja considerado conforme a Tradição. Os ensinamentos e decretos dos Pontífices Romanos seriam, portanto, sujeitos à revisão por parte dessas seitas, isto é, elas peneirariam os atos dos Papas. Os jansenistas em particular disseram que a fim de determinar se uma doutrina era tradicional ou não, um estudo histórico deveria ser feito. Isso é exatamente o que a Fraternidade diz: que os atos do m
agistério tem de ser rejeitados, se os católicos historicamente nunca acreditaram nessas coisas.

Mas quem é o árbitro da Tradição? Não é o magistério? O Papa não está investido da autoridade de Cristo? Certamente que sim. Então a doutrina jansenista de peneirar era meramente um mau disfarce do juízo privado protestante. A única diferença entre os protestantes e os jansenistas era que os últimos aplicavam seu juízo privado às Sagradas Escrituras, enquanto que os últimos aplicavam o juízo privado à Tradição. A posição da Fraternidade São Pio X concernente ao magistério e à tradição não difere de qualquer modo daquela dos jansenistas. Enquanto os protestantes defenderam o livre exame das Escrituras, a Fraternidade defende o livre exame do Denzinger. [13]

Assim, a Fraternidade abertamente se opôs à apostasia de João Paulo II não com uma resposta verdadeiramente católica, mas com a resposta do juízo privado, onde as doutrinas, decretos e disciplinas universais daquilo que eles tratam como a Igreja estão sujeitas ao seu escrutínio privado.

Quão oposto ao juízo privado é o espírito do Catolicismo! “Quem vos ouve a mim ouve”, disse Nosso Senhor. “Tudo o ligares na terra será ligado no céu”, Ele disse a São Pedro. A autoridade de Deus confiada a São Pedro por Nosso Senhor Jesus Cristo é o que faz a Igreja Católica ser o que ela é. A atitude da Fraternidade São Pio X reduz a missão apostólica da Igreja confiada a São Pedro, a alguma coisa pouco mais que algo acidental. Mas é esta mesma autoridade, e a legítima posse e transmissão da mesma, que faz da Igreja Católica realmente Católica. Essa é a forma, o espírito da Igreja Católica, isto é, aquilo pelo qual ela é o que ela é. Nada poderia ser mais substancial à Igreja Católica do que essa autoridade.

Ademais, deve assinalar-se que exercer p seu poder de ordenar ministros sem a aprovação da hierarquia da Igreja Católica é um pecado mortal gravíssimo, e é cismático quando feito de modo permanente e sistemático. Nós justificamos nosso apostolado pelo princípio de epichéia. Por este princípio presumimos que a autoridade da Igreja, um verdadeiro papa, se estivesse presente, desejaria que disséssemos a Missa e distribuíssemos os Sacramentos. Sabemos que nossa presunção é razoável, uma vez que os fiéis não teriam verdadeira Missa e Sacramentos de outro modo. Só se pode invocar o princípio de epichéia quando o legislador está ausente. Usar esse princípio contra um papa reinante, que possui jurisdição sobre os Sacramentos, faz uma bagunça em toda a Igreja Católica. É afundar-se no protestantismo, onde cada ministro recebe seu poder “diretamente de Deus”. Para que uma hierarquia, para que jurisdição, se todos podem decidir que possuem o direito de exercer suas ordens sob a suposição de que a Igreja a supre diretamente? Num tal caso, a hierarquia seria puramente acidental e cada padre individual, como ministros protestantes, poderiam manter o seu próprio apostolado.

O espírito de cisma na Fraternidade São Pio X fica evidente pelo oferecimento da Missa una cum. Pois ou João Paulo II é papa, ou ele não é. Se João Paulo II é papa, então a Missa una cum da Fraternidade é cismática, uma vez que é dita fora e contra a sua autoridade. É altar contra altar, pois suas Missas são desautorizadas pelo Romano Pontífice. Mas se ele não é o papa, então sua Missa una cum também é cismática, uma vez que é oferecida fora da Igreja, em união com um falso papa.

Em outras palavras, ou o altar do padre tradicional é o verdadeiro altar de Deus, ou o altar de João Paulo II é o verdadeiro altar de Deus. Porque o padre tradicional ergue seu altar e mantém seu apostolado contra o apostolado Novus Ordo — que é o de João Paulo II — é óbvio que ambos altares não podem ser ao mesmo tempo legitimamente católicos e que ambos apostolados não podem ser ao mesmo tempo apostolados católicos. Cristo não poderia autorizar tanto o altar Novus Ordo quanto o altar tradicional. Um é legítimo, o outro é ilegítimo.

Porque dizemos que nosso altar é legítimo, somos logicamente obrigados a dizer que o altar Novus Ordo, e assim seu sacerdócio e apostolado, são ilegítimos.

Mas se o sacerdote se une ao altar ilegítimo, ao sacerdócio e ao apostolado de João Paulo II e do Novus Ordo, então ele faz de seu próprio altar, seu próprio sacerdócio e seu próprio apostolado ilegítimos e portanto cismáticos.

Assim enquanto penso que aqueles que estão envolvidos no grupo lefebvrista sejam de boa vontade e desejem o bem da Igreja de coração, eles estão, contudo, trabalhando sob o espírito de cisma. Sua política de peneiragem do magistério é realmente herética.

Se eles caíram nesses erros, isso é por falta de bom treinamento. Como seminaristas eles se apresentaram na Fraternidade e, não sabendo nada além, foram imbuídos com esses erros durante os anos de seminário. Estou certo que se eles tivessem sido treinados corretamente, eles não adeririam a esses erros. Estou assinalando seus erros, graves como são, não a fim de atacar-lhes pessoalmente, ou pôr em questão as suas intenções, mas em sinal de respeito pela verdade. Estou certo de que eles amam a verdade também, e é minha sincera esperança que eles ouçam essas críticas com o mesmo espírito de caridade com o qual elas lhes são dadas.

CONCLUSÃO

Como um bispo, estou profundamente preocupado com a má influência da Fraternidade São Pio X. Em vez de elaborar uma resposta católica para a apostasia de João Paulo II, eles tem plantado as sementes do espírito de cisma dentro de muitas, muitas almas. Os jovens formados na Fraternidade terão uma ideia completamente distorcida do que é a autoridade católica, do que a autoridade do Romano Pontífice realmente é. Talvez eles nunca saberão da santa e profunda reverência que os católicos sempre tiveram pela mais augusta autoridade confiada aos homens. É a nossa fé católica nesta autoridade que nos compele a dizer que os autores do Novos Ordo não poderiam possui-la.

Como seria formidável se os católicos pudessem formar um fronte unido contra os modernistas! Se todos nós disséssemos com uma só voz que a defecção do Vaticano II não vem da autoridade de Cristo! Essa seria uma poderosa profissão de fé entre os católicos. Em vez disso, a grande maioria dos católicos tem agido como uma ala conservadora de anglicanos – a Fraternidade São Pedro – ou como galicanos e jansenistas cismáticos – a Fraternidade São Pio X. Realmente, como os inimigos da Igreja devem rir-se e divertir-se desse espetáculo desolador, do fato de que depois de dois mil anos de profissão de fé, e depois de muitos gloriosos martírios, isso é tudo o que os católicos podem apresentar em face do pior de todos os inimigos da Igreja Católica.

Exorto-vos, pois, não permanecer indiferentes a esses problemas. A necessidade da resposta católica é muito importante. É muito importante que evitemos substituir a apostasia de João Paulo II pelo espírito de cismo, juízo privado, e desprezo pela autoridade papal que são evidentes na posição da Fraternidade São Pio X.

Também vos exorto a rezar pelos membros da Fraternidade que, como já disse, são de boa vontade, e que desejam ser bons católicos. Eles são desencaminhados pelo medo de que dizer a verdade sobre João Paulo II esvaziará suas igrejas. É de conhecimento comum que muitos de seus padres são privadamente de nossa posição. Mas eles temem o que acontecerá se eles saírem. Mas eles deveriam ser encorajados a sair e deveriam dizer que sua posição não está em conformidade com a fé católica.

Nossa experiência nos Estados Unidos mostra que os fiéis são muito solidários com os padres que tomam uma posição pública contra o papado de João Paulo II. Quando eles ouvem essas explicações, como essas que eu dei aqui, eles veem que eles estão em conformidade com princípios católicos, e abraçam a nossa posição de coração. Mas ainda que eles não o fizessem, ainda que o sacerdote fosse reduzido a tribulação, todo sacerdote deve saber que deve amar a verdade católica mais do que a si mesmo.

Temos perante nós o maravilhoso exemplo do Padre Guépin, que em 1980 manteve corajosamente os princípios que expus e foi, como um resultado, bruscamente ejetado da Fraternidade. Embora ele tenha dado sua vida ao sacerdócio, ele foi sumariamente lançado na rua. Mas ele permaneceu destemido por esta cruz, e suportou com generosidade, sabendo pela sua forte fé e seu ardente amor de Deus, que seria melhor morrer do que comprometer a fé católica. Que outros padres da Fraternidade aprendam de seu corajoso exemplo e entendam que Deus abençoará o apostolado do sacerdote que ama a sua verdade mais do que as comodidades.

Lembremos também da alma do Arcebispo Lefebvre em nossas orações que, apesar da inconsistência de suas posições, fez muito pela preservação da Missa verdadeira.

Finalmente não deixemos de rezar a Nossa Senhora, que sozinha esmaga todas as heresias, como diz a Sagrada Liturgia, e São José, o patrono da Igreja Universal.

(Boletim de Santa Gertrudes, a Grande, 52, Suplemento, Outono de 2000)

[1] Redemptor Hominis, 13.3
[2] Homilia em Santa Maria em Trastevere, 27 abr. 1980
[3] Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre Alguns Aspectos da Igreja entendida como Comunhão., (1992)
[4] ibid.
[5] Osservatore Romano, 20 mai. 1980
[6] ibid.
[7] Osservatore Romano, 10 jun. 1980
[8] Catechesi Tradendae, 16 out. 1979
[9] Redemptor Hominis, 12.2 e Dives in Misericordia, e seu discurso nas Nações Unidas em 2 out. 1979 e muitos outros lugares.
[10] Vaticano II, Dignitatis Humanae, um documento que João Paulo II diz ter uma obrigatoriedade particular.
[11] Audiência Geral, 11 jan. 1989
[12] 21 mai. 1980 em discurso aos muçulmanos em Paris.
[13] O Denzinger é o livro que contém os ensinamentos dos papas e concílios gerais

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As viagens do Santa Carona II: Obediência ao falso Papa

AS VIAGENS DO SANTA CARONA: OBEDIÊNCIA AO FALSO PAPA

No último vídeo demonstrei que a doutrina tradicional sobre o Papado, tal como exposta pelo Santa Carona, é na atualidade unicamente defendida pelos sedevacantistas. A razão é que as alternativas ao sedevacantismo postulam um papa criticável e ecumênico, bem diferente da doutrina de São Pio X e Leão XIII sobre a matéria. Isso é verdade sobretudo quando examinamos as ideias daquele famoso modernista chamado Joseph Ratzinger, que é o primeiro a negar a doutrina tradicional sobre o Papado.
O vídeo de hoje, porém, não vai tratar da parte em que o Santa Carona teve razão, mas dos graves equívocos que ele cometeu ao aplicar a doutrina tradicional sobre o Papa ao caso dos falsos papas do Vaticano II.

Interpretando erroneamente a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele supõe que a infalibilidade do Magistério da Igreja e do Romano Pontífice significa que é impossível haver uma falsa Igreja e um falso Papa. Mais do que isso: o Santa Carona também afirma que nós devemos obediência incondicional a essa falsa Igreja e a esse falso Papa, alegando que essa seria a doutrina dos Santos. Tudo isso está muito errado e neste vídeo me proponho corrigir esses enganos, cujas consequências são gravíssimas.

Uma breve revisão na doutrina verdadeira sobre a matéria nos ajudará a corrigir os equívocos do Santa Carona. Comecemos por São Vicente Ferrer que não só disse que poderia haver um falso Papa, mas também afirmou categoricamente que a obediência ao falso Papa seria equivalente a um ato de idolatria:

“Prestar obediência a um falso papa e tributar-lhe honras papais equivale a quebrar o primeiro preceito da primeira tábua da Lei de Deus, na qual se ordena que não se adore a deus estranho, nem ídolo, nem estátua, nem semelhança alguma do céu. Que coisa é o falso papa senão um deus estranho neste mundo, um ídolo, uma estátua, uma imagem falsificada de Cristo?” (São Vicente Ferrer, Tratado do Cisma Moderno da Igreja, c. III)

Essa imagem falsificada de Cristo, especifica o Papa Paulo IV, aparece sempre que um herege se apodera da Sé Apostólica. Nesse caso em particular, o candidato não tem qualquer direito ao Papado e todas as suas decisões posteriores devem ser tomadas como nulas e sem efeito:

“Além disso, [por esta nossa Constituição, que será válida para a perpetuidade, Nós sancionamos, estabelecemos, declaramos e definimos] que se em qualquer tempo for evidente que um bispo, ainda que esteja ocupando o cargo de Arcebispo, Patriarca ou Primaz; ou um Cardeal desta Igreja Romana, ainda que na condição de Legado, ou mesmo o Romano Pontífice, antes de sua promoção ou elevação como Cardeal ou Romano Pontífice, desviou-se da fé católica ou caiu em alguma heresia: (i) que tal promoção ou elevação seja tida como nula, inválida e sem efeito, ainda que tenha sido realizada conforme o consentimento unânime de todos os Cardeais…” (Papa Paulo IV, Constituição Apostólica Cum ex Apostolatus Officio, 1559)

Conforme demonstrado pelo Padre Anthony Cekada no artigo Tradicionalistas, a Infalibilidade e o Papa, essa lei ratificada pelo Papa Paulo IV não é mera questão disciplinar, ela se fundamenta em lei divina e imutável, segundo a qual não pode um herege mandar na Igreja, isto é, permanecer exercendo autoridade sobre os fiéis católicos.

Santo Antonino, bispo de Florença, explica o porquê desta lei dizendo que um herege manifesto não é Papa, porque nem sequer é um membro da Igreja Católica:

“No caso do Papa ter se tornado um herege, ele encontrar-se-ia, por esse fato isolado e sem nenhuma outra sentença, separado da Igreja. Uma cabeça separada de um corpo não pode, enquanto se mantiver separada, ser cabeça do mesmo corpo da qual foi cortada. Portanto, um papa que se separe da Igreja por heresia, por esse mesmo fato, deixaria de ser a cabeça da Igreja. Ele não poderia ser um herege e continuar como Papa, porque, uma vez que está fora da Igreja, não pode possuir as chaves da Igreja.” (Santo Antonino, Summa Theologica, 1459; Atas do Vaticano I)

Essa doutrina, aliás, concorda com o que disse Pio XII na Mystici Corporis, documento citado pelo Santa Carona em seu vídeo. Quem não possui a verdadeira fé, ensina Pio XII, não pode ser contado no número dos membros da Igreja de Jesus Cristo. A mesma doutrina será reiterada sete anos depois na Humani Generis.

São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja e das Controvérsias, também ensinou que o herege é um falso papa e como tal deve ser julgado e punido pela Igreja:

“Portanto, a quinta opinião é a verdadeira. É manifesto que o papa herege cessa por si de ser papa e cabeça, assim como por si cessa de ser cristão e membro do corpo da Igreja, razão pela qual a Igreja pode julgá-lo e puni-lo. Esta é a sentença de todos os antigos Padres, que ensinam que os hereges manifestos perdem imediatamente toda jurisdição, e nomeadamente Cipriano na no livro 4, Epístola 2, onde assim fala sobre Novaciano, que foi papa no cisma com Cornélio: Não pode possuir o episcopado, diz, e se já era bispo, foi removido do corpo dos outros bispos e da unidade da Igreja. Ele afirma que Novaciano, ainda que tivesse sido papa verdadeiro e legítimo, se todavia se tivesse separado da Igreja, teria por isto mesmo caído do pontificado.” (São Roberto Belarmino, livro II, c. XXX)

Da mesma opinião é outro Santo Doutor, São Francisco de Sales, que assim assevera em seu livro A Controvérsia Católica:

“Logo, não dizemos que um Papa não pode errar em suas opiniões privadas, como fez João XXIII, ou se tornar de todo um herege, como Honório talvez o tenha sido. Mas, que quando ele é explicitamente um herege, ele cai ipso facto de sua dignidade e para fora da Igreja, e a Igreja deve ou depô-lo, ou, como dizem alguns, declará-lo deposto, de sua Sé Apostólica, e deve dizer como São Pedro, que outro tome o seu lugar (Atos I).” (São Francisco de Sales, A Controvérsia Católica, Parte II, a. VI, c. XIV)

Por fim, Santo Afonso de Ligório ensina o sedevacantismo em caso de heresia notória:

“Se Deus permitisse que um papa fosse notoriamente herético e contumaz, ele cessaria de ser papa, e a Sé Apostólica ficaria vacante. (Santo Afonso de Ligório, As verdades da Fé, Parte III, c. VIII)

Nós bem sabemos que o problema hoje não é simplesmente o de um falso Papa que ensina heresias, mas também é o de toda uma falsa Igreja que o endossa. Trata-se da seita modernista, a qual precisa ser energicamente combatida e destruída. Porém, o ponto que todas essas sentenças demonstram é precisamente que a doutrina dos Santos não pede de nós a obediência cega e carnal do Santa Carona, a qual beira à idolatria, mas antes nos ensina que o eventual chefe desta quadrilha não possui quaisquer direitos sobre os fiéis católicos e que ninguém lhe deve obediência alguma. Ele merece ser julgado e punido por seus crimes de heresia, cisma e apostasia e assim também devem ser julgados e punidos com ele todos os seus cúmplices. Essa imagem falsificada de Cristo deve ser quebrada e deve dar lugar a um verdadeiro Vigário de Cristo Nosso Senhor e os adoradores deste ídolo devem ser contados como inimigos de Deus e da Santa Igreja Romana.

ADVERTÊNCIA FINAL

Espero com esse vídeo obter a conversão do sr. Santa Carona à causa católica. Como disse, sabendo de sua boa fé, o meu interesse é que ele defenda a doutrina católica do início ao fim. Em caso contrário, fica aqui muito evidenciada a cumplicidade do sr. Santa Carona com os modernistas e cai em total descrédito a sua intenção de ensinar a doutrina dos Santos. De fato, o Santa Carona precisa agora determinar o que ele quer: ou segue a doutrina dos Santos, ou segue o modernismo; ou está em comunhão com os servos de Deus, ou está em comunhão com os servos do demônio.

As 20 principais heresias da Opus Dei

AS 20 PRINCIPAIS HERESIAS DA OPUS DEI

Monsenhor Henri Delassus (o autor de “A Conjuração Anticristã”), citando São Gregório Magno no sermão n° 10 sobre a Epifania disse:

“…HÁ HEREGES QUE CREEM EM SUA DIVINIDADE, MAS QUE NÃO ADMITEM DE NENHUM MODO QUE SEJA REI EM TODOS OS LUGARES. SEM DÚVIDA O OFERECEM INCENSO, MAS NÃO QUEREM OFERECER-LHE TAMBÉM O OURO”.

Ele acrescenta:

“DESTE TIPO DE HEREGES AINDA O HÁ, LEVAM O NOME DE CATÓLICOS LIBERAIS”.

Entre estes muitos “católicos liberais” estava José María Escrivá y Albás, mais conhecido como “São Josemaría Escrivá de Balaguer” (porque se mudou o nome com o fim de ser o único “São Josemaría” na história, e para desassociar-se da carga judaica de sua linhagem), aquele que fundou a “Opus Dei”. Foi tão liberal que ele e a sua Obra se adiantaram 35 anos do Vaticano II, desalentando a vida religiosa; e fingiu ser tão conservador que acusou a Roncalli e Montini de serem francomaçons, e sentenciou ao Inferno a todos os “cardeais” que votaram por Montini no “conclave” de 1963.

Heresias da Opus Dei contra a Verdade de Fé Divina e Católica

  1. – “Nossa Obra é a primeira organização católica que, com a autorização da Santa Sé, admite como Cooperadores aos não católicos, cristãos ou não. Defendeu sempre a liberdade das consciências.” (Monseñor Escrivá de Balaguer Salvador Bernal, Ed. RIALP. 1976, pág. 296). – “A liberdade religiosa é um delírio nascido do indiferentismo.” (Mirári Vos: Encíclica de Gregório XVI contra o Indiferentismo Religioso. 15 de Agosto de 1832, N° 10)
  2. – “Amamos a necessária consciência da liberdade, isto é, o pluralismo. Na Opus Dei o pluralismo é querido e amado, não apenas tolerado e de modo algum dificultado.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 127) – “A Declaração dos Direitos do Homem é contrária à Religião e a sociedade.” (Nota (Carta de Pio VI sobre os eventos de Avinhão, 23 de Abril de 1791)
  3. – Escrivá de Balaguer se declarou contente porque “o Concílio acolheu o espírito da Opus Dei.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 486) – A liberdade religiosa é Liberdade da Perdição. (Quanta Cura: Pio IX contra os erros modernos, 8 de Dezembro de 1864)
  4. – As obras apostólicas da Opus Dei “se projetam e governam com mentalidade laica. Para ela não são confessionais.” (Monseñor Escrivá de Balaguer Salvador Bernal, Ed. RIALP. 1976, pág. 309) – “A sociedade, subtraída às leis da Religião e da verdadeira justiça, não pode ter outro ideal que acumular riquezas, nem seguir mais lei, em todos seus atos, que um insaciável desejo de satisfazer a indomável concupiscência do espírito, servindo tão somente a seus próprios prazeres e interesses.” (Quanta Cura: Pio IX contra os erros modernos, 8 de Dezembro de 1864)
  5. – Escrivá confessa que “A afirmação do pluralismo entre os católicos foi, nos primeiros anos de Opus Dei, uma novidade ininteligível para muitos, porque haviam sido formados em uma linha justamente contrária…” (Monseñor Escrivá de Balaguer Salvador Bernal, Ed. RIALP. 1976, pág. 311) – O pluralismo é um erro abominável, reprovado e condenado. (Quanta Cura; Pio IX contra os erros modernos, 8 de Dezembro de 1864)
  6. – “Quando, em 1950, o Fundador finalmente obteve da Santa Sé a permissão para admitir na Obra os sacerdotes diocesanos e poder nomear não-católicos e até não-cristãos como Cooperadores da Obra, ‘completou-se’ a família espiritual da Opus Dei.” (Monseñor Escrivá de Balaguer Salvador Bernal, Ed. RIALP. 1976, pág. 244) – “Não se unam em jugo desigual com os infiéis, pois que comunhão pode haver entre a justiça e a iniquidade?” (II Cor. 6, 14)
  7. – Escrivá reconhece que “para mantê-la (a Obra) ademais dos membros da Opus Dei, há outras pessoas que ajudam; alguns não são católicos, e muitos, muitíssimos, não são cristãos.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 615) – “Assim, uma tal liberdade põe no mesmo nível a verdade e o erro, a fé e a heresia, a Igreja de Jesus Cristo e qualquer instituição humana.” (Libértas: Carta de Leão XIII sobre a liberdade humana, 29 de Junho de 1888)
  8. – “Os organismos competentes da Santa Sé chegaram ao consenso de que tal concessão (o Decretum Laudis) é, de momento, impossível. A Obra não se comporta em nenhuma das formas associativas reconhecidas pelo Direito da Igreja. Um alto personagem da Cúria disse a dom Álvaro [de Portillo]: ‘Vocês chegaram com um século de antecedência.’” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, 326) – “Temos que lidar com um inimigo astuto e doloso que, elogiando os ouvidos de povos e príncipes, cativou a uns e outros com maciez de palavras e adulações.” (Humánum Genus: Encíclica de Leão XIII contra a Francomaçonaria, 20 de Abril de 1884).
  9. – “Só correram cinco anos e se deu início a uma nova corrente ecumênica: esse passo audaz (admitir não-católicos no apostolado da Opus Dei), que poderia ter gerado muitas incompreensões, fluía já com naturalidade na história contemporânea.” (El fundador del Opus Dei: Andrés Vásquez de Prada, Ed. RIALP. 1987, pág. 235). – “O Sillón, que ensina semelhantes doutrinas, semeia então em vossa juventude católica umas noções erradas e funestas sobre a autoridade, a liberdade e a obediência.”. (Notre Charge Apostólique: Carta de São Pio X contra o Sillonismo, 23 de Outubro de 1908, N° 21)
  10. – “Esta realidade ‘ecumênica’ do Caminho obriga a se perguntar como umas páginas, cuja origem redacional tem contextos tão marcados, puderam difundir-se entre pessoas pertencentes a meios culturais, não já diferentes ao originário do Caminho, senão tão diversas entre si.” (Estudios sobre el Camino: Mons. Álvaro del Portillo et alteri, Ed. RIALP. 1989, pág. 48.). – “A doutrina católica nos ensina que o primeiro dever da caridade não está na tolerância das opiniões errôneas, por muito sinceras que sejam, nem na indiferença teórica ou prática ante o erro ou o vício em que vemos caídos a nossos irmãos, senão no zelo por seu melhoramento intelectual e moral não menos que no zelo por seu bem-estar material”. (Notre Charge Apostólique: Carta de São Pio X contra o Sillonismo, 23 de Outubro de 1908, N° 22)
  11. – “O Caminho foi preparando neste tempo a milhões de pessoas para entrarem em sintonia e acolherem com profundidade alguns dos ensinamentos mais revolucionários que, trinta anos depois, promulgaria solenemente a Igreja no Concílio Vaticano II.“ (Estudios sobre el Camino: Mons. Álvaro del Portillo et alteri, Ed. RIALP. 1989, pág. 53). – “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”: As perversas sementes da Revolução Francesa (DF)
  12. – “O fundador da Opus Dei é um ‘conservador’ (digamo-lo com uma metáfora) uma ‘rocha primordial cristã’ ou – se quiserem – uma ‘rocha primordialmente cristã’, com uma profundidade e uma convicção tais que ao mesmo tempo se converte no maior ‘revolucionário católico’ dos últimos duzentos anos.” (Opus Dei-Vida y obra del fundador Josémaría Escrivá – Peter Berglar, Ed. RIALP. 1987 -Trad. Española, pág. 243) – Cristo Rei tem poder sobre todas as criaturas e sobre todos os Estados. (cf. Quas Primas: Encíclica de Pio XI sobre a Realeza Social de Cristo, 11 de Dezembro de 1925, N°10-11)
  13. – “O Fundador da Opus Dei, depois de muitos anos de incompreensões, teve a satisfação de que destacados Padres conciliares, como os Cardeais Frings (Colônia), Künig (Viena), Lercaro (Bolonia) e outros, o reconheceram, como um verdadeiro precursor do Vaticano II, sobretudo naqueles pontos capitais que, para o Concílio, marcavam o caminho a seguir no futuro.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 303) – “Julgamos peste de nossos tempos ao chamado laicismo com seus erros e abomináveis intentos; e vós sabeis, Veneráveis Irmãos, que tal impiedade não nasceu num só dia, senão que se encucava desde muito antes nas entranhas da sociedade.”. (Quas Primas: Encíclica de Pio XI sobre a Realeza Social de Cristo, 11 de Dezembro de 1925, N°18)
  14. – “Para os Papas João Paulo I e João Paulo II, a Opus Dei e seu Fundador eram fatos objetivos que anunciavam o começo de uma nova era do cristianismo.” (Opus Dei-Vida y obra del fundador Josémaría Escrivá – Peter Berglar, Ed. RIALP. 1987 -Trad. Española, pág. 243) – “Que se deva separar o Estado da Igreja, é uma tese absolutamente falsa, e perniciosíssima.” (Veheménter Nos: Carta de Pio IX a França sobre a Lei de separação Igreja-Estado, 11 de Novembro de 1906, N°2)
  15. – O Vaticano II aprovou solenemente o que a Opus Dei praticava a respeito do ecumenismo. (cf. Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 14) – “Jesus Cristo não concebeu nem instituiu uma Igreja formada de muitas comunidades que se assemelham por certas características gerais, mas distintas umas de outras e não unidas entre si por aqueles vínculos que unicamente podem dar à Igreja a individualidade e a unidade de que fazemos profissão no símbolo da fé: “Creio na Igreja uma“…” (Satis Cognitum: Encíclica de Leão XIII contra a Francomaçonaria e demais sociedades secretas, 29 de Junho de 1896, N°8)
  16. – Álvaro del Portillo relata que “Durante meu trabalho nas comissões do Concílio Vaticano II pude comprovar como se abriam caminho em seus documentos, às vezes muito laboriosamente, enfoques da vida cristã e critérios pastorais que são como a atmosfera do Caminho.”. (Estudios sobre el Camino: Mons. Álvaro del Portillo et alteri, Ed. RIALP. 1989, pág. 55) – “Esta classe de gente (os católicos liberais) é, sem dúvida alguma, mais perigosa e daninha que os inimigos declarados, porque sem chamar a atenção e sem, talvez, por-se em guarda, se prestam às manobras destes últimos.” (Per Tristíssima: Carta de Pio IX ao Círculo Ambrosiano de Milão sobre os “Católicos Liberais”. 6 de Março de 1873)
  17. – “A Obra era, assim, a primeira associação da Igreja que abria fraternalmente seus braços a todos os homens sem distinção de credo ou confissão.” (Tiempo de caminar – Ana Sastre, Ed. RIALP. 1989, pág. 610). – “Alguns homens vão fazendo pactos com todos, e ensinam que a salvação eterna está aberta aos sectários de todas as religiões, sejam o que sejam.”. (Singuláris Quidem: Carta de Pio IX sobre os problemas da Igreja na Áustria, 17 Março de 1856, N°1)
  18. – “As residências da Opus Dei são interconfessionais “donde vivem estudantes de todas as religiões e ideologias.” (Conversaciones con Escrivá de Balaguer, Centro de Estudios Históricos San Josemaría Escrivá, Ed. RIALP. 1968, 117) – “Desta doutrina da experiência, unida à outra do simbolismo, se infere a verdade de toda religião, sem excetuar o paganismo”: CONDENADA (cf. Pascéndi Domínici Gregis: Encíclica de São Pio X contra o Modernismo, 8 de Dezembro de 1907, N° 13)
  19. – Escrivá disse a João XXIII “Em nossa Obra sempre encontram todos os homens, católicos ou não, um lugar amável: não aprendi o ecumenismo de Sua Santidade.” (Conversaciones con Escrivá de Balaguer (Centro de Estudios Históricos San Josemaría Escrivá, Ed. RIALP. 1968, pág. 246) – “Nem a Sé Apostólica pode de maneira alguma ter parte em ditos Congressos ecumênicos, nem de nenhum modo podem os católicos nem favorecer, nem cooperar com semelhantes intentos; e se o fizessem, dariam autoridade a uma falsa religião cristã, totalmente alheia à única e verdadeira Igreja de Cristo.” (Mortálium Ánimos: Encíclica de Pio XI sobre a verdadeira unidade cristã, 6 de Janeiro de 1928, N°10)
  20. – “É certamente grande vosso ideal, que desde seus começos antecipou a teologia do laicato que caracterizou logo à Igreja do Concílio e do Pós-concílio…” (Discurso à Opus Dei: João Paulo II, 19 de Agosto de 1979) – “Muitos, guiados dum imprudente zelo das almas, se sentem levados por um interno impulso e ardente desejo a romper as barreiras que separam entre si às pessoas boas e honradas; e propugnam uma espécie de irenismo, que, ignorando as questões que dividem aos homens, se propõe, não só combater em união de forças o combatente ateísmo, senão também reconciliar opiniões contrárias inclusive no campo dogmático.” (Humáni Géneris: Encíclica de Pio XII contra a “Nova Teologia”, Agosto 12 de 1950, N° 6)

Escrivá de Balaguer e sua obra eram, portanto, mais progressistas que muitos modernistas pré-conciliabulares, mas tendo sido ultrapassados pela esquerda no conciliábulo e no pós-conciliábulo, agora são acusados de “ultraconservadores”.A

Traduzido do original espanhol, 20 principales herejías del Opus Dei , disponível em Miles Christi.

O Sacramento da Confirmação

9.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento da Confirmação.

Revisão da lição sobre o Sacramento do Batismo.

I. A Confirmação ou Crisma é o Sacramento que (a) nos dá o Espírito Santo, (b) imprime em nossa alma o caráter de soldados de Jesus Cristo e (c) nos faz perfeitos cristãos.

II. Os Apóstolos antes da vinda do Espírito Santo, eram homens tímidos, ignorantes e cheios de imperfeições; mas apenas o Espírito Santo desceu sobre eles, ficaram iluminados, instruídos, cheios de fé e de caridade, dispersando-se por todo o universo, confessando a Jesus Cristo perante os tribunais e os tiranos, e por último tiveram a felicidade de derramar o seu sangue em testemunho da verdade que anunciavam. A Confirmação é o Pentecostes de cada cristão, pelo qual o Espírito Santo fará nele coisas prodigiosas, dando a sua alma o complemento e a perfeição.

III. Querendo o imperador Juliano fazer pública e solenemente a sua apostasia, mandou preparar num templo um grande sacrifício aos ídolos; mas no momento de começar a cerimônia o fogo do altar apagou-se de todo; as facas dos sacerdotes dos falsos deuses não puderam cortar a c arne das vítimas, de sorte que o sacrificador que esperava exclamou: “Algum galileu há aqui novamente, lavado com a água ou ungido com o bálsamo?” (Querendo dizer um batizado ou confirmado). Então um jovem pagem, que era cristão, e acabara de receber o Sacramento da Confirmação, levantando a voz, disse: “Sou eu a causa, pois fiz o sinal da cruz e invoquei o santíssimo nome de Jesus para vergonha de vossos ídolos.” Ficou pasmado o imperador, que havia sido cristão, e estava bem instruído do poder de Jesus Cristo. Temeu os efeitos da vingança divina, e sem dizer palavra, saiu do templo, coberto de confusão. O valoroso defensor de Jesus Cristo foi referir aos cristãos o que acabava de suceder, e reconheceram quão temíveis são ao demônio aqueles em quem habita a virtude de Jesus Cristo pelo Sacramento da Confirmação, quando este é recebido com santas disposições.

IV. Todos devem procurar receber o Sacramento da Confirmação e fazer com que os seus subordinados o recebam. A idade em que é conveniente receber o Sacramento da Confirmação é de sete anos, pouco mais ou menos; porque então costumam começar as tentações, e e já se pode conhecer bastante a graça deste Sacramento e conservar-se a lembrança de o ter recebido. Para receber dignamente o Sacramento da Confirmação, é necessário estar em graça de Deus, saber os mistérios principais de nossa santa Fé e aproximar-se deste Sacramento com reverência e devoção.

V. O ministro ordinário do Sacramento da Confirmação é o bispo, (a) porque a administração da Confirmação foi um privilégio exclusivo dos Apóstolos; (b) porque só pertence aos altos oficiais o alistamento dos soldados que devem formar o exército de Cristo Rei; (c) porque assim como nas artes é ofício do mestre aperfeiçoar a obra começada pelos discípulos, assim também na Confirmação cabe aos bispos a obra sobrenatural iniciada no Batismo pelos sacerdotes. O Bispo para administrar a cerimônia da Confirmação ou Crisma, estende primeiro as mãos sobre os que vão crismar-se, invocando sobre eles o Espírito Santo; depois faz uma Cruz na testa de cada um deles com o Santo Crisma, pronunciando as palavras da forma deste Sacramento, isto é, “Eu te assinalo com o sinal da Cruz e te confirmo com o Crisma da salvação em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” Depois dá um leve tapa na face do crismado, dizendo-lhe a paz seja contigo, pax tecum. E no fim abençoa solenemente todos os crismados.

VI. A matéria da Confirmação é azeite misturado com bálsamo, que o Bispo consagra na Quinta-Feira Santa. O azeite, que se derrama e fortalece, significa a abundante graça que se espande na alma do cristão, para o confirmar na Fé; e o bálsamo que é aromático e preserva da corrupção, significa que o cristão, fortificado por esta graça, está apto para exalar bom aroma de virtudes cristãs e para se preservar da corrupção dos vícios. Faz-se a unção na fronte a fim de que o crismado entenda que não deve envergonhar-se do nome e da profissão de cristão, nem ter medo dos inimigos da Fé. Dá-se um leve tapa na face do crismado, para que saiba que deve estar pronto a sofrer todas as afrontas e todas as penas pela Fé, por amor de Jesus Cristo. Para conservar a graça da Confirmação, o cristão deve rezar frequentemente, fazer boas obras e viver segundo a Lei de Jesus Cristo, sem respeito humano.

VII. Os dons do Espírito Santo que se recebem na Confirmação são sete: 1º Sabedoria, 2º Entendimento, 3º Conselho, 4º Fortaleza, 5º Ciência, 6º Piedade, 7º Temor do Senhor. Por meio desses dons podemos alcançar a perfeição da vida cristã, porque eles são como uma escada pela qual subimos por diversos degraus do estado de pecado até a conquista da santidade. É assim uma escada que desce do Céu até nós para que nós possamos chegar até o Céu. O último degrau da escada é o primeiro que devemos pisar, a saber, o dom do Temor do Senhor pelo qual reconhecemos que os nossos pecados nos fazem inimigos de Deus Onipotente. Movidos por esse santo temor, subimos mais um degrau com o dom da Piedade que nos leva a ter gosto pelas coisas de Deus, dá o desejo de fazer a sua vontade em todas as coisas. O terceiro degrau é o dom da Ciência, porque quem realmente deseja fazer a vontade divina pede a Deus instrução sobre suas santas leis e preceitos. Deus então o faz conhecer todas as coisas necessárias, em parte pelos pregadores, em parte pelos livros, em parte por inspiração. O quarto degrau é a Fortaleza, porque sabendo o que Deus quer, o cristão passa a perceber que o mundo, o diabo e a carne impõem-lhe muitos obstáculos a realização da vontade divina, sendo necessário que Deus lhe dê a força para vencer todas essas dificuldades. O quinto degrau é o dom do Conselho, porque o demônio, quando não vence um homem pela força, recorre à fraude, tentando enganá-lo com falsas imagens de bem. Deus não irá abandoná-lo, envia-lhe esse dom pelo qual ele triunfa sobre os diversos embustes do inimigo. O sexto degrau é o Entendimento, porque quando um homem já está bem treinado na vida ativa e obteve muitas vitórias sobre o demônio, Deus o impele para a vida contemplativa e lhe concede ver e penetrar nos mistérios divinos. O sétimo degrau é a Sabedoria, que é a conquista da perfeição, porque aquele que é sábio conhece a causa primeira e ordena as suas ações em conformidade com ela; o que não pode fazer senão aquele que ao dom do Entendimento ajunta a perfeita caridade, pois com o entendimento conhece a causa primeira e com a caridade ordena e dirige a ela todas as coisas como ao fim último; e ainda porque a união do afeto com o entendimento é precisamente o dom da Sabedoria, isto é, o saber saboroso, como ensinava São Bernardo.

As viagens do Santa Carona: a doutrina católica sobre o Papa

Este vídeo é dedicado ao autor do canal Santa Carona, o qual publicou um vídeo contra o sedevacantismo, a posição que defendemos aqui no Controvérsia Católica. Este vídeo marca a primeira interação entre o canal Controvérsia Católica e o canal Santa Carona, primeiro de um série que pretende tocar nos pontos principais da crítica do Santa Carona ao sedevacantismo. Hoje falaremos um pouco sobre a doutrina católica sobre o Papado.

Apesar do caráter polêmico desta série, o nosso tom é manso e amigável, sobretudo porque o Santa Carona possui um conceito católico de Papado, o que é meio-caminho andado para se tornar um sedevacantista. De fato, coisa rara é encontrar alguém entre os modernistas (inclusive os mais tradicionais como aqueles da linha Monttfort, IBP e Padre Paulo Ricardo) e ainda mais entre os tradicionalistas (aos quais ele chama de rad-trads), que tenha conservado uma justa compreensão da dimensão e altura do poder do Romano Pontífice.

Eu pessoalmente devo muito de minha adesão ao sedevacantismo ao fato de crer firmemente no Papado e de assim ter percebido que não era qualquer pessoa que poderia ocupá-lo. A pessoa, pensava eu, tinha que ao menos acreditar na doutrina católica. O Santa Carona ainda não chegou nesse nível de entendimento das coisas, mas pelo menos entende que o Papa criticável em matéria de fé e moral é um não-Papa e que o que defende essa tese de um Papa criticável é um não-cristão, porque é da natureza do Papa ser mestre nesses assuntos e é da natureza do cristão crer nessa doutrina revelada por Deus; ele sabe ainda que seria ao cristão um pecado gravíssimo desobedecer a um verdadeiro e legítimo Papa.

Tudo isso é muito bom e muito certo e nós cá estamos para subscrever essa verdade que nos trouxe o Santa Carona. Ele peca por ignorância ao querer nos ensinar com o Catecismo de São Pio X, ao qual bem conhecemos e que já aprofundamos com a leitura da Pastor Aeternus e outros documentos pontifícios sobre o Papado; porém, essa é a mesma doutrina em que cremos de coração e com a boca professamos. Tanto é assim, que gostaria de confirmar e aprofundar o que foi dito por ele com este ensinamento autoritativo de Leão XIII:

“Pois bem, nestas duas ordens de coisas, isto é, quanto ao que se deve crer e ao que se deve fazer, compete por Direito Divino à Igreja e, na Igreja, ao Romano Pontífice determiná-lo. E eis a razão do porque o Romano Pontífice deve ter autoridade para julgar que coisas contenha a palavra de Deus, que doutrinas concordem com ela e quais dela desdigam; e, do mesmo modo, determinar o que é bem e o que é mal; o que se deve fazer e o que se deve evitar para conseguir a salvação eterna. Se isso não se pudesse fazer, o Papa não seria intérprete infalível da vontade de Deus, nem o guia seguro da vida do homem.” (Leão XIII, Sapientiae Christianae, n. 35, 10 jan 1890; em Documentos de Leão XIII. Tradução de Honório Dalbosco e e Lourenço Costa. São Paulo: Paulus, 2005, pp. 396-397)

Esta é a doutrina sobre o Papa em que acreditamos. O Romano Pontífice é aquele na Igreja que diz o que se deve crer e fazer, o Romano Pontífice é o intérprete infalível da vontade de Deus e guia seguro da vida do homem. A nossa obediência ao Romano Pontífice deve ser integral nessas matérias e ponto final.

O problema pouco notado é que este ponto essencial da doutrina católica é negado não pelos sedevacantistas, mas pelos não sedevacantistas! Não falo de simples fiéis modernistas como o sr. do Santa Catona, mas dos seus chefes, daqueles do mais alto escalão, e dos luminares do modernismo; falo, infelizmente falo, daqueles que deveriam ser os primeiros a professar esta santa doutrina!

Sim, desde a era do Vaticano II, desde os tempos de João XXIII, tornou-se de praxe rebaixar a dignidade papal às custas de um “itinerário ecumênico”. Essa obra tem sido continuada até os nossos dias, da deposição pública da tiara papal por parte de Paulo VI até o abandono dos sapatos vermelhos por Bergoglio.

Do ponto de vista doutrinal, logrou-se grande progresso com a doutrina da colegialidade dos bispos e do sacerdócio dos crentes entendido naquele sentido bem luterano. O primeiro em particular coloca o Romano Pontífice como um entre outros no colégio dos Bispos, um passo decisivo em direção do febronismo condenado por Pio VI na bula Auctorem Fidei e, sem dúvida, um notável abandono da doutrina da Pastor Aeternus.

Por causa dessas e outras mudanças doutrinas e disciplinares que não convém detalhar nessa breve introdução, temos que a fé no Papado é muito rara hoje em dia e que os altos escalões do modernismo simplesmente a negam. Na verdade, eles são os primeiros a defender a tese do Papa criticável, aquela tese que o Santa Carona condena com razão; a tese, digo eu, do Papa que já não é Papa, do Papa que o ecumenismo, a colegialidade, a Igreja governada de forma sinodal e a desenfreada “liberdade dos teólogos” transformou em uma rainha da Inglaterra, um Primado de honra somente, um príncipe que reina, mas não governa.

Ouçamos a doutrina de Joseph Ratinger sobre a matéria:

Ratzinger explica que criticar os pronunciamentos do Papa é possível e por vezes mesmo necessário

Em 1969, o futuro Papa Bento XVI, então Pe. Joseph Ratzinger, escreveu que criticar as declarações papais era não só possível mas até necessário, sempre que o Papa pudesse desviar-se do depósito da fé e da tradição apostólica. O Papa Bento XVI incluiu estas observações na antologia dos seus escritos, ‘Fede, ragione, verità e amore’ de 2009. Tais observações, que agora publicamos abaixo traduzidas, são particularmente relevantes à luz da correção filial ao Papa Francisco:

«Devemos evitar especialmente a impressão de que o Papa (ou o ofício em geral) só pode reunir e expressar, de tempos em tempos, a média estatística da fé viva, para a qual não é possível uma decisão contrária a esses valores estatísticos médios (os quais, para além do mais, são problemáticos em sua verificabilidade).

A fé baseia-se nos dados objetivos da Escritura e do dogma, que nos tempos obscuros também podem desaparecer assustadoramente da consciência da maior parte do cristianismo (em termos estatísticos), sem perder de qualquer forma, contudo, o seu carácter obrigatório e vinculativo.

Neste caso, a palavra do Papa pode e deve certamente ir contra as estatísticas e contra o poder de uma opinião que pretende fortemente ser a única válida; e isso deve ser feito de forma tão decisiva quanto o testemunho da tradição é claro (como no caso apresentado). Pelo contrário, a crítica dos pronunciamentos papais será possível e até necessária quando carecem de fundamentação na Escritura e no Credo, isto é, na fé de toda a Igreja.

Quando não se tem o consenso de toda a Igreja, nem existem evidências claras das fontes, não é possível uma decisão vinculativa e definitiva. Se tal acontecesse formalmente, faltariam as condições para tal ato e, portanto, teria de ser levantada a questão quanto à sua legitimidade.» – Das neue Volk Gottes: Entwürfe zur Ekklesiologie, (Düsseldorf: Patmos, 1972) p. 144. Fede, ragione, verità e amore, (Lindau 2009), p. 400.

Como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e mais tarde como o Papa Bento XVI, Ratzinger continuou as suas reflexões sobre os limites do poder do Pontífice Romano para contrariar a imutável doutrina:

Cardeal Joseph Ratzinger, 1998:

«O Romano Pontífice está como todos os fiéis submetido à Palavra de Deus, à fé católica e é garante da obediência da Igreja e, neste sentido, servus servorum. Ele não decide segundo o próprio arbítrio, mas dá voz à vontade do Senhor, que fala ao homem na Escritura vivida e interpretada pela Tradição; noutros termos, a episkopè do Primado tem os limites que procedem da lei divina e da inviolável constituição divina da Igreja, contida na Revelação. O Sucessor de Pedro é a rocha que, contra a arbitrariedade e o conformismo, garante uma rigorosa fidelidade à Palavra de Deus: daí resulta também o carácter martirológico do seu Primado.»

Papa Bento XVI, 2005:

«O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.»

Andrew Guernsey in ‘Rorate Caeli’
(Tradução: odogmadafe.wordpress.com)


Esse artigo foi publicado em um site famoso em círculos mais tradicionais do modernismo, o que é uma prova adicional de que o tradicionalismo não sedevacantista é simplesmente o modernismo doutrinal com roupagem tradicional.

Então aqui encarro o nosso primeiro argumento. Se o senhor realmente crê com São Pio X e Leão XIII que todo o católico deve crer que o Papa é intérprete infalível da vontade de Deus e guia seguro da vida do homem, então o senhor não pode crer que os mesmos homens que defendem o contrário sejam católicos e tampouco os chefes da religião católica.

O Magistério da Igreja segue sendo infalível e os homens seguem sendo livres para rebelar-se contra ele. Nós sedevacantistas rechaçamos esta “liberdade de perdição” do modernismo com respeito ao Papa, nós somos fiéis ao Magistério e não entendemos como representantes dele homens como Ratzinger, cuja vida e obra consiste na negação das prerrogativas do Papado.

Há certamente algumas nuances que devem ser melhor esclarecidas em vídeos posteriores, mas aqui está lançada a semente a partir da qual o senhor vai começar a entender a mentalidade sedevacantista que é simplesmente o catolicismo bem professado e aplicado em assuntos de Papado.

O Sacramento do Batismo

8.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Sacramento do Batismo.

Revisão da lição sobre os Sete Sacramentos.

I. O Batismo é o Sacramento pelo qual nascemos para a graça de Deus e nos tornamos cristãos. O Sacramento do Batismo (1) apaga o pecado original, e também o pecado atual, se houver; (2) perdoa toda pena por eles devida; (3) imprime o caráter de membros de Jesus Cristo; (4) faz-nos filhos de Deus e da Igreja e herdeiros do Céu; (5) torna-nos capazes de receber os outros Sacramentos.

II. Um nobre de bom coração tomou para si o filho de um homem que morreu lhe devendo uma grande soma de dinheiro e se encarregou de educá-lo. Um dia ele chamou o menino em sua presença e mostrou-lhe dois documentos, que distinguiam-se por um estar em um envelope preto e o outro em um envelope vermelho. O nobre primeiramente pôs o envelope negro na mão do menino. O menino tirou o selo e empalideceu logo que se deparou com o conteúdo da carta. Ali estavam enunciadas todas as dividas de seu pai e além disso todos os gastos que tinham custado ao benfeitor a sua educação. O órfão estava preocupado com o que viria depois, vendo quanto ele e o seu pai lhe deviam. Mas quando o nobre viu o semblante assustado da criança, sorriu e rasgou aquela carta de débito; então ele lhe deu o outro envelope e pediu para que o lesse. Ele continha uma total remissão das dividas de seu pai e, o que era mais impressionante, um ato pelo qual o menino era adotado como seu filho e herdeiro de todos os seus bens. A alegria do menino pode ser imaginada, ele já não era um pobre órfão embaraçado com tantos débitos, mas o filho de um pai nobre e rico. Assim é conosco que pelo Batismo recebemos a remissão do pecado original, o legado de nossos primeiros pais, e assim fomos feitos filhos de Deus e herdeiros do Céu.

III. Os pobres batizados sentam-se à mesa do rei, e os príncipes dela são excluídos. Ingo, duque de Carintia, para tornar sensível esta verdade a seus parentes e barões, que ainda eram pagãos, convidou-os um dia para um grande festim, para o qual convidou também uma multidão de pobres cristãos. À hora marcada os convidados dirigiram-se ao palácio e foram dispostos em duas mesas diferentes. Os senhores foram servidos no pátio, ao ar, muito rusticamente; ao passo que os pobres o foram na mesa do duque, comeram as iguárias mais finas e beberam os vinhos mais preciosos em taças de ouro. Os senhores, chateados com aquele tratamento, entraram na sala onde Ingo comia, e cheios de cólera perguntaram-lhe porque ele se comprazia em insultá-los assim. Mas o príncipe respondeu tranquilamente: “Não vos maravilheis com a minha conduta. Os homens que aqui vedes, embora pobres de bens temporais, são filhos e herdeiros de Deus, e eu reconheço-os por meus irmãos em Jesus Cristo. Vós, ao contrário, ricos segundo o mundo, sois muito pobres aos olhos de Deus, porque sois ainda escravos do demônio, adoradores de estúpidas divindades e inimigos do Deus vivo e verdadeiro.” Esta linguagem serena, mas severa e forte, produziu salutar impressão. Algum tempo depois, a maior parte, dos grandes e nobres de Carintia convertiam-se ao cristianismo e eram batizados por Arno, bispo de Salisburgo.

IV. O Delfim, pai de Luiz XVI, repetia muitas vezes a seus filhos que a Religião não distingue entre ricos e pobres, quando regenerados nas águas sacramentais. Para ela é maior o que melhor cumprir a vontade do Senhor. Quando seus filhos foram batizados, mandou inscrever-lhes os nomes no registro paroquial, ao lado dos mais pobrezinhos. Vede, disse-lhes um dia o Delfim, ao mesmo tempo que os filhos observavam o registro: diante de Deus a condição dos que aqui estão inscritos é perfeitamente igual, e só a virtude e a fé os pode distinguir. Vós, aos olhos do mundo, sereis talvez os maiores dentre os que estão aqui inscritos; mas diante de Deus todos podem ser maiores que Vós, se amarem mais a Jesus Cristo e melhor praticarem os seus ensinamentos.

Um dia uma filha de um rei de França indispôs-se com a sua camareira, e para a incomodar disse-lhe com orgulho: “Não sabes que sou filha do rei?” E a camareira respondeu com dignidade cristã: “E não sabeis vós que eu sou filha de Deus?”

V. O ministro ordinário do Batismo é o sacerdote, principalmente o pároco. Em caso de necessidade, qualquer homem ou mulher, herege ou infiel, pode administrar o Batismo validamente desde que o faça do modo devido. Só o pároco batiza por direito na sua paróquia, mas na sua falta preferir-se-á o sacerdote ao diácono, o diácono ao clérigo de ordens menores, este ao leigo, o católico ao cismático, o cismático ao herege, o herege ao infiel, o homem à mulher, contanto que a decência ou perícia não aconselhem de outra coisa. Dentro das leis da conveniência, são as mulheres, especialmente as parteiras e enfermeiras, que administram o Batismo nesses casos por causa de sua maior presença e maior prática. Como se depreende do testemunho deste missionário: “Nos lugares mais populosos da missão, escolhemos mulheres capazes, as quais, mostrando grande cuidado pelos meninos doentes dos infiéis, quando os veem em agonia, com arte finíssima procuram todos os meios para lhes subministrar o Batismo. E todos os anos – quem o diria – enviam elas para o Paraíso até oito mil crianças. Que obra extraordinária de caridade!”

VI. Administra-se o Batismo derramando água natural sobre a cabeça do batizado, e não podendo ser a cabeça, em qualquer outra parte principal do corpo, dizendo ao mesmo tempo: Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo com a intenção de fazer o que a Igreja sempre faz ao batizar. Deve-se levar as crianças à Igreja para batizar o mais cedo possível.

VII. O Sacramento do Batismo é absolutamente necessário à salvação. De fato, o Batismo é um só, como uma só é a Fé. Porém, o Batismo pode suprir-se com o martírio (batismo de sangue) ou com o desejo de receber o Sacramento (batismo de desejo). Na história eclesiástica encontra-se, dentre outros exemplos, a história de Santa Emerenciana como um caso de batismo suprido pelo martírio e do imperador Valentiniano como um caso de batismo suprido pelo desejo de recebê-lo.

VIII. A Igreja pede que se dê ao batizado o nome de um santo para que ele o tenha como protetor e exemplo de virtude. Os padrinhos e madrinhas contraem parentesco espiritual com o batizado e seus pais (o que constitui um impedimento matrimonial) e também assumem gravíssimas obrigações para com ele: eles devem vigiar, instruir e mandar instruir o batizado nas coisas da alma; procurar de todos os modos que viva como um bom cristão e edificá-lo com o seu exemplo; também devem corrigi-lo e aconselhá-lo, particularmente se faltarem os pais, dos quais devem fazer as vezes. Quem recebe o Batismo fica obrigado a professar a Fé, e a observar a Lei de Jesus Cristo e da sua Igreja. Ao receber o Batismo, renuncia-se para sempre ao demônio com suas obras e pompas. Por obras e pompas do demônio entendem-se os pecados, as máximas corrompidas e a vaidade do mundo. Somos assim obrigados, porque Deus nos recebeu na Igreja mediante estas condições. Portanto, tenhamos muita gratidão a Deus pelo Batismo e ódio eterno ao pecado.

IX, São Luís, rei de França, apreciava tanto a graça do batismo, que se assinava muitas vezes como Luís de Poissy, porque tendo tido ali a a dita de receber este sacramento, estimava mais o título de filho de Deus e da Igreja que de rei da França.

X. Lemos na história da Igreja, que um piedoso diácono, chamado Murita, havendo sido padrinho de batismo de um mancebo por nome Epifidoro, teve a dor de o ver apostatar e converter-se em perseguidor dos cristãos. Um dia, em que ele exercia publicamente a sua perseguição, o diácono apresenta-se diante dele no meio de uma turba imensa, e como conservava a túnica branca, que Epifidoro tinha vestido quando o batizaram, mostrou-lha e disse-lhe estas terríveis palavras: “Eis aqui a testemunha da tua apostasia; esta testemunha te acusará no tribunal do Supremo Juiz. Vê esta túnica branca, que vestiste nas fontes sagradas; ela clamará vingança contra ti, e se transformará em um vestido de fogo e de chamas, que te devorarão durante toda a eternidade.” Ao ouvir estas palavras, todo se romperam em lágrimas e Epifidoro retirou-se coberto de confusão.

Missa Antiga vs. Missa Nova

MISSA ANTIGA VS. MISSA NOVA

Composto e publicado pelos sacerdotes do site Traditional Mass

Traduzido e primeiramente publicado em vernáculo por Católico Romano
Acesse http://www.catolicoromano.com.br

Compare
A Missa Tradicional em Latim
Com
A missa moderna da sua paróquia
Atmosfera de adoração reverente:

Ambiente pacífico, alheio ao mundo. Ênfase na elevação individual do coração e da mente em direção a Deus. Os membros da congregação dirigem atenção a Deus, não para um ao outro.

Atmosfera social, de aula, ou, por vezes, de entretenimento:
Constante sentar-se e levantar-se, barulho amplificado; Atmosfera de um encontro público. Ênfase na “instrução.” Socialização antes e depois do culto, e aperto de mãos durante.
Profunda reverência pela Presença Real (no sacrário):
Dezesseis genuflexões. Somente as mãos do padre tocam a hóstia consagrada. Comunhão dada apenas na boca.
Indiferença, Irreverência à presença Real:
Somente três genuflexões necessárias. Leigos homens e mulheres distribuem a comunhão. Comunhão dada nas mãos – uma prática que os protestantes introduziram para negar a presença Real.
Fidelidade à doutrina Católica:

 

Durante o ano todas os aspectos da doutrina católica são apresentados.

Sistemática omissão das doutrinas Católicas:
As novas orações sistematicamente omitem as referências ao inferno, julgamento, punição pelo pecado, méritos dos Santos, a única verdadeira Igreja, as almas dos falecidos e os milagres.
Antiguidade:

Os volumes das orações dominicais e sua organização remonta a pelo menos aos anos 300 e 400 da era Cristã. O Cânon é essencialmente o mesmo desde Santo Ambrósio (d. 397)

Novidade:
As antigas orações dominicais omitidas ou despojadas das doutrinas, e rearranjadas em 1960. Somente 17% das antigas orações permaneceram. Pedaços do antigo Cânon agora são opcionais. As palavras da Consagração, as palavras do próprio Cristo “Por vós e por muitos” foram mudadas. Três cânones substitutos foram inventados e introduzidos nos anos 60, e ainda outros posteriormente.
Estabilidade:
Tudo é regulado por leis precisas para proteger a pureza do culto e da doutrina.
Mudanças constantes:
Opções, opções e mais opções. Comissões individuais de padres e paróquias escolhem, retiram ou inventam textos para empurrar o que eles pensam que as pessoas deveriam acreditar.
Padre como Sacerdote:
O padre olha para o tabernáculo, a cruz e o altar (para Deus). Ele faz todas ações e recita todas as orações da Missa.
Padre como ”presidente”, Ator:
O padre olha para o povo, ao invés de para Deus. Senta-se de lado. Suas funções são dadas a leigos homens e mulheres.