Dossiê Jorge Maria Bergoglio

DOSSIÊ JORGE MARIO BERGOGLIO

Por Seminarista Luan Guidoni

As heresias modernistas de Bergoglio estão compiladas neste Dossiê sobre suas ações revolucionárias na Argentina. A necessidade de um dossiê geral das heresias e escândalos de Bergoglio ocorreu devido ao grande fluxo de informações desconexas que circulam online sobre o argentino, o que dificulta a compreensão clara das heresias promividas por Bergolio durante sua estadia na Argentina, e tendo em vista que a maioria dos tradicionalistas brasileiros desconhecem o passado nebuloso de Bergolio, julgamos proveitoso sintetizar suas blasfêmias de maneira simples para os fiéis católicos do Brasil. Decidimos organizar nossa exposição em cinco partes: 1. Bergoglio, o Agente Judaico, 2. Bergoglio, o Rotaryano, 3. Bergoglio, o Comunista, 4. Bergoglio, o Protestante, 5. Bergoglio, o Sacrílego. Este dossiê prova que Jorge Mario Bergoglio é um agente subversivo judaico, maçônico, comunista e protestante que possui o objetivo de destruir a Igreja de Cristo.

FONTES

  1. Bergoglio, o Agente Judaico

Profanan la Catedral de Buenos Aires Primera Parte 12 11 12: https://www.youtube.com/watch?v=hOyLzrOSBug
Profanan la Catedral de Buenos Aires – Segunda Parte – 12/11/12: https://www.youtube.com/watch?v=LP-aCA6TB70
Se celebró en su presbiterio una liturgia espuria: http://pagina-catolica.blogspot.com/2012/11/fue-profanada-la-catedral-de-buenos.html
Visión Siete: Bergoglio en la AMIA: https://www.youtube.com/watch?v=nZuAU-ks_dc
Bergoglio en la AMIA firma el libro de visitas ilustres: https://www.youtube.com/watch?v=yBcjoNnv1xc
El diálogo judeo-católico a cincuenta años de “Nostra Aetate” (Rav Abraham Skorka): https://www.youtube.com/watch?v=t2zmhFYNcAE
Presentacion del Libro Argentina Ciudadana con Bergoglio: https://www.youtube.com/watch?v=feHDkp2Y9S4
New Pope Jorge Bergoglio celebrated Hanukkah with Argentine Jews as Cardinal of Buenos Aires: https://www.youtube.com/watch?v=92oEEdpwYVI
Cardeal Bergoglio em comunhão com a sinagoga: https://www.youtube.com/watch?v=FR4fLNGOcPA

Jorge Bergoglio recorda as vítimas do Holocausto: https://www.youtube.com/watch?v=xgJ6qUGV6jw
Bergoglio aplaudiu o anúncio da vinda do Anticristo: https://www.youtube.com/watch?v=TzAjzn50s4w
Biblia, Diálogo vigente – La Dignidad 01: https://www.youtube.com/watch?v=hAqJLZVC4PU
Biblia, Diálogo vigente – La Dignidad 02: https://www.youtube.com/watch?v=SAj65GgVrYU
Biblia, Diálogo vigente – La Dignidad 03: https://www.youtube.com/watch?v=3HlYtkeOeJk
Biblia, Diálogo vigente – La Dignidad 04: https://www.youtube.com/watch?v=cZNmPVupvEo
El Papa Francsco envía un mensaje en el 20º Aniversario del Atentado a la AMIA: https://www.youtube.com/watch?v=ol3gvO_CqDw
Papa Francisco fala sobre os judeus e lembra Golda Meir: https://www.youtube.com/watch?v=AHJs38uFATs
Papa Francisco y el Rabino Skorka, la amistad: https://www.youtube.com/watch?v=UzRfqoK6LNs
Primer Aniversario del Mural Conmemorativo de las Víctimas del Holocausto: https://www.youtube.com/watch?v=VBNHTP_Mp2g
Special Coverage from the Vatican: Rabbi Skorka, the Pope’s best friend: https://www.youtube.com/watch?v=fcfRq9Ne0qE

2. Bergoglio, o Rotaryano

Jubileu do Rotary Missa Papal em Roma: https://www.youtube.com/watch?v=UJ5Uqe2Nit8
Pope Francis Welcomes Rotary to Jubilee Audience: https://www.youtube.com/watch?v=PR5Jw4q-prU
Rotarians’ quotations. Pope Francis: https://www.youtube.com/watch?v=hBWnMwRa-Q8
Rotarianos participam de Audiência Jubilar no Vaticano:https://rotary.org/pt/rotarianos-participam-de-audi%C3%AAncia-jubilar-no-vaticano
Papa dá as boas-vindas ao Rotary no Jubileu: https://www.rotary.org/pt/pope-welcomes-rotary-jubilee-audience
Participe do Jubileu dos Rotarianos com o papa Francisco: http://revistarotarybrasil.com.br/participe-do-jubileu-dos-rotarianos-com-o-papa-francisco/
Papa Francisco é Rotariano Honorário do RC Buenos Aires: https://www.rotaryeclubdistrito4500.com.br/joomla30/index.php/549-Papa-Francisco-%C3%A9-Rotariano-Honor%C3%A1rio-do-RC-Buenos-Aires
Por que os maçons amam o Papa Francisco? Parte I: https://www.obramissionaria.com.br/por-que-os-macons-amam-o-papa-francisco/
Por que os maçons amam o Papa Francisco? Parte II: https://www.obramissionaria.com.br/por-que-os-macons-amam-o-papa-francisco-parte-ii/
Por que os maçons amam o Papa Francisco? Parte III: https://www.obramissionaria.com.br/por-que-os-macons-amam-o-papa-francisco-parte-iii/
POPE FRANCIS & ROTARY: https://district5050.org/stories/pope-francis-rotary
Francis is an Honorary Member of the Masonic Rotary Club: https://novusordowatch.org/2014/11/francis-rotary-club-honorary-member/

  1. Bergoglio, o Comunista

BERGOGLIO Y LA SUBVERSIÓN: https://www.catolicosalerta.com.ar/bergoglio/bergolio-subversion.html
MONSEÑOR JORGE M. BERGOGLIO RINDIÓ HOMENAJE A MONSEÑOR ANGELELLI, EL OBISPO MONTONERO: https://www.catolicosalerta.com.ar/bergoglio/homenaje.angelelli.html
BERGOGLIO PERMITIÓ LA SEPULTURA DE DOS SUBVERSIVAS EN EL PREDIO DE UNA IGLESIA: https://www.catolicosalerta.com.ar/bergoglio/sepultura-subversivas.html
BERGOGLIO CÓMPLICE: PRESIDIÓ UNA “MISA” POR LOS PALOTINOS: https://www.catolicosalerta.com.ar/bergoglio/bergoglio-complice.html
BERGOGLIO CÓMPLICE: PRESIDIÓ UNA “MISA” POR LOS PALOTINOS: https://www.catolicosalerta.com.ar/bergoglio/bergoglio-complice.html
LA VERDAD SOBRE LOS CURAS PALOTINOS: https://www.catolicosalerta.com.ar/bergoglio/verdad.html
PROCESO DE CANONIZACIÓN DE CINCO TERRORISTAS MUERTOS: https://www.catolicosalerta.com.ar/bergoglio/canonizacion-terroristas.html
Pope Francis & Careaga – 1: https://www.youtube.com/watch?v=kBgfXegOiM4
Pope Francis & Careaga – 2: https://www.youtube.com/watch?v=5RjMTae3eE4
Beatos Mártires Riojanos: https://www.youtube.com/watch?v=0KJ7i8Ebph0
Beatificación de los mártires de La Rioja. Homilía completa. Cardenal Giovanni Angelo Becciu: https://www.youtube.com/watch?v=B_cVglWv_ZY

  1. Bergoglio, o Protestante

CRECES: http://pagina-catolica.blogspot.com/search?q=creces
¡Después dicen que criticamos a Bergoglio!: http://pagina-catolica.blogspot.com/2013/10/ver-este-video-es-sentir-pena-y.html
BERGOGLIO y FIGUEROA 30 07 2007 LOGO: https://www.youtube.com/watch?v=h-h_LqYRhZc
Card Bergoglio Effusione: https://www.youtube.com/watch?v=yeJH898Wl6A
Protestantes bendicen al Cardenal Bergoglio: https://www.youtube.com/watch?v=SKAckrYENtY
Pope taps Protestant friend to carry his voice in Argentina: https://cruxnow.com/global-church/2016/07/pope-taps-protestant-friend-carry-voice-argentina/
Papa nomeia pastor protestante como editor de jornal da Santá Sé: https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,papa-nomeia-pastor-protestante-como-editor-de-jornal-argentino-da-santa-se,10000098424

  1. Bergoglio, o Sacrílego

MISA DE NIÑOS 2011 – 2.wmv: https://www.youtube.com/watch?v=RwS9umpEkvs
L’intera ‘Messa Tango’ del Card. Jorge Bergoglio, Arcivescovo di Buenos Aires: https://www.youtube.com/watch?v=_9_JrVd_T8M
Bergoglio en San Cayetano, Lujan, San Pantaleón: https://www.youtube.com/watch?v=coY__PD0oko
Puppet masses? Theologians ask what liturgical reforms Pope sees as ‘irreversible’: https://www.lifesitenews.com/news/puppet-masses-theologians-question-what-liturgical-reforms-pope-sees-as-irr
Pope Francis invokes ‘magisterial authority’ to call Vatican II Mass ‘irreversible’: https://www.lifesitenews.com/news/pope-francis-invokes-magisterial-authority-to-call-vatican-ii-mass-irrevers

Protestantismo Desmascarado: Tirando dos “crentes” a máscara da fidelidade à Bíblia e a Jesus Cristo

PROTESTANTISMO DESMASCARADO

TIRANDO DOS “CRENTES” A MÁSCARA DE FIDELIDADE À BÍBLIA E A JESUS CRISTO

Por protestantismo se entende o conjunto de grupos sectários que agem em oposição e protesto à Igreja Católica, em virtude de sua adesão aos princípios da Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solo Christo e Soli Deo Gloria.

Fala-se no conjunto de grupos sectários que agem em oposição e protesto à Igreja Católica, porque os protestantes são dissidentes da Igreja Católica: sua origem remonta à Europa do século XVI. Seus fundadores, Lutero, Melanchton, Calvino, Zurgílio entre outros, eram católicos até o momento que resolveram protestar, isto é, deixar de ensinar o catecismo que aprenderam e rezar a Missa que até ontem diziam.

Fala-se que assim agem em virtude de sua adesão aos princípios…, primeiro porque os protestantes não possuem em comum algum credo definido, mas apenas certos princípios que, por sua própria natureza, em vez de produzir a unidade entre eles, constitui a causa mesma de sua divisão em milhares e milhares de denominações; segundo, porque, por mais vago e indefinido que possa ser o credo do protestante individual, ele sempre se baseia em alguns princípios fundamentais, todos possuindo uma opinião essencialmente comum sobre as fontes da fé (Sola Scriptura), o meio de justificação (Sola Fide e Sola Gratia) e a constituição da Igreja de Cristo (Solo Christo e, analogamente, Soli Deo gloria).

Philip Schaff, uma reconhecida autoridade protestante (em “The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge”, v. Reformation), resume os princípios do protestantismo da seguinte maneira:

“O protestante busca instrução diretamente na Palavra de Deus, e procura o trono da graça em suas devoções; ao passo que o católico romano consulta o ensinamento de sua igreja, e prefere oferecer suas orações através da Virgem Maria e dos Santos.”

“Desse princípio geral da liberdade evangélica, e da relação direta do crente com Cristo, procedem as três doutrinas fundamentais do protestantismo – a supremacia absoluta (1) da Palavra [Sola Scriptura], (2) da graça de Cristo [Sola fide, Sola gratia] e (3) do sacerdócio geral dos crentes [Solo Christo, Soli Deo gloria].”

SOLA SCRIPTURA

Os protestantes procuram provar as duas últimas por meio da Sagrada Escritura e somente por meio da Sagrada Escritura é que aceitam ou rejeitam uma doutrina, prática ritual ou disciplina historicamente aceita ou rejeitada pela Igreja Católica.

É por esse motivo que se pode chamar sua adesão à Escritura somente (Sola Scriptura) como o princípio objetivo do protestantismo, já que ele é utilizado como princípio de todas as doutrinas e observâncias de ordem litúrgica ou disciplinar que surgem em seu seio: é por meio dela que o batista somente batiza os crentes adultos, que o adventista diz que se deve observar o sábado em vez do domingo e que o neopentecostal fala da experiência direta com o Espírito Santo quase como se fosse algum tipo de sacramento.

Em geral, porém, todos os protestantes estão unidos na rejeição das seguintes doutrinas católicas: a autoridade do Papa, o mérito das boas obras, as indulgências, o culto da Santíssima Virgem, dos Santos e de suas relíquias, os Sacramentos (exceto o Batismo e a Eucaristia), o dogma da transubstanciação e o sacrifício da Missa, as orações pelos mortos, a confissão auricular, o celibato sacerdotal, o sistema monástico e o uso da língua latina no culto público, que foi substituído pelas línguas vernáculas.

SOLA FIDE E SOLA GRATIA

O princípio subjetivo do protestantismo é sua teoria da justificação, a qual diz que nos justificamos pela graça e somos justificados pela fé: sola gratia justificamus et sola fide justificamur (Melanchthon). Segundo ela, o pecador se apropria da sua salvação aceitando a Jesus Cristo como seu único Salvador (um ato de fé fiducial da parte do homem – Sola Fide), essa fé em Cristo é mera apropriação, pois o que lhe concede o perdão dos pecados é a declaração do Pai que o julga inocente em consideração dos méritos de Cristo (graça da parte de Deus – Sola Gratia). Por conseguinte, tanto o assentimento meritório a um conjunto de verdades reveladas quanto a prática meritória de boas obras estão fora do processo da justificação.

Aliás, por esse abismo entre o ato de fé e qualquer mérito do homem, a justificação protestante foi chamada por vezes de justificação forense, pois Deus declara-nos justos, como um juiz em um tribunal, não por uma razão intrínseca (por dentro ainda somos pecadores), mas simplesmente nos declara tais pela mediação de Cristo. Justificado por Cristo, repito, o pecador não se torna justo em si mesmo; não, ele continua pecador e somente se pode salvar por causa de sua fé em Cristo. Donde a máxima de Lutero: simul justus et pecator, ao mesmo tempo justo e pecador, justo porque Deus não vê mais nossas faltas por causa dos méritos do Salvador; pecador, porque nossas faltas ainda existem. É muito importante compreender bem esse ponto, Lutero elucidava-o com o exemplo de que, depois da justificação, somos como esterco cobertos de neve: nós somos o esterco, a graça de Cristo é a neve. Fica assim evidente que no protestantismo a justificação e a santificação são coisas bem distintas e, em um certo sentido, incompatíveis entre si.

SOLO CHRISTO E SOLI DEO GLORIA

Estes dois últimos princípios do protestantismo são uma consequência dos anteriores e, de algum modo, podem ser reduzidos a eles. Eles implicam na afirmação de Cristo como o único Mediador entre o fiel e Deus e, portanto, rejeitam tanto o sacerdócio hierárquico existente na Igreja Católica (Solo Christo) quanto o culto público à Santíssima Virgem, aos Santos e suas relíquias (Soli Deo gloria).

Com efeito, se por um simples ato de fé se obtém a graça e com ela a salvação, não há razão para ter quaisquer intermediários neste e no outro mundo. Ademais, considerando que na visão protestante todo o ser humano está irremediavelmente corrompido depois do pecado original, não existe verdadeira santidade entre os homens, logo não há motivo para buscá-la junto dos sacerdotes e dos santos.

De um ângulo mais positivo, não tanto olhando para a mediação absoluta de Cristo e para a corrupção absoluta do homem, mas enfatizando o papel direto e imediato que cada crente possui no processo de sua justificação, tem-se aí o sacerdócio dos crentes. É, no entanto, outra maneira de dizer a mesma coisa: se todos somos sacerdotes, então ninguém realmente o é, logo nem há sacerdócio hierárquico, nem há motivo algum para procurar quem, afinal, não é muito melhor do que nós mesmos.

Em suma, esses são os princípios do protestantismo. Convém agora proceder com uma breve refutação de cada um deles.

REFUTAÇÃO DA SOLA SCRIPTURA

A crença na Bíblia como única fonte de fé carece de fundamento histórico e lógico, assim como é fatal para a virtude da fé e destrói a unidade.

Carece de fundamento histórico, pois é um fato que Deus se serviu de homens não só para escrever as Sagradas Escrituras, mas também e sobretudo para transmitir as verdades da fé pela pregação, falando aos homens com a autoridade daqueles que fazem às vezes de Deus.

Os primeiros cristãos acreditavam nas palavras dos Apóstolos, porque estes eram enviados de Cristo, não porque tinham escrito alguma coisa. O que valeu para aqueles tempos, também vale para os nossos. Não é lendo a Bíblia por nossa conta, mas é pela autoridade do pregador que acreditamos. A Sagrada Escritura é bastante clara quanto a isso: “Por isso é que nós também damos sem cessar graças a Deus: Porque quando ouvindo-nos recebestes de nós outros a palavra de Deus, vós a recebestes não como palavra de homens, mas (segundo é verdade) como palavra de Deus, o qual obra em vós, os que crestes.” (1Ts 2, 13). “E assim, irmãos, estai firmes: e conservai as tradições que aprendestes, ou de palavra ou por carta nossa.” (2Ts 2, 14). “E guardando o que ouviste de minha boca diante de muitas testemunhas, entrega-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir também a outros.” (1 Tm 2, 2)

Comentando esta última passagem, “entrega-o a homens fiéis”, comenta-se o seguinte na nota-de-rodapé da Bíblia do Padre Figueiredo, edição do Ano Santo de 1950:

“Deste verso se colhe com toda a evidência, que afora as coisas que os Apóstolos deixaram por escrito e que hoje lemos nas suas epístolas, ensinavam eles outras muitas pertencentes à fé e aos costumes, instruindo nelas de viva voz aos primeiros bispos, e mandando que estes as comunicassem a outros de igual fidelidade, para deste modo ir passando de mão em mão o sagrado depósito da doutrina evangélica, e conservando-se sucessivamente no corpo dos pastores eclesiásticos até ao fim do mundo, sem interrupção nem alteração no que toca à substância dos dogmas e da moral cristã. Nesta classe de doutrinas, comunicadas de palavra pelos Apóstolos aos primeiros sucessores, devemos ter por certo que entravam muitos pertencentes à genuína inteligência das Escrituras, às matérias e formas dos sacramentos, e ao uso de certos ritos na administração dos mesmos sacramentos. E como se não pode também duvidar que o que os Apóstolos, como primeiros mestres da igreja, depois de Cristo, ensinavam aos bispos que lhes haviam de suceder, era por revelação e inspiração divina, que para isso tinham, segue-se daqui que as tradições que eles nos deixaram sobre o dogma ou sobre a moral, devem ter tanta força para obrigarem a nossa fé, como a têm os seus escritos. E isto é o que justamente definiu o sagrado concilio de Trento, na sessão 4, contra os modernos hereges, que só admitiam por regra da fé as Escrituras, com exclusão de tudo o que não constasse delas expressamente. Neste ponto da autoridade das tradições, é especialmente digno de sé ler o que escreve Mr. d’Argentré nos seus Elementos Teológicos.” (volume 12, p. 180).

Segundo, carece de toda lógica basear a fé na interpretação pessoal da Sagrada Escritura, pois enquanto a fé é um ato de submissão ou assentimento ao juízo ou testemunho alheio, a interpretação da Bíblia é um ato de juízo da pessoa que lê. No caso da fé pelo ouvido, a última palavra é a do mestre que ensina; no caso da fé pelo juízo privado, a última palavra fica com o leitor, que submete o texto da Escritura a como que um exame póstumo e dá a sentença final sem nenhum apelo: ele crê em si, em vez de crer em uma autoridade superior.

Terceiro, como um primeiro corolário do sobredito, a interpretação privada da Sagrada Escritura é fatal para a virtude sobrenatural da fé, pois quem não ouve a Igreja, mas somente ao seu próprio juízo, não deve ser tido senão como um pagão e publicano (Mt 18, 15-17) e, segundo o Apóstolo, quem não se submete às tradições apostólicas ensinadas por aqueles que são enviados por Deus já está condenado pelo seu próprio juízo: “Foge do homem herege… sabendo que o que é tal está pervertido e peca, sendo condenado pelo seu próprio juízo.” (Tt 3, 10) “E assim repreendei aos que estão já julgados.” (Jd 23). Sobre essa passagem da Epístola de São Judas, eis o comentário da Bíblia do Ano Santo de 1950:

“A Vulgata distingue três gêneros de pessoas: os primeiros são os que pela obstinação em seus erros e desordens levam sobre a fronte o decreto da sua condenação, e estão já condenados pelo seu próprio juízo. Ad Tit 3, 2. A estes repreendei-os com fôrça e sem rebuço, com o fim de descobrir os seus erros, para que os outros se guardem. Os segundos são os que miseravelmente se têm deixado enganar pelos hereges, a estes deveis trabalhar para tirar quanto antes do seu estado funesto, como se estivessem no meio das chamas. Os terceiros são os que mostram dor da sua queda, a estes tirai-os com toda a suavidade e ternura, fazendo a reflexão de que o que lhes sucedeu vos pode também acontecer a vós…” (volume 12, p. 365).

Quarto, como um segundo corolário do que se disse sobre o juízo privado, a fé protestante, fundada em especulações do indivíduo sobre a Bíblia, não é capaz de produzir a unidade de pensamento e ação próprias da religião de Jesus Cristo. Como não há uma autoridade estabelecida, entregues ao juízo privado de cada um, não só as denominações protestantes não concordam entre si, mas dentro das próprias denominações há divergências teológicas graves. Essas divisões se devem ao orgulho do intelecto privado e elas não podem ser vencidas senão pela humilde submissão à autoridade divina.

REFUTAÇÃO DA SOLA FIDE E SOLA GRATIA

O problema da Sola Fide e Sola Gratia protestante é duplo: primeiro reside no próprio conceito de fé, que não é mais o conceito da Bíblia e da Tradição Apostólica, ainda conservado na igreja Católica, mas uma noção peculiar ao século XVI que reduz o ato de fé à fidúcia, isto é, confiança na justificação de si mesmo; segundo, no conceito mesmo de justificação sem obras, uma noção, de uma só vez contrária à doutrina de São Paulo, São Tiago, São João e certamente do mesmo nosso Senhor Jesus Cristo.

A. A FÉ COMO ASSENTIMENTO DA INTELIGÊNCIA À REVELAÇÃO DIVINA

Do ponto de vista meramente conceitual, o primeiro problema, o conceito de fé fiducial, já é uma bagunça: pela sua natureza de confiança, pouco se distingue do virtude da esperança, transferindo então para um ato da vontade, o que deveria ser um ato do intelecto. Ademais, por ter como objeto unicamente o fato de Cristo nos ter redimido na Cruz, ele se afasta do conceito de fé como firme adesão a um complexo de verdades reveladas necessárias à salvação.

Que essa posição de fé como fé em sua própria salvação carece de respaldo bíblico, fica evidente pelo seguinte:

Primeiro, a passagem geralmente utilizada como prova da justificação somente pela fé, “concluímos pois que o homem é justificado somente pela fé, sem as obras de lei” (Rm 3, 28), refere-se à fé como crença em tudo o que Deus disse, seja o que for, deixa-o para além de toda dúvida o exemplo dado por São Paulo: o patriarca Abraão. Queria assim indicar o Apóstolo que antes do estabelecimento da lei da circuncisão, pela crença de Abraão no que Deus lhe revelou – a saber, que ele “seria o pai de muitas nações” – este tinha sido justificado (Rm 4, 13ss). Não se tratava, então, de uma confiança na própria salvação, mas de uma crença em tudo o que Deus revelou, uma adesão intelectual às verdades de fé reveladas pelo próprio Deus.

Segundo, quando São Paulo associa a fé como o dogma da Ressurreição, igualmente se entende fé não como fidúcia ou confiança na salvação pessoal, mas um assentimento da inteligência ao que Deus revelou: “Porque se confessares com a tua boca ao Senhor Jesus, e creres no teu coração que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para alcançar a justiça: Mas com a boca se faz a confissão para conseguir a salvação. Porque, diz a Escritura: Todo o que crê nele, não será confundido.” (Rm 10, 9-11). “E se Cristo não ressuscitou, é logo vã a nossa pregação, é também vã à vossa fé. E somos assim mesmo convencidos por falsas testemunhas de Deus: Porque damos testemunho contra Deus, dizendo que ressuscitou a Cristo, ao qual não ressuscitou, se os mortos não ressuscitam.” (1Cor 15, 14-15).

Terceiro, o mesmo se depreende da afirmação de São Paulo de que o mínimo necessário para salvar-se é crer em dois dogmas: “Assim que sem fé é impossível agradar a Deus. Porquanto é necessário que o que chega a Deus creia que há Deus, e que é remunerador dos que o buscam.” (Hb 11, 6).

Quarto, o próprio Redentor fez a crença no ensinamento do Evangelho necessária à salvação: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo. pregai o Evangelho a toda a criatura. O que crer e for batizado, será salvo: o que porém não crer, será condenado.” (Mc 16, 15-16).

Quinto, em conformidade com a vontade do Divino Redentor, São João diz que compôs o seu Evangelho para levar a crença em Jesus como o filho de Deus e liga a essa fé a posse da vida eterna: “Outros muitos prodígios ainda fez também Jesus em presença de seus discípulos, que não foram escritos neste livro. Mas foram escritos estes, a fim de que vós creiais que Jesus é o Cristo, filho de Deus: E de que crendo-o assim, tenhais a vida em seu nome.” (Jo 20, 30-31).

B. A NECESSIDADE DAS BOAS OBRAS

Outro aspecto sem base bíblica do Sola Fide e Sola Gratia protestante é a noção de que a fé fiducial exclui a necessidade de boas obras como meio de salvação. Historicamente, como se provou em diversos lugares, essa noção é uma invenção de Lutero, o qual foi movido a tanto por uma perturbação existencial – a necessidade de livrar-se do pensamento desesperador de que já estava condenado -, que, por sua vez, moveu-o a excluir da Bíblia a Epístola de São Tiago (hoje unanimemente aceita pelos protestantes), rotulando-a de epístola de palha, e a acrescentar o “somente” em Romanos 3, 28.

Essa falsificação trai o espírito de São Paulo que não só jamais ensinou que somos justificados somente pela fé, mas que no dito versículo trata da fé sobrenatural não como oposta ao cumprimento dos mandamentos de Cristo, mas sim como superior aos preceitos da lei mosaica, tais como a circuncisão e observância do sábado: todas superadas pela promulgação da Nova Aliança. Descontextualizar a passagem é inaceitável e de nenhum modo concorda com a doutrina bíblica, pois:

Primeiro, a fé somente não é suficiente para a salvação. Nenhum protestante negará que São Paulo possuía a fé fiducial de Lutero e, no entanto, o mesmo escreveu: “Isto finalmente vos digo, irmãos: O tempo é breve; o que resta é que, não só os que têm mulheres, sejam como se a não tivessem; mas também os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não usassem; porque a figura deste mundo passa… Não sabeis que os que correm no estádio, correm, sim, todos, mas um só é que leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele, que tem de contender, de tudo se abstém, e aquele certamente para alcançar uma coroa incorruptível; nós porém uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como à coisa incerta; assim pelejo, não como quem açoita o ar; mas castigo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que não suceda que, havendo pregado aos outros, venha eu mesmo a ser reprovado.” (1Cor 8, 29-31; 9, 24-27). “Porque se vós viverdes segundo a carne, morrereis, mas se vós, pelo espírito, fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.” (Rom. 8, 13). Portanto, a fé sem obras de mortificação e penitência não salva ninguém.

Segundo, São Paulo exalta a caridade e deixa claro que fé sem a esperança e a caridade é coisa vã: “Agora pois permanecem a fé, a esperança e a caridade; porém a maior delas é a caridade.” (1 Cor 13, 13). “Ora o fim do preceito é a caridade nascida de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.” (1Tm 1,5). “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão vale alguma coisa, nem o prepúcio, mas sim a fé que obra por caridade.” (Gal 5, 6).

Terceiro, evidentemente, para o desgosto de Lutero, quem ensinou a doutrina das boas obras mais aberta e enfaticamente foi São Tiago, que escreveu: “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Poderá logo algum dizer: tu tens a fé e eu tenho as obras; mostra-me tu a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um só Deus. Fizeste bem, mas também os demônio o creem, e estremecem. Queres, pois, tu saber, ó homem vão, que a fé sem obras é morta? Não é assim que nosso pai Abraão foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? Não vês como a fé acompanhava as suas obras, e que a fé foi consumada pelas obras? E se cumpriu a Escritura, que diz: Abraão creu a Deus, e lhe foi imputado a justiça, e foi chamado amigo de Deus. Não vedes como pelas obras é justificado o homem, e não pela fé somente?” (Tg 2, 17-24).

Quarto, concorda com ele o Apóstolo São João: “Aquele que não ama permanece na morte.” (1Jo 3, 14).

Quinto, por último e para naturalmente encerrar qualquer discussão que teime em sustentar o insustentável, eis que Nosso Senhor responde ao jovem que desejava se salvar: “Se tu queres entrar na vida, guarda os mandamentos.” (Mt 19, 17). E, de fato, no dia do Juízo não pedirá o Senhor conta de nossa fé, pois o que não crê já está condenado (Mc 16, 16; Tt 3, 10), mas pedirá sim conta de nossas obras (Mt 25, 31-46). Por isso é que o que crê nas palavras de Cristo, mas não as põe em prática, é semelhante ao homem que edifica sua casa sobre a areia e assim procedendo, na verdade, prepara sua própria ruína (Mt 7, 26-27).

REFUTAÇÃO DO SOLO CHRISTO E SOLI DEO GLORIA

Além de derivar das duas premissas falsas enunciadas acima, o sacerdócio universal dos crentes é contrário à Sagrada Escritura. A doutrina protestante é que os clérigos tenham sido originalmente representantes do povo, derivando todo o seu poder dele e somente fazendo, por motivos de ordem ou conveniência, o que qualquer leigo poderia fazer também. É uma noção democrática da religião, muito próxima ao republicanismo dos tempos modernos.

Em última análise, se verdadeira, essa teoria significa que houve uma usurpação por parte dos clérigos tanto dos poderes do povo, quanto dos poderes divinos: assim o ensino infalível das verdades reveladas, o sacrifício do Calvário que se dá no Santo Sacrifício da Missa, o perdão dos pecados e a jurisdição autoritativa sobre os fiéis, com o poder de aplicar penas e anatematizar, seriam os principais exemplos de como os sacerdotes assumiram para si o que convém unicamente a Deus. Analogamente, o culto à Santíssima Virgem, aos Santos e às relíquias teriam feito o mesmo e seriam um motivo a mais para desprezar de uma vez por todas o sacerdócio católico.

Entretanto, essa teoria é contrária à doutrina da Sagrada Escritura:

Primeiro, já na profecia de Isaías sobre o reino messiânico, fala-se claramente da eleição de sacerdotes tomados de entre os gentios como uma característica da Igreja: “E eu escolherei dentre eles para sacerdotes, e levitas, diz o Senhor.” (Isaías 66, 21). Assim se lê na nota-de-rodapé da Bíblia do Ano Santo de 1950:

“O Senhor escolherá os seus sacerdotes e os seus levitas dentre os mesmos estrangeiros, que ele tiver convertido à fé, e trazido à sua Igreja. Em vão trabalha o judeu incrédulo, por iludir uma profecia tão clara, pela ab-rogação do sacerdócio da lei mosaica, e sucessão do sacerdócio da lei Cristã, verificada efetivamente há quase dezoito séculos a esta parte. Esta profecia refere-se claramente ao sacerdócio católico.” (volume 7, p. 196).

Segundo, a Escritura acrescenta que esse sacerdócio dos gentios convertidos à fé oferecerá a Deus, do nascer ao pôr do sol, um sacrifício puro (Mal. 1, 11), que era figurado na Antiga Lei pelo sacerdócio de Aarão e especialmente pelo sacrifício de Melquisedeque (Gn 14, 18ss), figura do sacrifício de Cristo (Sl 109, 4; Hb 5, 5ss; 7, 1 ss), referindo-se profeticamente não só à Última Ceia, mas também à sua contínua repetição em comemoração do Sacrifício da Cruz, isto é, à Santa Missa.

Terceiro, do mesmo modo que foi estabelecido um sacerdócio intimamente ligado ao sacrifício da Nova Lei, assim também Cristo solenemente conferiu aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, outro poder sacerdotal (Jo 20, 21), de modo que a quem perdoassem os pecados, estes lhes fossem perdoados. É simplesmente óbvio e necessário que um tal poder seja exercido por um número limitado de pessoas escolhidas por Deus e não por todos os crentes.

Quarto, a noção de um sacerdócio democrático, eleito pelo povo, cai por terra, ademais, porque Cristo solenemente investiu certos homens com o poder de fazer ingressar ou excomungar da Igreja, de aplicar penas oportunas e tomar outras medidas de governo necessárias para que os cristãos sejam um rebanho unido não só no pensamento, mas também na ação (Mt 16, 19; 18, 19).

Quinto, por fim, no que respeita ao ensino, aqueles que Cristo enviou não falam com a própria autoridade, mas com a autoridade de Cristo e, por conseguinte, aqueles que os rejeitam não desprezam a eles só, como quem despreza a usurpadores, mas desprezam sim ao próprio Cristo, como se desprezassem seus embaixadores: “O que a vós ouve, a mim ouve: E o que a vós despreza, a mim despreza. E quem a mim despreza, despreza aquele que me enviou.” (Lc 10, 16).

Logo, tudo o que os protestantes consideram uma usurpação, na verdade, trata-se de poderes que os sacerdotes da Nova Lei efetivamente receberam em cumprimento de profecias e da vontade do próprio Cristo. Disso se conclui que os verdadeiros usurpadores, que fazem-se passar por sacerdotes ao mesmo tempo que menosprezam os enviados de Deus, são os próprios protestantes.

Quanto ao Soli Deo glroia, entendido aqui não simplesmente como o dar glória a Deus, mas com o supostamente fazê-lo à exclusão do culto à Santíssima Virgem e aos Santos, pode-se refutá-lo mediante duas considerações:

Primeiro, Abraão (Gn 18, 2), Ló (Gn 19, 1) e Josué (Js 5, 14-15) prostram-se diante dos anjos enviados pelo Senhor; Abdias, homem temente a Deus, também se curva por terra na presença do profeta Elias (3Rs 18, 7), os filhos dos profetas fazem o mesmo diante de Eliseu (4Rs 2, 15). Toda Escritura nos ensina a louvar e tratar com toda reverência os homens de virtude. “Demos louvores aos homens gloriosos como Moisés, Josué e Davi. A sua sabedoria é celebrada pelos povos e os seus louvores são repetidos nas sagradas assembleias.” (Eclo 44, 1-15) Não somente a pessoa dos santos, mas também aquilo que os representa, pois assim como a imagem de César gravada em uma moeda lembra do tributo que se deve pagar a César (Mt 22, 19-21), a imagem de um santo posta no altar nos lembra de render-lhe a devida homenagem; além disso, quem faz reverência a um símbolo relacionado com alguém deseja indicar sua reverência por este mesmo alguém, tal como fez Jacó inclinando-se diante da vara de José (Hb 11, 21).

Segundo, há uma profecia no Novo Testamento que assim diz: beatam me dicent omnes generationes (Lc 1, 48). Ora, os únicos que cumprem esta profecia são os católicos que continuamente proclamam Nossa Senhora como bem-aventurada na Ave-Maria: Benedicta tu in mulieribus. Sem dúvida, Jesus Cristo fica muito feliz quando os seus servos e amigos são exaltados, pois de fato todo aquele que faz a sua vontade é feliz e como que um parente seu (Mc 3, 32-35). Por isso, o que se aplica em particular à Virgem Maria, também se aplica aos Santos em geral, porque também eles são, em um certo sentido, como mães e irmãos de Jesus.

O famigerado ataque à intercessão dos Santos, não merece então mais do que um breve cometário, novamente retirado da Bíblia do Ano Santo de 1950. Comentando a passagem, “Porque só há um Deus e só há um Mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem” (1Tm 2, 5), lê-se: “Não se pode duvidar; que assim como o Apóstolo dizendo que só há um Deus, exclui todos. os mais, assim quando diz que só há um Mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem, quer que reconheçamos ser este ofício tão próprio de Jesus Cristo, que ele se não atribua a outro, nem homem, nem Anjo. Daqui argumentam os adversários da intercessão dos Santos: Se só Cristo é o Mediador, segundo o Apóstolo, logo fazem injúria a Cristo os que transferem aquele seu ofício para outros tantos Mediadores quantos são os Santos do Céu, cuja intercessão invocam. Deve-se responder, que o ser Cristo o Mediador próprio, primeiro e principal entre Deus e os homens, não tira que os Santos se possam e devam invocar, como uns Mediadores secundários e imperfeitos. Porque. neste mesmo capitulo manda o Apóstolo que oremos uns pelos outros. E na 1 Epístola aos Tessalonicenses, 5, 25, diz o Apóstolo: “Orai por nós”. Porque esta mesma intercessão dos Santos tem por base os merecimentos de Cristo, e por isso todas as orações em que a Igreja invoca a intercessão dos Santos acabam por estas palavras: Per Christum Dominum nostrum, por Cristo nosso Senhor.” (volume 12, p. 159).

CONCLUSÃO

Não há por que protestar: os cinco princípios protestantes examinados neste pequeno trabalho revelam-se invenções humanas que, por mais engenhosas que possam parecer, não procedem da palavra de Deus e infelizmente não podem salvar aqueles que os seguem, em vez disso, as cinco solae produzem entre eles mesmos a perda da fé e a divisão tão característica das seitas protestantes. Parem de protestar, aceitem em submissão à religião revelada de Nosso Senhor e entrem para a unidade católica.

O Oitavo Mandamento da Lei de Deus: Não levantar falso testemunho

23.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Oitavo Mandamento da Lei de Deus: Não levantar falso testemunho.

A. FALSO TESTEMUNHO. MALEDICÊNCIA. CONTUMÉLIA. MURMURAÇÃO.

I. O Oitavo Mandamento da Lei de Deus é Não levantar falso testemunho. Ele proíbe atestar falsidade em juízo e também condena a maledicência, a calúnia, a adulação, a suspeita ou juízo temerário e todo tipo de mentira. Reprime Deus com vigor o pecado da palavra ou da língua para livrar dos atentados dos ímpios o tesouro inestimável da honra, e ainda para reconduzir a fala humana ao seu uso original, isto é, a ser aquele belo dom pelo qual o homem canta hinos de glória e amor ao Altíssimo e cria com os seus semelhantes, doces e afetuosas relações, que são a base do convívio social. Tão importante é o cumprimento deste Mandamento, que diz o Apóstolo São Tiago: “Quem não comete falta no falar, é um homem perfeito.” (Tg 3, 2).

II. Falso testemunho é o depoimento feito em juízo contra a verdade, depois de ter prestado juramento perante um legítimo juiz. Não é permitido depor falso, nem mesmo para procurar qualquer vantagem para si ou para o acusado, visto que não se pode praticar o mal para obter um bem maior. E, de resto, como poderia a autoridade civil, que vem de Deus, exercer a justiça, se as testemunhas não dissessem em juízo tudo o que sabem sobre o delito em julgamento? São Tomás ensina que a testemunha falsa comete três pecados: de perjúrio, jurando contra a verdade; de mentira, dizendo falsidades; de injustiça, pelo dano que causa (II-II, q. LXX, art. 4). Ofende também três pessoas: a pessoa de Deus cuja presença despreza, chamando-o como testemunha de uma mentira; a pessoa do juiz, que insulta enganando-o com uma falsidade; e a pessoa da parte contrária que tenta condenar injustamente. A verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade é o que a testemunha deve dizer sob pena de pecado grave.

III. A maledicência se divide em duas espécies, correspondentes à dupla ofensa que podemos fazer ao bom nome do próximo: a contumélia, quando se injuria a pessoa frente a frente; a murmuração, quando se ofende a honra de alguém pelas costas. A diferença entre a contumélia e a murmuração é semelhante a que existe entre roubo e furto. A contumélia é um roubo parecido com o do bandido que assalta o viandante no caminho. A murmuração é um furto semelhante ao do ladrão, que introduzindo-se clandestinamente em casa, leva o que mais lhe agrada.

IV. O contumelioso não comete um pecado, mas uma multidão de pecados. Peca de desprezo contra a pessoa que injuria, com o ânimo deliberado de deprimi-la e difamá-la, ânimo totalmente destruidor da caridade. Pecado também contra muitos outros, pois que no ardor da paixão se profere quanto se sabe e ainda quanto se pode imaginar acerca dos seus parentes e amigos, próximos e afastados, vivos e mortos, coisas torpes e vergonhosas, antigas e recentes, verdadeiras e supostas, tudo vem para público. É o escândalo dos circunstantes, que a curiosidade multiplica ao infinito, pois tais injúrias em regra se proferem com voz tão alta e sonora, que toda a vizinhança escuta. Acrescentem-se as maldições e as imprecações que se lançam com o desejo de que se realizem, como que exigindo de Deus que se faça ministro das paixões mais brutais. Junte tudo e eis que se tem acumulado uma série infinita de pecados.

V. A murmuração é um pecado que consiste em manifestar, sem motivo justo, os pecados ou defeitos alheios. Murmurar no sentido lato significa falar mal de alguém, proferir palavras em prejuízo de sua honra e reputação. No sentido estrito, consiste em dar a conhecer aos outros, sem motivo, os defeitos do próximo. A murmuração é a conversa mais estimada nas reuniões, o manjar mais delicioso dos banquetes, o pábulo quotidiano nas conversações de salão, nos cafés, nas lojas, nas horas de lazer e recreação. Poucos são os que resistem ao prurido de caluniar o próximo, censurar os seus atos e defeitos, desvendar as suas secretas misérias. E pelas más línguas muitas donzelas não acham casamento, muitos empregados não encontram patrão e muitos operários são despedidos do trabalho. Pelas más línguas destrói-se frequentemente o amor dos esposos; provocam-se desgostos, divisões, atritos dolorosos nas famílias, entre pais, vizinhos, amigos; mancham-se de sangue as mãos de irmãos, praticam-se crimes, preparam-se tremendas ruínas. A murmuração é por si mesma um pecado gravíssimo, que se opõe à caridade e à justiça. À caridade, porque o murmurador causa ao próximo profundos desgostos; à justiça, porque prejudica o próximo em muitas coisas, especialmente na honra, que é preciosíssima e que muitos preferiram morrer à perdê-la. Com certeza a murmuração pode também ser culpa leve, pela pouca importância das coisas de que se fala, ou pela leviandade e pouca reflexão com que se fala. Mas é muito difícil determinar em cada caso, com reto juízo, o que é mortal e o que é venial. E isso deve ser uma razão a mais para pôr um freio fortíssimo à língua a fim de não ofender mais, de nenhum modo, ao bom nome do próximo.

VI. O pretexto de que o que se diz do próximo é verdade não desculpa o detrator de seu pecado. Quando as faltas do próximo são ocultas e não públicas, a lei divina e a própria lei natural não consentem que se revelem sem causa grave e motivo razoável. Acaso gostaríeis que os vossos defeitos, às vezes maiores e mais graves, fossem revelados ao próximo? Portanto, não reveleis o dos outros. E pouco importa que se tenha dito a uma só pessoa em segredo. Se nestas palavras havia algum inconveniente, por que então não vos calastes? E como quereis que os outros guardem reserva, se sois os primeiros a violá-la? Considerai que se o próximo for pelo menos tão fraco como vós, logo ele há de contar este segredo para um terceiro e este ainda para outro e logo, de segredo em segredo, de boca em boca, todos ficarão sabendo e o próximo se verá privado da estima de todos. Daqui também se vê como a murmuração é sempre pecaminosa, pois, seja ela dita por maldade ou leviandade, seu efeito é sempre nocivo ao próximo.

VII. É lícito falar das faltas ocultas do próximo, quando nisso haja vantagem ao bem comum ou quando seja necessário para remediar algum grave dano. Por isso podem e até devem ser informados os pais das faltas dos filhos, a fim de que os corrijam; pode revelar-se a alguém a maldade de algum companheiro, a fim de a evitar; a malícia de algum sedutor para que não se prejudique a fé e os bons costumes. Por isso também São Francisco de Sales dizia que não é maledicência denunciar, como hereges e lobos, todos quantos ensinem doutrinas contra a fé e a moral católica. “É uma caridade descobrir o lobo que se esconde entre as ovelhas, em qualquer parte onde o encontramos.” (Filoteia III, 29).

B. CALÚNIA. ADULAÇÃO. SUSPEITA OU JUÍZO TEMERÁRIO.

VIII. A murmuração revela defeitos que deveriam calar-se, a calúnia imputa ao próximo faltas de que ele não é culpado. Dentre todas as detrações, a calúnia é a mais ímpia, porque fere ao mesmo tempo a caridade, a justiça e a verdade. Com quanta arte não se inventam, ampliam e alteram os defeitos alheios, de modo que um pequeno sinal se converte em grandíssima evidência: um esconde sua perversidade mostrando de princípio estima pelo outro para depois pintar sua biografia com as tintas mais negras; outro, fingindo compaixão e zelo, fala com pesar do próximo, forjando mentiras sobre ele ou exagerando seus defeitos para fazer-lhes parecer mais graves do que realmente são; há o que comece como quem estivesse em dúvida: “Dizem que fulano fez isso, mas não é verdade; porém, se o fosse, que escândalo!”. Quem calunia desses modos ardilosos não é menos que uma víbora, que morde sem ruído. Não se deve subestimar a malícia de um hábil caluniador, não há pessoa que escape de sua língua. A perversidade humana, quando nada mais puder fazer, desvirtua as intenções, insinua-se perfidamente e interpreta sinistramente; e se deve lembrar que muitas vezes, em virtude da calúnia, a honra de pessoas que nos são muito caras são postas em dúvida, destruindo a confiança e sincera admiração que tínhamos pelo nosso próximo.

IX. A maldosa mulher do Putifar caluniou o casto José; o mesmo fizeram os dois velhos, chefes do povo, à casta Susana. E as vítimas inocentes não só foram ofendidas no seu nome, mas o santo filho de Jacó foi ainda condenado a cárcere rigorosíssimo, do qual foi libertado por milagre, e Susana seria esmagada por uma chuva de pedras, se no jovem Daniel, por Deus enviado, não encontrasse um valente defensor de sua inocência.

X. A escola de Voltaire foi a escola da calúnia. “Caluniai, dizia o ímpio, caluniai sempre, porque alguma coisa ficará da calúnia!” E ele mesmo era o primeiro a pôr em prática o preceito infame. Voltaire, com efeito, escarneceu de Deus, Nossa Senhora, dos dogmas mais augustos da religião; comprazia-se de inventar obscenidades e sacrilégios contra os ministros do Senhor. “Fazei com que o povo, escrevia ele, perca a veneração e o respeito para com seus sacerdotes e tereis conseguido o triunfo da imoralidade e da anarquia.” Ao chegar a hora da morte, o maléfico gênio da França, talvez por vontade de Deus, confessou com orgulho, na hora da agonia, ter sido um grande monstro de iniquidade; e esbravejando e imprecando passou aos tremendos juízos de Deus.

XI. Numa carruagem de 3.ª classe viajava apenas um pobre frade com o seu rosário pendente na cinta. Mais tarde entrou na mesma uma senhora, que levava o terço em volta do pulso e parecia ser muito devota. Pouco tardou que não começasse a falar mal de um seu vizinho. O frade por bons modos interrompeu o discurso e disse-lhe: “Minha excelente senhora, vamos rezar um rosário por ele?”; e começou a oração, logo sendo acompanhado pela senhora. Acabada a reza, esta calou-se por um momento, e depois reatou o discurso falando mal da mulher do seu vizinho. O religioso não se deu por vencido, e acrescentou: “Ora, vemos rezar outro rosário por esta mulher!”Acabado este rosário, a senhora não se podia conter, e começou de novo: “Mas a sogra é pior que a mulher, e todos sofrem com ela.” E logo o frade muito solícito: “Pois bem, é preciso então rezar mais um rosário pela sogra.” Terminado este, chegavam à estação, e o frade ao despedir-se, disse-lhe sorrindo: “Minha ilustre senhora, terei muito prazer em reencontrar-lhe outra vez.”

XII. A adulação é um pecado que consiste em enganar uma pessoa dizendo-lhe falsamente bem dela ou de outra, com o fim de tirar daí algum proveito. A adulação ofende a virtude da justiça, porque o próximo tem o direito de saber a verdade, e se alguma vez não queremos ou não podemos dizer a verdade, devemos ao menos nos calar. A adulação fomenta o orgulho, obscurece a inteligência, fere a alma e põe o próximo em um grave risco: pois que, ao ver-se elogiado em coisas más, suporá ter procedido bem, quando andou mal e continuará a praticar más ações. “Melhor é ser repreendido pelos sábios do que enganado pelos falsos louvores dos tolos.” (Eccles. VII, 6).

XIII. O juízo ou suspeita temerária é um pecado que consiste em julgar ou suspeitar mal dos outros, sem justo fundamento. Há, porém, uma diferença entre o juízo e a suspeita temerária. Esta última leva a supor como réu o próximo; já o primeiro, declara-o tal sem motivo razoável. Ambos se distinguem da calúnia, porque o caluniador mente e atribui maldosamente ao próximo defeitos que ele não têm; pelo contrário, quem suspeita ou julga temerariamente, persuade-se a si mesmo que o próximo é culpado, embora sem fundamento justo. Essas suspeitas e esses juízos infundados ofendem a caridade e a justiça e são a origem das murmurações e das calúnias. Por isso, devemos nos esforçar para arrancá-los do coração. São Tomás indica as duas raízes desse mal: a principal é a nossa profunda maldade. É coisa muito comum e natural julgar os outros por si mesmo. A pessoa leal, reta, de bem, julga os outros com a bondade do seu coração, e muito facilmente defende como a própria a inocência dos outros. A pessoa má e viciosa facilmente presume nos outros as desordens morais que vê em si. Numa palavra: tais juízos, tal coração. Outra raiz é o ódio e a inveja. A paixão contra qualquer pessoa altera muitas vezes a cor aos objetos, engrandece aos nossos olhos as coisas mais pequenas, perverte a inteligência e arrasta-a às mais perversas conclusões. Para ela a pessoa mal vista e odiada há de a todo custo ser má e culpada. Limpemos o nosso coração da maldade e das paixões, e teremos fechado o primeiro manancial de juízos temerários.

C. A MENTIRA.

XIV. A mentira é um pecado que consiste em afirmar como verdadeiro ou como falso, por meio de palavras ou de ações, o que se sabe não ser assim. A essência da mentira reside na disparidade entre o que se pensa e o que se diz, isto é, consiste no enganar e no fingir. Por isso, pode ser culpado de mentira até quem diga a verdade, caso a julgue falsa. Pois é essa falta de franqueza e de sinceridade que confere toda malícia a esse pecado. E não se mente só com palavras, mas também com gestos e sinais, tudo o que exprime o nosso pensamento. Toda a simulação e fingimento é mentira, e dentre todas a pior é a hipocrisia, com a qual se pretende apresentar como melhor para enganar os outros. Estes são os sepulcros caiados, bonitos por fora, mas podres por dentro, que Jesus Cristo abomina no Evangelho.

XV. A mentira é de três espécies: jocosa, oficiosa e danosa. Mentira jocosa é aquela que se mente com gracejo e sem prejuízo para ninguém. Mentira oficiosa é a afirmação de uma falsidade para utilidade própria ou alheia, sem prejuízo para ninguém. Mentira danosa é a afirmação de uma falsidade com prejuízo do próximo. Essa última tem a gravidade medida de acordo com o dano que se pode fazer ao próximo e geralmente é filha do interesse, da inveja, do ódio, da vingança e do amor próprio.

XVI. A mentira quando é jocosa ou oficiosa é pecado venial; mas quando é danosa é pecado mortal; se o dano que causa é grave. A mentira é ordinariamente culpa leve, mas pode ser também culpa grave, quando constitui uma ofensa especial contra Deus, como, por exemplo, se por meio da mentira se prejudica a religião, a Igreja, a autoridade; se com ela se causa um dano considerável à honra, ao bom nome e aos outros bens do próximo; se, finalmente, for causa de grave escândalo. Neste sentido está escrito: “A boca que profere mentira dá morte à alma.” (Sabed. I, 11).

XVII. Nunca é lícito mentir, nem por gracejo, nem para proveito próprio ou alheio, porque mentir é uma coisa má em si mesma. O Apóstolo São Paulo ensina que é absurdo o expediente de fazer o mal para que dele advenha um bem: non sunt facienda mala ut veniant bona. A mentira não pode deixar de ser má, ainda que dela viesse algum grande bem ou com ela se evitasse um grande mal. A mentira é essencialmente oposta a Deus, verdade por essência; é um abuso do dom preciosíssimo da palavra, que nos foi dada para nos auxiliarmos e não para nos enganarmos; é uma rebelião contra a ordem social, que se baseia na mútua lealdade dos homens; é indício de uma alma vil e de um coração desleal. O mentiroso se assemelha ao demônio, pai enganador, que com a mentira desgraçou a nossos progenitores e continua a desgraçar uma multidão de homens. “Guardai-vos de proferir mentiras.” (Eccles. VII, 14), “O Senhor abomina os lábios mentirosos.” (Prov. XII, 22).

XVIII. Muitas vezes manifestou Deus, com terríveis castigos, o seu horror pela mentira, como quando castigou com horrível lepra a Giezi que mentiu a Eliseu, e fulminou de morte súbita a Ananias e Safira que haviam dito uma mentira aos pés de São Pedro (IV Reis V, 27 Atos dos Apóstolos V).

XIX. Porém, nem sempre é necessário dizer tudo o que se pensa, especialmente quando quem pede não tem o direito de saber o que pergunta. Nunca é permitido a mentira, mas nem sempre se está obrigado a dizer a verdade. Dizer o falso e calar o verdadeiro são duas coisas bem distintas entre si. O uso da língua deve ser sempre sábio e prudente, e a verdade deixaria de ser virtude para ser culpa, quando descobrisse aquilo que por qualquer título devesse estar oculto. O Espírito Santo distingue oportunamente o tempo de falar e o tempo de calar: tempus loquendi, et tempus tacendi (Eccles. III, 7). Quando São Tomás da Cantuária, fugindo disfarçado da perseguição do rei Henrique II, respondeu aos soldados que lhe pediam se ele era o arcebispo, dizendo: “Isso lá é maneira de um arcebispo viajar!” – ele não mentiu, apenas não revelou sua identidade. Do mesmo modo, Santo Atanásio, durante a perseguição de Juliano Apóstata, enquanto navegava pelo Nilo para escapar daqueles que o imperador havia mandado para o matar, disse sem culpa aos algozes que, detendo-o no mar, perguntaram se ele tinha visto Atanásio: “Sim e não vai longe; se seguirdes nesta direção, certamente o apanhareis.” Os santos que assim o fizeram, podiam ter sido facilmente descobertos pela forma evasiva de suas palavras, mas Deus os quis livrar dos seus inimigos, porque não querendo mentir, omitiram dizer aos seus perseguidores o que não lhes convinha saber.

XX. Quem pecou contra o Oitavo Mandamento não basta que se confesse disso, mas é também obrigado a retratar tudo o que disse caluniando o próximo, e reparar, do melhor modo que possa, os danos que lhe causou. E quanto ao que nos cumpre fazer sempre para positivamente cumprir este preceito, o Oitavo Mandamento nos ordena que digamos oportunamente a verdade e que interpretemos em bom sentido, tanto quanto pudermos, as ações do nosso próximo.

Conde Loppeux versus o Magistério da Igreja

Breve Retrospectiva

O sr. Leonardo Oliveira (mais conhecido como Conde Loppeux), atacou os tradicionalistas em geral em um vídeo contra a minha pessoa. As acusações principais foram as seguintes: (1) os tradicionalistas não contribuem para o crescimento da Igreja, (2) os tradicionalistas são fariseus, (3) os tradicionalistas estão tornando a Missa Tridentina sua refém e (4) os tradicionalistas não se adaptam à realidade concreta.

A essas acusações respondi em meus dois primeiros vídeos contra o Conde Loppeux. Em síntese, respondi a cada acusação acima do seguinte modo:

(1) o que impede o crescimento da Igreja chama-se ecumenismo modernista, doutrina justamente combatida pelos tradicionalistas e oficialmente adotada pela seita pós-conciliar (como veremos), na qual se encontra o sr. Leonardo Oliveira;

(2) sendo o farisaísmo essencialmente o ato de aderir a tradições humanas no lugar do cumprimento da Lei Divina, esse termo se aplica melhor aos modernistas que puseram em sua doutrina, culto e disciplina, o humanismo no lugar da doutrina tradicional da Igreja;

(3) historicamente, a Missa Tridentina foi abolida e depois pervertida pelos modernistas. Se hoje ainda há Missa Tridentina, isso se deve aos primeiros tradicionalistas, que somente quiseram sua preservação. É totalmente injusto imputar-lhes uma intenção maliciosa e sectária, ao passo que é justo atribui-las a Bugnini e outros corifeus da Reforma Litúrgica;

(4) A proposta de adaptação à realidade concreta feita pelo sr. Leonardo Oliveira – controle de natalidade por parte da população pobre e Missa em vernáculo – já foi posta em execução pelos modernistas e o resultado foi péssimo; ambas supõem um abandono daquilo que a Igreja ensina sobre os fins primários do matrimônio e sobre a Missa como um sacrifício propiciatório e satisfativo. Isso revela: (1) ou que o sr. Leonardo Oliveira não tem saído da cadeira e ido a sua paróquia nos últimos cinquenta anos; (2) ou que ele simplesmente quer que os tradicionalistas sejam modernistas como ele, o que ninguém em sã consciência faria, já que a razão, a experiência e o Magistério da Igreja mostram que esse não é o caminho para o Céu.

Reação do Conde

Como resultado, o sr. Conde gravou alguns vídeos em resposta. Pelo que me consta, não houve da parte dele uma resposta ordenada e coerente acerca dos pontos acima, antes houve uma insistente petição de princípio acompanhada de reações nervosas que causam vergonha a pessoas honestas. Aqui falarei apenas da petição de princípio, que me parece o ponto principal, deixando de lado as injúrias contra o bom senso e a lei natural (controle de natalidade) e evidentemente aquelas contra a minha pessoa em particular.

Uma Petição de Princípio

Toda a réplica do sr. Leonardo Oliveira, no que tem de mais interessante, funda-se em uma falácia lógica chamada petição de princípio (petitio principii). Ela consiste em forçar o adversário a aceitar como premissa o ponto que está justamente em discussão. Um exemplo seria o de um protestante que pedisse provas bíblicas das doutrinas católicas. Quando ele faz isso, ele exige que você aceite o seu erro doutrinal, a Sola Scriptura, como princípio. No entanto, o católico não parte desse pressuposto e, se o fizesse, cairia em um erro protestante. Então, para uma discussão justa, o que se deve é discutir sobre a verdade ou falsidade do princípio e não exigir que o adversário o aceite de antemão.

No caso do Conde, ele quer que eu aceite que os papas modernistas são o Magistério da Igreja. No entanto, é precisamente isso o que eu nego. Em contrapartida, o sr. Conde diz que eu não posso fazer isso sem ser um rebelde, um mal caráter, um protestante. Por quê? Porque um leigo não pode negar o que ele julga ser o Magistério da Igreja… E assim vai indefinidamente a petição de princípio do Conde.

Uma pessoa razoável, qualquer que seja, deve antes perguntar-se sobre o seguinte: os papas pós-conciliares são verdadeiramente o Magistério da Igreja? Se sim, então o sr. Leonardo Oliveira teria alguma base para o seu apostolado, embora não fosse mais um apostolado católico (já que tal reconhecimento exigiria dele um assentimento aos seus ensinamentos heterodoxos, o que ele não faz, como veremos abaixo); caso contrário, os sedevacantistas estão certos e a posição do sr. Conde carece de toda base.

Refutação

Há dois anos atrás publiquei o primeiro vídeo do Controvérsia Católica no Youtube. Ele se chamava “Introdução ao Sedevacantismo”. O vídeo, por sua vez, baseava-se em uma conferência dada 20 anos atrás pelo erudito sr. John Daly. A nossa resposta desde então é a mesma e aqui não vou senão repetir aquilo que sinteticamente havia dito naquele tempo de maneira mais sistemática e pormenorizada.

Em primeiro lugar, o sedevacantismo não é um juízo canônico, mas um juízo de fato. Quando um sedevacantista diz que a Sé está vacante, ele não exerce mais autoridade do que alguém que diz que o livro está sobre a mesa ou que o céu é azul. É apenas ridícula a posição do Conde e outros antagonistas do sedevacantismo que ficam como bobinhos querendo proibir as pessoas de fazer juízos de fato, como se a razão não bastasse para perceber a natureza, propriedades e acidentes das coisas. Isso não só é contra a filosofia escolástica que a Igreja promove, mas é contra a vontade deliberada da Igreja que ensina os homens a não crer na religião cegamente, mas a partir de provas externas à Revelação, bem como da natureza, notas e dotes da Igreja. Aqueles que negam esse caminho do exame racional são precisamente os modernistas que professam o agnosticismo teológico.

Então, os sedevacantistas dizem que é um fato que os papas modernistas não são verdadeiros e legítimos. Para provar esse fato eles apenas precisam demonstrar que: o seu Magistério carece de qualidades próprias ao Magistério Católico; ou que ele possui certas qualidades que repugnam ao catolicismo. É como avaliar um anel de ouro postiço. Ou sabe-se que é falso por carecer de alguma propriedade do ouro (por exemplo, seu peso específico); ou em virtude de possuir qualidade estranha ao ouro (por exemplo, ser atraído por um imã). Em ambos os casos, chega-se à mesma conclusão. Aqui procederei pela primeira via, isto é, a partir das propriedades do Magistério da Igreja.

Pois bem, a Igreja descreve-se como dotada das seguintes propriedades: infalibilidade na doutrina, indefectibilidade no seu ser e autoridade no governo das almas. Esses dotes da Igreja fazem dela mestra segura e guia da vida cristã. Essas propriedades se manifestam não só no corpo da doutrina (que é o que examinaremos aqui), mas também na liturgia e na lei eclesiástica (para um exame destes pontos, vide a Playlist Fundamentos do Sedevacantismo).

Ora, é evidente que o Magistério modernista carece de infalibilidade na doutrina.

A doutrina pós-conciliar que me parece mais fácil de compreender como falsa e contraditória e mais adequada a discussão com o sr. Conde é a nova doutrina sobre a Igreja. Segundo o Magistério Pós-Conciliar, os corpos cismáticos são “igrejas particulares” unidas a Igreja por estreitíssimos vínculos (Communion 17); a Igreja universal é o “corpo das igrejas particulares” (ibid. 8); as Igrejas cismáticas têm uma existência “ferida”. (ibid. 17); a “Igreja Universal torna-se presente nelas [as igrejas particulares] em todos os seus elementos essenciais” (ibid. 17); a Igreja de Cristo está “presente e ativa” nas igrejas que rejeitam o papado. (Dominus Iesus 17); pelo batismo a pessoa torna-se membro do “Povo de Deus” (Catecismo 782); todo esse Povo de Deus participa no ofício de Cristo (ibid. 783); o corpo de Cristo, a Igreja, está “ferida” (ibid. 817); o Espírito de Cristo utiliza-se de corpos heréticos e cismáticos como “meios de salvação” (ibid. 819); cada “igreja particular” é “católica”, porém algumas são “plenamente católicas” (ibid. 832, 834).

Em suma, o novo ensinamento sobre a Igreja contradiz o dogma Creio na Igreja Una, implicando que as seitas cismáticas e heréticas pertencem à Igreja de Cristo, o que era negado antes do Vaticano II. Curiosamente, os próprios modernistas o admitem em seus escritos (vide A Nova Eclesiologia do Vaticano II, https://controversiacatolica.com/2018/11/04/a-nova-eclesiologia-do-vaticano-ii/).

Como disse, esse tema é interessante por dois motivos. Primeiro, como tais afirmações procedem de catecismos e outros documentos oficiais da Santa Sé, o sr. Conde Loppeux não pode negá-los sem pecado e contradição. Por outra parte, se ele os aceita, ele está obrigado a reconhecer os sedevacantistas (que ora qualifica como hereges, ora como cismáticos), fazem parte de uma igreja particular, munida de meios de santificação, unida à Igreja por laços estreitíssimos e, claro, jamais deve tentar nos converter!

Então aqui chegamos em um ponto realmente decisivo. Cabe saber qual caminho o sr. Leonardo Oliveira deseja trilhar. Será que ele vai reconhecer que a nova eclesiologia do Vaticano II contradiz o ensinamento tradicional? Ou será que ele vai admitir o novo ensinamento e passar a ter os sedevacantistas como parte da Igreja de Cristo? Por ora só Deus o sabe, mas o futuro dirá.

Defesa dos tradicionalistas contra o Conde Loppeux

Sumário. Resposta às acusações do Conde Loppeux: A Legítima Defesa dos Tradicionalistas. 1.ª Os tradicionalistas não contribuem para o crescimento da Igreja. Refutação: O ecumenismo modernista é que não só não contribui, antes o impossibilita de fato. 2.ª Os tradicionalistas são fariseus. Refutação. Os verdadeiros fariseus são os modernistas com suas tradições humanistas que falsificam o Evangelho de Cristo e a disciplina eclesiástica. 3.ª Os tradicionalistas fazem da Missa Tridentina uma refém de sua seita. Refutação: Ignorância histórica e cinismo neoconservador: sua seita é que baniu e desfigurou a Missa Tridentina. 4.ª Os tradicionalistas não sabem lidar com os problemas de nossa realidade concreta. Refutação: o senhor é que não sabe nem de doutrina, nem da realidade concreta de suas heresias.

O sr. Leonardo Oliveira, mais conhecido como Conde Loppeux, publicou um vídeo intitulado “Resposta a um fariseu e alguns problemas da Igreja” (https://www.youtube.com/watch?v=laWLu0Rizko), no qual ataca não somente a mim, Irmão Diogo Rafael Moreira (o “fariseu” em questão), mas também os tradicionalistas em geral. Pelo fato do ataque aos tradicionalistas ser a maior injustiça cometida por ele, injustiça da qual ele mesmo parece ter se dado conta mais tarde (https://www.youtube.com/watch?v=ao_poERTBAE – não, porém, sem acrescentar mais calúnias contra os tradicionalistas), convém proceder com a legítima defesa do tradicionalismo, palavra aqui usada unicamente por conveniência, para designar os católicos que seguem a fé, culto e disciplina pré-apostasia do Vaticano II.

1.ª Acusação: Os tradicionalistas não contribuem para o crescimento da Igreja.

Segundo o Conde, o tradicionalismo é um gueto que leva a refletir sobre o fato de perdermos fiéis, porque no tocante ao crescimento da Igreja, eles são piores que os carismáticos e às vezes piores que os adeptos da Teologia da Libertação. Ele observa que os tradicionalistas dificilmente crescem: eles são “uma patota”. Uma “patota” que afasta qualquer pessoa da Igreja.

Essa, portanto, é a primeira acusação. Os tradicionalistas não convertem as pessoas, não levam ao crescimento da Igreja.

Contudo, na verdade, a realidade concreta diz o contrário. A Renovação Carismática e a Teologia da Libertação (para se limitar aos grupos mencionados por ele), na melhor das hipóteses, “administram” os fiéis que ficam na Igreja pós-conciliar. E isso não poderia ser diferente, porque o ecumenismo modernista que a move, não serve para converter nada, nem ninguém. O crescimento da Igreja mediante conversões seria certamente um “pecado contra o ecumenismo” – isto é, um pecado contra a ordem naturalista judeo-maçônica preparada da parte dos modernistas pela disseminação de um culto ao homem (Paulo VI-Bento XVI) e à natureza (Francisco). Esse pensamento anti-proselitismo, fundado no falso misticismo modernista condenado na Pascendi, que já aparece bem-definido em documentos como a Unitatis Redintegratio, a Ut Unum Sint e o Diretório Ecumênico, foi exposto claramente por Francisco em alocução aos seminaristas, religiosos e fiéis da Georgia, ao 1.º de outubro de 2016:

“O que devo eu fazer com um amigo, um vizinho ortodoxo? Ser aberto, ser um amigo. Devo esforçar-me para convertê-lo? Há um grave pecado contra o ecumenismo: o proselitismo. Jamais se deve fazer proselitismo contra os ortodoxos. Eles são nossos irmãos e irmãs, discípulos de Jesus Cristo!”

Uma Igreja que não faz proselitismo, isto é, que não convence os outros da verdade de sua fé, não pode crescer, nem frear a onda de naturalismo que permeia hoje a vida individual, familiar e social. E esse é precisamente o problema da seita modernista pós-conciliar.

Recentemente, um rapaz, ex-protestante, disse-me que o que o manteve por 10 anos no protestantismo foram os falsos ensinamentos modernistas. Uma vez que entrou em contato com o trabalho do Controvérsia Católica, que não é senão o trabalho dos tradicionalistas em defesa da fé, ele se converteu à religião verdadeira.

“Boa tarde, irmão Diogo. Admirável o trabalho de vocês. Fui evangélico por 10 anos e é por culpa das mentiras no seio da Igreja que pessoas sinceras aos ensinamentos de Cristo tenham um conhecimento deturpado sobre a fé católica. Se eu tivesse as informações de hoje, jamais seria protestante.”

Esse testemunho simplesmente revela que, se as pessoas hoje não se convertem ao catolicismo como deveriam, isso não ocorre por deficiência dos tradicionalistas, que de fato convertem as pessoas à religião de Jesus Cristo, mas sim por culpa do ecumenismo modernista.

Se procuramos saber quem começou com esse projeto de sabotagem da religião católica mediante o ecumenismo de raiz modernista e naturalista, facilmente chegaremos ao nome de João XXIII. No início dos anos setenta em sua obra Sede Vacante, o Padre Sáenz y Arriaga, com grande pesar, cita uma carta de um protestante que tinha desistido de sua conversão por conta do ecumenismo de João XXIII. Ouçamos o que ele tem a dizer:

“Poderia esperar-se que nós, os protestantes, que cremos implicitamente em Cristo e na grande mensagem fundamental de seu Evangelho, estaríamos contentes pelo compromisso dos católicos romanos com o protestantismo, simbolizado pela Conferencia Ecumênica. Tal não é o caso. Pelo contrário, estamos angustiados. Nos últimos anos o protestantismo tornou-se tão corrompido que parecia que havia se desenvolvido no mundo uma tendência por parte dos protestantes desiludidos para ceder à mensagem conservadora dos evangelistas paulinos. Até mesmo os protestantes dogmáticos não podiam acreditar que a Igreja Romana permitiria infiltrar-se no modernismo, no ceticismo, na subversão, na perversão e na distração.

“Sob o reinado do Papa João XXIII, os protestantes conservadores detectaram uma dissipação da doutrina cristã tradicional dentro da Igreja Romana. Eles testemunharam o convite do Papa João aos líderes comunistas da Rússia, incluindo a filha e o genro de Kruschev. Eles testemunharam os incentivos assombrosos e os estímulos repulsivos oferecidos aos inimigos de Cristo, os judeus. Eles viram líderes protestantes serem recebidos no Vaticano, os mesmos que estiveram encorajando e preparando a apostasia, a perda da fé e o comunismo.

“Estas e outras circunstâncias fizeram com que os protestantes com potencial para conversão à fé católica voltassem atrás ou se arrependessem, porque perceberam que as mesmas forças diluidoras e adulteradoras que haviam corrompido o protestantismo estavam em ação dentro da Igreja Católica. Em anos passados, os dogmas descompromissados da Igreja Católica sugeriam até mesmo às mentes subconscientes dos protestantes que havia neste mundo uma santa preservação da perene fé, que nenhuma força estranha poderia diluir ou adulterar. Essa atitude foi prejudicada por eventos recentes relacionados ao que parece ser o comprometido progressismo dentro da Igreja.

“Quando eu vi que a Conferencia Ecumênica organizada pelo Papa abrira as suas portas aos líderes protestantes, eu sofri – não por causa dos protestantes, mas por causa dos católicos, porque o protestantismo oficial nas Américas e no mundo é agora controlado pelos judeus, infiltrado pelo comunismo e influenciado pelo materialismo.

“O protestantismo é controlado em grande parte por episcopalianos, presbiterianos e metodistas. Essas burocracias religiosas e oficiais são pró-Moscou, socialistas e, na prática, renunciaram à doutrina da salvação pelo Sangue de Cristo e substituíram o Evangelho de Cristo pelo evangelho social; e quando vi essa apostasia materialista, controlada por judeus, sendo colocada sobre os altares do catolicismo, eu disse dentro da minha alma: ‘A Igreja Católica está sendo envenenada com a cicuta da heresia, criada pelos judeus’.”

(https://controversiacatolica.com/2018/08/27/joao-batista-montini-nao-e-um-verdadeiro-e-legitimo-papa/)

A primeira acusação, portanto, é falsa e bem revela a natureza neoconservadora do sr. Conde. Em vez de combater o jacobinismo modernista e tornar ao Antigo Regime, a Aliança de Cristo com os homens em sua Igreja, o infeliz Leonardo Oliveira joga a culpa naqueles que realmente fazem algo pela Igreja, ao passo que escusa e até lisonjeia os verdadeiros culpados pelo desastre pós-conciliar.

2.ª Acusação: Os tradicionalistas são fariseus.

Não menos falsa é a segunda, que tenta ser a justificação da primeira. Segundo o Conde, a Igreja cresce mais com os carismáticos, porque eles são pessoas mais acessíveis e produtivas, com todos os defeitos que o carismatismo tem. Já os tradicionalistas se acham os bons e os salvos, ao passo que os demais são os “sujinhos” – ainda que mais tarde vá dizer que eles tentam converter os pobres etc. (vê-se aqui e no curso de todo o vídeo que ele não é amigo da lógica). Os tradicionalistas são, diz ele, os fariseus condenados no Evangelho segundo São Lucas na parábola do fariseu e do publicano. Gabam-se de sua superioridade moral, mas nada fazem de concreto. Ele chega ao ponto de dizer que raramente encontrou por metro quadrado um maior número de gente ruim do que essas pessoas que vão à Missa Tridentina: gente hipócrita, falsa, canalha, fofoqueira etc.

Ataques pessoais, simplesmente ataques pessoais. Não espere o leitor que o sr. Leonardo Oliveira desça à realidade concreta desses grupos: como bom neoconservador, ele está disposto a tratar os modernistas à pão de ló, mas será duro com aqueles que esforçam-se por observar os ensinamentos e práticas da Santa Igreja Católica, tal como ela ensina em seus catecismos, sermões e documentos pontifícios.

Tudo isso é qualificado como farisaísmo. E, no entanto, eu posso atestar que somente comecei a progredir de verdade na vida espiritual no momento em que comecei a me imbuir dos ensinamentos e práticas espalhados pelos tradicionalistas. Fariseu eu era antes, que adorava o Senhor com os lábios, mas que, instruído pelo verdadeiro farisaísmo modernista, não submetia minha inteligência e vontade a Deus, já que as tradições humanistas destes fariseus modernistas vinham em tempo para atrapalhar e desaconselhar a observância fiel e feliz dos ensinamentos de Cristo.

Aqui a minha palavra tem pelo menos o mesmo peso da do Conde, senão superior. Sei bem do que estou falando. Fui seminarista diocesano por quatro anos, estive envolvido nas pastorais, conheço bem a Renovação Carismática e o Movimento dos Focolares, estudei filosofia em Seminário Inter-Diocesano, tendo conhecimento também do que se passava em outras dioceses, esforcei-me para ser “ministro da palavra”, “ministro da eucaristia”, “catequista da comunidade” e já fui também um “leigo normal”, como o sr. Leonardo Oliveira parece tentar ser. Sei que todas essas coisas, em face da vida que levo hoje (sei que os que me conhecem hão de convir comigo), são perda de tempo e ilusão.

Quando mais para frente no vídeo, ele vai dizer que os tradicionalistas são ricos, usando perfumes de quinhentos reais, e não tem contato com os pobres, não posso deixar de olhar para a realidade concreta de que essa afirmação emana de uma pessoa sentada em uma cadeira, que nada sabe sobre mim, o Seminário São José e as atividades de nossos religiosos e sacerdotes. Não se deve um cristão gloriar senão de suas fraquezas e aqui glorio-me com meus irmãos de nossa condição humilde, de nossa vida entregue nas mãos da Providência Divina, e de nossas fadigas em benefício de todos os cristãos, inclusive dos pobres, ainda que no meio de doença e falta de recursos. Não somos patrocinados pela sinagoga modernista, pela loja maçônica pós-conciliar; e ainda assim muito podemos nos gloriar em nossas fraquezas. Graças a Deus, saímos da cadeira e pusemo-nos a trabalhar. Os frutos estão aí para quem quiser ver, infelizmente o sr. Leonardo Oliveira não parece ser um dos interessados. Em geral, os que vieram e viram, não só se admiraram, mas puseram-se a trabalhar conosco para a maior glória de Deus e salvação das almas.

3.ª Acusação: Os tradicionalistas estão tornando a Missa Tridentina refém de sua seita.

Ele ainda diz que o pior é que Missa Tridentina acabou “se tornando refém desses grupelhos que se acham mais ortodoxos que o Papa”. Pois bem. Aqui não se sabe o que mas lamentar, se é a ignorância do historiador, ou o cinismo do neoconservador. Se o negócio fosse mesmo seguir a ortodoxia de Paulo VI e dos heresiarcas do modernismo, então é evidente que não haveria senão a “Missa” protestantizada do maçom Bugnini, pois Paulo VI deliberou suprimir o rito tridentino (cf. A Armadilha do Motu Proprio, https://controversiacatolica.com/2019/07/13/a-armadilha-da-missa-do-motu-proprio/). Sei da história de muitos padres que foram expulsos de suas paróquias por simplesmente terem o desejo de continuar celebrando o rito tridentino.

Por cerca de quinze anos, foram esses padres desprezados que mantiveram a celebração da Missa de sempre. Eles simplesmente mantiveram o que os modernistas tinham jogado fora com base em ideias heréticas sobre a Missa, a Presença Real, o Sacerdócio, a Participação dos Fiéis, a “Liturgia Primitiva” etc. A intenção não era o monopólio sectário, mas a preservação da liturgia católica contra o monstrengo recém-fabricado do ecumenismo modernista.

Depois os modernistas gradualmente permitiram de novo a Missa Tridentina, mas sob condições tais que legitimassem os seus erros contra a fé e a moral católica. O Conde, porém, parece ter esquecido dessa história, o que é indício de uma mente leviana e superficial. Quem realmente sabe o que aconteceu, entende que a Missa Tridentina sempre foi um patrimônio comum dos católicos, testemunho público de nossa fé, desprezado no princípio e enfim desfigurado pelos modernistas (mudança da oração pelos judeus, padres inválidos, incentivo ao bi-ritualismo etc.) para mais facilmente conduzir os neoconservadores para longe de uma profissão íntegra e sem compromissos da fé católica.

4.ª Acusação: Os tradicionalistas em particular e a Igreja em geral não está sabendo lidar com os problemas de nossa realidade concreta.

Aqui, por fim, chegamos no xis da questão, isto é, aos problemas da Igreja. Essa acusação engloba todos os “grupos” e “movimentos” em uma concepção ecumênica de Igreja, própria de um neoconservador. Contudo, aplica-se sobretudo aos vilões da história, os tradicionalistas.

Com efeito, na cabeça do sr. Leonardo Oliveira, os tradicionalistas são românticos, que tentam fazer uma reprodução mitificada do passado, vivem numa espécie de bolha que, quem sabe, só vai estourar no dia em que visitarem uma favela. Eles não se deixam guiar pela sabedoria das Encíclicas, eles querem que pessoas pobres tenham muitos filhos e que todos assistam à Missa Tridentina, quando hoje as pessoas mal sabem o português.

É inevitável observar que o homem que no final vai completar o aseu discurso dizendo que não se deve sacrificar os princípios da doutrina em nossa adaptação à realidade concreta e que acaba de dizer que cumpre guiar-se pela sabedoria das Encíclicas, não perde tempo em passar por cima de tudo isso no tocante aos fins primários do matrimônio (geração e criação da prole) e da Missa como sacrifício propiciatório e satisfativo, ignorando os sábios ensinamentos da Casti Connubii e do Concílio de Trento. A verdade é que ele sacrificou-as porque aceita as inovações da Gaudium et Spes e da Instrução Geral da Missa Nova, que rechaçam ou diminuem a perder de vista cada uma delas respectivamente. Eis aqui mais uma evidência de que o sr. Leonardo Oliveira é simplesmente um modernista neoconservador da seita Novus Ordo.

Os tradicionalistas não seguem o caminho largo e compromissado do Conde Loppeux. Não por nada pessoal, mas é que a caridade que se deve a Deus nos obriga todos a seguir a porta estreita e é comprovado pela vida dos Santos que essa estrada real da Santa Cruz – essa que é loucura para o mundo, mas sabedoria para Deus – é a única que leva para o Céu e que traz a felicidade certa e verdadeira aos indivíduos e à sociedade inteira. Essa resignação aos ensinamentos tradicionais da Igreja, longe de nos diminuir ou tornar irrelevantes, coopera para o crescimento da Igreja e santifica o mundo ao nosso redor. É por isso que os católicos tradicionais e somente eles são o sal e a luz do mundo. O que nos fortalece é o que nos distingue, e o que nos distingue é o que nos une a Deus em caridade: caridade atestada por nossa fidelidade aos ensinamentos transmitidos por Cristo a seus Santos Apóstolos.

Lula, Francisco e a Choradeira Neocon

A burrice dos neoconservadores chegou a um patamar sem precedentes quando estes foram capazes de aplaudir um documento que cita do princípio ao cabo autores comunistas e subversivos, o qual também se encontra todo em linha com a corrente mais moderna da Teologia da Libertação – uma teoria imbecil, pseudo-teológica, pseudo-científica e sem fundamento cristão, mas que por isso mesmo se enquadra muito bem nos planos e ideais da sinagoga, da maçonaria e da ONU. Assim alegraram-se os neocons pelo mosquito – uhu, os padres não vão casar -, mas deixaram passar um camelo de proporções gigantescas, um camelo que tinha uma saliente pinta vermelha no seu lombo, a qual, onze dias depois, para o pasmo dos observadores desatentos, provou ser uma estrela do PT.

No entanto, neste nosso mundo moderno, não há nada tão ruim que não possa piorar. Como sinal patente de que não sabem do que falam, nem entendem o que leem, as vozes do neoconservadorismo nacional foram capazes de se surpreender e até se emocionar com o fato de o comunista Francisco ter recebido em audiência ao comunista Lula, como se não houvesse entre eles perfeita comunhão de pensamento e de ação. Impressionam-se com um acontecimento assaz previsível e de todo condizente com os movimentos do pseudo-pontificado bergogliano.

Contudo, ninguém se deve admirar de toda essa choradeira. Com efeito, os neoconservadores estão em plena comunhão com Francisco e os demais teólogos da libertação, estão todos juntos debaixo de uma mesma seita modernista que finge ser a Igreja Católica. A reação deles não é reação, a crítica deles não é realmente crítica, porque eles já aceitaram de antemão conferir toda a legitimidade ao inimigo e não há nada neste mundo que o revolucionário faça, realmente nada, que eles não estejam dispostos a tolerar; ainda que para tanto tenham que derramar copiosas lágrimas.

Assim é e tem de ser, porque esses heróis da tolerância, aos quais nenhum Voltaire poderia pôr defeito, aderem à revolução liberal do Vaticano II: eles são os filhos do “tudo pode” em matéria de religião; seu papel na seita modernista é bem-definido e tem funcionado muito bem até aqui: entre lamentos e prantos, abrir e deixar sempre abertas as portas para que entre e se instale a revolução russa dos radicais, os quais hoje são representados por Francisco e os teólogos da libertação, ontem pela dupla Ratzinger e Wojtyla, anteontem por Roncalli e Montini; todos eles convergindo nisto: jamais retornar à doutrina católica e apostólica, aquele Antigo Regime que foi calcada aos pés no Concílio Vaticano II.

E assim eles estão cada vez mais ao gosto do inimigo, sempre mais liberais e sempre mais indulgentes com as medidas mais radicais. Resistem hoje menos do que aqueles que, décadas atrás, começaram a trilhar as sendas do liberalismo herético.

Todos quantos seguem os neocons, saibam que isto nada lhes aproveita, pois seguem pessoas incompetentes e sem perspectiva alguma de representar o catolicismo que eles já fizeram questão de abandonar para o benefício e comodidade de todos os hereges e comunistas. Como péssimas ideias têm terríveis consequências, só se pode esperar que, pela persistência deles nesse caminho torpe, tornem-se eles mesmos cada vez mais semelhantes aos radicais que hoje chorosamente toleram como seus irmãos e pais na fé.

A Maior Mitada do Santa Carona: “Os Rad-Trads são Protestantes!”

ALGUMAS REFERÊNCIAS

Qual é a doutrina católica sobre o ecumenismo https://controversiacatolica.com/2018/06/11/qual-e-a-doutrina-catolica-sobre-o-ecumenismo/

Como se tornar um apologista conciliar https://www.youtube.com/watch?v=KkliysVikXQ&t=170s

Ratzinger: 99% Protestante https://controversiacatolica.com/2019/05/30/ratzinger-99-protestante/

São Pedro Canísio condena o ecumenismo do Vaticano II https://controversiacatolica.com/2018/11/22/sao-pedro-canisio-condena-o-ecumenismo-do-vaticano-ii/

São Roberto Belarmino condena o ecumenismo do Vaticano II https://controversiacatolica.com/2018/12/07/sao-roberto-belarmino-condena-o-ecumenismo-do-vaticano-ii/

Últimas Notícias sobre o Seminário São José (SSJ)

Neste vídeo Padre Rodrigo e eu apresentamos aos nossos benfeitores associados em particular e a todos os que acompanham o nosso trabalho em geral, os resultados obtidos de janeiro para cá e os eventos e projetos deliberados em nossas reuniões ordinárias; explicamos ainda o porquê e como ajudar nossa associação. De maneira especial, agradecemos a todos os que nos têm apoiado e louvamos todos quantos tenham a intenção de colaborar com essa importante obra católica.

Dentre os temas do vídeo, encontram-se:

  • Os próximos eventos realizados no Seminário São José, Retiro de Carnaval e Semana Santa celebrada conforme as rubricas de São Pio X.
  • O projeto de tradução do livro “Obra de Mãos Humanas: Uma Crítica Teológica à Missa de Paulo VI” escrito por Padre Anthony Cekada, bem como os modos com os quais os fiéis podem contribuir para sua publicação.
  • Outras publicações pensadas para os próximos meses.
  • Agradecimento a todos que se inscreveram como membros benfeitores e/ou enviaram doações à conta da associação.
  • A doação de uma Kombi, batizada com o nome de Josefina, o primeiro veículo sedevacantista do Brasil.
  • A necessidade de adquirir no médio prazo uma propriedade-sede do Seminário São José, suficientemente grande para acolher novos candidatos e visitantes.
  • O início do ano acadêmico neste mês de fevereiro.

A MAIOR MITADA DO PAPA FRANCISCO!

“Papa Francisco é um mito!”, diz Guilherme do Santa Carona, um modernista fanático que chegou ao cúmulo do ridículo e da insanidade em sua apologia a Bergoglio. Ele produziu um vídeo sobre as maiores mitadas do “Papa Francisco”, mas se esqueceu da maior de todas! Contudo, nós do Controvérsia vamos mostrar a você essa mitada sem igual.

Em sua Missa na cadeia (Carcere Di Rebibbia) na Quinta-Feira Santa de 2015, Francisco beijou e lavou os pés de um travesti, Isabel, di Lisbona, como se fosse um dos doze apóstolos. Essa é, sem dúvida, a maior mitada de Francisco, uma mitada de heresia contra a moral católica.

FONTES
Entrevista com o Travesti: https://www.youtube.com/watch?v=KnGvgZKSFrI

Missa Completa: https://www.youtube.com/watch?v=480gnx71ev0