A citação de Belarmino sobre “Resistência”: Outro mito tradicionalista

A CITAÇÃO DE BELARMINO SOBRE A “RESISTÊNCIA”: OUTRO MITO TRADICIONALISTA

Pelo Reverendo Padre Anthony Cekada (2004)
http://www.traditionalmass.org/images/articles/Bellarmine-Myth.pdf

Tradução: Luan Guidoni

Citação Belarmino whatsapp

Desde os anos 70, incontáveis escritores tradicionalistas que rejeitaram os ensinamentos do Vaticano II e a Missa Nova, mas que se opuseram ao sedevacantismo, justificaram sua posição reciclando inconsequentemente a seguinte citação de Belarmino:

“Assim como é lícito resistir a um Pontífice que ataca o corpo, também é lícito resistir-lhe quando ataca a alma ou destrói a ordem civil ou, sobretudo, quando tenta destruir a Igreja. Eu digo que é lícito resistir-lhe e impedir a execução de sua vontade. Não é lícito, entretanto, julgá-lo, puni-lo ou depô-lo, porque estes atos competem a um superior.” (De Romano Pontifice, II. 29.)

Esta passagem, eles nos disseram repetidas vezes, apoia a noção de que o movimento tradicionalista pode “resistir” às falsas doutrinas, leis malignas e culto sacrílego que Paulo VI e seus sucessores promulgaram, mas ainda continuar a “reconhecê-los” como verdadeiros Vigários de Cristo. (Esta ideia estranha também é atribuída a outras teólogos como Caetano.)

A mesma passagem de Belarmino – também nos disseram – derruba o princípio por trás do sedevacantismo (de que um papa herético perde o seu cargo automaticamente), porque os sedevacantistas “julgam” e “depõem” o papa.

Essas conclusões, ocorre que, são simplesmente outro exemplo de como baixos níveis intelectuais nas polêmicas tradicionalistas produzem mitos que rapidamente assume uma aura de verdade quase revelada.

Citação de São Roberto Belarmino
Exemplo do mito no Catecismo Católico da Crise na Igreja de Padre Mathias Gaudron (FSSPX), p. 224.

Qualquer um que realmente consulte as fontes originais e que entenda algumas distinções fundamentais de direito canônico chegará a um conjunto de conclusões completamente diferente sobre o que a famosa passagem sobre “resistência” realmente significa, a saber:

(1) Belarmino está falando sobre um papa moralmente mal que dá ordens moralmente más — não de um que, assim como os papas pós-Vaticano II, ensina erros doutrinais ou impõe leis malignas.

(2) O contexto dessa declaração é um debate sobre os erros de galicanismo, e não sobre o caso de um papa herético.

(3) Belarmino está justificando a “resistência” por parte de reis e prelados, não por parte de católicos individuais.

(4) Belarmino ensina no próximo capítulo de sua obra (30) que um papa herético automaticamente perde sua autoridade.

Em suma, a passagem não pode ser aplicada a presente crise e nem invocada contra o sedevacantismo.

Convém fazer um breve comentário a cada um desses quatro pontos:

1. Ordens más, não leis más. Tradicionalistas de fato “resistem” às falas doutrinais (e.g., o ecumenismo) e leis malignas (e.g. a Missa Nova) promulgadas pelos papas pós-conciliares.

Mas na famosa citação, Belarmino trata de um caso completamente diferente: ele foi indagado sobre um papa que ataca alguém injustamente, perturba a ordem pública, ou que “tenta assassinar as almas pelo seu mau exemplo.” (animas malo suo exemplo mitatur occidere). Ele diz em sua resposta que “é lícito resistir-lhe não fazendo o que ele ordena.” (…licet, inquam, ei resistere, non faciendo quod jubet.)

Essa linguagem descreve um papa que dá um mau exemplo ou más ordens, em vez de – como seria o caso de Paulo VI ou seus sucessores – um papa que ensina um erro doutrinal ou que impõe leis malignas. Isto fica claro a apartir do capítulo 27 da obra do Cardeal Caetano, De Comparatione Auctoritatis Papal et Concilii, que Belarmino cita imediatamente para corroborar sua posição.

Primeiro, no título do capítulo 27, Caetano diz que irá discutir um tipo de ofensa papal “outro em vez de heresia” (ex alio crimine quam haeresis.) Heresia, diz ele, altera completamente o estado do papa como cristão (mutavit christianitatis statum). É o “maior crime” (majus crimen). Os outros são “crimes menores” (criminibus minoribus) que “não lhe são iguais” (cetera non sunt paria, [ed. Roma: Angelicum 1936] 409).

Portanto, nem Belarmino, nem Caetano estão se referindo a “resistir” aos erros doutrinais de um papa enquanto se continua a considerá-lo como um verdadeiro papa.

Segundo, através do De Comparatione, Caetano fornece exemplos específicos de delitos papais que justificam essa resistência por parte de seus subalternos: “promoção de perversos, opressão do bem, comportar-se como um tirano, encorajamento dos vícios, blasfêmias, avareza, etc.” (365), “se ele oprime a Igreja, se assassina almas [através do mau exemplo]” (359), “se age manifestamente contra o bem comum da caridade para com a Igreja Militante” (360), tirania, opressão, agressão injusta (411), se “destruir a Igreja publicamente”, vende de benefícios eclesiásticos e faz a permutação de ofícios (412).

Todos esses atos envolvem ordens más (praecepta) – mas ordens más não são o mesmo que leis más (leges). Uma ordem é particular e transitória; a lei é geral e estável. (Para uma explanação, ver R. Naz, “Précepte,” Dictionnaire de Droit Canonique, [Paris: Letouzey 1935-65] 7:116–17.)

O argumento de Belarmino e Caetano justifica a resistência somente às más ordens do papa (vender o benefício de uma paróquia ao maior licitante, por assim dizer). Isso não apoia a noção de que um papa, enquanto ainda retêm a autoridade de Jesus Cristo, possa (por exemplo) impor uma missa sacrílega protestantizada para toda a Igreja, cujo membros podem então “resistir-lhe”, enquanto continuam a reconhece-lo como um verdadeiro papa.

2. Anti-Galicanismo. Escritores tradicionalistas distorcem essa passagem ainda mais, porque eles a citam fora de contexto.

A questão que aparece na discussão de Belarmino é completamente sem relação com qualquer discussão do tradicionalista de nossos dias: os argumentos protestantes e galicanos de que a Igreja ou o papa deveriam submeter-se a um rei ou a um concílio geral. A passagem compreende meramente uma sentença em um capítulo que cobre duas páginas e meia no formato quarto de duas colunas impressas em letras miúdas devotadas a esse tópico. (Veja De Controversiis [Nápoles: Giuliano 1854] 1:413-18).

A passagem foi especificamente tirada da resposta de Belarmino ao seguinte argumento:
Argumento 7. É permitido a qualquer pessoa matar o papa se for injustamente atacada por ele. Portanto, com maior razão, seria permitido ao rei ou a um concílio depor o papa se ele perturba o Estado, ou se ele tenta matar as almas pelo seu mal exemplo.” (op. cit. 1:417)

Essa era a posição dos galicanos, que colocavam a autoridade de um concílio geral acima do papa.

É um absurdo afirmar que uma sentença na resposta de Belarmino a este argumento de algum modo justifica “resistência” geral aos erros do pós-Vaticano II.

A absurdidade torna-se ainda mais evidentemente quando se nota que imediatamente depois dessa sentença, Belarmino cita o De Comparatione de Caetano – todas as suas 184 páginas em formato octavo foram escritas para refutar os erros do galicanismo e do conciliarismo.

3. Não uma “resistência” individual. Nesse contexto, ademais, a citação de Belarmino não justifica a “resistência” aos papas por indivíduos – como alguns tradicionalistas parecem imaginar – mas resistência por parte de reis e concílios.

A opinião galicana refutada por Belarmino matinha que era permitido “por reis ou um concílio” (licebit regibus vel concilio) depor o papa, não há nada de padres individuais ou leigos nisso.

Novamente, esse significado fica claro no capítulo 27 de Caetano. “Príncipes seculares e prelados da Igreja” [principes mundi et praelati Ecclesiae]”, diz ele, possuem vários meios disponíveis para arranjar uma “resistência ou um impedimento para um abuso de poder [resistentiam, impedimentumque abusus potestatis].” (412).”

Logo, é impossível sustentar que Belarmino e Caetano estavam lidando com a questão de um católico individual resistindo ao papa.

4. Belarmino e um Papa Herético. E finalmente, no capítulo que se segue à famosa citação (30), Belarmino trata explicitamente desta questão: “Se um Papa herético pode ser deposto.” (An papa haereticus deponi possit.)

Belarmino refuta as respostas dadas por vários teólogos, inclusive Caetano, que mantinha que um papa herético precisaria ser deposto. Ele baseia sua própria resposta no seguinte princípio:

“Hereges estão fora da Igreja mesmo antes de sua excomunhão e privados de toda jurisdição, estão condenados pelo seu próprio juízo, assim como São Paulo ensina em Tito 3.” (op.cit. 1:419)

O santo concluiu:

“A quinta opinião, portanto, é a verdadeira. Um papa que é um herege manifesto cessa automaticamente (per se) de ser papa e cabeça da Igreja, assim como cessa automaticamente de ser um cristão e um membro da Igreja.” Entretanto, ele pode ser julgado e punido pela Igreja. Esse é o ensinamento de todos os antigos Padres da Igreja que ensinaram que hereges manifestos perdem imediatamente toda jurisdição.”

Os escritos de Belarmino, pois, apoiam em vez de refutar o princípio por trás da posição sedevacantista: um papa herético depõe a si mesmo.

* * * * *

Para finalizar: A noção de que a famosa citação de Belarmino justifica a “resistência” a um verdadeiro papa e simultaneamente “refuta o sedevacantismo” se baseia na ignorância do significado do texto e de seu contexto. Já está na hora dos tradicionalistas pararem de promover tais muitos estúpidos.

Um verdadeiro papa não ensina erros doutrinais por décadas ou promulga uma missa sacrílega – não há necessidade de resistir-lhe.

Anúncios

Missa de Requiem pela alma de Padre Collins

Neste último sábado (10/05/2019), foi celebrada no Seminário São José uma Missa de Requiem pela alma de Padre Joseph Collins e dos sacerdotes fiéis.

fr-joseph-collins-6-640x497

Pe. Collins morreu dia 27 de abril às 11h54 em Albany, Nova York, depois de lutar contra o câncer. Por muitos anos, ele foi pároco da Capela e Santuário St. Michael, em Glenmont, Nova York. Originalmente ordenado por Monsenhor Marcel Lefebvre, estava entre os “Nove” sedevacantistas que foram expulsos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em abril de 1983, após terem enviado uma carta ao Monsenhor Lefebvre e ao Conselho Geral da FSSPX a respeito de sérios problemas com relação à teologia e políticas internas da FSSPX. Os outros oito padres que também assinaram a carta foram os padres Clarence Kelly, Donald Sanborn, Daniel Dolan, Anthony Cekada, William Jenkins, Eugene Berry, Martin Skierka e Thomas Zapp. (Leia na íntegra a Carta dos Nove ao Arcebispo Marcel Lefebvre)

Agradecemos ao Padre Collins por seus muitos anos de trabalho para a glória de Deus e a salvação das almas, e rezamos para que ele logre o repouso eterno. Requiescat in pace.

20190511_08012420190511_09053320190511_090634

 

Jesus consola os Apóstolos

Jesus Cristo, que nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício a Deus em odor de suavidade (Ef 5, 2), consola os Apóstolos antes de sua partida. O Senhor é bom e suave, não permitiria que os seus fossem vítimas de tristeza e sofrimento, se não estivesse certo de que a virtude e o mérito adquirido com tais padecimentos lhes aproveitaria para a vida eterna. E é assim também que o Senhor consola os fiéis de todos os tempos, que não o veem por ora, mas que, perseverando em sua graça, logo verão o Filho de Deus em toda sua glória e isto já estando bem alegres, porque dele não podem mais se separar pelo pecado, nem podem em parte alguma recompensa maior que a herança que Ele lhes preparou.

As virtudes de São José

Na Solenidade de São José, Esposo de Bem-Aventurada Virgem Maria e Padroeiro Universal da Santa Igreja, recordamos as virtudes deste grandiosíssimo santo, sobretudo sua humildade, obediência e silêncio. A primeira virtude nos ensina a contentar-nos com o nosso posto, contrariando sempre o desejo de elevar-se além do que é devido; a segunda mostra com que prontidão devemos nos sujeitar à vontade de Deus, a qual ordinariamente se manifesta por meio das ordens de nossos superiores legítimos; por fim, a terceira nos ensina tanto o silêncio interior quanto exterior, virtude pouco valorizada e por isso ainda mais necessária em nossos tempos de desmesurado ativismo.

Resumo do que há de fazer um cristão para se santificar e salvar

RESUMO DO QUE HÁ DE FAZER UM CRISTÃO PARA SE SANTIFICAR E SALVAR

Dom Macedo Costa

Pelo bispo do Pará, Dom Antônio Macedo Costa, oferecido aos seus diocesanos por ocasião do jubileu universal de 1875.

Para ser um verdadeiro cristão e um santo é preciso:

1.º Crer todas as verdades da fé.
2.º Pôr em Deus toda a nossa esperança.
3.º Amar a Deus sobre todas as coisas.
4.º Encomendar-se sempre a Deus com fervorosa oração, e frequentar os sacramentos.
5.º Guardar os preceitos de Deus e da Igreja.
6.º Aborrecer muito o pecado.
7.º Mortificar as próprias paixões.
8.º Adquirir e praticar as virtudes cristãs.
9.º Amar ao próximo como a si mesmo.
10.º Fazer a todos o bem que puder.
11.º Cuidar de subir ao maior grau de perfeição.
12.º Cumprir as obrigações do próprio estado.
13.º Ter sempre na lembrança a eternidade.
14.º Impor ao corpo alguma mortificação e trazê-lo sempre sujeito à alma.
15.º Viver com os poucos para não se perder com os muitos.
16.º Andar sempre na presença de Deus.
17.º Pensar sempre na paixão e morte de Jesus.
18.º Ser verdadeiro devoto de Maria Santíssima.

Obrigações dos meninos e moços:

1.º Frequentar a doutrina cristã.
2.º Respeitar os mais velhos.
3.º Evitar a vadiação e más companhias.
4.º Fugir dos divertimentos perigosos.
5.º Recolher-se cedo a cesta.
6.º Velar muito sobre si.
7.º Fugir do amor desonesto.
8.º Não tirar escondido coisa alguma.
9.º Suplicar a Deus para bem acertar na escolha do estado de vida.
10.º Nunca obrar sem conselho.
11.º Ser polido e atencioso com todos.

Obrigações do negociante:

1.º Contentar-se de lucro moderado.
2.º Dar a todos o justo em peso e medida.
3.º Manifestar os defeitos secretos do objeto que vende.
4.º Não falsificar as mercadorias.
5.º Não atravessar gêneros, nem fazer monopólio para haver carestia.
6.º Não aproveitar-se da necessidade ou ignorância de quem vende ou compra.
7.º Abster-se de todo engano e fraude.
8.º Ser benigno com os pobres.
9.º Guardar-se sobretudo da usura.

Obrigações de uma jovem:

1.º Ser muito modesta em todas as suas ações.
2.º Andar acautelada a cada passo.
3.º Ser grave e sempre decente nas falas e maneiras.
4.º Gostar de estar em casa e ajudar a sua mãe.
5.º Aplicar-se de continuo ao trabalho.
6.º Raras vezes sair e só por necessidade.
7.º Aborrecer a vaidade nos vestidos e enfeites.
8.º Evitar conversações indiscretas com pessoas de diferente sexo.
9.º Evitar dissipações e profanos divertimentos.
10.º Amar os exercícios de piedade.
11.º Ser muito franca, leal e amorosa para sua mãe e não ter segredos para ela.
12.º Edificar com bons exemplos e doutrina seus irmãozinhos menores.

Obrigações do trabalhador:

1.º Oferecer a Deus suas fadigas e trabalhos.
2.º Trabalhar com diligência, economia e exatidão conforme as regras de sua arte.
3.º Não perder tempo.
4.º Abster-se de falar desonestidade ou dizer mal dos outros durante o trabalho.

Obrigações do artífice:

1.º Fazer as obras com presteza e perfeição.
2.º Não trabalhar nem fazer trabalhar os discípulos nos domingos e dias santos de guarda, de meia noite a meia noite.
3.º Mostrar-se sempre sisudo, leal e honesto, acabando as obras no tempo convencionado, e não enganado a ninguém.

Obrigações do rico:

1.º Render graças a Deus pelas riquezas.
2.º Não pôr nelas toda a confiança.
3.º Não aumentá-las com usuras.
4.º Não conservá-las com injustiça.
5.º Pagar as dividas e mercês com prontidão.
6.º Ser caritativo com os pobres e as Igrejas.
7.º Pensar muitas vezes que os mais dos ricos se perdem pelo mau uso de suas riquezas.

Obrigações da mulher casada:

1.º Amar o marido.
2.º Respeitá-lo como seu chefe.
3.º Obedecer-lhe com afetuosa prontidão.
4.º Adverti-lo com discrição e prudência.
5.º Responder-lhe com toda mansidão.
6.º Servi-lo com desvelo.
7.º Calar quando o ver irritado.
8.º Tolerar com paciência seus defeitos.
9.º Não ter olhos, nem coração para outro.
10.º Educar catolicamente os filhos.
11.º Ser muito atenciosa e obediente para o sogro e sogra.
12.º Benévola com os cunhados.
13.º Prudente e mansa, paciente e carinhosa com toda a família.

Obrigações dos súditos civis:

1.º Render fidelidade e respeito à legítima autoridade estabelecida por Deus, e obedecer-lhe no que não se opuser claro à lei do mesmo Deus.
2.º Pagar os tributos fielmente.
3.º Fazer cada um o que puder para o bem do seu país.

Obrigações da viúva:

1.º Viver pura como as virgens.
2.º Vigilante como as casadas.
3.º Dar exemplos de virtude a umas e outras.
4.º Ser amiga do retiro.
5.º Inimiga dos divertimentos mundanos.
6.º Aplicada à oração.
7.º Cuidadosa pelo seu bom nome.
8.º Amante da mortificação.
9.º Zelosa pela glória de Deus.

Obrigações dos filhos e de qualquer pessoa sujeita:

1.º Considerar os pais ou superiores como representantes de Deus.
2.º Amá-los de coração.
3.º Ter para com eles modos e palavras respeitosas na presença e na ausência.
4.º Obedecer-lhes com gosto e prontidão.
5.º Servi-los com fidelidade.
6.º Socorrê-los nas necessidades.
7.º Sofrer em silêncio suas faltas.
8.º Rogar a Deus por eles.
9.º Ter grande cuidado nas coisas que pertencem à família.

Obrigações do chefe de família:

1.º Regular as despesas da família, segundo suas posses.
2.º Não gastar seus bens em jogos e vaidades.
3.º Pagar aos criados e jornaleiros.
4.º Cuidar da educação dos filhos e servos.
5.º Fazer que frequentem a palavra de Deus e os Sacramentos.
6.º Admoestá-los e repreendê-los com prudência.
7.º Castigá-los sem cólera.
8.º Tratar a todos com igualdade.
9.º Tê-los ocupados.
10.º Ajudá-los nas necessidades.
11.º Assistir-lhes na doença.
12.º Dar-lhes bons exemplos.
13.º Encomendá-los a Deus.
14.º Não permitir em sua casa desonestidades e escândalos.

Obrigações do marido:

1.º Amar a esposa, como Jesus Cristo ama a sua Igreja.
2.º Respeitá-la como sua companheira.
3.º Dirigi-la como lhe sendo sujeita.
4.º Guardar-lhe todo o amor e fidelidade.
5.º Sustentá-la com decência.
6.º Sofrê-la com paciência.
7.º Ajudá-la com caridade.
8.º Repreendê-la com benignidade.
9.º Exortá-la ao bem com palavras, e ainda mais com o exemplo.
10.º Não ofendê-la, nem desonrá-la por fatos, nem por palavras.
11.º Não fazer, nem dizer coisa em presença dos filhos, ainda que pequenos, que lhes possa servir de escândalo.

Obrigações do pobre:

1.º Levar em conformidade com a vontade de Deus sua pobreza.
2.º Não se apropriar de nada alheio sob pretexto de pobreza.
3.º Suportar com paciência as suas consumições e trabalhos.
4.º Trabalhar para ir fazendo um ganho honesto.
5.º Procurar enriquecer-se com os bens do Céu.
6.º Lembrar que Jesus e Maria foram pobres.
7.º Render graças a Deus de estar na boa estrada do Paraíso.

Fazei isto e tereis a vida eterna: Hic fac et vivem.

Glória a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre e em todos os séculos!
Amém.

Domingo do Bom Pastor, Festa de São Pio V e Recepção de Batinas

Este Domingo do Bom Pastor foi escolhido por nós para a realização da cerimônia de recepção de batina, na qual três candidatos ao sacerdócio do Seminário São José receberam a veste talar. Providencialmente, a cerimônia aconteceu no dia da festa de São Pio V, o Papa da Missa e do Rosário. Que os seminaristas e sacerdotes lembrem-se, pela batina que vestem, do sagrado dever de sempre zelar, e quando preciso sofrer, pelos mais altos interesses do reino de Deus. Que os fiéis lembrem-se sempre de rezar pelas vocações sacerdotais e de prover as necessidades dos ministros do altar.