Efeitos da devoção às almas do Purgatório na vida espiritual

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“Desenvolvemos assim um hábito mental que é fatal ao espírito do mundo e à tirania do respeito humano, e que muito nos ajuda a neutralizar o veneno do amor próprio… este é exatamente o espírito do Evangelho, a verdadeira atmosfera da santidade.”

Uma excelência adicional dessa devoção deve ser encontrada em seus efeitos sobre a vida espiritual. Ela parece ser uma devoção especialmente dirigida a almas interiores. Mas o fato é que ela é tão repleta de doutrina, incorpora tanta coisa sobrenatural, que não nos surpreende a influência que exerce na vida espiritual.

Em primeiro lugar, ela é uma obra oculta, do princípio ao fim. Não vemos os resultados, de modo que há pouco alimento para a vanglória; não é uma devoção cujo exercício apareça aos olhos dos outros. Ela implica, ademais, um absoluto desprezo do egoísmo, pois desfazemo-nos de nossas próprias satisfações e indulgências nos mantendo ternamente interessados por um objeto que não nos concerne diretamente. Seu objetivo não é apenas a glória de Deus, mas Sua maior glória.

Ela nos leva a pensar puramente nas almas, o que é muito difícil de fazer neste mundo material, e pensar nelas, também, simplesmente como esposas de Jesus. Desenvolvemos assim um hábito mental que é fatal ao espírito do mundo e à tirania do respeito humano, e que muito nos ajuda a neutralizar o veneno do amor próprio. O pensamento incessante nas Santas Almas faz-nos reter a imagem do sofrimento, não um sofrimento passivo, mas uma gozosa conformidade com a Vontade de Deus. Ora, este é exatamente o espírito do Evangelho, a verdadeira atmosfera da santidade.

FABER, Padre Frederick William. O Purgatório. Campinas: Ecclesiae, 2013, pp. 86-87.


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