Mulheres podem ensinar na Igreja?

Já disse eu aqui que, ao menos por um tempo, ficarei de jejum de sedevacantismo, a fim de melhor dedicar-me à composição de um estudo sistemático da questão. Enquanto isso, neste canal, tratarei de assuntos pendentes ou que ainda não abordei aqui, o que não falta neste ano promissor em controvérsias religiosas e políticas.

Assim eu o farei, sem dúvida, mas é necessário dizer que, enquanto isso, os tradicionalistas e conservadores Novus Ordo não cessam de falar deste assunto. Tome-se como exemplo a Associação Cultural Montfort que muito em breve fará um congresso, no qual, um dos temas em pauta não será outro senão o sedevacantismo. Isso nós aprendemos em um vídeo que nos foi enviado, onde a Dona Lucia Zucchi, por meio de uma comparação, dá o seu breve parecer a respeito do sedevacantismo.

Se não me engano, é a primeira vez que respondo a uma senhora, então me parece oportuno, dadas as circunstâncias, falar aqui, com todo o respeito, de algo mais essencial, que já há muito tempo queria compartilhar com os demais.

Trata-se do papel específico da mulher na Igreja, ou, se quiserem, da razão teológica grave que nos obriga, em consciência, a dizer que a modéstia feminina é ofendida, não só com o usar uma calça ou despojar-se do véu, mas também com o pôr-se a falar em público sobre assuntos de religião, o que, como veremos, constitui não menos do que uma usurpação de um papel próprio do homem.

O motivo fundamental é que as mulheres não receberam de Deus o dom da palavra de sabedoria e ciência para a instrução pública dos homens, mas antes o encargo de cuidar da prole e aconselhar e exortar de maneira privada, como convém ao seu sexo.

Isto mesmo é o que ensina São Paulo no capítulo XIV da Primeira Epístola aos Coríntios e no Capítulo II da Primeira a Timóteo:

“As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar, mas devem estar sujeitas, como também o ordena a lei. E se querem aprender alguma coisa, perguntem-na em casa a seus maridos. Porque é coisa indecente para uma mulher o falar na Igreja”. (1Cor. 14, 34-35).

“Pois eu não permito à mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o marido: Senão que esteja em silêncio. Porque Adão foi formado primeiro, depois Eva: E Adão não foi seduzido, mas a mulher foi enganada em prevaricação. Contudo, ela se salvará pela geração dos filhos, se permanecer na fé, no amor e na santidade com sobriedade”. (1 Timóteo 2, 12-15).

Sobre esta última passagem, comenta Teodoreto:

“O demônio, conhecendo que o homem era mais prudente, não lhe dirigiu os seus primeiros tiros, mas enganou primeiro a mulher. O homem pecou depois, não por sedução, mas por comprazer à mulher. E assim Eva disse: ‘a serpente me enganou’; porém Adão: ‘a mulher me deu a maçã’. A mulher que tinha menores luzes e era mais fraca, pôde ser mais facilmente surpreendida; donde conclui S. Paulo, que não lhe toca a ela ensinar ao homem, nem ter domínio sobre ele”. (Bíblia Sagrada do Padre Figueiredo, reedição de LEB, vol. 12 [PDF], p. 160).

Ao que acrescenta São João Crisóstomo:

“A mulher ensinou uma vez, e tudo subverteu; por isso o Apóstolo disse: ‘Não lhe é permitido tomar a palavra’. Que importa às demais mulheres que ela o tenha feito? Importa certamente; o sexo é fraco e leviano. Aliás, o sermão trata de todo o sexo. Pois não disse: Eva foi seduzida, e sim: ‘A mulher’, designando mais o sexo em comum do que um nome. Como? Todo o sexo por causa dela caiu na prevaricação? Conforme se disse a respeito de Adão: ‘De modo semelhante à transgressão de Adão, que é figura daquele que devia vir’ (Rm 5,14), assim também aqui o sexo feminino prevaricou, não o masculino. E então? Não haverá mais salvação? Sim, foi dito. Qual? Por intermédio dos filhos. Pois não foi dito a respeito de Eva: ‘Desde que, com modéstia, permaneça na fé, no amor e na santidade’, com sobriedade. Qual fé? Qual amor? Qual santidade com sobriedade? Seria como se dissesse: Não vos entristeçais, mulheres, porque vosso sexo é incriminado. Deus vos deu outra ocasião de salvação, a criação dos filhos, de sorte que não só por vós mesmas, mas também por meio de outrem podeis obter a salvação.” (São João Crisóstomo, Homília Nona à Epístola Primeira de São Paulo a Timóteo).

Além da salvação pela educação da prole, Cornélio a Lapide nos recorda que a mulher também pode ensinar ao homem, sem subverter sua autoridade, do seguinte modo:

“Privadamente, Priscila ensinou ao eloquente homem Apolo a fé em Cristo (At 18, 26). E em Tito 2, 4 o Apóstolo expressa o desejo de que as mães ensinem privadamente às filhas e servas a prudência e a modéstia; e uma mulher fiel é ordenada a converter e instruir seu marido infiel (1 Coríntios 7, 16). Assim Santa Cecília ensinou a Valeriano, seu esposo, a fé em Cristo; Santa Natália a Adriano; Santa Mônica a Patrício; Santa Marta a Mário; Teodelinda a Agilulfo, o rei dos lombardos; Clotilde a Clóvis; Flávia Domitila a Flávio Clemente. Pois como diz Crisóstomo na Homilia 60 ao Evangelho segundo São João: ‘Nada é mais poderoso do que uma boa mulher para instruir e formar um homem no que ela quiser. Nem um homem suporta tão facilmente amigos, mestres ou superiores como à sua esposa que o admoesta e aconselha. Pois a admoestação da esposa tem algum poder sensível, pois ela ama mais, ou, como leem outros, é mais amado o que ela aconselha’.”

Não obstante, o grande exegeta jesuíta insiste que, à parte disso, a modéstia feminina sempre requer a submissão e o silêncio:

“Lembre-se também que o Apóstolo não apenas proíbe aqui que uma mulher ensine em público, digamos na igreja, mas também não permite que ela ensine em particular, se ela quiser fazer isso por força de seu ofício ou autoridade. Por isso se segue:

NEM DOMINAR – em grego authentein, que é ‘usurpar a autoridade sobre’ – SEU MARIDO, SENÃO QUE DEVE PERMANECER EM SILÊNCIO – que em grego é hesuchiai, ou seja, ‘em quietude’.

Crisóstomo diz que esse silêncio, esse pudor, essa modéstia confere mais beleza a uma mulher do que uma veste preciosa. E, como diz Eurípides em Hércules: ‘O mais belo dom de uma mulher é o silêncio e a modéstia, e manter a calma interior’. É por isso que (Gregório de) Nazianzo elogia sua irmã Gorgônia desta forma: ‘O que é mais prudente do que o silêncio? Quem conhecia as coisas sagradas melhor do que ela, tanto de oráculos divinos, quanto de sua própria inteligência e discernimento? E ainda quem falou menos do que ela, restringindo-se aos limites da piedade feminina?’ (Cornelius a Lapide, Commentaria in I. Epist. ad Timotheum, cap. II).

Por fim, como uma síntese do que foi dito acima, eis como São Tomás explica o porquê não cabe à mulher o ensino público das coisas da religião:

“Pode-se fazer uso da palavra de dois modos: 1 . Um, privado, quando se fala familiarmente com uma ou poucas pessoas. Nesse caso, a graça da palavra pode convir às mulheres. 2. O outro, público, quando se fala a toda a assembleia. E isto não se concede às mulheres porque:

Em primeiro lugar e principalmente, por sua condição de mulher, ela deve ser submissa ao homem, como fica claro no livro do Gênesis. Ora, ensinar e persuadir publicamente, na assembleia, convém, não aos súditos, mas aos prelados. Contudo, homens que são súditos podem cumprir este ofício por delegação, pois sua sujeição não se deve ao sexo natural, como no caso das mulheres, mas em alguma circunstância acidental que lhes sobrevém.

Em segundo lugar, para que não se desperte a concupiscência do homem, pois diz o livro do Eclesiástico que ‘a conversação [das mulheres] queima como fogo’.

Em terceiro lugar, porque geralmente as mulheres não alcançam a perfeição da sabedoria, para que seja possível confiar-lhes convenientemente o ensino em público. (São Tomás em II-IIae q. 177).

Nota Bene. A edição da Suma Teológica da Loyola, alem de possuir uma nota contrária ao ensinamento de São Tomás (vol. IX, p. 564, b.), traduz “Magis tamen viri subditi ex commissione possunt exequi: quia non habent huiusmodi subiectionem ex naturali sexu, sicut mulieres, sed ex aliquo accidentaliter supervenienti” como “Contudo, se homens que não são prelados, mas súditos, podem cumprir este ofício, é por delegação que o fazem. E isto lhes convém mais que às mulheres, porque a sujeição deles ao superior, não se funda naturalmente no sexo, mas em alguma circunstância acidental que lhes sobrevém”. Creio que o mais elementar estudante de latim perceberá logo que traduzir “non… sicut mulieres” (não… como as mulheres) como “mais… que as mulheres” é um erro impossível de se cometer por acidente. Ao que tudo indica, os tradutores foram da contradição na nota para a corrupção no corpo do texto de São Tomás.

APÊNDICE – NONA HOMÍLIA DE SÃO JOÃO CRISÓSTOMO À PRIMEIRA EPÍSTOLA DE SÃO PAULO A TIMÓTEO

2,11. Durante a instrução a mulher conserve o silêncio, com toda submissão. 12. Eu não permito que a mulher ensine, ou domine o homem. Que ela conserve, pois, o silêncio.
13. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva.
14. E não foi Adão que foi seduzido, mas a mulher que, seduzida, caiu em transgressão.
15. Então, ela será salva pela sua maternidade, desde que, com modéstia, permaneça na fé, no amor e na santidade.

Paulo exige das mulheres muita modéstia, grande honestidade. Por isso remonta não apenas à veste e ao manto, mas inclui a voz. E o que diz? “Durante a instrução a mulher conserve o silêncio.” O que significa isso? A mulher não fale na igreja, conforme declarava também na Carta aos Coríntios: “Não é conveniente que uma mulher fale nas assembleias”. Por quê? Porque a Lei as quer submissas. E ainda noutra passagem: “Se desejam instruir-se sobre algum ponto, interroguem os maridos em casa” (1Cor 14,35). Outrora, de fato, as mulheres, obedecendo a este preceito, calavam; agora, contudo, entre elas há grande tumulto, muito clamor, várias conversas; em parte alguma tanto quanto aqui. Verificarás que todas elas falam, e tanto, nem na praça, nem nas termas. Parecem ter vindo a fim de obterem oportunidade de tratar de inutilidades. Por isso tudo se revoluciona. Não pensam, não aprendem algo de útil, porque não sossegam. Qual a utilidade de nos dispormos a falar, se ninguém presta atenção? O silêncio é necessário de tal sorte que não se fale na igreja não só dos assuntos mundanos, mas nem dos espirituais. Eis o ornamento. A modéstia ornará melhor do que as vestes. Se a mulher se contiver, fará as orações com decência. “Não lhes é permitido tomar a palavra” (1Cor 14,34). Não lhes permito. Qual a consequência? Muitas. Falou sobre o silêncio, a honestidade, a modéstia. Disse: Não quero que elas falem. Retira-lhes qualquer motivo. Não ensinem, mas coloquem-se na posição de discípulos; demonstrem submissão através do silêncio. O sexo feminino é um tanto loquaz e por isso Paulo sempre o reprime. “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido, mas a mulher que, seduzida, caiu em transgressão.” Importa às mulheres de nosso tempo? Sim, assegura. O gênero masculino alcançou honra maior. O homem foi plasmado primeiro. Em outro lugar trata da primazia, dizendo: “O homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem” (1Cor 11,9). Por que o assevera? A fim de atribuir ao homem múltipla prevalência. Em primeiro lugar porque tem a primazia no tempo; segundo, pelos acontecimentos. Ela ensinou uma vez ao homem, tudo subverteu e tornou-o culpado de desobediência. Deus a submeteu, porque empregou mal o domínio, ou antes a igualdade. “Teu desejo te levará ao teu marido” (Gn 3,16). Anteriormente não fora dito. Adão não foi seduzido? Não teria desobedecido se não tivesse sido seduzido? Atenção! “E a mulher respondeu: a serpente me seduziu” (Gn 3,13). Adão não disse: A mulher me seduziu, mas: “A mulher me deu, e eu comi”. Não é o mesmo ser enganado por uma companheira, uma parente ou por um animal, um servo, submisso ao homem, o que constitui verdadeira sedução. Em comparação, portanto, com a mulher afirma-se que ele não foi seduzido, porque ela fora enganada por um súdito e subordinado e ele por uma mulher livre. Ainda relativamente a Adão não foi dito: “Viu que a árvore era boa ao apetite” (Gn 3,6), mas a respeito da mulher diz-se que comeu e deu ao marido. Por conseguinte, ele não prevaricou, vencido pela concupiscência, mas simplesmente obedeceu à mulher. A mulher ensinou uma vez, e tudo subverteu; por isso o Apóstolo disse: “Não lhe é permitido tomar a palavra”. Que importa às demais mulheres que ela o tenha feito? Importa certamente; o sexo é fraco e leviano. Aliás, o sermão trata de todo o sexo. Pois não disse: Eva foi seduzida, e sim: “A mulher”, designando mais o sexo em comum do que um nome. Como? Todo o sexo por causa dela caiu na prevaricação? Conforme se disse a respeito de Adão: “De modo semelhante à transgressão de Adão, que é figura daquele que devia vir” (Rm 5,14), assim também aqui o sexo feminino prevaricou, não o masculino. E então? Não haverá mais salvação? Sim, foi dito. Qual? Por intermédio dos filhos. Pois não foi dito a respeito de Eva: “Desde que, com modéstia, permaneça na fé, no amor e na santidade”, com sobriedade. Qual fé? Qual amor? Qual santidade com sobriedade? Seria como se dissesse: Não vos entristeçais, mulheres, porque vosso sexo é incriminado. Deus vos deu outra ocasião de salvação, a criação dos filhos, de sorte que não só por vós mesmas, mas também por meio de outrem podeis obter a salvação. Vede quantas questões surgem em torno de um mesmo assunto. “A mulher foi seduzida, caiu em transgressão.” Qual? Eva. Ela será salva pela procriação dos filhos? Não o afirma, mas que todo o sexo feminino conseguirá a salvação. Mas não foi ela que prevaricou? Sim; foi Eva quem prevaricou, mas o sexo feminino se salvará pela procriação dos filhos. Mas, por que não por própria virtude? Acaso exclui as outras? E as virgens? E as estéreis? As viúvas que antes de darem à luz perderam os maridos? Acaso estão perdidas? Não têm esperança alguma? Ora, as virgens são mais que todas comprovadas. O que significa isto?

Alguns afirmam que todo o sexo ficou sujeito por causa da criação da primeira mulher. (Eva fora formada em segundo lugar, foi submetida, e o sexo inteiro também ficou submetido). Assim, visto que ela prevaricou, também todo o sexo transgrediu. Mas não é razoável. No primeiro caso, tudo se originara de um dom de Deus (a criação), neste provém do pecado da mulher. O sentido é o seguinte: Todos os homens morrem por causa de um só, porque um só pecou; assim todo o sexo feminino prevaricou, porque a primeira mulher transgrediu. A mulher não se lastime. Deus lhe deu não pequeno consolo, o de dar filhos à luz. Ora, isto vem da natureza, replicas. E aquilo também vem da natureza; foi-lhe concedido não só o que é natural, mas também o relativo à criação dos filhos: “Desde que, com modéstia, permaneça na fé, no amor e na santidade”, com sobriedade, isto é, se depois do parto permanecer na caridade e castidade. Não conseguirão uma pequena recompensa, e sim a máxima por terem nutrido atletas de Cristo. Denomina santificação a vida correta, a sobriedade e a honestidade.

3,1. Fiel é esta palavra:
Refere-se ao acima mencionado. Não à locução: se alguém aspira ao episcopado.

Era ambíguo e por isso disse: “Fiel é esta palavra”, a saber, que os pais poderão ganhar com a virtude dos filhos, bem como as mães, se os educarem honestamente. O que acontecerá se ela for malvada e cheia de inúmeros vícios? Acaso lucrará com a educação dos filhos? Não é mais provável que ela educará os filhos de acordo com os seus costumes? Ele não está tratando de qualquer uma, mas da mulher virtuosa, que receberá grande recompensa e retribuição.

Ouvi, pais e mães! Não faltará a recompensa devida à educação dos filhos. Ele o assevera na sequência: “Se tiver em seu favor o testemunho de suas boas obras” (1Tm 5,10), se educou os filhos. Entre outras, refere-se a esta exigência. Não é sem importância consagrar ao próprio Deus os filhos que Ele deu. Com efeito, terão grande recompensa se lançarem bons fundamentos e boa base, bem como terão castigo se forem negligentes. Efetivamente, Eli pereceu por causa dos filhos. Devia repreendê-los. Admoestou, mas não à medida do necessário; como não queria aborrecê-los, causoulhes a ruína a eles e a si próprio. Ouvi, pais! Instruí vossos filhos na disciplina e avisos do Senhor, com suma diligência.

A juventude é dura e difícil, e precisa de muitos instrutores, mestres, pedagogos, acompanhantes, nutritícios. Mal poderás contê-la apesar de tantos cuidados. A juventude é semelhante a um cavalo indômito e a uma fera selvagem. Se, portanto, colocarmos ótimos limites desde o princípio, desde a tenra idade, não precisaremos depois de muito labor, mas o hábito lhes servirá posteriormente de lei. Não deixemos que empreendam algo que seja agradável e prejudicial ao mesmo tempo, nem os acariciemos como a crianças. Conservemo-los principalmente na castidade, pois o vício oposto é o que mais arruína a juventude. Para tal fim empreguemos muito labor, máxima atenção.

Cedo lhes procuremos esposas, a fim de receberem a noiva com corpos puros e intactos. O amor é então mais ardente. Quem se conservou casto antes do matrimônio, se-lo-á muito mais depois; mas o que antes das núpcias aprendeu a fornicação, também depois a cometerá. “Para o homem sensual todo alimento é doce” (Eclo 23,24). Impõem-se-lhes coroas na cabeça, símbolo da vitória, porque anteriormente invictos; entrem coroados no tálamo, uma vez que não foram superados pela volúpia. Se dominados, entregues a meretrizes, por que, vencidos, trazem uma coroa na cabeça? Devemos darlhe estes avisos e preceitos, atemorizá-los, ameaçá-los, ora com isto, ora com aquilo. Possuímos grande tesouro, a saber, os filhos. Tenhamos solicitude por eles, tudo façamos para que o maligno não no-los arrebate. Sem dúvida, tudo nos é contrário. Fazemos o possível para que o campo se mantenha ótimo, e o entregarmos a um homem fiel. Procuramos asneiro, arrieiro, intendente e despenseiro ótimos. Mas descuidamos do mais precioso: Confiar o filho a quem possa proteger-lhe a castidade, embora ele nos deva ser mais caro do que todas as posses e por causa dele é que possuímos o restante. Preocupamo-nos com deixar-lhes propriedades, não com eles próprios. Vês que coisa absurda? Exercita-lhe a alma, e o restante virá depois. Se a alma não estiver bem, para nada servirá o dinheiro; ao invés, se honesta, a pobreza não a lesará. Quer deixá-lo rico? Ensina-lhe a honestidade. Desta maneira aumentará os bens; e se não aumentar, não ficará em piores condições do que as dos proprietários. Se for perverso, embora lhe transmitas inúmeros bens, não lhe legas um protetor, mas fica em situação pior do que a extrema pobreza. Aos filhos mal-educados é melhor a pobreza do que as riquezas. Com efeito, a pobreza, mesmo a contragosto, os retém na virtude; as riquezas, nem mesmo se o quiserem, permitem que sejam temperantes, mas os afastam, pervertem e projetam em inúmeros males. Mães, educai retamente vossas filhas. É fácil tarefa. Vigiai. Que permaneçam em casa. Sobretudo ensina-lhes a piedade para serem honestas e desprezarem o dinheiro, livres da vaidade. Conduzi-as assim até as núpcias. Bem formadas, não apenas preservar-se-ão a si próprias, mas também ao futuro esposo; não só ao esposo, mas igualmente aos filhos, nem apenas aos filhos, mas ainda aos netos. Pois, se a raiz é boa, os ramos também se expandem, e haverá total recompensa. Tudo realizemos, considerando não apenas o bem de uma alma, mas por meio de uma a de muitas. Despeçam-se da casa paterna para as núpcias, como o atleta sai da arena, instruídas cuidadosamente em toda ciência, qual fermento que leveda toda a massa. Ainda sejam os filhos tão respeitosos que se façam reconhecer mais pela honestidade e castidade, e alcancem grandes louvores perante Deus e os homens. Aprendam a controlar a alimentação, a abster-se de excessivos gastos, a economia, a caridade, a submissão. Retribuam deste modo aos pais. E tudo redundará para a glória a Deus e a nossa salvação, em Cristo Jesus, nosso Senhor, ao qual com o Pai, na unidade do Espírito Santo glória, império, honra, agora e sempre e nos séculos dos séculos. Amém.

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