Os Dez Mandamentos da Lei de Deus em geral

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15.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. Os Dez Mangamentos da Lei de Deus em geral.

Revise a lição sobre o Sacramento do Matrimônio.

I. É muito sábio desejar aprender e compreender os Dez Mandamentos da Lei de Deus ou o Decálogo, pois a fé sem a caridade e a observância da Lei de Deus não basta para a salvação. É verdade que Jesus Cristo aboliu os preceitos judiciários e cerimoniais da antiga Lei, mas também é verdade que Nosso Senhor confirmou os Dez Mandamentos na Nova Lei e fez de seu cumprimento o caminho necessário para a vida eterna. Assim responde o Divino Mestre a quem lhe pede o que fazer para salvar-se: “Se tu queres entrar na vida, guarda os Mandamentos.” (Mt 19, 17). E, de fato, no dia do Juízo não pedirá o Senhor conta de nossa fé, pois o que não crê já está condenado (Mc 16, 16; Tt 3, 10), mas pedirá sim conta de nossas obras (Mt 25, 31-46).

II. Muitas razões podem ser apresentadas para mostrar a excelência dessa lei. Em primeiro lugar, porque Deus estabeleceu esta lei desde o princípio, escrevendo-a nos corações dos homens e depois, de forma solene – entre raios, trovões e o barulho de trombetas – gravou-a em duas tábuas de pedra para que dela não se desviassem. Em segundo lugar, porque esta lei é fonte e origem de todas as demais: todas as outras leis derivam dela e só merecem o nome de leis quando estão em conformidade com ela. Em terceiro lugar, porque ela é a lei mais geral que pode se encontrar, obrigando não só os cristãos, mas também judeus e pagãos, homens e mulheres, ricos e pobres, sábios e ignorantes. Em quarto lugar, porque essa lei é necessária para a salvação, como Nosso Senhor frequentemente afirma no Evangelho.

III. O fim dos Mandamentos é o amor de Deus e do próximo, posto que todos eles ensinam que não devemos ofender a Deus, nem ao próximo. Então, os Dez Mandamentos podem ser reduzidos a esses dois: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Por isso, eles foram divididos em duas tábuas gravados em pedra. A primeira tábua continha os três mandamentos que declaram nossas obrigações perante Deus, enquanto a segunda continha sete mandamentos envolvendo nossas obrigações para com o nosso próximo. Ainda assim, embora a primeira contenha somente três e a outra sete, elas não diferem muito uma da outra, porque os mandamentos da primeira tábua são dados em muitas palavras, enquanto aqueles da segunda são expressos com menos palavras.

IV. Devemos, então, amar a Deus sobre todas as coisas, com todo o coração, com toda a mente, com toda alma e com todas as forças. Devemos também amar o nosso próximo como a nós mesmos. Amar o próximo é querer-lhe bem, ajudá-lo em suas necessidades, confortá-lo nas suas dificuldades, desejando a ele o mesmo bem que desejamos a nós mesmos. Próximos não são somente os nossos parentes e amigos, mas todos os homens, inclusive os nossos inimigos, sem exceção alguma. Isso quer dizer que infiéis, hereges e todos aqueles que não pertencem à Igreja devem ser contados como nossos próximos: porque eles também são homens e podem converter-se e salvar-se, devemos sempre desejar o bem de sua conversão e salvação. De fato, todos os homens foram criados à imagem e semelhança de Deus, por todos eles morreu Jesus Cristo e todos têm a vida eterna como fim último.

V. Os mandamentos sobre Deus são três, porque nos ensinam a amar a Deus com o coração, palavras e obras. Os mandamentos sobre o próximo são sete, porque um ensina o bem que devemos fazer ao nosso próximo e os seis seguintes a não fazer-lhe nenhum mal: nem à sua pessoa, nem à sua honra, nem aos seus bens e, neste último caso, nem por meio de obras, palavras ou desejo.

VI. Os Dez Mandamentos são os seguintes:

1.º Amar a Deus sobre todas as coisas;
2.º Não tomar o seu Santo Nome em vão;
3.º Guardar os domingos e festas;
4.º Honrar pai e mãe;
5.º Não matar;
6.º Não pecar conta a castidade;
7.º Não furtar;
8.º Não levantar falso testemunho;
9.º Não desejar a mulher do próximo;
10.º Não cobiçar as coisas alheias.

VII. Os mandamentos são precedidos por este prefácio: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão”. Por meio dessas palavras temos três argumentos pelos quais sabemos que Deus pode dar uma lei a nós e que nós estamos obrigados a observá-la. O primeiro argumento está contido nas palavras: “Eu sou o Senhor”, porque sendo ele Senhor supremo e principal, que nos criou a todos do nada, sem dúvida alguma, ele pode prescrever uma lei para os seus servos. O segundo está contido na palavra “teu Deus”, porque embora nós sejamos obrigados a obedecer-lhe como servos ao seu Senhor e como súditos ao seu Rei, além disso nós estabelecemos um pacto com ele pelo Batismo. De fato, Deus nos adotou como filhos e nós em retorno o tomamos como nosso Pai. O terceiro argumento procede das palavras: “que te tirou da terra do Egito, da casa da escravidão”. Com efeito, os mandamentos são também deveres de gratidão. Deus nos livrou da escravidão do demônio e do pecado, que eram figurados na opressão do Faraó Egípcio, da qual os hebreus foram libertos por Deus.

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